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18escatológico da existência”39, isto é, todo o sentido da vida humana culmina e caminhapara a salvação.            Assim,...
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A MISSÃO DA IGREJA, PRESSUPOSTO DA MISSÃO DO FIEL CRISTÃO E DA MISSÃO LAICAL

  1. 1. 1 A MISSÃO DA IGREJA, PRESSUPOSTO DA MISSÃO DO FIEL CRISTÃO E DAMISSÃO LAICAL Neste capítulo, são apresentados alguns tópicos importantes no tocante à questãoda missão da Igreja como pressuposto da missão do fiel cristão e da missão laical. Jesus Cristo cumpriu a vontade do Pai, inaugurou na terra o Reino de Deus,revelou-nos Seu mistério e, por Sua obediência, realizou a redenção6. “Em Jesus, Deusrecapitula toda a sua história de salvação em favor dos homens”7. Cristo, cumpridor da missão recebida do Pai, confiou esta também a seusapóstolos. Para que a salvação de Deus seja conhecida por todos, faz-se necessário queseja anunciada. Para que o homem possa amar a Deus, é preciso conhecê-lo. Para quepossa chegar a Deus, é mister ser santificado pela graça. Assim, Cristo enviou osapóstolos que escolhera, dando-lhes o mandato de anunciar o Evangelho: “Ide, fazei quetodas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e doEspírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei8”. Através dos apóstolos, a missão, que o Pai confiou a seu Filho Jesus Cristo,chega à Igreja, que terá a responsabilidade de, através dos tempos, realizar acontinuidade da missão salvadora de seu fundador: Jesus entrega o seu espírito nas mãos do Pai. No momento em que por sua Morte é vencedor da morte, de maneira que, ressuscitado dos mortos pela Glória do Pai, dá imediatamente o Espírito Santo „soprado‟ sobre seus discípulos. A partir dessa Hora, a missão de Cristo e do6 LG 3.7 Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Paulinas, 1993. 430.8 Mt 28, 19-20.
  2. 2. 9 Espírito passa a ser a missão da Igreja: „Como o Pai me enviou, também eu vos envio‟9. João Paulo II lembra que a Igreja recebeu uma missão universal, sem limites,referente à salvação em toda a sua integridade, segundo aquela plenitude de vida queCristo veio trazer. Ela foi „enviada para manifestar e comunicar a caridade de Deus atodos os homens e povos‟10. Assim, a missão da Igreja, pressuposto da missão do fiel cristão e da missãolaical, precisa ser analisada nos seguintes aspectos: a missão da Igreja; Igreja e mundo;realidade e limites da participação da Igreja na ação de Deus no mundo; a autonomiadas realidades terrestres; mundo: lugar de missão e de santificação; horizonte teologal erealidade da história.1.1 A missão da Igreja O Espírito Santo é quem mantém a Igreja viva e atuante. Ele é o principalprotagonista da missão, ou seja, o principal „personagem‟ da obra da evangelização.Não se pretende, aqui, negar que os leigos e os clérigos, também protagonizam essamissão; porém, entende-se que a parte que lhes toca é significativa, mas não a principal.É o Espírito Santo quem guia a missão, é dele que vem a força que se necessita para oencorajamento e o prosseguimento da evangelização. O Espírito Santo abre os caminhose os corações daqueles que não o conhecem, ou ainda que o rejeitam.O Papa Wojtylaafirma: Sob o impulso do Espírito, a fé cristã abre-se, decididamente, às nações pagãs, e o testemunho de Cristo expande-se em direção aos centros mais importantes do Mediterrâneo oriental, para chegar, depois, a Roma e ao extremo Ocidente. É o Espírito que impele a ir sempre mais além, não só em sentido geográfico, mas também ultrapassando barreiras étnicas e religiosas, até se chegar a uma missão verdadeiramente universal11. A missão originária foi a de Cristo. Ele é o enviado do Pai por excelência;portanto, a nossa missão tem origem na dele: “Sendo Cristo enviado pelo Pai a fonte e a9 Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Paulinas, 1993. 730.10 JOÃO PAULO II. Carta Encíclica Redemptoris Missio. São Paulo: Paulinas, 1991. 31.11 Id., ibid.,25.
  3. 3. 10origem de todo apostolado da Igreja, é evidente que a fecundidade do apostolado, tantoa dos ministros ordenados como a dos leigos, depende da sua união vital com Cristo”12. Na reflexão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil: Tem-se que anunciar Jesus Cristo, sua doutrina, o nome, a vida, as promessas, o Reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus. Vise a inculturação da fé; comprometa a todos na comunhão e participação; favoreça a colaboração entre todos os homens de boa vontade assuma a encarnação como caminho da missão e se fundamente na plena inserção da realidade sociocultural13. “A Igreja é o fruto da ação gratuita e salvadora de Deus trino, nascida do decretode Deus Pai, participando da vida de Deus Filho, animada pelo Espírito Santo”14. Na verdade, o construtor do Reino é o próprio Deus, só Deus pode construir oReino, e, portanto, esse Reino não pode ser o resultado exclusivo das mãos do homem.Porém, Deus confia ao homem participar com sua colaboração, para estabelecer, quanto possível, o Reino de Deus, e, portanto, para sujeitar todas as coisas inferiores e tudo o mais ao Espírito de Deus. É de fato esse o programa da obra de Deus, (...) e para realizar tal programa o Senhor nos deu a graça de sermos Seus colaboradores. Seremos reis, adaptando-nos a Seus desígnios reais, cooperando nessa obra do Reino, nas condições queridas por Deus e nos diferentes planos de sua realização15. As questões temporais também fazem parte da missão, pois o mundo é o lugardo acontecimento da mesma missão. “O batismo e a confirmação incorporam a Cristo eo tornam membros da Igreja”16 e pede ao leigo que se envolva com a vocação da Igrejaque está no mundo e com as coisas do mundo.1.2 Igreja e Mundo12 Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Paulinas, 1993. 864.13 Igreja: comunhão e missão na evangelização dos povos. Doc. 40. CNBB. 122.14 Cf. ILLANES, José Luis. Laicado y sacerdocio. Pamplona: Universidad de Navarra, 2000, p. 99.15 CONGAR, Yves. Os leigos na Igreja. São Paulo: Herder, 1966, p. 335.16 DP 786.
  4. 4. 11 Acerca da questão sobre Igreja e mundo, João Paulo II lembra que “sãonumerosos os textos evangélicos que provam a atitude de clemência e misericórdia queJesus tem com respeito ao mundo, enquanto é seu salvador17”. “Partindo dessepressuposto, os leigos a serviço da Igreja no mundo estão chamados a trabalhar pela suasantificação”18. O Vaticano II, sobretudo na Lumen Gentium e na Gaudium et Spes, propõe umaIgreja encarnada no mundo, no diálogo com o mundo e ao serviço do mundo, mas nãosujeita ao mundo. “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homensdo nosso tempo, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegriase as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo”19. Devem os fiéisviver em estreita união com os outros homens do seu tempo e se esforçar porcompreender a fundo os seus modos de pensar e de sentir, expressos na cultura. Eis areflexão do Vaticano II: Que conciliem os conhecimentos das novas ciências e teorias e das mais recentes invenções com os costumes e o ensinamento da doutrina cristã, para que o sentimento religioso e a retidão moral avancem neles a par do conhecimento científico e dos progressos diários da técnica; assim poderão apreciar e interpretar todas as coisas com uma sensibilidade autenticamente cristã 20. A verdade de Deus está semeada no coração de todos os seres humanos eencontrou seu eco no mundo. Pertencem ao elo da grande corrente humana que se vaisucedendo no tempo, e permanecendo no mundo, como afirma Illanes: “A Igreja queestá no mundo, comunidade de salvação que se vai formando na história até alcançarsua plenitude no momento da consumação escatológica, antecipa e anuncia o fim e odestino até que tudo tenha a virtude do qual tudo se explica”21. É importante que se tenha clareza sobre a relação entre a Igreja e o mundo, poistodos os batizados pertencem à Igreja que cresce no mundo, diante de todos os desafiosque a humanidade conhece. O mundo em si é de natureza boa, pois é obra de Deus, que17 JOÃO PAULO II. Creo en la Iglesia – Catequesis sobre el credo. Madrid: Palabra, 1997, p. 408.18 Id., ibid., p. 409.19 GS 1.20 Id., ibid., 62.21 ILLANES, op. cit., p.126.
  5. 5. 12é só bondade. Porém, o mundo pode tornar-se decadente, devido a sua natureza decontingência. “O mundo foi criado bom, tem sua origem na sabedoria e no amor deDeus: na eficiência amorosa de Deus Pai, que o fez por meio de suas mãos, o Verbo e oEspírito Santo”22. O mundo sofre constantes mudanças. Essas mudanças trazem novos desafios aohomem, que o fazem tomar novas atitudes diante do desconhecido. A sociedade recebeas mudanças, e, para absorvê-las, necessita da capacidade do homem de dar umaresposta. Todos os acontecimentos do mundo influenciam direta ou indiretamente a vidados homens e, com isso, também as suas realidades e acontecimentos da história. Omodo de viver de uma sociedade acaba por mudar também os direcionamentos de tudoaquilo que dela depende. Aqui se quer aludir à relação da Igreja com o mundo. M.Santos afirma: Dado que a Igreja está no mundo e na história, a relação da Igreja com o mundo estará sempre temporalmente condicionada e será sempre a história da salvação de uma Igreja peregrina. Desde o início do cristianismo, e até ao fim dos tempos, foi, é e será ponto fulcral de debates de todo o tipo. Das perseguições do Império Romano ao atual secularismo, passando pelo cesaropapismo, a questão das investiduras (...) 23. É necessário elucidar a relação existente entre Igreja e mundo, portanto a relaçãode suas realidades. Estar no mundo é deliberadamente sujeitar-se e condicionar-se àssuas exigências, ou esforçar-se para melhorá-lo. Surge daí a possibilidade e anecessidade de a Igreja aparecer sempre missionária. A história da salvação, da qual a Igreja faz parte, é sem dúvida uma históriaconturbada. Sempre foi cercada por dificuldades. Mas a Igreja resiste sempre e fazer-sepresente e atuante no mundo faz parte de sua índole. A realidade da Igreja passa pela22 SANTOS, M. Igreja x Mundo. Teocomunicação, Porto Alegre, v. 32, n. 137, p. 488, set. 2002.23 Id., ibid., p. 485.
  6. 6. 13provação das mesmas conseqüências a que está sujeita toda a humanidade, pois ela estáno mundo e convive dia a dia com as coisas que ele lhe impõe. Segundo M. Santos, com o pecado, a criação ficou também ferida. Mas a situação da humanidade no mundo foi distorcida pelo pecado, e o mundo se converteu em instrumento da ira e do castigo de Deus: o trabalho deixa de ser um prazer; a terra seria uma maldição para os que desobedecem a Deus. Nenhuma das ajudas oferecidas por Deus, através dos juízes, reis e profetas, bastaria. Por isso chega à fase final do plano de Deus: „Deus tanto amou o mundo (tòn kósmon) que enviou o seu Filho único‟24. Por causa do pecado da humanidade, pela dureza de coração do homem, foinecessário que Deus interviesse na história do mundo e aqui deixasse seu sinal, suaIgreja, fundada por seu Filho, e fizesse dos filhos de Deu missionários para engajar-secontra o pecado, contra as injustiças e dificuldades que o próprio homem cria em nomedo progresso e do egoísmo.1.3 Realidade e limites da participação da Igreja na ação de Deus no mundo Afirma João Paulo II: “Ao anunciar e ao acolher o Evangelho na força doEspírito, a Igreja torna-se comunidade evangelizada e evangelizadora e, precisamentepor isso, faz-se serva dos homens” 25. O cristão pode afirmar a mais decidida autonomia das realidades temporais,porque o mundo é obra de Deus, a realidade temporal tem sua verdade própria, suas leispróprias, naturais. Consoante oVaticano II, na Gaudium et Spes, se por autonomia das realidades terrestres entendemos que as coisas criadas e as próprias sociedades gozam de leis e valores próprios, a serem conhecidos, usados e ordenados gradativamente pelo homem, é absolutamente necessário exigi-la. Isto não é só reivindicado pelos24 Id., ibid., p. 489.25 CfL 36.
  7. 7. 14 homens de nosso tempo, mas está também de acordo com a vontade do criador26. É necessário respeitar a autonomia das realidades temporais. Importante éreconhecer que todas as realidades têm em si suas próprias características que as tornamo que são. Com isso, não fica difícil de se perceber que, em se tratando das realidadesterrestres, há de se reconhecer que toda a sua autonomia é originada em seu criador,que é Deus, a quem tudo pertence. Por isso, o Concílio Vaticano II adverte: “Porém, sepelas palavras „autonomia das realidades temporais‟ se entende que as coisas criadasnão dependem de Deus, e o homem as pode usar sem referência ao criador, todo aqueleque admite Deus percebe o quanto sejam falsas tais máximas”27. Todos somos chamados a viver a fé cristã na sociedade, junto com os outros,junto com os diversos problemas existentes no mundo. Não se pode ignorar que amissão exige dedicação, empenho na caridade, trabalho. Diante das necessidades, dasimperfeições do mundo, urge que os batizados se lancem à missão. Quando nosreferimos aos batizados, queremos incluir os clérigos, os leigos e os consagrados. É preciso entender as conseqüências da missão e ver no mundo o lugar dasrealizações. Por isso, o campo de trabalho se torna amplo. A realidade da participação da Igreja na ação de Deus no mundo é vontade dopróprio Deus. É ele quem quer que a humanidade seja engajada no serviço, na missãodo mundo. Illanes afirma: Dado que a missão da Igreja participa, mediante a graça e a vocação de Deus, na constante obra do Pai, do Filho e do Espírito Santo, se deve concluir que nosso serviço leva o selo daquele que atribuímos às pessoas divinas, a saber, sua obra, ora na criação, ora na redenção, ora na santificação28. Há realidades que limitam a participação da Igreja na ação de Deus, no mundo,segundo Illanes:26 GS 36.27 Id., ibid., 36.28 ILLANES, op. cit., p. 77.
  8. 8. 15 Em primeiro lugar, proclama-se, de uma parte, que a Igreja participa na ação de Deus no mundo. De outra, que esta participação tem dois limites: primeiro limite, a ação de Deus no mundo não está reduzida à que exerce através das estruturas e realidades eclesiais e, além disso, o segundo limite, porque há uma atuação do cristão que se situa também além dos confins eclesiais29. Afirma a CNBB: o cristão olha para o mundo com realismo e com esperança. Procura reconhecer nele os sinais da vontade de Deus e os caminhos que apontam para o Reino, assim como distinguir os obstáculos e as forças do mal que impedem a sociedade humana de avançar na direção da justiça, da paz e da fraternidade30. Há que reconhecer uma certa autonomia de todas as realidades terrestres. Sabe-se que Deus é o criador de todas as coisas e quem constitui seu povo santo. Ele dá aliberdade para as realizações do homem neste mundo. Segundo Illanes, o conhecimento de que o criador proveua todas suas criaturas de uma peculiar forma de ser e desenrolar internamente, com estruturas, valores e modos de fazer próprios. Portanto, os homens têm direito a investigar a criação, mediante a experiência, o estudo e a reflexão racional dessa realidade31. Naturalmente, para um cristão, o mundo é criação de Deus e obra de suainteligência. Portanto, conhecer o mundo é conhecer sinais de Deus. Cada criatura, porprovir de Deus, participa do ser de Deus.1.4 Mundo e história: lugar de missão e de santificação Deus quis que as mudanças se dessem também com a ação dos homens. João PauloII lembra que29 Id., ibid., p. 81.30 Missão e ministério dos cristãos leigos e leigas – CNBB – Doc. 62. n. 10.31 ILLANES, op. cit., p. 88.
  9. 9. 16 a missão da Igreja, tal como a de Jesus, é obra de Deus, ou, usando uma expressão freqüente em São Lucas, é obra do Espírito Santo. Depois da ressurreição e ascensão de Jesus, os apóstolos viveram uma intensa experiência que os transformou: o Pentecostes. A vinda do Espírito Santo fez deles testemunhas e profetas32. Abraçar a tarefa missionária da Igreja é estar em conformidade e unido a Cristo,pois esta é, verdadeiramente, a atitude de um batizado. E cada um tem um espaço ondepossa ser útil. Cada testemunho é importante na comunidade, na Igreja e no mundo: “Aparticipação na missão universal, portanto, não se reduz a algumas atividades isoladas,mas é o sinal da maturidade da fé e de uma vida cristã que dá fruto”33. O cristão olha para o mundo com realismo e com esperança. Procura reconhecer nele os sinais da vontade de Deus e os caminhos que apontam para o reino, assim como distinguir os obstáculos e as forças do mal que impedem a sociedade humana de avançar na direção da justiça, da paz e da fraternidade34. É preciso que haja um engajamento consciente das pessoas na construção doReino, uma verdadeira resposta ao amor de Deus. Esse trabalho não é temporário, écontínuo e urgente. Tanto na Igreja como no mundo encontramos ambiente próprio de missão e desalvação, que se dá por meio da santificação, a qual é própria da ação de Deus. Antes dadivisão entre clérigo e laicado, está o fim último da missão: “a conversão dos homens aCristo e, como conseqüência, transformar a sociedade humana numa sociedade maisjusta e fraterna”35. Todos os fiéis são chamados à santidade, e esta é oferecida como possibilidadede realização no mundo com suas realidades temporais. É preciso lembrar que não ésomente do aspecto das realizações terrenas que surge a possibilidade de santificação, é32 JOÃO PAULO II. Carta Encíclica Redemptoris Missio. São Paulo: Paulinas, 1991. 2433 Id., ibid.,77.34 Missão e ministérios dos cristãos leigos e leigas. Doc 62. CNBB. 10.35 ZILLES, U. Quem é o leigo na Igreja? qual sua missão? Teocomunicação, Porto Alegre, n. 72, p. 18,1986/1.
  10. 10. 17também necessária a espiritualidade, um envolvimento consciente de busca do amor eproteção de Deus do qual procedem todas as coisas. Lançe-se um olhar sobre a história, na perspectiva da compreensão dasrealidades que ocorrem em todos os campos da vida humana, e hão de encontrar-seelementos que respondem a perguntas pertinentes a cada realidade vivida pelos homens.No horizonte teologal, também se passa por várias realidades, ou seja, na históriaencontram variados tipos de acontecimentos. O que se pretende aqui é estabelecer umarelação de compreensão entre secularidade da Igreja e secularidade do leigo. São duasrealidades diferentes, contudo, pertencentes à mesma realidade histórica. A realidade da história é a realidade dos homens; portanto, tudo o que nelaacontece é referente à humanidade. Deus revela-se e intervém na história em favor doshomens, confirmando sua presença desde o princípio como criador e ordenador de tudo.“Cristo como entrega decisiva de Deus ao homem é a realidade suprema e primordial, ocentro do qual depende e meta que tudo ordena, o ponto de referência que dá unidade àcriação e à história desde seu início até à sua consumação”36. As realizações humanas devem servir como instrumento de vida. Illanes afirmaque “as atividades levadas a cabo hoje, no presente da história, e as realizações quedelas derivam se apresentam como realidades não últimas, mas abertas a uma realizaçãoe de sentido, e por tanto como antecipação da plenitude de vida que se alcançará naescatologia”37. “Nada é irrelevante ou fútil na história que tem por protagonistaDeus”38. Na perspectiva de traçar no horizonte da história uma compreensão teológica dosacontecimentos, deve-se ter presente, que a ação de Deus, diante das realidades, temsempre uma utilidade, há sempre uma importância relacionada ao homem, ou seja, é porcausa da humanidade que Deus age na história. “Assim sendo, os homens como Igreja,e agentes da Igreja, devem compreender que sua responsabilidade e missão no mundotem como fim manifestar aos homens a dimensão profunda e o valor radical36 ILLANES, op. cit., p. 131.37 Id., ibid., p. 131.38 Id., ibid., p. 132.
  11. 11. 18escatológico da existência”39, isto é, todo o sentido da vida humana culmina e caminhapara a salvação. Assim, as realidades temporais não são alheias a Deus, ou seja, as realizações domundo e das diversas ordens terrenas não acontecem à margem do conhecimento eatuação de Deus. “A vida comunicada por Deus dá sentido à existência do homem, e,por tanto, sua fé em Jesus Cristo, a esperança da salvação, recobra seu significado,radica dentro da história”40.39 Id., ibid., p. 132.40 Id., ibid., p. 131.

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