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O Homem da Multidão: discussões sobre sociologia e comunicação no conto de Edgar Allan Poe

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Artigo apresentado nos Encontros Universitários 2012 da Universidade Federal do Ceará- Campus Cariri

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O Homem da Multidão: discussões sobre sociologia e comunicação no conto de Edgar Allan Poe

  1. 1. Universidade Federal do Ceará - Campus CaririIV Encontro Universitário da UFC no CaririJuazeiro do Norte-CE, 17 a 19 de Dezembro de 2012O HOMEM DA MULTIDÃO: DISCUSSÕES SOBRE SOCIOLOGIA ECOMUNICAÇÃO NO CONTO DE EDGAR ALLAN POEFrancisca Raquel Queiroz Alves Rocha1Tiago Coutinho Parente2Francisco das Chagas Alexandre Nunes de Sousa31. Introdução:O presente estudo é um trabalho realizado como fruto das investigações e discussõesdas reuniões do Grupo de Estudo de Sociologia e Teoria da Comunicação I, do qual faço partecomo bolsista do Programa de Iniciação à Docência (PIB).O objetivo é demonstrar algumas indagações que giram em torno da Sociologia (asociedade, o fato social/relações sociais, o agir coletivo) e da Teoria da Comunicação (ohomem/sociedade/psicologia de massa) existentes no conto de Edgar Allan Poe, O Homem daMultidão.Por meio deste conto, pode-se investigar, problematizar e avaliar o ser humano, nostermos acima citados a partir de sua relação de pertença dos grupos sociais. Analisaremoscomo ocorre essa interação humana, o que se busca conseguir com a inserção grupal e o quese perde nesse processo em que o indivíduo fará de tudo para compor um grupo social, quevenha a atender a suas necessidades.2. Metodologia/Resultados:Esta pesquisa, de caráter bibliográfica e teórica, faz uma análise do conto citado apartir da seleção de livros, artigos e resenhas pesquisados ao longo da monitoria. A partirdeste suporte teórico, lança-se proposições e questionamentos de como é possível perceberanálises sociológicas e comunicações na ficção de Edgar Allan Poe.Vale ressaltar que Poe foi um dos representantes do Movimento Romântico nos EUA,responsável por inaugurar um gênero conhecido como romance policial através da obraintitulada de Os Crimes da Rua Morgue. Imortalizou o seu nome no cenário da LiteraturaUniversal com a publicação do poema O Corvo e trabalhou em grandes jornais e revistas.O conto O Homem da Multidão, escrito em 1840, cujo título original é The man of thecrowd, foi publicado pela primeira vez, em Boston, no jornal americano Saturday Evening. Ahistória se passa numa tarde de outubro em Londres, quando um senhor, que fora tratar de suaenfermidade, deixa de atentar as notícias de um jornal e passa a observar a rua e as pessoas1Graduando do Curso de Comunicação Social e Monitora da Disciplinas de Sociologia e Teoria daComunicação I– Universidade Federal do Ceará– Juazeiro do Norte–CE.franciscaraquel29@hotmail.com2Mestre em Socilogia pela Universidade Federal do Ceará- UFCUniversidade Federal do Ceará– Juazeiro do Norte–CE.tiagocoutinho@cariri.ufc.br3Mestre em Políticas Públicas pela Universidade Estadual do Ceará- UECEUniversidade Federal do Ceará– Juazeiro do Norte–CE.alexandrenunes@cariri.ufc.br
  2. 2. Universidade Federal do Ceará - Campus CaririIV Encontro Universitário da UFC no CaririJuazeiro do Norte-CE, 17 a 19 de Dezembro de 2012que lá transitam. Foca-se no que acontece fora de seu campo de vista (o Café D) e volta seuolhar para os diferentes tipos humanos, como se fosse transportado à outra realidade, como seestivesse vendo um filme, passando a contemplar a cena exterior.Percebe e identifica, então, pequenos detalhes físicos, postura, modos de falar,vestimentas, a variedade existente entre aqueles transeuntes de classes sociais e tipos deprofissão diferentes da dele. Observa detalhes que ajudam a construir certas particularidadesinerentes àquelas diferentes pessoas que se cruzavam na rua, pessoas que se destacavam damultidão, o que revela o olhar de um homem sob os diferentes aspectos da sociedade.Dentre aquelas pessoas, um velho se sobressai da maioria. Trazia em si, um ar demistério capaz de despertar a curiosidade do observador, pois não conseguia identificar a quegrupo social o idoso pertencia. O narrador passa a segui–lo. O homem estranho repete omesmo trajeto várias vezes, tentando encontrar um lugar ou um grupo ao qual pertença, masnão consegue. Ao final, o narrador conclui:“Este velho”, disse comigo, por fim, é o tipo e o gênio do crime profundo.Recusa-se a estar só. É o homem da multidão. Será escusado a segui-lo: nadamais saberei a seu respeito ou a respeito dos seus atos. O mais cruel coraçãodo mundo é o livro mais grosso que o Hortulus animae, e talvez seja umadas mercês de Deus que “es lässt sich nich lesn”. (POE, 2008, p. 267)O conto aborda assuntos discutidos na disciplina de Sociologia. A coletividade rege anossa vida social e a interação da sociedade dá origem à vida material. O narrador do contoobserva a vida coletiva e isso se assemelha com a faceta do fato social, objeto de estudo dosociólogo Durkheim, definido como:As maneiras de fazer ou pensar, reconhecíveis pela particularidade de seremsusceptíveis de exercer uma influência coerciva sobre as consciênciasparticulares [...] Um pensamento comum a todas as consciências particularesou um movimento repetido por todos os indivíduos, não é por isso um fatosocial [...] O que os constitui são as crenças, as tendências, as práticas dogrupo tomada coletivamente. (DURKHEIM, 2001, p. 24 e 35)A partir dos estudos de Durkheim, a sociedade vem a ser além do que váriosindivíduos agrupados, pois as nossas ações e suas manifestações, sentimentos constituem oque de fato somos e consequentemente é o ingrediente chave do que chamamos de sociedade.No conto de Poe, motivados por diferentes razões, cada personagem quer ser inserido namultidão, quer ter um vínculo social. É importante destacar a questão das consciênciasexistentes nos grupos sociais:Possuímos duas consciências: uma é comum com todo o nosso grupo e [...]representa [...] a sociedade agindo e vivendo em nós. A outra [...] só nosrepresenta no que temos de pessoal e distinto, nisso que faz de nós indivíduo[...], o seu conjunto forma o ser social. E, na medida em que o indivíduoparticipa da vida social, supera a si mesmo (QUINTANEIRO, 2010, p. 76 e77).Todos os membros dos grupos são atraídos por algo em comum manifestado naquelamassa. Max Weber diz que muitas pessoas imitam ou são influenciadas/condicionadas aseguir certos padrões transmitidos por uma massa/multidão. Os estudos de Weber voltam-seao agir coletivo/relações sociais. A conduta dos indivíduos formam a relação social.(QUINTANERO, 2010, p. 117)Weber explica que existe tipos de dominações na vida coletiva, sendo elas, fatores dedefinição dos “conteúdos das relações sociais”. Logo, a dominação é instrumento de coesão,
  3. 3. Universidade Federal do Ceará - Campus CaririIV Encontro Universitário da UFC no CaririJuazeiro do Norte-CE, 17 a 19 de Dezembro de 2012importante na manutenção das relações entre os indivíduos, refletindo na própria sociedade.(QUINTANEIRO, 2010, p. 129 e 130).No conto, a dominação está presente na ideia do indivíduo ter a necessidade depertencer a um grupo social para ser reconhecido na sociedade, para fazer valer suasnecessidades. E cada grupo vai atrair de maneiras diferentes, aquele ser que anseia por fazerparte da sociedade.Por não se enquadrar nos padrões que identificavam os indivíduos através do olharatento do protagonista do conto, o velho torna-se um problema. O senhor apenas repetia osmesmos trajetos, tentando encontrar um lugar ou um grupo ao qual pertencesse, sempreprocurando nas grandes multidões.A postura do narrador e do velho se encaixa na definição de flâneur, e a rua é o palcodo grande espetáculo da vida social. O flâneur é uma espécie de andarilho com um olhar maisatento para as coisas e pessoas ao seu redor, dotado de uma maior sensibilidade no que dizrespeito a captação de coisas, pessoas, fatos que passavam despercebidos às pessoas comuns,mas que, de certa forma, parece ser realçadas e destacadas na visão do protagonista.Podemos comparar o escritor Poe como um flâneur, já que ele soube extrair de suasobservações cotidianas, vários aspectos inerentes em suas obras. O flâneur é o próprionarrador do conto quando desperta para atentar-se a clamante realidade ao seu redor. É opróprio velho que anda pelas ruas em busca de encontrar um grupo ao qual pertença ouapenas sentir parte de um todo já existente.Na definição de Baudelaire4, flâneur tem na multidão o seu universo.Para o perfeito flâneur, para o observador apaixonado, é um imenso júbilofixar residência no numeroso, no ondulante, no movimento, no fugido e noinfinito. Estar fora de casa, e contudo sentir–se em casa onde quer que seencontre; ver o mundo, estar no cento do mundo e permanecer oculto nomundo [...] Assim o apaixonado pela vida universal entra na multidão comose isso lhe aparecesse como um reservatório de eletricidade.(BAUDELAIRE, 1996, p. 18 e 22)A rua é o palco de grandes acontecimentos, por onde transita a multidão, os diversosgrupos e sub-grupos humanos. É o coração pulsante de todo flâneur que se preze, é a bússoladaqueles que observam a vida e as pessoas. Ela é o ponto de partida da jornada do velho embusca de se adequar em um grupo específico, enquanto o narrador apenas tenta decifrar oindecifrável: o ser humano, ou seja, vem a afirmar o final do conto es lässt sich nich lesn,ninguém pode ler e nem entender o ser humano, muito menos a multidão.Edgar Allan Poe antecipa discussões sobre a sociedade de massa, assunto abordadonas Teorias da Comunicação. Em decorrência das transformações oriundas com o processo daindustrialização, houve um grande deslocamento de pessoas para as grandes cidades quesurgiam. As relações entre as pessoas sofreram modificações, pois, com a aglomeração nascidades, ficou impossível as pessoas manterem um relacionamento mais íntimo, deconhecimento entre elas mesmas, ou seja, as relações sociais que existiam, também mudaramdrasticamente. O ser humano não tem tempo para estreitar laços sociais, não tem tempo nempara se conhecer melhor, muito menos ter tempo para se permitir conhecer os outros.Quando se fala em “Homem–Massa”, estamos nos referindo ao termo originado noséculo XIX, no qual “três princípios fizeram possível esse novo mundo: a democracia liberal,a experimentação científica e o industrialismo”. (ORTEGA Y GASSET, 2007, p.87)O filósofo espanhol Ortega Y Gasset entende a sociedade de massa semelhante à4Charles–Pierre Baudelaire foi um escritor francês, autor do livro As flores do Mal, publicado em 1857. Íconedo século XX, Baudelaire “influencia a poesia mundial” com a tendência Simbolista. Vale ressaltar que ele foitradutor da biografia e das obras de Edgar Allan Poe na França.
  4. 4. Universidade Federal do Ceará - Campus CaririIV Encontro Universitário da UFC no CaririJuazeiro do Norte-CE, 17 a 19 de Dezembro de 2012expansão das cidades. Seus moradores se aglomeram em multidões.O conceito de multidão é quantitativo e visual. Se o traduzimos para aterminologia sociológica, sem alterá-lo, encontraremos a ideia de massasocial. A sociedade é sempre uma unidade dinâmica de dois fatores:minorias e massas. As minorias são os indivíduos ou grupos de indivíduosespecialmente qualificados. A massa é o conjunto de pessoas nãoespecialmente qualificados. [...] A massa pode definir-se como fatorpsicológico, sem necessidade de esperar o aparecimento dos indivíduos emaglomeração. (ORTEGA Y GASSET, 2007, p. 44 e 45)Relacionando as discussões apontadas até agora, evidencia–se que o velho no conto dePoe é o retrato fiel do “homem–massa” e que segundo Oliveira (2003, p. 07):O homem das multidões de Poe era um homem–massa, incapaz de estar só,mas também incapaz de criar relacionamentos profundos. Sua únicaaspiração era ser aceito pelo grupo, mesmo que para isso precisassesacrificar sua identidade. Poe o abandona dizendo que nada adiantariacontinuar a segui–lo, pois tudo que se poderia saber dele já se sabe.3. ConclusãoCom este trabalho, as pessoas têm noção de algumas discussões que dizem respeitoaos campos da Sociologia e da Teoria da Comunicação, baseando–se no conto de Poe, Ohomem da Multidão.As passagens do conto servem para reafirmar as questões apontadas neste trabalho,nos instigando a refletir sobre o homem, o fato social, a multidão, a mente coletiva,individual, as relações sociais, os meios, ou seja, o papel de cada um na constituição dasociedade e de suas relações.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:BAUDELAIRE, Charles. Sobre a Modernidade. São Paulo, SP. Editora Paz e Terra, 1996.Biografia de Charles Baudelaire. Disponível emhttp://www.spectumgothic.com.br/literatura/autores/baudelaire.html. Acessado em 21 deoutubro de 2012.DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo, SP: Editora Martin ClaetLTDA, 2011.MENDES, Oscar (Org). Edgar Allan Poe– Ficção Completa, Poesias e Ensaios. Rio deJaneiro: Editora Nova Aguiar, 1997.MENEZES, Marco Antonio. O poeta Baudelaire e suas máscaras: boêmio, dândi e flâneur.Revista fato e Versões. Nº 1, vol. 1, p. 64–81, 2009. Disponível em:http://200.233.146.122:81/revistadigital/index.php/fatoeversoes/.../76/69. Acessado em 14 deoutubro de 2012.OLIVEIRA, Ivan Carlo Andrade de. Teorias da Comunicação. Virtual Books Online M e MEditores LTDA. Pará de Minas, MG, 2003. Disponível em
  5. 5. Universidade Federal do Ceará - Campus CaririIV Encontro Universitário da UFC no CaririJuazeiro do Norte-CE, 17 a 19 de Dezembro de 2012http://www.4shared.com/rar/8qavqbon/Ivan_Carlo_Andrade_de_Oliveira.html. Acessado em14 de outubro de 2012.ORTEGA Y GASSET, José. A Rebelião das Massas. Tradução: Marylene Pinto Michael, 3ªedição. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2009.POE, Edgar Allan. Histórias Extraordinárias. Seleção, apresentação e tradução: José PauloPaes. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2008.QUINTANEIRO, Tânia, Maria Lídia de Oliveira Barbosa e Márcia Gardênia Monteiro deOliveira. Um toque de clássicos. 2ª edição revista e atualizada. Belo Horizonte, MG: EditoraUFMG, 2010.

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