Psicologia na 3ª idade

412 visualizações

Publicada em

Sessão sobre psicologia dirigida a profissionais de saúde de Unidade de Cuidados Continuados Integrados.

Publicada em: Saúde
1 comentário
4 gostaram
Estatísticas
Notas
Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
412
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
6
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
0
Comentários
1
Gostaram
4
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Psicologia na 3ª idade

  1. 1. Psicologia na 3ª Idade Unidade de Cuidados Continuados Integrados da Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo
  2. 2. Índice I. O envelhecimento humano e as bases neurológicas deste processo. II. O processamento cognitivo na 3ª idade. Bases neurocognitivas. Envelhecimento ativo ao nível cognitivo. III. Alterações emocionais na 3ª idade. Alterações emocionais. Envelhecimento adaptativo ao nível emocional. IV. Relações sociais na 3ª idade. Alterações sociais. Envelhecimento positivo ao nível social. V. Conclusão VI. Bibliografia
  3. 3. O processo de envelhecimento
  4. 4. Envelhecimento Redução do fluxo sanguíneo e do funcionamento metabólico. Dimensão das regiões cerebrais, integridade estrutural e ativação cerebral. Alterações das funções executivas e do processamento emocional.  O envelhecimento traduz-se por um declínio progressivo do funcionamento global do indivíduo. Decréscimo fisiológico Alterações neurológicas Processos cognitivos e emocionais
  5. 5.  Estudos neurológicos revelam que, na maioria das áreas cerebrais, a responsividade se encontra relacionada com o desempenho cognitivo.  A relação positiva entre estes fatores é observada:  no lobo frontal;  no lobo parietal;  no lobo temporal medial;  e no giro cingulado.  O lobo frontal é capaz de integrar funções de outras áreas cerebrais quando estas não respondem de forma adequada.  Estudos recentes sugerem que para desempenhar estas funções, o lobo frontal sofre uma hiperativação que pode comprometer a velocidade de processamento da informação.  O córtex frontal é também, por sua vez, a primeira área cerebral a sofrer os efeitos do processo de envelhecimento.  Os défices na ativação de áreas cerebrais são frequentemente atribuídos ao decréscimo de suporte dopaminérgico, e destes surgem as marcas do envelhecimento. Bases neurológicas Lobo frontal Lobo parietal Lobo temporal Lobo occipital
  6. 6. O processamento cognitivo na 3ª idade
  7. 7.  As funções cognitivas mais afetadas pelo processo de envelhecimento são as executivas, funções que permitem a organização da informação e o planeamento de ações para a satisfação de objetivos.  As funções executivas mais associadas ao processo de envelhecimento são a atenção, o controlo inibitório e a memória.  A atenção é a capacidade de selecionar o foco de informação relevante (atenção seletiva) e de manter este foco para desempenhar tarefas (manutenção). Alterações neurológicas:  baixa ativação temporal medial;  e alterações na ativação frontal. Alterações cognitivas:  limitações na memória de procura;  erros nas estimativas processo-dissociação;  e decréscimo da recordação verídica. Bases neurocognitivas
  8. 8. Tarefa de Atenção Seletiva http://www.youtube.com/watch?v=oSQJP40PcGI
  9. 9.  O controlo inibitório é a capacidade de interromper um processo e iniciar um diferente. Alterações neurológicas:  alterações no controlo pré-frontal. Alterações cognitivas:  défices na filtragem da informação;  dificuldades na eliminação de informação irrelevante;  e dificuldades de restrição de tendências.  A velocidade de processamento consiste no tempo de resposta do sujeito no desempenho de tarefas, e apesar de não ser uma função executiva relaciona-se diretamente com o desempenho destas, nomeadamente o controlo inibitório. Alterações neurológicas:  défices localizados na matéria branca. Alterações cognitivas:  problemas ao nível da transmissão da informação. Bases neurocognitivas Tálamo Fenda inter-hemisférica Cerebelo Ponte Bulbo Matéria brancaCórtex cerebral
  10. 10. Teste de Stroop Azul Laranja Verde Vermelho Verde Laranja Vermelho Azul XXXX XXXX XXXX XXXX XXXX XXXX XXXX XXXX Laranja Azul Laranja Verde Vermelho Verde Azul Laranja Leia as seguintes palavras: Identifique as seguintes cores apresentadas: Identifique a cor das palavras apresentadas:
  11. 11.  A memória de trabalho é um sistema de armazenamento que mantém a informação ativa para utilização imediata no desenvolvimento de tarefas. Alterações neurológicas:  aumentada ativação pré-frontal em tarefas simples;  hiperativação pré-frontal dorsolateral em tarefas complexas. Alterações cognitivas:  diferenças mínimas no desempenho.  A memória episódica, declarativa e de longo termo, utiliza outras áreas cerebrais para armazenar informação autobiográfica, dependendo da memória de trabalho para a recuperar e manter ativa. Alterações neurológicas:  fraca ativação temporal medial;  baixa ativação pré-frontal inferior;  aumentada ativação nas restantes áreas pré-frontais. Alterações cognitivas:  défices ao nível das associações;  défices na codificação semântica. Bases neurocognitivas
  12. 12. Bases neurocognitivas  Os problemas de memória associados ao envelhecimento podem também ser explicados pelas alterações no controlo da inibição e da atenção, em adição ou oposição ao declínio natural das funções mnésicas.  Pela interação dos fatores enumerados, o aumento da idade traduz uma relação particular com as recordações: recordação falsa; recordação verídica. Tarefa de Memória - Evocação  Quais eram as cores referidas no Teste de Stroop? Azul Verde Laranja Vermelho
  13. 13. Envelhecimento cognitivo ativo  O cérebro encontra-se sujeito aos efeitos do envelhecimento, contudo desempenha um papel proativo neste processo.  Caraterísticas como a responsividade e flexibilidade conferem a esta instância o desenvolvimento funcional e reorganização estrutural, independentemente da idade.  Autores defendem de forma geral, que a estimulação cognitiva ao longo de toda a vida se relaciona de forma negativa com o processo de envelhecimento, potenciando assim o retardamento ou reversão de eventuais condicionantes.  Estudos recentes revelam as intervenções com impacto nos efeitos cognitivos do envelhecimento.  Treino cognitivo estratégico:  direcionado para áreas específicas;  mediado pela gestão de objetivos;  com efeitos significativos e duradouros;  e com limitações ao nível da transferência.
  14. 14. Envelhecimento cognitivo ativo  Intervenções multimodais:  mais abrangentes e complexas – intervenção psicossocial;  com alterações a um nível mais profundo;  com efeitos menos significativos e duradouros;  contudo, apresentando maior efeito de transferência.  Treino cardiovascular (exercício aeróbico):  potencia a neurogénese e a angiogénese cerebrais;  aumenta o desempenho cognitivo, nomeadamente em funções executivas, tempo de reação e aprendizagem motora;  promove efeitos significativos, duradouros e facilitadores da transferência;  contudo, é condicionada em sujeitos com limitações físicas.  Treino de processos cognitivos:  exercita processos cognitivos específicos;  utiliza diversas estratégias para o mesmo objetivo;  decorre em efeitos significativos e duradouros, incluindo a transferência;  contudo, apresenta limitações na seleção de tarefas.
  15. 15. Envelhecimento cognitivo ativo  Estudos recentes valorizam a integração de diferentes treinos, nomeadamente o treino cardiovascular com os treinos de processos cognititvos ou multimodal.  Estratégias que assentam fundamentalmente nas capacidades e processos cognitivos, por vias diversificadas, potenciam mais o desenvolvimento dos sujeitos em idades mais avançadas.  Assim, os benefícios da repetição do estímulo que promovem a automatização de instruções em idades mais jovens refletem efeitos contrários com o aumento da idade.  O aumento do desempenho cognitivo pelo aumento da diversidade de estímulos, contextos e tarefas, pode ser explicado:  pelo aumento da abrangência das áreas cerebrais recrutadas;  pela facilitação da compensação de funções quando a resposta das estruturas recrutadas é disfuncional ou insuficiente.
  16. 16. As alterações emocionais na 3ª idade
  17. 17. Alterações emocionais  O envelhecimento envolve transformações diversas, que naturalmente afetam o estado emocional do sujeito:  sofrimento e limitações ao nível físico;  stress psicológico;  perda de pessoas significativas;  restrição das redes sociais;  e aumento da situação de dependência.  As alterações emocionais são influenciadas por fatores como:  acontecimentos de vida;  reações emocionais em eventos significativos;  e padrões de humor.  Apesar das crenças generalizadas de solidão, desesperança e tristeza no envelhecimento, estudos recentes revelam que estas não retratam a realidade.
  18. 18. Alterações emocionais  Ao longo da última década verifica-se um ajustamento emocional positivo, prevalente entre a população idosa e promotor da qualidade de vida.  Este ajustamento emocional pode ser explicado por um efeito de positivismo – positivity effect – caraterístico de idades mais avançadas, que implica: sensibilidade a emoções positivas; sensibilidade a emoções negativas.  Contudo, a implementação de objetivos de controlo emocional requere capacidades de controlo cognitivo, como:  a atenção seletiva;  a manutenção da atenção;  e a supressão de pensamentos indesejados.  O efeito de positivismo é verificado sob diversos domínios:  atenção;  tomada de decisão;  memória;  antecipação;  exposição;  e codificação de estímulos emocionais.
  19. 19. Alterações emocionais  Experiências emocionais relacionam-se com indicadores de saúde, como a resposta imunitária ou a pressão sanguínea.  Os padrões de reatividade emocional diferem com o aumento da idade em função da relevância dos estímulos, em que sujeitos mais velhos tendem a: sentimentos subjetivos; experiências emocionais subjetivas.  Este padrão decorre em maior confiança e controlo das emoções, conferindo capacidades para:  o evitamento de situações emocionalmente desafiantes;  e a diminuição do impacto emocional por vias adaptativas.  Assim, podem ser explicados os decréscimos nos níveis de afeto negativo e ansiedade, bem como na taxa de perturbação depressiva major, verificados com o aumento da idade.  O equilíbrio emocional tende a um desvio perto dos 60 anos, contudo é verificada uma manutenção positiva ao longo da 3ª idade.
  20. 20. Envelhecimento emocional adaptativo  O envelhecimento emocional adaptativo é promovido pelo desenvolvimento de competências e aumento da motivação ao nível do controlo emocional.  Também é defendido que o efeito de positividade opera na regulação emocional, em que os objetivos que visam a promoção do bem-estar emocional convergem na adoção de um foco mais centrado nas informações positivas. Padrões emocionais adaptativos Alterações no processamento de estímulos emocionais Aumento da motivação emocional Aumento da competência emocional
  21. 21. Envelhecimento emocional adaptativo  O comprometimento de funções cognitivas, nomeadamente executivas, pode limitar o efeito de positividade e a capacidade de atingir objetivos emocionais.  Diversos estudos relatam relações entre um baixo desempenho cognitivo e um aumento da sintomatologia depressiva.  É corroborado de forma geral que o bem-estar emocional é promovido pela idade e experiência, traduzindo um controlo que reflete uma relação particular: predição de eventos; redução da labilidade emocional.  A importância atribuída a objetivos relacionados com as emoções tem uma evolução paralela com a idade, de tal forma que os pensamentos e comportamentos envolvidos promovem naturalmente o bem-estar.
  22. 22. Relações interpessoais na 3ª idade
  23. 23. Alterações sociais  Parece evidente que a rede social tende a uma relação inversa com a idade, frequentemente voluntária e explicada por perdas de diversa natureza:  decréscimo dos papéis sociais;  falecimento de familiares e amigos;  e aumento das limitações funcionais.  Apesar dos padrões distintos de relacionamento social entre diferentes idades, a necessidade de envolvimento social ou as consequências negativas do isolamento não sofrem alterações.  Em compensação, sujeitos de mais idade desenvolvem atividades com maior significado pessoal e emocional.  As relações interpessoais afetam de forma recíproca as experiências emocionais, e assim moldam a rede social dos sujeitos.
  24. 24.  O bem-estar emocional depende, em grande parte, das redes sociais estabelecidas que envolvem as componentes:  estrutural – quantificação e qualificação da rede de suporte social;  funcional – perceção do apoio recebido.  A consistência da rede social depende do significado emocional e positivismo nas relações interpessoais estabelecidas, originando assim padrões distintos em função da idade: Alterações sociais amigos família Idade Tipo de rede social
  25. 25. Envelhecimento social positivo  Estudos sustentam que uma forte rede social aumenta o bem-estar emocional e pode, inclusivamente, ter efeitos positivos na saúde pela redução dos riscos de morbilidade e mortalidade.  Também o funcionamento cognitivo se encontra associado com as relações interpessoais estabelecidas:  O apoio social relaciona-se tanto com a prevenção de declínio como com a reabilitação do funcionamento cognitivo, quando o nível funcional da rede de suporte é satisfatório. redes sociais fortes aumetada atividade social menor declínio cognitivo
  26. 26. Envelhecimento social positivo  Sujeitos com redes sociais mais consistentes experimentam maior bem-estar emocional, tanto no seu quotidiano como perante eventos stressores.  A consistência da rede social e o foco emocional promovem:  a redução de conflitos sociais;  e a resolução eficaz de problemas interpessoais.  Em adição, idosos ativos na prestação de suporte social manifestam: emoções positivas; e satisfação com a vida; emoções negativas; e mortalidade.  Neste sentido, sujeitos que vivem a vida com um objetivo mais abrangente aderem com maior facilidade a um sistema de valores que se adequa com a realidade social mais ampla, e que convergem em maior equilíbrio emocional.
  27. 27. Conclusão
  28. 28. Conclusão  A compreensão do processo de envelhecimento ao nível cognitivo facilita a identificação de sinais e sintomas caraterísticos:  recordações distorcidas;  falhas de memória;  erros atencionais;  dificuldades em alternar tarfas;  dificuldade em aprender por repetição;  e dificuldade em compreender tarefas complexas.  A prevenção e intervenção cognitiva são tão fundamentais como a sensibilidade requerida para as dificuldades sentidas pelos idosos no desempenho de tarefas.  A diversidade potencia a resistência cognitiva ao processo de envelhecimento e a recuperação funções perdidas ou condicionadas.  As funções executivas mais afetadas pelo envelhecimento são as que devem servir de base à prevenção e intervenção.
  29. 29. Conclusão  O desenvolvimento cognitivo pode ser aplicado a todas as faixas etárias.  O bem-estar emocional relaciona-se diretamente com o desempenho cognitivo, na medida em que depende de funções executivas.  A alteração do foco emocional é adquirida pela experiência e permite a integração de uma perspetiva mais positivista que confere maior resistência.  A compreensão do processo de envelhecimento ao nível emocional facilita a identificação:  da postura passiva caraterística dos idosos;  da prevalência de interpretações e memórias positivas;  e do aumento do controlo emocional.  A qualidade das relações sociais, diretamente relacionada com as experiências emocionais positivas, não sofre alterações com a idade e depende do balanço entre a quantidade e consistência das relações interpessoais da rede de suporte.  A rede social potencia o desenvolvimento cognitivo e a estabilidade emocional dos sujeitos.
  30. 30. Conclusão  As alterações sociais dependentes da idade assentam na tipologia e tamanho das redes sociais estabelecidas.  A compreensão do processo de envelhecimento ao nível social facilita o reconhecimento:  da necessidade de suporte social da família para os idosos;  da restrição da rede social com o aumento da idade;  e da necessidade dos idosos se sentirem socialmente ativos e úteis.  A psicologia na terceira idade assenta na promoção do bem-estar e equilíbrio funcional, através da potenciação da tríade que envolve as cognições, as emoções e o suporte social.  O apoio psicológico permite a transmissão de técnicas e estratégias para lidar de forma adaptativa com o processo envelhecimento.  Apesar de ser fundamental a promoção do bem-estar físico e psíquico na 3ª idade, o envelhecimento é um processo contínuo que requere uma consciência constante para a prevenção dos seus efeitos.
  31. 31. Bibliografia
  32. 32. Bibliografia  Band, G. P. H., Ridderinkhof, K. R., & Segalowitz, S. (2002). Explaining neurocognitive aging: Is one factor enough? Brain and Cognition, 49(3), 259-267. doi: 10.1006/brcg.2001.1499  Carstensen, L. L., & Scheibe, S. (2010). Emotional aging: Recent findings and future trends. The Journals of Gerontology, 65B (2), 135-144. doi: 10.1093/geronb/gbp132  Charles, S. T., & Carstensen, L. L. (2010) Social and emotional aging. Vol. 61 (pp. 383-409).  Eyler, L. T., Sherzai, A., Kaup, A. R., & Jeste, D. V. (2011). A review of functional brain imaging correlates of successful cognitive aging. Biological Psychiatry, 70(2), 115-122. doi: 10.1016/j.biopsych.2010.12.032  Lustig, C., Shah, P., Seidler, R., & Reuter-Lorenz, P. A. (2009). Aging, training, and the brain: A review and future directions. Neuropsychology Review, 19(4), 504-522.  McCabe, D. P., Roediger Iil, H. L., McDaniel, M. A., & Balota, D. A. (2009). Aging reduces veridical remembering but increases false remembering: Neuropsychological test correlates of remember–know judgments. Neuropsychologia, 47(11), 2164-2173. doi: 10.1016/j.neuropsychologia.2008.11.025  Raz, N. (2009). Decline and compensation in aging brain and cognition: Promises and constraints. Neuropsychology Review, 19(4), 411-414.  Reuter-Lorenz, P. A., & Park, D. C. (2010). Human neuroscience and the aging mind: A new look at old problems. The Journals of Gerontology, 65B(4), 405-415. doi: 10.1093/geronb/gbq035  Rush, B. K., Barch, D. M., & Braver, T. S. (2006). Accounting for cognitive aging: Context processing, inhibition or processing speed? Aging, Neuropsychology, and Cognition, 13(3-4), 588-610. doi: 10.1080/13825580600680703

×