UNIVERSIDADE DE SANTO AMARO        FACULDADE DE SERVIÇO SOCIAL         HENRIQUE MANOEL CARVALHO SILVA    A IMPORTÂNCIA DA ...
HENRIQUE MANOEL CARVALHO SILVA    A IMPORTÂNCIA DA PASTORAL DA JUVENTUDE NAFOMENTAÇÃO DO PROTAGONISMO JUVENIL E FORMAÇÃO D...
HENRIQUE MANOEL CARVALHO SILVA  A IMPORTÂNCIA DA PASTORAL DA JUVENTUDE NA FOMENTAÇÃO DOPROTAGONISMO JUVENIL E FORMAÇÃO DE ...
A todos que acreditam nos jovens e lutam por uma sociedade mais justa e fraterna.
AGRADECIMENTOS         A Deus, pelo dom da vida e força para caminhar, lutar e alcançar meussonhos e objetivos.         Ao...
"Acredito nos jovens à procura de caminhos novos abrindo espaços largos na vida."                                         ...
RESUMOEste trabalho teve como objetivo conhecer a participação/ militância de jovens nosespaços sócio-políticos e em movim...
LISTA DE FIGURASFigura 1 - Gráfico: Assuntos que mais interessam aos jovens – Pesquisa Perfil da             Juventude, 20...
LISTA DE TABELASTabela 1 - Situação educacional dos jovens em 2007 (Em %). ................................ 27Tabela 2 - N...
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASACE      –   Ação Católica Especializada.ACG      –   Ação Católica Geral.CEB‟s    –   Comun...
PPJ      –   Políticas Públicas para as Juventudes.ProJovem –   Programa Nacional de Inclusão de Jovens.ProUni   –   Progr...
SUMÁRIOINTRODUÇÃO ...........................................................................................................
12                                    INTRODUÇÃO        Este trabalho originou-se das minhas indagações sobre o significad...
13        No segundo capítulo foi realizada uma contextualização sobre a PJ eprotagonismo juvenil.        No terceiro, foi...
141 JUVENTUDE (S)1.1 Visitando a literatura.                                               Mesmo para os que, entre nós, c...
15tenham preocupações como trabalho, educação, saúde, o que seria tarefa dosadultos.           Sabe-se, entretanto que con...
16        Já o Estatuto da Criança e do Adolescente2 (ECA) considera oadolescente/jovem, o sujeito com idade entre 12 e 18...
17        Dentro de um espaço cultural e social as pessoas podem ser interpretadascomo jovens, não especificamente pela fa...
18       Na história da humanidade, muitos dos feitos e fatos foram realizados porpessoas consideradas jovens, que com sua...
19           a. Cronológicos, ou seja, faixa etária;           b. Biológicos (e fisiológicos), fase de mudanças físicas e ...
20        Dessa forma pode-se dizer que, em alguns momentos na história dahumanidade, as juventudes, ao perceberem sua for...
21        Esse momento se deu justamente na época de um regime extremamenteopressor, o período da ditadura militar6, onde ...
22        Em 1968, na cidade de Ibiúna-SP foi realizado o XXX Congresso da UNE,que foi invadido pela polícia, resultando n...
23                     [...] as/os jovens não são acomodadas/os, nem desinformadas/os.                     Eles são pressi...
241.3 Juventude e contemporaneidade: fatores que afetam a vida dos jovens.        A juventude (juventudes) representa um i...
25Figura 1 - Gráfico: Assuntos que mais interessam aos jovens – Pesquisa Perfil daJuventude, 2003.          Sendo esses fa...
261.3.1 Juventudes e educação.                                           A educação é a arma mais poderosa que você       ...
27resultar no aumento do índice de jovens que desistem dos estudos, antes mesmosque os concluam e também o índice de analf...
28           Um dos poucos avanços que podem ser citados com relação à educação,refere-se ao ensino superior, onde o índic...
29        O modo de produção capitalista abrange tanto a natureza técnica daprodução como a maneira pela qual se define a ...
30aproxima muito do que é uma rotina de trabalho, com horários, responsabilidades,hierarquias, etc. – e também, o forte in...
31        Sendo assim, e tendo dito que os jovens vivem um momento de mudanças etransformações, não só físicas e biológica...
32muitas vezes passando quase que toda infância e juventude em casas deacolhimento e abrigos. Nesse caso estamos falando d...
33desconsiderando tal categoria pertencente às expressões da questão social 11 e dasdesigualdades sociais existentes no no...
34Tabela 2 - Número de homicídios na população de 15 a 29 anos, por UF e Região.Brasil, 1997/2007.        Segundo o Mapa d...
35                    O aumento da violência criminal e institucional nas duas últimas                    décadas, especia...
36                      impactantes sobre acontecimentos violentos produz-se indignação,                      condição imp...
37decisão não seria a solução cabível, pois o correto é que “a sanção aplicada precisater conteúdo pedagógico, resultando ...
382 A PASTORAL DA JUVENTUDE E O PROTAGONISMO JUVENIL                                 “Só uma Juventude organizada, será um...
39        A Pastoral da Juventude ou simplesmente PJ, sigla que será adotada nodecorrer do trabalho, é uma pastoral organi...
40                     Nos anos 1960-66, a Ação Católica desenvolvia uma Pastoral de                     Juventude de meio...
41                    conseqüência prática dos debates teóricos que faziam, da tendência                    política conhe...
42       Esse momento que antecede uma PJ orgânica é caracterizado tambémpelas expectativas resultantes dos documentos ori...
43        Essas     organizações   trabalham     com    o   objetivo   de   desenvolver    oprotagonismo dos jovens para a...
44        c. Dimensão da Conscientização Política; Nessa dimensão o jovem é              despertado ao senso crítico, ajud...
452.2 Protagonismo juvenil e seu conceito.           Um importante fator a ser discutido neste trabalho diz respeito aopro...
46                     [...] uma forma de reconhecer que a participação dos adolescentes                     pode gerar mu...
A Importância da PJ na Fomentação do Protagonismo Juvenil e Formação de Lideranças Sócio-Políticas [SILVA H.M.C.]
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Este trabalho teve como objetivo conhecer a participação/ militância de jovens nos espaços sócio-políticos e em movimentos sociais que estão (ou já estiveram) inseridos na Pastoral da Juventude (PJ). Desse modo, foi de suma importância compreender se a participação dos jovens na PJ foi determinante para despertar os seus interesses pela atuação nesses espaços. Propôs-se ainda analisar a visão que os jovens detêm enquanto protagonistas das suas histórias. Nesta perspectiva, realizou-se uma contextualização sobre os conceitos de juventudes, buscando conhecer os principais fatores que afetam a vida dos jovens como: educação, trabalho, violência e questões relacionadas à vida familiar, bem como se discutir sobre a PJ contribuindo para o protagonismo juvenil. Engendrou-se, por outro lado, uma discussão sobre o Serviço Social dialogando com a juventude e, para finalizar, a partir dos resultados obtidos na pesquisa de campo, utilizando a técnica do Grupo Focal, foi realizada a análise dos resultados obtidos que confirmaram a questão norteadora deste trabalho, levando-nos ao alcance dos objetivos que foram delineados, ou seja, a PJ se coloca como agente de transformações na vida dos jovens que buscam nela o despertar para o protagonismo.

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A Importância da PJ na Fomentação do Protagonismo Juvenil e Formação de Lideranças Sócio-Políticas [SILVA H.M.C.]

  1. 1. UNIVERSIDADE DE SANTO AMARO FACULDADE DE SERVIÇO SOCIAL HENRIQUE MANOEL CARVALHO SILVA A IMPORTÂNCIA DA PASTORAL DA JUVENTUDE NAFOMENTAÇÃO DO PROTAGONISMO JUVENIL E FORMAÇÃO DE LIDERANÇAS SÓCIO-POLÍTICAS São Paulo 2011
  2. 2. HENRIQUE MANOEL CARVALHO SILVA A IMPORTÂNCIA DA PASTORAL DA JUVENTUDE NAFOMENTAÇÃO DO PROTAGONISMO JUVENIL E FORMAÇÃO DE LIDERANÇAS SÓCIO-POLÍTICAS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção do título de Bacharel em Serviço Social do Curso de Serviço Social da Universidade de Santo Amaro, sob a orientação da Prof.ª Dr.ª Marlene Almeida de Ataíde. São Paulo 2011
  3. 3. HENRIQUE MANOEL CARVALHO SILVA A IMPORTÂNCIA DA PASTORAL DA JUVENTUDE NA FOMENTAÇÃO DOPROTAGONISMO JUVENIL E FORMAÇÃO DE LIDERANÇAS SÓCIO-POLÍTICAS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção do título de Bacharel em Serviço Social do Curso de Serviço Social da Universidade de Santo Amaro.Data da Aprovação _____/_____/_____. BANCA EXAMINADORA Marlene Almeida de Ataíde (orientadora) Doutora em Serviço Social Universidade de Santo Amaro - UNISA Débora Nunes de Oliveira Mestre em Serviço Social Universidade de Santo Amaro - UNISACONCEITO FINAL: ______________________
  4. 4. A todos que acreditam nos jovens e lutam por uma sociedade mais justa e fraterna.
  5. 5. AGRADECIMENTOS A Deus, pelo dom da vida e força para caminhar, lutar e alcançar meussonhos e objetivos. Aos meus pais, Severino e Filomena, pelo amor incondicional eprincipalmente por acreditarem no meu potencial. Também aos meus irmãos,pessoas que admiro muito, pelo companheirismo e apoio. Amo vocês. À minha pequena, namorada e amiga, pelo companheirismo, partilhas emomentos juntos, especialmente, pela compreensão e apoio no desenvolvimentodesse trabalho. À Professora Marlene Almeida de Ataíde, minha orientadora, cujo apoio temme permitido realizar este ideal de profissão e vida, dedico minha admiração erespeito. Aprendi muito com essa pessoa! Às professoras e professores que nos acompanharam durante esseprocesso de formação, pelas trocas de saberes e conhecimentos, sou eternamentegrato. À professora Débora Nunes de Oliveira, leitora desse trabalho, pelas dicas eatenção. Agradeço a todas e todos da minha turma (inclusive os que saíram durante ocurso), vivenciamos e trocamos muito conhecimento nesses quatro anos deformação, aprendi muito com cada um de vocês, cada um na sua particularidade. Devo um agradecimento especial às/aos jovens que participaram dapesquisa de campo, pela contribuição para este trabalho e especialmente pelapartilha de suas trajetórias e experiências e mais, por acreditarem nas juventudes. Agradeço à UNISA, por ter disponibilizado o espaço e recursos para quefosse possível realizar a pesquisa de campo, assim como a disponibilidade doRafael e da Valéria, companheiros de curso, em ajudarem para a efetivação doGrupo Focal, muito obrigado. Aos pejoteiros e pejoteiras de todo o Brasil, em especial os da minhaparóquia. Ao pessoal da Lista da PJ Nacional, muita gente que anseio um diaconhecer, agradeço pelo apoio e dicas para a construção deste. Aos meus amigos e amigas, de perto e de longe, os novos e os de longadata, por fazerem parte da minha história e pelo incentivo para a construção deste.
  6. 6. "Acredito nos jovens à procura de caminhos novos abrindo espaços largos na vida." Cora Coralina "O alicerce fundamental da nossa obra é a juventude." Che Guevara
  7. 7. RESUMOEste trabalho teve como objetivo conhecer a participação/ militância de jovens nosespaços sócio-políticos e em movimentos sociais que estão (ou já estiveram)inseridos na Pastoral da Juventude (PJ). Desse modo, foi de suma importânciacompreender se a participação dos jovens na PJ foi determinante para despertar osseus interesses pela atuação nesses espaços. Propôs-se ainda analisar a visão queos jovens detêm enquanto protagonistas das suas histórias. Nesta perspectiva,realizou-se uma contextualização sobre os conceitos de juventudes, buscandoconhecer os principais fatores que afetam a vida dos jovens como: educação,trabalho, violência e questões relacionadas à vida familiar, bem como se discutirsobre a PJ contribuindo para o protagonismo juvenil. Engendrou-se, por outro lado,uma discussão sobre o Serviço Social dialogando com a juventude e, para finalizar,a partir dos resultados obtidos na pesquisa de campo, utilizando a técnica do GrupoFocal, foi realizada a análise dos resultados obtidos que confirmaram a questãonorteadora deste trabalho, levando-nos ao alcance dos objetivos que foramdelineados, ou seja, a PJ se coloca como agente de transformações na vida dosjovens que buscam nela o despertar para o protagonismo.Palavras-chave: Juventudes, Pastoral da Juventude, Protagonismo Juvenil,Participação.
  8. 8. LISTA DE FIGURASFigura 1 - Gráfico: Assuntos que mais interessam aos jovens – Pesquisa Perfil da Juventude, 2003. ...................................................................................... 25Figura 2 - Redução da maioridade penal. (charge encontrada na Internet) .............. 36Figura 3 - Símbolo da Pastoral da Juventude ........................................................... 38Figura 4 - Símbolo da Campanha. Fonte: www.juventudeemmarcha.org. ................ 52Figura 5 - Bandeira da PJ, Grito dos Excluídos, 2009, Praça da Sé - São Paulo/SP. ................................................................................................................. 53Figura 6 - Romaria da Juventude do Estado de São Paulo, 2008............................. 54Figura 7 - Romaria da Juventude do Estado de São Paulo, 2009............................. 54Figura 8 - Organização da sala em círculo e café da manhã (ao fundo) - Grupo Focal......................................................................................................... 64
  9. 9. LISTA DE TABELASTabela 1 - Situação educacional dos jovens em 2007 (Em %). ................................ 27Tabela 2 - Número de homicídios na população de 15 a 29 anos, por UF e Região. Brasil, 1997/2007...................................................................................... 34
  10. 10. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASACE – Ação Católica Especializada.ACG – Ação Católica Geral.CEB‟s – Comunidades Eclesiais de Base.CCJ – Centro de Capacitação da Juventude.CDL – Curso de Dinâmicas para Líderes.CEU – Centro Educacional Unificado.CELAM – Conselho Episcopal Latino-Americano.CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.CONJUVE – Conselho Nacional de Juventude.DNJ – Dia Nacional da Juventude.ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente.EJAAC – Espaço Jovem Alexandre Araújo Chaves.EJC – Encontro de Jovens com Cristo.ENESSO – Executiva Nacional de Estudantes de Serviço Social.IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.ICAR – Igreja Católica Apostólica Romana.IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.IPJ – Instituto Paulista de Juventude.JAC – Juventude Agrária Católica.JEC – Juventude Estudantil Católica.JIC – Juventude Independente Católica.JOC – Juventude Operária Católica.JUC – Juventude Universitária Católica.MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.ONG – Organização Não Governamental.ONU – Organização das Nações Unidas.PJ – Pastoral da Juventude.PJE – Pastoral da Juventude Estudantil.PJMP – Pastoral da Juventude do Meio Popular.PJR – Pastoral da Juventude Rural.PNAD – Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios.
  11. 11. PPJ – Políticas Públicas para as Juventudes.ProJovem – Programa Nacional de Inclusão de Jovens.ProUni – Programa Universidade para Todos.RCC – Renovação Carismática Católica.SNJ – Secretaria Nacional da Juventude.SdC – Semana da Cidadania.SdE – Semana do Estudante.TLC – Treinamento de Liderança Cristã.TdL – Teologia da Libertação.UNE – União Nacional dos Estudantes.UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.UNICEF – United Nations Childrens Fund (Fundo das Nações Unidas para a Infância).UNISA – Universidade de Santo Amaro.USP – Universidade de São Paulo.VAI – Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais.
  12. 12. SUMÁRIOINTRODUÇÃO .......................................................................................................... 121 JUVENTUDE (S) .................................................................................................... 14 1.1 Visitando a literatura. .................................................................................. 14 1.2 Juventude e participação: breve histórico da trajetória política da juventude brasileira a partir da década de 60. .......................................................... 19 1.3 Juventude e contemporaneidade: fatores que afetam a vida dos jovens. .. 24 1.3.1 Juventudes e educação. .................................................................. 26 1.3.2 Juventudes e trabalho. .................................................................... 28 1.3.3 Juventudes e família. ....................................................................... 30 1.3.4 Juventudes e violência. ................................................................... 322 A PASTORAL DA JUVENTUDE E O PROTAGONISMO JUVENIL ..................... 38 2.1 Contexto histórico da Pastoral da Juventude, do “A-E-I-O-U” aos dias atuais. ....................................................................................................... 38 2.2 Protagonismo juvenil e seu conceito. .......................................................... 45 2.3 A Pastoral da Juventude e o seu protagonismo na sociedade contemporânea......................................................................................... 473 O CAMINHO PERCORRIDO: PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS .............. 55 3.1 O Serviço Social: dialogando com as juventudes. ...................................... 55 3.2 A pesquisa: tipo, instrumentos e métodos para a coleta de dados. ............ 59 3.3 Os jovens/ sujeitos participantes do Grupo Focal. ...................................... 66 3.4 Objeto e objetivos da pesquisa: geral e específicos. .................................. 67 3.5 O problema e a hipótese. ............................................................................ 68 3.6 Análises dos resultados. ............................................................................. 68 3.6.1 O inicio de tudo... ............................................................................. 68 3.6.2 A construção do protagonismo. ....................................................... 71 3.6.3 A participação nos espaços sócio-políticos e movimentos sociais. . 74 3.6.4 Os acontecimentos importantes na Pastoral da Juventude. ............ 77 3.6.5 A visão que têm sobre o protagonismo das suas histórias. ............. 794 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 84REFERÊNCIAIS ........................................................................................................ 86ANEXOS E APÊNDICES .......................................................................................... 91
  13. 13. 12 INTRODUÇÃO Este trabalho originou-se das minhas indagações sobre o significado daPastoral da Juventude (PJ) na vida dos jovens dela pertencentes, bem como, seessa participação os conduz ao protagonismo juvenil. Nesta direção, a questãonorteadora indicou que a PJ colabora para despertar as juventudes na prática doprotagonismo e na formação de lideranças sócio-políticas. Outro fator determinante pelo qual a escolha do tema se deu, foi minhaparticipação na PJ desde o ano de 2001. Em cujo espaço enquanto militante passeipor um processo de formação no qual vivenciei experiências e práticas quefomentaram meu próprio protagonismo, tendo contribuído assim, para que eupudesse me inserir em outros movimentos/ espaços de participação. Desta forma, este estudo teve como objeto a participação e militância dejovens nos espaços sócio-políticos e em movimentos sociais que estão inseridos (oujá estiveram) na PJ. Teve como objetivo geral entrevistar jovens nas idades entre 15e 29 anos, de ambos os gêneros para compreender como o protagonismo juvenil foise construindo nas suas vidas. Para os objetivos específicos delimitou-se porcompreender se a participação desses jovens na PJ foi determinante para despertaros seus interesses pela atuação nos espaços de participação, bem como, analisar avisão que os jovens detêm enquanto protagonistas das suas histórias. A pesquisa foi na perspectiva qualitativa cujo método eleito foi o GrupoFocal, pelo fato de proporcionar uma estreita relação entre os sujeitos e porproporcionar um ambiente favorável para a partilha de idéias. Outro aspecto a serconsiderado é que esse método promove uma maior interação no surgimento deidéias e conceitos, além de se considerar que todos os sujeitos possuíam umavivência comum com o tema deste estudo e também por tal método proporcionartrocas, sentimentos, atitudes, crenças e experiências. Nesta perspectiva, ao dar inicio ao presente trabalho buscou-seprimeiramente compreender sobre a categoria juventudes e, logo no primeirocapítulo levantou-se uma discussão além dos seus conceitos, mas buscou-setambém conhecer os principais fatores que afetam a vida dos jovens como:educação, trabalho, violência e questões relacionadas à vida familiar.
  14. 14. 13 No segundo capítulo foi realizada uma contextualização sobre a PJ eprotagonismo juvenil. No terceiro, foi engendrada uma discussão que versa sobre o Serviço Socialdialogando com a juventude e por fim a pesquisa e os procedimentos metodológicosutilizados com concomitante análise dos resultados, estabelecendo uma conexãocom o referencial teórico.
  15. 15. 141 JUVENTUDE (S)1.1 Visitando a literatura. Mesmo para os que, entre nós, consideram-se crescidos, pensar sobre juventude envolve pensar sobre nós mesmos: sobre o que éramos e somos sobre o que poderíamos ter sido sobre o que esperamos ser. [...] é como se a natureza descarregasse nos adolescentes os apetrechos da idade adulta, mas a sociedade não os ensinasse a lidar com as novidades, com as transformações. (Isolda de Araújo Gunther) Discutir na contemporaneidade sobre a temática juventude torna-se umatarefa complexa, principalmente no sentido de realizar uma conceitualização arespeito dessa categoria, mas que, segundo Novaes (2000, p. 46) “certamente éválido começar definindo o que se entende por juventude”. Se levarmos em consideração a visão que norteia o senso comum dealgumas pessoas na nossa sociedade, inúmeros são os discursos feitos sobre arepresentação da juventude. Conforme Camacho (2006), muitas vezes são taxadosde apáticos diante de problemas que antes lhe despertava a rebeldia, ora por quemantecipa suas conclusões de forma fatalista, como por exemplo, “esta juventude estáperdida!”, opinião embasada pelas notícias acerca da “delinqüência juvenil”, assucessivas rebeliões ocorridas na então FEBEM1, ou sobre o tráfico e uso dedrogas, sempre fazem uma correlação entre juventude e violência ouirresponsabilidade. Ainda consideram que a juventude está imersa numa totalalienação, provocada, em tese, pela mídia ou pelas precárias oportunidades deeducação, saúde e trabalho. Constata-se ainda a célebre frase “a juventude é o futuro”, levando-nos auma enganosa compreensão, não poucas vezes intencional, que desconsidera oque os jovens são, fazem e pensam agora, no presente. Essas idéias não deixam deser uma forma de minimizar e/ou desqualificar as opiniões e manifestações públicasdos jovens, ou legitimando não ser necessário que os jovens sejam responsáveis ou1 FEBEM = Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor, atualmente conhecida comoFundação CASA (Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente).
  16. 16. 15tenham preocupações como trabalho, educação, saúde, o que seria tarefa dosadultos. Sabe-se, entretanto que concepções pertencentes ao senso comummerecem uma qualificação cientifica, ou seja, requer conceitos elaborados eembasados em estudos de forma aprofundada por autores que se dedicam ao temaem questão. Para tanto são necessários grandes esforços e aprofundamentosliterários na extensa bibliografia que, principalmente nas ultimas décadas tevegrande destaque, onde muitos autores e autoras discutiram sobre essa temática. Conforme Costa (2000, p. 66) é necessário “ter em mente essacomplexidade [...] para evitar equívocos no uso desse conceito”. Nesse sentido, esteestudo irá analisar algumas definições e pesquisas realizadas por especialistasdesta temática, fazendo então uma “visita à literatura” visando não uma definiçãoengessada, mas sim, buscar contribuições que possam colaborar para umadefinição que abranja as dimensões e diversidades dessa categoria. Ao se tentar definir o que é juventude, percebe-se inicialmente uma questãomuito utilizada dentro de um senso comum, que é interpretar a juventude comoapenas um “momento de transição” da fase de criança/adolescente para a faseadulta. Chegando ao ponto de ter essa categoria como apenas uma “fase” da vida,onde tais sujeitos são destituídos de direitos e que, simplesmente, necessitam detutela. Esse conceito não deixa de ser verdade, porém não pode ser interpretado deforma isolada, sendo então delicado determinar quando essa categoria se inicia oumesmo se encerra como diz Ataíde (2008, p. 41) que “não se pode inserir ajuventude em critérios rígidos, como uma etapa com um início e um fim pré-determinados”. Além do que, essa categoria deve ser vista como sujeitos portadoresde direitos. Na busca de um conceito de juventude, não se deve então resumi-la oumesmo considerá-la somente como uma faixa etária, pois ao se debruçar nasliteraturas percebe-se que há disparidades nesse quesito. Conforme Netto (2006, p. 42) “alguns grupos chegam a definir a juventude aidade inferior a 30 anos”. Para confirmar esta informação pode-se citar aOrganização das Nações Unidas (ONU) e a Organização das Nações Unidas para aEducação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) que classificam uma pessoa comojovem aquela que possui idade entre 15 e 24 anos.
  17. 17. 16 Já o Estatuto da Criança e do Adolescente2 (ECA) considera oadolescente/jovem, o sujeito com idade entre 12 e 18 anos; no entanto a SecretariaNacional da Juventude (SNJ) considera uma pessoa como jovem, as que possuementre 15 e 29 anos3. Mesmo não considerando a categoria juventude apenas como “momento detransição” e como uma “faixa etária”, este estudo irá desenvolver-se em pesquisasfocadas com sujeitos entre 15 e 29 anos. Desse modo, há a necessidade de se buscar maiores esclarecimentos e dese fundamentar com maior profundidade as características da juventude porque, [...] por sua vez, embora ainda viva muitas das características da adolescência, encontra-se em uma etapa de maior equilíbrio emocional e com maior experiência de vida. O período é caracterizado por certa autonomia em relação à família e à solidificação da identidade pessoal. Chega-se à identidade através de um processo de crise, reavaliação, questionamento e assimilação de um quadro de referencias e de valores, que dão sentido e direção para a vida... (BORAN, 2003, p. 260-262) Outro ponto que se debate na busca de uma “possível” definição dejuventude é o fator biológico (e fisiológico), onde se ressalta como a fase dasmudanças físicas e da puberdade. Segundo Novaes, Biologicamente, o jovem é aquele que, em tese, está mais longe da morte. Biologicamente mais predisposto à vida, tem gosto pela aventura, tem maior curiosidade pelo novo. Em conseqüência, tem um lado mais propenso ao revolucionário. (2000, p. 46) Porém neste estudo, essas características levantadas – curiosidade, gostoaventureiro e ações revolucionárias – não serão considerados simplesmente comouma questão biológica, para tal podemos afirmar que “a juventude não é maissomente uma condição biológica, mas uma definição cultural. [...] deixa de ser umacondição biológica e se torna uma definição simbólica” (MELUCCI, 1997, p. 9-13).2 O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foi instituído no Brasil pela Lei 8.069 no dia13 de julho de 1990. É a principal referência legal para as questões de proteção e diretos dacriança e do adolescente.3 Faixa etária estabelecida de acordo com a Lei 11.129 de 30 de Junho de 2005, quetambém institui o Programa Nacional de Inclusão de Jovens (ProJovem) e cria o ConselhoNacional da Juventude e a Secretaria Nacional de Juventude. Esta faixa etária consta naproposta de Projeto de Lei 4529/04 para a criação do Estatuto da Juventude.
  18. 18. 17 Dentro de um espaço cultural e social as pessoas podem ser interpretadascomo jovens, não especificamente pela faixa etária que se encontram, mas pelaforma como agem e também as suas posturas. Por isso quando se discute juventudehá a necessidade de termos clareza de que estamos falando de uma categoria queapresenta certas diversidades, especificidades e entendida como um segmento(importante) da sociedade e não vê-la apenas como uma fase biológica, mas simcomo uma categoria social, com necessidades específicas e que se constitui a partirde determinado contexto social e histórico. Para completar tal análise, ressaltamos adefinição de Groppo, compreendendo a juventude como uma categoria social,vejamos: Ao ser definida como categoria social, a juventude torna-se, ao mesmo tempo, uma representação sócio-cultural e uma situação social. Ou seja, a juventude é uma concepção, representação ou criação simbólica, fabricada pelos grupos sociais ou pelos próprios indivíduos tidos como jovens, para significar uma série de comportamentos e atitudes a elas atribuídos. Ao mesmo tempo, é uma situação vivida em comum por certos indivíduos. (GROPPO, 2000, p. 7 e 8). Considerando que a categoria juventude destaca-se na sociedade e detémum importante papel, Dayrell (2003, p. 41) destaca alguns critérios que constituemessa categoria e são tidos como históricos, culturais, sociais e políticos dentro doperíodo e realidade da sociedade da qual está inserida. É importante ressaltar que o termo juventude é ressente na sociedade,surgindo por volta do século XVIII com a Revolução Industrial, para explicar tal idéiaPOSSATO JR. e LUCAS em seu artigo “Juventudes e Meio Urbano” expõem que, Durante a Revolução Industrial (séc. XVIII e XIX), o mundo todo muda. A burguesia ascende ao poder, ganhando o que Marx chamou de luta de classes. A economia, antes essencialmente rural, começa a se concentrar nas cidades, o que provoca o êxodo massivo das famílias para os centros urbanos. A família patriarcal, feudal, cede lugar à família nuclear. Um número maior de jovens agora tem acesso aos estudos. Surgem grupos juvenis organizados e articulados. A própria palavra “Juventude” só passa a ser empregada nessa época, referindo-se justamente a esses grupos. Sendo assim, concluímos que o termo, além de recente, é próprio da/o jovem urbana/o [...]enquanto grupo organizado e articulado. (POSSATO JR. e LUCAS, 2009, p. 105)
  19. 19. 18 Na história da humanidade, muitos dos feitos e fatos foram realizados porpessoas consideradas jovens, que com suas identidades em construção egeralmente participando de algum grupo onde partilhavam de ideais equestionamentos tendiam a ações consideradas como revolucionárias. Essas idéias fundavam-se principalmente em propor mudanças etransformações da sociedade nas quais esses jovens estavam inseridos. Sendoassim, pode-se dizer que esses jovens estão mais propícios a diversos tipos deações que influenciem e transformem tais espaços. Mas de quem se fala quando usamos a palavra juventude? Ou jovem? Cadavez mais estudiosos do assunto retomam a discussão no sentido de aceitar a idéiade juventude como juventudes, considerando a diversidade de situações de vida queafetam os jovens, diferenças em termos de cultura, classe socioeconômica, grupo,etnia, gênero, dentre tantas outras. Levi & Schimitt a respeito desse assuntoexemplificam: De um contexto a outro, de uma época a outra, os jovens desenvolvem outras funções e logram seu estatuto definidor de fontes diferentes: da cidade ou do campo, do castelo feudal ou da fábrica do século XIX [...] Tampouco se pode imaginar que a condição juvenil permaneça a mesma em sociedades caracterizadas por modelos demográficos totalmente diferentes. (LEVI & SCHIMITT, 1996, p. 14). E como afirma José Machado Pais: Não há de fato um conceito único de juventude que possa abranger os diferentes campos semânticos que lhe aparecem associados. Às diferentes juventudes e às diferentes maneiras de olhar essas juventudes corresponderão, pois, necessariamente, diferentes teorias. (PAIS, 1996, p. 36). Abramovay (2008) em seu artigo denominado “As trajetórias das juventudesbrasileiras” para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em análise àPesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD) em 2007 diz que, não hásomente uma juventude, mas sim juventudes, que constituem um conjunto socialdiversificado com diferentes parcelas de oportunidades, dificuldades, facilidades epoder na nossa sociedade. Baseando-se no que já foi escrito até o momento pode-se dizer que umconceito de juventude pode partir dos seguintes pontos (vistos simultaneamente):
  20. 20. 19 a. Cronológicos, ou seja, faixa etária; b. Biológicos (e fisiológicos), fase de mudanças físicas e da puberdade; c. Sociológico, vista pelo viés da transição da situação de dependência para uma maior autonomia e a inserção de forma mais ativo-participativa na sociedade, ou seja, sua participação, ação e transformações na sociedade inserida, de forma organizada e com suas necessidades especificas. Desse modo nossos estudos serão direcionados, não especificamente auma juventude e sim às juventudes. Buscando não se limitar apenas a um ponto oufator que caracteriza uma pessoa como jovem, mas sim os encarando como sujeitosde direitos e inseridos dentro de uma sociedade com suas necessidades específicas,com capacidades de ação e transformação dos espaços.1.2 Juventude e participação: breve histórico da trajetória política da juventudebrasileira a partir da década de 60. Para Paiva (2000, p. 41) os jovens, sendo elementos questionadores e queestão em processo de formação (de suas opiniões) e por estarem dentro do conjuntoda sociedade, podem ser o que muitas dessas sociedades precisam para dar inicio aprocessos de ruptura. Segundo Novaes (2000, p. 46) os jovens “tem um lado maispropenso ao revolucionário”. Nesse sentido podemos citar ainda uma frase muitoconhecida de Che Guevara4, onde diz que "ser jovem e não ser revolucionário éuma contradição genética". O termo revolucionário pode ser entendido como apropagação de novas idéias e a introdução de processos visando transformações emudanças da sociedade e não somente como ações que acontecem por meio deviolência e revoltas, mas sim da construção e participação. Para confirmar talanálise, [...] o jovem é um revolucionário, por estar convivendo com outros jovens [...] a fim de que, juntos, pudessem promover transformações, fazer seus manifestos e, assim, transformar aquilo que eles acreditavam que deveria ser transformado. (PAIVA, 2000, p. 42-43)4 Ernesto Guevara de La Serna (Che Guevara) nasceu em 14/06/1928 na cidade de Rosário(Argentina) e morreu assassinado em 09/10/1967 na aldeia de La Higuera (Bolívia). Foimédico, guerrilheiro e Ministro em Cuba.
  21. 21. 20 Dessa forma pode-se dizer que, em alguns momentos na história dahumanidade, as juventudes, ao perceberem sua força, passaram a sonhar econstruir juntos, sendo assim, tiveram participação efetiva no que se refere àsmaiores mudanças e transformações na sociedade. Contudo, para continuar a analisar juventudes relacionadas à participação,protagonismo e liderança sócio-política faz-se necessário realizar um resgatehistórico da trajetória política da juventude. Este sub-tema irá se limitar ao contexto brasileiro a partir da década de 60até os anos 2000, expondo e tendo o foco nas participações populares e práticas deações protagonistas que mais se destacaram ao longo da história brasileira desde osanos 60. Pois para se aprofundar nas diversas formas de participação e ações queocorreram durante todo esse período, é necessário um estudo mais detalhado eaprofundado, o que não é o objetivo desse trabalho. Este resgate histórico é necessário para podermos interpretar as juventudesnão de uma forma comparativa, mas sim destacando algumas características decada geração sem criar estereótipos ou mitos. Muitas vezes ao se falar dessa categoria, realizando um resgate histórico eanalisando as décadas anteriores, principalmente dos anos 60 e 70, no sensocomum, acaba-se por fazer comparações, que restringem a sua definição à“juventude ideal”, no sentido de engajamento e participação. Essas análises vêm muito impregnadas de elementos comparativos, relativos à participação da juventude em décadas anteriores. As décadas de 60 e 70 são, principalmente, a referência fundamental de como a juventude deve atuar ou exemplo de juventude engajada. Tais reflexões, contudo, deixam de considerar o momento histórico [...] (MOREIRA, BARBOSA, 2010, p. 13) Realizando esse recorte, nas décadas de 60 e 70 pode-se afirmar que houvegrande índice de participação e de movimentação política dos jovens brasileiros,especialmente dentro do movimento estudantil, por meio da União Nacional dosEstudantes5 (UNE).5 Fundada no dia 11 de agosto de 1937, na Casa do Estudante do Brasil na cidade do Riode Janeiro/RJ, pelo Conselho Nacional de Estudantes.
  22. 22. 21 Esse momento se deu justamente na época de um regime extremamenteopressor, o período da ditadura militar6, onde os protestos juvenis eram contra aameaça de endurecimento dos governos e as repressões políticas. No Brasil, é particularmente nesse momento que a questão da juventude ganha maior visibilidade, exatamente pelo engajamento de jovens de classe média, do ensino secundário e universitário, na luta contra o regime autoritário, através de mobilizações de entidades estudantis e do engajamento nos partidos de esquerda; mas também pelos movimentos culturais que questionavam os padrões de comportamento. (ABRAMO, 2007, p. 82) Além do movimento estudantil e outros movimentos sociais e políticos, haviamuita participação dos jovens nos partidos políticos, em especial os tido como deesquerda (com visões socialistas e comunistas). Nessa temática alguns fatores como o idealismo, a rebeldia e a utopiacontribuíram para fortalecer a participação juvenil, e estes acabaram sendoconsiderados como características quase que essenciais dessa categoria(ABRAMO, 2007, p. 83). Contudo, não se pode deixar de dizer que nem todas asjuventudes tinham tais características, muitos não estavam envolvidos com osmovimentos da época, sendo alguns conservadores, moralistas, tradicionalistas oumesmo distantes dessas lutas. As juventudes desse momento da história (que ficou muito marcado) sãocomumente denominadas como “geração de 68”, pois neste ano tiveram vários fatose atos de mobilização juvenil, ligados com o movimento estudantil e os movimentossociais, dentre eles, aconteceu uma grande marcha fúnebre após assassinato de umestudante no Rio de Janeiro7 e poucos meses depois acontece também uma grandemobilização popular em protesto contra o Regime Militar, que ficou conhecida comoMarcha dos 100 mil8.6 O início da ditadura militar no Brasil se deu em 31 de março de 1964, com o golpe militarque tira do poder o presidente João Goulart, assumido então pelo Marechal Castelo Branco,durou até a eleição presidencial de Tancredo Neves no ano de 1985.7 No dia 28 de Março de 1968, no Rio de Janeiro, o estudante Edson Luís Lima Souto éassassinado pela Policia Militar durante uma manifestação contra o fechamento doRestaurante Central dos Estudantes, conhecido como Calabouço. Tal espaço provia dealimentação a baixo custo para os estudantes e era usado para reuniões, manifestações eorganizações dos estudantes.8 Em 26 de Junho de 1968 na cidade do Rio de Janeiro.
  23. 23. 22 Em 1968, na cidade de Ibiúna-SP foi realizado o XXX Congresso da UNE,que foi invadido pela polícia, resultando na prisão de mais de 700 pessoas queparticipavam do congresso, dentre elas as principais lideranças do movimento. Nesse período, conforme mencionado, o Brasil passou por um sistema deDitadura Militar. Descontente o povo reivindicou por liberdade e direitos, surgindoentão organizações populares, associações e movimentos sociais, que tiveraminserido como participantes e militantes muitos jovens. Os diversos tipos de movimentos sociais, dentre eles o estudantil, possuemum vasto contexto histórico e tiveram maior enfoque, atuação e espaços paraparticipação nas décadas de 70 e 80. Esses movimentos sociais surgem a partir dereflexões, experiências de lutas, reivindicações e causas comuns. Desta forma, asjuventudes estavam inseridas e vivenciando o apogeu dos movimentos sociais noBrasil, que neste mesmo período possuía grande influência de alas progressistas daIgreja Católica Apostólica Romana (ICAR) ligados principalmente à Teologia daLibertação9 (TdL) (GOHN, 2003, p. 26). Com essa participação e organizaçãopopular começam a surgir muitas lideranças populares dentro das juventudes. Com o fim do regime militar e instituída a democracia, muitas dessaslideranças começam também a participar do campo político/ partidário. Os anos 70 e 80 ficaram marcados também pelos movimentos culturais,pelos movimentos de ocupações de imóveis e propriedades e também osmovimentos ambientais. No histórico da categoria juventude, vale ressaltar que neste período,precisamente o ano de 1985 é declarado pela ONU como o Ano Internacional daJuventude: Participação, Desenvolvimento e Paz. Porém, passa a existir o estereótipo de que as juventudes dos anos 80 sãoapáticas, ou seja, não se inserem nos processos políticos e nem participam dasdecisões e reivindicações que se fazem necessárias. Porém, desconsideram-se osreais motivos que possam ter levado a diminuição das participações juvenis nasociedade, sobre isso POSSATO JR. e LUCAS em seu artigo “Juventudes e MeioUrbano”, afirmam o contrário deste estereótipo, apontando um dos reais motivosdessa não participação, onde os jovens acabam sendo “vitimas” do sistema vigente,9 Para maiores conhecimentos sobre a “Teologia da Libertação” ver o livro: “O que é teologiada libertação?” de Francisco Catão pela Editora Brasiliense – 1985.
  24. 24. 23 [...] as/os jovens não são acomodadas/os, nem desinformadas/os. Eles são pressionados pelo sistema a deixar de lado suas reivindicações para providenciar o seu sustento, ou contribuir no sustento da família, ou ainda garantir o sustento de seus dependentes. (POSSATO JR. e LUCAS, 2009, p. 108) Ainda nos anos 80, há o fortalecimento do neoliberalismo, que foca e investeno consumismo e individualismo, sendo que os jovens são um dos seus principaisalvos de investimentos. Nesse momento começa-se a ter forte investimento e influência por parte damídia, na verdade “nenhum outro segmento é mais elogiado, retratado e perseguidopelos meios de comunicação de massa do que a juventude” (POSSATO JR.,LUCAS, 2009). Dando inicio aos, [...] anos 90 a visibilidade social dos jovens muda um pouco em relação aos anos 80: já não são mais a apatia e desmobilização que chamam a atenção; pelo contrario, é a presença de inúmeras figuras juvenis nas ruas, envolvidas em diversos tipos de ações individuais e coletivas (ABRAMO, 1997, p. 31). Esse momento também fica marcado pela participação e atuação dasjuventudes, em especial dos movimentos estudantis, sociais e populares no queficou conhecido como Movimento dos “Caras-Pintadas”, ocorrido em 1992, com oobjetivo de se realizar o impeachment do então Presidente da República FernandoCollor de Mello, o que de fato acontece. Tal movimento e realização ficamconhecidos como uma das maiores conquistas da história brasileira partindo daorganização popular, nesse caso com forte influência e articulação das juventudes. Com isso, percebe-se que as juventudes tiveram forte participação nocontexto histórico brasileiro, junto aos movimentos (estudantis e sociais), comdestaque as décadas de 60, 70 e 80. E que ainda essa participação continua,todavia se desenvolve conforme as necessidades da sociedade. Esse resgate é importante para uma compreensão sobre as participações eformas de lideranças sócio-políticas das juventudes contemporâneas e sua forma dedesenvolver e praticar o protagonismo juvenil nas realidades em que estão inseridase nos fatores que acabam por influenciar ou mesmo afetar as suas vidas.
  25. 25. 241.3 Juventude e contemporaneidade: fatores que afetam a vida dos jovens. A juventude (juventudes) representa um importante segmento da população.São milhões de jovens espalhados pelo mundo, especialmente no Brasil, país emque estamos nos referindo neste estudo. De acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE), contidas em sua PNDA de 2007 a juventude brasileira é composta por 49,8milhões de jovens entre 15 e 29 anos, o que representa 26,5% do total de 189milhões de habitantes no Brasil. Esses jovens vivem um momento muito especial e singular, onde surgemanseios e preocupações, como o trabalho e renda, a formação e educação, afamília, os diversos tipos de violências (onde geralmente são as principais vitimas) eao mesmo tempo desabrocham sonhos, ideais e utopias que emergem cheios desentimentos, emoções e de vontades, vontades de vencer, crescer e construir.Enfim, seu futuro e trajetória de vida. Ao estudar sobre juventudes, relacionadas com participação e protagonismojuvenil, faz-se necessário analisar, pelo menos, alguns dos principais fatores queafetam diretamente (ou indiretamente) a vida dos jovens e assim buscar uma melhorcompreensão da temática proposta. Neste estudo será dado destaque para quatrofatores, divididos da seguinte forma: a. Educação; b. Trabalho; c. Família e d. Violência. A escolha desses fatores se deu durante as leituras e estudos e em especialao analisar a pesquisa “Perfil da Juventude Brasileira” 10. Sendo que em seuquestionário foi realizada uma pergunta referente aos assuntos que maisinteressavam os jovens em questão. Resultando no seguinte gráfico:10 Pesquisa de iniciativa do Projeto Juventude/Instituto Cidadania, com a parceria doInstituto de Hospitalidade e do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e PequenasEmpresas). Essa pesquisa foi realizada sob a responsabilidade técnica da CriteriumAssessoria em Pesquisas. Foram entrevistados 3.501 jovens, entre 15 e 24 anos,distribuídos em 198 municípios, contemplando 25 estados da União, sendo realizada econcluída em 2003.
  26. 26. 25Figura 1 - Gráfico: Assuntos que mais interessam aos jovens – Pesquisa Perfil daJuventude, 2003. Sendo esses fatores considerados como assuntos que mais os interessam eque acabam interferindo direta ou indiretamente nas suas ações e formas departicipação, é de suma importância que sejam mencionados e discutidos nesteestudo. A idéia é trazer algumas análises e dados específicos que demonstrem essaco-relação das juventudes, considerando que esses fatores são tanto motivos parapreocupações como para os sonhos. Desse modo, contém forte influência para queas juventudes possam buscar meios de participação e protagonismo. Não existe aqui a pretensão de uma contextualização detalhada, mas simum olhar mais atento para que possamos obter uma concepção da vida dos jovensem seus meios, visando um conhecimento mais apurado de suas ações e de algunsfatores que acabam por afetá-los.
  27. 27. 261.3.1 Juventudes e educação. A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo. (Nelson Mandela) Um dos principais fatores que acerca a vida dos jovens é a educação, comopodemos ver no gráfico do item 1.3 deste estudo, pois, aparece em primeiro lugarcomo um dos assuntos que mais interessam os jovens. Tal fator pode serinterpretado, tanto em formato de preocupação, como algo que se almeja/planeja nabusca de um futuro promissor, por isso tal questão aparece em primeiro lugar. Quando falamos de educação, é fundamental visualizar a situaçãoeducacional da juventude brasileira atual. Ou seja, devido às diversas restrições,principalmente no que se refere ao acesso, à falta de oportunidades e a baixaqualidade do ensino, esta área, que é essencialmente importante, não tem recebidoos recursos para alcançar o jovem em sua plenitude. A melhoria da qualidade da educação, em geral, e do ensino básico, em particular, deve constituir, portanto, uma das principais metas das políticas educacionais dos países. É fundamental que as escolas estejam abertas para se adaptarem às transformações da sociedade contemporânea. (BARBER-MADDEN e SABER, 2009, p. 27) Observa-se ainda, que muitos jovens não tiveram o devido acesso àeducação durante sua infância/adolescência, resultando em pouca efetividadequando chegam ao Ensino Fundamental. Conforme aponta BARBER-MADDEN eSABER (2009, p. 26) o ingresso tardio no ciclo básico de ensino é tido como umfator determinante aos consideráveis níveis de repetência, desestimulando apermanência dos jovens nas escolas e contribuindo para os baixos índices deescolaridade. Desse modo, quando não interrompem os estudos, devido a uma sériede questões que envolvem as suas vidas (índice bastante alto como pode ser vistona tabela 1, a seguir) relacionadas principalmente à renda e trabalho, chegam àspróximas etapas, como por exemplo, ao Ensino Médio, com elevadas defasagenseducacionais. Isso aumenta o índice, que já é alto, de jovens que ainda estão noEnsino Fundamental ou Médio, quando já deveriam ter concluído os mesmos. Outro aspecto de relevância a ser observado concerne nas suas poucashabilidades de leitura, escrita e compreensão textual. Tais situações acabam por
  28. 28. 27resultar no aumento do índice de jovens que desistem dos estudos, antes mesmosque os concluam e também o índice de analfabetos no país, conforme é descrito nosdados da PNAD, do IBGE, de 2005, [...] tal fato evidencia-se pela grande proporção de analfabetos que declaram ter freqüentado a escola sem, no entanto, ter aprendido a ler e escrever sequer um bilhete simples. De acordo com os dados da PNAD, do IBGE, realizada em 2005, 38,7% das pessoas analfabetas, com 15 anos de idade ou mais, já haviam freqüentado a escola. [...] Outras causas também explicam o número elevado de analfabetos no país, entre as quais se destacam as limitadas oportunidades de acesso a cursos de alfabetização, a qualidade dessa oferta e as limitações dos estudantes que comprometem a sua permanência nos cursos e a continuidade nos estudos. (Juventude e Políticas Sociais no Brasil, 2009, p. 94). Para termos uma real percepção da situação educacional dos jovens noBrasil, podemos ver a tabela número 1, a seguir, onde retrata o ano de 2007. Éassustador ver como em dias atuais esses índices possam ser alarmantes e queainda muitos jovens estão fora dos espaços educacionais.Tabela 1 - Situação educacional dos jovens em 2007 (Em %).
  29. 29. 28 Um dos poucos avanços que podem ser citados com relação à educação,refere-se ao ensino superior, onde o índice de jovens que entraram na academiateve considerável aumento. Isso se dá devido há alguns programas de bolsa e decotas (étnico-raciais e/ou sócio-econômicas). Um exemplo se dá com a instituição,pelo Governo Federal, do Programa Universidade para Todos (ProUni), no ano de2004. Esse programa tem como objetivo principal tentar suprir a baixa densidade dejovens que ingressam, ao nível de ensino superior. No caso, são concedidas bolsasde estudos em instituições privadas para estudantes que tenham renda familiar percapita de até três Salários Mínimos. Com a educação e a construção de conhecimentos os jovens tornam-semais críticos, movimentando-se, num sentido dialético. Assim, como Paulo Freire(2003) ensina que educação está ligada ao movimento, em especial que vai de forapara dentro e depois vem de dentro para fora. Com isso há a necessidade de geraro novo, de construir, o que torna o jovem, quando recebe a devida formação da qualtem direito (pública e de qualidade), um agente de transformação, resultando emações, geralmente coletivas, pois há ainda a necessidade de uma construção emconjunto, não de forma isolada e individual.1.3.2 Juventudes e trabalho. Ao abordar a temática “juventudes e trabalho”, vários fatores são remetidos,como a questão do primeiro emprego, a dificuldade de inserção no mercado detrabalho, a formação profissional, a baixa remuneração, a exploração da mão-de-obra jovem, dentre outros. Neste estudo atentaremos alguns desses pontos, emespecial sobre a inserção do jovem e o primeiro emprego. Atualmente vivemos em uma sociedade capitalista, Martinelli (2007),fundamentada no pensamento marxista, que define o capital como uma relaçãosocial entre aquele que detém o meio de produção com aqueles que possuem aforça de trabalho, parte de dois pressupostos; o capital não é mais pensado comouma coisa, mais como relação social, um determinado modo de produção marcadonão apenas pela troca monetária, mas essencialmente marcado pela dominação docapital.
  30. 30. 29 O modo de produção capitalista abrange tanto a natureza técnica daprodução como a maneira pela qual se define a propriedade dos meios de produção,e as relações sociais entre as pessoas em decorrência do processo de produção. A sustentação e base do capitalismo se dão ao acumulo de capital, ou seja,a mais valia (lucro) e a propriedade de terras e bens de produção. Dentro dessesistema há uma relação de desigualdade e exploração, onde aqueles que nãopossuem tais bens oferecem sua força de trabalho em troca de remuneração. A juventude não está isenta desse processo, sendo ela atualmenteconsiderada a população economicamente mais ativa, todavia, a que também estámais atingida pelo desemprego. Existe uma grande contradição nessa questão quando se aborda o fato dainserção do jovem no mercado de trabalho, pois geralmente é exigido que hajaexperiência e certo conhecimento na área, porém até aquele momento muitos jovensainda não tiveram tal oportunidade ou mesmo algum tipo de capacitação. Outro ponto de contradição se dá ao fato dos jovens serem consideradocomo promissores e aqueles que estão aptos às grandes mudanças que estãoocorrendo no mercado de trabalho, principalmente em decorrência da globalização edo rápido crescimento tecnológico. Para tal cita-se, Os jovens, principalmente os que vivem em situação de vulnerabilidade, historicamente são considerados um grupo com grande dificuldade de inserção na atividade econômica. E, no atual contexto, se deparam com um mercado de trabalho fortemente impactado pelas mudanças da estrutura da produção. No entanto – e paradoxalmente –, são também considerados como um dos segmentos com melhor qualificação media e grande flexibilidade para adaptarem-se ao surgimento de novas oportunidades. Portanto, podem ser considerados como um grupo potencialmente mais preparado a uma inserção positiva no mundo do trabalho e a uma interação sustentável nos processos de desenvolvimento. (ABRAMOVAY; ANDRADE; ESTEVES, 2007, p. 270) Na “Pesquisa Perfil da Juventude” (2003), quando perguntados dos assuntosque mais interessam aos jovens, o fator emprego/trabalho, aparece em segundolugar, conforme Figura 1 – Gráfico. Pode-se afirmar que este interesse se dá pela somatória de algumasquestões, dentre elas podemos citar a grande necessidade de complementação derenda familiar, a preparação/ formação que recebem nas escolas, onde preparam(ou “treinam”) essa categoria para o mercado de trabalho, pois um regime escolar se
  31. 31. 30aproxima muito do que é uma rotina de trabalho, com horários, responsabilidades,hierarquias, etc. – e também, o forte incentivo fornecido pela mídia, para as práticasde consumo, fazendo com que essa população seja considerada o maior públicoalvo de campanhas (marketing) de produtos. Sendo assim, a juventude acaba setornando o grande alvo do mercado de consumo. Bom, para suprir tais necessidades, o jovem precisa de dinheiro; e nãopossuindo bens oferece sua mão-de-obra, na maioria dos casos, por baixaremuneração. Pode-se dizer ainda que “[...] para numerosos jovens, a experiênciaou inexperiência do mercado de trabalho constitui um momento decisivo da suaredefinição identitária”. (BAJOIT; FRANSSEN, 1997, p. 76). O que faz com que ojovem receba forte influência na definição da sua personalidade e de suas escolhas. Atualmente existem alguns programas de capacitação profissional, com oobjetivo de preparar o jovem para o mercado de trabalho, fazendo com que eletenha essa primeira experiência, o primeiro emprego como um estagiário ouaprendiz. Outra questão a ser apontada é que as pessoas consideradas jovens, aindaestão estudando, o que acaba dificultando o seu rendimento tanto na construção deconhecimentos como no desenvolver de suas tarefas no ambiente de trabalho. Há a necessidade de conciliar as duas funções, o que pode resultar numdesgaste físico e mental. Muitas vezes ainda, ao abandono da escola. A realidadeatual é de que muitos jovens estudantes estão inseridos no mercado de trabalho, namaioria, pessoas de famílias de baixa renda. Sendo os jovens uma categoria importante na sociedade, necessitamtambém de oportunidades e capacitação que lhes proporcione o direito ao primeiroemprego, desse modo podendo suprir suas necessidades e de seus familiares.1.3.3 Juventudes e família. Ataíde (2008) quando discute sobre família diz que, [...] é uma instituição em constante transformação, por fatores internos à sua história e ciclo de vida em interação com as mudanças sociais. A sua história percorre a dialética continuidade-mudança, entre vínculos de pertencimento e necessidade de individualização. É no cenário familiar que aprendemos a nos definir como diferentes e enfrentar conflitos de crescimento. (ATAÍDE, 2008, p.208-209)
  32. 32. 31 Sendo assim, e tendo dito que os jovens vivem um momento de mudanças etransformações, não só físicas e biológicas, mas de pensamentos, ideais e valores,faz-se necessário a abordagem do fator família, uma vez que este espaço colaborapara os processos de mudanças. O jovem em sua capacidade e necessidade de se relacionar e participar dealgum grupo, já tem por inicio (teoricamente) a sua família como principal “modelo”.No entanto na definição feita por Kaloustian (2008), a família é, A família é o espaço indispensável para a garantia da sobrevivência de desenvolvimento e da proteção integral dos filhos e demais membros, independentemente do arranjo familiar ou da forma como vêm se estruturando. É a família que propicia os aportes afetivos e, sobretudo materiais necessários ao desenvolvimento e bem-estar dos seus componentes. Ela desempenha um papel decisivo na educação formal e informal, é em seu espaço que são absorvidos os valores éticos e humanitários, e onde se aprofundam os laços de solidariedade, é também em seu interior que se constroem as marcas entre as gerações e são observados valores culturais. (KALOUSTIAN, 2008, p. 11-12) É certo dizer que não necessariamente a formação de uma pessoa serádefinida por sua base familiar, porém há de se ter alguns tipos de influências, queserão levados em conta durante toda a trajetória de vida desse ser, nesse caso ojovem. Tal análise pode ser fundamentada quando Ataíde (2008), diz que, [...] é sabido que a família, pelas funções e pelos papeis sociais que exerce perante seus filhos, quer seja na sua socialização, ou na construção da sua identidade pessoal e social, tem um peso preponderante no acervo de conhecimento a ser transmitido. (ATAIDE, 2008, p. 23). Ou ainda quando Kaloustian enfatiza que, A família é percebida não como o simples somatório de comportamentos, anseios e demandas individuais, mas sim como um processo interagente da vida e das trajetórias individuais de cada um de seus integrantes. (KALOUSTIAN, 2008, p. 13) O Artigo 4º do ECA, diz que “é dever da família, da comunidade, dasociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, aefetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação [...]”. Não tratandode uma forma generalizante, mas tal dever nem sempre é posto em prática, tendoem vista que muito jovens acabam por não ter contato com suas famílias genitoras,
  33. 33. 32muitas vezes passando quase que toda infância e juventude em casas deacolhimento e abrigos. Nesse caso estamos falando de um tipo especifico de família,porém é certo afirmar que nos dias atuais não existe um conceito único (ou mesmoideal) de família, sendo que, A família, da forma como vem se modificando e estruturando nos últimos tempos, impossibilita identificá-la como um modelo único ou ideal. Pelo contrario, ela se manifesta como um conjunto de trajetórias individuais que se expressam em arranjos diversificados e em espaços e organizações domiciliares peculiares. (KALOUSTIAN, 2008, p. 14) Perante essas informações, infere-se que atualmente, a família(independente do modelo ou arranjo) é um importante espaço para o jovem, certo deque mesmo com mínimas condições esse espaço ainda pode lhe garantir algum tipode suporte, sendo em muitos casos responsáveis por esse apoio e orientação;principalmente para o enfrentamento de outros fatores influentes na vida dos jovens,como educação, trabalho e violências, fatores esses que serão discutidos nospróximos subitens.1.3.4 Juventudes e violência. Violência é todo ato em que o ser humano é despido de sua humanidade, tratado como coisa. (Marilena Chaui) [...] Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério O jovem no Brasil nunca é levado a sério A polícia diz que já causei muito distúrbio O repórter quer saber por que eu me drogo [...] (Banda Charlie Brown Jr.) A violência na contemporaneidade é uma situação que vem causando umasérie de preocupações, especialmente para aqueles sujeitos que não poupamesforços intelectuais para discutir essa questão tão controversa bem como ascausas que vem atingindo sumariamente a categoria juventude, principal alvo deviolência. Saber que existe essa concepção, que perpassa pelo senso comum e pelareprodução nos meios midiáticos, é fato, pois acabam por não considerarem osjovens como sujeitos de direitos e deveres, mas simplesmente como culpados,
  34. 34. 33desconsiderando tal categoria pertencente às expressões da questão social 11 e dasdesigualdades sociais existentes no nosso país. Os atos de violência envolvendo os jovens, geralmente, são analisados edescontextualizados da sociedade em que estão vivendo. Essa inversão dos fatosassusta, pois estatisticamente é nítido que a juventude é, na maioria das vezes, aprincipal vítima das violências, conforme informa Waiselfisz (2010, p. 87-88) que noano de 2007, as vítimas de homicídio na faixa de 15 a 29 anos de idaderepresentaram 54,7% do total de homicídios de todo o país. Segundo o mesmo autor o crescimento dos homicídios envolvendo jovenspassou de 21,1 mil em 1997 para 28,5 mil em 2003, ou seja, nesse pouco espaço detempo (seis anos) houve um aumento de 35,1%. Já de 2003 a 2007, houve umasingela queda de 28,5 mil para 26,1 mil jovens, vítimas de homicídio no país, ouseja, uma queda de 8,4%. Tais dados podem ser vistos na tabela a seguir:11 Questão social apreendida como conjunto das expressões das desigualdades dasociedade capitalista madura, que tem uma raiz comum: a produção social é cada vez maiscoletiva, o trabalho torna-se mais amplamente social, enquanto a apropriação dos seusfrutos mantém-se privada, monopolizada por uma parte da sociedade. (IAMAMOTO, 2009,p. 27).
  35. 35. 34Tabela 2 - Número de homicídios na população de 15 a 29 anos, por UF e Região.Brasil, 1997/2007. Segundo o Mapa da Violência - 2010, entre 1997 e 2007 o número dehomicídios na população jovem teve um aumento de 21.084 para 26.102 homicídios,enquanto na população total (incluindo os jovens) passou de 40.507 para 47.707homicídios. Já comparando esses índices de violência entre toda a população jovem doBrasil com as de população internacional, o Brasil fica como o sexto país no rankingde homicídios entre jovens (WAISELFISZ, 2010, p.138-139). Ainda sobre essecrescente índice no Brasil cita-se,
  36. 36. 35 O aumento da violência criminal e institucional nas duas últimas décadas, especialmente nas grandes metrópoles brasileiras, tem sido reconhecido como uma realidade, tanto pelas estatísticas oficiais quanto por autores preocupados em compreender as suas causas e tecer analises, objetivando uma contribuição para melhor dissecar toda a sua complexidade. (ADORNO E BORDINI, 1991; CALDEIRA, 2000, apud FRAGA, 2008, p. 83) Pode-se dizer que os principais alvos dos diversos tipos de violência são: asmulheres, negros, indígenas, homossexuais, empobrecidos e jovens. Além daviolência física que essas “minorias sociais” recebem, há também a violênciapsicológica, expressa no machismo, no racismo, na homofobia, e na discriminaçãocom os pobres e as juventudes. O pior é que infelizmente nos dias de hoje algumas dessas expressões sãoditas como extintas, dentro de um senso comum e por uma reprodução midiática, oque na verdade é uma ilusão, pois estas estão agregadas na sociedade. Umexemplo, é que as principais vítimas de violência, além de jovens, ainda seencaixam em uma dessas minorias sociais, como descreve Fraga, Os homicídios contra jovens pela forma como se apresentam no Brasil [...] não podem ser classificados simplesmente como conflitos interpessoais. Ganharam, na verdade, o caráter de extermínio de população supérflua [...], pois já foram excluídos da convivência humana. (FRAGA, 2008, p. 101) Acrescenta ainda que, O aumento da violência na ultima década apresentou, portando, características não verificadas anteriores. A alta letalidade, com o aumento espetacular da taxa de mortalidade, notadamente entre jovens; [...] há uma aumento da vitimização de jovens nos anos 1990, atingindo seletivamente os mais pobres. (FRAGA, 2008, p. 89-91) Outro fator alarmante e que na verdade resulta em formas de violências,principalmente com os jovens, é o tráfico de drogas, presente e crescente empraticamente todas as cidades do país. Nesse caso, geralmente, os jovens acabamsendo vistos apenas como “marginais”, sem nenhuma análise dos reais motivospelos quais tenham se envolvido, chegando à interpretação de que situação já éalgo comum na sociedade. O envolvimento de jovens com o tráfico não significa novidade para a sociedade brasileira, é parte de sua paisagem e de suas desigualdades. Somente quando a mídia veicula imagens
  37. 37. 36 impactantes sobre acontecimentos violentos produz-se indignação, condição importante, mas insuficiente para a formação da política. (FRAGA, 2008, p. 88). A mídia acaba por reproduzir o pensamento de “trombadinhas” e além domais, faz com que a sociedade multiplique tal pensamento. Resultando em medosou mesmo em indiferenças, aceitando que tal realidade “não tem mais jeito”. Há a necessidade de que sejam realizados investimentos efetivos emprogramas sociais, em políticas publicas e em especial as de prevenção à violência,pois geralmente os investimentos acabam sendo colocados apenas em programas epolíticas de punição, como presídios e instituições como a Fundação Casa. Queinfelizmente, conforme retratados nos noticiários e em diversos estudos são tambémformadores/ executores de violências para com os jovens, conforme retrata oRelatório da UNICEF12 sobre Violência Institucional (2011), onde diz que A violência em nosso país assume diversas facetas, mas uma das mais preocupantes é a institucional, aquela cometida justamente pelos órgãos e agentes públicos que deveriam se esforçar para proteger e defender os cidadãos. (UNICEF, 2011, p.1) Neste tópico pode-se abordar ainda uma importante questão, trata-se daRedução da Maioridade Penal para 16 anos (que atualmente é de 18 anos,conforme Constituição Federal de 198813). Dentro do que já foi mencionado nesteestudo, este ponto também pode serconsiderado como de reprodução midiática,que apenas expõe os jovens “infratores”,meramente como delinqüentes. Essa reduçãoexiste como uma proposta para uma possívelsolução e diminuição das violências nasociedade. Na atualidade existem vários debates Figura 2 - Redução da maioridade penal. (charge encontrada nasobre essa temática, mas é certo dizer que tal Internet)12 UNICEF - United Nations Childrens Fund (Fundo das Nações Unidas para a Infância).13 Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normasda legislação especial, Constituição Federal de 1988.
  38. 38. 37decisão não seria a solução cabível, pois o correto é que “a sanção aplicada precisater conteúdo pedagógico, resultando na chamada medida sócio-educativa” (UNICEF,2011, p.118). Tal discussão é merecedora de que sejam realizados estudos maisaprofundados, e se perguntar se tal medida é a mais eficiente. Se punir é a solução. Esse assunto deve passar da condição de senso-comum, expondo os reaispontos a serem discutidos e obter soluções que possibilitem uma cultura de vida quedê oportunidades a essa categoria, tomando medidas preventivas e principalmenteeducacionais, pois, mesmo sem uma análise mais detalhada, é certo dizer que comos devidos investimentos em outras áreas como trabalho, educação e saúde haveráuma grande diminuição nos índices de violências na sociedade brasileira. Ao concluir este tópico, pode-se dizer que é necessário ver o jovem (asjuventudes) como sujeito de direitos e participantes da sociedade e tambémperceber suas reais necessidades, desse modo serão proporcionadas oportunidadespara que se possa construir uma sociedade mais justa.
  39. 39. 382 A PASTORAL DA JUVENTUDE E O PROTAGONISMO JUVENIL “Só uma Juventude organizada, será uma juventude forte” (CELAM - Puebla, 1185/1188)2.1 Contexto histórico da Pastoral da Juventude, do “A-E-I-O-U”14 aos diasatuais. Figura 3 - Símbolo da Pastoral da Juventude15 Para se discutir sobre a importância da Pastoral da Juventude no que serefere ao despertar dos jovens para o protagonismo juvenil e atuação/ militância emespaços sócio-políticos, há a necessidade de realizar um resgate histórico destaorganização. Para tanto, uma contextualização com o objetivo de compreender o quesignifica essa organização se faz importante.14 A menção “A-E-I-O-U”, refere-se aos principais Movimentos Juvenis da ICAR (JAC, JEC,JIC, JOC e JUC), que antecederam a criação da PJ contemporânea e que lhe dá base efundamentos.15 O símbolo da Pastoral da Juventude representa uma cruz estilizada, como se elaestivesse deitada no chão, servindo de caminho. A cor vermelha representa paixão pelonovo, pelo protagonismo juvenil e pela utopia. O mesmo surgiu em um concurso nacionalrealizado entre o final dos anos 80 e início dos anos 90. Criado pelo jovem Cristiano, doRegional Sul I da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Disponível em:http://www.pjsul1.org/site/pastoral-da-juventude.php. Acesso em: 15/01/2011.
  40. 40. 39 A Pastoral da Juventude ou simplesmente PJ, sigla que será adotada nodecorrer do trabalho, é uma pastoral organizada e inserida na Igreja CatólicaApostólica Romana (ICAR). Seu surgimento se deu em meados dos anos 70,conforme Boran (1982, p. 25) “a década de 1970 assistiu ao inicio de umareorganização de Pastoral da Juventude Orgânica e de uma avaliação mais críticado seu papel na Igreja e na sociedade”. Porém anteriormente a esse período, na ICAR, houve outras organizações emovimentos de juventudes, sendo que muitos desses são influenciadores eforneceram base para a PJ no seu cotidiano. Assim, a PJ é fruto de uma história quepraticamente vem sendo construída no Brasil desde a década de 30. A partir da década de 30, sob orientação dos bispos brasileiros e idealizaçãodo Papa Pio XI, a ICAR no Brasil passa a ter como objetivo obter uma maiorparticipação dos leigos16 na sua hierarquia e também propagar o cristianismo paraseus locais de vida e trabalho. Assim, foram criados espaços e movimentos (amaioria para as juventudes) para atuação na vida pessoal, familiar e social,conforme explica Oliveira (2002). Esses espaços e movimentos foram embasadosna Doutrina Social da Igreja17 e ficaram conhecidos como Ação Católica. A Ação Católica no Brasil é caracterizada por duas fases, a primeiraconhecida como Ação Católica Geral (ACG) que foi do ano de 1932 ao ano de 1950.Já no segundo momento que foi de 1950 a 1966, surgiu a Ação CatólicaEspecializada (ACE), com grande influência das idéias do cônego belga JosephCardijn18 (Oliveira, 2002, p. 16). No período da ACE destacam-se os grupos específicos de juventudes:Juventude Agrária Católica (JAC), Juventude Estudantil Católica (JEC), JuventudeIndependente Católica (JIC), Juventude Operária Católica (JOC) e JuventudeUniversitária Católica (JUC). E estes grupos serviram de embasamento ao posteriorsurgimento da PJ como a conhecemos hoje, conforme retrata Boran (1982),16 Leigo, pelo dicionário Michaelis, é aquele que não tem ordens sacras. Disponível em:http://michaelis.uol.com.br. Acesso em: 05/12/2010.17 É um conjunto de princípios, critérios e diretrizes de ação com o objetivo de interpretar asrealidades sociais, existem várias cartas e documentos que dão diretrizes. Disponível em:www.vatican.va. Acesso em: 05/12/2010.18 Joseph L. Cardijn, 13/11/1882 – 24/07/1967 - foi um sacerdote de origem belga.
  41. 41. 40 Nos anos 1960-66, a Ação Católica desenvolvia uma Pastoral de Juventude de meio especifico através da JOC (Juventude Operária Católica), da JEC (Juventude Estudantil Católica), da JUC (Juventude Universitária Católica), da JAC (Juventude Agrária Católica) e da JIC (Juventude Independente Católica). Os jovens eram despertados para assumir um compromisso de trabalho social no seu meio. [...] Os grupos eram ambientais, Isto é, surgiram dentro das escolas, universidades e fábricas [...]. (BORAN, 1982, p. 22) Tais movimentos tiveram grande influência e participação na sociedade, poissuas ações além de organizadas eram efetivas, resultando em transformações emudanças na sociedade. Eram concretas, de nível formativo e intelectual, se davanuma vivência da fé na prática social e política, sendo que nesse mesmo período oBrasil passava por uma Ditadura Militar, o que também resultou em diversos tipos deperseguições a esses grupos e suas lideranças. Para termos uma real noção desse período e obtermos uma melhorcompreensão das “heranças” deixadas por esses movimentos, Dick explica que, Se fôssemos destacar algumas heranças destes “movimentos” da Ação Católica Especializada acentuaríamos, em primeiro lugar, a questão pedagógica: as formas que se usaram para educar cidadãos crentes. As Semanas de Estudo, a exigência na aplicação da Revisão de Vida, as análises de conjuntura, as leituras, a mística adaptada ao meio etc. formaram verdadeiras gerações. Em segundo lugar, o modo como os “movimentos” estavam organizados, com equipes liberadas a nível nacional e regional, visitando os grupos e realizando Congressos, Encontros e Assembléias levadas pelos próprios jovens e as diversificadas atividades nos “meios” como a Semana da Juventude, etc. Era um conjunto de práticas que foi gerando o que hoje chamamos de “protagonismo juvenil”, despertando pessoas maduras na fé e na vida. Foi nesse conjunto de “instrumentos” que esteve à riqueza e o risco da Ação Católica Especializada. (DICK, 1999, p.10) Ainda sobre a presença e comprometimento dos jovens desses movimentosna sociedade, o referido autor ainda nos diz que, O aprofundamento do “Ideal Histórico” e a compreensão da necessidade de intervir na sociedade levou os jovens a se comprometerem progressivamente com seu meio e, por causa disso, com a sociedade. Vemos lideranças da JUC assumindo, junto com os comunistas, a direção da União Nacional de Estudantes nos inícios de 1960. Foi a época mais pujante de sua história, em parte pela presença dos cristãos. Algo semelhante sucedia com os estudantes e os operários. O que mais marcou politicamente estes movimentos foi o surgimento, com a ajuda deles e como
  42. 42. 41 conseqüência prática dos debates teóricos que faziam, da tendência política conhecida como “Ação Popular” (AP). (DICK, 1999, p.11) Esses movimentos também tiveram importância com sua participação epresença na ICAR, porém alguns deles não tiveram uma longa permanência, sendoque chegaram a se desarticularem resultando no término/ extinção de alguns deles.Atualmente em ação e articulação no Brasil, existe apenas a JOC. Sobre a extinçãode alguns desses movimentos, Boran (1982) diz que em 1966, em virtude darepressão política e de desentendimentos internos, começa um processo dedesarticulação da JEC e JUC, o que mais tarde levaria ao fim destes. Sobre as influências da ACE na PJ atual, Oliveira (2002, p. 32) descreve queposteriormente a esse momento, alguns grupos de jovens foram nascendo por meiode ex-militantes da ACE. Contudo, antes de se ter uma PJ de forma orgânica, surgiram outrosMovimentos de Jovens (ou Encontros de Jovens), onde esses tiveram forte destaquee atuação dentro da própria ICAR, muito mais do que na sociedade, sendo, destemodo, o oposto dos movimentos descritos anteriormente. Como metodologia, estes movimentos usavam o testemunho pessoal e um forte impacto emocional. Havia pouca ou nenhuma abordagem da dimensão social do Evangelho. Os movimentos apenas procuravam resolver problemas pessoais. [...] A solução para os males da sociedade se encontrava na conversão de cada indivíduo dentro dela. Pensavam que, transformando o jovem, automaticamente a sociedade se transformaria também. (BORAN, 1982, p. 23) Dentre esses movimentos pode-se citar como exemplo, o Treinamento deLiderança Cristã (TLC), a Renovação Carismática Católica (RCC), os Folocalares, osEncontros de Jovens com Cristo (EJC), movimentos de carismas Marianos,Franciscanos, Jesuítas, Salesianos, etc. E muitos desses são de origem einfluências internacionais. Sobre esses movimentos Oliveira (2002, p. 21) nosexplica que “começaram a acontecer em toda parte encontros de jovens católicos,comandados por forte impacto emocional”. Esses movimentos não tinham como focoum trabalho voltado à sociedade e sim a edificação individual do ser. Muitas vezesnão realizando um trabalho efetivo, ou mesmo de continuação, ou seja, sendo algomomentâneo.
  43. 43. 42 Esse momento que antecede uma PJ orgânica é caracterizado tambémpelas expectativas resultantes dos documentos originados nas reuniões doConselho Episcopal Latino-Americano, (CELAM) de Medelín (1968) e Puebla (1979),onde a ICAR assume como opções preferenciais “os pobres e os jovens” para asações de seus trabalhos sociais e de evangelização. Já entre as décadas de 1970 e 1980, começam a surgir algumas iniciativasde ações e organizações, que já podem ser consideradas como pontos importantesdessa história, resultando enfim na PJ. Conforme Oliveira (2002) descreve, O período de 1973 e 1978 foi marcado por algumas iniciativas da CNBB de articular experiências de uma Pastoral da Juventude. Realizaram-se nesse período dois encontros nacionais da PJ. Em 1973, no Rio de Janeiro, aconteceu o Primeiro Encontro Nacional. Em 1976, também no Rio de Janeiro, aconteceu o Segundo ENPJ. Esses dois primeiros encontros reuniram pessoas com prática de PJ, para refletir a situação e buscar caminhos de organização. (OLIVEIRA, 2002, p. 30) Isso possibilitou que os trabalhos que já vinham sendo realizados com asjuventudes fossem ampliados, surgindo então uma proposta de trabalho maisorgânica. Desse modo, já nos anos 70 e 80 começam os trabalhos de organizaçãoda Pastoral da Juventude por iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil(CNBB). Nesse mesmo período surge também o que é conhecido como “aspastorais da juventude especificas”, ou seja, voltadas para meios específicos dasociedade, além da PJ são elas: a. Pastoral da Juventude Estudantil (PJE) têm sua articulação e atuação dentro dos espaços das escolas, com os jovens estudantes. b. Pastoral da Juventude Rural (PJR), sendo que, O que distingue a PJR é a separação territorial em relação aos jovens urbanos e, conseqüentemente, problemática e culturas diferentes. [...] A PJR está ligada à questão da terra, um dos temas mais importantes da atualidade, tanto do ponto de vista da reforma agrária quanto da ecologia. (BORAN, 2003, p. 162) c. Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP), “A PJMP também se organiza a partir dos grupos de paroquiais e das comunidades de base”. (BORAN, 2003, p. 162). Sua metodologia e atuação são muito próximas as da PJ, em muitos casos sendo até mesmo confundidas.
  44. 44. 43 Essas organizações trabalham com o objetivo de desenvolver oprotagonismo dos jovens para as ações de transformações e mudanças dasrealidades das quais estão inseridos. E são criadas, a partir destas, as comissões,coordenações e assessorias a nível nacional, dando uma maior base e sustentaçãopara essa pastoral. Outro fator muito importante desse momento é a metodologia utilizada nostrabalhos desenvolvidos, sendo que essa realiza uma forte observação e critica darealidade, analisando as dimensões (tanto política, social e de fé) com intuito de umaação transformadora. Esse método é conhecido como “Ver-Julgar-Agir” e atualmente foicomplementado com mais duas etapas: o “Rever e Celebrar”. O método se desenvolve em três momentos: partir da realidade, da vida dos jovens (ver), confrontar os desafios levantados pela realidade com a fé (julgar), partir para uma ação de transformação do meio (agir). [...] Essa nova metodologia fez surgir uma nova espiritualidade que unia fé e vida. (BORAN, 2003, p. 25) Ainda sobre a metodologia utilizada na PJ, vale expor sobre a “A FormaçãoIntegral”19, sendo que dentro de “uma pastoral organizada e que trabalha com umaconcepção que proporciona a continuidade e a conscientização da caminhada(Oliveira, 2002, p. 106), tal método proporciona o entendimento do ser humano nasua totalidade. A Formação Integral abrange cinco dimensões da pessoa humana (dojovem), passando do processo de iniciação ao processo de militância. Taisdimensões são chamadas da seguinte forma: a. Dimensão da Personalização; trata-se de uma dimensão que proporciona o conhecimento pessoal. b. Dimensão da Integração; proporciona um conhecimento com o outro, integrando o jovem no seu grupo, na comunidade e sociedade na qual está inserido.19 Para mais informações sobre esse método, sugere-se o livro: “Dimensões da formaçãointegral na PJ – Cadernos de Estudos da Pastoral da Juventude Nacional, número 2”, PJ-Nacional, São Paulo-SP, CCJ, 1988.
  45. 45. 44 c. Dimensão da Conscientização Política; Nessa dimensão o jovem é despertado ao senso crítico, ajudando-o a se tornar um sujeito de transformações, trabalhando junto à sociedade. d. Dimensão Teológica/ Teologal; ajuda o jovem a crescer na fé, recebendo conhecimentos sobre a igreja e sua relação com o Divino. e. Dimensão da Capacitação Técnica; trata-se da dimensão da ação, onde capacita o jovem para a liderança e militância. Esse método é aplicado na vida do jovem dentro de suas experiências eações no grupo de jovens no qual participa, sendo que o grupo passa também poralguns períodos durante a sua existência: Convocação, Nucleação, Iniciação eMilitância. Vale ressaltar que tal metodologia não é engessada e nem sempre acontecede forma linear, ou seja, muitos jovens nos seus grupos acabam por experimentardessas dimensões, ou duas ou três juntas, ou de forma aleatória, podendo, emalgum momento, ser necessário retornar a uma etapa já passada/ vivenciada. Sobre os grupos de jovens, Oliveira (2002) explica que os/as jovens sereúnem, se organizam, rezam e desenvolvem ações. A estrutura da PJ parte da articulação dos grupos de jovens (ou grupos debases), que são organizados por coordenações nos diversos níveis e ambientes,chegando a uma estrutura nacional. A Pastoral da Juventude tem os grupos de jovens como uma opção político pedagógico onde a vivencia grupal acontece para a ação evangelizadora. “Organizamo-nos a partir dos grupos de jovens, por acreditar que este é um espaço privilegiado de valorização do protagonismo juvenil, da vivencia comunitária e da evangelização. Fator importante para o processo de educação na fé. A reunião do grupo é um momento importante e fundamental na vida do grupo. É no processo de reunião que o grupo nasce, cresce e amadurece. A reunião é o “miolo” da fruta, na formação integral do grupo jovem que entra no processo” (Disponível em: http://www.pj.org.br/grupos-de-base.php) Dessa forma, PJ é a ação das juventudes inseridas junto à ICAR de umaforma protagonista, pois em suas diretrizes consta que é a ação do jovem para ojovem numa busca de aprofundamentos e vivências de fé e de transformações dasrealidades nas quais estão inseridos.
  46. 46. 452.2 Protagonismo juvenil e seu conceito. Um importante fator a ser discutido neste trabalho diz respeito aoprotagonismo juvenil, termo este utilizado principalmente nas últimas duas décadas.Para iniciar uma compreensão/ definição sobre o protagonismo juvenil,primeiramente buscamos no dicionário a etimologia do termo, que diz: [...] oprotagonismo, vem de quem protagoniza e se origina do grego, Protagonistés quesignifica o principal personagem de uma peça dramática ou a pessoa que, dequalquer acontecimento ou qualquer obra literária, desempenha ou ocupa o primeirolugar20. Por essa razão ao considerar o protagonista como o sujeito da atuaçãoprincipal e de participação efetiva e construtiva, o protagonismo juvenil tem os jovenscomo os “atores principais” de ações relacionadas com a sua vida privada, familiar,afetiva e com os demais fatores que influenciam em suas vidas, também osproblemas relacionados aos espaços comunitários. Sobre o protagonismo juvenil, Souza (2006), faz uma análise do discursoque o permeia, tendo um olhar crítico sobre a questão, dizendo que o mesmo é tidocomo um discurso e que por sua vez é instituído com o objetivo de controle social,capacitando o jovem não para uma ação efetiva, de caráter social e comunitário,mas sim de um jovem autônomo, de ações voltadas à caridade, ao voluntariado,sendo aqui interpretada apenas como medidas assistencialistas ou mesmo que nãoo desperte para a prática de uma liderança sócio-política. Souza (2006), parte deuma linha paralela a de Costa (2000), que contextualiza o termo ProtagonismoJuvenil como, [...] a participação do adolescente em atividades que extrapolam o âmbito de seus interesses individuais e familiares e que podem ter como espaço a escola, a vida comunitária (igrejas, clubes, associações) e até mesmo a sociedade em sentido mais amplo, através de campanhas, movimentos e outras formas de mobilização que transcendem os limites de seu entorno sócio-comunitário. (COSTA, 2000, p. 176) E acrescenta que é,20 Disponível em: http://michaelis.uol.com.br. Acesso em: 20/12/2010.
  47. 47. 46 [...] uma forma de reconhecer que a participação dos adolescentes pode gerar mudanças decisivas na realidade social, ambiental, cultural e política onde estão inseridos. [...] visando, através do seu envolvimento na solução de problemas reais, desenvolverem o seu potencial criativo e a sua força transformadora. (COSTA, 2000, p. 65) A contextualização de Costa (2000) referente ao protagonismo juvenil estávoltada principalmente há um conceito de que o jovem está tomado como umelemento central da prática educativa, onde o mesmo deve participar de todas asfases das ações propostas. Entende-se que no conceito de Costa (2000) a práticado protagonismo juvenil é tida como um instrumento de trabalho onde o educadordeve estimular a participação do jovem. O mesmo explica que tal estratégia devecontribuir não apenas com o desenvolvimento pessoal dos jovens, mas dacomunidade que esse jovem está inserido. O referido autor diz ainda que oprotagonismo juvenil contribui para a formação de pessoas mais autônomas e quese comprometem socialmente, ou seja, com características de solidariedade. Costaem seu discurso diz que se deve reconhecer o jovem, não apenas como umproblema, mas como parte da solução. Sobre isso fica o possível entendimento deque a “idéia subjacente é a de evitar o descontrole social por meio da educação dosjovens [...]”, conforme Souza (2006, p. 99). Desse modo pode-se dizer que oconceito proposto por Costa (2000) volta-se diretamente para o voluntariado,desenvolvendo um protagonismo com ações que satisfazem apenas o indivíduo, ougrupo próximo que o rodeia. Este trabalho tem como embasamento principal, o conceito de que oprotagonismo juvenil é a ação concreta do jovem com a sua participação efetiva nasociedade, com ações coletivas, ou seja, sem se isentar de ideologias emovimentações sociais; Em poucas palavras, suas ações não são de caráterindividualista, mas sim de um bem comum. Sobre tal proposta de protagonismo, naqual a PJ remete, Rogério de Oliveira explica em seu blog “E por falar em Pastoral...”que, [...] no entender da PJ o protagonismo juvenil remete a uma ação além dos interesses particulares. Ele é o momento preciso e precioso em que os próprios jovens podem criar, interferir na essência e elaborar políticas para defesa de seus direitos. É preciso, portanto, ressignificar a expressão protagonismo juvenil para que as juventudes não sejam portadoras de um discurso que os controla e domina. (Disponível em: http://pejotando.blogspot.com/2010/09/protagonismo-juvenil.html)

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