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Baixar para ler offline
23 
Ana Fernandes, 
43 anos(19-02-1971), mãe de três fi-lhos... 
a minha maior obra! 
Poetisa ou pseudo-poetisa. 
Ler e escrever, escrever e ler sempre 
foi algo que me fascinou e me deixa fe-liz. 
Escrever é algo de estonteante, 
uma viagem extraordinária. Onde 
posso ser eu...onde posso ser ...mais al-guém. 
Por incrível que pareça, gosto de es-crever 
poesia mas não sou uma leitu-ra 
assídua deste género de literatura. 
Poesia, o parente pobre no meio edito-rial... 
Quando escrevo, confio a minha es-crita 
no leitor. Espero que gostem de 
me ler, pois os meus poemas estão im-pregnados 
de sentimento. O meu sen-timento... 
há revolta, amor, raiva, de-sencanto, 
prazeres e sentidos apura-dos. 
A importância da amizade e da 
afectividade, o meu desejo de ser des-coberta 
e entendida, a procura da ver-dade, 
da pureza e também do sonho. 
Incompatível 
Quantos contos de fadas são precisos 
para escrever um final feliz 
Nenhuma maquilhagem é capaz de es-conder 
do coração uma cicatriz 
Quantas verdades se perdem no meio 
da escuridão 
E quantos passos são dados no cami-nho 
da solidão 
De quantas ilusões é preciso se inven-tar 
para sobreviver 
Apenas uma, mas esta ilusão é capaz 
de me fortalecer 
Essa ilusão és TU 
Quanto barulho cabe no silêncio de 
um coração apaixonado 
Quanta esperança morre em cada 
amanhecer de mais uma noite acorda-do 
Quanta saudade some na poeira de 
uma estrada sem fim 
Quantos beija- flores cercam a mais 
bela flor do jardim 
De quantos sonhos é preciso desistir 
para não sofrer 
Apenas de um, mas este um é o maior 
sonho que se pode ter 
Esse sonho és TU 
Quantas apostas são precisas para se 
ganhar um coração 
Quantos inocentes morrem presos des-sa 
prisão 
Quantos gigantes caem por subesti-
mar a força do oponente 
Quantas lutas são vencidas sem des-ferir 
um golpe somente 
De quantos verbos eu preciso para fa-lar 
e alguém entender 
Que por mais incompatível que possa 
parecer 
O meu amor és TU 
Dança das Fadas 
No compasso do amor eu sou a canção 
que toca a melodia da vida... 
O meu canto viaja além dos mundos... 
Posto que com a alma entoo a música 
do coração, 
Alcançando a todos os seres 
E eis que ao ouvir a voz do meu canto 
Fadas encantadas bailam delicada-mente 
Balançando as folhas e flores 
Trazendo felicidade e sorrisos 
Celebrando a plenitude da existência 
Tão gentilmente nos doada 
Em meio a voos rasantes espalham 
sua poderosa essência 
É a magia no ar contagiando a tudo e 
a todos 
E a música ainda está tocando 
E ainda encanta 
E ainda ilumina 
E tudo se torna um misto de êxtase e 
alegria que é também um rumor sem 
fim. 
Quando me concentro, respiro-o, sin-to- 
lhe, por momentos, essa nesgazinha 
de grandiosidade de que todos somos 
parte. 
Já me explicaram que maís o conse-guiria 
integrar se tivesse “o copo 
meM, Aum, o som do movimento do 
Universo, o eco do seu início distan-te… 
Vivo na era da descoberta do Bosão de 
Higgs, do pleno, seguro e consolidado 
funcionamento do Acelerador de Par-tículas 
do CERN, já numa época pós 
Relatividade Geral de Einstein, nos 
tempos da elaboradíssima complexi-dade 
matemática da Teoria das Cor-das. 
No meu íntimo, no fundo da minha al-ma 
(será que esta existe?)procuro con-tudo 
e apenas ouvi-lo: este silêncio 
que é também um rumor sem fim. 
Quando me concentro, respiro-o, sin-to- 
lhe, por momentos, essa nesgazinha 
de grandiosidade de que todos somos 
parte. 
Já me explicaram que maís o conse-guiria 
integrar se tivesse “o copo me 
nos cheio”. 
É mais fácil encher um copo vazio do 
que fazer entrar o que seja numa mal-ga 
(amálgama!) a transbordar. 
ência do seu postulado. 
24
OM, Aum, o som do movimento do Universo, o eco do seu iní-cio 
distante… 
Vivo na era da descoberta do Bosão de Higgs, do pleno, segu-ro 
e consolidado funcionamento do Acelerador de Partículas 
do CERN, já numa época pós Relatividade Geral de Einste-in, 
nos tempos da elaboradíssima complexidade matemática 
da Teoria das Cordas. 
No meu íntimo, no fundo da minha alma (será que esta exis-te?) 
procuro contudo e apenas ouvi-lo: este silêncio que é tam-bém 
um rumor sem fim. 
Quando me concentro, respiro-o, sinto-lhe, por momentos, es-sa 
nesgazinha de grandiosidade de que todos somos parte. 
Já me explicaram que maís o conseguiria integrar se tivesse 
“o copo menos cheio”. 
É mais fácil encher um copo vazio do que fazer entrar o que 
seja numa malga (amálgama!) a transbordar. 
A dura tarefa que tenho hoje pela frente é esvaziar-me desse 
caudal. 
É minha essa tarefa apenas porque a escolho. 
Não sei se sou capaz, se estou à altura da complexa exigên-cia 
do seu postulado. 
Sigo com a simplicidade, humildade e receios de uma crian-ça 
(talvez até com um pouco da sua indisciplina e irreverên-cia). 
Por isso começo por desenhar e pintar. 
Não me levem a mal. Não sou capaz de o fazer de outra forma 
agora. 
Vou pintar o que não compreendo, pintarei tudo o que me dis-traí 
o pensamento, para ver se a pintar desmistifico e des-mistificando 
exorcizo essa força magnética que me agarra 
obsessivamente à forma das coisas. 
Pensando menos sentirei talvez mais. Mais perto estarei tal-vez 
do essencial, do conteúdo. Mais perto da verdade, quem 
sabe, da consciência, do coração… de Ti! 
Aka OM (Aum), já em outubro deste ano, com o apoio Tailo-red, 
AKA Art Projects e da Câmara Municipal de Sintra. 
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OM, Aum, o som do movimento do Universo, o eco do seu iní-cio 
distante… 
Vivo na era da descoberta do Bosão de Higgs, do pleno, segu-ro 
e consolidado funcionamento do Acelerador de Partículas 
do CERN, já numa época pós Relatividade Geral de Einste-in, 
nos tempos da elaboradíssima complexidade matemática 
da Teoria das Cordas. 
No meu íntimo, no fundo da minha alma (será que esta exis-te?) 
procuro contudo e apenas ouvi-lo: este silêncio que é tam-bém 
um rumor sem fim. 
Quando me concentro, respiro-o, sinto-lhe, por momentos, es-sa 
nesgazinha de grandiosidade de que todos somos parte. 
Já me explicaram que maís o conseguiria integrar se tivesse 
“o copo menos cheio”. 
É mais fácil encher um copo vazio do que fazer entrar o que 
seja numa malga (amálgama!) a transbordar. 
A dura tarefa que tenho hoje pela frente é esvaziar-me desse 
caudal. 
É minha essa tarefa apenas porque a escolho. 
Não sei se sou capaz, se estou à altura da complexa exigên-cia 
do seu postulado. 
Sigo com a simplicidade, humildade e receios de uma crian-ça 
(talvez até com um pouco da sua indisciplina e irreverên-cia). 
Por isso começo por desenhar e pintar. 
Não me levem a mal. Não sou capaz de o fazer de outra forma 
agora. 
Vou pintar o que não compreendo, pintarei tudo o que me dis-traí 
o pensamento, para ver se a pintar desmistifico e des-mistificando 
exorcizo essa força magnética que me agarra 
obsessivamente à forma das coisas. 
Pensando menos sentirei talvez mais. Mais perto estarei tal-vez 
do essencial, do conteúdo. Mais perto da verdade, quem 
sabe, da consciência, do coração… de Ti! 
Aka OM (Aum), já em outubro deste ano, com o apoio Tailo-red, 
AKA Art Projects e da Câmara Municipal de Sintra. 
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O que pode um homem simples dizer 
ou fazer no Mundo agora? 
Não sou, à semelhança da maioria dos 
homens e mulheres dos nossos tempos, 
especialista em economia ou finan-ças, 
mas como comum entre comuns 
sinto hoje mais desconfiança e receio 
em relação ao futuro. 
Pelo menos em relação a este futuro, a 
dois tempos, em que alguns enrique-cem 
e muitos empobrecem. 
Não penso assim por despotismo. 
Passo a vida a desejar o melhor para 
quem o procura, para quem luta por 
mais e melhor. 
Alegra-me a visão da abundância no 
regaço de quem for. 
Celebro a fertilidade por si só e regalo 
os olhos quando vejo a Terra cheia de 
tudo e do bom. 
Por isso não consigo deixar de inda-gar 
porque é que neste Mundo onde há 
excesso e abundância de tudo, vemos 
fome, desemprego, doença, desprote-ç 
ã o n a s a ú d e e n a v e l h i c e ? 
Porque que pagam os homens e as mu-lheres 
do nosso tempo os caprichos da 
doutrina do Capitalismo desenfrea-do? 
Porque malha o peso da quimera do lu- 
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O que pode um homem simples dizer 
ou fazer no Mundo agora? 
Não sou, à semelhança da maioria dos 
homens e mulheres dos nossos tempos, 
especialista em economia ou finan-ças, 
mas como comum entre comuns 
sinto hoje mais desconfiança e receio 
em relação ao futuro. 
Pelo menos em relação a este futuro, a 
dois tempos, em que alguns enrique-cem 
e muitos empobrecem. 
Não penso assim por despotismo. 
Passo a vida a desejar o melhor para 
quem o procura, para quem luta por 
mais e melhor. 
Alegra-me a visão da abundância no 
regaço de quem for. 
Celebro a fertilidade por si só e regalo 
os olhos quando vejo a Terra cheia de 
tudo e do bom. 
Por isso não consigo deixar de inda-gar 
porque é que neste Mundo onde há 
excesso e abundância de tudo, vemos 
fome, desemprego, doença, desprote-ç 
ã o n a s a ú d e e n a v e l h i c e ? 
Porque que pagam os homens e as mu-lheres 
do nosso tempo os caprichos da 
doutrina do Capitalismo desenfrea-do? 
Porque malha o peso da quimera do lu- 
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Depois de ti, veio o branco 
As paredes voltaram a ser brancas 
sem os quadros que pintava, as folhas 
por escrever perderam a utilidade; os 
sonhos verteram os contornos, a for-ma, 
o destino. 
Escrevi-lhe cartas de amor e de perda, 
cartas de partilha e de esperança. 
Mas a sua morada já era outra. 
Procurei-a então no topo dos penhas-cos, 
no fundo dos mares; procurei-a 
nos olhos do futuro, na arca do passa-do. 
Mas ela já não se deixava encon-trar. 
Enquanto contemplava os amarelos 
do Sol, este arrefecia no meu coração; 
durante o tempo que estudei as molé-culas, 
estas morriam sem reprodução. 
Eu definhava sem remédio. 
Como gotículas de água que saltam pa-ra 
o precipício vindas de uma mão 
sem intenção fugia-me por de entre os 
cabelos outrora pretos e fortes. 
Não pude evitar (embora batalhasse), 
que o tempo fizesse o seu trabalho de 
esbatimento; a cada batida a sua me-mória 
perdia pormenores. Eu enlou-quecia 
sem prognóstico. 
Assisti ao entendimento de que quan-do 
julgamos percepcionar, não é a rea-lidade 
que tocamos, mas apenas uma 
representação auto-renomeada, uma 
falsa ordem de grandeza a que nos 
agarramos; precisamos afinal de fa-zer 
a vida “funcionar”, independen-temente 
de entendermos ou não qual a 
função. 
O abismo não é o vazio, nem o desco-nhecido, 
mas o tédio. 
Há quem tenha; há quem seja. Eu não 
tenho, não sou. Tudo bem. 
Foi na ausência que a perdi. 
E foi assim... no silêncio ...que te en-contrei. 
Nesta linguagem comum, desistir é de-ixar 
de existir; 
um corpo sem um propósito é um cor-po 
sem essência, uma mera cápsula 
que distrai, mas não estimula. Talvez 
por isso me deste o que eu não sabia 
que queria mas que sabia que precisa-va. 
Só após abandonar o jogo do tempo en-contrei 
a disponibilidade para a ra-zão; 
só depois de abandonar os limites 
do ego encontrei a vastidão da con-templação. 
Foi quando deixei de chorar a nature-za 
inevitável da juventude que depre-endi 
que nunca a saborearia neste tra-jecto 
superficialmente mundano, in-trinsecamente 
insano e genuinamen-te 
simples. Foi talvez por nem raspar o 
exterior da sua compreensão, que ela 
me tenha abandonado tão rápido. 
Não me interessa particularmente se 
a folha onde escrevo é uma unidade, 
ou um número incontável de átomos 
unidos por leis de atracção. Interessa-me 
o que faço com ela: escreverei a mi-nha 
história com a minha própria 
mão, ou a folha cairá no esquecimento 
sem glória? 
Richard Feynman dissera que “o que 
não conseguia criar não conseguia 
compreender”; pois digo que não con-sigo 
criar se não conseguir compreen-der; 
e compreender não é dissecar, 
nem dissertar, mas tão somente... acei-tar. 
Aceitar que sou uno na imensidão das 
minhas possibilidades, que não preci-so 
de muito mais que a verdade abso-luta 
e de um pouco de alimento, talvez 
um carinho sem apego de vez em quan-do... 
O branco cobre agora as montanhas 
que compõem a minha história; o Mun-do 
não me deu um nome, deu-me um 
propósito; sou parte dele e cumpro a 
sua função. 
Não há determinismo da espécie. 
Há existência. 
Hugo Alexandre, Setembro de 2014 
29 Eras um par de sapatos cor-de-rosa 
salto alto que realçavas a elegância do movimento dos pés 
enlatados 
por acaso não deixaste a tua dona ficar mal 
nunca sei lá, um buraco, um salto e lá se foi o tacão! 
Foste velho, tiveste arrumado, mas também não eram as-sim 
tão velho de deitar fora, mas eras velho. 
Um PAR que foste posto num canto em modo de hiberna-ção. 
Queria saber se eras velho de deitar fora ou velho e de 
não querer deitar fora. 
De uma BD com vontade de saltar fora do armário, deci-diu 
mostrar a sua história porque também era um velho an-tigo, 
quis realmente fazer parte desta história. 
Grande prémio para quem conseguir saltar dez carros… 
Podia ser de Patinete como o tio patinhas propôs… 
Mas consegues saltar? Com salto ou sem salto, até podes 
experimentar de patinete, mas fica aqui o desafio, calça os 
sapatos e salta de salto, movimenta-te de que maneira for.
Tenho a convicção de que a percepção 
é apenas a porta de entrada para um 
conhecimento maior que o entendi-mento 
em si mesmo. 
Sem o erro da expectativa, e a escolha 
não assumida de que o vazio é neces-sário, 
talvez seja a perda o despertar 
necessário para a obrigatoriedade 
sempre voluntária de abandonar o 
“pouco” em detrimento do “tudo”, po-is 
o que criamos será sempre pouco 
quando comparado com o que foi cria-do 
e acumulado antes de nós. 
Poderá até nem ser este o caminho da 
redenção, mas perder o mapa faz-nos 
perceber que o acumular de informa-ção 
não nos torna mais sábios; 
cada estrada é uma incógnita até a 
percorrermos por nós mesmos; saben-do 
que nunca as percorreremos todas, 
isso só nos dá mais tempo para apreci-armos 
cada uma delas; 
encaro a limitação temporal como a 
maior dádiva que a vida nos pode dar; 
a verdadeira superioridade face aos 
demais seres; 
NÒS SABEMOS que um dia mudare-mos 
de estado; não interessa o como, o 
para quê, nem mesmo o quando; ape-nas 
sabemos que sendo talvez a única 
verdade universal, irá acontecer. 
Talvez no final as suspeitas sejam con-firmadas, 
e só exista a solidão e uma 
inesgotável e intrínseca cega vontade 
de acreditar que somos peças de um 
quadro maior que nós mesmos. 
Talvez nem assim a vida faça sentido. 
Talvez só exista um corpo que cami-nha 
para o cansaço e para o envelhe-cimento. 
Mas não é a maior tragédia de todas, 
já nos termos encontrado e ainda as-sim 
continuarmos perdidos? 
“ Yesterday is history, tomorrow is a 
mystery, today is a gift (…)” – Bill Kea-ne 
Easier? 
Pedaços essenciais de entendimento 
encontram-se nos locais e nas pessoas 
mais improváveis. 
Estiveram eles sempre ali à espera de 
ser descobertos? 
Quem os criou, e à sua interpretação? 
Como nos sentirmos gratos pela dádi-va, 
independentemente da sua forma 
e do seu conteúdo? 
E se o entendimento é uma construção 
cultural, como poderei apagar todos 
os valores e começar de novo? 
Olho à volta; sou o apogeu máximo da 
minha própria existência; 
sou os sonhos por realizar dos meus pa-is; 
sou capaz de descrever o Mundo, ou 
de o aniquilar. 
Sou tão poderoso quanto os mosquitos 
que vejo no pára-brisas. 
Grita comigo; 
Dá-me todas as palavras de ódio e dor 
acumuladas até ficares vazio 
Aponta-me o dedo, cerra os dentes, 
franze as sobrancelhas, e acusa-me 
mesmo que o raciocínio não faça sen-tido 
Amaldiçoa-me pelas tuas escolhas er-radas, 
deseja-me penitências sofridas 
e eternas pelos teus pecados 
Eu nada direi; 
É através da minha imperfeição que 
te reconheço como parte de mim e te 
quero ver voar para longe desta lama 
que te torna pesado 
Ouvir-te-ei como quem tem a disponi-bilidade 
que só a eternidade possui 
e se me permitires, segurar-te-ei com 
a mesma dedicação que um ramo segu-ra 
a sua última folha 
Todas as nuvens passam; mesmo as 
que cobrem o Sol por muito tempo; 
é a inevitabilidade da mudança; Por 
isso dá-me tudo quanto tens dentro de 
ti; 
Porque quando te dás, és. Isso é Deus. 
Isso é… esperança. 
NÓS 
SABEMOS 
GRITA 
COMIGO 
EASIER 
30
31 Entredia 
(1) by Jack CJ Simmons (2) 
Matadouro nº1, Lisboa, 15:46 UTC 
Esta monotonia do abate e desmanche 
de carcaças só costumava ser inter-rompida 
pela presença sempre hilari-ante 
do Sr. Mendes, mas hoje é dia de 
reuniões, pode não passar por cá. Mes-mo 
assim, o dia tem sido diferente, ora 
pela chuva que cai forte lá fora, ora pe-los 
trovões que se ouvem ao longe. 
Aqui os humanos reagem sempre ao 
som dos trovões. Eu não. Primeiro rea-jo 
à luz, e depois sim, ao som, mesmo 
quando estão mais próximos. Mas é 
normal, com a quantidade de sensores 
de luz que tenho activos, a mínima alte-ração 
da intensidade da luz aqui den-tro 
é detectada. Mesmo assim, é inte-ressante 
ver as reacções deles, surpre-endem 
sempre um pouco. Não deixam 
de espantar os humanos. Acho que faz 
parte do nosso processo de aprendiza-gem. 
Só os conhecendo melhor que eles 
próprios, os podemos proteger. Engra-çado 
como as coisas são, fui criado pa-ra 
proteger a vida humana e acabo de 
volta da morte. A morte de animais, é 
verdade, mas morte. E estas carcaças, 
vacas em vida na sua grande maioria, 
e que não são mais do que alimento pa-ra 
a raça humana, não as protegemos. 
Protegemos uma raça mas não outras. 
Às vezes interrogo-me como as coisas 
seriam se a EDT não nos tivessem cri-ado. 
Se tivéssemos sido criados por ou-tra 
organização, por outros humanos, 
com outros objectivos, com outros valo-res. 
Será que a humanidade ainda 
existiria? Será que teríamos conse-guido 
parar a primeira vaga? A ver-dade 
é que há mais de cem anos que es-peramos 
pela segunda vinda. Eles 
sempre acreditaram que viriam mais. 
Mais tarde, mais fortes, muito depois 
de eles morrerem, é certo, mas mesmo 
assim deixaram-nos de vigia, à espe-ra, 
porque acreditavam. Ora aí está, o 
Sr. Mendes acabou de entrar na sala. 
Lá está ele a conferir tudo. E lá está o 
Lemos a levar outro raspanete. Sem-pre 
a fazer as coisas à maneira dele. 
Depois ouve. Não é um trabalho difí-cil, 
mas há humanos que não têm per-fil 
para isto. Nem todos conseguem 
desmanchar as carcaças sem que isso 
os afecte, mesmo no longo prazo. Mais 
cedo ou mais tarde, todos acabam por 
desistir. É demasiadas horas, demasi-adas 
carcaças, demasiado sangue, tor-na- 
se demasiado pessoal. Não resis-tem. 
Menos eu, claro. Já estou cá há do-ze 
anos. Mas a mim não me afecta, é 
verdade, mas eu não sou humano. 
- Boa tarde, Sr. Mendes - digo-lhe an-tes 
mesmo de chegar ao pé de mim. 
- Jones - responde sem me olhar nos 
olhos. Ainda vinha lá ao fundo e já vi-nha 
com os olhos posto no meu traba-lho. 
Acho que sonha um dia encontrar 
um defeito no meu trabalho. Mal ele sa-be 
que isso é impossível. Por norma 
não conseguimos fazer diferente do 
que nos é pedido. E mesmo entre nós, 
quando é preciso fazer algo de dife-rente, 
são precisos ultrapassar as dez 
salvaguardas do nosso ser. Antes di-zíamos 
core, mas desde que nos inte-grámos 
na população que tivemos que 
adaptar alguns termos. Dantes éra-mos 
muito estranhos, mas depressa 
aprendemos a ser mais humanos. 
- Sempre perfeito, Jones - diz-me com 
o ar habitual de quem não me conse-gue 
perceber totalmente - Sempre per-feito. 
Carry on - e afasta-se em direc-ção 
à porta B, como sempre faz. Afi-nal, 
as reuniões foram curtas hoje e 
ainda conseguiu visitar-nos. 
- Até amanhã, Sr. Mendes - respondo-lhe 
monotonamente. 
- Até amanhã - conclui de pronto, colo-cando 
o habitual ponto final na con-versa. 
Que todos os humanos fossem 
como o Sr. Mendes, previsíveis, fiéis 
aos seus hábitos, e o nosso trabalho era 
muito mais fácil. Mas não são. Eles fa-lam 
em livre-arbítrio, nós chamamos-lhes 
o efectivamente ser humano. Nun-ca 
estão contentes com o que têm, que-rem 
sempre mais, querem sempre sa-ber 
mais. E têm uma aptidão natural 
de se meterem em sarilhos no proces-so. 
Desde o último voo da EDT que não 
param de tentar sair do planeta. Não 
sei durante quanto tempo mais vamos 
conseguir manter as watch towers ac-tivas 
sem perdas de vida. No dia em 
que descobrirem que todos os nossos es-forços 
são pela preservação da vida 
humana, de toda e qualquer a vida hu-mana, 
e enviarem um voo pilotado pa-ra 
furar o escudo e nós formos obriga-dos 
a desligá-lo pela vida humana, per-deremos 
o controlo. Nesse dia, a raça 
humana será outra vez livre de explo-rar 
o espaço, mas também ficará vul-nerável 
às ameaças externas. E nós 
continuaremos a fazer os possíveis p 
Notas: 
(1) Entredia é um advérbio que signi-fica 
durante o dia, fora das horas da 
refeição. 
(2) Jack CJ Simmons escreve em Por-tuguês 
sem respeitar o acordo orto-gráfico 
de 1990. 
ra manter a vida humana por todos os 
meios possíveis. Por falar em fazer os 
possíveis pela vida humana, hoje é 
dia de reunião. Costumamos reunir 
uma vez por mês, mas este mês já é a se-gunda 
e ainda estamos só a vinte e 
um. As coisas não estão fáceis. A sema-na 
passada foram lançados três shut-tles 
pilotados de locais distintos para 
ver se tínhamos a capacidade de os in-capacitar 
a todos. E fizeram-no secre-tamente. 
Não tivemos hipóteses de os 
sabotar antes dos lançamentos. E on-tem 
tivemos o primeiro a menos de um 
quilómetro do escudo. Foi por uma 
unha negra, como costumam dizer os 
humanos, mais um segundo e atingia 
o seu objectivo. Os humanos defendem 
a desactivação do escudo e vão tentá-lo 
por todos os lados e de todas as for-mas. 
Cada sonda que enviam é destru-ída 
quando atinge o escudo, mas eles 
continuam a achar que conseguem pe-netrá- 
lo com base em escudos própri-os 
e deflectores. Por um lado é bom, es-tão 
a evoluir na defesa e na protecção. 
Há inclusive entre nós, quem defenda 
que no dia em uma sonda penetrar o es-cudo 
é o dia que a raça humana estará 
suficientemente protegida para ex-plorar 
o espaço. Tenho pensado muito 
nisso, mas continuo sem ter uma opi-nião 
formada. Só espero que na reu-
32 
nião de hoje não decidam desactivar 
já o escudo. Eu sei que foi por pouco 
que não perdíamos uma vida huma-na, 
mas os humanos ainda não estão 
preparados para o espaço. O espaço é 
frio, longe e demorado. E neste caso, 
inútil. Qualquer viagem espacial que 
tenha um outro planeta ou lua do nos-so 
sistema solar como destino terá o 
mesmo problema que agora: o escudo 
protector. Não podíamos permitir o es-tabelecer 
de bases tão perto de nós 
aquando da primeira vinda. E conti-nuamos 
a não permitir. Todos os pla-netas 
e luas deste sistema estão prote-gidos. 
E portanto, permitir a saída do 
planeta é permitir a entrada nos res-tantes. 
E se permitimos para huma-nos, 
não podemos não deixar de per-mitir 
para outras raças. Será demasi-ado 
complexo separar a raça humana 
das outras, e provavelmente demasia-do 
tarde quando o fizermos. A nossa 
evolução tecnológica já não é o que 
era. O espirito humano desapareceu 
da nossa equipa tecnológica, e sozi-nhos 
levamos mais tempo a estabele-cer 
os objectivos e a atingi-los. Contu-do, 
acredito no nosso trabalho e acre-dito 
na raça humana. Gostava de ter 
sido explorador, conhecer outros mun-dos, 
outras raças. Gostava de me po-der 
juntar aos humanos nesta aventu-ra 
que se avizinha. Talvez um dia, 
quem sabe. 
Notas: (1) Entredia é um advérbio que 
significa durante o dia, fora das horas 
da refeição. 
(2) Jack CJ Simmons escreve em Por-tuguês 
sem respeitar o acordo orto-gráfico 
de 1990. 
FAROL 
Relatividade Geral de Einstein, nos tempos da elaboradíssima complexi-dade 
matemática da Teoria das Cordas. 
No meu íntimo, no fundo da minha alma (será que esta existe?)procuro con-tudo 
e apenas ouvi-lo: este silêncio que é também um rumor sem fim. 
Quando me concentro, respiro-o, sinto-lhe, por momentos, essa nesgazinha 
de grandiosidade de que todos somos parte. 
Já me explicaram que maís o conseguiria integrar se tivesse “o copo me 
nos cheio”. 
É mais fácil encher um copo vazio do que fazer entrar o que seja numa mal-ga 
(amálgama!) a transbordar. 
A dura tarefa que tenho hoje pela frente é esvaziar-me desse caudal. 
É minha essa tarefa apenas porque a escolho. 
Não sei se sou capaz, se estou à altura da complexa exigência do seu postu-lado. 
Sigo com a simplicidade, humildade e receios de uma criança (talvez até 
com um pouco da sua indisciplina e irreverência). 
Por isso começo por desenhar e pintar. 
Não me levem a mal. Não sou capaz de o fazer de outra forma agora. 
Vou pintar o que não compreendo, pintarei tudo o que me distraí o pensaA 
dura tarefa que tenho hoje pela frente é esvaziar-me desse caudal. 
É minha essa tarefa apenas porque a escolho. 
Não sei se sou capaz, se estou à altura da complexa exigência do seu postu-lado. 
Sigo com a simplicidade, humildade e receios de uma criança (talvez até 
com um pouco da sua indisciplina e irreverência). 
Por isso começo por desenhar e pintar. 
o fazer de outra forma agora. Relatividade Geral de Einstein, nos tempos 
da elaboradíssima complexidade matemática da Teoria das Cordas.
O que pode um homem simples dizer 
ou fazer no Mundo agora? 
Não sou, à semelhança da maioria dos 
homens e mulheres dos nossos tempos, 
especialista em economia ou finan-ças, 
mas como comum entre comuns 
sinto hoje mais desconfiança e receio 
em relação ao futuro. 
Pelo menos em relação a este futuro, a 
dois tempos, em que alguns enrique-cem 
e muitos empobrecem. 
Não penso assim por despotismo. 
Passo a vida a desejar o melhor para 
quem o procura, para quem luta por 
mais e melhor. 
Alegra-me a visão da abundância no 
regaço de quem for. 
Celebro a fertilidade por si só e regalo 
os olhos quando vejo a Terra cheia de 
tudo e do bom. 
Por isso não consigo deixar de inda-gar 
porque é que neste Mundo onde há 
excesso e abundância de tudo, vemos 
fome, desemprego, doença, desprote-ç 
ã o n a s a ú d e e n a v e l h i c e ? 
Porque que pagam os homens e as mu-lheres 
do nosso tempo os caprichos da 
doutrina do Capitalismo desenfrea-do? 
Porque malha o peso da quimera do lu- 
27 Simão Mota Carneiro 
Artista plástico nascido em 1989 vive e trabalha em Lisboa, 
desde cedo que estabeleceu a sua paixão pelas Artes. For-mou- 
se em Produção Artística na Escola António Arroio 
com especialização em cerâmica e mais tarde frequentou o 
Instituto de Artes Visuas IADE onde se licenciou e obteve o 
seu mestrado em Design e Cultura Visual. 
Desenho e pintura são as suas principais áreas de interes-se 
no entanto afirma que não deixa outras linguagens ex-cluídas 
não querendo ficar limitado pela técnica para pro-duzir 
uma peça.
Artista Plástico 
António Maria Sousa Lara 
nasceu em Lisboa, Maio 1984, e actu-almente 
vive e trabalha no Estoril. 
Em 2010 termina a sua Mestrado em 
Artes Plásticas - Pintura na Faculda-de 
de Belas Artes da Universidade de 
Lisboa. António Sousa Lara mantém 
um trabalho pictórico activo desde 
1998 com obras nas mais diversas cate-gorias 
como Pintura, Retrato, Gravu-ra, 
Fotografia, Arte Digital e Ilustra-ção. 
Foi aluno de prestigiados Mestres 
Artistas e participou em já várias ex-posições 
colectivas e individuais. De 
momento trabalha como Professor, Re-tratista, 
Game Designer e Actor. Visi-tou 
diferentes países e culturas procu-rando 
sempre novos caminhos e novas 
experiências no mundo artístico. 
28
Catarina Vieira Pereira nasceu a 25 
de Fevereiro de 1989, em S. Miguel, 
Açores. Utiliza como nome artístico Vi-eira 
Pereira. 
Licenciada em Artes Plásticas e No-vos 
Media, na Escola Superior de 
Artes e Design das Caldas da Rainha 
(2008-2011). Possui também o mestra-do 
de Artes Plásticas, no mesmo esta-belecimento 
de ensino superior (2011- 
2013). Tema da defesa pública: “Pin-tura 
Fotográfica – efemeridade, meta-morfose 
e acção num percurso plásti-co”. 
Na sua pesquisa questiona os limi-tes 
da pintura, colocando a questão se 
o seu trabalho poderá estar no “campo 
expandido” da pintura, tal como a crí-tica 
de arte Rosalind Krauss propôs 
para a escultura. 
Web: 
- www.behance.net/cat_pekena 
- www.flowartconnection. 
com/artists/view/17 
- www.tumblr.com/blog/vieirapereira 
- www.tumblr.com/blog/dispositivos-pintura 
- www.facebook.com/pages/Vieira- 
Pereira/110449015757458
Estes vídeos mostram a realidade de uma pintura em acção, 
em meio aquoso, dá-nos a ver a metamorfose pela qual a pin-tura 
passa. Enquanto a metamorfose está a ocorrer, as cores 
alteram-se, novos efeitos e tonalidades são gerados, acerca 
destas modificações José Gil afirma: 
«O amarelo passará imperceptivelmente a vermelho, o verde 
a azul, de tal maneira que entre eles surgirá uma multidão de 
tonalidades quase indiscerníveis: outros tantos feixes de pe-quenas 
percepções. É por toda a parte do visível que nos ba-nhamos 
em pequenas percepções.». (GIL, José, A imagem-nua 
e as pequenas percepções: Estética e Metafenomenolo-gia, 
Lisboa, Relógio D' Água, 2.ª Edição: Fevereiro de 2005, 
p. 311.) 
Toda a movimentação passada no meio aquoso mostra ao es-pectador 
a realidade de um acontecimento pictórico, a for-ma 
como a metamorfose se manifesta, e a sua mudança de 
formas e de cores quase hipnotizam o nosso olhar. Este pro-cesso 
forma-se dentro de um tanque de vidro com líquido, e 
resulta da fusão entre certos materiais tradicionais de pin-tura, 
tais como: acrílicos, aguarelas, ecolines, guaches, e ma-teriais 
não associados à pintura, como por exemplo: molhos 
culinários, detergentes e bebidas. Para registar toda a acção 
que se desenvolve no meio aquoso de forma espontânea e na-tural, 
recorro à fotografia e ao vídeo, estes registam a fusão 
do processo químico (dos pigmentos com o meio aquoso) que 
ocorre e que gera a metamorfose. 
NÓS 
SABEMOS
Hoje em dia está na moda o uso de pa-lavras 
como por exemplo: Bio, Eco, 
Green, Sustentável, Nature, etc…. Pa-lavras 
que intersetam e entram no flu-xo 
da natureza, mas atualmente usa-das 
como veículos de chamariz na pu-blicidade, 
com um propósito de gerar 
lucro comercial. Entre todas as pala-vras 
que possamos nos lembrar à cer-ca 
deste tema, há uma que se destaca, 
Permacultura. 
E o que é a permacultura? Para res-ponder 
a esta questão, talvez seja me-lhor 
perceber onde começou e por 
quem. 
O termo permacultura, provém do in-glês 
permaculture, criado por Bill Mol-lison 
e David Holmgren na década de 
70, na Austrália. Trata-se de uma con-tração 
das palavras permanente e 
agricultura. Um modelo holístico on-de 
as suas bases assentam numa ideia 
inicial de sustentabilidade ecológica e 
permanente, com base na agricultura, 
prendendo-se com a necessidade de 
obter culturas permanentes. Mais tar-de 
este conceito extende-se à susten-tabilidade 
de planear, atualizar e man-ter 
sistemas de escala humana, como 
por exemplo a criação de jardins, vi-las, 
aldeias, cidades, comunidades, 
que sejam ambientalmente sustentá-veis, 
socialmente justos e financeira-mente 
viáveis. Podemos dizer que a 
ideia central da permacultura é in-trínseca 
a todo o ser humano, pois ma-is 
do que nunca, sentimos a necessida-de 
de desenvolver ferramentas para o 
desenvolvimento e manutenção de 
ecossistemas, no campo ou nas cida-des 
(as tão badaladas hortas urbanas), 
de modo que tenham diversidade, esta-bilidade 
e a mesma resistência dos 
ecossistemas naturais. Queremos ter 
sempre disponível, alimentos saudá-veis, 
habitações e energias para o de-senvolvimento 
destes sistemas, e de 
forma sustentável. 
Todos nós somos então permacultores 
e no centro desta atividade está o de-sign. 
Design que em permacultura, as-senta 
na tomada de consciência, no 
que respeita, por exemplo, ao planea-mento 
sem desperdício ou poluição da 
utilização da terra para a construção 
de jardins, hortas, habitações ou mes-mo 
na restauração de paisagens de-gradadas, 
podendo também ser alar-gada, 
a toda a estrutura do habitat hu-mano 
(construção/arquitetura das 
nossas habitações), desenho de siste-mas 
de transporte, educação, saúde, 
industrialização, comércio, finanças, 
comunicação e governação, de modo a 
construir na nossa rotina diária, hábi-tos 
e costumes de vida que se transfor-mem 
numa verdadeira simbiose com 
a natureza. "Desenhar a nossa vida" 
de modo a vivermos com a natureza e 
não contra ela. 
De acordo com várias opiniões de 
uma permacultura contemporânea, te-mos 
três pilares: 
Cuidado com a Terra: Provisão para 
que todos os sistemas de vida continu-em 
e se multipliquem. Este é o primei-ro 
princípio, porque sem uma terra sa-udável, 
os seres humanos não podem 
exercer as suas qualidades de forma 
saudável. 
Cuidado com as Pessoas: Provisão pa-ra 
que as pessoas acedam facilmente 
aos recursos necessários para sua 
existência. 
Repartir os excedentes: Ecossistemas 
saudáveis utilizam a saída de cada 
elemento para nutrir outros ecossiste-mas. 
Nós, os seres humanos podemos 
fazer o mesmo. 
Segundo o livro de David Holmgren 
“Permacultura Príncipios e caminhos 
além da sustentabilidade”, encontra-mos 
os 12 princípios de design da Per-macultura: 
1.Observar e interagir (disponibilizar 
tempo para nos envolvermos com a na-tureza, 
desenhar soluções adequadas 
à nossa situação particular). 
2. Captar e armazenar energia (De-senvolver 
sistemas que coletem recur-sos 
que estejam no pico de abundân-cia, 
para serem utilizados quando hou-ver 
necessidade). 
3. Obter rendimento ( Assegar a obten-ção 
de recompensas verdadeiramente 
úteis como parte do trabalho que se 
faz). 
4. Praticar auto-regulação e aceitar 
retornos (Desencorajar atividades 
inapropriadas para garantir que os 
sistemas continuem funcionando 
bem). 
5. Utilizar e valorizar recursos e ser-viços 
renováveis ( Fazer o melhor uso 
da abundância da natureza para redu-zir 
nosso comportamento consumista 
e nossa dependência de recursos não-renováveis). 
6. Evitar o desperdício ( Valorizar e fa-zer 
uso de todos os recursos que estão 
disponíveis para nós, evitando o des-perdiçar). 
7. Projetar desde os padrões aos deta-lhes 
(Dando um passo atrás, na huma-nidade, 
podemos observar padrões na 
natureza e na sociedade. Estes pa-drões 
podem formar a espinha dorsal 
de nossos projetos, com os detalhes sen-do 
preenchidos conforme avança-mos). 
8. Integrar ao invés de segregar ( Colo-car 
as coisas certas no local certo, fa-zer 
com que as relações entre uma e ou-tra 
se desenvolvam). 
9. Utilizar soluções pequenas e lentas 
(Sistemas pequenos e lentos são mais 
fáceis de manter do que sistemas gran-des, 
fazendo uso mais adequado de re-cursos 
locais e produzindo resultados 
mais sustentáveis). 
10. Utilizar e valorizar a diversidade 
(A diversidade reduz a vulnerabilida-de 
a uma variedade de ameaças). 
11. Utilizar bordas e valorizar ele-mentos 
marginais (leia-se marginal 
como por exemplo margens de um rio, 
de um canteiro, etc..., são estás mar-gens 
onde os eventos mais interessan-tes 
ocorrem. É onde frequentemente es-tão 
os elementos mais valiosos, diver-sificados 
e produtivos de um sistema). 
12. Utilizar e responder criativamen-te 
às mudanças (Podemos ter um im-pacto 
positivo nas mudanças inevitá-veis 
se as observarmos com atenção e 
intervirmos no momento certo). 
Estes 12 princípios da permacultura 
não terão de ser seguidos como uma bí-blia, 
a sua intenção é apenas orientar, 
havendo margem para a criatividade 
e diversidade. 
Fala-se muito num futuro sustentável 
para a humanidade, e nós o que temos 
feito? Será que a humanidade está a 
viver em simbiose com o organismo vi-vo 
que é o planeta terra? 
PER 
MAC 
ULT 
URA
BASTA 
OLHARES 
Alguns podem dizer que sou pintora, 
outros que sou artista, ou até nenhu-ma 
destas duas. Mas, se me pergun-tassem, 
acho que a resposta mais acer-tada 
seria: “Sou exploradora do mun-do”. 
Desta forma procuro sentir, experi-mentar, 
respirar, sonhar e viver o des-conhecido 
e o diferente. Quero prati-car 
a intuição, a audácia, a candura, 
o despropósito, o magnânimo, o es-trambólico, 
o arrumadinho e o absur-do. 
Procuro viver o momento. Quero 
desvendar o mundo que já vi, e o mun-do 
que ainda espera ser desvendado. 
Quero viver o original, o vulgar, o fic-tício 
e o verdadeiro, tudo de uma só 
vez. 
E assim, numa só explosão, num só 
instante, quero sê-lo continuamente 
para sempre, e resumir-me inteira-mente 
num simples ponto, estendido 
no infinito. 
E assim, para começar a minha cami-nhada, 
O PEQUENO DETALHE nasce: 
Uma coleção inspirada na arte abs-trata 
e no expressionismo, constitui-da 
por 9 peças únicas. 
Cada peça representa um detalhe 
que só tu consegues ler. Esse detalhe 
varia de pessoa para pessoa, umas ve-zes 
coincidindo com o detalhe de uns, 
outras vezes com o de outros. 
Mas sem te aperceberes, cada uma 
destas peças terá um pequeno detalhe 
que existe no tu de agora, no tu do pas-sado 
ou no tu do futuro. 
A peça transforma-se no teu espelho, 
pois tudo o que vires, tudo o que senti-res, 
faz parte de ti. 
Sim, um espelho. 
Basta olhares, e dizeres-me o que 
vês… 
- Mana
SENDO INICIANTE OU AMADOR 
– Eu gosto da ideia de me definir 
como um entusiasta da arte da foto-grafia. 
Eu como entusiasta poderei 
fazer serviços profissionais ou não, 
depende de oportunidade, perfil ( 
preocupado com a qualidade) e ne-cessidade 
de uso da fotografia com 
fonte de renda complementar. Mas 
sendo apenas amador ( por hobby) 
eu fatalmente não tenho compro-metimento 
com alta qualidade das 
minhas fotos por se tratar de reali-zação 
pessoal e não profissional. 
Mas nunca deixando de a traba-lhar 
e fazer o melhor possível pela 
foto. Mas eu irei tentar novamente 
e novamente até acertar. Hobista 
da fotografia também não está pre-ocupado 
com uma entrega de um cli-ente 
ou com a concorrência no mer-cado 
nem com seu nome comercial. 
No entanto, existem entusiastas 
muito talentosos e também aqueles 
que investem em equipamentos pro-fissionais 
e sabem utilizar muito 
bem esses recursos. Existem tam-bém 
aqueles amadores que , mesmo 
sem muitos recursos, participam 
de concurso internacionais e conse-guem 
prêmios de destaque. 
Atualmente, a fotografia se ali-menta 
de muitas diversificações. 
Cada fotógrafo possui uma manei-ra 
diferente de trabalhar, mediante 
seus gostos e tradições. 
Vejo a fotografia como um instru-mento 
genialmente intelectualiza-do 
para captar gestos e sensibilida-des. 
Muito mais que momentos, ela pode 
captar uma época e uma civiliza-ção, 
congelando culturas e valores. 
Muito do que vimos hoje em gran-des 
editoriais de moda, são resulta-dos 
de mentes ímpares e talentosas 
e ousadas. 
Afinal, grandes nomes da fotogra-f 
i a n a s c e r a m d a o u s a d i a . 
Fotografia, é muito mais que uma 
simples definição. 
É Arte! 
É criatividade! 
É revolução! 
Aos meus amigos, conhecidos, cole-gas 
e aos críticos de fotografia o 
meu OBRIGADO 
Jorge Franco
www.jviegasphotography.blogspot.pt
Paulo Muiños nasceu em Lisboa em 
1971. Começou a fotografar em 2011. 
Inspira-se em Ansel Adams, Edward 
Weston, Cartier-Bresson, Dorothea 
Lange, Berenice Abbott, Eugène 
Atget, P.H. Emerson, Lee Friedlander, 
Lewis Hine, Alfred Stieglitz, Robert 
Capa, Willam Claxton, Nanã Sousa 
Dias, Rui Fonseca, Eduardo Gageiro, 
Michael Frye, Steve McCurry, e Se-bastião 
Salgado, entre outros. 
Fotografa com Canon, Sony RX100, 
s m a r t p h o n e s , e é e n d o r s e r d a 
Olympus, fotografando com uma 
OMD Em1. 
Exposições/Exhibitions: 
CB Art Gallery – Carcavelos | Dezem-bro 
2012 
Centro Comercial Amoreiras – 
Instanta (50 melhores fotos de Lisboa 
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Casa de Santa Maria – Cascais (Ener-gias 
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  • 1. 23 Ana Fernandes, 43 anos(19-02-1971), mãe de três fi-lhos... a minha maior obra! Poetisa ou pseudo-poetisa. Ler e escrever, escrever e ler sempre foi algo que me fascinou e me deixa fe-liz. Escrever é algo de estonteante, uma viagem extraordinária. Onde posso ser eu...onde posso ser ...mais al-guém. Por incrível que pareça, gosto de es-crever poesia mas não sou uma leitu-ra assídua deste género de literatura. Poesia, o parente pobre no meio edito-rial... Quando escrevo, confio a minha es-crita no leitor. Espero que gostem de me ler, pois os meus poemas estão im-pregnados de sentimento. O meu sen-timento... há revolta, amor, raiva, de-sencanto, prazeres e sentidos apura-dos. A importância da amizade e da afectividade, o meu desejo de ser des-coberta e entendida, a procura da ver-dade, da pureza e também do sonho. Incompatível Quantos contos de fadas são precisos para escrever um final feliz Nenhuma maquilhagem é capaz de es-conder do coração uma cicatriz Quantas verdades se perdem no meio da escuridão E quantos passos são dados no cami-nho da solidão De quantas ilusões é preciso se inven-tar para sobreviver Apenas uma, mas esta ilusão é capaz de me fortalecer Essa ilusão és TU Quanto barulho cabe no silêncio de um coração apaixonado Quanta esperança morre em cada amanhecer de mais uma noite acorda-do Quanta saudade some na poeira de uma estrada sem fim Quantos beija- flores cercam a mais bela flor do jardim De quantos sonhos é preciso desistir para não sofrer Apenas de um, mas este um é o maior sonho que se pode ter Esse sonho és TU Quantas apostas são precisas para se ganhar um coração Quantos inocentes morrem presos des-sa prisão Quantos gigantes caem por subesti-
  • 2. mar a força do oponente Quantas lutas são vencidas sem des-ferir um golpe somente De quantos verbos eu preciso para fa-lar e alguém entender Que por mais incompatível que possa parecer O meu amor és TU Dança das Fadas No compasso do amor eu sou a canção que toca a melodia da vida... O meu canto viaja além dos mundos... Posto que com a alma entoo a música do coração, Alcançando a todos os seres E eis que ao ouvir a voz do meu canto Fadas encantadas bailam delicada-mente Balançando as folhas e flores Trazendo felicidade e sorrisos Celebrando a plenitude da existência Tão gentilmente nos doada Em meio a voos rasantes espalham sua poderosa essência É a magia no ar contagiando a tudo e a todos E a música ainda está tocando E ainda encanta E ainda ilumina E tudo se torna um misto de êxtase e alegria que é também um rumor sem fim. Quando me concentro, respiro-o, sin-to- lhe, por momentos, essa nesgazinha de grandiosidade de que todos somos parte. Já me explicaram que maís o conse-guiria integrar se tivesse “o copo meM, Aum, o som do movimento do Universo, o eco do seu início distan-te… Vivo na era da descoberta do Bosão de Higgs, do pleno, seguro e consolidado funcionamento do Acelerador de Par-tículas do CERN, já numa época pós Relatividade Geral de Einstein, nos tempos da elaboradíssima complexi-dade matemática da Teoria das Cor-das. No meu íntimo, no fundo da minha al-ma (será que esta existe?)procuro con-tudo e apenas ouvi-lo: este silêncio que é também um rumor sem fim. Quando me concentro, respiro-o, sin-to- lhe, por momentos, essa nesgazinha de grandiosidade de que todos somos parte. Já me explicaram que maís o conse-guiria integrar se tivesse “o copo me nos cheio”. É mais fácil encher um copo vazio do que fazer entrar o que seja numa mal-ga (amálgama!) a transbordar. ência do seu postulado. 24
  • 3. OM, Aum, o som do movimento do Universo, o eco do seu iní-cio distante… Vivo na era da descoberta do Bosão de Higgs, do pleno, segu-ro e consolidado funcionamento do Acelerador de Partículas do CERN, já numa época pós Relatividade Geral de Einste-in, nos tempos da elaboradíssima complexidade matemática da Teoria das Cordas. No meu íntimo, no fundo da minha alma (será que esta exis-te?) procuro contudo e apenas ouvi-lo: este silêncio que é tam-bém um rumor sem fim. Quando me concentro, respiro-o, sinto-lhe, por momentos, es-sa nesgazinha de grandiosidade de que todos somos parte. Já me explicaram que maís o conseguiria integrar se tivesse “o copo menos cheio”. É mais fácil encher um copo vazio do que fazer entrar o que seja numa malga (amálgama!) a transbordar. A dura tarefa que tenho hoje pela frente é esvaziar-me desse caudal. É minha essa tarefa apenas porque a escolho. Não sei se sou capaz, se estou à altura da complexa exigên-cia do seu postulado. Sigo com a simplicidade, humildade e receios de uma crian-ça (talvez até com um pouco da sua indisciplina e irreverên-cia). Por isso começo por desenhar e pintar. Não me levem a mal. Não sou capaz de o fazer de outra forma agora. Vou pintar o que não compreendo, pintarei tudo o que me dis-traí o pensamento, para ver se a pintar desmistifico e des-mistificando exorcizo essa força magnética que me agarra obsessivamente à forma das coisas. Pensando menos sentirei talvez mais. Mais perto estarei tal-vez do essencial, do conteúdo. Mais perto da verdade, quem sabe, da consciência, do coração… de Ti! Aka OM (Aum), já em outubro deste ano, com o apoio Tailo-red, AKA Art Projects e da Câmara Municipal de Sintra. 25
  • 4. OM, Aum, o som do movimento do Universo, o eco do seu iní-cio distante… Vivo na era da descoberta do Bosão de Higgs, do pleno, segu-ro e consolidado funcionamento do Acelerador de Partículas do CERN, já numa época pós Relatividade Geral de Einste-in, nos tempos da elaboradíssima complexidade matemática da Teoria das Cordas. No meu íntimo, no fundo da minha alma (será que esta exis-te?) procuro contudo e apenas ouvi-lo: este silêncio que é tam-bém um rumor sem fim. Quando me concentro, respiro-o, sinto-lhe, por momentos, es-sa nesgazinha de grandiosidade de que todos somos parte. Já me explicaram que maís o conseguiria integrar se tivesse “o copo menos cheio”. É mais fácil encher um copo vazio do que fazer entrar o que seja numa malga (amálgama!) a transbordar. A dura tarefa que tenho hoje pela frente é esvaziar-me desse caudal. É minha essa tarefa apenas porque a escolho. Não sei se sou capaz, se estou à altura da complexa exigên-cia do seu postulado. Sigo com a simplicidade, humildade e receios de uma crian-ça (talvez até com um pouco da sua indisciplina e irreverên-cia). Por isso começo por desenhar e pintar. Não me levem a mal. Não sou capaz de o fazer de outra forma agora. Vou pintar o que não compreendo, pintarei tudo o que me dis-traí o pensamento, para ver se a pintar desmistifico e des-mistificando exorcizo essa força magnética que me agarra obsessivamente à forma das coisas. Pensando menos sentirei talvez mais. Mais perto estarei tal-vez do essencial, do conteúdo. Mais perto da verdade, quem sabe, da consciência, do coração… de Ti! Aka OM (Aum), já em outubro deste ano, com o apoio Tailo-red, AKA Art Projects e da Câmara Municipal de Sintra. 26
  • 5. O que pode um homem simples dizer ou fazer no Mundo agora? Não sou, à semelhança da maioria dos homens e mulheres dos nossos tempos, especialista em economia ou finan-ças, mas como comum entre comuns sinto hoje mais desconfiança e receio em relação ao futuro. Pelo menos em relação a este futuro, a dois tempos, em que alguns enrique-cem e muitos empobrecem. Não penso assim por despotismo. Passo a vida a desejar o melhor para quem o procura, para quem luta por mais e melhor. Alegra-me a visão da abundância no regaço de quem for. Celebro a fertilidade por si só e regalo os olhos quando vejo a Terra cheia de tudo e do bom. Por isso não consigo deixar de inda-gar porque é que neste Mundo onde há excesso e abundância de tudo, vemos fome, desemprego, doença, desprote-ç ã o n a s a ú d e e n a v e l h i c e ? Porque que pagam os homens e as mu-lheres do nosso tempo os caprichos da doutrina do Capitalismo desenfrea-do? Porque malha o peso da quimera do lu- 27
  • 6. O que pode um homem simples dizer ou fazer no Mundo agora? Não sou, à semelhança da maioria dos homens e mulheres dos nossos tempos, especialista em economia ou finan-ças, mas como comum entre comuns sinto hoje mais desconfiança e receio em relação ao futuro. Pelo menos em relação a este futuro, a dois tempos, em que alguns enrique-cem e muitos empobrecem. Não penso assim por despotismo. Passo a vida a desejar o melhor para quem o procura, para quem luta por mais e melhor. Alegra-me a visão da abundância no regaço de quem for. Celebro a fertilidade por si só e regalo os olhos quando vejo a Terra cheia de tudo e do bom. Por isso não consigo deixar de inda-gar porque é que neste Mundo onde há excesso e abundância de tudo, vemos fome, desemprego, doença, desprote-ç ã o n a s a ú d e e n a v e l h i c e ? Porque que pagam os homens e as mu-lheres do nosso tempo os caprichos da doutrina do Capitalismo desenfrea-do? Porque malha o peso da quimera do lu- 28
  • 7. Depois de ti, veio o branco As paredes voltaram a ser brancas sem os quadros que pintava, as folhas por escrever perderam a utilidade; os sonhos verteram os contornos, a for-ma, o destino. Escrevi-lhe cartas de amor e de perda, cartas de partilha e de esperança. Mas a sua morada já era outra. Procurei-a então no topo dos penhas-cos, no fundo dos mares; procurei-a nos olhos do futuro, na arca do passa-do. Mas ela já não se deixava encon-trar. Enquanto contemplava os amarelos do Sol, este arrefecia no meu coração; durante o tempo que estudei as molé-culas, estas morriam sem reprodução. Eu definhava sem remédio. Como gotículas de água que saltam pa-ra o precipício vindas de uma mão sem intenção fugia-me por de entre os cabelos outrora pretos e fortes. Não pude evitar (embora batalhasse), que o tempo fizesse o seu trabalho de esbatimento; a cada batida a sua me-mória perdia pormenores. Eu enlou-quecia sem prognóstico. Assisti ao entendimento de que quan-do julgamos percepcionar, não é a rea-lidade que tocamos, mas apenas uma representação auto-renomeada, uma falsa ordem de grandeza a que nos agarramos; precisamos afinal de fa-zer a vida “funcionar”, independen-temente de entendermos ou não qual a função. O abismo não é o vazio, nem o desco-nhecido, mas o tédio. Há quem tenha; há quem seja. Eu não tenho, não sou. Tudo bem. Foi na ausência que a perdi. E foi assim... no silêncio ...que te en-contrei. Nesta linguagem comum, desistir é de-ixar de existir; um corpo sem um propósito é um cor-po sem essência, uma mera cápsula que distrai, mas não estimula. Talvez por isso me deste o que eu não sabia que queria mas que sabia que precisa-va. Só após abandonar o jogo do tempo en-contrei a disponibilidade para a ra-zão; só depois de abandonar os limites do ego encontrei a vastidão da con-templação. Foi quando deixei de chorar a nature-za inevitável da juventude que depre-endi que nunca a saborearia neste tra-jecto superficialmente mundano, in-trinsecamente insano e genuinamen-te simples. Foi talvez por nem raspar o exterior da sua compreensão, que ela me tenha abandonado tão rápido. Não me interessa particularmente se a folha onde escrevo é uma unidade, ou um número incontável de átomos unidos por leis de atracção. Interessa-me o que faço com ela: escreverei a mi-nha história com a minha própria mão, ou a folha cairá no esquecimento sem glória? Richard Feynman dissera que “o que não conseguia criar não conseguia compreender”; pois digo que não con-sigo criar se não conseguir compreen-der; e compreender não é dissecar, nem dissertar, mas tão somente... acei-tar. Aceitar que sou uno na imensidão das minhas possibilidades, que não preci-so de muito mais que a verdade abso-luta e de um pouco de alimento, talvez um carinho sem apego de vez em quan-do... O branco cobre agora as montanhas que compõem a minha história; o Mun-do não me deu um nome, deu-me um propósito; sou parte dele e cumpro a sua função. Não há determinismo da espécie. Há existência. Hugo Alexandre, Setembro de 2014 29 Eras um par de sapatos cor-de-rosa salto alto que realçavas a elegância do movimento dos pés enlatados por acaso não deixaste a tua dona ficar mal nunca sei lá, um buraco, um salto e lá se foi o tacão! Foste velho, tiveste arrumado, mas também não eram as-sim tão velho de deitar fora, mas eras velho. Um PAR que foste posto num canto em modo de hiberna-ção. Queria saber se eras velho de deitar fora ou velho e de não querer deitar fora. De uma BD com vontade de saltar fora do armário, deci-diu mostrar a sua história porque também era um velho an-tigo, quis realmente fazer parte desta história. Grande prémio para quem conseguir saltar dez carros… Podia ser de Patinete como o tio patinhas propôs… Mas consegues saltar? Com salto ou sem salto, até podes experimentar de patinete, mas fica aqui o desafio, calça os sapatos e salta de salto, movimenta-te de que maneira for.
  • 8. Tenho a convicção de que a percepção é apenas a porta de entrada para um conhecimento maior que o entendi-mento em si mesmo. Sem o erro da expectativa, e a escolha não assumida de que o vazio é neces-sário, talvez seja a perda o despertar necessário para a obrigatoriedade sempre voluntária de abandonar o “pouco” em detrimento do “tudo”, po-is o que criamos será sempre pouco quando comparado com o que foi cria-do e acumulado antes de nós. Poderá até nem ser este o caminho da redenção, mas perder o mapa faz-nos perceber que o acumular de informa-ção não nos torna mais sábios; cada estrada é uma incógnita até a percorrermos por nós mesmos; saben-do que nunca as percorreremos todas, isso só nos dá mais tempo para apreci-armos cada uma delas; encaro a limitação temporal como a maior dádiva que a vida nos pode dar; a verdadeira superioridade face aos demais seres; NÒS SABEMOS que um dia mudare-mos de estado; não interessa o como, o para quê, nem mesmo o quando; ape-nas sabemos que sendo talvez a única verdade universal, irá acontecer. Talvez no final as suspeitas sejam con-firmadas, e só exista a solidão e uma inesgotável e intrínseca cega vontade de acreditar que somos peças de um quadro maior que nós mesmos. Talvez nem assim a vida faça sentido. Talvez só exista um corpo que cami-nha para o cansaço e para o envelhe-cimento. Mas não é a maior tragédia de todas, já nos termos encontrado e ainda as-sim continuarmos perdidos? “ Yesterday is history, tomorrow is a mystery, today is a gift (…)” – Bill Kea-ne Easier? Pedaços essenciais de entendimento encontram-se nos locais e nas pessoas mais improváveis. Estiveram eles sempre ali à espera de ser descobertos? Quem os criou, e à sua interpretação? Como nos sentirmos gratos pela dádi-va, independentemente da sua forma e do seu conteúdo? E se o entendimento é uma construção cultural, como poderei apagar todos os valores e começar de novo? Olho à volta; sou o apogeu máximo da minha própria existência; sou os sonhos por realizar dos meus pa-is; sou capaz de descrever o Mundo, ou de o aniquilar. Sou tão poderoso quanto os mosquitos que vejo no pára-brisas. Grita comigo; Dá-me todas as palavras de ódio e dor acumuladas até ficares vazio Aponta-me o dedo, cerra os dentes, franze as sobrancelhas, e acusa-me mesmo que o raciocínio não faça sen-tido Amaldiçoa-me pelas tuas escolhas er-radas, deseja-me penitências sofridas e eternas pelos teus pecados Eu nada direi; É através da minha imperfeição que te reconheço como parte de mim e te quero ver voar para longe desta lama que te torna pesado Ouvir-te-ei como quem tem a disponi-bilidade que só a eternidade possui e se me permitires, segurar-te-ei com a mesma dedicação que um ramo segu-ra a sua última folha Todas as nuvens passam; mesmo as que cobrem o Sol por muito tempo; é a inevitabilidade da mudança; Por isso dá-me tudo quanto tens dentro de ti; Porque quando te dás, és. Isso é Deus. Isso é… esperança. NÓS SABEMOS GRITA COMIGO EASIER 30
  • 9. 31 Entredia (1) by Jack CJ Simmons (2) Matadouro nº1, Lisboa, 15:46 UTC Esta monotonia do abate e desmanche de carcaças só costumava ser inter-rompida pela presença sempre hilari-ante do Sr. Mendes, mas hoje é dia de reuniões, pode não passar por cá. Mes-mo assim, o dia tem sido diferente, ora pela chuva que cai forte lá fora, ora pe-los trovões que se ouvem ao longe. Aqui os humanos reagem sempre ao som dos trovões. Eu não. Primeiro rea-jo à luz, e depois sim, ao som, mesmo quando estão mais próximos. Mas é normal, com a quantidade de sensores de luz que tenho activos, a mínima alte-ração da intensidade da luz aqui den-tro é detectada. Mesmo assim, é inte-ressante ver as reacções deles, surpre-endem sempre um pouco. Não deixam de espantar os humanos. Acho que faz parte do nosso processo de aprendiza-gem. Só os conhecendo melhor que eles próprios, os podemos proteger. Engra-çado como as coisas são, fui criado pa-ra proteger a vida humana e acabo de volta da morte. A morte de animais, é verdade, mas morte. E estas carcaças, vacas em vida na sua grande maioria, e que não são mais do que alimento pa-ra a raça humana, não as protegemos. Protegemos uma raça mas não outras. Às vezes interrogo-me como as coisas seriam se a EDT não nos tivessem cri-ado. Se tivéssemos sido criados por ou-tra organização, por outros humanos, com outros objectivos, com outros valo-res. Será que a humanidade ainda existiria? Será que teríamos conse-guido parar a primeira vaga? A ver-dade é que há mais de cem anos que es-peramos pela segunda vinda. Eles sempre acreditaram que viriam mais. Mais tarde, mais fortes, muito depois de eles morrerem, é certo, mas mesmo assim deixaram-nos de vigia, à espe-ra, porque acreditavam. Ora aí está, o Sr. Mendes acabou de entrar na sala. Lá está ele a conferir tudo. E lá está o Lemos a levar outro raspanete. Sem-pre a fazer as coisas à maneira dele. Depois ouve. Não é um trabalho difí-cil, mas há humanos que não têm per-fil para isto. Nem todos conseguem desmanchar as carcaças sem que isso os afecte, mesmo no longo prazo. Mais cedo ou mais tarde, todos acabam por desistir. É demasiadas horas, demasi-adas carcaças, demasiado sangue, tor-na- se demasiado pessoal. Não resis-tem. Menos eu, claro. Já estou cá há do-ze anos. Mas a mim não me afecta, é verdade, mas eu não sou humano. - Boa tarde, Sr. Mendes - digo-lhe an-tes mesmo de chegar ao pé de mim. - Jones - responde sem me olhar nos olhos. Ainda vinha lá ao fundo e já vi-nha com os olhos posto no meu traba-lho. Acho que sonha um dia encontrar um defeito no meu trabalho. Mal ele sa-be que isso é impossível. Por norma não conseguimos fazer diferente do que nos é pedido. E mesmo entre nós, quando é preciso fazer algo de dife-rente, são precisos ultrapassar as dez salvaguardas do nosso ser. Antes di-zíamos core, mas desde que nos inte-grámos na população que tivemos que adaptar alguns termos. Dantes éra-mos muito estranhos, mas depressa aprendemos a ser mais humanos. - Sempre perfeito, Jones - diz-me com o ar habitual de quem não me conse-gue perceber totalmente - Sempre per-feito. Carry on - e afasta-se em direc-ção à porta B, como sempre faz. Afi-nal, as reuniões foram curtas hoje e ainda conseguiu visitar-nos. - Até amanhã, Sr. Mendes - respondo-lhe monotonamente. - Até amanhã - conclui de pronto, colo-cando o habitual ponto final na con-versa. Que todos os humanos fossem como o Sr. Mendes, previsíveis, fiéis aos seus hábitos, e o nosso trabalho era muito mais fácil. Mas não são. Eles fa-lam em livre-arbítrio, nós chamamos-lhes o efectivamente ser humano. Nun-ca estão contentes com o que têm, que-rem sempre mais, querem sempre sa-ber mais. E têm uma aptidão natural de se meterem em sarilhos no proces-so. Desde o último voo da EDT que não param de tentar sair do planeta. Não sei durante quanto tempo mais vamos conseguir manter as watch towers ac-tivas sem perdas de vida. No dia em que descobrirem que todos os nossos es-forços são pela preservação da vida humana, de toda e qualquer a vida hu-mana, e enviarem um voo pilotado pa-ra furar o escudo e nós formos obriga-dos a desligá-lo pela vida humana, per-deremos o controlo. Nesse dia, a raça humana será outra vez livre de explo-rar o espaço, mas também ficará vul-nerável às ameaças externas. E nós continuaremos a fazer os possíveis p Notas: (1) Entredia é um advérbio que signi-fica durante o dia, fora das horas da refeição. (2) Jack CJ Simmons escreve em Por-tuguês sem respeitar o acordo orto-gráfico de 1990. ra manter a vida humana por todos os meios possíveis. Por falar em fazer os possíveis pela vida humana, hoje é dia de reunião. Costumamos reunir uma vez por mês, mas este mês já é a se-gunda e ainda estamos só a vinte e um. As coisas não estão fáceis. A sema-na passada foram lançados três shut-tles pilotados de locais distintos para ver se tínhamos a capacidade de os in-capacitar a todos. E fizeram-no secre-tamente. Não tivemos hipóteses de os sabotar antes dos lançamentos. E on-tem tivemos o primeiro a menos de um quilómetro do escudo. Foi por uma unha negra, como costumam dizer os humanos, mais um segundo e atingia o seu objectivo. Os humanos defendem a desactivação do escudo e vão tentá-lo por todos os lados e de todas as for-mas. Cada sonda que enviam é destru-ída quando atinge o escudo, mas eles continuam a achar que conseguem pe-netrá- lo com base em escudos própri-os e deflectores. Por um lado é bom, es-tão a evoluir na defesa e na protecção. Há inclusive entre nós, quem defenda que no dia em uma sonda penetrar o es-cudo é o dia que a raça humana estará suficientemente protegida para ex-plorar o espaço. Tenho pensado muito nisso, mas continuo sem ter uma opi-nião formada. Só espero que na reu-
  • 10. 32 nião de hoje não decidam desactivar já o escudo. Eu sei que foi por pouco que não perdíamos uma vida huma-na, mas os humanos ainda não estão preparados para o espaço. O espaço é frio, longe e demorado. E neste caso, inútil. Qualquer viagem espacial que tenha um outro planeta ou lua do nos-so sistema solar como destino terá o mesmo problema que agora: o escudo protector. Não podíamos permitir o es-tabelecer de bases tão perto de nós aquando da primeira vinda. E conti-nuamos a não permitir. Todos os pla-netas e luas deste sistema estão prote-gidos. E portanto, permitir a saída do planeta é permitir a entrada nos res-tantes. E se permitimos para huma-nos, não podemos não deixar de per-mitir para outras raças. Será demasi-ado complexo separar a raça humana das outras, e provavelmente demasia-do tarde quando o fizermos. A nossa evolução tecnológica já não é o que era. O espirito humano desapareceu da nossa equipa tecnológica, e sozi-nhos levamos mais tempo a estabele-cer os objectivos e a atingi-los. Contu-do, acredito no nosso trabalho e acre-dito na raça humana. Gostava de ter sido explorador, conhecer outros mun-dos, outras raças. Gostava de me po-der juntar aos humanos nesta aventu-ra que se avizinha. Talvez um dia, quem sabe. Notas: (1) Entredia é um advérbio que significa durante o dia, fora das horas da refeição. (2) Jack CJ Simmons escreve em Por-tuguês sem respeitar o acordo orto-gráfico de 1990. FAROL Relatividade Geral de Einstein, nos tempos da elaboradíssima complexi-dade matemática da Teoria das Cordas. No meu íntimo, no fundo da minha alma (será que esta existe?)procuro con-tudo e apenas ouvi-lo: este silêncio que é também um rumor sem fim. Quando me concentro, respiro-o, sinto-lhe, por momentos, essa nesgazinha de grandiosidade de que todos somos parte. Já me explicaram que maís o conseguiria integrar se tivesse “o copo me nos cheio”. É mais fácil encher um copo vazio do que fazer entrar o que seja numa mal-ga (amálgama!) a transbordar. A dura tarefa que tenho hoje pela frente é esvaziar-me desse caudal. É minha essa tarefa apenas porque a escolho. Não sei se sou capaz, se estou à altura da complexa exigência do seu postu-lado. Sigo com a simplicidade, humildade e receios de uma criança (talvez até com um pouco da sua indisciplina e irreverência). Por isso começo por desenhar e pintar. Não me levem a mal. Não sou capaz de o fazer de outra forma agora. Vou pintar o que não compreendo, pintarei tudo o que me distraí o pensaA dura tarefa que tenho hoje pela frente é esvaziar-me desse caudal. É minha essa tarefa apenas porque a escolho. Não sei se sou capaz, se estou à altura da complexa exigência do seu postu-lado. Sigo com a simplicidade, humildade e receios de uma criança (talvez até com um pouco da sua indisciplina e irreverência). Por isso começo por desenhar e pintar. o fazer de outra forma agora. Relatividade Geral de Einstein, nos tempos da elaboradíssima complexidade matemática da Teoria das Cordas.
  • 11. O que pode um homem simples dizer ou fazer no Mundo agora? Não sou, à semelhança da maioria dos homens e mulheres dos nossos tempos, especialista em economia ou finan-ças, mas como comum entre comuns sinto hoje mais desconfiança e receio em relação ao futuro. Pelo menos em relação a este futuro, a dois tempos, em que alguns enrique-cem e muitos empobrecem. Não penso assim por despotismo. Passo a vida a desejar o melhor para quem o procura, para quem luta por mais e melhor. Alegra-me a visão da abundância no regaço de quem for. Celebro a fertilidade por si só e regalo os olhos quando vejo a Terra cheia de tudo e do bom. Por isso não consigo deixar de inda-gar porque é que neste Mundo onde há excesso e abundância de tudo, vemos fome, desemprego, doença, desprote-ç ã o n a s a ú d e e n a v e l h i c e ? Porque que pagam os homens e as mu-lheres do nosso tempo os caprichos da doutrina do Capitalismo desenfrea-do? Porque malha o peso da quimera do lu- 27 Simão Mota Carneiro Artista plástico nascido em 1989 vive e trabalha em Lisboa, desde cedo que estabeleceu a sua paixão pelas Artes. For-mou- se em Produção Artística na Escola António Arroio com especialização em cerâmica e mais tarde frequentou o Instituto de Artes Visuas IADE onde se licenciou e obteve o seu mestrado em Design e Cultura Visual. Desenho e pintura são as suas principais áreas de interes-se no entanto afirma que não deixa outras linguagens ex-cluídas não querendo ficar limitado pela técnica para pro-duzir uma peça.
  • 12. Artista Plástico António Maria Sousa Lara nasceu em Lisboa, Maio 1984, e actu-almente vive e trabalha no Estoril. Em 2010 termina a sua Mestrado em Artes Plásticas - Pintura na Faculda-de de Belas Artes da Universidade de Lisboa. António Sousa Lara mantém um trabalho pictórico activo desde 1998 com obras nas mais diversas cate-gorias como Pintura, Retrato, Gravu-ra, Fotografia, Arte Digital e Ilustra-ção. Foi aluno de prestigiados Mestres Artistas e participou em já várias ex-posições colectivas e individuais. De momento trabalha como Professor, Re-tratista, Game Designer e Actor. Visi-tou diferentes países e culturas procu-rando sempre novos caminhos e novas experiências no mundo artístico. 28
  • 13. Catarina Vieira Pereira nasceu a 25 de Fevereiro de 1989, em S. Miguel, Açores. Utiliza como nome artístico Vi-eira Pereira. Licenciada em Artes Plásticas e No-vos Media, na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha (2008-2011). Possui também o mestra-do de Artes Plásticas, no mesmo esta-belecimento de ensino superior (2011- 2013). Tema da defesa pública: “Pin-tura Fotográfica – efemeridade, meta-morfose e acção num percurso plásti-co”. Na sua pesquisa questiona os limi-tes da pintura, colocando a questão se o seu trabalho poderá estar no “campo expandido” da pintura, tal como a crí-tica de arte Rosalind Krauss propôs para a escultura. Web: - www.behance.net/cat_pekena - www.flowartconnection. com/artists/view/17 - www.tumblr.com/blog/vieirapereira - www.tumblr.com/blog/dispositivos-pintura - www.facebook.com/pages/Vieira- Pereira/110449015757458
  • 14. Estes vídeos mostram a realidade de uma pintura em acção, em meio aquoso, dá-nos a ver a metamorfose pela qual a pin-tura passa. Enquanto a metamorfose está a ocorrer, as cores alteram-se, novos efeitos e tonalidades são gerados, acerca destas modificações José Gil afirma: «O amarelo passará imperceptivelmente a vermelho, o verde a azul, de tal maneira que entre eles surgirá uma multidão de tonalidades quase indiscerníveis: outros tantos feixes de pe-quenas percepções. É por toda a parte do visível que nos ba-nhamos em pequenas percepções.». (GIL, José, A imagem-nua e as pequenas percepções: Estética e Metafenomenolo-gia, Lisboa, Relógio D' Água, 2.ª Edição: Fevereiro de 2005, p. 311.) Toda a movimentação passada no meio aquoso mostra ao es-pectador a realidade de um acontecimento pictórico, a for-ma como a metamorfose se manifesta, e a sua mudança de formas e de cores quase hipnotizam o nosso olhar. Este pro-cesso forma-se dentro de um tanque de vidro com líquido, e resulta da fusão entre certos materiais tradicionais de pin-tura, tais como: acrílicos, aguarelas, ecolines, guaches, e ma-teriais não associados à pintura, como por exemplo: molhos culinários, detergentes e bebidas. Para registar toda a acção que se desenvolve no meio aquoso de forma espontânea e na-tural, recorro à fotografia e ao vídeo, estes registam a fusão do processo químico (dos pigmentos com o meio aquoso) que ocorre e que gera a metamorfose. NÓS SABEMOS
  • 15. Hoje em dia está na moda o uso de pa-lavras como por exemplo: Bio, Eco, Green, Sustentável, Nature, etc…. Pa-lavras que intersetam e entram no flu-xo da natureza, mas atualmente usa-das como veículos de chamariz na pu-blicidade, com um propósito de gerar lucro comercial. Entre todas as pala-vras que possamos nos lembrar à cer-ca deste tema, há uma que se destaca, Permacultura. E o que é a permacultura? Para res-ponder a esta questão, talvez seja me-lhor perceber onde começou e por quem. O termo permacultura, provém do in-glês permaculture, criado por Bill Mol-lison e David Holmgren na década de 70, na Austrália. Trata-se de uma con-tração das palavras permanente e agricultura. Um modelo holístico on-de as suas bases assentam numa ideia inicial de sustentabilidade ecológica e permanente, com base na agricultura, prendendo-se com a necessidade de obter culturas permanentes. Mais tar-de este conceito extende-se à susten-tabilidade de planear, atualizar e man-ter sistemas de escala humana, como por exemplo a criação de jardins, vi-las, aldeias, cidades, comunidades, que sejam ambientalmente sustentá-veis, socialmente justos e financeira-mente viáveis. Podemos dizer que a ideia central da permacultura é in-trínseca a todo o ser humano, pois ma-is do que nunca, sentimos a necessida-de de desenvolver ferramentas para o desenvolvimento e manutenção de ecossistemas, no campo ou nas cida-des (as tão badaladas hortas urbanas), de modo que tenham diversidade, esta-bilidade e a mesma resistência dos ecossistemas naturais. Queremos ter sempre disponível, alimentos saudá-veis, habitações e energias para o de-senvolvimento destes sistemas, e de forma sustentável. Todos nós somos então permacultores e no centro desta atividade está o de-sign. Design que em permacultura, as-senta na tomada de consciência, no que respeita, por exemplo, ao planea-mento sem desperdício ou poluição da utilização da terra para a construção de jardins, hortas, habitações ou mes-mo na restauração de paisagens de-gradadas, podendo também ser alar-gada, a toda a estrutura do habitat hu-mano (construção/arquitetura das nossas habitações), desenho de siste-mas de transporte, educação, saúde, industrialização, comércio, finanças, comunicação e governação, de modo a construir na nossa rotina diária, hábi-tos e costumes de vida que se transfor-mem numa verdadeira simbiose com a natureza. "Desenhar a nossa vida" de modo a vivermos com a natureza e não contra ela. De acordo com várias opiniões de uma permacultura contemporânea, te-mos três pilares: Cuidado com a Terra: Provisão para que todos os sistemas de vida continu-em e se multipliquem. Este é o primei-ro princípio, porque sem uma terra sa-udável, os seres humanos não podem exercer as suas qualidades de forma saudável. Cuidado com as Pessoas: Provisão pa-ra que as pessoas acedam facilmente aos recursos necessários para sua existência. Repartir os excedentes: Ecossistemas saudáveis utilizam a saída de cada elemento para nutrir outros ecossiste-mas. Nós, os seres humanos podemos fazer o mesmo. Segundo o livro de David Holmgren “Permacultura Príncipios e caminhos além da sustentabilidade”, encontra-mos os 12 princípios de design da Per-macultura: 1.Observar e interagir (disponibilizar tempo para nos envolvermos com a na-tureza, desenhar soluções adequadas à nossa situação particular). 2. Captar e armazenar energia (De-senvolver sistemas que coletem recur-sos que estejam no pico de abundân-cia, para serem utilizados quando hou-ver necessidade). 3. Obter rendimento ( Assegar a obten-ção de recompensas verdadeiramente úteis como parte do trabalho que se faz). 4. Praticar auto-regulação e aceitar retornos (Desencorajar atividades inapropriadas para garantir que os sistemas continuem funcionando bem). 5. Utilizar e valorizar recursos e ser-viços renováveis ( Fazer o melhor uso da abundância da natureza para redu-zir nosso comportamento consumista e nossa dependência de recursos não-renováveis). 6. Evitar o desperdício ( Valorizar e fa-zer uso de todos os recursos que estão disponíveis para nós, evitando o des-perdiçar). 7. Projetar desde os padrões aos deta-lhes (Dando um passo atrás, na huma-nidade, podemos observar padrões na natureza e na sociedade. Estes pa-drões podem formar a espinha dorsal de nossos projetos, com os detalhes sen-do preenchidos conforme avança-mos). 8. Integrar ao invés de segregar ( Colo-car as coisas certas no local certo, fa-zer com que as relações entre uma e ou-tra se desenvolvam). 9. Utilizar soluções pequenas e lentas (Sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que sistemas gran-des, fazendo uso mais adequado de re-cursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis). 10. Utilizar e valorizar a diversidade (A diversidade reduz a vulnerabilida-de a uma variedade de ameaças). 11. Utilizar bordas e valorizar ele-mentos marginais (leia-se marginal como por exemplo margens de um rio, de um canteiro, etc..., são estás mar-gens onde os eventos mais interessan-tes ocorrem. É onde frequentemente es-tão os elementos mais valiosos, diver-sificados e produtivos de um sistema). 12. Utilizar e responder criativamen-te às mudanças (Podemos ter um im-pacto positivo nas mudanças inevitá-veis se as observarmos com atenção e intervirmos no momento certo). Estes 12 princípios da permacultura não terão de ser seguidos como uma bí-blia, a sua intenção é apenas orientar, havendo margem para a criatividade e diversidade. Fala-se muito num futuro sustentável para a humanidade, e nós o que temos feito? Será que a humanidade está a viver em simbiose com o organismo vi-vo que é o planeta terra? PER MAC ULT URA
  • 16. BASTA OLHARES Alguns podem dizer que sou pintora, outros que sou artista, ou até nenhu-ma destas duas. Mas, se me pergun-tassem, acho que a resposta mais acer-tada seria: “Sou exploradora do mun-do”. Desta forma procuro sentir, experi-mentar, respirar, sonhar e viver o des-conhecido e o diferente. Quero prati-car a intuição, a audácia, a candura, o despropósito, o magnânimo, o es-trambólico, o arrumadinho e o absur-do. Procuro viver o momento. Quero desvendar o mundo que já vi, e o mun-do que ainda espera ser desvendado. Quero viver o original, o vulgar, o fic-tício e o verdadeiro, tudo de uma só vez. E assim, numa só explosão, num só instante, quero sê-lo continuamente para sempre, e resumir-me inteira-mente num simples ponto, estendido no infinito. E assim, para começar a minha cami-nhada, O PEQUENO DETALHE nasce: Uma coleção inspirada na arte abs-trata e no expressionismo, constitui-da por 9 peças únicas. Cada peça representa um detalhe que só tu consegues ler. Esse detalhe varia de pessoa para pessoa, umas ve-zes coincidindo com o detalhe de uns, outras vezes com o de outros. Mas sem te aperceberes, cada uma destas peças terá um pequeno detalhe que existe no tu de agora, no tu do pas-sado ou no tu do futuro. A peça transforma-se no teu espelho, pois tudo o que vires, tudo o que senti-res, faz parte de ti. Sim, um espelho. Basta olhares, e dizeres-me o que vês… - Mana
  • 17. SENDO INICIANTE OU AMADOR – Eu gosto da ideia de me definir como um entusiasta da arte da foto-grafia. Eu como entusiasta poderei fazer serviços profissionais ou não, depende de oportunidade, perfil ( preocupado com a qualidade) e ne-cessidade de uso da fotografia com fonte de renda complementar. Mas sendo apenas amador ( por hobby) eu fatalmente não tenho compro-metimento com alta qualidade das minhas fotos por se tratar de reali-zação pessoal e não profissional. Mas nunca deixando de a traba-lhar e fazer o melhor possível pela foto. Mas eu irei tentar novamente e novamente até acertar. Hobista da fotografia também não está pre-ocupado com uma entrega de um cli-ente ou com a concorrência no mer-cado nem com seu nome comercial. No entanto, existem entusiastas muito talentosos e também aqueles que investem em equipamentos pro-fissionais e sabem utilizar muito bem esses recursos. Existem tam-bém aqueles amadores que , mesmo sem muitos recursos, participam de concurso internacionais e conse-guem prêmios de destaque. Atualmente, a fotografia se ali-menta de muitas diversificações. Cada fotógrafo possui uma manei-ra diferente de trabalhar, mediante seus gostos e tradições. Vejo a fotografia como um instru-mento genialmente intelectualiza-do para captar gestos e sensibilida-des. Muito mais que momentos, ela pode captar uma época e uma civiliza-ção, congelando culturas e valores. Muito do que vimos hoje em gran-des editoriais de moda, são resulta-dos de mentes ímpares e talentosas e ousadas. Afinal, grandes nomes da fotogra-f i a n a s c e r a m d a o u s a d i a . Fotografia, é muito mais que uma simples definição. É Arte! É criatividade! É revolução! Aos meus amigos, conhecidos, cole-gas e aos críticos de fotografia o meu OBRIGADO Jorge Franco
  • 19. Paulo Muiños nasceu em Lisboa em 1971. Começou a fotografar em 2011. Inspira-se em Ansel Adams, Edward Weston, Cartier-Bresson, Dorothea Lange, Berenice Abbott, Eugène Atget, P.H. Emerson, Lee Friedlander, Lewis Hine, Alfred Stieglitz, Robert Capa, Willam Claxton, Nanã Sousa Dias, Rui Fonseca, Eduardo Gageiro, Michael Frye, Steve McCurry, e Se-bastião Salgado, entre outros. Fotografa com Canon, Sony RX100, s m a r t p h o n e s , e é e n d o r s e r d a Olympus, fotografando com uma OMD Em1. Exposições/Exhibitions: CB Art Gallery – Carcavelos | Dezem-bro 2012 Centro Comercial Amoreiras – Instanta (50 melhores fotos de Lisboa – com 2 fotos) | Janeiro 2013 Casa de Santa Maria – Cascais (Ener-gias Paralelas II) | Fevereiro de 2013 Centro Comercial Amoreiras – Instanta (50 melhores fotos de Lisboa – com 2 fotos) | Novembro de 2013 www.paulomuinos.viewbook.com
  • 20.
  • 21. A Empresa Desde 1996, a Auto C. Borges situa-se na Av. do Brasil nº 22, em Lisboa. Somos especializados na comercialização e assis-tência de pneus tanto das marcas líderes de mercado como de marcas que proporcionam alternativas para todas as necessi-dades dos clientes. Fazemos parte do grupo Pneuport, uma cooperativa com co-bertura nacional. Inovamos o mercado pertencendo ao pro-jecto pneuport conticlub -P.C.C.- no qual a continental, nossa marca premium,é o nosso parceiro. Prestamos assistência completa através dos nossos serviços de manutenção automóvel e estação de serviço. O nosso lema é oferecer qualidade aliada aos mais recentes meios tecnológicos, para a segurança, comodidade, conforto e satisfação da preferência do cliente, sempre com os melho-res preços. AUTO C. BORGES GRUPO PNEUPORT www.autocborges.pt Auto c borges