02 leiturae producaodetextos

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  1. 1. LEITURAE PRODUÇÃO DE TEXTO 1
  2. 2. SOMESB Sociedade Mantenedora de Educação Superior da Bahia S/C Ltda. Leitura e Presidente ♦ Gervásio Meneses de OliveiraProdução de Vice-Presidente ♦ William Oliveira Texto Superintendente Administrativo e Samuel Soares Financeiro ♦ Germano Tabacof Superintendente de Ensino, Pesquisa e Extensão ♦ Pedro Daltro Gusmão da Silva FTC - EaD Faculdade de Tecnologia e Ciências - Ensino a Distância Diretor Geral ♦ Waldeck Ornelas Diretor Acadêmico ♦ Roberto Frederico Merhy Diretor de Tecnologia ♦ Reinaldo de Oliveira Borba Gerente Acadêmico ♦ Ronaldo Costa Gerente de Ensino ♦ Jane Freire Gerente de Suporte Tecnológico ♦ Jean Carlo Nerone Coord. de Softwares e Sistemas ♦ Romulo Augusto Merhy Coord. de Telecomunicações e Hardware ♦ Osmane Chaves Coord. de Produção de Material Didático ♦ João Jacomel EQUIPE DE ELABORAÇÃO/PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO: ♦ PRODUÇÃO ACADÊMICA ♦ Gerente de Ensino ♦ Jane Freire Coordenação de Curso ♦ Tatiana Lucena Autor (a) ♦ Luciana Moreno Supervisão ♦ Ana Paula Amorim ♦ PRODUÇÃO TÉCNICA ♦ Revisão Final ♦ Carlos Magno. Equipe ♦ Ana Carolina Alves, Cefas Gomes, Delmara Brito, Ederson Paixão, Fabio Gonçalves, Francisco França Júnior, Israel Dantas, Lucas do Vale e Marcus Bacelar Ilustração ♦ Francisco França Júnior Imagens ♦ Corbis/Image100/Imagemsource copyright © FTC EaD Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/98. É proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios, sem autorização prévia, por escrito, da FTC EaD - Faculdade de Tecnologia e Ciências - Ensino a Distância. www.ftc.br/ead 2
  3. 3. Sumário LEITURA, ORALIDADE E ESCRITA ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 07 LEITURA ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 07Leitura: Novos Saberes, Novos Sabores ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 07 A ESCRITA ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 15 A Escrita: Importância e Peculiaridade ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 15 O que dizem (e fazem) os Grandes Autores ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 16 Oralidade e escrita: Diferentes mas não Dicotomicas ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 18 Níveis de linguagem ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 21 O Texto Escrito ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 23 Criando Estilos ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 25 TEXTO: TIPOS E GÊNEROS ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 28 TECENDO PALAVRAS E SENTIDOS ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 28 As Possibilidades Textuais: Texto Literário e Texto Não-Literário O Texto e o Texto Não-Verbal ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 30 O Texto e os Fatores de Contextualidade ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 34 Coesão e Coerência: A Construção de Sentidos e seus Mecanismos ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 35 Intertextualidade ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 38 Coesão e Coerência ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 41 TIPOS E GÊNEROS TEXTUAIS ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 43 Conto: A poesia Inesperada do Cotidiano ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 47 Crônica: Uma Fotografia do Cotidiano ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 34 Atividade Orientada ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 57 Glossário○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 60 Referências Bibliográficas ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 61 3
  4. 4. Leitura eProdução de Texto 4
  5. 5. Apresentação da disciplina Caro Aluno! Tenho um convite para fazer a você. Para isso, usarei as palavras do poetamineiro Carlos Drummond de Andrade, em “A Procura da Poesia”: Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível que lhe deres: Trouxeste a chave? Bem, o convite está feito. As palavras e os textos estarão por toda parte docaminho que iremos trilhar. Precisamos olhá-las, contemplá-las, amá-las. Elas sãobasilares para a nossa percepção do mundo, para o reconhecimento da história da ohumanidade (que é a nossa própria história), para a valorização e a interação comoutro. É também através dela que nos inserimos como sujeitos ativos, reflexivos etransformadores na sociedade. A palavra tem, sim, mil faces: ora nos faz perceber o outro, ora nos faz conhecera nós mesmos; ora é arma, ora é bálsamo; ora nos leva a reflexão e descoberta, oranos leva ao prazer e ao deleite. Todavia, muitas vezes, nossa relação com a palavraé tímida, agressiva ou simplesmente limitada e nos impede de tornar cotidiano oexercício de contemplação. Ou pior, não temos a chave, ou seja, desconhecemos asmúltiplas maneiras de compreendermos as palavras que estão no mundo para seremlidas, descobertas e saboreadas. Por conseguinte, também não sabemos usar asnossas próprias palavras, temos dificuldades em produzir os nossos própriosdiscursos. Em suma, a inconsciência da importância da palavra em nossas vidas nosconfina num mundo superficial, sem dores nem delícias, sem conhecimento nemreconhecimento. A disciplina Leitura e Produção de Texto é mais que um convite auma relação amorosa e utilitária (salve-se a contradição) com a palavra. Ela tambémé um momento ímpar para acharmos a chave e começarmos a abrir as portas quenos conduzem aos infinitos reinos da palavra, pois nos subsidia com informaçõesrelevantes para ampliarmos os nossos conhecimentos lingüísticos, nos adentrando-nos no processo de constante formação como leitores e produtores de texto. O convite está feito. Permita-me, mais uma vez, trazer Drummond a nossaconversa: “penetra surdamente no reino” das palavras. E usufrua todos os poderesque a linguagem proporciona. Seja bem vindo! Profa. Luciana Moreno 5
  6. 6. Leitura eProdução de Texto 6
  7. 7. LEITURA, ORALIDADE E ESCRITA LEITURA Leitura: Novos Saberes, Novos Sabores Saber ler sempre foi confundido com a possibilidade de reconhecer e decodificar ocódigo escrito, todavia fazer isso é meramente decifrar. Ler envolve mais saberes e, comodiria Rolland Barthes, muito mais “sabores”. Aprendemos alguns modos de ler que já não mais condizem às necessidades domundo atual. Desta forma, cada leitor precisa ‘esquecer’ algumas técnicas de ler adotadaspelas instituições educacionais (que cada vez mais demonstram a sua ineficácia na formaçãode sujeitos leitores) e construir seus próprios modos de ler. Contudo, antes deste processode construção que se faz e se refaz (mas nunca se esgota), torna-se necessário oentendimento do que é leitura. A leitura possui muitos sentidos. Tomar um em detrimento dos outros é uma formaparcial e superficial de concebê-la. É impossível tomar um conceito sem prejuízo dos outros,pois estes se complementam. O leitor é o responsável pelo controle deste processo, quecompreende algumas etapas; aí vão elas: a obtenção da informação; o uso consciente ouinconsciente de estratégias de compreensão leitora; a avaliação da informação obtida e aprodução de um juízo de valor sobre o lido. Define-se leitura como atribuição de sentido à escrita, ou seja, quando lemos, estamos não só fazendo a versão oral do escrito, mas, sobretudo, construindo sentido a partir do escrito, questionando-o e explorando o que está nele e além dele. O ato de ler é um processo não linear, pois o significado do texto não está na soma das sucessivas palavras que o compõem, por isso, o uso do dicionário para decifrar todas as palavras desconhecidas é muitas vezes irrelevante. Até porque, sem precisar consultá-lo, o leitor está sempre inferindo, criando hipóteses...adivinhando sentidos. Então, onde estará o sentido? Então, Ousar e brincar, produzindo sucessivas adivinhações é uma ótima maneira de obtero acerto. O leitor, a todo momento, antecipa índices, a partir do que já conhece e fazassociações com aquilo que desconhece, atribuindo os significados possíveis ao ‘ex-ótico’,isto é, achando significação para tudo que até o momento encontrava-se fora (ex) do seucampo de visão (ótico). Ler é tratar com os olhos a linguagem feita para os olhos, afirmaFoucambert (1994), ou seja, a leitura da linguagem escrita exige o uso constante da memóriavisual. Neste emaranhado de definições, ou melhor, nesta trama (termo mais propício quandose trata de texto), confunde-se a oralização e a leitura em voz alta com leitura propriamente 7
  8. 8. dita. A primeira refere-se ao reconhecimento dos símbolos do código escrito e posterior construção dele, oralmente, a segunda é “a opção de traduzir oralmente o que já foi compreendido na leitura”(Foucambert, 1994). Leitura eProdução de Finalmente, a leitura é atribuição de sentido ao texto escrito, Texto usando as informações visuais e as informações prévias do leitor; envolve um leitor ativo que processa e examina o texto, guiado por um objetivo. Vale ressaltar que a interpretação do texto variará de acordo com o objetivo do leitor. O sentido do texto não é uma tradução do leitor ao sentido que o autor quis dar a ele, portanto torna-se descabida a pergunta: ‘o que o autor quis dizer?’, tão recorrente nos exercícios escolares de interpretação, pois a aventura da construção do sentido do texto desenvolvido pelo leitor envolve o texto per si, os conhecimentos prévios do leitor e seus objetivos. ‘Esse negócio de criança ler por conta própria é muito recente na história do mundo, afirma Ziraldo (2001).Sabemos que a formação do leitor de forma voluntária é um fenômeno recente em nossa sociedade, as crianças se tornam leitoras devido ao estímulo dos pais, professores, curiosidade ou vocação. Desta forma, se nós professores não formos leitores vorazes como podemos estimular a criança a buscar o prazer através da leitura? O que dizem os teóricos? Para Negamine (2001), o ato de ler é um processo abrangente e complexo; é um processo de compreensão, de intelecção de mundo que envolve uma característica essencial e singular ao homem: a sua capacidade simbólica e de interação com o outro pela mediação da palavra. Para Paulo Freire (1981), o ato de ler não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Para Marisa Lajolo (2001), Ninguém nasce sabendo ler: aprende-se a ler à medida que se vive. Se ler livros geralmente se aprende nos bancos da escola, outras leituras se aprendem por aí, na chamada escola da vida... Para Isabel Sole (1998), a leitura é um processo de interação entre o leitor e o texto; neste processo tenta-se satisfazer [obter uma informação pertinente para] os objetivos que guiam sua leitura. 8
  9. 9. Para refletir... Doze maneiras simples de tornar difícil a aprendizagem da leitura:1. Estabeleça como meta o domínio precoce das regras de leitura;2. Cuide bem para que a fonética seja aprendida e utilizada;3. Ensine as letras ou as palavras, uma a uma, certificando-se de que cada letra ou palavrafoi assimilada antes de passar para a seguinte;4. Defina como objetivo principal uma leitura palavra por palavra perfeita;5. Não deixe as crianças adivinharem; pelo contrário, exija que elas leiam com atenção;6. Procure evitar de todas as maneiras que as crianças errem;7. Dê um feed-back imediato;8. Detecte e corrija os movimentos incorretos dos olhos;9. Identifique os eventuais disléxicos e trate-os mais cedo possível;10. Esforce-se para que as crianças aprendam a importância da leitura e a gravidadedo fracasso;11. Aproveite as aulas de leitura para melhorar a ortografia e a expressão escrita; insistatambém em que os alunos falem a melhor língua possível;12. Se o método utilizado não lhe satisfizer, tente outro. Esteja sempre alerta para acharmaterial novo e técnicas novas. (Artigo publicado em L’Education, 22 de maio de 1980. In: FOUCAMBERT, Jean. A leitura em questão. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994). Esse texto dirige-se ao professor; todavia, bem que poderia se referir à forma comque nós aprendemos a ler na escola. Faça uma breve ‘viagem’ pela sua história de leitura,respondendo o questionário abaixo e tentando relacioná-lo com o texto Doze maneirassimples de tornar difícil a aprendizagem da leitura. Depois, socialize com seus colegas eprofessor as diversas respostas e construam a definição de vocês para a leitura. 9
  10. 10. O que é ler para você?? Em sua casa havia livros, revistas e jornais? ______________________________________________________________________ Leitura e Havia alguém em sua casa que o (a) estimulava a ler? Quem era essaProdução de pessoa? Antes de entrar na escola, já tinha familiaridade com o mundo da Texto leitura? ______________________________________________________________________ Você considera que suas experiências de leitura foram enriquecidas e estimuladas pela escola? Fale sobre isso. ______________________________________________________________________ Como eram as atividades de leitura desenvolvidas pela escola? _______________________________________________________________ Quais os livros lidos por você durante seu período escolar? ____________________________________________________________ Havia biblioteca na sua escola? Ela era freqüentada por você? Quais das ações desenvolvidas pelo professor aconteciam no espaço biblioteca? ______________________________________________________________________ Você participa de atividades culturais, tais como teatro, cinema, concertos, festivais de música, de dança, exposições? Quais e com que freqüência? ______________________________________________________________________ Você costuma comprar jornais, revistas, livros? _______________________________________________________________________ Você tem o hábito de tomar livros emprestados? De quem? ______________________________________________________________________ Você costuma compartilhar suas leituras com alguém? Exatamente com quem? ______________________________________________________________________ Você costuma freqüentar bibliotecas? Qual (is) e com que freqüência? ______________________________________________________________________ O que é um clássico para você? Você já leu algum? Qual/quais? ______________________________________________________________________ Nesse momento, você está lendo o quê? _______________________________________________________________________ Qual o livro que você indicaria para : Seus amigos:___________________________________________________________ Seus professores:_______________________________________________________ Seus pais:_____________________________________________________________ Seus alunos:_____________________________________________________________ Seus filhos:_____________________________________________________________ Seu (sua) companheiro (a):_________________________________________________ Um estrangeiro:_________________________________________________________ Saiba mais... O leitor traça planos, estratégias para obter, avaliar e utilizar informação e, assim, construir significados, compreender o texto lido. As estratégias de leitura se constroem e se modificam, pois o leitor desenvolve seus modos de ler através da leitura. Nós 10
  11. 11. utilizamos as estratégias abaixo ao mesmo tempo e, muitas vezes, inconscientemente. São quatro as estratégias de leitura. a)Seleção: o leitor elege os índices mais relevantes e úteis para não ficar sobrecarregado de informações desnecessárias; b)Antecipação: capacidade de antecipar o texto com base nas pistas do mesmo;o leitor prevê o que ainda não apareceu a partir de índices como gênero do texto, autor, título, contexto de produção. Por exemplo, o leitor, ao deparar-se com um texto de Esopo, certamente antecipará que se trata de uma fábula, há animais como personagens e uma moral ao término da história. c)Inferência: percepção do que não está dito no texto de forma explícita, ou seja, deduções que podem ser confirmadas ou não no decorrer do texto. O leitor tenta adivinhar as informações das ‘entrelinhas’.Tais predições não são casuais; elas se baseiam nas pistas dadas pelo próprio texto, pelo conhecimento conceitual e lingüístico do leitor. d)Verificação: o leitor é o responsável pelo controle de sua própria leitura; é ele que pode confirmar se foi capaz de compreender o texto, de construir sentido a partir dele, por isso faz a análise da compreensão, permitindo confirmar ou rejeitar as deduções realizadas durante a estratégia de inferência, por exemplo. Brincar de Ler... No texto abaixo, diversas palavras foram subtraídas. Faça a leitura do texto vazado e recoloque os vocabulos que você acha que foram retirados. Existem várias possibilidades de colocação de palavra. Só não é permitido alterar o sentido do texto! As * pulgas Muitas * caíram e caem na armadilha das * drásticas de coisas que não precisamde alteração, apenas de * . O que lembra a história de * pulgas. Duas pulgas estavam conversando e então uma comentou com a outra: - Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos *. Daí nossa * desobrevivência quando somos percebidas pelo cachorro é *. É por isso que existem muitomais moscas do que *. E elas contrataram uma * como consultora, entraram num programa de reengenhariade vôo e saíram voando. Passado algum tempo, a primeira pulga falou para a outra: 11
  12. 12. - Quer saber? Voar não é o suficiente, porque ficamos grudadas ao * do cachorro e nosso tempo de reação é bem menor do que a velocidade da * dele. Temos de aprender a fazer como as * , que sugam o néctar e levantam vôo rapidamente. Leitura e E elas contrataram o serviço de consultoria de uma abelha, que lhesProdução de ensinou a técnica do chega-suga-voa. Funcionou, mas não resolveu. A Texto primeira pulga explicou o porquê: - Nossa bolsa para armazenar * é pequena, por isso temos de ficar muito tempo sugando. Escapar, a gente até escapa, mas não estamos nos * direito. Temos de aprender como os * fazem para se alimentar com aquela rapidez. E um pernilongo lhes prestou uma * para incrementar o tamanho do abdômen. Resolvido, mas por poucos minutos. Como tinham ficado *, a aproximação delas era facilmente percebida pelo cachorro, e elas eram espantadas antes mesmo de pousar. Foi aí que encontraram uma saltitante *: - Ué, vocês estão *! Fizeram plástica? - Não, reengenharia. Agora somos pulgas adaptadas aos desafios do **. Voamos, picamos e podemos armazenar mais alimentos. - E por que estão com cara de *? - Isto é temporário. Já estamos fazendo consultoria com um *, que vai nos ensinar a técnica de radar. E você? - Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sadia. Era verdade. A pulguinha estava viçosa e bem alimentada. Mas as pulgonas não quiseram dar a pata a torcer. - Mas você não está preocupada com o *? Não pensou em reengenharia? - Quem disse que não? Contratei uma * como consultora. - O que as lesmas têm a ver com pulgas? - Tudo. Eu tinha o mesmo problema que vocês duas. Mas, em vez de dizer para a lesma o que eu queria, deixei que ela * a situação e me sugerisse a melhor *. E ela passou três dia ali, quietinha, só observando o * e então ela me deu *. - E o que a lesma sugeriu fazer? - “Não mude nada. Apenas sente no * do cachorro. É o único lugar que a * dele não alcança”. MORAL: Você não precisa de uma reengenharia radical para ser mais eficiente. Muitas vezes a grande * é uma simples questão de *. Texto atribuído a Max Gehringer Antes de ler o texto abaixo, tente descobrir, através das dicas fornecidas, o tema a ser abordado no texto. Anote as deduções e hipóteses construídas por você. A cada informação nova, você rejeitará algumas ‘adivinhações’ e confirmará outras. DICA A: é um texto extraído do livro ‘Companheira de Viagem’. DICA B: o título do texto é ‘A Última Crônica’. DICA C: o gênero do texto é crônica. DICA D: o texto fala sobre a inquietação que o processo de escrita provoca no escritor. DICA E: no texto aparecem três personagens compondo uma família. DICA F: o autor do texto é Fernando Sabino. Leia o texto com atenção e veja se suas predições e inferências foram acertadas. 12
  13. 13. A Última Crônica Fernando Sabino A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto aobalcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito maisum ano esta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendiaapenas escolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto daconvivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico.Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras deuma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noçãodo essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto overso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Nãosou poeta e estou sem assunto. Lanço, então, um último olhar fora de mim, onde vivemos assuntos que merecem uma crônica. Ao fundo do botequim, um casal de pretos acaba de sentar-se numa das últimasmesas de mármore ao longo da parede de espelhos. À compostura da humildade, nacontenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha deseus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou tambémà mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidadeao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional dafamília, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar afome. Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retiroudo bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão umpedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa,como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homeme depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem dofreguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho- um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinhoque o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai,mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa deplástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos,e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observaalém de mim. São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente nafatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas.Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra comforça, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada,cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “parabéns pra você, parabénspra você...” Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarrafinalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhandopara ela com ternura, ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhecai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamentedo sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram,ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentandoo olhar e, enfim, se abre num sorriso. Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso. 13
  14. 14. SABINO, Fernando. A Última Crônica. In: ______. A companheira de viagem. Rio de Janeiro: Do Autor, 1965. p. 174. Leitura eProdução de Texto Indicações de leitura... Depois de tantas informações sobre leitura, um bom caminho para verificar se tudo o que foi dito e discutido pode ser ‘saboreado’ é passar para a prática. Que tal ter acesso, através da leitura, a uma palestra sobre o a importância do ato de ler no Congresso Brasileiro de Leitura (evento que até hoje acontece a cada biênio na UNICAMP), ministrada nada mais nada menos por Paulo Freire, nosso ‘educador universal’? FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 39.ed. – São Paulo, Cortez, 2000. A arte, dentre elas, a literatura, acessível a tão poucos pode mudar a forma das pessoas lerem o mundo. Ficha Técnica: Elenco Principal: José Dumont, Rodrigo Santoro, Rita Assemany e Ravi Ramos Lacerda Direção: Walter Salles Produção: Arthur Cohn Brasil - Suíça - França 2001 1h39m Dolby SR/DTS e SRD Uma co-produção VideoFilmes, Haut et Court, Bac Films e Dan Valley Film AG. Abril Despedaçado é livremente inspirado no livro homônimo do escritor albanês Ismail Kadaré. Abril 1910 - Na geografia desértica do sertão brasileiro, uma camisa manchada de sangue balança com o vento. Tonho, filho do meio da família Breves, é impelido pelo pai a vingar a morte do seu irmão mais velho, vítima de uma luta ancestral entre famílias pela posse da terra. Se cumprir sua missão, Tonho sabe que sua vida ficará partida em dois : os 20 anos que ele já viveu, e o pouco tempo que lhe restará para viver. Ele será então perseguido por um membro da família rival, como dita o código de vingança da região. Angustiado pela perspectiva da morte e instigado pelo seu irmão menor, Pacu, Tonho começa a questionar a lógica da violência e da tradição. É quando dois artistas de um pequeno circo itinerante cruzam o seu caminho... [ Para saber mais acesse: ] www.abrildespedacado.com.br/ 14
  15. 15. A ESCRITA A Escrita: : Importância e Peculiaridades Duas concepções devem estar claras na cabeça de quem almeja ampliar os conhecimentos lingüísticos: a) a linguagem se aprende pelo uso; b) existem vários usos de linguagem. O aperfeiçoamento dos usos de linguagem provoca o aperfeiçoamento do indivíduo, todavia, este ato de aprimorar-se lingüisticamente não se refere ao mero (e limitado) conhecimento da língua padrão nem apenas ao conhecimento satisfatório da linguagem oral, pois estas são algumas das múltiplas possibilidades de uso da língua. É também de enorme importância o conhecimento e domínio da modalidade escrita da língua. Escrever não é possível somente para os grandes autores; ‘é uma atividade socialindispensável (Câmara Jr. 1972) para qualquer pessoa. Alguns concebem que a escrita éinerente a uns enquanto não é a outros, pois aqueles têm facilidades em redigir um texto.Não é isto que ocorre de fato. Na verdade, apenas alguns se tornam grandes romancistasou escritores reconhecidos. Todavia, todos podem se comunicar de forma coerente e eficaz,usando a escrita. Inicialmente, é preciso saber que não há modelo único para a redação,não há sequer estrutura rígida. ‘Há apenas uma falta de preparação inicial que a prática e oesforço vencem’ (Câmara Jr. 1972). A fala é a primeira forma de expressão lingüística, todavia, a necessidade de fixá-la,de levá-la para outros contextos, fomentou a busca pela possibilidade de uma representaçãoda mesma. Daí nasce a modalidade escrita da língua. A técnica da escrita consistesimplesmente em usar sinais gráficos (que aprendemos por mera convenção por seremtais sinais arbitrários) para simbolizar os signos da língua falada. Entretanto, diante dasmúltiplas possibilidades oferecidas pela fala e pela inviabilidade de construir um sinal gráficopara cada signo, a escrita é apenas uma tentativa de representação da fala, por ser umsuporte utilizado como recurso para não sobrecarregar a memória. A comunicação oral é limitada quanto às distâncias e à fixação (mesmo que temporáriada mensagem), enquanto a comunicação escrita multiplica a mensagem, pois muitos podemlê-la ao mesmo tempo e não precisam estar próximos ao emissor. Em contrapartida, aescrita é uma técnica simples e barata, amplia os horizontes, aumenta as possibilidades decomunicação, fixa a mensagem, aumenta a possibilidade de envio da mensagem em relaçãoa distância e número de receptores, exige do homem aprendizado, pois não é espontâneanem natural como a fala, conferindo certo grau de poder a quem sabe utilizá-la. Desta forma, como diz Gnerre (1987), devemos ‘ser poliglotas de uma mesma língua’.Essa aparente contradição nos diz uma verdade incomensurável. Não nos bastar saberapenas uma modalidade da língua ou somente a norma culta. Como existem diversoscontextos sociais, e para cada contexto exige-se um uso de linguagem, se quisermos transitarem tais universos devemos também usar de forma competente a modalidade falada e escrita 15
  16. 16. da língua. Mais do que isso, devemos saber usar a linguagem adequada tanto ao contexto sócio-comunicativo acadêmico, quanto ao bar, ao funeral, à festa de carnaval. Leitura eProdução de Texto O que dizem (e fazem) os Grandes Autores “Quando escrevo para mim mesmo, costumo ficar corrigindo dias e dias”. Paulo Mendes Campos “Para mim, o ato de escrever é muito difícil e penoso, tenho sempre de corrigir e reescrever várias vezes”. Fernando Sabino Agora, leia os textos dos autores acima citados e veja se valeu a pena o esforço! 16
  17. 17. 17
  18. 18. Oralidade e Escrita: Diferentes, mas não Dicotomicas Leitura eProdução de Falamos uma língua e escrevemos outra, pois apesar da escrita ser posterior a fala e uma tentativa de representação da mesma, ela é mais Texto conservadora. Pode-se afirmar que fala e escrita são diferentes, cada uma possui as suas peculiaridades. Isto não quer dizer, entretanto, que tais modalidades da língua se oponham. Pelo contrário, elas se complementam. 18
  19. 19. A língua não é uma uniformidade; ela é uma unidade composta pela diversidade, istoé, pela variedade lingüística. Tais variedades podem ser de três tipos: a) diatópicas; b) diafásicas; c) diastráticas1. Dentre este corpus, temos a norma culta, também chamada de língua padrão. Éconsiderada geralmente como a única variedade correta da língua e associada tipicamenteaos conteúdos de prestígio. Segundo Maurizio Gnerre (1987), “uma variedade vale o quevalem na sociedade seus falantes”. Leia-se, as variedades que correspondem à língua não-padrão são usadas por pessoas de baixa renda, de pouca ou nenhuma escolarização, demeios rurais, de regiões distantes dos grandes centros econômicos. Desta forma, tais variedades tendem a ser sempre consideradas inferiores a umaoutra de maior prestígio, ou pior, é muito comum serem consideradas erradas. Entretanto, anoção de erro está atrelada sempre a uma impossibilidade quanto ao uso de determinadacoisa. Se a língua não-padrão é usada por tanta gente e comunica com coerência e eficiênciaaos grupos que a utilizam e aos demais grupos, a noção de erro torna-se inadequada quandoa ela se refere. O termo língua é comumente associado à escrita, todavia um não é sinônimo dooutro. Tal confusão é fruto das informações equivocadas passadas pela tradição escolar.Por conseguinte, como no Brasil acesso à escola relaciona-se a poder econômico e político,confere-se à escrita uma autoridade superior àquela que ela realmente tem. Historicamente,a língua padrão é a língua dos vencedores, dos que mandam, sendo a escrita um registroda fala. Sendo assim, a elite escolhe conscientemente a língua merecedora de registro, queé a norma culta, como paradigma para as demais. Por isso que ela é chamada de linguapadrão. Diz-se que tal modelo é central na identidade nacional, enquanto portadora de umatradição e de uma cultura. Todavia, não será essa uma visão preconceituosa ediscriminatória, já que pressupõe que todo aquele que não usa a língua padrão não éhistoricamente portador de tradição e cultura? Nossa cultura é de caráter grafocêntrica, pois a nossa sociedade, em detrimento daoralidade, supervaloriza o uso da escrita e aqueles que já se apropriaram deste conhecimento.Entretanto, vale ressaltar que na maior parte dos povos modernos, somente uma parcela(às vezes, mínima) da sociedade tem na escrita um elemento essencial da vida. Além disso,há muitos povos que sequer utilizam tal modalidade da língua. Outro fator curioso é que atémesmo as pessoas escolarizadas usam menos a escrita do que a oralidade em seu cotidiano. Nos dois textos abaixo, perceba a diferença entre um texto oral e um texto escrito. 1 1º) diferenças no espaço geográfico, ou VARIAÇÕES DIATÓPICAS (falares locais, variantes regionais e,até, intercontinentais). 2º) diferenças entre camadas socioculturais, ou VARIAÇÕES DIASTRÁTICAS (nível culto, língua padrão,nível popular, etc.); 3º) diferenças entre os tipos de modalidade expressiva, ou VARIAÇÕES DIAFÁSICAS (língua falada, línguaescrita, língua literária, linguagens especiais, linguagem dos homens, linguagem das mulheres, etc.). CUNHA, Celso; CINTA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporânea. Rio de Janeiro: NovaFronteira, 1999. 19
  20. 20. TEXTO 1 – Oral Projeto NURC - Rio de Janeiro Inquérito 261 - Bobina 85 - Duração 45 minutos Leitura e Data do registro: 22/11/74Produção de Tema: Instituições: ensino e igreja. Texto Dados do informante: sexo masculino, 29 anos, carioca, pais cariocas. Área residencial: zona suburbana. Formação universitária: Direito. Entende? hoje eu vejo... depois de (que) M.L.... quando eu tive M.L. e vejo agora M.L. estudando... preparando a... o material da escola... eu lamento não ter nascido nessa época... acho muito mais interessante o estudo... a coisa é... é muito... muito mais espontaneidade... a gente tinha Medo da professora... hoje a professora é uma amiga... chama de você... de titia... não é? a gente tinha medo da professora... até aconteceu um caso... um caso muito engraçado comigo... dia primeiro de de abril... eu era... primeiro de abril... aí... dia dos tolos... né? eu estava com a minha prima... que é da minha idade... então eu tive aquela idéia... né... eu era muito tímida mas tinha as minhas idéias... naturalmente ( ) dona Vera Viana... dona Vera ( ) Viana... uma grande professora... diz assim... dona Vera... seu vestido está rasgado... eu disse pra minha prima... quando ela olhar... você diz... caiu... primeiro de abril...(risos)... ela fez... né... aí a dona Vera disse assim ... você vê... primeiro de abril é um dia ... era na hora do recreio... ela já... mais que depressa... foi T. que mandou... (risos) então nós passamos a... o tempo todo da aula chorando, porque tínhamos ficado de castigo... né? TEXTO 2 – Escrito Recado ao senhor 903 Rubem Braga Vizinho – Quem fala aqui é o homem do1003. Recebi, outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento. Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explícito e, se não o fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005; a Oeste pelo 1001; ao Sul pelo Oceano Atlântico; ao Norte pelo1004; ao alto pelo 1103 e, embaixo, pelo 903 – que é o senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo, sinceramente, adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier a minha casa (perdão; ao meu número) será convidado a se retirar às 21:45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7, pois às 8:15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305. 20
  21. 21. Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quandoum número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites deseus algarismos. Peço-lhe desculpas – e prometo silêncio. ...Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que umhomem batesse à porta do outro e dissesse: “Vizinho, são três da manhã e ouvi músicaem tua casa. Aqui estou”. E o outro respondesse: “Entra, vizinho, e come de meu pão ebebe de meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e cantar, pois descobrimos que a vida écurta e a lua é bela”. E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigasdo vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrioda brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz. BRAGA, Rubem. Para Gostar de ler. São Paulo: Ática, 1979, p. 74-75. Níveis de Linguagem “Entendem-se por ‘variação lingüística” pelo menos três fenômenos distintos (1) ofato de que em uma sociedade complexa como a brasileira convivem variedades lingüísticasdiferentes, utilizadas por grupos sociais que são expostos em graus diferentes à educaçãoformal; (2) o fato de que pessoas de um mesmo grupo lingüístico usam, para expressar-se,palavras, expressões diferentes de acordo com o caráter mais ou menos informal da situaçãoda fala; (3) o fato de que, o Português do Brasil, como toda língua de cultura, inclui falaresque são usados por alguns grupos específicos: os jovens, os malandros, os drogados, oseconomistas etc. Além de todos esses tipos de variação, o Português do Brasil foi marcado,ainda, pela variação histórica e pela variação regional”. ILARI, Rodolfo. Introdução ao estudo do léxico: brincando com palavras. São Paulo:Contexto, 2002. As variações de registro podem ser de três tipos diferentes: grau de formalismo,modo e sintonia. O grau de formalismo refere-se ao maior ou menor cuidado do emissor no uso dosrecursos lingüísticos. O modo relaciona-se às possibilidades faladas ou escritas do uso dalíngua. A sintonia é a adequação do texto que o emissor constrói a partir do conhecimentoque tem sobre o receptor ( seu status, as informações prévias, a cortesia, a variedadelingüística que emprega). No quadro abaixo, pode-se perceber as possibilidades de produção textual deacordo com o modo e o grau de formalismo. 21
  22. 22. Leia os textos abaixo e veja como a diversidade é a maior riqueza de uma língua. Leitura eProdução de Texto 22
  23. 23. O Texto Escrito A luta que os alunos enfrentam com relação à produção de textos escritos é muitoespecial. Em geral, eles não apresentam dificuldades em se expressar através da falacoloquial. Os problemas começam a surgir quando esse aluno tem necessidade de seexpressar formalmente, e se agravam no momento de produzir um texto escrito. Nesta últimasituação, ele deve ter claro que há marcantes entre falar e escrever. Na linguagem oral, o falante tem claro com quem fala e em que contexto. Oconhecimento da situação facilita a produção oral. Nela, o interlocutor, presente fisicamente,é ativo, tendo possibilidade de intervir, de pedir esclarecimentos, ou até de mudar o cursoda conversação. O falante pode ainda recorrer a recursos que não são propriamentelingüísticos, como gestos ou expressões faciais. Na linguagem escrita, a falta desseselementos extratextuais precisa ser suprimida pelo texto, que se deve organizar de forma agarantir a sua inteligibilidade. Escrever não é apenas traduzir a fala em sinais gráficos. O fato de um texto escritonão ser satisfatório não significa que seu produtor tenha dificuldades quanto ao manejo dalinguagens cotidiana, e sim que ele não domina os recursos específicos da modalidadeescrita. A escrita tem normas próprias, tais como regras de ortografia - que, evidentemente,não é marcada na fala - , de pontuação, de concordância, de uso de tempos verbais.Entretanto, a simples utilização de tais regras e de outros recursos da norma culta nãogarante o sucesso de um texto escrito. Não basta, também, saber que escrever é diferentede falar. É necessário preocupar-se com a constituição de um discurso, entendido aquicomo um ato de linguagem que representa uma interação entre o produtor do texto e o seureceptor; além disso, é preciso ter em mente a figura do interlocutor e a finalidade para aqual o texto foi produzido. Para que esse discurso seja bem-sucedido deve constituir um todo significativo enão fragmentos isolados justapostos. No interior de um texto devem existir elementos queestabeleçam uma ligação entre as partes, isto é, elos significativos que confiram coesão aodiscurso. Considera-se coeso o texto em que as partes referem-se mutuamente, só fazendosentido quando consideradas em relação umas com as outras. Durigan, Regina H. de Almeida et alli. A dissertação no vestibular.In: A magia da mudança – vestibularUnicamp:Língua e literatura. Campinas, Unicamp, 1987.p.13-4. Estudo de Texto 1. O Primeiro parágrafo nos fala da capacidade de expressão dos alunos. Qual o contraste apontado? 2. Quais as diferenças entre o falar e o escrever levantados no segundo parágrafo? 3. Um texto escrito mal formulado não representa necessariamente falta de domínio da linguagem cotidiana. Justifique essa afirmação com base no terceiro parágrafo. 23
  24. 24. 4. No seu trabalho de produtor de textos, você tem levado em conta a figura do receptor e a finalidade a que se propõe seu texto? Qual a importância desses elementos para a confecção do seu trabalho? Leitura eProdução de 5. Releia atentamente o último parágrafo e responda: Texto a) O que um texto não deve ser? b) O que é um texto coeso? 6. Você, ao escrever, fiscaliza seu trabalho, procurando construir textos coesos? Como? REDAÇÃO CRIATIVA REDAÇÃO CRIATIV TIVA Leia (e se puder também ouça) a música abaixo de Chico Buarque, Bom Conselho: Ouça um bom conselho Que eu lhe dou de graça. Inútil dormir que a dor não passa. Espere sentado Ou você se cansa. Está provado, quem espera nunca alcança. Venha, meu amigo, Deixe esse regaço. Brinque com meu fogo Venha se queimar. Faça como eu digo Faça como eu faço. Aja duas vezes, antes de pensar. Corro atrás do tempo, Vim de não sei onde. Devagar é que não se vai longe Eu semeio o vento, Na minha cidade. Vou pra rua e bebo a tempestade! Tente reconhecer a versão original dos provérbios usados por Chico como intertexto na música. 24
  25. 25. De acordo com o que fez Chico Buarque, recrie os provérbios a fim de que o sentidoveiculado seja contrário ao que diz o provérbio. a) Quem ama o feio, bonito lhe parece. b) Dia de muito, véspera de pouco. c) Quem dá aos pobres, empresta a Deus. d) Quem não vive para servir, não serve para viver. e) Deus dá nozes a quem não tem dente. f) Deus dá o frio conforme o cobertor. g) É melhor um passarinho na mão do que dois voando. h) Nada melhor do que um dia após o outro. i) Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. j) Casa de ferreiro, espeto de pau. k) Pirão pouco, o meu primeiro. l) Pense duas vezes antes de agir. m) Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento. n) Rapadura é doce, mas não é mole. o) Se casamento fosse bom não precisaria de testemunha. p) Quando casar, a dor passa. q) Quem espera sempre alcança. r) Se conselho fosse bom, ninguém dava de graça. s) Deus não dá asa a cobra. Criando Estilos Leia o texto abaixo: OS DIFERENTES ESTILOS ... Narra-se aqui, em diversas modalidades de estilo, um fato comum da vida carioca,a saber: o corpo de um homem de quarenta anos presumíveis é encontrado de madrugadapelo vigia de uma construção, à margem da Lagoa Rodrigo de Freitas, não existindo sinaisde morte violenta. ESTILO INTERJETIVO – Um cadáver! Encontrado em plena madrugada! Em plenobairro de Ipanema! Coitado! Um homem desconhecido! Menos de quarenta anos! Um quemorreu quando a cidade acordava! Que pena! ESTILO COLORIDO – Na hora cor de rosa da aurora, à margem da cinzenta LagoaRodrigo de Freitas, um vigia de cor preta encontrou um cadáver de um homem branco,cabelos louros, olhos azuis, trajando uma calça amarela, casaco pardo, sapato marrom,gravata branca com bolinhas azuis. Para este, o destino foi negro. ESTILO ANTIMUNICIPALISTA – Quando mais um dia de sofrimento e desmandosnasceu para esta cidade tão mal governada, nas margens imundas, esburacadas e fétidasda Lagoa Rodrigo de Freitas, e em cujos arredores falta água há vários meses, sem falarnas freqüentes mortandades de peixes já famosas, o vigia de uma construção ( já permitiram,por debaixo do pano, a ignominiosa elevação de gabarito em Ipanema ) encontrou o cadáverde um desgraçado morador dessa cidade sem policiamento. Como não podia deixar de 25
  26. 26. ser, o corpo ficou ali entregue às moscas que pulam naquele perigoso foco de epidemias. Até quando? ESTILO REACIONÁRIO – Os moradores da Lagoa Rodrigo de Freitas tiveram na manhã de hoje o profundo desagrado de deparar com o cadáver Leitura e de um vagabundo que foi logo escolher para morrer (de bêbado) dos bairrosProdução de mais elegantes desta cidade, como se já não bastasse para enfeiar aquele Texto local uma sórdida favela que nos envergonha aos olhos dos americanos que nos visitam ou que nos dão a honra de residir no Rio. ESTILO ENTÃO – Então, um vigia de uma construção em Ipanema, não tendo sono, saiu, então, para um passeio de madrugada. Encontrou, então, o cadáver de um homem. Resolveu, então, procurar um guarda. Então, o guarda veio e tomou, então, as providências necessárias. Aí, então, eu resolvi te contar isso. ESTILO ÁULICO – À sobremesa, alguém falou ao Presidente que na manhã de hoje o cadáver de um homem havia sido encontrado na Lagoa Rodrigo de Freitas. O presidente exigiu imediatamente que um dos seus auxiliares telegrafasse em seu nome à família enlutada. Como lhe informassem que a vítima ainda não fora identificada, Sua Excelência, com o seu estimulante bom humor, alegrou os presentes com uma das suas apreciadas blagues. ESTILO COMPLEXO DE ÉDIPO – Onde andará a mãezinha do homem encontrado morto na Lagoa Rodrigo de Freitas? Ela que amamentou, ela que o embalou em seus braços carinhosos? ESTILO PRECIOSISTA – No crepúsculo matutino de hoje, quando fugia solitária e longínqua a Estrela D’alva, o atalaia de uma construção civil, que perambulava insone pela orla sinuosa e murmurante de uma lagoa serena, deparou com a lúrida visão de um ignoto e gélido ser humano, já eternamente sem o austro que o vivifica. ESTILO NELSON RODRIGUES – Usava gravata de bolinhas azuis e morreu! ESTILO SEM JEITO – Eu queria ter o dom da palavra, o gênio de um Ruy ou o estro de um Castro Alves, para descrever o que se passou na manhã de hoje. Mas não sei escrever, porque nem todas as pessoas que têm sentimento são capazes de expressar esse sentimento. Mas eu gostaria de deixar ainda que sem brilho literário, tudo aquilo que senti. Não sei se cabe a palavra sensibilidade. Talvez não caiba.Talvez seja tragédia. Não sei escrever, mas o leitor poderá perfeitamente imaginar o que foi isso. Triste, muito triste. Ah, se eu soubesse escrever. ESTILO FEMININO – Imagine você, Tutsi, que ontem que eu fui ao Sacha’s, legalíssimo, e dormir tarde. Com o Toni. Pois logo hoje, minha filha, que eu estava exausta e tinha hora marcada no cabeleireiro e estava querendo dar uma passada na costureira, acho mesmo que vou fazer aquele plissadinho, como o da Teresa, o Roberto resolveu me telefonar quando eu estava no melhor do sono. Mas o que era mesmo que eu queria te contar? Ah, menina, quando eu olhei da janela vi uma coisa horrível, um homem morto lá na beira da Lagoa. Estou tão nervosa! Logo eu que tenho horror de gente morta! ESTILO DIDÁTICO – Podemos encarar a morte do desconhecido encontrado morto à margem da Lagoa em três aspectos: a) policial; b) humano; c) teológico. Policial: o homem em sociedade; humano: o homem em si mesmo; teológico: o homem em Deus. Polícia em homem: fenômeno; alma a Deus: epifenômeno. Muito simples como os senhores vêem. CAMPOS, Paulo Mendes. Para gostar de ler, vol IV. São Paulo: Ed àtica, 1979. A notícia é uma só: o corpo de um homem de quarenta anos presumíveis é encontrado de madrugada pelo vigia de uma construção, à margem da Lagoa Rodrigo de Freitas, não 26
  27. 27. existindo sinais de morte violenta. As variedades lingüísticas e de registro é que variam.Utilize a mesma notícia dada em vários estilos e a reescreva conforme os estilos abaixo: a) Seu próprio estilo; b) Estilo patricinha; c) Estilo Luís Inácio Lula da Silva; d) Estilo rapper; e) Estilo adolescente vidrado em internet; f) Estilo Gilberto Gil; Indicações de leitura... Preconceito Lingüístico “Diz-se que o “brasileiro não sabe Português” e que “Português é muito difícil”; estes são alguns dos mitos que compõem um preconceito muito presente na cultura brasileira: o lingüístico. Tudo por causa da confusão que se faz entre língua e gramática normativa ( que não é a língua, mas só uma descrição parcial dela). Separe uma coisa da outra com este livro, que é um achado”. Revista Nova Escola, maio de 1999. O livro a que a revista Nova Escola se refere é Preconceito Lingüístico: o que é, como se faz, Marcos Bagno. Uma boa leitura para fazer uma auto-análise de quantos preconceitos lingüísticos nós possuímos por mero desconhecimento do que realmente é a língua. Narradores de Javé Ficha Técnica Ano de Lançamento (Brasil): 2003 Direção: Eliane Caffé Roteiro: Luiz Alberto de Abreu e Eliane Caffé Elenco José Dumont (Antônio Biá) Matheus Nachtergaele Gero Camilo Somente uma ameaça à própria existência pode mudar a rotina doshabitantes do pequeno vilarejo de Javé. É aí que eles se deparam com oanúncio de que a cidade pode desaparecer sob as águas de uma enorme usinahidrelétrica. Em resposta à notícia devastadora, a comunidade adota umaousada estratégia: decide preparar um documento contando todos os grandesacontecimentos heróicos de sua história, para que Javé possa escapar dadestruição. Como a maioria dos moradores é analfabeta, a primeira tarefa éencontrar alguém que possa escrever as histórias 27
  28. 28. TEXTOS: TIPOS E GÊNEROS Leitura eProdução de Texto TECENDO PALAVRAS E SENTIDOS “A palavra texto provém do latim textum, que significa “tecido, entrelaçamento”. Há, portanto, uma razão etimológica para nunca esquecermos que o texto resulta da ação de tecer, de entrelaçar unidades e partes a fim de formarmos um todo inter-relacionado. Daí podermos falar em textura ou tessitura de um texto: é a rede de relações que garantem sua coesão, sua unidade”. Segundo Fiorin (2003), “não é amontoando os ingredientes que se prepara uma receita; assim também não é superpondo frases que se constrói um texto”.Utilizando ainda a origem etimológica do termo, percebemos que um fio nem milhares deles compõem um tecido. Para existir tecido é preciso que os fios, mesmo os mais diferentes entre si, formem uma unidade, uma teia. Assim, também é com o bolo, pois colocar leite, ovos, manteiga, açúcar e farinha de trigo num recipiente não resulta em bolo. Para que estes ingredientes se transformem em bolo, é preciso que passem por vários processos, ou seja, acontece uma metamorfose daqueles ingredientes que compunham meras individualidades e agora passam a ser uma unidade composta pela diversidade. Num texto , as partes não possuem significados independentes, mas cada sentido se relaciona com o outro a fim de construir um sentido global. Entretanto, este não é dado pela soma das partes, mas sim por uma combinação geradora de sentidos. Todo texto possui algumas propriedades,O texto possui algumas pou seja, algumas especificidades básicas que o tornam texto. São elas: a coerência de sentido, a delimitação por dois brancos e o fato de ser produzido por um determinado sujeito num certo espaço e tempo. Possuir coerência de sentido significa que os símbolos constituintes do texto não estão jogados no papel. Eles se inter-relacionam. Por isso, é perigoso ler as partes do texto, juntá-las e conferir a elas um sentido global, pois o contexto em que se insere é determinante para a compreensão do sentido. O contexto, declara Fiorin (2003), “é a unidade maior em que uma unidade menor está inserida. Assim a frase (unidade maior) serve de contexto para a palavra; o texto, para a frase etc”. “Poder-se-ia, assim, conceituar o TEXTO como uma manifestação verbal, constituída de elementos lingüísticos selecionados e ordenados pelos co-enunciadores, durante a atividade verbal, de modo a permitir-lhes, na interação, não apenas a depreensão de conteúdos semânticos, em decorrência da ativação de processos e estratégias de ordem cognitiva, como também a interação (ou atuação) de acordo com práticas socioculturais” (Koch, 1992). 28
  29. 29. Ao observarmos os dois exemplos abaixo, quais deles chamaríamos de texto? Das falsas posições Mário Quintana Com a pele do leão vestiu-se o burro um dia. Porém, no seu encalço, acad instante e hora, “Olha o burro! Fiau! Fiau!”, gritava a bicharia... Tinha o parvo esquecido as orelhas de fora! Geralmente, associamos somente texto ao que está escrito. Todavia, se pensarmosna primeira propriedade, coerência de sentido, perceberemos que os três exemplos acimapossuem coerência, apesar de os dois primeiros serem constituídos de imagens, figurasgeométricas, forma; e o terceiro, de palavras. Podemos perceber que os exemplos acimanão são um ‘amontoado’ de signos; eles formam um todo significativo. Além disso, possuem um contexto ora explícito, ora implícito, mas determinantes nacompreensão textual. A segunda propriedade parece irrelevante, para nós que temos contatos cotidianoscom os textos. É possível dizer que em nossa sociedade somos ‘bombardeados’ por textoso tempo inteiro. Entretanto, de fato todo texto é delimitado por dois espaços vazios, isto é,por dois espaços de não-sentido. Um antes dele, outro depois. E eles, por incrível quepareça, têm uma função ímpar: sinalizar onde começa e onde termina o texto. Vejamos umafotografia do francês, radicado na Bahia, Pierre Verger. Tal imagem chama-se ‘O olharenigmático de Pierre Verger” que pode ser encontrada no site “http://www2.petrobras.com.br/CulturaEsporte/ingles/cultura/ArtesVisuais/PierreFatumbi.htm”. 29
  30. 30. É fácil identificar onde começa a fotografia e onde termina. Assim, o leitor percebe que só o que interessa para conferir sentido à imagem é o que está dentro do espaço delimitado pelos dois brancos. Leitura e Por último, todo texto é produzido por um sujeito, e este, por estar atrelado ao seu tempo e ao seu espaço, sempre constrói sua produção,Produção de revelando os ideais e concepções de um tempo e de um espaço. Por isso, um Texto leitor competente não faz a pergunta superficial: o que o autor quis dizer? Mas no lugar dela, procura saber: quem foi o autor? Onde e quando ele produziu tal texto? Tais elementos, sim, serão de suma importância para o entendimento do texto. Se, ao lermos um texto de Machado de Assis, quisermos saber o que ele quis dizer, teremos que perguntar a ele, e como o referido autor está morto, só temos duas saídas: ou ir até lá ou fazermos uma sessão espírita. Todas as duas alternativas podem configurar-se como esforços desnecessários, já que como leitores competentes nós mesmos podemos apreender o sentido do texto. No primeiro anúncio publicitário, a fotografia da mulher, seu penteado e vestuário nos remetem à década de 50 do século XX, assim como a embalagem do produto. Quanto à linguagem, encontramos o uso do termo dentifrício no lugar do mais moderno pasta de dente. Já no segundo, a mulher, sua roupa e postura já denunciam um outro tempo. Além disso, temos um bem tecnológico que sequer existia na época da veiculação da primeira propaganda. As Possibilidades Textuais: Texto Literário e o Texto Não-Literário O Texto Verbal e o Texto Não-Verbal O texto pode ser literário ou não. O literário possui, como marca de sua produção, a informação estética; já no não literário, a informação é semântica. O quadro abaixo, construído pelo professor baiano, Jayme Barros, em seu livro Encontro de redação, é bastante elucidativo para compreendermos as diferenças entre estes dois formatos textuais. 30
  31. 31. INFORMAÇÃO SEMÂNTICA (texto não-literário) 1. A informação tem um sentido unívoco e exige do receptor uma percepção racional,uma compreensão lógica. O receptor é atingido em sua inteligência: ou a mensagem écompreendida ou deixará de ter sentido. 2. A essência é, portanto, a verdade. A beleza torna-se acidental, pois não se busca,em essência, atingir a sensibilidade do receptor. 3. Os signos têm um valor denotativo, por isso são traduzíveis. 4. O conhecimento prévio da mensagem provoca uma saturação; esgota amensagem, INFORMAÇÃO ESTÉTICA (texto literário) 1. A informação tem um significado plurívoco, busca atingir a sensibilidade do receptor.Exige dele uma percepção sensorial. Mesmo sem a compreensão lógica da mensagem,ela tem um sentido estético: toca a sensibilidade do receptor. 2. A essência é, portanto, a beleza, o prazer estético provocado pela obra, que poderáter ou não um sentido lógico. A obra referir-se ou não a uma verdade ou fato cientificamentecomprovado torna-se secundário. 3. Os signos têm um valor conotativo, por isso não são traduzíveis. 4. O conhecimento prévio da mensagem não provoca um esgotamento. Ao contrário,a depender da percepção sensorial do receptor, do gostar ou não gostar da obra, oconhecimento prévio da mensagem poderá provocar a busca de novos contatos com aobra. Leia os dois textos abaixo: TEXTO 1 Poema tirado de uma notícia de jornal João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia, numbarracão sem número Um noite ele chegou no bar Vinte de Novembro Bebeu Cantou Dançou Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado. Manuel Bandeira TEXTO 2 Garçom morre após briga de bar Por volta de 2h40min da madrugada de sábado, depois de ter se envolvido numabriga iniciada por um amigo, num bar na Rua Direta do Canal do Bate Estaca, o garçomRoberto Moreira da Cruz, 26 anos, saiu do estabelecimento de motocicleta. Uma daspessoas com quem ele tinha brigado disparou com arma de fogo e o matou com um tiro nascostas. As informações são da irmã dele, a ambulante Roberta Aparecida Santos da Cruz, 31
  32. 32. 22 anos, que prestou depoimento na 3ª Delegacia de Polícia. O garçom era pai de duas crianças, de 2 e 4 anos, mas não era casado. A investigação está sendo conduzida pela delegada Sônia M. Reis Paiva. Jornal A Tarde, 02 de outubro de 2005. Leitura eProdução de No texto 2 é explícito o compromisso com o relato do fato da forma Texto mais próxima daquela em que ele ocorreu, por isso há tantos detalhes e informações relevantes para a compreensão do contexto. O leitor, para compreendê-lo, usará aspectos racionais. Já no texto 1, não há uma preocupação do autor em descrever o fato, em dar detalhes do acontecimento, não se sabe a razão do suicídio. A intenção do autor é atingir a emoção do leitor ao colocá-lo frente à morte, seja trágica ou não, pois sempre nos desestabiliza e assusta. Por fim, o leitor do texto 1 poderá não ter uma compreensão lógica do acontecimento, mas certamente se permitirá a diversas interpretações. Já no texto 2, só há uma possibilidade de compreensão do texto, caso o leitor não a capte, estará demontrando que não o compreendeu. O texto pode ser verbal ou não-verbal. Isto quer dizer que podemos construir um texto somente com imagens, figuras, cores. A este tipo de texto, chamamos de texto não-verbal. Caso o texto seja composto por palavras faladas ou escritas, teremos um texto verbal. É possível haver textos constituídos tanto por palavras quanto por imagens, estes serão considerados como textos mistos. A tela de Candido Portinari denominada “Os retirantes” é um texto não-verbal, e o trecho da obra Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto é verbal. Note que ambos discorrem sobre o mesmo tema; a forma como organizam a mensagem é que é diferente. O primeiro só se utiliza de imagens, cores e formas, enquanto o segundo usa palavras. Os Retirantes. Candido Portinari 32
  33. 33. O RETIRANTE EXPLICA AO LEITORQUEM É, E A QUE VAI- O meu nome é Severino, iguais em tudo na vida:como não tenho outro de pia. na mesma cabeça grandeComo há muitos Severinos, que a custo é que se equilibra,que é santo de romaria, no mesmo ventre crescidoderam então de me chamar sobre as mesmas pernas finasSeverino de Maria; e iguais também porque o sangue,como há muitos Severinos que usamos tem pouca tinta.com mães chamadas Maria, E se somos Severinosfiquei sendo o da Maria iguais em tudo na vida,do finado Zacarias. morremos de morte igual,Mais isso ainda diz pouco: mesma morte severina:há muitos na freguesia, que é a morte de que se morrepor causa de um coronel de velhice antes dos trinta,que se chamou Zacarias de emboscada antes dos vintee que foi o mais antigo de fome um pouco por diasenhor desta sesmaria. (de fraqueza e de doençaComo então dizer quem falo é que a morte severinaora a Vossas Senhorias? ataca em qualquer idade,Vejamos: é o Severino e até gente não nascida).da Maria do Zacarias, Somos muitos Severinoslá da serra da Costela, iguais em tudo e na sina:limites da Paraíba. a de abrandar estas pedras(...) suando-se muito em cima,Somos muitos Severinos a de tentar despertar 33
  34. 34. terra sempre mais extinta, a de querer arrancar Leitura e alguns roçado da cinza.Produção de Texto Mas, para que me conheçam melhor Vossas Senhorias e melhor possam seguir a história de minha vida, passo a ser o Severino que em vossa presença emigra. O Texto e os Fatores de Contextualidade Em 1983, Beaugrande e Dessler selecionaram sete características que conferem a alguma coisa o caráter de texto. Ao considerarmos algo como texto, perceberemos que nele aparecem os fatores abaixo: 1. Coesão 2. Coerência 3. Intencionalidade 4. Aceitabilidade 5. Situacionalidade 6. Informatividade 7. Intertextualidade Coesão e Coerência serão temas discutidos no próximo tópico devido a enorme relevância que possuem no processo de construção textual. Além disso, são nesses aspectos que os produtores de texto mais cometem falhas. Todo produtor tem uma intenção na produção textual; planeja o texto e o produz na tentativa de satisfazer sua meta. A este fator denominamos intencionalidade. Por outro lado, o receptor, ao se mobilizar para ler um texto, gera uma gama de expectativas e pré-concepções em torno dele. Saber quem é o autor e a época o fará inferir, por exemplo, sobre o tema do texto. Seus repertório de leitura e arcabouço de conhecimentos o possibilitarão compreender o texto de forma parcial, ampla ou superficial. A este fator denominamos aceitabilidade. No mundo em que vivemos, em nosso cotidiano, circulam diversos tipos de texto. Entretanto, eles são diferentes entre si. Uma palestra sobre a importância da leitura será muito diferente de uma conversa num bar entre dois amigos. A linguagem usada em uma situação será muito diferente da outra, assim como o grau de intimidade entre emissor e 34
  35. 35. receptor. Sendo assim, cada contexto sócio-comunicativo requer uma produção de textomais pertinente a si mesmo. A esse fator denominamos situacionalidade. Todo texto tem como característica peculiar a função referencial da linguagem, ouseja, ele informa sobre algo. Por isso, o autor deve fornecer ao leitor uma suficiência dedados necessários à compreensão do texto. A esse fator denominamos informatividade. A lingüista Júlia Kristeva declara que o texto é um mosaico de citações. Isto significaque não produzimos um texto do nada; todo texto é fruto das informações e conhecimentosprévios que possuímos. Sendo assim, a leitura de mundo e de palavra escrita é determinantepara a produção textual. Por isso, os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN, que traçamdiretrizes para o ensino das escolas brasileiras, informam a ineficácia do estudo da gramáticanormativa para formar leitores e produtores de texto. Segundo os PCN, é a leitura que subsidiao produtor de textos no exercício da criação. Desta forma, não há como não apareceremimplicitamente ou explicitamente – por meio de citações, paródias ou pastiches - outrostextos em um texto. A esse fator denominamos intertextualidade. Coesão e Coerência: A Construção de Sentidos e seusMecanismos A coerência é o fator responsável pelo estabelecimento do sentido no texto, pois apartir dela ocorre o acerto das partes com relação ao todo. Um texto sem coerência perdeo princípio da interpretabilidade textual, ou seja, torna-se não-inteligível em relação a situaçãocomunicativa. Como afirmado anteriormente, o texto é como um mosaico, pois se constituide elementos diversos e diferentes entre si; todavia,z o entrelaçamento destas partes formauma unidade. A coerência é estabelecida nas relações entre os usuários do texto. Tipos de coerência: a) Semântica: relação entre os significados. “Vamos deixar de sermos egoístas e pensarmos um pouco mais em nós mesmos”. O significado do termo egoísta refere-se ao indivíduo pensar e agir apenas em prolde si mesmo, se o autor propõe que não se pense em si mesmo somente, como ele podeconclamar a “pensarmos mais em nós mesmo” que é a mesma coisa? Forma coerente: Vamos deixar de ser egoístas e pensar mais nos outros. b) Sintática: uso de recursos sintáticos. “O Renato é meu filho, mas ele se parece comigo”. Muitas vezes, não sabemos usar os recursos lingüísticos, pois desconhecemos ossignificados das preposições, conjunções, etc. Por exemplo, a conjunção “mas” dá a idéiade oposição. Assim, espera-se encontrá-la entre duas orações que se oponham ou secontradigam. Se Renato é filho de alguém, espera-se que ele se pareça com alguém, nãohá nenhuma contradição nisso. Haveria se Renato não se parecesse. Forma coerente: O Renato é meu filho, por isso ele se parece comigo. c) Estilística: adequação do texto ao estilo ou registro pertinente. “Prezado Antônio, neste momento quero expressar meus sentimentos por seu pai tervestido o paletó de madeira, ter ido comer capim pela raiz....”. 35

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