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Sam, Branding

Normalizacao Design e Aplicacoes Palhota Cafe Final

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Proposta para ilustração lona e imagem de marca Palhota Café
10.08.2010
Memória Descritiva




                                                                                           sobrevivido e mantido actividade entre 1577 e 1621, considerando-se a possibilidade de
                                                                                           se ter inclusivé reforçado e consolidado durante este período. Esta hipótese justifica-se
Palhota Café Armação de Pêra                                                               no facto de Alexandre Massai mencionar mais uma armação de pesca na baía de Pêra
                                                                                           em 1621 (Pedra da Galé) que Fr. João de São José em 1577 ainda não referenciava.
Justificação proposta para Imagem Corporativa
(contexto histórico para a criação da personagem Sam, figura simbólica, imaginada para     Não é possível confirmar categoricamente se a actividade piscatória e consequente
reforçar a força icónica enunciada pelo conceito de imagem apresentado)                    existência de uma população instalada em Armação de Pêra estaria somente restrita à
                                                                                           época de pesca do atum (Abril a Agosto), ou se permaneceria no local durante o resto
                                                                                           do ano, dedicando-se a outros tipos de pesca. Pela existência de população, pelo
                                                                                           interesse económico do local ou por ambos, construiu-se uma pequena fortaleza em
Armação de Pêra, conhecida estância de veraneio, pela sua extensa praia, muito             1667, que com a sua guarnição militar reforçou a presença humana em Armação de
apreciada pelo sol, gastronomia e águas tépidas do oceano, é para muitos um local          Pêra.
incontornável pelas memórias que adensam a humidade daquela areia com recordações
de infâncias, namoros, amores achados e perdidos entre as dunas, amizades, a alegria       Aquando do maremoto de 1755, morreram 84 pessoas em Armação de Pêra, tendo
dos encontros e histórias de vidas inteiras ligadas ao mar e aos seus frutos.              ficado de pé apenas uma casa (LOPES, 1989 [2.ª ed.], p. 290). O estudioso das pescas
                                                                                           em Portugal, Constantino Botelho de Lacerda Lobo, na Memória sobre o estado das
À semelhança de outras povoações do litoral algarvio, Armação de Pêra desenvolveu-se       pescarias do Algarve no ano de 1790, escreve sobre Pêra de Santo António (termo que
a partir de uma pequena comunidade piscatória, cuja existência está documentada            designava Armação de Pêra na época): «Compõe-se esta povoação de um ajuntamento
numa primeira referência escrita conhecida que remonta a 1577, na obra Corografia do       de cabanas de pescadores que vivem perto do mar em uma praia arreenta; confina do
Reino do Algarve, de Fr. João de São José que no contexto de uma descrição da aldeia       nascente com uma alagoa formada por águas vertentes das colinas vizinhas: ao norte
de Pêra deixou registada a seguinte observação: «Pêra é um lugar junto de Alcantarilha,    com uma aldeia chamada Pêra de Cima[sendo Armação de Pêra também conhecida
não longe do mar. [...]. Faz o mar defronte dela ua fermosa praia da banda do sul, na      como Pêra de Baixo] [...].
qual está ua armação de atuns que se chama a armação de Pera.» (S. JOSÉ, imp.
1983, p. 58). A existência de uma armação de pesca do atum perto de Pêra, na zona de       Contavam-se no ano de 1790 cento e cinquenta pescadores, os quais trabalham na
costa hoje conhecida como baía de Pêra, para além de justificar a origem do nome da        armação do atum o tempo competente desta pescaria, depois na de diversos peixes do
Armação de Pêra, confirma que já em 1577 existiria uma pequena comunidade de               mar com os covãos, nos lugares pedregosos da costa: findas as pescarias feitas com
pescadores, instalados sazonalmente ou até permanentemente fixada neste local.             estes aparelhos, gastam o resto do ano em arrastar as xávegas para terra. [...].
                                                                                           Em o ano de 1790 havia oito barcos, de que somente faziam uso para a pescaria
Ás ordens de Filipe II, o engenheiro militar italiano Alexandre Massai percorreu a costa   daquela costa, em cada um dos quais iam oito ou dez pescadores, e os outros
do Algarve em 1621 com a finalidade de inspeccionar as infraestruturas defensivas,         costumam ficar em terra para arrastar os aparelhos.
onde encontrou, nos limites da vila de Albufeira « [...] duas Armassois de Atuns mais
álem das ásima dittas q se dizem hua dellas pedra de gúale, a otra pera, e a gente e os    [...] tem tido aumento a pescaria nesta costa; porque no ano de 1790 contavam-se oito
barquos dellas no tenpo de necessidade se vão âo emparo desta V.ª e portanto digo          barcos, quando em outro tempo somente havia quatro. Também tinha crescido o número
serem neçess.ºs os mosquettes E a sobreditta Artelharia, estas dittas Armassois ja forão   dos pescadores, e xávegas.» (LOBO, 1991 [2ª ed.], p. 82, 83). Está assim
roubadas E saquiadas por falta de defenção, E com perda da faz.da de Sua mag.de            documentado, no registo deste académico, que Armação de Pêra recuperou
[...]» (GUEDES, 1988, p. 115).                                                             rapidamente da devastação que sofreu com o maremoto de 1755, aliás momento que
                                                                                           pelo seu profundo significado e impacto na história da nação foi o momento que
A comunidade piscatória de Armação de Pêra, resistindo ainda e sempre às ameaças de        escolhemos para o nascimento emblemático da personagem Sam, reunindo como
Corsários de origem magrebina que saqueavam as armações de pesca, parece ter               referências estéticas para o simbolismo da personagem referências a uma concepção
Memória Descritiva




imaculada como a de Jesus Cristo, a chegada na crista de uma onda, como na mitologia     cavaleiresco, ficou assim traçado para a aventura humanitária, para o imprevisível apelo
romana que assim descreve o nascimento de Vénus e ainda uma vaga semelhança com          do mar, feito de inspiração algures entre o sagrado e o profano.
a cultura da banda desenhada que no caso da chegada do pequeno Clark Kent, o
Super-Homem, a envolve num momento drástico, aparatoso e violento facilmente
evocativo do terramoto.                                                                  Voltando novamente à História, ao longo deste período de sensivelmente 50 anos,
                                                                                         deixou-se de pescar o atum como ocorria em 1577, 1621 e 1790 até que, por fim, em
A todas estas referências juntámos também um grande símbolo da literatura infantil, o    1841, Armação de Pêra já se prefigurava como um destino balnear «pois concorrem
Principezinho de Exúpery, por ser uma ode à ternura, simplicidade e esperança contidas   aqui muitas pessoas a tomar banhos do mar.»
na vida de cada Criança. Todas estas referências visam apelar a um reconhecimento e      É nesta transformação que, utilizando toda a liberdade artística que permite à
simpatia básicas entre os Clientes da Palhota e a caracterização escolhida para a        criatividade relativizar-se um pouco em relação à correcção histórica, que criámos
personagem.                                                                              pertinência para a saga de Sam. Uma praia a encher-se de pessoas, adivinhando já as
                                                                                         consequências ambientais desta transformação, que nós despudoradamente
Voltando em rigor à História, João Baptista da Silva Lopes descreve em 1841 Armação      misturámos com as origens da vila em que a pesca artesanal convivia com incursões
de Pêra com estas palavras: « Hoje terá hum terço da povoação da outra aldeia            piratas do Magreb, ancestrais medos de monstros marinhos e sereias que encantavam
[daquela destruída em 1755], composta de pescadores e gente que se emprega no mar;       marinheiros.
os quaes tem para as suas pescarias 5 lanchas e 4 artes: a mais dominante he a das
sardinhas no tempo da passagem, [...] poucos annos ha, ainda era formada só de           Contudo, seguindo a correcção cronológica 1885/86 A. A. Baldaque da Silva, no
cabanas, hoje tem boas casas e algumas ricas. [...] Os moradores, fóra da temporada      levantamento efectuado sobre o estado das pescas em Portugal, contabilizava-se, em
da sardinha, apanhão com os covãos e anzol algum peixe que vendem em fresco; são         Armação de Pêra 27 embarcações e 176 pescadores que consagravam o seu trabalho à
hum pouco desmazelados, e não se afastão da costa; dão-se a alguns trabalhos do          captura da espécie de maior rendimento económico à época: a sardinha.
campo, e as mulheres empregão-se em obras de palma. De verão concorrem aqui              É este o cenário escolhido para a ilustração maior que é a solicitação central do desafio
muitas pessoas a tomar banhos do mar.» (LOPES, 1989 [2.ª ed.], p. 290, 291).             lançado pelo Palhota Café.
                                                                                         Assim, para a lona é esta representação de uma Armação de Pêra mais viva e povoada
Este testemunho contém em si dados absolutamente interessantes que registámos para       que é sugerida pela efusão e design das embarcações que servem de cenário à faina
consolidar um caminho e “Pathos” simbólicos para o desenvolvimento do logótipo           de Sam.
proposto assim como o enredo geral em que desmultiplicámos as ilustrações que
contam a vida da personagem.                                                             Ora, utilizando esta transversalidade histórica da personagem aproveitamos este
                                                                                         contacto com a modernidade com a caracterização de Sam com o espírito de
Entre 1790 e 1841 Armação de Pêra passa de um agrupamento de cabanas para uma            personagens como Corto Maltese ou Giuseppe Bergman, personalidades
aldeia de casas de alvenaria, indiciando um aumento do poder económico dos seus          inconformistas, já com um sentido universalista de quem percorre o mundo de uma
habitantes e a consequente subida da qualidade de vida.                                  forma elegante e marginal ligando o que há de comum entre as pessoas e os povos.
Ora aqui encontrámos a circunstância ideal para posicionar a personagem Sam, que na      Tornou-se assim possível descrever de uma forma muito mais livre e potencialmente
sua representação em estado adulto, passou assim a reunir características de uma         interessante, as aventuras deste marinheiro misterioso e irónico, possuidor de uma
figuração que o mimetiza a outras personagens muito conhecidas como o Aquaman, o         enorme maturidade, cultura e sentido humanitário, sempre alinhando com os fracos e
Corto Maltese de Hugo Pratt, Giuseppe Bergman de Milo Manara, Tarzan ou até o            desprotegidos, mas sem nunca transmitir lições de moral.
Capitão Fantasma. Todas estas personagens são facilmente identificáveis com o “ethos”
desta época, ou seja, o sistema de valores, de crenças, e todo o ambiente de fé,         Em tom de conclusão, é nossa intenção criar, com esta abordagem ilustrada na
aventura, misticismo, heroísmo e coragem que ainda povoava nas evocações das             proposta visual, um logótipo e uma personagem iconográfica, emblemática, que possa
histórias tradicionalmente valorizadas na época. O destino de Sam, seguindo o modelo     estar alinhada com os valores da ecologia, diversidade, igualdade, solidariedade,
Memória Descritiva




respeito pelas tradições, conservação de aspectos basilares na identidade colectiva
armacenense e ao mesmo tempo com uma sofisticação e interesse estéticos que
coadjuvem a qualidade da oferta do Palhota Café e até a própria elegância do seu
projecto arquitectónico e urbanístico.


Na proposta estão ainda contempladas propostas para desmultiplicações desta imagem
em produtos como:

?   Ementas
?   Uniforme dos Colaboradores
?   Bandeira
?   Individuais de mesa
?   Cartões para a Gerência
?   Merchandising
?   Templates para utilização on-line




Bibliografia:
LOBO, Constantino Botelho de Lacerda (1991) - Memória sobre o estado das pescarias
da costa do Algarve no ano de 1790 in Memórias Económicas da Academia Real das
Ciências de Lisboa: 1789 - 1815, [2.ª ed.]. Lisboa: Banco de Portugal, tomo V
.
LOPES, João Baptista da Silva (1989) - Corografia ou memória económica, estatística e
topográfica do reino do Algarve, [2.ª ed.]. Faro: Algarve em Foco Editora, vol. 1
.
GUEDES, Lívio da Costa (1988) - Aspectos do Reino do Algarve nos séculos XVI e XVII:
a «Descripção» de Alexandre Massaii (1621), pref. de Carlos Bessa. Lisboa: Arquivo
Histórico Militar
.
SÃO JOSÉ, Fr. João de (imp. 1983) - Corografia do Reino do Algarve dividida em quatro
livros (1577), apresentação, leitura, notas e glossário de Manuel Viegas Guerreiro e de
Joaquim Romero Magalhães. Lisboa: Sá da Costa Editora
.
SILVA, António Artur Baldaque da (1891) - Estado actual das pescas em Portugal.
Lisboa: Imprensa Nacional
                                                                                          ...dedicado a Armação de Pêra...
Primeiras propostas/
Conceito original
Sam, Branding
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Sam, Branding

  • 1. Proposta para ilustração lona e imagem de marca Palhota Café 10.08.2010
  • 2. Memória Descritiva sobrevivido e mantido actividade entre 1577 e 1621, considerando-se a possibilidade de se ter inclusivé reforçado e consolidado durante este período. Esta hipótese justifica-se Palhota Café Armação de Pêra no facto de Alexandre Massai mencionar mais uma armação de pesca na baía de Pêra em 1621 (Pedra da Galé) que Fr. João de São José em 1577 ainda não referenciava. Justificação proposta para Imagem Corporativa (contexto histórico para a criação da personagem Sam, figura simbólica, imaginada para Não é possível confirmar categoricamente se a actividade piscatória e consequente reforçar a força icónica enunciada pelo conceito de imagem apresentado) existência de uma população instalada em Armação de Pêra estaria somente restrita à época de pesca do atum (Abril a Agosto), ou se permaneceria no local durante o resto do ano, dedicando-se a outros tipos de pesca. Pela existência de população, pelo interesse económico do local ou por ambos, construiu-se uma pequena fortaleza em Armação de Pêra, conhecida estância de veraneio, pela sua extensa praia, muito 1667, que com a sua guarnição militar reforçou a presença humana em Armação de apreciada pelo sol, gastronomia e águas tépidas do oceano, é para muitos um local Pêra. incontornável pelas memórias que adensam a humidade daquela areia com recordações de infâncias, namoros, amores achados e perdidos entre as dunas, amizades, a alegria Aquando do maremoto de 1755, morreram 84 pessoas em Armação de Pêra, tendo dos encontros e histórias de vidas inteiras ligadas ao mar e aos seus frutos. ficado de pé apenas uma casa (LOPES, 1989 [2.ª ed.], p. 290). O estudioso das pescas em Portugal, Constantino Botelho de Lacerda Lobo, na Memória sobre o estado das À semelhança de outras povoações do litoral algarvio, Armação de Pêra desenvolveu-se pescarias do Algarve no ano de 1790, escreve sobre Pêra de Santo António (termo que a partir de uma pequena comunidade piscatória, cuja existência está documentada designava Armação de Pêra na época): «Compõe-se esta povoação de um ajuntamento numa primeira referência escrita conhecida que remonta a 1577, na obra Corografia do de cabanas de pescadores que vivem perto do mar em uma praia arreenta; confina do Reino do Algarve, de Fr. João de São José que no contexto de uma descrição da aldeia nascente com uma alagoa formada por águas vertentes das colinas vizinhas: ao norte de Pêra deixou registada a seguinte observação: «Pêra é um lugar junto de Alcantarilha, com uma aldeia chamada Pêra de Cima[sendo Armação de Pêra também conhecida não longe do mar. [...]. Faz o mar defronte dela ua fermosa praia da banda do sul, na como Pêra de Baixo] [...]. qual está ua armação de atuns que se chama a armação de Pera.» (S. JOSÉ, imp. 1983, p. 58). A existência de uma armação de pesca do atum perto de Pêra, na zona de Contavam-se no ano de 1790 cento e cinquenta pescadores, os quais trabalham na costa hoje conhecida como baía de Pêra, para além de justificar a origem do nome da armação do atum o tempo competente desta pescaria, depois na de diversos peixes do Armação de Pêra, confirma que já em 1577 existiria uma pequena comunidade de mar com os covãos, nos lugares pedregosos da costa: findas as pescarias feitas com pescadores, instalados sazonalmente ou até permanentemente fixada neste local. estes aparelhos, gastam o resto do ano em arrastar as xávegas para terra. [...]. Em o ano de 1790 havia oito barcos, de que somente faziam uso para a pescaria Ás ordens de Filipe II, o engenheiro militar italiano Alexandre Massai percorreu a costa daquela costa, em cada um dos quais iam oito ou dez pescadores, e os outros do Algarve em 1621 com a finalidade de inspeccionar as infraestruturas defensivas, costumam ficar em terra para arrastar os aparelhos. onde encontrou, nos limites da vila de Albufeira « [...] duas Armassois de Atuns mais álem das ásima dittas q se dizem hua dellas pedra de gúale, a otra pera, e a gente e os [...] tem tido aumento a pescaria nesta costa; porque no ano de 1790 contavam-se oito barquos dellas no tenpo de necessidade se vão âo emparo desta V.ª e portanto digo barcos, quando em outro tempo somente havia quatro. Também tinha crescido o número serem neçess.ºs os mosquettes E a sobreditta Artelharia, estas dittas Armassois ja forão dos pescadores, e xávegas.» (LOBO, 1991 [2ª ed.], p. 82, 83). Está assim roubadas E saquiadas por falta de defenção, E com perda da faz.da de Sua mag.de documentado, no registo deste académico, que Armação de Pêra recuperou [...]» (GUEDES, 1988, p. 115). rapidamente da devastação que sofreu com o maremoto de 1755, aliás momento que pelo seu profundo significado e impacto na história da nação foi o momento que A comunidade piscatória de Armação de Pêra, resistindo ainda e sempre às ameaças de escolhemos para o nascimento emblemático da personagem Sam, reunindo como Corsários de origem magrebina que saqueavam as armações de pesca, parece ter referências estéticas para o simbolismo da personagem referências a uma concepção
  • 3. Memória Descritiva imaculada como a de Jesus Cristo, a chegada na crista de uma onda, como na mitologia cavaleiresco, ficou assim traçado para a aventura humanitária, para o imprevisível apelo romana que assim descreve o nascimento de Vénus e ainda uma vaga semelhança com do mar, feito de inspiração algures entre o sagrado e o profano. a cultura da banda desenhada que no caso da chegada do pequeno Clark Kent, o Super-Homem, a envolve num momento drástico, aparatoso e violento facilmente evocativo do terramoto. Voltando novamente à História, ao longo deste período de sensivelmente 50 anos, deixou-se de pescar o atum como ocorria em 1577, 1621 e 1790 até que, por fim, em A todas estas referências juntámos também um grande símbolo da literatura infantil, o 1841, Armação de Pêra já se prefigurava como um destino balnear «pois concorrem Principezinho de Exúpery, por ser uma ode à ternura, simplicidade e esperança contidas aqui muitas pessoas a tomar banhos do mar.» na vida de cada Criança. Todas estas referências visam apelar a um reconhecimento e É nesta transformação que, utilizando toda a liberdade artística que permite à simpatia básicas entre os Clientes da Palhota e a caracterização escolhida para a criatividade relativizar-se um pouco em relação à correcção histórica, que criámos personagem. pertinência para a saga de Sam. Uma praia a encher-se de pessoas, adivinhando já as consequências ambientais desta transformação, que nós despudoradamente Voltando em rigor à História, João Baptista da Silva Lopes descreve em 1841 Armação misturámos com as origens da vila em que a pesca artesanal convivia com incursões de Pêra com estas palavras: « Hoje terá hum terço da povoação da outra aldeia piratas do Magreb, ancestrais medos de monstros marinhos e sereias que encantavam [daquela destruída em 1755], composta de pescadores e gente que se emprega no mar; marinheiros. os quaes tem para as suas pescarias 5 lanchas e 4 artes: a mais dominante he a das sardinhas no tempo da passagem, [...] poucos annos ha, ainda era formada só de Contudo, seguindo a correcção cronológica 1885/86 A. A. Baldaque da Silva, no cabanas, hoje tem boas casas e algumas ricas. [...] Os moradores, fóra da temporada levantamento efectuado sobre o estado das pescas em Portugal, contabilizava-se, em da sardinha, apanhão com os covãos e anzol algum peixe que vendem em fresco; são Armação de Pêra 27 embarcações e 176 pescadores que consagravam o seu trabalho à hum pouco desmazelados, e não se afastão da costa; dão-se a alguns trabalhos do captura da espécie de maior rendimento económico à época: a sardinha. campo, e as mulheres empregão-se em obras de palma. De verão concorrem aqui É este o cenário escolhido para a ilustração maior que é a solicitação central do desafio muitas pessoas a tomar banhos do mar.» (LOPES, 1989 [2.ª ed.], p. 290, 291). lançado pelo Palhota Café. Assim, para a lona é esta representação de uma Armação de Pêra mais viva e povoada Este testemunho contém em si dados absolutamente interessantes que registámos para que é sugerida pela efusão e design das embarcações que servem de cenário à faina consolidar um caminho e “Pathos” simbólicos para o desenvolvimento do logótipo de Sam. proposto assim como o enredo geral em que desmultiplicámos as ilustrações que contam a vida da personagem. Ora, utilizando esta transversalidade histórica da personagem aproveitamos este contacto com a modernidade com a caracterização de Sam com o espírito de Entre 1790 e 1841 Armação de Pêra passa de um agrupamento de cabanas para uma personagens como Corto Maltese ou Giuseppe Bergman, personalidades aldeia de casas de alvenaria, indiciando um aumento do poder económico dos seus inconformistas, já com um sentido universalista de quem percorre o mundo de uma habitantes e a consequente subida da qualidade de vida. forma elegante e marginal ligando o que há de comum entre as pessoas e os povos. Ora aqui encontrámos a circunstância ideal para posicionar a personagem Sam, que na Tornou-se assim possível descrever de uma forma muito mais livre e potencialmente sua representação em estado adulto, passou assim a reunir características de uma interessante, as aventuras deste marinheiro misterioso e irónico, possuidor de uma figuração que o mimetiza a outras personagens muito conhecidas como o Aquaman, o enorme maturidade, cultura e sentido humanitário, sempre alinhando com os fracos e Corto Maltese de Hugo Pratt, Giuseppe Bergman de Milo Manara, Tarzan ou até o desprotegidos, mas sem nunca transmitir lições de moral. Capitão Fantasma. Todas estas personagens são facilmente identificáveis com o “ethos” desta época, ou seja, o sistema de valores, de crenças, e todo o ambiente de fé, Em tom de conclusão, é nossa intenção criar, com esta abordagem ilustrada na aventura, misticismo, heroísmo e coragem que ainda povoava nas evocações das proposta visual, um logótipo e uma personagem iconográfica, emblemática, que possa histórias tradicionalmente valorizadas na época. O destino de Sam, seguindo o modelo estar alinhada com os valores da ecologia, diversidade, igualdade, solidariedade,
  • 4. Memória Descritiva respeito pelas tradições, conservação de aspectos basilares na identidade colectiva armacenense e ao mesmo tempo com uma sofisticação e interesse estéticos que coadjuvem a qualidade da oferta do Palhota Café e até a própria elegância do seu projecto arquitectónico e urbanístico. Na proposta estão ainda contempladas propostas para desmultiplicações desta imagem em produtos como: ? Ementas ? Uniforme dos Colaboradores ? Bandeira ? Individuais de mesa ? Cartões para a Gerência ? Merchandising ? Templates para utilização on-line Bibliografia: LOBO, Constantino Botelho de Lacerda (1991) - Memória sobre o estado das pescarias da costa do Algarve no ano de 1790 in Memórias Económicas da Academia Real das Ciências de Lisboa: 1789 - 1815, [2.ª ed.]. Lisboa: Banco de Portugal, tomo V . LOPES, João Baptista da Silva (1989) - Corografia ou memória económica, estatística e topográfica do reino do Algarve, [2.ª ed.]. Faro: Algarve em Foco Editora, vol. 1 . GUEDES, Lívio da Costa (1988) - Aspectos do Reino do Algarve nos séculos XVI e XVII: a «Descripção» de Alexandre Massaii (1621), pref. de Carlos Bessa. Lisboa: Arquivo Histórico Militar . SÃO JOSÉ, Fr. João de (imp. 1983) - Corografia do Reino do Algarve dividida em quatro livros (1577), apresentação, leitura, notas e glossário de Manuel Viegas Guerreiro e de Joaquim Romero Magalhães. Lisboa: Sá da Costa Editora . SILVA, António Artur Baldaque da (1891) - Estado actual das pescas em Portugal. Lisboa: Imprensa Nacional ...dedicado a Armação de Pêra...
  • 20. Previsão aspecto da Lona aplicada
  • 26. Blog/ Site e Rede Social