Bosetti et. al. 2007

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Bosetti et. al. 2007

  1. 1. I SIMPÓSIO DE PESQUISA EM ENSINO E HISTÓRIA DE CIÊNCIAS DA TERRAIII SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE ENSINO DE GEOLOGIA NO BRASIL FORMAÇÃO PONTA GROSSA : HISTÓRIA, FÁCIES E FÓSSEIS PONTA GROSSA FORMATION: HISTORY, FACIES AND FOSSILS ELVIO P. BOSETTI Laboratório de Estratigrafia e Paleontologia, Departamento de Geociências, Universidade Estadual de Ponta Grossa. R: Otaviano Macedo Ribas, nº 164, Bairro Boa Vista, CEP 84070 540, Ponta Grossa, Paraná. <epbosetti@terra.com.br> DRIELLI PEYERL Universidade Estadual de Ponta Grossa, Departamento de História Bolsista do CNPq Praça Santos Andrade, Centro <dreiellipeyerl@yahoo.com.br> RODRIGO S. HORODYSKI Pesquisador do Laboratório de Estratigrafia e Paleontologia, Departamento de Geociências, Universidade Estadual de Ponta Grossa. R: Otaviano Macedo Ribas, nº 164, Bairro Boa Vista, CEP 84070 540, Ponta Grossa, Paraná. <rodrigo.geo@gmail.com > CAROLINA ZABINI Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Bolsista do CNPq <cazabini@.gmail.com>Abstract - The designation "Schistos of Ponta Grossa" was used for the first time by Euzébio Paulo de Oliveira (Oliveira, 1912), to designate theloamy layers abundantly fossiliferous of the Devonian lands close to the city of Ponta Grossa, in the Paraná State, Brazil. However, layers ofsedimentary rocks containing concentrations of fossil sea invertebrate animals, were first registered in the State of Paraná, for the Geologicalcommission of the Empire of Brazil (1875-1877), constituted by the government of Emperor D. Pedro II. There are three phases identified in theevolution of the knowledge of the Devonian of the Paraná State. The first, acted by the phase of pioneering works, begins among the end of theXIX century and beginning of the XX century. It is characterized by an intense descriptive and qualifying phase of analyses that reflected thetendencies of the Natural History of that time. Later, among the decades of 1940 and 1980, a second phase of studies is promoted. In this cycle itwas looked for by answers and questions of interpretative character where themes and propositions of models were approached involving theautoctonia or aloctonia of the fossils, its apparent endemism and their relationships with other contemporary sedimentary basins. In this time thestudies also suffered progress in the area of Sedimentology and Stratigraphy, and the Paleogeography of the period began then to be unmasked. Inthe current apprenticeship of the knowledge of south-Brazilian Devonian, a tendency is observed to the revaluation of the concepts, as well as thereverse-investigation of the fossiliferous graves under the perspective of Taphonomy and of the Stratigraphy of Sequences.Keywords - Devonian; Ponta Grossa Formation; Paraná.Resumo - A designação “Schistos de Ponta Grossa” foi usada pela primeira vez por Euzébio Paulo de Oliveira (Oliveira, 1912), para designar ascamadas argilosas abundantemente fossilíferas dos terrenos devonianos próximos à cidade de Ponta Grossa, no Estado do Paraná, Brasil. Noentanto camadas de rochas sedimentares, contendo concentrações de invertebrados marinhos fósseis, foram pioneiramente registradas no Estadodo Paraná pela comissão Geológica do Império do Brasil (1875-1877), constituída pelo governo do Imperador D. Pedro II. São identificadas trêsfases na evolução do conhecimento sobre o Devoniano do Estado do Paraná. A primeira, representada pela fase de trabalhos pioneiros, inicia-seentre o final do século XIX e início do século XX. É caracterizada uma intensa fase de análises descritivas e classificatórias que refletiram astendências da História Natural daquela época. Posteriormente, entre as décadas de 1940 e 1980, uma segunda fase de estudos é promovida. Nesteciclo se buscou por respostas e questionamentos de caráter interpretativo onde foram abordados temas e proposições de modelos envolvendo aautoctonia ou aloctonia dos fósseis, seu aparente endemismo e suas relações com outras bacias sedimentares contemporâneas. Nesta época osestudos também sofreram avanços na área de Sedimentologia e Estratigrafia, e a Paleogeografia do período começou então a ser desvendada. Noatual estágio do conhecimento sobre o Devoniano sul-brasileiro, observa-se uma tendência à reavaliação dos conceitos, bem como à re-investigação dos jazigos fossilíferos sob a perspectiva da Tafonomia e da Estratigrafia de Seqüências.Palavras-chave - Devoniano; Formação Ponta Grossa; Paraná. 353
  2. 2. I SIMPÓSIO DE PESQUISA EM ENSINO E HISTÓRIA DE CIÊNCIAS DA TERRAIII SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE ENSINO DE GEOLOGIA NO BRASILLinha temática - História das Ciências da Terra rochas devonianas no sul do Brasil (Bergamaschi, 1999, p. 40) e posteriormente envia uma coleção 1 Evolução do Conhecimento de fósseis encontrados na região ao paleontólogo John Mason Clarke (1857–1925) do New York A designação “Schistos de Ponta Grossa” foi State Museum (Albany, NY). Clarke foi estudante usada pela primeira vez por Euzébio Paulo de profundo e intérprete agudo da significação da Oliveira (Oliveira, 1912), para designar as Paleontologia de invertebrados; autor de muitas camadas argilosas abundantemente fossilíferas memórias significativas, especialmente das faunas dos terrenos devonianos próximos à cidade de devonianas da Bacia de Nova Iorque; Ponta Grossa, no Estado do Paraná, Brasil. A administrador capaz e precursor dos estudos proposição formal desta unidade litoestratigráfica paleontológicos do Devoniano brasileiro. Esta como “Formação Ponta Grossa” foi efetuada por coleção retornou posteriormente ao Brasil e é a Petri (1948) e posteriormente, Lange e Petri referência paleobiológica mais completa da (1967), a subdividiram em três membros. No Formação Ponta Grossa. Encontra-se depositada entanto camadas de rochas sedimentares, na Divisão de Paleontologia do Departamento contendo concentrações de invertebrados Nacional de Produção Mineral (DNPM) na cidade marinhos fósseis, foram pioneiramente registradas do Rio de Janeiro. no Estado do Paraná pela comissão Geológica do Os trabalhos básicos mais importantes Império do Brasil (1875-1877), constituída pelo desta fase inicial são representados pelas governo do Imperador D. Pedro II. publicações de Orville A. Derby, em 1879 e 1883; Coordenada pelo geólogo canadense Josef v. Siemiradski, em 1898; I. C. White, em Charles Friederich Hartt, a comissão iniciou seus 1908; J. B. Woodworth, em 1912, e pelas notas trabalhos em 1875 e o planejamento preliminar paleontológicas de E. Kayser, em 1900. Clarke enfocou o estudo da Geologia, da Paleontologia e (1890) descreve o trilobita Dalmanites das minas do Império. Como assistentes imediatos gonzaganus, que, embora tenha sido revisado foram designados ainda os geólogos norte- mais tarde pelo próprio autor, foi o primeiro fóssil americanos Orville A. Derby, Richard Rathbun, especificamente identificado para o Estado do John Casper Branner e Herbert Smith. Além Paraná (Lange, 1954). destes, os exploradores Elias Pacheco Jordão, Clarke (1913) publica a monografia que Luthero Wagoner, Francisco de Freitas e Marc se tornaria a obra clássica das descrições Ferrez fizeram parte da equipe atuando paleontológicas do Devoniano da Bacia do Paraná diretamente nos trabalhos de campo (cf. Lange, (Fósseis Devonianos do Estado do Paraná). No 1954). No ano seguinte Charles F. Hartt, então mesmo ano é publicada outra obra de grande empenhado no reconhecimento da bacia importância para a paleontologia do devoniano carbonífera do Estado de Santa Catarina encarrega paranaense. Trata-se do trabalho de Roman o auxiliar Luthero Wagoner de percorrer parte do Kozlowski (1913), que foi efetivado em Estado do Paraná. Durante esta excursão, concomitância ao trabalho de Clarke, porém foi Wagoner investiga a região de Ponta Grossa e publicado posteriormente e por esse motivo não encontra alguns fragmentos fósseis, que foram obteve a prioridade dos termos. identificados posteriormente por Orville A. Derby As denominações geológicas que viriam e Richard Rathbun como sendo de provável idade a ser consagradas pelo uso por grande parte dos devoniana. pesquisadores subseqüentes foram introduzidas Outra excursão é realizada no Estado do por Oliveira (1912), que definiu da base para o Paraná no ano de 1877. Desta vez o próprio topo a seguinte subdivisão litoestratigráfica: “grés Orville Derby visita as localidades fossilíferas do de Furnas”, “schisto de Ponta Grossa” e “grés de Município de Ponta Grossa, descobertas no ano Tibagy”. Uma quarta unidade devoniana foi anterior por Luthero Wagoner. O relatório desta acrescentada no topo desta seção por Maack excursão noticia a presença de espécies de (1947), e foi denominada “Folhelhos São moluscos, braquiópodes e equinodermas muito Domingos”. semelhantes e provavelmente idênticas às já Como já referido, a formalização das identificadas do Devoniano do Estado do unidades devonianas paranaenses acontece com Amazonas. Estes fósseis fazem parte dos Petri (1948), onde foram propostas as primeiros registros genéricos do Estado do Paraná. denominações “Formação Furnas e Formação No ano de 1878, Orville A. Derby Ponta Grossa”, para designar a base e o topo da publica a primeira notícia de caráter seqüência, respectivamente. eminentemente científico sobre a existência de 354
  3. 3. I SIMPÓSIO DE PESQUISA EM ENSINO E HISTÓRIA DE CIÊNCIAS DA TERRAIII SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE ENSINO DE GEOLOGIA NO BRASIL No ano de 1954, vários trabalhos tratam perspectiva da Tafonomia e da Estratigrafia deda geologia e paleontologia devonianas da Bacia Sequências. Na Formação Ponta Grossa ado Paraná. Entre eles destacam-se o de Caster Tafonomia vem sendo utilizada como ferramenta(1954), Almeida (1954), Sommer (1954) e de análise com uma freqüência cada vez maior.Bigarella (1954). Lange (1954) publica um Pode-se tomar como início da aplicação dessedetalhado histórico das pesquisas até aquele ano e ramo da Paleontologia nesta formação, aLange e Petri (1967) propõem uma divisão dissertação de Ciguel (1989), que aborda o grautripartite para os sedimentitos da Formação Ponta de achatamento de espécimens de Tentaculites,Grossa, constituída a partir da base pelos característica importante em um trabalho que semembros Jaguariaíva, Tibagi e São Domingos. A utilize de caracteres taxonômicos, uma vez quepartir daí, a nomenclatura estratigráfica do estes podem apresentar-se tendenciados (Simões,Devoniano da Bacia do Paraná é marcada por 2003). Bolzon & Bogo (1996) e Azevedo (1996)intensa discussão. Bergamaschi (1999) observa publicam trabalhos com referências à tafonômicaque nas antigas referências da pesquisa sobre o de crinoides e ostracodas. Mas foi somente a partirDevoniano da Bacia do Paraná, ou seja, aquelas do final da década de 1990 que trabalhos de cunhoanteriores à década de 1960, o enfoque principal estritamente tafonômicos começaram a surgir nadas análises é essencialmente descritivo segundo literatura. Nunes (1999) tece monografia deuma visão generalizada. A partir daí surgem conclusão de curso utilizando-se da tafonomia dostrabalhos que procuram abordar os aspectos Lingulídeos do Membro Jaguariaíva, analisando-genéticos das rochas devonianas. os sob os seguintes aspectos: modo de ocorrência, Sobre os trabalhos de cunho qualidade de preservação, tipo de preservação epaleontológico observa-se que a partir e em distribuição vertical e horizontal dos padrões deexceção ao trabalho de Clarke (1913), até meados preservação. Simões et al. (2000b) publica oda década de 1950, foram raros os trabalhos que primeiro artigo que tem como tema a tafonomiase preocuparam com aspectos paleoecológicos, a de conularídeos da Formação Ponta Grossa. Nestegrande maioria ocupou-se da taxonomia dos trabalho os autores retratam o modo incomum defósseis, em revisão aos trabalhos precedentes preservação deste (até então) pouco compreendido(Bosetti, 2004). grupo fóssil, indicando a presença de três modos Foi preciso pouco menos de meio século típicos de ocorrência de tais animais, inferindo,em relação ao trabalho de Clarke (1913) para que com estes dados, o hábito de vida do grupo, grausBoucot e Gill (1956), ao estabelecerem uma de bioturbação do substrato associado ediferenciação genérica de um fóssil abundante e interpretando também a fácies de ocorrência dehoje reconhecidamente característico da fauna tais animais.devoniana austral, o braquiópode Australocoelia Rodrigues et al. (2001) trabalham com atourtelloti, iniciassem o que se poderia denominar ocorrência de acumulações de Tentaculita nade uma "época moderna das pesquisas". Esta seção Jaguariaíva. Os autores observaram aépoca culminou com a introdução de um conceito ocorrência destes animais alinhados de formasquantitativo do problema do provincialismo diametralmente opostas, e atribuíram tal fato àfaunístico dos mares devonianos do Hemisfério remobilização dos bioclastos associada aoSul. O termo “Província Malvinocáfrica” passou a movimento orbital de ondas; o modo deser constante na bibliografia, aceito por alguns ocorrência, as classes de tamanho, o tipo deautores e muito discutido por outros. O termo fossilização e o grau de empacotamento dosdefine um isolamento geográfico para esta fauna bioclastos também foram analisados. Rodrigues etmarinha, e é embasado em caracteres al. (2003) publicam artigo relacionado àmorfológicos e genéticos (Melo, 1985). dissertação de mestrado da primeira autora, no No atual estágio do conhecimento sobre o qual aplicam tafonomia de alta resolução para osDevoniano sul-brasileiro, observa-se uma Conulatae da Formação Ponta Grossa etendência à reavaliação dos conceitos identificam três classes tafonômicas. Simões et al.anteriormente propostos, bem como a re- (2003) tratam sobre a ocorrência de taphotaxa einvestigação dos jazigos fossilíferos sob a de artefatos tafonômicos (taphonomic taxa e 355
  4. 4. I SIMPÓSIO DE PESQUISA EM ENSINO E HISTÓRIA DE CIÊNCIAS DA TERRAIII SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE ENSINO DE GEOLOGIA NO BRASILtaphonomic artifacts) na utilização de caracteres 2 A Formação Ponta Grossa – Fácies ebiométricos e outros nas diagnoses de espécies Fósseisfósseis, utilizando como exemplo os Conulatae daFormação Ponta Grossa. A Formação Ponta Grossa sobrepõe-se à Bosetti (2004), aplica a tafonomia de alta Formação Furnas (fig 1) e é constituída por umaresolução na fácies de offshore da região de Ponta superposição de folhelhos, folhelhos sílticos,Grossa, utilizando-se de metodologia específica arenitos e siltitos cinza escuros a negros,de coleta, e analisando o controle da ocorrência localmente carbonosos, fossilíferos, micáceos.dos bioclastos pelas superfícies estratigráficas. Quando alterada apresenta coresComo resultados demonstra a presença de tal variegadas, predominando as colorações amarela,controle, e fornece exemplos de tendenciamentos aroxeada e castanha. A estrutura sedimentartafonômicos. predominante é a laminação plano-paralela. Em Ghilardi (2004) trabalha com a tafonomia certos intervalos observam-se estratificações doe a paleoecologia dos macroinvertebrados, dando tipo hummocky cross stratification de pequenoênfase aos trilobitas da Formação Ponta Grossa. porte, laminação flazer, marcas onduladas,Também implementa metodologia de coleta bioturbação e estruturas de escorregamento. A suainovadora, utilizando-se de até 60 tipos diferentes espessura maior é numa seção de 654 m de rochasde informações acerca de cada fóssil encontrado. que vão do Lockoviano ao Frasniano. AssineReconhece duas classes tafonômicas principais (1996) atesta o paleoambiente plataformalpara os trilobites (articulados e desarticulados) e marinho para grande parte da formação.explica a gênese de tais classes, associando-as às Apesar da subdivisão tripartite propostafácies nas quais são encontradas. por Lange e Petri (1967) ser ainda amplamente Rodrigues et al. (2006) analisam utilizada, Northfleet et al. (1969) e Schneider etconulários da Formação Ponta Grossa sob o ponto al. (1974), ao trabalharem com a estratigrafia dode vista paleobiológico; analisando o modo de devoniano paranaense embasada em dados deocorrência dos fósseis para se determinar se subsuperfície utilizam a designação “Grupopossuíam hábito gregário ou se formavam Paraná”, englobando as formações Furnas e Pontacolônias. E finalmente Zabini (2007) efetua Grossa sem mencionarem membros ou fácies,análise tafonômica básica dos lingulídeos da tratando-as como indivisas.Formação Ponta Grossa. 356
  5. 5. I SIMPÓSIO DE PESQUISA EM ENSINO E HISTÓRIA DE CIÊNCIAS DA TERRAIII SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE ENSINO DE GEOLOGIA NO BRASIL Seguindo os novos conceitos da seis seqüências deposicionais definidas da baseEstratigrafia de Seqüências e apoiando-se em para o topo pelas letras A, B, C, D, E e F, sendo asdados mais reveladores, principalmente de cinco últimas correlatas à Formação Ponta Grossa.subsuperfície, destacam-se os trabalhos de Assine A fauna fóssil na sucessão é composta(1996, 2001) e Bergamaschi (1999). Assine por braquiópodes, trilobitas, equinodermas,(1996), resume as seqüências devonianas da Bacia celenterados, pelecípodes, gastrópodes,do Paraná correlacionando-as em parte com as cricoconarídeos, ostracodes, caliptoptomatídeos,unidades litoestratigráficas na seguinte ordem da anelídeos e traços fósseis, com predominância dosbase para o topo: Seqüência Lochkoviana; braquiópodes e faz parte do domínioSeqüência Praguiana-Eifeliana; Seqüência paleogeográfico definido como ProvínciaEifeliana-Frasniana . Bergamaschi (1999) Malvinocáfrica. Os invertebrados marinhosidentificou para a sucessão devoniana paranaense devonianos da Bacia do Paraná, tomados em seu 357
  6. 6. I SIMPÓSIO DE PESQUISA EM ENSINO E HISTÓRIA DE CIÊNCIAS DA TERRAIII SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE ENSINO DE GEOLOGIA NO BRASILconjunto, distinguiram-se essencialmente por uma intensa fase de análises descritivas eincluir gêneros distintivos de braquiópodes, classificatórios que refletiram as tendências datrilobitas e moluscos bivalves que são História Natural daquela época. Posteriormente,desconhecidos ou mal representados nos entre as décadas de 1940 e 1980, uma segundaconjuntos faunísticos de mesma idade do fase de estudos é promovida. Neste ciclo seHemisfério Norte e Oceania. Em oposição às buscou por respostas e questionamentos de caráterentidades zoogeográficas contemporâneas que interpretativo onde foram abordados temas edominavam essas regiões de águas mais proposições de modelos envolvendo a autoctoniaaquecidas, a Província Malvinocáfrica ou aloctonia dos fósseis, seu aparente endemismocaracterizou-se por apresentar uma baixa e suas relações com outras bacias sedimentaresdiversidade, em que relativamente poucos taxa contemporâneas. Nesta época os estudos tambémseriam bem representados por numerosos sofreram avanços na área de Sedimentologia eindivíduos com ampla dispersão regional. Estratigrafia, e a Paleogeografia do período Esta fauna peculiar habitou regiões de começou então a ser desvendada. No atual estágioáguas plataformais, provavelmente frias, que do conhecimento sobre o Devoniano sul-então ocupavam porções do atual território brasileiro, observa-se uma tendência à reavaliaçãobrasileiro (Paraná, São Paulo, Goiás e Mato dos conceitos, bem como à re-investigação dosGrosso) e ainda o sul do Peru, Bolívia, Paraguai, jazigos fossilíferos sob a perspectiva daUruguai, Argentina, Ilhas Falklands, Antártica e Tafonomia e da Estratigrafia de Sequências.África do Sul. O Eodevoniano e, até certo ponto,também o Mesodevoniano foram tempos de Referências Bibliográficasacentuado endemismo ecológico, principalmentepara certos grupos de invertebrados marinhos que, Assine, M. L. (1996). Aspectos da estratigrafia dascomo os trilobitas e os braquiópodes, habitaram os seqüências pré-carboníferas da Bacia do Paranámares rasos epiplataformais de então (Melo, no Brasil. São Paulo, 206 f. Tese de1985). O grau de distinção inter-regional, segundo Doutoramento. USP/SP.o autor, em termos genéricos, observados entre Assine, M. L. (2001). O ciclco Devoniano na Baciarepresentantes contemporâneos daqueles grupos do Paraná e correlação com outras Baciasde organismos marinhos no lapso geocronológico Gondwânicas. In: J. H. G. Melo e G. J. S. Terrasupracitado foi, no seu conjunto, suficientemente (eds.). Correlações de Seqüências Paleozóicaselevado para permitir a definição de entidades Sul-Americanas. Ciência Técnica Petróleo. Seçãopaleozoogeográficas apreciavelmente distintas Exploração de Petróleo. 20:55.entre si, numa escala mundial, embora jamais Azevedo, I. (1996). Considerações tafonômicas sobreimplicando isolamento completo entre as diversas os ostracodes da Formação Ponta Grossafaunas endêmicas. (Devoniano). In: Simpósio Sul Americano do A despeito destas considerações, as Siluro-Devoniano – Paleontologia e Estratigrafia.regiões dominadas por faunas malvinocáfricas não Ponta Grossa/PR, 4 p., fig. 1. Anais...foram imunes à penetração de representantes Bergamaschi, S. (1999). Análise estratigráfica doprovenientes (via migração secular) de stocks Siluro-Devoniano (Formações Furnas e Pontaboreais, isto ocorrendo mesmo entre os grupos- Grossa) da sub-bacia de Apucarana, Bacia dochave de trilobitas e braquiópodes. Paraná, Brasil. São Paulo, 167 f. Tese de Doutoramento. USP/SP. Considerações Finais Bigarella, J. J. (1954). Esboço da geologia e paleogeografia do Estado do Paraná. Instituto deSão identificadas três fases na evolução do Biologia e Pesquisas Tecnológicas. Paraná, 29, 34conhecimento sobre o Devoniano do Estado do p.Paraná. A primeira, representada pela fase de Bolzon, R. T. e Bogo, M. (1996). Tafonomia dostrabalhos pioneiros, inicia-se entre o final do Crinoidea da Formação Ponta Grossa, Estado doséculo XIX e início do século XX. É caracterizada Paraná – Análise Preliminar. In: Simpósio Sul 358
  7. 7. I SIMPÓSIO DE PESQUISA EM ENSINO E HISTÓRIA DE CIÊNCIAS DA TERRA III SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE ENSINO DE GEOLOGIA NO BRASIL Americano do Siluro Devoniano – Estratigrafia e Melo, J. H. G. (1985). A Província Malvinocáfrica Paleontologia. Ponta Grossa/PR, p.6, fig.1. no Devoniano do Brasil. Rio de Janeiro, 467 f. Anais... Dissertação de mestrado. Ciências. UniversidadeBosetti, E. P. (2004). Tafonomia de alta resolução Federal do Rio de Janeiro, Instituto de das fácies de offshore da sucessão Geociências, v.1 880p., v. 2, v.3 182 fig. devoniana da Bacia do Paraná, Brasil. Northfleet, A. A.; Medeiros, R. A. e Mullmann, H. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rio (1969). Reavaliação dos dados geológicos da Grande do Sul, Tese de Doutorado, 152p. Bacia do Paraná. Boletim Técnico da Petrobrás.Boucot, A. J. e Gill, E. D. (1956). Australocoelia, a Rio de Janeiro, (12) (3): 291-346. new Lower Devonian Brachiopod from South Nunes, J. R. da S. (1999). Análise tafonômica dos Africa, South America and Australia. Journal of braquiópodes inarticulados (Lingulida) do Paleontology. Menasha, 30 (5): 1173-8, est. 126, Membro Jaguariaíva, Formação Ponta Grossa Sep. (Devoniano) e suas implicações paleoambientais.Caster, K. E. (1954). A new carpoid echinoderm 1999, 60 f. Monografia (Graduação) – Instituto from the Parana Devonian. Anais da Academia de Biociências, Curso de Ciências Biológicas, Brasileira de Ciências. Rio de Janeiro, 26 (1): Universidade Estadual de São Paulo, Botucatu. 123-47, est. 1-3, Jan. Oliveira, E. P. (1912). O terreno Devoneano do sulClarke, J. M. (1890). As trilobitas do gréz de Erere e do Brasil. Annaes da Escola de Minas de Ouro Maecuru, Estado do Pará, Brazil. Archivos do Preto. Ouro Preto, 14: 31-41. Museu Nacional, Rio de Janeiro, 9: 1-58, est. 1,2. Petri, S. (1948). Contribuição ao estudo doClarke, J. M. (1913). Fósseis Devonianos do Paraná. Devoniano paranaense. Boletim da Divisão de Monographias do Serviço Geológico e Geologia e Mineralogia. Rio de Janeiro, 129, Mineralógico do Brasil. Rio de Janeiro, f: 1-353, 125p. foto 1-5, 1 mapa. pl. 1-27. Rodrigues, M. A.; Soares, H. L. A.; Bergamaschi, S.Ciguel, J. H. G. (1989). Bioestratigrafia dos (2001). Horizontes de mortalidade em massa de Tentaculitoidea no flanco oriental da Bacia do Tentaculida na Formação Ponta Grossa Paraná e sua ocorrência na América do Sul. São (Devoniano, Bacia do Paraná, Brasil). Ciência- Paulo, 233 f. Dissertação de Mestrado. USP/SP. Técnica-Petróleo. Seção exploração de petróleo.Ghilardi, R. P. (2004). Tafonomia comparada e Rio de Janeiro: vol. 20, pág. 73-80. paleoecologia dos macroinvertebrados (ênfase Rodrigues, S. C.; Simões, M. G.; Leme, J. de M. em trilobites), da Formação Ponta Grossa (2003). Tafonomia Comparada dos Conulatae (Devoniano, Sub-bacia Apucarana), Estado do (Cnidaria), Formação Ponta Grossa (Devoniano), Paraná, Brasil. 2004, 113 f. Tese de Doutorado. Bacia do Paraná. Revista Brasileira de Instituto de Geociências, Curso de Pós-Graduação Geociências. Brasília: vol. 33, nº 3, pág. 1-10. em Geologia Sedimentar, Universidade de São Rodrigues, S. C.; Leme, J. de M.; Simões, M. G. Paulo, São Paulo. (2006).Significado paleobiológico deKozlowski, R. (1913). Fósiles Dévoniens de l’état de agrupamentos (coloniais/gregários) de Conularia Paraná (Brésil). Annales de Paleontologie, Paris, 8 quichua Ulrich 1890 (Cnidaria), Formação Ponta (3): 1-19, est. 1-3. Grossa, Devoniano (Pragiano-Emsiano), Bacia doLange, F. W. (1954). Paleontologia do Paraná. In: Paraná, Brasil. Ameghiniana. Argentina: vol. 43, Paleontologia do Paraná, nº 2, pág. 273-284. Curitiba. Comissão de Comemoração do Schneider, R. L.; Muhlmann, H.; Mommasi, E.; Centenário do Paraná, dez., p. 1-105. Medeiros, R. A.; Daemon, R. F. e Nogueira, A. A.Lange, F. W. e Petri, S. (1967). The devonian of (1974). Revisão estratigráfica da Bacia do Paraná. Paraná Basin. Boletim Paranaense de in: Congresso brasileiro de Geologia, 28, Porto Geociências. Curitiba, 21:22 – 5-55, fig. 1-5. Alegre, v.1, p. 41-65. Sociedade Brasileira deMaack, R. (1947). Breves notícias sobre a geologia Geologia. Anais... dos Estados do Paraná e Santa Catarina. Arquivos Simões, M. G.; MELLO, L. H. C.; RODRIGUES, S. de Biologia e Tecnologia. Curitiba, 2: 63-154, est. C.; LEME, J. DE M.; MARQUES, A. C.(2000) 13-73, fig.1, tab. 1,2, anexo 1-4. Conulariid taphonomy as a tool in 359
  8. 8. I SIMPÓSIO DE PESQUISA EM ENSINO E HISTÓRIA DE CIÊNCIAS DA TERRA III SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE ENSINO DE GEOLOGIA NO BRASIL paleoenvironmental analysis. Revista Brasileira Taphonomic Artifacts. Journal of Taphonomy. de Geociências. Brasília: vol. 30, nº 4, pág. 757- Espanha: vol. 1, nº 3, pág. 165-186. 762. 2000b. Sommer, F. W. (1954). Contribuição àSimões, M. G.; Rodrigues, S. C.; Leme, J. de M.; paleofitografia do Paraná. In: Paleontologia do Van Iten, H. (2003). Some Middle Paleozoic Paraná. Volume comemorativo do 1O Centenário Conulariids (Cnidaria) as Possible Examples of do Estado do Paraná. 360

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