ROTA DE APRENDIZAGEM:
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Caros participantes:
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Especificamente, vamos aprender com as seguintes experiências de apoio e inclusão da juventude rural:
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Visita Caso 3: Projeto PRODEMORO e sua e...
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Orientações para a inclusão da juventude rural nos projetos
cofinanciados pelo Fundo Internacional de De...
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As palestras, aprendizados e conclusões, tanto da
Oficina como das outras atividades r...
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necessariamente camponeses. As fronteiras
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saúde, aspectos comerciais, entre ou...
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Participação dos jovens na gestão do projeto
Já foi mencionada a relevância de se est...
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Considerando a influência do território e a informação
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Na Colômbia, o Projeto Oportunidades Rurais
incorporou incentivos para que jovens ten...
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Capital de risco. Os jovens rurais que possuem
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3.2.6 Apoio a organização produtiva e social dos
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Apoio as redes de jovens rura...
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5.	 Para que as organizações juvenis obtenham
apoio institucional é necessário desenv...
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A EXPERIÊNCIA DA FUNDESYRAM
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Desenvolvimento do empreendedorismo rural juvenil:
A experiência da FUNDESYRAM
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ocorre prematuramente, já no início da formação
das famílias enfrentam a marginalização por...
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na agricultura orgânica e adaptação às alterações climáticas, e Meio ambiente. Ao longo dos...
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SOCIEDADE
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Promover a igual-
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Integração das
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III. QUAIS SÃO AS ESTRATÉGIAS
DA FUNDESYRAM PARA A
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O processo para apoiar jovens empreendedores é baseado no modelo de intervenção resumido na...
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Este plano de capacitação é implementado pela
FUNDESYRAM, com o apoio de organizações estat...
A EXPERIÊNCIA DA FUNDESYRAM
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3.	 Os jovens devem estar de acordo com a Rede
Regional de Jovens Empreendedores (REMPRE),
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A Rota de Aprendizagem: “Estratégias e inovações para a inclusão da juventude rural como protagonista do desenvolvimento em seus territórios”, tem como objetivo geral conhecer as estratégias e inovações para a inclusão social e econômica eficaz dos jovens, analisar os seus mecanismos para o sucesso, e seus problemas e desafios, com base no diálogo com as equipes técnicas, parceiros e jovens líderes envolvidos em iniciativas importantes da América Central, e a partir da retroalimentação e intercâmbio entre as equipes que atualmente estão implementando novas medidas para melhorar a integração dos jovens nos projetos.

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  1. 1. ROTA DE APRENDIZAGEM: “Estratégias e inovações para a inclusão da juventude rural como protagonista do desenvolvimento em seus territórios” 22 e 28 de fevereiro de 2015 El Salvador.
  2. 2. Diário de Bordo 3 Caros participantes: Com nossas saudações a todos, damos boas- vindas para a Rota de Aprendizagem: “Estratégias e inovações para a inclusão da juventude rural como protagonista do desenvolvimento em seus territórios”, que será realizada entre os dias 22 e 28 de fevereiro de 2015, em El Salvador. Uma Rota de Aprendizagem é um processo de aprendizagem contínuo local, que busca ampliar e diversificar o mercado de conhecimentos rurais, incluindo e valorizando as melhores experiências e conhecimentos das instituições, comunidades e famílias rurais. Cada Rota é organizada tematicamente em torno de experiências, estudos de casos e boas práticas de desenvolvimento rural e local, nas quais os participantes se tornam capacitadores. Através de workshops, entrevistas, conversas e outras atividades desenvolvidas em campo, a Rota cria um espaço para a aprendizagem individual e coletiva, tanto para os “roteiros e roteiras” como para os talentos locais (experiências anfitriãs). Assim, a partir da constatação da relevância dos jovens ruraisparaaefetividadeesustentabilidadedeiniciativas de desenvolvimento, foram implementadas uma série de experiências coordenadas tanto por instituições públicas como privadas, incluindo as operações da FIDA da região LAC, que têm desenvolvido novas estratégias, ferramentas e abordagens para integrar efetivamente como foco a juventude rural e os jovens como atores centrais. É importante analisar e aprender com a experiência dessas iniciativas, os seus casos de sucesso e seus obstáculos, assim como refletir sobre os desafios futuros e identificar novas soluções e estratégias potenciais para avançar ainda mais nesse processo de inclusão. Nesse sentido, a Rota de Aprendizagem: “Estratégias e inovações para a inclusão da juventude rural como protagonista do desenvolvimento em seus territórios”, tem como objetivo geral conhecer as estratégias e inovações para a inclusão social e econômica eficaz dos jovens, analisar os seus mecanismos para o sucesso, e seus problemas e desafios, com base no diálogo com as equipes técnicas, parceiros e jovens líderes envolvidos em iniciativas importantes da América Central, e a partir APRESENTAÇÃO DA ROTA da retroalimentação e intercâmbio entre as equipes que atualmente estão implementando novas medidas para melhorar a integração dos jovens nos projetos. Alguns dos temas particulares a serem analisados durante a Rota, serão: • Marco institucional e políticas públicas para a juventude rural. • Integração do foco na juventude rural em projetos de desenvolvimento rural. • Espaços e estratégias de articulação de atores/ setores para o apoio a juventude rural. • Incentivos à mudança geracional em organizações rurais. • Estratégias de apoio ao empreendedorismo juvenil e financiamento de negócios liderados por jovens. • Serviços voltados para o acesso de ativos financeiros e de terra. • Participação cidadã , associativismo e construção de redes de juventude rural.
  3. 3. Diário de Bordo 4 Especificamente, vamos aprender com as seguintes experiências de apoio e inclusão da juventude rural: Nome do caso Local Eixos temáticos Programa de incubação de empresas e de acesso à terra, NITLAPAN-UCA Estelí, Nicaragua Desenvolvimento de negócios, serviços financeiros e acesso à terra para a juventude rural. Ay qué Lindo! A experiência de fazer caixas de charuto na cidade de Condega. Condega, Nicaragua Desenvolvimento de Negócios e acesso a fundos de investimentos Desenvolvimento do empreendedorismo rural juvenil, a experiência da FUNDESYRAM Região Ocidental, El Salvador Desenvolvimento integral de negócios, formação, financiamento e participação social. Projeto PRODEMOR Central e sua experiência de inclusão de jovens no quadro operacional Região Central e Paracentral, El Salvador Geração de redes, incentivos à mudança geracional e sensibilização. Projeto PRODEMOR Central e sua experiência de inclusão de jovens no quadro operacional Região Oriental, El Salvador Jovens prestadores de serviços de assistência técnica/ mecanismos para facilitar o financiamento para empreendimentos juvenis não formalizados. Desde já, lhes convidamos a participar ativamente nesta jornada de conhecimento, e a permitir que as boas ideias e inovações se expandam e se disseminem. APRESENTAÇÃO DA ROTA
  4. 4. Diário de Bordo 5 MAPA Acajutla Armenia Atiquizaya Izalco La Reina La Libertad Metapán Nueva Concepción Nueva Ocotepeque San Juan Opico Ilobasco Candelaria de la Frontera Cojutepeque La PalmaJutiapa San Pablo Tacachico Asunción Mita San Luis Dulce Nombre de María Jucuapa Nueva Granada Perquín San Alejo San Agustín Santa Clara Sesori Tecoluca Victoria PolorósCacaopera Carolina Santa Ana San Vicente El Tránsito San Jorge Chirilagua Pasaquina La Herradura Suchitoto San Sebastián San Juan Marcala Esquipulas Usulután Sonsonate Nueva San Salvador La Unión Ahuachapán Sensuntepeque Zacatecoluca San Miguel San Francisco (Gotera) Chalatenango San Salvador The boundaries and names shown and the designations used on this map do not imply official endorsement or acceptance by the United Nations. Map No. 3903 Rev. 3 UNITED NATIONS May 2004 Department of Peacekeeping Operations Cartographic Section EL SALVADOR EL SALVADOR National capital Departmental capital Town, village Major airport International boundary Departmental boundary Pan American Highway Main road Railroad Where the names of the departments are the same as their capitals, only the capitals are named. 10 20 300 40 km 20 30 mi100 LA PAZ CABAÑAS LA LIBERTAD MORAZÁN CUSC A TLÁN GUATEMALA H O N D U R A S NICARAGUA Golfo de Fonseca Bahía de La Unión Ba hía de Jiquilisco Embalse Cerrón Grande L. de Coatepeque Lempa Lempa Torola Lempa Laguna de Olomega Gran de de San Miguel L. de Güija Sum pul P A C I F I C O C E A N L. de Ilopango Paz Goascorán Punta Remedios Punta Amapala Isla Meanguera Isla Conchagüita Península San Juan del Gozo Vol. de Sta. Ana Vol. de San Salvador Vol. de San Miguel Vol. de San Vicente Vol. de Guazapa Cuscatlán Int'l Airport Santo Domingo de Guzmán1 San Luis La Herradura 2 San Francisco Gotera 3 1. Fundesyram Cantão el Carrizal, Santo Domingo de Guzmán. Sonsonate. 2. PRODEMOR Central Praia dos Brancos, Município de San Luis La Herradura, Departamento de La Paz. Costa del Sol. 3. PRODEMORO Casarão dos López. San Francisco Gotera. Departamento de Morazán.
  5. 5. Diário de Bordo 6 PROGRAMA DA ROTA Rota De Aprendizagem “Estratégias e inovações para a inclusão da juventude rural como protagonista do desenvolvimento em seus territórios” 22 a 28 de fevereiro de 2015 El Salvador Dia Horário Atividade Lugar Sábado, 21 de fevereiro O dia todo Recepção dos participantes no aeroporto e traslado para Hotel em San Salvador San Salvador Domingo, 22 de fevereiro 09.00-13.00 Workshop de Introdução à Rota de Aprendizagem San Salvador 13.00-14.00 Almoço 14.00-17.00 Feira de Experiências e Oficina Plano de Inovação 19.00-20.00 Janta Segunda, 23 de fevereiro 08.00-10.30 Lançamento Rota de Aprendizagem San Salvador 10.30-13.00 Painel de contextualização (MAG, Soc Civil – Rede de Jovens, FIDA) 13.00-14.00 Almoço 14.00-16.00 Mesas de Intercâmbio de experiências (Equipes Projetos FIDA, jovens – atores aliados) Visita a Feira de jovens empreendedores 19.00-20.00 Jantar Terça, 24 de fevereiro 08.00-16.00 Visita Caso 1: Desenvolvimento do empreendedorismo rural juvenil, a experiência da FUNDESYRAM Zona Occidental 18.00-19.00 Workshop de análise - Caso 1 San Salvador 20.00-21.00 Janta Quarta, 25 de fevereiro 08.00-16.00 Visita Caso 2: Projeto PRODEMOR Central e sua expe- riência de inclusão de jovens em seu quadro operacional San Vicente 17.00-18.30 Workshop de análise - Caso 2 19.00-20.00 Janta
  6. 6. Diário de Bordo 7 Dia Horário Atividade Lugar Quinta, 26 de fevereiro 08.00-16.00 Visita Caso 3: Projeto PRODEMORO e sua experiência de inclusão de jovens em seu quadro operacional San Miguel 17.00-18.30 Workshop de análise - Caso 3 19.00-20.00 Janta Sexta, 27 de fevereiro 08.00-13.00 Apresentação do Caso 4, Experiências da Nicarágua: NITLAPAN, Ai Que Lindo! San Miguel 15.00-18.00 Workshop de análise - Casos 4 e Workshop de Planos de Inovação 19.00-20.00 Janta Sábado, 28 de fevereiro 08.00-11.00 Workshop de Encerramento: aprendizagens e desafios futuros El Salvador14.00-16.30 Feira de Planos de Inovação e painel de retroalimentação 16.30-17.30 Avaliação e Encerramento Oficial da Rota 19.00-20.00 Janta Domingo, 1° de março Todo o dia Retorno dos participantes para suas suas casas Hotel-Aeroporto Rota De Aprendizagem “Estratégias e inovações para a inclusão da juventude rural como protagonista do desenvolvimento em seus territórios” 22 a 28 de fevereiro de 2015 El Salvador PROGRAMA DA ROTA
  7. 7. Diário de Bordo 8 Orientações para a inclusão da juventude rural nos projetos cofinanciados pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola-FIDA, na América Latina e no Caribe DOCUMENTO TÉCNICO 1. INTRODUÇÃO: OS JOVENS, PRINCIPAL CAPITAL DAS FAMÍLIAS RURAIS Jovens do meio rural, homens e mulheres, têm saído de sua invisibilidade à medida que tem se salientado o seu papel de liderança na promoção do desenvolvimento de seus territórios. Embora tenha havido o reconhecimento das capacidades potenciais dos jovens, elas até agora têm sido implantadas apenas parcialmente, uma vez que ainda não há uma estratégia pessoal adequada nem oportunidade de se integrar a vida adulta, uma situação que permitiria sua inserção em condições sociais e econômicas mais favoráveis. A preocupação com a juventude rural aumentou em diferentes áreas e pontos de vista porque a sua fraca integração pode ser vista como uma perda de valor econômico e social tanto pela contribuição que poderiam dar para suas famílias como para suas comunidades e territórios, uma vez que representam um dos principais ativos humanos com que contam as famílias rurais. Reconhecendo esse potencial, o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola-FIDA ressaltou a importância da juventude rural, o que tem sido evidenciado em reuniões e documentos gerais e regionais, priorizando sua inclusão na agenda do Fundo. O Programa Regional da Juventude Rural Empreendedora da Corporação PROCASUR, apoiado pelo FIDA, vem em resposta à crescente preocupação em incluir a juventude rural nos projetos cofinanciados pelo FIDA. O objetivo do programa é melhorar o conhecimento sobre o modo de vida dos jovens, apoiando-os diretamente por meio da promoção de redes de jovens, de empreendimentos e do diálogo de políticas para reforçar a sua inclusão social e econômica. Durante sua implementação, o Programa acumulou diversas experiências de trabalho com jovens: efetuou-se um abundante trabalho de campo com grupos e redes, organizaram-se oficinas de reflexão, cofinanciaram-se empreendimentos e sistematizaram- se diferentes iniciativas dos jovens, que trazem informações sobre suas características e estratégias de vida. Em 2013, o Programa e o FIDA executaram a Workshop Internacional: “Integração econômica e participação social da juventude rural da América Latina e do Caribe”, realizado em San Salvador, El Salvador, nos dias 17, 18 e 19 de novembro. O workshop teve como objetivo gerar um espaço de diálogo e reflexão entre os e as jovens rurais e equipes técnicas dos projetos de desenvolvimento rural, como meio de conhecer e analisar estratégias e ferramentas para conquistar uma melhor inclusão e participação nos benefícios do desenvolvimento rural.
  8. 8. Diário de Bordo 9 DOCUMENTO TÉCNICO As palestras, aprendizados e conclusões, tanto da Oficina como das outras atividades realizadas pelo Programa, se encontram neste documento, que busca colaborar na integração apropriada dos/as jovens aos projetos de desenvolvimento cofinanciados pelo FIDA e, em geral, em distintas iniciativas de desenvolvimento rural. 2. POR QUE INVESTIR NA JUVENTUDE RURAL? A JUVENTUDE NOS PROJETOS FIDA Como foi assinalado, existem fortes razões para incorporar os jovens aos projetos FIDA ou para desenhar projetos dirigidos especificamente a este setor. Do ponto de vista geral, em primeiro lugar, deve se dizer que esta é uma linha de trabalho plenamente coerente com os objetivos do FIDA, já que contribui para eliminar ou atenuar a pobreza rural e a desenvolver os territórios rurais. Outro elemento que sustenta a importância da integração dos jovens é que eles representam, em média, cerca de um quarto da população rural nos países da região, proporção que, em certas situações pode ser muito maior. Um terceiro motivo é que o setor rural está perdendo seus jovens, já que a migração se apresenta como um projeto de vida atraente para os jovens saírem da pobreza e do atraso das zonas rurais, o que acarreta no envelhecimento progressivo da população que habita os territórios rurais. A situação da juventude rural é desfavorável se comparada à da juventude urbana, mesmo àquela com baixos níveis de renda. Em regra geral, observa- se que a juventude rural tem: • Baixos níveis de educação. • Escasso acesso aos meios de produção. • Inadequada capacitação de trabalho. • Baixos níveis de integração nas atividades locais. Dadas as limitações acima, uma boa parte dos e das jovens não estão em condições de contribuir para o alívio do problema da pobreza familiar. As análises sobre a juventude rural em diferentes países da região, realizadas pelo Programa Regional Juventude Rural Empreendedora (financiado pelo FIDA e executado pela Corporação Procasur) sobre a base de antecedentes secundários, dão conta da realidade indicada. No caso das jovens, sobre os problemas referidos, se soma o peso dos elementos culturais que, em muitas ocasiões, as relega ao trabalho doméstico e à maternidade precoce, fatores que impedem um número significativo de realizar-se nos âmbitos educacionais ou de trabalho1 . Quadro 1: Situação atual dos/as jovens rurais da América Latina e do Caribe 1. A população rural dos países da Região está envelhecendo. As diferenças entre as zonas rurais e as áreas urbanas continuam favorecendo as cidades e tornando-as um destino de migração atraente, embora em alguns países se observem avanços em matéria de educação e trabalho para a juventude rural. 2. As jovens rurais pobres e as jovens indígenas representam a população jovem em situação de maior desvantagem do mundo rural, mas estão experimentando as maiores mudanças vinculadas ao nível educacional e ao empoderamento e abertura das novas tecnologias de comunicação e informação (TICs). 1 Série de Estudos. Juventudes rurais: tendências e realidades, Procasur, 2013
  9. 9. Diário de Bordo 10 DOCUMENTO TÉCNICO 3. Os filhos de camponeses já não serão necessariamente camponeses. As fronteiras atenuadas urbano-rurais, a perda da importância da agropecuária frente ao desenvolvimento dos setores secundários e terciários nas economias rurais, assim como a debilitamento do modo de produção doméstico, dificultam as estratégias de vida dos jovens rurais. Fonte: Informe Workshop de San Salvador, El Salvador, Novembro, 2013. Outro estudo realizado pelo Programa sobre a presença e caracterização dos jovens em 31 projetos cofinanciados pelo FIDA, em 15 países da região, mostra resultados que coincidem com as estatísticas anteriores e permitem configurar qual é a realidade atual da juventude, no contexto de execução dos projetos FIDA2 : • Na agricultura familiar, os/as jovens geralmente são parte da mão de obra não remunerada, o que implica que seu trabalho não corresponde às rendas justas dos que podem as possuir. • Embora sejam maiores de idade, não têm propriedade nem controle sobre a terra e carecem de garantias para ter acesso a crédito, situação que restringe a mudança geracional. • A agricultura camponesa expulsa seus membros jovens do emprego assalariado. As possibilidades restritas de emprego em suas localidades de origem e as baixas remunerações conspiram contra a permanência do/as jovens no campo e a migração surge como única saída da pobreza. • Os/as jovens rurais abandonam a escola antes da juventude urbana e têm mais dificuldades que estes para continuar estudando nos níveis superiores. Sendo vítimas de uma educação 2 Inclusão de jovens em projetos FIDA da América Latina. Procasur, setembro, 2013. Estudo realizado sobre a base dos diagnósticos de 31 projetos FIDA. descontextualizada, chegam ao mercado de trabalho com menor preparo, situação que exclui ou limita suas opções de emprego. • Os jovens têm níveis mais elevados de desemprego e salários mais baixos do que os trabalhadores adultos. A taxa de desemprego juvenil também é mais alta que a dos adultos, mesmo quando os jovens possuem maior nível de escolaridade que seus pais, situação que também se aplica na questão de gênero. • Em alguns países, os jovens são vítimas da violência e do narcotráfico, envolvendo-se em grupos ilegais por recrutamento forçado ou voluntário. • A juventude tem uma fraca participação nas organizações dos adultos, estando ausentes em muitas das que são usuárias dos projetos FIDA. • A juventude tem uma fraca ou inexistente participação e impacto em espaços políticos, assim como em instâncias de planejamento e controle social dos investimentos feitos em setores rurais. Mesmo quando o tema da juventude é mencionado em muitos dos projetos, sua inclusão efetiva em suas concepções é limitada. Analisados os aspectos significativos da formulação e implementação dos projetos, forma-se um quadro como o abaixo:
  10. 10. Diário de Bordo 11 DOCUMENTO TÉCNICO Variáveis de inclusão nos projetos de aspectos referentes à juventude Inclui Incluem-se jovens como população alvo 26% Define-se faixa etária 39% Incluem-se jovens como população alvo no objetivo geral 29% Incluem-se jovens como população alvo nos objetivos específicos 26% Determinam-se metas vinculadas à juventude 58% Fixam-se quotas mínimas de jovens incorporados 35% Possuem uma unidade específica para a juventude 0% Efetua-se acompanhamento e avaliação Atividade incipiente em projetos distintos Efetua-se gestão de conhecimento Sí, escasa Fonte: Inclusão de jovens em projetos FIDA na América Latina. Procasur, setembro, 2013. Na tabela pode-se constatar uma tendência geral em relação à inclusão dos jovens nos Projetos. Em apenas 26% dos casos, os jovens são considerados grupo alvo, o que determina vários outros aspectos mencionados. Mesmo que se tenha declarado metas em 58% dos casos, não há nenhuma unidade ou equipe dentro dos projetos responsável pela implementação de medidas que favoreçam aos jovens ou que seja responsável pelo acompanhamento das ações propostas e avalie o cumprimento dessas metas. Estes dados reafirmam a importância da integração de jovens na luta contra a pobreza nas sociedades rurais e o significado dos pareceres do FIDA para que países e governos dediquem normas que são inclusivas para os jovens. Embora se notem tentativas de intensidades variáveis para integrá-los aos projetos, essas ações devem ser incentivadas em todos os níveis, a partir de políticas do FIDA, passando pelo impacto político que se possa ter com os países, e se concretizando na formulação e implementação de novos projetos. Para dar esse impulso, é necessária a introdução de incentivos que estimulem a inclusão de jovens, desde a concepção até a implementação dos projetos, a nível de todos os componentes, incluindo espaços de participação dos/as jovens nas definições sobre serviços e produtos efetivamente relevantes às suas demandas. Dependendo do estágio do projeto, é possível que não seja sempre relevante implementar unidades exclusivamente orientadas a jovens. Nesses casos, é necessário que os projetos FIDA possam atentar- se aos jovens com uma prioridade clara e adaptar os seus métodos para alcançá-los. Essa definição estratégica deve ser traduzida em ações concretas apoiadas e refletir-se em investimentos de capital e serviços, dirigidos para juventude rural. 3. ORIENTAÇÕES PARA O TRABALHO COM A JUVENTUDE RURAL: No presente documento, se abordam dois tipos de materiais que requerem orientações para o trabalho com a juventude. O primeiro corresponde aos elementos que seriam aconselháveis integrar durante o ciclo dos projetos, em seus diferentes estágios, partindo da formulação inicial, passando pelos problemas que surgem na implementação, no acompanhamento e avaliação, até finalizar na geração de conhecimento. O segundo se refere aos diversos temas específicos que surgem durante a implementação dos mesmos, muitas vezes não abordados durante a formulação, como o acesso a recursos produtivos, o apoio às organizações, a formalização de organizações e empresas, o desenvolvimento de capacidades, entre outros.
  11. 11. Diário de Bordo 12 DOCUMENTO TÉCNICO 3.1 INCLUSÃO DA JUVENTUDE RURAL NOS DIFERENTES ESTÁGIOS DOS PROJETOS As orientações sobre a juventude que o FIDA entregou em seus documentos, deveriam estar contempladas nos COSOP3 dos diversos países onde o Fundo opera, o que seria o primeiro passo de uma estratégia destinada à integração dos jovens, tanto por parte da estrutura do FIDA, como dos países. O marco estratégico do FIDA 2012-2015 claramente estabelece entre suas prioridades: “fomentar as capacidades das mulheres e dos homens das zonas rurais, especialmente dos jovens”. Em outro parágrafo, indica: “A troca sustentável só é possível com a plena participação das gerações futuras. Dado que o desemprego dos jovens é um dos problemas mais urgentes que aflige todo o mundo contemporâneo, o FIDA também se concentrou com maior precisão nas necessidades das mulheres e homens jovens”4 . Ao promover uma primeira ideia de projeto de alívio à pobreza, fomento de microempresas, acesso a serviços financeiros, ou de outro enfoque sócio produtivo, a juventude deveria ser um grupo social alvo incluído desde o início. Mesmo que nessa etapa ainda não seja necessário contar com elementos precisos a respeito dessa população, é necessário ter visão de seus problemas e possíveis soluções, o que facilitará a elaboração de um primeiro esboço do trabalho sobre o que é possível fazer com a juventude local. A partir desse primeiro rascunho, a participação da juventude deve estar integrada em cada um dos componentes do projeto e, especialmente, no orçamento preliminar. 3 COSOP, Results-based Country Strategic Opportunities Program. Os COSOP marcam a estratégia do FIDA para sua atuação nos di- versos países e incorporam basicamente as políticas econômicas e sociais do país; um diagnóstico institucional e da realidade social do país; documentos oficiais do FIDA que se referem aos temas de possíveis projetos. Ver referências a documentos oficiais do FIDA citados na nota 1. 4 Idem nota de rodapé Nº1. Uma vez aceita a ideia do projeto, seria ótimo dispor de um diagnóstico geral da juventude, em relação ao território do projeto. Se este diagnóstico não existe, é possível fazê-lo com informação secundária, como Censos, pesquisas domiciliares, pesquisas agrícolas anteriores, informação sobre saúde e educação coletada por esses serviços, que podem se somar a pesquisas anteriores elaboradas com propósitos diversos pelo setor público ou privado. Isso servirá como panorama geral das tendências da juventude local, o que dará contexto e respaldo ao projeto. 3.1.1 Incorporando os jovens desde a formulação dos projetos Diagnóstico: participativo e estatístico Na Oficina de San Salvador, os jovens manifestaram seu interesse em participar na gestão dos projetos e na tomada de decisões sobre as atividades dirigidas a eles. No caso do diagnóstico, é importante incluir metodologias participativas na complementação dos objetivos anteriores, proporcionados pelos dados e pela análise destes. Essas metodologias permitem conhecer em primeira mão a situação econômica e social dos jovens que participarão do projeto, o que possibilitaria contextualizar a informação secundária, já que são eles que melhor conhecem sua própria realidade e a de seu meio ambiente. Realizar diagnósticos participativos, através de ferramentas como oficinas de reflexão, focus groups, mapas participativos, nos diferentes temas que interessem ao projeto, promoverá também uma relação mais próxima e motivará uma maior adesão ao projeto. O diagnóstico participativo será mais frutífero se possuir, como referência, um conjunto de informações estatísticas que inclua a situação demográfica, separada por mulheres e homens, dividindo jovens por faixa etária; estado civil; dados de origem da família (número de membros, idade dos mesmos, educação, propriedade de terra); dados do nível educacional do jovem participante; emprego (jovens na PEA); outras atividades, que permitam conhecer a distribuição entre os que estudam, trabalham, realizam ambas atividades ou nenhuma das duas; taxas de
  12. 12. Diário de Bordo 13 DOCUMENTO TÉCNICO desemprego; ocupação por área de atividade. No caso das jovens, além dos dados já citados, pode-se dimensionar a situação de gravidez precoce. Outro grupo de perguntas se refere ao acesso a meios de produção, terra, capital, capacitação e outros apoios que possam estar recebendo. Estas informações deveriam ser colhidas pelo projeto. No Senegal, as missões de concepção de projetos FIDA integram uma ou um jovem senegalês, membro da rede Global Youth Innovation Network-GYIN promovida pelo FIDA, que facilita reuniões e inclui as sugestões dos/as jovens rurais nos documentos de concepção. Para maior informação, contatar Moses Abukari, Gerente de Programas do FIDA: m.abukari@ifad.org. Definição do grupo alvo É fundamental determinar com precisão quantos jovens estão em condições e interessados em participar do projeto e quais são suas motivações e expectativas em relação a ele. Um aspecto que é necessário definir desde o começo é com que faixa etária se vai trabalhar, visto que essa determinação tem implicações em todos os estágios do projeto e incidirá decisivamente no resultado do trabalho com os jovens. Sendo os projetos FIDA basicamente produtivos, em um sentido amplo, parece recomendável focar as ações direcionadas a jovens que estejam em idade e disposição adequadas para trabalhar. Evidentemente, esta não pode ser uma norma rígida, mas deve ser guiada pelos hábitos, costumes e situações reais dos jovens em seus territórios. Para a execução de atividades específicas (por exemplo, de inclusão financeira e/ou apoio ao empreendimento), sugere-se segmentar a faixa etária juvenil, já que sabemos que a população jovem constitui um grupo heterogêneo e a juventude é uma etapa de transição em que um jovem pode estar estudando, trabalhando e/ou estudando, empreendendo ou formando sua própia família. Por isso, é relevante poder segmentar a população jovem para que seja possível desenvolver ações adequadas às suas estratégias de vida. A Fundação para o Desenvolvimento Econômico e Restauração Ambiental (FUNDESYRAM) de El Salvador, criou um perfil para estratificar a população alvo do programa de empreendimento rural em três níveis: avançado, médio e básico, de acordo com diferenças de gênero, idade e tempo de escolaridade. Para maior informação contatar Roberto Rodríguez, Director de FUNDESYRAM: fundesyramdireccion@gmail.com Os jovens presentes nos objetivos e metas do projeto Os jovens devem estar presentes no objetivo geral e nos objetivos específicos dos projetos. Se o projeto está dirigido a outros grupos sociais, é possível estabelecer quotas mínimas de participação de jovens, constituindo dessa forma uma alternativa para incluí-los, exigindo uma ação proativa por parte das equipes técnicas para atraí-los e incorporá-los, enfrentando os obstáculos que possam se apresentar. Para possibilitar o acompanhamento e a avaliação da inserção dos jovens, os projetos deveriam estabelecer metas coerentes com a população a ser integrada e com os recursos disponíveis. O programa de atividades a ser realizado com os jovens deve contar com um orçamento específico que possibilite cumprir as metas propostas. 3.1.2 Negociação do projeto A negociação dos projetos com os países poderia se tornar uma excelente oportunidade para se fazer acordos de colaboração com instituições públicas, em um amplo conjunto de assuntos voltados à juventude. Muitos dos países da região atualmente contam com políticas para a juventude e programas de diversas índoles orientados a esse setor social, assim seria possível gerar acordos de cooperação em determinadosassuntoscomasinstituiçõesadequadas. A quantidade de acordos e os assuntos possíveis são
  13. 13. Diário de Bordo 14 DOCUMENTO TÉCNICO amplos e abordam temas de educação, capacitação, saúde, aspectos comerciais, entre outros. Alcançar esses acordos de cooperação é fundamental, já que os projetos não contam com a disponibilidade de fundos e com as equipes necessárias para abordar a multiplicidade de tarefas em que a juventude rural requer apoio, e que pode ser suprida pelas instituições públicas e privadas que têm competência e experiência em muitas destas áreas. 3.1.3 Implementação dos projetos Atualização do diagnóstico No momento de iniciar um projeto, o ideal seria revisar o diagnóstico, efetuado durante a formulação, sobre a população jovem com que se quer trabalhar. Esse grupo etário constitui uma população que está em rápida evolução e é possível que, no intervalo de tempo entre a formulação e a implementação, a situação tenha mudado. Existe um conjunto de elementos descritivos que devem estar atualizados, visto que é neles que irá se basear o trabalho: quantos jovens incluirá realmente o projeto; faixa etária com que se trabalhará; divisão por gênero e etnia, se for o caso; estado civil e presença de filhos; residência independente ou com as famílias de origem; níveis educacionais; participação econômica; atividades produtivas que realizam, seja como camponeses colaborando com a família ou de forma independente, integrados ao trabalho assalariado e combinações de atividades. Capacitação das equipes técnicas No estágio de inserção e promoção do projeto, é necessário capacitar as equipes técnicas, melhorando seu conhecimento sobre os temas relevantes para a juventude rural e dotando-os de ferramentas concretas para implementar ações com jovens. Para trabalhar adequadamente com os jovens, é preciso que conheçam seus processos, estratégias de vida e seus principais desafios, já que enfrentam problemas diferentes dos adultos. Isso significa conhecer sua distribuição de tempo, projeções a curto prazo, conhecimentos, etc., para assim adequar melhor as estratégias a esse grupo. Para isso, os projetos devem propiciar instâncias de formação para as equipes técnicas. Isso não significa que a equipe técnica deva dominar todas as temáticas relacionadas aos jovens, já que, como se constatou na Oficina, eles têm amplas necessidades de apoio, como temas de saúde sexual e reprodutiva, autoestima, educação formal, formação de cidadania, esporte e cultura, TICs, capacitações técnicas e produtivas, entre outras. Contudo, as equipes técnicas devem conhecer essas demandas e buscar os apoios necessários para os conteúdos específicos que não conhecem. Neste sentido, seria importante que o pressuposto dos projetos incluísse a possibilidade de integrar especialistas temporariamente. Por exemplo, para identificar as estratégias de vida dos jovens, é possível requerer psicólogos e sociólogos especializados em temas juvenis. Em NITLAPAN da Nicaragua, combinam-se capacitações grupais sobre valores, atitudes e educação financeira, com reflexões sobre o fracasso de alguns negócios familiares. A isso são somadas assessorias personalizadas sobre temas relacionados ao desenvolvimento pessoal, técnico, administrativo e de gestão empresarial. Para maior informação contatar Marcelo Rodríguez: gavino@ns.uca.edu.ni
  14. 14. Diário de Bordo 15 DOCUMENTO TÉCNICO Participação dos jovens na gestão do projeto Já foi mencionada a relevância de se estabelecer mecanismos e formas de participação dos jovens na concepção do projeto. Inclusive, no Workshop, as equipes técnicas destacaram a utilidade de estabelecer um manual operacional em que constem os mecanismos de participação no acesso e benefícios dos serviços. Não obstante, os jovens manifestam seu interesse em poder participar na execução do projeto. Para isso, é possível continuar o trabalho com o grupo de jovens que participou do diagnóstico, visando estabelecer uma interlocução contínua. Algumas instâncias de participação relevantes para os jovens, são participar na tomada de decisões, decidir sobre as áreas de capacitação, eleger e avaliar a equipe técnica que fornece a capacitação e participar ativamente da avaliação do projeto. Algumas equipes técnicas mencionaram a possibilidade de formar jovens como promotores dos projetos. A Associação para a Diversificação e o Desenvolvimento Agrícola Comunitário (ADDAC) na Nicarágua, estabeleceu oito assembleias territoriais exclusivas para jovens, no começo de seu programa jovens empreendedores.Emconjunto,asassembleias definem as áreas de capacitação com base em suas demandas e necessidades, além de cumprir um papel ativo na caracterização da juventude do território de influência do programa. Para maior informação, contatar Julio César Gómez, Diretor da ADDAC: direccion@addac.org.ni Impacto político e alianças com instituições públicas e privadas Para conceder apoio aos jovens em suas diferentes necessidades, existe um conjunto amplo de atividades que não deveriam ser desenvolvidas diretamente pelos projetos, a fim de que suas atividades se concentrem no que é mais específico de seu trabalho. Isso abre um amplo espaço para colaboração de instituições públicas e privadas. Em muitos países, existem entidades públicas (ministérios, institutos de juventude, etc.) encarregadas das questões desse setor. Os projetos FIDA podem incidir para que a agenda e o financiamento dessas instâncias deem a atenção e incluam as colaborações requeridas pela juventude rural, como educação, capacitação, saúde, esporte, cultura, entre outros. O setor privado também pode ter um importante papel na inserção dos jovens no mercado de trabalho. Algumas empresas privadas precisam rejuvenescer seus provedores rurais para facilitar a troca tecnológica. Durante o Workshop, foi mencionada a importância das alianças público-privadas (APP) para a implementação do enfoque de cadeias de valor no território, assim como para a contribuição de recursos de forma sustentável a iniciativas de desenvolvimento dos jovens.
  15. 15. Diário de Bordo 16 DOCUMENTO TÉCNICO Aliança Público Privada localizada no eixo cafeeiro colombiano, formada pelo Comitê de Cafeeiros de Caldas e de Risaralda, os governos de Caldas e Risaralda e a companhia elétrica CHEC. A aliança está fundamentada na educação e competitividade. Busca-se promover o aumento do tempo de escolaridade dos/as jovens do eixo cafeeiro, pois somente 15% dos/as jovens chega à educação superior. Utiliza-se um sistema de educação que lhes permite estudar em sua própria região, denominada universidade no campo. Para mais informação contatar Claudia Osorio, subgerente comercial da CHEC: claudia. osorio.arenas@chec.com.co. Assim, tanto técnicos como jovens se referiram à importância de buscar alianças estratégicas para implementar a inclusão social da juventude rural. As equipes técnicas reconhecem a complexidade de trabalharotemadejovenspelasvariadasnecessidades de formação e acompanhamento e identificaram o papel que podem ter centros de formação na provisão de alguns desses serviços. Jovens e técnicos ressaltaram o papel da aliança, visando alcançar o impacto político no que diz respeito a esse tema. Os projetos podem cumprir o papel de posicionar a temática da juventude na agenda pública dos países. A seguir, assinalam-se atividades e requerimentos que podem ser abordados de forma “terceirizada” (através de alianças estratégicas) pelos projetos: 1. Formação para a vida. Em geral, os jovens ainda passam por um processo de formação pessoal, no qual necessitam fortalecer aspectos como autoestima, resolução de conflitos, liderança etc. Muitos programas começaram a trabalhar a construção dos planos de vida, em que se definem planos de negócios, e que têm produzido bons resultados entre os/as jovens, que começam a assimila o empreendedorismo como parte de seus futuros. Outros temas relevantes para a formação humana dos jovens, incluem temáticas como as relações de gênero e as diferenças intergeracionais, liderança, associatividade ou cooperativismo, educação financeira, direitos humanos, direitos do cidadão, que poderiam ser também parte dos programas de desenvolvimento do capital humano. Esses conteúdos podem ser fornecidos pelos institutos de juventude, outros organismos governamentais, ONG’s ou organizações sociais ou políticas que estejam envolvidas com os temas. 2. Bolsas de estudo. Os projetos FIDA podem chegar a acordos com os governos, para cofinanciar bolsas de estudos direcionadas a jovens rurais. Em El Salvador, o projeto PRODEMORO iniciou um programa de bolsas a jovens da área rural a fim de favorecê-los com estudos técnicos de 3 anos, com o objetivo de melhorar a oferta de jovens profissionais no território. Para mais informação contatar Frank Escobar, Diretor do projeto: direccion.prodemoro@mag.gob.sv 3. Formação técnica: Os programas de formação técnica podem atender a um bom número de jovens rurais em nível nacional. Os projetos FIDA poderiam contribuir para que esses programas construam um currículo pertinente, de tal forma que sirva para formar as/os jovens em habilidades relevantes para o mercado de trabalho formal e certifiquem o conhecimento das/os jovens rurais, tornando-os um ativo aproveitável e vendável. 4. Apoio à formação de capacidades empresariais. Os grupos de jovens, as organizações e as novas empresas precisam desenvolver capacidades para manejar uma organização e, para isso, necessitam de ferramentas concretas para a administração empresarial (financeira, contável e comercial). Nesse processo, os projetos FIDA podem empregar cursos para a melhoria de suas capacidades de gestão.
  16. 16. Diário de Bordo 17 DOCUMENTO TÉCNICO 5. Inclusão cidadã. É importante que os jovens sejam cidadãos com tudo o que isso implica em deveres e direitos. Para isso deve-se incentivá-los a obter carteira de identidade, o que lhes dará aceso a benefícios dos diversos programas públicos, e lhes proverá da capacidade de assinar contratos, sejam eles individuais e/ou associativos. 6. Inclusão digital. Embora a juventude rural tenha hoje maior conhecimento e acesso que seus pais aos meios digitais, e portanto a um mundo de informações atualizadas, o analfabetismo digital ainda existe, assim como grandes lacunas na conectividade das zonas rurais. Os projetos FIDA deveriam buscar alianças com empresas de telecomunicações para melhorar a cobertura digital nas zonas rurais, oferecer produtos e serviços adequados e acessíveis, e capacitar as/ os jovens no uso eficaz e responsável dos meios digitais. 7. Inclusão tributária. Frequentemente, as empresas do/as jovens operam à margem do sistema fiscal. Os projetos FIDA podem colaborar com as instituições fiscais nacionais para flexibilizar os princípios tributários, de tal forma que os microempresários jovens vejam sua entrada no mercado da economia formal como algo atraente. Para essa negociação política, os projetos FIDA podem se associar com Câmaras de Comércio e outros promotores do setor privado nas regiões onde os projetos operam. 3.1.4 Acompanhamento e avaliação É relevante que os projetos incluam as/os jovens rurais no acompanhamento e na avaliação, já que cumprem um papel de apoio chave para monitorar o êxito das atividades dirigidas a eles. Identificar os indicadores na concepção, desde o quadro lógico do projeto, é fundamental para medir os avanços na inclusão da juventude. Durante o Workshop notou-se a relevância de incluir indicadores qualitativos de medição dos processos de intervenção dirigidos à população jovem, e não apenas indicadores quantitativos. Os projetos devem incluir indicadores que consigam medir os avanços alcançados (resultados, efeitos e impactos) na inclusão da juventude rural. Um primeiro passo é desagregar a informação de usuários por sexo e por idade. É particularmente importante, durante a implementação, incorporar as/os jovens nos mecanismos de avaliação participativa das iniciativas apoiadas, com um enfoque de aprendizagem contínuo que retroalimente as estratégias propostas. Uma proposta nesse sentido foi que os grupos de jovens tivessem representantes para monitorar e avaliar as atividades de seus projetos. O componente de Acompanhamento e Avaliação Participativa (SEP) recompilará os dados relacionados às pessoas, divididas por sexo, idade, etnia e categoria socioeconômica. Serão relatados o montante e a proporção do financiamento (POA) destinado à participação de mulheres e jovens nos empreendimentos cofinanciados pelo Programa (projeto Bem Viver, Equador). 3.1.5 Gestão do Conhecimento Sistematização de boas práticas e intercâmbios de saberes. É de grande relevância que os projetos realizem atividades relacionadas à gestão de conhecimento, como a sistematização de experiências ou o intercâmbio de saberes, para difundir boas práticas e medir as experiências de trabalho com jovens. Dentro dos projetos, a sistematização de experiências é uma ferramenta que permite a aprendizagem e a melhoria dos serviços de apoio aos jovens. As equipes técnicas propõem realizar um trabalho de identificação de jovens talentos para visibilizar e difundir suas experiências a partir de suas próprias vozes, capacitando-os para que eles mesmos sistematizem suas experiências. Em outro aspecto, os jovens participantes do Workshop propiciam a geração de espaços de intercâmbio e aprendizagem coletiva como metodologia para o
  17. 17. Diário de Bordo 18 DOCUMENTO TÉCNICO desenvolvimento de capacidades e difusão de boas práticas e inovações, tanto entre jovens como entre equipes técnicas e outros atores estratégicos. Nesses espaços, mencionam-se propostas de estágios, Rotas de Aprendizagem, formação de Centros Locais de Aprendizagem, oficinas de intercâmbio de experiências, entre outras instâncias possíveis. 3.2 ORIENTAÇÕES EMTEMAS ESPECÍFICOS 3.2.1 Enfoque territorial: o território como fator chave na inserção dos jovens Os jovens se desenvolvem em territórios específicos que têm grande influência na inserção econômica e social que almejam. Por sua parte, os projetos devem ter em mente as mudanças econômicas, tecnológicas, sociais e institucionais vividas no meio rural nos países, com diferentes graus de intensidade. O desenvolvimento capitalista no campo determina que hoje existam territórios economicamente dinâmicos e não dinâmicos, dependendo das vinculações aos diversos mercados, internos ou externos. A isso, soma-se o grau de desenvolvimento institucional, que também pode ter distintos níveis e que determina se o crescimento econômico acarretará em inclusão social.5 Outro aspecto do tema territorial que se deve levar em conta ao trabalhar com jovens rurais é que possivelmente eles se desloquem entre o rural e o urbano em busca de trabalho. Atualmente o rural já não é um espaço segregado do urbano. Hoje, ambos setores estão melhor comunicados e obedecem a lógicas econômicas similares, condicionadas pelo funcionamento dos principais mercados de recursos e produtos, o que faz com que as fronteiras reais ou imaginárias entre ambos estejam cada vez mais difusas. O capital, o trabalho e a tecnologia se movem flexivelmente, levados pela rentabilidade entre as atividades e territórios propriamente urbanos e os 5 RIMISP, Alejandro Schejtman e Julio Berdegué. Debates e Temas rurais N°1. Desenvolvimento Territorial Rural, Santiago, 2004. De for- ma simples, o desenvolvimento institucional se refere às normas e à implementação destas por parte do Estado em seus diferentes níveis territoriais. Para um projeto específico de jovens a atuação dos governos locais é de grande importância já que necessitam de políticas púbicas a favor de sua inclusão classificados como rurais, sem que fique claro onde termina um e começa o outro, fenômeno acentuado pelas melhorias em estradas, serviços e tecnologias de comunicação. Não se pode pensar no rural como território exclusivo de agricultura, posto que a modernidade dinamizou uma série de atividades não agrícolas que acontecem no meio rural e que competem por recursos escassos. As mais clássicas são os serviços exigidos pela agricultura, mas, além disso, existem a mineração, o turismo,aconstrução,ocomércioeosserviçosbásicos. Por um lado, deve-se considerar que os jovens rurais têm interesses que vão além das tarefas agrícolas, o que pode dificultar sua adesão a um projeto. Por outro, os jovens manifestam um interesse especial por estas atividades, em primeiro lugar, porque ao vincularem-se a elas, podem melhorar a renda e, em segundo lugar, porque para participar não é necessário possuir terras. Em relação a este aspecto, tanto técnicos como jovens mencionaram no Workshop que os projetos têm uma “visão estreita” para lidar com empreendimentos juvenis. Foi mencionado que os projetos estão muito baseados na produção agrícola e na prestação de assistência técnica. Observaram a necessidade de ampliar a gama de serviços para além da agricultura, por meio de uma abordagem territorial, para o qual se mencionou a importância de possuir equipes técnicas multidisciplinares. 3.2.2 Enfoque de estratégias de vida: trajetórias e meios de subsistência dos jovens As trajetórias de vida correspondem a uma observação da realidade, ou seja, elas devem relatar o que realmente acontece com jovens nesse território específico. Por outro lado, as estratégias de vida são individuais. Esse último conceito é usado para descrever como o jovem rural, em um contexto que normalmente é hostil, organiza as suas capacidades e possibilidades para chegar a um conjunto de metas explícitas e implícitas, tais como, atingir determinados níveis de estudo; entrar no mercado de trabalho; buscar um/a parceiro/a, ter filhos; ter acesso a casa própria, ou realizar um projeto de migração.
  18. 18. Diário de Bordo 19 DOCUMENTO TÉCNICO Considerando a influência do território e a informação decorrente do diagnóstico, deve se adicionar aos projetos antecedentes que permitam caracterizar, de forma geral, tipologias das trajetórias mais frequentes dos jovens que residem dentro do seu âmbito de influência. A migração e suas modalidades são um fator que deve ser levado em conta no momento de estabelecer um projeto com jovens, uma vez que se o costume é que os jovens migrem, a viabilidade do projeto será posta em questão. Para realizar uma tipologia das trajetórias, é viável solicitar informação às pessoas que têm ou tiveram vínculos com os jovens, como professores, líderes adultos do setor e funcionários dos governos locais. O Programa Juventude Rural Empreendedora tem promovido o enfoque de estratégias de vida dos jovens como um elemento que permite identificar os capitais que eles possuem e os apoios que necessitam. O estudo desse aspecto pode ser feito por meio de entidades grupais, como grupos focais. É possível determinar tipologias de estratégias de vida que, juntamente ao resto das informações coletadas, permitem segmentar os jovens e focar nos apoios que eles precisam para melhorar sua inclusão. 3.2.3 Acesso dos jovens a recursos de produção Um dos obstáculos mais presente da juventude rural da região é a falta de acesso aos recursos produtivos, como a terra e o capital financeiro. Essa situação complica ainda mais o impulso de empresas produtivas competitivas em áreas rurais que ainda são predominantemente agrícolas. Acesso a terra própria ou alugada Um maior acesso à terra pelos jovens rurais os permitirá permanecer em seu próprio território e impulsionar empreendimentos agrícolas próprios, como uma forma de alcançar a autonomia econômica. Da mesma forma, permitirá uma inserção em sistemas onde ainda são obrigatórios a oferta da terra como garantia de financiamento ou como condição para a adesão em uma organização. Neste âmbito, os projetos FIDA poderiam desenvolver um grande trabalho promovendo o desenho e a implementação de políticas e programas públicas que facilitem o acesso a terra, sob a forma de usufruto ou cessão para jovens rurais. Na Nicarágua, a Sociedade dos Pequenos Produtores e Exportadores de Café de Qualidade (SOPPEXCCA) tem implementado, desde 2004, um fundo para compra de terras para beneficiar principalmente as mulheres e os jovens. Atualmente, já foram concedidos 66 créditos para compra de terrenos, beneficiando 27 mulheres e 16 jovens. Para mais Informação contato Jairo Rivera: francojair14@gmail.com Inclusão financeira Para os jovens empresários, possuir uma conta bancária formal é um requisito fundamental para gerir os negócios. Em parceria com instituições financeiras públicas e privadas, os Projetos FIDA podem influenciar para que todos os jovens sócios do projeto tenham uma conta bancária e acesso a serviços financeiros; o que requer também programas de educação financeira. Deve-se negociar com o banco privado para que este gere e ofereça produtos e serviços destinados especificamente a jovens rurais (incluindo mobile banking) e que os produtos financeiros sejam acompanhados de pacotes de seguros (saúde, vida, educação, risco de perda de bens) adaptados para os jovens.
  19. 19. Diário de Bordo 20 DOCUMENTO TÉCNICO Na Colômbia, o Projeto Oportunidades Rurais incorporou incentivos para que jovens tenham acesso a entidades bancárias, por meio da abertura de uma conta poupança. O incentivo é uma quantia em dinheiro, que apoia o projeto, proporcional à poupança mobilizada pelo jovem. O objetivo é, além de poupar, gerar capacidade e cultura favorável de poupança entre os Jovens. Para mais Informação entre em contato Andrés Silva: andres.silva@ minagricultura.gov.co Na América Central, a estratégia de Inclusão financeira tem sido realizada por meio da vinculação com Bancos Rurais, que têm uma presença significativa nos territórios e contam com uma participação significativa das mulheres e Jovens. Os projetos Emprendesur e Horizontes de Honduras têm utilizado essa estratégia para que os jovens tenham acesso a serviços financeiros. Para mais Informação sobre projeto Emprendesur entre em contato com Marlon Pineda: pereira_mp@yahoo.com Financiamento para empreendimentos juvenis Quanto ao financiamento para os empreendimentos, se reconhece a dificuldade dos jovens de acesso ao créditonosistemafinanceiroformal,eassimsepromove a criação de concursos ou outros mecanismos de obtenção de recursos. Muitos projetos cofinanciados pelo FIDA optam por financiar empreendimentos com base no associativismo. Há uma demanda para flexibilizar essas regras, tornando possível alocar recursos para organizações pequenas e não formais. Além disso, as equipes técnicas destacaram a importância dos recursos alocados de acordo com a complexidade e necessidade do negócio e não de um limite financeiro. Em seguida, alguns mecanismos para financiamento de empreendimentos de Jovens Rurais são mencionados. Capital semente. A falta de capital semente e de outros mecanismos incubadores de negócios dificulta o empreendedorismo dos jovens e retarda o processo de empoderamento econômico. Alguns projetos do FIDA já incluem mecanismos que irão fornecer capital semente aos planos de negócios mais promissores, e, assim, incluir assistência técnica para acompanhar o seu lançamento. Os Projetos Sierra Sur II e Serra Norte, do Peru, por meio de uma parceria com Procasur, financiaram 28 planos de negócios selecionados por Comitês Locais de Designação de Recursos (CLAR). As associações de jovens beneficiadas receberão recursos e assistência técnica para seu empreendimento. O Projeto Southern Sierra Peru, através do acordo com o PROCASUR, financiou 14 planos de negócios que foram selecionados pelos Comitês Locais de Designação de Recursos (CLAR). As associações selecionadas de jovens receberão recursos e assistência técnica para seus empreendimentos. Para mais Informação contatar José Sialer: jsialer@ sierrasur.gob.pe
  20. 20. Diário de Bordo 21 DOCUMENTO TÉCNICO Capital de risco. Os jovens rurais que possuem empreendimentos já com certa trajetória precisam de sócios efetivos, com quem compartilhar os riscos de suas iniciativas. Os projetos do FIDA podem formar plataformas e atuar como pontes para ligar a juventude rural a investidores nacionais e internacionais interessados em assumir a insegurança das iniciativas, e em alguns casos, exercer o papel de mentores ou professores. Fundos de contrapartida. Os fundos de contrapartida são muitas vezes exigidos como um requisito de cofinanciamento de planos de negócios, mas podem resultar em uma limitação para organizações juvenis que não possuem liquidez financeira. Nesses casos, os projetos do FIDA podem optar por mecanismos alternativos de contrapartida, permitindo que os jovens contribuam, por exemplo, com mão de obra ou outros recursos que estão ao seu alcance. O Fundo de aprendizagem implementado pelo Programa Juventude Rural Empreendedora busca inovar no cofinanciamento de empreendimentos de Jovens Rurais investindo sob um modelo de risco compartilhado. Recursos financeiros reembolsáveis são facilitados em condições adequadas às características da população rural jovem e às suas iniciativas econômicas. Considerou-se como contrapartida fornecida pelos jovens os insumos, mão de obra, ferramentas, entre outros. Os fundos destinam-se principalmente a aquisição de ativos. Para mais Informação contatar juventudruralemprendedora@ procasur.org Fundos autogeridos por associações de jovens Os participantes do Workshop sugeriram maior autogestão na administração dos fundos para financiar empreendimentos, já que sabem quais são as características da população jovem no território e possuem uma abordagem mais social do que comercial. Junto a solucionar o problema com as fontes de financiamento, a proposta é focar na geração de processosdeeducaçãofinanceiraenodesenvolvimento de capacidades para o empreendedorismo. Além disso, são promovidas metodologias de educação financeira que permitam a aquisição de conhecimentos práticos para desenvolver fundos autogeridos e o apadrinhamento por organizações que contam com experiência no tema. Também foi ressaltada a importância de que esses fundos tivessem estatutos claros e respeitados por todos os sócios. O Programa Regional Juventude Rural Empreendedora capitalizou o Fundo Rotativo para empreendimento de Jovens geridos pela Associação de Jovens Empreendedores de La Dorada, Colômbia (ASOJE). Entre suas características se destacam a taxa de juros a 1%, a possibilidade de dar um prazo morto, de acordo com as características do negócio, e o consenso no plano de pagamento. Para mais informação contatar contacto@asoje.org 3.2.4 Formação para a vida: capacitar-se para empreender e trabalhar Como já foi mencionado acima, é importante que os projetos ampliem o espectro da oferta de capacitações para trabalhar com jovens, incluindo, além de assistência técnica e produtiva, temas de desenvolvimento empresarial, tais como contabilidade, fortalecimento organizacional, planos de negócios, entre outros. Além disso, devido aos jovens estarem em um período de crescimento pessoal, é necessário reforçar determinados temas relevantes, como as relações de gênero e as desigualdades intergeracionais, lideranças, parcerias ou cooperativas, educação financeira, direitos humanos, direitos cidadãos, entre outros assuntos, que colaborem com a formação integral do jovem. Uma metodologia que começou a ser implementada é o desenvolvimento de um plano de vida por parte dos jovens, em que se trabalha a ideia de realizar um empreendimento, para logo trabalhar concretamente no plano de negócio. Isso permite que
  21. 21. Diário de Bordo 22 DOCUMENTO TÉCNICO os jovens realizem uma auto seleção para decidirem se querem se capacitar para o empreendedorismo. Por outro lado, a realização de oficinas de saúde sexual e reprodutiva, HIV-AIDS, álcool ou drogas, é uma atividade que deve ser parte dos convênios que os projetos FIDA estabelecem com órgãos de saúde competentes. Nesses aspectos, as organizações não governamentais e privadas também operam. Finalmente, durante o Workshop, tanto técnicos quanto jovens ressaltaram a importância do intercâmbio de experiências, formação mútua e do “aprender- fazendo”. PROCASUR, por meio do seu programa Territórios de Aprendizagem tem promovido o desenvolvimento de capacidades gerenciais de jovens empreendedores. A pedagogia dos Territórios de Aprendizagem sugere que os próprios talentos locais, que tenham contribuído para o desenvolvimento de seu território, ofereçam uma formação prática e especializada através do uso de conteúdo que foram sistematizados e organizados pedagogicamente. Para mais Informação contatar Paul Olmeño: polmeno@procasur.org Desde 2010, a PROCASUR organizou vários eventos e Rotas de Aprendizagem com a participação de jovens da América Latina e Caribe. Desde 2012, o Programa Regional Juventude Rural Empreendedora impulsionou a formação da Rede Latino americana de Jovens Rurais (https://www.facebook.com/ juventud.rural). Para mais Informações, contatar juventudruralemprendedora@ procasur.org 3.2.5 Atividades não vinculadas a agricultura É possível enxergar um crescente interesse dos jovens rurais em participar de outros setores da economia, que lhes permitam gerar maiores rendas e que possam fazer parte sem possuir terra própria. Os projetos FIDA podem ajudar na inserção dos jovens rurais nessas áreas, financiando, por exemplo, empreendimentos turísticos, atividades experimentais relacionadas às TICs ou iniciativas empresariais que agreguem valor a produtos agrícolas produzidos na região. Gestão sustentável do meio ambiente e dos recursos naturais como atividade econômica A incorporação dos jovens em processos comunitários de gestão territorial e manejo dos recursos naturais representa uma linha estratégica para os projetos. Essa pode ser estimulada, por exemplo, mediante concursos especiais para o financiamento de planos de manejo em áreas designadas. A formação de jovens em questões de manejo e conservação dos recursos naturais e a formação de comitês de jovens, podem se constituir como boas ferramentas para gerar competências dentro das comunidades e organizações para a vigilância ambiental, que apoiem a detecção e abordagem de problemas de deterioração ou destruição de recursos naturais nas áreas de influência. Os jovens desempenham também um papel importante na valorização dos ativos bioculturais, gerando empreendimentos relacionados a conservação ambiental e ao ecoturismo. Em Jinotega, Nicarágua, a Cooperativa SOPPEXCCA promove a mudança geracional de seus associados. Organizaram os jovens no Movimento de Jovens Ambientalistas, onde os jovens realizam várias atividades em benefício de uma produção mais amigável com o meio ambiente e de um desenvolvimento mais sustentável, como, por exemplo, a conscientização dos produtores sobre o uso de agrotóxicos, a gestão de resíduos e a coleta seletiva de lixo nas comunidades. Para mais Informação contatar Jairo Rivera: francojair14@gmail.com
  22. 22. Diário de Bordo 23 DOCUMENTO TÉCNICO A Corporação para o Monitoramento da Biodiversidade do Sul, Mashiramo, foi organizada como um órgão voluntário de controle, conservação, planificação ambiental, resgate e libertação de espécies, com uma base de sete grupos comunitários sob a direção de profissionais, técnicos e jovens do distrito de Bruselas, organizados no grupo de monitoramento Piedemonte. Foi possível mudar de uma cultura de caça à uma cultura de conservação em uma área de redução da biodiversidade e eminentemente agrícola. Para mais Informação contatar Rosalino Ortiz: osomashiramo@hotmail.com “Inclusão e estratégias de desenvolvimento empresarial dos jovens rurais” 1. A incompreensão de seu entorno, críticas e piadas, por parte da família, amigos e vizinhos são os primeiros obstáculos que os jovens têm de superar quando começam suas atividades como empreendedores. Recomenda-se a implementação de um programa psico-educacional para os jovens e suas famílias, com ênfase na motivação pessoal, autoestima, igualdade de gênero e habilidades para a vida. 2. Os principais obstáculos são a administração da empresa e a comercialização dos produtos ou serviços. Recomenda-se integrar os negócios com as cadeias de valor existente na região. 3. Promover a associatividade dos empreendedores/as, através de redes, cadeias de valor ou organizações, permite manejar a concorrência, reduzir os custos, aumentar os lucros e garantir uma maior sustentabilidade do negócio. 4. É importante que a família e comunidade se envolvam e apoiem o processo de desenvolvimento do negócio desde o começo. As famílias podem facilitar o acesso à terra, beneficiando o desenvolvimento dos empreendimentos agrícolas. 5. Os requisitos de acesso de jovens a apoios ou recursos muitas vezes não consideram suas capacidades, e sim suas credenciais ou méritos na educação formal. Para jovens indígenas, é necessário desenvolver toda a comunicação na língua nativa. 6. Os empreendimentos juvenis precisam contar com apoios técnicos e atribuição de recursos nos momentos críticos do negócio. A informalidade dos empreendimentos é um obstáculo para o acesso de recursos ou apoio. 7. Ao projetar programas de apoio aos jovens é preciso compatibilizar as diferentes atividades que eles realizam. 8. Os jovens necessitam de recursos financeiros para o desenvolvimento de empreendimentos, agrícolas e não agrícolas. 9. A geração de empresas juvenis e a integração de jovens em organizações de adultos ajuda a evitar a migração de jovens. Fonte: Informe Workshop San Salvador, os Salvador, novembro, 2013.
  23. 23. Diário de Bordo 24 DOCUMENTO TÉCNICO 3.2.6 Apoio a organização produtiva e social dos jovens Apoio as redes de jovens rurais. Os jovens rurais acreditam que esse é um ponto central para exercer com maior força sua voz pública e facilitar sua participação nas políticas que afetam o seu desenvolvimento. Além disso, as redes servem como um espaço de visibilidade de seus empreendimentos. Por outro lado, no Workshop, os técnicos dos projetos ressaltaram a importância de uma interlocução direta com as redes de jovens para estabelecer espaços de participação e colaboração. Apoio a formalização de associações. Durante a fase de concepção de um projeto, é importante conhecer as formas de associação preferidas pelos jovens e as possíveis formas de apoiá-las a partir de um projeto do FIDA. Quando a formalização das organizações é imprescindível para acessar recursos externos, os projetos FIDA podem prestar aconselhamento jurídico e apoio financeiro para a realização dos procedimentos de legalização. Apoio a formalização de empresas. O processo de formalização dos empreendimentos requer acompanhamento e se aconselha que seja estipulado não como um requisito para o cofinanciamento, mas sim caso esse esteja cumprindo com as condições produtivas, técnicas, sanitárias e administrativas. Ou seja, no momento de constituir legalmente um empreendimento, é importante que este realmente exista e não seja apenas uma ideia de negócio. Outra recomendação refere-se a necessidade de capacitar a juventude rural sobre direitos e deveres que chegam com a formalização a nível tributário, especialmente porque muitos novos empreendimentos formalizados desde o início não têm essa informação e acabam em situações inconvenientes como o não cumprimento dos pagamentos ou declaração de impostos. Aportes de contrapartida. Os fundos de contrapartida são exigidos como uma medida de financiamento de planos de negócios, mas podem se constituir em um obstáculo às organizações juvenis que não possuem fluidez financeira. Nesses casos, os projetos FIDA podem optar por mecanismos mais flexíveis de contrapartida. Por sua vez, os jovens se dão conta das dificuldades decorrentes de requisitos como a legalização das associações de jovens ou de suas empresas, devido a regras como o número mínimo de sócios e o montante necessário para a contrapartida. Assim, a ideia não é eliminar a contrapartida, e sim avaliar outros recursos que sejam mais alcançáveis, como mão de obra, materiais e infraestrutura. “Participação e incidência dos jovens rurais” 1. Deve-se legitimar e dar representação às organizações de jovens. Caso contrário, esse problema pode ser enfrentado no futuro, afetando a sustentabilidade das organizações juvenis e a incidência da participação social dessa faixa etária. 2. A representação das sociedades civis é complexa, diversificada e heterogênea, por isso é necessário gerar respostas particulares para contextos particulares. Os jovens querem influenciar em espaços de tomadas de decisão e ocupar o seu lugar como representantes de suas demandas. 3. É evidente a importância de participar na formulação de políticas públicas e projetos de desenvolvimento, incorporando os atores- chave/beneficiários/jovens nesses processos. 4. Para construir espaços de articulação juvenil é necessário gerar enfoques metodológicos e conceituais próprios ou adaptados aos jovens, a fim de manter um constante diálogo com os pais e líderes de organizações adultas. Isso tem beneficiado os jovens, permitindo-lhes maior participação e criando espaços para recreação e desenvolvimento de grupos de jovens longe da violência ou de gangues.
  24. 24. Diário de Bordo 25 DOCUMENTO TÉCNICO 5. Para que as organizações juvenis obtenham apoio institucional é necessário desenvolver propostas claras e concretas para a participação nos diálogos com outros atores; defender o desenvolvimento de processos participativos e construídos por e para os jovens; trabalhar em rede; criar oportunidades de intercâmbio e de difusão de experiências por meios de comunicação; criar comitês de trabalho como estratégia de participação e empoderamento, entre outras ações. Fonte: Informe Workshop de San Salvador, El Salvador, novembro, 2013 4. REFLEXÕES FINAIS Uma primeira constatação encorajadora é de que, hoje em dia, o tema da juventude rural se tornou mais importante, tanto para a agenda do FIDA como para outros organismos de desenvolvimento. Está também nas agendas dos países, o que significa uma grande conquista em comparação a situação que foi observada há alguns anos. Neste documento foram exibidas diferentes razões para o crescente interesse nesse grupo: as condições de desvantagens dos jovens rurais frente aos urbanos; a escassez de terra, que os impede de seguir os passos de seus antecessores e se tornarem produtores; as migrações em massa, do campo para as cidades e estrangeiras; a vinculação de jovens a atividades ilegais e, como implicação de tudo isso, a constatação de um zona que envelhece, resultando em alguns países com limitação de mão de obra para a produção tecnológica, que por sua vez afeta o abastecimento interno de produtos agrícolas e das exportações. Frente a essa situação, há um consenso crescente sobre a necessidade de integrar os jovens nos Projetos FIDA, focando nos aspectos econômicos e sociais, com dois objetivos principais: apoiar a obtenção de melhor renda para jovens e suas famílias, mantendo- os nas áreas rurais ou semirrurais; e entender que estes jovens podem ser os motores de mudança das instituições e da economia dos territórios em que atuam. Apesar desse consenso, ainda não existe uma estratégia de incorporação de jovens nos projetos de desenvolvimento, seja do IFAD, dos países, ou de outros organismos. Em muitos casos, existem atividades parciais voltadas para eles, mas não uma abordagem abrangente que realmente apoie suas estratégias de vida e possibilite que se tornem um motor de desenvolvimento para os seus territórios. Portanto, este documento tem como objetivo apoiar os esforços de inclusão com orientações gerais e temáticas, assim como com exemplos concretos. A experiência do Programa Regional Juventude Rural Empreendedoratemsidovaliosa,poispermitiudetectar a situação dos jovens e sistematizar suas demandas mais imediatas. Os jovens necessitam de recursos produtivos, capacitação e apoio dos organismos de desenvolvimento e dos governos locais, seja para levantar empreendimentos ou para inserir-se no mercado de trabalho, em melhores condições do que as atuais. Uma demanda muito clara é a capacitação no que se refere a possibilidade de estruturar um plano de negócios e colocá-lo em prática, para os
  25. 25. Diário de Bordo 26 IFAD - Carla Francescutti DOCUMENTO TÉCNICO quais são necessários conhecimentos de tecnologia e de administração. A essas demandas específicas, acrescenta-se a de atingir uma formação pessoal mais completa e integral. As equipes técnicas manifestaram algumas dificuldades existentes nos projetos para inclusão de jovens, problema que se dá desde a sua formulação, já que em alguns projetos não foram considerados os jovens na sua concepção, o que limita as possibilidades da equipe técnica durante a execução. Por isso, tem- se insistido na necessidade de ter metas claras e orçamentos específicos para poder criar estratégias para a juventude. Outra dificuldade mencionada é a falta de capacitação e multidisciplinaridade das equipes técnicas, além da falta de unidades específicas de atendimento aos jovens. Os jovens detectam certa rigidez na regulamentação dos projetos. E por isso, postulam a necessidade de flexibilidade de algumas regras nos requisitos de acesso, como o número mínimo de sócios. A flexibilidade dessas regras permitiria que mais jovens conseguissem constituir empreendimentos menores, mas mais manejáveis. Outra aspiração é a de conseguir alguma autonomia para a constituição e para o manejo de fundos destinados aos seus negócios. Um aspecto interessante é que o jovem, apesar de sua busca pela autonomia, mantém um grau de dependência em relação a sua família de origem e a sua comunidade. O apoio que recebem de seus pais e familiares ou líderes comunitários pode ser decisivo para o sucesso de sua estratégia para a vida e para mantê-los no campo. Isso aponta a necessidade de que os projetos contribuam para o envolvimento do ambiente e círculo de entorno dos jovens nas iniciativas que possam vir a empreender.
  26. 26. A EXPERIÊNCIA DA FUNDESYRAM 27 Desenvolvimento do empreendedorismo rural juvenil: A experiência da FUNDESYRAM EL SALVADOR I. Em que contexto a experiência é desenvolvida? El Salvador tem uma população de seis milhões, 249 mil e 262 pessoas, das quais 62,6% vivem em áreas urbanas e 37,4% em áreas rurais. Mais da metade da população tem menos de 30 anos de idade (63,7%), muitos dos quais vivem em situação de pobreza, desigualdade e violência social. 35% das famílias com crianças, adolescentes ou jovens são de pais solteiros, e, destas, 77% são chefiadas por mulheres. Os salários das mulheres são 15% menores que os dos homens, mesmo representando 52,8% da população, apenas 15% delas são proprietárias de terras com potencial agrícola. De acordo com o Fundo de Investimento Social para o Desenvolvimento Local (FISDL) e da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO - Programa El Salvador)1 , os jovens entre 15 e 24 anos de idade são particularmente afetados pela pobreza e constituem dois terços da população total e um quarto da população economicamente ativa (PEA). 70% da população rural com idade maior que 15 anos não têm renda própria. A escassez de trabalho de qualidade e criatividade limitada na oferta de emprego e na formação profissional são alguns dos principais 1 Mapa Nacional da Pobreza de El Salvador, 2011. fatores que afetam em especial a juventude rural. Apesar da escolaridade no país atingir mais de 90% da população em idade escolar, nas áreas rurais o abandono escolar atinge um a cada dois jovens e a média dos estudos é de apenas 3,9 anos. De modo geral, para os jovens a condição é agravada pelos efeitos da transculturalização e a consequente perda de identidade, que tende a contribuir para a diminuição do interesse em contribuir para o desenvolvimento de suas comunidades. A juventude também é afetada pelas medidas de segurança pública ao ser associada ou assediada por gangues criminosas, fato que representa a expressão máxima do desenraizamento social dos jovens; além da emigração, a gravidez precoce e a baixa autoestima.2 Nos departamentos de Ahuachapán e Sonsonate a situação não é diferente nas áreas de intervenção da FUNDESYRAM, especificamente nos municípios que fazem parte do programa de juventude, como Ahuachapán, Concepción de Ataco, Guaymango, Jujutla, San Pedro Puxtla e Tacuba, além dos municípios de Santo Domingo de Guzmán e Nahuizalco, do departamento de Sonsonate. Nas áreas rurais, a situação dos jovens apresenta maiores desvantagens; a transição para a vida adulta 2 Pesquisa Nacional da Juventude. IUDOP, Universidade Centroa- mericana José Simeón Cañas. San Salvador, 2009.
  27. 27. A EXPERIÊNCIA DA FUNDESYRAM 28 ocorre prematuramente, já no início da formação das famílias enfrentam a marginalização por parte do Estado em termos de atendimento e satisfação das necessidades e direitos básicos; em termos educacionais, a oferta é limitada ao ensino básico e em poucos casos até o ensino médio, e a razão para o abandono escolar é essencialmente econômica. Em termos de renda, a única opção são atividades agrícolas mal pagas (U$57,50/mês para os homens e U$30,00/mês para as mulheres); e, por fim, mas não menos importante, são afetados pela limitação de espaços culturais e recreativos (UCA / ACRA, 2009). Além disso, a região oeste de El Salvador não está excluída dos efeitos causados pela mudança climática que resultam, entre outros problemas, em colheitas decrescentes, crise alimentar e desnutrição crônica, que, de acordo com o Instituto de Nutrição da América Central e Panamá, INCAP, causa insegurança alimentar e nutricional que afetam uma em cada cinco crianças na zona rural do oeste de El Salvador. Os principais problemas que os jovens enfrentam nos municípios de intervenção têm a ver com a falta de emprego ou fonte de renda, falta de oportunidades para um estudo mais aprofundado, aumento do abuso de drogas, delinquência, migração, falta de espaços de lazer e falta de espaços de participação onde possam expressar suas opiniões. A FUNDESYRAM funciona no oeste de El Salvador desde 1999, com o objetivo de “ser uma instituição facilitadora da participação cidadã organizada para a inovação e transformação do território em que os atores locais, em conjunto com os governos municipais, conduzem em seus próprios territórios os processos de superação da pobreza com foco nos sistemas de produção para a soberania e segurança alimentar, e integração das cadeias de valor do agronegócio orgânico com responsabilidade social e ecológica que se tornam os motores do crescimento e desenvolvimento humano sustentável com igualdade de gênero e incentivam a adaptação às alterações climáticas no espaço territorial em que se desenvolvem”. Quando a intervenção na região oeste foi iniciada, a região dependia fortemente do cultivo café, gerando benefícios aos produtores e pessoas mais pobres. O café foi uma importante fonte de renda e emprego, mas com a queda dos preços a nível mundial, as oportunidades de trabalho rural foram reduzidas, gerando condições de maior vulnerabilidade social e econômica e acentuando a condição de pobreza das famílias. Nesse contexto, a FUNDESYRAM, com o apoio dos colaboradores e de países solidários, promoveu e continua a promover o desenvolvimento territorial rural e urbano. Na região oeste, e particularmente em Ahuachapán e Sonsonate, a FUNDESYRAM delimitou o seu trabalho territorial em três microrregiões: a microrregião de Puxtla, onde as cidades de San Pedro Puxtla, Santo Domingo e alguns locais de Guaymango estão integrados; a microrregião Centro-Sul, que integra locais de Guaymango, Jujutla, Apaneca e Ataco; e a microrregião de Tacuba, que integra o município de Tacuba. II. COMO NASCE A EXPERIÊNCIA DA FUNDESYRAM? A Fundação para o Desenvolvimento Socioeconômico e Restauração Ambiental, FUNDESYRAM, foi constituída em 23 de janeiro de 1992, por quinze universitários, em sua maioria graduados em ciências agrárias, como uma organização privada, apartidária, sem fins lucrativos e estabelecida para contribuir para a melhoria dos padrões de vida da população rural e urbana de forma integral, principalmente nos setores sociais e economicamente marginalizados, bem para a proteção do meio ambiente. Para atingir os seus objetivos, desenvolve projetos de restauração agrícolas, sociais, econômicos, educacionais e ambientais, todos com foco na igualdade de gênero. Desde o seu início, a FUNDESYRAM trabalhou em três eixos estratégicos voltados para o desenvolvimento de territórios e para o crescimento pessoal, sendo eles: Organização e participação cidadã com igualdade de gênero, Desenvolvimento econômico local com base
  28. 28. A EXPERIÊNCIA DA FUNDESYRAM 29 na agricultura orgânica e adaptação às alterações climáticas, e Meio ambiente. Ao longo dos últimos seis anos incorporou um novo eixo voltado para o Desenvolvimento de mulheres e jovens. O enfoque no trabalho de desenvolvimento territorial passou a abranger desde a organização comunitária e a segurança alimentar em 1999, até as Eco comunidades e redes regionais em 2014. O processo institucional das microrregiões e comunidades está resumido na Tabela 1, na qual são identificados cinco períodos com média de três anos cada, em nove áreas de interesse: Organização, Formação de Lideranças, Mulheres adultas, jóvens de ambos os sexos, Sociedade-Cultura, Produção e produtividade, Comercialização, Serviços financeiros e Meio ambiente. Tabela 1. Desenvolvimento da abordagem da FUNDESYRAM nos territórios Ênfase da FUN- DESYRAM Segurança ali- mentar e Organi- zação , 1999 – 2003 Desenvolvimento Econômico e Participação , 2004 – 2006 Agroecologia e empreendimento 2007 – 2010 Introdução às Eco comunida- des e redes de serviços , 2011 -2013 Eco comuni- dades e redes regionais 2014- 20116 ORGANIZAÇÃO Fortalecimento da organização comunitária exis- tente. Diversificação da organização comunitária. Formação e legalização de novas estruturas organizacio- nais no âmbito municipal, como associações de produtores Consolidação das organizações comunitárias, municipais e microrregio- nais. Criação de associações de mulheres e jovens e de empresas associativas no município. Monitoramento das organizações na incidência e desenvolvimento territorial. Inserção do conceito de Eco comunidades para se tornarem comunidades educativas a nível regional. A consolidação do conceito de comunidades ecológicas, agricultura orgânica das redes regionais especialmente de mulheres e jovens empreendedores e de coordenado- res regionais da juventude. Influenciar a ges- tão Comunitária integrada. Promover a ges- tão da comuni- dade de forma integrada Fortalecer a ges- tão comunitária e municipal de forma integrada Acompanhamento da gestão própria de projetos por organizações locais Acompanhamento da gestão própria de projetos por or- ganizações locais e regionais FORMAÇÃO DE LIDERANÇA , MULHERES ADULTAS, JO- VENS DE AMBOS OS SEXOS Formação de Pro- motores Extensionistas Comunitários em geral. Consolidação da rede de agen- tes de extensão comunitária. Fortalecer a agri- cultura orgânica para os Exten- sionistas Comu- nitários e suas intervenções no desenvolvimento comunitário. Extensionistas Comunitários, e lideranças es- pecializadas em áreas temáticas e agricultura orgâni- ca trabalham em redes. Líderes especia- lizados em em- preendedorismo, desenvolvimento local, incidência e agricultura orgânica. Inserção de mul- heres e jovens de ambos os sexos em organizações locais Fortalecimento de mulheres e jovens como líderes e dirigentes comuni- tários Desenvolvimento das mulheres e da juventude como líderes em em- preendedorismo e desenvolvimento. Empoderamento das mulheres e jo- vens como líderes em empreendedo- rismo e desenvol- vimento. Mulheres e jovens de ambos os sexos são facilitadores de seus próprios processos de desenvolvimento e conquista dos seus direitos.
  29. 29. A EXPERIÊNCIA DA FUNDESYRAM 30 SOCIEDADE -CULTURA Promover a igual- dade de gênero e inclusão social. Integração das mulheres e da juventude na lide- rança da comuni- dade e continuar a promover a igualdade de gê- nero e a inclusão. Empoderamen- to de mulheres e jovens como atores-chave na igualdade de gê- nero e inclusão. Acompanhamento e apoio às orga- nizações locais de igualdade de gênero e inclusão. Promoção da identidade cultural e comunitária. Alimentação saudável com produtos locais e nutricionais. PRODUÇÃO E PRODUTIVIDADE Promover a segu- rança alimentar e a agricultura familiar. Consolidação da segurança alimen- tar e diversifi- cação com gestão ecológica. Reconversão à agricultura orgânica fami- liar e comercial; e Extensionistas Comunitários com base nos sistemas de produção. Em- preendedorismo Especialização da produção orgâni- ca e agroecoló- gica soberana e empresarial nos territórios. Em- preendedorismo juvenil Consolidar a pro- moção da sobe- rania, segurança alimentar e econô- mica baseada na agricultura orgâ- nica. Empreen- dedorismo juvenil consolidado. Promover as unidades do agronegócio com ênfase ecológica e tecnologias adequadas para a produção familiar. Empresas indivi- duais e associati- vas de produção, Transformação e serviços com ênfase agroeco- lógica, prioridade para mulheres e jovens. Empreendedores / as e empresas em redes e cadeias de valor. Estabele- cer uma economia solidária integrada com uma econo- mia competitiva Fortalecer os processos para uma economia so- lidária comunitária dentro de redes de valor. Promover a agricultura sau- dável e nutricional COMERCIALI- ZAÇÃO Comercialização associativa de in- sumos e produtos. Fortalecimento da comercialização individual ou associativa. Consolidação da comercialização da produção indi- vidual ou associa- tiva. Integração das empresas em cadeias de valor e redes para mel- horar a comercia- lização. Promoção de mer- cados solidários comunitários e municipais. SERVIÇOS FI- NANCEIROS Promover o cré- dito em espécie compartilhando os benefícios Estabelecimento de sistemas de crédito locais. Fortalecimento do crédito por meio de associações e economias. Consolidar econo- mias comunitárias e sistemas de monitoramento de crédito Multiplicação horizontal da eco- nomia Promoção da boa gestão familiar MEIO AMBIENTE Sensibilização para a conser- vação do solo e da água. Campanhas eco- lógicas e tecnolo- gias adequadas para a produção familiar. Coordenação com atores locais para campanhas am- bientais. Promover as Eco comunida- des e os serviços dos ecossistemas da agricultura orgânica Estabelecimento e fortalecimento das Eco comuni- dades. Conser- vação e gestão de sementes nativas, mitigação das mu- danças climáticas Água e sanea- mento básico co- munitário. Manejo do solo de forma agroecológica. Reforçar o enfo- que nas bacias hidrográficas.
  30. 30. A EXPERIÊNCIA DA FUNDESYRAM 31 III. QUAIS SÃO AS ESTRATÉGIAS DA FUNDESYRAM PARA A INTERVENÇÃO COM OS JOVENS? Os principais problemas identificados que afetam os jovens estão relacionados com a marginalização da qual estão sujeitos, a falta de oportunidades de emprego e de educação para que possam desenvolver habilidades e obter trabalhos decentes, e a baixa renda. Nesse sentido, a intervenção da FUNDESYRAM é baseada em um modelo de inserção deste setor em estruturas de desenvolvimento local, em que o empreendedorismo deve ser visto como uma ferramenta concreta para a formação de jovens para facilitar a geração de renda necessária para melhorar o seu auto desenvolvimento de forma integral. Este modelo vai assegurar que as estratégias para a redução da pobreza e para o desenvolvimento sustentável sejam transformados em benefícios de qualidade de vida dos jovens e de suas famílias. Os destinatários das ações de intervenção são 300 jovens de ambos os sexos nos departamentos de Ahuachapán e Sonsonate, são mulheres e homens jovens rurais de origem camponesa, muitas vezes, de origem indígena, que trabalham em áreas rurais e em poucos casos, trabalham como assistentes em escolas, pois deixaram de estudar. Entre eles/as, existem atualmente 257 jovens empreendedores, dos quais 48% são mulheres. A intervenção com jovens empresários rurais começou com a implementação de dois projetos financiados pela União Europeia entre 2009-2012, sendo eles o projeto “Participação cidadã e acesso ao emprego para os jovens em dois municípios em Ahuachapán, El Salvador” solicitado pela ACRA, e o projeto “Fortalecimento das capacidades das organizações de jovens no município de Tacuba”, liderado e solicitado pelo HORIZONT3000. No período de 2012 a 2015 foi implementado o projeto “Fortalecimento de redes regionais de iniciativas empresariais e identidade cultural dos jovens na região oeste de El Salvador” executado pela HORIZONT3000 e pela DKA. Durante este projeto, a FUNDESYRAM esteve vinculada de modo organizacional e empresarial a Associação de Capacitação, além de realizar trabalhos de pesquisa relacionados ao tema da Saúde Mental, estando também vinculada à ACISAM para a parte da comunicação e cultura. O Programa de Empreendedorismo: O modelo de intervenção é projetado para permitir que os jovens desenvolvam empreendimentos econômicos sustentáveis, com igualdade de gênero e amigáveis ao meio ambiente, o que é cada vez mais necessário frente a mudança climática. Este modelo é essencial para a inclusão, geração de emprego e renda e para garantir a sustentabilidade das microempresas. Para atingir esse objetivo, foi inserida uma modalidade que consiste na inserção dos jovens na Rede Regional de Jovens Empreendedores, REMPRE. Os jovens interessados devem apresentar seus empreendimentos de acordo com os seus interesses, experiência e conhecimento do mercado. Além disso, devem participar ativamente no desenvolvimento comunitário através de organizações de jovens, sem deixar de lado o crescimento pessoal e o cuidado com suas famílias. A participação na Rede lhes permite ter um papel ativo na elaboração e implementação das políticas públicas e/ou estratégias juvenis de suas regiões e dos programas ou projetos que participam, o que significa uma melhoria na sua atual situação de marginalização e isolamento.
  31. 31. A EXPERIÊNCIA DA FUNDESYRAM 32 O processo para apoiar jovens empreendedores é baseado no modelo de intervenção resumido na Figura 1. Este modelo destaca as sinergias que ocorrem entre as instituições de apoio e a organização comunitária. A FUNDESYRAM, por sua vez, junto com outros atores locais e regionais, torna-se fornecedora de recursos econômicos, educativos e de outras ferramentas como assistência técnica especializada. As organizações comunitárias contam com a promoção, seleção de jovens e obtenção de contatos para comercializar ou gerir os empreendimentos, e com o associativismo como estratégia de competitividade. É importante ressaltar que o estudo de viabilidade técnica econômica é realizado de forma participativa. Instituições Grêmios Regionais Asistencia técnica y legal Apoios com contatos Prover insumos, materiais e outros Assistência técnica especializada Programa de capacitação Critérios de seleção Assistência técnica especializada Análises das experiências prévias Assistência técnica especializada Diagnóstico e plano estratégico comunitário Identificação de empreendimentos Seleção de empreendedoras Implementação das microempresas Processo produtivo ou de serviços das microempresas Promoção / Comercialização dos produtos e serviços Articulação na rede regional empreendedores e/ou cadeias de valor Promoção e organização Definições de apoios Identificação de canditados Integração empreendedoras em comitês Serviços locais de crédito e economia Apoio com contatos Associatividade dos empreendedores/as Organização local e territorial Municipalidade, Grêmios Localizações FUNDESYRAM Provedores Grêmios Localizações FUNDESYRAM Organização comunitária PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO Associatividade, organização empresarial, produção e comercialização, habilidades para a vida, questão de gênero, manejo de crédito etc. Organização: • Comunitária • Assoc. Produtores • Assoc. Mulheres • Assoc. Jovens Socialização e validação do estudo Estudo de viabilidade técnica e econômica FUNDESYRAM O programa de capacitação destina-se a incubação e maturação de empreendimentos econômicos sustentáveis, incluindo a identificação, formulação e planejamento de projetos, projeção comercial e diversificação econômica, igualdade de gênero, e proteção ambiental e medidas de conservação frente às alterações climáticas. O processo de capacitação é essencial para a formação de jovens como empreendedores e é realizado antes, durante e após Figura 1. Processo considerado para o empreendedorismo juvenil os empreendimentos juvenis serem implementados. Essa atividade está voltada a aspectos empresariais, contábeis, mercadológicos, de investimento eficaz, de economias, de gestão de crédito, de cultura ambiental e da ética como elemento fundamental de resgate dos valores.
  32. 32. A EXPERIÊNCIA DA FUNDESYRAM 33 Este plano de capacitação é implementado pela FUNDESYRAM, com o apoio de organizações estatais como o Conselho Nacional de Micro e Pequena Empresa(CONAMYPE),aFundaçãoAGAPEeoInstituto Nacional de Formação Profissional (INSAFORP). É desenvolvido através de oficinas participativas, troca de experiências, palestras técnicas, demonstração de métodos e rodadas de observação. Os 300 jovens beneficiários da FUNDESYRAM iniciaram um processo de capacitação em cinco áreas, a fim de fortalecer as suas competências e habilidades empreendedoras por meio da criação de microempresas produtivas, garantindo a sua criação e funcionamento. Dentro dos temas gerais ministrados na formação encontramos: 1. Organização associativa: foi formado um conselho administrativo com cinco membros; e um comitê de produção e um de comercialização, com três membros cada. Além disso, o uso de um fundo de crédito para a juventude foi regulamentado. 2. Organização empresarial: foram capacitados em empreendedorismo, ponto de equilíbrio, planos de negócios, pesquisa de mercado e controles administrativos de empresas.3 3. Produção: Realiza-se treinamento prático sobre os empreendimentos que desenvolvidos. 4. Habilidades para a vida: Foram tratados temas sobre comunicação, autoestima, controle da raiva, valores e tomada de decisões 5. Gênero: igualdade de gênero. O espírito empreendedor é incentivado nos jovens, fazendo exercícios práticos de técnicas de vendas, apresentação e valor agregado de produtos; assim como de cadeias de valor, considerando-se todos os atores interessados no processo (fornecedores, clientes e concorrentes), a fim de estabelecer a sustentabilidade e competitividade do negócio. 3 Na bibliografia são identificados sete publicações técnicas deco- rrentes do processo de formação. Referências: 3, 6, 7, 10, 11, 12 y 13. Foi estabelecida uma legislação a fim de definir os mecanismos de acesso, funcionamento e monitoramento dos empreendimentos econômicos, construída com a participação ativa da rede de empreendedores, que são os responsáveis por fornecer os elementos necessários dentro do contexto de um regulamento para a convivência harmoniosa dos empreendimentos e de suas interações, assistidos com apoio técnico da FUNDESYRAM. Pontos-chave da regulamentação: 1. Devemdemonstrarrealinteressenacriaçãodeuma iniciativa econômica, de modo a obter benefícios próprios, para suas famílias e comunidade. Ainda, devem estar motivados a participar de todo o processo de capacitação e, em seguida, transferir os conhecimentos adquiridos a outros jovens. 2. Os jovens devem estar integrados no comitê comunitário da juventude (CCJ) ou em outras organizações comunitárias de sua comunidade, comprometendo-se a trabalhar para o seu desenvolvimento e o de sua comunidade.
  33. 33. A EXPERIÊNCIA DA FUNDESYRAM 34 3. Os jovens devem estar de acordo com a Rede Regional de Jovens Empreendedores (REMPRE), comprometendo-se com a organização de trabalharparapromoverainclusãosocioeconômica sustentável, com igualdade de gênero e proteção ambiental. 4. Os jovens devem ter as seguintes habilidades e/ ou atitudes: Responsabilidade, visão clara do que querem e para onde estão indo, proatividade, honestidade, vontade de vencer e prontidão para aceitar desafios, capacidade de tomar decisões, e interesse em aprender coisas novas. Essas características são determinadas através de um questionário específico. 5. Os jovens devem garantir sua responsabilidade e boas relações pessoais com os outros jovens e adultos em sua comunidade, por meio de um registro por escrito e assinado por representantes da Associação de Desenvolvimento Comunitário (ADESCO), da Comissão de Desenvolvimento Sustentável (CDS) ou de outras organizações de sua comunidade 6. Os país de família darão o apoio financeiro (parte do capital de giro) e moral ao jovem, bem como o apoio necessário para garantir que as iniciativas sejam implementadas e os processos de produção sejam cumpridos. 7. Na seleção das ideias de negócio serão levados em conta conhecimentos e experiências anteriores, formações recebidas, além do conhecimento de mercado de produtos ou serviços a serem produzidos. Toda iniciativa econômica deve ser criada a partir do potencial de mercado, dentro ou fora de sua comunidade. 8. Os jovens devem ter recebido e aprovado os quatro primeiros módulos do programa de capacitação em Desenvolvimento Empresarial, enviado anteriormente ao estabelecimento das iniciativas. Posteriormente, deverão participar ativamente nas jornadas de formação técnica e produtiva, coordenadas pela FUNDESYRAM. 9. O PLANO DE NEGÓCIOS sairá das capacitações recebidas e será decisivo para o estabelecimento da iniciativa e do orçamento de capital de investimento (capital semente). Se aprovado este capital, 80% do montante total requerido para estabelecer a iniciativa econômica será financiado. Esses 80% serão fornecidos pelo projeto na forma de materiais e suprimentos, não em dinheiro; os outros 20% serão parte da contribuição do jovem por meio de materiais e mão de obra. 10. Antes da implementação das iniciativas econômicas, será estabelecido um compromisso que obriga o retorno do capital total do investimento se não for feito o bom uso dos materiais e insumos fornecidos pelo projeto. Este compromisso será formalizado em uma carta assinada pelo jovem, um dos pais (se menor de 18 anos) e pelo técnico de projeto representante da FUNDESYRAM. 11. Uma vez aprovado o investimento em um empreendimento, os recursos alocados para a execução não podem ser utilizados para o reparo ou arrendamento de imóveis, pagamento de dívidas adquiridas pelo jovem empreendedor ou de sua família. 12. Somente poderão ser feitos investimentos em empreendimentos individuais. Fica a critério

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