PAINEL                             CINE ARTE & CULTURA EDUCATIVA                          Aline S. Cerutti -Mestrado em Hi...
2. A produção fílmica: arte e cultura e suas possibilidades pedagógicas        A produção fílmica inicialmente restrita ao...
nacionais da contemporaneidade como: “Rubem Valentim Geometria Sagrada” 6 e “A Herançade Mestre Vitalino”7, ambos da coleç...
podemos observar em outros filmes como: “A Poeira: uma história do Pantanal9”, dirigido porAugusto C. Proença e Hélio Godo...
A análise iconográfica tem o intuito de detalhar sistematicamente e inventariar o conteúdo das           imagens em seus e...
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Artigo painel cine arte & cultura educativa

  1. 1. PAINEL CINE ARTE & CULTURA EDUCATIVA Aline S. Cerutti -Mestrado em História/UFGD- Docente/Artes Visuais Pamela Aparecida S. de Oliveira - Acadêmica/Artes Visuais Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMSResumoO Projeto de extensão: Cine Arte & Cultura Educativa, proposta do Curso de Artes Visuais/CCHS/UFMS fazparte do Programa do Arte na Escola-Pólo UFMS, está aberto à participação da comunidade interna e externa docampus. O objetivo é promover diálogos culturais e visuais, a partir da apresentação de filmes e, incluem osDVDs do Programa Arte na Escola. A mediação dos filmes é realizada, após as sessões, pelas acadêmicas doCurso de Artes Visuais. Para a execução do projeto foram selecionados filmes, realizado o planejamento da açãopedagógica e a leitura fílmica e bibliográfica dos autores e textos que proporcionam o embasamento dos diálogospara promoção dos debates sobre arte, cultura e educação. E, foi realizada a sistematização dos resultados, doprimeiro semestre, para avaliação, produção teórica e publicação.De abril a setembro de 2011 foram realizadas 21 exibições de vídeos, para 350 pessoas, promovendo diálogossobre arte, cultura, tecnologia e educação. Os filmes exibidos contemplam os discursos sobre as artes visuaisbrasileiras e estrangeiras, também permeiam universos interculturais, a partir de documentários que abordamsobre as diversidades étnicas culturais, as identidades e diversidades brasileiras e sul – mato-grossense. Podemoscitar alguns filmes exibidos como: A poeira, uma história no Pantanal, Lixo Extraordinário de Vik Muniz eRubem Valentim Geometria do Sagrado, DVD do Arte na Escola. A discussão sobre a cultura digital foiintroduzida com o filme Avatar assistido em 3D. O projeto acontece nas segundas- feiras, às 13h, no anfiteatrodo Curso de Artes Visuais /CCHS/UFMS.PALAVRAS-CHAVE: diálogos artísticos culturais; filmes; interculturalidade.1. Introdução O projeto de extensão intitulado Cine Arte & Cultura Educativa, foi elaboradoatendendo a solicitação das acadêmicas do Curso de Artes Visuais, Pamela A. S. de Oliveira,Vanessa Aparecida da Silva Sá que neste momento, junto Nelly Stefany e Amanda Sandin,atuam na execução desta proposta, realizando a mediação dos debates após os filmes nosencontros semanais, sob a orientação e coordenação da Profa Ma. Aline Sesti Cerutti O objetivo principal do projeto refere-se à promoção de diálogos visuais einterculturais, a partir de filmes, os quais são indicados pelos professores e acadêmicos doCurso de Artes Visuais/UFMS. Possibilitam também diálogos interdisciplinares, à medida queos conhecimentos são referenciados em sala de aula. Há participação com sugestão de filmes,por outras pessoas da comunidade, como os professores das escolas públicas. Outra intenção do projeto é a ampliação do acervo de DVDs do Arte na Escola póloUFMS, que contempla uma boa relação de documentários referentes à História da Arte deartistas brasileiros. Outros DVDs de arte e cultura são, no entanto, locados pelos professorese, utilizados nas aulas do Curso de Artes Visuais. O método utilizado no desenvolvimento do projeto parte de um planejamento da açãopedagógica que inclui a seleção, aquisição ou locação de filmes. A leitura fílmica e discussãoa partir dos referenciais bibliográficos, para promoção dos debates sobre arte, cultura eeducação. Há divulgação do projeto e dos filmes semanais através do site 1 e de cartazes pelocampus UFMS. No planejamento destas ações, a elaboração da produção teórica, com publicação deartigos sobre o tema proposto foi considerada uma forma importante de sistematização,avaliação, divulgação e aprendizagem sobre o diálogo entre a arte e cultura desenvolvido noprojeto.1. Site do Projeto Cine Arte &Cultura Educativa: HTTP://cinearteecultura.blogspt.com/p/o-projeto_01.html 1
  2. 2. 2. A produção fílmica: arte e cultura e suas possibilidades pedagógicas A produção fílmica inicialmente restrita ao cinema, com o passar do tempo,conquistou outros espaços através da televisão, do vídeo e da multimídia. Tornou-se umalinguagem visual que poder ser utilizada como entretenimento e lazer, informação eprincipalmente formação. Desta forma, ganha dimensões pedagógicas e, penetra o espaço dasescolas e universidades brasileiras através de projetos e iniciativas que utilizam da linguagemdo cinema e, através do uso de filmes e documentários com fins educativos. A opção pelo filme, não como uma linguagem, mas como material didáticopedagógico sob a forma do projeto Cine Arte & Cultura Educativa, se deve ao fato do cinema,condensar através do filme, imagens e informações sobre artes visuais e cultura, propiciandoassim, um diálogo frutífero. Os filmes com temáticas artísticas visuais possibilitam a compreensão do processo deconstrução da obra pelo artista e se abre para diferentes leituras e interpretações dasproduções artísticas em diferentes contextos em que foram concebidas. O acesso democrático à informação artística cultural e a educação estética, leva osindivíduos a compreensão da gramática visual e a apropriação dos códigos culturais dediferentes grupos, possibilitando uma reflexão a cerca das imagens tanto da arte como dacultura visual presente no cotidiano. No Curso de Artes Visuais/UFMS, contamos com um acervo de DVDs do ProgramaArte na Escola referente às artes visuais no cenário nacional. Funcionam no sistema deempréstimos para os professores da rede pública e privada de ensino e para os docentes ediscentes do Curso. Estes últimos utilizam em sala de aula, além destes DVDs, outros filmessobre a vida e obra de artistas nacionais e internacionais e documentários com temáticas comdiscussões sócio-culturais, que não são encontrados no Arte na Escola, são alugados emvídeos-locadora da cidade. O projeto: Cine Arte & Cultura Educativa, no período de abril a setembro de 2011, foipossível exibir 21 filmes, promovendo debates sobre arte e cultura com aproximadamente 350participantes. Após a análise dos resultados obtidos no projeto, podemos apontar algumas reflexõescomo, a seleção dos filmes, que não ocorreu com base exclusiva na História da Arte e, deforma linear, mas, observando o sentido proposto, evidenciando os diálogos possíveis daobra /artista e aspectos contextuais, tecendo uma variedade de relações interculturais. Segundo Barbosa (2006, p. 206) “o currículo intercultural deve incluir o estudocontínuo das culturas, as experiências históricas, as realidades sócias, as condiçõesexistenciais dos grupo étnicos e culturais, incluindo uma variedade de composições raciais”. Muitos filmes sobre artistas e obras, foram sugeridos pelos docentes do Curso de ArtesVisuais/UFMS, por serem importantes nas disciplinas. Contemplam discursos de produçãovisual cultural européia, de diferentes períodos históricos. Também permeiam diferentesdiálogos visuais e culturais brasileiros e estrangeiros contemporâneos. Dos filmes selecionados até o momento no projeto, 07 tratam o universo da Históriada Arte, abordando vida e obras dos artistas das artes visuais, estrangeiros como: “FridaKahlo” 2, “Goya em Burdeos” 3, “Caravágio” 4 e “A Sede de Viver” (Van Gogh)5. E,2 . Frida. Direção de Julie Taymor. 2002. Disponível em: <http://www.miramax.com/.> Acesso em: 18/09/2011.3 . Goya em Burdeos. Direção: Carlos Saura. Atores: 1999. Disponível em:<http://www.spe.sony.com/classics/go yainbordeaux.> Acesso em: 18/09/2011.4 . Caravágio. Direção de Derek Jarman. 1986. Disponível em: <http://www.zeitgeistfilms.com/current/caravaggio/caravaggio.html> Acesso em: 15/09/2011.5 . A Sede de Viver. Direção: Vincente Minnelli. 1956. Disponível em:<http://www.interfilmes.com/filme_17117_sede.de.viver.html>Acesso em: 15/09/2011. 2
  3. 3. nacionais da contemporaneidade como: “Rubem Valentim Geometria Sagrada” 6 e “A Herançade Mestre Vitalino”7, ambos da coleção de DVDs do Instituto Arte na Escola, e o filme “LixoExtraordinário” 8 produzido por Vik Muniz. As visualidades presentes no nosso cotidiano e as obras de arte constituem umuniverso de sentido produzido por diferentes contextos históricos culturais. São criaçõespromovidas a partir do exercício da formatividade e materialidade, que envolvem apercepção, a intuição e o conhecimento sobre o mundo e em especial sobre a natureza, acultura e a arte. Apreender mais sobre estes aspectos, pode proporcionar uma melhorprodução e compreensão das mensagens visuais e das relações interpessoais. Com relação à arte se percebe que, forma e conteúdo podem se relacionar na busca dainterpretação e criação de sentido. Segundo Pareyson (1997, p.56) “o conteúdo nasce como talno próprio ato em que nasce a forma, e a forma não é mais que a expressão acabada doconteúdo”. Analisando bem, nesta concepção, fazer arte significa “formar” conteúdosespirituais, dar uma “configuração” à espiritualidade, traduzir o sentimento em imagem,exprimir sentimentos. Neste sentido, tornou-se muito interessante o debate no Cine Arte &Cultura Educativa,após a exibição do filme-documentário “Lixo Extraordinário’ produzido por Vik Muniz. Osdiálogos interculturais foram promovidos entre a arte contemporânea e as problemáticassócio-ambientais. Neste dia de exibição do filme, houve participação dos alunos e professorade Artes da escola pública, abrindo assim, o projeto para diálogos além das fronteirasuniversitárias. O debate propiciou ótima discussão sobre a produção do artista Vik Muniz, e douniverso da produção artística contemporânea, pelo uso dos novos materiais, que de certaforma não são considerados tradicionais e muitas vezes perecíveis. A reprodutibilidade eapropriação da imagem. Já que o artista faz referência a imagens de autoria de outros para suare-elaboração artística. E, principalmente, como a arte contemporânea, propicia umadiscussão sobre a própria arte, seus elementos, enfim, se auto-refere, impondo ao observador adecodificação do conceito que está sendo discutido na obra. No processo de criação desta a obra “Lixo Extraordinário” foi possível realizarrelações e reflexões, contextualizando sobre o meio ambiente e sustentabilidade. Em constante estado de pesquisa e abordagens interdisciplinares a arte contemporânearomove inter-relações com outras linguagens da arte como a música, as artes cênicas e adança. Também possibilita relações com a ciência, a tecnologia, a matemática, antropologia ea ecologia. A arte amplia o campo de referenciais híbridos aliados a sociologia propicia reflexãoestética sobre questões sócio-políticas culturais, temas importantes para criações visuaisconsiderando os processos da globalização e as miscigenações culturais, intercambiandosingularidades. Assim, artistas tornam universais suas problemáticas regionais. Como6 . Rubem Valentim Geometria Sagrada/Instituto Arte na Escola: autoria de Solange Utuari; coordenação deMiriam Celeste Martins e Gisa Picosque. São Paulo: Instituto Arte na Escola. 2006. Disponível em:<http://www.artenaescola.org.br/dvdteca/pdf/arq_pdf_24.pdf.> Acesso em: 15/09/2011.7 . A Herança de Mestre Vitalino/Instituto Arte na Escola: autoria de Elaine Shimidlin; coordenação de MiriamCeleste Martins e Gisa Picosque. São Paulo: Instituto Arte na Escola. 2006. Disponível em:<http://www.artenaescola.org.br/dvdteca/pdf/arq_pdf_67.pdf.> Acesso em: 17/09/2011.8 . Lixo Extraordinário. Direção: Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley. 2010. Disponível em:<http://www.cinemaemcena.com.br> Acesso em: 17/09/2011. 3
  4. 4. podemos observar em outros filmes como: “A Poeira: uma história do Pantanal9”, dirigido porAugusto C. Proença e Hélio Godoy. Outros filmes brasileiros e estrangeiros exibidos no Cine Arte e Cultura Educativapromoveram os diálogos entre a arte e a diversidade cultural. Entre eles, podemos citar:“Abril Despedaçado10”, “Vida Maria11”, “Invictus12”. E, o filme “Avatar13”, assistido em 3D,com a tecnologia do Laboratório de Pesquisa em Imagem e Som. Promovendo diálogos interdisciplinares com a cultura digital e a produção 3D, sob amediação do Prof Me. Joaquim Sérgio Borgato, professor de tecnologia e cinema, do Cursode Artes Visuais/UFMS, junto ao mestrando Renan Kubota, cujo filme exibido, Avatar, é seuobjeto de estudos no Programa de Mestrando em Estudos de Linguagens/UFMS. Desta forma, é possível compreender que formar apreciadores e leitores críticos dalinguagem fílmica pode ser uma opção a mais, visa mais que o entretenimento, uma escolhapessoal, abrange uma ação maior, como afirma Duarte: (...) ir ao cinema, gostar de determinadas cinematografias, desenvolve os recursos necessários para apreciar os mais diferentes tipos de filmes etc., longe de ser apenas uma escolha de caráter exclusivamente pessoal, constitui uma prática social importante que atua na formação geral das pessoas e contribui para distingui-las socialmente. Em sociedades audiovisuais como a nossa, o domínio dessa linguagem é requisito fundamental para se transitar bem pelos mais diferentes campos sociais (DUARTE, 2002, p. 14). Como se pode perceber, no projeto Cine Arte & Cultura Educativa, dois aspectosprincipais foram levados em consideração na elaboração e execução da proposta: aimportância da leitura fílmica e a utilização de filmes possibilitando o diálogo entre arte einterculturalidade. Tornando-se importante realizar uma maior reflexão sobre o assunto.3. A leitura das produções fílmicas O uso da imagem e som na sala de aula tem se realizado no ensino. Porém muitasvezes a atividade se resume em olhar ou apreciar o material sem a devida reflexão, discussãoe produção textual ou visual como devolutiva do que foi visto e supostamente apreendido. Um filme, uma imagem, um slide, um programa multimídia e outros possibilitaminformações e conhecimentos codificados, cuja leitura e reflexão crítica se faz necessária paraque ocorra a decodificação da mensagem sócio-cultural. Segundo Kossoy (2001) uma imagem fornece muitas informações, desta forma deve-se construir através de análises a sua interpretação. O autor propõe a utilização da Iconografiae a Iconologia.9 . A Poeira: uma história do Pantanal. DVD. Duração 14 min. Sistema NTSC. Formato XDCAM HIGHT DEF.16:9. Roteiro e direção geral: Augusto Cesar Proença. Produção e dir. associada: Hélio Godoy. 2008. O filme foiconcebido originalmente para o público infanto-juvenil.10 . Abril Despedaçado. Direção: Walter Salles. 2001. Disponível em: <http://www.abrildespedacado.com.br/pt/entrada_pt.htm Acesso em: 17/09/2011.11 .Vida Maria. Diretor Márcio Ramos. Animação. 2006. Disponível em: <http://portacurtas.org.br/Filme.asp?Cod=4910.> Acesso em: 21/09/2011.12 . Invictus. Diretor: Clint Eastwood. 2009. Disponível em: <.http://www.cineweb.com.br> Acesso em:17/09/2011.13. Avatar. Direção: James Cameron. 2009. Disponível em: <http://interfilmes.com> Acesso em: 17/09/2011. 4
  5. 5. A análise iconográfica tem o intuito de detalhar sistematicamente e inventariar o conteúdo das imagens em seus elementos icônicos formativos; o aspecto literal e descritivo prevalece, o assunto registrado é perfeitamente situado no espaço e no tempo, além de corretamente identificado. A análise iconográfica, entretanto situa-se ao nível da descrição, e não da interpretação (KOSSOY, 2001, p.95). De certa forma, a análise iconográfica é realizada quase sempre e de forma maisimediata ao assistirmos, por exemplo, um filme, falamos sobre a sinopse, descrevemos ascenas, falamos dos atores suas atuações e até emitimos um parecer se gostamos ou não do quevimos relacionando às nossas primeiras impressões e até ao gosto pessoal. A iconologia, no entanto, segundo Kossoy: Cumpre desvendar agora, através do assunto registrado no documento (segunda realidade), a situação que envolveu o referente que originou no contexto da vida passada (primeira realidade). Aqui, busca-se o significado do interior do conteúdo, no plano da interpretação iconológica, tomando emprestado o termo de Panofsky. Para tal busca, a reflexão foi centrada, de início, no indivíduo enquanto interprete de sua própria história. (KOSSOY, 2001, p.99). Para tanto, somente através da análise iconológica se percebe os detalhes e meandros,o que há por trás da imagem, nas entrelinhas, para compreender como o tema ou assunto foielaborado e quais as interpretações possíveis. Faz-se necessário compreender o contextohistórico, ao qual foi produzido estabelecendo a relação entre fatos, conceitos e significações,sem esquecer-se da percepção sobre as intenções do autor que produziu a obra. Um documentário ou uma fotografia sempre é um recorte fragmentado de umarealidade, passa pelo olhar e escolhas do autor e de quem encomendou a obra, com inúmerasintenções, assim, outras fontes de informações devem ser tomadas para aprofundar e dar aconhecer determinado fato, tema, conteúdo das imagens propostas para leitura. O mediador deve saber que ao utilizar de recursos áudios visuais como umdocumentário, além de compreender os aspectos culturais no qual foi concebida a obra quevai ser exibida, necessita conhecer o grupo de sujeitos que irão apreciar a mesma e o modocomo deverá interagir lidando com as identidades e alteridades. Ver e construir um roteiro exploratório sobre o filme ou documentário segundo Me.Claudemir Ferreira (2011), no artigo publicado no site do Arte na Escola, começa pelaindicação dos dados referenciais ou créditos do filme como o título, diretor, atores, gênero,escola a que possa ser associado (Neo-realismo, Cinema Novo ou Nouvelle Vague e outras), ea sinopse da história. Logo após devemos passar para uma descrição analítica dospersonagens e suas narrativas. A análise vem a seguir, observando a ideia principal e atemática em discussão. Acrescentaria que, após apreciar o filme, realizar a leitura fílmica, deve-se promoveros diálogos enriquecedores entre os participantes, já que o ato de ver é ampliado com olhar dooutro, considerando suas subjetividades e vivências. Proposta que vem sendo realizada noProjeto Cine Arte & Cultura educativa.4. A produção fílmica: Promovendo Diálogos interculturais O trabalho pedagógico com as imagens relacionadas à produção visual artística ecultural instiga e forma nossas identidades culturais e ampliam nossos conhecimentos.Segundo Martins: O papel que as imagens desempenham na cultura e nas instituições culturais não é o de refletir a realidade ou torná-la mais real, mas de articular e colocar em cena a diversidade de sentidos e significados. Embora indivíduos de um mesmo grupo ou comunidade convivam com as mesmas imagens, cada um as vive e interpreta de maneira diferente, distinta, criando brechas e espaços de 5
  6. 6. diversidade. O problema é que grupos hegemônicos aspiram impor e autorizar suas interpretações, seu nível de verdade, constrangendo os outros a aceitar esta interpretação ou a lutar para libertar as imagens do humo imobilizador do habitus acadêmico ou mercadológico. (MARTINS, 2007, p. 5). Selecionar filmes e documentários promovendo o encontro entre os aspectos artísticose culturais, como forma educativa, torna maior a responsabilidade da mediação e o trabalhopedagógico da análise fílmica. Devem estar comprometidos com a ampliação dos referenciaisimagéticos culturais, nacionais e internacionais da contemporaneidade e, principalmente doscontinentes muito pouco conhecidos e como a Ásia e África e, principalmente da AméricaLatina, promovendo a dissipação dos estereótipos, das representações, promovendo osdiálogos interculturais. Segundo Ana Mae Barbosa (1998, p. 14) “a identidade cultural não é uma forma fixa econgelada, mas um processo dinâmico, enriquecido através do diálogo e trocas com outrasculturas”. Isto pode ser percebido com a promoção da interculturais em arte, para tanto énecessário reconhecer e celebrar a diversidade cultural em arte em nossa sociedade, enquantotambém se potencializa o orgulho pela herança cultural em cada indivíduo. Discussões sobre a formação identitária cultural nacional e regional foramcontemplados nos diálogos sobre arte e cultura nos filmes exibidos no projeto Cine Arte &Cultura Educativa como podemos observar nos três filmes citados a seguir. Podemos iniciar com a reflexão sobre o filme nacional “Abril Despedaçado” dirigidopor Walter Salles, nele se percebe um universo das tradições culturais épicas organizadassobre a econômica com base na monocultura, latifúndio e escravidão, no sertão nordestino nocomeço do século XX. Conclui-se que a supremacia dos laços de sangue, a força das tradiçõese o poder patriarcal criam representações sobre os valores da civilidade social, produzindo avingança, a repressão e a violência. Romper com certas tradições sócio-culturais possibilita repensar valores e dar novosentido a vida e as relações sociais. Desfazer os estereótipos sobre as questões de classe,gênero e raça, refletir sobre o poder que passa a se constituir como “verdades” necessárias amanutenção do próprio poder de uns sobre os outros, personificam discriminações. SegundoBhabha (1998, p.110) “uma confiança limitadora e tradicional” são estereótipos capazes deconstruir posições de sujeito sustentadas na arbitrariedade “de um ponto seguro deidentificação”. Estas e outras relações podem estabelecer um diálogo educativo e a reflexão artísticacultural sobre questões como a Africanidades a partir dos filmes e documentários exibidos noCine Arte e Cultura Educativa, como: “Invíctus” e “Rubem Valentim Geometria Sagrada” dacoleção de DVDs Arte na Escola/pólo UFMS. O filme Invíctus, trata sobre a luta contra o apartheid, empreita realizada pelopresidente da África do Sul, onde Nelson Mandela, apropria-se de um esporte de origemeuropéia - o rugby, que se torna tradição, com a neo-colonização, com a finalidade de refazeruma relação multicultural crítica e anti-racista entre as diferentes etnias para reconstrução danação. Segundo Foucault (1979, p.8) “os jogos de poder que as imagens insinuam, sãocapazes de produzir coisas, induzir ao prazer, formar saber, produzir discurso”. Perceber ofetiche do tipo idealizado nas identidades que se constituem como, por exemplo, na etniabranca européia, dócil, feliz e pacificada de padrão sócio cultural hegemônico, diferente,porém, da realidade, que se concretiza hoje cada vez mais diversificada e híbrida se constituina chave para desvelar estereótipos. A sociedade herdou teorias culturais que explicavam o mundo idealizado, porémencobriam representações sobre o “outro” “inventado” divulgado sob a forma de livros, filmese outros recursos. Hoje estes veículos de formação e informações áudios-visuais são utilizados 6
  7. 7. também como fontes importantes para reflexão cultural desmitificando as representaçõessociais. Conhecer sobre a África Tradicional e contemporânea através da leitura de textos efilmes, perceber como códigos artísticos culturais ora permanecem, ora se re- criam na arte ecultura dos afro-descendentes brasileiros foi fundamental na compreensão do documentárioexibido intitulado: “Rubem Valentim Geometria Sagrada” da coleção de DVDs do InstitutoArte na Escola. Uma reflexão sobre a criação artística a partir das investigações da arte afro-brasileira, sistema simbólicas, sincretismo religioso e interculturalidade. No olhar do artistaValentim a brasilidade se concretiza através das cores e formas e do tema afro. Percebe-se no mundo atual que as identidades e as alteridades são produto dasrepresentações construídas na comunicação, pelos grupos que interagem fortalecendo ourompendo estruturas sócio-culturais. Desta forma, o filme, relacionando a arte e a cultura,pode criar possibilidade de encontros e diálogos interculturais e visuais reconhecendo asdiferenças e similaridades, celebrando as diversidades raciais e culturais. Outro filme bem interessante para discutir a formação identitário na relação regional euniversal, pode se tornar objeto de reflexão foi: “A Poeira: uma história do Pantanal”(Coleção de DVDs do pólo Arte na Escola/UFMS), dirigido pelo poeta e escritor Augusto C.Proença e o diretor Hélio Godoy. Em Poeira, são produzidas representações do homem pantaneiro - o mestiço forte evalente, retomando a formação identitária do brasileiro do inicio do sec. XX produto dasmestiçagens a partir das três raças, o branco, o negro e o índio, transformando-o em um heróida região que vive em “harmonia” com o meio ambiente paradisíaco- o pantanal sul - mato-grossense. No Mato Grosso do Sul, a construção identitária cultural pode ser citada como umbom exemplo para se pensar a cultura como dinâmica, onde os signos, por vezes reduzidos aestereótipos como a Seriema, ave símbolo do pantanal ou o “índio” visto de formageneralizada, passam a ser eleitos por uma minoria, representativa do poder local, tornandohomogênea ou simplista as identidades culturais regionais que estão em constante movimentoe reconstrução cultural. E, assim não contemplam o caldeirão cultural regional de MS e sua relação com ouniversal, principalmente por ser uma região fronteiriça com o Paraguai e a Bolívia, além dacontribuição sócio-cultural a partir da vinda de migrantes e imigrantes de diversas nações epartes do país. Gruzinski (2001) diz que isso é possível a partir do intercambio culturalatravés da migração de pessoas e mercadorias, onde as fronteiras são fronteiriças, favorecendoas hibridizações e mestiçagens através de ricos diálogos. No mundo atual as identidades e as alteridades são produto das representaçõesconstruídas pela comunicação, pelos grupos que interagem fortalecendo ou rompendoestruturas sócio-culturais. O fluxo cultural, o estreitamento dos laços entre as nações, e o consumismo global,possibilitam identificações partilhadas, consumidores para os mesmos bens. Segundo Hall(2003) embora exista uma força dominante de homogeneização cultural americana, que temse chamado de MacDonal-dização de tudo, tentando subjugar as outras culturas, os produtosculturais de países menos favorecidos estão se fortalecendo pela diversidade, pelo turismo. Canclini (1987, p.348) comenta que: “as artes se desenvolvem em relação a outrasvisualidades, como o artesanato que passa do campo às produções da cidade. Nosintercâmbios, fortalecemos identidades e alteridades entre os povos”, assim signos vindos dediversas classes e nações e constituem a dinâmica cultural.Considerações finais 7
  8. 8. Os resultados obtidos, com o desenvolvimento do projeto Cine Arte e CulturaEducativa, de abril a setembro de 2011, foram considerados muito bons. Exibidos 21 filmesem DVD, com a participação de aproximadamente 350 pessoas, entre discentes, docentescomunidade externa e interna, participação em especial da rede de ensino pública. A participação dos professores do Curso de Artes Visuais, das diferentes áreas,possibilitou adquirir outros conhecimentos e aprofundar os debates, promovendo ainterdisciplinaridade no currículo, através da linguagem fílmica. Os diálogos interculturais com a arte, tecnologia e educação, após os filmes, foramintensos e proveitosos. Possibilitando questionamentos importantes sobre o artista, suaprodução, a proposta intercultural, possibilitando ampliar o olhar para conhecer diferentesculturas e contextos contemporâneos. A Produção teórica escrita e a proposta de publicaçãosobre o Cine Arte & Cultura Educativa, aconteceram em setembro no I Seminário DiálogosVisuais e Culturais no Cenário da Pesquisa em MS/UFMS e acontecerá em novembro noCONFAEB 2011.ReferênciasARCHER, Michael. Arte contemporânea: uma história concisa. São Paulo: M. Fontes, 2001.BARBOSA, Ana Mae. Tópicos Utópicos. Belo Horizonte: C/Arte, 1998.__________ . Arte/Educação Contemporânea: Consonâncias Internacionais. São Paulo:Cortez, 2005.HALL, Stuart. Da diáspora-Identidades e Medicações Culturais. UFMG, 2003.CANCLINI, Nestor Garcia. Culturas Híbridas. Estratégias para entrar e sair damodernidade. São Paulo: EDUSP, 1998._________Diferentes, desiguales y desconectados. Mapas de la interculturalidad. Barcelona,Gedisa Editorial 2004.DUARTE, Rosália. Cinema e educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.FERREIRA, Claudemir. O cinema e a sala: apreciação e leitura fílmica.Disponível em: <http://www.artenaescola.org.br> Acesso em 10/03/2011.FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979.HALL, Stuart. Da diáspora-Identidades e Medicações Culturais. UFMG, 2003.GRUZINSKI, Serge. O pensamento mestiço. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.KOSSOY, Boris. Fotografia e História. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001.MARTINS, Raimundo. Temporalidades múltiplas da imagem como pedagogias dainterpretação. In: CONGRESSO EDUCAÇÃO ARTE CULTURAL, 1. Santa Maria. Anaiseletrônicos. Santa Maria, RS. 2007.PAREYSON, L. Os problemas de estética. São Paulo: Martins Fontes, 1984. 8

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