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LOGÍSTICA REVERSAagrupamento de coletas sequenciadas,                                  “Por conta de todas essas exi-     ...
LOGÍSTICA REVERSA                                                    Porque um dano na reciclagem da ba-          enquanto...
Ibama                       acordo com isso. A Rondopar faz hoje                                            cerca de 1.800...
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Bateria não, energia

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Matéria publicado na Revista Tecnologística na seção Logística Reversa em agosto de 2009 de autoria de André Luis Saraiva, Diretor e Idealizador do PRAC - Programa de Responsabilidade Ambiental Compartilhada

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Bateria não, energia

  1. 1. LOGÍSTICA REVERSA Bateria não, energia Após criar, em 2001, um programa de reciclagem de baterias, André Saraiva percebeu que estava diante de um negócio com potencial muito maior: a venda de energia. Em parceria com uma recicladora e uma fabricante, ele fechou o ciclo do produto fazendo surgir uma empresa que, além de recolher e reciclar, também se encarrega de fabricar e repor as baterias para os clientes, que não são mais donos do ativo, mas compram horas de energia. Nesta matéria, o diretor- executivo da Prac conta como tenta aproveitar a crescente preocupação ambiental e, com uma boa dose de logística direta e reversa, vai fazendo seu mercadoU ma idéia puxou a outra, que Ainda dentro da fabricante, ele Naquele ano, contudo, uma delibe- puxou a outra. Quando ainda criou um programa segundo o qual ração da direção da empresa fez com trabalhava em uma fábrica de o ganho aferido com a reciclagem que as vantagens de ter a titularidade dobaterias estacionárias e tracionárias, fosse revertido para o preço final do insumo principal da bateria – o chum-na década passada, André Saraiva produto. Denominado Prac – Progra- bo representa 60% do produto – nãocomprava posições de chumbo – ele- ma de Responsabilidade Ambiental fossem repassadas para o consumidormento-chave na fabricação do equipa- Compartilhada, ele não só funcionou final. Este, por sua vez, respondeu dei-mento. Em suas frequentes viagens ao como decolou. “Em 2001 nós tivemos xando de consumir e de descartar comexterior, ele via que lá os fabricantes 174 toneladas de baterias retornadas; a empresa. Era o começo do fim. Nessejá se preocupavam com o reaproveita- em 2002, foram 330 t; em 2003, 540 t ano, o Prac caiu de 1,3 milhão para 980mento dos resíduos que, no caso das e, em 2004, batemos em 1,32 milhão toneladas. “Percebi que dali para frentebaterias, servem de insumos para a fa- de unidades. Isto significava que tí- seria ladeira abaixo e decidi não esperarbricação de um novo equipamento. nhamos nas mãos, nesse ano, 70% de mais”, explica o executivo. Daí nasceu a idéia de reciclar, todo o chumbo de que precisávamos A decisão foi deixar a antiga em-apoiada também na resolução do para produzir baterias em 2005. Saí- presa e transformar o que até entãoConselho Nacional do Meio Am- mos de 18% de participação no mer- era um programa ambiental em umabiente – CONAMA, do ano 2000, que cado em 2002 para 38% do mercado nova companhia, também chamadaorientava sobre a destinação adequa- brasileiro de reposição em 2004, atra- Prac, e estabelecer uma parceria di-da de pilhas e baterias ao final de sua vés de um programa ambientalmente reta com uma empresa recicladora, ovida útil. correto”, conta Saraiva. que foi feito com a Tamarana, loca-44 - Revista Tecnologística - Agosto/2009
  2. 2. lizada na cidade paranaense de mes- empresas têm tido redução de ativida-mo nome, que até então era apenas É como se o cliente de e preferem pagar apenas por aquiloparte do programa anterior. que foi efetivamente utilizado. “Quando implementamos o Prac comprasse o direito de “Por incrível que pareça, vendemosem 2001, tínhamos de ter uma reci- mais na crise que em épocas mais tran-cladora que fosse referência, ou o pro- ligar e desligar seu carro quilas”, assegura o diretor, dizendo quegrama não caminharia. Agora imagine a Rondopar fabrica baterias automo-a dificuldade de achar uma empresa por um ano, mas o ativo tivas e estacionárias – que servem aosque atendesse às normas do processo, no-brakes e à telefonia, que hoje repre-que não são poucas. Havia somente não é seu; ele paga apenas sentam cerca de 60% de seu mercado,oito empresas no Brasil e a Tamarana sendo os outros 40% formados porera a de maior conformidade. Apos- pela energia utilizada transportadoras e movimentação inter-tamos no seu potencial e apostamos na, já que as baterias automotivas ser-certo, pois hoje ela é a única no país a vem também para empilhadeiras GLP.ter as certificações ISO 9.000, 14.000 e18.000, e está entre as cinco melhores também consome. “Então, se criásse- E a logística?do mundo”, coloca Saraiva, ressaltan- mos uma malha com todos os que des-do que esta qualidade ajudou o progra- cartavam conosco e os incluíssemos Na verdade, a logística por trás doma a deslanchar no início. também como compradores, fecharía- sistema é bastante simples, e o foco Criada a empresa e formada a par- mos um ciclo contínuo. E foi o que fi- principal é coordenar as entregas comceria com a recicladora, veio outra zemos. Antes, só atuávamos em uma os descartes e consolidar as cargas quevantagem que casou perfeitamente parte e agora temos o ciclo completo. vão para a recicladora. O ciclo começacom a idéia: dois sócios da Tamarana Se anteriormente éramos acionados quando o cliente aciona a Prac infor-são também sócios da Rondopar Ener- para o descarte, agora somos também mando que tem produto disponívelgia Acumulada, fabricante de baterias para a reposição, que funciona como para o descarte. É feita uma avaliaçãoestacionárias e tracionárias localizada uma alimentação contínua”, reforça. da quantidade a ser recolhida, comem Londrina (PR). “Ora, se já éramos o Desde que o Prac se transformou prioridade para cargas maiores. Quan-programa de maior referência na des- em empresa, em 2006, os números só do se trata de pequenos volumes, otinação final e tínhamos a titularidade crescem. “Logo no primeiro ano, foram prazo é um pouco maior, chegando a,desses insumos – o chumbo e o proli- mais de 1,4 milhão de toneladas recebi- no máximo, dez dias, para permitir umpropileno, usado no corpo da bateria das, mais do que em nosso melhor ano–, bastava mandá-los para a Rondopar dentro do fabricante anterior. Em 2008,e teríamos a bateria da Prac. Assim foi, foram 1,82 milhão de toneladas”, come-e voltamos ao mercado não mais ven- mora Saraiva. Ele informa que o primei-dendo baterias, e sim energia”, expli- ro semestre de 2009 fechou com 600 to-ca Saraiva, detalhando o processo. “É neladas e, dependendo do desempenhocomo se você comprasse o direito de dos próximos meses, pode fechar o anoligar e desligar seu carro por um ano e com 2,5 milhão de toneladas.meio. A energia não é sua. Eu a colo- Tudo isso mesmo com a crise? Eleco no seu veículo, você paga, mas ela garante que, no seu caso, a crise podeé nossa. Quando ela acaba, eu troco o funcionar como um estímulo. “Dian-equipamento descarregado por outro te dela, as empresas começaram ou acom energia e o processo continua”, retardar seus processos de compra ouesclarece o diretor-executivo. a investir na manutenção daquilo que Fechado o ciclo de descarte, coleta, já tinham comprado, para postergarreciclagem, remanufatura e revenda, um pouco a aquisição. E é exatamentefoi criada uma malha logística de so- isso que encontram na Prac, já que nãobreposição. A empresa percebeu que, investem mais no ativo bateria e simse atuava em determinada empresa re- na energia consumida”, explica, ressal-colhendo baterias inservíveis, poderia tando o que é uma vantagem em mo- Saraiva: sistema é vantajoso novender para ela, pois quem descarta mentos como o atual, em que muitas momento atual Agosto/2009 - Revista Tecnologística - 45
  3. 3. LOGÍSTICA REVERSAagrupamento de coletas sequenciadas, “Por conta de todas essas exi- (Companhia de Engenharia de Tráfegootimizando a operação. Dependendo gências, nem todas as empresas de de São Paulo) e lugares onde o truck ouda região, é acionada uma das quatro transporte atendem aos requisitos. carreta não entram, tem de ser veículotransportadoras credenciadas no pro- Trabalhamos com quatro transpor- leve. Tudo isso dificulta bastante o tra-grama para atender ao cliente. tadoras: a PH Transportes, em São balho”, coloca o coordenador. “Se temos determinado chamado na Paulo; a Telebrasil, que nos atenderegião com material disponível, veri- na grande São Paulo e em Sorocaba; Consolidaçãoficamos com os demais clientes daquela a Ottis Transportes e a Rollon, quemesma área se eles também têm produ- nos atendem no Sul”, conta Matos. As baterias descem para a Tama-to para descartar. Mantemos contatos O esquema também depende do rana em carretas, que não circulamfrequentes e vamos, assim, fazendo a local de retirada. “Quando se trata de cliente a cliente. Os produtos sãocomposição das cargas nos vários clien- de coletas em fábricas, onde só existe consolidados nas próprias transpor-tes”, explica Edilson Ferreira Matos, coor- uma atividade no ambiente e a bate- tadoras, que por serem especialistasdenador de Logística da Prac. ria está em uma área segregada, é fácil. neste tipo de carga também sabem Se a formulação é simples, os cuida- Mas às vezes temos de retirar o equipa- como armazená-la, formando ali umdos no transporte são muitos. As cargas mento no décimo andar de um edifí- ponto de consolidação e transbordo.devem ser cuidadosamente compostas, cio, ou em um banco, locais onde há Esta etapa, porém, é rápida. Em mé-porque a bateria, por sua classificação a convivência com pessoas e riscos de dia, informa o coordenador de Logís-como produto corrosivo, não pode ser contaminação, o que exige um esque- tica, os produtos não ficam mais demisturada com outros itens. O cami- ma detalhado”, explica o especialista. um dia entre a chegada do cliente e anhão é identificado com o número UN Nestes casos, é feita antes uma visita, partida para a recicladora. “A carga édo produto, de acordo com sua classi- fotografado o local e montado um pla- diária. Preferimos segurar no clienteficação, o motorista tem que ter curso no de operação, de forma a minimizar do que na transportadora, já que, atéMOPP (Movimentação Operacional de os riscos envolvidos. a saída do usuário, a responsabilidadeProdutos Perigosos) e todos os cami- “Relacionamos tudo: qual a condi- é dele, mas a partir do momento quenhões devem ter um kit de emergência. ção que encontramos no local, como sai é nossa. Por isso, quanto menos Todas as empresas transportadoras vamos operar, se a bateria será esgota- esta carga ficar conosco, melhor.”credenciadas, além de terem seguro de da, se será desmontada, se tem elevador De São Paulo para cima, a carga édanos, devem ser cadastradas no SOS de carga ou terá de ser feito içamento, consolidada na capital paulista antesCotec, que em caso de acidentes vai até entre muitas outras análises. Existem de ser enviada à recicladora. Já nos es-o local, faz o reparo dos danos e busca locais de difícil acesso, onde só pode- tados da Região Sul, as entregas seguema anuência dos órgãos envolvidos, de mos coletar à noite; existem outros em diretamente. Carretas só descem comacordo com a extensão do problema. que precisamos da aprovação da CET carga completa, com 25 toneladas, ou são enviados trucks de 14 toneladas. Em média, são realizadas entre nove e dez viagens por dia para a Tamarana. A logística de coleta se sobrepõe à de entrega. Ao coletar, a transporta- dora já leva uma bateria nova. Dessa forma, é aproveitado o veículo, que recolhe as baterias usadas, uma forma encontrada para otimizar a utilização Divulgação Prac dos caminhões, que são voltados para este tipo de transporte. E por que não fazer uma reciclado- ra mais próxima de São Paulo, sem dú- vida o grande mercado, que também está próximo de outros dois grandes mercados _ Minas Gerais e Rio de Ja- Fluxo / Descarte de Baterias Chumbo Ácidas e neiro _, evitando assim gastar combustí- Logística Reversa vel, o que também é ambientalmente46 - Revista Tecnologística - Agosto/2009
  4. 4. LOGÍSTICA REVERSA Porque um dano na reciclagem da ba- enquanto. Porque, para trocar o ativo, teria pode ser muito mais prejudicial tenho que trocar também a responsa- ao meio ambiente do que a emissão de bilidade, e isso ainda não conseguimos CO2”, coloca Saraiva, acrescentando fazer. É preciso muita confiança, por- que existe ainda a vantagem da proxi- que vendemos conformidade e não midade entre a recicladora e a fábrica. podemos assegurar um processo que Ele diz também já ter cogitado a par- desconhecemos e não controlamos”, ceria com outro reciclador, trocando as enfatiza André Saraiva. baterias com as de outro concorrente O mesmo problema impede, por que estivesse instalado em outra região, enquanto, a terceirização dos serviços como o Nordeste, por exemplo. “Imagi- logísticos. “Já tentamos isso no passado ne que temos um concorrente lá que re- e o cliente ficou na mão”, diz Saraiva, colhe as baterias aqui e as leva até lá. E explicando que contratou um opera- Com a fabricação de sua própria bateria, a nós fazemos o caminho inverso. O mais dor e ele quarteirizou a operação. “É Prac fechou o ciclo completo do produto lógico seria cada um atender ao cliente complicado, mas acho que em médio do outro em determinada região, com e longo prazos a tendência é passarmoscondenável? “Porque dessa forma eu ele pegando minhas baterias e eu as a operação para um terceiro. Mas deveestaria desprezando a conformidade dele. Porém, quem me garante que a ser um processo muito bem conduzi-ambiental que a Tamarana me dá, que qualidade e a segurança da reciclagem e do, com o mesmo cuidado que temosé a variável mais importante neste mo- de todo o processo serão as mesmas? É hoje. Porque cansamos de não ter feitomento, muito mais que a distância. um risco que preferimos não correr por o dano e sermos culpados por ele.”48 - Revista Tecnologística - Agosto/2009
  5. 5. Ibama acordo com isso. A Rondopar faz hoje cerca de 1.800 baterias/mês para a A conformidade atingida trouxe Prac, quando tem capacidade de pro-para a empresa outra responsabilidade, duzir cerca de 80 mil unidades.”que é o gerenciamento, para o Ibama Segundo ele, o processo esbarra ain-(Instituto Brasileiro do Meio Ambien- da num problema cultural, que esperate), de todas as empresas que querem ver revertido em breve: “As empresasimportar baterias ou os produtos que ainda e não conseguem enxergar que,elas contêm. Elas procuram a Prac a médio e longo prazos, mesmo compara criar seu programa, o plano de nossa energia custando mais, a empre-gerenciamento exigido pelo institu- sa sai ganhando, já que a durabilida-to, que envolve uma documentação de de nossas baterias é muito maior.extensa. “Nós nos tornamos uma re- Hoje, por incrível que pareça, é maisferência junto aos órgãos ambientais, difícil vender o produto dentro dessecomo ferramenta de gestão para todo conceito de compra de energia do quemundo que importa produtos relacio- como bateria”, afirma o executivo.nados”, diz o diretor-executivo. Entre “E embora a maioria das pessoasos serviços prestados nesta área, ele afirme preferir produtos ambiental-cita os planos de gerenciamento de co- mente corretos, elas também dizemleta, transporte e destinação. que o critério de desempate ainda é o “O Ibama quer saber tudo: quem é preço”, continua ele. “O que elas nãoa empresa, como é a operação, o que entendem é que nem sempre o menorestá trazendo e as quantidades; quem é preço tem a melhor condição. Todao operador logístico e o aduaneiro. Nós vez que você aposta no ambiental-explicamos como esta empresa vai fazer mente correto, o retorno é mais longo,sua logística reversa e a ajudamos tam- mas a empresa deve entender que issobém a fazer um manual de engenharia é um investimento”, diz o executivo,reversa. Informamos quem vai comer- que afirma acreditar ser somente umacializar o produto que ele está trazendo, questão de tempo até o mercado secomo vai ser o transporte, através de aculturar e aceitar o novo conceito.qual normativa e quem vai gerenciar. Para ele, isso virá da exigência dosDetalhamos o passo a passo, os proce- próprios clientes das transportadoras,dimentos e a logística, bem como todos que irão começar a escolher seus par-os envolvidos”, coloca Saraiva. ceiros pelo critério da conformidade ambiental. “Nos mercados mais desen- Desbalanceamento volvidos, os acionistas já estão atentos aos riscos ambientais e aos impactos A logística do processo, porém, ain- negativos que podem ter sobre o negó-da sofre um sério entrave, que é o des- cio e, consequentemente, sobre o valorbalanceamento entre a quantidade de das ações. É uma vantagem intangível,baterias recolhidas para reciclagem e as que eu tento explicar para o mercado.adquiridas pelo mercado através desse Alguns até entendem e apoiam, mas,esquema. Saraiva explica que produ- na hora de fechar a compra, o custoção e reciclagem são contas diferentes. ainda fala mais alto. É o preço que“Eu aumento as vendas de acordo com pagamos por sermos pioneiros.”minha disponibilidade de produto, epara isso eu preciso de um estoque de Silvia Marinochumbo e polipropileno, que vêm dasbaterias recolhidas. Só que, para pro- Prac: (11) 3511-3889duzir uma nova, preciso dos insumos Rondopar: (43) 3377-9900de duas usadas e tenho que crescer de Tamarana: (43) 3398-0500

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