1<br />Pedro Pereira - 12ºM<br />
2<br />Pedro Pereira - 12ºM<br />Mas um velho, de aspecto venerando,<br />que ficava nas praias, entre a gente,<br />posto...
3<br />Pedro Pereira - 12ºM<br />"Ó glória de mandar, ó vã cobiça<br />desta vaidade a quem chamamos Fama!<br />Ó fraudule...
"E foi que de doença crua e feia,<br />A mais que eu nunca vi, desampararam<br />Muitos a vida, e em terra estranha e alhe...
Enfim, não houve forte capitão,<br />Que não fosse também douto e ciente,<br />Da Lácia, Grega, ou Bárbara nação,<br />Sen...
Por isso, e não por falta de natura,<br />Não há também Virgílios nem Homeros;<br />Nem haverá, se este costume dura,<br /...
 <br />O céu fere com gritos nisto a gente,Com súbito temor e desacordo,Que, no romper da vela, a nau pendenteToma grã sum...
 <br />Por meio destes hórridos perigos,<br />Destes trabalhos graves e temores,<br />Alcançam os que são de fama amigos<b...
Não com os manjares novos e esquisitos,<br />Não com os passeios moles e ociosos,<br />Não com os vários deleites e infini...
E ainda, Ninfas minhas, não bastava<br />Que tamanhas misérias me cercassem,<br />Senão que aqueles, que eu cantando andav...
Nem creiais, Ninfas, não, que a fama desse <br />A quem ao bem comum e do seu Rei <br />Antepuser seu próprio interesse, <...
Nô mais, Musa, nô mais, que a Lira tenho  Destemperada e a voz enrouquecida,  E não do canto, mas de ver que venho  Cantar...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Sentido de decadência nacional n'os lusíadas

1.822 visualizações

Publicada em

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
1.822
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
328
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
11
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Sentido de decadência nacional n'os lusíadas

  1. 1. 1<br />Pedro Pereira - 12ºM<br />
  2. 2. 2<br />Pedro Pereira - 12ºM<br />Mas um velho, de aspecto venerando,<br />que ficava nas praias, entre a gente,<br />postos em nós os olhos, meneando<br />três vezes a cabeça, descontente,<br />a voz pesada um pouco alevantando,<br />que nós no mar ouvimos claramente,<br />Cum saber só de experiências feito,<br />tais palavras tirou do experto peito:<br />— Velho do Restelo, estrofe 94 do Canto IV<br />
  3. 3. 3<br />Pedro Pereira - 12ºM<br />"Ó glória de mandar, ó vã cobiça<br />desta vaidade a quem chamamos Fama!<br />Ó fraudulento gosto, que se atiça<br />c'ua aura popular, que honra se chama!<br />Que castigo tamanho e que justiça<br />fazes no peito vão que muito te ama!<br />Que mortes, que perigos, que tormentas,<br />que crueldades nele experimentas!"<br />— Velho do Restelo, estrofe 95 do Canto IV<br />
  4. 4. "E foi que de doença crua e feia,<br />A mais que eu nunca vi, desampararam<br />Muitos a vida, e em terra estranha e alheia<br />Os ossos para sempre sepultaram.<br />Quem haverá que, sem o ver, o creia?<br />Que tão disformemente ali lhe incharam<br />As gengivas na boca, que crescia<br />A carne, e juntamente apodrecia.<br />— Escorbuto, estrofe 81 do Canto V<br />4<br />Pedro Pereira - 12ºM<br />
  5. 5. Enfim, não houve forte capitão,<br />Que não fosse também douto e ciente,<br />Da Lácia, Grega, ou Bárbara nação,<br />Senão da Portuguesa tão somente.<br />Sem vergonha o não digo, que a razão<br />De algum não ser por versos excelente,<br />É não se ver prezado o verso e rima,<br />Porque, quem não sabe arte, não na estima.<br />— Desamor de Portugal às boas letras, estrofe 97 do Canto V<br />5<br />Pedro Pereira - 12ºM<br />
  6. 6. Por isso, e não por falta de natura,<br />Não há também Virgílios nem Homeros;<br />Nem haverá, se este costume dura,<br />Pios Eneias, nem Aquiles feros.<br />Mas o pior de tudo é que a ventura<br />Tão ásperos os fez, e tão austeros,<br />Tão rudos, e de engenho tão remisso,<br />Que a muitos lhe dá pouco, ou nada disso.<br />— Desamor de Portugal às boas letras, estrofe 98 do Canto V<br />6<br />Pedro Pereira - 12ºM<br />
  7. 7.  <br />O céu fere com gritos nisto a gente,Com súbito temor e desacordo,Que, no romper da vela, a nau pendenteToma grã suma d'água pelo bordo:"Alija, disse o mestre rijamente,Alija tudo ao mar; não falte acordo.Vão outros dar à bomba, não cessando;A bomba, que nos imos alagando!"<br />— A tempestade, estrofe 72 do Canto VI<br />7<br />Pedro Pereira - 12ºM<br />
  8. 8.  <br />Por meio destes hórridos perigos,<br />Destes trabalhos graves e temores,<br />Alcançam os que são de fama amigos<br />As honras imortais e graus maiores:<br />Não encostados sempre nos antigos<br />Troncos nobres de seus antecessores;<br />Não nos leitos dourados, entre os finos<br />Animais de Moscóviazebelinos;<br />— Como se alcança a verdadeira glória, estrofe 95 do Canto VI<br />8<br />Pedro Pereira - 12ºM<br />
  9. 9. Não com os manjares novos e esquisitos,<br />Não com os passeios moles e ociosos,<br />Não com os vários deleites e infinitos,<br />Que afeminam os peitos generosos,<br />Não com os nunca vencidos apetitos<br />Que a Fortuna tem sempre tão mimosos,<br />Que não sofre a nenhum que o passo mude<br />Para alguma obra heróica de virtude;<br />— Como se alcança a verdadeira glória, estrofe 96 do Canto VI<br />9<br />Pedro Pereira - 12ºM<br />
  10. 10. E ainda, Ninfas minhas, não bastava<br />Que tamanhas misérias me cercassem,<br />Senão que aqueles, que eu cantando andava<br />Tal prémio de meus versos me tornassem:<br />A troco dos descansos que esperava,<br />Das capelas de louro que me honrassem,<br />Trabalhos nunca usados me inventaram,<br />Com que em tão duro estado me deitaram.<br />— Injustiças, estrofe 81 do Canto VII<br />10<br />Pedro Pereira - 12ºM<br />
  11. 11. Nem creiais, Ninfas, não, que a fama desse <br />A quem ao bem comum e do seu Rei <br />Antepuser seu próprio interesse, <br />Inimigo da divina e humana Lei.<br />Nenhum ambicioso, que quisesse<br />Subir a grandes cargos, cantarei,<br />Só por poder com torpes exercícios<br />Usar mais largamente de seus vícios;<br />— Louvor somente a quem merece, estrofe 81 do Canto VII<br />11<br />Pedro Pereira - 12ºM<br />
  12. 12. Nô mais, Musa, nô mais, que a Lira tenho  Destemperada e a voz enrouquecida,  E não do canto, mas de ver que venho  Cantar a gente surda e endurecida.  O favor com que mais se acende o engenho  Não no dá a pátria, não, que está metida  No gosto da cobiça e na rudeza  Düa austera, apagada e vil tristeza.<br />— Desalento do poeta; Censuras à pátria, estrofe 145 do Canto X<br />12<br />Pedro Pereira - 12ºM<br />

×