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DANÇANDO COM EROS
Avany Maia
Sobrames - Bahia
Anoitece.
Aos poucos as luzes do salão ascendem.
Mas Eros permanece invisível, realizando mais uma noite sua missão de pulverizar o
espaço de emoções.
Desejos...amor por si mesmo... pelo outro...ou apenas uma paixão fugaz.
Que importa?
Eros sabe que, à sua maneira, na dança cada um experimentará o desejo de união com o
divino através do contato como o outro.
E na dimensão do divino todos os sentimentos se unificam, se inocentam.
A Razão sempre perde a razão quando tenta classificar o que foi criado apenas para ser
sentido. E a Moral? Essa, incansável como Ixion, atravessa os séculos na frustrada
tentativa de reprimi-los.
E os que se aprisionam entre a Razão e a Moral deixam a areia da efêmera vida escoar
entre seus dedos, sem experimentar o êxtase da paixão.
Inclassificável e incontrolável. A paixão é simples assim.
Então...
De longe el a avista. Nunca a viu. Mas ela não o vê.
Seus olhos se perdem entre os que dançam. Queria estar entre eles.
Sem saber porquê, ele hesita em convida-la. Talvez ela lhe pareça muito diferente dele,
até meio indiferente. Acha que ela dirá não.
Seus olhos então passeiam por outras tantas mulheres, mas voltam aos mesmos olhos.
Num impulso ele se levanta. Afinal, o que é um não?
Desatenta ela se surpreende quando ele a toca. Dão-se as mãos e deslizam pelo salão,
logo afinando o passo.
Ao fim da segunda música ele precisa beber algo. Agradece e a conduz de volta.
Ela dançaria mais. Mas...
Quem sabe ele não gostou tanto quanto ela?
Ah! A razão. Sempre sabotando nossos melhores momentos...
O garçom traz a água que ele começa a beber, mas logo toca uma música agitada, como
ele gosta, e ele a chama novamente para dançar.
Seus quadris e pernas se adaptam e movem-se rapidamente. Já se estabeleceu entre
eles uma confiança que transcende o tempo.
A mente de cada um se pergunta quem entrará primeiro em exaustão. Mas ninguém
desiste.
Parece que se retro-alimentam de energia.
Os músicos retornam ao bolero e os corpos se afastam um pouco marcando o novo ritmo.
Mas agora a música diz: “ainda bem, que agora encontrei você...”
Instintivamente seus plexos cardíacos se aproximam e são possuídos por uma
indescritível emoção.
Nada precisa ser dito, mas urge ser simbolizado. Assim ele suavemente lhe beija a mão
direita enquanto ela lhe retribui apertando-lhe a outra mão.
Desfazem a posição convencional da dança e ele cruza os braços em suas costas, com
as fotes mãos tocando-a próximo às axilas, ponto que lhe é sensível.
Ela num mudo consentimento comprime suas costas num forte abraço. Fecham os olhos
e partilham com cumplicidade o êxtase que percorre seus corpos.
E as diferenças?
Ela esquece o mundo das letras. Ele esquece o mundo da precisão das máquinas que
opera.
Marfim e ébano. Já não há homem e mulher. Encontro de almas que transcende a carne.
Agora não mais dois. Um inteiro.
Ironicamente agora a música diz “Por que não paras relógio? Não me faças padecer. Ela
irá para sempre...”
Insensíveis os músicos dão os últimos acordes. Fim de festa.
Eles permanecem assim ainda abraçados, alheios ao esvaziar do salão.
As luzes se acendem e só então seus olhares se cruzam.
Ele timidamente diz: “Gostei de dançar com você’. Ela corresponde: “Eu também”.
Até outro dia. Até
Na rua tomam caminhos tão opostos quanto são suas vidas.
Mas cada um tem a sensação de ter deixado com o outro uma parte de sua alma.
No salão agora vazio e escuro. Eros repousa com a sensação do dever cumprido.
Fim
(Texto iniciado na 6a. feira santa 30.03.2013 no engarrafamento da BR, enquanto Aline
dirigia para Teodoro Sampaio. terminado no plantão do Samu, madrugada de 01/04/2013)

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Dançando com Eros - Encontro de almas

  • 1. DANÇANDO COM EROS Avany Maia Sobrames - Bahia Anoitece. Aos poucos as luzes do salão ascendem. Mas Eros permanece invisível, realizando mais uma noite sua missão de pulverizar o espaço de emoções. Desejos...amor por si mesmo... pelo outro...ou apenas uma paixão fugaz. Que importa? Eros sabe que, à sua maneira, na dança cada um experimentará o desejo de união com o divino através do contato como o outro. E na dimensão do divino todos os sentimentos se unificam, se inocentam. A Razão sempre perde a razão quando tenta classificar o que foi criado apenas para ser sentido. E a Moral? Essa, incansável como Ixion, atravessa os séculos na frustrada tentativa de reprimi-los. E os que se aprisionam entre a Razão e a Moral deixam a areia da efêmera vida escoar entre seus dedos, sem experimentar o êxtase da paixão. Inclassificável e incontrolável. A paixão é simples assim. Então... De longe el a avista. Nunca a viu. Mas ela não o vê. Seus olhos se perdem entre os que dançam. Queria estar entre eles. Sem saber porquê, ele hesita em convida-la. Talvez ela lhe pareça muito diferente dele, até meio indiferente. Acha que ela dirá não. Seus olhos então passeiam por outras tantas mulheres, mas voltam aos mesmos olhos. Num impulso ele se levanta. Afinal, o que é um não? Desatenta ela se surpreende quando ele a toca. Dão-se as mãos e deslizam pelo salão, logo afinando o passo. Ao fim da segunda música ele precisa beber algo. Agradece e a conduz de volta. Ela dançaria mais. Mas... Quem sabe ele não gostou tanto quanto ela? Ah! A razão. Sempre sabotando nossos melhores momentos... O garçom traz a água que ele começa a beber, mas logo toca uma música agitada, como ele gosta, e ele a chama novamente para dançar. Seus quadris e pernas se adaptam e movem-se rapidamente. Já se estabeleceu entre eles uma confiança que transcende o tempo. A mente de cada um se pergunta quem entrará primeiro em exaustão. Mas ninguém desiste. Parece que se retro-alimentam de energia. Os músicos retornam ao bolero e os corpos se afastam um pouco marcando o novo ritmo. Mas agora a música diz: “ainda bem, que agora encontrei você...” Instintivamente seus plexos cardíacos se aproximam e são possuídos por uma indescritível emoção. Nada precisa ser dito, mas urge ser simbolizado. Assim ele suavemente lhe beija a mão direita enquanto ela lhe retribui apertando-lhe a outra mão. Desfazem a posição convencional da dança e ele cruza os braços em suas costas, com as fotes mãos tocando-a próximo às axilas, ponto que lhe é sensível. Ela num mudo consentimento comprime suas costas num forte abraço. Fecham os olhos e partilham com cumplicidade o êxtase que percorre seus corpos. E as diferenças?
  • 2. Ela esquece o mundo das letras. Ele esquece o mundo da precisão das máquinas que opera. Marfim e ébano. Já não há homem e mulher. Encontro de almas que transcende a carne. Agora não mais dois. Um inteiro. Ironicamente agora a música diz “Por que não paras relógio? Não me faças padecer. Ela irá para sempre...” Insensíveis os músicos dão os últimos acordes. Fim de festa. Eles permanecem assim ainda abraçados, alheios ao esvaziar do salão. As luzes se acendem e só então seus olhares se cruzam. Ele timidamente diz: “Gostei de dançar com você’. Ela corresponde: “Eu também”. Até outro dia. Até Na rua tomam caminhos tão opostos quanto são suas vidas. Mas cada um tem a sensação de ter deixado com o outro uma parte de sua alma. No salão agora vazio e escuro. Eros repousa com a sensação do dever cumprido. Fim (Texto iniciado na 6a. feira santa 30.03.2013 no engarrafamento da BR, enquanto Aline dirigia para Teodoro Sampaio. terminado no plantão do Samu, madrugada de 01/04/2013)