BIBLIOTECA PERO VAZ DE CAMINHAA BIBLIOTECA SAIU DA ESCOLA  E LEVOU A POESIA À RUA
Há Palavras Que Nos BeijamHá palavras que nos beijamComo se tivessem boca,Palavras de amor, de esperança,De imenso amor, d...
PIZZA HUT
NA PRAIA DA BOA NOVA …            Na praia lá da Boa Nova, um dia,            Edifiquei (foi esse o grande mal)           ...
PIZZA HUT
CANTICO NEGRO                                                     Como, pois sereis vósVem por aqui" - dizem-me alguns com...
PINGO DOCE
PINGO DOCE
As Palavras Interditas    Os navios existem e existe o teu rosto    encostado ao rosto dos navios.    Sem nenhum destino f...
COLÉGIO LUSO-FRANCÊS
PÃO QUENTE A PADEIRINHA
PASTELARIA
PASTELARIA
FanatismoMinhalma, de sonhar-te, anda perdidaMeus olhos andam cegos de te ver!Não és sequer razão de meu viver,Pois que tu...
A PADEIRINHA
E POR VEZESE por vezes as noites duram mesesE por vezes os meses oceanosE por vezes os braços que apertamosnunca mais são ...
FARMÁCIA DO AMIAL
PASTELARIA A DIVINAL
AVÉ-MARIASNas nossas ruas, ao anoitecer,Há tal soturnidade, há tal melancolia,              E o fim de tarde inspira-me; e...
PASTELARIA A DIVINAL
PASTELARIA A DIVINAL
O PORTUGAL FUTUROO Portugal futuro é um paísaonde o puro pássaro é possívele sobre o leito negro do asfalto da estradaas p...
A biblioteca saiu da escola 1
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A biblioteca saiu da escola 1

  1. 1. BIBLIOTECA PERO VAZ DE CAMINHAA BIBLIOTECA SAIU DA ESCOLA E LEVOU A POESIA À RUA
  2. 2. Há Palavras Que Nos BeijamHá palavras que nos beijamComo se tivessem boca,Palavras de amor, de esperança,De imenso amor, de esperança louca.Palavras nuas que beijasQuando a noite perde o rosto,Palavras que se recusamAos muros do teu desgosto.De repente coloridasEntre palavras sem cor,Esperadas, inesperadasComo a poesia ou o amor.(O nome de quem se amaLetra a letra reveladoNo mármore distraído,No papel abandonado)Palavras que nos transportamAonde a noite é mais forte,Ao silêncio dos amantes RESTAURANTE O ALCAIDE Alexandre O’Neil
  3. 3. PIZZA HUT
  4. 4. NA PRAIA DA BOA NOVA … Na praia lá da Boa Nova, um dia, Edifiquei (foi esse o grande mal) Alto Castelo, o que é a fantasia, Todo de lápis-lazúli e coral! Naquelas redondezas não havia Quem se gabasse dum domínio igual: Oh Castelo tão alto! parecia O território dum Senhor feudal! Um dia (não sei quando, nem sei donde) Um vento seco de deserto e spleen Deitou por terra, ao pó que tudo esconde, O meu condado, o meu condado, sim! Porque eu já fui um poderoso Conde, Naquela idade em que se é conde assim... António NobrePIZZA HUT
  5. 5. PIZZA HUT
  6. 6. CANTICO NEGRO Como, pois sereis vósVem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces Que me dareis impulsos, ferramentas e coragemEstendendo-me os braços, e seguros Para eu derrubar os meus obstáculos?...De que seria bom que eu os ouvisse Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,Quando me dizem: "vem por aqui!" E vós amais o que é fácil!Eu olho-os com olhos lassos, Eu amo o Longe e a Miragem,(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) Amo os abismos, as torrentes, os desertos...E cruzo os braços,E nunca vou por ali... Ide! Tendes estradas, Tendes jardins, tendes canteiros,A minha glória é esta: Tendes pátria, tendes tectos,Criar desumanidade! E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...Não acompanhar ninguém. Eu tenho a minha Loucura !- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,Com que rasguei o ventre a minha mãe E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...Não, não vou por aí! Só vou por onde Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.Me levam meus próprios passos... Todos tiveram pai, todos tiveram mãe; Mas eu, que nunca principio nem acabo,Se ao que busco saber nenhum de vós responde Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.Por que me repetis: "vem por aqui!"? Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!Prefiro escorregar nos becos lamacentos, Ninguém me peça definições!Redemoinhar aos ventos, Ninguém me diga: "vem por aqui"!Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, A minha vida é um vendaval que se soltou.A ir por aí... É uma onda que se alevantou. É um átomo a mais que se animou...Se vim ao mundo, foiSó para desflorar florestas virgens, Não sei para onde vouE desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! Não sei por onde vouO mais que faço não vale nada. -Sei que não vou por aí! José Régio
  7. 7. PINGO DOCE
  8. 8. PINGO DOCE
  9. 9. As Palavras Interditas Os navios existem e existe o teu rosto encostado ao rosto dos navios. Sem nenhum destino flutuam nas cidades, partem no vento, regressam nos rios. Na areia branca, onde o tempo começa, uma criança passa de costas para o mar. Anoitece. Não há dúvida, anoitece. É preciso partir, é preciso ficar. Os hospitais cobrem-se de cinza. Ondas de sombra quebram nas esquinas. Amo-te... E abrem-se janelas mostrando a brancura das cortinas. As palavras que te envio são interditas até, meu amor, pelo halo das searas; se alguma regressasse, nem já reconhecia o teu nome nas minhas curvas claras. Dói-me esta água, este ar que se respira, dói-me esta solidão de pedra escura, e estas mãos noturnas onde aperto os meus dias quebrados na cintura. E a noite cresce apaixonadamente. Nas suas margens vivas, desenhadas, cada homem tem apenas para dar um horizonte de cidades bombardeadas. Eugénio de AndradeFARMÁCIA MARQUES MENDONÇA
  10. 10. COLÉGIO LUSO-FRANCÊS
  11. 11. PÃO QUENTE A PADEIRINHA
  12. 12. PASTELARIA
  13. 13. PASTELARIA
  14. 14. FanatismoMinhalma, de sonhar-te, anda perdidaMeus olhos andam cegos de te ver!Não és sequer razão de meu viver,Pois que tu és já toda a minha vida!Não vejo nada assim enlouquecida...Passo no mundo, meu Amor, a lerNo misterioso livro do teu serA mesma história tantas vezes lida!Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."Quando me dizem isto, toda a graçaDuma boca divina fala em mim!E, olhos postos em ti, vivo de rastros:"Ah! Podem voar mundos, morrerastros,Que tu és como Deus: princípio e fim!...“ Florbela Espanca PASTELARIA
  15. 15. A PADEIRINHA
  16. 16. E POR VEZESE por vezes as noites duram mesesE por vezes os meses oceanosE por vezes os braços que apertamosnunca mais são os mesmos E por vezesencontramos de nós em poucos meseso que a noite nos fez em muitos anosE por vezes fingimos que lembramosE por vezes lembramos que por vezesao tomarmos o gosto aos oceanossó o sarro das noites não dos meseslá no fundo dos copos encontramosE por vezes sorrimos ou choramosE por vezes por vezes ah por vezesnum segundo se envolam tantos anos. David Mourão Ferreira
  17. 17. FARMÁCIA DO AMIAL
  18. 18. PASTELARIA A DIVINAL
  19. 19. AVÉ-MARIASNas nossas ruas, ao anoitecer,Há tal soturnidade, há tal melancolia, E o fim de tarde inspira-me; e incomoda!Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia De um couraçado inglês vogam os escaleres; E em terra num tinir de louças e talheresDespertam-me um desejo absurdo de sofrer. Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.O céu parece baixo e de neblina,O gás extravasado enjoa-me, perturba; Num trem de praça arengam dois dentistas;E os edifícios, com as chaminés, e a turba Um trôpego arlequim braceja numas andas;Toldam-se duma cor monótona e londrina Os querubins do lar flutuam nas varandas; Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!Batem os carros de aluguer, ao fundo,Levando à via-férrea os que se vão. Felizes! Vazam-se os arsenais e as oficinasOcorrem-me em revista exposições, países; Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras; E num cardume negro, hercúleas galhofeiras,Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo! Correndo com firmeza, assomam as varinas.Semelham-se a gaiolas, com viveiros,As edificações somente emadeiradas: Vêm sacudindo as ancas opulentas!Como morcegos, ao cair das badaladas, Seus troncos varonis recordam-me pilastras; E algumas, à cabeça, embalam nas canastrasSaltam de viga os mestres carpinteiros. Os filhos que depois naufragam nas tormentas.Voltam os calafates, aos magotes, Descalças! Nas descargas de carvão,De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos; Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,Ou erro pelos cais a que se atracam botes. E apinham-se num bairro aonde miam gatas, E o peixe podre gera os focos de infecção!E evoco, então, as crónicas navais:Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado! Cesário Verde, 1880Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!Singram soberbas naus que eu não verei jamais!
  20. 20. PASTELARIA A DIVINAL
  21. 21. PASTELARIA A DIVINAL
  22. 22. O PORTUGAL FUTUROO Portugal futuro é um paísaonde o puro pássaro é possívele sobre o leito negro do asfalto da estradaas profundas crianças desenharão a gizesse peixe da infância que vem na enxurradae me parece que se chama sávelMas desenhem elas o que desenharemé essa a forma do meu paíse chamem elas o que lhe chamaremPortugal será e lá serei felizPoderá ser pequeno como esteter a oeste o mar e a Espanha a lestetudo nele será novo desde os ramos à raizÀ sombra dos plátanos as crianças dançarãoe na avenida que houver à beira-marpode o tempo mudar será verãoGostaria de ouvir as horas do relógio da matrizmas isso era o passado e podia ser duroedificar sobre ele o Portugal futuro. Ruy Belo RESTAURANTE O ALCAIDE

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