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  1. 1. GlOBal ENTREPRENEURSHIP MONITORGEM Portugal 2010 ESTUDO SOBRE O EMPREENDEDORISMO O projecto GEM - Global Entrepreneurship Monitor - é o maior estudo independente sobre o empreendedorismo a nível mundial.
  2. 2. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o EmpreendedorismoGEM Portugal 2010Estudo sobre o Empreendedorismo I
  3. 3. Embora este relatório tenha sido desenvolvido com base nos dados recolhidospelo consórcio GEM, a responsabilidade pela análise e interpretação dos mesmosé da exclusiva responsabilidade dos seus autores.
  4. 4. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o EmpreendedorismoGEM Portugal 2010 - INSTITUIÇÕES PARCEIRAS O projecto GEM Portugal 2010 resulta do trabalho de uma parceria que integra especialistas em empreendedorismo em Portugal. A SPI Ventures é uma empresa de consultadoria fundada em 2008, que tem por missão actuar como catalisador na criação e desenvolvimento de novos negócios, através da identificação e selecção de oportunidades emergentes, que conduzam à sua optimizada implementação, http://www.spi- quer em novas empresas, quer em empresas já existentes. ventures.com A SPI Ventures actua no mercado como um knowledge broker e investment facilitator, oferecendo serviços que combinam áreas como a vigilância tecnológica e o business intelligence com o planeamento de negócios e o fomento do empreendedorismo, permitindo aos seus clientes aceder a uma vasta rede de parceiros, essenciais para o desenvolvimento das suas ideias e para a transformação das mesmas em negócios com grande potencial de crescimento. A SPI Ventures beneficia da experiência da Sociedade Portuguesa de Inovação (SPI) em consultadoria nas áreas da inovação e fomento do empreendedorismo, assim como da sua vasta rede de contactos. A SPI constitui-se como um nó activo de redes nacionais e internacionais ligadas à Inovação, assumindo-se como um promotor privilegiado de relações entre empresas, instituições do sistema científico e tecnológico, organizações nacionais públicas e privadas e instituições internacionais. No âmbito do projecto GEM, em particular, a SPI Ventures (coordenadora da edição de 2010 do GEM em Portugal) beneficia da experiência da SPI, enquanto coordenadora deste estudo em Portugal, nos anos 2001, 2004, 2007, e em Angola, no ano 2008 e, agora, em 2010. III
  5. 5. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o Empreendedorismo O Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI) tem como missão facilitar e assistir as micro, pequenas e médias empresas (PME) nas suas estratégias de crescimento inovador e internacional, de aumento da produtividade e da competitividade, http://www.iapmei.pt de reforço de competências e da capacidade de gestão e de acesso aos mercados financeiros, a par da promoção do empreendedorismo. As áreas de intervenção do IAPMEI compreendem todas as fases do ciclo de vida das empresas, desde o estímulo à criação de novos negócios, passando pelo acompanhamento em fases críticas do desenvolvimento até à dissolução. O IAPMEI actua especificamente em áreas como a Assistência Empresarial, a Promoção do Empreendedorismo, a Facilitação do Financiamento Empresarial e a Indução de Investimento Empresarial Qualificado. O IAPMEI detém a maior rede de contactos do Ministério da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento, destinada a apoiar as PME, com destaque para as de menor dimensão. Para garantir uma proximidade efectiva às empresas e aos empreendedores, o IAPMEI conta com uma rede de serviços, que são disponibilizados de forma desconcentrada por Centros de Desenvolvimento Empresariais (CDE) em cada uma das cinco regiões nacionais e por duas representações em Espanha (em conjunto com a AICEP Portugal), participando em cerca de uma centena de entidades ligadas às áreas da dinamização empresarial, da inovação e do financiamento.IV
  6. 6. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o Empreendedorismo A Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) é uma instituição portuguesa, privada e financeiramente autónoma, que pretende contribuir para o desenvolvimento de Portugal, através do apoio financeiro e estratégico a projectos inovadores e através dohttp://www.flad.pt incentivo à cooperação entre a sociedade civil portuguesa e a norte-americana. Criada em 1985, a Fundação nasce da decisão do Estado português de criar uma instituição de direito privado que, de forma perene, flexível e autónoma, promova as relações entre Portugal e os Estados Unidos da América (EUA), visando, com este intercâmbio, o desenvolvimento económico, social e cultural português. O seu património inicial constituiu- se através de transferências monetárias feitas pelo Estado português e provenientes do Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e os EUA (1983). A Fundação foi dotada com um capital de 85 milhões de euros e, desde 1992, vive exclusivamente do rendimento do seu património. Entre 1985 e 2010, apoiou 13.848 projectos, que se traduziram num investimento de mais de 127 milhões de euros. O apoio da Fundação é canalizado de diversas formas, incluindo a concessão de bolsas, o apoio a projectos institucionais e a programas de formação e intercâmbio (Bolsas e Projectos). Uma parte importante da actividade da Fundação consiste no lançamento de projectos próprios, que gere individualmente ou em parceria com outras instituições. V
  7. 7. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o EmpreendedorismoGEM Portugal 2010 Sumário Executivo VII
  8. 8. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o EmpreendedorismoSumário Executivo O empreendedorismo abrange a criação de novos negócios e o desenvolvimento de novas oportunidades em organizações já existentes. Por contribuir para a criação de uma cultura empresarial dinâmica, onde as empresas procuram progredir na cadeia de valor, num ambiente económico global, o empreendedorismo encontra-se no centro da política económica e industrial. A propagação dos efeitos negativos da crise económico-financeira internacional tem afectado significativamente a actividade económica portuguesa, com particular impacto na taxa de desemprego do País e nas condições de funcionamento da actividade económica. Neste contexto, a degradação, assinalada neste relatório, no que toca a alguns parâmetros de actividade económica e das políticas governamentais necessárias ao empreendedorismo, poderá estar associada a essa conjuntura mais depressiva provocada pela crise internacional. No entanto, é necessário combater estes factores, dado que a recuperação e o desenvolvimento da economia nacional passam fortemente pelo surgimento de empreendedores, capazes de identificar e aproveitar oportunidades, investir e gerar riqueza e emprego. O projecto Global Entrepreneurship Monitor (GEM - www.gemconsortium.org) é o maior estudo independente de empreendedorismo realizado em todo o mundo. Este projecto tem como principal objectivo analisar a relação entre o nível de empreendedorismo e o nível de crescimento económico, bem como determinar as condições que estimulam e travam as dinâmicas empreendedoras em cada país participante. Iniciado em 1999, numa iniciativa conjunta do Babson College (EUA) e da London Business School (Reino Unido), a primeira edição deste estudo contou com a participação de 10 países. Em 2005, estas duas entidades transferiram o capital intelectual do GEM para a Global Entrepreneurship Research Association (GERA) – uma organização sem fins lucrativos gerida por representantes das equipas nacionais, das duas instituições fundadoras e de instituições patrocinadoras da iniciativa. Em 2010, o GEM conta com a participação de 59 países. Portugal integra o grupo de países participantes, que inclui, também, pela primeira vez, a Região Autónoma dos Açores, no âmbito dos estudos regionais de empreendedorismo. O relatório GEM Portugal 2010 foca-se nos resultados obtidos para Portugal Continental. As participações de Portugal no projecto GEM ocorreram em 2001, 2004 e 2007, tendo causado um impacto directo, ao mais alto nível, na elaboração de políticas de apoio aos empreendedores. Assim, passados três anos desde o último estudo e perante as significativas alterações que ocorreram neste período, a nível internacional e nacional, justifica-se a realização de uma nova avaliação do empreendedorismo em Portugal, que permita medir a evolução, desde 2007, de diversos indicadores ligados à actividade empreendedora, bem como aferir o nível, as características e os factores potenciadores do empreendedorismo no País. Esta avaliação do empreendedorismo assume-se também como um exercício de benchmarking de carácter internacional, que permite comparar o nível de empreendedorismo em Portugal com o de diferentes tipos de economia (com características e níveis de desenvolvimento diferentes) e com o nível da União Europeia (UE). O GEM 2010 utiliza a tipologia de desenvolvimento competitivo de Michael Porter, assumindo a existência de economias orientadas por factores de produção, orientadas para a eficiência e orientadas para a inovação. A presente edição do estudo GEM conta com a participação de 13 países inseridos nas economias orientadas por factores de produção, 24 países inseridos nas economias orientadas para a eficiência e 22 países inseridos nas IX
  9. 9. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o Empreendedorismo economias orientadas para a inovação. Portugal integra este último tipo de economia, onde se enquadram os países que apresentam uma maior ênfase no sector dos serviços, fruto do amadurecimento e aumento da riqueza. A elaboração do relatório GEM Portugal 2010 implicou a recolha de dados de 4 fontes: • Sondagem à População Adulta, junto de 2.000 indivíduos (com idades entre 18 e 64 anos), residentes em Portugal Continental, utilizando um questionário padronizado para todos os países participantes no GEM 2010. A sondagem foi realizada pela GfK Metris (empresa de inquéritos e estudos de mercado), durante o período compreendido entre Junho e Outubro de 2010; • Sondagem a Especialistas ligados ao empreendedorismo em Portugal Continental, incluindo, entre outros, líderes do sistema financeiro, responsáveis governamentais, membros do sistema de ensino e empreendedores de renome. A sondagem envolveu a realização de 36 entrevistas a especialistas, utilizando um questionário padronizado para todos os países participantes no GEM 2010; • Indicadores relacionados com aspectos macroeconómicos do empreendedorismo, recolhidos de fontes internacionais, tais como o World Economic Outlook, do Fundo Monetário Internacional (FMI), e o Global Competitiveness Report, do Fórum Económico Mundial; • 2010 Global Report. O principal índice do GEM designa-se por Taxa de Actividade Empreendedora Early-Stage (TEA – Total Early-Stage Entrepreneurship Activity) e mede a proporção de indivíduos adultos (com idades compreendidas entre os 18 e os 64 anos) envolvidos quer num negócio em fase nascente (negócio que proporcionou remuneração salarial por um período não superior a 3 meses), quer na gestão de um novo negócio (negócio que proporcionou remuneração salarial por um período não inferior a 3 meses e não superior a 3,5 anos). As entrevistas realizadas a especialistas ligados ao empreendedorismo em Portugal foram conduzidas com base em 10 factores associados à actividade empreendedora. Estes factores, designados por condições estruturais do empreendedorismo, são: 1. Apoio Financeiro 2. Políticas Governamentais 3. Programas Governamentais 4. Educação e Formação 5. Transferência de Investigação e Desenvolvimento (I&D) 6. Infra-estrutura Comercial e Profissional 7. Abertura do Mercado/Barreiras à Entrada 8. Acesso a Infra-estruturas Físicas 9. Normas Culturais e Sociais 10. Protecção de Direitos de Propriedade Intelectual As principais conclusões do trabalho desenvolvido no âmbito do GEM Portugal 2010 reflectem duas dimensões de análise: o nível e características da actividade empreendedora em Portugal e as condições estruturais do empreendedorismo no País.X
  10. 10. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o EmpreendedorismoNível e Características da Actividade Empreendedora em Portugal No que concerne ao nível e características da actividade empreendedora em Portugal, os resultados do estudo GEM Portugal 2010 provêm maioritariamente da Sondagem à População Adulta. As principais conclusões relativas a esta dimensão encontram-se seguidamente apresentadas: • Em 2010, Portugal registou uma Taxa TEA de 4,5%, o que significa que, em Portugal, existem 4 a 5 empreendedores early-stage (indivíduos envolvidos em start-ups ou na gestão de novos negócios) por cada 100 indivíduos em idade adulta. Este resultado representa uma redução em relação à Taxa TEA portuguesa em 2007, ano em que existiam cerca de 9 empreendedores por cada 100 indivíduos em idade adulta. Esta quebra vai ao encontro dos dados estatísticos apresentados no âmbito da iniciativa “Empresa na Hora”, que apontam para uma redução de 19%, em 2010, do número de empresas constituídas em Portugal, face ao resultado obtido no ano de 2007. Ainda assim, a Taxa TEA portuguesa em 2010 fica 0,4 pontos percentuais acima do resultado de 2004 (4,0%). • A Taxa TEA de Portugal é a 9ª mais baixa do universo GEM 2010 e a 7ª mais baixa das 22 economias orientadas para a inovação participantes, ficando 1,1 pontos percentuais abaixo da média associada ao referido tipo de economia. Este resultado fica também abaixo da Taxa TEA média associada aos países membros da UE (5,2%), embora Portugal não seja um caso isolado no panorama europeu: países como Espanha, Itália e Dinamarca registaram também uma redução significativa da sua Taxa TEA, face ao valor de 2007, apresentando, em 2010, resultados inferiores aos de Portugal. • Analisando a distribuição da proporção de empreendedores segundo a idade dos negócios, verifica-se que o número de empreendedores a gerir novos negócios (que proporcionaram remuneração salarial por um período não superior a 3,5 anos e não inferior a 3 meses) é cerca de 1,4 vezes superior ao número de empreendedores de negócios nascentes (que proporcionaram remuneração salarial por um período não superior a 3 meses). Este resultado contraria a realidade portuguesa no ano de 2007, bem como as médias associadas às economias orientadas para a inovação e à UE, casos em que se verificou uma Taxa de Empreendedorismo de Novos Negócios inferior à Taxa de Empreendedorismo de Negócios Nascentes. • Os sectores da economia portuguesa onde se regista uma maior percentagem de empreendedores são o sector orientado ao consumidor (que inclui todos os negócios direccionados para o consumidor final), com 54,0% de empreendedores, o sector da transformação (que inclui construção, manufactura, transporte, comunicações, utilidades e distribuição grossista), com 26,5% de empreendedores, e o sector orientado ao cliente organizacional (que inclui todas as actividades onde o cliente primário é outro negócio), com 15,5% de empreendedores. Comparativamente a 2007, o sector orientado ao cliente organizacional perdeu preponderância em Portugal, tendo o peso relativo do sector da transformação e do sector orientado ao consumidor aumentado. • Quanto à distribuição por género dos empreendedores em Portugal, o número de empreendedores do sexo masculino equivale a cerca do dobro do número de empreendedores do sexo feminino. O ratio empreendedores/ empreendedoras manteve-se relativamente constante face ao registado em 2007, revelando-se semelhante ao ratio associado às economias orientadas para a inovação e à UE. • Relativamente às competências/conhecimentos necessários para criar um negócio, 61,3% dos homens XI
  11. 11. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o Empreendedorismo adultos consideram possuir estas competências/conhecimentos, sendo este valor inferior no caso das mulheres (43,1%). Também em 2007 a percentagem de homens em idade adulta que consideravam possuir as competências/conhecimentos necessários para criar um negócio se revelou superior à de mulheres, embora ambas as percentagens se tenham apresentado superiores nesse ano. Por outro lado, comparativamente às médias associadas às economias orientadas para a inovação e à UE, Portugal apresenta resultados mais elevados em ambos os indicadores. • A faixa etária onde se regista a maior Taxa TEA, em Portugal, é a que compreende as idades entre os 25 e os 34 anos (6,7%). Em 2007, por outro lado, a maior Taxa TEA estava associada à faixa etária compreendida entre os 35 e os 44 anos (12,1%), tendo-se verificado um decréscimo deste indicador em todas as faixas etárias, entre 2007 e 2010. • Quanto às motivações para a criação de negócios, 56,3% dos empreendedores early-stage criam um negócio motivados pela oportunidade, 31,1% motivados pela necessidade e 12,6% alegam que a mistura de motivos está na origem da criação do negócio. Ainda que a percentagem de empreendedores motivados pela oportunidade se tenha mantido relativamente constante em relação a 2007, a percentagem de empreendedores motivados pela necessidade aumentou, sendo também maior em Portugal do que, em média, nas economias orientadas para a inovação e na UE. • Analisando a percepção dos empreendedores portugueses relativamente à concorrência, verifica-se que 60,0% dos empreendedores early-stage consideram existirem muitos outros negócios que oferecem produtos/serviços semelhantes, enquanto 24,7% consideram existirem alguns e 15,3% acreditam que não existem negócios com produtos/serviços semelhantes. Em comparação com 2007, registou-se um aumento ao nível da proporção de empreendedores que consideram ter muitos negócios concorrentes e da proporção de empreendedores que consideram não terem negócios concorrentes. Estas duas proporções são ainda maiores em Portugal do que nas economias orientadas para a inovação e na UE. • No que diz respeito à utilização de novas tecnologias, em Portugal existe maior propensão para o uso de tecnologias disponíveis há menos de 5 anos (31,9% de empreendedores) do que, em média, nas economias orientadas para a inovação e na UE, embora a percentagem de empreendedores que afirma usar tecnologias disponíveis há menos de 5 anos tenha diminuído face a 2007. É também de realçar que, comparando os três tipos de economia analisadas neste estudo, verifica-se que os empreendedores de economias às quais está associado um menor nível de desenvolvimento (economias orientadas por factores de produção e orientadas para a eficiência) têm maior tendência a afirmar que utilizam tecnologias recentes ou novas do que os empreendedores de economias orientadas para a inovação. É possível que estes resultados sejam motivados pela diferença existente entre o conceito de tecnologia nova ou recente para economias menos desenvolvidas e o mesmo conceito para economias mais desenvolvidas. • Ao nível da internacionalização, em Portugal, 62,4% dos negócios empreendedores apresentam clientes internacionais, sendo esta percentagem superior à registada, em média, nas economias orientadas para a inovação e na UE, mas inferior à registada no País em 2007 (67,5%). Contudo, a percentagem de negócios portugueses com mais de três quartos de clientes internacionais aumentou face a esse ano, o que evidencia que, em 2010, existe uma percentagem um pouco superior de negócios empreendedores em que os clientes são, na sua quase totalidade, de mercados externos.XII
  12. 12. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o Empreendedorismo • Quanto à desistência de negócios por parte dos empreendedores em Portugal, verifica-se que 1,5% da população adulta desistiu de um negócio nos 12 meses anteriores à realização da Sondagem à População Adulta (Junho de 2010), tendo a continuidade do mesmo sido interrompida. Por outro lado, 1,0% da população adulta afirmou ter desistido de um negócio, no mesmo período, tendo esse negócio permanecido activo. Ambos os resultados são inferiores aos registados em 2007 e semelhantes à média associada às economias orientadas para a inovação e à UE.Condições Estruturais do Empreendedorismo em Portugal No que se refere às condições estruturais do empreendedorismo em Portugal, os resultados do estudo GEM Portugal 2010 têm como principal fonte a Sondagem a Especialistas e contemplam os 10 factores analisados através de uma escala com 5 graus, de “Insuficiente” a “Suficiente”. Os resultados gerais1 e as principais conclusões relativas a esta dimensão encontram-se seguidamente apresentados, seguindo o método adoptado no 2010 Global Report, onde são destacadas as condições estruturais mais favoráveis e menos favoráveis: Condições estruturais mais favoráveis • A condição estrutural Acesso a Infra-estruturas Físicas foi a que obteve a apreciação mais positiva por parte dos especialistas nacionais, que destacam a qualidade do apoio que as infra-estruturas físicas (ex: estradas, utilidades, comunicações, tratamento de resíduos) proporcionam às indústrias novas e em crescimento. • A condição estrutural Infra-estrutura Comercial e Profissional obteve também uma das apreciações mais favoráveis por parte dos especialistas nacionais, que destacam como aspecto mais positivo, neste âmbito, a quantidade existente de fornecedores de serviços e de consultores para apoiar empresas novas e em crescimento. Condições estruturais menos favoráveis • A condição estrutural Normas Culturais e Sociais foi a que registou a apreciação menos favorável por parte dos especialistas portugueses, que consideram que a cultura nacional está pouco orientada para o empreendedorismo (especialmente o que diz respeito a negócios de grande crescimento). Neste contexto, os especialistas destacam como resultado mais negativo a falta de estímulo, por parte da cultura nacional, ao êxito individual, conseguido através do esforço próprio. Os especialistas são, no entanto, de opinião que este esforço é valorizado e respeitado quando associado a empreendedores de sucesso. O estímulo da criatividade e da inovação, por parte da cultura nacional, é, por outro lado, o resultado menos desfavorável. • A condição estrutural Políticas Governamentais registou também uma das apreciações menos favoráveis por parte dos especialistas nacionais, que apontam como principais obstáculos ao fomento da actividade empreendedora no País a existência de um excesso de burocracia (nomeadamente na obtenção de autorizações e licenças) e de carga fiscal. Outros aspectos relevantes • Na condição estrutural Apoio Financeiro, a disponibilidade de subsídios governamentais para empresas novas e em crescimento foi considerada um dos factores para o fomento da actividade empreendedora. Por “resultados gerais” entende-se a média dos resultados associados a cada um dos indicadores. 1 XIII
  13. 13. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o Empreendedorismo Por oposição, a dificuldade de acesso a financiamento por parte das empresas novas e em crescimento é identificada como uma das principais barreiras ao empreendedorismo, ainda que alguns especialistas enalteçam o facto de se assistir a uma crescente dinamização da comunidade de Business Angels no País. • Na condição estrutural Educação e Formação, o papel das entidades do ensino superior no aumento do nível da educação em negócios e gestão foi considerado um dos aspectos mais positivos por parte dos especialistas nacionais. Por outro lado, a pouca atenção dada ao empreendedorismo no ensino primário e secundário foi apontada como um dos aspectos menos favoráveis no âmbito desta condição estrutural. • Em termos globais, na maioria das condições estruturais (Apoio Financeiro, Programas Governamentais, Educação e Formação, Infra-estrutura Comercial e Profissional, Acesso a Infra-estruturas Físicas e Protecção de Direitos de Propriedade Intelectual), a opinião dos especialistas não variou significativamente face a 2007, não havendo também diferenças significativas entre Portugal e as economias orientadas para a inovação e a UE. • As condições estruturais Políticas Governamentais e Transferência de I&D pioraram face a 2007, apesar de não se afastarem significativamente das médias associadas às economias orientadas para a inovação e à UE. • A condição estrutural Abertura do Mercado/Barreiras à Entrada apresenta resultados menos favoráveis do que os registados no ano de 2007 e do que os das economias orientadas para a inovação e da UE. • Na condição estrutural Normas Culturais e Sociais (que obteve a apreciação menos favorável por parte dos especialistas portugueses), apesar de não haver uma diferença significativa entre 2007 e 2010, os resultados obtidos são menos favoráveis do que os das economias orientadas para a inovação e do que os da UE.XIV
  14. 14. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o Empreendedorismoíndice GEM Portugal 2010 - Instituições Parceiras III Sumário Executivo VII 1. Introdução ao Relatório GEM Portugal 2010 1 2. Actividade Empreendedora em Portugal 13 2.1. Actividade Empreendedora Early-Stage (TEA) 15 2.2. Características Demográficas 22 2.3. Oportunidade e Capacidade Empreendedora 25 2.4. Actividade Empreendedora Orientada para a Inovação 29 2.5. Internacionalização 32 2.6. Cessação da Actividade Empreendedora 33 3. Condições Estruturais do Empreendedorismo em Portugal 37 3.1. Apoio Financeiro 39 3.2. Políticas Governamentais 41 3.3. Programas Governamentais 43 3.4. Educação e Formação 44 3.5. Transferência de Investigação e Desenvolvimento 46 3.6. Infra-estrutura Comercial e Profissional 47 3.7. Abertura do Mercado/Barreiras à Entrada 48 3.8. Acesso a Infra-estruturas Físicas 49 3.9. Normas Culturais e Sociais 50 3.10. Protecção de Direitos de Propriedade Intelectual 56 4. O GEM e a Investigação sobre o Empreendedorismo em Portugal 57 4.1. Global Competitiveness Index 60 4.2. Global Entrepreneurship and Development Index 67 Anexos 73 Anexo I: Índice de Tabelas e Figuras 75 Anexo II: Lista de Especialistas Ligados ao Empreendedorismo em Portugal 77 XV
  15. 15. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o EmpreendedorismoGEM Portugal 2010 Introdução ao Relatório GEM Portugal 2010 1
  16. 16. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o Empreendedorismo1. Introdução ao Relatório GEM Portugal 2010 O projecto Global Entrepreneurship Monitor (GEM - www.gemconsortium.org) é o maior estudo independente de empreendedorismo realizado em todo o mundo, tendo como principal objectivo analisar a relação entre o nível de empreendedorismo e o nível de crescimento económico, bem como determinar as condições que estimulam e travam as dinâmicas empreendedoras em cada país participante. O primeiro estudo GEM foi realizado em 1999, como iniciativa conjunta do Babson College (Estados Unidos da América) e da London Business School (Reino Unido), tendo contado com a participação de 10 países. Em 2005, estas duas entidades transferiram o capital intelectual do GEM para a Global Entrepreneurship Research Association (GERA) – uma organização sem fins lucrativos gerida por representantes das equipas nacionais, das duas instituições fundadoras e de instituições patrocinadoras da iniciativa. A mais recente edição do estudo GEM (2010) conta com a participação de 59 países. Portugal integra o grupo de países participantes no GEM 2010, que inclui, também, pela primeira vez, a Região Autónoma dos Açores, no âmbito dos estudos regionais de empreendedorismo. O relatório GEM Portugal 2010 foca-se nos resultados obtidos para Portugal Continental, de agora em diante designado simplesmente por Portugal.Relevância do GEM Portugal A actividade económica em Portugal tem sido fortemente afectada pela propagação dos efeitos da crise económico- financeira internacional, com particular impacto na taxa de desemprego do País. Considerando que o empreendedorismo contribui para a criação de uma cultura empresarial dinâmica, onde as empresas procuram progredir na cadeia de valor, num ambiente económico global, a recuperação e o desenvolvimento da economia portuguesa dependem fortemente do surgimento de empreendedores, capazes de identificar e aproveitar oportunidades, investir e gerar riqueza e emprego. As participações de Portugal no projecto GEM ocorreram em 2001, 2004 e 2007, tendo estas causado impacto directo, ao mais alto nível, na elaboração de políticas de apoio aos empreendedores. Assim, passados três anos desde o último estudo e perante as significativas alterações que ocorreram neste período, a nível internacional e nacional, justifica-se a realização de uma nova avaliação do empreendedorismo em Portugal (o GEM Portugal 2010), que permita medir a evolução, desde 2007, de diversos indicadores ligados à actividade empreendedora, bem como aferir o nível, as características e os factores potenciadores do empreendedorismo no País. O projecto GEM Portugal assume-se ainda como um exercício de benchmarking de carácter internacional, que permite comparar o nível de empreendedorismo no País com o de diferentes tipos de economia (com características e níveis de desenvolvimento diferentes) e com o da UE. 3
  17. 17. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o Empreendedorismo Retrato do Empreendedorismo no GEM Em termos gerais, no GEM, o empreendedorismo é definido como “qualquer tentativa de criação de um novo negócio ou nova iniciativa, tal como emprego próprio, uma nova organização empresarial ou a expansão de um negócio existente, por parte de um indivíduo, de uma equipa de indivíduos, ou de negócios estabelecidos”. Assim, a recolha de dados do GEM abrange todo o ciclo de vida do processo empreendedor e debruça-se sobre os indivíduos, enquadrando-os em três fases distintas: quando estes empregam recursos para começar um negócio do qual esperam ser donos (empreendedores de negócios nascentes); quando estes são donos e gerem um novo negócio que proporciona remuneração salarial por um período superior a 3 meses e inferior a 3,5 anos (empreendedores de novos negócios); e quando estes são donos e gerem um negócio já estabelecido e que está em funcionamento há mais de 3,5 anos (empreendedores de negócios estabelecidos). A Figura 1 sintetiza o processo empreendedor e as definições operacionais do GEM.Figura 1: O processoempreendedore as definiçõesoperacionais do GEM Fonte: 2010 Global Report2 No âmbito do GEM, o pagamento de um salário por um período superior a 3 meses a qualquer pessoa (incluindo o dono) é considerado como o marco de nascimento de um negócio. Adicionalmente, a distinção entre empreendedores de negócios nascentes e empreendedores de novos negócios é determinada pela idade do negócio. Os negócios que proporcionaram uma remuneração salarial por mais de 3 meses e menos de 3,5 anos são considerados novos. O ponto-limite de 3,5 anos foi estabelecido, tendo essencialmente em consideração que a maioria dos novos negócios não sobrevive para além dos 3 ou 4 anos. As taxas de prevalência de empreendedores nascentes (ou empreendedores de negócios nascentes) e de empreendedores de novos negócios, consideradas em conjunto, podem funcionar como um indicador de actividade empreendedora early-stage num país, pois representa a dinâmica de criação de novas empresas. Mesmo considerando que uma boa parte dos empreendedores de negócios nascentes acaba por não conseguir abrir o seu novo negócio, as suas acções podem, ainda assim, ter um efeito benéfico para a economia, uma vez que a ameaça 2 Kelley, Bosma e Amorós (2011): “2010 Global Report”. 4
  18. 18. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o Empreendedorismo de entrada de novos concorrentes pode colocar pressão nas empresas actualmente presentes no mercado e, assim, fazê-las ter um melhor desempenho. O relatório GEM Portugal 2010 utiliza a Taxa de Actividade Empreendedora Early-Stage (TEA) como principal índice para medir a actividade empreendedora e compará-la com indicadores económicos. A Taxa TEA mede a proporção de adultos (com idades compreendidas entre os 18 e os 64 anos) envolvidos em negócios nascentes ou em novos negócios.Fases do Desenvolvimento Económico O estudo GEM tem em consideração as diferentes fases do desenvolvimento económico dos países, classificando cada país participante como “economia orientada por factores de produção”, “economia orientada para a eficiência” ou “economia orientada para a inovação”3. A caracterização geral do empreendedorismo nos três tipos de economia anteriormente referidos encontra-se seguidamente apresentada: Empreendedorismo em economias orientadas por factores de produção Nas economias orientadas por factores de produção, o desenvolvimento económico consiste em mudanças na quantidade e no carácter do valor acrescentado económico. Estas mudanças resultam em maior produtividade e num aumento do rendimento per capita e, frequentemente, coincidem com a migração de trabalho entre os diferentes sectores económicos da sociedade (por exemplo do sector primário para a indústria e serviços)4. Nos países com baixos níveis de desenvolvimento económico, o sector agrícola é tipicamente preponderante, assegurando a subsistência à maioria da população, a qual vive, sobretudo, em zonas rurais. Esta situação vai mudando à medida que a actividade industrial começa a desenvolver-se, muitas vezes em torno da extracção de recursos naturais. A partir do momento em que a indústria extractiva se começa a expandir, há um impulso para o crescimento económico que faz com que o excedente de população ligada ao sector agrícola migre para sectores extractivos e de grande escala, frequentemente localizados em regiões específicas. Destes processos resulta um excesso de oferta de mão-de-obra, que acaba por provocar o empreendedorismo de necessidade em aglomerados regionais, dado os trabalhadores excedentários procurarem criar o seu próprio emprego, de modo a garantir a sua subsistência. Empreendedorismo em economias orientadas para a eficiência Nas economias orientadas para a eficiência, à medida que o sector industrial se vai desenvolvendo, começam a emergir instituições para o apoio ao desenvolvimento da industrialização e começa a haver uma procura de maior produtividade através da criação de economias de escala. Tipicamente, as políticas económicas nacionais em economias de escala moldam as instituições económicas e financeiras emergentes, de modo a favorecer as grandes empresas nacionais. À medida que a produtividade económica contribui para a formação de capital financeiro, podem surgir nichos nas cadeias de fornecimento, permitindo que novas empresas produzam para empresas já instaladas. Estes factores, combinados com o fornecimento independente de capital financeiro por parte do sector bancário emergente, aumentam as oportunidades de desenvolvimento das indústrias de pequena e média escala. Paralelamente, espera-se também que a actividade industrial movida pela necessidade decresça, abrindo 3 Porter, Sachs e McArthur (2002): “Executive Summary: Competitiveness and Stages of Economic Development.”, The Global Competitiveness Report 2001-2002, New York: Oxford University Press, 16-25, citado em 2010 Global Report. 4 Gries, T. and W. Naude. (2010): “Entrepreneurship and Structural Economic Transformation,” In Small Business Economics, 34(1): 13–29, citado em 2010 Global Report. 5
  19. 19. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o Empreendedorismo oportunidade para a entrada no mercado destas empresas emergentes de pequena escala. Empreendedorismo em economias orientadas para a inovação Finalmente, em economias orientadas para a inovação, pode esperar-se que a ênfase dada à actividade industrial mude gradualmente para o sector dos serviços, à medida que ocorre um amadurecimento e aumento da riqueza. Este sector deverá ser capaz de responder às necessidades de uma população em crescimento, indo ao encontro das exigências criadas numa sociedade com elevado rendimento. O sector industrial, por seu turno, atravessa um conjunto de mudanças e melhorias ao nível da variedade e da sofisticação. Estas melhorias estão normalmente associadas a actividades de Investigação e Desenvolvimento (I&D) cada vez mais intensivas, verificando-se um papel de crescente relevância por parte das instituições que produzem o conhecimento. Os progressos referidos abrem caminho ao desenvolvimento de uma actividade empreendedora inovadora, orientada para o aproveitamento de oportunidades, e que não tem receio de desafiar os agentes estabelecidos na economia. Frequentemente, as pequenas empresas inovadoras beneficiam de uma vantagem de produtividade relativamente às grandes empresas ao nível da inovação, permitindo que estes pequenos actores operem como “agentes de destruição criativa”. Dependendo do grau em que as instituições económicas e financeiras criadas durante o período económico de forte industrialização forem capazes de integrar e dar resposta à actividade empreendedora baseada na oportunidade, poderão emergir novas empresas inovadoras, assumindo-se como motores importantes do crescimento económico e da criação de riqueza5.Atitude, Actividade e Aspiração Empreendedora Podem ser identificadas três componentes principais do empreendedorismo: a atitude empreendedora, a actividade empreendedora e a aspiração empreendedora. Estas componentes encontram-se interligadas através de circuitos complexos, com relações de causa e efeito entre si. Por exemplo, uma atitude positiva relativamente ao empreendedorismo pode aumentar a actividade empreendedora e as aspirações empreendedoras, o que por sua vez afecta de maneira positiva a atitude, na medida em que vão surgindo mais referências ou modelos positivos. As aspirações positivas podem mudar a natureza da actividade e, por sua vez, mudar a atitude. A atitude empreendedora é a postura adoptada face ao empreendedorismo. Por exemplo, um tipo de atitude empreendedora é a medida em que as pessoas crêem existirem boas oportunidades para abrir um negócio ou a medida em que se atribui um elevado estatuto aos empreendedores. Outros tipos de atitudes relevantes são, por exemplo, o risco que os indivíduos podem estar dispostos a correr ou a sua percepção das próprias competências, conhecimentos e experiência para a criação de um negócio. A atitude empreendedora pode influenciar a actividade empreendedora, mas também pode ser influenciada por esta. Por exemplo, a legitimação do empreendedorismo numa sociedade, sendo reflectida numa atitude empreendedora positiva, pode ser influenciada pelo facto de as pessoas conhecerem alguém que criou um negócio recentemente. Indivíduos que conhecem situações próximas de criação recente de um negócio poderão, pela familiaridade que têm com o processo, estar mais predispostos para o ver como sendo legítimo. A atitude empreendedora é importante porque reflecte o sentimento geral da população relativamente aos Henrekson, M. (2005): “Entrepreneurship: A weak link in the welfare state”. In Industrial and Corporate Change, 14(3): 437–467, citado em 2010 5 Global Report.6
  20. 20. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o Empreendedorismo empreendedores e ao empreendedorismo. É fundamental que os países tenham pessoas capazes de, por um lado, reconhecer oportunidades de negócio valiosas e, por outro lado, perceber que detêm as competências necessárias para explorar estas oportunidades. Para além do mais, se a atitude nacional relativamente ao empreendedorismo for positiva, irá contribuir para gerar apoio cultural, recursos financeiros e benefícios em rede para os empreendedores ou para as pessoas que querem criar um negócio. Embora a actividade empreendedora seja multi-facetada, pode destacar-se uma das suas facetas importantes, relativa ao grau em que as pessoas estão a levar a cabo novas actividades de negócio, tanto em termos absolutos, como no que se refere a outras actividades económicas (por exemplo: o encerramento de negócios). Dentro do espectro de novas actividades de negócio, podem ser identificados diferentes tipos de actividade empreendedora. Por exemplo, a criação de negócios pode variar de acordo com o sector industrial, com a dimensão da equipa fundadora, com o grau de independência que a iniciativa tem relativamente a outros negócios ou mesmo de acordo com as características demográficas do grupo de fundadores, tais como a idade, o sexo e a formação. A actividade empreendedora deve ser vista como um processo e não como um momento. É por este motivo que o GEM mede, quer as intenções empreendedoras, quer a actividade empreendedora nascente, a nova e a estabelecida. A análise das múltiplas componentes da actividade empreendedora permite também explorar diferenças entre os processos empreendedores nas três grandes fases de desenvolvimento económico dos países. Por exemplo, espera-se que a actividade de negócios nascentes e novos seja alta nas economias orientadas por factores de produção, principalmente porque a maior parte desta actividade é motivada pela necessidade económica. Complementarmente, nas economias orientadas para a inovação, espera-se que a proporção de empreendedorismo motivado pela oportunidade seja maior do que nas economias orientadas por factores de produção e nas economias orientadas para a eficiência. A aspiração empreendedora reflecte a natureza qualitativa da actividade empreendedora. Por exemplo, os empreendedores diferem nas suas aspirações de introduzir novos produtos e novos processos produtivos, de abordar mercados externos, de desenvolver uma organização e de financiar o crescimento do seu negócio com capitais externos. Estas aspirações, quando concretizadas, podem afectar significativamente o impacto económico das actividades empreendedoras. A inovação de produto e de processo, a internacionalização e a orientação para o alto crescimento são marcas visíveis de empreendedorismo ambicioso ou de elevadas aspirações. O GEM criou mecanismos que permitem medir estas aspirações.Condições Estruturais do Empreendedorismo O GEM define as Condições Estruturais do Empreendedorismo (CEE) como os indicadores do potencial de um país para promover o empreendedorismo. As CEE reflectem as principais características do meio socioeconómico de um país, que se espera terem um impacto significativo no sector empresarial. A nível nacional, há diferentes condições estruturais que se aplicam a negócios já estabelecidos e a novos negócios. O GEM 2010 compara também estas condições, considerando a fase de desenvolvimento económico de cada país participante. O Modelo GEM encontra-se ilustrado na Figura 2. 7
  21. 21. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o EmpreendedorismoFigura 2: Modelo GEM Fonte: 2010 Global Report No caso das economias orientadas por factores de produção, a ênfase é colocada nos requisitos básicos, tais como o desenvolvimento das instituições, a infra-estrutura, a estabilidade macroeconómica, a saúde e a educação primária. Estes requisitos básicos ajudarão a sustentar o empreendedorismo baseado na necessidade, mas, à partida, contribuirão pouco para estimular o empreendedorismo baseado na oportunidade. À medida que as economias de escala se tornam cada vez mais relevantes, ganham importância outras condições que asseguram o funcionamento adequado do mercado, adquirindo relevo os indutores de eficiência. Apesar de estas condições não estarem directamente relacionadas com o empreendedorismo, acabam por ter uma influência indirecta, uma vez que o desenvolvimento dos mercados irá também atrair mais empreendedores. Para países cujo desenvolvimento económico é sobretudo orientado para a inovação, as CEE adquirem maior importância, enquanto factores de desenvolvimento económico, do que os requisitos básicos ou os indutores de eficiência. Utilizando o modelo apresentado na Figura 2, no GEM Portugal 2010 foi identificado um conjunto de 10 condições estruturais, que são utilizadas para melhor se entender o nível, os factores impulsionadores e os constrangimentos do empreendedorismo num país: 8
  22. 22. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o Empreendedorismo 1. Apoio Financeiro – Disponibilidade de recursos financeiros, capital próprio e fundos de amortização de dívida para empresas novas e em crescimento, incluindo bolsas e subsídios. 2. Políticas Governamentais – Grau em que as políticas governamentais relativas a impostos, regulamentações e sua aplicação são neutras no que diz respeito à dimensão das empresas e grau em que estas políticas incentivam ou desincentivam empresas novas e em crescimento. 3. Programas Governamentais – Existência de programas, em todos os níveis de governação (nacional, regional e municipal), que apoiem directamente negócios novos e em crescimento. 4. Educação e Formação – Grau em que a formação sobre a criação ou gestão de negócios novos e em crescimento é incluída no sistema de educação e formação, bem como a qualidade, relevância e profundidade dessa educação e formação para criar ou gerir negócios pequenos, novos ou em crescimento. 5. Transferência de Investigação e Desenvolvimento – Grau em que a I&D a nível nacional conduz a novas oportunidades comerciais, assim como o nível de acesso à I&D por parte dos negócios pequenos, novos ou em crescimento. 6. Infra-estrutura Comercial e Profissional – Influência das instituições e serviços comerciais, contabilísticos e legais, que permitem a promoção dos negócios pequenos, novos ou em crescimento. 7. Abertura do Mercado/Barreiras à Entrada – Grau em que se impede que os acordos e procedimentos comerciais sejam alvo de mudanças e substituições, impossibilitando empresas novas e em crescimento de estar em concorrência e de substituir fornecedores e consultores de forma recorrente. 8. Acessos a Infra-estruturas Físicas – Acesso a recursos físicos (comunicação, transportes, utilidades, matérias-primas e recursos naturais) a preços que não sejam discriminatórios para negócios pequenos, novos ou em crescimento. 9. Normas Culturais e Sociais – Grau em que as normas sociais e culturais vigentes encorajam (ou não desencorajam) iniciativas individuais que levam a novas formas de conduzir negócios e actividades económicas e, por sua vez, contribuem para uma maior distribuição da riqueza e do rendimento. 10. Protecção de Direitos de Propriedade Intelectual – Extensão em que a lei protege a propriedade intelectual de empresas novas e em crescimento e é aplicada.Países Participantes no GEM 2010 Os países participantes no GEM 2010 foram classificados da seguinte forma: • Economias Orientadas por Factores de Produção (13): Angola, Arábia Saudita, Bolívia, Cisjordânia & Faixa de Gaza, Egipto, Gana, Guatemala, Irão, Jamaica, Paquistão, Uganda, Vanuatu, Zâmbia; • Economias Orientadas para a Eficiência (24): África do Sul, Argentina, Bósnia e Herzegovina, Brasil, Chile, China, Colômbia, Costa Rica, Croácia, Equador, Formosa, Hungria, Letónia, Macedónia, Malásia, México, Montenegro, Peru, Roménia, Rússia, Trinidade e Tobago, Tunísia, Turquia, Uruguai; 9
  23. 23. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o Empreendedorismo • Economias Orientadas para a Inovação (22): Alemanha, Austrália, Bélgica, Dinamarca, Eslovénia, Espanha, Estados Unidos da América, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Islândia, Israel, Itália, Japão, Noruega, Portugal (Continente e RAA), República da Coreia, Reino Unido, Suécia, Suíça. No relatório GEM Portugal 2010, foram ainda consideradas as seguintes áreas geográficas6: Europa – Membros da (17 países)7; Europa – Não Membros da UE (9 países); América e Caraíbas (14 países); Ásia Pacífico (7 países); África Subsariana (5 países); e Norte de África e Médio Oriente (7 países).Estrutura do Relatório GEM Portugal 2010 A elaboração do relatório GEM Portugal 2010 implicou a recolha de dados de 4 fontes: • Sondagem à População Adulta, junto de 2.000 indivíduos (com idades entre 18 e 64 anos), residentes em Portugal Continental, utilizando um questionário padronizado, aplicado em todos os países participantes no GEM 2010. A sondagem foi realizada pela GfK Metris (empresa de inquéritos e estudos de mercado), durante o período compreendido entre Junho e Outubro de 2010; • Sondagem a Especialistas ligados ao empreendedorismo em Portugal Continental, incluindo, entre outros, líderes do sistema financeiro, responsáveis governamentais, membros do sistema de ensino e empreendedores de renome. A sondagem envolveu a realização de 36 entrevistas a especialistas, utilizando um questionário padronizado, aplicado em todos os países participantes no GEM 2010; • Indicadores relacionados com aspectos macroeconómicos do empreendedorismo, recolhidos de fontes internacionais, tais como o World Economic Outlook, do Fundo Monetário Internacional (FMI), e o Global Competitiveness Report, do Fórum Económico Mundial; • 2010 Global Report. Após a presente introdução, este relatório inclui os seguintes capítulos: • Capítulo 2 – Actividade Empreendedora em Portugal: analisa a evolução do nível e características do empreendedorismo em Portugal, entre 2007 e 2010, e estabelece uma comparação entre o País e as economias orientadas para a inovação e entre o País e a UE. • Capítulo 3 – Condições Estruturais do Empreendedorismo em Portugal: analisa as condições estruturais que influenciam o empreendedorismo em Portugal (quer impulsionando-o, quer obstaculizando o seu desenvolvimento), a sua evolução entre 2007 e 2010, e estabelece uma comparação entre o País e as economias orientadas para a inovação e entre o País e a UE. 6 No sentido de isolar a UE, algumas das áreas geográficas consideradas no relatório GEM Portugal 2010 diferem das áreas geográficas definidas no âmbito do 2010 Global Report (as quais são: Estados Unidos e Europa Ocidental; Europa de Leste; América Latina e Caraíbas; Ásia Pacífico; África subsariana; e Norte de África e Médio Oriente). 7 Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Eslovénia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Portugal, Reino Unido, Roménia, Suécia.10
  24. 24. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o Empreendedorismo • Capítulo 4 – O GEM e a Investigação sobre o Empreendedorismo em Portugal: refere um conjunto de estudos internacionais que abordam as dinâmicas ligadas à actividade empreendedora em diversos países, apresentando resultados relativos a Portugal, constantes no Global Competitiveness Index e no Global Entrepreneurship and Development Index.Adicionalmente, são incluídos dois anexos: o Anexo I contém o índice de tabelas e figuras do presente relatório e oAnexo II contém a lista de especialistas entrevistados no âmbito do estudo. 11
  25. 25. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o EmpreendedorismoGEM Portugal 2010 Actividade Empreendedora em Portugal 13
  26. 26. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o Empreendedorismo2. Actividade Empreendedora em Portugal No presente capítulo são analisadas as características do empreendedorismo em Portugal. Os resultados aqui apresentados foram obtidos a partir de um questionário padronizado, aplicado em todos os países participantes no GEM 2010 a uma amostra de indivíduos em idade adulta (18 a 64 anos). Em Portugal, a Sondagem à População Adulta foi efectuada junto de uma amostra de 2.000 pessoas residentes em Portugal Continental.2.1. Actividade Empreendedora Early-Stage (TEA) No âmbito da avaliação da actividade empreendedora, o principal índice é designado por Taxa de Actividade Empreendedora Early-Stage (Taxa TEA) de cada país participante. A Taxa TEA ilustra a proporção de indivíduos em idade adulta (entre os 18 e os 64 anos) que está envolvida num processo de start-up (negócio nascente) ou na gestão de negócios novos e em crescimento, em cada país participante. As Taxas TEA relativas aos países GEM 2010 encontram-se ilustradas na Figura 3. Para fins comparativos, é ainda apresentada a Taxa TEA de Portugal, no ano de 2007. 55 Figura 3: Taxa de Actividade 50 Empreendedora Early-Stage (TEA) 45 40 35 % de Adultos (18 - 64 anos) 30 25 20 15 10 5 0 Angola Ecuador Bélgica Egipto Eslovénia Bolívia Áf rica do Sul Colômbia Zâmbia Formosa Espanha Uganda Rússia Suécia Estados Unidos Argentina Noruega Macedónia Costa Rica Grécia Paquistão Roménia Arábia Saudita França Jamaica Vanuatu Holanda Letónia Austrália Malásia Croácia Islândia Brasil Alemanha Suíça Peru Itália Finlândia México Chile Japão Bósnia e Herzegovina Dinamarca Gana Hungria Irlanda China PORTUGAL 2010 PORTUGAL 2007 Irão Guatemala Turquia Montenegro Israel Uruguai Reino Unido Tunísia Trinidade e Tobago Rep. da Coreia Cisjordânia & Faixa de Gaza Países GEM 2010 Economias orientadas por f actores Economias orientadas para a ef iciência Economias orientadas para a inovação de produção Fonte: Sondagem à População Adulta 2007 e 2010 15
  27. 27. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o Empreendedorismo Em 2010, Portugal registou uma Taxa TEA de 4,5%, o que significa que existem 4 a 5 empreendedores early-stage (indivíduos envolvidos em start-ups ou na gestão de novos negócios), por cada 100 indivíduos em idade adulta. Este resultado é o 9º mais baixo do universo GEM 2010 e o 7º mais baixo das 22 economias orientadas para a inovação participantes, ficando também abaixo da Taxa TEA média associada aos países membros da UE (5,2%). A Taxa TEA portuguesa em 2010 equivale a metade da que havia sido obtida em 2007 (8,8%), ano em que se assumiu como a 3ª mais elevada das 19 economias orientadas para a inovação então participantes. Esta diminuição registada na TEA em Portugal vai ao encontro de dados estatísticos de fontes nacionais que indiciam um quadro pouco favorável ao desenvolvimento de iniciativas empreendedoras. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o emprego diminuiu, em 2009, a uma taxa de -2,8%, contrariando a tendência dos cinco anos anteriores – neste contexto, o emprego de trabalhadores por conta própria, com uma quebra de -6,6% contribuiu em mais de 30,0% para esta diminuição total8. Os dados da iniciativa “Empresa na Hora”9 apontam para uma redução de 19%, em 2010, do número de empresas constituídas em Portugal, face ao resultado obtido no ano de 2007. Ainda assim, a Taxa TEA portuguesa em 2010 fica 0,4 pontos percentuais acima do resultado de 2004 (4,0%). Na verdade, apesar da quebra registada, Portugal não é um caso isolado no panorama europeu: países como Espanha, Itália e Dinamarca evidenciaram também uma redução significativa da sua Taxa TEA face ao valor de 2007, apresentando, em 2010, resultados inferiores aos de Portugal. Neste contexto, a degradação, assinalada neste relatório, no que toca à evolução da Taxa TEA e a alguns parâmetros de actividade económica e das políticas governamentais necessárias ao empreendedorismo, poderá estar associada à conjuntura depressiva provocada pela crise económico-financeira internacional. No entanto, é necessário combater estes factores, dado que a recuperação e o desenvolvimento da economia nacional e internacional passam fortemente pelo surgimento de empreendedores, capazes de identificar e aproveitar oportunidades, investir e gerar riqueza e emprego. De todos os países participantes, o Vanuatu e a Bolívia (ambos economias orientadas por factores de produção) são os que apresentam as Taxas TEA mais elevadas, com 52,1% e 38,6%, respectivamente. No entanto, é nas economias orientadas por factores de produção que se regista uma maior discrepância entre o valor mais elevado e mais baixo da Taxa TEA, verificando-se um intervalo de 45,1 pontos percentuais a separar o Egipto do Vanuatu. Nas economias orientadas para a eficiência, a diferença é igualmente significativa, sendo contudo mais reduzida do que no caso anterior (23,3 pontos percentuais entre Rússia e Peru). Por fim, a menor discrepância ocorre para as economias orientadas para a inovação, existindo um intervalo de 8,2 pontos percentuais entre a Itália e a Islândia. No sentido de estabelecer uma comparação, em termos da Taxa TEA, entre os três tipos de economia em análise, são apresentados, na Tabela 1, os valores médios deste índice para as economias orientadas por factores de produção, orientadas para a eficiência e orientadas para a inovação.Tabela 1: Média daTaxa TEA por tipo de Tipos de economia Média da Taxa TEAeconomia Orientadas por factores de produção 22,7% Orientadas para a eficiência 11,7% Orientadas para a inovação 5,5% Fonte: Sondagem à População Adulta 2010 8 Instituto Nacional de Estatística; Anuário Estatístico de Portugal 2009 (Ano de Edição 2010); disponível em www.ine.pt. 9 Estatística ENH - valores acumulados até 31 de Maio de 2011; disponível no website “Empresa na hora” http://www.empresanahora.pt/ENH/ sections/PT_estatisticas. 16
  28. 28. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o EmpreendedorismoComo se pode verificar, são as economias orientadas por factores de produção as que apresentam uma Taxa TEAmédia mais elevada (próxima dos 23%), seguidas pelas economias orientadas para a eficiência (perto dos 12%) e, porúltimo, pelas economias orientadas para a inovação (5,5%), cuja Taxa TEA média diminuiu 0,7 pontos percentuais emrelação ao ano de 2007. Adicionalmente, importa referir que a Taxa TEA média associada às economias orientadaspara a inovação fica 1,1 pontos percentuais acima da Taxa TEA de Portugal, em 2010.De forma análoga, a Tabela 2 apresenta os valores médios da Taxa TEA para seis diferentes áreas geográficas,designadamente: África Subsariana; América e Caraíbas; Ásia Pacífico; Norte de África e Médio Oriente; Europa –Não UE; e Europa – UE. Tabela 2: Média Área geográfica Média da Taxa TEA da Taxa TEA por África Subsariana 27,7% área geográfica América e Caraíbas 17,2% Ásia Pacífico 13,9% Norte de África e Médio Oriente 8,6% Europa – Não UE 8,0% Europa – UE 5,2%Fonte: Sondagem à População Adulta 2010De acordo com os valores apresentados na Tabela 2, a região da África Subsariana é a que apresenta a Taxa TEAmédia mais elevada, com quase 28 indivíduos adultos, em cada 100, envolvidos em start-ups ou na gestão denovos negócios. A este resultado seguem-se os valores registados para as regiões da América e Caraíbas e da ÁsiaPacífico, com 17,2% e 13,9%, respectivamente. Os países membros da UE apresentam uma Taxa TEA média de 5,2%,o menor resultado de todas as regiões consideradas.Esta análise inicial da Taxa de Actividade Empreendedora Early-Stage permite, desde logo, concluir que existe umacorrelação inversa entre o grau de sofisticação das economias e o valor da Taxa TEA, sendo esta última mais altaem países economicamente menos desenvolvidos, onde o emprego por conta de outrem é escasso. No sentido deaprofundar esta relação, encontra-se apresentada na Figura 4 a variação da Taxa TEA com o PIB per capita, em todaa extensão do universo GEM 2010. 17
  29. 29. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o EmpreendedorismoFigura 4: Relação 60,0%entre a Taxa TEAe o PIB per capita 50,0% 40,0% Taxa TEA 30,0% 20,0% 10,0% Portugal 0,0% 2010 0 5.000 10.000 15.000 20.000 25.000 30.000 35.000 40.000 45.000 50.000 55.000 PIB per Capita (PPP - US$) Orientadas por factores de produção Orientadas para a eficiência Orientadas para a inovação Fonte: Sondagem à População Adulta 2007 e 2010 De acordo com a Figura 4, países com um PIB per capita menor do que US$15.000 apresentam taxas TEA muito variadas, mas, regra geral, mais elevadas que no caso dos restantes países. Há diferenças significativas de Taxas TEA dentro deste grupo, cujos valores variam entre os 4,3% da Roménia e os 52,1% do Vanuatu, sendo que o valor médio atinge os 17,3%. Este primeiro grupo inclui os países economicamente menos desenvolvidos, onde, havendo mais escassas oportunidades de emprego, o empreendedorismo e a abertura de novos negócios representam, por vezes, a única oportunidade legítima de subsistência e prosperidade. Assim, para valores de PIB per capita inferiores a US$15.000, a sua correlação com a Taxa TEA é claramente negativa, ou seja, à medida que a riqueza do País aumenta, a Taxa TEA diminui. Por outro lado, quando são considerados países com PIB per capita entre os US$15.000 e US$35.000 anuais, as taxas TEA tendem a estabilizar e a pautarem-se por valores mais baixos (média de 6,1%). A amplitude deste conjunto de valores é de apenas 7,1 pontos percentuais e traduz a diferença entre as Taxas TEA da Itália (2,3%) e da Arábia Saudita (9,4%)10. Este grupo abrange metade dos países da UE, incluindo Portugal. Ao contrário dos países anteriores, os constituintes deste grupo têm a capacidade de proporcionar trabalho dependente aos seus cidadãos, o que pode constituir uma alternativa cómoda e vantajosa em relação à abertura de um negócio. Assim, as suas Taxas TEA assumem valores relativamente baixos e estáveis. Por fim, no caso dos países em que o PIB per capita é superior a US$35.000 anuais, parece existir uma correlação ligeiramente positiva entre as taxas TEA e o PIB per capita. Os valores associados à Taxa TEA estão compreendidos entre os 3,7% da Bélgica e os 10,6% da Islândia e, embora apresentando uma amplitude menor que no caso anterior (6,9 pontos percentuais contra 7,1), apresentam uma Taxa TAE média ligeiramente superior (6,3%). A correlação entre PIB per capita e Taxa TAE é positiva neste caso, uma vez que países com níveis de desenvolvimento económico superior têm condições facilitadas para enveredar por um empreendedorismo movido não por necessidade mas por oportunidade e mais vocacionado para áreas tecnológicas e inovadoras. 10 Descontando a Argentina que entra apenas marginalmente neste grupo (PIB per capita de US$15.603; Taxa TEA de 14,2%). 18
  30. 30. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o EmpreendedorismoCurvas com esta configuração, repartida em três momentos, têm vindo a ser sistematicamente derivadas emrelatórios GEM ao longo dos anos (ver por exemplo GEM Portugal 2007), mas não pretendem reflectir uma relação dedependência mensurável entre empreendedorismo e PIB per capita nos vários países. A actividade empreendedoraé condicionada e influenciada por vários outros motivos que serão ainda abordados. As questões de motivaçãopara o empreendedorismo, em particular, serão abordadas em maior detalhe no sub-capítulo 2.3.À Taxa TEA estão associados dois níveis de actividade empreendedora: o nível de start-ups (negócios nascentes)e o nível de novos negócios. O primeiro nível é definido através da proporção da população adulta (18-64 anos)que participa activamente num processo de start-up, sendo os empreendedores envolvidos neste processo aquidesignados por empreendedores de negócios nascentes11 e a proporção da população envolvida neste génerode actividade designada por Taxa de Empreendedorismo Nascente. O segundo nível refere-se, por seu turno, aosgestores de novos negócios12, sendo medido pela proporção da população adulta que participa na gestão de umnovo negócio e tendo como indicador associado a Taxa de Empreendedorismo de Novos Negócios.A Figura 5 apresenta os resultados obtidos em 2010 para os dois níveis de actividade empreendedora que compõema Taxa TEA: a Taxa de Empreendedorismo Nascente e a Taxa de Empreendedorismo de Novos Negócios. Para finscomparativos, são ainda apresentados os resultados para Portugal, no ano de 2007. Japão Figura 5: Taxa de Rep. da Coreia Dinamarca Empreendedorismo Economias orientadas para a inovação PORTUGAL 2010 Grécia Nascente e de Suíça Espanha Novos Negócios Eslovénia Suécia Finlândia Alemanha Bélgica Reino Unido Israel França Austrália Holanda Irlanda Noruega PORTUGAL 2007 Estados Unidos Islândia Malásia Tunísia Rússia RoméniaEconomias orientadas para a eficiência Países GEM 2010 Turquia Bósnia e Herzegovina Croácia Formosa Macedónia China Hungria África do Sul Letónia Brasil Argentina Uruguai Colômbia Trinidade e Tobago México Ecuador Costa Rica Chile Montenegro Peru Egipto Economias orientadas por Irão factores de produção Jamaica Arábia Saudita Paquistão Cisjordânia & Faixa de Gaza Guatemala Uganda Gana Angola Zâmbia Bolívia Vanuatu 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 % de Adultos (18 - 64 anos) Empreendedores de novos negócios Empreendedores de negócios nascentesFonte: Sondagem à População Adulta 2007 e 201011 Empreendedor de negócio nascente: Indivíduo que, nos últimos 12 meses, tentou iniciar um novo negócio e manifestou intenção de ser donode parte ou da totalidade do mesmo, tendo o negócio proporcionado remuneração por um período não superior a 3 meses.12 Empreendedor de novo negócio: Indivíduo que tem vindo a administrar um negócio nos últimos 12 meses e que é proprietário de parte ou datotalidade desse negócio, tendo este proporcionado remuneração por período não superior a 3,5 anos (e não inferior a 3 meses). 19
  31. 31. GEM PORTUGAL 2010 - Estudo sobre o Empreendedorismo Em 34 dos 59 países que constituem o universo GEM 2010, a Taxa de Empreendedorismo Nascente revela-se superior à Taxa de Empreendedorismo de Novos Negócios. Portugal não pertence a esta maioria, apresentando um número de empreendedores a gerir novos negócios (2,6% da população adulta) cerca de 1,4 vezes superior ao número de empreendedores envolvidos em start-ups (1,9% da população adulta). Estes resultados contrariam também os resultados registados em Portugal nos anos 2004 e 2007, onde a Taxa de Empreendedorismo de Novos Negócios ficou aquém da Taxa de Empreendedorismo de Negócios Nascentes (1,8% e 2,2%, em 2004, e 4,1% e 4,8%, em 2007, respectivamente). Na Tabela 3 são apresentados os valores médios da Taxa de Empreendedorismo Nascente e da Taxa de Empreendedorismo de Novos Negócios para os três diferentes tipos de economia em estudo.Tabela 3: Médiada Taxa deEmpreendedorismo Média da Taxa de Média da Taxa deNascente e Tipos de economia Empreendedorismo Empreendedorismo de Novosda Taxa deEmpreendedorismo Nascente Negóciosde Novos Negócios Orientadas por factores de produção 12,2% 11,9%por tipo deeconomia Orientadas para a eficiência 6,9% 5,0% Orientadas para a inovação 2,9% 2,7% Fonte: Sondagem à População Adulta 2010 De acordo com os dados apresentados na Tabela 3, em média, o empreendedorismo nascente predomina sobre o empreendedorismo de novos negócios nos três tipos de economia considerados, contrariamente ao que ocorre em Portugal. Por outro lado, os resultados obtidos para Portugal ficam aquém da média associada às economias orientadas para a inovação (1,9% e 2,9%, respectivamente, no que respeita à Taxa de Empreendedorismo Nascente, e 2,6% e 2,7%, respectivamente, no que respeita à Taxa de Empreendedorismo de Novos Negócios). Para além dos resultados médios associados aos três tipos de economia em estudo, é também relevante apresentar os resultados médios associados à UE13. Assim, em termos médios, existe também, na UE, uma vantagem da Taxa de Empreendedorismo Nascente face à Taxa de Empreendedorismo de Novos Negócios (2,9% e 2,4%, respectivamente). Comparativamente à média da UE, Portugal apresenta uma percentagem de empreendedores envolvidos em negócios nascentes inferior (1,9%), mas uma percentagem de empreendedores envolvidos em novos negócios superior (2,6%). No âmbito do projecto GEM analisa-se igualmente a distribuição da actividade empreendedora pelos diferentes sectores de actividade. A Figura 6 apresenta a proporção da actividade empreendedora early-stage em Portugal (nos anos 2007 e 2010) e nos três tipos de economia em estudo, categorizada nos quatro sectores seguidamente referenciados: • Sector extractivo: inclui agricultura, silvicultura, pescas e extracção de matérias brutas; • Sector da transformação: inclui construção, manufactura, transporte, comunicações, utilidades e distribuição grossista; • Sector orientado ao cliente organizacional: inclui finanças, seguros, imobiliário e todas as actividades onde o cliente primário é outro negócio; No sentido de garantir a coerência e a simplicidade das figuras e tabelas apresentadas ao longo do presente capítulo, os resultados médios 13 associados à UE são indicados em texto. 20

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