Lição 05 - Não tomarás o nome do Senhor em vão

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O terceiro mandamento proíbe o juramento indiscriminado e leviano, pois o voto é um tipo de compromisso que deve ser reservado para uma solenidade excepcional e incomum.

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Lição 05 - Não tomarás o nome do Senhor em vão

  1. 1. Pr. Andre Luiz
  2. 2. Sabemos que as culturas antigas acreditavam no poder espiritual dos nomes. Saber qual o nome de uma divindade, ou de um demônio, supostamente dava à pessoa certo poder sobre essa divindade ou demônio, em momentos de necessidade. No caso dos demônios, o conhecimento dos nomes deles poderia ser um meio de expeli-los. Esses fatos demonstram o respeito que algumas pessoas tinham pelos nomes, e talvez esse fosse um dos motivos pelo extremo respeito que os judeus tinham pelo nome divino. No judaísmo posterior, encontramos o uso espiritual de nomes; mas não temos evidências a esse respeito quanto à primitiva cultura judaica, embora isso deva ter existido em algum grau e de alguma maneira”. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4131
  3. 3. A Enciclopédia da Bíblia (Cultura Cristã) comenta o seguinte: “É característico do sistema hebraico-cristão o uso dos nomes para a deidade como instrumentos para a revelação divina. Os vários nomes, simples e compostos, empregados tanto no AT quanto no NT, não são meras construções ou designações humanas. Antes, são instrumentos reveladores, aparecendo como pontos centrais na carreira do povo israelita, e refletindo a auto- revelação de Deus. A simpatia de Israel por nomes refletia a atitude geral para com a nomenclatura que era comum aos povos antigos. Com eles o nome de uma pessoa não era apenas uma designação de uma relação familiar — não uma simples posse — mas algo distintivamente pessoal. Embora não haja nenhuma evidência de que no uso israelita dos nomes estes eram considerados (como em algumas culturas) por conter poderes espirituais, todavia os nomes eram vistos com muito respeito. Isto era verdadeiro acerca dos nomes pessoais; e a mesma seriedade é aparente no emprego das designações para a divindade entre os povos do AT. Na cultura semita, os nomes eram frequentemente usados para designar uma característica da pessoa nomeada. O sentimento parece ter sido o de nominar sua personalidade. Um exemplo deste tipo de uso é encontrado no caso do nome de Jacó, que significa“suplantador”, cujo sujeito era de fato uma pessoa astuta e egocêntrica. MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag.123
  4. 4. O Comentarista da lição, Pr Esequias Soares, escreve no livro que serve de apoio à revista deste trimestre: “O nome ELOHIM apresenta os primeiros vislumbres da Trindade. A declaração de Gênesis 1.1; traz o verbo no singular, "criou", e o sujeito no plural ELOHIM, "Deus", o que revela a unidade de Deus na Trindade. Construção similar aparece em várias partes do Antigo Testamento: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança" (Gn 1.26); "Então disse o SENHOR Deus: Eis que o homem é como um de nós" (Gn 3.22); "Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua" (Gn 11.7). A Trindade é vista em ELOHIM à luz do contexto bíblico. O Novo Testamento explicitou o que antes estava implícito no Antigo Testamento. Quando ELOHIM refere-se às divindades falsas traz no plural o verbo, o pronome ou o adjetivo, representando a multiplicidade. Quando, porém, aplicado ao Deus de Israel, o verbo e o seus complementos vêm geralmente no singular. Os rabinos reconheceram a pluralidade neste nome, mas, como o judaísmo é uma religião que defende o monoteísmo absoluto, e não admite Jesus Cristo como o Messias de Israel, fica difícil para eles entenderem essa pluralidade. Para explicá-la, argumentam ser um plural de majestade, mas isso é uma determinação rabínica posterior. A definição de plural de majestade ou de excelência, como disse, foi dada pelo rabinato posterior. Disse Shlomo ibn Yitschaki, conhecido pela sigla RASHI, grande rabino e erudito judeu (nascido em 1040): "O plural de majestade não significa haver mais de uma pessoa na divindade". Essa declaração serviu para
  5. 5. o judaísmo prosseguir sua marcha mantendo o monoteísmo absoluto sem Jesus e sem o Espírito Santo. No relato da criação e em muitas outras passagens do Antigo Testamento, ELOHIM é nome próprio usado como forma alternativa de Javé. Segundo Umberto Cassuto, esse nome é usado para se referir à ideia obscura e mais abstrata da deidade, de um Deus universal e Criador do mundo, indicando a transcendência da natureza de Deus; ao passo que Javé aparece quando as características estão claras e concretas e sugere um Deus pessoal que se relaciona diretamente com o povo. No capítulo um de Gênesis, Deus aparece como o Criador do universo físico e como o Senhor do mundo, exercendo domínio sobre todas as coisas. Tudo quanto existe veio à existência por causa exclusiva de Seu fiat (poder criador), sem qualquer contato direto entre Ele e a natureza. Portanto, aplicando-se aquelas regras, aqui cabe o uso do nome ELOHIM (CASSUTO, 1961, p. 32). ELOHIM é um dos nomes próprios de Deus, mas aparece como apelativo no Antigo Testamento quando se refere a divindades falsas, por exemplo os deuses do Egito (Êx 12.2) e de outras nações (Dt 13.7,8; Jz 6.10). A palavra é usada com relação às imagens dos cultos pagãos (Êx 20.23). As Escrituras fazem uso irregular de ELOHIM em referência a seres sobrenaturais (1 Sm 28.13) e juízes (SI 82.6). Aparece também, cerca de 20 vezes, com relação às divindades pagãs individuais”. Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 51-53.]
  6. 6. No Antigo Testamento, o nome de uma pessoa tinha a função de mostrar o caráter ou a índole de um indivíduo.
  7. 7. O Dicionário Bíblico Wycliffe (CPAD), sobre a aplicação dos nomes próprios, traz o seguinte: “EL ELYON, EL SHADDAI, YAHWEH. A reviravolta notável na teologia bíblica é a de que o Deus vivo é progressivamente conhecido por meio dos acontecimentos históricos reais, nos quais Ele revela tanto a si mesmo quanto os seus objetivos. Com isso, os termos genéricos para divindade ganham um conteúdo mais específico, tornam-se nomes próprios e, sucessivamente, abrem caminho para designações posteriores que refletem mais plenamente a natureza de Deus, que é progressivamente revelada. A palavra El, termo mais comum para divindade, nas línguas semitas (mas que não é a palavra usual no Antigo Testamento), vem frequentemente associada a um substantivo ou a um adjetivo (cf. 'el 'elyon, "Deus Altíssimo", ou 'el shaddai, "Deus Todo-Poderoso"). Como consequência, tornou-se um nome próprio de Deus. El Shaddai tornou-se o nome patriarcal característico para Divindade, como consequência do concerto divino com Abraão. Enquanto Elohim representa Deus especialmente na função do Criador, Formador e Preservador do homem e do mundo, El Shaddai se concentra nos limites divinos dos processos naturais para os propósitos da sua graça. O nascimento de Isaque, o filho prometido, na ausência de qualquer possibilidade natural, mostra Deus como materializando de forma onipotente o seu objetivo de graça em uma criação finita e pecadora, decaída. Na LXX e no Novo Testamento, El Shaddai é traduzido como pantokrator, "O Todo-Poderoso", "O Onipotente" (cf. 2 Co 6.18; Ap 1.8; 4.8). Com
  8. 8. a evolução da história religiosa hebraica, os primeiros nomes de Deus passaram para um plano secundário em vista da auto-revelação de Deus que ocorria. Mesmo assim, o nome El Shaddai não substitui completamente Elohim, uma vez que os hebreus conservam todas as designações de Divindade, algumas vezes intercambiando-as, conforme as circunstâncias possam sugerir um ou outro. O uso literário de nomes divinos, portanto, não fornece uma indicação inequívoca do desenvolvimento literário e da autoria dos escritos sagrados. O nome por excelência para o Deus de Israel é Jeová (YAHWEH), encontrado 6.823 vezes no Antigo Testamento. Por meio da libertação de Israel da escravidão no Egito, de sua adoção como uma nação, e de sua condução até a Terra Prometida, o DEUS Redentor é especialmente conhecido por esse nome. O DEUS auto-revelado se revela de maneira redentora de uma forma especial (EU SOU O QUE SOU, Êx 3.14). Veja Eu Sou. O Deus vivo, que havia anteriormente se manifestado aos patriarcas como El Shaddai (Êx 6.2ss.), não era totalmente desconhecido deles como Jeová, sendo esse nome encontrado frequentemente em Genesis e pronunciado pelo próprio Senhor Deus, e mesmo na bênção de Jacó (que nenhum redator teria alterado!). A partir de Abraão, o nome de Jeová aparece periodicamente nos registros sagrados. Mas com o resgate de Israel e com o estabelecimento da teocracia, Jeová torna-se o nome inconfundível no Antigo Testamento para o Deus vivo, que não apenas adapta a natureza pecadora à graça, mas também molda um novo tipo de graça em meio a este curso natural
  9. 9. das coisas. Consequentemente, o nome Jeová (uma reconstrução artificial em português para a palavra hebraica YHWH, originalmente pronunciada Yahweh ou Yahveh) enfatiza, em particular, a atividade redentora de Deus. Devido às superstições, os hebreus chegaram a evitar pronunciar a palavra de quatro letras YHWH, substituindo-a por Adonai. Nos séculos mais recentes, Jeová tem servido como o equivalente a Yahweh na literatura, nos hinos e nas traduções da Bíblia em português. A Bíblia de Jerusalém adotou o nome Yahweh. Sobrepondo uma estrutura de desenvolvimento naturalista sobre a Bíblia, a crítica elevada diz que os múltiplos nomes de Deus, particularmente Elohim e Yahweh, refletem fontes literárias divergentes. Esta suposição foi, durante muito tempo, um alicerce da hipótese JEDP, agora desacreditada, que reduz o Pentateuco (q.v) a fontes originais conflitantes. A tentativa de explicar o nome composto Yahweh- Elohim por meio da combinação de documentos provou ser insustentável, e a hipótese JEDP é cada vez mais reconhecida como um grupo de fontes artificialmente projetadas (em um contexto preciso, sobre o qual os próprios críticos não entraram em acordo)”. PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 540-541
  10. 10. Como escreve Russell Norman Champlin, O tetragrama sagrado YHWH (Yahweh) não deveria ser pronunciado. Com o passar dos anos, perdeu-se a pronúncia correta do tetragrama. Estudiosos adicionaram as vogais de Adonai (meu Senhor) combinando-as com as consoantes YHWH, e o resultado foi a forma Jeová. Não se trata, realmente, de um nome de Deus, mas de uma corruptela do nome, a fim de que pudesse ser proferido, sem nenhum temor pelos judeus. Mas nunca aparece, com essa forma, no original hebraico da Bíblia. Tal forma só começou a aparecer no século XII D.C. Antes disso, —cada vez que aparecia YHWH, os judeus pronunciavam «Adonai». Parafraseando CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4131. Sobre isto, ainda, transcrevo o que diz a Enciclopédia Histórico-Teológica Da Igreja Cristã. Vol 1. (Editora Vida Nova): “Os esforços para se determinar o significado do tetragrama (YHWH) mediante a investigação histórica têm sido dificultados pela escassez de dados relacionados com as várias formas do nome ya nas fontes históricas fora do AT. Por esta razão, a investigação geralmente tem seguido linhas filosóficas. G. R. Driver sugeriu que a forma ya era originalmente um grito de exclamação "emitido em momentos de empolgação ou êxtase, um precedente de ya(h)wá(h), ya(h)wá(h)y ou coisa semelhante". Sugeriu, ainda mais, que o nome Javé surgiu da consonância de uma extensão deya com o "tempo imperfeito de um verbo defectivo". Deste modo, ele viu a origem do nome numa etimologia popular e asseverou que a sua forma original foi
  11. 11. esquecida (ZAW46.24). Mowinckel propôs a teoria de que o tetragrama deve ser entendido como palavra composta do elemento de exclamação e o pronome da terceira pessoa, hü’, com o significado de "Ó Ele!" Outra abordagem do problema é ver no tetragrama uma forma de paronomásia. Este conceito leva em conta a representação geral do nome ya nas culturas extrabíblicas do segundo milênio a. C. O nome Javé é entendido, portanto, como uma forma quadrilateral, e o relacionamento entre o nome hãyâ ("ser"), em Ex 3.14-15, não deve ser de etimologia mas, sim, de paronomásia. O ponto de vista mais comum é de que 0 nome é uma forma de um verbo trilateral, hwy. É geralmente considerado um imperfeito da raiz Qal, na terceira pessoa, ou um verbo também na terceira pessoa do imperfeito de uma raiz causativa. Outra sugestão é de que se trata de um particípio causativo com um y pré-formante que deve ser traduzido "Sustentador, Mantenedor, Estabelecedor". Com relação ao ponto de vista de que o tetragrama é urna forma alongada de um grito de exclamação, pode ser indicado que os nomes próprios semíticos tendem a abreviar-se; normalmente não são prolongados. A teoria de que o nome é paronomástico é atraente, mas quando se apela às ocorrências das formas de ya ou yw ñas culturas antigas, surgem vários problemas. E difícil explicar como a forma original poderia se ter prolongado até chegar à estrutura familiar quadrilateral. A sugestão de Mowinckel é atraente, porém especulativa. Além disso, é difícil compreender como o nome Javé poderia ter conotações de unicidade tão forte
  12. 12. no AT se é urna forma de um nome divino representada em várias culturas no segundo milênio a. C. A derivação do tetragrama de uma raiz verbal também está comprometida com certas dificuldades. A raiz hwy, sobre a qual o tetragrama seria baseado segundo este ponto de vista, não é atestada nas línguas semíticas ocidentais antes dos tempos de Moisés. e a forma do nome não está de acordo com as regras que regem a formação de ver- bos lamed he’, conforme nós os conhecemos. Fica evidente que o problema é difícil. É melhor concluir que o uso da etimologia para determinar o conteúdo teológico do nome Javé é tênue. Para se compreender o significado teológico do nome divino, é necessário que se determine o contexto teológico de que o nome era revestido na religião hebraica. Jah, Yah. Esta forma mais curta de Javé ocorre duas vezes em Êxodo (15.2 e 17.15). A primeira destas passagens é refletida em Is 12.2 e SI 118.14. Ocorre também numerosas vezes na fórmula haPIõyâ ("louvai a yah"). Seu emprego nas passagens poéticas antigas e mais recentes e sua função de fórmula nos Salmos Halel sugerem que esta forma de Javé é um dispositivo do estilo poético. A forma composta de yah com Javé, em Is 12.2 [yah YHWH), indica uma função separada para a forma yah e, ao mesmo tempo, sua identificação com Javé”. Walter A. Elwell. Enciclopédia Histórico-Teológica Da Igreja Cristã. Vol 1. Editora Vida Nova. pag. 445-446.
  13. 13. Yahweh era o nome pessoal do Deus de Israel. Que a forma Yahweh é a forma correta, pode-se provar mediante transcrições para o grego. Quando, pela primeira vez, foram inseridos sinais representando fonemas vogais, na Bíblia hebraica, já no século VII D.C., as letras vogais da palavra hebraica ADONAY, «Senhor», foram escritas intercaladas com as consoantes YHWH, produzindo assim o nome artificial Jeová. Esse não era, realmente, um nome divino; mas muitos, temendo pronunciar Yahweh, como apelativo por demais sagrado, passaram a usar Jeová como um substituto aceitável. Portanto, Jeová é um híbrido sem base bíblica nenhuma, que começou a ser usado de modo geral, como um dos nomes de Deus, no século XIV D.C. Isso ocorreu porque os eruditos cristãos da época não reconheceram a natureza híbrida da forma Jeová. Esse nome hebraico de Deus também aparece com as formas abreviadas de Yah (Êxo. 15:2, etc; em português, «Já») e Yahu ou Yeho. Estas duas últimas formas aparecem em inscrições hebraicas e assírias, e também nos papiros escritos em aramaico. Mas o nome abreviado original parece ter sido Yaw, que tem sido identificado com um dos nomes divinos pagãos encontrados nos documentos de Eras Shamra (vide), provenientes do norte da Fenícia, do século XV A.C. Alguns especialistas supõem que o nome Yahweh não foi cunhado por Moisés, e nem por qualquer dos demais autores bíblicos; antes, seria um nome pré-mosaico, como um antigo nome de Deus que Moisés usou, tal como a moderna palavra portuguesa «Deus» é apenas o aportuguesamento do termo
  14. 14. latino Deus, que como é óbvio, antecede ao uso português por muitos e muitos séculos. Os trechos de Êx 3:13-15 e 6:4 parecem indicar que esse nome começou a ser usado no Antigo Testamento como se tivesse havido uma revelação especial do nome. Gn 4:26, por sua vez, parece dar a entender uma origem não hebreia, ou seja, quando esse nome começou a ser usado pelos hebreus, teria sido tomado por empréstimo de alguma fonte extrabíblica. Seja como for, a raiz do nome, sem dúvida, é antiquíssima, sendo provável que aparecesse entre os nomes de divindades mesopotâmicas. Alguns supõem que Moisés chegou a adorar Yahweh, mediante seu casamento com a filha de um queneu, em Midiã (Êx 3:1 ss; 18:12-24). A isso se chama de teoria quenita, o que, como é óbvio, é uma teoria rejeitada por muitos intérpretes conservadores, pois não querem aceitar a ideia de que os nomes de Deus, na Bíblia, possam ter tido origem pagã. Seja como for, a forma mais longa, YHWH, é confirmada desde o século IX A.C., como na pedra Moabita. De acordo com uma etimologia popular, essa palavra estaria ligada ao verbo hebraico ser (ver Êx 3:14), pelo que se referiria ao ser eterno de Deus, que é a fonte originária de todos os seres, não dependendo de qualquer outro ser para a sua vida e continuação em existência.
  15. 15. A pronúncia do tetragrama, YHWH, o que seria o nome exato de Deus, perdeu- se no tempo.
  16. 16. Matthew Henry comentando o texto de Ex 3.14 diz: “Um nome que denota o que Ele é em si mesmo (v. 14): Eu sou o que sou. Isto explica o seu nome Jeová, e significa: (1) Que Deus é autoexistente; Ele tem a sua existência em si mesmo, e não depende de ninguém. O maior e melhor homem do mundo deve dizer: “Pela graça de Deus, sou o que sou”. Mas Deus diz de uma forma absoluta - pois Ele é mais do que qualquer criatura, homem ou anjo, e só Ele pode dizer - “Eu sou o que sou”.Sendo autoexistente, só Ele pode ser autossuficiente, e, portanto, todo-suficiente, a fonte inesgotável de vida e alegria. (2) Que Deus é eterno e imutável, e sempre o mesmo, ontem, hoje, e eternamente; Ele pode ser aquilo que quiser ser. Ele é, Ele era, e Ele há de vir. Veja Apocalipse 1.8. (3) Que não podemos, investigando, descobri-lo. Este é um nome que censura todas as indagações ousadas e curiosas a respeito de Deus, e na verdade diz: Não pergunte o meu nome, visto que é segredo, Juízes 13.18; Provérbios 30.4. Perguntamos o que Deus é? E suficiente para nós sabermos que Ele é o que é, o que Ele sempre foi, e sempre será. Quão pouco é o que temos ouvido dele! Jó 26.14. (4) Que Ele é fiel e verdadeiro em todas as suas promessas, imutável em sua palavra assim como em sua natureza, e não um homem que mente. Que Israel saiba disso: EU SOU me enviou a vós”. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 235.]
  17. 17. O Catecismo Menor de Martinho Lutero sobre este mandamento diz: “Que significa isto? Devemos temer e amar a Deus e, por isso, em seu nome não amaldiçoar, jurar, praticar a magia, mentir ou enganar; mas devemos pedir a sua ajuda em todas as necessidades, orar, louvar e agradecer”. O mesmo escreve Russell Norman Champlin em obra já citada: “Abusos contra o nome de Deus. Vários desses abusos eram e continuam sendo possíveis: 1. O trivial. Até mesmo crentes exclamam, descuidadamente:“Ó meu Deus!” E até mesmo crentes piedosos falam de modo frívolo acerca do Senhor, como se Ele fosse apenas um bichinho de estimação. Combato essa forma ridícula de teísmo de acordo com a qual qualquer pensamento ou ato trivial é lançado na conta do Senhor. Trata-se de uma forma de auto- exaltação. Pois se o grande Deus está conosco em questões tão pequenas, então quão importantes nós somos. Em contraste com isso, os israelitas piedosos nem ao menos pronunciavam o nome divino Yahweh, mas corrompiam-no de alguma forma, para não se tornarem culpados de estarem tomando o nome de Deus em vão. 2. Nas artes mágicas e nos juramentos. Como nas conjurações e nos ritos pagãos. Ver Gn 32.27,29. O nome de Yahweh não podia ser usado em tais atividades. 3. O nome de Yahweh não podia ser misturado com os nomes de divindades pagãs, como se fizesse parte de algum panteão gentílico. 4. A proibição do uso do nome divino incluía a ideia de empregar o nome de Deus para invocar os mortos. O nome de Yahweh não podia ser misturado à
  18. 18. bruxaria. 5. O nome de Yahweh não podia ser usado nos juramentos falsos, como se a veracidade de uma pessoa pudesse ser apoiada pelo grande DEUS (Lev. 19.12). 6. Embora 0 texto sagrado não o diga especificamente, temos aqui um mandamento contra toda espécie de profanação por meio de palavras, incluindo ou não os nomes divinos. O texto por certo subentende o uso devido da língua, em questões tanto sagradas quanto seculares. “Maldições e juramentos devem-se ao desejo de impressionar os outros. A maneira mais fácil de chocar outra pessoa e chamar sua atenção é o uso de alguma coisa sagrada ou nome santo. Mas o efeito desgasta-se quase imediatamente, e a blasfêmia passa a ser apenas um hábito inconveniente, expressando impotência e fraqueza de caráter” (J. Coert Rylaarsdam, in loc.). Ameaças. Nenhuma punição é imposta aqui aos faltosos, mas fica entendido que o homem que usasse indevidamente o nome de Yahweh não escaparia do devido castigo. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 391
  19. 19. A manter uma consideração muito reverente ao santo nome de Deus (v. 12), e não conclamá-lo como testemunha, seja: 1. De uma mentira: “[Não] jurareis falso pelo meu nome”. Já é ruim dizer uma mentira, porém jurar é muito pior. Ou: 2. De uma brincadeira, e impertinências: “Pois profanaríeis o nome do vosso Deus” - usando-o com qualquer outro propósito diferente daquele para o qual deve ser religiosamente usado. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 410 Perjúrio O crime de falso testemunho ou perjúrio está previsto no art. 342 do Código Penal que assim dispõe: Art. 342... em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral: (Alterado pela L-010.268-2001) Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. Perjúrio...
  20. 20. O terceiro mandamento corresponde a usar o nome de Deus de forma superficial, em conversas triviais, fúteis e insignificantes
  21. 21. O Comentário Bíblico Beacon, sobre Juramentos (5.33-37): “A lei mosaica dizia: Não perjurarás (33; Lv 19.12; Nm 30.2; Dt 23.21), isto é, “jurar falsamente” - no Novo Testamento, este verbo só é encontrado aqui. Mas Jesus disse: De maneira nenhuma jureis (34). Ele proibiu especificamente jurar pelo céu, pela terra, por Jerusalém, ou pela nossa própria cabeça (34- 36). Os judeus defendiam que jurar pelo nome de Deus vinculava aquele que fazia o juramento, mas jurar pelo céu não trazia nenhum vínculo. Assim, os itens acima eram substituídos como uma forma de subterfúgio, para não se dizer a verdade. Bengel cita o ditado rabínico: “Como o céu e a terra passarão, assim também o juramento passará, pois os conclamou como testemunhas”.36 Jesus defendeu que Deus está sempre presente quando os homens falam; por esta razão, todos devem falar honestamente. O mandamento de Cristo foi: Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não (37) - ou, como Beck apresenta: “Simplesmente diga: ‘Sim, sim; não, não’ ’’.Apropria prática de jurar é um triste reflexo do caráter humano. Jesus exige honestidade o tempo todo, esteja um homem sob juramento ou não. Não há um padrão duplo para o cristão. Ralph Earle. Comentário Bíblico Beacon. Mateus. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 60-61.]
  22. 22. O cristão não deve precisar fazer juramento algum em sua vida diária, seu falar deve ser “sim, sim” e “não, não”, como ensina Jesus. Somente a sinceridade total, sem um juramento de garantia, assegura a verdadeira fraternidade. Jesus afirma: Vocês sequer devem jurar, ou seja, vocês não devem fazer uso de todos esses juramentos de corroboração e juramentos compromissivos e não compromissivos. Vocês se enganam se pensam que, com essas artimanhas, podem escapar da maldição divina. Outra vez recorro a Russell Norman Champlin, quando este escreve: “Sim, sim... não, não». A repetição da palavra é a confirmação ou não da verdade. A garantia da honestidade do indivíduo deve ser a confiança na sua simples palavra. Provavelmente Jesus insistiria que tal honestidade deve ser inspirada pela consciência da presença de Deus e a relação do homem para com o Senhor. O homem cônscio da presença de Deus e que sente responsabilidade para com Deus, não mente. Tal honestidade não requer a confirmação de qualquer juramento. E o juramento feito—pelo homem desonesto—não tem valor. A desonestidade de nossa natureza se expressa não apenas na tendência em nos desviarmos da verdade pura, mas também na esperança de que nossos semelhantes façam a mesma coisa. A prática dos juramentos apenas agrava essa situação, porque o próprio juramento é usado para enganar, confirmando de maneira séria uma desonestidade.
  23. 23. O abuso que os judeus faziam dos juramentos, levou Jesus a dizer, de modo nenhum jureis. É difícil achar uma brecha nesta diretiva (veja também Tiago 5:12). Assim, o crente não deveria jurar para autenticar suas declarações. Até mesmo o Estado deveria geralmente permitir uma afirmação em lugar do juramento exigido. Pelo céu. Os judeus usavam a sua engenhosidade para classificar os diversos juramentos, e geralmente perdoavam aqueles que não mencionassem Deus especificamente. Jesus mostrou que tal raciocínio enganosamente sutil era falso, pois Deus continua implicado quando os homens invocam os céus, a terra, ou Jerusalém; e até quando se jura pela própria cabeça está implicado Aquele que tem poder sobre a mesma. Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim. Uma solene afirmação ou negação é o suficiente para o crente. O que passa disto. Acrescentando juramentos às nossas declarações, ou admitimos que não se pode confiar em nossas palavras costumeiras, ou nos rebaixamos ao nível de um mundo mentiroso, que vem do maligno.]
  24. 24. A linguagem do cristão deve ser usada na perspectiva de Jesus: sim, sim ou não, não.
  25. 25. Segundo a tradição judaica, os juramentos sob o nome de DEUS eram válidos, tinham força, mas os que excluíssem o nome de Deus nada valiam. Jesus agora nos ensina que os dois preceitos são enganosos, visto que necessariamente Deus se envolve em cada transação — o céu é o seu trono, a terra é o estrado de seus pés, a cidade de Jerusalém é a cidade do grande Rei, e nós não conseguimos controlar nem mesmo a cor de nossos cabelos. (Barclay, vol. 1, pp. 159-60). Os que os seguidores de Jesus devem fazer é simplesmente dizer sim ou não, e honrar a palavra empenhada. Schweizer escreve: “Quando a palavra humana se deteriora de tal modo que sob certas circunstâncias sim pode significar não, e não sim, a comunidade está destruída” (p. 128). Estar sob o governo de Deus (isto é, em seu reino) é ser digno de confiança absoluta e honesto de modo transparente. Afastar-se desse princípio é cair sob a influência do maligno. Por toda a história da igreja tem havido crentes que acham que é errado fazer juramentos, sejam eles de que natureza forem. Entretanto, Jesus permitiu ao sumo-sacerdote que o colocasse sob juramento (Mateus 26:62-64), e Paulo invocou a Deus, para que lhe servisse de testemunha (2 Coríntios 1:23; cp. Gaiatas 1:20). O assunto sob consideração em Mateus não é tanto a questão de se fazer um juramento, mas a necessidade de se falar a verdade em todas as ocasiões. E inevitável que Jesus penetre a fundo na legislação, para chegar aos princípios essenciais que ela pretende ensinar. Codificar o ensino de Cristo é o mesmo que destruí-lo.

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