Cultura do coqueiro

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Cultura do coqueiro

  1. 1. CULTURA DO COQUEIRO 6 1 INTRODUÇÃO A origem do coqueiro é do sudeste da Ásia. A planta foi introduzida no Brasil através do estado da Bahia (daí côco-da-Baia), disseminando-se pelo litoral nordestino, sendo hoje o nordeste responsável por 95% da produção nacional (Quadro 1). No contexto mundial, a produção brasileira de coco mesmo sendo pequena, pelo fato do Brasil não produzir óleos, sempre foi de fundamental importância na vida e economia das populações do nordeste como os estados da Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas. Atualmente vem assumindo importância como estados produtores Pará, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O coqueiro é uma das principais oleaginosas do Mundo, com uma produção de 44.723 milhões de toneladas de frutos seco no ano de 1996, sendo Indonésia e Filipinas os principais produtores, enquanto que o Brasil ocupa a nona posição no ranking mundial. No Brasil, o cultivo do coqueiro representa significante importância social e econômica, visto que 75% das propriedades produtoras possuem área inferior a 10 ha. Embora a produção no Brasil ocupe mais de um milhão de tonelada (quadro 2), o rendimento da cultura é dos mais baixos, contribuindo com apenas 2% da oferta mundial. A distribuição geográfica do coqueiro compreende as regiões entre as latitudes20° N e 20° S (Frémonde et al., 1966). Estima-se uma área plantada de 11.600.000 hectares, distribuída por mais de 86 paises (Persley, 1992). Quadro 1 – Produção, área colhida e produtividade por região do Brasil – 1996. REGIÕES PRODUÇÃO (t) ÁREA COLHIDA (ha) PRODUTIVIDADE (Kg/ha)
  2. 2. NORDESTE 1.024.524 210.366 4.870 Bahia 393.885 60.307 6.531 Ceará 222.363 41.467 5.362 Rio Grande do Norte 173.126 42.619 4.062 Outros 235.150 65.973 3.564 SUDESTE 55.858 3.468 16.107 Rio de Janeiro 21.840 1.053 20.741 Espírito Santo 34.018 2.415 14.086 Fonte: LSPA/IBGE, EMATER-RIO. Quadro 2 – Produção, área colhida e produtividade do coco-verde no Brasil, 1990-96. ANOS ESPECIFICAÇÕES Produção (t) Área colhida (ha) Produtividade (Kg/ha) 1990 1.101.627 213.908 5.150 1991 1.276.546 231.446 5.515 1992 1.317.904 235.796 5.589 1993 1.226.058 226.990 5.401 1994 1.353.199 232.372 5.823 1995 1.424.098 237.589 5.994
  3. 3. 1996 1.078.374 213.834 5.052 Fonte: Agrianual/97 e IBGE. 2 COMPOSIÇÃO QUÍMICA E USOS O Brasil é o único lugar do mundo onde o coco é utilizado como fruta, empregado na produção de balas, doces e sorvetes, além de ser bastante empregado na culinária nordestina, enquanto que nos demais Países produtores, o coco é utilizado para extração do óleo. No Brasil, os produtos mais nobres do coco são o coco-ralado e o leite-de-coco, e mais recentemente a água vem ocupando lugar de destaque dentre os produtos derivados do coco. Sabendo de sua importância na alimentação, pois substitui a carne, o ovo, o queijo, o leite; e o seu uso diversificado na medicina, como nos tratamentos da hipertensão arterial é importante saber a composição química e sais minerais, que está especificada nos quadros 3 e quadro 4 respectivamente. Quadro 3 – Composição Química em 100g de coco Quantidade Composição Química Polpa Leite Calorias 589,80 kcal 38,60 kcal Água 14,00 g 90,80 g Carboidratos 27,80 g 7,00 g Proteínas 5,70 g 0,40 g Lipídios 50,50 g 1,00 g Cinzas 2,00 g 0,80 g Vitamina B1 (Tiamina) 173,00 mcg 2,00 mcg Vitamina B2 (Riboflavina) 102,00 mcg 4,00 mcg Niacina 0,10 mg 0,07 mg Vitamina C (Ácido ascórbico) 8,20 mg 10,40 mg Fonte: As frutas na medicina natural
  4. 4. Quadro 4 - Sais minerais contidos em 100g de coco Quantidade Composição Química Polpa Leite Fósforo 191,00 mg 10,00 mg Cálcio 43,00 m g 20,00 mg Ferro 3,60 m g - Magnésio 9,00 m g - Enxofre 13,00 m g - Silício 0,50 m g - Fonte: As frutas na medicina natural 3 CARACTERÍSTICAS DAS PLANTAS O coqueiro é uma planta pertencente a Família Palmae, uma das mais importante famílias da classe Monocotyledoneae. Sendo que todos os coqueiros cultivados pertencem a espécie Cocos nucifera L. O coqueiro é uma planta que apresenta contínuo florescimento e frutificação ao longo do ano. Fonte: Foto do autor 3.1 Raízes
  5. 5. O coqueiro possui sistema radicular fasciculado, com raízes primárias de 8mm a 10mm de diâmetro e um número variável de 2000 a 10000 raízes dependendo das condições ambientais e/ ou material genético. Das raízes primarias partem as secundarias, de onde se originam as terciárias, que produzem radicelas medindo 1mm a 3mm de diâmetro, sendo verdadeiros órgãos de absorção. A profundidade do sistema radicular é variada. Sistema fasciculado radicular do coqueiro. Fonte: Embrapa 3.2 Caule O caule do coqueiro é do tipo estirpe, não ramificado, muito desenvolvido e bastante ramificado. Em seu ápice, prende-se um tufo de folhas que protege a sua única gema apical. A inflorescência é a única ramificação deste caule, pois é considerada um ramo caulinar modificado (Ferri, 1973). A parte terminal do tronco, de onde se formam novas folhas, é tenra e comestível, constituindo o palmito. Caule do tipo estipe. Fonte: Foto do autor 3.3 Folha A folha do coqueiro é do tipo penada, sendo constituída pelo pecíolo, que continua pelo raquis onde se prendem numerosos folíolos. Uma folha madura possui comprimento variável, com 200 a 300 folíolos de 90cm a
  6. 6. 130cm de comprimento. O comprimento e o número de folíolos varia de acordo com a idade do coqueiro. Um coqueiro-gigante adulto emite de 12 a 14 folhas por ano e um coqueiro-anão adulto 18 folhas por ano. Essas folhas permanecem no coqueiro por um período de três a três anos e meio, apresentando uma copa de 25 a 30 folhas (Child, 1974). Folha do tipo penada. Fonte: Foto do autor 3.4 Inflorescência O coqueiro possui inflorescências paniculadas e axilares, protegidas por brácteas grandes, chamadas espatas. A espata, ao complementar seu desenvolvimento (três a quatro meses), abre-se, libertando a inflorescência, que é formada pelo pedúnculo, espigas e flores. Cada espiga possui flores masculinas e numerosas flores femininas. O número de flores femininas é influenciado pelas condições nutricionais e hídricas da planta. Inflorescência com espiga Fonte: foto do autor Inflorescência com flores masculina e feminina
  7. 7. Fonte: Foto do autor 3.5 Fruto O fruto do coqueiro é uma drupa. É formado por epiderme lisa ou epicarpo, que envolve o mesocarpo espesso e fibroso, ficando mais para o interior uma camada muito dura, o endocarpo. A semente é envolvida pelo endocarpo que é constituído por uma camada de cor marrom chamada tegumento que fica entre o endocarpo e o albúmem. O albúmem é uma camada branca, carnosa e muito oleosa, formando uma grande cavidade onde fica o albúmem líquido( água de coco). Próximo a um dos orifícios do endocarpo e envolvido pelo albúmem sólido está o embrião. Fruto do coqueiro Semente do coqueiro
  8. 8. Fonte:Embrapa Fonte: Foto doautor 4 ECOFISIOLOGIA DO COQUEIRO 4.1 Exigências climáticas Por ser uma planta de clima tropical, o coqueiro é muito exigente em temperatura, sendo que a ideal gira em torno de 27 °C para que possa manifestar seu potencial produtivo. Temperaturas inferiores a 15 °C leva a uma paralisação do crescimento da planta e abortamento de flores e com isto comprometendo a produção. Em termos de radiação, o coqueiro desenvolve-se melhor sob condições de luminosidade acima de 2.000 horas de luz/ano.
  9. 9. Fonte: Foto do autor Quanto a precipitação pluviométrica, a ideal gira em torno de 1600 mm anuais, bem distribuídos, visto que a planta produz durante todo o ano. Em relação a ocorrências de ventos de grande velocidade pode acarretar o tombamento e/ou quebramento de plantas. Umidade relativa do ar para o coqueiro exige saturação do ar igual ou superior a 80% sem ultrapassar 90% as mínimas mensais não devem cair abaixo de 60%. 4.2 Exigências edáficas O ideal é que o coqueiro seja cultivado em solos profundos, bem drenado, de textura média e se possível de boa fertilidade, de forma que possibilite um bom desenvolvimento do sistema radicular, visto que a planta não tolera condições de anaerobiose. Sendo que o pH ideal situa-se entre 6 e 6,5. 5 VARIEDADES Dentre as variedades destacam-se a Gigante, híbridos e a Anã, sendo que a Anã apresenta três sub-variedades: Anã-Verde, Anã-amarela, Anã- Vermelha, e os cujas características são apresentadas na tabela 1.
  10. 10. Tabela 1: Principais diferenças entre as variedades de coqueiro. O coqueiro é constituído de uma única espécie (Cocos nucifera), e pode ser dividido em três grupos:  Gigantes  Intermediários (híbridos)  Anões Cada grupo contém um número de variedades. As variedades são geralmente nomeadas de acordo com a sua suposta localidade de origem. As variedades gigantes apresentam de modo geral, fecundação cruzada; seu crescimento é rápido e fase vegetativa longa (cerca de sete anos). As principais variedades existentes no Brasil são: Coqueiro-Gigante  Gigante da Praia do Forte -GBrPF -Bahia  Gigante do Oeste Africano -GOA -Costa do Marfim  Gigante de Renell, -GRL p; -Taiti  Gigante da Malásia -GML p; -Malásia Coqueiro-Anão  Amarelo-da-Malásia -AAM -Malásia  Vermelho-da-Malásia -AVM -Mal&aacutte;sia  Vermelho-dos Camarões -AVC -República dos Camarões
  11. 11.  Verde do Brasil -AVeB -Rio Grande do Norte  Amarelo do Brasil -AAB -Parraíba  Vermelho do Brasil -AVB -Paraíba 6 PROPAGAÇÃO O coqueiro é propagado exclusivamente através de sementes, visto que o único ponto de crescimento encontra-se no meristema apical. Planta com fruto para sementes Fonte: Foto do autor 6.1 Produção de mudas
  12. 12. A muda pode ser produzida na propriedade ou adquiridas de viveiristas credenciados junto a CESM (Comissão Estadual de Sementes e Mudas) do estado produtor. Quando a opção for por produzir a muda na propriedade, as sementes devem ser obtidas a partir de matrizes cadastradas junto a CESM. Uma vez obtida a semente, pode-se utilizar duas formas de condução da sementeira: semeadura direta ou semeadura com posterior repicagem para o viveiro. Em qualquer das situações, a sementeira deve ter 1,0 m de largura e comprimento variando em função da disponibilidade de área e do número de mudas a serem produzidas, bem como estar localizada distante de áreas com coqueiros bem como de outras palmeiras, as quais poderão funcionar como hospedeiros de pragas e patógenos do coqueiro. Quando a opção for pela semeadura direta, onde a muda deve permanecer por um tempo variando de dois a quatro meses após a germinação, deve-se utilizar uma densidade de 10 sementes por m2 de sementeira. O período considerado para germinação vai até 120 dias após a semeadura. Após este período, deve-se proceder a eliminação das sementes não germinadas e descartes e incineração das plântulas que se apresentarem defeituosas, albinas, duplas, etc. Após esta prática, e com objetivo de possibilitar um crescimento mais rápido e vigoroso das mudas, deve-se processar a adubação na sementeira, aplicando-se 75 g de uréia + 105 g de superfosfato simples + 50 g de cloreto de potássio por planta, devendo ser aplicado em três parcelas, com intervalo de aproximadamente 30 dias uma da outra. Quando se optar pelo método de repicagem para o viveiro, deve-se empregar 25 sementes por m2 de sementeira. Quando a plântula atingir 15 cm de altura, a mesma deve ser repicada do germinadouro para o viveiro, onde as mesmas devem ser plantadas em covas medindo 40 cm x 40 cm 40 cm, e espaçadas de 60 cm x 60 cm x 60 cm em triângulo equilátero. Como adubação deve-se empregar as mesmas doses recomendadas para o sistema de semeadura direta, só que a primeira aplicação deve ser realizada 30 dias após a repicagem, quando o novo sistema radicular se encontrará formado. O tempo de permanência da muda no viveiro deve ser de quatro a seis meses, quando as mudas se encontram aptas a serem plantadas no local definitivo. Além da adubação, deve-se manter as plantas sempre no limpo para se evitar a concorrência com as plantas invasoras, o controle de pragas e doenças, bem como a irrigação com aproximadamente seis litros de água por m2 de sementeira/viveiro por dia.
  13. 13. 7 PLANEJAMENTO E IMPLANTAÇÃO DO POMAR O pomar deve ser implantado após a realização de estudo prévio das potencialidades do mercado, bem como o destino da produção, ou seja, se irá produzir para indústria de coco seco, ou frutos para o consumo de água de coco. Caso a opção seja pela produção para indústria de processamento, deve-se cultivar o coqueiro gigante ou o híbrido entre anão x gigante, o qual apresenta frutos semelhantes ao gigante, porém com a vantagem de ser mais produtivo, isto é, produz em torno de 150 a 180 frutos /planta/ano, enquanto que o gigante produz no máximo de 60 a 80 frutos/planta ano. Se a opção for pela a produção de frutos para o mercado de água de coco, deve-se empregar a variedade Anã-Verde, se for para o consumo "in natura", ou Anã-Verde e/ou Anã-Amarela se for para a indústria de água de coco em embalagem longa-vida. 7.1 Características da área A área a ser utilizada para o cultivo do coqueiro deve ser plana ou com relevo moderado, próxima de fontes de água, em caso de utilização de irrigação, deve ser de fácil acesso para facilitar o escoamento da produção e afastada de estradas de muito movimento de pessoas para se evitar prejuízos por furtos e invasões. 7.2 Preparo da área O preparo da área para o cultivo do coqueiro pode ser o mesmo empregado para o cultivo das demais culturas. Durante o preparo da área para o plantio, deve-se proceder retirada de amostras do solo para análise físico-química, a qual servirá de subsídios para orientar as práticas de correção do solo e adubação, bem como dimensionar o sistema de irrigação. Quando se verificar a necessidade da correção do solo, esta deverá ser feita através do uso de calcário dolomítico, quando se tratar de solos ácidos, que é a quase totalidade dos solos brasileiros. A calagem deve ser realizada distribuindo-se o calcário em toda a área, sendo 50% aplicado antes da aração e o restante antes da gradagem, devendo ser realizada com pelo menos 60 dias de antecedência do plantio da muda, porém é fundamental que haja umidade no solo para que o calcário reaja e surta o efeito esperado.
  14. 14. Após o preparo do solo, deve-se proceder a marcação e o piqueteamento da área para a posterior abertura das covas de plantio. O espaçamento a ser utilizado depende da variedade a ser cultivada. Se for a Gigante, o espaçamento deve ser de 9m x 9m x 9m, totalizando 143 plantas/ha. Se for a variedade Anã, este deve ser de 7,5m x 7,5m x 7,5m, totalizando 205 plantas/ha. No caso da opção pelo híbrido, deve-se usar o espaçamento de 8,5m x 8,5m x 8,5 m, totalizando 163 plantas/ha, todas arranjadas no esquema de triângulo equilátero. Após o piqueteamento da área, procede-se a abertura das novas, as quais devem medir 80 cm x 80 cm x80 cm. Estas poderão ser abertas através de ferramentas de uso manual ou de "brocas" acopladas à tomada de potência do trator. Após a abertura das covas, deve-se efetuar o enchimento das mesmas através do emprego de 800 g de superfosfato simples + 20 litros de esterco de curral curtido + resíduo de da casca de coco ou outro material orgânico. 7.3 Plantio Figura 1- Preparo da cova e plantio da muda do coqueiro. Fonte: Embrapa (1993). O plantio deverá ser efetuado no início da estação chuvosa quando se tratar de cultivo de sequeiro ou em qualquer época do ano quando se utilizar irrigação. Após o enchimento da cova, as mudas devem ser colocadas no centro da cova, em posição vertical, sendo cobertas por uma camada de solo suficiente para cobrir a semente, tendo-se o cuidado de não cobrir a região do colo da muda, para se evitar a proliferação de doenças causadas por fungos do solo 30 dias após o plantio deve ser aplicado em cobertura, 300g de uréia e 200g de
  15. 15. cloreto de potássio por planta, distribuindo-se a mistura dos fertilizantes em torno da mesma, observando-se um raio de 20cm de distância. 8 CONDUÇÃO DO POMAR O pomar deverá ser conduzido de forma técnica e racional para que se possa maximizar a produção de forma econômica e possibilitar retorno do investimento efetuado pelo produtor. Para que isto ocorra, algumas medidas deverão ser observadas. 8.1 Nutrição e adubação Considerando-se que o coqueiro é uma planta que apresenta crescimento e produção contínuas e paralelas ao longo do ano, é de fundamental importância que estejam adequadamente nutridas para que possam manifestarem seu potencial produtivo. Com isto as práticas de calagem e adubação devem ser realizadas com base na análise química de amostras do solo em conjunto com a análise de folhas e com a idade da planta. A amostragem do solo deve ser realizada sempre sob a copa das plantas, na região do coroamento, quando se deseja recomendar adubação, e em toda a área quando se objetiva recomendar a calagem. As amostras de solo devem ser colhidas próximo do final da estação seca. A análise de amostras do solo servirão como indicadores do que está acontecendo no solo em função da observação do que está sendo absorvido pela planta em resposta as práticas de adubação que estão sendo efetuadas. Para que a folha a ser amostrada reflita o estado metabólico da planta, esta deve ocupar uma posição mediano na copa e geralmente são amostradas as folhas 4; 9 ou 14, dependendo da idade da planta. A folha n o 4 é utilizada apenas em plantas ainda jovens em início de produção. A folha n o 9 é empregada quando encontra-se com idade em torno de 5 a 6 anos, enquanto que a folha n o 14 é utilizada em plantas com idade superior a seis anos. A melhor forma para se identificar a folha é a partir da identificação da espata mais desenvolvida, ou seja, a inflorescência mais madura, porém que ainda não se encontra aberta, pois esta se situa na axila da folha n o 9. Como o coqueiro apresenta folhas afastadas com um ângulo em torno de 144 o , a folha n o 4 se encontra imediatamente superior e no mesmo plano da folha n o 9, enquanto que a folha n o 14 encontra-se imediatamente inferior e no mesmo plano da folha n o 9. Após a identificação da folha a ser amostrada, toma-se uma amostra na porção mediana da folha e coleta-se três folíolos de cada lado da folha e retira-se uma porção de 10 cm na
  16. 16. região central do limbo foliar de cada folíolo. Para uma boa representividade da área, são necessários amostrar 25 plantas/ha. Após a coleta das amostras, estas devem ser encaminhadas a um laboratório para que sejam realizadas as respectivas análises. 8.2 Calagem O método recomendado para avaliar a necessidade de calagem baseia- se no trabalho de Kamprath (1970), que preconiza a neutralização do alumínio trocável. No entanto, em razão das pequenas quantidades recomendadas, foi adicionado o critério de elevar o teor de Ca+ + Mg+2 para 20mmolc.dm-3 de solo. Outro método de avaliação de calagem e o de saturação por bases, que tem como premissa a relação entre a saturação e o pH. Para o calculo, utiliza-se a seguinte formula: NC = CTC (V1 – V) em t/ha, onde: PRNT NC = Necessidade de calagem; CTC = Capacidade de troca catiônica; V = Saturação atual de bases do solo; V1 = Saturação desejada de bases no solo; PRNT= Poder relativo de neutralização total do calcário a ser usado. A analise foliar também é uma fonte importante, pois indica os teores de cálcio e magnésio, o que ajuda na definição da quantidade de calcário, se ele for usado como fonte supridora de cálcio e magnésio. Na cultura do coqueiro, a calagem pode ser efetuada em toda a área ou somente na projeção da copa. Se o alumínio estiver acima de 5mmolc.dm 3 de solo, a calagem devera ser efetuada na área toda, para reduzir a toxidez. Na hipótese de alumínio, cálcio e magnésio baixos, a calagem deve ser efetuada na área do circulo, que tem como centro o estipe e como limite a projeção da copa. Para aplicação na área total, deve-se levar em conta que os solos arenosos apresentam muito baixo poder-tampão. Nessas condições, a quantidade de calcário não deve ultrapassar 2 t.ha-1 . Nos dois métodos, a incorporação e importante, pois favorece as reações de dissolução do calcário. Quanto as quantidades a serem aplicadas na projeção da copa, ainda não se dispõe de dados que permitam
  17. 17. recomendações generalizadas. Um fator importante é o período entre a calagem e a adubação, que deve ser de, no mínimo, 60 dias. Nessas condições, por um período, o pH pode-se elevar muito, o que favorecera a volatilização do N aplicado, a insolubilização do P e a lixiviação do K, pois grande parte das cargas negativas estará ocupada com cálcio e magnésio advindos do calcário. 8.3 Adubação Quando não se tem acesso as informações de análise do solo, sugere-se proceder a adubação levando-se em consideração a idade da planta e as quantidades de fertilizantes apresentadas na Tabela 2. Tabela 2: Quantidade de fertilizante recomendada. A adubação do coqueiro deve ser efetuada na área do coroamento conforme figura. Em locais planos os fertilizantes devem ser aplicados e incorporados para evitar perdas de nitrogênio por volatilização, principalmente quando a fonte do nutriente fora a uréia. Em terrenos com declive, deve-se fazer um suco com aproximadamente 20cm a 30cm de largura e 5cm a 10cm de profundidade, aplicar o adubo e em seguida fechá-lo. É importante a utilização de matéria orgânica para melhorar as condições do solo, retenção de água. Figura 2: Aplicação de fertilizante em coqueiro-anão e coqueiro-gigante.
  18. 18. INCLUDEPICTURE "http://www.fruticultura.iciag.ufu.br/coquei41.jpg" * MERGEFORMATINET INCLUDEPICTURE "http://www.fruticultura.iciag.ufu.br/coquei42.gif" * MERGEFORMATINET Fonte: Embrapa 9 TRATOS CULTURAIS Compreende uma série de práticas agrícolas, com objetivo de minimizar o stress causado pela competição exercida pelas plantas daninhas, as quais concorrem com a planta por água e nutrientes do solo, devem ser realizadas com o coqueiro ainda na fase jovem, as quais serão discutidas a seguir. 9.1 Roçagem
  19. 19. Deve ser realizada nas entrelinhas, de forma a manter a cobertura do solo o tempo todo, e assim amenizar as perdas de água por evaporação, bem como minimizar as perdas de solo por erosão. Deve ser realizada duas vezes durante o ano, sendo a primeira no início da estação chuvosa e a segunda no final do período de chuvas. 9.2 Gradagem Deve ser realizada apenas quando for necessário proceder a calagem. A alternância entre a gradagem no inicio do período seco e a roçagem na estação chuvosa apresenta grande vantagem para o produtor e para o meio ambiente, já que, a gradagem no inicio do período seco induz a queda de capilaridade no solo, ocasionando a morte de gramíneas. 9.3 Coroamento É uma prática que tem por objetivo manter a região de maior concentração de raízes responsáveis pela absorção de água e nutrientes livre da concorrência com as ervas-daninhas. Deve ser realizada mantendo-se um raio de dois metros de distância do caule totalmente sem competição com o mato. 9.4 Irrigação Regiões com grandes períodos de estiagem e em função da disponibilidade de recursos por parte do produtor deve-se proceder a irrigação através do método de micro-aspersão, onde a quantidade de água a ser aplicada varia em função das características de clima e do solo da região. Em média, um coqueiro adulto exige em torno de 150 litros de água por dia. Fonte: Embrapa
  20. 20. Irrigação localizada por microasperção em coqueiro. Fonte: Foto do autor 10 CONSORCIAÇÃO COM COQUEIRO Ao se optar pelo consórcio com a cultura do coqueiro-anão-verde, deve- se considerar que a cultura é muito vulnerável a pragas e doenças e que os plantios no litoral têm melhor desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. O consórcio com a cultura do coqueiro é prática recomendável para pequenos produtores, que não têm como suportar investimentos sem retorno no período do plantio à produção (em torno de três anos e meio). O emprego de culturas intercalares de ciclo curto e perenes, portanto, é indicado para amenizar custos e bem adequado ao coqueiro, que tem espaçamento amplo. Nos quatro primeiros anos, a consorciação apresenta viabilidade técnica e econômica, proporcionando maior desenvolvimento do coqueiro e cobrindo os custos de produção nos anos que antecedem o início da fase produtiva. Os tratos culturais dispensados à cultura consorciada, o sombreamento do solo, a maior reciclagem de nutrientes e ó aumento do teor de matéria orgânica favorecem o desenvolvimento dos coqueiros. Culturas intercalares que podem ser consorciadas com o coqueiro: até um ano e meio, consorciar com feijão, abóbora, melancia, quiabo, maxixe, abacaxi. Nos anos seguintes, consorciar com inhame, batata, milho, amendoim, mandioca, aspargos, mamão e maracujá. Para realizar o consórcio em aléias, as culturas recomendadas são: café, acerola, pinha, pitanga, pimenta-do-reino, cupuaçu e cacau. Dos 4 aos 20 anos, o sombreamento do solo promovido pelas plantas do coqueiral não permitem a introdução de culturas em consórcio com resultados econômicos satisfatórios. A partir dos 20 anos, a elevação do fuste do pomar permite o consórcio com plantas umbrófílas, como o cacau e a pimenta-do- reino. Em regiões com déficit hídrico elevado, deve-se dar preferência ao consórcio com culturas de ciclo curto por ocasião do período chuvoso. Com culturas de ciclo longo, deve-se levar em consideração a distribuição do sistema radicular; as exigências nutricionais e a tolerância à seca, tendo-se
  21. 21. sempre o cuidado de reduzir ao mínimo a competição entre o coqueiro e a planta consorciada. Mesmo em áreas irrigadas, deve-se modificar o sistema tradicional de plantio em triângulo para retângulo ou quadrado com o objetivo de proporcionar aumento de luminosidade. O plantio deve ser realizado em faixas no centro das entrelinhas, utilizando-se a área total e mantendo-se livre a zona de coroamento, que corresponde, em média, a 2m de raio a partir do coleto da planta. Em suma, o consórcio melhora a qualidade do solo e evita a erosão, embora aumente os custos de produção. Culturas mal manejadas poderão sofrer maiores problemas fítossanitários. A melhor experiência agronômica e econômica do consórcio foi com coco- verde e cupuaçu. Na definição do que plantar, deve-se optar por culturas que tenham bom valor de mercado local. Deve-se ter o cuidado de não utilizar no consórcio plantas da mesma família botânica do coqueiro. 10.1 Utilização de restos de culturas Folhas e outros restos da cultura, que tendem a se acumular no campo após cada colheita, não devem ser queimados, pois constituem fonte de matéria orgânica e facilitam a multiplicação da microvida do solo. O material deve ser afastado da zona de coroamento do coqueiro para permitir a trituração com roçadeira. A permanência deste material na zona de coroamento dificulta os trabalhos de adubação e, em alguns casos, provoca a superfícialização do sistema radicular. Pode-se efetuar, também, o amontoamento das folhas no centro da entrelinha (linhas alternadas a cada ano). 10.2 Coroamento do coqueiro Deve ser realizado devido à infestação das plantas daninhas, independentemente do manejo empregado. O tamanho da coroa varia com a idade da planta, devendo acompanhar a projeção da copa, atingindo, aproximadamente, 2 m de raio no coqueiro adulto.
  22. 22. - Coroamento químico: realizado com produtos de ação sistêmica, aplicados em pós-emergência quando as ervas se encontrarem no estádio de pré-floração. O Glyphosate tem sido o produto mais utilizado e o que tem apresentado os melhores resultados (é sistêmico, porém não é residual). - Coroamento manual: o revolvimento do solo e o corte parcial das radicelas provocado pela enxada proporcionam novas emissões de raízes, beneficiando o coqueiro. No período seco, o material poderá permanecer na zona de coroamento, devendo ser incorporado ao solo. No período úmido, deve ser feito o revolvimento, afastando-se a vegetação posteriormente para se evitar o arrastamento de fertilizantes e a rebrota de plantas daninhas. Uma gradagem junto ao estipe do coqueiro pode ser feita para substituir o coroamento manual e/ou incorporar fertilizantes. 10.3 Associação animais-coqueiro Nos sistemas agrossilvopastoris, deve-se optar pelo plantio nas conformações quadrada ou retangular, fazendo-se uso da Gliricídia e da Leucena em associação com ruminantes e promovendo a reciclagem de nutrientes. Vantagens: a) aumento da receita dos sistemas de produção; b) redução da competição da vegetação e dos custos com o seu controle; c) uso mais efetivo do solo; d) aumento da produção de alimentos (carne, leite, etc); e) produção de esterco para melhoria da fertilidade, estrutura e capacidade de retenção da umidade do solo;
  23. 23. f) aumento do rendimento da colheita do coco; g) aumento da produção do coco (eventualmente). Desvantagens: a) danos causados pêlos animais ao coqueiro jovem; b) competição entre pastagens e coqueiros por nutrientes e umidade; c) compactação do solo (dependendo da textura do solo e da taxa de lotação); d) erosão e perda de fertilidade com o superpastejo (topografia acidentada); e) maior requerimento de capital para as duas atividades; í) necessidade de maior habilidade para manejo das duas atividades. 11 PRAGAS Existem cerca de 579 pragas que atacam o coqueiro em todo o Mundo. Entretanto, dentre as pragas que atacam o coqueiro no Brasil, as que apresentam-se em maior freqüência e com prejuízos significativos, destacam-se as coleobrocas, dentre estas, a broca-do-olho (Rhinchophorus palmarum ) e a broca-do-estipe (Rhinostomus barbirostris ); a traça da inflorescência (Hyalospila ptychis); o ácaro (Eriophyes guerreronis); as lagartas-das-folhas (Brassolis sophoroe e Automeris sp), além das formigas cortadeiras, durante os três primeiros anos do plantio. 11.1 Broca-do-olho do coqueiro O adulto é um besouro de cor preta (Rhinchophorus palmarum), medindo de 4,5 a 6,0 cm de comprimento, possuindo um "rostro" comprido e recurvado, recoberto por pelos pretos na parte superior, nos machos..
  24. 24. A fêmea põe os ovos no 'olho' da planta, com um total de aproximadamente 250 ovos. Os ovos dão origem a lagartas brancas que medem cerca de 7,5 cm de comprimento. As lagartas se alimentam da parte interna do tronco, destruindo o meristema apical da planta e provocando a morte do coqueiro. Adulto de Rhinchophorus palmarum Fonte: Embrapa Controle: Como o controle químico é caro e de difícil aplicação em virtude do porte do coqueiro, sugere-se o emprego de um controle cultural preventivo através da eliminação das plantas atacadas e do monitoramento da praga com o emprego de iscas atrativas para a broca-do- olho, através do emprego de baldes de 20 litros, com funil acoplado na tampa, e colocando-se no seu interior, pedaços da planta de coqueiro, ou porções de cana-de-açúcar, mais melaço na proporção de um litro de melaço para quatro litros de água, com objetivo de se manter a isca sempre úmida, a qual atrairá o inseto para a armadilha. A cada 15 dias deve se proceder a substituição da isca, bem como destruir os insetos capturados. 11.2 Broca-do-estipe O adulto é um besouro preto (Rhinostomus barbirostris), medindo de 1,1 a 5,3 cm comprimento, com rostro recoberto por pelos avermelhados. A fêmea difere do macho por apresentar rostro mais curto e sem pelos. A fêmea põe os ovos no tronco do coqueiro, onde faz perfurações com o rostro, coloca os ovos e posteriormente os cobre com uma camada cerosa para protegê-los do ressecamento. Dos ovos surgem lagartas de cor esbranquiçada que podem atingir até 5 cm de comprimento. Após o nascimento, as lagartas penetram no tronco, e destroem os sistemas vasculares da planta, formando galerias, que aumenta de diâmetro a medida que a lagarta cresce. Quando o ataque é intenso e ocorre próximo a copa do coqueiro, pode ocorrer a quebra do estipe pela ação de ventos fortes. Mesmo que não haja a quebra da planta, poderá ocorrer uma redução na capacidade produtiva em até 75%. Adulto de Rhinostomus barbirostris Fonte: Embrapa
  25. 25. Controle: Em função das dificuldades de controle químico, como mencionado para a broca- do-olho, sugere-se o controle através de inspeções constantes e periódicas no coqueiral visando detectar a postura e raspá-las com facão para destruir os ovos. 11.3 Barata-do-coqueiro O adulto é um besouro de aproximadamente 2,5 cm, de coloração escura (Mecistomela margarita), tendo as margens dos élitros de cor amarela, com as patas e antenaspretas. A larva danifica as folhas novas e ainda fechadas que, ao abrirem, são defeituosas e irregulares, atrasando o desenvolvimento da planta. Nota-se, também, a presença de excrementos parecidos com serragem de madeira acumulados na axila da folha central. Adultos de Mecistomela margarita Fonte: Embrapa O controle: é feito através de pulverização à base de endossulfan a 0,05%, trichiorfon a 0,15%, methil parathion a 0,06% ou carbaryl a 0,12%, que reduz a população da praga em mais de 90% com apenas uma pulverização. Se os coqueiros forem baixos e a incidência da praga for pequena, é possível coletar as larvas da barata manualmente, usando-se um pequeno ferro, com aproximadamente 20 cm, em forma de anzol. 11.4 Gorgulho das flores e frutos O adulto é um pequeno besouro castanho (Parísoschoenus obesuius) medindo 3 cm . Os estragos são provocados pela pequena larva branca de cabeça castanho-escuro, que se desenvolve no interior das flores e pequenos frutos, formando inúmeras galerias e provocando a queda prematura dos frutos. O controle cultural consiste na coleta manual dos frutos atacados caídos no solo e dos que ainda se encontram presos nas inflorescências, que devem ser queimados. O controle químico é feito através de pulverização com inseticidas que tenham a propriedade de agir por contato e penetração. As pulverizações deverão ser dirigidas para as inflorescências recém-abertas e
  26. 26. efetuadas quando as perdas tiverem expressão econômica, isto é, ataque que represente 20%. 11.5 Ácaro da necrose do coqueiro Normalmente o ácaro (Eriophyes guerreronis) desenvolve-se sob as brácteas dos cocos novos, sugando a seiva da epiderme e provoca cloroses que se estendem longitudinalmente por todo o fruto. Posteriormente a área danificada torna-se marrom escura, com aspectos ásperos e freqüentemente apresentando rachaduras. Os frutos danificados se deformam, perdem peso e às vezes caem antes de atingir o ponto ideal colheita, além de tornar os frutos pouco atrativos para o consumidor de "coco-verde". Dano causado pelo Eriophyes guerreronis no fruto Fonte: Embrapa Controle: Em função dos ácaros se encontrarem protegidos pelas brácteas dos frutos, o controle através produtos químicos de ação por contato fica comprometido, podendo ser usado apenas produtos de ação sistêmica. Entretanto estes produtos não devem ser recomendados uma vez que estes deixam resíduos nos frutos. 11.6 Traça da inflorescência O adulto é uma mariposa pequena ( Hiolospila ptychis), a qual faz a postura na inflorescência. Dos ovos surgem lagartas brancas, com pigmento no dorso e cabeça amarelada. As lagartas desenvolvem-se nas inflorescências recém abertas do coqueiro, danificando os carpelos da flores femininas e perfurando os cocos novos na região das brácteas e instalando-se sob as mesmas onde se alimenta dos tecidos e abre galerias, e provocando a queda dos frutos atacados ainda pequenos. Controle: sugere-se proceder a eliminação das inflorescências atacadas pela traça e queimá-las, como forma de diminuir a fonte de inoculo, visto que o controle químico não deve ser empregado, uma vez que seria necessário se
  27. 27. fazer o emprego de inseticidas sistêmicos, os quais podem se tornar uma ameaça a saúde do consumidor, considerando-se que a água é consumida naturalmente. 11.7 Lagarta das folhas O adulto é uma borboleta grande (Brassolis sophoroe) medindo de 6 a 10 cm, de hábito diurno, a qual faz a postura na base do pecíolo das folhas e folíolos. As lagartas surgidas dos ovos chegam a medir de 6 a 8 cm de comprimento, cabeça avermelhada e listras longitudinais marrom-escura no dorso. As lagartas fazem ninhos unindo vários folíolos com fio de seda no interior onde passam o dia e só saem a noite para se alimentar. Alimentam-se do limbo foliar dos folíolos, provocando o desfolhamento total das plantas. Lagartas de Brassolis sophoroe. Fonte: Embrapa Controle: sugere-se a derrubada das lagartas com o emprego de varas e destruição mecânica das mesmas. 11.8 Formigas As formigas saúvas causam sérios danos nos três primeiros anos de plantio da muda bem como no viveiro, podendo levar a um desfolhamento total da planta. Controle: devem ser controladas com o emprego de formicidas adequados, tendo-se o cuidado de controlar os formigueiros tanto dentro quanto fora da propriedade. 12 DOENÇAS Dentre as doenças, destacam -se como de maior importância o anel- vermelho do coqueiro (Bursaphelenchus cocophilus); a lixa pequena ou verrugose do coqueiro (Phyllachora torrendiella); mancha foliar ou Helmintosporiose (Dreschlera incurvata) e a qeima-das-folhas ( botryosphaeria cocogena).
  28. 28. 12.1 Queima-das-folhas -Botryosphaeria cocogena A doença se manifesta nas folhas inferiores da planta, a partir de um ano e seis meses do cultivo no campo. Nos folíolos, os sintomas se caracterizam por manchas marrom-avermelhado que se localizam na extremidade, margem ou meio dos folíolos, desenvolvendo-se em direção ao raquis. Freqüentemente, os sintomas se desenvolvem a partir da extremidade da folha, provocando, no início, lesões em forma de V. A doença provoca o empodrecimento, o ressecamento e a morte prematura das folhas que servem de apoio aos cachos que acabam pendurados ou se quebrando e caindo antes de os cocos completarem a sua maturação. Determina, ainda, a redução foliar, com expressiva queda na produtividade. Ainda não foram detectadas variedades resistentes à doença. As menos susceptíveis são: PB 141, AV e J e AVC, GPY, Como medida de controle preventivo, recomenda-se a remoção e a queima das folhas mortas. O vento é um meio de disseminação do fungo. Sintoma em “V” da queima-das-folhas. Fonte: Embrapa O controle químico é feito com 6 a 8 pulverizações (através do pulverizador motorizado) com Benomyl (0,1%) + Carbendazim (0,1%) i.a. (solventes químicos diferentes) em intervalos de 14 dias, gastando-se dois a três litros da solução por planta em coqueiros jovens ou já em produção e com até 6 metros de altura. O tamanho da lesão está correlacionado positivamente com o estresse hídrico. 12.2 Lixa-pequena ou verrugose do coqueiro - Phyllachora torrendiella A doença é caracterizada por pequenos pontos negros (verrugas) que ocorrem por todas as áreas dos folíolos, raquis e frutos do coqueiro. O fungo provoca a necrose das folhas inferiores, que secam prematuramente. Quando
  29. 29. o ataque é severo, os cachos ficam totalmente sem suporte, prejudicando a produção. O controle biológico é feito com os fungos Acremonium sp, Septofusídium eïegantyïum, Cladosporium cladosporioides, Penicillium sp, Curvularia sp e Pestalotia sp. Lixa pequena em coqueiro Fonte: Embrapa 12.3 Lixa-grande -Spareodothis acrocomiae A doença se manifesta sobre o limbo, nervura dos folíolos e raquis foliar, com grossos peritécios de coloração marrom, que podem atingir até 2mm de diâmetro. Os estremas desse fungo soltam-se facilmente, ao contrário dos estremas da lixa-pequena. O controle biológico é feito como o da Lixa-pequena. Estas duas doenças são consideradas portas de entrada para o agente da Queima-das- folhas. A adubação mineral tem efeito sobre a incidência da lixa no primeiro ano de plantio. A presença de nitrogênio e/ou de fósforo proporcionam menor incidência da doença que, na presença de K, é mais severa. Lixa-grande no raquis da folha do coqueiro. Fonte: Embrapa 12.4 Anel-vermelho - Bursaphelenchus cocophilus Em estádio avançado da doença, as copas das palmeiras ficam com aspecto amarelo-ouro, com exceção de um tufo central de folhas verdes que, finalmente, dobra-se e seca, ocorrendo então a morte da planta. Não se observa queda de frutos e de inflorescências. Efetuando-se um corte transversal do estipe, verifica-se um anel vermelho de 2 a 4cm de largura e a 3- 5cm da periferia.
  30. 30. O nematóide causador da doença é vetoriado pelo R. palmarum ou através das raízes. O controle é feito com a erradicação das plantas afetadas e a utilização de iscas atrativas para o vetor. Deve-se também evitar o corte excessivo das folhas funcionais. Sintomas internos da doença anel- vermelho Fonte: Embrapa Ferramentas utilizadas no corte de plantas atacadas devem ser limpas antes de serem utilizadas em plantas sadias. As armadilhas com iscas atrativas devem ser dispostas ao redor do plantio e as iscas devem ser trocadas a cada 7-15 dias. 12.5 Murcha-de-phytomonas -Phytomonas sp. A doença começa pelo amarelecimento e depois empardecimento dos folíolos terminais das folhas mais baixas, evoluindo da extremidade para a base da Inflorescência com ataque de Murcha-de- phytomonas Antes da folhagem tornar-se completamente marrom, a podridão flecha já alcançou o meristema central da folha e das folhas inferiores para as mais altas, ocorrendo ressecamento generalizado em torno de 4 a 6 semanas. O controle da doença é feito pela eliminação dos coqueiros doentes. As coroas devem ser mantidas limpas, principalmente em locais mais úmidos. Inflorescência com ataque de Murcha-de-phytomonas Fonte: Embrapa
  31. 31. Efetuando-se o controle das plantas de cobertura. Os insetos vetores devem receber combate sistemático usando-se Deltametrina à razão de 2g i.a. /litro {Lincus spp) e Thiodan para o Ochierus. Sugerem-se, ainda, pulverizações com Monocrotophos à base de 20ml/100 litros de água, que não afeiam a emergência de microhimenópteros parasitóides de Lincus spp. A roçagem mecânica expõe as formas adultas do inseto à radiação solar. Podem ser utilizados inseticidas sistêmicos através da raiz do coqueiro (Azodrin ou Nuvacron). O Monocrotophos (acaricida) aplicado a cada 3 meses age por fumigação e contato. 12.6 Mancha Foliar ou Helmintosporiose -Dreschslera incurvata Pequenas lesões nas folhas do coqueiro, de forma elíptica e alongada, de cor marrom com halo amarelo-ouro. A doença se desenvolve, inicialmente, nas folhas inferiores, progredindo para a parte superior da planta. O controle da doença no viveiro e em plantas com até 5 anos é feito através de adubação balanceada, sem excesso de nitrogênio. Nos primeiros casos da doença, a utilização de Maneb a 2% i.a. ou outro fungicida de contato garante controle adequado. Pode-se utilizar, também, Dithane M 45 ou Captan (Score, Folicur). Outro cuidado recomendado é a eliminação de ervas daninhas. 12.7 Podridão Seca (agente causador desconhecido) Pequenas manchas esbranquiçadas, isoladas ou em cadeias, localizadas na flecha ou na folha recém-aberta, são as primeiras manifestações da doença, podendo ocorrer, também, a paralisação do crescimento da planta. Em etapa mais avançada, a folha central da planta fica totalmente seca. Simultaneamente ao desenvolvimento dos sintomas nas folhas, aparecem no coleto lesões internas, marrons, com aparência de cortiça. Todas as folhas secam, já que a podridão alcança o meristema central. Para controlar a doença, recomenda-se o consórcio com leguminosas; a eliminação de gramíneas e insetos através do Aldicarb e a aplicação de injeção de 50ml de Oxitetraciclina abaixo do meristema.
  32. 32. Aspecto interno da podridão seca Fonte: Embrapa 13 COLHEITA E COMERCIALIZAÇÃO O ponto de colheita do coco depende da variedade cultivada e do destino da produção. Para as variedades Gigantes e híbridas, onde o fruto é comercializado seco para a indústria de processamento, o coco encontra-se no ponto de colheita aos 11 - 12 meses após a abertura da inflorescência. No caso do coqueiro-anão, onde o fruto é destinado basicamente para o mercado de coco-verde, em função do consumo da água, os frutos devem ser colhidos com idade variando entre oito e nove meses após a abertura da inflorescência, quando a água se encontra com o sabor mais agradável. Os frutos são colhidos através do corte do cacho com um golpe de facão, tendo-se o cuidado de amarrá-lo com uma corda e segurá-la para diminuir o impacto dos frutos com o solo, quando o coqueiro se encontrar alto e assim reduzir a perda de frutos por rachaduras, no caso do coco-verde. O coco-verde é comercializado em cachos ou a granel, devendo ser mantidos protegidos do sol, de forma que sua longevidade não seja afetada. Na maioria dos casos, a comercialização ocorre através de agentes intermediários, os quais se responsabilizam pela colheita e sua despesa, podendo ser também comercializados em feiras-livre; Centrais de abastecimento; lanchonetes, etc. Com o aperfeiçoamento do sistema de embalagem por parte da industria, surgem grandes perspectivas de se aumentar a demanda por coco-verde por parte da indústria, de forma que pode tornar-se possível a realização de contratos de fornecimento de coco-verde entre produtores e indústria, de forma que o produtor possa obter melhores preços que os obtidos pela venda aos intermediários.
  33. 33. Na propriedade o coco-verde atinge um preço médio variando de R$0,20 a R$0,40, dependendo da época do ano e do volume de produção, bem como do mercado ao qual se destina o produto. O coco seco é comercializado a granel, sem casca, e geralmente é intermediado por terceiros, os quais repassam para a indústria de processamento. 13.1 Estimativa de produção Considerando-se que o coqueiro anão emite uma inflorescência a intervalos médios de 21 dias, e consequentemente a planta emite em média, de 15 a 17 cachos/mês, de forma que possibilita se obter produção durante o ano todo. Considerando-se um bom nível de manejo empregado no cultivo e a idade da planta, a produtividade é estimada conforme o quadro 5. Quadro 5: Produção estimada por planta/ano com irrigação convencional por aspersão e irrigação localizada na cultura do coqueiro-anão-verde. IDADE (anos) FRUTOS/PLANTA/ANO* Aspersão Localizada 3 80 90 4 100 120 5 130 150 6 150 180 7 180 210 8 200 240 9 230 270 10 260 300
  34. 34. Fonte: PESAGRO-RIO * - Os dados do quarto ano com irrigação localizada foram coletados na área de Quissamã-RJ. - Os dados do quinto ano com irrigação por aspersão foram obtidos na Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais e referem-se ao semi- árido mineiro e a coqueiral com três anos e meio de implantação. - Os dados do sexto ao décimo ano foram estimados. 14 INDUSTRIALIZAÇÃO O coco-anão leva vantagens em relação ao coco-da-praia no que se refere ao rendimento em água. Quadro 6: Comparação entre o coco anão e o coco-da-praia no que se refere ao rendimento em água. FATORES COCO-ANÃO COCO-DA-PRAIA Peso médio do coco(g) 1.187 2.784 Volume de água (ml) 326 372 % de água 27,5 14,4 Fonte: PESAGRO-RIO Este aspecto deve ser considerado, pois já se encontra no mercado água de coco engarrafada ou em outros tipos de embalagens, principalmente no mercado da Grande São Paulo. No Rio de Janeiro, encontra-se água de coco importada das Filipinas a R$ 0,92 a caixinha. Deve-se ressaltar que se tratam de subprodutos da indústria da compra do coco para fins de produção de óleo, sendo água de coco do tipo coco-da-praia ou de plantas híbridas, com características organolépticas distintas e inferiores às da água do coco-anão-verde. O consumo atual de água de coco é de 119.700 litros/ano, o que equivale a 1,33% do
  35. 35. consumo de refrigerantes no Brasil. A meta a atingir é de 5% do consumo anual de refrigerantes. A água e a polpa do coco-verde têm, atualmente, excelente mercado, sendo que, as indústrias padronizam a água comercializada com 60% procedente de coco-verde e 40% de coco amadurecido. 15 CUSTOS E RENTABILIDADE O coqueiro é uma cultura de custo relativamente baixo, em torno de R$ 4,00 / planta/ano. Quando bem manejada, o custo unitário do fruto gira em torno de R$ 0,02; R$ 0,04 e R$ 0,07 para os frutos das variedades Anã, Híbrido e Gigante respectivamente, enquanto que o valor médio recebido pelo produtor na comercialização gira em torno de R$ 0,25 tanto para o coco-verde quanto para o coco-seco. 16 REFERÊNCIAS BILBIOGRAFICAS RÊGO FILHO, Luiz de Moraes, BARROS, Julio César da Silva monteiro de CELESTINO, Regina Célia Alves et al. A cultura do coco-verde: Perspectivas, tecnologias e viabilidade. Niterói: PESAGRO-RIO, 1999.48p. FERREIRA, J.M.S; WARWICK, D.N.R., SIQUEIRA, L.A. A Cultura do Coqueiro no Brasil, Brasília: Embrapa, 1998. PERLEY, G.J. Replanting the tree of life: towards an international agenda for coconut palm research. Wallingford: CAB, 1992. FRÉMOND, Y.; ZILLER, R.; NUCÉ de LAMOTHE, M. de El cocotero. Barcelona: Blume, 1969. FERRI, M.G. Botânica: Morfologia externa das Plantas (organografia). São Paulo: Melhoramento, 1973. CHILD, R. Coconuts. London: Longman, 1974. FAO. Yearbooks production. Roma, v. 50, 1996. FERREIRA, J.M.S; WARWICK, D.R.N.; SIQUEIRA, L.A. (eds). A cultura do coqueiro no Brasil. Aracaju: SPI, 1994. GALLO, D. et al. Manual de entomologia agrícola. 2 a ed. São Paulo: Editora Agronômica Ceres, 1998.
  36. 36. IBGE. Anuário Estatístico do Brasil. Rio de Janeiro, v. 50, 1996. WARWICK, D.R.N.; SANTANA, D.L. de Q.; DONALD, E.R.C. Anel vermelho do coqueiro: aspectos gerais e medidas de controle. Aracaju: CPATC, jul.1995, 7p. (Comunicado Técnico, 05).

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