SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 20
Baixar para ler offline
1
sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com
Inovação Sistemática e Criatividade
De TRIZ Para SIT – Como Inovar Pensando “Dentro da Caixa”
Eng. Prof. Sylvio Silveira Santos
sylvioss@gmail.com
Eng. Bruno Henrique Domingues Cavalcante
hdc.bruno@gmail.com
“Por milhares de anos, os inovadores têm usado cinco
padrões simples em suas invenções, geralmente sem saber.
Esses padrões estão agora incorporados nos produtos e
serviços que você vê hoje ao seu redor”.
Drew & Jacob, “Inside the Box: A Proven System of Creativity
for Breakthrough Results”
Palavras-chave:
Inovação Sistemática, SIT, “Systematic Inventive Thinking”, TRIZ, Teoria Para
Resolução de Problemas Criativos.
Resumo:
O Pensamento Inventivo Sistemático (SIT) é um método voltado para Inovação desenvolvido
em Israel, em meados da década de 1990 e derivado da TRIZ
(1)
, Teoria Para Resolução de
Problemas Criativos, criada pelo engenheiro e inventor russo Genrich Altshuller na antiga
União Soviética, a partir de 1946.
Considerada uma abordagem prática destinada à criatividade, inovação e resolução de
problemas, a SIT, “Systematic Inventive Thinking”, é uma excelente metodologia para criação
de novos produtos e sistemas que, devido a sua simplicidade, tem se constituído em mais uma
ferramenta para se juntar às centenas de métodos existentes no arsenal dos profissionais de
inovação.
1.1 – Introdução
Segundo praticantes e autores da SIT, ao contrário da maioria dos métodos utilizados para o
desenvolvimento de novos produtos, ao se aplicar esta metodologia deve-se começar com um
produto existente na empresa.
Os procedimentos descritos a seguir podem ser complementados por meio de outros métodos
visando adequar a inovação resultante ao mercado como, por exemplo, o modelo de
Osterwalder & Pigneur, “Business Model Generation” que apresenta, em nove células de um
quadro de processo de negócios, as variáveis com as quais a empresa deverá lidar tendo em
2
sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com
vista o produto que será destinado aos clientes e os aspectos logísticos e financeiros de um
empreendimento voltado para inovação.
Ao se conceber o desenvolvimento de uma inovação através da SIT, a FORMA do produto a
ser pensado deverá ser examinada em primeiro lugar, para só em seguida se examinar a sua
FUNÇÃO.
Esta inversão, contrária ao sentido comum a muitos métodos destinados a inovar, em que a
FUNÇÃO precede à FORMA, segundo seus autores, Drew e Jacob, se justifica por ser um
processo em que as necessidades dos clientes ainda estão ocultas, indeterminadas, por surgir
ou serem descobertas.
É interessante observar que, em TRIZ, dentre os 40 Princípios de Inovação de Altshuller, o de
número 13, “The Other Way Around”, também recomenda a inversão do problema que se quer
resolver em certas situações, com a finalidade de obter novos resultados.
Em contraste com a TRIZ de Altshuller, cujo escopo de pesquisas é aberto e abrange o
conteúdo de um grande número de patentes como inspiração para novas ideias, no entanto a
SIT opera nas vizinhanças do produto ou processo, “Inside the Box”, no ambiente interno das
empresas.
A figura abaixo representa a estrutura do método, correspondente a alguns exemplos
explicativos de suas fases principais, que serão vistos a seguir.
Figura 1.1 – Estrutura da Metodologia SIT:
Note-se que nela, a partir da SITUAÇÃO
ATUAL, a FORMA do produto antecede à
FUNÇÃO, ao contrário da prática usual
comum em muitos projetos, em que a
função sempre antecede à forma.
1.2 – O Que é a SIT, Systematic Inventive Thinking – Pensando Dentro da Caixa
Ao contrário de métodos destinados a “Pensar Fora da Caixa”, isto é, exteriormente ao
ambiente da empresa, a SIT caracteriza-se por um domínio restrito, em que o pensamento é
estimulado a atuar “Dentro da Caixa”, no âmbito das próprias organizações, com vistas a
3
sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com
selecionar dentre seus produtos e processos aqueles suscetíveis de serem utilizados para
inovar.
Sua ideia central consiste em se usar o sequenciamento e etapas sucessivas de evolução do
produto segundo determinadas direções ou princípios, quase sempre operando segundo dois
objetivos:
(3)
:
 Elaboração de novas ideias e
 Resolução de problemas
Como poderá então o método, assim circunscrito, vir a ser uma fonte de criatividade para
inovar? Vejamos:
1.3 – A SIT e Métodos Estruturados Voltados Para Auxiliar a Criatividade: a
Herança da TRIZ
Na década de 1970, pesquisadores no campo da Psicologia Cognitiva procuraram estabelecer
um critério quantitativo para medir a criatividade.
Uma pessoa criativa foi definida como alguém com um Q.I. (Quociente de Inteligência) capaz
de gerar um grande fluxo de ideias
(4)
.
Com isto, procurava-se medir a taxa de ideias boas ou más de uma pessoa por unidade de
tempo. Um QI elevado era então considerado uma indicação de criatividade desta pessoa, o
que ainda prevalece como uma suposição comum nos dias atuais.
Esta abordagem levou a uma série de procedimentos para estimular a criatividade de
indivíduos tidos como normais com base no pressuposto de que um aumento quantitativo de
suas ideias pode provocar uma melhoria qualitativa em seu trabalho, elevando a produtividade
e a criatividade nas empresas, através de métodos como Brainstorming, Synectics,
Estimulação Aleatória e Pensamento Lateral (identificado com Edward de Bono).
Todos estes métodos, mesmo sendo pouco estruturados, são complementares dos
procedimentos adotados em SIT, de ASIT (Accelerated SIT, uma forma de ensino da SIT) e em
TRIZ.
Recentemente, o Prof. Jared Aaron Merril, da Brigham Young University, em Provo, UTAH,
USA, publicou em sua Tese de Mestrado, uma tabela comparando entre si as três
metodologias mais usadas em Criatividade Sistemática e Inovação, mostrando ser a SIT
aquela que apresenta o menor número de princípios, comparada com TRIZ e Brainstorming:
Brainstorming TRIZ SIT
Mecanismo principal
de criatividade
Julgamento ao
término do
processo
Princípios,
padrões e
efeitos
Técnicas de
resolução
Número de técnicas
Não há uma
técnica
estabelecida
Grande (acima
de 400)
Pequena
(5 princípios)
O domínio de
conhecimento está
incluído? Não
Sim (padrões e
efeitos) Não
4
sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com
Em grupos ou
individual Ambos Individual Ambos
Critério para
inventividade Nenhum
Eliminação de
conflitos
Satisfaz a duas
condições:
MF e MQ (*)
Sistemático ou não
sistemático Não Sistemático Sistemático
(*) MF – Mundo Fechado, MQ – Mudança Qualitativa
Fonte: Merril, A., “An Investigation of the ASIT Problem-Solving Method on Middle School
Technology Education Student’s Ability to Produce Creative Solutions”.
Algumas investigações tem mostrado que a principal dificuldade enfrentada pelos
solucionadores de problemas é em decorrência do fato de que muitos métodos tradicionais
usados para inovar não estão gerando uma grande quantidade de ideias ou de soluções
porque ou chegaram praticamente a um ponto de exaustão ou forçam a realização de
investigações em um amplo universo de possibilidades criativas, capaz de torná-los ineficazes
tanto do ponto de vista lógico quanto ao elevado número de variantes a examinar.
(5)
,
(6)
O conflito existente entre quantidade e qualidade parece ser verdadeiro, e a maioria dos
métodos destinados à inovação tem procurado conciliar alguns destes pressupostos a seguir, e
a escala de novos produtos e serviços decorrentes de sua aplicação tem aumentado.
No entanto, já sabemos que um grande fluxo de ideias não conduz necessariamente à criação
de soluções originais e, ainda, a própria ocupação com ideias comuns pode prejudicar a
criatividade e atuação do pensamento inovador.
Estas descobertas levaram a novas abordagens ao sustentar que resultados originais e
interessantes são provenientes do uso do pensamento organizado e de processos estruturados
em vez de apenas a geração aleatória de ideias.
Uma das características do pensamento organizado é um estado de "baixos estímulos",
livre de grande quantidade de ideias. Com isto, a originalidade substitui quantidade como
critério dominante. Esta abordagem organizada ou estruturada para a geração de ideias é o
ponto de partida para o Pensamento Inventivo Sistemático oferecido pela SIT.
(7)
Procuremos nos aprofundar nos conceitos expostos no início deste artigo.
A SIT é uma metodologia descendente do trabalho de Genrich Altshuller, engenheiro Russo
que analisou em sua época mais de 200.000 patentes para identificar os 40 Princípios
Inventivos comuns de sua fórmula única destinada a inventar, denominada TRIZ.
A principal descoberta de Altshuller foi que soluções criativas procuram sempre incorporar a
eliminação de um conflito no estado inicial do problema. Um conflito é um estado onde um
determinado parâmetro deve ser alterado a fim de se obter algum benefício, mas sua alteração
provoca a deterioração de outro parâmetro importante.
Rotinas de concepção técnica lidam com esta situação, procurando um compromisso de
"melhor ajuste" e buscam, por este meio, encontrar aquele compromisso que maximize a
utilidade e minimize o impacto negativo de uma configuração específica decorrente da variação
dos parâmetros de entrada disponíveis.
5
sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com
Figura 1.3 – Jangada e Catamarã a vela. Imagem: Catamarã Flying Phantom
A Figura 1.3 acima ilustra, à esquerda, uma jangada comum e, à direita, um catamarã a vela,
no qual navegadores estreitos e providos formato aerodinâmico são fixados nas extremidades
da prancha, permitindo assim que a mesma, que é larga e possuidora de elevada resistência
ao movimento, se eleve acima das ondas, eliminando o conflito entre a exigência de maior
velocidade e o aumento da resistência ao deslocamento. (Princípio para Inovação de No. 17,
“Uso de outra Dimensão, Pg. 144 de Rantanen K. & Domb, Ellen, “Simplified TRIZ”, CRC
Press, 2nd. Ed. USA, que diz:
NOVA DIMENSÃO
a. Mude de linear para planar, de planar para tridimensional, de tridimensional para
unidimensional.
b. Utilize arranjos em prateleiras ou camadas em vez de uma única camada.
c. Incline ou vire o objeto para o lado ou utilize outro lado do objeto.
Fonte: Blog do Nei, em “Princípios Inovativos”
Na TRIZ, Altshuller e seus colaboradores expressam o fato de que os conflitos técnicos da
engenharia poderiam ser indexados de acordo com o tipo de parâmetros envolvidos (39
parâmetros de engenharia comuns foram inicialmente definidos).
Com vistas a fixar estes parâmetros, examinando inúmeras invenções em bancos de patentes
e diversos produtos, tornou-se possível associar a cada conflito um conjunto de possíveis
sugestões ou estratégias sobre como abordar a solução para o problema e superá-lo.
Inicialmente, três tipos de indicações foram utilizados: princípios, padrões e efeitos físicos.
Há 40 princípios, cada um deles podendo auxiliar na solução do problema mediante a definição
de estratégias de alto nível para resolvê-lo.
Há 72 padrões ao todo, que são ideias mais elaboradas com base nas soluções utilizadas no
passado.
Em TRIZ costuma-se também fazer uso de uma Base de Conhecimentos de cerca de 400
efeitos físicos, propriedades de determinados produtos, etc. Veja-se TRIZ Oxford Creativity e
em http://www.productioninspiration.com/, bases de dados de livre acesso sobre aspectos
geométricos, físicos e químicos e seus efeitos, indexados de acordo com as funções úteis que
podem realizar.
6
sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com
Soluções inovadoras muitas vezes recorrem a estes efeitos para eliminar contradições em
problemas cuja solução exige amplo conhecimento por parte do pesquisador ou inventor,
excedendo muitas vezes sua capacidade em aplicar estes efeitos de modo eficiente.
1.4 – O Surgimento da SIT, Systematic Inventive Thinking
Durante os anos 1970, alguns especialistas no pensamento estruturado voltado para Inovação
e Criatividade deram início a pesquisas sobre se não poderiam reduzir o vasto número de
conceitos e métodos pertinentes à TRIZ.
Como parte marcante deste processo, um dos alunos de Altshuller, Ginadi Filkovsky, imigrou
para Israel e foi trabalhar na Open University em Tel Aviv.
Ali ele começou a ensinar TRIZ, adaptando a metodologia às necessidades de companhias
israelenses e internacionais de alta tecnologia.
Um grande número de acadêmicos importantes foi envolvido nesta pesquisa.
Dois estudantes de doutorado, Jacob Goldenberg e Roni Horowitz,
(8)
se juntaram a Filkovsky,
concentrando suas pesquisas no esforço de desenvolvimento e simplificação da TRIZ.
Figura 1.4 – Campus da Open University, em Israel, berço da SIT.
O seu trabalho serviu de base para o método SIT como existe hoje. Ambos os métodos, tanto
SIT como TRIZ, compartilham um pressuposto básico – o de que podemos estudar ideias
criativas existentes em um determinado campo, identificar padrões lógicos comuns nessas
ideias, traduzir os padrões em um conjunto de ferramentas de pensamento e, em seguida,
aplicar essas ferramentas de pensamento para gerar novas ideias criativas.
Apesar das semelhanças, a SIT difere fortemente da TRIZ em vários aspectos importantes,
que têm a ver principalmente com a sua aplicação prática.
(9)
1.5 - De TRIZ para SIT
A passagem da TRIZ para SIT foi motivada pelo desejo de se criar um método que fosse mais
fácil de aprender e de reter (conseguido através de um menor número de regras e
ferramentas), mais universal na sua aplicação (conseguido através da eliminação de
ferramentas de engenharia específicas) e mais restritivo em abrangência ou escopo, mantendo
o solucionador de problemas dentro de uma estrutura inventiva real (o Princípio do Mundo
Fechado, “Inside the Box”).
A TRIZ também favorece a utilização dos recursos existentes para a resolução de um
problema. Mas em contraste com SIT, este princípio está disperso em torno do método,
objetivando atender ao preceito de Altshuller de que "O sistema é melhor quando não existe
sistema", que seria o resultado final ideal de uma solução técnica.
7
sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com
Figura 1.5 – Ref. Inside the Box: A Proven System of Creativity for
Breakthrough Results, uma das fontes de consulta utilizadas aqui.
Autores: Drew Boyd and Jacob Goldemberg, Ed. Simon &
Schuster, 2012.
Em SIT, seus principais idealizadores, Roni Horowitz e Oded Maimon (1997), estabeleceram
duas grandes diferenças em relação a TRIZ:
 A evolução para o RESULTADO FINAL IDEAL foi substituída pelo MUNDO FECHADO;
 A RESOLUÇÃO DE CONTRADIÇÕES foi substituída por uma MUDANÇA
QUALITATIVA;
 Os 40 PRINCÍPIOS da TRIZ foram COMBINADOS e SUBSTITUÍDOS por apenas
CINCO FERRAMENTAS provocativas de IDEIAS;
 Foram ELIMINADOS os demais elementos da TRIZ não utilizados.
Assim, as condições de Mundo Fechado (MF) do produto ou serviço, e o objetivo de se
alcançar uma Mudança Qualitativa (MQ) se tornaram os princípios mais importantes, e o
primeiro passo para sua utilização para resolver um determinado problema foi definir sua
situação, o “mundo fechado” em que se encontra.
Uma vez definido, o solucionador de problemas saberá que todos os blocos de construção para
a solução estarão ali na sua frente e que a solução irá requerer simplesmente a reorganização
dos objetos existentes.
Isso adiciona grande foco e energia para o método.
Ele também pode muitas vezes transformar o problema real em um quebra-cabeça divertido.
1.6 - Cinco Princípios de Raciocínio
Os Cinco Princípios que serão estudados estão mostrados na Figura 1.1 inicial, ao nível de
FORMA do produto, sendo, pela ordem:
 Subtração ou Redução
 Multiplicação
 Divisão
 Unificação de Tarefas
 Dependência de Atributos
Princípio 1 - Subtração ou Redução
Trata-se de remover um componente essencial de um produto e encontrar utilizações para o
arranjo recentemente imaginado dos componentes existentes. Este arranjo abstraído é
conhecido como um 'produto virtual'.
Exemplo 1: Simplificação do Aspirador de Pó por meio de ciclone
8
sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com
Figura 1.6 - Acima, um ciclone da Dyson, empresa líder na fabricação de aspiradores de pó.
Seu eficiente projeto contempla uma invenção que reduziu substancialmente o número de
componentes de seu produto, deixando os concorrentes virtualmente “a comer poeira”.
Exemplo 2 – Simplificação, por meio da redução de componentes visíveis, de um painel
de automóvel
Figura 1.7 - Interior do Audi Q3, modelo
2016. O painel retrátil do sistema multimídia
resulta em um interior limpo e sem excessos
e reflete o uso do Princípio da Subtração,
contrastando com a complexidade de
painéis de outros veículos de mesma
categoria.
Princípio 2 - Multiplicação
Adicionar a um produto um componente do mesmo tipo que um já existente.
O componente adicionado deve ser alterado de alguma forma. As duas palavras-chave para
esta ferramenta são: 1) mais e 2) diferente.
Estas representam as duas fases de aplicação do instrumento: 1) adicionar mais cópias de
algo que existe no produto e 2) alterar essas cópias de acordo com algum parâmetro.
Deve-se salientar que a cópia deve ter uma Função ou Atributo diferentes do original.
9
sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com
Figura 1.8 – Retroescavadeira multifuncional. Basta acionar um implemento para ela realizar
funções inimagináveis. Essa capacidade de ser multifuncional é o que define a
retroescavadeira da JCB como um dos maiores sucessos de vendas da empresa Auxter. A
máquina é hoje uma espécie de canivete suíço do mundo da construção.
Princípio 3 - Divisão
Dividir o produto e / ou seus componentes e reorganizá-los para formar um novo produto ou
sistema. O uso deste princípio força a consideração de estruturas diferentes, ou ao nível do
produto / serviço como um todo, ou ao nível de um componente individual. Dividir um produto
em vários de seus componentes dá a liberdade para reconstruí-lo em muitas novas formas – o
que aumenta os graus de liberdade para trabalhar com a situação.
Para aplicar a técnica de divisão, deve-se começar listando os componentes internos do
produto e, em seguida, dividir o produto em seus componentes, caso existam, reorganizando o
seu papel funcional.
Veja-se o exemplo a seguir, Figura 1.9, publicado pelo site Innovationinpractice.com.
Os controles da lancha como partida, frenagem e direção, passaram para o cabo que é
segurado a reboque. Agora, o esquiador controla à distância os movimentos da lancha, sem
necessidade de ter uma segunda pessoa para dirigi-la.
Figura 1.9 – DIVISÃO ou SEPARAÇÂO: Este processo foi aplicado aqui, dispensando a
obrigação de uma segunda pessoa para dirigir e controlar a lancha.
10
sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com
Como se pode notar, o esquiador tem em mãos não só a tração de seu próprio esqui como
também, remotamente, todos os controles para funcionamento e direção da lancha. Em TRIZ,
corresponde ao Princípio da Separação.
Fonte: Innovationinpractice.com
A DIVISÃO é aplicada cortando o produto ou componente ao longo de qualquer linha física. Ela
poderia ser também aplicada a um processo, segmentando-o de um ponto de vista lógico para
melhor execução de uma tarefa. A divisão física aqui se aplica à FORMA como a tarefa é
realizada para passagem, do ponto inventivo que se segue, à FUNÇÃO desejada, qual seja, a
tração controlada do barco simultaneamente pelo esquiador.
Para alcançar os mesmo objetivos, porém de forma segura e econômica, um corte foi efetuado,
na verdade, ao longo uma linha física do próprio produto ou componente.
Uma elegante solução que, em TRIZ, corresponde ao Princípio da Separação, o de número 2
dos 40 Princípios de Inovação de Altshuller, que diz:
3.1 – Divisão por Separação
“Separar ou remover apenas a parte necessária (ou propriedade) que interfira no
funcionamento do objeto ou sistema”.
Na multinacional UBER, por exemplo, podemos ter um excelente carro com motorista à nossa
disposição durante uma corrida, utilizando veículos de qualidade superior semelhantes aos que
gostaríamos de ter, sem necessidade de sermos proprietários, uma separação evidente.
Neste tipo de serviço público, as responsabilidades e atribuições que teríamos como
proprietários de veículo são DIVIDIDAS entre os usuários do serviço e a empresa proprietária
do veículo.
A FORMA como esta divisão ocorre precede à FUNÇÃO, cujo propósito é alcançado pelo uso
que fazemos do mesmo ao sermos transportados para algum lugar.
Tudo muito simples e corriqueiro, porém a precisão da linguagem e dos objetos do método
de que trata a SIT são aqui salientados. A FORMA sempre precede à FUNÇÃO.
Princípio 4 – Unificação de Tarefas
Consiste em atribuir uma tarefa nova e adicional para um recurso existente. Culturas menos
abastadas são mais propensas a adotar a mentalidade de tarefas de unificação.
Por exemplo, os beduínos usam camelos para um número de diferentes tarefas: transporte,
moeda, leite, pele para tendas, sombra, proteção contra o vento, fezes de camelos para
acender fogueiras, etc. As sociedades mais prósperas tendem a descartar recursos.
Entretanto, não especificamente em culturas atrasadas, transportes de massa como metrôs,
trens suburbanos e ônibus em vias de alta velocidade e estações de transferência, procuram
obter integração, visando flexibilidade e economia nos transportes.
Em São Paulo, o monotrilho que será usado para esta integração, além de ser
construtivamente mais econômico do que construir vias subterrâneas (metrô) interligadas, é um
dos princípios mais evidentes das tarefas de unificação nos serviços públicos de transporte.
11
sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com
Figura 1.10 – Integração e unificação de transportes em São Paulo, por meio de monotrilho,
solução de custo inferior ao metrô.
Princípio 5 – Dependência de Atributos
Criando e dissolvendo as dependências entre as variáveis de um produto.
A Dependência de Atributo em geral trabalha com variáveis, em vez de componentes.
Variáveis são fáceis de identificar como aquelas características que podem mudar dentro de
um produto ou um componente (por exemplo, cor, tamanho, material, relacionamento entre
eles).
Figura 1.11 – Na figura, a técnica de Dependência de Atributo em um Mapa Mundi em que o
tamanho de cada país é proporcional à sua população. Innovation in Practice (Visita em 12-05-
2015).
No caso do exemplo do Catamarã, visto anteriormente, tanto o material como a relação entre
componentes determinaram uma mudança radical: a introdução dos navegadores laterais
acrescentaram uma terceira dimensão à prancha: uma evolução natural de partes facilmente
encontráveis em qualquer pequeno estaleiro, em uma nítida Dependência de Atributos,
“Inside the Box”.
1.7 – Fundamentos
12
sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com
1.7.1 - O Mundo Fechado - Pensando dentro da caixa
A condição do Mundo Fechado é crucial para a metodologia SIT. O primeiro passo na sua
utilização é definir o problema do mundo fechado.
Uma vez definido, o solucionador de problemas sabe que todos os blocos de construção para a
solução estão ali na sua frente e que a solução requer simplesmente a reorganização dos
objetos existentes, por ex. em um estaleiro, no caso da prancha. Isso adiciona foco e energia
ao método. Ele também pode transformar qualquer problema real em um quebra-cabeça
divertido.
A condição do Mundo Fechado lida com as semelhanças entre soluções bem sucedidas já
adotadas para o problema e examina soluções alternativas dentro do escopo do problema.
A condição estabelece que, no desenvolvimento de um novo produto - ou ao abordar um
problema - deveremos utilizar somente os elementos já existentes no produto / problema, ou no
ambiente imediato. Esta condição nos obriga a contar com recursos já à nossa disposição, em
vez de "importar" novos recursos externos para a solução.
A condição do Mundo Fechado muitas vezes provoca resistência, uma vez que contraria
algumas das intuições mais comuns sobre o pensamento criativo, especialmente a noção
onipresente de "Pensar Fora da Caixa" ou as técnicas usadas na “Inovação Aberta”, concebida
por Henry Chesbrough, professor e diretor executivo no Centro de Inovação Aberta
da Universidade de Berkeley, embora esta última possa adotar fluxos em ambos os sentidos,
de dentro para fora (Consultores, Innocentive.com) ou de fora para dentro (Patentes não
utilizadas pela empresa e passíveis de serem licenciadas ou vendidas para terceiros).
A alegação essencial de "Pensar Fora da Caixa" é que, a fim de produzir ideias que são novas
e diferentes, precisaríamos nos movimentar de alguma forma para além de padrões de
pensamentos normais, para um universo localizado fora da caixa metafórica, muitas vezes
permitindo a colaboração externa de empresas ou pessoas capazes de dar contribuições
válidas para a inovação, concepção de novo produto ou serviço.
A condição do Mundo Fechado, pelo contrário, obriga o especialista ou analista do sistema a
encontrar uma solução criativa em um universo restrito, fortemente limitando o espaço de
possibilidades.
Desde que o escopo de possibilidades é artificialmente limitado, não há escolha, a não ser
reconsiderar as relações entre elementos encontrados dentro do problema e prestar mais
atenção a eles: à sua disposição no espaço e no tempo; às suas respectivas funções e sua
necessidade. Assim, a condição do Mundo Fechado nos coloca em rota de colisão com nossa
fixidez, permitindo por esta via encontrar soluções que são inovadoras (diferentes do habitual)
e simples, às quais se pode chegar através de elementos já existentes e conhecidos.
A concepção do Mundo Fechado auxilia a superar impedimentos que surgem em nossa vida
diária decorrentes da chamada Inércia Mental, à qual nos prendemos devido a nossos
automatismos e preguiça de pensar, ampliando por meio da SIT as fronteiras do universo em
que o PENSAMENTO CRIADOR deverá operar, livre de hábitos adquiridos.
1.7.2 - Mudança Qualitativa e Transferência de Tecnologia
O princípio da Mudança Qualitativa dita que soluções podem ser encontradas onde o elemento
principal do problema ou variável na situação existente é ou totalmente eliminado ou mesmo
revertido.
13
sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com
Em outras palavras, um elemento problemático numa situação é neutralizado e, por isso, já não
apresenta um obstáculo. Este também pode ser o caso em que o elemento problemático torna-
se um fator positivo chave; a situação é "invertida", a desvantagem se transformando em
vantagem.
Por exemplo, o carrinho externo com rodinhas que anos atrás usávamos para transporte de
bagagens era uma desvantagem, pois consistia em custo adicional complementar que
necessitava de espaço para ser guardado.
Recentemente, ele foi substituído pelas rodinhas já integradas às malas, assim como a alça
telescópica que se pode recolher ou estender, fazendo das malas o próprio carrinho - o melhor
carrinho de transporte é não ter carrinho (TRIZ)!
Além disso, rodinhas que em algumas malas só podiam ser arrastadas segundo o sentido do
movimento, foram substituídas em malas mais modernas por rodas que possuem liberdade de
girar em 360 graus na horizontal, em qualquer direção.
Este pequeno artifício aplicado a algo que já era uma boa solução levou a uma melhoria
importante: em vez de poderem ser puxadas apenas, as malas agora podem também ser
empurradas.
Este é um aproveitamento eficiente da forma livre como funcionam as rodinhas das cadeiras de
escritório, produtos totalmente diferentes que emprestaram uma ideia consagrada já posta em
prática a um outro produto, adaptação esta relacionada a uma simples transferência de
tecnologia.
Figura 1.12 – Cadeira e mala com rodinhas giratórias, respectivamente em
http://www.dcmobi.com.br/ e http://www.fashionspill.com/.
Outro exemplo que podemos citar na Mudança Qualitativa e Transferência de Tecnologia é a
invenção do Pyrex pela Corning Glass Works.
A invenção deste vidro inquebrável e resistente a mudanças de temperatura destinou-se,
originariamente, ao uso ferroviário, para evitar que o vidro das luminárias de sinalização de
segurança ao longo da linha férrea se quebrasse com mudanças bruscas de temperatura,
causadas pela neve ou pela chuva, podendo ocasionar graves acidentes.
Posteriormente à obtenção de sua patente, a Corning transferiu esta ideia para fabricação de
utensílios domésticos, os recipientes e fôrmas fabricadas em vidro refratário resistente a
variações de temperatura, no que hoje em dia estes utensílios encontram sua maior utilização.
Mais recentemente, as técnicas de fabricação deste vidro de alta resistência deram origem ao
chamado vidro Gorilla Glass da Corning, de uso difundido nas telas da maioria dos tablets e
telefones celulares.
14
sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com
Figura 1.13 – Evolução de diversos tipos de Pyrex, da Corning Glass Works.
Fonte: http://pyrexpassion.com
1.7.3 - Função Segue a Forma
Uma expressão cunhada por Ronald Finke, “Função Segue a Forma” é muitas vezes
considerada um retrocesso no processo em que o ponto de partida para pensar em novas
ideias é a base dos recursos existentes, em vez de necessidades específicas que foram
identificadas no mercado.
Estas necessidades, no entanto, nunca são ignoradas - elas são simplesmente introduzidas
numa fase posterior. Como vimos, o processo começa com um produto já existente (ou
serviço), continua com sua manipulação sistemática para criar o que se chama em SIT um
“produto virtual” (a Forma) e só então é examinado se ele satisfaz as necessidades dos
clientes existentes ou potenciais (a Função).
O princípio de que “Função Segue a Forma” é aplicado como uma estrutura abrangente, um
arcabouço, para que se possa concentrar em ferramentas de pensamento de aplicação da SIT
propriamente ditas.
Exemplo: Assento Ortopédico
Aqui se pode observar claramente como a FUNÇÃO se segue à FORMA: retirados os pés da
cadeira (SUBTRAÇÃO em SIT), o produto resultante (FORMA) deverá encontrar uma
finalidade útil e comercialização viável (FUNÇÃO).
No caso, esta função se manifesta como uma aplicação ortopédica comercial. De exterior
almofadado, o interior do assento é composto de madeira prensada que oferece rigidez e
possibilita que o mesmo se ajuste ergonomicamente ao corpo humano, melhorando assim a
postura de pessoas que passam o dia inteiro sentadas, seja na direção de um veículo,
assistido à TV ou à frente do computador, corrigindo a postura e evitando problemas e lesões
na coluna.
Outras inovações decorrentes deste conceito podem ser citadas: mochilas almofadadas que
servem de assento e de encosto nas arquibancadas de cimento em estádios - nem todos são
“Padrão FIFA!” -, na praia, ou mesmo nas escolas em que muitos assentos são de madeira e
desconfortáveis.
15
sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com
Figura 1.14: Assento Ortopédico Pró-coluna
A rigidez do assento auxilia, mediante correção
postural, o tratamento de desvios na coluna e de
problemas de hérnia de disco. Fonte: Orthopauher
http://www.orthopauher.com.br/2014/home.asp
1.7.4 - Caminho de Maior Resistência
Na natureza, a água que corre abaixo em uma montanha sempre seguirá o caminho de menor
resistência - o caminho mais fácil.
Também no pensamento, nossas mentes tendem a tomar o caminho de menor resistência -
essas amplas avenidas de fatos e procedimentos que nos são mais familiares.
Assim fazendo, é difícil chegar a ideias novas para nós a fim de podermos enfrentar nossos
concorrentes. A SIT incentiva uma abordagem segundo o caminho contra intuitivo - o caminho
de maior resistência.
1.7.5 - Fixidez Cognitiva
Conforme já mencionamos, a Fixidez Cognitiva ou Inércia Mental é um estado de espírito em
que um objeto ou situação são percebidos de uma maneira específica, com exclusão de
qualquer alternativa. Existem vários tipos de fixidez, dentre os quais temos:
a) Fixidez Funcional
Um termo cunhado pelo cientista social Karl Dunker, já falecido. Fixidez funcional é a tendência
de atribuir funções específicas para os respectivos objetos. Dunker via a fixidez funcional como
um "bloqueio mental contra o uso de um objeto em um novo caminho que é necessário para
resolver um problema".
Um exemplo conhecido de quebra da rigidez funcional é dado pelo “Apontador de Cenouras”,
da Monkey Business.
O designer de Jerusalem Avichai Tadmor criou este apontador de cenouras, uma cópia em
tamanho grande de um apontador de lápis com a finalidade de preparar cenouras para
saladas.
Denominado Karoto (cenoura em Grego antigo), o dispositivo, desenvolvido para a empresa
Israelense Monkey Business, pode também ser usado para preparar pepinos e outros vegetais
de formato semelhante.
Para maiores detalhes visite: dezeen.com
16
sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com
Figura 1.15 – Apontador de Cenouras – Um exemplo de quebra da Fixidez Funcional.
Fonte: More Inspiration.
b) Fixidez Estrutural
Esta é a tendência de ver objetos como um todo, como uma Gestalt (percepção global), o que
muitas vezes torna difícil imaginar como o produto pode ser reorganizado para ser visto de
forma diferente. Por exemplo, por que os botões de TV sempre tem que estar na parte inferior
do aparelho? Não seria mais fácil se eles estivessem na parte superior?
Quando os aparelhos de televisão foram introduzidos pela primeira vez, os controles eram
potenciômetros feitos de material sensível ao calor.
Este, que era emitido pelos tubos de raios catódicos, se dispersaria no sentido ascendente e
poderia com o tempo de uso derreter os controles se eles estivessem localizados na parte
superior.
Por isso, eles foram colocados na parte inferior. Mas, desde então, as novas gerações de
aparelhos de TV que estão disponíveis utilizam outras tecnologias como LEDs (diodos
emissores de luz), com emissão reduzida de calor, deixando de lado os tubos de raios
catódicos.
No entanto, devido à rigidez das concepções antigas, os controles ainda se encontram na parte
inferior das TVs, um exemplo de Fixidez Estrutural.
1.7.6 - O “Pote de Mel” pode estar perto, mas parece estar longe!
A maioria das ideias para novos produtos são ou sem inspiração ou impraticáveis. A busca
para se encontrar o "pote de mel" requer um equilíbrio que pode levar a ideias engenhosas e
viáveis. Essa noção foi expressa em um artigo da Harvard Business Review "Finding Your
Innovation Sweet Spot".
(10)
Quando inovamos, nós empurramos nosso pensamento para fora, tentando criar algo novo e
diferente do que já possuímos no momento.
No entanto, geralmente não queremos ir muito longe. A "grande" ideia deve ser executável e
palatável.
O princípio do “Pote de Mel” (Near Far Sweet, NFS) assegura que a nossa ideação irá gerar
ideias que são suficientemente distantes da nossa situação atual e que, a fim de serem
interessantes, deverão estar por perto o suficiente para ativar nossa competência criativa
central, para serem viáveis.
17
sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com
Figura 1.16 – Região do “Pote de
Mel,“Innovation Sweet Spot” ou “Near Far
Sweet” segundo Toni Newmann, em “Where
do I Start?”
O processo de pensamento SIT utiliza o procedimento estruturado e as cinco ferramentas de
pensamento (cf. Item 1.4), a fim de gerar novas formas (produtos virtuais).
Estas formas, se não forem delimitadas, podem levar a um espaço de busca muito distante,
afastando-nos para longe das soluções procuradas.
A condição de "mundo fechado" age como um inibidor, certificando-se de que não se caminhe
para fora do espaço onde se encontram as soluções, mantendo o profissional ou as equipes na
região ideativa do “pote de mel”.
A abordagem segundo o modelo para inovação ou desenvolvimento de novos produtos através
da SIT dá-se pela identificação e aplicação de determinados procedimentos bem definidos,
derivados de uma análise histórica de tendências baseados em certas características dos
produtos, denominados padrões ou modelos, objetivando a criação de novos artefatos,
sistemas ou processos. Estes modelos podem contribuir para a compreensão e previsão do
novo produto em emergência.
A invenção de novos produtos tem tradicionalmente envolvido métodos que são voltados para
estimular a geração de um grande número de ideias e a noção de que as recompensas
associadas à sua geração superam os custos dos esforços desenvolvidos pode ser rastreada
até os primeiros estudos de campo das metodologias voltadas para inovação
(11)
.
Em vista do fato de que esse processo tende a ser altamente complexo e informal, os
envolvidos na geração de novas ideias podem procurar maneiras de se tornar mais produtivos
à medida que progridem de uma tarefa para outra mediante ideação.
1.8 – Síntese: Na SIT, a Identificação de Padrões em um produto tem início no
produto em si.
Algumas pessoas podem ter sucesso na identificação de padrões de invenção que são comuns
a diferentes contextos de suas ideias e aplicá-las dentro de uma determinada categoria de
produto, ou até mesmo tentar aplicá-las a outras categorias de produtos.
Indivíduos que adotam uma estratégia cognitiva deste modo podem esperar ganhar vantagens
sobre os outros que tratam de cada tarefa como nova e sem relação com ideação passada. No
entanto, mesmo quando se mostram produtivos, os padrões são susceptíveis de serem
18
sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com
idiossincráticos, de difícil aceitação e, muitas vezes, nem mesmo podem ser definidos
verbalmente.
Como tal, eles não têm permanência e generalização. Os métodos e princípios da SIT foram
elaborados segundo a crença de que certos padrões são identificáveis objetivamente,
amplamente aplicados e podem ser aprendidos.
Estes padrões, denominados modelos, podem servir como uma ferramenta facilitadora que
alimenta os canais do processo de ideação, permitindo que o indivíduo seja mais produtivo e
focado.
(12)
O processo normal de desenvolvimento de novos produtos ao qual se apegam a maioria das
pessoas tem início com uma definição das necessidades do mercado, o que pode em muitas
ocasiões consistir de um grande erro.
Seja como for, isso é feito com base na intuição ou na análise de mercado, grupos focais etc.
Após a definição das necessidades, é iniciado um processo de desenvolvimento de produtos
para atender a essas necessidades.
Este processo, que é exatamente o oposto ao que estamos considerando aqui, se dá segundo
o princípio de que “a forma se segue à função”, expressão literal de que a forma do novo
produto é obtida a partir da função que ele tem de desempenhar.
Este processo tem algumas desvantagens:
A maioria dos clientes tem dificuldade em pensar sobre necessidades ou produtos que não
existem, como as inovações de ruptura. Isto é particularmente verdadeiro para as
necessidades que não são vitais.
Por exemplo: quantos clientes pensaram na necessidade possuir um leitor de cassetes
compacto e transportável como um Walkman para ouvir músicas ou, mais recentemente, na
necessidade de se ter um iPod ou um celular com esta finalidade e se ter acesso a um sistema
de streaming de musicas como no Spotify?
Quantos clientes já pensaram sobre a possibilidade de usar a Internet para comunicação, por
meio do Skype ou do WhatsApp, como meios para realizar chamadas telefônicas sem custo
algum?
Para encontrar aqueles clientes que estão pensando em novas necessidades e ou produtos,
são necessários levantamentos enormes e muito caros. Mas mesmo se nós conseguirmos
encontrar essas pessoas, grandes são as chances de que elas não vão estar dispostos a
partilhar as suas boas ideias conosco gratuitamente.
Se a necessidade for clara ou fácil de definir, o mais provável é que pelo menos alguns de
nossos concorrentes já a terá adotado a ideia: eles já estarão no processo de concorrer com
nosso produto, reduzindo a margem de lucro ou mesmo eliminando-a por completo.
A fim de superar estes problemas, o método SIT sugere que iniciemos o processo de inovação
e desenvolvimento do produto a partir de um produto em si, previamente escolhido.
A aplicação de ferramentas do pensamento sistemático na análise do produto pode levar tanto
a potenciais novos produtos ou para a definição de novas necessidades. As vantagens deste
método são as seguintes:
19
sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com
 O processo requer apenas uma quantidade limitada de horas e é conduzido na própria
empresa;
 Aplicando o método, ele pode render muitas ideias novas e abrir novos caminhos e
muitos potenciais de novas necessidades;
 À medida que os novos produtos são baseados nos antigos, geralmente não haverá
grandes mudanças necessárias na sua produção. (Veja-se o exemplo da Figura 1.13,
que se refere ao Assento Ortopédico Pró-coluna da Ortho-Pauher).
Um dos elementos importantes da SIT é caracterizar o sistema e as variáveis ambientais, isto
é, situadas no horizonte próximo.
Depois de ter definido essas variáveis, devemos examinar a correlação entre elas, assim como
examinar o impacto da manipulação de uma ou mais das variáveis de produto sobre a
utilização potencial do "novo" produto.
A metodologia aconselha a analisar como tal mudança afeta a correlação entre o produto e o
meio ambiente e se os clientes irão querer usar um produto desse tipo.
1.9 - SIT em Universidades e Escolas de Negócios
A SIT, Systematic Inventive Thinking é ensinada em várias universidades e escolas de
negócios em todo o mundo. Sua metodologia é mais frequentemente ensinada através de
Programas e Treinamentos em Inovação, como aqueles oferecidos pela empresa SIT
International, em cursos de Administração de Empresas, Comercialização, Propaganda,
Marketing, Desenvolvimento Organizacional, Cursos de Liderança e Estudos de Gestão.
Dentre as escolas e instituições que oferecem cursos e treinamentos em SIT podemos citar:
 Bar-Ilan University
 Ben-Gurion University of Negev
 Brigham Young University
 Columbia University
 Duke University
 Hebrew University of Jerusalem
 INSEAD Business School
 London Business School
 National University of Singapore
 Tel Aviv University
 Universidad de Los Andes Bogota
 University of Cincinnati
 University of North Carolina at Charlotte
 Wharton Business School
Futuramente, em outros artigos desta série, procuraremos detalhar os usos das Cinco
Ferramentas de Raciocínio da SIT, citadas no item 1.7, bem como procuraremos nos
aprofundar um pouco mais nos princípios básicos do Pensamento Inventivo Sistemático.
1.10 – Referências e Bibliografia
(1) TRIZ é uma sigla russa para теория решения изобретательских задач, Teoriya
Resheniya Izobretatelskikh Zadatch, que significa "Teoria da Resolução Inventiva de
Problemas". Foi desenvolvida pelo inventor e autor de ficção científica soviético
Genrich Altshuller e seus colaboradores, a partir de 1946. TRIZ – Wikipédia, a
enciclopédia livre.
20
sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com
(2) Savransky, Semyon, D. Engineering of Creativity – Introduction do TRIZ Methodology of
Inventive Problem Solving”, CRC Press, 2000, USA.
(3) Goldenberg, J; Lehmann D; Mazursky D (2001). "The idea itself and the circumstances of its
emergence as predictors of new product success". Management Science: 69–84.
(4) Marshak Y; Glenman T; Summers R. (1967). Strategy for R&D Studies in Microeconomics of
Development. New York: Springer-Verlag.
(5) Connolly T; Routhieaux R. L; Schneider, S. K (1993). On the effectiveness of groups
brainstorming: test of one underlying cognitive mechanism. Small Group Research. pp. 490–
503.
(6) Paulus, B.P (1993). "Perception of performance in group brainstorming: the illusion of group
productivity". Personality and Social Psychology Bulletin.
(7) Goldenberg, J; Mazursky D, Solomon S (1999). "Creative Sparks". Science 285: 1495–1496.
doi:10.1126/science.285.5433.1495.
(8) Horowitz, R. "Creative Problem Solving In Engineering Design" (PDF).
(9) Goldenberg, J (2002). "2-3". Creativity-Product-Innovation. Cambridge University Press.
(10) Goldenberg, J; Levav A; Mazursky D; Solomon S (March 2003). "Finding your Innovation
Sweet Spot". Harvard Business Review.
(11) Levav A; Stern Y (2005). "The DNA of Ideas" (PDF). Bio-IT World Magazine.
(12) Goldenberg, J; Mazursky D; Solomon S (1999). "Toward identifying the inventive templates
of new products: A channeled ideation approach" (PDF). Journal of Marketing Research.
(13) Oliveira, Tiago, “Pense dentro da caixa: Aprenda a enxergar oportunidades e empreenda
em qualquer cenário”, Ed. Gente, São Paulo, SP – 2016.
OBS: Texto adaptado eda Wikipedia (*):
http://en.wikipedia.org/wiki/Systematic_inventive_thinking
(*) This page uses Creative Commons Licensed content from Wikipedia

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

08 criatividade e inovação organizacional
08 criatividade e inovação organizacional08 criatividade e inovação organizacional
08 criatividade e inovação organizacionalGilmar Seco Peres
 
Criatividade e Inovaçao
Criatividade e InovaçaoCriatividade e Inovaçao
Criatividade e InovaçaoJairo Siqueira
 
COMO DESENVOLVER EQUIPES CRIATIVAS E INOVADORAS - Antonio Carlos Teixeira d...
COMO  DESENVOLVER EQUIPES  CRIATIVAS E INOVADORAS - Antonio Carlos Teixeira d...COMO  DESENVOLVER EQUIPES  CRIATIVAS E INOVADORAS - Antonio Carlos Teixeira d...
COMO DESENVOLVER EQUIPES CRIATIVAS E INOVADORAS - Antonio Carlos Teixeira d...AntonioCarlos TeixeiradaSilva
 
Pós Marketing Competitivo, Criatividade e Inovação
Pós Marketing Competitivo, Criatividade e InovaçãoPós Marketing Competitivo, Criatividade e Inovação
Pós Marketing Competitivo, Criatividade e InovaçãoMilton Henrique do Couto Neto
 
Solução criativa de problemas
Solução criativa de problemasSolução criativa de problemas
Solução criativa de problemasJairo Siqueira
 
Inovação e Criatividade
Inovação e CriatividadeInovação e Criatividade
Inovação e CriatividadeAndrea Costa
 
Inovação Tecnológica
Inovação TecnológicaInovação Tecnológica
Inovação TecnológicaJim Naturesa
 
Inovacao Completo
Inovacao   CompletoInovacao   Completo
Inovacao Completochagoso
 
Criatividade e Inovacao
Criatividade e InovacaoCriatividade e Inovacao
Criatividade e InovacaoMarcelo Sávio
 
A disciplina da inovacao
A disciplina da inovacaoA disciplina da inovacao
A disciplina da inovacaoLuca Bastos
 
Gestão da Tecnologia da Informação (12/09/2013)
Gestão da Tecnologia da Informação (12/09/2013)Gestão da Tecnologia da Informação (12/09/2013)
Gestão da Tecnologia da Informação (12/09/2013)Alessandro Almeida
 
A Aceleradora Corporativa, Lean innovation, Agile Trends SP, 2013
A Aceleradora Corporativa, Lean innovation, Agile Trends SP, 2013A Aceleradora Corporativa, Lean innovation, Agile Trends SP, 2013
A Aceleradora Corporativa, Lean innovation, Agile Trends SP, 2013fernandodelariva
 
E-Book Inovação DOM Strategy Partners 2010
 E-Book Inovação DOM Strategy Partners 2010 E-Book Inovação DOM Strategy Partners 2010
E-Book Inovação DOM Strategy Partners 2010DOM Strategy Partners
 
Apresentação sobre Gestão da Inovação e da Criatividade
Apresentação sobre Gestão da Inovação e da CriatividadeApresentação sobre Gestão da Inovação e da Criatividade
Apresentação sobre Gestão da Inovação e da CriatividadeLevi Tancredo
 
Framework de Inovação para Organizações Modernas - Free Model - para usar e c...
Framework de Inovação para Organizações Modernas - Free Model - para usar e c...Framework de Inovação para Organizações Modernas - Free Model - para usar e c...
Framework de Inovação para Organizações Modernas - Free Model - para usar e c...PROF YOGUI, R
 
Design thinking: uma nova abordagem para inovação
Design thinking: uma nova abordagem para inovaçãoDesign thinking: uma nova abordagem para inovação
Design thinking: uma nova abordagem para inovaçãoLuiz Bonini
 

Mais procurados (20)

08 criatividade e inovação organizacional
08 criatividade e inovação organizacional08 criatividade e inovação organizacional
08 criatividade e inovação organizacional
 
Criatividade e Inovaçao
Criatividade e InovaçaoCriatividade e Inovaçao
Criatividade e Inovaçao
 
COMO DESENVOLVER EQUIPES CRIATIVAS E INOVADORAS - Antonio Carlos Teixeira d...
COMO  DESENVOLVER EQUIPES  CRIATIVAS E INOVADORAS - Antonio Carlos Teixeira d...COMO  DESENVOLVER EQUIPES  CRIATIVAS E INOVADORAS - Antonio Carlos Teixeira d...
COMO DESENVOLVER EQUIPES CRIATIVAS E INOVADORAS - Antonio Carlos Teixeira d...
 
Pós Marketing Competitivo, Criatividade e Inovação
Pós Marketing Competitivo, Criatividade e InovaçãoPós Marketing Competitivo, Criatividade e Inovação
Pós Marketing Competitivo, Criatividade e Inovação
 
Solução criativa de problemas
Solução criativa de problemasSolução criativa de problemas
Solução criativa de problemas
 
Inovação e Criatividade
Inovação e CriatividadeInovação e Criatividade
Inovação e Criatividade
 
Inovação como processo de gestão
Inovação como processo de gestãoInovação como processo de gestão
Inovação como processo de gestão
 
Inovação Tecnológica
Inovação TecnológicaInovação Tecnológica
Inovação Tecnológica
 
GP4US - Inovação e criatividade através do Design Thinking: Em busca de novas...
GP4US - Inovação e criatividade através do Design Thinking: Em busca de novas...GP4US - Inovação e criatividade através do Design Thinking: Em busca de novas...
GP4US - Inovação e criatividade através do Design Thinking: Em busca de novas...
 
Inovacao Completo
Inovacao   CompletoInovacao   Completo
Inovacao Completo
 
Criatividade e Inovacao
Criatividade e InovacaoCriatividade e Inovacao
Criatividade e Inovacao
 
A disciplina da inovacao
A disciplina da inovacaoA disciplina da inovacao
A disciplina da inovacao
 
Criatividade e Inovação
Criatividade e InovaçãoCriatividade e Inovação
Criatividade e Inovação
 
Gestão da Tecnologia da Informação (12/09/2013)
Gestão da Tecnologia da Informação (12/09/2013)Gestão da Tecnologia da Informação (12/09/2013)
Gestão da Tecnologia da Informação (12/09/2013)
 
A Aceleradora Corporativa, Lean innovation, Agile Trends SP, 2013
A Aceleradora Corporativa, Lean innovation, Agile Trends SP, 2013A Aceleradora Corporativa, Lean innovation, Agile Trends SP, 2013
A Aceleradora Corporativa, Lean innovation, Agile Trends SP, 2013
 
E-Book Inovação DOM Strategy Partners 2010
 E-Book Inovação DOM Strategy Partners 2010 E-Book Inovação DOM Strategy Partners 2010
E-Book Inovação DOM Strategy Partners 2010
 
Apresentação sobre Gestão da Inovação e da Criatividade
Apresentação sobre Gestão da Inovação e da CriatividadeApresentação sobre Gestão da Inovação e da Criatividade
Apresentação sobre Gestão da Inovação e da Criatividade
 
Pós-graduação: Gestão da Inovação 2014 1 (FTEC Porto Alegre)
Pós-graduação: Gestão da Inovação 2014 1 (FTEC Porto Alegre)Pós-graduação: Gestão da Inovação 2014 1 (FTEC Porto Alegre)
Pós-graduação: Gestão da Inovação 2014 1 (FTEC Porto Alegre)
 
Framework de Inovação para Organizações Modernas - Free Model - para usar e c...
Framework de Inovação para Organizações Modernas - Free Model - para usar e c...Framework de Inovação para Organizações Modernas - Free Model - para usar e c...
Framework de Inovação para Organizações Modernas - Free Model - para usar e c...
 
Design thinking: uma nova abordagem para inovação
Design thinking: uma nova abordagem para inovaçãoDesign thinking: uma nova abordagem para inovação
Design thinking: uma nova abordagem para inovação
 

Destaque

Criando aplicações em Android brincando de quebra-cabeça!
Criando aplicações em Android brincando de quebra-cabeça!Criando aplicações em Android brincando de quebra-cabeça!
Criando aplicações em Android brincando de quebra-cabeça!Comunidade Tá safo!
 
Appinventor - Faça simples apps android
Appinventor - Faça simples apps androidAppinventor - Faça simples apps android
Appinventor - Faça simples apps androidPedro Cardoso
 
Slides - minicurso app inventor
Slides - minicurso app inventorSlides - minicurso app inventor
Slides - minicurso app inventorMichel de Souza
 
AppInventor - Conhecendo o ambiente e seus principais componentes
AppInventor - Conhecendo o ambiente e seus principais componentesAppInventor - Conhecendo o ambiente e seus principais componentes
AppInventor - Conhecendo o ambiente e seus principais componentesSérgio Souza Costa
 
AppInventor - Blocos condicionais e explorando alguns recursos do smartphone
AppInventor - Blocos condicionais e explorando alguns recursos do smartphoneAppInventor - Blocos condicionais e explorando alguns recursos do smartphone
AppInventor - Blocos condicionais e explorando alguns recursos do smartphoneSérgio Souza Costa
 
Capítulo 03 - Formulários, menus e navegação entre telas
Capítulo 03 - Formulários, menus e navegação entre telasCapítulo 03 - Formulários, menus e navegação entre telas
Capítulo 03 - Formulários, menus e navegação entre telasMarcio Palheta
 
Capítulo 01 - Fundamentos de Android e o HelloWorld
Capítulo 01 - Fundamentos de Android e o HelloWorldCapítulo 01 - Fundamentos de Android e o HelloWorld
Capítulo 01 - Fundamentos de Android e o HelloWorldMarcio Palheta
 

Destaque (13)

Criando aplicações em Android brincando de quebra-cabeça!
Criando aplicações em Android brincando de quebra-cabeça!Criando aplicações em Android brincando de quebra-cabeça!
Criando aplicações em Android brincando de quebra-cabeça!
 
Appinventor - Faça simples apps android
Appinventor - Faça simples apps androidAppinventor - Faça simples apps android
Appinventor - Faça simples apps android
 
App Inventor
App InventorApp Inventor
App Inventor
 
Android - Notas de aula
Android - Notas de aulaAndroid - Notas de aula
Android - Notas de aula
 
Criando um App com App Inventor 2
Criando um App com App Inventor 2Criando um App com App Inventor 2
Criando um App com App Inventor 2
 
App inventor
App inventorApp inventor
App inventor
 
Slides - minicurso app inventor
Slides - minicurso app inventorSlides - minicurso app inventor
Slides - minicurso app inventor
 
App inventor - aula 03
App inventor  - aula 03App inventor  - aula 03
App inventor - aula 03
 
AppInventor - Conhecendo o ambiente e seus principais componentes
AppInventor - Conhecendo o ambiente e seus principais componentesAppInventor - Conhecendo o ambiente e seus principais componentes
AppInventor - Conhecendo o ambiente e seus principais componentes
 
AppInventor - Blocos condicionais e explorando alguns recursos do smartphone
AppInventor - Blocos condicionais e explorando alguns recursos do smartphoneAppInventor - Blocos condicionais e explorando alguns recursos do smartphone
AppInventor - Blocos condicionais e explorando alguns recursos do smartphone
 
Oficina App Inventor
Oficina App InventorOficina App Inventor
Oficina App Inventor
 
Capítulo 03 - Formulários, menus e navegação entre telas
Capítulo 03 - Formulários, menus e navegação entre telasCapítulo 03 - Formulários, menus e navegação entre telas
Capítulo 03 - Formulários, menus e navegação entre telas
 
Capítulo 01 - Fundamentos de Android e o HelloWorld
Capítulo 01 - Fundamentos de Android e o HelloWorldCapítulo 01 - Fundamentos de Android e o HelloWorld
Capítulo 01 - Fundamentos de Android e o HelloWorld
 

Semelhante a Introdução ao Pensamento Inventivo Sistemático

Ideação na Prática
Ideação na PráticaIdeação na Prática
Ideação na Práticaglobantbr
 
Artigo o retorno ao sistema de sugestão abordagens objetivos e um estudo de caso
Artigo o retorno ao sistema de sugestão abordagens objetivos e um estudo de casoArtigo o retorno ao sistema de sugestão abordagens objetivos e um estudo de caso
Artigo o retorno ao sistema de sugestão abordagens objetivos e um estudo de casoEllen Bastos
 
TRIZ e DNA do Produto: Uma Metodologia Prática e Estruturada Para Inovar
TRIZ e DNA do Produto: Uma Metodologia Prática e Estruturada Para InovarTRIZ e DNA do Produto: Uma Metodologia Prática e Estruturada Para Inovar
TRIZ e DNA do Produto: Uma Metodologia Prática e Estruturada Para InovarSylvio Silveira Santos
 
Processos de geração de ideias (ideação) v9 @daniel_egger
Processos de geração de ideias (ideação) v9 @daniel_eggerProcessos de geração de ideias (ideação) v9 @daniel_egger
Processos de geração de ideias (ideação) v9 @daniel_eggerDaniel Egger
 
Pesquisa de análise de bloqueio para inovação de produtos e processos
Pesquisa de análise de bloqueio para inovação de produtos e processosPesquisa de análise de bloqueio para inovação de produtos e processos
Pesquisa de análise de bloqueio para inovação de produtos e processosGiovana_Heidrich
 
Criatividade -atividade_supervisionada_-_av2
Criatividade  -atividade_supervisionada_-_av2Criatividade  -atividade_supervisionada_-_av2
Criatividade -atividade_supervisionada_-_av2Complexo_Regulador
 
Cria - Inovação
Cria - InovaçãoCria - Inovação
Cria - Inovaçãocriaglobal
 
Análise das metodologias para definição de escopo em Lean Startups
Análise das metodologias para definição de escopo em Lean StartupsAnálise das metodologias para definição de escopo em Lean Startups
Análise das metodologias para definição de escopo em Lean StartupsAlexandre Rocha Lima e Marcondes
 
Economia Criativa Inovação e Negocios - ESPM
Economia Criativa Inovação e Negocios - ESPMEconomia Criativa Inovação e Negocios - ESPM
Economia Criativa Inovação e Negocios - ESPMNei Grando
 
Design Thinking - Uma proposta para inovar em RH
Design Thinking - Uma proposta para inovar em RHDesign Thinking - Uma proposta para inovar em RH
Design Thinking - Uma proposta para inovar em RHJuliana Feitosa Andrade
 
In f killinginnovartion
In f killinginnovartionIn f killinginnovartion
In f killinginnovartionAlexsander Fim
 
Inovação aberta apresentação-16-04-2014
Inovação aberta apresentação-16-04-2014Inovação aberta apresentação-16-04-2014
Inovação aberta apresentação-16-04-2014Marly Saliba
 

Semelhante a Introdução ao Pensamento Inventivo Sistemático (16)

Ideação na Prática
Ideação na PráticaIdeação na Prática
Ideação na Prática
 
Artigo o retorno ao sistema de sugestão abordagens objetivos e um estudo de caso
Artigo o retorno ao sistema de sugestão abordagens objetivos e um estudo de casoArtigo o retorno ao sistema de sugestão abordagens objetivos e um estudo de caso
Artigo o retorno ao sistema de sugestão abordagens objetivos e um estudo de caso
 
TRIZ e DNA do Produto: Uma Metodologia Prática e Estruturada Para Inovar
TRIZ e DNA do Produto: Uma Metodologia Prática e Estruturada Para InovarTRIZ e DNA do Produto: Uma Metodologia Prática e Estruturada Para Inovar
TRIZ e DNA do Produto: Uma Metodologia Prática e Estruturada Para Inovar
 
Processos de geração de ideias (ideação) v9 @daniel_egger
Processos de geração de ideias (ideação) v9 @daniel_eggerProcessos de geração de ideias (ideação) v9 @daniel_egger
Processos de geração de ideias (ideação) v9 @daniel_egger
 
Pesquisa de análise de bloqueio para inovação de produtos e processos
Pesquisa de análise de bloqueio para inovação de produtos e processosPesquisa de análise de bloqueio para inovação de produtos e processos
Pesquisa de análise de bloqueio para inovação de produtos e processos
 
Criatividade -atividade_supervisionada_-_av2
Criatividade  -atividade_supervisionada_-_av2Criatividade  -atividade_supervisionada_-_av2
Criatividade -atividade_supervisionada_-_av2
 
Cria - Inovação
Cria - InovaçãoCria - Inovação
Cria - Inovação
 
Análise das metodologias para definição de escopo em Lean Startups
Análise das metodologias para definição de escopo em Lean StartupsAnálise das metodologias para definição de escopo em Lean Startups
Análise das metodologias para definição de escopo em Lean Startups
 
Economia Criativa Inovação e Negocios - ESPM
Economia Criativa Inovação e Negocios - ESPMEconomia Criativa Inovação e Negocios - ESPM
Economia Criativa Inovação e Negocios - ESPM
 
Pesquisa qualitativa
Pesquisa qualitativaPesquisa qualitativa
Pesquisa qualitativa
 
Artigo designthinking
Artigo designthinkingArtigo designthinking
Artigo designthinking
 
Design Thinking - Uma proposta para inovar em RH
Design Thinking - Uma proposta para inovar em RHDesign Thinking - Uma proposta para inovar em RH
Design Thinking - Uma proposta para inovar em RH
 
In f killinginnovartion
In f killinginnovartionIn f killinginnovartion
In f killinginnovartion
 
Técnicas para desenvolver inovação
Técnicas para desenvolver inovaçãoTécnicas para desenvolver inovação
Técnicas para desenvolver inovação
 
Técnicas para desenvolver inovação
Técnicas para desenvolver inovaçãoTécnicas para desenvolver inovação
Técnicas para desenvolver inovação
 
Inovação aberta apresentação-16-04-2014
Inovação aberta apresentação-16-04-2014Inovação aberta apresentação-16-04-2014
Inovação aberta apresentação-16-04-2014
 

Mais de Sylvio Silveira Santos

TRIZ e il DNA del Prodotto: Una Metodologia Pratica e Strutturata Per Innovare
TRIZ e il DNA del Prodotto: Una Metodologia Pratica e Strutturata Per InnovareTRIZ e il DNA del Prodotto: Una Metodologia Pratica e Strutturata Per Innovare
TRIZ e il DNA del Prodotto: Una Metodologia Pratica e Strutturata Per InnovareSylvio Silveira Santos
 
Projeto Digital e Arquitetura de Computadores
Projeto Digital e Arquitetura de ComputadoresProjeto Digital e Arquitetura de Computadores
Projeto Digital e Arquitetura de ComputadoresSylvio Silveira Santos
 
Minicurso google maps e ajax apostila betim
Minicurso google maps e ajax   apostila betimMinicurso google maps e ajax   apostila betim
Minicurso google maps e ajax apostila betimSylvio Silveira Santos
 
Computadores do futuro p point_maio_2010
Computadores do futuro p point_maio_2010Computadores do futuro p point_maio_2010
Computadores do futuro p point_maio_2010Sylvio Silveira Santos
 

Mais de Sylvio Silveira Santos (6)

TRIZ e il DNA del Prodotto: Una Metodologia Pratica e Strutturata Per Innovare
TRIZ e il DNA del Prodotto: Una Metodologia Pratica e Strutturata Per InnovareTRIZ e il DNA del Prodotto: Una Metodologia Pratica e Strutturata Per Innovare
TRIZ e il DNA del Prodotto: Una Metodologia Pratica e Strutturata Per Innovare
 
Oracle Realizing the Potential of SOA
Oracle Realizing the Potential of SOAOracle Realizing the Potential of SOA
Oracle Realizing the Potential of SOA
 
Projeto Digital e Arquitetura de Computadores
Projeto Digital e Arquitetura de ComputadoresProjeto Digital e Arquitetura de Computadores
Projeto Digital e Arquitetura de Computadores
 
Minicurso google maps e ajax apostila betim
Minicurso google maps e ajax   apostila betimMinicurso google maps e ajax   apostila betim
Minicurso google maps e ajax apostila betim
 
A plataforma Azure da Microsoft
A plataforma Azure da MicrosoftA plataforma Azure da Microsoft
A plataforma Azure da Microsoft
 
Computadores do futuro p point_maio_2010
Computadores do futuro p point_maio_2010Computadores do futuro p point_maio_2010
Computadores do futuro p point_maio_2010
 

Introdução ao Pensamento Inventivo Sistemático

  • 1. 1 sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com Inovação Sistemática e Criatividade De TRIZ Para SIT – Como Inovar Pensando “Dentro da Caixa” Eng. Prof. Sylvio Silveira Santos sylvioss@gmail.com Eng. Bruno Henrique Domingues Cavalcante hdc.bruno@gmail.com “Por milhares de anos, os inovadores têm usado cinco padrões simples em suas invenções, geralmente sem saber. Esses padrões estão agora incorporados nos produtos e serviços que você vê hoje ao seu redor”. Drew & Jacob, “Inside the Box: A Proven System of Creativity for Breakthrough Results” Palavras-chave: Inovação Sistemática, SIT, “Systematic Inventive Thinking”, TRIZ, Teoria Para Resolução de Problemas Criativos. Resumo: O Pensamento Inventivo Sistemático (SIT) é um método voltado para Inovação desenvolvido em Israel, em meados da década de 1990 e derivado da TRIZ (1) , Teoria Para Resolução de Problemas Criativos, criada pelo engenheiro e inventor russo Genrich Altshuller na antiga União Soviética, a partir de 1946. Considerada uma abordagem prática destinada à criatividade, inovação e resolução de problemas, a SIT, “Systematic Inventive Thinking”, é uma excelente metodologia para criação de novos produtos e sistemas que, devido a sua simplicidade, tem se constituído em mais uma ferramenta para se juntar às centenas de métodos existentes no arsenal dos profissionais de inovação. 1.1 – Introdução Segundo praticantes e autores da SIT, ao contrário da maioria dos métodos utilizados para o desenvolvimento de novos produtos, ao se aplicar esta metodologia deve-se começar com um produto existente na empresa. Os procedimentos descritos a seguir podem ser complementados por meio de outros métodos visando adequar a inovação resultante ao mercado como, por exemplo, o modelo de Osterwalder & Pigneur, “Business Model Generation” que apresenta, em nove células de um quadro de processo de negócios, as variáveis com as quais a empresa deverá lidar tendo em
  • 2. 2 sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com vista o produto que será destinado aos clientes e os aspectos logísticos e financeiros de um empreendimento voltado para inovação. Ao se conceber o desenvolvimento de uma inovação através da SIT, a FORMA do produto a ser pensado deverá ser examinada em primeiro lugar, para só em seguida se examinar a sua FUNÇÃO. Esta inversão, contrária ao sentido comum a muitos métodos destinados a inovar, em que a FUNÇÃO precede à FORMA, segundo seus autores, Drew e Jacob, se justifica por ser um processo em que as necessidades dos clientes ainda estão ocultas, indeterminadas, por surgir ou serem descobertas. É interessante observar que, em TRIZ, dentre os 40 Princípios de Inovação de Altshuller, o de número 13, “The Other Way Around”, também recomenda a inversão do problema que se quer resolver em certas situações, com a finalidade de obter novos resultados. Em contraste com a TRIZ de Altshuller, cujo escopo de pesquisas é aberto e abrange o conteúdo de um grande número de patentes como inspiração para novas ideias, no entanto a SIT opera nas vizinhanças do produto ou processo, “Inside the Box”, no ambiente interno das empresas. A figura abaixo representa a estrutura do método, correspondente a alguns exemplos explicativos de suas fases principais, que serão vistos a seguir. Figura 1.1 – Estrutura da Metodologia SIT: Note-se que nela, a partir da SITUAÇÃO ATUAL, a FORMA do produto antecede à FUNÇÃO, ao contrário da prática usual comum em muitos projetos, em que a função sempre antecede à forma. 1.2 – O Que é a SIT, Systematic Inventive Thinking – Pensando Dentro da Caixa Ao contrário de métodos destinados a “Pensar Fora da Caixa”, isto é, exteriormente ao ambiente da empresa, a SIT caracteriza-se por um domínio restrito, em que o pensamento é estimulado a atuar “Dentro da Caixa”, no âmbito das próprias organizações, com vistas a
  • 3. 3 sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com selecionar dentre seus produtos e processos aqueles suscetíveis de serem utilizados para inovar. Sua ideia central consiste em se usar o sequenciamento e etapas sucessivas de evolução do produto segundo determinadas direções ou princípios, quase sempre operando segundo dois objetivos: (3) :  Elaboração de novas ideias e  Resolução de problemas Como poderá então o método, assim circunscrito, vir a ser uma fonte de criatividade para inovar? Vejamos: 1.3 – A SIT e Métodos Estruturados Voltados Para Auxiliar a Criatividade: a Herança da TRIZ Na década de 1970, pesquisadores no campo da Psicologia Cognitiva procuraram estabelecer um critério quantitativo para medir a criatividade. Uma pessoa criativa foi definida como alguém com um Q.I. (Quociente de Inteligência) capaz de gerar um grande fluxo de ideias (4) . Com isto, procurava-se medir a taxa de ideias boas ou más de uma pessoa por unidade de tempo. Um QI elevado era então considerado uma indicação de criatividade desta pessoa, o que ainda prevalece como uma suposição comum nos dias atuais. Esta abordagem levou a uma série de procedimentos para estimular a criatividade de indivíduos tidos como normais com base no pressuposto de que um aumento quantitativo de suas ideias pode provocar uma melhoria qualitativa em seu trabalho, elevando a produtividade e a criatividade nas empresas, através de métodos como Brainstorming, Synectics, Estimulação Aleatória e Pensamento Lateral (identificado com Edward de Bono). Todos estes métodos, mesmo sendo pouco estruturados, são complementares dos procedimentos adotados em SIT, de ASIT (Accelerated SIT, uma forma de ensino da SIT) e em TRIZ. Recentemente, o Prof. Jared Aaron Merril, da Brigham Young University, em Provo, UTAH, USA, publicou em sua Tese de Mestrado, uma tabela comparando entre si as três metodologias mais usadas em Criatividade Sistemática e Inovação, mostrando ser a SIT aquela que apresenta o menor número de princípios, comparada com TRIZ e Brainstorming: Brainstorming TRIZ SIT Mecanismo principal de criatividade Julgamento ao término do processo Princípios, padrões e efeitos Técnicas de resolução Número de técnicas Não há uma técnica estabelecida Grande (acima de 400) Pequena (5 princípios) O domínio de conhecimento está incluído? Não Sim (padrões e efeitos) Não
  • 4. 4 sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com Em grupos ou individual Ambos Individual Ambos Critério para inventividade Nenhum Eliminação de conflitos Satisfaz a duas condições: MF e MQ (*) Sistemático ou não sistemático Não Sistemático Sistemático (*) MF – Mundo Fechado, MQ – Mudança Qualitativa Fonte: Merril, A., “An Investigation of the ASIT Problem-Solving Method on Middle School Technology Education Student’s Ability to Produce Creative Solutions”. Algumas investigações tem mostrado que a principal dificuldade enfrentada pelos solucionadores de problemas é em decorrência do fato de que muitos métodos tradicionais usados para inovar não estão gerando uma grande quantidade de ideias ou de soluções porque ou chegaram praticamente a um ponto de exaustão ou forçam a realização de investigações em um amplo universo de possibilidades criativas, capaz de torná-los ineficazes tanto do ponto de vista lógico quanto ao elevado número de variantes a examinar. (5) , (6) O conflito existente entre quantidade e qualidade parece ser verdadeiro, e a maioria dos métodos destinados à inovação tem procurado conciliar alguns destes pressupostos a seguir, e a escala de novos produtos e serviços decorrentes de sua aplicação tem aumentado. No entanto, já sabemos que um grande fluxo de ideias não conduz necessariamente à criação de soluções originais e, ainda, a própria ocupação com ideias comuns pode prejudicar a criatividade e atuação do pensamento inovador. Estas descobertas levaram a novas abordagens ao sustentar que resultados originais e interessantes são provenientes do uso do pensamento organizado e de processos estruturados em vez de apenas a geração aleatória de ideias. Uma das características do pensamento organizado é um estado de "baixos estímulos", livre de grande quantidade de ideias. Com isto, a originalidade substitui quantidade como critério dominante. Esta abordagem organizada ou estruturada para a geração de ideias é o ponto de partida para o Pensamento Inventivo Sistemático oferecido pela SIT. (7) Procuremos nos aprofundar nos conceitos expostos no início deste artigo. A SIT é uma metodologia descendente do trabalho de Genrich Altshuller, engenheiro Russo que analisou em sua época mais de 200.000 patentes para identificar os 40 Princípios Inventivos comuns de sua fórmula única destinada a inventar, denominada TRIZ. A principal descoberta de Altshuller foi que soluções criativas procuram sempre incorporar a eliminação de um conflito no estado inicial do problema. Um conflito é um estado onde um determinado parâmetro deve ser alterado a fim de se obter algum benefício, mas sua alteração provoca a deterioração de outro parâmetro importante. Rotinas de concepção técnica lidam com esta situação, procurando um compromisso de "melhor ajuste" e buscam, por este meio, encontrar aquele compromisso que maximize a utilidade e minimize o impacto negativo de uma configuração específica decorrente da variação dos parâmetros de entrada disponíveis.
  • 5. 5 sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com Figura 1.3 – Jangada e Catamarã a vela. Imagem: Catamarã Flying Phantom A Figura 1.3 acima ilustra, à esquerda, uma jangada comum e, à direita, um catamarã a vela, no qual navegadores estreitos e providos formato aerodinâmico são fixados nas extremidades da prancha, permitindo assim que a mesma, que é larga e possuidora de elevada resistência ao movimento, se eleve acima das ondas, eliminando o conflito entre a exigência de maior velocidade e o aumento da resistência ao deslocamento. (Princípio para Inovação de No. 17, “Uso de outra Dimensão, Pg. 144 de Rantanen K. & Domb, Ellen, “Simplified TRIZ”, CRC Press, 2nd. Ed. USA, que diz: NOVA DIMENSÃO a. Mude de linear para planar, de planar para tridimensional, de tridimensional para unidimensional. b. Utilize arranjos em prateleiras ou camadas em vez de uma única camada. c. Incline ou vire o objeto para o lado ou utilize outro lado do objeto. Fonte: Blog do Nei, em “Princípios Inovativos” Na TRIZ, Altshuller e seus colaboradores expressam o fato de que os conflitos técnicos da engenharia poderiam ser indexados de acordo com o tipo de parâmetros envolvidos (39 parâmetros de engenharia comuns foram inicialmente definidos). Com vistas a fixar estes parâmetros, examinando inúmeras invenções em bancos de patentes e diversos produtos, tornou-se possível associar a cada conflito um conjunto de possíveis sugestões ou estratégias sobre como abordar a solução para o problema e superá-lo. Inicialmente, três tipos de indicações foram utilizados: princípios, padrões e efeitos físicos. Há 40 princípios, cada um deles podendo auxiliar na solução do problema mediante a definição de estratégias de alto nível para resolvê-lo. Há 72 padrões ao todo, que são ideias mais elaboradas com base nas soluções utilizadas no passado. Em TRIZ costuma-se também fazer uso de uma Base de Conhecimentos de cerca de 400 efeitos físicos, propriedades de determinados produtos, etc. Veja-se TRIZ Oxford Creativity e em http://www.productioninspiration.com/, bases de dados de livre acesso sobre aspectos geométricos, físicos e químicos e seus efeitos, indexados de acordo com as funções úteis que podem realizar.
  • 6. 6 sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com Soluções inovadoras muitas vezes recorrem a estes efeitos para eliminar contradições em problemas cuja solução exige amplo conhecimento por parte do pesquisador ou inventor, excedendo muitas vezes sua capacidade em aplicar estes efeitos de modo eficiente. 1.4 – O Surgimento da SIT, Systematic Inventive Thinking Durante os anos 1970, alguns especialistas no pensamento estruturado voltado para Inovação e Criatividade deram início a pesquisas sobre se não poderiam reduzir o vasto número de conceitos e métodos pertinentes à TRIZ. Como parte marcante deste processo, um dos alunos de Altshuller, Ginadi Filkovsky, imigrou para Israel e foi trabalhar na Open University em Tel Aviv. Ali ele começou a ensinar TRIZ, adaptando a metodologia às necessidades de companhias israelenses e internacionais de alta tecnologia. Um grande número de acadêmicos importantes foi envolvido nesta pesquisa. Dois estudantes de doutorado, Jacob Goldenberg e Roni Horowitz, (8) se juntaram a Filkovsky, concentrando suas pesquisas no esforço de desenvolvimento e simplificação da TRIZ. Figura 1.4 – Campus da Open University, em Israel, berço da SIT. O seu trabalho serviu de base para o método SIT como existe hoje. Ambos os métodos, tanto SIT como TRIZ, compartilham um pressuposto básico – o de que podemos estudar ideias criativas existentes em um determinado campo, identificar padrões lógicos comuns nessas ideias, traduzir os padrões em um conjunto de ferramentas de pensamento e, em seguida, aplicar essas ferramentas de pensamento para gerar novas ideias criativas. Apesar das semelhanças, a SIT difere fortemente da TRIZ em vários aspectos importantes, que têm a ver principalmente com a sua aplicação prática. (9) 1.5 - De TRIZ para SIT A passagem da TRIZ para SIT foi motivada pelo desejo de se criar um método que fosse mais fácil de aprender e de reter (conseguido através de um menor número de regras e ferramentas), mais universal na sua aplicação (conseguido através da eliminação de ferramentas de engenharia específicas) e mais restritivo em abrangência ou escopo, mantendo o solucionador de problemas dentro de uma estrutura inventiva real (o Princípio do Mundo Fechado, “Inside the Box”). A TRIZ também favorece a utilização dos recursos existentes para a resolução de um problema. Mas em contraste com SIT, este princípio está disperso em torno do método, objetivando atender ao preceito de Altshuller de que "O sistema é melhor quando não existe sistema", que seria o resultado final ideal de uma solução técnica.
  • 7. 7 sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com Figura 1.5 – Ref. Inside the Box: A Proven System of Creativity for Breakthrough Results, uma das fontes de consulta utilizadas aqui. Autores: Drew Boyd and Jacob Goldemberg, Ed. Simon & Schuster, 2012. Em SIT, seus principais idealizadores, Roni Horowitz e Oded Maimon (1997), estabeleceram duas grandes diferenças em relação a TRIZ:  A evolução para o RESULTADO FINAL IDEAL foi substituída pelo MUNDO FECHADO;  A RESOLUÇÃO DE CONTRADIÇÕES foi substituída por uma MUDANÇA QUALITATIVA;  Os 40 PRINCÍPIOS da TRIZ foram COMBINADOS e SUBSTITUÍDOS por apenas CINCO FERRAMENTAS provocativas de IDEIAS;  Foram ELIMINADOS os demais elementos da TRIZ não utilizados. Assim, as condições de Mundo Fechado (MF) do produto ou serviço, e o objetivo de se alcançar uma Mudança Qualitativa (MQ) se tornaram os princípios mais importantes, e o primeiro passo para sua utilização para resolver um determinado problema foi definir sua situação, o “mundo fechado” em que se encontra. Uma vez definido, o solucionador de problemas saberá que todos os blocos de construção para a solução estarão ali na sua frente e que a solução irá requerer simplesmente a reorganização dos objetos existentes. Isso adiciona grande foco e energia para o método. Ele também pode muitas vezes transformar o problema real em um quebra-cabeça divertido. 1.6 - Cinco Princípios de Raciocínio Os Cinco Princípios que serão estudados estão mostrados na Figura 1.1 inicial, ao nível de FORMA do produto, sendo, pela ordem:  Subtração ou Redução  Multiplicação  Divisão  Unificação de Tarefas  Dependência de Atributos Princípio 1 - Subtração ou Redução Trata-se de remover um componente essencial de um produto e encontrar utilizações para o arranjo recentemente imaginado dos componentes existentes. Este arranjo abstraído é conhecido como um 'produto virtual'. Exemplo 1: Simplificação do Aspirador de Pó por meio de ciclone
  • 8. 8 sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com Figura 1.6 - Acima, um ciclone da Dyson, empresa líder na fabricação de aspiradores de pó. Seu eficiente projeto contempla uma invenção que reduziu substancialmente o número de componentes de seu produto, deixando os concorrentes virtualmente “a comer poeira”. Exemplo 2 – Simplificação, por meio da redução de componentes visíveis, de um painel de automóvel Figura 1.7 - Interior do Audi Q3, modelo 2016. O painel retrátil do sistema multimídia resulta em um interior limpo e sem excessos e reflete o uso do Princípio da Subtração, contrastando com a complexidade de painéis de outros veículos de mesma categoria. Princípio 2 - Multiplicação Adicionar a um produto um componente do mesmo tipo que um já existente. O componente adicionado deve ser alterado de alguma forma. As duas palavras-chave para esta ferramenta são: 1) mais e 2) diferente. Estas representam as duas fases de aplicação do instrumento: 1) adicionar mais cópias de algo que existe no produto e 2) alterar essas cópias de acordo com algum parâmetro. Deve-se salientar que a cópia deve ter uma Função ou Atributo diferentes do original.
  • 9. 9 sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com Figura 1.8 – Retroescavadeira multifuncional. Basta acionar um implemento para ela realizar funções inimagináveis. Essa capacidade de ser multifuncional é o que define a retroescavadeira da JCB como um dos maiores sucessos de vendas da empresa Auxter. A máquina é hoje uma espécie de canivete suíço do mundo da construção. Princípio 3 - Divisão Dividir o produto e / ou seus componentes e reorganizá-los para formar um novo produto ou sistema. O uso deste princípio força a consideração de estruturas diferentes, ou ao nível do produto / serviço como um todo, ou ao nível de um componente individual. Dividir um produto em vários de seus componentes dá a liberdade para reconstruí-lo em muitas novas formas – o que aumenta os graus de liberdade para trabalhar com a situação. Para aplicar a técnica de divisão, deve-se começar listando os componentes internos do produto e, em seguida, dividir o produto em seus componentes, caso existam, reorganizando o seu papel funcional. Veja-se o exemplo a seguir, Figura 1.9, publicado pelo site Innovationinpractice.com. Os controles da lancha como partida, frenagem e direção, passaram para o cabo que é segurado a reboque. Agora, o esquiador controla à distância os movimentos da lancha, sem necessidade de ter uma segunda pessoa para dirigi-la. Figura 1.9 – DIVISÃO ou SEPARAÇÂO: Este processo foi aplicado aqui, dispensando a obrigação de uma segunda pessoa para dirigir e controlar a lancha.
  • 10. 10 sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com Como se pode notar, o esquiador tem em mãos não só a tração de seu próprio esqui como também, remotamente, todos os controles para funcionamento e direção da lancha. Em TRIZ, corresponde ao Princípio da Separação. Fonte: Innovationinpractice.com A DIVISÃO é aplicada cortando o produto ou componente ao longo de qualquer linha física. Ela poderia ser também aplicada a um processo, segmentando-o de um ponto de vista lógico para melhor execução de uma tarefa. A divisão física aqui se aplica à FORMA como a tarefa é realizada para passagem, do ponto inventivo que se segue, à FUNÇÃO desejada, qual seja, a tração controlada do barco simultaneamente pelo esquiador. Para alcançar os mesmo objetivos, porém de forma segura e econômica, um corte foi efetuado, na verdade, ao longo uma linha física do próprio produto ou componente. Uma elegante solução que, em TRIZ, corresponde ao Princípio da Separação, o de número 2 dos 40 Princípios de Inovação de Altshuller, que diz: 3.1 – Divisão por Separação “Separar ou remover apenas a parte necessária (ou propriedade) que interfira no funcionamento do objeto ou sistema”. Na multinacional UBER, por exemplo, podemos ter um excelente carro com motorista à nossa disposição durante uma corrida, utilizando veículos de qualidade superior semelhantes aos que gostaríamos de ter, sem necessidade de sermos proprietários, uma separação evidente. Neste tipo de serviço público, as responsabilidades e atribuições que teríamos como proprietários de veículo são DIVIDIDAS entre os usuários do serviço e a empresa proprietária do veículo. A FORMA como esta divisão ocorre precede à FUNÇÃO, cujo propósito é alcançado pelo uso que fazemos do mesmo ao sermos transportados para algum lugar. Tudo muito simples e corriqueiro, porém a precisão da linguagem e dos objetos do método de que trata a SIT são aqui salientados. A FORMA sempre precede à FUNÇÃO. Princípio 4 – Unificação de Tarefas Consiste em atribuir uma tarefa nova e adicional para um recurso existente. Culturas menos abastadas são mais propensas a adotar a mentalidade de tarefas de unificação. Por exemplo, os beduínos usam camelos para um número de diferentes tarefas: transporte, moeda, leite, pele para tendas, sombra, proteção contra o vento, fezes de camelos para acender fogueiras, etc. As sociedades mais prósperas tendem a descartar recursos. Entretanto, não especificamente em culturas atrasadas, transportes de massa como metrôs, trens suburbanos e ônibus em vias de alta velocidade e estações de transferência, procuram obter integração, visando flexibilidade e economia nos transportes. Em São Paulo, o monotrilho que será usado para esta integração, além de ser construtivamente mais econômico do que construir vias subterrâneas (metrô) interligadas, é um dos princípios mais evidentes das tarefas de unificação nos serviços públicos de transporte.
  • 11. 11 sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com Figura 1.10 – Integração e unificação de transportes em São Paulo, por meio de monotrilho, solução de custo inferior ao metrô. Princípio 5 – Dependência de Atributos Criando e dissolvendo as dependências entre as variáveis de um produto. A Dependência de Atributo em geral trabalha com variáveis, em vez de componentes. Variáveis são fáceis de identificar como aquelas características que podem mudar dentro de um produto ou um componente (por exemplo, cor, tamanho, material, relacionamento entre eles). Figura 1.11 – Na figura, a técnica de Dependência de Atributo em um Mapa Mundi em que o tamanho de cada país é proporcional à sua população. Innovation in Practice (Visita em 12-05- 2015). No caso do exemplo do Catamarã, visto anteriormente, tanto o material como a relação entre componentes determinaram uma mudança radical: a introdução dos navegadores laterais acrescentaram uma terceira dimensão à prancha: uma evolução natural de partes facilmente encontráveis em qualquer pequeno estaleiro, em uma nítida Dependência de Atributos, “Inside the Box”. 1.7 – Fundamentos
  • 12. 12 sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com 1.7.1 - O Mundo Fechado - Pensando dentro da caixa A condição do Mundo Fechado é crucial para a metodologia SIT. O primeiro passo na sua utilização é definir o problema do mundo fechado. Uma vez definido, o solucionador de problemas sabe que todos os blocos de construção para a solução estão ali na sua frente e que a solução requer simplesmente a reorganização dos objetos existentes, por ex. em um estaleiro, no caso da prancha. Isso adiciona foco e energia ao método. Ele também pode transformar qualquer problema real em um quebra-cabeça divertido. A condição do Mundo Fechado lida com as semelhanças entre soluções bem sucedidas já adotadas para o problema e examina soluções alternativas dentro do escopo do problema. A condição estabelece que, no desenvolvimento de um novo produto - ou ao abordar um problema - deveremos utilizar somente os elementos já existentes no produto / problema, ou no ambiente imediato. Esta condição nos obriga a contar com recursos já à nossa disposição, em vez de "importar" novos recursos externos para a solução. A condição do Mundo Fechado muitas vezes provoca resistência, uma vez que contraria algumas das intuições mais comuns sobre o pensamento criativo, especialmente a noção onipresente de "Pensar Fora da Caixa" ou as técnicas usadas na “Inovação Aberta”, concebida por Henry Chesbrough, professor e diretor executivo no Centro de Inovação Aberta da Universidade de Berkeley, embora esta última possa adotar fluxos em ambos os sentidos, de dentro para fora (Consultores, Innocentive.com) ou de fora para dentro (Patentes não utilizadas pela empresa e passíveis de serem licenciadas ou vendidas para terceiros). A alegação essencial de "Pensar Fora da Caixa" é que, a fim de produzir ideias que são novas e diferentes, precisaríamos nos movimentar de alguma forma para além de padrões de pensamentos normais, para um universo localizado fora da caixa metafórica, muitas vezes permitindo a colaboração externa de empresas ou pessoas capazes de dar contribuições válidas para a inovação, concepção de novo produto ou serviço. A condição do Mundo Fechado, pelo contrário, obriga o especialista ou analista do sistema a encontrar uma solução criativa em um universo restrito, fortemente limitando o espaço de possibilidades. Desde que o escopo de possibilidades é artificialmente limitado, não há escolha, a não ser reconsiderar as relações entre elementos encontrados dentro do problema e prestar mais atenção a eles: à sua disposição no espaço e no tempo; às suas respectivas funções e sua necessidade. Assim, a condição do Mundo Fechado nos coloca em rota de colisão com nossa fixidez, permitindo por esta via encontrar soluções que são inovadoras (diferentes do habitual) e simples, às quais se pode chegar através de elementos já existentes e conhecidos. A concepção do Mundo Fechado auxilia a superar impedimentos que surgem em nossa vida diária decorrentes da chamada Inércia Mental, à qual nos prendemos devido a nossos automatismos e preguiça de pensar, ampliando por meio da SIT as fronteiras do universo em que o PENSAMENTO CRIADOR deverá operar, livre de hábitos adquiridos. 1.7.2 - Mudança Qualitativa e Transferência de Tecnologia O princípio da Mudança Qualitativa dita que soluções podem ser encontradas onde o elemento principal do problema ou variável na situação existente é ou totalmente eliminado ou mesmo revertido.
  • 13. 13 sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com Em outras palavras, um elemento problemático numa situação é neutralizado e, por isso, já não apresenta um obstáculo. Este também pode ser o caso em que o elemento problemático torna- se um fator positivo chave; a situação é "invertida", a desvantagem se transformando em vantagem. Por exemplo, o carrinho externo com rodinhas que anos atrás usávamos para transporte de bagagens era uma desvantagem, pois consistia em custo adicional complementar que necessitava de espaço para ser guardado. Recentemente, ele foi substituído pelas rodinhas já integradas às malas, assim como a alça telescópica que se pode recolher ou estender, fazendo das malas o próprio carrinho - o melhor carrinho de transporte é não ter carrinho (TRIZ)! Além disso, rodinhas que em algumas malas só podiam ser arrastadas segundo o sentido do movimento, foram substituídas em malas mais modernas por rodas que possuem liberdade de girar em 360 graus na horizontal, em qualquer direção. Este pequeno artifício aplicado a algo que já era uma boa solução levou a uma melhoria importante: em vez de poderem ser puxadas apenas, as malas agora podem também ser empurradas. Este é um aproveitamento eficiente da forma livre como funcionam as rodinhas das cadeiras de escritório, produtos totalmente diferentes que emprestaram uma ideia consagrada já posta em prática a um outro produto, adaptação esta relacionada a uma simples transferência de tecnologia. Figura 1.12 – Cadeira e mala com rodinhas giratórias, respectivamente em http://www.dcmobi.com.br/ e http://www.fashionspill.com/. Outro exemplo que podemos citar na Mudança Qualitativa e Transferência de Tecnologia é a invenção do Pyrex pela Corning Glass Works. A invenção deste vidro inquebrável e resistente a mudanças de temperatura destinou-se, originariamente, ao uso ferroviário, para evitar que o vidro das luminárias de sinalização de segurança ao longo da linha férrea se quebrasse com mudanças bruscas de temperatura, causadas pela neve ou pela chuva, podendo ocasionar graves acidentes. Posteriormente à obtenção de sua patente, a Corning transferiu esta ideia para fabricação de utensílios domésticos, os recipientes e fôrmas fabricadas em vidro refratário resistente a variações de temperatura, no que hoje em dia estes utensílios encontram sua maior utilização. Mais recentemente, as técnicas de fabricação deste vidro de alta resistência deram origem ao chamado vidro Gorilla Glass da Corning, de uso difundido nas telas da maioria dos tablets e telefones celulares.
  • 14. 14 sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com Figura 1.13 – Evolução de diversos tipos de Pyrex, da Corning Glass Works. Fonte: http://pyrexpassion.com 1.7.3 - Função Segue a Forma Uma expressão cunhada por Ronald Finke, “Função Segue a Forma” é muitas vezes considerada um retrocesso no processo em que o ponto de partida para pensar em novas ideias é a base dos recursos existentes, em vez de necessidades específicas que foram identificadas no mercado. Estas necessidades, no entanto, nunca são ignoradas - elas são simplesmente introduzidas numa fase posterior. Como vimos, o processo começa com um produto já existente (ou serviço), continua com sua manipulação sistemática para criar o que se chama em SIT um “produto virtual” (a Forma) e só então é examinado se ele satisfaz as necessidades dos clientes existentes ou potenciais (a Função). O princípio de que “Função Segue a Forma” é aplicado como uma estrutura abrangente, um arcabouço, para que se possa concentrar em ferramentas de pensamento de aplicação da SIT propriamente ditas. Exemplo: Assento Ortopédico Aqui se pode observar claramente como a FUNÇÃO se segue à FORMA: retirados os pés da cadeira (SUBTRAÇÃO em SIT), o produto resultante (FORMA) deverá encontrar uma finalidade útil e comercialização viável (FUNÇÃO). No caso, esta função se manifesta como uma aplicação ortopédica comercial. De exterior almofadado, o interior do assento é composto de madeira prensada que oferece rigidez e possibilita que o mesmo se ajuste ergonomicamente ao corpo humano, melhorando assim a postura de pessoas que passam o dia inteiro sentadas, seja na direção de um veículo, assistido à TV ou à frente do computador, corrigindo a postura e evitando problemas e lesões na coluna. Outras inovações decorrentes deste conceito podem ser citadas: mochilas almofadadas que servem de assento e de encosto nas arquibancadas de cimento em estádios - nem todos são “Padrão FIFA!” -, na praia, ou mesmo nas escolas em que muitos assentos são de madeira e desconfortáveis.
  • 15. 15 sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com Figura 1.14: Assento Ortopédico Pró-coluna A rigidez do assento auxilia, mediante correção postural, o tratamento de desvios na coluna e de problemas de hérnia de disco. Fonte: Orthopauher http://www.orthopauher.com.br/2014/home.asp 1.7.4 - Caminho de Maior Resistência Na natureza, a água que corre abaixo em uma montanha sempre seguirá o caminho de menor resistência - o caminho mais fácil. Também no pensamento, nossas mentes tendem a tomar o caminho de menor resistência - essas amplas avenidas de fatos e procedimentos que nos são mais familiares. Assim fazendo, é difícil chegar a ideias novas para nós a fim de podermos enfrentar nossos concorrentes. A SIT incentiva uma abordagem segundo o caminho contra intuitivo - o caminho de maior resistência. 1.7.5 - Fixidez Cognitiva Conforme já mencionamos, a Fixidez Cognitiva ou Inércia Mental é um estado de espírito em que um objeto ou situação são percebidos de uma maneira específica, com exclusão de qualquer alternativa. Existem vários tipos de fixidez, dentre os quais temos: a) Fixidez Funcional Um termo cunhado pelo cientista social Karl Dunker, já falecido. Fixidez funcional é a tendência de atribuir funções específicas para os respectivos objetos. Dunker via a fixidez funcional como um "bloqueio mental contra o uso de um objeto em um novo caminho que é necessário para resolver um problema". Um exemplo conhecido de quebra da rigidez funcional é dado pelo “Apontador de Cenouras”, da Monkey Business. O designer de Jerusalem Avichai Tadmor criou este apontador de cenouras, uma cópia em tamanho grande de um apontador de lápis com a finalidade de preparar cenouras para saladas. Denominado Karoto (cenoura em Grego antigo), o dispositivo, desenvolvido para a empresa Israelense Monkey Business, pode também ser usado para preparar pepinos e outros vegetais de formato semelhante. Para maiores detalhes visite: dezeen.com
  • 16. 16 sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com Figura 1.15 – Apontador de Cenouras – Um exemplo de quebra da Fixidez Funcional. Fonte: More Inspiration. b) Fixidez Estrutural Esta é a tendência de ver objetos como um todo, como uma Gestalt (percepção global), o que muitas vezes torna difícil imaginar como o produto pode ser reorganizado para ser visto de forma diferente. Por exemplo, por que os botões de TV sempre tem que estar na parte inferior do aparelho? Não seria mais fácil se eles estivessem na parte superior? Quando os aparelhos de televisão foram introduzidos pela primeira vez, os controles eram potenciômetros feitos de material sensível ao calor. Este, que era emitido pelos tubos de raios catódicos, se dispersaria no sentido ascendente e poderia com o tempo de uso derreter os controles se eles estivessem localizados na parte superior. Por isso, eles foram colocados na parte inferior. Mas, desde então, as novas gerações de aparelhos de TV que estão disponíveis utilizam outras tecnologias como LEDs (diodos emissores de luz), com emissão reduzida de calor, deixando de lado os tubos de raios catódicos. No entanto, devido à rigidez das concepções antigas, os controles ainda se encontram na parte inferior das TVs, um exemplo de Fixidez Estrutural. 1.7.6 - O “Pote de Mel” pode estar perto, mas parece estar longe! A maioria das ideias para novos produtos são ou sem inspiração ou impraticáveis. A busca para se encontrar o "pote de mel" requer um equilíbrio que pode levar a ideias engenhosas e viáveis. Essa noção foi expressa em um artigo da Harvard Business Review "Finding Your Innovation Sweet Spot". (10) Quando inovamos, nós empurramos nosso pensamento para fora, tentando criar algo novo e diferente do que já possuímos no momento. No entanto, geralmente não queremos ir muito longe. A "grande" ideia deve ser executável e palatável. O princípio do “Pote de Mel” (Near Far Sweet, NFS) assegura que a nossa ideação irá gerar ideias que são suficientemente distantes da nossa situação atual e que, a fim de serem interessantes, deverão estar por perto o suficiente para ativar nossa competência criativa central, para serem viáveis.
  • 17. 17 sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com Figura 1.16 – Região do “Pote de Mel,“Innovation Sweet Spot” ou “Near Far Sweet” segundo Toni Newmann, em “Where do I Start?” O processo de pensamento SIT utiliza o procedimento estruturado e as cinco ferramentas de pensamento (cf. Item 1.4), a fim de gerar novas formas (produtos virtuais). Estas formas, se não forem delimitadas, podem levar a um espaço de busca muito distante, afastando-nos para longe das soluções procuradas. A condição de "mundo fechado" age como um inibidor, certificando-se de que não se caminhe para fora do espaço onde se encontram as soluções, mantendo o profissional ou as equipes na região ideativa do “pote de mel”. A abordagem segundo o modelo para inovação ou desenvolvimento de novos produtos através da SIT dá-se pela identificação e aplicação de determinados procedimentos bem definidos, derivados de uma análise histórica de tendências baseados em certas características dos produtos, denominados padrões ou modelos, objetivando a criação de novos artefatos, sistemas ou processos. Estes modelos podem contribuir para a compreensão e previsão do novo produto em emergência. A invenção de novos produtos tem tradicionalmente envolvido métodos que são voltados para estimular a geração de um grande número de ideias e a noção de que as recompensas associadas à sua geração superam os custos dos esforços desenvolvidos pode ser rastreada até os primeiros estudos de campo das metodologias voltadas para inovação (11) . Em vista do fato de que esse processo tende a ser altamente complexo e informal, os envolvidos na geração de novas ideias podem procurar maneiras de se tornar mais produtivos à medida que progridem de uma tarefa para outra mediante ideação. 1.8 – Síntese: Na SIT, a Identificação de Padrões em um produto tem início no produto em si. Algumas pessoas podem ter sucesso na identificação de padrões de invenção que são comuns a diferentes contextos de suas ideias e aplicá-las dentro de uma determinada categoria de produto, ou até mesmo tentar aplicá-las a outras categorias de produtos. Indivíduos que adotam uma estratégia cognitiva deste modo podem esperar ganhar vantagens sobre os outros que tratam de cada tarefa como nova e sem relação com ideação passada. No entanto, mesmo quando se mostram produtivos, os padrões são susceptíveis de serem
  • 18. 18 sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com idiossincráticos, de difícil aceitação e, muitas vezes, nem mesmo podem ser definidos verbalmente. Como tal, eles não têm permanência e generalização. Os métodos e princípios da SIT foram elaborados segundo a crença de que certos padrões são identificáveis objetivamente, amplamente aplicados e podem ser aprendidos. Estes padrões, denominados modelos, podem servir como uma ferramenta facilitadora que alimenta os canais do processo de ideação, permitindo que o indivíduo seja mais produtivo e focado. (12) O processo normal de desenvolvimento de novos produtos ao qual se apegam a maioria das pessoas tem início com uma definição das necessidades do mercado, o que pode em muitas ocasiões consistir de um grande erro. Seja como for, isso é feito com base na intuição ou na análise de mercado, grupos focais etc. Após a definição das necessidades, é iniciado um processo de desenvolvimento de produtos para atender a essas necessidades. Este processo, que é exatamente o oposto ao que estamos considerando aqui, se dá segundo o princípio de que “a forma se segue à função”, expressão literal de que a forma do novo produto é obtida a partir da função que ele tem de desempenhar. Este processo tem algumas desvantagens: A maioria dos clientes tem dificuldade em pensar sobre necessidades ou produtos que não existem, como as inovações de ruptura. Isto é particularmente verdadeiro para as necessidades que não são vitais. Por exemplo: quantos clientes pensaram na necessidade possuir um leitor de cassetes compacto e transportável como um Walkman para ouvir músicas ou, mais recentemente, na necessidade de se ter um iPod ou um celular com esta finalidade e se ter acesso a um sistema de streaming de musicas como no Spotify? Quantos clientes já pensaram sobre a possibilidade de usar a Internet para comunicação, por meio do Skype ou do WhatsApp, como meios para realizar chamadas telefônicas sem custo algum? Para encontrar aqueles clientes que estão pensando em novas necessidades e ou produtos, são necessários levantamentos enormes e muito caros. Mas mesmo se nós conseguirmos encontrar essas pessoas, grandes são as chances de que elas não vão estar dispostos a partilhar as suas boas ideias conosco gratuitamente. Se a necessidade for clara ou fácil de definir, o mais provável é que pelo menos alguns de nossos concorrentes já a terá adotado a ideia: eles já estarão no processo de concorrer com nosso produto, reduzindo a margem de lucro ou mesmo eliminando-a por completo. A fim de superar estes problemas, o método SIT sugere que iniciemos o processo de inovação e desenvolvimento do produto a partir de um produto em si, previamente escolhido. A aplicação de ferramentas do pensamento sistemático na análise do produto pode levar tanto a potenciais novos produtos ou para a definição de novas necessidades. As vantagens deste método são as seguintes:
  • 19. 19 sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com  O processo requer apenas uma quantidade limitada de horas e é conduzido na própria empresa;  Aplicando o método, ele pode render muitas ideias novas e abrir novos caminhos e muitos potenciais de novas necessidades;  À medida que os novos produtos são baseados nos antigos, geralmente não haverá grandes mudanças necessárias na sua produção. (Veja-se o exemplo da Figura 1.13, que se refere ao Assento Ortopédico Pró-coluna da Ortho-Pauher). Um dos elementos importantes da SIT é caracterizar o sistema e as variáveis ambientais, isto é, situadas no horizonte próximo. Depois de ter definido essas variáveis, devemos examinar a correlação entre elas, assim como examinar o impacto da manipulação de uma ou mais das variáveis de produto sobre a utilização potencial do "novo" produto. A metodologia aconselha a analisar como tal mudança afeta a correlação entre o produto e o meio ambiente e se os clientes irão querer usar um produto desse tipo. 1.9 - SIT em Universidades e Escolas de Negócios A SIT, Systematic Inventive Thinking é ensinada em várias universidades e escolas de negócios em todo o mundo. Sua metodologia é mais frequentemente ensinada através de Programas e Treinamentos em Inovação, como aqueles oferecidos pela empresa SIT International, em cursos de Administração de Empresas, Comercialização, Propaganda, Marketing, Desenvolvimento Organizacional, Cursos de Liderança e Estudos de Gestão. Dentre as escolas e instituições que oferecem cursos e treinamentos em SIT podemos citar:  Bar-Ilan University  Ben-Gurion University of Negev  Brigham Young University  Columbia University  Duke University  Hebrew University of Jerusalem  INSEAD Business School  London Business School  National University of Singapore  Tel Aviv University  Universidad de Los Andes Bogota  University of Cincinnati  University of North Carolina at Charlotte  Wharton Business School Futuramente, em outros artigos desta série, procuraremos detalhar os usos das Cinco Ferramentas de Raciocínio da SIT, citadas no item 1.7, bem como procuraremos nos aprofundar um pouco mais nos princípios básicos do Pensamento Inventivo Sistemático. 1.10 – Referências e Bibliografia (1) TRIZ é uma sigla russa para теория решения изобретательских задач, Teoriya Resheniya Izobretatelskikh Zadatch, que significa "Teoria da Resolução Inventiva de Problemas". Foi desenvolvida pelo inventor e autor de ficção científica soviético Genrich Altshuller e seus colaboradores, a partir de 1946. TRIZ – Wikipédia, a enciclopédia livre.
  • 20. 20 sylvioss@gmail.com, hdc.bruno@gmail.com (2) Savransky, Semyon, D. Engineering of Creativity – Introduction do TRIZ Methodology of Inventive Problem Solving”, CRC Press, 2000, USA. (3) Goldenberg, J; Lehmann D; Mazursky D (2001). "The idea itself and the circumstances of its emergence as predictors of new product success". Management Science: 69–84. (4) Marshak Y; Glenman T; Summers R. (1967). Strategy for R&D Studies in Microeconomics of Development. New York: Springer-Verlag. (5) Connolly T; Routhieaux R. L; Schneider, S. K (1993). On the effectiveness of groups brainstorming: test of one underlying cognitive mechanism. Small Group Research. pp. 490– 503. (6) Paulus, B.P (1993). "Perception of performance in group brainstorming: the illusion of group productivity". Personality and Social Psychology Bulletin. (7) Goldenberg, J; Mazursky D, Solomon S (1999). "Creative Sparks". Science 285: 1495–1496. doi:10.1126/science.285.5433.1495. (8) Horowitz, R. "Creative Problem Solving In Engineering Design" (PDF). (9) Goldenberg, J (2002). "2-3". Creativity-Product-Innovation. Cambridge University Press. (10) Goldenberg, J; Levav A; Mazursky D; Solomon S (March 2003). "Finding your Innovation Sweet Spot". Harvard Business Review. (11) Levav A; Stern Y (2005). "The DNA of Ideas" (PDF). Bio-IT World Magazine. (12) Goldenberg, J; Mazursky D; Solomon S (1999). "Toward identifying the inventive templates of new products: A channeled ideation approach" (PDF). Journal of Marketing Research. (13) Oliveira, Tiago, “Pense dentro da caixa: Aprenda a enxergar oportunidades e empreenda em qualquer cenário”, Ed. Gente, São Paulo, SP – 2016. OBS: Texto adaptado eda Wikipedia (*): http://en.wikipedia.org/wiki/Systematic_inventive_thinking (*) This page uses Creative Commons Licensed content from Wikipedia