O paradigma gestão vs despedimento

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Na actualidade empresarial portuguesa, atendendo à situação económico-financeira do país e face à premente necessidade de minimizar custos, há uma grande e forte tentação de encontrar formas de reduzir as equipas de trabalho a qualquer preço. Procura-se, muitas vezes, por via dos despedimentos, mais ou menos declarados, diminuir as obrigações fixas das empresas.

Em termos de gestão pura, vendo as pessoas como números e assumindo que a adaptação a certos tipos de trabalho é imediata, a opção de ter uma equipa reduzida que se ajusta pontualmente às necessidades, parece uma escolha acertada. Consequentemente o custo do treino não é contabilizado. Contudo, se pensarmos na gestão operacional, a resposta não será a mesma.

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O paradigma gestão vs despedimento

  1. 1. O PARADIGMA GESTÃO VERSUS DESPEDIMENTONa actualidade empresarial portuguesa, atendendo à situação económico-financeirado país e face à premente necessidade de minimizar custos, há uma grande e fortetentação de encontrar formas de reduzir as equipas de trabalho a qualquer preço.Procura-se, muitas vezes, por via dos despedimentos, mais ou menos declarados,diminuir as obrigações fixas das empresas.Em termos de gestão pura, vendo as pessoas como números e assumindo que aadaptação a certos tipos de trabalho é imediata, a opção de ter uma equipa reduzidaque se ajusta pontualmente às necessidades, parece uma escolha acertada.Consequentemente o custo do treino não é contabilizado. Contudo, se pensarmos nagestão operacional, a resposta não será a mesma.Muitas vezes, num curtíssimo prazo, haverá outra vez necessidade de mão-de-obraque vai precisar de treino e adaptação à sua nova realidade laboral. Há também casosem que, por sazonalidade dos picos produtivos, ocorre uma contratação temporária detrabalhadores.
  2. 2. Quanto custa dispensar pessoas qualificadas ou pelo menos treinadas para contratar eformar adequadamente outras? Qual o impacto da qualidade de um produto ouserviço que se perde por ser feito por alguém com menos sensibilidade para osdefeitos que se possam encontrar e tenha um conhecimento diminuto do processo?Dificilmente se conseguirá eliminar totalmente a inconstância dentro de uma equipa,mas pode minimizar-se. Como? Organizando e disciplinando o trabalho.Há um claro défice de conhecimento de tempos e métodos. Além da não aposta numprocesso organizado e com limpeza, focado nos reais objectivos da empresa, faltatambém conhecimento sobre o tempo necessário para os diferentes passos dasdiversas operações e o que efectivamente é feito por cada operário. Muitas vezes háoperadores de um equipamento que gastam tempo em operações logísticas que deviaser produtivo e não acrescentam qualquer valor para o cliente.O levantamento dos tempos de um conjunto de operações permite obter uma melhorcompreensão da realidade da empresa. Já Frederick Taylor, ainda no século IX,expressou essa preocupação.Taylor pretendia reduzir ao máximo os tempos de cada operação; para isso começoupor “desmembrar” os processos em sequências de pequenas operações para poderavaliar o ritmo do processo e do trabalhador, evitando conflitos de interesses entreestes e a empresa.Também Frank Bunker Gilbreth, contemporâneo de Taylor, tinha uma preocupaçãocomplementar deste último: substituir movimentos longos e cansativos por outroscurtos e menos fatigantes. Conseguia assim reduzir o tempo das operações esimultaneamente minimizar o cansaço dos operadores, aumentando a sua capacidadeprodutiva.
  3. 3. Conjuntamente, Gilbreth eTaylor, criaram um sistema que permitia conhecer melhor oprocesso e dessa forma aumentar os padrões de qualidade. Ao segmentarem epadronizarem o tempo do processo, conseguiram dar visibilidade aos pontos críticosdo mesmo, fazendo assim com que o foco dos defeitos se destacasse e pudesse sercorrigido de forma perene. O trabalho destes dois investigadores tinha algumas“condicionantes”: exigia padronização dos processos!É aplicável em qualquer sector onde haja a actividade humana e, entre outrasfinalidades, permite:  Aproveitar o tempo apurado para a coordenação e controlo da produção  Ter uma base para o cálculo da remuneração variável  Formar tabelas de tempos planeados  Incluir observações sobre as condições ergonómicas do trabalho  Indicar os potenciais de racionalização  Determinação dos padrões de tempo para utilização da mão-de-obra, carga-máquina e o balanceamento de linhas e de sectores da produçãoPosteriormente, no início do século XX, Charles Bedaux, matemático francês,introduziu na temática dos tempos e métodos a análise matemática e estatística. Aprimeira trouxe, naturalmente, mais proximidade e realidade à enorme variedade decondicionantes de um processo de medição de tempos. A segunda permitiu introduzirprecisão no cálculo dos tempos produtivos.Cabe esclarecer que tais sistemas servem como ferramentas para tratamento demétodos de trabalho, nunca Tempos Padrões. Tais melhorias trouxeram para aOrganização Científica do Trabalho o cunho e tratamento realmente científico.Respondendo às questões que ficaram em aberto nos parágrafos iniciais, é possívelquantificar o custo do treino da mão-de-obra e as possíveis perdas de qualidade. É,desta forma, menos oneroso para a empresa saber o que faz e como o faz, treinando emotivando a sua mão-de-obra fixa, do que ter oscilações no volume da mesma. Umaempresa que tenha conhecimento dos tempos dos vários processos internos e que
  4. 4. tenha uma equipa devidamente dimensionada e treinada para os objectivos da mesma,pode evitar, total ou parcialmente, o custo da subcontratação sazonal.É assim possível sensibilizar a gestão económico-financeira de uma empresa para acomponente humana da produção. Se tiver um conhecimento detalhado do processo agestão pode, por exemplo, definir objectivos, (de produção, de redução de custos, …),ou orçamentar um período temporal com mais precisão.O investimento necessário para o levantamento e conhecimento dos processos e dosseus tempos é, globalmente, inferior aos custos da instabilidade da equipa produtiva.O seu período de retorno situa-se, comparativamente aos ganhos, no curto prazo.Na actualidade empresarial portuguesa, face à situação económico-financeira do país,há uma grande e forte tentação de encontrar formas de reduzir as equipas de trabalhoa qualquer preço. Olhe-se para dentro da empresa e optimizem-se processos antes dese pensar no caminho mais fácil dos despedimentos. Ricardo Mascarenhas 2012.07.01

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