Sanitarismo em Leopoldina (1895-1930)

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Trabalho apresentado no 1º Seminário do Grupo de Pesquisa de História da Zona da Mata mineira, na UEMG-Carangola (MG), no dia 20/10/2016.

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Sanitarismo em Leopoldina (1895-1930)

  1. 1. Sanitarismo em Leopoldina (1895-1930): Fontes e perspectivas para uma pesquisa histórica Professor Rodolfo Alves Pereira Mestrando em História - PPGHB, Universo, Niterói (RJ).
  2. 2. Higienismo – do saber popular à ciência moderna • Higiene e limpeza: preocupam os seres humanos desde os primórdios da civilização. • Higiene: a palavra vem da expressão grega Higia, antiga deusa da limpeza e da saúde. • Europa - segunda metade do século XIX: hábitos de higiene ajudariam a promover o progresso econômico e social. O corpo era visto como um instrumento de trabalho e de guerra, devendo estar saudável e apto a executar as suas funções sociais. Por meio da higiene, podia-se regenerar uma raça, fortalecer uma nação” (SANT’ANNA, 2011, p. 302). A higiene ganhou status de ciência moderna. 2
  3. 3. Sanear o Brasil – cidades: oficinas das doenças • Final dos oitocentos: verifica-se acelerado crescimento urbano, sobretudo nas capitais. Exemplo: Rio de Janeiro. • Os aglomerados urbanos eram desprovidos de planejamento e de condições sanitárias básicas. Consequência: epidemias de febre amarela, varíola etc e muitas mortes. • Como alcançar o progresso? Por meio da ciência médica e da modernização do Brasil. Começa a campanha do saneamento. Rio de Janeiro está na vanguarda. • Algumas figuras importantes: Rodrigues Alves, Pereira Passos e Oswaldo Cruz. • Campanha do saneamento: estendeu-se para os sertões. Expedição Penna-Neiva ao interior do Brasil (1912). • “O Brasil é um imenso hospital” - Miguel Pereira (1916). • 1920: o governo federal criou o Departamento Nacional de Saúde Pública - passou a organizar e a financiar metade dos serviços de profilaxia rural e dos programas de educação nos estados brasileiros. 3
  4. 4. A campanha pelo saneamento dos sertões: Sanitarismo em Minas Gerais • Serviço Sanitário em MG: regulamentado desde 1895. • 1910: o Serviço foi reestruturado, mas sem causar mudanças significativas (falta de recursos). • Relatório do governo (1917): constatou a necessidade de uma campanha saneadora. Seguiu-se a criação do Serviço de Profilaxia e Saneamento Rural (apoio da Fundação Rockfeller). • Samuel Libânio esteve à frente da Diretoria de Higiene nos anos 1920. Adotou medidas semelhantes às de São Paulo, criando postos e subpostos de higiene nos municípios mineiros. • A política de saúde em Minas Gerais visava, principalmente, às regiões com valor econômico. Zona da Mata teve atenção especial. Demais regiões, como a do Jequitinhonha e a do Vale do rio Doce, só foram beneficiadas tardiamente (ABREU, 2010). 4
  5. 5. ABREU, J. L. N. Discurso médico-sanitário e estratégias de saneamento em Minas Gerais. In: 12º Seminário Nacional de História da Ciência, 2010, Salvador. Anais do 12 Seminário Nacional de História da Ciência, 2010. v. 1. p. 1-15. Postos de Higiene Combate às endemias locais e a surtos epidêmicos Inspeção médico- sanitária nas escolas Fiscalização de gêneros alimentícios Higiene urbana e rural. 5
  6. 6. O quadro sanitário em Leopoldina: algumas considerações • Valor econômico: agropecuária, linha férrea, políticos influentes em âmbito estadual (Família Ribeiro Junqueira). • Opilação: uma calamidade no município. • Pioneira na instalação do Posto de Profilaxia Rural no estado (18/08/1918). • Médico-sanitarista responsável: Irineu Lisbôa (1894-1987). Formou-se na primeira turma de Medicina em Belo Horizonte; ex-aluno e nomeado para função por Samuel Libânio. 6
  7. 7. Dados extraídos do Memorial Dr. Irineu Lisboa: pioneiro da saúde pública e da radiologia no estado de Minas Gerais. p. 9. Elaborado por Antonio Márcio Junqueira Lisboa. Movimento do Posto de Profilaxia Rural (19 a 24 de agosto de 1918) Latinhas distribuídas 575 Exames efetuados 407 Pessoas afetadas de opilação 225 Pessoas afetadas de outras verminoses 338 Exames negativos 70 Pessoas medicadas 234 Percentagem de opilação 55% Percentagem de verminoses em geral 83% Exames negativos 17% 7
  8. 8. Alguns documentos/indícios encontrados • Fonte oral. • Senhor Antonio Márcio Junqueira Lisboa (1927-), filho do médico Irineu Lisbôa (1894- 1987). Médico e professor. 8
  9. 9. • Fonte escrita: • Correio de Leopoldina. Edição n. 1, 3 de janeiro de 1895. p. 5. • Disponível na hemeroteca da Biblioteca Nacional. • Cobra investimentos públicos em saneamento. Relaciona saúde e modernidade. 9
  10. 10. • Fonte iconográfica: • Fotografia mostrando o carro alegórico do Posto de Hygiene – Guerra ao Mosquito (1931). • Campanha de conscientização em festa popular. 10
  11. 11. • Fonte iconográfica: • Fotografia. Autoridades políticas e médicas na inauguração de um hospital no Sul de Minas (1921). Dentre eles destacamos Belisário Penna, Samuel Libânio e Irineu Lisbôa. • Relações sociais e troca de influências. 11
  12. 12. • Fonte iconográfica: • Fotografia. Posto de Hygiene Municipal em Leopoldina (MG). Inauguração da nova sede (1929). • Presença de autoridades médicas e de pessoas de destaque na sociedade local. 12
  13. 13. • Fonte iconográfica: • Fotografia. Concurso de Robustez Infantil promovido por Dr. Irineu Lisbôa no Centro de Saúde (1933). • Higienie, saúde e eugenia caminhavam juntas. Sanear era revigorar a raça. 13
  14. 14. Algumas questões para serem investigadas e elucidadas • Quais eram as condições sanitárias da cidade e da zona rural em seu entorno? • O que as elites políticas pensavam a respeito de seu povo e de suas condições higiênicas? • Como a opinião pública (a imprensa local) tratava o assunto? • Como eram as habitações das pessoas? • Quais mudanças culturais, urbanísticas e sanitárias ocorreram na cidade após a instalação do Posto de Profilaxia rural? • Como a população local enxergava o movimento sanitário-higienista? • Estatisticamente, qual era o quadro clínico da população local? • Quais estratégias o médico-sanitarista utilizou para implementar suas ações higiênicas? • Como o médico se relacionava com os demais órgãos do poder público e com a comunidade? • Qual foi o papel desempenhado por outras instituições, como a escola e a igreja, na campanha sanitária? 14
  15. 15. Bibliografia Fontes primárias Correio de Leopoldina (1895), Edição n. 1. Hemeroteca da Biblioteca Nacional Digital. Fotografias: Disponíveis no site do jornal Leopoldinense. http://leopoldinense.com.br/inicio Fotografia ao lado de Samuel Libânio e Belisário Penna. Disponível on-line: http://mentorweb.univas.edu.br/hcsl/hcsl_Interna.asp?opc=1 Fontes secundárias ABREU, J. L. N. Discurso médico-sanitário e estratégias de saneamento em Minas Gerais. In: 12º Seminário Nacional de História da Ciência, 2010, Salvador. Anais do 12 Seminário Nacional de História da Ciência, 2010. v. 1. p. 1-15. FRAGA, E. A. Um estudo sobre as condições sanitárias e saúde pública em Muriaé, Minas Gerais – 1920-1929. 2016. 137 f. Dissertação (Mestrado em História) – Programa de Pós-graduação em História do Brasil, Universidade Salgado Oliveira, Niterói. 2016. HENRIQUES, A. B. Epidemias e urbanização: surtos de febre amarela na Cataguases oitocentista. 2005. 172 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva) – Programa de Pós-graduação do Núcleo de Estudos da Saúde Coletiva, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 2005. MOTA, A. Quem é bom já nasce feito: Sanitarismo e eugenia no Brasil. Rio de Janeiro: DP&A, 2003. LISBOA, A. M. J. Memorial Dr. Irineu Lisboa: pioneiro da Saúde pública e da radiologia no estado de Minas Gerais. LOBATO, M. Mr. Slang e o Brasil e Problema Vital. São Paulo: Editora Brasiliense Ltda, 1951. SANT'ANNA, D. B.. Higiene e higienismo entre o Império e a República. In: Mary Del Priore; Marcia Amantino. (Org.). História do corpo no Brasil. 1ed.São Paulo: Unesp, 2011, v. , p. 283-312. SANTUCCI, J. Cidade rebelde: as revoltas populares no Rio de Janeiro no início do século XX. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2008. 15
  16. 16. E-mail: prof.rodolfopereira@gmail.com Blog: www.acropolemg.blogspot.com Facebook: www.facebook.com/acropole.edu Obrigado pela atenção!

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