Material de apoio 1º ano

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Relatos que documentam as visões dos descobridores e viajantes europeus sobre a América e os índios, no século XVI.

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Material de apoio 1º ano

  1. 1. 1Pero Vaz de Caminha (escrivão da frota de por baixo da solapa, de fonte a fonte, na parteCabral, que chegou ao Brasil em 22 de abril de detrás, uma espécie de cabeleira, de penas de1500). ave amarela, que seria do comprimento de um coto, mui basta e mui cerrada, que lhe cobria oEscreve sobre a terra: toutiço e as orelhas. E andava pegada aos cabelos, pena por pena, com uma confeição“Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta branda como, de maneira tal que a cabeleira eraque mais contra o sul vimos, até à outra pontaque contra o norte vem, de que nós deste porto mui redonda e mui basta, e mui igual, e nãohouvemos vista, será tamanha que haverá nela fazia míngua mais lavagem para a levantar.”bem vinte ou vinte e cinco léguas de costa. Trazao longo do mar em algumas partes grandesbarreiras, umas vermelhas, e outras brancas; ea terra de cima toda chã e muito cheia de Relato de Cristóvão Colombo, navegadorgrandes arvoredos. De ponta a ponta é toda italiano, que chegou às Américas em 1492, empraia... muito chã e muito formosa. Pelo sertão nome da coroa espanhola.nos pareceu, vista do mar, muito grande;porque a estender olhos, não podíamos ver “Segunda, 10 de setembro (1492). – Entre o diasenão terra e arvoredos -- terra que nos parecia e a noite, percorreu sessenta léguas, a dezmuito extensa. milhas por hora, o que vem a dar duas léguas eAté agora não pudemos saber se há ouro ouprata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; meia; mas só registrava quarenta e oito, paranem lha vimos. Contudo a terra em si é de que ninguém se assustasse se a viagem fossemuito bons ares frescos e temperados como os longa.de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempodagora assim os achávamos como os de lá. Terça, 11 de setembro. – Nesse dia seÁguas são muitas; infinitas. Em tal maneira é mantiveram na rota, que era para o oeste, egraciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á percorreram mais de vinte léguas, e viram umnela tudo; por causa das águas que tem!” grande pedaço do mastro de uma nau, de cento e vinte tonéis, que não puderam recolher. ÀSobre os habitantes dela: noite percorrera cerca de vinte léguas, mas registrou apenas dezesseis, pelo motivo já“A feição deles é serem pardos, um tanto apontado.” (Cristóvão Colombo. Diário daavermelhados, de bons rostos e bons narizes, descoberta. Porto Alegre: L&PM , 1998. p.bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. 34-5.)Nem fazem mais caso de encobrir ou deixa deencobrir suas vergonhas do que de mostrar acara. Acerca disso são de grande inocência. Colombo descreve os habitantes que encontrouAmbos traziam o beiço de baixo furado e metido na ilha de “Guanahani” (Bahamas – Watlings):nele um osso verdadeiro, de comprimento deuma mão travessa, e da grossura de um fuso de “Depois vieram nadando até os barcos dosalgodão, agudo na ponta como um furador. navios onde estávamos, trazendo papagaios eMetem-nos pela parte de dentro do beiço; e a fio de algodão em novelos e lanças e muitasparte que lhes fica entre o beiço e os dentes é outras coisas, que trocamos por coisas quefeita a modo de roque de xadrez. E trazem-no tínhamos conosco, como miçangas e guizos.ali encaixado de sorte que não os magoa, nem Enfim, tudo aceitavam e davam do que tinhamlhes põe estorvo no falar, nem no comer e com a maior boa vontade. Mas me pareceu quebeber. Os cabelos deles são corredios. E era gente que não possuía praticamente nada.andavam tosquiados, de tosquia alta antes do Andavam nus como a mãe lhes deu à luz;que sobre-pente, de boa grandeza, rapados inclusive as mulheres, embora só tenha vistotodavia por cima das orelhas. E um deles trazia uma robusta rapariga. E todos os que vi eram
  2. 2. 2jovens, nenhum com mais de trinta anos de em cristãos; e assim confio em Nosso Senhoridade: muito bem-feitos, de corpos muito bonitos que Vossas Majestades se determinarão a issoe cara muito boa; os cabelos grossos, quase com muita diligência para trazer para a Igrejacomo o pêlo do rabo de cavalos, e curtos, caem tão grandes povos, e os converterão, assimpor cima das sobrancelhas, menos uns fios na como já destroçaram aqueles que se recusaramnuca que mantêm longos, sem nunca cortar. a professar a fé no Pai e no Filho e no EspíritoEles se pintam de preto, e são da cor dos Santo.” (p. 64).canários, nem negros nem brancos, e se pintamde branco, e de encarnado, e do que bementendem, e pintam a cara, o corpo todo, e Metais preciosos:alguns somente o nariz. Não andam com armas,que nem conhecem, pois lhes mostrei espadas, “E eu estava atento, me esforçando para saberque pegaram pelo fio e se cortaram por se havia ouro, e vi que alguns traziam umignorância”. (OP. Cit. p. 47). pedacinho pendurado num furo que têm no nariz e, por sinais, consegui entender que indo para o sul ou contornando a ilha naquelaTerra encontrada: direção, encontraria um rei que tinha grandes taças disso e em vasta quantidade.” (Op. Cit. p.“Esta ilha é imensa e muito plana, de árvores 48).verdíssimas e muitas águas, com uma vastalagoa no meio, sem nenhuma montanha, e tãoverde que dá prazer só em olhá-la;” (p. 48). O viajante alemão Hans Staden esteve no Brasil por volta de 1548, ele descreve o perigo pelo qual passou, quando foi capturado pelos índios:Seres fantásticos: “No dia anterior tinha eu mandado o meu“Entendeu também que longe dali havia homens escravo para o mato a procurar caça, e queriade um olho só e outros com cara de cachorro, buscá-la no dia seguinte para ter alguma coisaque antropófagos e que, quando capturavam que comer, pois naquele país não há muitaalguém, degolavam, bebendo-lhe o sangue e coisa mais, além do que há no mato.decepando as partes pudendas.” (Op. Cit. p.62). Quando eu ia indo pelo mato, ouvi dos dois lados do caminho uma grande gritaria,“Ontem (08/01/1493), quando o Almirante ia ao como costumam fazer os selvagens, eRío del Oro, diz que viu três sereias que avançando para o meu lado. Reconhecei entãosaltaram bem alto, acima do mar, mas não eram que me tinham cercado e apontavam flechastão bonitas como pintam, e que, de certo modo, sobre mim e atiravam. Exclamei: “Valha-metinham cara de homem.” (p. 95). Deus!” Mal tinha pronunciado estas palavras quando me estenderam por terra, atirando sobre mim e picando-me com as lanças. Mas não me feriram mais (graças a Deus) do que em umaReligião no Novo Mundo: perna, despindo-me completamente. Um tirou-“Tenho certeza, sereníssimas Majestades – diz me a gravata, outro o chapéu, o terceiro ao Almirante -, que sabendo a língua e camisa etc., e começavam a disputar a minhaorientados com boa disposição por pessoas posse, dizendo um que tinha sido o primeiro adevotas e religiosas, logo todos se converteriam chegar a mim, e o outro, que me tinha
  3. 3. 3aprisionado. Enquanto isso se dava, bateram- Monstrengo (Fernando Pessoa)me os outros com os arcos. Finalmente, doislevantaram-me, nu como estava, pegando-me O mostrengo que está no fim do marum em um braço e o outro, no outro, com Na noite de breu ergueu-se a voar;muitos atrás de mim e assim correram comigo A roda da nau voou três vezes,pelo mato até o mar, onde tinham suas canoas. Voou três vezes a chiar,Chegando ao mar vi, à distância de um tiro de E disse: «Quem é que ousou entrarpedra, uma ou duas canoas suas, que tinham Nas minhas cavernas que não desvendo,tirado para terra, por baixo de uma moita e com Meus tectos negros do fim do mundo?»uma porção deles, em roda. Quando me E o homem do leme disse, tremendo:avistaram trazido pelos outros, correram aonosso encontro, enfeitados com plumas, como «El-Rei D. João Segundo!»era costume, mordendo os braços, fazendo com «De quem são as velas onde me roço?isso compreender que me queriam devorar. De quem as quilhas que vejo e ouço?»Diante de mim, ia um rei com o bastão que Disse o mostrengo, e rodou três vezes,serve para matar prisioneiros. Três vezes rodou imundo e grosso. (Hans Staden. Viagem ao Brasil. São Paulo: «Quem vem poder o que só eu posso,Martin Claret, 2010. p. 68-9). Que moro onde nunca ninguém me visse E escorro os medos do mar sem fundo?» E o homem do leme tremeu, e disse:Relato de Jean de Léry (1577) sobre um lagarto «El-Rei D. João Segundo!»brasileiro: Três vezes do leme as mãos ergueu,“(…) vendo sobre a encosta um lagarto muito Três vezes ao leme as reprendeu,maior que o corpo de um homem, e longo de E disse no fim de tremer três vezes:seis a sete pés, o qual parecia coberto de «Aqui ao leme sou mais do que eu:escamas esbranquiçadas, ásperas e rugosascomo conchas de ostras, uma das patas àfrente, a cabeça erguida e os olhos cintilantes,parou imediatamente para nos observar. Vendoisto e não tendo nenhum de nossos arcabuzesnem pistolas, mas somente nossas espadas e,ao modo dos selvagens, cada um arco e flechasna mão (armas que não nos seriam muito úteiscontra este furioso animal tão bem armado)temendo também se fugíssemos que elecorresse mais que nós, e que tendo- nos Sou um povo que quer o mar que é teu;alcançado ele nos abocanhasse e devorasse...” E mais que o mostrengo, que me a alma teme E roda nas trevas do fim do mundo, Manda a vontade, que me ata ao leme,Poema do século XIX expressa o imaginário De El-Rei D. João Segundo!»europeu, o medo do oceano e a coragem dosmarinheiros que ousavam enfrentar os riscos domar: Fontes iconográficas
  4. 4. 4• Além do oceano havia um abismo para o inferno, segundo o imaginário medieval à época das grandes navegações.• Ritual antropofágico praticado por índios do Brasil (século XVI). Ao fundo está o viajante alemão Hans Staden.• No Novo Mundo demônios e dragões devoram os seres humanos. (gravura publicada no livro de Léry, viajante francês que esteve o Brasil em 1558).

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