Oficina de Paleografia
Rodrigo Mourão Marttie
Maio, 2011 AD
Universidade de Nottinghan, Reino Unido,
Breviário com notação...
Etimologias(Prof. Alexandre Sobreiro, FFLCH - USP)
Paleografia (substantivo feminino)
1 - qualquer forma antiga de escrita...
Codicologia (substantivo feminino)
codi(co)- (elemento de composição)
Do latim caudex ou codex,ìicis 'tronco de árvore; ta...
Diplomática (substantivo feminino)
1 - ciência que tem por objeto os diplomas, cartas e outros documentos oficiais, para
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Relevância da Paleografia
• O estudo da
paleografia liberta o
historiador da tutela
das transcrições,
traduções e da
inter...
• O objetivo principal desta oficina de
estudos é fornecer o instrumental
indispensável para deparar-se com os
manuscritos...
A capacidade de ler e escrever paleografia exige
duas habilidades:
• (1) saber transpor os caracteres do documento
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• Método?
• Teoria?
• Método versus Teoria?
• Historiador versus Paleógrafo?
Para se obter uma eficiente prática em termos...
• Ferramenta
da História?
• Parte da História?
Muitas vezes o historiador se torna refém das versões
transcritas e normati...
• Arte ou ciência?
• Erudição ou conhecimento
acadêmico?
Considerada por muitos anos uma “arte” ou passatempo
de antiquári...
Manuscritos Medievais
Níveis de Interpretação e Leitura.
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Análise da distribuição física, tamanhos e proporções
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•Quando ocorre a normatização perde-se o
elemento material do texto
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A transcrição é basicamente uma representação de
uma fonte primária em outro formato, como papel ou
meio eletrônico. Algum...
Biblioteca do Corpus
Christi College, Oxford,
Inlgaterra: CCC 209, fol.
57r., l. 1-15.
VERSÃO NORMATIZADA
Regnante illustrissimo rege Olauo apud Noruuegiam,
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Versão Traduzida
Quando o ilustríssimo Rei Olavo governou na
Noruega, um país vasto localizadao na direção norte, tendo
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Nossa Oficina
• Trabalharemos com:
–Manuscritos “padrões” (de um estilo
de escrita)
–Manuscritos latinos (sem levar em
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Layout é coisa antiga...
... aliás, medieval!
Manuscritos Medicinais
Manuscritos Botânicos
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• Os formatos criados e largamente usados
na Idade Média estão presentes até hoje
na nossa forma de dispor textos, imagens...
Texto Formatado
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Texto Formatado
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Paleografia Medieval - Introdução

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Paleografia Medieval - Introdução

  1. 1. Oficina de Paleografia Rodrigo Mourão Marttie Maio, 2011 AD Universidade de Nottinghan, Reino Unido, Breviário com notação musica,1175-1225 (WLC/LM/1, f.37r)
  2. 2. Etimologias(Prof. Alexandre Sobreiro, FFLCH - USP) Paleografia (substantivo feminino) 1 - qualquer forma antiga de escrita, tanto em documentos como em inscrições 2 - estudo das antigas formas de escrita, incluindo sua datação, decifração, origem, interpretação etc. Etimologia pale(o)- + -grafia. pale(o)- (elemento de composição) Do grego palaiós, á, ón, 'velho'; 'antigo'; 'pré-histórico'; 'primitivo'. -grafia (elemento de composição) Do grego graphê, 'escrita, escrito, convenção, documento, descrição' + o sufixo formador de substantivos abstratos -ia, geralmente em nomes de ciências, artes e técnicas: biografia, caligrafia, ortografia; cinematografia, fotografia. União morfológica simples de duas bases/raízes gregas, que a Gramática Normativa chama de composição por justaposição (dois termos, relativamente independentes, são unidos em uma palavra ao serem articulados, em determinada ordem, um depois do outro, sem qualquer elemento de ligação).
  3. 3. Codicologia (substantivo feminino) codi(co)- (elemento de composição) Do latim caudex ou codex,ìicis 'tronco de árvore; tabuinha de escrever; registro, escrito, livro; código, coleção de leis'; -logia (elemento de composição) Do grego –logía composto de -logo + o suf. -ia, formador de substantivos, indicativo de 'ciência, arte, tratado, tratamento sistemático de um tema' ou de conexão com 'palavra' ou 'proporção'; aparece em português a partir da Idade Média e é fecundo na formação de nomes de 'ciência, especialização científica': analogia, antologia, antropologia, apologia, arqueologia, astrologia, bacteriologia... Basicamente, houve entrada dessa base tanto via vernáculo (evolução natural, basicamente motivada por fatores geográficos, sociais e políticos, a partir do latim), quanto via erudita (a partir do séc. XVI, com o Renascimento, o português ganhou milhares de palavras, cuja estrutura é basicamente essa: bases greco-latinas justapostas ou então uma base + um sufixo vernáculo/prefiro vernáculo + base clássica) Etimologias(Prof. Alexandre Sobreiro, FFLCH-USP)
  4. 4. Diplomática (substantivo feminino) 1 - ciência que tem por objeto os diplomas, cartas e outros documentos oficiais, para determinar sua autenticidade, sua integridade e época ou data em que foi feito 2 - ciência e arte da leitura e decifração de diplomas e outros documentos antigos 3 - estudo da história e das diversas formas dos documentos legais e administrativos Etimologia latim medieval diplomática a arte relativa a documentos oficiais antigos, por influência do francês diplomatique (1708) substantivo feminino 'ciência que tem por objeto o estudo crítico de documentos oficiais', (1726) adjetivo 'relativo aos diplomas que regem as relações internacionais‘ diplom(at)- (elemento de composição) Do grego díplóma,atos 'quantidade dupla, objeto duplo, tablete de papel dobrado em dois (carta, certidão), vaso formado de dois recipientes, um contido no outro, para aquecer em banho-maria'; em grego, o étimo é o verbo diplóó 'dobrar, pôr em dobro'; Uma palavra que veio do latim medieval (influenciada pelo francês), mas que nesse idioma já seria uma composição a partir da base grega dipl(o)/diplom(at) afixada de um sufixo substantivizador já pertencente a essa língua (-ica) Etimologias(Prof. Alexandre Sobreiro, FFLCH-USP)
  5. 5. Relevância da Paleografia • O estudo da paleografia liberta o historiador da tutela das transcrições, traduções e da interpretação de outros historiadores. Passamos a ter acesso a informações sem filtros
  6. 6. • O objetivo principal desta oficina de estudos é fornecer o instrumental indispensável para deparar-se com os manuscritos medievais, hoje largamente disponíveis na internet. • Gerando conhecimento básico para a transcrição e ampla leitura, pois o ato de ler manuscritos medievais é por nós entendido como algo além do ato de decodificar signos alfabéticos (mise en page, mise en livre).
  7. 7. A capacidade de ler e escrever paleografia exige duas habilidades: • (1) saber transpor os caracteres do documento original para caracteres com os quais estamos mais familiarizados • (2) saber identificar as abreviações usadas no texto do registro. • Importante: interpretar os sinais de pontuação usados, separar ou unir palavras que não foram separadas ou unidas no texto original, ler e transcrever números, identificar erros no texto original e, finalmente, obter, através de tudo isso, o significado do texto.
  8. 8. • Método? • Teoria? • Método versus Teoria? • Historiador versus Paleógrafo? Para se obter uma eficiente prática em termos de paleografia são necessárias não somente as ferramentas teóricas, mas também a boa gestão do conhecimento técnico em si, da capacidade de reconhecer e identificar determinados traços, símbolos e signos. Trabalhando Paleografia
  9. 9. • Ferramenta da História? • Parte da História? Muitas vezes o historiador se torna refém das versões transcritas e normatizadas, ou mesmo da historiografia que menciona as fontes para a história medieval, privado, porém, do contato direto com os manuscritos, se deparando sempre com uma visão previamente filtrada por outrem. Trabalhando Paleografia
  10. 10. • Arte ou ciência? • Erudição ou conhecimento acadêmico? Considerada por muitos anos uma “arte” ou passatempo de antiquários, a paleografia, no último quartel do século XX, se tornou objeto de franca expansão e pesquisa no âmbito dos estudos medievais. Trabalhando Paleografia
  11. 11. Manuscritos Medievais Níveis de Interpretação e Leitura.
  12. 12. • Mise en Page, Mise en Livre: Análise da distribuição física, tamanhos e proporções de elementos no manuscrito medieval que vai além do texto em si, como por exemplo figuras, letras iluminadas, marginália, material, formato do livro etc. Em outras palavras, é uma análise do manuscrito, seja ele em que formato que for (códice, fragmento, folhas, cartas etc.), de forma a descrever e compreender sua formatação, decoração e função social (leitura privada ou pública, encenação, liturgia etc.) Trabalhando Paleografia
  13. 13. •Quando ocorre a normatização perde-se o elemento material do texto •Quando ocorre a tradução, altera-se o sentido? •Traduções são plenamente confiáveis? •Transcrições e traduções são suficientes para o paleógrafo, mas e para o historiador? •Quantos elementos das mentalidades do tradutor, editor, revisor, etc., estão impregnados no texto? •Quantos níveis de interpretação são possíveis?
  14. 14. A transcrição é basicamente uma representação de uma fonte primária em outro formato, como papel ou meio eletrônico. Algumas transcrições têm o objetivo de reproduzir o texto-fonte, tanto quanto possível (são as chamadas transcrições diplomáticas); outras permitem uma certa dose de generalização, ou normatização, quando abreviaturas são expandidas, ligaduras separadas, etc. (são as transcrições normatizadas). Por razões didáticas trabalharemos apenas com versões normatizadas dos textos medievais.
  15. 15. Biblioteca do Corpus Christi College, Oxford, Inlgaterra: CCC 209, fol. 57r., l. 1-15.
  16. 16. VERSÃO NORMATIZADA Regnante illustrissimo rege Olauo apud Noruuegiam, que est terra pregrandis uersus aquilonem locata, a meridie Daciam habens, eandem ingressi sunt terram pedes euuangelizancium pacem, euuangelizancium bona. Hactenus sacrilegis ydolorum mancipate ritibus et supersticiosis erroribus deluse nationes ille ueri Dei cultum et fidem audierant; audierant quidem, set multi suscipere contempserant. Sicut enim loca aquiloni proxima inhabitabant, ita familiarius eas possederat et tenaciori glacie infidelitatis astrinxerat aquilo ille, a quo panditur omne malum super uniuersam faciem terre, et a cuius facie ollam succensam uidet Ieremias, et qui in Ysaia iactanter profert: Super astra celi exaltabo solium meum, sedebo in monte testamenti in lateribus Aquilonis.
  17. 17. Versão Traduzida Quando o ilustríssimo Rei Olavo governou na Noruega, um país vasto localizadao na direção norte, tendo a Dinamarca ao sul, entraram na terra os pés dos que anunciam o evangelho de paz e trouxeram as boas novas. Os povos da daquele país, previamente submetido a ritos ímpios de idolatria e iludidos pelo erro supersticioso, agora ouviram falar do culto e de fé no verdadeiro Deus; ouviram de fato, mas muitos desprezam em o aceitar. Vivendo em uma região próxima ao norte, foi o mesmo norte, de onde vem todo o mal sobre toda a face da terra, que possuía todos dos interior e prendeu-os ainda mais firmemente no gelo da incredulidade. A respeito deles Jeremias viu uma panela a ferver, e Isaías há a jaculatória, que diz: "Eu exaltarei o meu trono acima das estrelas de Deus: Eu também irei sentar no monte da congregação, nos lados do norte.
  18. 18. Nossa Oficina • Trabalharemos com: –Manuscritos “padrões” (de um estilo de escrita) –Manuscritos latinos (sem levar em conta as inúmeras variações regionais) –Textos Litúrgicos ou da Sagrada Escritura, por serem geralmente uniformes.
  19. 19. Layout é coisa antiga... ... aliás, medieval!
  20. 20. Manuscritos Medicinais
  21. 21. Manuscritos Botânicos add year
  22. 22. • Os formatos criados e largamente usados na Idade Média estão presentes até hoje na nossa forma de dispor textos, imagens e nos formatos dos nossos livros. Manuscritos Medievais Textos Contemporâneos
  23. 23. Texto Formatado O texto acompanha o formato da gravura
  24. 24. Texto Formatado A imagem se encaixa diretamente no texto
  25. 25. Páginas Ilustradas Páginas duplas
  26. 26. Colunas Múltiplas
  27. 27. Iniciais Grandes
  28. 28. Iniciais Decoradas
  29. 29. Qual dos dois é o Medieval?

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