Terezinha Rios

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Compreender e Ensinar por uma docência de melhor qualidade

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Terezinha Rios

  1. 1. 11 Compreender e EnsinarCompreender e Ensinar Por uma docência de melhor qualidadePor uma docência de melhor qualidade Profa. Dra. Terezinha Azerêdo Rios Editora Cortez ISBN: 8524907770
  2. 2. Terezinha Azerêdo Rios 1995 – 2000 Doutorado em EducaçãoDoutorado em Educação. Universidade de São Paulo, USP, Brasil. Título: Por uma docência da melhor qualidade. Orientador: Profa Dra. Selma Garrido Pimenta. 1975 – 1988 Mestrado em Filosofia da EducaçãoMestrado em Filosofia da Educação. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC/SP, Brasil. Título: Educação, ética e política: reflexão sobre a noção de competência na prática educativa. Orientador: Profa Dra. Mirian Jorge Warde 1962 – 1965 Graduação em FilosofiaGraduação em Filosofia. Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG, Brasil
  3. 3.  EmEm "Compreender e Ensinar - Por uma docência de melhor"Compreender e Ensinar - Por uma docência de melhor qualidade" aqualidade" a preocupação da Profa Terezinha A. Rios não nascepreocupação da Profa Terezinha A. Rios não nasce apenas em um contexto geral de educação, mas também noapenas em um contexto geral de educação, mas também no interiorinterior do cotidiano de seu ofíciodo cotidiano de seu ofício, na prática de um ensino de Filosofia. Em, na prática de um ensino de Filosofia. Em seu trabalho, ela volta-se para as questões que envolvem umaseu trabalho, ela volta-se para as questões que envolvem uma Didática de Filosofia,Didática de Filosofia, uma análise critica da especificidade do ensinouma análise critica da especificidade do ensino de uma determinada área do conhecimento e, ao mesmo tempo,de uma determinada área do conhecimento e, ao mesmo tempo, debruça-se sobre adebruça-se sobre a contribuiçãocontribuição possível de umapossível de uma Filosofia daFilosofia da DidáticaDidática,, no sentido de busca dosno sentido de busca dos fundamentos de uma ciência quefundamentos de uma ciência que tem como objeto o gesto educativo que chamamos de ensinar.tem como objeto o gesto educativo que chamamos de ensinar. 33
  4. 4.  O núcleo de sua reflexão é aO núcleo de sua reflexão é a formação e a prática dosformação e a prática dos educadoreseducadores e educadoras e a necessidade de pensá-e educadoras e a necessidade de pensá- las fazendo uso de uma perspectiva crítica, tendo emlas fazendo uso de uma perspectiva crítica, tendo em vista na necessidade concreta de nossa realidadevista na necessidade concreta de nossa realidade educacional de seeducacional de se construir um profissional competente.construir um profissional competente.  Ao discutir a questão da competência, procura enfocá-laAo discutir a questão da competência, procura enfocá-la na articulação com a questão da qualidade. Retoma ona articulação com a questão da qualidade. Retoma o conceito deconceito de qualidadequalidade em oposiçãoem oposição ao conceito deao conceito de Qualidade Total que representa os valoresQualidade Total que representa os valores neoliberais.neoliberais. 44
  5. 5.  Educação de qualidade é inquestionável, mas... qual oEducação de qualidade é inquestionável, mas... qual o significado que se dá à qualidade, conceito que guardasignificado que se dá à qualidade, conceito que guarda em sua compreensão uma multiplicidade de elementos?em sua compreensão uma multiplicidade de elementos?  É necessárioÉ necessário "qualificar a qualidade", refletir sobre a"qualificar a qualidade", refletir sobre a significação de quesignificação de que ela reveste noela reveste no interior da práticainterior da prática educativa, já que a ação competente define-se comoeducativa, já que a ação competente define-se como uma ação deuma ação de boa qualidade.boa qualidade. 55
  6. 6. Hoje, freqüentemente, emprega-se o termoHoje, freqüentemente, emprega-se o termo "competências", no plural. Há nesse movimento uma"competências", no plural. Há nesse movimento uma implicação ideológica?implicação ideológica?  A competência pode ser definida comoA competência pode ser definida como saber fazer bem o que ésaber fazer bem o que é necessário enecessário e desejável no espaço da profissão. Isso se reveladesejável no espaço da profissão. Isso se revela nana articulação de suas dimensões técnica e política, mediadas pelaarticulação de suas dimensões técnica e política, mediadas pela ética.ética.  A autora traz, presentemente, para a discussão das competênciasA autora traz, presentemente, para a discussão das competências aa perspectiva estética, que diz respeito à presença da sensibilidade eperspectiva estética, que diz respeito à presença da sensibilidade e mesmo da beleza no trabalho.mesmo da beleza no trabalho. 66
  7. 7. Os conceitos de bem e beleza guardam em si, entre outras conotações: a idéia de fruição, de prazer, de perspectiva de saborear a realidade. No ser do professor (e do aluno que ele procura educar) entrecruzam- se três tipos de relações: o sentir, o saber e o fazer. No entanto, tanto o ser do professor quanto o do aluno tem um caráter histórico e isso não tem sido considerado muitas vezes, nas propostas oficiais, já que o discurso delas desvincula-se da prática, da realidade concreta de vida e da profissão de educadores e educandos.
  8. 8.  A tarefa fundamental da educação, da escola, é formarA tarefa fundamental da educação, da escola, é formar cidadãos, pessoas felizes,cidadãos, pessoas felizes, sendo a felicidade asendo a felicidade a realização de uma vida digna na coletividaderealização de uma vida digna na coletividade e ae a cidadania, a ação conjunta dos homens e mulheres numcidadania, a ação conjunta dos homens e mulheres num contexto determinado, num tempo determinado,contexto determinado, num tempo determinado, marcado pelos valores criados por esses mesmosmarcado pelos valores criados por esses mesmos homens e mulheres.homens e mulheres. 88
  9. 9.  No núcleo do trabalho de construção daNo núcleo do trabalho de construção da cidadania está ocidadania está o desafio dadesafio da comunicação. O ensino é a instância decomunicação. O ensino é a instância de comunicação. A aula é o espaço/tempo privilegiado dacomunicação. A aula é o espaço/tempo privilegiado da comunicação didática.comunicação didática.  Tendo em vista, a colocação anterior, a autora se propõeTendo em vista, a colocação anterior, a autora se propõe a investigar as seguintes questões:a investigar as seguintes questões:
  10. 10.  Quais os desafios que se colocam, contemporaneamente,Quais os desafios que se colocam, contemporaneamente, a uma reflexão crítica sobre a educação e o ensino?a uma reflexão crítica sobre a educação e o ensino?  •• Com quais significados o conceito de qualidade tem sidoCom quais significados o conceito de qualidade tem sido incorporado no discurso, nas políticas e nas práticas deincorporado no discurso, nas políticas e nas práticas de educação? Como podemos re-significá-los?educação? Como podemos re-significá-los?  •• Quais são os indicadores de qualidade que temQuais são os indicadores de qualidade que tem norteado o trabalho dos educadores?norteado o trabalho dos educadores?  •• Que significados estão abrigados no conceito deQue significados estão abrigados no conceito de competência?competência? 1010
  11. 11.  •• Como podem se articular os conceitos de qualidade,Como podem se articular os conceitos de qualidade, felicidade, cidadania?felicidade, cidadania?  Como essa articulação acontece nas relaçõesComo essa articulação acontece nas relações educativas no interior da prática docente?educativas no interior da prática docente?  •• Como se caracteriza a perspectiva estética que seComo se caracteriza a perspectiva estética que se encontra na competência profissional dos educadores?encontra na competência profissional dos educadores?  •• Como se evidencia no processo de construção doComo se evidencia no processo de construção do trabalho docente e de seu núcleo, a aula - o esforço natrabalho docente e de seu núcleo, a aula - o esforço na direção da competência?direção da competência?
  12. 12. CAPÍTULO 1 -CAPÍTULO 1 - COMPREENDER E ENSINAR NO MUNDOCOMPREENDER E ENSINAR NO MUNDO CONTEMPORÂNEOCONTEMPORÂNEO  Que demandas colocam-se à Filosofia e à Didática umQue demandas colocam-se à Filosofia e à Didática um cenário com as características do mundocenário com as características do mundo contemporâneo?contemporâneo?  Algumas delas são:Algumas delas são:  1 - •1 - • Um mundo fragmentado exige, para a superaçãoUm mundo fragmentado exige, para a superação da fragmentação,da fragmentação, uma visão de totalidade, um olharuma visão de totalidade, um olhar abrangente e, no que diz respeito ao ensino, aabrangente e, no que diz respeito ao ensino, a articulação estreita dos saberes e capacidades;articulação estreita dos saberes e capacidades; 1212
  13. 13.  2 - • Um mundo globalizado requer, para evitar2 - • Um mundo globalizado requer, para evitar a massificação e a homogeneidade redutora, oa massificação e a homogeneidade redutora, o esforço deesforço de distinguir para unirdistinguir para unir ,, a percepção claraa percepção clara de diferenças e desigualdades e, no que diz respeito aode diferenças e desigualdades e, no que diz respeito ao ensino, o reconhecimento de que é necessário umensino, o reconhecimento de que é necessário um trabalho interdisciplinar, que só ganha sentimento setrabalho interdisciplinar, que só ganha sentimento se parte de uma efetiva disciplinaridade;parte de uma efetiva disciplinaridade; 1313
  14. 14.  3- • Num mundo em que se defrontam a afirmação de3- • Num mundo em que se defrontam a afirmação de uma razão instrumental euma razão instrumental e a de uma de um irracionalismo,irracionalismo, é preciso encontrar o equilíbrio,é preciso encontrar o equilíbrio, fazendo afazendo a recuperação do significado darecuperação do significado da razão articulada aorazão articulada ao sentimento e, no que diz respeito ao ensino, asentimento e, no que diz respeito ao ensino, a re-re- apropriação do afeto no espaço pedagógico.apropriação do afeto no espaço pedagógico.
  15. 15. Compreender o mundoCompreender o mundo  Na educação, a referência às relações entre osNa educação, a referência às relações entre os indivíduos e à sua conduta parece indicar que aindivíduos e à sua conduta parece indicar que a demanda pela Filosofia no mundodemanda pela Filosofia no mundo contemporâneo abriga uma preocupação ética,contemporâneo abriga uma preocupação ética, e oe o núcleo da reflexão ética é onúcleo da reflexão ética é o reconhecimento do outro, o respeito peloreconhecimento do outro, o respeito pelo outro.outro. 1515
  16. 16. Ensinar o mundoEnsinar o mundo  O ensino, objeto da Didática, é uma prática socialO ensino, objeto da Didática, é uma prática social específica, que se dá no interior de um processo deespecífica, que se dá no interior de um processo de educação e que ocorre,educação e que ocorre, dede maneira sistemática,maneira sistemática, intencionalintencional  e organizada na instituição escolare organizada na instituição escolar..  A função essencial do ensino é deA função essencial do ensino é de socialização criadorasocialização criadora e re-criadora de conhecimento e culturae re-criadora de conhecimento e cultura.. 1616
  17. 17.  O ensino é uma ação que se articula à aprendizagem e,O ensino é uma ação que se articula à aprendizagem e, como gesto de socialização - construção e reconstruçãocomo gesto de socialização - construção e reconstrução - de conhecimentos e valores, ele ganha significado- de conhecimentos e valores, ele ganha significado apenas na articulação -apenas na articulação - dialéticadialética - com o processo de- com o processo de aprendizagem.aprendizagem.
  18. 18.  A extensão do mundo se torna cada vez maior emA extensão do mundo se torna cada vez maior em função da intervenção contínua que os seres humanosfunção da intervenção contínua que os seres humanos fazem sobre ele, construindo e modificando a cultura e afazem sobre ele, construindo e modificando a cultura e a história.história.  E esse mundo estabelece demandas ao docente, muitoE esse mundo estabelece demandas ao docente, muito complexas que são:complexas que são: 1818
  19. 19.  1.1. a superação da fragmentação doa superação da fragmentação do conhecimento, da comunicação, dasconhecimento, da comunicação, das relações.relações. Para isso são necessárias umaPara isso são necessárias uma visão de totalidadevisão de totalidade (o “olhar largo" da(o “olhar largo" da Filosofia da Educação) e uma visão deFilosofia da Educação) e uma visão de saberes e capacidades (o buscarsaberes e capacidades (o buscar alternativas para pensar o ensino daalternativas para pensar o ensino da Didática) no exercício de uma "vigilânciaDidática) no exercício de uma "vigilância crítica" do trabalho docente.crítica" do trabalho docente. 1919
  20. 20.  2. o2. o risco da massificação e da homogeneidade,risco da massificação e da homogeneidade, advindo do fenômeno da globalização.advindo do fenômeno da globalização. ÉÉ necessária anecessária a realização de um trabalho coletivorealização de um trabalho coletivo e interdisciplinare interdisciplinar (tendo-se interdisciplinaridade(tendo-se interdisciplinaridade por um diálogo, numa parceria que se constituipor um diálogo, numa parceria que se constitui exatamente na diferença, na especificidade daexatamente na diferença, na especificidade da ação de grupos ou indivíduos que queremação de grupos ou indivíduos que querem alcançar objetivos comuns), de maneiraalcançar objetivos comuns), de maneira orgânica, de tal modo que o aluno lembreorgânica, de tal modo que o aluno lembre sempre do "convívio inteiro" que constrói nosempre do "convívio inteiro" que constrói no diálogo com seu professor.diálogo com seu professor.
  21. 21.  3.3. oo embate entre uma razão instrumental e umembate entre uma razão instrumental e um irracionalismo:irracionalismo: é preciso encontrar o equilíbrio,é preciso encontrar o equilíbrio, fazendo a recuperação do significado da razãofazendo a recuperação do significado da razão articulada ao sentimento e, no que diz respeitoarticulada ao sentimento e, no que diz respeito ao ensino, a re-apropriação do afeto no espaçoao ensino, a re-apropriação do afeto no espaço pedagógico.pedagógico.
  22. 22. Capítulo 2:Capítulo 2: COMPETÊNCIA E QUALIDADE NACOMPETÊNCIA E QUALIDADE NA DOCÊNCIADOCÊNCIA  Uma análise crítica da qualidade deverá articular todosUma análise crítica da qualidade deverá articular todos os aspectos da realidade específica de um contextoos aspectos da realidade específica de um contexto concreto:concreto: articular os de ordem técnica e pedagógicaarticular os de ordem técnica e pedagógica aos de caráter político-ideológico, já que é necessárioaos de caráter político-ideológico, já que é necessário superar "a retórica da qualidade" que vigora em nossossuperar "a retórica da qualidade" que vigora em nossos dias, denunciar e evitar o discurso competente quedias, denunciar e evitar o discurso competente que confunde-se com a linguagem institucionalmenteconfunde-se com a linguagem institucionalmente permitida ou autorizada (Chauí 2000:7).permitida ou autorizada (Chauí 2000:7). 2222
  23. 23.  A concepção de competência que ganha a função de umaA concepção de competência que ganha a função de uma competência privada, identificada como um modelocompetência privada, identificada como um modelo sustentado pela "linguagem do especialista que detém ossustentado pela "linguagem do especialista que detém os segredos da realidade vivida e que, indulgentemente,segredos da realidade vivida e que, indulgentemente, permite ao não especialista a ilusão de participar do saber"permite ao não especialista a ilusão de participar do saber" (Chauí, 2000:13).(Chauí, 2000:13).  É preciso ponderar sobre os váriosÉ preciso ponderar sobre os vários discursosdiscursos competentes, que se dispõem a trazer fórmulascompetentes, que se dispõem a trazer fórmulas fechadas do saber e do comportamentofechadas do saber e do comportamento nas relaçõesnas relações entre os indivíduos, fazendo desaparecer a dimensãoentre os indivíduos, fazendo desaparecer a dimensão propriamente humana da experiênciapropriamente humana da experiência.. 2323
  24. 24. Qualidade ou qualidades?Qualidade ou qualidades?  É necessário, portanto, refletir sobre a questão daÉ necessário, portanto, refletir sobre a questão da qualidade na educação.qualidade na educação.  Arroyo nos lembra dos momentos fortes do movimentoArroyo nos lembra dos momentos fortes do movimento social, pedagógico e cultural brasileiro ao longo dassocial, pedagógico e cultural brasileiro ao longo das últimas décadas. Em cada um deles, segundo ele,últimas décadas. Em cada um deles, segundo ele, ""diferentes concepções e práticas ? sobre a qualidadediferentes concepções e práticas ? sobre a qualidade na educação se confrontam, avançam e recuam. Asna educação se confrontam, avançam e recuam. As propostas de educação postas hoje são a confluênciapropostas de educação postas hoje são a confluência tensa entre essas concepções e opções:"tensa entre essas concepções e opções:" 2424
  25. 25.  AA "qualidade sócio-cultural”"qualidade sócio-cultural” se contrapõese contrapõe a uma concepção que desqualificaa uma concepção que desqualifica,, ouou seja, a concepção deseja, a concepção de qualidadequalidade veiculada nos programas deveiculada nos programas de Qualidade Total,Qualidade Total, que transforma aque transforma a qualidade numa estratégia competitiva dequalidade numa estratégia competitiva de acordo com um mercado cada vez maisacordo com um mercado cada vez mais diversificado e diferenciado.diversificado e diferenciado.  O Programa de Qualidade Total se instala no BrasilO Programa de Qualidade Total se instala no Brasil principalmente naprincipalmente na segunda metade da década de 80 e chega àssegunda metade da década de 80 e chega às escolas, segundo Gentili (1995:115), como "contraface do discurso daescolas, segundo Gentili (1995:115), como "contraface do discurso da democratização", que estava presente nas escolas.democratização", que estava presente nas escolas. 2525
  26. 26. Competência ouCompetência ou competências?competências?  O uso do temo "competências", no plural,O uso do temo "competências", no plural, é recente. É constante, atualmente, aé recente. É constante, atualmente, a  referência às competências que devemreferência às competências que devem ter os profissionais de todas as áreas outer os profissionais de todas as áreas ou queque  são esperadas dos alunos nos cursos quesão esperadas dos alunos nos cursos que os formam, em diversos níveis.os formam, em diversos níveis. 2626
  27. 27.  Para Perrenoud,Para Perrenoud, as competências utilizam,as competências utilizam, integram, mobilizam conhecimentos paraintegram, mobilizam conhecimentos para enfrentar um conjunto de situações complexasenfrentar um conjunto de situações complexas e implica em uma capacidade de atualizaçãoe implica em uma capacidade de atualização dos saberedos saberes. Esse é o conceito de competênciass. Esse é o conceito de competências utilizado nos documentos que regulam a educaçãoutilizado nos documentos que regulam a educação brasileira mais recentemente, em que se supõe que obrasileira mais recentemente, em que se supõe que o desenvolvimento de competências conduz à formaçãodesenvolvimento de competências conduz à formação de um indivíduo qualificado, que deve mostrar quede um indivíduo qualificado, que deve mostrar que possui efetivamente as capacidades para mobilizar seuspossui efetivamente as capacidades para mobilizar seus conhecimentos em determinadas situações. (conhecimentos em determinadas situações. (DiscursoDiscurso da Qualidade Total).da Qualidade Total). 2727
  28. 28.  As competências no sistema em que vivemos, são definidasAs competências no sistema em que vivemos, são definidas levando-se em conta a demanda do mercado imediata,levando-se em conta a demanda do mercado imediata, mercadológica e não a demanda social, ou seja, as necessidadesmercadológica e não a demanda social, ou seja, as necessidades concretas dos membros de uma comunidade.concretas dos membros de uma comunidade.  A substituição da noção de qualificação, como formação para oA substituição da noção de qualificação, como formação para o trabalho, pela de competências, como atendimento ao mercado detrabalho, pela de competências, como atendimento ao mercado de trabalho, guardatrabalho, guarda o significado ideológico presente nao significado ideológico presente na proposta neoliberal, que se estende ao espaço daproposta neoliberal, que se estende ao espaço da educação, no qual passam a se demandareducação, no qual passam a se demandar "competências" na formação do indivíduo, ou seja,"competências" na formação do indivíduo, ou seja, busca-se o "desenvolvimento de recursos humanos".busca-se o "desenvolvimento de recursos humanos".  OO homem, no entanto, não é um recurso - ele possui recursos, criahomem, no entanto, não é um recurso - ele possui recursos, cria recursos e, ao desenvolve-los, caminha no sentido de umarecursos e, ao desenvolve-los, caminha no sentido de uma qualificação constante.qualificação constante. 2828
  29. 29.  O termo "competências", no plural, vem substituindo algunsO termo "competências", no plural, vem substituindo alguns outros: saberes, habilidades, capacidades, etc. Essaoutros: saberes, habilidades, capacidades, etc. Essa substituição é indicativa de um movimento que se dá nosubstituição é indicativa de um movimento que se dá no interior, tanto da reflexão quanto da prática educativa einterior, tanto da reflexão quanto da prática educativa e profissional, de dar maior flexibilidade à formação, rompendoprofissional, de dar maior flexibilidade à formação, rompendo com modelos fechados de saberes e disciplinas.com modelos fechados de saberes e disciplinas.  Entretanto, quandoEntretanto, quando apropriado pelas propostas oficiais,apropriado pelas propostas oficiais, percebe-se que se corre opercebe-se que se corre o risco de apenasrisco de apenas atender aatender a uma nova moda, mantendo-se no discurso, uma vezuma nova moda, mantendo-se no discurso, uma vez que não se tem alterado as condições concretas do contextoque não se tem alterado as condições concretas do contexto educacional. É necessário, portanto, afastar do conceito deeducacional. É necessário, portanto, afastar do conceito de competência umacompetência uma compreensão ideologizante, quecompreensão ideologizante, que parece ensejar um novo tecnicismo, retornando aparece ensejar um novo tecnicismo, retornando a "palavras de ordem" para falar do trabalho"palavras de ordem" para falar do trabalho pedagógico.pedagógico. 2929
  30. 30.  CompetênciaCompetência é uma totalidade que abriga em seué uma totalidade que abriga em seu interior uma pluralidade de propriedades, um conjunto deinterior uma pluralidade de propriedades, um conjunto de qualidades de caráter positivo, fundadas no bem comum,qualidades de caráter positivo, fundadas no bem comum, na realização dos direitos do coletivo de uma sociedade.na realização dos direitos do coletivo de uma sociedade.  O conceito de competência vai sendo construído a partirO conceito de competência vai sendo construído a partir mesma da práxis, do agir concreto e situado dos sujeitos,mesma da práxis, do agir concreto e situado dos sujeitos, daí a necessidade de uma formação continuada dosdaí a necessidade de uma formação continuada dos educadores.educadores. 3030
  31. 31. CAPÍTULO 3 -CAPÍTULO 3 - DIMENSÕES DA COMPETÊNCIADIMENSÕES DA COMPETÊNCIA  A dimensão técnica -A dimensão técnica - A dimensão técnica é suporteA dimensão técnica é suporte da competência, uma vez que esta se revela na açãoda competência, uma vez que esta se revela na ação dos profissionais. A técnica tem, por sua vez, umdos profissionais. A técnica tem, por sua vez, um significado específico no trabalho, nas viações.significado específico no trabalho, nas viações.  Esse significado é empobrecido, quando se considera aEsse significado é empobrecido, quando se considera a técnica desvinculada de outras dimensões. É assim quetécnica desvinculada de outras dimensões. É assim que sese cria uma visão tecnicista, na qual secria uma visão tecnicista, na qual se supervaloriza a técnica, ignorando sua inserçãosupervaloriza a técnica, ignorando sua inserção num contexto social e político enum contexto social e político e atribuindo-lhe umatribuindo-lhe um caráter de neutralidade.caráter de neutralidade. 3131
  32. 32.  A dimensão estéticaA dimensão estética  A dimensão estética da competência sempre esteveA dimensão estética da competência sempre esteve presente, mas tem sido pouco explorada. Ostrower (1986)presente, mas tem sido pouco explorada. Ostrower (1986) vê a sensibilidade como algo que vai além do sensorial evê a sensibilidade como algo que vai além do sensorial e que diz respeito aque diz respeito a uma ordenação das sensações,uma ordenação das sensações, uma apreensão consciente da realidade, ligadauma apreensão consciente da realidade, ligada estreitamente à intelectualidade.estreitamente à intelectualidade.
  33. 33. As dimensões: ética e políticaAs dimensões: ética e política  Para explorar-se o conceito de ética é necessárioPara explorar-se o conceito de ética é necessário primeiramente sintetizar um conceito de moral.primeiramente sintetizar um conceito de moral.  O termoO termo ethosethos designa a maneira de agir e de pensardesigna a maneira de agir e de pensar que constitui a marca de um grupo, de um povo, de umaque constitui a marca de um grupo, de um povo, de uma sociedade.sociedade.  NoNo ethos manifesta-se um aspectoethos manifesta-se um aspecto fundamental dafundamental da existência humana:existência humana: a criação de valores.a criação de valores. Tende-se aTende-se a qualificar como boa ou correta uma conduta que sejaqualificar como boa ou correta uma conduta que seja costumeira e a estranhar, e mesmo qualificar de má,costumeira e a estranhar, e mesmo qualificar de má, uma conduta a que não se está acostumado.uma conduta a que não se está acostumado.
  34. 34.  OO ethos éethos é o ponto de partida para a instalaçãoo ponto de partida para a instalação dodo nomos,nomos, da lei, da regra. Ada lei, da regra. A moralmoral é, portanto,é, portanto, oo conjunto de normas, regras e leis destinadas aconjunto de normas, regras e leis destinadas a orientar a ação e a relação social e revela-se noorientar a ação e a relação social e revela-se no comportamento prático dos indivíduos.comportamento prático dos indivíduos. 3434
  35. 35.  A moral torna-se uma instituição que nos informa acercaA moral torna-se uma instituição que nos informa acerca do melhor medo para resistir, mediante a consideraçãodo melhor medo para resistir, mediante a consideração e o respeito, àe o respeito, à extrema vulnerabilidade das pessoasextrema vulnerabilidade das pessoas (Habermas 1991:105), que se configura em vários níveis(Habermas 1991:105), que se configura em vários níveis da vida humana.da vida humana. 3535
  36. 36. Trabalho docente competenteTrabalho docente competente  OO trabalho docente competente é um trabalhotrabalho docente competente é um trabalho que faz bem.que faz bem. Essa é a tese daEssa é a tese da autora. Aautora. A competência não écompetência não é algo abstrato ou umalgo abstrato ou um modelo,modelo, ela é sempre situada e,ela é sempre situada e, portanto,portanto, aa docência da melhor qualidade se afirmará nadocência da melhor qualidade se afirmará na explicitação dessa qualidadeexplicitação dessa qualidade em cada dimensãoem cada dimensão da docência:da docência: 3636
  37. 37. Dimensões da docênciaDimensões da docência  na dimensão técnica,na dimensão técnica, que diz respeito à capacidade deque diz respeito à capacidade de lidar com os conteúdos - conceitos, comportamentos elidar com os conteúdos - conceitos, comportamentos e atitudes - a à habilidade de construí-los e reconstruí-losatitudes - a à habilidade de construí-los e reconstruí-los com os alunos;com os alunos;  •• na dimensão estética,na dimensão estética, que diz respeito à presença daque diz respeito à presença da sensibilidade e sua orientação numa perspectivasensibilidade e sua orientação numa perspectiva criadora;criadora;  •• na dimensão políticana dimensão política, que diz respeito à participação, que diz respeito à participação na construção coletiva da sociedade e ao exercício dena construção coletiva da sociedade e ao exercício de direitos e deveres;direitos e deveres;  •• na dimensão éticana dimensão ética, que diz respeito à orientação da, que diz respeito à orientação da ação, fundada no princípio do respeito e daação, fundada no princípio do respeito e da solidariedade, na direção da realização de um bemsolidariedade, na direção da realização de um bem coletivo.coletivo. 3737
  38. 38. Dimensão éticaDimensão ética  A dimensão ética é a dimensão fundante daA dimensão ética é a dimensão fundante da competência porque a técnica, a estética e acompetência porque a técnica, a estética e a política ganharão seu significado pleno quando,política ganharão seu significado pleno quando, além de se apoiarem em fundamentos própriosalém de se apoiarem em fundamentos próprios de sua natureza, se guiarem por princípiosde sua natureza, se guiarem por princípios éticos.éticos. 3838
  39. 39. CAPÍTULO 4 -CAPÍTULO 4 - FELICIDADANIAFELICIDADANIA  Felicidadania,Felicidadania, para a autora, é o que se coloca nopara a autora, é o que se coloca no horizonte de uma práticahorizonte de uma prática profissional que se querprofissional que se quer competente.competente.  Cidadania implica uma consciência de pertençaCidadania implica uma consciência de pertença a umaa uma comunidadecomunidade e também de responsabilidadee também de responsabilidade compartilhada.compartilhada. A cidadania ganha seu sentido numA cidadania ganha seu sentido num espaço de participaçãoespaço de participação democrática de todos osdemocrática de todos os cidadãos, no qual se respeita o principio ético dacidadãos, no qual se respeita o principio ético da solidariedade. O empenho coletivo, portanto, deve sesolidariedade. O empenho coletivo, portanto, deve se dar na direção de umadar na direção de uma democratização, assim como dedemocratização, assim como de uma construção constante da cidadania.uma construção constante da cidadania. 3939
  40. 40.  À escola cabe desenvolver seu trabalho noÀ escola cabe desenvolver seu trabalho no sentido de colaborar na construção da cidadaniasentido de colaborar na construção da cidadania democrática, dademocrática, da felicidadania.felicidadania.  Construir aConstruir a felicidadaniafelicidadania, na ação docente, é, na ação docente, é reconhecer o outro. Nesse sentido, é necessário...reconhecer o outro. Nesse sentido, é necessário... 4040
  41. 41.  11.. Para o professor, reconhecer o outro no aluno éPara o professor, reconhecer o outro no aluno é considerá-lo naconsiderá-lo na perspectiva da igualdade naperspectiva da igualdade na diferençadiferença, tendo-se o respeito como corolário;, tendo-se o respeito como corolário;  2. Tomar como referência o2. Tomar como referência o bem coletivobem coletivo. Os. Os princípios que norteiam a ação do professor devemprincípios que norteiam a ação do professor devem sempre visar o bem coletivo;sempre visar o bem coletivo;  3. Envolver-se na elaboração e desenvolvimento de um3. Envolver-se na elaboração e desenvolvimento de um projeto coletivo de trabalho.projeto coletivo de trabalho. 4141
  42. 42.  4. Instalar na escola e na aula uma4. Instalar na escola e na aula uma instância deinstância de comunicação criativacomunicação criativa. A forma que se reveste a. A forma que se reveste a comunicação pode favorecer ou afastar a possibilidadecomunicação pode favorecer ou afastar a possibilidade de uma aprendizagem realmente significativa, calcadade uma aprendizagem realmente significativa, calcada no diálogo; que se faz na diferença e na diversidade;no diálogo; que se faz na diferença e na diversidade;  5. Criar espaço, no cotidiano da relação pedagógica, a5. Criar espaço, no cotidiano da relação pedagógica, a afetividade e a alegria;afetividade e a alegria;  6.6. LutarLutar pela criação e pelo aperfeiçoamento constantepela criação e pelo aperfeiçoamento constante das condições viabilizadoras de um trabalho de boadas condições viabilizadoras de um trabalho de boa qualidade.qualidade. 4242
  43. 43.  A autora, ao concluir, afirma que "oA autora, ao concluir, afirma que "o trabalho docente só serve par colaborartrabalho docente só serve par colaborar na construção dana construção da felicidadaniafelicidadania ou seja, sóou seja, só serve para se procurar fazer a vida daserve para se procurar fazer a vida da melhor qualidade."melhor qualidade." 4343
  44. 44. 4444 Idéias centrais da obra  Reflexão sobre a relação necessária entre a filosofia e a didática  A condição primeira para ensinar é compreender o mundo  Os educadores não podem correr o risco de fechar a porta da sala de aula e esquecer o mundo externo.  A filosofia é o grande recurso a ser utilizado para compreender o mundo, considerando que apenas a visão aberta e atenta aos desafios da contemporaneidade é que habilita ao magistério
  45. 45. 4545  Um mundo fragmentado exige, para a superação do fragmento, uma visão de totalidade, um olhar abrangente e, no que diz respeito ao ensino, a articulação estreita dos saberes e capacidades  Um mundo globalizado requer, para evitar a massificação e a homogeneidade redutora, o esforço de distinguir para unir.  Um mundo em que se defrontam a afirmação de uma razão instrumental e a de um irracionalismo, é necessário encontrar o equilíbrio.
  46. 46. 4646  Dimensão técnica - Capacidade de lidar com os conteúdos – conceitos, comportamentos e atitudes – e à habilidade de construí-los e reconstruí-los  Dimensão política - Participação na construção coletiva da sociedade e ao exercício de direitos e deveres  Dimensão ética - Orientação da ação, fundada no princípio do respeito e da solidariedade, na direção da realização de um bem coletivo  Dimensão estética - Presença de sensibilidade e sua orientação em uma perspectiva criadora
  47. 47. 4747
  48. 48. FIMFIM

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