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O homem das águas
Luiz Eduardo Cheida
Carismático, Luiz Eduardo Cheida é conhecido pelas ações inovadoras que implantou na
Secretária Estadual de MeioAmbiente e Recursos Hídricos do Paraná no período em que
foi secretario estadual. Formou-se em medicina pela Universidade Estadual de Londrina,
na qual também se especializou em gastroenterologia. Durante a entrevista concedida à
Revista Qualitá Socioambiental,Cheida lembrou-se de que,quando era estudante,atendia
agricultores que reclamavam de dores na barriga, parasitados por vermes. Depois de
medicados,voltavam a praticar a mesma falta de cuidados com os alimentos e com a higiene
pessoal. Esta realidade o levou a ensinar pessoas carentes e crianças sobre o cuidado com
o corpo e, principalmente, com a ecologia. Inspirado por essa ação, começou a escrever
livros didáticos de biologia para o Ensino Médio, adotados em escolas de todo o país.
Cheida foi também um dos fundadores do Partido dosTrabalhadores (PT) em Londrina,
sendo eleito vereador e prefeito da cidade. Atualmente, é membro titular do Conselho
Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) e do Conselho Nacional de Recursos Hídricos
(CNRH).Apaixonado pelas águas e ecologia,este paulista de Penápolis,durante a entrevista,
enfatizou a importância da conscientização ambiental e falou sobre as importantes decisões
da MOP3, o consumo desenfreado de agrotóxicos e sobre as metas que deseja implantar
se for eleito Deputado Federal, cargo ao qual se candidatou pelo PMDB.
matéria a.baldini fotos a.baldini, rafael gazzola, divulgação
bate-papo
08 2006 / 05/06
Durante sua gestão como secretário esta-
dual do Meio Ambiente no Paraná, quais
foram os projetos que podem ser chamados
de exemplos nacionais?
Bem, eu começo citando o Desperdício Zero. Ele
foi gerado com a meta de reduzir os lixões, uma
forma de construir alternativas seguras e não
poluentes para o meio ambiente, visando reduzir
a produção de resíduos sólidos no Estado, que
hoje está em 20 mil toneladas por dia. A meta é
chegar a 30% em quatro anos,e está dando certo.
Outro programa é o chamado Mata Ciliar,por meio
do qual estão sendo plantandos 90 milhões de
árvores nativas ao longo dos rios e das nascentes
do Paraná.A produção está fazendo com que haja
uma reversão, inclusive na pendência dos agricul-
tores em desmatarem e ocuparem o cinturão de
segurança dessas árvores que “filtram” a água.
Mais um programa a ser citado é o Corredores da
Biodiversidade (também chamado de Corredores
Ecológicos),em que a Secretaria Estadual,em uma
área abrangendo 2 milhões e 100 mil hectares,com
19 mil e 800 propriedades em 63 municípios,pre-
tende recuperar a biodiversidade nos corredores
deAraucária,Iguaçu-Paraná,entre outros,escolhi-
dos pela importância estratégica de remanescentes
de ecossistemas originais do Paraná.O projeto visa
também interconectar Unidades de Conservação e
Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN),
entre outros.O quarto programa foi até objeto de
um prêmio da Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo,chamado Programa Nacional de Meio
Ambiente - Versão 2. No Estado do Paraná, ele
está licenciado em propriedades de suinocultores,
fazendo com que as fezes dos porcos sejam quei-
madas em biodigestores reduzindo a emissão de
gás metano; também gera uma renda mensal aos
agricultores,dentro do mecanismo de desenvolvi-
mento limpo,uma variante do Protocolo de Kyoto.
O Programa de Mapa de RiscoAmbiental também
é interessante, pelo qual fizemos um trabalho de
levantamento dos riscos ambientais do Estado.
Sobre esse mapa,estão sendo feitos programas de
prevenção,monitoramento em situações de riscos
emergenciais, com as quais já é possível frear os
desastres ambientais.
Esses projetos foram aplicados no Paraná,
que possui uma diversidade biológica muito
grande. É possível que eles se estendam a
outros locais do país no intuito de preservar
os biomas brasileiros?
Guardadas as peculiaridades regionais, o que
interessa é a matriz de concepção deles. Na me-
dida em que se trabalha, por exemplo, na logística
de produção de mudas nativas, você tem como
implantar programas como esses em qualquer
lugar do Brasil.Só no Paraná,a Secretária Estadual
de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, investiu
na produção de 90 milhões de mudas, sendo hoje
o maior programa de recuperação de Mata Ciliar
do mundo. Mas, ainda assim, não é o bastante. As
mudas servem para exemplo de como é possível,
como se vê nesses números,recuperar e reverter
uma área de degradação.
Qual sua opinião sobre os transgênicos?
Bem,na questão da rotulagem,o Paraná deu exem-
plo para o Brasil e para o mundo. A informação
é possível, desde que o governo tenha vontade
política de mostrar para o consumidor o que tem
em um produto e como ele foi elaborado.Assim,
exerce o direito constitucional à informação. Sou
a favor também de outras informações sobre esses
produtos,não só o que foi discutido na MOP3.Por
exemplo, a dos alimentos que “contém glúten”
[proteína contida no trigo, aveia, cevada e centeio, e
em todos os alimentos fabricados com esses cereais].
Muitas pessoas morriam de doenças celíacas, que
são, na verdade, uma grave alteração no intestino
delgado,que impede a absorção dos alimentos.Elas
precisavam saber essas informações.Com os trans-
gênicos,não é diferente. Acho que a discussão foi
tomada no momento certo,mas que ainda existem
muitas informações desencontradas.Do ponto de
vista geral eles não são ruins,pois são a partir deles
que são feitas vacinas genéticas, cirurgias gênicas,
compostos (como hormônio de crescimento),
insulina, entre outras coisas importantes, como
mostra a biotecnologia. Os trangênicos vieram
para ficar. O que é errado é colocá-los na nature-
za com uma nova identidade genética no mundo
natural, subordinados a todas as ações abióticas
e bióticas de um ecossistema. Isso é brincar de
“aprendiz-de-feiticeiro”, e a sociedade ainda não
tem essa percepção.As discussões estão restritas
às universidades, àsONGs e aos partido políticos,
mas vai chegar à população. Esta é a nossa tarefa.
Exemplo da
coberturadeMata
Ciliar, que nada
maissãoquefaixas
de vegetação
sempre contínua,
ora mais estreita,
oramaislarga,que
criam condições
favoráveis para
a sobrevivência
de populações
de espécies de
animaissilvestrese
depeixes,ajudando
a manter a
qualidadedaágua.
0905/06 / 2006
O objetivo do programa é a redução de resíduos gerados, tendo como
estratégia a convocação e treinamento de toda a sociedade para que, com
isso,haja a mudança de atitude,hábitos de consumo,combate ao desperdício,
incentivo de reutilização, reaproveitamento dos materiais potencialmente
recicláveis por meio da reciclagem e da eliminação dos lixões. Aborda
também, aspectos fundamentais como coleta, transporte e destinação final
dos resíduos sólidos urbanos e aqueles ligados diretamente ao saneamento
ambiental. Todas essas informações estão contidas no Kit Resíduos, que
apresenta 14 volumes (plástico, papel, vidro, metal, orgânico, lixo hospilar,
agrotóxicos, pneu, pilhas e baterias, construção civil, embalagens longa-vida,
óleo lubrificante, lâmpadas e coleta seletiva), sendo uma excelente fonte de
pesquisa e informação para os cidadãos.
(fonte: Anuário Desperdício Zero, 2005, SEMA)
programa Desperdício Zero
Coleção de livros didáticos escritos
porCheida,adotadosporescolasde
todo país.
Na outra página, foto de quando
foiprefeitodeLondrina,noperíodo
de 1993 a 1996; abaixo, durante a
entrevista que concedeu à Revista
Qualitá Socioambiental.
Quais, então, são as suas metas para
o meio ambiente?
Sou médico e professor de biologia, e optei pela
prática direcionada ao meio ambiente. Ou seja,
tenho uma visão socioambiental. Tenho minhas
concepções muito claras, e acho que é impossível
um equilíbrio ambiental convivendo com a miséria,
com o desemprego, com o baixo salário.A riqueza
excessiva é integrada tanto quanto a miséria, pois o
fazendeiro que desmata o sul do Pará para criar boi
e capim colabora para o desequilibro ambiental tan-
to quanto o pobre miserável, que chega a desmatar
matas ciliares para vender carvão, porque não tem
capital sequer para fazer sua roça de feijão.Exemplos
como esses deixam claro que deve existir o equilíbrio
ambiental com o social, e é esse enfoque que quero
dar na luta ambiental.Também cito,preferencialmente,
o saneamento ambiental, no qual a água, o esgoto,
o controle de vetores dos resíduos sólidos, das
drenagens e erosões, vão ser atônica, e acho que o
país necessita de investimentos nesta área, mas sem
perder a noção de que a questão ambiental é, antes
de tudo, uma questão social.
Se essas são metas para o Brasil,o senhor acha
que é necessário partir para novas tecnologias
ou se deve investir em conscientização?
(silêncio) Lembro-me de que, quando era pequeno,
aprendi a nadar e a pescar em um córrego.Tinha uma
relação muito íntima com os córregos da minha cida-
de.Apesar disso,não houve uma preservação,porque
o capital teve uma força muito maior,chegou e trans-
formou tudo.Acredito que os maiores problemas que
temos com a água são o desperdício e a poluição.
No campo, esses dois fatores são observados pelo
consumo excessivo de agrotóxico, assoreamento,
redução da produção de água pelo desmatamento.
Na cidade, pela ocupação desordenada dos rios, a
falta de planejamento, e também pela quantidade de
efluentes industriais, domésticos e hospitalares. Mas
há uma verdadeira corrida pra que se possa reverter
essa situação.Qual dos dois vai chegar primeiro,nós
não sabemos. Eu estou otimista, espero que a cons-
ciência ambiental chegue primeiro.
Se a consciência ambiental é importante,
como democratizá-la?
Chamando para o centro da discussão três fatores
fundamentais: os usuários das águas, a população e
o governo, nas suas três esferas (municipal, estadual
e federal). As bacias hidrográficas são passíveis de
serem gerenciadas de modo adequado, o problema
é que as pessoas não se identificam com elas. Se
você perguntar a uma criança que joga um papel de
bala no chão, em qual rio o papel vai parar (porque
sempre pára em um rio) ela não saberia responder.É
fundamental que as pessoas saibam que,no lugar onde
elas moram,há um endereço hidrográfico e,assim,se
familiarizem com seus rios. Há um verdadeiro para-
10 2006 / 05/06
“Acredito que os
maiores problemas
que temos com a
água é o desperdício
e a poluição.
No campo, esses
dois fatores são
observados pelo
consumo excessivo
de agrotóxico,
assoreamento,
redução da produção
de água pelo
desmatamento.
Na cidade,
pela ocupação
desordenada dos
rios, a falta de
planejamento,
e também pela
quantidade de
efluentes industriais,
domésticos e
hospitalares.”
doxo. Nunca se falou tanto em conservar o meio ambiente assim como
nunca se devastou tanto.O capital se apropriou das bandeiras ecológicas e
ambientais e,de forma cínica,vende a idéia de que“bonito é ser moderno,
feio é ser natural”.E há uma verdadeira disputa ideológica. Afinal,o capital
se aproxima da natureza como mercadoria. Eu acho que se identificar o
ser humano com o natural, o aproximar do rio, perto de onde ele mora,
de onde bebe a sua água, ele vai passar a proteger mais do que um outro
que apenas sabe que ali passa um córrego.
Já que“bonito é ser moderno,feio é ser natural”,como explicar
o consumo excessivo de agrotóxicos?
Só no Paraná, despeja-se no ambiente 40 mil toneladas de agrotóxicos
por ano, fora aqueles que entram clandestinamente, dos quais não temos
controle. Isso dá a espantosa cifra de 66kg por minuto de contaminação!
Somos os campeões na produção de grãos, mas também campeões no
câncer de fígado e de pâncreas, e talvez não seja mera coincidência. Para
reverter esse quadro, estamos investindo na merenda escolar orgânica.
Estamos tentando fazer com que o governo compre produtos orgânicos
certificados para a merenda escolar.O governo compra 1 milhão e 300 mil
refeições por dia.Então,que compre produtos orgânicos,assim ampliando
esse mercado e reduzindo o número de agrotóxicos. Com isso, ajuda a
promover uma saúde melhor para nossas crianças.
Em entrevista a uma emissora de televisão,você disse: “O piloto
sumiu! Como diz o arquiteto americano Buckminster Fuller:‘O
fato mais importante a respeito da EspaçonaveTerra:ela não vem
com manual de instruções’. Sábias palavras.” Como explicaria
isso aos nossos leitores?
Como você achou isso? (risos) Falei,é verdade.Bem,raciocinado,estamos
“soltos” no universo. O planeta não está preso a nada, não há nenhum
cordão umbilical que o una a outro mundo. Estamos sozinhos. Portanto,
não temos que tirar recursos de nenhum outro lugar. O planeta é a es-
paçonave, só que ela não vem com o manual de instruções. Como ainda
mal sabemos operá-la, é preciso muito cuidado para que não apertemos
nenhum botão errado. Promover a extinção é, com certeza, apertar um
botão errado.Porque nenhuma espécie jamais prosperou na sua estratégia
de sobrevivência competindo de modo desenfreado com outras espécies.
A espécie humana ainda não desapareceu porque ainda é muito recente.
Mas temos,em nosso passado,presente e futuro,o poder de decidir se uma
floresta tomba ou permanece em pé. A responsabilidade é muito grande
e, se nós a temos, a responsabilidade sobre a EspaçonaveTerra também é
nossa. Achei essa frase interessante porque ela realmente nos faz pensar
como: “cuidado, esse botão (forma de agir) pode ser perigoso”. Mas, do
mesmo modo que pode representar o perigo,também pode,através pelo
cuidado, ser uma oportunidade. Basta querer.
1105/06 / 2006
A pacata cidade de Almirante
Tamandaré,a 15 km da capital paranaense,
esconde riquezas sob suas terras. Com
82% de sua geografia está sobre o Aqüífe-
ro Karst, no caso da cidade, o aqüífero é
formado por composições calcáreas em
forma de cavernas,da qual algumas regiões
estes depósitos está entre 2m e 23cm da
superfície; ocorrendo ainda nascente dos
rios Barigui,Passaúna,Atuba os quais fazem
divisa com o município de Curitiba.
	 O município, com população de
110.000 pessoas e fundado em 1947,pos-
sui habitantes muito mais velhos de que
a própria cidade, bem como um número
grande de crianças.Para conscientizá-las de
que o município é guardião de tal riqueza,a
pedido do prefeitoVilson Rogério Goinski,
atualmente no seu primeiro mandato,me-
diante uma parceria com a Secretaria Mu-
nicipal de Educação,capacitaram profissio-
nais para realizarem palestras educacionais
voltadas a este assunto. E vão mais além:
há o ensino de separação dos resíduos
sólidos, volumes que se forem separados
corretamente, reduzem a utilização de
recursos naturais (como água e petróleo)
para a produção de energia.Também para
incentivar os pequenos a não deixarem de
freqüentar a escola, foram entregues aos
13 mil alunos da rede pública,no início de
2006, o uniforme escolar - que inclui uma
calça,uma jaqueta,duas camisetas - e,ainda,
uma mochila com todo o material escolar
(apontador, borracha, cola, tesoura, régua,
lápis e cadernos),além de um par de tênis.
Essa ação faz parte do programa social do
município chamado“Criança na Escola”.“A
educação é prioridade da atual adminis-
tração e com esta ação estamos propor-
cionando uma condição de igualdade para
todas as crianças da cidade, que muitas
vezes não têm condições de freqüentar a
escola, quer por falta de material escolar
ou uniforme”, afirmou o prefeito.
	 Já as Secretarias de Meio Am-
biente e Turismo desenvolvem a limpeza
de rios, retirada de lixo depositados em
Incentivo
para estudarFOTOS PREFEITURA DE ALMIRANTE TAMANDARÉ
Treze mil crianças
receberam, no início
do ano, material e
uniforme escolar, um
kit de higiene bucal,
além de um par de
tênis. Essa ação faz
parte do programa
“Criança na Escola”,
quetemcomoobjetivo
motivareincentivaras
criançasdomunicípioa
freqüentarem escola.
exemplo gestão pública
12 2006 / 05/06
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RQS 2006 - Entrevista com Luiz Eduardo Cheida

  • 1. O homem das águas Luiz Eduardo Cheida Carismático, Luiz Eduardo Cheida é conhecido pelas ações inovadoras que implantou na Secretária Estadual de MeioAmbiente e Recursos Hídricos do Paraná no período em que foi secretario estadual. Formou-se em medicina pela Universidade Estadual de Londrina, na qual também se especializou em gastroenterologia. Durante a entrevista concedida à Revista Qualitá Socioambiental,Cheida lembrou-se de que,quando era estudante,atendia agricultores que reclamavam de dores na barriga, parasitados por vermes. Depois de medicados,voltavam a praticar a mesma falta de cuidados com os alimentos e com a higiene pessoal. Esta realidade o levou a ensinar pessoas carentes e crianças sobre o cuidado com o corpo e, principalmente, com a ecologia. Inspirado por essa ação, começou a escrever livros didáticos de biologia para o Ensino Médio, adotados em escolas de todo o país. Cheida foi também um dos fundadores do Partido dosTrabalhadores (PT) em Londrina, sendo eleito vereador e prefeito da cidade. Atualmente, é membro titular do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) e do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH).Apaixonado pelas águas e ecologia,este paulista de Penápolis,durante a entrevista, enfatizou a importância da conscientização ambiental e falou sobre as importantes decisões da MOP3, o consumo desenfreado de agrotóxicos e sobre as metas que deseja implantar se for eleito Deputado Federal, cargo ao qual se candidatou pelo PMDB. matéria a.baldini fotos a.baldini, rafael gazzola, divulgação bate-papo 08 2006 / 05/06
  • 2. Durante sua gestão como secretário esta- dual do Meio Ambiente no Paraná, quais foram os projetos que podem ser chamados de exemplos nacionais? Bem, eu começo citando o Desperdício Zero. Ele foi gerado com a meta de reduzir os lixões, uma forma de construir alternativas seguras e não poluentes para o meio ambiente, visando reduzir a produção de resíduos sólidos no Estado, que hoje está em 20 mil toneladas por dia. A meta é chegar a 30% em quatro anos,e está dando certo. Outro programa é o chamado Mata Ciliar,por meio do qual estão sendo plantandos 90 milhões de árvores nativas ao longo dos rios e das nascentes do Paraná.A produção está fazendo com que haja uma reversão, inclusive na pendência dos agricul- tores em desmatarem e ocuparem o cinturão de segurança dessas árvores que “filtram” a água. Mais um programa a ser citado é o Corredores da Biodiversidade (também chamado de Corredores Ecológicos),em que a Secretaria Estadual,em uma área abrangendo 2 milhões e 100 mil hectares,com 19 mil e 800 propriedades em 63 municípios,pre- tende recuperar a biodiversidade nos corredores deAraucária,Iguaçu-Paraná,entre outros,escolhi- dos pela importância estratégica de remanescentes de ecossistemas originais do Paraná.O projeto visa também interconectar Unidades de Conservação e Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN), entre outros.O quarto programa foi até objeto de um prêmio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo,chamado Programa Nacional de Meio Ambiente - Versão 2. No Estado do Paraná, ele está licenciado em propriedades de suinocultores, fazendo com que as fezes dos porcos sejam quei- madas em biodigestores reduzindo a emissão de gás metano; também gera uma renda mensal aos agricultores,dentro do mecanismo de desenvolvi- mento limpo,uma variante do Protocolo de Kyoto. O Programa de Mapa de RiscoAmbiental também é interessante, pelo qual fizemos um trabalho de levantamento dos riscos ambientais do Estado. Sobre esse mapa,estão sendo feitos programas de prevenção,monitoramento em situações de riscos emergenciais, com as quais já é possível frear os desastres ambientais. Esses projetos foram aplicados no Paraná, que possui uma diversidade biológica muito grande. É possível que eles se estendam a outros locais do país no intuito de preservar os biomas brasileiros? Guardadas as peculiaridades regionais, o que interessa é a matriz de concepção deles. Na me- dida em que se trabalha, por exemplo, na logística de produção de mudas nativas, você tem como implantar programas como esses em qualquer lugar do Brasil.Só no Paraná,a Secretária Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, investiu na produção de 90 milhões de mudas, sendo hoje o maior programa de recuperação de Mata Ciliar do mundo. Mas, ainda assim, não é o bastante. As mudas servem para exemplo de como é possível, como se vê nesses números,recuperar e reverter uma área de degradação. Qual sua opinião sobre os transgênicos? Bem,na questão da rotulagem,o Paraná deu exem- plo para o Brasil e para o mundo. A informação é possível, desde que o governo tenha vontade política de mostrar para o consumidor o que tem em um produto e como ele foi elaborado.Assim, exerce o direito constitucional à informação. Sou a favor também de outras informações sobre esses produtos,não só o que foi discutido na MOP3.Por exemplo, a dos alimentos que “contém glúten” [proteína contida no trigo, aveia, cevada e centeio, e em todos os alimentos fabricados com esses cereais]. Muitas pessoas morriam de doenças celíacas, que são, na verdade, uma grave alteração no intestino delgado,que impede a absorção dos alimentos.Elas precisavam saber essas informações.Com os trans- gênicos,não é diferente. Acho que a discussão foi tomada no momento certo,mas que ainda existem muitas informações desencontradas.Do ponto de vista geral eles não são ruins,pois são a partir deles que são feitas vacinas genéticas, cirurgias gênicas, compostos (como hormônio de crescimento), insulina, entre outras coisas importantes, como mostra a biotecnologia. Os trangênicos vieram para ficar. O que é errado é colocá-los na nature- za com uma nova identidade genética no mundo natural, subordinados a todas as ações abióticas e bióticas de um ecossistema. Isso é brincar de “aprendiz-de-feiticeiro”, e a sociedade ainda não tem essa percepção.As discussões estão restritas às universidades, àsONGs e aos partido políticos, mas vai chegar à população. Esta é a nossa tarefa. Exemplo da coberturadeMata Ciliar, que nada maissãoquefaixas de vegetação sempre contínua, ora mais estreita, oramaislarga,que criam condições favoráveis para a sobrevivência de populações de espécies de animaissilvestrese depeixes,ajudando a manter a qualidadedaágua. 0905/06 / 2006
  • 3. O objetivo do programa é a redução de resíduos gerados, tendo como estratégia a convocação e treinamento de toda a sociedade para que, com isso,haja a mudança de atitude,hábitos de consumo,combate ao desperdício, incentivo de reutilização, reaproveitamento dos materiais potencialmente recicláveis por meio da reciclagem e da eliminação dos lixões. Aborda também, aspectos fundamentais como coleta, transporte e destinação final dos resíduos sólidos urbanos e aqueles ligados diretamente ao saneamento ambiental. Todas essas informações estão contidas no Kit Resíduos, que apresenta 14 volumes (plástico, papel, vidro, metal, orgânico, lixo hospilar, agrotóxicos, pneu, pilhas e baterias, construção civil, embalagens longa-vida, óleo lubrificante, lâmpadas e coleta seletiva), sendo uma excelente fonte de pesquisa e informação para os cidadãos. (fonte: Anuário Desperdício Zero, 2005, SEMA) programa Desperdício Zero Coleção de livros didáticos escritos porCheida,adotadosporescolasde todo país. Na outra página, foto de quando foiprefeitodeLondrina,noperíodo de 1993 a 1996; abaixo, durante a entrevista que concedeu à Revista Qualitá Socioambiental. Quais, então, são as suas metas para o meio ambiente? Sou médico e professor de biologia, e optei pela prática direcionada ao meio ambiente. Ou seja, tenho uma visão socioambiental. Tenho minhas concepções muito claras, e acho que é impossível um equilíbrio ambiental convivendo com a miséria, com o desemprego, com o baixo salário.A riqueza excessiva é integrada tanto quanto a miséria, pois o fazendeiro que desmata o sul do Pará para criar boi e capim colabora para o desequilibro ambiental tan- to quanto o pobre miserável, que chega a desmatar matas ciliares para vender carvão, porque não tem capital sequer para fazer sua roça de feijão.Exemplos como esses deixam claro que deve existir o equilíbrio ambiental com o social, e é esse enfoque que quero dar na luta ambiental.Também cito,preferencialmente, o saneamento ambiental, no qual a água, o esgoto, o controle de vetores dos resíduos sólidos, das drenagens e erosões, vão ser atônica, e acho que o país necessita de investimentos nesta área, mas sem perder a noção de que a questão ambiental é, antes de tudo, uma questão social. Se essas são metas para o Brasil,o senhor acha que é necessário partir para novas tecnologias ou se deve investir em conscientização? (silêncio) Lembro-me de que, quando era pequeno, aprendi a nadar e a pescar em um córrego.Tinha uma relação muito íntima com os córregos da minha cida- de.Apesar disso,não houve uma preservação,porque o capital teve uma força muito maior,chegou e trans- formou tudo.Acredito que os maiores problemas que temos com a água são o desperdício e a poluição. No campo, esses dois fatores são observados pelo consumo excessivo de agrotóxico, assoreamento, redução da produção de água pelo desmatamento. Na cidade, pela ocupação desordenada dos rios, a falta de planejamento, e também pela quantidade de efluentes industriais, domésticos e hospitalares. Mas há uma verdadeira corrida pra que se possa reverter essa situação.Qual dos dois vai chegar primeiro,nós não sabemos. Eu estou otimista, espero que a cons- ciência ambiental chegue primeiro. Se a consciência ambiental é importante, como democratizá-la? Chamando para o centro da discussão três fatores fundamentais: os usuários das águas, a população e o governo, nas suas três esferas (municipal, estadual e federal). As bacias hidrográficas são passíveis de serem gerenciadas de modo adequado, o problema é que as pessoas não se identificam com elas. Se você perguntar a uma criança que joga um papel de bala no chão, em qual rio o papel vai parar (porque sempre pára em um rio) ela não saberia responder.É fundamental que as pessoas saibam que,no lugar onde elas moram,há um endereço hidrográfico e,assim,se familiarizem com seus rios. Há um verdadeiro para- 10 2006 / 05/06
  • 4. “Acredito que os maiores problemas que temos com a água é o desperdício e a poluição. No campo, esses dois fatores são observados pelo consumo excessivo de agrotóxico, assoreamento, redução da produção de água pelo desmatamento. Na cidade, pela ocupação desordenada dos rios, a falta de planejamento, e também pela quantidade de efluentes industriais, domésticos e hospitalares.” doxo. Nunca se falou tanto em conservar o meio ambiente assim como nunca se devastou tanto.O capital se apropriou das bandeiras ecológicas e ambientais e,de forma cínica,vende a idéia de que“bonito é ser moderno, feio é ser natural”.E há uma verdadeira disputa ideológica. Afinal,o capital se aproxima da natureza como mercadoria. Eu acho que se identificar o ser humano com o natural, o aproximar do rio, perto de onde ele mora, de onde bebe a sua água, ele vai passar a proteger mais do que um outro que apenas sabe que ali passa um córrego. Já que“bonito é ser moderno,feio é ser natural”,como explicar o consumo excessivo de agrotóxicos? Só no Paraná, despeja-se no ambiente 40 mil toneladas de agrotóxicos por ano, fora aqueles que entram clandestinamente, dos quais não temos controle. Isso dá a espantosa cifra de 66kg por minuto de contaminação! Somos os campeões na produção de grãos, mas também campeões no câncer de fígado e de pâncreas, e talvez não seja mera coincidência. Para reverter esse quadro, estamos investindo na merenda escolar orgânica. Estamos tentando fazer com que o governo compre produtos orgânicos certificados para a merenda escolar.O governo compra 1 milhão e 300 mil refeições por dia.Então,que compre produtos orgânicos,assim ampliando esse mercado e reduzindo o número de agrotóxicos. Com isso, ajuda a promover uma saúde melhor para nossas crianças. Em entrevista a uma emissora de televisão,você disse: “O piloto sumiu! Como diz o arquiteto americano Buckminster Fuller:‘O fato mais importante a respeito da EspaçonaveTerra:ela não vem com manual de instruções’. Sábias palavras.” Como explicaria isso aos nossos leitores? Como você achou isso? (risos) Falei,é verdade.Bem,raciocinado,estamos “soltos” no universo. O planeta não está preso a nada, não há nenhum cordão umbilical que o una a outro mundo. Estamos sozinhos. Portanto, não temos que tirar recursos de nenhum outro lugar. O planeta é a es- paçonave, só que ela não vem com o manual de instruções. Como ainda mal sabemos operá-la, é preciso muito cuidado para que não apertemos nenhum botão errado. Promover a extinção é, com certeza, apertar um botão errado.Porque nenhuma espécie jamais prosperou na sua estratégia de sobrevivência competindo de modo desenfreado com outras espécies. A espécie humana ainda não desapareceu porque ainda é muito recente. Mas temos,em nosso passado,presente e futuro,o poder de decidir se uma floresta tomba ou permanece em pé. A responsabilidade é muito grande e, se nós a temos, a responsabilidade sobre a EspaçonaveTerra também é nossa. Achei essa frase interessante porque ela realmente nos faz pensar como: “cuidado, esse botão (forma de agir) pode ser perigoso”. Mas, do mesmo modo que pode representar o perigo,também pode,através pelo cuidado, ser uma oportunidade. Basta querer. 1105/06 / 2006
  • 5. A pacata cidade de Almirante Tamandaré,a 15 km da capital paranaense, esconde riquezas sob suas terras. Com 82% de sua geografia está sobre o Aqüífe- ro Karst, no caso da cidade, o aqüífero é formado por composições calcáreas em forma de cavernas,da qual algumas regiões estes depósitos está entre 2m e 23cm da superfície; ocorrendo ainda nascente dos rios Barigui,Passaúna,Atuba os quais fazem divisa com o município de Curitiba. O município, com população de 110.000 pessoas e fundado em 1947,pos- sui habitantes muito mais velhos de que a própria cidade, bem como um número grande de crianças.Para conscientizá-las de que o município é guardião de tal riqueza,a pedido do prefeitoVilson Rogério Goinski, atualmente no seu primeiro mandato,me- diante uma parceria com a Secretaria Mu- nicipal de Educação,capacitaram profissio- nais para realizarem palestras educacionais voltadas a este assunto. E vão mais além: há o ensino de separação dos resíduos sólidos, volumes que se forem separados corretamente, reduzem a utilização de recursos naturais (como água e petróleo) para a produção de energia.Também para incentivar os pequenos a não deixarem de freqüentar a escola, foram entregues aos 13 mil alunos da rede pública,no início de 2006, o uniforme escolar - que inclui uma calça,uma jaqueta,duas camisetas - e,ainda, uma mochila com todo o material escolar (apontador, borracha, cola, tesoura, régua, lápis e cadernos),além de um par de tênis. Essa ação faz parte do programa social do município chamado“Criança na Escola”.“A educação é prioridade da atual adminis- tração e com esta ação estamos propor- cionando uma condição de igualdade para todas as crianças da cidade, que muitas vezes não têm condições de freqüentar a escola, quer por falta de material escolar ou uniforme”, afirmou o prefeito. Já as Secretarias de Meio Am- biente e Turismo desenvolvem a limpeza de rios, retirada de lixo depositados em Incentivo para estudarFOTOS PREFEITURA DE ALMIRANTE TAMANDARÉ Treze mil crianças receberam, no início do ano, material e uniforme escolar, um kit de higiene bucal, além de um par de tênis. Essa ação faz parte do programa “Criança na Escola”, quetemcomoobjetivo motivareincentivaras criançasdomunicípioa freqüentarem escola. exemplo gestão pública 12 2006 / 05/06 AlmiranteTamandaré-PR