3° ano - Contos e crônicas

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3° ano - Contos e crônicas

  1. 1. Contos e Crônicas Professora Fernanda Braga
  2. 2. O conto• É uma narrativa linear e curta, tanto em extensão quanto no tempo em que se passa.• A linguagem é simples e direta, não se utiliza de muitas figuras de linguagem ou de expressões com pluralidade de sentidos.• Todas as ações se encaminham diretamente para o desfecho.• Envolve poucas personagens, e as que existem se movimentam em torno de uma única ação.• As ações se passam em um só espaço, constituem um só eixo temático e um só conflito.• A habilidade com as palavras é muito importante, principalmente para se utilizar de alusões ou sugestões, frequentemente presentes nesse tipo de texto.
  3. 3. Tipos de contos• Contos de amor (Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade);• Contos de terror/suspense (Stephen King);• Contos de fadas (Irmãos Grimm);• Contos fantásticos (Murilo Rubião, Guimarães Rosa).• Contos comuns/situações cotidianas (Machado de Assis, Guimarães Rosa).
  4. 4. A Crônica• Está ligada à vida cotidiana. Contém um depoimento pessoal, com estilo e pontos de vista individuais. Narrativa informal, familiar, com sentimentos íntimos mais profundos.• Procura reproduzir na escrita a linguagem do cotidiano, ou seja, coloquial, às vezes, carregada de sentimentos, ou de emoção, ou ainda, de ironia, de crítica.• Tem sensibilidade em relação à realidade. Procura a síntese, a brevidade, a leveza de sentido e uma dose de lirismo.• Faz uso do fato como meio ou pretexto para o artista exercer seu estilo e criatividade.• Diz coisas sérias por meio de uma aparente
  5. 5. Tipos de Crônicas• Crônica Lírica/poética (Fernando Sabino, João do Rio, Rubem Alves);• Crônica de Humor (Luís Fernando Veríssimo, Machado de Assis);• Crônica Ensaio (Arnaldo Jabor);• Crônica Argumentativa (Moacyr Scliar, Gilberto Dimenstein, Carlos Heitor Cony).
  6. 6. A CRÔNICA E O CONTO Onde termina a "crônica" e começa o "conto"? Esseé o questionamento que, não raro, tenho visto. Comefeito, muitas vezes a crônica confunde-se com oconto. Mas, que fique bem entendido, não é qualquercrônica que se assemelha ao conto. Quando a crônicarecebe um tratamento literário em relação ao textojornalístico, como o uso de várias figuras delinguagem, quando um pequeno enredo é desenvolvido,principalmente com diálogo; é que ela traçafronteiras muito próximas do conto. Tão próxima,que muitas vezes, é difícil estabelecer uma linhadivisória. No entanto, podemos enumerar algumascaracterísticas da crônica que podem serconfrontadas com as do conto.
  7. 7. PersonagensEnquanto o contista mergulha de ponta-cabeça naconstrução da personagem, o cronista age demaneira mais solta. As personagens não têmdescrição psicológica profunda; são levementecaracterizadas (uma ou duas características),suficientes para compor seus traços genéricos, comos quais, qualquer pessoa pode se identificar: Fulanoé distraído, Beltrano é mau-caráter e nacionalistaxenófobo (que tem aversão a estrangeiros). Emgeral, as personagens não têm nomes: é a moça, omenino, a velha, o senador, a mulher, a dona de casa.Ou, se têm, são nomes comuns, como: dona Nena, seuChiquinho, seu Bonifácio, para só citar essesnomes. Às vezes, o cronista cria personagens, massempre a partir de uma matriz real, isto é, pessoas
  8. 8. Enquanto no conto o narrador (protagonista ouobservador) é um personagem. Na crônica, o cronistasequer tem a preocupação de colocar-se na pele de umnarrador-personagem ou observador. Assim, quem narrauma crônica é o seu autor mesmo; pois, o cronista parte deexperiências próprias, de fatos que testemunhou (comcerto envolvimento) ou dos quais participou: “Diz que eraum menino de uma precocidade extraordinária e vai daí agente percebe logo que o menino era um chato, pois nãoexiste nada mais chato que menino precoce e velhoassanhado. Mas deixemos de filosofias e narremos; dizque o menino era tão precoce que nasceufalando.“(...). (PORTO, Sérgio; O Menino Precoce; in:Garoto Linha Dura) Por isso, a crônica tem, quase sempre, um caráterconfessional, autobiográfico. Em alguns casos a narrativaé feita na terceira pessoa através de pessoas reais que se
  9. 9. O AssuntoO assunto de uma crônica é sempre resultado daquiloque o cronista colhe em suas conversas; das frasesque ouve; das pessoas que observa; das situações queregistra; dos flagrantes de esquina; dos fatos donoticiário; dos incidentes domésticos e coisas queacontecem nas ruas. Portanto, o assunto da crônica,geralmente, está centrado em uma experiênciapessoal. Ao passo que o conto, não raro, é produto daimaginação, da ficção.O cronista pode numa mesma crônica abordardiversos assuntos, desde que estes estejam ligadosentre si por uma mesma linha de raciocínio.
  10. 10. No conto há um conflito e, geralmente, um desfecho paraele. Como a finalidade da crônica é analisar ascircunstâncias de um fato e não concluí-lo, o desfecho é,praticamente, inexistente. "Vamos supor que vocêsurpreenda um garoto pobre tremendo de frio e olhadofixamente para um pulôver novinho na vitrina duma loja.Ora, isso dá uma excelente crônica. Você relatariao flash, a cena em si, mas não o desfecho: o meninocomprou ou não o pulôver? Nada disso. Acabando de"pintar" o quadro, terminaria o texto, deixando ao leitora tarefa de refletir sobre a miséria, a fome, a mádistribuição de renda, a injustiça social etc. É essa, muitavezes, a finalidade da crônica e a intenção do cronista.Seu texto não tem resolução, não tem moral como nafábula, é aberto para que cada leitor crie o final quemelhor desejar. O cronista, no fundo, deseja que seuleitor seja um coautor.” (ASESBP, Associação dos
  11. 11. A LinguagemO cronista procura trazer para suas crônicas aoralidade das ruas, isto é, ser oral no escrito. Daíser predominante nas crônicas a linguagem coloquiale até popular, para introduzir um linguajar de bate-papo (do botequim, da esquina), de conversa-fiada;todos carregados de gírias."[...], pois o artista que deseje cumprir sua funçãoprimordial de antena do seu povo, captando tudoaquilo que nós outros não estamos aparelhados paradepreender, terá que explorar as potencialidades dalíngua; buscando uma construção frasal que provoquesignificações várias (mas não gratuitas ouocasionais), descortinando para o público umapaisagem até então obscurecida ou ignorada por
  12. 12. O DiálogoÉ a presença do diálogo na crônica, que faz com queela se aproxime do conto. Mas, na crônica, o diálogo éforma de interação, que cria uma importantecumplicidade com o leitor, principalmente, através deperguntas lançadas ao ar; ou então, para manter umformato que se aproxime do bate-papo, suacaracterística marcante:[...] parado às seis e meia da tarde na esquina dasAvenidas Montagne com Champs Elysées, na certezade que não encontraria um táxi, disse para ooperador de rádio de uma emissora carioca queestava comigo: "O jeito é a gente ir de metrô".E ele: "Comigo não, velhinho. Trem em cima da terrajá dá bronca, não sou eu que entro num trem quecorre num buraco". (PORTO, Sérgio; Cartão-postal;

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