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MANEJO
DOS RESÍDUOS
DA PRODUÇÃO
LEITEIRA
FAZER O MANEJO DOS RESÍDUOS
é utilizar práticas e tecnologias que reduzem o impacto
ambiental da atividade leiteira e melhoram a eficiência
de uso dos recursos naturais e dos insumos.
O manejo dos resíduos deve ser parte das atividades
diárias da propriedade.O(a) produtor(a) que fizer
o correto manejo dos resíduos terá como vantagens:
OS PRODUTORES QUE REALIZAREM
o correto armazenamento e manejo,
bem como o reaproveitamento dos resíduos
da produção leiteira como fertilizantes, colherão
todas as vantagens ao lado mencionadas.
Maior conservação do meio ambiente,
Água e solo terão a qualidade necessária para serem
utilizados,
Cumprimento da legislação ambiental,
Diminuição do custo de produção, a partir do uso dos
resíduos como fertilizante,
Melhoria da condição de saúde da família uma vez que
ela estará vivendo em um ambiente mais saudável,
Melhoria do bem-estar dos animais por estarem em con-
dições produtivas com alto padrão sanitário,
Maior respeito e confiança da sociedade que se alimen-
tará de produtos advindos de uma produção que se
preocupa com o meio ambiente.
ESTRUTURA
DE ARMAZENAMENTO
DOS DEJETOS
ESSA ESTRUTURA
TEM A FUNÇÃO
de armazenar os dejetos
por um período de tempo
até o uso deles como ferti-
lizante. Cada região dá um
nome diferente para essa
estrutura, os mais comuns
são: esterqueira, chorumeira
ou lagoa. A esterqueira não
é considerada um sistema
de tratamento dos dejetos,
mas sim de armazenamento.
OS DEJETOS DA PRODUÇÃO DE LEITE
são a mistura de água, fezes, urina, restos
de ração, areia, barro e cama. Os dejetos são
produzidos diariamente durante a lavagem do
piso das instalações. A quantidade de dejeto
produzida diariamente por cada animal irá
depender do tipo de sistema de produção, da
forma de lavagem das instalações e da qua-
lidade da mão de obra. As águas de lavagem
da ordenhadeira, tanques de leite e os des-
cartes de leite também podem fazer
parte dos dejetos.
Tranquilidade por
saber que a proprie-
dade maneja de forma
correta os dejetos;
Flexibilidade no uso
dos dejetos como
fertilizante; você
determina o melhor
momento para aplicar;
Utilização mais
eficaz dos nutrien-
tes e da água
presentes nos
dejetos.
UMA ESTERQUEIRA BEM DIMENSIONADA
trará as seguintes vantagens para o produtor(a):
ETAPAS
PARA CONSTRUÇÃO
E DIMENSIONAMENTO
DA ESTERQUEIRA
PLANEJAMENTO
Contratar um profissional especializado no dimensio-
namento e na instalação de esterqueiras para dejetos
animais é fundamental. Deixe claro na primeira conversa
com o profissional quais são suas condições financeiras,
disponibilidade de mão de obra e como irá fazer a distri-
buição do dejeto nas áreas da propriedade.
Dicas para escolher o(a) profissional:
DIMENSIONAMENTO
A esterqueira deve ser dimensionada para armazenar
todo o dejeto produzido no período de 30 dias. Res-
peitando esse período, no mês do ano em que ocorre a
maior quantidade de chuva, e o solo está encharcado, o
dejeto não será aplicado no solo.
No dimensionamento da esterqueira o(a) produtor(a)
deve considerar as possíveis ampliações que podem
ocorrer no rebanho da propriedade. Se houver uma am-
pliação do número de animais e a esterqueira continuar
do mesmo tamanho, o risco ambiental será maior. O
ideal é dimensionar a esterqueira planejando o que vai
acontecer com o rebanho e com a estrutura da proprie-
dade nos próximos 5 anos. Propriedades que já pos-
suem a esterqueira devem avaliar seu tamanho, caso
não esteja de acordo com as orientações, ela deverá
ser redimensionada.
Se o profissional atende as características acima,
ele(a) poderá ajudá-lo!
Deve apresentar experiência em trabalhar
com produção leiteira e com manejo de resíduos.
Ter conhecimento das regras do Programa Nature
e da legislação ambiental do seu estado.
Ter experiência no dimensionamento e na instalação
de esterqueiras.
Se possível, busque referências de produtores
para quem ele(a) já trabalhou.
É importante o produtor consultar a agência ambiental do
seu estado para saber se existe alguma recomendação
sobre o tempo mínimo de armazenamento que a ester-
queira deve ter.
A esterqueira deve ser dimensionada usando
a seguinte fórmula:
Vest = Ta x Vres x Fator
Vest = Volume da esterqueira (m3
).
Ta = Tempo de armazenamento. O valor sugerido de Ta é de 30 dias
(lembrando que deve ser respeitada a recomendação da legislação
ambiental de cada estado, caso exista).
Vres = Volume total de dejetos produzidos por dia (m3
). O valor
desse volume pode ser calculado a partir da leitura de um hidrô-
metro instalado na sala de ordenha. Pelo hidrômetro devem passar
todas as águas que serão utilizadas na lavagem dos pisos, orde-
nhadeira e tanques. Quanto mais frequente a leitura do hidrômetro,
mais preciso o valor a ser considerado no cálculo da esterqueira.
Sugere-se no mínimo uma leitura mensal do hidrômetro, mas, se
possível, fazer leituras semanais. A leitura do hidrômetro deve ser
feita sempre no mesmo horário do dia.
Fator = O valor do Fator depende do tipo de sistema de desvio das
águas de chuva que existe na sala de ordenha.
Fator = 1,0. Nenhuma água da chuva vai para dentro da esterqueira.
A sala de ordenha possui calhas em todos os telhados e sistema de
drenagem para água da chuva que cai no piso.
Fator = 1,20. Parte da água da chuva vai para dentro da esterqueira.
A sala de ordenha possui calhas em todos os telhados, mas a chuva
que cai no piso vai para esterqueira.
Fator = 1,35. Todas as águas de chuva que caem nos
telhados e pisos da sala de ordenha vão para a esterqueira.
EXEMPLO DE DIMENSIONAMENTO DA ESTERQUEIRA
Vamos considerar uma propriedade leiteira localizada no estado de
Minas Gerais que tem 40 vacas em lactação. Os animais são orde-
nhados duas vezes por dia e a produção de dejetos por vaca é de
50 litros por dia. Antes de fazer a lavagem do piso da sala de orde-
nha é feita a raspagem para retirada dos estercos.
A fórmula de cálculo da esterqueira é:
Vest = Ta x Vres x Fator
Sabemos que Ta deve ser igual a 30. Nesta fazenda, o volume total
de dejeto produzido por dia será: 40 vacas em lactação x 50 litros
de dejetos por vaca = 2 mil litros ou 2 m3.
Como vimos, o Fator
depende do tipo de manejo das águas de chuva que a propriedade
tem. Vamos considerar as três possibilidades para ver como isso
influencia no tamanho da esterqueira.
Cálculo 1 _ a propriedade possui calhas em todos
os telhados e sistema de drenagem para
a água da chuva que cai no piso.
Volume da esterqueira (Vest) = 30 x 2 x 1,0 = 60 m3
Cálculo 2 _ a propriedade possui calhas em todos os telhados da
sala de ordenha, mas a chuva que cai no piso vai para a esterqueira.
Volume da esterqueira (Vest) = 30 x 2 x 1,20 = 72 m3
Cálculo 3 _ todas as águas de chuva que caem nos telhados e pisos
da sala de ordenha vão para a esterqueira.
Volume da esterqueira (Vest) = 30 x 2 x 1,35 = 81 m3
Fica claro que se na sala de ordenha não houver desvios da água da
chuva, a esterqueira terá que ser maior. Isso significa maior investi-
mento para construção da esterqueira e maior custo de manejo dos
dejetos, pois eles terão que ser retirados com mais frequência para
a esterqueira não transbordar.
CONSTRUÇÃO
OPERAÇÃO
A esterqueira deve ser escavada no solo. A largura e o compri-
mento dela irão depender da disponibilidade de área que o(a)
produtor(a) tem para fazer a estrutura. A profundidade deve ser
de 3 metros. Essa profundidade é importante para correta degra-
dação do dejeto.
A esterqueira deve ter fundo e paredes impermeabilizados. Isso é
importante para evitar a infiltração do dejeto no solo, o que pode
causar contaminação das águas subterrâneas. A impermeabiliza-
ção pode ser feita de alvenaria ou geomembrana (manta de liga
plástica, elástica e flexível. Os tipos de mantas mais comuns são
fabricados com polietileno de alta densidade – PEAD ou policlore-
to de vinila, o PVC). É importante o produtor consultar a agência
ambiental do seu estado para saber se existe alguma recomenda-
ção sobre o tipo de impermeabilização da esterqueira.
Para a condução por gravidade dos dejetos para esterqueira, os
canos ou canaletas devem ter declividade mínima de 2%.
É recomendável ter uma grade ou tela antes do dejeto entrar na
esterqueira para reter material grosseiro como cascalhos, pedras,
pedaços de plástico e borracha e galhos. Se estes materiais não
forem removidos, irão causar perda de volume de armazena-
mento, entupimento dos canos e desgaste de bombas. A grade
ou tela deve ser verificada diariamente para retirada do material
retido.
Se o dejeto for retirado com tanque, deve ser considerado o aces-
so do trator e um espaço de manobra na área da esterqueira.
A esterqueira deve estar a uma distância mínima de 25 metros da
sala de ordenha. É importante o produtor consultar a agência am-
biental do seu estado para saber se existe alguma recomendação
quanto à distância mínima da sala de ordenha.
Não devem existir pontos de vazamento de água na
sala de ordenha (boias de bebedouros quebradas,
torneiras pingando, canos furados etc.). Vazamentos
significam perda de água e maior volume de dejeto
produzido. Tudo isso significa maior despesa para o
produtor(a), pois a água tem um custo para ser cap-
tada e distribuída, e maior volume de dejeto significa
maior custo da aplicação no solo com menor poder
fertilizante.
Os pisos da sala de ordenha devem ser mantidos
em bom estado de conservação, sem rachaduras
e buracos.
É recomendável que as águas de chuva que caem
nos telhados da sala de ordenha e no piso não se-
jam direcionadas para a esterqueira. Se essas águas
forem para dentro da esterqueira, ela terá que ter
um volume maior, o que significa mais investimento
e custo de retirada do dejeto para ser utilizado como
fertilizante. Essas águas podem ser desviadas pela
instalação de calhas nos telhados ou por sistemas
de desvio manuais ou mecânicos.
Deve-se manter uma distância mínima de 0,3 metro de bordo livre
(distância entre o nível máximo do líquido e a borda da esterqueira) para
reduzir o risco de transbordamento.
A mangueira ou cano para retirada do dejeto deve ser colocada a uma
profundidade mínima de 1 metro e máxima de 2 metros para que no
momento da retirada não sejam revolvidos os sólidos do fundo.
Quando se faz a raspagem do piso da ordenha antes da lavagem, os
estercos devem ser armazenados em local seco, sem empoçamento
de água e com sistema de drenagem. Não devendo apresentar inclina-
ção maior do que 3%.
A área do entorno da esterqueira deve estar coberta por grama para
evitar a erosão. A grama deve ser cortada regularmente.
Manter dentro da esterqueira uma escada de corda ou qualquer
equipamento que permita alguém sair caso caia dentro.
Cercar a esterqueira para impedir o acesso de humanos e animais.
O ideal é cerca telada na altura de 1 metro para impedir a passagem
de crianças e animais silvestres de pequeno e médio porte.
IMPACTO QUE A ÁGUA DE CHUVA
PODE TER NO VOLUME DA ESTERQUEIRA
Nessa propriedade leiteira localizada no estado
de São Paulo a sala de ordenha possui calhas nos
telhados, mas a chuva que cai no piso do pátio (306
m2
) vai para a esterqueira. A tabela mostra a contri-
buição da água de chuva que escorre pelos ralos
da sala de ordenha para o volume da esterqueira.
O total de chuva no mês de janeiro representou
43% do volume total da esterqueira. Isso significa
mais viagens que o produtor terá que fazer com
o tanque distribuidor para evitar que a esterqueira
transborde, maior necessidade de mão de obra
e maior gasto com combustível.
JANEIRO
MÊS
CONTRIBUIÇÃO
DA ÁGUA DE CHUVA
QUE ESCORREU PELOS
RALOS DA SALA DE
ORDENHA NO VOLUME
DA ESTERQUEIRA
43%
FEVEREIRO 18%
MARÇO 21%
ABRIL 12%
MAIO 19%
JUNHO 7%
JULHO 0,2%
AGOSTO 5%
SETEMBRO 5%
OUTUBRO 17%
NOVEMBRO 28%
DEZEMBRO 32%
USO DOS DEJETOS
COMO FERTILIZANTE
O USO DOS DEJETOS
como fertilizante é a melhor
forma do(a) produtor(a)
aproveitar a água e os
nutrientes dos dejetos.
A correta aplicação dos
dejetos como fertilizante
é feita respeitando o conceito
de Balanço de Nutrientes.
O QUE CONSIDERAR NO
USO DOS RESÍDUOS ORGÂNICOS
O uso dos dejetos como fertilizante pode ter impactos
positivos na produtividade das culturas vegetais e na
melhoria da estrutura e da fertilidade dos solos. Também
pode significar menor gasto com a compra de fertilizan-
tes químicos.
A distribuição dos nutrientes em um sistema a pasto
ocorre de duas formas:
Cada solo possui características químicas, físicas e bio-
lógicas específicas e que devem ser de conhecimento
do(a) produtor(a) para fazer a aplicação dos dejetos
como fertilizante.
Distribuição feita pelo produtor – ocorre pela aplicação
de fertilizantes químicos e orgânicos nas áreas agrícolas
e de pastejo.
Distribuição pelos animais – ocorre durante o desloca-
mento dos animais pelas áreas de pastejo (fezes e urina).
Essa forma de distribuição irá depender: do tipo de siste-
ma de pastejo, do tamanho do piquete, da localização
de comedouros e bebedouros e das áreas de sombra.
RECOMENDAÇÕES
PARA O CORRETO USO DOS RESÍDUOS
COMO FERTILIZANTE
DEVE-SE COLETAR UMA AMOSTRA
composta de solo por ano (camada 0-10 centímetros) por área
de forragem que recebeu adubação (considera-se como área de
forragem aquela que se diferencia de outras pelo tipo de solo
ou tipo de forragem cultivada ou pelo tipo de manejo). Deve-
-se analisar as características de pH, matéria orgânica, carbono
orgânico e fósforo extraível de cada amostra de solo.
Saber a quantidade de nutrientes pre-
sentes no dejeto da sala de ordenha ou
dos outros resíduos orgânicos utilizados
na propriedade (cama de aviário, deje-
tos de suínos etc.).
ANÁLISE DAS QUANTIDADES DE NUTRIENTES
DOS DEJETOS E DOS RESÍDUOS
A concentração dos nutrientes nos resíduos dos animais
depende de vários aspectos: idade e sexo do animal, raça, tipo
de dieta, condições de bem-estar do animal, sistema de produ-
ção e forma de manejo dos resíduos. Por isso é importante
o(a) produtor(a) realizar a análise dos dejetos e resíduos
que irão utilizar como fertilizante.
É recomendável ao menos duas análises dos dejetos por ano.
Uma na estação das águas e uma na estação das secas. Caso
o(a) produtor(a) compre ou receba algum tipo de resíduo, como
cama de aviário, composto orgânico etc., deve ser feita uma
análise deste resíduo ao chegar à propriedade.
Deve-se analisar nos dejetos e resíduos o pH, nitrogênio, fós-
foro e potássio. O(a) produtor(a) deve guardar todos os resulta-
dos das análises. Com isso, ao longo do tempo a propriedade
terá um perfil das características do dejetos e resíduo o que irá
facilitar o seu uso como fertilizante.
Antes de fazer a coleta, o(a) produtor(a) deve identificar um
laboratório de análise em sua região e entrar em contato com
o laboratório para receber orientações de como realizar a
coleta e identificar a amostra que será enviada para análise.
Os laboratórios com mais experiência em análise de resíduos
são os de instituições de pesquisa, universidades e agências
de extensão rural. Também existem laboratórios privados
com experiência.
A coleta de uma amostra de dejeto da esterqueira deve ocor-
rer no momento que o dejeto estiver sendo retirado. A amos-
tra pode se obtida da seguinte forma:
Coleta no tanque de transporte de dejetos _ fazer no mo-
mento do enchimento do tanque. A coleta se dará na seguin-
te sequência: coleta de três amostras simples, com interva-
los de 5 min, durante o enchimento do tanque; cada amostra
deve ser disposta em um mesmo balde, sendo que o volume
de cada amostra deve ser de no mínimo 1 litro; homogenei-
zação do conteúdo do balde; coleta de uma amostra de no
mínimo 500 ml para envio ao laboratório.
Coleta no sistema de fertirrigação _ deve ser coletada uma
amostra da mistura água de irrigação + dejeto. A coleta se
dará na seguinte sequência: espalham-se pequenas bacias na
área de irrigação; ligar o sistema por 5 min; desligar o siste-
ma e recolher todas as bacias; o conteúdo de cada bacia é
jogado em um mesmo balde; homogeneização do conteúdo
do balde; coleta de uma amostra de no mínimo 500 ml para
envio ao laboratório. Se não houver a disponibilidade das
bacias, a amostra pode ser coletada diretamente na saída
de um aspersor do sistema de irrigação seguindo a mesma
sequência da coleta no tanque de transporte.
Manter toda documentação do uso de fertilizantes químicos
e orgânicos das áreas da propriedade. Essa documentação
deve ser feita pelo preenchimento da Tabela 1.
Se estes aspectos listados abaixo não forem assegurados, as áreas
de aplicação irão se tornar potenciais pontos de perda de nutrien-
tes, promovendo impactos ambientais negativos. Por isso se deve
assegurar que:
Os dejetos NÃO devem ser aplicados no solo quando houver proba-
bilidade maior do que 30% de chuva no dia ou com probabilidade
de chuva nos próximos três dias. Os dejetos não poderão ser distri-
buídos próximos a corpos d’água superficiais e poços.
Deve-se utilizar barreiras físicas (vegetação) ao redor das áreas de
distribuição dos resíduos para diminuir o cheiro.
A manipulação de fertilizantes químicos e orgânicos apresenta risco
à saúde humana, portanto, todos os envolvidos devem utilizar
Equipamentos de Proteção Individual (EPI).
A área que irá receber os dejetos é apropriada para as quantida-
des de nutrientes a serem aplicados.
A esterqueira tem o tamanho correto para evitar que o dejeto
seja aplicado em solos encharcados.
A aplicação se dê no momento e na quantidade corretos (Balan-
ço de Nutrientes) para que as plantas possam extrair o máximo
de nutrientes do solo.
TIPO DE
FERTILIZANTE
QUÍMICO OU
ORGÂNICO
APICADO1
1
EXEMPLOS DE FERTILIZANTES:
UREIA, SUPERFOSFATO SIMPLES,
DEJETOS DA SALA DE ORDENHA,
CAMA DE AVIÁRIO, DEJETO
DE SUÍNO, COMPOSTO ETC.
ÁREA TOTAL
EM QUE O
FERTILIZANTE
FOI APLICADO
(HA)
QUANTIDADE
APLICADA
(KG OU
TONELADAS)
TIPO DE
CULTURA
VEGETAL
PLANTADA
NA ÁREA
(NOME)
A ÁREA
RECEBE
DEJETOS DA
SALA DE
ORDENHA
(RESPOSTA:
SIM OU NÃO)
UNIDADE
ANIMAL
POR HECTARE
NA ÁREA
ADUBADAMÊS/ANO
TABELA 1 – DOCUMENTAÇÃO DO USO
DE FERTILIZANTES NA PROPRIEDADE
USO DOS ESTERCOS
Para fazendas que realizam a raspagem do piso para retirar a
maior parte dos estercos ou só raspam o piso sem fazer a lava-
gem, também há um resíduo sólido (esterco) que deve ser corre-
tamente manejado de acordo com as recomendações abaixo:
O armazenamento pode ser feito sobre o solo em uma área
sem acesso de humanos e animais e de trânsito de máquinas
e caminhões;
A área deve ter uma distância mínima de 50 metros de fontes
de água (nascentes, poços, lagoas, açudes etc.) e também não
deve ser próxima de residências e instalações dos animais;
O esterco deve ser coberto com uma lona de plástico (tipo usa-
da para silagem) e ficar armazenado por no máximo uma sema-
na na área. Na época de chuvas intensas, o tempo de armazena-
mento pode ser menor que uma semana para evitar
o escorrimento de “água suja” pelo terreno.
CONSULTORIA E REVISÃO
Julio Cesar P. Palhares,
Pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste

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Manejo correto dos resíduos leiteiros

  • 2. FAZER O MANEJO DOS RESÍDUOS é utilizar práticas e tecnologias que reduzem o impacto ambiental da atividade leiteira e melhoram a eficiência de uso dos recursos naturais e dos insumos. O manejo dos resíduos deve ser parte das atividades diárias da propriedade.O(a) produtor(a) que fizer o correto manejo dos resíduos terá como vantagens: OS PRODUTORES QUE REALIZAREM o correto armazenamento e manejo, bem como o reaproveitamento dos resíduos da produção leiteira como fertilizantes, colherão todas as vantagens ao lado mencionadas. Maior conservação do meio ambiente, Água e solo terão a qualidade necessária para serem utilizados, Cumprimento da legislação ambiental, Diminuição do custo de produção, a partir do uso dos resíduos como fertilizante, Melhoria da condição de saúde da família uma vez que ela estará vivendo em um ambiente mais saudável, Melhoria do bem-estar dos animais por estarem em con- dições produtivas com alto padrão sanitário, Maior respeito e confiança da sociedade que se alimen- tará de produtos advindos de uma produção que se preocupa com o meio ambiente.
  • 4. ESSA ESTRUTURA TEM A FUNÇÃO de armazenar os dejetos por um período de tempo até o uso deles como ferti- lizante. Cada região dá um nome diferente para essa estrutura, os mais comuns são: esterqueira, chorumeira ou lagoa. A esterqueira não é considerada um sistema de tratamento dos dejetos, mas sim de armazenamento.
  • 5. OS DEJETOS DA PRODUÇÃO DE LEITE são a mistura de água, fezes, urina, restos de ração, areia, barro e cama. Os dejetos são produzidos diariamente durante a lavagem do piso das instalações. A quantidade de dejeto produzida diariamente por cada animal irá depender do tipo de sistema de produção, da forma de lavagem das instalações e da qua- lidade da mão de obra. As águas de lavagem da ordenhadeira, tanques de leite e os des- cartes de leite também podem fazer parte dos dejetos. Tranquilidade por saber que a proprie- dade maneja de forma correta os dejetos; Flexibilidade no uso dos dejetos como fertilizante; você determina o melhor momento para aplicar; Utilização mais eficaz dos nutrien- tes e da água presentes nos dejetos. UMA ESTERQUEIRA BEM DIMENSIONADA trará as seguintes vantagens para o produtor(a):
  • 7. PLANEJAMENTO Contratar um profissional especializado no dimensio- namento e na instalação de esterqueiras para dejetos animais é fundamental. Deixe claro na primeira conversa com o profissional quais são suas condições financeiras, disponibilidade de mão de obra e como irá fazer a distri- buição do dejeto nas áreas da propriedade. Dicas para escolher o(a) profissional: DIMENSIONAMENTO A esterqueira deve ser dimensionada para armazenar todo o dejeto produzido no período de 30 dias. Res- peitando esse período, no mês do ano em que ocorre a maior quantidade de chuva, e o solo está encharcado, o dejeto não será aplicado no solo. No dimensionamento da esterqueira o(a) produtor(a) deve considerar as possíveis ampliações que podem ocorrer no rebanho da propriedade. Se houver uma am- pliação do número de animais e a esterqueira continuar do mesmo tamanho, o risco ambiental será maior. O ideal é dimensionar a esterqueira planejando o que vai acontecer com o rebanho e com a estrutura da proprie- dade nos próximos 5 anos. Propriedades que já pos- suem a esterqueira devem avaliar seu tamanho, caso não esteja de acordo com as orientações, ela deverá ser redimensionada. Se o profissional atende as características acima, ele(a) poderá ajudá-lo! Deve apresentar experiência em trabalhar com produção leiteira e com manejo de resíduos. Ter conhecimento das regras do Programa Nature e da legislação ambiental do seu estado. Ter experiência no dimensionamento e na instalação de esterqueiras. Se possível, busque referências de produtores para quem ele(a) já trabalhou. É importante o produtor consultar a agência ambiental do seu estado para saber se existe alguma recomendação sobre o tempo mínimo de armazenamento que a ester- queira deve ter.
  • 8. A esterqueira deve ser dimensionada usando a seguinte fórmula: Vest = Ta x Vres x Fator Vest = Volume da esterqueira (m3 ). Ta = Tempo de armazenamento. O valor sugerido de Ta é de 30 dias (lembrando que deve ser respeitada a recomendação da legislação ambiental de cada estado, caso exista). Vres = Volume total de dejetos produzidos por dia (m3 ). O valor desse volume pode ser calculado a partir da leitura de um hidrô- metro instalado na sala de ordenha. Pelo hidrômetro devem passar todas as águas que serão utilizadas na lavagem dos pisos, orde- nhadeira e tanques. Quanto mais frequente a leitura do hidrômetro, mais preciso o valor a ser considerado no cálculo da esterqueira. Sugere-se no mínimo uma leitura mensal do hidrômetro, mas, se possível, fazer leituras semanais. A leitura do hidrômetro deve ser feita sempre no mesmo horário do dia. Fator = O valor do Fator depende do tipo de sistema de desvio das águas de chuva que existe na sala de ordenha. Fator = 1,0. Nenhuma água da chuva vai para dentro da esterqueira. A sala de ordenha possui calhas em todos os telhados e sistema de drenagem para água da chuva que cai no piso. Fator = 1,20. Parte da água da chuva vai para dentro da esterqueira. A sala de ordenha possui calhas em todos os telhados, mas a chuva que cai no piso vai para esterqueira. Fator = 1,35. Todas as águas de chuva que caem nos telhados e pisos da sala de ordenha vão para a esterqueira. EXEMPLO DE DIMENSIONAMENTO DA ESTERQUEIRA Vamos considerar uma propriedade leiteira localizada no estado de Minas Gerais que tem 40 vacas em lactação. Os animais são orde- nhados duas vezes por dia e a produção de dejetos por vaca é de 50 litros por dia. Antes de fazer a lavagem do piso da sala de orde- nha é feita a raspagem para retirada dos estercos. A fórmula de cálculo da esterqueira é: Vest = Ta x Vres x Fator Sabemos que Ta deve ser igual a 30. Nesta fazenda, o volume total de dejeto produzido por dia será: 40 vacas em lactação x 50 litros de dejetos por vaca = 2 mil litros ou 2 m3. Como vimos, o Fator depende do tipo de manejo das águas de chuva que a propriedade tem. Vamos considerar as três possibilidades para ver como isso influencia no tamanho da esterqueira. Cálculo 1 _ a propriedade possui calhas em todos os telhados e sistema de drenagem para a água da chuva que cai no piso. Volume da esterqueira (Vest) = 30 x 2 x 1,0 = 60 m3 Cálculo 2 _ a propriedade possui calhas em todos os telhados da sala de ordenha, mas a chuva que cai no piso vai para a esterqueira. Volume da esterqueira (Vest) = 30 x 2 x 1,20 = 72 m3 Cálculo 3 _ todas as águas de chuva que caem nos telhados e pisos da sala de ordenha vão para a esterqueira. Volume da esterqueira (Vest) = 30 x 2 x 1,35 = 81 m3 Fica claro que se na sala de ordenha não houver desvios da água da chuva, a esterqueira terá que ser maior. Isso significa maior investi- mento para construção da esterqueira e maior custo de manejo dos dejetos, pois eles terão que ser retirados com mais frequência para a esterqueira não transbordar.
  • 9. CONSTRUÇÃO OPERAÇÃO A esterqueira deve ser escavada no solo. A largura e o compri- mento dela irão depender da disponibilidade de área que o(a) produtor(a) tem para fazer a estrutura. A profundidade deve ser de 3 metros. Essa profundidade é importante para correta degra- dação do dejeto. A esterqueira deve ter fundo e paredes impermeabilizados. Isso é importante para evitar a infiltração do dejeto no solo, o que pode causar contaminação das águas subterrâneas. A impermeabiliza- ção pode ser feita de alvenaria ou geomembrana (manta de liga plástica, elástica e flexível. Os tipos de mantas mais comuns são fabricados com polietileno de alta densidade – PEAD ou policlore- to de vinila, o PVC). É importante o produtor consultar a agência ambiental do seu estado para saber se existe alguma recomenda- ção sobre o tipo de impermeabilização da esterqueira. Para a condução por gravidade dos dejetos para esterqueira, os canos ou canaletas devem ter declividade mínima de 2%. É recomendável ter uma grade ou tela antes do dejeto entrar na esterqueira para reter material grosseiro como cascalhos, pedras, pedaços de plástico e borracha e galhos. Se estes materiais não forem removidos, irão causar perda de volume de armazena- mento, entupimento dos canos e desgaste de bombas. A grade ou tela deve ser verificada diariamente para retirada do material retido. Se o dejeto for retirado com tanque, deve ser considerado o aces- so do trator e um espaço de manobra na área da esterqueira. A esterqueira deve estar a uma distância mínima de 25 metros da sala de ordenha. É importante o produtor consultar a agência am- biental do seu estado para saber se existe alguma recomendação quanto à distância mínima da sala de ordenha. Não devem existir pontos de vazamento de água na sala de ordenha (boias de bebedouros quebradas, torneiras pingando, canos furados etc.). Vazamentos significam perda de água e maior volume de dejeto produzido. Tudo isso significa maior despesa para o produtor(a), pois a água tem um custo para ser cap- tada e distribuída, e maior volume de dejeto significa maior custo da aplicação no solo com menor poder fertilizante. Os pisos da sala de ordenha devem ser mantidos em bom estado de conservação, sem rachaduras e buracos. É recomendável que as águas de chuva que caem nos telhados da sala de ordenha e no piso não se- jam direcionadas para a esterqueira. Se essas águas forem para dentro da esterqueira, ela terá que ter um volume maior, o que significa mais investimento e custo de retirada do dejeto para ser utilizado como fertilizante. Essas águas podem ser desviadas pela instalação de calhas nos telhados ou por sistemas de desvio manuais ou mecânicos.
  • 10. Deve-se manter uma distância mínima de 0,3 metro de bordo livre (distância entre o nível máximo do líquido e a borda da esterqueira) para reduzir o risco de transbordamento. A mangueira ou cano para retirada do dejeto deve ser colocada a uma profundidade mínima de 1 metro e máxima de 2 metros para que no momento da retirada não sejam revolvidos os sólidos do fundo. Quando se faz a raspagem do piso da ordenha antes da lavagem, os estercos devem ser armazenados em local seco, sem empoçamento de água e com sistema de drenagem. Não devendo apresentar inclina- ção maior do que 3%. A área do entorno da esterqueira deve estar coberta por grama para evitar a erosão. A grama deve ser cortada regularmente. Manter dentro da esterqueira uma escada de corda ou qualquer equipamento que permita alguém sair caso caia dentro. Cercar a esterqueira para impedir o acesso de humanos e animais. O ideal é cerca telada na altura de 1 metro para impedir a passagem de crianças e animais silvestres de pequeno e médio porte.
  • 11. IMPACTO QUE A ÁGUA DE CHUVA PODE TER NO VOLUME DA ESTERQUEIRA Nessa propriedade leiteira localizada no estado de São Paulo a sala de ordenha possui calhas nos telhados, mas a chuva que cai no piso do pátio (306 m2 ) vai para a esterqueira. A tabela mostra a contri- buição da água de chuva que escorre pelos ralos da sala de ordenha para o volume da esterqueira. O total de chuva no mês de janeiro representou 43% do volume total da esterqueira. Isso significa mais viagens que o produtor terá que fazer com o tanque distribuidor para evitar que a esterqueira transborde, maior necessidade de mão de obra e maior gasto com combustível. JANEIRO MÊS CONTRIBUIÇÃO DA ÁGUA DE CHUVA QUE ESCORREU PELOS RALOS DA SALA DE ORDENHA NO VOLUME DA ESTERQUEIRA 43% FEVEREIRO 18% MARÇO 21% ABRIL 12% MAIO 19% JUNHO 7% JULHO 0,2% AGOSTO 5% SETEMBRO 5% OUTUBRO 17% NOVEMBRO 28% DEZEMBRO 32%
  • 12. USO DOS DEJETOS COMO FERTILIZANTE
  • 13. O USO DOS DEJETOS como fertilizante é a melhor forma do(a) produtor(a) aproveitar a água e os nutrientes dos dejetos. A correta aplicação dos dejetos como fertilizante é feita respeitando o conceito de Balanço de Nutrientes.
  • 14. O QUE CONSIDERAR NO USO DOS RESÍDUOS ORGÂNICOS O uso dos dejetos como fertilizante pode ter impactos positivos na produtividade das culturas vegetais e na melhoria da estrutura e da fertilidade dos solos. Também pode significar menor gasto com a compra de fertilizan- tes químicos. A distribuição dos nutrientes em um sistema a pasto ocorre de duas formas: Cada solo possui características químicas, físicas e bio- lógicas específicas e que devem ser de conhecimento do(a) produtor(a) para fazer a aplicação dos dejetos como fertilizante. Distribuição feita pelo produtor – ocorre pela aplicação de fertilizantes químicos e orgânicos nas áreas agrícolas e de pastejo. Distribuição pelos animais – ocorre durante o desloca- mento dos animais pelas áreas de pastejo (fezes e urina). Essa forma de distribuição irá depender: do tipo de siste- ma de pastejo, do tamanho do piquete, da localização de comedouros e bebedouros e das áreas de sombra.
  • 15. RECOMENDAÇÕES PARA O CORRETO USO DOS RESÍDUOS COMO FERTILIZANTE
  • 16. DEVE-SE COLETAR UMA AMOSTRA composta de solo por ano (camada 0-10 centímetros) por área de forragem que recebeu adubação (considera-se como área de forragem aquela que se diferencia de outras pelo tipo de solo ou tipo de forragem cultivada ou pelo tipo de manejo). Deve- -se analisar as características de pH, matéria orgânica, carbono orgânico e fósforo extraível de cada amostra de solo. Saber a quantidade de nutrientes pre- sentes no dejeto da sala de ordenha ou dos outros resíduos orgânicos utilizados na propriedade (cama de aviário, deje- tos de suínos etc.).
  • 17. ANÁLISE DAS QUANTIDADES DE NUTRIENTES DOS DEJETOS E DOS RESÍDUOS A concentração dos nutrientes nos resíduos dos animais depende de vários aspectos: idade e sexo do animal, raça, tipo de dieta, condições de bem-estar do animal, sistema de produ- ção e forma de manejo dos resíduos. Por isso é importante o(a) produtor(a) realizar a análise dos dejetos e resíduos que irão utilizar como fertilizante. É recomendável ao menos duas análises dos dejetos por ano. Uma na estação das águas e uma na estação das secas. Caso o(a) produtor(a) compre ou receba algum tipo de resíduo, como cama de aviário, composto orgânico etc., deve ser feita uma análise deste resíduo ao chegar à propriedade. Deve-se analisar nos dejetos e resíduos o pH, nitrogênio, fós- foro e potássio. O(a) produtor(a) deve guardar todos os resulta- dos das análises. Com isso, ao longo do tempo a propriedade terá um perfil das características do dejetos e resíduo o que irá facilitar o seu uso como fertilizante. Antes de fazer a coleta, o(a) produtor(a) deve identificar um laboratório de análise em sua região e entrar em contato com o laboratório para receber orientações de como realizar a coleta e identificar a amostra que será enviada para análise. Os laboratórios com mais experiência em análise de resíduos são os de instituições de pesquisa, universidades e agências de extensão rural. Também existem laboratórios privados com experiência. A coleta de uma amostra de dejeto da esterqueira deve ocor- rer no momento que o dejeto estiver sendo retirado. A amos- tra pode se obtida da seguinte forma: Coleta no tanque de transporte de dejetos _ fazer no mo- mento do enchimento do tanque. A coleta se dará na seguin- te sequência: coleta de três amostras simples, com interva- los de 5 min, durante o enchimento do tanque; cada amostra deve ser disposta em um mesmo balde, sendo que o volume de cada amostra deve ser de no mínimo 1 litro; homogenei- zação do conteúdo do balde; coleta de uma amostra de no mínimo 500 ml para envio ao laboratório. Coleta no sistema de fertirrigação _ deve ser coletada uma amostra da mistura água de irrigação + dejeto. A coleta se dará na seguinte sequência: espalham-se pequenas bacias na área de irrigação; ligar o sistema por 5 min; desligar o siste- ma e recolher todas as bacias; o conteúdo de cada bacia é jogado em um mesmo balde; homogeneização do conteúdo do balde; coleta de uma amostra de no mínimo 500 ml para envio ao laboratório. Se não houver a disponibilidade das bacias, a amostra pode ser coletada diretamente na saída de um aspersor do sistema de irrigação seguindo a mesma sequência da coleta no tanque de transporte.
  • 18. Manter toda documentação do uso de fertilizantes químicos e orgânicos das áreas da propriedade. Essa documentação deve ser feita pelo preenchimento da Tabela 1. Se estes aspectos listados abaixo não forem assegurados, as áreas de aplicação irão se tornar potenciais pontos de perda de nutrien- tes, promovendo impactos ambientais negativos. Por isso se deve assegurar que: Os dejetos NÃO devem ser aplicados no solo quando houver proba- bilidade maior do que 30% de chuva no dia ou com probabilidade de chuva nos próximos três dias. Os dejetos não poderão ser distri- buídos próximos a corpos d’água superficiais e poços. Deve-se utilizar barreiras físicas (vegetação) ao redor das áreas de distribuição dos resíduos para diminuir o cheiro. A manipulação de fertilizantes químicos e orgânicos apresenta risco à saúde humana, portanto, todos os envolvidos devem utilizar Equipamentos de Proteção Individual (EPI). A área que irá receber os dejetos é apropriada para as quantida- des de nutrientes a serem aplicados. A esterqueira tem o tamanho correto para evitar que o dejeto seja aplicado em solos encharcados. A aplicação se dê no momento e na quantidade corretos (Balan- ço de Nutrientes) para que as plantas possam extrair o máximo de nutrientes do solo.
  • 19. TIPO DE FERTILIZANTE QUÍMICO OU ORGÂNICO APICADO1 1 EXEMPLOS DE FERTILIZANTES: UREIA, SUPERFOSFATO SIMPLES, DEJETOS DA SALA DE ORDENHA, CAMA DE AVIÁRIO, DEJETO DE SUÍNO, COMPOSTO ETC. ÁREA TOTAL EM QUE O FERTILIZANTE FOI APLICADO (HA) QUANTIDADE APLICADA (KG OU TONELADAS) TIPO DE CULTURA VEGETAL PLANTADA NA ÁREA (NOME) A ÁREA RECEBE DEJETOS DA SALA DE ORDENHA (RESPOSTA: SIM OU NÃO) UNIDADE ANIMAL POR HECTARE NA ÁREA ADUBADAMÊS/ANO TABELA 1 – DOCUMENTAÇÃO DO USO DE FERTILIZANTES NA PROPRIEDADE
  • 20. USO DOS ESTERCOS Para fazendas que realizam a raspagem do piso para retirar a maior parte dos estercos ou só raspam o piso sem fazer a lava- gem, também há um resíduo sólido (esterco) que deve ser corre- tamente manejado de acordo com as recomendações abaixo: O armazenamento pode ser feito sobre o solo em uma área sem acesso de humanos e animais e de trânsito de máquinas e caminhões; A área deve ter uma distância mínima de 50 metros de fontes de água (nascentes, poços, lagoas, açudes etc.) e também não deve ser próxima de residências e instalações dos animais; O esterco deve ser coberto com uma lona de plástico (tipo usa- da para silagem) e ficar armazenado por no máximo uma sema- na na área. Na época de chuvas intensas, o tempo de armazena- mento pode ser menor que uma semana para evitar o escorrimento de “água suja” pelo terreno.
  • 21. CONSULTORIA E REVISÃO Julio Cesar P. Palhares, Pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste