Aula introducao à segurança do paciente

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Esta aula sobre Introdução à Segurança do Paciente é uma produção institucional do Centro Colaborador para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Proqualis) e foi elaborada pelos professores Lucas Zambom, Renata Galotti e Maria Duthil Novaes (FM-USP)

Publicada em: Saúde e medicina
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Aula introducao à segurança do paciente

  1. 1. Introdução à Segurança do Paciente
  2. 2. O paciente é colocado sob risco durante uma intervenção feita para melhorar sua saúde?É possível causar algum dano ao paciente durante os cuidados de saúde que proporcionamos?
  3. 3. A resposta alarmante é SIM
  4. 4. Dentro dessa realidade, surge o campo de trabalho ligado à Segurança do Paciente
  5. 5. O que é Segurança do Paciente? Segundo a Organização Mundial da Saúde, em documento publicado em 2009, o conceito de Segurança do Paciente se refere à redução dos riscos de danos desnecessários* associados à assistência em saúde até um mínimo aceitável*.* The Conceptual Framework for the International Classification for Patient Safety v1.1. Final TechnicalReport and Technical Annexes, 2009. http://www.who.int/patientsafety/taxonomy/en/
  6. 6. O que são esses danos desnecessários?Esses danos desnecessários são conhecidos comoEVENTOS ADVERSOS. Os Eventos Adversos são danos não intencionaisdecorrentes da assistência prestada ao paciente,não relacionados à evolução natural da doença debase. Obrigatoriamente acarretam lesõesmensuráveis nos pacientes afetados, óbito ouprolongamento do tempo de internação.
  7. 7. Qual a importância dos Eventos Adversos?A importância dos Eventos Adversos reside naindicação de falhas na Segurança do Paciente,refletindo o marcante distanciamento entre ocuidado real e o cuidado ideal.
  8. 8. Quanto é este mínimo aceitável? O “mínimo aceitável” se refere àquilo que é viável diante do conhecimento atual, dos recursos disponíveis e do contexto em que a assistência foi realizada frente ao risco de não- tratamento ou outro tratamento.* The Conceptual Framework for the International Classification for Patient Safety v1.1. Final TechnicalReport and Technical Annexes, 2009. http://www.who.int/patientsafety/taxonomy/en/
  9. 9. Em outras palavras...A Segurança do Paciente não é nada mais que aredução de atos inseguros nos processosassistenciais e o uso das melhores práticasdescritas de forma a alcançar os melhoresresultados possíveis para o paciente.
  10. 10. Como surgiu este conceito?A medicina, bem como toda a área da saúde,incorporou alta tecnologia e inúmeras novaspráticas do ponto de vista de diagnóstico eterapêutica ao longo do último século.
  11. 11. Como surgiu este conceito?Podemos citar desde o grande volume de novosexames de sangue que foram sendoincorporados até complexos exames deimagem, como o PET-SCAN, o uso de cirurgiascom robôs e o grande arsenal de medicamentos,que só cresceu nos últimos anos.
  12. 12. Como surgiu este conceito? Entretanto, apesar de tantas incorporações àassistência em saúde, tanto do ponto de vistade diagnóstico quanto de tratamento, estudosvêm demonstrando que a assistência queoferecemos aos pacientes traz a estes uma sériede riscos que, na maior parte das vezes, sãodesnecessários.
  13. 13. Como surgiu este conceito? Esses riscos podem impactar em dano aopaciente, sendo que esse dano ou lesão não éexplicado por suas doenças em tratamento, massim por erros na prática assistencial dosdiversos profissionais ligados ao cuidado,incluindo médicos, enfermeiros, fisioterapeutasetc.
  14. 14. Como surgiu este conceito? Importante ressaltar que esses erros na práticaassistencial dos diversos profissionais da áreada saúde NÃO são intencionais, mas simdecorrentes de uma série de falhas na formacomo é prestada estsa assistência. Ou seja, nãose deve julgar os indivíduos envolvidos noserros; deve-se julgar o processo assistencial.
  15. 15. Alguns estudos importantes Um dos estudos pioneiros, denominado TheMedical Insurance Feasibility Study (MIFS), foirealizado por duas associações, a CaliforniaMedical Association e a California HospitalAssociation, em 1974. Esse trabalho foi liderado por um professor depatologia da University of Southern CaliforniaSchool of Medicine, de Los Angeles.
  16. 16. Alguns estudos importantes Esse estudo revisou 21 mil prontuários depacientes hospitalizados em 23 hospitais daCalifórnia. Foram encontrados eventos adversosem 4,6% dos pacientes. Apenas lembrando: “Eventos Adversos” sãodanos ou lesões causados pela assistência emsaúde e que não têm relação com a doença dopaciente.
  17. 17. Um estudo marcante Volume 324:370-376 February 7, 1991 Number 6 Incidence of adverse events and negligence in hospitalized patients. Results of the Harvard Medical Practice Study ITA Brennan, LL Leape, NM Laird, L Hebert, AR Localio, AG Lawthers, JP Newhouse, PC Weiler, and HH Hiatt
  18. 18. Um estudo marcanteUm estudo mais importante foi realizado algunsanos após este da Califórnia, denominado TheHarvard Medical Practice Study (HMPS). Suapublicação ocorreu em 1991. Esse estudo foi publicado em um dosperiódicos da área médica mais importantes domundo, The New England Journal of Medicine.
  19. 19. Um estudo marcante Essa pesquisa, que revisou 30 mil prontuáriosde pacientes que foram de alta de hospitais noestado de Nova York, encontrou eventosadversos em 3,7% dos casos, sendo que 13,6%desses eventos levaram o paciente ao óbito.
  20. 20. Outros estudos pelo mundo Importantes investigações de basepopulacional desenvolvidas na Austrália, ReinoUnido, Nova Zelândia, Canadá, Holanda eSuécia, envolvendo exclusivamente pacientesinternados, revelaram que os eventos adversospodem chegar a ocorrer em 16,6% dasinternações hospitalares.
  21. 21. Um resumo do panorama mundial Estudo Incidência de EventosHarvard (HMPS) 3,7% Austrália 16,6%Nova Zelândia 11,3% Grã-Bretanha 10,8% França 14,5%
  22. 22. Estudo no BrasilUm estudo brasileiro realizado em hospitais noestado do Rio de Janeiro observou que em 7,6%das internações ocorreram eventos adversos,um valor muito próximo ao encontrado emtrabalhos no exterior.
  23. 23. É possível evitar esses eventos? Dentro desses estudos citados, o número deeventos adversos que seria evitável chega a serpróximo de 60% nas situações descritas. Se levarmos em conta as mortes e as graveslesões que podem acontecer, poderia se evitarmuito sofrimento ao paciente e às suas famílias.
  24. 24. Mas o que mobilizou de fato omovimento de Segurança do Paciente?
  25. 25. O Grande Marco - 1999 O Institute of Medicine dos EUA publicou em1999 um livro-relatório intitulado: “Errar éHumano: Construindo um Sistema de Saúdemais Seguro” (To Err is Human: Building a SaferHealth System).
  26. 26. O Grande Marco - 1999 Esse relatório alertou para a estimativa anualde mortes que ocorrem nos EUA decorrentes deeventos adversos relacionados à assistência aopaciente: de 44.000 a 98.000 em um ano.
  27. 27. O Grande Marco - 1999Essa mortalidade atribuída aos eventos adversos naassistência à saúde era uma mortalidade (nos EUA,na época da publicação) maior que a de acidentesautomobilísticos (43.458 mortes em um ano), câncerde mama (42.297 mortes em um ano) ou AIDS(16.516 mortes em um ano), colocando mortes porerros decorrentes da assistência em saúde como 8ªcausa de mortalidade nos EUA.
  28. 28. O Grande Marco - 1999 Essa publicação também trouxe dados daestimativa de custos gerados pelos eventosadversos ao longo de um ano nos EUA: U$ 17 - 29 bilhões por ano
  29. 29. O Grande Marco - 1999Quatro afirmações balizaram esse relatório:1. O problema dos danos causados por eventos adversos é grave;2. O principal problema está em sistemas falhos e não em falhas de pessoas;3. É necessário redesenhar os sistemas;4. A segurança do paciente deve se tornar uma prioridade.
  30. 30. O Grande Marco - 1999 Essa publicação causou um grande impacto na opinião pública nosEUA. O então presidente Bill Clinton convocou as agências de saúdefederais a aplicar as recomendações do Institute of Medicine. Foram surgindo Institutos e Programas voltados para a criação depolíticas de Gerenciamento de Risco em Saúde com foco naSegurança do Paciente. A principal empresa de acreditação de qualidade hospitalar domundo – Joint Commission on Accreditation of HealthcareOrganizations (JCAHO) – acrescenta em seu programa a necessidadedo gerenciamento de risco para melhorar a segurança do paciente.
  31. 31. O impacto continuou nos EUA.......Medicare Says It Won’t Cover Hospital Errors By Robert Pear (August 19, 2007)
  32. 32. O impacto continuou nos EUA....... O “Medicare”, que é o maior plano de saúde público dos EUA,prestando serviços a pacientes acima de 65 anos ou portadores dedoenças que causam dependência como insuficiência renal crônicadialítica ou esclerose lateral amiotrófica, tomou uma atitude drásticaem outubro de 2008. Ele passou a não pagar mais aos hospitais aquilo que fossecomprovadamente um gasto específico decorrente de complicaçõesque poderiam ter sido evitadas: Objeto deixado em paciente durante a cirurgia Embolia gasosa Transfusão de sangue não compatível Infecção urinária associada à sondagem vesical Úlcera de pressão Infecção associada a cateter venoso Mediastinite pós revascularização do miocárdio Queda da cama
  33. 33. Estimativa do Impacto no BrasilFederação Brasileira de Hospitais: 7543 hospitaisDados de 2006: cerca de 11.000.000 de internações pelo SUS(Sistema Único de Saúde) e 4.000.000 de internações no setorprivado, em um total estimado de 15.000.000 de internações em1 ano.A partir de dados do estudo brasileiro, teríamos umaincidência de 7,6% de pacientes com eventos adversos.Teríamos, portanto, 1.140.000 pacientes sofrendoeventos adversos no Brasil por ano.
  34. 34. Resumo e Conclusões A Segurança do Paciente se refere à redução dos riscos dedanos desnecessários associados à assistência em saúde(eventos adversos) até um mínimo aceitável. A incidência de pacientes que sofrem alguma espécie deevento adverso quando hospitalizados pode chegar a quase17%, dependendo do estudo realizado. Esses eventos adversos incluem: aumento do tempo dehospitalização, lesões temporárias ou permanentes e atémesmo o óbito.É fundamental que se pense na importância do gerenciamentode riscos voltado para a segurança do paciente.
  35. 35. Leitura Adicional Brennan TA et al. Incidence of adverse events and negligence in hospitalized patients. Results of the Harvard Medical Practice Study I. N Engl J Med 1991;Feb 7;324:370-376. Kohn LT, Corrigan JM, Donaldson MS, eds. To err is human: building a safer health system. Washington, D.C.: National Academy Press, 2000. Wilson, RM etal. The Quality in Australian Health Care Study. Med J Aust1995; 163:458-71. Davis, P et al. Adverse events in New Zealand public hospitals I: occurrence and impact NZMJ,2002; 115(1167):1-9 Davis, P et al. Adverse events in New Zealand public hospitals II: preventability and clinical context NZMJ, 2003; 116(1183):1-11 Vincent, C. et al. Adverse events in British hospitals: preliminary retrospective record review BMJ 2001; 322:517–9 Mendes, W. et al.The assessment of adverse events in hospitals in Brazil International Journal for Quality in Health Care 2009; 21(4):279–284
  36. 36. Elaboração Dr. Lucas Santos Zambon Prof. Dra. Renata Daud-GallottiProfa. Dra. Hillegonda Maria Dutilh Novaes Produção PROQUALIS proqualis@icict.fiocruz.br

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