SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 36
Baixar para ler offline
Pesquisa de
Salmonella
spp. em
alimentos
Professora
Samira Mantilla
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
1 CARACTERÍSTICAS E TAXONOMIA DO MICRORGANISMO
 TAXONOMIA
 Enterobacteriaceae  Mais de 2463 sorotipos
 Algumas mudanças ocorreram na taxonomia da Salmonella.
 Todas as salmonelas foram agrupadas em duas espécies:
 S. enterica e S. bongori. E os sorovares (subdivisão das
espécies baseadas nas diferenças antigênicas) foram
divididos em subespécies, muitas classificadas como S.
enterica.
 Então, a forma existente há muito tempo de tratar sorovares
de Salmonella como espécies não é mais válida. Ex: S.
typhimurium deve ser referenciada como S. enterica sorovar
Typhimurium ou somente S. Typhymurium.
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 CARACTERÍSTICAS
 BGN – maioria é móvel (flagelos peritríquios),
 não produtores de esporos
 Anaeróbios facultativos
 Produzem gás a partir da glicose (menos S. Typhi)
 antígenos:
 somáticos = Otermoestáveispolissacarídeos–membrana
 flagelares = H termolábeisproteínas dos flagelos
 capsulares = K termoestáveispolissacarídeos-cápsulas
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 Temperatura ideal: 35-37°C (mínima 5 e
máxima 47°C)
 pH ótimo pra multiplicação: 7,0
 Não resiste a pH <4,0 e > que 9,0
 Não toleram concentrações de sal
superiores a 9%
 O nitrito é inibitório
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 Epidemiologicamente, as salmoinelas podem ser
distribuídas em três grupos:
 1- As que infectam somente os homens: S. Typhi,
S. Paratyphi.
 2- Sorovares adaptados ao hospedeiro (alguns dos
quais são patógenos humanos e costumam ser
adquiridos por meio de alimentos): S. Gallinarum
(frango), S. Dublin (gado), S. Abortus-equi (equino),
S. Abortus-ovis (ovino) e S. Choleraesuis (suíno)
 3- Sorovares não adaptados (sem preferência por
hospedeiro)- são patogênicos aos homens e
animais, incluindo muitos sorovares causadores de
infecções alimentares.
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 2 DISTRIBUIÇÃO AMBIENTAL
 Amplamente distribuídas na natureza, sendo o trato intestinal
do homem e de animas os principal reservatório natural.
 Entre os animas, as aves são as mais importantes (aves
podem se portadores assintomáticos=eliminação de
Salmonella nas fezes.
 Alimentos envolvidos: Carnes  resfriadas – congeladas –
pH= 4,5-9,0 – temperatura até 41-45ºC; ovos, leite cru.
 Água do mar (3% NaCl): pescado
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
  Causas da salmonelose humana  consumo
alimentos contaminados – métodos de
processamento tecnológico -
 Transmissão direta (animal – animal; humano-
humano) – fontes residuais (água – esgoto);
alimentos processados
 Salmonelose impacto: sócio-econômico –
alimentar – saúde coletiva
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 3 CARACTERÍSTICA DA DOENÇA
 As doenças causadas por salmonelas
são divididas em:
 Febre tifóide (S. Typhi)
 Febres entéricas (S. Paratyphi)
 Enterocolites – demais salmonelas
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 Febre tifóide
 Só acomete o homem (água e alimentos
contaminados com material fecal humano).
 Sintomas muito graves: septicemia, febre
alta, diarréia , vômito
 Se multiplicam dentro de células
fagocitárias
 Duram 1-8 semanas
 Antibióticos: cloranfenicol e ampicilina
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 Febre entérica
 Semelhante a tifóide, mas os sintomas
são mais brandos.
 No máximo 3 semanas
 Antibióticos –mesmo da outra
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 Enterocolites (salmoneloses)
 A infecção alimentar é causada pela ingestão de alimentos que
contenham números significativos de sorovares não hospedeiro-
específicos do gênero Salmonella.
 A S. Choleraesuis foi descrita como a que apresenta a maior taxa de
mortalidade (21%). S. Dublin e S. Enteretidis também são as mais
patogênicas para o homem.
 Diarréia, vômito, febre, dores abdominais
 PI:12-36 h, dura 4 dias – geralmente não necessitam de antibióticos
 Muitos pacientes tornam-se portadores após a cura da doença!!!!
 Em crianças e imunodeprimidos: pode ser grave: atingir outros
orgãos
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 Mecanismos de patogenicidade:
 Começa na mucosa do intestino delgado e cólon
 Salmonelas atravessam a camada epitelial intestinal,
alcançam a lâmina própria (camada na qual as células
epiteliais estão ancoradas) onde proliferam
 Causam uma mudança na aparência da superfície da célula
hospedeira, resultando na internalização da bactéria em uma
vesícula – este efeito é denominado arrepio.
 São fagocitadas resultando em resposta inflamatória.
 Ao contrário das outras doenças (febre entérica e tifóide),
neste caso, as salmonelas ficam somente nesta lâmina, não
indo para corrente circulatória.
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 Uma vez dentro das células de
defesa, as salmonelas permanecem
em vacúolos ligados à membrana
durante todo o seu estágio
intracelular.
 Após a multiplicação, as células se
rompem e o patógeno é disseminado.
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 Endotoxina (LPS) – seu papel como agentes
causadores de diarréia é questionado
 Todos os sorovares de S. enterica apresentam
ilhas de patpgenicidade (SPI)-regiões do DNA
bacteriano que possuem um número de genes de
virulência.
 Enterotoxina: acredita-se que esta é responsável
pelo processo diarréico
 Adesinas:fímbrias
 Citotoxina: inibidora da síntese protéica
 Proteína SpiC –previne a fusão das vesículas com
os lisossomos (capacidade de x dentro dos
fagócitos)
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 4 ISOLAMENTO E IDENTIFICAÇÃO
 4.1 ENRIQUECIMENTO NÃO SELETIVO
OU PRÉ-ENRIQUECIMENTO
 Meio  Caldo nutritivo não seletivo
 Água Peptonada Tamponada (APT)
 Incubação 35-37°C/24h
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 4.2 ENRIQUECIMENTO SELETIVO
 Meio  Caldo nutritivo seletivo
Meios :
 Caldo Rappaport e Caldo Selenito Cistina
 Caldo Tetrationato –tb pode ser usado
 Incubação: banho-maria 41°C ± 0,5/24h (ou
35-37°/24h)
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 4.3 PLAQUEAMENTO SELETIVO
 Classificação dos meios: baixa, média e alta
seletividade
 Baixa seletividade  Ágar Mac Conkey – Ágar
Eosina Azul de Metileno
 Média seletividade Ágar Salmonella – Shigella
– Ágar Hektoen
 Alta seletividade –Ágar XLD (xilose lisina
desoxicolato)– Ágar BPLS (verde brilhante-
vermelho de fenol-lactose-sacarose)
 Incubação 35-37°C/24h
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 Ágar Hektoen:
colônias verdes ou
pretas (H2S)
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 Ágar XLD: colônias
vermelhas, da cor
do meio ou pretas
(H2S)
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 4.4 TRIAGEM
 Selecionar duas colônias características
de cada placa
 Meios:
 Ágar “Triple Sugar Iron” (TSI) –indicador:
vermelho de fenol
 Ágar “Lisine Iron” (LIA) – indicador púrpura
de bromocresol
TSI
Se a bactéria fermentar apenas a
glicose (presente em baixa
concentração –0,1g), a quantidade
de ácido produzida será suficiente
somente para provocar a viragem
no fundo do tubo.
Mas se a bact utilizar tb lactose e/ou
sacarose, produzirá muito ácido ,
virando todo o meio para amarelo.
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 Leitura:
 TSI:
 Base amarela com ou sem
produção de gás; produção
de sulfeto de hidrogênio:
muitos aa contém enxofre
e a salmonela pode usá-lo
produzindo H2S. O ágar
TSI contêm sal de ferro. A
reação do sal de ferro com
o H2S produz sulfeto
ferroso que é um sal preto;
bisel rosa ou inalterado
Não inoculado
Típico de
Salmonella
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 LIA: a bactéria fermenta a glicose (fica
amarelo), depois que acaba a glicose do
meio, a salmonela vai utilizar o aa lisina,
gerando metabólitos alcalinos, virando a cor
do meio para púrpura novamente (meio
volta a cor púrpura original).
 A bactéria que não descarboxila a lisina
continua com o meio ácido (amarelo)
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 Leitura LIA:
 Não muda
de cor +
 Observa-se
produção de
sulfeto
 Descarboxila
a lisina –
meio alcalino
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 LIA: a bactéria fermenta a glicose (fica
amarelo), depois que acaba a glicose do
meio, a salmonela vai utilizar o aa lisina,
gerando metabólitos alcalinos, virando a cor
do meio para púrpura novamente (meio
volta a cor púrpura original).
 A bactéria que não descarboxila a lisina
continua com o meio ácido (amarelo)
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 4.5 SERIAÇÃO BIOQUÍMICA
 Uréia (-) –Caldo uréia
 Meio SIM(sulfeto, indol, motilidade) (+) (-)
(+)
 Caldo uréia e meio SIM:Incubação 35-
37°C/24h
 Oxidase (-) palito esterilizado – tiras. Leitura
em 10-20 segundos.
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 Leitura:
 Caldo uréia –permanece da mesma cor (uréia negativo) não
produz a enzima urease
 SIM- produção de sulfeto, motilidade e indol negativo
 Teste do indol: verifica se a bactéria é capaz de desaminar o
aa triptofano – libera indol que é detectado pelo reativo de
Kovacs. A reação do indol com o reativo de Kovacs gera uma
coloração avermelhada.
 Oxidase: verifica a presença da enzima citocromo c oxidase
(transfere elétrons na cadeia). O reativo, ao receber os
elétrons, na cadeia respiratória de oxida e muda de cor =azul
SIM
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
Comportamentos atípicos:
 Fermentação da lactose: TSI todo amarelo
 Fermentação sacarose: TSI com o bisel amarelo
 Não produção de sulfeto (14% não produz sulfeto)
 Não descarboxilação da lisina (meio ácido). 4 a 5%
são lisina negativo
 Produção do indol (anel vermelho no meio SIM).
1% são indol +
 Não motilidade: algumas são imóveis
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 4.6 SOROLOGIA
 Triple Sugar Iron  Ágar Nutriente
 Suspensão Bacteriana  Soro
Polivalente  Aglutinação
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 Resultado
 Positivo para Salmonella spp. quando
as culturas apresentarem reações
típicas nas provas bioquímicas E
reação sorológica + (antisoro
polivalente O)
 Resultado: Presença ou ausência em
25g
Pesquisa de Salmonella spp. em
alimentos
 5 MEDIDAS PREVENTIVAS
 Calor
 Exclusão competitiva: impede que a
Salmonella colonize o TGI das aves no
início de suas vidas: culturas microbianas
mistas contendo bactérias inócuas que
ocuparão os sítios de ligação das
salmonelas –reduz a presença deste
patógeno na granja

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados (20)

Cocos Gram positivos
Cocos Gram positivosCocos Gram positivos
Cocos Gram positivos
 
Toxoplasmose
ToxoplasmoseToxoplasmose
Toxoplasmose
 
Enterobácterias - Salmonella e E. Colli
Enterobácterias - Salmonella e E. ColliEnterobácterias - Salmonella e E. Colli
Enterobácterias - Salmonella e E. Colli
 
53292193 aula-de-meios-de-cultura
53292193 aula-de-meios-de-cultura53292193 aula-de-meios-de-cultura
53292193 aula-de-meios-de-cultura
 
estudo da bactéria Escherichia coli
estudo da bactéria Escherichia coliestudo da bactéria Escherichia coli
estudo da bactéria Escherichia coli
 
Aula n° 5 plasmodium
Aula n° 5  plasmodiumAula n° 5  plasmodium
Aula n° 5 plasmodium
 
Salmonella
SalmonellaSalmonella
Salmonella
 
Aula 3 Giardia Lamblia
Aula 3   Giardia LambliaAula 3   Giardia Lamblia
Aula 3 Giardia Lamblia
 
Meios De Cultura E ColoraçãO
Meios De Cultura E ColoraçãOMeios De Cultura E ColoraçãO
Meios De Cultura E ColoraçãO
 
Meio de cultura em microorganismos
Meio de cultura em microorganismosMeio de cultura em microorganismos
Meio de cultura em microorganismos
 
Toxoplasmose!
Toxoplasmose!Toxoplasmose!
Toxoplasmose!
 
Salmonella
SalmonellaSalmonella
Salmonella
 
Giardiase
GiardiaseGiardiase
Giardiase
 
Aula n° 4 leishmaniose
Aula n° 4   leishmanioseAula n° 4   leishmaniose
Aula n° 4 leishmaniose
 
Aula de Parasitologia Médica sobre a Malária
Aula de Parasitologia Médica sobre a MaláriaAula de Parasitologia Médica sobre a Malária
Aula de Parasitologia Médica sobre a Malária
 
Aula de Parasitologia do dia: 22.09.16
Aula de Parasitologia do dia: 22.09.16Aula de Parasitologia do dia: 22.09.16
Aula de Parasitologia do dia: 22.09.16
 
Aula_Lipoproteínas
Aula_Lipoproteínas Aula_Lipoproteínas
Aula_Lipoproteínas
 
Crescimento bacteriano
Crescimento bacterianoCrescimento bacteriano
Crescimento bacteriano
 
DST-SÍFILIS
DST-SÍFILISDST-SÍFILIS
DST-SÍFILIS
 
Sedimentoscopia - contaminantes/artefatos
Sedimentoscopia - contaminantes/artefatosSedimentoscopia - contaminantes/artefatos
Sedimentoscopia - contaminantes/artefatos
 

Destaque (14)

Salmonella trab
Salmonella trabSalmonella trab
Salmonella trab
 
Salmonella
SalmonellaSalmonella
Salmonella
 
Urinocultura
UrinoculturaUrinocultura
Urinocultura
 
Conceitos Basicos de Microgiologia
Conceitos Basicos de MicrogiologiaConceitos Basicos de Microgiologia
Conceitos Basicos de Microgiologia
 
Febre tifoide
Febre tifoideFebre tifoide
Febre tifoide
 
Princípios do diagnóstico microbiológico
Princípios do diagnóstico microbiológicoPrincípios do diagnóstico microbiológico
Princípios do diagnóstico microbiológico
 
Apresentação de microbiologia 1 b
Apresentação de microbiologia 1 bApresentação de microbiologia 1 b
Apresentação de microbiologia 1 b
 
Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC)
Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC)Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC)
Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC)
 
Enterococcus spp
Enterococcus sppEnterococcus spp
Enterococcus spp
 
Salmonella
SalmonellaSalmonella
Salmonella
 
Salmonella spp.
Salmonella spp.Salmonella spp.
Salmonella spp.
 
Atlas de-microbiologia-de-alimentos
Atlas de-microbiologia-de-alimentosAtlas de-microbiologia-de-alimentos
Atlas de-microbiologia-de-alimentos
 
Funções Basicas do Alimento no Corpo Humano
Funções Basicas do Alimento no Corpo HumanoFunções Basicas do Alimento no Corpo Humano
Funções Basicas do Alimento no Corpo Humano
 
Alimentos, nutrientes e saúde
Alimentos, nutrientes e saúdeAlimentos, nutrientes e saúde
Alimentos, nutrientes e saúde
 

Semelhante a Aula samonella

Semelhante a Aula samonella (20)

Protistas
ProtistasProtistas
Protistas
 
Reino animal
Reino animalReino animal
Reino animal
 
Reino protista: protozoarios
Reino protista: protozoariosReino protista: protozoarios
Reino protista: protozoarios
 
Parte II Reino animal - Vermes
Parte II   Reino animal - VermesParte II   Reino animal - Vermes
Parte II Reino animal - Vermes
 
Parte II Reino Animal - vermes
Parte II   Reino Animal - vermesParte II   Reino Animal - vermes
Parte II Reino Animal - vermes
 
Reino protista I
Reino protista IReino protista I
Reino protista I
 
Reino protista
Reino protistaReino protista
Reino protista
 
Reino protista novo
Reino protista  novoReino protista  novo
Reino protista novo
 
3º Grupo-Mipa.pptx
3º Grupo-Mipa.pptx3º Grupo-Mipa.pptx
3º Grupo-Mipa.pptx
 
ESTUDO DOS PROTOZOARIOS 1º ANO.pptx
ESTUDO DOS PROTOZOARIOS  1º ANO.pptxESTUDO DOS PROTOZOARIOS  1º ANO.pptx
ESTUDO DOS PROTOZOARIOS 1º ANO.pptx
 
Reino Protoctista
Reino ProtoctistaReino Protoctista
Reino Protoctista
 
Slide sobre reino monera
Slide sobre reino moneraSlide sobre reino monera
Slide sobre reino monera
 
Aula 5 platelmintes
Aula 5 platelmintesAula 5 platelmintes
Aula 5 platelmintes
 
792 3016-2-pb
792 3016-2-pb792 3016-2-pb
792 3016-2-pb
 
Treinamento RU-Unifal-MG. Análises microbiológicas
Treinamento RU-Unifal-MG. Análises microbiológicasTreinamento RU-Unifal-MG. Análises microbiológicas
Treinamento RU-Unifal-MG. Análises microbiológicas
 
Protozooses
ProtozoosesProtozooses
Protozooses
 
Slides da aula de Biologia (Renato) sobre Reino Protista
Slides da aula de Biologia (Renato) sobre Reino ProtistaSlides da aula de Biologia (Renato) sobre Reino Protista
Slides da aula de Biologia (Renato) sobre Reino Protista
 
Timpanismo
TimpanismoTimpanismo
Timpanismo
 
Protoctista
ProtoctistaProtoctista
Protoctista
 
Doenças causadas por protozoários (protozooses)
Doenças causadas por protozoários (protozooses)Doenças causadas por protozoários (protozooses)
Doenças causadas por protozoários (protozooses)
 

Mais de Priscilla Meira

Doença da Membrana Hialina
Doença da Membrana HialinaDoença da Membrana Hialina
Doença da Membrana HialinaPriscilla Meira
 
Apostila anatomia humana
Apostila anatomia humanaApostila anatomia humana
Apostila anatomia humanaPriscilla Meira
 
Cartilha vigilancia estabelecimentos
Cartilha vigilancia estabelecimentosCartilha vigilancia estabelecimentos
Cartilha vigilancia estabelecimentosPriscilla Meira
 
Cartilha Sobre Boa Práticas para serviços de alimentação
Cartilha Sobre Boa Práticas para serviços de alimentaçãoCartilha Sobre Boa Práticas para serviços de alimentação
Cartilha Sobre Boa Práticas para serviços de alimentaçãoPriscilla Meira
 

Mais de Priscilla Meira (6)

Doença da Membrana Hialina
Doença da Membrana HialinaDoença da Membrana Hialina
Doença da Membrana Hialina
 
Apostila anatomia humana
Apostila anatomia humanaApostila anatomia humana
Apostila anatomia humana
 
Cartilha vigilancia estabelecimentos
Cartilha vigilancia estabelecimentosCartilha vigilancia estabelecimentos
Cartilha vigilancia estabelecimentos
 
Cartilha Sobre Boa Práticas para serviços de alimentação
Cartilha Sobre Boa Práticas para serviços de alimentaçãoCartilha Sobre Boa Práticas para serviços de alimentação
Cartilha Sobre Boa Práticas para serviços de alimentação
 
Enterobactérias
EnterobactériasEnterobactérias
Enterobactérias
 
Enterobactérias
EnterobactériasEnterobactérias
Enterobactérias
 

Aula samonella

  • 2. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos 1 CARACTERÍSTICAS E TAXONOMIA DO MICRORGANISMO  TAXONOMIA  Enterobacteriaceae  Mais de 2463 sorotipos  Algumas mudanças ocorreram na taxonomia da Salmonella.  Todas as salmonelas foram agrupadas em duas espécies:  S. enterica e S. bongori. E os sorovares (subdivisão das espécies baseadas nas diferenças antigênicas) foram divididos em subespécies, muitas classificadas como S. enterica.  Então, a forma existente há muito tempo de tratar sorovares de Salmonella como espécies não é mais válida. Ex: S. typhimurium deve ser referenciada como S. enterica sorovar Typhimurium ou somente S. Typhymurium.
  • 3. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  CARACTERÍSTICAS  BGN – maioria é móvel (flagelos peritríquios),  não produtores de esporos  Anaeróbios facultativos  Produzem gás a partir da glicose (menos S. Typhi)  antígenos:  somáticos = Otermoestáveispolissacarídeos–membrana  flagelares = H termolábeisproteínas dos flagelos  capsulares = K termoestáveispolissacarídeos-cápsulas
  • 4. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  Temperatura ideal: 35-37°C (mínima 5 e máxima 47°C)  pH ótimo pra multiplicação: 7,0  Não resiste a pH <4,0 e > que 9,0  Não toleram concentrações de sal superiores a 9%  O nitrito é inibitório
  • 5. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  Epidemiologicamente, as salmoinelas podem ser distribuídas em três grupos:  1- As que infectam somente os homens: S. Typhi, S. Paratyphi.  2- Sorovares adaptados ao hospedeiro (alguns dos quais são patógenos humanos e costumam ser adquiridos por meio de alimentos): S. Gallinarum (frango), S. Dublin (gado), S. Abortus-equi (equino), S. Abortus-ovis (ovino) e S. Choleraesuis (suíno)  3- Sorovares não adaptados (sem preferência por hospedeiro)- são patogênicos aos homens e animais, incluindo muitos sorovares causadores de infecções alimentares.
  • 6. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  2 DISTRIBUIÇÃO AMBIENTAL  Amplamente distribuídas na natureza, sendo o trato intestinal do homem e de animas os principal reservatório natural.  Entre os animas, as aves são as mais importantes (aves podem se portadores assintomáticos=eliminação de Salmonella nas fezes.  Alimentos envolvidos: Carnes  resfriadas – congeladas – pH= 4,5-9,0 – temperatura até 41-45ºC; ovos, leite cru.  Água do mar (3% NaCl): pescado
  • 7. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos   Causas da salmonelose humana  consumo alimentos contaminados – métodos de processamento tecnológico -  Transmissão direta (animal – animal; humano- humano) – fontes residuais (água – esgoto); alimentos processados  Salmonelose impacto: sócio-econômico – alimentar – saúde coletiva
  • 8. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  3 CARACTERÍSTICA DA DOENÇA  As doenças causadas por salmonelas são divididas em:  Febre tifóide (S. Typhi)  Febres entéricas (S. Paratyphi)  Enterocolites – demais salmonelas
  • 9. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  Febre tifóide  Só acomete o homem (água e alimentos contaminados com material fecal humano).  Sintomas muito graves: septicemia, febre alta, diarréia , vômito  Se multiplicam dentro de células fagocitárias  Duram 1-8 semanas  Antibióticos: cloranfenicol e ampicilina
  • 10. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  Febre entérica  Semelhante a tifóide, mas os sintomas são mais brandos.  No máximo 3 semanas  Antibióticos –mesmo da outra
  • 11. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos
  • 12. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  Enterocolites (salmoneloses)  A infecção alimentar é causada pela ingestão de alimentos que contenham números significativos de sorovares não hospedeiro- específicos do gênero Salmonella.  A S. Choleraesuis foi descrita como a que apresenta a maior taxa de mortalidade (21%). S. Dublin e S. Enteretidis também são as mais patogênicas para o homem.  Diarréia, vômito, febre, dores abdominais  PI:12-36 h, dura 4 dias – geralmente não necessitam de antibióticos  Muitos pacientes tornam-se portadores após a cura da doença!!!!  Em crianças e imunodeprimidos: pode ser grave: atingir outros orgãos
  • 13. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  Mecanismos de patogenicidade:  Começa na mucosa do intestino delgado e cólon  Salmonelas atravessam a camada epitelial intestinal, alcançam a lâmina própria (camada na qual as células epiteliais estão ancoradas) onde proliferam  Causam uma mudança na aparência da superfície da célula hospedeira, resultando na internalização da bactéria em uma vesícula – este efeito é denominado arrepio.  São fagocitadas resultando em resposta inflamatória.  Ao contrário das outras doenças (febre entérica e tifóide), neste caso, as salmonelas ficam somente nesta lâmina, não indo para corrente circulatória.
  • 14. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  Uma vez dentro das células de defesa, as salmonelas permanecem em vacúolos ligados à membrana durante todo o seu estágio intracelular.  Após a multiplicação, as células se rompem e o patógeno é disseminado.
  • 15. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  Endotoxina (LPS) – seu papel como agentes causadores de diarréia é questionado  Todos os sorovares de S. enterica apresentam ilhas de patpgenicidade (SPI)-regiões do DNA bacteriano que possuem um número de genes de virulência.  Enterotoxina: acredita-se que esta é responsável pelo processo diarréico  Adesinas:fímbrias  Citotoxina: inibidora da síntese protéica  Proteína SpiC –previne a fusão das vesículas com os lisossomos (capacidade de x dentro dos fagócitos)
  • 16. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  4 ISOLAMENTO E IDENTIFICAÇÃO  4.1 ENRIQUECIMENTO NÃO SELETIVO OU PRÉ-ENRIQUECIMENTO  Meio  Caldo nutritivo não seletivo  Água Peptonada Tamponada (APT)  Incubação 35-37°C/24h
  • 17. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  4.2 ENRIQUECIMENTO SELETIVO  Meio  Caldo nutritivo seletivo Meios :  Caldo Rappaport e Caldo Selenito Cistina  Caldo Tetrationato –tb pode ser usado  Incubação: banho-maria 41°C ± 0,5/24h (ou 35-37°/24h)
  • 18. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  4.3 PLAQUEAMENTO SELETIVO  Classificação dos meios: baixa, média e alta seletividade  Baixa seletividade  Ágar Mac Conkey – Ágar Eosina Azul de Metileno  Média seletividade Ágar Salmonella – Shigella – Ágar Hektoen  Alta seletividade –Ágar XLD (xilose lisina desoxicolato)– Ágar BPLS (verde brilhante- vermelho de fenol-lactose-sacarose)  Incubação 35-37°C/24h
  • 19. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  Ágar Hektoen: colônias verdes ou pretas (H2S)
  • 20. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  Ágar XLD: colônias vermelhas, da cor do meio ou pretas (H2S)
  • 21. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  4.4 TRIAGEM  Selecionar duas colônias características de cada placa  Meios:  Ágar “Triple Sugar Iron” (TSI) –indicador: vermelho de fenol  Ágar “Lisine Iron” (LIA) – indicador púrpura de bromocresol
  • 22. TSI Se a bactéria fermentar apenas a glicose (presente em baixa concentração –0,1g), a quantidade de ácido produzida será suficiente somente para provocar a viragem no fundo do tubo. Mas se a bact utilizar tb lactose e/ou sacarose, produzirá muito ácido , virando todo o meio para amarelo.
  • 23. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  Leitura:  TSI:  Base amarela com ou sem produção de gás; produção de sulfeto de hidrogênio: muitos aa contém enxofre e a salmonela pode usá-lo produzindo H2S. O ágar TSI contêm sal de ferro. A reação do sal de ferro com o H2S produz sulfeto ferroso que é um sal preto; bisel rosa ou inalterado Não inoculado Típico de Salmonella
  • 24. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  LIA: a bactéria fermenta a glicose (fica amarelo), depois que acaba a glicose do meio, a salmonela vai utilizar o aa lisina, gerando metabólitos alcalinos, virando a cor do meio para púrpura novamente (meio volta a cor púrpura original).  A bactéria que não descarboxila a lisina continua com o meio ácido (amarelo)
  • 25. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  Leitura LIA:  Não muda de cor +  Observa-se produção de sulfeto  Descarboxila a lisina – meio alcalino
  • 26. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  LIA: a bactéria fermenta a glicose (fica amarelo), depois que acaba a glicose do meio, a salmonela vai utilizar o aa lisina, gerando metabólitos alcalinos, virando a cor do meio para púrpura novamente (meio volta a cor púrpura original).  A bactéria que não descarboxila a lisina continua com o meio ácido (amarelo)
  • 27. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  4.5 SERIAÇÃO BIOQUÍMICA  Uréia (-) –Caldo uréia  Meio SIM(sulfeto, indol, motilidade) (+) (-) (+)  Caldo uréia e meio SIM:Incubação 35- 37°C/24h  Oxidase (-) palito esterilizado – tiras. Leitura em 10-20 segundos.
  • 28. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  Leitura:  Caldo uréia –permanece da mesma cor (uréia negativo) não produz a enzima urease  SIM- produção de sulfeto, motilidade e indol negativo  Teste do indol: verifica se a bactéria é capaz de desaminar o aa triptofano – libera indol que é detectado pelo reativo de Kovacs. A reação do indol com o reativo de Kovacs gera uma coloração avermelhada.  Oxidase: verifica a presença da enzima citocromo c oxidase (transfere elétrons na cadeia). O reativo, ao receber os elétrons, na cadeia respiratória de oxida e muda de cor =azul
  • 29. SIM
  • 30. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos Comportamentos atípicos:  Fermentação da lactose: TSI todo amarelo  Fermentação sacarose: TSI com o bisel amarelo  Não produção de sulfeto (14% não produz sulfeto)  Não descarboxilação da lisina (meio ácido). 4 a 5% são lisina negativo  Produção do indol (anel vermelho no meio SIM). 1% são indol +  Não motilidade: algumas são imóveis
  • 31.
  • 32.
  • 33. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  4.6 SOROLOGIA  Triple Sugar Iron  Ágar Nutriente  Suspensão Bacteriana  Soro Polivalente  Aglutinação
  • 34.
  • 35. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  Resultado  Positivo para Salmonella spp. quando as culturas apresentarem reações típicas nas provas bioquímicas E reação sorológica + (antisoro polivalente O)  Resultado: Presença ou ausência em 25g
  • 36. Pesquisa de Salmonella spp. em alimentos  5 MEDIDAS PREVENTIVAS  Calor  Exclusão competitiva: impede que a Salmonella colonize o TGI das aves no início de suas vidas: culturas microbianas mistas contendo bactérias inócuas que ocuparão os sítios de ligação das salmonelas –reduz a presença deste patógeno na granja