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Tecnologia Esgoto

  1. 1. 24º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental XII-055 – DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIA PARA TRATAMENTO DE ESGOTOS ATRAVÉS DE PARCERIA ENTRE INSTITUIÇÃO DE PESQUISA E EMPRESA PRIVADA – ESTUDO DE CASO FUCAPI/SANAR Alex Fabiano Ribeiro de Magalhães(1) Engenheiro Civil pela Universidade de Uberaba. Mestre em Saneamento e Ambiente pela UNICAMP. Analista de Nível Superior do Núcleo de Tecnologias Ambientais, Professor de Graduação e de Pós- Graduação da Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (FUCAPI). Doutorando em Saneamento e Ambiente UNICAMP. João Tito Borges Químico pela UFSCar. Doutor em Saneamento e Ambiente pela UNICAMP. Líder do Núcleo de Tecnologias Ambientais e Coordenador do Curso de Pós Graduação da Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (FUCAPI). Endereço(1): Avenida Djalma Batista, 3000, Torre Sul, Apartamento 905 - Chapada - Manaus - AM - CEP: 69050- 010 - Brasil - Tel: (92) 3236-2693 - e-mail: afrdm@uol.com.br RESUMO Na cidade de Manaus, conforme dados do PNAD (2004), somente 4% da população é atendida por rede pública de coleta e tratamento de esgoto. Este não é um fato isolado no ambiente nacional e, apesar do grande impulso dos investimentos pelos serviços de saneamento, esta ainda é a realidade da maior parte dos municípios brasileiros. Tendo como pensamento a dificuldade da implantação de uma extensa rede de coleta e de tratamento de esgotos em uma cidade como Manaus (com uma população superior a 1.600.000 habitantes) e buscando uma alternativa para a falta desde serviço básico, uma instituição de pesquisa (Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica - FUCAPI) e um empresário (SANAR Cidadania Ambiental), ambos locais, empenharam esforços buscando uma alternativa para minimizar a grande poluição dos igarapés (córregos) que cortam a cidade, provocada pelo lançamento dos esgotos domésticos sem qualquer tipo de tratamento. O desenvolvimento desse sistema alternativo de tratamento passou pelas fases de: identificação do problema, estabelecimento de parceria entre instituição de pesquisa e empresário local, desenvolvimento da tecnologia e idealização do produto, implantação e operação da unidade piloto para análise da eficiência e otimização dos produtos gerados, requerimento de patente, estabelecimento da empresa parceira e implantação de todo o processo de fabricação, caracterização dos produtos gerados e o estabelecimento de uma nova parceria para a prestação de serviços de consultoria para a aplicação prática dos produtos e melhoria contínua dos mesmos. Os equipamentos foram idealizados de maneira a aproveitarem parte do lixo reciclável gerado no município. Como resultados da parceria, foram desenvolvidos os seguintes produtos para tratamento de esgotos: equipamento anaeróbio, equipamento aeróbio, filtro de polimento, desinfecção por UV, cloração, dispositivo de quebra de espuma e caixa separadora de areia e óleo. Todos os equipamentos foram concebidos de maneira a aproveitar parte do lixo reciclável gerado no município. Como resultados indiretos obtidos, houve o estabelecimento de uma nova empresa local, geração de renda aos inventores, geração de empregos diretos e indiretos, promoção do tratamento de esgoto, reciclagem de resíduos e o desenvolvimento da economia regional através da criação de um novo ciclo produtivo. Os ganhos são econômicos, sociais e ambientais, sendo que este último é duplo, em função, tanto do tratamento de esgotos, como o da reciclagem dos resíduos sólidos. PALAVRAS-CHAVE: Tratamento de esgoto, sistemas alternativos, tecnologia, reciclagem de resíduos. INTRODUÇÃO O acesso da população da Região Hidrográfica Amazônica por saneamento, mais especificamente pela coleta e tratamento de esgoto, ainda é baixo se comparado com a média nacional. Inúmeros fatores contribuem para essa realidade, seja ele o isolamento de alguns municípios ou comunidades (dificuldade de acesso), falta de verba pública para investimento em saneamento e falta de mão de obra especializada, entre outros. ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 1
  2. 2. 24º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental De maneira a ilustrar essa realidade se apresenta, para o estado do Amazonas, os números relativos à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE e realizada em 2004, onde consta que somente 4% das residências do amazonas são atendidas por rede coletora de esgoto. A maioria das residências (55,12%) utiliza fossas sépticas para tratamento e sumidouros para destinação final dos esgotos, o que indica que mais de 40% das residências não possuem qualquer tipo de coleta ou tratamento de seu esgoto, descartando seu esgoto bruto nas redes de drenagem de águas pluviais, ou cursos d’água. Tendo em vista a dificuldade de se implantar uma rede de coleta e tratamento de esgotos em uma cidade do porte de Manaus (mais de 1.600.000 habitantes) no curto prazo e, de maneira a buscar um sistema alternativo para minimizar o problema da falta de saneamento nesta cidade, uma Instituição de Pesquisa (FUCAPI) e um empresário local (SANAR) uniram esforços no sentido de desenvolver equipamentos modulares adaptados às realidades regionais e capazes de serem implantados em locais com características diversas, inclusive os que são passíveis de alagamento, além de proporcionar o tratamento de esgoto em nível terciário. Estes equipamentos modulares oferecem a capacidade de se promover a implantação estações de tratamento de esgotos de forma descentralizada, o que diminui os custos de implantação das redes coletoras. MATERIAIS E MÉTODOS Apresenta-se, a seguir, as etapas do processo de desenvolvimento dos produtos criados pela parceria FUCAPI/SANAR, que passou pelas fases de identificação do problema, estabelecimento de parceria entre instituição de pesquisa e empresário local, desenvolvimento da tecnologia e idealização do produto, implantação da unidade piloto e otimização dos produtos gerados, requerimento de patente, estabelecimento da empresa parceira e desenho do processo de fabricação, caracterização dos produtos gerados e o estabelecimento de uma nova parceria para a prestação de serviços de consultoria para a aplicação prática dos produtos e melhoria contínua, além do desenvolvimento de novos produtos, de acordo com a necessidade dos clientes da parceria. IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA A cidade de Manaus, às margens do Rio Negro e com população superior a 1.600.000 habitantes, está inserida em uma área que incorpora quatro bacias hidrográficas, sendo elas as Bacias Hidrográficas do Tarumã, de São Raimundo, de Educandos e do Puraquequara. Cita-se, contudo, que as Bacias do São Raimundo e de Educandos, que apresentam grande adensamento populacional já estão com suas águas completamente poluídas e que as Bacias do Tarumã e Puraquequara já estão em fase de degradação da qualidade das suas águas, principalmente pelo descarte de esgoto bruto em suas águas. Em todas essas bacias, o nível das águas dos igarapés, durante o período de cheia, pode alcançar ou mesmo ultrapassar em algumas casas decimais a cota de 29 m, dessa forma, toda a cidade foi estabelecida acima desta cota. Porém, algumas edificações existentes foram construídas em cotas inferiores a esta e, por esse motivo, ficam alagadas no período de cheia dos rios essa realidade dificulta a implantação dos sistemas de esgotos convencionais em função do reduzido desnível existente entre a área urbana e o nível das águas fluviais. A deficiência do sistema de coleta e tratamento de esgotos em Manaus pode ser claramente comprovada através do estágio atual de poluição das águas superficiais dos igarapés que cortam a cidade e que fazem parte, principalmente, das duas bacias hidrográficas citadas e que são ilustradas nas Figuras 1 e 2. ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 2
  3. 3. 24º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Figura 1: Igarapé de Manaus à montante da Rua Ipixuna (água encoberta pelo lixo) Figura 2: Esgoto bruto na superfície d’água do Igarapé de Manaus à montante da Rua Ipixuna. ESTABELECIMENTO DE PARCERIA ENTRE A INSTITUIÇÃO DE PESQUISA E EMPRESÁRIO LOCAL Com a notoriedade do problema da falta de saneamento na cidade de Manaus, a potencialidade de ações visando à sua minimização ou mesmo a sua solução desse problema é enorme. Todavia, poucas ações potenciais se tornam realidade, seja por falta de interesse econômico, indisponibilidade de verba, pela inércia pessoal ou institucional, ou mesmo por outro motivo não descrito. Todavia, contrariando a esses e outros motivos, em um determinado momento, houve um encontro entre uma instituição de pesquisa e um empresário, ambos locais e já exercendo esforços individuais na busca pelo desenvolvimento e aperfeiçoamento de uma tecnologia para tratamento de esgoto visando a uma alternativa técnica e economicamente viável para minimizar os efeitos da falta de saneamento em Manaus. Iniciou-se, então, uma parceria para que se desenvolvessem equipamentos para tratamento de esgotos e que tivessem as seguintes características: • Apresentassem eficiência no tratamento de esgotos superiores aos tradicionais sistemas de tratamento por fossa séptica e filtro anaeróbio; • Tivessem baixo custo de implantação, operação e manutenção; • Fossem passíveis de serem instalados em cotas alagadas (estruturas impermeáveis); • Tivessem característica de modularidade (para adaptação a diferentes valores de vazão de esgoto); • Tivessem simplicidade de instalação, operação e manutenção (sem necessidade de mão-de-obra especializada); • Demandassem pouca manutenção; • Tivessem baixo consumo de energia; • Utilizassem materiais reciclados na sua fabricação; Destaca-se que fase de idealização da tecnologia e dos equipamentos, a parceria entre o instituto de pesquisa e o empresário, buscou uma inovação, onde, além do tratamento dos esgotos, houvesse uma contribuição para a ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 3
  4. 4. 24º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental diminuição do descarte final do lixo nos aterros e/ou cursos d’água, através da utilização de materiais recicláveis na fabricação dos equipamentos a serem testados. Acreditou-se que, dessa forma, se estaria contribuindo duplamente para melhoria da qualidade ambiental, tanto através do desenvolvimento de equipamentos com tecnologia local para tratamento de esgoto, como também através da promoção da reciclagem e conseqüente redução do lixo disposto nos aterros públicos e/ou descartados na rede hídrica superficial (igarapés e rios). DESENVOLVIMENTO DA TECNOLOGIA E IDEALIZAÇÃO DO PRODUTO Depois de oficializada a parceria, a FUCAPI, como instituição de pesquisa, juntamente com o empresário local, iniciaram, depois de um amplo estudo de opções possíveis de serem implantadas, o desenvolvimento da tecnologia, baseada na ação biológica de microrganismos e sem o uso de produtos químicos. Como resultado dessa busca por melhores condições de saneamento, chegou-se na idealização de uma tecnologia para tratamento de esgotos constituídos por um equipamento para tratamento biológico anaeróbio (na ausência de oxigênio) e outro equipamento para tratamento biológico aeróbio (na presença de oxigênio). Onde, o tratamento anaeróbio teria a função da remoção de grande parcela de sólidos e matéria orgânica e o tratamento aeróbio teria a função de eliminar o odor fétido dos esgotos, além de também contribuir na remoção da matéria orgânica dissolvida. Com as premissas iniciais em mente e a tecnologia já idealizada, investiu-se na concepção, projeto e fabricação dos equipamentos a serem instalação na unidade piloto, um anaeróbio e outro aeróbio. Os equipamentos projetados foram confeccionados em fibra de vidro (característica de ser impermeável) e utilizando material reciclável na sua fabricação (plásticos rígidos). IMPLANTAÇÃO DA UNIDADE DE PILOTO DA TECNOLOGIA DESENVOLVIDA E OTIMIZAÇÃO DOS PRODUTOS GERADOS Os equipamentos do sistema de tratamento piloto, após concordância dos moradores, foram instalados e passaram a atender a sete residências e um pequeno comércio, todos construídos sobre palafitas e localizados no Igarapé Educandos, localizado no bairro de mesmo nome. A unidade piloto foi instalada parcialmente abaixo da cota 29,0 m, o que proporciona a sua semi-imersão na época de cheia, isso foi proporcionado pela característica de impermeabilização dos equipamentos e também em função da indisponibilidade de espaço vertical (o piso das palafitas está praticamente na cota de inundação). As Figuras 1 e 2 ilustram a localização do protótipo e os equipamentos piloto idealizados e confeccionados. Figura 3: Localização da unidade piloto de tratamento anaeróbio às margens do Igarapé Educandos em Manaus-AM. ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 4
  5. 5. 24º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Figura 4: Equipamentos da unidade piloto de tratamento de esgoto instalada sob palafitas no Igarapé Educandos em Manaus-AM. Com a implantação da unidade piloto, deu-se início à fase de amadurecimento e aperfeiçoamento dos produtos gerados. Dois anos de acompanhamento permanente por parte da instituição de pesquisa e do empresário foram necessários para que, tanto a tecnologia, como os produtos dela originados pudessem ser aperfeiçoados e com comprovação técnica e científica da sua funcionalidade hidráulica e de sua eficiência no tratamento de esgotos domésticos comprovada por análises periódicas (semanais). REQUERIMENTO DE PATENTE Com os equipamentos já desenvolvidos testados e aprovados iniciou o processo de solicitação de patente dos novos produtos, onde, cada inventor e participante, teve sua parcela de contribuição inventiva resguardada no percentual que lhe é de direito. ESTABELECIMENTO DA EMPRESA PARCEIRA E DESENHO DO PROCESSO DE FABRICAÇÃO Dando prosseguimento à parceria, a FUCAPI, através de seu quadro multidisciplinar, idealizou e desenvolveu todo o processo de fabricação dos equipamentos em linha de produção e o empresário estabeleceu e oficializou a empresa que seria responsável pela fabricação e comercialização dos equipamentos. Surge, a partir de então a Empresa “SANAR Cidadania Ambiental”, que é a atual fabricante e também faz a comercialização dos equipamentos para tratamento de esgotos anaeróbio e aeróbio. CARACTERÍSTICAS DOS PRODUTOS ORIGINADOS A seguir, descrevem-se sucintamente algumas características dos produtos originados a partir da tecnologia para tratamento de esgotos utilizando materiais recicláveis. Estas descrições se referem aos equipamentos disponíveis para comercialização e que também já que se encontram sob processo fabricação em escala industrial. Características gerais dos produtos: • Vazão diária de tratamento de esgoto: 4.000 L/d; • Número de pessoas atendidas com padrão de vida alto: 25 pessoas para o equipamento anaeróbio e de 75 pessoas para o equipamento aeróbio; • Número de pessoas atendidas com padrão de vida baixo: 40 pessoas para o equipamento anaeróbio e de 120 pessoas para o equipamento aeróbio; • Diâmetro: 1,25 m; • Altura total: 2,25 m; para o equipamento anaeróbio e de 2,20 m para o equipamento aeróbio; • Quantidade de material reciclado (plástico rígido) utilizado em cada unidade: 83 kg para o equipamento anaeróbio e de 30 kg para o equipamento aeróbio; ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 5
  6. 6. 24º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental PARCERIA PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO CONSULTORIA PARA APLICAÇÃO PRÁTICA DOS PRODUTOS, MELHORIA CONTÍNUA E CRIAÇÃO DE NOVOS EQUIPAMENTOS A partir do sucesso da parceria inicial firmada entre as duas instituições, atualmente, mesmo depois dos produtos já estarem em escala comercial, surgiu uma nova parceria. O corpo técnico da instituição de pesquisa foi contratado para prestar consultoria para implantação dos projetos das Estações de Tratamento de Esgotos onde os equipamentos são instalados, bem como para propor modificações internas nos produtos (reator anaeróbio e reator aeróbio) buscando a sua adaptação às características de cada cliente e também para promover a melhoria contínua dos mesmos, incluindo também o desenvolvimento de novos produtos. Dessa forma, a parceria estreitou as relações buscando promover a melhoria contínua dos equipamentos existentes, incluindo também o desenvolvimento de novos produtos. Como exemplo da consultoria para a aplicação dos produtos, cita-se que, somente no ano de 2006, foram implantadas 11 Estações de Tratamento de Esgotos descentralizadas e que atendem vazões de tratamento entre 4 e 24 m³/d. Esta nova parceria possibilitou também, o desenvolvimento dos novos produtos sendo eles: filtro de polimento para o efluente tratado, equipamento para desinfecção do esgoto através da utilização de raios ultravioleta (UV), clorador por pastilhas, dispositivo de quebra de espuma e caixa separadora de areia e óleo. Todos os equipamentos são em fibra de vidro, foram dimensionados para atender a três capacidades de vazão e usam material reciclado na sua fabricação. RESULTADOS OBTIDOS Como resultado direto da viabilidade técnica e científica da parceria entre instituições de pesquisa e empresas privadas no desenvolvimento de alternativas de solução para os problemas locais, apresenta-se este estudo de caso, que apresenta duas propostas de comercialização de sistemas para tratamento de esgotos com características domésticas e que utilizam materiais recicláveis na sua fabricação: uma delas é o sistema de tratamento completo, composto por tratamento anaeróbio, tratamento aeróbio, filtro de polimento e desinfecção por UV (podendo ser incorporadas as unidades de separação de areia e óleo, quebra de espuma e cloração), já a outra opção é a utilização do sistema de tratamento simplificado, composto por tratamento anaeróbio, filtro de polimento e clorador. O tratamento completo é sempre sugerido para os casos onde o esgoto, depois de tratado, é disposto nos cursos d’água superficiais, compostos por igarapés, rios e lagos e, por esse motivo, exige um tratamento que proporcione elevados percentuais de remoção de poluentes. Já o sistema de tratamento simplificado é proposto para locais onde os esgotos tratados são dispostos em sumidouros, valas de infiltração ou mesmo em cursos d’água de grandes dimensões, onde, nestes últimos casos, a pequena vazão do esgoto tratado não muda as características da água destes corpos receptores. Propõe-se ainda que, o sistema simplificado, seja instalado no caso de ausência de energia elétrica, o que é uma realidade em algumas comunidades da Amazônia e mesmo do Brasil. A seguir, apresentam-se outras características dos equipamentos desenvolvidos através da parceria entre a Instituição de Pesquisa e a Empresa Privada objeto deste estudo de caso: • A eficiência no tratamento de esgotos é superior aos tradicionais sistemas de tratamento por fossa séptica e filtro anaeróbio; • Baixo custo de implantação, operação e manutenção se comparado com tecnologias avançadas e que possuem a mesma eficiência; • Podem ser instalados em cotas alagáveis; • Apresenta característica de modularidade; • Possui simplicidade de instalação, operação e manutenção (não há necessidade de mão-de-obra especializada); • Demandam pouca manutenção; • Consomem pouca energia elétrica se comparado com tratamento avançados; • Utilizam materiais reciclados na sua confecção; Outros resultados, que não estavam inicialmente no foco do desenvolvimento da tecnologia, porém, foram conseguidos do decorrer da parceria FUCAPI/SANAR, sendo eles: ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 6
  7. 7. 24º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental • Origem e patente de um novo produto; • Geração renda aos inventores e à instituição de pesquisa através do pagamento de royalties, incentivando à geração de novas pesquisas e produtos para a solução dos problemas locais; • Estabelecimento de uma nova empresa, gerando receita ao poder público; • Comprovação, com um exemplo prático, da possibilidade de efetivação de parcerias entre instituição de pesquisa e empresa privada para a solução de problemas locais e regionais; • Proporcionou o desenvolvimento regional, através do estabelecimento de um produto, empresa, geração de empregos diretos e indiretos, aumento de arrecadação de impostos e renda aos inventores, promovendo um ciclo de desenvolvimento regional; • Geração de 12 empregos diretos na fábrica (no estágio atual de produção); • Formação de uma cooperativa de catadores de material reciclável, que vende todo o material reciclável coletado para a empresa SANAR Cidadania Ambiental, gerando ocupação e renda aos seus seis integrantes; • Reaproveitamento de 83 kg de material reciclável a cada reator anaeróbio fabricado e de 30 kg de material reciclável a cada reator aeróbio fabricado. Lembra-se, contudo, que, caso esses materiais não fossem aproveitados para o tratamento de esgotos através da tecnologia desenvolvida, essa mesma quantidade de material reciclável, possivelmente, estaria ocupando espaço aterros urbanos, em terrenos baldios ou mesmo poluindo os cursos d’água superficiais (igarapés e rios) do município de Manaus. As Fotos 5 e 6 ilustram duas Estações de Tratamento de Esgotos implantadas utilizando tecnologia desenvolvida pela parceria entre a instituição de pesquisa e a empresa privada (FUCAPI/SANAR). Foto 5: Estação de Tratamento de Esgoto completa, com capacidade de tratamento de 24 m³/d Foto 6: Estação de Tratamento de Esgoto simplificada, com capacidade de tratamento de 4 m³/d CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Considerando os resultados técnicos e científicos de funcionalidade e eficiência apresentados pela tecnologia, os resultados sociais de geração de empregos à população, renda à instituição de pesquisa, empresa e inventores, aumento de arrecadação de impostos e, também, os resultados ambientais de diminuição da quantidade de lixo disposto em aterros públicos ou nos cursos d’água, todos conseguidos através da parceria ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 7
  8. 8. 24º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental FUCAPI e SANAR Cidadania Ambiental, este estudo comprova que é completamente viável o estabelecimento de parcerias entre instituições de pesquisa e empresas privadas, visando ao desenvolvimento de tecnologias e produtos de aplicação prática e de solução dos problemas enfrentados diariamente pela população e recomenda o uso desta seqüência metodológica para a formação de outras parcerias entre estes instruções. Destaca-se, que a soma de esforços entre as duas instituições, não se limitam apenas ao desenvolvimento de novas tecnologias e produtos, mas, também à promoção do bem estar público através da criação de alternativas para solução dos problemas sociais e ambientais enfrentados pela população. Lembra-se que as instituições de pesquisa sem fins lucrativos podem ser beneficiadas pela Lei de Inovação (Lei Federal 10.973/2004) para a viabilização de seus projetos de pesquisa, apesar de este fato não ter ocorrido neste estudo de caso. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7229: Projeto, construção e operação de sistemas de tanques sépticos. Rio de Janeiro, 1993. 2. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13.969: Tanques sépticos – Unidades de tratamento complementar e disposição final de efluentes líquidos – Projeto, construção e operação. Rio de Janeiro, 1997. 3. AISSE, M. M. Tratamento de Efluentes de Reatores Anaeróbios, Volume I. 2002. 283 p. Tese (Doutorado em Engenharia), Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. 4. CHERNICHARO, C. A. L. Princípios do Tratamento Biológico de Águas Residuárias. Volume 3. Reatores Anaeróbios. Belo Horizonte, Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental – UFMG, 245 p, 1997. 5. MAGALHÃES, A. F. R. Proposição, implantação, partida e ajustes de reatores biológicos e físico-químicos para tratamento e reciclagem de efluentes de lavadores de veículos e escala real. . 2004. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil), UNICAMP-SP, Campinas-SP. 6. PNAD – Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio. 2004. Disponível em < http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2004/default.shtm>. Acesso em 02/11/2006 7. VON SPERLING, M. Princípios do Tratamento Biológico de Águas Residuárias. Volume 1. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. Belo Horizonte, Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental – UFMG, 245 p, 1997. 8. WAICHIMAN, A. V., BORGES, J. T. Recursos hídricos urbanos – proposta para um modelo de planejamento e gestão integrada e participativa no município de Manaus – AM. Revista T&C Amazônia, Ano 1, Número 3, 12/2003. ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 8

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