Análise Territorial da Praia de Faro

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Análise Territorial da Praia de Faro

  1. 1. Universidade do Algarve Escola Superior de Educação e Comunicação Licenciatura em Educação Social Unidade Curricular de Análise de Contextos Profissionais 2º Ano – 1º Semestre Análise Territorial da Praia de Faro RELATÓRIODocentes:Bernardete Sequeira e Vanessa SousaDiscentes:Ana Abreu, aluna n.º 1757; Ricardo da Palma, aluno n.º 43043; Rita Gonçalves,aluna n.º 41807; Telvia Costa, aluna n.º 43728. Faro e UAlg-ESEC, Janeiro de 2012
  2. 2. Análise de Contextos Profissionais Educação Social ÍndiceIntrodução .......................................................................................................................................... 31. Enquadramento.......................................................................................................................... 5 1.1 Contextualização teórica .......................................................................................................... 52. Caracterização ............................................................................................................................ 8 2.1 Movimento Associativo .......................................................................................................... 103. Metodologias ........................................................................................................................... 114. Análise e Discussão ee Resultados ........................................................................................... 135. Considerações Finais .................................................................................................................... 16 Referências Bibliográficas ............................................................................................................ 18 Guião de observação .................................................................................................................... 22 Guião de Entrevista ...................................................................................................................... 24 Diários de Campo ......................................................................................................................... 26 Registos Fotográficos ................................................................................................................... 40
  3. 3. Análise de Contextos Profissionais Educação Social IntroduçãoO presente trabalho enquadra-se no conteúdo programático da Unidade Curricular deAnálise de Contextos Profissionais, do 2º ano – 1.º semestre da Licenciatura deEducação Social (pós laboral), orientada e coordenada pelas professoras BernardeteSequeira e Vanessa Sousa, onde foi proposto realizar um trabalho sobre um contextoorganizacional ou territorial. O nosso grupo optou pela análise de um contexto territorial,tendo a escolha incidido sobre a Praia de Faro.A escolha deste território teve a ver com o facto de todos os elementos do grupoconhecerem e frequentarem este território, quer pelo sentimento de pertença para com amesma quer pelo facto de conhecermos a atual situação deste território, que se encontraincluído num programa forte de reestruturação territorial e que de uma certa forma temcondicionado as relações sociais inter/intra comunidade.Assim sendo, a questão de partida deste trabalho de investigação empírica e que nofundo também enuncia o seu principal objetivo é: Como está organizada territorialmente aPraia de Faro?A partir desta interrogação, outras mais específicas surgiram, tais como:- Quais as características deste território?- Qual a sua tipologia?- Que problemas/oportunidades são sentidas no território?- Quais as redes de sociabilidade?Partindo desta problematização, traçamos como objetivo geral do retrato territorial daPraia de Faro, em termos de infraestruturas, equipamentos e serviços, as atuaiscondições de habitabilidade e ordenamento do território e o caracterizar das associaçõesque representam a ilha, sendo este último objetivo específico o que nos despertou maiorcuriosidade no desenrolar da investigação e que oportunamente será justificado.Numa perspectiva de futuros Educadores Sociais, onde o “traço” marcante é, sem dúvida,a capacidade para saber encontrar e ajudar a percorrer caminhos que vão no sentido dobem-estar da pessoa e da sociedade” (Cardoso, 2006:14), pretendemos, neste sentido,analisar um território, indo ao encontro dos princípios da Educação Social, partindo deuma análise temática e tentando perceber as redes de sociabilidade existentes.
  4. 4. Análise de Contextos Profissionais Educação SocialO presente trabalho encontra-se dividido em cinco capítulos, incluindo o introdutório eexcetuando os anexos, que compõem todos os instrumentos de trabalho usados (diáriosde campo, guião de observação, grelhas de análise do conteúdo, pesquisa documental,conversas informais, entrevistas semi-estruturadas e registos fotográficos; o primeirocapítulo: enquadramento do estudo, com referências teóricas de problematização sobre oobjeto de estudo; segundo capítulo: caracterização da Praia de Faro; terceiro capítulo:metodologia de investigação; quarto capítulo: resultados (onde consta a apresentaçãodos dados e discussão dos resultados mais significativos); quinto capítulo: consideraçõesfinais (no qual é apresentado a reflexão final, as críticas a todo o desenrolar do estudo ealgumas pistas para novos estudos que consideramos importantes durante o percurso daanálise efetuada.
  5. 5. Análise de Contextos Profissionais Educação Social 1. EnquadramentoAtendendo à visão de Silvano (1997) quanto ao conceito de território, este vai para alémde um espaço físico. Não nos podemos confinar a pensá-lo apenas como um espaçodelimitado por fronteiras. Um território envolve as relações sociais, políticas erepresentacionais e consiste na forma como o indivíduo se identifica com o espaço, comorevela as suas práticas e como o considera como um espaço de pertença e de referência.A problematização teórica desta análise territorial representa o nosso compromisso,enquanto pesquisadores do campo científico em que estamos inseridos, e, neste casoconcreto, na Praia de Faro. Segundo BONIN (2006, p. 27), “um trabalho alentado delocalização de conceitos e de proposições pertinentes para a compreensão doproblema/objeto”, logo, sobre a problematização teórica, deve-se compreender o que elarepresenta de forma a balizar o estudo com obras de autores que abordam o tema. Nestesentido, balizámos o presente capítulo no olhar sobre as relações entre a ruralidadepiscatória da Praia de Faro, recorrendo-nos do paralelismo referido por Campêlo (2000)entre rural agrícola e piscatório, e a urbanidade, bem como a sua caracterizaçãoterritorial. 1.1 Contextualização teóricaConsideramos o território da Praia de Faro, enquadrado no contexto tipológico, comosendo um território rural, dado o seu cariz piscatório, em que a atividade principal (ainda)deriva da pesca e dos recursos naturais deste espaço, mas em via de urbanização (Reis,2001), ou seja, dadas as suas características estruturais (equipamentos, serviços,…) etambém dada a relação de proximidade, geográfica, social, económica e política,existente entre este espaço rural, recorrendo-nos do paralelismo referido por Campêlo(2000) entre o rural agrícola e rural piscatório, quer com o grande centro urbano que é acidade da Faro (capital de Distrito), quer com a capital de freguesia, à qual pertence,Montenegro, bem como à grande infraestrutura sediada no limítrofe fronteiriço da suaárea que é o Aeroporto Internacional de Faro.A processo de urbanização, relaciona-se, cada vez mais, com o estreitamento derelações entre o rural e o urbano, onde o mundo rural depende, em certa medida, domundo urbano, e, vice-versa. E isto porque ambos são indissociáveis, quer pelo fatoreconómico, onde o mundo rural tem como função de suporte a produção de bens queservem o centro urbano, quer pelo fator social onde parte da população rural migra para 5
  6. 6. Análise de Contextos Profissionais Educação Socialas cidades, fomentando desta forma o seu crescimento e desenvolvimento. SegundoFerrão (2000), a centralidade económica, social e simbólica do mundo rural arcaico veio aperder fôlego com a chegada da Revolução Industrial no século XVIII.O mesmo autor refere ainda que, após a 2ª Guerra Mundial e com a industrialização daagricultura, surgiu uma nova dicotomia entre o meio rural: o rural moderno e o ruraltradicional, levando a que a oposição entre rural e urbano começasse a ser vista nãocomo a mais decisiva dada a “perda” da exclusividade do modernismo nas áreasurbanas. “A mudança operada nas relações cidade/campo, traduzida em alargamento e diversificação, era acompanhada pela emergência do espaço social urbano/industrial, o qual, na sua lógica de afirmação e de inovação, se guindava a posição dominante e subordinava a si o espaço social rural” (Barros, 1990:46).Barros (1990), refere que a revolução industrial veio trazer profundas mudanças nomundo rural. A transferência das atividades para a cidade veio tornar a produção agrícolado meio rural totalmente dependente da indústria da cidade e cada vez mais orientadapara a cidade e pela cidade. Não só o fator económico foi afetado. A nível social, quebra-se a integração no espaço rural, levando ao êxodo, e deste modo ao rompimento doespaço social rural.Dentro do contexto em análise, e segundo Sampaio (2007), o Algarve é encarado, deuma forma geral, como uma região em que a complementaridade entre o rural interior e ourbano litoral se verifica na sua plenitude e no caso concreto da Praia de Faro, e deacordo com o pensamento de Wirth (1928, cit. in Bógus, 2009), surge a ideia que ourbano e o rural não são opostos, mas que na realidade estão em contacto permanente.Ele afirma que o processo de urbanismo transpõe as fronteiras das cidades e que asmesmas produzem características distintas no modo como os seus ocupantes seorganizam em agrupamentos. Remy e Voyé (1994), entende que, no processo deurbanização existe uma dicotomia entre o relacionamento rural e urbano. Este autorrefere que os espaços são diferenciados numa perspetiva relacional e que as interaçõessociais a vida quotidiana e as relações afetivas são individuais. “Enquanto nos interessarmos pelo rural é porque nos interessamos pelas pessoas, pelos territórios, pelas sociabilidades, pela proximidade relacional, 6
  7. 7. Análise de Contextos Profissionais Educação Social pelas capacidades que originam ancoragens qualificantes dos processos de 1 desenvolvimento”. (Reis, 2001:11) .Esta perspetiva de Reis (2001), vai de encontro à reflexão de Ferrão (2000) quanto àcapacidade relacional de redescoberta do mundo rural, e reforça a ideia da valorizaçõesdas pessoas e das suas competências, motivando-as a encarar o território comopatrimónio. O reaproveitamento e valorização do território, centrado na renaturalização –conservação e proteção da natureza; a procura de autenticidade – com vista a criaridentidade própria e privilegiar a conservação e proteção do património histórico, comcapacidade de suportar as tendências atuais da globalização; e a comercialização daspaisagens – valorizando as atividades de turismo e lazer, num sentido de resposta àexpansão de novas práticas de consumo, são medidas que, não só promovem o territórioem si, tornando-o multifuncional e com valor patrimonial, como fomentam a pluriatividadedas comunidades, levando a que estas contribuam na manutenção e expansão do mundorural, quer em termos económicos quer também em termos sociais e ambientais (Ferrão,2000).Contudo, esta comunidade mareante, tem sofrido fortes alterações nos últimos anos.Quer numa perspectiva económica, dadas as políticas que se têm desenvolvido tenderema fragilizar este setor de atividade que ainda é o garante sustentável destas populações,quer numa perspectiva social, dadas as transformações previstas para a Orla Costeiraem termos de demolições de habitações, que tendem a fomentar por si só a rutura destascomunidades. E esta perspectiva social, de demolição de algumas habitaçõesconstruídas e realojamento dos seus habitantes, é vincadamente, o grande e atualproblema da comunidade da Praia de Faro.Essas construções tinham sido consideradas pelo POOC (plano governamentaldenominado Plano de Ordenamento da Orla Costeira) de destruição obrigatória parcial,sendo o espaço atualmente ocupado submetido a uma futura renaturalização ereestruturação territorial e são notórios vários problemas sociais, culturais e políticos,derivados dos atuais programas. A POLIS LITORAL RIA FORMOSA2, definiu comoatividades estratégicas:1 Conferência no “Plenário Inicial” do 1º Congresso de Estudos Rurais - Território, Sociedade e Política:Continuidades e Rupturas, da Sociedade Portuguesa de Estudos Rurais, 17 de Setembro, Universidade deTrás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real.2 (Sociedade para a Requalificação e Valorização da Ria Formosa) - constituída, pelo Decreto-Lei n.º92/2008, de 3 de Junho, derivado da POLIS LITORAL - Resolução do Conselho de Ministros nº90/2008. 7
  8. 8. Análise de Contextos Profissionais Educação Social “a preservação do património natural e paisagístico, através da protecção e requalificação da zona costeira visando a prevenção de risco e da promoção da conservação da natureza e biodiversidade no âmbito de uma gestão sustentável; a qualificação da interface ribeirinha, através da requalificação e revitalização das frentes de ria, da valorização de núcleos piscatórios e do ordenamento e qualificação da mobilidade; a valorização dos recursos como factor de competitividade, através da valorização das actividades económicas ligadas aos recursos da ria suportada no seu património ambiental e cultural e direccionados directamente para os realojamentos em curso“ (POLIS LITORAL, 2008).Num primeiro olhar sobre a Praia de Faro, vários fatores se levantam. Trata-se de umterritório dotado de um rico património histórico, cultural e identitário, construído por umacomunidade mareante marcada pela forte identidade dos seus residentes com o espaço-mar e ainda marcada pelo fato das suas situações económica e social, que não podemnem de devem ser esquecidas (Campêlo, 2000), dependerem ainda dos recursos desteterritório.Para defesa do território da Praia de Faro, foram sendo criados ao longo dos anos váriosmovimentos associativos, os quais, segundo Trindade (1986), têm como função promovere recriar artificialmente comunidades que se encontram condenadas à desaparição e queoutrora foram agastadas, quer devido a fatores endógenos (pela rutura de relaçõesinternas na comunidade) quer pela separação e dispersão motivada por fatores exógenos(pelo êxodo rural). Esta autora, refere também “que embora no sentimento de pertençaseja mais idealizado do que traduzido por razões palpáveis, ele serve de motivação paraocasiões de encontro, para a construção de melhorias e para enquadramento dedispersos”. 2. CaracterizaçãoA praia de Faro ou ilha de Faro situa-se no Algarve, no município de Faro, freguesia deMontenegro e é uma extensa língua de areia fina e branca, que em 1994 tinhaaproximadamente “10.5 quilómetros de comprimento e 100 a 300 metros de largura entreo mar e a Ria Formosa” (Bettencourt cit in Pestana), tendo sofrido mutações ao longo dosanos.Esta faz parte do cordão dunar que forma a Ria Formosa e está inserida na Península doAncão, que constitui a unidade mais ocidental do sistema de ilhas-barreiras (Dias et al,2004). 8
  9. 9. Análise de Contextos Profissionais Educação SocialAté aos anos 30 a Ilha de Faro era apenas habitada por pescadores, sendo que a partirdesta altura as pessoas que ali se deslocavam por lazer começaram também a construiras suas casas de férias.No princípio do século XX, as primeiras habitações que surgiram pertenciam aospescadores e eram barracas de junco com telhados de palha semelhantes aos“Palheiros” existentes em território português (Viegas, in Lage 2009).A proximidade com a capital regional, a acessibilidade por estrada justifica o facto de estapraia ter sido das primeiras Ilhas da Ria Formosa a conter uma ocupação populacionalmais consistente de residência de veraneios (CCR, 1986). Pelo que este território até1956 pertencia ao domínio público marítimo, passando posteriormente para domínioprivado do Estado (Viegas, in Lage 2009)A ligação desta Ilha ao continente é artificial, e faz-se através de uma ponte rodoviáriaconstruída em 1957 (Silva, com.pess.), que possibilita a passagem pedonal ou de algunsveículos. O acesso à praia também pode ser feito por via marítima (barco), existetambém a possibilidade de se deslocarem de autocarro, tendo que proceder à passagemda ponte a pé. E, com o aumento do número de pessoas nos meses de Verão provocaum congestionamento no acesso à praia que também origina estacionamentossobrelotados (Lage, 2009)Os recursos naturais são de grande importância e riqueza, conferem-lhe uma enormeimportância económica, destacando-se a fauna, flora e condições climatéricas (Muzavor& Morenito, 1999)A ilha de Faro tal como toda a Ria Formosa, para além de local de um abrigo, é tambémuma zona distinta para a alimentação, reprodução e estadia de numerosas espéciesanimais, desde os peixes aos invertebrados, incluindo moluscos e crustáceos, servindosimultaneamente de suporte a uma avifauna diversificada.Existe uma grande diversidade de fauna mas, as mais visíveis na praia de Faro são:Himantopus himantopus (pernilongo), Tringa totanus (perna vermelha comun), Anãsplatyrhynchos (Pato real), ardea cinerea (Garça real), Egretta garzetta (Garça Branca),Phoenicopterus ruber (flaminco), Larus cacchinans (Gaivota de pata amarela) (Musavor &Pinto, 1994), Ruditapes decussatus (ameijoa boa), Cerastoderma edule (berbigão), EnsisSiliqua (lingueirão) (Muzavor, 1991)A Ilha de Faro apresenta alguns interesses em relação à flora: os sapais apresentam umavegetação halófita (vegetação que suporta elevados níveis salinos, carência de oxigénionos solos) e a flora dunar que está adaptada aos ventos fortes e que permite uma grande 9
  10. 10. Análise de Contextos Profissionais Educação Socialpermeabilidade dos solos e que tem como espécies o Ammophila arenaria (Estorno),Otanthus maritimus (Cordeirinhos da Praia), Spartina marítima (ICN) Os recursos naturaissão a base de apoio da atividade turística e são eles os fatores de motivação da procurae desenvolvimento turístico, tendo estes que ser planeados e bem geridos. No entantonos meses de Verão a utilização dos recursos naturais existentes provoca a destruiçãodos mesmos bem como a poluição no sistema (POLIS, sd).Em relação ao “ Turismo é considerado como uma das atividades económicas de maiorimportância nas áreas costeiras. No entanto, esta atividade tem sido associada àemergência de fortes impactos negativos nestas mesmas áreas. Este é um dos motivosque tem levado ao crescente interesse pelo turismo sustentável, já que o excesso deactividade turística, em particular na época balnear, revela a existência de váriaspressões ambientais sobre essas áreas” (Pinho et al, sd).No entanto o turismo de natureza está relacionado com os equipamentos de lazerexistentes nos espaços abertos, destinados aos residentes e ao turismo interno (Pestana,1997).A tipologia deste território é de carácter rural, com características urbanas. Rural dado oseu cariz piscatório, sendo a pesca a atividade principal dos seus residentes e comcaracterísticas urbanas uma vez que também é dotada de certas infraestruturas eequipamentos (como parque de campismo, GNR, hotéis, restaurantes) e pelaproximidade relacional com os centros urbanos contíguos. 2.1 Movimento AssociativoNa praia de Faro existem três associações que foram criadas para a defesa dosmoradores e/ou utentes.A primeira Associação a ser constituída foi a Associação Para a Defesa eDesenvolvimento da Praia de Faro (APRAFA) a 4 de Maio de 1990. Sendo esta umaassociação “sem fins lucrativos, não religiosa e apolítica” e fundada com o objectivo“promoção e desenvolvimento da Praia de Faro, bem como de actividades desportivas eculturais.” (Diário da República n.º 145,série III, 1990)A Associação DUNA MAR, foi a segunda associação a ser formada na ilha de Faro e foifundada a 23 de Junho de 2005, segundo dados do Diário da República. Tem comoobjectivo “defender os interesses dos residentes e utentes da Praia de Faro; Desenvolveractividades no âmbito sócio - culturais, recreativas e desportivas; Preservação edesenvolvimento da Praia de Faro” (Diário da República n.º 168,série III, 2005). 10
  11. 11. Análise de Contextos Profissionais Educação SocialA Associação Dos Utentes da Ilha de Faro (AUIF) surgiu a 7 de Abril de 2010, tendocomo principal objectivo defender os interesses tanto dos proprietários como utentes dailha. A associação emerge devido à preocupação dos proprietários e utentes da praia,perante iniciativas da Câmara Municipal de Faro e da Polis em alterar o ordenamentoterritorial da Ilha, levando a que muitas pessoas tenham que a abandonar. O objectivogeral desta associação não se limita apenas à questão das demolições e realojamentosmas, a todas as questões relacionadas com os utentes, ou seja, a quem frequenta a praiae não só com quem lá reside, tais como o acesso à ilha, o estacionamento e o transporte.(Cabeços, com.pess.).Na praia de Faro existem três associações que foram criadas para a defesa dosmoradores e utentes.A primeira Associação a ser constituída foi a Associação Para a Defesa eDesenvolvimento da Praia de Faro (APRAFA) a 4 de Maio de 1990. Sendo esta umaassociação “sem fins lucrativos, não religiosa e apolítica” e fundada com o objetivo“promoção e desenvolvimento da Praia de Faro, bem como de atividades desportivas eculturais.” (Diário da República n.º 145,série III, 1990)A Associação DUNA MAR, foi a segunda associação a ser formada na ilha de Faro e foifundada a 23 de Junho de 2005, segundo dados do Diário da República. Tem comoobjetivo “defender os interesses dos residentes e utentes da Praia de Faro; Desenvolveractividades no âmbito sócio - culturais, recreativas e desportivas; Preservação edesenvolvimento da Praia de Faro” (Diário da República n.º 168,série III, 2005).A Associação Dos Utentes da Ilha de Faro (AUIF) surgiu a 7 de Abril de 2010, tendocomo principal objectivo defender os interesses tanto dos proprietários como utentes dailha. A associação emerge devido à preocupação dos proprietários e utentes da praia,perante iniciativas da Câmara Municipal de Faro e da Polis em alterar o ordenamentoterritorial da Ilha, levando a que muitas pessoas tenham que a abandonar. O objectivogeral desta associação não se limita apenas à questão das demolições e realojamentosmas, a todas as questões relacionadas com os utentes, ou seja, a quem frequenta a praiae não só com quem lá reside, tais como o acesso à ilha, o estacionamento e o transporte.(Cabeços, com.pess.). 3. MetodologiasEm qualquer trabalho em ciências sociais é necessário recorrer a métodos, técnicas, eestratégias específicas consoante o assunto em questão (Albarello et al, 1995). Segundo 11
  12. 12. Análise de Contextos Profissionais Educação SocialAnder-Egg (1987) a metodologia é “entendida como a disciplina que se ocupa dosmétodos e suas inter-relações” e será a organização crítica das práticas de investigação(Almeida & Pinto, 1982). O trabalho de investigação no campo é flexível e semprocedimentos rígidos e a metodologia está constantemente a ser adaptada e redefinidapelo investigador (Burgess, 1997). Segundo Bell (1997) e Pérez Serrano (1994), aobservação é uma das técnicas fundamentais utilizadas no processo de investigação emCiências Sociais. E pode tornar-se numa técnica poderosa. Aplicado a um determinadocontexto social, fazem parte da observação direta, entre outros, os diários de campo, osguias de observação e as notas de campo, (Burgess, 1997; Machado, 2004; PérezSerrano, 1994). Segundo Quivy & Campenhoudt (1998), na observação direta, procede-se diretamente à recolha de informação, incidindo num guião de observação onde devemestar presentes os indicadores pertinentes para o estudo em questão.Por outro lado, diz Machado (2004), que a observação direta com a realização de umdiário de campo permite um contacto mais direto com as pessoas para uma melhorperceção da vida quotidiana. Diários de campo são documentos espontâneos quepermitem ao investigador fazer o registo dos acontecimentos, perceções, intuições quedepois irão ajudar a orientar o trabalho durante o seu percurso. O investigador devesempre registar dia, hora local e as dificuldades sentidas Os registos diários devem serregularmente escritos e conter informações sobre as pessoas e infraestruturas (Burgess,1997).Já as conversas Informais permitem recolha de dados muito significativos e serve paraaprofundarmos a observação. Estas conversas devem ser utilizadas na fase preliminar dainvestigação para ajudar às questões pertinentes para o estudo. Sempre que possível asconversas informais devem ser registadas no diário de campo (Duarte, 2002).Por fim, a análise de conteúdo é uma técnica documental que utiliza a análise dosdocumentos escritos, nomeadamente ao comparar e inferir os dados recolhidos e retiraras informações mais significativas (Bardin, 1977; Guerra, 2006).Segundo Poirier et al, (1983) “ … a análise de conteúdo é sempre um trabalho ingrato,longo, paciente, que requer, simultaneamente, um trabalho minucioso de análise e umapassagem delicada à síntese”.Neste estudo, iniciámos o trabalho de observação direta não participante, com aelaboração dos diários de campo que optámos por ser feita individualmente para melhorriqueza de recolha de dados. As observações foram efetuadas durante os meses deOutubro e Novembro. Posteriormente, e já em grupo foram recolhidos registos 12
  13. 13. Análise de Contextos Profissionais Educação Socialfotográficos. Neste território, procurámos saber como está organizado, quer a nívelfuncional - comércio, equipamentos, infraestruturas, espaço residencial e lazer e tambémquer a nível de ocupação - quem são os moradores, quem utiliza este espaço, quem sãoos líderes e representantes da população. Neste último caso, e considerando aimportância das associações neste território foram realizadas: uma conversa informalcom o presidente da associação APRAFA, e outra com o presidente da associaçãoNascente Duna Mar e uma entrevista semi-estruturada por escrito (via email) com opresidente da AUIF. Foi também realizada uma conversa informal com um comercianteda Ilha de Faro, sócio fundador da Associação APRAFA.Foi construído um Guião de observação com os aspetos que nos foram parecendoimportantes registar e que foi sendo reestruturado à medida que o trabalho se foidesenvolvendo. A pesquisa documental acerca da Ilha de Faro e das 3 associações foitambém realizada. 4. Análise e Discussão ee Resultados 4.1 - Ordenamento territorial 4.1.1 - TipologiaComo constatámos na caracterização a tipologia deste território é de carácter rural, comcaracterísticas urbanas. Rural dado o seu cariz piscatório, sendo a pesca a atividadeprincipal dos seus residentes e com características urbanas uma vez que também édotada de certas infraestruturas e equipamentos (como parque de campismo, GNR,hotéis, restaurantes) e pela proximidade relacional com os centros urbanos contíguos. 4.1.2 - AcessibilidadeA acessibilidade à praia é restrita, uma vez que só pode ser feita por via marítima ouatravés de uma ponte estreita com uma só via onde a circulação do trânsito é dirigida porsemáforos.O aumento da população nos meses de Verão, devido à restrita acessibilidade provoca“congestionamentos de trânsito com grandes consumos de combustível e emissõesdesproporcionadas de ruído e de gases poluentes em pleno Parque Natural da RiaFormosa” (Lage, 2009:162). 4.1.3 - EstacionamentoDas pesquisas documentais, sabemos que existe precisamente 1061 lugares paraestacionamento (incluindo estacionamento para deficientes) e 306 lugares desordenados,que totalizam 1367 lugares (Lage, 2009:24). 13
  14. 14. Análise de Contextos Profissionais Educação SocialNo entanto, a ilha de Faro acolhe durante a época de Verão cerca de 4000 pessoas,lotando por completo os mais de mil lugares de estacionamento e entupindo desta forma,todos os lugares de estacionamento assim como toda a estrada longitudinal de alcatrãoque atravessa a praia. (Lage, 2009:161).“Por estes motivos, esta praia é um dos maus exemplos de ordenamento do litoralalgarvio e do país e um dos locais que maior risco ambiental apresenta”. (Lage,2009:161). 4.1.4 - HabitabilidadeConstatámos uma grande dicotomia entre as construções e condições de habitabilidadedas residências existentes nos extremos da ilha, onde as artérias não são pavimentadas,e as que se situam no espaço imediatamente contíguo às Avenidas Nascente e Poente(que percorrem toda a ilha, até certo ponto), ou seja, verificou-se que as habitações dosextremos pertencem aos residentes “a tempo inteiro” (pescadores e mariscadores) e sãohabitações precárias. No contexto oposto, isto é, as habitações existentes nas duasavenidas são maioritariamente de segunda habitação, construídas em alvenaria ealgumas de vários pisos. 4.2 – Meio envolvente 4.2.1 - Infra-estruturas e serviçosPossuí: 5 restaurantes, 2 bares, 6 cafetarias, 1 escola primária, 1 hotel, 1 parque decampismo, 1 posto de saúde, 1 clube náutico, 1 clube de surf, 1 multibanco, 4 cabinestelefónicas, 3 associações, 4 instalações sanitárias, 1 posto da GNR, diversos parques deestacionamento (inclusive para deficientes), 2 cais de embarque, 1 parque infantil, 1paragem de autocarros, 1 estação de tratamento de águas, 1 colónia de férias, 2 minimercados e 1 chuveiro público.Das conversas informais que mantivemos ao longo do trabalho e dos dados recolhidosdas observações, consideramos que a praia de Faro está dotada de equipamentos einfra-estruturas adequados tendo em conta o número de residentes e de utentes. Noentanto, o posto da GNR e o posto médico de saúde (inserido no parque de campismo),apenas estão em funcionamento durante a época balnear. Embora consideremos queestes são dois serviços essenciais no território da praia, tivemos a perceção que osmoradores não os consideram tão relevantes, pois tem facilidade de se deslocar tanto aFaro como ao Montenegro. 14
  15. 15. Análise de Contextos Profissionais Educação SocialDe outro modo, o presidente da AUIF considera que a nível de infraestruturas podiam sermais adequadas tendo vista, “o lazer, a exploração turística do espaço e o seu bem estar”(com. pess. Cabeços). 4.3 - Organização social 4.3.1 - PopulaçãoSegundo dados da Junta de Freguesia de Montenegro, atualmente residem cerca de 700pessoas, das quais só estão recenseadas aproximadamente 400.De acordo com Viegas (2003), a população residente na Praia de Faro durante o Verão éde cerca de 4000, no entanto, a praia é frequentada nos meses de Verão por váriosvisitantes, chega atingir uma média diária de 5.800, dividindo-se pela manhã cerca de2800 visitantes e 3000 visitantes, sendo a sua “capacidade de carga” (o número depessoas que um território pode receber sem danificar as suas características).Na pesquisa efetuada apenas conseguimos obter informação de que a população em2001 era de 381 habitantes. (INE)Elaboramos pesquisas no sentido de apurar resultados mais precisos acerca dapopulação através do site do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), apurando apenasdados do concelho de Faro e do qual não foram significantes para a nossa análise.Para refinar e apurar dados acerca da população também foi contactado pessoalmente oINE de Faro e telefonicamente o INE de Lisboa. Não respondendo estes às nossasexpectativas, uma vez que pretendíamos obter dados acerca do número de residentes,género, faixa etária, atividade profissional e fluxo migratório. Consultamos ainda a cartaeducacional do Concelho de Faro, mas a mesma não continha dados específicos dapraia de Faro. 4.3.2 - Relações de sociabilidadeDos dados recolhidos, e, através da análise dos diários de campo, guião de observação econversas informais, verifica-se que as relações internas entre a comunidade da praia deFaro não têm quaisquer barreiras, sendo dotadas de espontaneidade e de tranquilidade eque marcam afinidade entre todas as pessoas da ilha. Os comportamentos e vidaquotidiana manifestam-se essencialmente na atividade derivada do mar. Contudo, étambém de referir que foram observadas algumas tensões centradas na problemática dorealojamento, e acessibilidade à ilha, em que o interesse em comum centra-se namelhoria de condições para a pesca e habitabilidade, e no combate à desertificação eabandono. 15
  16. 16. Análise de Contextos Profissionais Educação SocialDe uma forma geral as relações de sociabilidades entre os moradores são favoráveis eos seus interesses são comuns, a qualidade de vida é razoável, as condições dehabitabilidade dos moradores é fraca, as casas são feitas na maioria de madeira, semcondições de grande segurança. 4.4 – TurismoAtravés das conversas informais, fomos informados que os moradores consideram oTurismo existente durante a época balnear de extrema importância, para odesenvolvimento das atividades económicas. Mas a atividade turística para além debenefício que dá ao território, também “provoca fortes impactos negativos” a nívelambiental. (Pinho et al, sd). 4.5 – PatrimónioQuanto aos recursos de valor económico existentes neste território e dos quaisdependem os moradores da Praia, salientamos o que nos foi transmitido pelo presidenteda Associação Duna Mar que referiu que, cada vez mais, o número e diversidade deespécies é menor, que a ria formosa está muito assoreada e poluída e que a barra estáquase fechada. 5. Considerações FinaisOs argumentos de “refuncionalização” por os espaços rurais serem consideradosinferiores em relação aos urbanos vão sendo acompanhados pela diminuição daspossibilidades de um mundo com características centradamente rurais, aquelas que lhegarantiram sustentabilidade ao longo de centenas de anos e que ainda hoje sãodeterminantes nos modos de vida daqueles que sempre aí habitaram. O conjunto deelementos de um modelo de desenvolvimento, ou de não desenvolvimento, temconduzido ao abandono continuado dos espaços rurais e à sua desvalorização social eeconómica.A ilha de Faro encontra-se intensamente urbanizada e manifesta um gravedesordenamento estrutural, devido a não obedecer a princípios estéticos e urbanísticos,onde o forte aglomerado de construções destinadas a vários fins, das quais para a pesca,para a habitação e para o comércio não coadunam com o ambiente natural (Lage, 2009).A origem do grande problema da ilha de Faro desde os últimos 40 anos advém de umasérie de erros de gestão costeira, principalmente no que diz respeito à construção decasas onde não é aceitável num sistema litoral, assim como a construção da estrada, 16
  17. 17. Análise de Contextos Profissionais Educação Socialestruturas desportivas, parque de campismo e de estacionamento, o que levouconsequentemente a recuar o sistema dunar.Os recursos naturais são a base de apoio da atividade turística e são eles os fatores demotivação da procura e desenvolvimento turístico, tendo estes que ser planeados e bemgeridos. No entanto nos meses de Verão a utilização dos recursos naturais existentesprovoca a destruição dos mesmos bem como a poluição no sistema.Em relação ao Turismo é de realçar o turismo de natureza e dos equipamentos de lazerexistentes nos espaços abertos, destinados aos residentes e para o turismo interno.O espaço da Ilha/Praia de Faro é um território carregado de forte identidade cultural, oque, pelo seu simbolismo e representação social, possui grandes característicasmarcadamente patrimoniais, quer pelo seu cariz natural e relação muito próxima com oespaço mar quer pela atividade dominante da sua comunidade: a pesca. E é essaidentidade própria que esta mesma comunidade não quer e exige não perder!É dentro destes conceitos de território e de valorização patrimonial, que todos os atores(associações locais com objetivos claros de desenvolvimento da comunidade) e todos osseus agentes (comunidade em geral) sociais devem basear os seus esforços.O movimento associativo verificado na Praia de Faro, é um tanto ou quanto caricato. Eisto devido ao fato de, numa área com uma extensão tão diminuta e com uma densidadepopulacional tão reduzida, existirem 3 Associações, ditas de apoio e desenvolvimento àprópria Praia e aos seus utentes. As associações são instrumentos ativos e operadoresdo espírito regionalista, traduzindo em ações concretas os desejos teóricos de umsentimento difuso de inclusão/afinidade, oriundo de uma conterraneidade anterior.Sendo o associativismo, aparentemente, um plano de união, deveria, neste caso concretoda Praia de Faro, acabar por dar origem a novas relações de coexistência e decompatibilidade entre formas de viver e de atuar afastadas e diversas. Ora, tal nãoacontece nesta comunidade. Só o fato de existirem por si só 3 Associações já geraalguma polémica, demonstra uma clara desunião entre as pessoas e leva a crer que tudonão passa de interesses pessoais, e políticos, e não do que se pretendia que fosse. 17
  18. 18. Análise de Contextos Profissionais Educação Social Referências Bibliográficas  ADMINISTRAÇÃO REGIONAL HIDROGRÁFICA DO ALGARVE, disponível em [URL]:http://www.arhalgarve.pt/site/parameters/arhalgarve/files/File/upload/Perfil_ Agua_Balnear/Perfis_Fichas/FAR_Faro_Mar.pdf, acedido em 22NOV11.  ALBARELLO, L.; DIGNEFFE, J.; MAROY, C.; RUQUOY, D. & SAINT-GEORGES, P. (1995), “Práticas e Métodos de Investigação em Ciências Sociais”. Gradiva, p. 244.  ALMEIDA, J.F. e PINTO, J.M. (1982), “A Investigação nas Ciências Sociais”, Presença, Lisboa.  Bardin, L. (1979), “Análise de Conteúdo”. Lisboa, Edições 70.  BARROS, A. (1990), “Sociologia Rural perante a problemática do espaço”, in Sociologia, Problemas e Práticas, nº 8, CIES- ISCTE.  BELL, J. (1997), "Como realizar um projecto de, investigação: um guia para a pesquisa em ciências sociais e da educação", Lisboa, Gradiva, - Colecção Trajectos; p.38.  BONIN, J. (2006), “Nos bastidores da pesquisa: a instância metodológica experenciada nos fazeres e nas processualidades de construção de um projeto.“ In: Metodologias de pesquisa em comunicação: olhares, trilhas e processos. Porto Alegre: Editora Sulina, 2006.  BURGESS, R. (1997). A Pesquisa de Terreno. Uma Introdução. Oeiras: Celta Editora.  CAMPÊLO, A. (2000), Congreso Virtual 2000, disponível em [URL]: http://www.naya.org.ar/congreso2000/ponencias/Alvaro_Campelo.htm, acedido em 20NOV11.  DIAS, J.; FERREIRA, Ó.; MOURA, D. (2004), II Reunião científica Reede Cyte- XVII - O sistema de Ilhas-Barreira da Ria Formosa.  FERRÃO, J. (2000), “Relações entre Mundo Rural e Mundo Urbano: Evolução Histórica, Situação Actual e Pistas para o Futuro in Sociologia”, in Problemas e Práticas, nº 33, CIES-ISCTE, pp.45-54.  DUARTE, R. (2002), “Pesquisa qualitativa: reflexões sobre o trabalho de campo”. Rio de Janeiro, Cadernos de Pesquisa, nº 115, pp. 139-154.  GUERRA, I. (2006), “Pesquisa Qualitativa e Análise de Conteúdo. Sentidos e formas de uso”. Cascais, Principia Editora. 18
  19. 19. Análise de Contextos Profissionais Educação Social  GUERRA, I. (2006), “Participação e Acção Colectiva – Interesses, Conflitos e Consensos”. Lisboa: Principia.  MACHADO, I. (2004), Sobre vivências urbanas: Estilos de vida e práticas sociais em contexto de requalificação urbana. Actas dos ateliers do Vº Congresso Português de Sociologia Sociedades Contemporâneas: Reflexividade e Acção. Atelier: Cidades, Campos e Territórios, p.53.  MILLS, C. (1975), “Do Artesanato Intelectual.” In: ___. A Imaginação Sociológica. 4.ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1975. p. 211-243.  MUZAVOR, S. (1991), “Roteiro Ecológico da Ria Formosa; I Moluscos Bivalves”, Editora Algarve em foco.  MUZAVOR, S. & PINTO, J. (1994), “Roteiro Ecológico da Ria Formosa; III-Aves”, Universidade do Algarve.  MUZAVOR, S. & MORENITO, P.(1999), “Roteiro Ecológico da Ria Formosa; IV- Moluscos Gatrópodos”, Universidade do Algarve.  PESTANA, M. (1997), “Abordagem à relação Turismo - Ambiente; O conceito de capacidade de carga aplicado à Ilha de Faro” (tese de mestrado).  PEREZ SERRANO, G. (1984), “Investigaciòn cualitativa / retos e interrogantes”. Aula Abierta.  PINHO, L; ALBUQUERQUE, H; MARTINS, F (sd), “Vozes do mar não chegam a terra – segunda residência em áreas de risco costeiro” disponível em [URL]: http://www.apdr.pt/siteRPER/numeros/RPER17/17.5.pdf, acedido em 09-01-2012.  QUIVY, R. & CAMPENHOUDT, L. (1998), “Manual de Investigação em Ciências Sociais”. Lisboa: Gradiva.  REIS, José (2001), “Observar a mudança: o papel dos estudos rurais”, CES, disponível em [URL]: http://www.ces.uc.pt/publicacoes/oficina/165/165.pdf, acedido em 07-01-2012.  RÉMY, J. e VOYÉ, L. (1994), “A cidade: rumo a uma nova definição?”. Porto: Edições Afrontamento.  SAMPAIO, D. (2007), “O papel do desenvolvimento rural para a coesão dos territórios: Novas Perspectivas para o meio Rural Algarvio.”, Universidade de Lisboa, FLUL.  SILVANO, F. (1997), “Territórios da Identidade”. Oeiras: Celta Editora, pp.1-20. 19
  20. 20. Análise de Contextos Profissionais Educação Social  SOUZA, M. (1995), “O território: sobre espaço e poder, autonomia e desenvolvimento”, in CASTRO, I. E.; GOMES, P. C. da C; CORRÊA, R. L. (orgs). Geografia: conceitos e temas – Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1995.  TRINDADE, M. (1986), “Do rural ao urbano: O associativismo como estratégia de sobrevivência”. Análise Social, vol. XXII (91), 1986-2.°, pp. 313-330. 20
  21. 21. Análise de Contextos Profissionais Educação Social ANEXOS 21
  22. 22. Análise de Contextos Profissionais Educação Social Guião de observação Dimensão Registo da observaçãoOrdenamento territorial: Trata-te de um território rural mas com  Localização características urbanas. Situa-se a 8 km da  Tipologia cidade de Faro, na direção do aeroporto por  Acessibilidade uma extensa língua de areia onde o acesso se  Estacionamento faz por uma ponte.  Habitabilidade A ilha de Faro manifesta um grave desordenamento territorial, pelo fato de não obedecer a princípios estéticos urbanísticos e ecológicos. Os aglomerados de construções destinam-se principalmente para as atividades piscatórias, habitação e comércio local. A habitação é permanente nos extremos poentes e nascente, ocupada pelos pescadores/mariscadores, sendo ocasional nas épocas de veraneio e de clima propício; existem também habitações destinadas para férias e aluguer. O estacionamento automóvel é suficiente durante todo o ano, exceto nos meses de Julho, Agosto e Setembro, em que a população é ampliada em números bastante consideráveis (cerca de 5000).Meio envolvente: Possui 5 restaurantes, 2 bares, 6 cafetarias, 1  Recursos escola primária, 1 Hotel, 1 parque de  Equipamentos campismo, 1 posto de saúde, 1 clube de  Serviços náutico, 1 clube de surf, 1 multibanco, 4  Limpeza cabines telefónicas, 3 associações, 4  Paisagem instalações sanitárias públicas, 1 posto de GNR, parques de estacionamento para deficientes, 2 cais de embarque, 1 parque infantil, 1 paragem de autocarros, 1 depósito de água, 1 colónia de férias, 2 mini mercados, 1 chuveiro público e 1 marco de correio. O território de forma geral encontra-se limpo. O extremo nascente e poente do areal, as edificações de veraneio são substituídas pelas pitorescas casas dos pescadores e mariscadores, e as dunas e o sapal vão dominando a paisagem.Organização social: Os residentes são maioritariamente  População (Quem são os pescadores e mariscadores, que vivem nos residentes, estrutura por sexos, extremos da ilha, e minoritariamente grupos etários, níveis de comerciantes, com idades entre os 40 e 60 escolaridade, profissões) anos de idade, os níveis de escolaridade são  Modos de vida (comportamentos, baixos e as profissões centram-se na pesca e vida quotidiana, interesse em restauração. (Exceto os filhos de alguns comum, tensões.) pescadores que tem profissões fora da ilha, 22
  23. 23. Análise de Contextos Profissionais Educação Social  Relações de sociabilidade (quais precisamente no aeroporto) as condições de vida dos As relações espontâneas e de tranquilidade residentes? condições de marcam afinidade entre as pessoas da ilha. Os habitabilidade; perfil demográfico, comportamentos e vida quotidiana identidade local) manifestam-se essencialmente na pesca; observaram-se algumas tensões centradas na problemática do realojamento, e acessibilidade à ilha, em que o interesse em comum centra- se na melhoria de condições para a pesca e habitabilidade, e no combate à desertificação e abandono. De uma forma geral as relações de sociabilidades entre os moradores são favoráveis e os seus interesses são comuns, a qualidade de vida é razoável, as condições de habitabilidade dos moradores é fraca, as casas são feitas na maioria de madeira, sem condições de grande segurança.Património cultural (bens imóveis e O património natural centra-semóveis; bens imateriais) e natural. maioritariamente na sua paisagem em que podemos observar a fauna e flora. O património cultural é reduzido, apenas se traduzem em bens móveis: gastronomia e artes de pesca; bens imateriais: linguagem própria e costumes.Turismo: O movimento turístico é sazonal, possui  Atividades económicas excelentes condições para a prática de  Desporto e lazer desportos náuticos (canoagem, remo, jetski, surf, windsurf, vela...) As atividades económicas centram-se no comércio e as atividades de lazer centram-se maioritariamente na pesca desportiva, passeios de barco, pedestre ou de bicicleta e banhos na praia.Associações: Existem 3 associações com o objetivo de  Líderes defender o desenvolvimento dos moradores e  Quantas existem utentes, as quais se representam por lideres  Existem há quanto tempo locais (nos casos da APRAFA e DUNAMAR) e  Objetivos por um dos utentes da Ilha de Faro (no caso da AUIF); Associação Aprafa (1990); Dunamar (1995); AUIF (2010). 23
  24. 24. Análise de Contextos Profissionais Educação Social Guião de EntrevistaApresentação e Objetivos da EntrevistaEstamos a contactá-lo no sentido de nos conceder uma entrevista (escrita – via e-mail),tendo como alvo a análise territorial da Praia de Faro, a qual consiste em obtermos dadossuscetíveis de análise, sob o ponto de vista geral, sobre os movimentos associativosdeste território, relações de sociabilidade entre associações existentes, e específicosobre a associação que representa – Associação de Utentes da Ilha de Faro (AUIF).1 – Surgimento da AUIF? 1.1 - Como surgiu? 1.2 - Em que ano? 1.3 - Quem a fundou?2 – Na sua opinião porquê 3 associações na ilha de Faro? 2.2 – Como é o relacionamento entre todas? 2.3 – Defendem os mesmos interesses? 2.4 – Indique, cronologicamente, as suas criações?3 – Quais as necessidades, atuais, sentidas pelos moradores?4 – Qual o maior problema na Ilha?5 – Na sua opinião, qual seria a solução para resolver o problema? Dados resultantes da entrevista efetuada ao Sr. Alberto Cabeços:1 – “Surgiu como resultado de uma preocupação dos proprietários e dos utentes da Ilhade Faro perante iniciativas da Câmara Municipal de Faro em alterar o ordenamento daIlha de Faro, com a cobertura e verbas da Polis Ria Formosa, sem que existisse por partedos utentes e moradores um órgão seu representante que pudesse manifestar a suaopinião e posição na defesa dos interesses da Ilha de Faro e dos seus utentes.1.2 – 20101.3 – Um grupo de elementos dos actuais órgãos da AUIF.2 – Na verdade não são 3 mas 4. As duas primeiras foram fundadas essencialmente porpessoas ligadas ao mar, pescadores e mariscadores, que talvez por localizaçãogeográfica, una a Nascente e outros a Poente fundaram as suas Associações tendo em 24
  25. 25. Análise de Contextos Profissionais Educação Socialvista a defesa dos seus interesses específicos relacionados com a sua actividadeprofissional assim como na defesa das suas habitações onde muitos deles nasceram.A 3ª Associação foi fundada pelos utentes do parque de campismo.Por último surgiu a AUIF com a finalidade de defender s interesses não só dos moradoresmas também de todos os utentes da Ilha de Faro.2.2 – A AUIF já por várias vezes estabeleceu contacto com as outras Associações tendoem vista uma união de todos os esforços a fim de melhor obter resultados satisfatóriospara todos mas apenas tem obtido uma resposta colaborante por parte da Associação doUtentes do Parque de Campismo, as outras duas recusam-se ao dialoga.2.3 – De uma forma geral os interesses são comuns e que se traduzem numa melhor Ilhaque não seja dotada ao abandono e à desertificação.2.4 – Já respondido3 – As necessidades dos moradores são as mesmas que qualquer aglomerado urbanodeverá ser dotado, neste caso específico por estar exposto às intempéries do mardeverão ser implementadas medidas urgentes tendo em vista a defesa da Ilha pela forteerosão a que está submetida. É preocupação da AUIF a continuação das pessoas nesteespaço magnífico e dotá-lo de infraestruturas adequadas aos nossos tempos tendo emvista o lazer, a exploração turística do espaço e o seu bem estar.4 – O maior problema da Ilha de Faro é o estado de total abandono a que foi submetidopelas sucessivas “ câmaras “; carece de ordenamento urbano conciliado com a protecçãoda costa.5 – A solução passa por implementar trabalhos de protecção costeira que minimizem aenergia das ondas mas que, ao mesmo tempo, não sejam invasivas a ponto de ter deretirar os moradores. Existem novas técnicas que permitem fazê-lo, é apenas questão deas entidades responsáveis e que sabemos serem conhecedoras dessas novas técnicasas queiram implementar.” 25
  26. 26. Análise de Contextos Profissionais Educação Social Diários de Campo 1 – RicardoO presente diário de campo enquadra-se no âmbito da Unidade Curricular de Análise deContextos Profissionais, o qual consistiu numa observação/recolha de dados daIlha/Praia de Faro.Inserido num grupo composto por mim e pelas minhas colegas Ana Abreu, Telvia Costa eRita Gonçalves, e, dentro de um contexto territorial, procedemos à observação da Praiade Faro, optando por efetuarmos observações individuais para melhor riqueza na recolhade dados.Assim, nos dias 20, 23, 25 e 27 Outubro do corrente ano, procedi à observação dosfatores, de uma forma geral, que considerei mais importantes, dos quais dei maiorrelevância aos fatores físicos (ao nível de equipamentos) e sociais (relações entre acomunidade local).No entanto, sendo do meu conhecimento (e de todos) que a Praia de Faro se trata de umterritório “virado” para a vertente económica/comercial - turismo e diversão noturna - e,com uma maior afluência de pessoas em épocas estivais (verão e épocas de clima maisquente), a observação foi ligeiramente condicionada por estes aspetos, uma vez que aafluência à ilha nesta época do ano é reduzida (somente aos fins de semana e em diasque o clima seja favorável).Mas, por partes… No dia 20 de Outubro, cerca das 16H00, desloquei-me à Ilha/Praia deFaro, tendo percorrido toda a ilha. Numa primeira análise geral visual, pude verificar queainda antes da ponte que dá acesso à ilha, local este determinante no meu ponto devista, uma vez que possui um terminal rodoviário de autocarros, existe um ecoponto, queinicialmente achei pouco estético devido ao impacto ambiental que causa, mas queposteriormente vim a considerar que o mesmo fora estrategicamente ali colocado, e logode extrema utilidade, dado ser o ponto de maior confluência de pessoas que se deslocampara a praia de Faro através de transportes públicos e também porque ao longo da ilhaexistem poucos (somente contei 2) ecopontos. Ainda de uma maneira geral, considero atipologia da Ilha de Faro como sendo de carácter rural, mas com características urbanas.Rural, uma vez que uma das principais funções dos habitantes (comunidade residente)da ilha é a pesca e a principal atividade económica dominante é o comércio (mais local,ao nível da restauração). Tem como grupo social de referência a família piscatória, commodos de vida, hábitos, costumes e comportamentos próprios e muito característicos e 26
  27. 27. Análise de Contextos Profissionais Educação Socialarticulados quer à paisagem marítima quer ao equilíbrio existente entre a natureza e asatividades humanas desenvolvidas. E com características urbanas uma vez que possuicertas infraestruturas e equipamentos de referência, dos quais uma estação detratamento de águas; escola primária, com alunos do 1º ciclo residentes da ilha;associações/centros sociais (3); polos de férias; posto policial (GNR); posto clínico,embora estes últimos somente funcionais nas épocas estivais, e um parque decampismo/caravanismo que atualmente somente funciona como caravanismo e atémesmo como 1ª habitação para os habitantes que entretanto irão ser realojados (devidoao programa POLIS) e onde se situa o depósito de água potável da FAGAR. Nestaobservação, achei caricato o parque de campismo (como era inicialmente tipificado epara o qual foi criado) servir para “hospedar” autocaravanas uma vez que é proibido aentrada na ilha deste tipo de veículos automóveis e que está devidamente sinalizado.Consegui também observar que a ilha de Faro dispõe de 1 hotel, 5 restaurantes, 2 bares,6 cafetarias, 2 minimercados, com condições físicas e de higiene bastante aceitáveis, ealguns locais (mesmo particulares) de venda de peixe e marisco, os quais promovem ocomércio local e dinamizam a economia da própria comunidade da ilha. Observei aindaque a ilha dispõe de boas estradas, embora o acesso por via terrestre somente se façapor uma única ponte, razoável sinalização e boa iluminação.No dia 23 de Outubro, pelas 10H30, fui observar a Associação para o Desenvolvimentoda Praia de Faro (APRAFA), sita na Avenida Poente – Lota, no extremo do lado direito dailha, a Associação dos Utentes da Ilha de Faro (AUIF), sem sede própria, sendo que osmembros se reúnem e debatem assuntos da ilha num dos estabelecimentos(Naucatrineta), informação esta obtida neste mesmo estabelecimento em conversainformal com a responsável, e a DUNAMAR, localizada na Avenida Nascente, junto àEscola Primária e Parque de Campismo, sendo que não foi possível no momento daobservação visitar as instalações e até mesmo realizar qualquer entrevista ou conversainformal com algum membro/sócio uma vez que estavam encerradas (APRAFA eDUNAMAR) e não foi possível identificar qualquer membro (AUIF).No dia 25 de Outubro, pelas 18H00, fui observar a ilha ao nível dos equipamentos: 1multibanco (ATM), 5 restaurantes, 8 cafés/bares/cafetarias e 1 Hotel, tendo inclusiveneste último realizado uma conversa com o proprietário, o qual fora um dosimpulsionadores e criadores da associação APRAFA, mas que de momento se encontra“desligado” dessa atividade. Durante a conversa, fui tomando algumas notas, as quais 27
  28. 28. Análise de Contextos Profissionais Educação Socialconsiderei mais relevantes. Foi-me referido por este indivíduo que não considera ailha/praia de Faro como uma praia turística mas sim uma praia que serve a/paracomunidade local. Que é um território que conta com uma comunidade de cerca de 400residentes fixos (supostamente referindo-se aos recenseados) e que as relações sociaisentre todos os residentes (fixos e ocasionais) é francamente agradável (…”todos se dãocom todos…”). Que possuem bons serviços de transportes públicos e equipamentos, deuma maneira geral, e que os que não dispõem na ilha (como agências bancárias porexemplo) é com facilidade que se deslocam ao Montenegro (sede de freguesia da qualfaz parte a ilha) para concretizar as suas intenções. Questionei-o sobre a necessidade deali existirem fisicamente alguns equipamentos/organizações/instituições, tais comodepartamentos da Junta de Freguesia ou da Câmara Municipal ou Agências Bancárias,das quais obtive resposta negativa dada a proximidade geográfica com a sede deFreguesia. Contudo, e desde logo achei muito curioso, o facto de ser referido pelomesmo que existia a lacuna de um táxi, e, apenas um. Curioso, por ser só um táxi, e,também por existir essa lacuna. Foi-me explicado que os táxis existentes no aeroportonão se deslocam à ilha de Faro para efetuarem qualquer tipo de serviço, uma vez que oserviço não é viável financeiramente e também pela delonga na deslocação derivado àsfilas de trânsito em certas épocas do ano, o que fundamentou a minha curiosidade. Ogrande problema, em género de inferência da conversa, é o ordenamento rodoviário dailha bem como os estacionamentos para automóveis uma vez que a ilha dispõe de cercade 1000 lugares para estacionamento e este número na época estival chega a duplicar, oque provoca de certa maneira demasiada “confusão” e por vezes alterações e logoconflitos entre as pessoas.Obtive ainda a informação que quanto a hábitos, costumes e práticas sociais, existeapenas uma tradição comum nesta comunidade, que é na véspera de Natal à noite, ondeali se deslocam várias pessoas (também não residentes) para efetuar o lançamento de“balões de velas”, sem qualquer cariz religioso e sem me conseguir explicar como iniciou,e que por hábito (referindo que já é tradição) nas noites em que se realiza a concentraçãode motos (meados de Julho), os motards deslocam-se para a ilha para demonstraremalgumas habilidades e acrobacias com as motos.No dia 27 de Outubro, pelas 12H00, procedi à observação dos espaços físicos(habitações) em toda a ilha. Verifiquei que após terminar a estrada de alcatrão, emambos os extremos das Avenidas Nascente e Poente, onde residem maioritariamente os 28
  29. 29. Análise de Contextos Profissionais Educação Socialhabitantes da ilha, existem ainda em ambos os extremos e já em zona de dunas/areal umsignificativo aglomerado de casas térreas, em madeira, que servem de residência fixa devárias pessoas. Contudo, estas mesmas pessoas, embora se encontrem ligeiramente(geograficamente), separadas, deu para verificar, enquanto permaneci num caféexistente num dos extremos, que as relações sociais são muito próximas com osrestantes residentes (que habitam em casas ditas normais) e que não há qualquerbarreira social entre os mesmos. 2 – Ana1ª Dia de Observação – Sábado, 29/10/2011 (9h.30m - 11h.30m)O acesso à ilha de Faro faz-se através de uma ponte estreita onde a circulação dotrânsito é dirigida por semáforos. Antes de se entrar na ponte existe um pequeno largo,onde se situa a paragem de autocarros e também um ponto de recolha seletiva deresíduos (papel, plástico e metais, vidro e óleos). À entrada da ilha, logo à saída da ponte(lado direito) existe um posto da Guarda Nacional Republica que estava fechado.Neste dia, a Ilha de Faro foi percorrida de uma ponta a outra de carro, por duas vezes.À entrada da ilha, existe um largo com vários lugares de estacionamento, e umentroncamento em que para a esquerda situa-se a Avenida Nascente (mais extensa) epara o lado direito a Avenida Poente.Na primeira volta de carro, verifiquei que, devido ao temporal a estrada da AvenidaNascente estava cheia de areia e encontrava-se uma máquina retroescavadora daspequenas a proceder à limpeza, observando-se já nas bermas amontoados de areia. NaAvenida Poente a estrada estava limpa, aparentemente este lado da ilha não sofreuefeitos do temporal que se tinha feito sentir durante a semana. Nesta primeira volta,observei algum movimento na ilha, com várias pessoas a passear, a maior parte dascasas (sobretudo as térreas) tinham as janelas abertas. As casas comerciais e deserviços estavam todas abertas. Provavelmente por ser Sábado.Constatei também que existe em abundância caixotes de lixo e que as ruas estavamlimpas de resíduos. Existem à disposição das pessoas sacos de lixo para recolha dedejetos de cão.Quer na Avenida Nascente quer na Avenida Poente existem habitações com mais de 1 e2 pisos. 29
  30. 30. Análise de Contextos Profissionais Educação SocialNa 2ª volta de carro, optei por fazer uma lista de tudo relacionada com serviços, comércioe outras estruturas existentes. Assim sendo, registei:  1 Multibanco  1 parque infantil  1 parque de campismo (aqui dentro situa-se o depósito de água da FAGAR)  Escola primária  1 marco de correio  3 cabines telefónicas (2 do lado nascente, 1 do lado poente)  1 campo de jogos  Parques de estacionamento ao longo de toda a ilha  Clube de surf de Faro  Clube Náutico  2 minimercados (lado nascente)  4 casas de banho públicas  1 Pensão (onde se vende jornais e revistas)  Apartamentos Barracuda para Alugar  Cafés, Snack-Bar, Restaurantes (20)  1 cais (lado esquerdo da Ilha)  - Associação APRAFA  - Associação DUNAMAR2º Dia de Observação – Domingo, 29/10/2011 (10h.30m – 12.h.45m)Foi efetuada uma caminhada pelo lado nascente da ilha desde o ponto onde acaba aAvenida Nascente até à barra. Essa caminhada foi feita através de um passadiço de 30
  31. 31. Análise de Contextos Profissionais Educação Socialmadeira construído através de um programa de reabilitação do cordão dunar, tal como éinformado numa placa à entrada.Nesta parte da ilha e ao longo de todo o passadiço registei cerca de 60 casas térreas, amaior parte de construção precária. Pude constatar que este passadiço de madeira éusado também por motas e bicicletas. Existe também, do lado da ria, apoios para ospecadores colocarem as suas artes de pescas. Em pelo menos duas habitações,observei galinheiros, com galinhas, patos, pombos e gansos.Durante a observação, contei cerca de 30 pessoas a mariscarem na ria formosa ealgumas a pescar com cana do lado do mar. O passadiço é também utilizado para aspessoas fazerem exercício físico.Quer do lado da ria quer do lado do mar junto à água, observei algumas pessoas acaminhar.De regresso ao ponto de partida, entrei no café “A Nau Catrineta”, onde observei umplacard de cortiça com informações importantes, desde horários de barcos acomunicação sobre as alturas de proibições de pesca e de mariscar.Do lado Nascente da Ilha, observei que os parques de estacionamento tinham muitoscarros.3º Dia de Observação – Quinta feira, 03/11/2011 (14h30m – 15h30m)Relativamente aos dois primeiros dias de observação, via-se muito menos gente na rua eos parques de estacionamento estavam vazios. A escola primária, parecia ainda teralunos dentro, pois tinha as luzes acesas. O portão estava fechado e por isso não pudeentrar. Aqui perto fica a Associação Dunamar que estava fechada. De resto, todos osserviços/comercio estavam abertos (restaurantes, cafés (excepto 2 à entrada da ilha),Associação APRAFE, clube de Surf, Clube Náutico, Parque de Campismo) alguns vaziose outros com poucas pessoas. Observei que continuam a remoção das areias com aretroescavadora na Avenida Nascente.4ª dia de Observação – Domingo, 05/11/2011 (11h- 13h)Neste dia foi efetuada uma caminhada para o lado poente da ilha após o fim da estradade alcatrão, ou seja da Avenida Poente, que acaba numa espécie de largo. Neste largo,estava estacionada uma carrinha de venda de produtos de mercearia que abastece osmoradores deste lado da ilha, que estão mais distantes dos mini mercados que se situamdo lado nascente. É também neste largo que se encontra uma das cabines telefónicas.Após a estrada de Alcatrão, existe uma estrada mais estreitinha que nos leva às casas 31
  32. 32. Análise de Contextos Profissionais Educação Socialdos pescadores e mariscadores. Existem muito mais casas nesta zona e ao contrário dascasas situadas ao longo do passadiço do lado nascente, estas estão amontoadas e nãotão dispersas.Efetuou-se uma conversa informal com uma residente (D. Isabel) que vive na ilha há 52anos. Esta senhora referiu que deste lado as casas estão todas ocupadas por moradores,mas que têm vivido estes últimos anos na expectativa/receio de serem realojados noMontenegro. Referiu também que é um sítio muito calmo de se viver, e que só custa umpouco no Inverno. Nota mais insegurança agora do que há uns anos atrás.De seguida, visitei a sede da Associação APRAFA (que tem também um café) e estandolá o seu presidente, senhor Carlos Flor, conversámos um pouco acerca da ilha, tendo eufeito algumas perguntas informais. O Sr. Carlos Flor referiu que a sua Associação e aAssociação Dunamar fazem parte do grupo de trabalho, juntamente com as entidadesoficiais, de requalificação da Ilha de Faro. Afirmou que não se importam de ser realojadosmas “os senhores das casas do alcatrão (referindo-se às casa que se situam nasavenidas poente e nascente) têm também que ter as suas casas demolidas. Informou-meque os apoios de praia situados na parte nascente (observados no 2º dia) erampropriedade da APRAFA assim como uma carrinha frigorífica que dá apoio a todos osmoradores (verifiquei depois que têm lugar de estacionamento próprio). Informou queexistem 112 casas de moradores. 3 – TelviaNo âmbito da Unidade Curricular de Análise de Contextos Profissionais, foi proposto aogrupo, composto por mim, Rita, Ricardo e Ana, analisar um determinado contextoorganizacional ou territorial.Optamos por um contexto territorial, precisamente a Ilha de Faro, com o objetivo deperceber as dimensões e os tipos de mobilidade que existem na mesma. Para tal tornou-se imprescindível a elaboração do presente diário da Ilha de Faro, efetuou-se de formaindividual por cada um dos elementos dos grupos de forma a obter uma recolha de dadosmais rica em informação.Consistiu em observar o território de forma indireta e não participante, com o objetivo deperceber o tipo de mobilidade que existe, a nível do sistema social, cultural e depersonalidade. 32
  33. 33. Análise de Contextos Profissionais Educação Social27 De Outubro de 2011 - 11h30A Ilha de Faro ou a Praia de Faro como também é conhecida, situa-se em território rural,sendo que a principal atividade económica dos moradores (residentes nos extremos dailha), é a pesca.A atividade económica centra-se também no comércio local, essencialmente narestauração e no turismo. Por outro lado apresenta também características urbanas, pelofacto de possuir algumas infraestruturas como um Hotel e uma Pensão, um depósito deágua que pertence à Fagar (empresa municipal que tem como função gerir, explorar emanter os sistemas públicos de distribuição de águas, drenagem de águas residuaisdomésticas e pluviais, recolha e transporte de RSU e limpeza urbana, numa perspectivade sustentabilidade económica, financeira, técnica, social e ambiental), associaçõeslocais, um posto da GNR, 1 parque de campismo, uma escola primária, 1 multibanco evários restaurantes, bares, e cafés.Antes da ponte da Ilha de Faro também percebemos de imediato que existe o clubenáutico (na entrada, antes da ponte, tem uma bandeira com as actividades que lá sepodem fazer) onde praticam alguns desportos como vela, surf, windsurf, canoagem, entreoutros.O acesso está facilitado por uma pequena e estreita ponte, dirigida por uns semáforos,cujo acesso pode ser feito de carro, a pé ou bicicleta (no entanto na ilha não existeciclovia, nem no caminho antes de chegar a ponte, quem faz esse caminho de bicicleta,fá-lo na berma da estrada).A Ilha de Faro é constituída pelo mar, pela ria formosa, (onde se vê vários barcosatracados, e o fato de não haver ondulação torna-se ideal para os desportos náuticos queali praticam) e pela barrinha, uma zona tranquila que pode ser acedida a partir da Praiade Faro por um longo passadiço, e observar a flora e as imensas aves (a maioria sãocegonhas).Antes da ponte à entrada da Praia de Faro, encontra-se um sinal de paragem deautocarro, ao contrário do que se vê, a paragem de autocarro é mais a frente, cerca de1km a seguir, mesmo antes da entrada da ponte que dá acesso a entrada da praia.Reparei ainda que existe um sinal a dizer que é proibida a pesca naquela zona, noentanto, várias pessoas pescam ali! No mesmo local também existe um outro sinal queindica a proibição de estacionamento para Caravanas, no entanto mais a frente, noparque de campismo, (continua a ser proibido o estacionamento das mesmas) estãovárias caravanas no parque. 33
  34. 34. Análise de Contextos Profissionais Educação SocialA seguir à ponte, encontra-se um posto da GNR, que penso funcionar nos meses deVerão, as vezes que lá fui de Inverno não se encontrava nenhum agente nesse posto.Na entrada da ilha encontra-se um grande parque de estacionamento, onde seencontram apenas alguns carros, no entanto no Verão o estacionamento torna-sebastante limitado (apesar de existir estacionamentos por toda a ilha), talvez pelo fato deexistir apenas um acesso a entrada de praia (que dificulta bastante o trânsito no Verão,chegam a ver-se km de fila para entrar na praia.) e também pelo fato desta ser a únicaPraia em Faro.Em direção à Avenida Poente (no lado direito) existem dois dos restaurantes por ondepassei, via-se as empregadas na rua, umas a conversar com o empregado do outrorestaurante que estava em frente, outras a fumar.No momento exato em que passo fez-se silêncio, talvez porque perceberam que andavaali a observar de papel e caneta na mão, não me questionaram porque nessa altura foi nomomento que começou a chover e voltei para o carro, (penso que se tivesse ficado maiscinco minutos a olhar para o restaurante, teriam questionado sobre o que ali fazia, foiessa a sensação que fiquei!).O que reflete sobre o fato de existir alguma desconfiança, notava-se que estavamincomodadas com o que se poderia andar a fazer no seu território, apresentaram umapostura defensiva, o que pode significar alguns problemas mal resolvidos.Notou-se que fez ali muito mau tempo, a ilha estava praticamente deserta, os váriosbares e restaurantes estavam encerrados, a estrada estava completamente cheia deareia, nem se via as passadeiras com lombas que lá existem, havia monte de areia nosparques de estacionamento que ficam junto a praia! Durante todo o caminho observava-se o mesmo, tudo fechado e não se via ninguém nas ruas, ou seja, um silêncio absoluto,a não ser claro o bater das ondas, o mar estava alto.No final da outra ponta da ilha, do lado esquerdo, já na Avenida Nascente, estava apenasum minimercado aberto, os restantes estabelecimentos, estavam quase todos fechados,a exceção de dois ou três. Durante todo o percurso de uma ponta a outra da ilha não sevia ninguém na rua, com a exceção das empregadas do restaurante e a senhora queestava a porta do mini mercado.Durante a semana no Inverno é muito raro ver pessoas ali a passear, faz muito frio,quando chove as pessoas tem medo, e como os bares e restaurantes estão fechados sãomuito poucos os que ali se encontram. O que significa que uma temperatura amena é um 34
  35. 35. Análise de Contextos Profissionais Educação Socialfator favorável e fundamental na Ilha de Faro, tanto para o comércio, como para ospescadores e para o turismo.30 De Outubro de 2011 - 15h30Na Ilha de Faro, percebe-se de imediato que o tempo na praia de Faro faz maravilhas,estavam os cafés, bares, restaurantes todos abertos, o que se torna ótimo para ocomércio.Depois do Havana, onde se situam vários bares, (é lá que se centram o maior número depessoas) estavam de facto as esplanadas cheias, estrangeiros, motoqueiros (quem temmotas junta-se bastante ali) pessoas mais jovens com amigos, famílias com filhos, eestava uma família especialmente animada (ouvia-se pelas esplanadas todas, cantarama tarde inteira, com castanholas e palmas para todos).Desde as 15h30 até as 18h30, fiquei mesmo ao lado dessa família, logo que cheguei jácantavam, pareciam-me bem animados, bebiam cerveja e sangria, era um grupo de cercade 8 pessoas.Deu para perceber que vinham do Bairro da Atalaia (um bairro um pouco problemático deFaro), e estavam ali porque era o aniversário de uma dessas pessoas, então a praia deFaro tinha sido o sítio escolhido para festejar (as empregadas tinham um grande àvontade com esse mesmo grupo, e tratavam-se todos de forma bastante informal).Durante toda a tarde manteve-se o mesmo espírito, quem se destacava era este grupo,pedindo sempre umas cervejas e sangrias enquanto ali estiveram, cantando com muitaalegria, eram pessoas com os seus 70 anos, e duas jovens com cerca de 30 anos, ali nãohavia distinção entre homens e mulheres, todos bebiam, todos cantavam e todos diziamas suas piadas, mas era na voz das mulheres que se ouvia mais gargalhadas.Entretanto chegavam motas, enquanto uns chegavam também alguns abalavam, estesque abalavam faziam questão de acelerar a mota parada para fazer ruído, quase quenuma questão de competição, para além disso pareciam-me pessoas bastante calmas.Numa outra mesa chega uma família de estrangeiros (talvez inglesa), que pediu tambémumas cervejas, mas enquanto os portugueses pediam tremoços para acompanhar acerveja, os estrangeiros pediam batata frita caseira! Estes também eram animados,notava-se que queriam interagir com o grupo do bairro da atalaia, pelos gestos eexpressões, levantavam os braços no ar, enquanto o outro grupo cantava e riam-se nobom sentido. Esses mesmos estrangeiros estiveram ali talvez meia hora, assim que ogrupo do bairro da Atalaia abalou, fizeram o mesmo (parecia que já não tinha piada estar 35
  36. 36. Análise de Contextos Profissionais Educação Socialali)! Em certo momento em que uma senhora do grupo do bairro da Atalaia vai embora,diz mais uma piada em alta e boa voz, (quase que a falar para todas as pessoas que aliestavam, “é preciso pagar alguma coisa pelo barulho?”, a empregada respondeu, não!) ogrupo do bairro da Atalaia tinham um Mercedes, penso que 220, (neste momento pensoque pelo aspeto que tinham, pelas roupas que vestiam e da forma que se expressavam,o que fariam para ter um Mercedes destes?!) e os estrangeiros foram embora de barco,(estava atracado na ria fica mesmo junto aos bares, acessível por uma pequena ponte).As pessoas que vivem na ilha têm características e comportamentos muito próprios,percebia-se perfeitamente quem eram as pessoas que vivem nas comunidadespiscatórias, e as que não vivem na ilha pelo modo como falavam, como se vestem entreoutras, no entanto as características das pessoas do Bairro da Atalaia e das pessoas dascomunidades piscatórias são muito semelhantes, especialmente pelo espírito decompanheirismo.06 De Novembro 16h30Uma tarde maravilhosa, um bom motivo para voltar à Praia de Faro novamente, (aquestão da temperatura é bastante importante na ilha no sentido de ser rentável para ocomercio, está uma boa temperatura, o turismo aumenta.) quase a chegar vê-se algunsvendedores de laranjas na berma da estrada, é costume naquela zona. Na estradaexistem uns semáforos que estão sempre avariados, (ainda não percebi porquê se nãofuncionam), o motivo de ali estarem deveria ser para controlar o trânsito que vai para aPraia e para o parque de estacionamento construído recentemente para facilitar oestacionamento na Ilha!Em toda a ilha só encontrei um multibanco que pertence a Caixa Agrícola e duas cabinestelefónicas, uma delas fica na ponta da ilha onde praticamente ninguém passa, o que nãosignifica que esta não seja útil mas está mal posicionada.Estão espalhadas pela ilha várias casas de banho, parques de estacionamento, e emquase todos eles tem sempre um ou dois lugares para deficientes, os bares estão abertose restaurantes também, quem lá vai pode também observar que todos os bares são feitosem madeira, em quase todos tem um balde do lixo grande no lado exterior ao pé dobalcão.Não me parecem muito bem posicionados e nem é higiénico o fato de os baldes ficaremmesmo ao lado das mesas de esplanada onde as pessoas se sentam. 36
  37. 37. Análise de Contextos Profissionais Educação SocialExiste um único ecoponto no largo antes da ponte da entrada da praia, não me parecebem situado, ainda fica longe para quem precisa de se deslocar fazer até ele, penso queos restaurantes nem o fazem, pelo fato de ficar longe (existem uns baldes do lixo comecoponto mesmo na areia, mas esses são pequenos e nem devem ser utilizados erecolhidos nos meses de Inverno).A Ilha de Faro é um local apelativo para atividades de lazer, vê-se várias pessoas comfilhos, casais a namorar sentados em cima do muro que fica entre o mar e os bares,apenas a observar o mar, a jogar badmington, futebol entre outras, de facto é agradável eé costume as pessoas se sentarem lá.Na Ilha de Faro não existe posto de saúde, existe um posto da cruz vermelha que seencontra dentro do parque de campismo, estando este inativo (apenas funciona nosmeses de época balnear) torna-se inacessível para as pessoas que necessitam decuidados médicos, as mesmas tem que se deslocar até a freguesia do Montenegro que éonde se encontra o Centro de Saúde mais próximo.Existem três associações, a APRAFA - associação para defesa e desenvolvimento daPraia de Faro, que fica um pouco escondida, num pequeno acesso a praia, na Av.Poente, uma outra associação AUIF - associação dos Utentes da Ilha e a DUNAMAR –associação nascente Duna Mar, que fica ao lado da escola primária, na Av. Nascente.Questiono-me sobre o fato de existirem três associações numa comunidade destadimensão, talvez por existirem relações de conflito?! Porquê a necessidade de existirem3 associações? Provavelmente descontentamento com o desenvolvimento das mesmas,ou a falta de resposta às necessidades dos habitantes da Ilha de Faro, supostamentedeveriam agir todas em defesa do desenvolvimento da ilha, talvez fosse mais útil a uniãodas mesmas, (o que não acontece) parece-me que defendem os interesses da própriaassociação e não dos habitantes em prol do desenvolvimento da própria Ilha. 4 – RITANo âmbito da Unidade Curricular de Análise de Contextos Profissionais foi proposto aanálise de um contexto. O meu grupo é constituído por mim, pelo Ricardo, Ana e Telvia,escolhemos como contexto a analisar a praia de Faro mais conhecida por Ilha de Faro,devido a não existir muita informação acerca da mesma e nos suscitar interesse.A ilha de Faro pertence à junta de freguesia de Monte Negro que é do distrito e concelhode Faro. Esta têm uma área de aproximadamente 2365 hectares, situa - se a 8 km deFaro, onde o acesso se faz através de uma ponte, que nela para além do acesso pedonal 37
  38. 38. Análise de Contextos Profissionais Educação Socialpoderá também ser feito por bicicleta ou automóvel. Segundo dados do INE a ilha deFaro em 2001 tinha cerca de 5336 habitantesPara poder recolher informações desloquei me à ilha de Faro no dia 27 de Novembropelas 11 horas e 15 minutos mas, antes de passar a ponte para entrar na ilhapropriamente dita vi que existe uma paragem de autocarros mas, lá não estava maisninguém a não ser a motorista do autocarro. Observei que existe um posto de reciclagemno entanto acho estranho estar antes da ponte. Antes de entrar na ponte de acessoexiste uns semáforos e um símbolo informado que é proibida a passagem de caravanas.Ao passar a ponte desloquei me para o lado direito da ilha e durante a caminhadaobservei alguns snack bares e restaurantes que se encontravam vazios, dando aimpressão que só lá estavam os empregados. Perto de um dos restaurantes estava umasenhora que aparentava ser cozinheira do restaurante porque tinha toca branca e umavental, esta senhora olhou para mim de forma desconfiada e ficou algum tempo na ruasuponho que me estava a observar. Devido a fazer muito vento e começar a chover nãopode continuar a fazer o trajecto a pé, tive que o fazer de carro. Pela rua vi apenas outrocarro em movimento que era o de um senhor que estava a descarregar bebidas para umdos restaurantes, que nem se admirou de eu por ali passar. Ao chegar ao final da estradanão pode seguir pelo areal devido ao mau tempo mas, vi que existiam mais algumascasas. No entanto vi algumas casas durante o percurso mas a maioria pareceu me queestavam desabitadas pois, tinham as e janelas todas fechadas. Existe alguns parques deestacionamento automóvel mas grande parte estavam livres. Depois, desloquei me paraa parte esquerda da ilha e vi que existia um parque infantil e um multibanco junto a umaglomerado de snack bares mas, estes encontravam se encerrados.Devido ao mau tempo que se tinha vindo a sentir nos últimos dias a estrada encontravacoberta de areia que tapava por completo a estrada e mal se conseguia ver aspassadeiras. Os “montões” de areia que estavam nas bermas da estrada aparentava queali já tinha andado uma máquina que arrastava a areia para as bermas e fazia aqueles“montões”. Um dos snack bares que estava junto a estrada tinha para além dosempregados também alguns clientes que se encontravam a comer. Ao lado do snack-barestá o parque de campismo e logo ao lado um mini mercado, não consegui ver se estavaalguém no parque de campismo mas, reparei que estava uma senhora no mini mercado.Não consegui encostar o carro para lhe perguntar se para além daquele existia outrosupermercado, porque ali não dava para estacionar pois os parques de estacionamentoestavam com “montões” de areia. Prossegui caminho mas apenas encontrei 3 carros e 38
  39. 39. Análise de Contextos Profissionais Educação Socialnão vi ali ninguém a andar a pé, passei pelo clube náutico que não aparentava termovimento nenhum e os bares estavam encerrados. Os “montões” de areia era umaconstante ao longo da estrada até chegar a uma parte em que só existia casas de umlado e de outro, aí já vi algumas pessoas nos quintais das casas. Ao chegar ao final daestrada encontrei um snack-bar com algumas pessoas e vi que existia uma passadeira e“barracas” que supôs serem dos pescadores e mariscadores mas, como estava muitovento e chuva, voltei para trás para tentar ir falar com a senhora do primeiro minimercadoe conseguir obter a informação que pretendia. Chegando perto do mini mercado amesma senhora encontrava se na à porta do mesmo e cumprimentei a e de seguidaperguntei se ali existia outro supermercado a mesma disse que sim e que era no finaldaquela estrada em sentido contrário ao que eu estava. Com esta informação supôs queo outro mini mercado seria perto do último snack-bar onde a estrada termina mas, devidoao mau tempo não voltei para trás. Ao lado do minimercado encontra se o parque decampismo que têm um posto da cruz vermelha e qual não é o meu espanto que repareique dentro do parque existia algumas caravanas. Se ao entrar para a ilha existe um sinalde estrada indicando que é proibido a passagem de caravanas, porque é que as mesmasse encontravam lá?Segui caminho mas, conseguia ver as caravanas dentro do parque de campismo etambém vi um grande posto da FAGAR. Durante todo o trajecto não vi mais nenhumposto de reciclagem a não ser o que se encontrava logo antes da entrada na ilha, nem vimais nenhum multibanco que de inverno poderá não fazer falta mas, de verão serianecessário. Assim, terminou a observação nesse dia na ilha de Faro.Devido a ter encontrado a ilha muito vazia, regressei lá no dia 29 de Novembro pelas11h45 m e já encontrava movimento no caminho para a mesma. Isso podia teracontecido porque no dia 27 estava mau tempo e era um dia de semana e dia 29 era fimde semana e estava um dia com muito sol. 39
  40. 40. Análise de Contextos Profissionais Educação Social Registos Fotográficos 40
  41. 41. Análise de Contextos Profissionais Educação Social 41
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