Curso Básico de Redação - Fernanda Braga

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Curso Básico de Redação - Fernanda Braga

  1. 1. Curso Básico de Redação Professora Fernanda Bragafacebook.com/ProfessoraFernandaBrag a
  2. 2. Conceitos básicosO Frase é todo enunciado de sentido completo, podendo ser formada por uma só palavra ou por várias, podendo ter verbos ou não.Ex.: Silêncio! Os alunos compraram livros para eles estudarem.
  3. 3. Conceitos básicosO Oração é todo enunciado que contém verbo, não é necessário produzir sentido.Ex.: Os alunos compraram livros. Para eles estudarem. Pare!
  4. 4. Atenção:Nem toda frase é oração.Por Exemplo: Que dia lindo!O Esse enunciado é frase, pois tem sentido.O Esse enunciado não é oração, pois não possui verbo.O Assim, não possuem estrutura sintática, portanto não são orações, frases como:Socorro! - Com Licença! - Que rapaz
  5. 5. Conceitos básicosO Período é a frase constituída de uma ou mais orações, formando um todo, com sentido completo. O período pode ser simples ou composto.Ex.: Os alunos compraram livros paraeles estudarem. (composto)Os alunos compraram livros. (simples)
  6. 6. O parágrafoO Indica-se o parágrafo em um texto, seja ele impresso ou manuscrito, por um pequeno recuo de sua primeira linha em relação à margem esquerda da folha. Inicia-se com letra maiúscula e é aconselhável que tenha pelo menos dois períodos.O Do ponto de vista linguístico o parágrafo deve conter uma ideia central, as quais se agregam outras, secundárias, ligadas entre si e relacionadas à ideia central.
  7. 7. A introdução no texto dissertativoO A palavra INTRODUÇÃO tem origem latina: Intro (dentro) ducere (significa conduzir). Sendo assim, a nossa finalidade ao produzir um texto é conduzir o nosso leitor (interlocutor) para dentro do texto e para conseguirmos esse intento devemos atrair, seduzir.
  8. 8. Introdução por definiçãoO A violência se manifesta por meio da tirania, da opressão e do abuso da força. Ocorre do constrangimento exercido sobre alguma pessoa para obrigá-la a fazer ou deixar de fazer um ato qualquer. Existem diversas formas de violência, tais como as guerras, conflitos étnico-religiosos e banditismo.
  9. 9. Introdução por contextualizaçãoO A violência no Brasil, atualmente, ganha índices alarmantes e as autoridades sabem que as armas utilizados nesses mesmos crimes não são registradas. São armas obtidas no submundo do crime, através do contrabando, assaltos, tráfico de drogas etc.. Enquanto isso, alguns pacifistas têm a capacidade de propagandear o desarmamento como a solução dos problemas da violência.
  10. 10. Introdução por alusão históricaO A violência, em seus mais variados contornos, é um fenômeno histórico na constituição da sociedade brasileira. A escravidão (primeiro com os índios e depois, e especialmente, com a mão de obra africana), a colonização mercantilista, o coronelismo, as oligarquias antes e depois da independência, somados a um Estado caracterizado pelo autoritarismo burocrático, contribuíram enormemente para o aumento da violência que atravessa a história do Brasil.
  11. 11. AtividadesCriar um parágrafo introdutório de cada tipo(definição, contextualização e alusãohistórica) para cada tema abaixo:- Desigualdade social;- Desemprego no Brasil;- Manipulação da mídia na sociedade brasileira.
  12. 12. O desenvolvimento do texto dissertativoO O desenvolvimento é importante pois nele definimos os argumentos a serem usados, fundamentamos as ideias a fim de receber crédito do leitor e ter o ponto de vista respeitado.
  13. 13. Desenvolvimento – leis e dados estatísticosUm tipo muito eficaz de argumentação éeste: fazer uso de dados estatísticos, leis eaté definições de dicionário para corroborarcom a tese do candidato. Muitas vezesessas informações aparecem na coletâneade textos e o candidato pode fazer usodelas livremente, sem copiar os textos deapoio. Atenção para não “chutar”informações, pois isso anula aargumentação.
  14. 14. Exemplo:“O estudo do Inep, feito a partir de dados do IBGE edo Censo Educacional do Ministério da Educação,mostra o número de crianças de sete a catorze anosque estão fora das escolas em cada estado.Segundo o mapa, no Brasil, 1,4 milhão de crianças,ou 5,5 % da população nessa faixa etária (sete acatorze anos), para a qual o ensino é obrigatório,não frequentam as salas de aula. O pior índice é doAmazonas: 16,8% das crianças do estado, ou 92,8mil, estão fora da escola. O melhor, o DistritoFederal, com apenas 2,3% (7 200) de criançasexcluídas, seguido por Rio Grande do Sul, com 2,7%(39 mil) e São Paulo, com 3,2% (168,7 mil).”
  15. 15. Desenvolvimento por exemplificação:É possível fundamentar uma posiçãonum texto dissertativo por meio deexemplificação. Deve-se ter atenção,porém, ao fato exemplificado, pois estedeve ser de conhecimento da maioriada sociedade.
  16. 16. Exemplo“No Brasil, são muitos os casos deviolência contra a mulher, como o queenvolveu a adolescente Eloá, de 15anos. Ela foi submetida a cárcereprivado e assassinada por seu ex-namorado.”
  17. 17. Desenvolvimento por causa e efeitoA criação de relações de causa e efeito éum recurso utilizado para demonstrar queuma conclusão (afirmada no texto) énecessária. Além disso, com esse tipo deargumentação, o aluno consegue gerar oraciocínio lógico e persuadir de formamais fácil o leitor.
  18. 18. Exemplo“O fumo é o mais grave problema desaúde pública no Brasil. Assim como nãoadmitimos que os comerciantes demaconha, crack ou heroína façampropaganda para os nossos filhos na TV,todas as formas de publicidade do cigarrodeveriam ser proibidas terminantemente.Para os desobedientes, cadeia.”
  19. 19. Desenvolvimento por comparaçãoComparar fatos, situações,comportamentos é uma forma, também,de argumentar.
  20. 20. Exemplo“Enquanto países como a Inglaterra e oCanadá têm leis que protegem ascrianças da exposição ao sexo e àviolência na televisão, no Brasil não hánenhum controle eletivo sobre aprogramação. Não é de surpreenderque muitos brasileiros estejamdefendendo alguma forma de censurasobre a TV aberta.”
  21. 21. AtividadesLeia e responda as questões de 1 a 6.Eu odeio a Internet"Jamais joguei paciência com um baralho de verdade. Setentasse, nem saberia arranjar as cartas. Dei-me conta dissoao receber, tempos atrás, um e-mail com o título Você éescravo da tecnologia quando.... A paciência sem baralho eraapenas um dos itens de uma longa lista, e não o maisabsurdo. Em todas as situações, havia esse efeito dedesproporção e despropósito: a mais alta tecnologiamobilizada para o mais estúpido dos fins (se o leitor já jogoupaciência no Windows, sabe do que falo). (...)(...) a Internet é a propagação indiscriminada da besteira.Alguém dirá que, com essa crítica à cyberabobrinha, estouabordando o problema pela periferia. Ocorre que os gurus danova era - Nicholas Negroponte, do MIT, para ficar com umexemplo célebre - afirmam, com razão, que a Internet não temcentro.
  22. 22. Surge daí outra grande bobagem que se tem divulgado nãosó por fibra ótica, mas também por meio do velho e sujopapel de imprensa: a Internet democratiza o conhecimento.Se o leitor me perdoa a etimologia rasteira, direi que naverdade a rede tem muito demos para pouco cratos. Quepoder efetivo uma página pessoal representa para seu autor?Na falta de um centro, somos todos periferia.(...) Israelenses e palestinos, petistas e tucanos, pornógrafose evangélicos, punks e skin-heads - todos podem ter seu site.O internauta surfa - isto é, passa pela superfície - por todossem que isso implique o mínimo compromisso ou mesmointeresse. A harmonia mundial (Negroponte, mais uma vez)que essa diversidade sugere é enganosa.Podemos jogar paciência sem baralho, mas ainda vivemosem um mundo prosaicamente físico no qual o hardware paraabrigar nosso software segue inacessível para a maioria. Nomínimo, ainda é cedo para se falar em uma revolução semprecedentes.
  23. 23. Gutenberg apresentou sua famosa Bíblia em 1455, mas aimprensa como instituição pública levaria séculos para sedesenvolver. (...)Uma objeção previsível é a de que, afinal, eu uso aInternet. O presente texto foi produzido em Porto Alegre,onde moro, e transmitido via e-mail para a redação daSUPER, em São Paulo. E estou, admito, muito feliz de nãoter que sair de casa em um dia frio para enfrentar fila nosCorreios. Ainda assim, sustento o título aí em cima. Muitagente vai de carro todos os dias para o trabalho, mesmodetestando dirigir.Fico com as velhas bibliotecas de papel, cujo autoritarismosecular pelo menos não vende ilusões de igualdadetecnopopulista."TEIXEIRA, Jerônimo. In Superinteressante,São Paulo: Abril, ago. 2000.
  24. 24. 1- Que elementos permitem afirmar que o texto de Jerônimo Teixeira édissertativo-argumentativo?2- Qual é a tese defendida pelo argumentador?3- Para desenvolver sua tese, o autor utiliza: a) comparação; b) crítica; c)citação; d) oposição. Encontre, no texto, um exemplo de cada um dessesrecursos.4- O texto "Eu odeio a Internet" é predominantemente objetivo ousubjetivo? Justifique sua resposta.5- O humor foi um dos recursos usados para construir esse texto. Oautor criou um neologismo divertido, além de jogos de palavras quedeixaram a linguagem descontraída. Identifique, no texto, esseneologismo e uma construção em que se perceba subjetividade.6- Você acredita que o autor foi persuasivo em seu texto? Justifique suaresposta.
  25. 25. A conclusãoNão há um modelo único de conclusão. Cada texto pede umdeterminado tipo de fechamento, a depender do tema, bemcomo do enfoque escolhido pelo autor.As ideias que sempre são bem vindas são as queapresentam uma provável solução para o tema (se este forum problema) ou as que apresentam uma consequência dofato discutido.Ex.: “Sociedade e governo devem se unir para resolver oproblema do tráfico de drogas no Brasil. A população devetrabalhar para uma conscientização dos jovens quanto aouso desses produtos ilegais enquanto que os governantestêm por obrigação aprovar leis mais rígidas que punam osque traficam além de reforçar as fronteiras para que não hajafacilidade da entrada da droga no país.” (conclusão = soluçãodo problema)
  26. 26. A organização de ideiasO Ao reconhecer o tema numa proposta de redação, deve-se esquematizar um roteiro de como abordar o assunto.O A organização das ideias pode ser feita através de palavras-chave que serão o foco para se produzir períodos e parágrafos.O Com o esquema das ideias pronto, é só organizar os parágrafos de acordo com o objetivo da proposta.
  27. 27. Tema: violência no Brasil VIOLÊNCIA TIPOS CAUSAS CONSEQUÊNCIAS SOLUÇÕESURBANA SOCIAIS INSEGURANÇA TRÁFICO MISÉRIA POLÍTICASPOLICIAL MORAIS SOCIAIS REPRESSÃO ÉTICA PENAIS RURAL POLÍTICAS SISTEMA DISPUTA DE CORRUPÇÃO PRISIONAL TERRAS
  28. 28. Atividades: produza esquemas para os temasabaixo e, após ler a análise da redação (nopróximo slide), produza os textos dos temaspropostos aqui: O A televisão brasileira e a alienação da sociedade. O Juventude atual: problemas e perspectivas para o futuro. O Educação e cidadania. O Incentivo à leitura no Brasil. O Globalização: aspectos negativos e positivos.
  29. 29. Exemplo de redação para correção:
  30. 30. O estudante faz uma leitura superficial dos fatos. Talvez sejaesse o principal problema do texto. No parágrafo introdutório,no qual caberia a tese a ser defendida, está apenas aconstatação de que a população brasileira está muito confusadiante das atitudes eticamente condenáveis perpetradaspelos governantes.O desenvolvimento dessa ideia revela certo simplismo. Éverdade que, mais uma vez, o dinheiro do povo está sendodesviado de seus objetivos e que os problemas crônicos dopaís- saúde, educação, desemprego e violência- continuamnegligenciados. Ocorre, entretanto, que talvez não seja esse ofoco da questão.Estamos diante de uma situação complexa. O grupo que orase encontra no poder simbolizava a esperança de renovaçãoe, sobretudo, de compromisso com os anseios do povo. Afrustração imensa que acomete as pessoas vem dosentimento de traição da confiança. Além disso, não se trataagora simplesmente de indivíduos que se aproveitam dopoder para assaltar o erário e encher os próprios bolsos.Estamos diante da revelação de práticas absolutamente
  31. 31. Se, por um lado, o conhecimento dos fatos nos faz desacreditarainda mais da classe política, por outro- e isso talvez nos sirva dealento-, é ele que nos pode conduzir à construção de novoscaminhos. Essa é a discussão contida na proposta de redação.É importante que o redator assuma uma posição, seja qual for, e adefenda. O debate de ideias, bem como a proposição de hipótesese ponderações, enriquece o texto dissertativo. A meraconstatação dos fatos é insuficiente. Ao dissertar, é preciso emitiropiniões e validá-las por meio de argumentos. É a capacidade deorganizar um raciocínio que é valorizada na redação. Convémdeixar claro que uma opinião é um pensamento construído. Sótemos opinião sobre aquilo que é objeto de nossa reflexão. Épreciso que nós nos convençamos das ideias que pretendemosexpor aos outros, O texto aqui comentado não se desenvolveporque o autor não se propõe posicionamentos nem reflexão. Épreciso buscar os pontos problemáticos do tema, aquelescapazes de suscitar a polêmica. Ao problematizar o tema, asideias surgem. Depois, o trabalho é selecioná-las e hierarquizá-las.A linguagem, por sua vez, deve abandonar o tom informal e, como máximo de precisão e correção gramatical, contribuir para a

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