O que há em mim é sobretudo cansaço- Álvaro de Campos

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O que há em mim é sobretudo cansaço- Álvaro de Campos

  1. 1. O que há em mim é sobretudo cansaço A subtileza das sensações inúteis, As paixões violentas por coisa nenhuma, Os amores intensos por o suposto em alguém. Essa coisas todas- Essas e o que falta nelas eternamente; Tudo isso faz um cansaço, Este cansaço, Cansaço. Há sem dúvida quem ame o infinito, Há sem dúvida quem deseja o impossível, Há sem duvida quem não queira nada- Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: Porque amo infinitamente o finito, Porque eu desejo impossivelmente o possível, Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, Ou até se não puder ser. O que há em mim é sobretudo cansaço- Não disto nem daquilo, Nem sequer de tudo ou de nada: Cansaço assim mesmo, ele mesmo, Cansaço. E o resultado? Para eles a vida vivida ou sonhada, Para eles o sonho sonhado ou vivido, Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto… Para mim só um grande, profundo, E, ah com que felicidade infecundo, cansaço. Um supremíssimo cansaço. Íssimo, íssimo, íssimo, Cansaço…
  2. 2. • Dividido em quatro partes lógicas • 1º parte: 1ºestrofe “O que há em mim é sobretudo cansaço/(…) / Cansaço” vv.1 a vv.5 • 2º parte: 2ºestrofe “A subtileza das sensações inúteis/ (…) / Cansaço.” vv.6 a vv.13 • 3º parte: 3ºestrofe “Há sem dúvida quem ame o infinito/ (…) / Ou até se não puder ser…” vv.14 a vv.22 • 4º parte: 4ºestrofe “E o resultado?/ (…) /Cansaço…” vv.23 a vv.31
  3. 3. • 1º parte • Refere que se sente casado com o que o rodeia. O cansaço assume.se em si, deixando se ser uma condição. “ Não disto nem daquilo,/ Nem sequer de tudo ou de nada:/ Cansaço assim mesmo”. • 2º parte • Indica as razões do seu cansaço, referindo-se a coisas que todos desejam para mostrar que nem tudo o que queremos faz sentido. • 3º parte • Compara-se aqueles que não sentem tédio face à vida. O poeta ironiza aqueles que aspiram a coisas que, para o “eu”, são impossíveis. Campos não se vê em nenhum dos ideais referidos. O “Porque eu amo infinitamente o finito, / Porque eu desejo impossivelmente o possível, /Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,/ Ou até se não puder ser… ” mostra que o poeta se desmarca dos idealistas e que ambiciona não apenas o sonho, mas também o finito e o possível.
  4. 4. • 4º parte • Faz uma conclusão. Para as outras pessoas há algo que as faz viver e sonhar de forma equilibrada (“ a média entre o tudo e o nada”). Para o sujeito poético é diferente pois o fato de não ser compreendido e de não atingir os seus objetivos traduz-se num “supremíssimo cansaço./ Íssimo, íssimo, íssimo,/ Cansaço…”. O resultado para os outros é a vida.
  5. 5. • Aliteração em “s” “Essas coisas todas” • Repetição • “Cansaço.” vv.1, 5, 6, 12, 13, 28, 29, 31 • Anáfora • “Há sem dúvida quem (…)/ Há sem dúvida quem (…)/ Há sem dúvida quem (…)” vv.14 vv.16; • “Porque (…)/ Porque (…)/ Porque (…)” vv.18 a vv.20; • “Para eles (…)/ Para eles (…)/ Para eles (…)”vv.23 a vv.25 • Hipérbole • “Um supremíssimo cansaço./ Íssimo, íssimo, íssimo” • Antítese • “infinitamente o finito” vv.18 • “impossivelmente o possível” vv. 19 • “média entre tudo e o nada” vv.25

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