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1.   CAPACIDADES FÍSICAS BÁSICAS




      Para a prática de uma atividade física, coloca-se em jogo várias capacidades físicas. Capacidades
físicas são ações musculares e processos motores que dizem respeito à formação corporal e a técnica de
movimentos, ou seja, qualidades que fazem parte de nosso corpo, essenciais para uma vida ativa e
saudável.
      Entre as capacidades físicas, podemos citar: a coordenação, a flexibilidade, resistência, velocidade,
força, agilidade e equilíbrio. Cada um delas tem características, desenvolvimento e curiosidades muito
peculiares.
      Quando assistimos ao desempenho de um atleta vencendo obstáculos, podemos ter certeza de que
ele está utilizando uma ou mais capacidades físicas. Mas o cidadão que não pratica esporte de alto nível
também deve melhorar o nível de suas capacidades físicas se estiver interessado em manter uma boa
postura, resolver as tarefas do cotidiano ou mesmo praticar atividade física voltada para o lazer.
(DARIDO E JUNIOR, 2007).

1.1 COORDENAÇÃO

       A coordenação motora é a capacidade do cérebro de equilibrar
os movimentos do corpo, mais especificamente dos músculos e das
articulações. Pode-se verificar o desempenho motor de uma pessoa
através de sua agilidade, velocidade e energia.

A coordenação motora é dividida em:
     • Coordenação geral
     • Coordenação geral especifica
     • Coordenação fina

      Coordenação motora grossa ou geral - que visa utilizar os grandes músculos (esqueléticos) de
forma mais eficaz tornando o espaço mais tolerável à dominação do corpo, de fora global mais eficiente,
plástica e econômica. Este tipo de coordenação permite a criança ou adulto dominar o corpo no espaço,
controlando os movimentos mais rudes.
      Ex: andar, pular, rastejar e etc.

     Coordenação geral especifica - permite controlar movimentos específicos de uma atividade.
     Ex: chutar uma bola (futebol), arremessar (basquete) e etc.

     Coordenação motora fina - que visa utilizar os pequenos músculos de forma mais eficaz tornando
o ambiente controlável pelo corpo para o manuseio de objetos, produzindo assim movimentos delicados
e específicos.
     Ex: recortar, lançar ao alvo, escrever, digitar e etc.




            APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE
                      PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
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1.2 FLEXIBILIDADE

       Flexibilidade - É capacidade de aproveitar as possibilidades de
movimentos articulares, os mais amplos possíveis, em todas as
direções. Em diversos esportes e atividades físicas, pode-se perceber
a influencia de flexibilidade na execução de movimentos.
       Amplitude de Movimento - Dimensão do deslocamento do
corpo ou de seus segmentos entre certos pontos, de orientação
convencionalmente escolhida, expressada em graus e unidades
lineares.
       Mobilidade - Refere-se à amplitude de movimento permitida pela articulação em função de seus
diversos componentes.
       Elasticidade - Diz-se à capacidade de extensão elástica dos componentes.
       Plasticidade - É a capacidade dos elementos articulares de se distendem e não retornarem à sua
medida inicial. Em parte, no caso dos componentes articulares, a deformação é apenas temporária,
porém, uma pequena parte das deformações plásticas ocorridas como resultado do treinamento de
flexibilidade de alta intensidade são irreversíveis.
       Porque a flexibilidade é importante?

      •   Para aumentar a qualidade e a quantidade dos
          movimentos;
      •   Melhora a postura corporal;
      •   Diminui os riscos de lesões;
      •   Favorecer a maior mobilidade nas atividades diárias e esportivas.

     Ligamentos - tem baixo coeficiente de elasticidade e alto coeficiente de plasticidade.
     Tendões - tem baixo coeficiente de elasticidade e de plasticidade.
     Músculos - tem alto coeficiente de elasticidade, principalmente quando trabalhados para tal.

      Obs.: - Geralmente quando os limites são superados em seus coeficientes de elasticidade e
plasticidade, causa o rompimento das estruturas e o surgimento de lesões.


                          FATORES QUE LIMITAM A FLEXIBILIDADE
                INFLUÊNCIAS INTERNAS                              INFLUÊNCIAS EXTERNAS
                    Tipo de articulação                              Temperatura ambiente
             Resistência interna da articulação                           Hora do dia
          Estrutura óssea que limita o movimento                             Idade
              Elasticidade do tecido muscular                   Gênero (masculino ou feminino)
           Elasticidade de tendões e ligamentos              Roupa ou equipamentos inadequados
                   Elasticidade da pele                            Nível de condicionamento
   Habilidade do músculo de contrair e relaxar de acordo        Habilidade particular em alguns
             com a intensidade do movimento                              movimentos
   Temperatura das articulações associadas aos tecidos      Recuperação da articulação ou músculo
                                                                      após uma lesão

Quanto a Flexibilidade:

      A flexibilidade é bastante específica para cada articulação podendo variar de indivíduo para
indivíduo e até no mesmo indivíduo com passar do tempo.

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Curiosidades e características da flexibilidade

      A flexibilidade sofre a influencia de alguns fatores que podem ser caracterizados pela idade e pelo
sexo. Do nascimento até a velhice, a flexibilidade tem picos e quedas. Nos bebês, as articulações não
estão formadas por completo, por isso eles conseguem colocar os pés na boca.
      Até a fase pré-púbere, a flexibilidade é grande. Na adolescência, há uma diminuição, que tende a
se acentuar na fase adulta e na velhice.
      As meninas, em geral, têm flexibilidade maior que os meninos, porque, entre outros fatores, elas
tendem a ter uma quantidade menor de massa muscular, possibilitando uma maior mobilidade articular.
Existem meninos com mais flexibilidade do que as meninas, mas é uma minoria.

Tipos de Flexibilidade:

     1- Ativa - é a máxima amplitude que se pode obter através de movimentos efetuados pelos
        músculos de forma voluntária.
     2- Passiva - é a máxima amplitude articular que se consegue em um movimento através da ação
        de uma segunda pessoa, aparelhos, força da gravidade, etc.

1.3 RESISTÊNCIA

      Resistência – é a capacidade de realizar trabalho muscular com uma dada intensidade e durante
um determinado período de tempo. O principal fator limitante e que simultaneamente afeta o resultado é
a fadiga. Considera-se que um atleta tem uma boa resistência quando não se cansa facilmente ou ainda
quando consegue continuar a realizar um determinado movimento em estado de fadiga. Dentro do
complexo das capacidades motoras, a resistência é a capacidade que deve ser desenvolvida em
primeiro. Sem uma boa resistência é difícil repetir suficientemente outros tipos de treino de modo a
desenvolver outros componentes da aptidão física.

Tipos de resistências:

     • Resistência aeróbica;
     • Resistência anaeróbica.

      Resistência anaeróbia - É a capacidade de execução de
determinada atividade com alta intensidade em um curto espaço de tempo,
durante um período de tempo inferior a três minutos. O desenvolvimento da
resistência anaeróbia em atletas de alto nível possibilita o prolongamento
dos esforços máximos mantendo a velocidade e o ritmo do movimento,
mesmo com o crescente débito de oxigênio, da conseqüente fadiga
muscular e o aparecimento de uma solicitação mental progressiva.

      Resistência aeróbia – Esse tipo de resistência permite manter o
esforço de intensidade moderada durante longo tempo, com equilíbrio
entre o que se capta de oxigênio e o que se consome.
      A maratona, as corridas de longa distância do atletismo, como a
prova de 10 mil metros, a marcha atlética, o triatlo, o duatlo, a natação
de longa distância são exemplos de atividades físicas que requerem
bons níveis de resistência aeróbia.

                    1.4 VELOCIDADE
                          Velocidade – É a capacidade de execução de um movimento ou cobertura de
                    uma distância no menor tempo possível ou como a capacidade de realizar um
                    esforço de máxima freqüência e amplitude de movimentos durante um tempo curto.

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     Podemos observar a velocidade em muitas atividades esportivas e recreativas, assim como no
nosso cotidiano. Nas atividades esportivas, a velocidade aparece no futebol, no atletismo, no basquete,
no vôlei, na natação. Nas atividades recreativas, está em jogos como pega-pega, pique-bandeira. Em
nosso cotidiano, aparecem situações como “atravessar a rua correndo”, “correr porque vai chover”.

A velocidade está dividida em três:

                                             Velocidade de reação - “tempo requerido para ser iniciada
                                       uma resposta a um estímulo específico”.
                                             Velocidade de deslocamento ou velocidade de
                                       movimento - “A capacidade máxima de um indivíduo deslocar-se
                                       de um ponto para outro”, sendo importantíssima nos esportes
                                       coletivos e no Atletismo (provas de velocidade).
                                             Velocidade de movimento dos membros (superiores ou
                                       inferiores) - “a habilidade de mover os braços ou pernas tão
                                       rápido quanto possível”.

1.5 FORÇA

      Força - É a capacidade física que permite a um músculo ou um
grupo de músculos produzir uma tensão e vencer uma resistência na
ação de empurrar, tracionar, elevar, apertar, abaixar, segurar, etc.
      Tipos de Força: A força nunca aparece sob uma forma pura, mas
constantemente como uma combinação, ou mais ou menos como uma
mistura de fatores físicos de condicionamento da “performance”. São
elas:
      Força dinâmica (isotônica) - É “o tipo de força que envolve as
forças dos músculos nos membros em movimentos repetidos durante
um período de tempo”.
      Força de explosão (potência) - É a capacidade que o sistema neuromuscular tem de superar
resistências com a maior velocidade de contração possível. Esta combinação de velocidade de contração
muscular e velocidade de movimento designam-se freqüentemente potência.
      Força estática (isométrica) - É “o tipo de força que explica o fato de haver força produzindo calor,
e não havendo produção de trabalho em forma de movimento”.

1.6 AGILIDADE

                              Agilidade - É a capacidade de deslocar o corpo no espaço o mais rápido
                        possível, mudando o centro de gravidade de posição, sem perder o equilíbrio e a
                        coordenação dos movimentos.
                              A agilidade aparece muito nas atividades esportivas e recreativas, assim
                        como em movimentos relacionados ao nosso dia-a-dia. Por exemplo: nos
                        esporte – basquete, esgrima, boxe, vôlei, tênis, futsal, futebol americano; nas
                        atividades recreativas – pega-pega, queimada, pique-bandeira; nas atividades
                        do cotidiano – o desviar de algum objeto lançado em nossa direção.


1.7 EQUILÍBRIO

      Equilíbrio - É uma das capacidades físicas mais importantes e precisamos dele em diferentes
situações: ficar em pé, andar, andar de bicicleta, de patins, de skate, etc.
      É a capacidade de manter o corpo estável em uma posição estática ou em movimento.


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       Os principais órgãos responsáveis pelo equilíbrio são o labirinto do ouvido interno e o cerebelo, que
tem influência no equilíbrio por ser responsável pela coordenação de todos os movimentos.
       A posição da cabeça nas atividades é importante para a manutenção ou perda do equilíbrio.
Observe uma bailarina quando faz giros, ela está sempre olhando para um ponto fixo e só gira a cabeça
após o corpo girar, sem tirar o olho do ponto.
       Há alguns tipos de equilíbrio. O equilíbrio dinâmico é aquele que
o indivíduo mantém equilibrando-se durante um movimento. Por
exemplo, quando andamos de bicicleta, quando andamos em um muro,
quando corremos. O equilíbrio estático é a capacidade de equilibrar-se
em uma posição estática, sem movimento. Esse equilíbrio está presente
ao ficarmos de pé por exemplo. O equilíbrio de recuperação é a
capacidade de recuperar o equilíbrio em uma posição específica, após
sofrer um desequilíbrio. Por exemplo, quando um ginasta sai da barra
fixa, ou cavalo, após um salto, e tem que cair de pé, sem mover os dois
pés para frente ou para trás.

Atividade:

1. Marque V para afirmativa verdadeira e F para afirmativa falsa:

  a) O desenvolvimento da força depende de alguns fatores, dentre eles, a idade e o sexo. ( )
  b) A força aumenta desde o nascimento até a idade adulta, diminuindo na velhice. ( )
  c) Existem mulheres “mais fortes” do que os homens. ( )
  d) Pessoas altas são sempre mais fortes do que as mais “baixinhas”. ( )
  e) Na maioria dos casos, os homens são mais fortes que as mulheres, em virtude da diferença de
     massa muscular. ( )
  f) A flexibilidade diminui com a idade. ( )
  g) Exercícios de alongamento são importantes no ganho da flexibilidade. ( )
  h) As moças, geralmente, têm mais flexibilidade do que os rapazes. ( )
  i) A flexibilidade é uma capacidade física não treinável. ( )
  j) As capacidades físicas só são necessárias para atletas. ( )

2. Assinale a segunda coluna de acordo com a primeira (deve-se analisar a capacidade física que está
sendo mais exigida):

( 1 ) Resistência                                        (   ) Escrever uma carta
( 2 ) Velocidade                                         (   ) Exercícios de alongamento
( 3 ) Força                                              (   ) Correr por 10 km
( 4 ) Agilidade                                          (   ) Desviar de um soco no boxe
( 5 ) Flexibilidade                                      (   ) 50 metros livre na natação
( 6 ) Equilíbrio                                         (   ) Deslocar uma TV da sala ao quarto
( 7 ) Coordenação                                        (   ) Fazer uma faxina completa em casa
                                                         (   ) Andar sobre um muro
                                                         (   ) Dar uma finta no basquete
                                                         (   ) 100 metros rasos no atletismo
                                                         (   ) Ficar em pé por 30 minutos na fila do banco




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2. INTRODUÇÃO AOS PRIMEIROS SOCORROS




       O corpo de bombeiros define socorros de urgência, ou primeiros socorros, como as medidas
inicialmente tomadas por alguém que esteja qualificado para prestar o socorro, a fim de manter os sinais
vitais e evitar o agravamento de lesões já existentes em uma pessoa que esteja fora do ambiente
hospitalar.
       Já segundo a Cruz Vermelha Americana, socorros de urgência são os cuidados imediatamente
prestados a quem esteja lesionado ou subitamente adoecido. Quem presta os socorros de urgência
precisa saber também que encorajar aquele que recebe os socorros, com palavras tranquilizadoras e
motivadoras, que demonstrem sua competência para socorrer.
       Assim, quem presta socorros deve saber o que fazer e o que não fazer, evitando os erros
frequentemente cometidos por quem não está preparado para lidar com situações de urgência. A
diferença entre a vida e a morte (em casos mais extremos) ou entre uma rápida recuperação ou um longo
período de hospitalização e tratamento pode depender da qualidade dos conhecimentos sobre socorros
de urgência daquele que presta esse atendimento.
       Quando estamos em uma atividade corporal, seja em uma aula de educação física na escola, seja
uma atividade esportiva ou recreativa, o risco de ocorrer uma lesão ou um acidente está sempre
presente. Em tais situações, precisamos saber como fazer para prestar socorro a quem está lesionado,
acidentado ou subitamente se sente mal.
       Toda pessoa que for realizar o atendimento pré hospitalar (APH), mais conhecido como primeiros
socorros, deve antes de tudo, atentar para a sua própria segurança. O impulso de ajudar a outras
pessoas, não justifica a tomada de atitudes inconseqüentes, que acabem transformando-o em mais uma
vítima.
       A seriedade e o respeito são premissas básicas para um bom atendimento de APH (primeiros
socorros). Para tanto, evite que a vítima seja exposta desnecessariamente e mantenha o devido sigilo
sobre as informações pessoais que ela lhe revele durante o atendimento.
       Quando se está lidando com vidas, o tempo é um fator que não deve ser desprezado em hipótese
alguma. A demora na prestação do atendimento pode definir a vida ou a morte da vítima, assim como
procedimentos inadequados.
Importante lembrar que um ser humano pode passar até três semanas sem comida, uma semana sem
água, porém, pouco provável, que sobreviva mais que cinco minutos sem oxigênio.

2.1 ALGUNS CONCEITOS APLICADOS AOS PRIMEIROS SOCORROS

Primeiros Socorros: São os cuidados imediatos prestados a uma pessoa, fora do ambiente hospitalar,
cujo estado físico, psíquico e ou emocional coloquem em perigo sua vida ou sua saúde, com o objetivo
de manter suas funções vitais e evitar o agravamento de suas condições (estabilização), até que receba
assistência médica especializada.
Prestador de socorro: Pessoa leiga, mas com o mínimo de conhecimento capaz de prestar atendimento
à uma vítima até a chegada do socorro especializado.


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Socorrista: É a pessoa tecnicamente capacitada para, com segurança, avaliar e identificar problemas
que comprometam a vida. Cabe ao socorrista prestar o adequado socorro pré-hospitalar e o transporte do
paciente sem agravar as lesões já existentes.
Manutenção da Vida: Ações desenvolvidas com o objetivo de garantir a vida da vítima, sobrepondo à
"qualidade de vida".
Qualidade de Vida: Ações desenvolvidas para reduzir as seqüelas que possam surgir durante e após o
atendimento.
Urgência: Estado grave, que necessita atendimento médico, embora não seja necessariamente uma
emergência. Ex: contusões leves, entorses, luxações.
Emergência: Estado que necessita de encaminhamento rápido ao hospital. O tempo gasto entre o
momento em que a vítima é encontrada e o seu encaminhamento deve ser o mais curto possível. Ex:
Parada Cardiorrespiratória e hemorragias graves.
Acidente: Fato do qual resultam pessoas feridas e/ou mortas que necessitam de atendimento.
Incidente: Fato ou evento desastroso do qual não resulta pessoas mortas ou feridas, mas que pode
oferecer risco futuro.
Sinal: É a informação obtida a partir da observação da vítima.
Sintoma: É informação a partir de um relato da vítima.              Lembre-se!!!


  Acidentes ocorrem a qualquer hora, em qualquer lugar e com qualquer pessoa. Devemos estar
                  preparados para enfrentá-los, e da melhor maneira possível.

2.2 OMISSÃO DE SOCORRO

     Deixar de prestar socorro, ou seja, não dar nenhuma assistência a vítima de acidente ou a pessoa
em perigo iminente podendo fazê-lo, é crime segundo o artigo 135 do Código Penal Brasileiro.
     A omissão ou a falta de um pronto atendimento eficiente são os principais motivos de mortes ou
danos irreversíveis em vítimas de acidentes de trânsito.

2.3 OBJETIVOS DOS PRIMEIROS SOCORROS:

       Preservar a vida;
       Reduzir o sofrimento;
       Prevenir complicações;
       Proporcionar transporte adequado, possibilitando melhores condições para receber o tratamento
       definitivo.

2.4 ATITUDES BÁSICAS

Para que se possa realizar o primeiro atendimento a uma vítima, é necessário algumas atitudes, como:
      Seriedade, compreensão e confiança;
      Manter a calma de si mesmo e das outras pessoas;
      Agilidade;
      Bom senso;
      Conhecimento técnico e científico;
      Agir com segurança para não se tornar outra vítima;
      Improviso;
      Jamais ultrapassar os limites de atuação;
      Não levar a mão à boca e olhos sem antes lavar com água e sabão;
      Utilizar luvas de borracha no atendimento;

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2.5 OS 10 MANDAMENTOS DO SOCORRISTA

1º - Mantenha a calma;
2º - Tenha em mente a seguinte ordem de segurança quando você estiver prestando socorro: primeiro
eu (o socorrista), depois minha equipe (incluindo os transeuntes) e por ultimo a vítima. Isso parece ser
contraditório à primeira vista, mas tem o intuito básico de não gerar novas vítimas;
3º - Ao prestar socorro, é fundamental ligar para o atendimento pré-hospitalar assim que chegar ao local
do acidente. Podemos, por exemplo, discar 193 (número do corpo de bombeiros);
4º - sempre verificar se há riscos no local, para você e sua equipe, antes de agir no acidente;
5º - Mantenha sempre o bom-senso;
6º - Mantenha o espírito de liderança, pedindo ajuda e afastando os curiosos;
7º - Distribua tarefas, assim, os transeuntes que lhe atrapalhariam o ajudará e se sentirão mais úteis;
8º - Evite manobras intempestivas (realizar de forma imprudente, com pressa);
9º - Em caso de múltiplas vítimas, dê preferência aquelas que correm maior risco de vida como, por
exemplo, vítimas em parada cardiorrespiratória ou que estejam sangrando muito;
10º - Seja socorrista e não um herói (lembre-se do 2º mandamento).

2.6 ATENDIMENTO ÀS VÍTIMAS

      Enquanto o socorro especializado não chegar, devemos tomar algumas precauções básicas.
      Antes de qualquer procedimento, avaliar a cena do acidente e observar se ela pode oferecer riscos,
para o acidentado e para você. EM HIPÓTESE NENHUMA PONHA SUA PRÓPRIA VIDA EM RISCO.
      Existem critérios internacionalmente aceitos, no que se refere a abordagem (atendimento) da
vítima. As etapas principais são as seguintes:

2.6.1 PRINCIPAIS ETAPAS

AVALIAÇÃO PRIMÁRIA

Consiste na primeira avaliação feita ao chegar ao local do acidente, antes de se iniciar o socorro:

1º Avaliar o Local

                                         É importante observar rapidamente se existem perigos para o
                                         acidentado e para quem estiver prestando o socorro nas
                                         proximidades da ocorrência. Por exemplo:

                                            Fios elétricos soltos e desencapados; tráfego de veículos;
                                            andaimes; vazamento de gás; máquinas funcionando; risco de
                                            desmoronamento, explosão, queda de objetos, etc.;
                                            Assumir o controle da situação;
                                            Evitar o pânico e afastar os curiosos.

2º Avaliar a Vítima - o estado que ela se encontra:

     Neste momento deverá ser feito um rápido exame da vítima, obedecendo a uma sequência
padronizada e corrigindo imediatamente os problemas encontrados.
O exame deverá ser feito rigorosamente nessa seqüência: O “ABCDE” da vida.
     A - Abertura das vias aéreas com controle cervical - Estão desobstruídas? Existe lesão da cervical?
     B - Boa ventilação, respiração - Está adequada?
     C - Circulação, hemorragia e controle do choque - Existe pulso palpável? Há hemorragias graves?
     D - Distúrbio neurológico, nível de consciência;
     E - Exposição e proteção da vítima

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AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA

     É realizado após a estabilização dos sinais vitais da vítima. Consiste em uma avaliação minuciosa,
a qual se inicia na cabeça e vai até os pés, na parte anterior (frente) e posterior (costas), identificando
lesões que apesar de sua gravidade não colocam a vítima em risco iminente de morte.

2.6.2 CLASSIFICAÇÃO DA VÍTIMA

      Pelo histórico do acidente deve-se observar indícios que possam ajudar ao prestador de socorro
classificar a vítima como clínica ou traumática.

Vítima Clínica: apresenta sinais e sintomas de disfunções com natureza fisiológica, como doenças, etc.

Vítima de Trauma: apresenta sinais e sintomas de natureza traumática, como possíveis fraturas.
Devemos nesses casos atentar para a imobilização e estabilização da região suspeita de lesão.

2.7 SINAIS VITAIS - FORMAS DE CHECAGEM: "VER / OUVIR / SENTIR"

     Sinais vitais são aqueles que indicam a existência de vida. São reflexos ou indícios que permitem
concluir sobre o estado geral de uma pessoa. Os sinais sobre o funcionamento do corpo humano que
devem ser compreendidos e conhecidos são:

     Temperatura (precisa de instrumental específico)
     Pulso - braquial e carotídeo
     Respiração - geralmente usa-se o dorso da mão para sentir
     Pressão arterial (precisa de instrumental específico)

Parâmetros considerados normais para sinais vitais.

     Temperatura: 36.5º C;
     Pulso: 60 a 100 bpm;
     FR: 12 a 20 ipm;
     P.A: 120 x 80 mmHg.

     Os sinais vitais são sinais que podem ser facilmente percebidos, deduzindo-se assim, que na
ausência deles, existem alterações nas funções vitais do corpo

2.7.1 TEMPERATURA CORPORAL

                               A temperatura resulta do equilíbrio térmico mantido entre o ganho e a
                         perda de calor pelo organismo. A temperatura é um importante indicador da
                         atividade metabólica, já que o calor obtido nas reações metabólicas se propaga
                         pelos tecidos e pelo sangue circulante.
                               A temperatura do corpo humano está sujeita a variações individuais e a
                         flutuações devido a fatores fisiológicos como: exercícios, digestão, temperatura
                         ambiente e estado emocional. A avaliação diária da temperatura de uma pessoa
                         em perfeito estado de saúde nunca é maior que um grau Celsius, sendo mais
                         baixa pela manhã e um pouco elevada no final da tarde. Existe pequena
                         elevação de temperatura nas mulheres após a ovulação, no período menstrual e
                         no primeiro trimestre da gravidez.



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     Nosso corpo tem uma temperatura média normal que varia de 36 a 37ºC. A avaliação da
temperatura é uma das maneiras de identificar o estado de uma pessoa, pois em algumas emergências a
temperatura muda muito.
     O sistema termorregulador trabalha estimulando a perda de calor em ambientes de calor excessivo
e acelerando os fenômenos metabólicos no frio para compensar a perda de calor. Graças a isto, o
homem é um ser homeotérmico que, ao contrário de outros animais, mantêm a temperatura do corpo
constante a despeito de fatores externos.

                           VARIAÇÃO DE TEMPERATURA DO CORPO
                      ESTADO TÉRMICO                       TEMPERATURA (ºC)
                          Sub-normal                            34-36
                            Normal                              36-37
                         Estado febril                          37-38
                             Febre                              38-39
                       Febre alta (pirexia)                     39-40
                  Febre muito alta (hiperpirexia)               40-41

Perda de Calor

    O corpo humano perde calor através de vários processos que podem ser classificados da seguinte
maneira:

Eliminação - fezes, urina, saliva, respiração.
Evaporação - a evaporação pela pele (perda passiva) associada à eliminação permitirá a perda de calor
em elevadas temperaturas.
Condução - é a troca de calor entre o sangue e o ambiente. Quanto maior é a quantidade de sangue que
circula sob a pele maior é a troca de calor com o meio. O aumento da circulação explica o
avermelhamento da pele (hipermia) quando estamos com febre.

Verificação da Temperatura

       Oral ou bucal - Temperatura média varia de 36,2 a 37ºC. O termômetro deve ficar por cerca de
três minutos, sob a língua, com o paciente sentado, semi-sentado (reclinado) ou deitado.
       Não se verifica a temperatura de vítimas inconscientes, crianças depois de ingerirem líquidos (frios
ou quentes) após a extração dentária ou inflamação na cavidade oral.
       Axilar - Temperatura média varia de 36 a 36,8ºC. A via axilar é a mais sujeita a fatores externos. O
termômetro deve ser mantido sob a axila seca, por 3 a 5 minutos, com o acidentado sentado, reclinado
ou deitado.
       Não se verifica temperatura em vítimas de queimaduras no tórax, processos inflamatórios na axila
ou fratura dos membros superiores.
       Retal - Temperatura média varia de 36,4 a 37ºC. O termômetro deverá ser lavado, seco e
lubrificado com vaselina e mantido dentro do reto por 3 minutos com o acidentado em decúbito lateral,
com a flexão de um membro inferior sobre o outro.
       Não se verifica a temperatura retal em vítimas que tenham tido intervenção cirúrgica no reto, com
abscesso retal ou perineorrafia.
       A verificação da temperatura retal é a mais precisa, pois é a que menos sofre influência de fatores
externos.
       O instrumento padrão para a medida da temperatura corpórea é o termômetro clínico de vidro com
mercúrio. Em nosso meio, o método mais aceito é a temperatura axilar o que satisfaz plenamente aos
propósitos clínicos. Vários instrumentos podem ser usados para a avaliação da temperatura da pele. A
literatura internacional adota a medida da temperatura retal ou oral.
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2.7.2 PULSO

     O pulso é a onda de distensão de uma artéria transmitida pela pressão que o coração exerce sobre
o sangue. Esta onda é perceptível pela palpação de uma artéria e se repete com regularidade, segundo
as batidas do coração.
     Existe uma relação direta entre a temperatura do corpo e a freqüência do pulso. Em geral, exceto
em algumas febres, para cada grau de aumento de temperatura existe um aumento no número de
pulsações por minuto (cerca de 10 pulsações).
     O pulso pode ser apresentado variando de acordo com sua freqüência, regularidade, tensão e
volume.
     a) Regularidade (alteração de ritmo)
         Pulso rítmico: normal
         Pulso arrítmico: anormal
     b) Tensão
     c) Freqüência - Existe uma variação média de acordo com a idade como pode ser visto no Quadro
     abaixo.


                        PULSO NORMAL                         FAIXA ETÁRIA
                           60-100 bpm                            Adultos
                            80-90 bpm                  Crianças acima de 7 anos
                           80-120 bpm                    Crianças de 1 a 7 anos
                          110-130 bpm                  Crianças abaixo de um ano
                          130-160 bpm                       Recém-nascidos

     d) Volume - Pulso cheio: normal
                Pulso filiforme (fraco): anormal

      A alteração na freqüência do pulso denuncia alteração na quantidade de fluxo sanguíneo.
      As causas fisiológicas que aumentam os batimentos do pulso são: digestão, exercícios físicos,
banho frio, estado de excitação emocional e qualquer estado de reatividade do organismo.
      No desmaio / síncope as pulsações diminuem.
      Através do pulso ou das pulsações do sangue dentro do corpo, é possível avaliar se a circulação e
o funcionamento do coração estão normais ou não. Pode-se sentir o pulso com facilidade:

       Procurar acomodar o braço do acidentado em posição relaxada.
       Usar o dedo indicador, médio e anular sobre a artéria escolhida para sentir o pulso, fazendo uma
       leve pressão sobre qualquer um dos pontos onde se pode verificar mais facilmente o pulso de
       uma pessoa.
       Não usar o polegar para não correr o risco de sentir suas próprias pulsações.
       Contar no relógio as pulsações num período de 60 segundos. Neste período deve-se procurar
       observar a regularidade, a tensão, o volume e a freqüência do pulso.

       Existem no corpo vários locais onde se podem sentir os pulsos da corrente sanguínea.

Recomenda-se não fazer pressão forte sobre a artéria, pois isto pode impedir que se percebam os
                                        batimentos.




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     O pulso radial pode ser sentido na parte da frente do punho. Usar as pontas de 2 a 3 dedos
levemente sobre o pulso da pessoa do lado correspondente ao polegar, conforme a figura abaixo.




      O pulso carotídeo é o pulso sentido na artéria carótida que se localiza de cada lado do pescoço.
Posicionam-se os dedos sem pressionar muito para não comprimir a artéria e impedir a percepção do
pulso.
      Do ponto de vista prático, a artéria radial e carótida são mais fáceis para a localização do pulso,
mas há outros pontos que não devem ser descartados.




2.7.3 RESPIRAÇÃO

       A respiração é uma das funções essenciais à vida. É através dela que o corpo promove
permanentemente o suprimento de oxigênio necessário ao organismo, vital para a manutenção da vida.
       A respiração é comandada pelo Sistema Nervoso Central. Seu funcionamento processa-se de
maneira involuntária e automática. É a respiração que permite a ventilação e a oxigenação do organismo
e isto só ocorre através das vias aéreas desimpedidas.
       A observação e identificação do estado da respiração de um acidentado de qualquer tipo de
afecção é conduta básica no atendimento de primeiros socorros. Muitas doenças, problemas clínicos e
acidentes de maior ou menor proporção alteram parcialmente ou completamente o processo respiratório.
       Fatores diversos como secreções, vômito, corpo estranho, edema e até mesmo a própria língua
podem ocasionar a obstrução das vias aéreas. A obstrução produz asfixia que, se prolongada, resulta em
parada cardiorrespiratória.
       O processo respiratório manifesta-se fisicamente através dos movimentos ritmados de inspiração e
expiração. Na inspiração existe a contração dos músculos que participam do processo respiratório, e na
expiração estes músculos relaxam-se espontaneamente. Quimicamente existe uma troca de gazes entre
os meios externos e internos do corpo. O organismo recebe oxigênio atmosférico e elimina dióxido de
carbono. Esta troca é a hematose, que é a transformação, no pulmão, do sangue venoso em sangue
arterial.
       Deve-se saber identificar se a pessoa está respirando e como está respirando. A respiração pode
ser basicamente classificada por tipo e freqüência.


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                                                  A freqüência da respiração é contada pela quantidade
                                            de vezes que uma pessoa realiza os movimentos combinados
                                            de inspiração e expiração em um minuto. Para se verificar a
                                            freqüência da respiração, conta-se o número de vezes que
                                            uma pessoa realiza os movimentos respiratórios: 01
                                            inspiração + 01 expiração = 01 movimento respiratório.
                                                  A contagem pode ser feita observando-se a elevação
                                            do tórax se o acidentado for mulher ou do abdome se for
                                            homem ou criança. Pode ser feita ainda contando-se as
                                            saídas de ar quente pelas narinas.
      A freqüência média por minuto dos movimentos respiratórios varia com a idade. Por exemplo: um
adulto possui um valor médio respiratório de 12 - 20 respirações por minuto.


                       FREQUÊNCIA RESPIRATÓRIA (VALORES NORMAIS)
                       FAIXA ETÁRIA            FREQUENCIA RESPIRATÓRIA (ipm)
                      Recém nascido                            30-60
                          Lactente                             24-40
                        Pré-escolar                            22-34
                          Escolar                              18-30
                        Adolescente                            12-16
                           Adulto                              12-20

TIPOS DE RESPIRAÇÃO

       Eupnéia - Respiração que se processa por movimentos regulares, sem dificuldades, na
       freqüência média.
       Apnéia - É a ausência dos movimentos respiratórios, equivale à parada respiratória.
       Dispnéia - Dificuldade na execução dos movimentos respiratórios.
       Bradpnéia - Diminuição na frequência média dos movimentos respiratórios.
       Taquipnéia - Aceleração dos movimentos respiratórios.
       Ortopnéia - O acidentado só respira sentado.
       Hiperpnéia ou hiperventilação - É quando ocorre o aumento da freqüência e da profundidade
       dos movimentos respiratórios.

      Fatores fisiopatológicos podem alterar a necessidade de oxigênio ou a concentração de gás
carbônico no sangue. Isto contribui para a diminuição ou o aumento da freqüência dos movimentos
respiratórios. A nível fisiológico os exercícios físicos, as emoções fortes e banhos frios tendem a
aumentar a freqüência respiratória. Em contra partida o banho quente e o sono a diminuem.

2.7.4 PRESSÃO ARTERIAL

                                A pressão arterial é a pressão do sangue, que depende da força de
                          contração do coração, do grau de distensibilidade do sistema arterial, da
                          quantidade de sangue e sua viscosidade.
                                Uma pessoa com hipertensão deverá ser mantida com a cabeça
                          elevada; deve ser acalmada; reduzir a ingestão de líquidos e sal e ficar sob
                          observação permanente até a chegada do médico. No caso do hipotenso,
                          deve-se promover a ingestão de líquidos com pitadas de sal, deitá-lo e chamar
                          um médico.
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É importante perguntar à vítima sua pressão arterial e passar essa informação ao profissional que
                               for prestar o socorro especializado.

    CLASSIFICAÇÃO DIAGNÓSTICA DA HIPERTENSÃO ARTERIAL (> 18 ANOS DE IDADE)
      PAD (mmHg)                  PAS (mmHg)                         CLASSIFICAÇÃO
            <85                       < 130                                Normal
           85-89                     130-139                          Normal limítrofe
           90-99                     140-159                    Hipertensão leve (estágio 1)
         100-109                     160-179                 Hipertensão moderada (estágio 2)
           ≥ 110                      ≥ 180                    Hipertensão grave (estágio 1)
           < 90                       ≥ 140                    Hipertensão Sistólica isolada

2.8 SINAIS DE APOIO

      Além dos sinais vitais do funcionamento do corpo humano, existem outros que devem ser
observados para obtenção de mais informações sobre o estado de saúde de uma pessoa. São os sinais
de apoio; sinais que o corpo emite em função do estado de funcionamento dos órgãos vitais.
      Os sinais de apoio podem ser alterados em casos de hemorragia, parada cardíaca ou uma forte
batida na cabeça, por exemplo. Os sinais de apoio tornam-se cada vez mais evidentes com o
agravamento do estado do acidentado. Os principais sinais de apoio são:
       Dilatação e reatividade das pupilas
       Cor e umidade da pele
       Estado de consciência
       Motilidade e sensibilidade do corpo

2.8.1 DILATAÇÃO E REATIVIDADE DAS PUPILAS

      A pupila é uma abertura no centro da íris - a parte colorida do olho - e sua função principal é
controlar a entrada de luz no olho para a formação das imagens que vemos. A pupila exposta à luz se
contrai. Quando há pouca ou quase nenhuma luz a pupila se dilata, fica aberta. Quando a pupila está
totalmente dilatada, é sinal de que o cérebro não está recebendo oxigênio, exceto no uso de colírios
midriáticos ou certos envenenamentos.
      A dilatação e reatividade das pupilas são um sinal de apoio importante. Muitas alterações do
organismo provocam reações nas pupilas. Certas condições de "stress", tensão, medo e estados de pré-
choque também provocam consideráveis alterações nas pupilas.
      Devemos observar as pupilas de uma pessoa contra a luz de uma fonte lateral, de preferência com
o ambiente escurecido. Se não for possível deve-se olhar as pupilas contra a luz ambiente.

                                                MIOSE – Pupilas contraídas, sem reação a luz
                                                Lesões no sistema nervoso central. Abuso de drogas

                                                ANISOCORICA – Pupilas assimétricas (uma dilatada e
                                                outra contraída)
                                                Acidente vascular cerebral - AVC, Traumatismo crânio
                                                encefálico - TCE.

                                                MIDRIASE – Pupilas dilatadas
                                                Ambiente com pouca luz, anóxia ou hipóxia severa,
                                                inconsciência, estado de choque, parada cardíaca,
                                                hemorragia, TCE.
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2.8.2 COR E UMIDADE DA PELE

      A cor e a umidade da pele são também sinais de apoio muito útil no reconhecimento do estado
geral de um acidentado. Uma pessoa pode apresentar a pele pálida, cianosada ou hiperemiada
(avermelhada e quente).
      A cor e a umidade da pele devem ser observadas na face e nas extremidades dos membros, onde
as alterações se manifestam primeiro. A pele pode também ficar úmida e pegajosa. Pode-se observar
estas alterações melhor no antebraço e na barriga.


   ALTERAÇÕES ORGÂNICAS QUE PROVOCAM ALTERAÇÕES NA COR E UMIDADE DA PELE

         ALTERAÇÃO                                         OCORRÊNCIA
                                Exposição ao frio, parada cardiorrespiratória, estado de choque,
   Cianose (pele azulada)
                                                            morte.
                                  Hemorragia, parada cardiorrespiratória, exposição ao frio,
            Palidez
                                        extrema tensão emocional, estado de choque.
      Hiperemia (pele             Febre, exposição a ambientes quentes, ingestão de bebidas
     vermelha e quente)             alcoólicas, queimaduras de primeiro grau, traumatismo.
    Pele fria e viscosa ou
                                                         Estado de choque
     úmida e pegajosa

2.8.3 Estado de Consciência

      Este é outro sinal de apoio importante. A consciência plena é o estado em que uma pessoa
mantém o nível de lucidez que lhe permite perceber normalmente o ambiente que a cerca, com todos os
sentidos saudáveis respondendo aos estímulos sensoriais.
      Quando se encontra um acidentado capaz de informar com clareza sobre o seu estado físico, pode-
se dizer que esta pessoa está perfeitamente consciente. Há, no entanto, situações em que uma pessoa
pode apresentar sinais de apreensão excessiva, olhar assustado, face contraída e medo. Esta pessoa
certamente não estará em seu pleno estado de consciência.
      Uma pessoa pode estar inconsciente por desmaio, estado de choque, estado de coma, convulsão,
parada cardíaca, parada respiratória, alcoolismo, intoxicação por drogas e uma série de outras
circunstâncias de saúde e lesão.
      No desmaio há uma súbita e breve perda de consciência e diminuição do tônus muscular. Já o
estado de coma é caracterizado por uma perda de consciência mais prolongada e profunda, podendo o
acidentado deixar de apresentar gradativamente reação aos estímulos dolorosos e perda dos reflexos.

2.8.4 Motilidade e Sensibilidade do Corpo

      Qualquer pessoa consciente que apresente dificuldade ou incapacidade de sentir ou movimentar
determinadas partes do corpo está obviamente fora de seu estado normal de saúde. A capacidade de
mover e sentir partes do corpo são um sinal que pode nos dar muitas informações.
      Quando há incapacidade de uma pessoa consciente realizar certos movimentos, pode-se suspeitar
de uma paralisia da área que deveria ser movimentada. A incapacidade de mover o membro superior
depois de um acidente pode indicar lesão do nervo do membro. A incapacidade de movimento nos
membros inferiores pode indicar uma lesão da medula espinhal.
      O desvio da comissura labial (canto da boca) pode estar a indicar lesão cerebral ou de nervo
periférico (facial). Pede-se à vítima que sorria. Sua boca sorrirá torta, só de um lado.
      Pedir à vítima de acidente traumático que movimente os dedos de cada mão, a mão e os membros
superiores, os dedos de cada pé, o pé e os membros inferiores
      Quando um acidentado perde o movimento voluntário de alguma parte do corpo, geralmente ela
também perde a sensibilidade no local.
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      Muitas vezes, porém, o movimento existe, mas o acidentado reclama de dormência e formigamento
nas extremidades. É muito importante o reconhecimento destas duas situações, como um indício de que
há lesão na medula espinhal. É importante, também, nestes casos tomar muito cuidado com o manuseio
e transporte do acidentado para evitar o agravamento da lesão. Convém ainda lembrar que o acidentado
de histeria, alcoolismo agudo ou intoxicação por drogas, mesmo que sofra acidente traumático, pode não
sentir dor por várias horas.

A verificação rápida e precisa dos sinais vitais e dos sinais de apoio é uma chave importante para
   o desempenho de primeiros socorros. O reconhecimento destes sinais dá suporte, rapidez e
                         agilidade no atendimento e salvamento de vidas.

DICAS IMPORTANTES!!!

     Toda vítima de trauma possui lesão cervical até provar o contrário!
     O estado de uma vítima é inversamente proporcional ao número de informações obtidas pelo
     socorrista.
     Não se administra nada via oral para vítimas inconscientes!

Atividade:

  1. Uma das ações do socorrista para manter a vítima viva é a estabilização dos seus sinais vitais. Cite
     quais são esses sinais:
     _______________________________________________________________________________
     ______________________________________________________________________________

  2. Antes de proceder à avaliação secundária, o socorrista deverá realizar:
      a) O transporte, não se preocupando com qualquer análise.
      b) A avaliação secundária.
      c) A pesquisa do ambiente onde ocorreu o acidente, relacionando-o com os problemas da vítima.
      d) A avaliação primária, afastando todos os perigos que ameaçam a vida

  3. Dentre os objetivos dos primeiros socorros estão:
      a) Preservar a vida.
      b) Manter a vítima sofrendo.
      c) Prevenir complicações.
      d) Proporcionar transporte adequado
      e) Os itens a, c e d estão corretas.

  4. Midríase é o estado em que as pupilas encontram-se:
      a) Contraídas.
      b) Normais.
      c) Dilatadas.
      d) Assimétricas.

  5. Existem no corpo vários locais onde se podem sentir os pulsos da corrente sanguínea, cite os dois
     principais.
     1 _____________________________________ 2 ____________________________________

  6. Ao observar uma pessoa que acaba de acidentar-se o socorrista percebe que a vítima encontra-se
     em apnéia respiratória, isso significa que:
      a) A respiração apresenta movimentos regulares, sem dificuldades, na freqüência média.
      b) Há uma ausência dos movimentos respiratórios.
      c) Há uma diminuição na frequência média dos movimentos respiratórios.
      d) Há uma dificuldade na execução dos movimentos respiratórios.

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3.   POSTURA CORPORAL – COLUNA VERTEBRAL




      A inteligência e a capacidade de deslocamento e movimentação, executando tarefas com precisão,
entre outros aspectos, é o que diferencia o ser humano de outros seres vivos.
      Com exceção da visão, nem mesmo os outros sentidos como o olfato e a audição são tão
importantes para uma vida saudável como a motricidade da coluna e membros.
      A coluna vertebral suporta o peso do corpo, contém e protege a medula espinhal que conduz todos
os estímulos nervosos do cérebro para os membros superiores, tronco e membros inferiores, permitindo
e controlando todas as funções musculoesqueléticas, viscerais do abdômen e estrutural do tórax (pulmão
e coração).
      Qualquer doença que comprometa a coluna vertebral pode colocar em risco todas as estruturas e
funções descritas. Na prática, os principais problemas da coluna vertebral são os degenerativos
(desgastes) dos discos e articulações da coluna. Com o passar dos anos, o efeito da má postura, ganho
de peso corporal, levantar e carregar pesos e a falta de condicionamento físico podem desencadear
problemas na coluna.
      O conhecimento da anatomia da coluna, como ela funciona, a importância de uma postura correta e
de técnicas adequadas para a realização de esforços ou de levantar pesos, pode prevenir e proteger a
coluna de lesões.
      O reforço muscular, através de exercícios adequados e condicionamento físico, também são úteis
na prevenção de desgastes e lesões tanto no trabalho quanto fora dele.
      A coluna vertebral é parte subcranial do esqueleto axial. De forma muito simplificada, é uma haste
firme e flexível, constituída de elementos individuais unidos entre si por articulações, conectados por
fortes ligamentos e suportados dinamicamente por uma poderosa massa musculotendinosa.

3.1 ASPECTOS GERAIS

3.1.1 ARRANJO ANATÔMICO GERAL DE COLUNA VERTEBRAL

      A coluna vertebral é uma série de ossos individuais – as
vértebras – que ao serem articulados constituem o eixo central
esquelético do corpo. A coluna vertebral é flexível porque as vértebras
são móveis, mas a sua estabilidade depende principalmente dos
músculos e ligamentos. Embora seja uma entidade puramente
esquelética, do ponto de vista prático, quando nos referimos à “coluna
vertebral”, na verdade estamos também nos referindo ao seu
conteúdo e aos seus anexos, que são os músculos, nervos e vasos
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com ela relacionados. Seu comprimento é de aproximadamente dois quintos da altura total do corpo.
       A coluna vertebral, sob o ponto de vista de engenharia, é de uma constituição perfeita. Imaginem a
coluna de um prédio que tivesse que suportar toda a estrutura e ao mesmo tempo tivesse que
movimentar esse prédio. Seria "impossível". Mas a espinha faz isso.
       Constituição óssea - A coluna é formada de 33 ossos que são chamados vértebras e está dividida
em 4 regiões: a região cervical (pescoço), com 7 vértebras; a torácica ou dorsal, com 12; a lombar, com
5; a região sacra, com 5 vértebras que se fundiram num só osso chamado sacro, e a região do cóccix,
com 3 ou 4 vértebras, que também se fundiram em um só osso, o cóccix. É a região sacrococcigeana.
       As vértebras tornam-se progressivamente maiores na direção inferior até o sacro, tornando-se a
partir daí sucessivamente menores.

3.1.2 REGIÕES DA COLUNA VERTEBRAL

A coluna vertebral do adulto apresenta quatro curvaturas: cervical, torácica, lombar e sacral. Essas
curvaturas ajudam a centralizar a cabeça sobre o corpo, proporcionando um equilíbrio para andar na
posição ereta. É também a responsável pela proteção da Medula Espinhal. Esta estrutura (medula) é de
vital importância no organismo humano, pois todo o comando do Sistema Nervoso depende da
integridade medular, que está contido dentro do canal vertebral.


                                               1. Cervical: constitui o esqueleto axial do pescoço e
                                                  suporte da cabeça.




                                               2.   Torácica: suporta a cavidade torácica.




                                               3.   Lombar: suporta a cavidade abdominal e permite
                                                    mobilidade entre a parte torácica do tronco e a pelve.


                                               4. Sacral: une a coluna vertebral à cintura pélvica.

                                               5. Coccígea: é uma estrutura rudimentar em humanos,
                                                  mas possui função no suporte do assoalho pélvico.

      Como já vimos, a coluna é um eixo central do corpo humano, portanto ela apresenta uma série de
curvaturas conforme a nossa postura, por isso, quanto mais errado a postura, mais deformidades
ocorrerão na coluna, podendo ocasionar serias lesões, como a hérnia de disco, osteófitos (bico de
papagaio), escoliose, lordose, cifose, gibosidade (corcunda), etc.
      A maioria destes desvios da coluna causa pinçamento de nervos que
partem de dentro da coluna. O mais famoso deles é o nervo ciático
(popularmente chamada de dor ciática).
      Diversos fatores podem interferir para o desenvolvimento destas
lombalgias, tais como: dormir em posição errada, carregar objetos de
forma incorreta, posturas inadequadas, movimentos bruscos, entre outros.



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3.2   PRINCIPAIS PROBLEMAS POSTURAIS

                                       A coluna vertebral possui 3 tipos de curvas: a lordose, a cifose e
                                 a escoliose . A lordose é presente na coluna cervical e na coluna
                                 lombar e a cifose é presente na coluna torácica. A presença dessas
                                 duas curvas é NORMAL nesses níveis ao lado, fazendo parte das
                                 curvaturas normais da coluna. Apenas em casos em que a lordose e a
                                 cifose aparecem em grau aumentado é que são consideradas
                                 anormais e devem ser investigadas.
                                       O aumento acentuado (anormal) do grau da cifose e da lordose
                                 são denominados de:

                                          •   Hipercifose;
                                          •   Hiperlordose.
                                          •   A Escoliose é sempre uma curva anormal.




3.2.1 ESCOLIOSE

Definição

                                   A escoliose é uma ou mais curvaturas laterais anormal, que atinge
                           geralmente as vértebras torácicas. Ela pode ser do tipo funcional (ou
                           fisiológica) e estrutural (patológica).
                                   No caso da escoliose funcional a coluna curva-se lateralmente devido
                           à diferença de peso nas duas metades do corpo em conseqüência:

                              • Da poliomielite;
                              • Da diferença de comprimento dos membros inferiores, devido às
                                 fraturas mal reduzidas, a uma prótese mal adaptada ou a um joelho
                                 valgo unilateral;
                              • De uma má postura.

                                 A escoliose estrutural, geralmente aparece na infância e é progressiva.
                           A causa é o crescimento desigual das vértebras. Dependendo da gravidade
                           da curvatura, esta pode comprimir órgãos abdominais e também prejudicar a
                           respiração.




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3.2.2 HIPERCIFOSE

Definição

     A cifose é uma acentuada curvatura torácica,
deixando a pessoa com aspecto de corcunda. As
causas mais importantes dessa deformidade são a má
postura e o condicionamento físico insuficiente.




                                                3.2.3 HIPERLORDOSE

                                                Definição

                                                     A Lordose é um aumento exagerado nas
                                                curvaturas cervical e/ou lombar. Pode ser uma
                                                compensação de uma cifose ou à flacidez muscular
                                                com um ou sem aumento de peso anterior à coluna –
                                                como na obesidade e na gravidez.




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3.3 DICAS PARA UMA POSTURA SAUDÁVEL

3.3.1 POSTURA AO ANDAR

 √ CERTO     X ERRADO

                                  A má postura ao andar é a causa de muitas dores. Procure andar o
                            mais ereto possível, sempre olhando acima da linha do horizonte. Um bom
                            treino é andar em casa com um livro sobre a cabeça.




3.3.2 POSTURA AO LEVANTAR PESOS                                                √ CERTO         X ERRADO


       A maneira correta para levantar pesos e volumes exige a flexão dos
joelhos e aproximação do objeto junto ao corpo, agachando-se sem
inclinar o corpo para frente.
       Contraindo a musculatura abdominal, com a coluna ereta force os
músculos das coxas e pernas para elevar o peso. Utilizando as
articulações dos quadris, joelhos e tornozelos, pode-se atenuar a pressão
e esforços sobre as delicadas articulações da coluna vertebral. Se o
objeto é muito pesado para ser elevado com segurança ou se você não
consegue se posicionar corretamente, solicite auxílio de outra pessoa.

3.3.3 POSTURA SENTADO

       √ CERTO             X ERRADO

                                               Quando sentado, procure manter sua coluna bem
                                         posicionada utilizando uma cadeira que ofereça suporte à sua
                                         curvatura lombar (lordose).




3.3.4 POSTURA DEITADO

      Sua coluna também necessita de suporte                    √ CERTO                  X ERRADO
quando você está deitado.
      Procure utilizar colchão firme e manter os
joelhos dobrados (fletidos) para preservação do
balanço e equilíbrio da coluna. Um colchão muito
macio permite o corpo afundar causando torções à
coluna. Quando se está deitado de barriga para cima,
o posicionamento de uma almofada ou travesseiro sob
os joelhos também é útil para a manutenção do
posicionamento correto e relaxamento da musculatura
das costas.
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3.3.5 POSTURA AO LEVAR UMA MOCHILA OU SACOLA


   √ CERTO         X ERRADO
                                       No transporte das mochilas no ombro, tome cuidado para não
                                 compensar o peso da mochila com a inclinação do tronco para frente.
                                 Os alunos que transportam a mochila através de alças e rodinhas
                                 devem variar o lado que carregam as mochilas, ora no lado direito ora
                                 no lado esquerdo. Isso ajuda a evitar um “vício” postural inadequado.
                                 No caso de sacola cheia, tentar dividir o peso em duas sacolas e levar
                                 uma em cada lado, distribuindo melhor o peso.
                                       Compreender que o nosso corpo e a nossa mente recebem
                                 influências no nosso dia-a-dia é de fundamental importância para
                                 entendermos os cuidados que devemos ter com eles.
                                       Um aspecto bem interessante é analisarmos nossa postura e
                                 nosso comportamento durante o dia, e verificar se estamos sentando
                                 corretamente e alinhados, se ao ficar muito tempo em pé numa fila
                                 estamos nos apoiando o tempo inteiro apenas numa das pernas, pois
estes fatos podem nos ajudar a identificar compensações estabelecidas ao nosso corpo que interferem
na postura corporal, e conseqüentemente em nossa saúde.
      Ao ficar sentado em frente ao computador procure manter o corpo ereto e os pés apoiados no chão,
evite ficar com as pernas cruzadas e os joelhos muito flexionados. Observe se você não está projetando
para frente a cabeça e mantenha-a alinhada com seu tronco.


                    CUIDADOS BÁSICOS PARA
                     VOCÊ TER UMA COLUNA
                     VERTEBRAL SAUDÁVEL!!!




                                       1 - Evite assistir televisão deitado.
                                       2 - Evite ficar muito tempo com a cabeça baixa como ao passar
                                       roupa, fazer tricô e nos casos de leitura prolongada.
                                       3 - Evite flexionar (dobrar) a coluna para pegar objetos ou peso do
                                       chão. Procure sempre se agachar (dobrar os joelhos).
                                       4 - Evitar ou Reduzir o excesso de peso (obesidade).
                                       5 - Procure sentar de maneira correta, evite sofá muito macio e
                                       cadeira sem encosto ou banquinho.
                                       6 - Procure fazer períodos de intervalo no uso do computador.
                                       7 - Caminhe com a coluna reta, olhando para frente.
8 - Pratica de atividade física (como a caminhada) regularmente.
9 - Procure adaptar os móveis de sua casa e do trabalho de acordo com a sua altura (por exemplo a pia
da cozinha, o tanque de lavar roupa, a mesa ou escrivaninha).
10 - Evite carregar peso somente de um lado.
11 - Evite dormir de bruços (de barriga para baixo).
12 - Evite fazer musculação sem uma orientação adequada.
13 - Evite usar sapato de salto muito alto.
14 - Evite se virar bruscamente para olhar atrás de você.




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Atividade:

Faça uma pesquisa em livros e/ou internet e responda:

 1.   Qual a definição de postura?
      _______________________________________________________________________________
      ______________________________________________________________________________

 2.   Existe uma “postura correta” para todas as pessoas?
      _______________________________________________________________________________

 3.   Escolha uma atividade que você faz durante o dia (brincar, ver televisão, andar, dormir, etc.). Como
      você acha que a sua coluna vertebral permanece enquanto você realiza esta atividade?
      _______________________________________________________________________________
      ______________________________________________________________________________

 4.   Realize uma pesquisa em sua escola, sobre o número de alunos que relatam sentir dor nas costas
      devido à má postura e/ou problemas na coluna.




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4. CORPORIEDADE

                                                    A corporeidade constitui-se das dimensões: Física
                                              (estrutura física biofísico-motora organizadora de todas as
                                              dimensões humanas); Emocional (instinto, afeto); Mental
                                              espiritual     (cognição,    razão,    pensamento,    idéia,
                                              consciência); Sócio-histórico-cultural (valores, hábitos).
                                              Sendo assim, corporeidade é a maneira pela qual o cérebro
                                              reconhece e utiliza o corpo como instrumento relacional com
                                              o mundo.
                                                    O corpo é movido por intenções provenientes da
                                              mente. As intenções manifestam-se através do corpo, que
                                              interage com o mundo, que dá uma resposta para o corpo,
                                              que informa a mente através de seus órgãos sensoriais,
                                              que, analisando as respostas obtidas do ambiente, muda ou
                                              reafirma suas intenções, utilizando o corpo para novas
                                              manifestações, enfim, é sentir e utilizar o corpo como
                                              ferramenta de manifestação e interação com o mundo.
      Corporeidade é o seu modo de ser e estar no mundo com e através do corpo. É uma expressão
própria dos seres humanos. É o jeito de o ser humano se expressar e comunicar. Ignorando essa forma
única de ser, a sociedade impõe padrões estéticos corporais a serem seguidos, tendo os jovens como
alvo predileto.
      O apelo para que se transforme o corpo e o adapte a um padrão corporal imposto pela cultura
movimenta o mercado de consumo. Este vende dietas, vitaminas, suplementos alimentares, moda
esportiva, bebidas isotônicas, ginástica e exercícios. Publicações especializadas na “venda” do corpo são
comuns em bancas. A indústria de cosméticos, produtos estéticos, cirurgia plástica e programas de TV
completam o quadro. O propósito é ser padrão, não há respeito à corporeidade e sim a imposição da
busca do corpo dito aceitável socialmente.
      Diante de um apelo diário pela busca da estética corporal ideal, o corpo vem sendo padronizado.
Na sociedade, os indivíduos se encontram reféns de modelos que, estampados nas mais diversas formas
de venda de sua imagem, “estão prontos” a influenciar o corpo do outro a se transformar.
      Vivenciando, identificando e brincando com o corpo, a escola possibilita discussões sobre os
estereótipos e estigmas corporais, e a dualidade mente/corpo.

4.1 CONCEPÇÕES DE CORPO

4.1.1 A sociedade do culto ao corpo perfeito

       Intensificação do culto à estética ao longo dos séculos pode ter colaborado para a transformação
do indivíduo em objeto.
       Produtos de beleza cada vez mais sofisticados, revistas que dão dicas para manter a boa forma,
clínicas de estética e de cirurgia plástica, salões de cabeleireiros e academias de ginástica. Hoje o
mundo está cercado por serviços à disposição de quem deseja cuidar da aparência ou moldá-la.
       A preocupação do homem com o corpo, no entanto, não é recente. A origem do culto ao corpo
remonta à Antiguidade. Os gregos acreditavam, há cerca de 2.500 anos a.C., que a estética e o físico
eram tão importantes quanto o intelecto na busca pela perfeição – pensamento traduzido na frase “mens
sana in corpore sano” (mente saudável em corpo são) e na própria história das Olimpíadas.
       Após a Era Clássica, na Idade Média, as questões estéticas e o físico ficaram relegados ao
segundo plano. Durante essa época, o corpo foi tratado pela sociedade de forma discreta, com todo o
decoro exigido pelas crenças religiosas, e de acordo com as leis divinas.
       Apenas no século 18, nos anos que se seguiram às Revoluções Francesa e Industrial, o corpo
voltou a ter destaque no cotidiano do homem ocidental. De acordo com o psicólogo Fernando de
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Almeida Silveira, doutor em Filosofia e professor da Universidade Federal de São Paulo, com a
queda da aristocracia européia, a burguesia foi se auto-afirmando por meio de uma nova relação corpo-
essência. "Se os nobres tinham suas origens genealógicas como diferencial, a burguesia passou a
desenvolver a noção de um corpo disciplinado, saudável e longevo para se destacar tanto da aristocracia
decadente quanto do proletariado promíscuo e desregrado".
      Além disso, a partir desse período, o corpo que tinha condições de fornecer uma maior
produtividade passou a ser mais valorizado devido à ascensão do Capitalismo Industrial. "Pouco tempo
depois da primeira Revolução Industrial, no fim do século 19, o mundo assistiu ao chamado 'movimento
ginástico europeu', que buscava 'construir' homens ideais para esse novo modelo de sistema, mais fortes
e saudáveis, por meio da difusão de métodos de ginástica", ressalta o professor de Educação
Física da Universidade Metodista de São Paulo, Wilson Alviano.
      No século 21, com a pressão dos ideais de beleza impostos pela indústria da moda e alimentados
pela mídia, a valorização do corpo perfeito tornou-se uma obsessão global. Hoje cada vez mais pessoas
buscam formas de transformar o físico, em busca da perfeição de acordo com os padrões.
Segundo Alviano, essa intensificação do culto à estética já traz danos notórios para a sociedade.
"Doenças como anorexia, bulimia e vigorexia [transtorno caracterizado pela prática de exercícios físicos
em excesso] tomaram um vulto assustador. Muitos colocam suas vidas em risco, consumindo remédios
para emagrecer e anabolizantes ou até mesmo fazendo cirurgias desnecessárias."
      Para o psicólogo Fernando de Almeida Silveira, o maior prejuízo da valorização exagerada da boa
aparência é o fortalecimento da concepção de corpo-objeto. "As pessoas passaram a enxergar o corpo
hoje como uma coisa moldável, conforme certos padrões estéticos, fomentados por uma pressão social
de classe. Nesse sentido, o físico, os sentidos e a alma são massificados por conta dessa ditadura de
idealização da beleza". Alviano completa: "Com essa transformação do corpo em coisa, o próprio
indivíduo se reduziu a um objeto, que só possui valor como ostentação dentro dos padrões
preestabelecidos".
                                                                                     Por Renata Firace

4.1.2 Corpo, consumo e mídia

      O fim do século passado e o início deste configuram um novo estágio do capitalismo, denominado
por muitos, globalização, ou ainda, ocidentalização do mundo. Nessa fase, a comunicação, o
desenvolvimento tecnológico e a economia vêm trazendo uma acelerada transformação nas sociedades
e, ao mesmo tempo, profundas mudanças no nosso modo de ser, viver, aprender, sentir, pensar e agir.
      Vivemos em um sistema capitalista, somos impulsionados a produzir e consumir produtos. Por isso,
passamos a maior parte do tempo envolvidos com o trabalho, dimensão da vida humana que nos permite
atender a toda ordem de necessidades - as essenciais para nossa sobrevivência e as criadas pelo
próprio sistema. O - deus mercado , muitas vezes, interfere também em nossas opções de lazer com a
família e amigos, principalmente, sobre a influência da indústria cultural.
      É nesta lógica que nosso corpo está inserido: por meio dele estamos neste mundo. A partir de suas
interações com outros corpos, espaços e culturas, construímos nossas identidades e subjetividades,
pensamentos e valores. Então, vamos focar nosso olhar sobre a corporeidade (ou as questões relativas
ao corpo) no mundo contemporâneo.
      Você deve ter observado que os corpos presentes na telinha (principalmente nas propagandas e
novelas) são, em sua maioria, corpos bonitos, sarados, brancos, louros, jovens, viris, belos, bem
cuidados, ágeis e felizes. Corpos gordos, velhos, flácidos, não são reproduzidos, mas escondidos,
disfarçados e dissimulados. Quase sempre, apenas nos telejornais, é comum aparecerem os corpos do
cotidiano, de gente simples, ligados muitas vezes à pobreza, violência, tragédia e assim por diante.
        Isto nos faz pensar que existe um modelo de corpo desejado e suscitado pela mídia, que o
transforma em objeto a ser conquistado e comprado. Torna-se algo idealizado e, na atualidade, é
sinônimo de saudável, belo, atlético, como se esse modelo de corpo fosse a única possibilidade de ser.
Vivemos uma verdadeira tirania da aparência em que o corpo tem sido mais valorizado por suas
próteses, enfeites, vestuário, enfim, pelo que tem e não pelo que é.
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       Assim, o corpo se torna uma mercadoria como qualquer outra. Compram-se seios, nádegas,
narizes, orelhas.
      Eliminam-se os sinais de envelhecimento mudando a cor dos cabelos, injetando produtos para
minimizar as rugas, etc. O corpo é o principal estímulo da indústria da beleza associada à imagem de
juventude que esbanja saúde, alegria. Em nome da beleza (veja bem, da beleza e não da saúde e da
qualidade de vida) consomem-se roupas, alimentos, adereços, aparelhos, suplementos, silicones,
imagens e exercícios físicos. Essa mercantilização dos corpos tem estimulado o comércio e o consumo
de produtos. O próprio corpo tornou-se veículo utilizado para vender os mais variados tipos de produtos.
      Nesse mercado do corpo, aqueles que não têm acesso aos produtos de consumo tornam-se,
muitas vezes, mercadorias baratas. Num país marcado pela desigualdade social, e também racial, como
é o nosso, os representantes de etnias negras e indígenas são os mais atingidos.
       Leia a poesia do poeta mineiro Carlos Drumond de Andrade, escrita no início da década de 40, no
século XX, período em que o Brasil estava vivendo o início de seu processo de industrialização: Sensível
às mudanças que vinham ocorrendo em nossa sociedade naquela época, o poeta antecipa seu olhar
sobre suas implicações para os corpos.

Eu, etiqueta                                          com outros seres diversos e conscientes
                                                      de sua humana invencível condição.
Em minha calça está grudado um nome                   Agora sou anúncio,
que não é meu de batismo ou de cartório,              ora vulgar, ora bizarro,
um nome... estranho.                                  em língua nacional ou em qualquer língua
Meu blusão traz lembrete de bebida                    (qualquer, principalmente).
que jamais pus na boca, nesta vida.                   E nisto me comprazo, tiro glória
Em minha camiseta, a marca de cigarro                 de minha anulação.
que não fumo, até hoje não fumei.                     Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Minhas meias falam de produto                         Eu é que mimosamente pago
que nunca experimentei                                para anunciar, para vender
mas são comunicados a meus pés.                       em bares, festas, praias, pérgulas piscinas,
Meu tênis é proclama colorido                         e bem à vista exibo esta etiqueta
de alguma coisa não provada                           global no corpo que desiste
por este provador de idade.                           de ser veste e sandália de uma essência
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,                 tão viva, independente,
minha gravata e cinto e escova e pente,               que moda ou suborno algum compromete.
meu copo, minha xícara,                               Onde terei jogado fora
minha toalha de banho e sabonete,                     meu gosto e capacidade de escolher,
meu isso, meu aquilo,                                 minhas indiossicrasias tão pessoais,
desde a cabeça até o bico dos sapatos,                tão minhas que no rosto se espelhavam,
são mensagens,                                        e cada gesto, cada olhar,
letras falantes,                                      cada vinco de roupa
gritos visuais,                                       resumia uma estética?
ordem de uso, abuso, reincidência,                    Hoje sou costurado, sou tecido,
costume, hábito, preemência,                          sou gravado de forma universal,
indispensabilidade,                                   saio da estamparia, não de casa,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,              da vitrine me tiram, me recolocam,
escravo da matéria anunciada.                         objeto pulsante mas objeto
Estou, estou na moda.                                 que se oferece como signo dos outros
É doce estar na moda, ainda que a moda                objetos estáticos, tarifados.
seja negar minha identidade,                          Por me ostentar assim, tão orgulhoso
trocá-la por mil, açambarcando                        de ser não eu, mas artigo industrial,
todas as marcas registradas,                          peço que meu nome retifiquem.
todos os logotipos de mercado.                        Já não me convém o título de homem,
Com que inocência demito-me de ser                    meu nome novo é coisa.
eu que antes era e me sabia                           Eu sou a coisa, coisamente.
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solitário



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      Assim como denunciado pelo poeta, podemos perceber que é uma tendência do mundo moderno
reproduzir a mesma lógica do mercado, isto é, o corpo é explorado economicamente e utilizado para
vender e consumir produtos de toda natureza, mesmo que não sejam tão recomendáveis como as
bebidas e os cigarros. Mulheres sedutoras vendem produtos destinados ao público masculino e, o
contrário, recentemente, também tem acontecido. É o caso, por exemplo, das propagandas de cerveja.
Como as mulheres já constituem parte considerável do público que usufrui o produto, é hora de usar
modelos, atores e outros ícones da beleza e do sucesso masculino, com o fim único de vender mais e
mais, lucrar mais e mais. São comerciais planejados e preparados para atingir uma determinada
camada da população, cada vez mais vulnerável a essa visão estereotipada propagada pela mídia –
corpos jovens perfeitos, como modelos a serem copiados e reproduzidos.

4.1.3 A mulher magra que é admirada hoje seria considerada feia até pouco tempo atrás.

                               No mundo atual, e no Brasil principalmente, a busca pela beleza e pela
                         juventude está em todo o lugar. O apelo vem da televisão, do cinema, das
                         propagandas onde homens e mulheres parecem ter vindo do Olimpo, sem
                         qualquer imperfeição física. Na modernidade, a busca pela beleza virou
                         comércio e movimenta bilhões de dólares em cosméticos, cirurgias plásticas,
                         tratamentos contra rugas, celulites e gordurinhas inconvenientes. Está
                         declarada a guerra contra a natureza que criou o envelhecimento. E nessa
                         batalha, a pressão pela beleza recai com mais força sobre as mulheres. O
                         poeta Vinicius de Moraes resumiu a situação com certa crueldade quando
                         disse simplesmente: as feias que me desculpem, mas beleza é fundamental.
      Mas a revolta da humanidade com o passar do tempo vem de longa data. A Grécia Antiga
admirava a beleza dos corpos e cultuava deuses imortais, sempre jovens e sedutores. A filósofa Maria
de Lourdes Borges, da Universidade Federal de Santa Catarina, lembra que a busca pela beleza e pela
juventude são universais.
      "A busca da beleza é natural. A busca da juventude é natural, no sentido de que isso acontece em
todas as civilizações. Isso vem na nossa consciência que somos finitos, nós tememos a morte, não
queremos a morte. Nós sentimos que quando o nosso corpo envelhece isso significa uma certa
proximidade maior da morte. Então de certa maneira é natural que tanto homens quanto mulheres
queiram manter a juventude"
      Mas o que é ser belo? Essa pergunta já teve diversas respostas ao longo
da história. Mas algumas características aparecem em lugares e épocas
diferentes. A admiração pela simetria dos traços do rosto, os ombros fortes para
os homens e o corpo de violão para as mulheres são sinais de beleza
considerados universais. Civilizações antigas fizeram imagens onde o barro
moldou mulheres de quadris largos e seios fartos. Nas cavernas ou nas obras de
arte de pintores como Boticcelli e Rubens, as mulheres eram admiradas por
curvas que permitiam uma barriguinha sem maiores traumas.
                               O geneticista Renato Zambora aponta que a beleza é uma questão
                         importante para que os homens escolham as esposas. E durante a evolução
                         humana, a beleza feminina se relacionou com a capacidade de ter filhos.
                         Mulheres gordas, de quadril largo e cintura fina, indicavam a possibilidade de
                         gerar uma prole saudável. Zambora explica que a cultura pode criar padrões
                         estéticos diferentes, como o culto à magreza que se vê hoje, mas o cérebro
                         masculino continua reagindo à beleza da mesma forma que há milhares de
                         anos.




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      Não é verdade que homens achem muito bonitas mulheres muito magras. Elas perdem os ícones
sexuais, a relação da cintura quadril fica prejudicada porque o quadril emagrece, e ficam praticamente
com ausência de mamas. O cérebro acaba não identificando aquilo como corpo de mulher.
      A historiadora Mary del Priore, indica que o primeiro documento sobre a beleza da mulher
brasileira seria a carta de Pero Vaz de Caminha, que louva a beleza da mulher indígena, descrita como
limpa e gorda.
      É interessante esse olhar masculino sobre o corpo da índia nua e
gorda porque a gordura, de fato, no século XVI, as carnes cheias, o corpo
cheio, é sinônimo de beleza que nós já podemos detectar na pintura do
Barroco, tendo como exemplo à pintura As três graças (ao lado), de
Rubens, que é um dos mais importantes representantes desse tipo de
pintura. Onde o referencial era mulheres gordas, na época, sinal de
prestígio social e boa condição financeira, uma vez que só pessoas nobres
conseguiam se alimentar com fartura. Uma mulher de costelas à mostra
seria certamente um sinônimo de feiúra. A magreza sempre é vista da
perspectiva da fome, do empobrecimento e da doença.
      A gordura como padrão de beleza se associa também com o consumo alimentar das elites que
tinham acesso ao açúcar, artigo raro e muito caro naquela época. Mary del Priore explica que no
decorrer dos séculos, o corpo feminino mais cheio continuou a ser admirado. As curvas seguiam
insinuando o poder feminino de gerar.
                                E esse potencial procriador está nos quadris, está nas cadeiras, no
                          bumbum, no ventre. Quanto mais cheio embaixo, mais bonita era a mulher. A
                          moda, inclusive, vai acentuar esse critério estético porque a moda das
                          anquinhas (que era uma almofada ou armação que as mulheres usavam sob a
                          saia, para entufá-la), que atravessa toda a segunda metade do século XIX, ela
                          acentua o posterior da mulher, enquanto o espartilho comprime violentamente a
                          cintura, projetando os seios. Então, realmente a mulher se torna no imaginário
                          masculino um verdadeiro violão.
                                Nesse mesmo século XIX, a magreza vira moda na esteira das heroínas
românticas retratadas nos livros. As mulheres se deixavam emagrecer e se maquiavam para simular
olheiras mais profundas. Mas foi um modismo passageiro, e a imagem das carnes cheias como padrão
de beleza vai chegar até o século XX. Mas nesse momento, transformações importantes acontecem
com a mudança nos papéis da mulher e sua entrada no mercado de trabalho. O fortalecimento da
indústria da beleza e a globalização também irão modificar a maneira como as pessoas buscam uma
forma física atraente.




           APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE
                     PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
29
Atividade:

Com base nos textos abordados no capítulo 4, responda:

 1. Como o corpo tem sido visto?
    ______________________________________________________________________________
    ______________________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________________

 2. Com que imagem de corpo convivemos em nosso dia-a-dia?
    ______________________________________________________________________________
    ______________________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________________

 3. Que mensagens são transmitidas por essas imagens?
    ______________________________________________________________________________
    ______________________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________________

 4. Será que hoje a maioria das pessoas consideraria belas as mulheres que o artista escolheu como
    modelos para seus quadros (as três Graças)? Comente.
    ______________________________________________________________________________
    ______________________________________________________________________________
    ______________________________________________________________________________
    _____________________________________________________________________________

 5. Formem grupos e realizem uma pesquisa em jornais impressos, vídeos, revistas, internet e outros,
    sobre os padrões de beleza preconizados no Brasil. Quem dita esses padrões e quais os
    benefícios e prejuízos decorrentes da busca por esses padrões?




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30
5.   INFLUÊNCIAS DA MÍDIA NO ESPORTE

“Basta ligar a televisão e ´zapear´ um pouco com o controle remoto: o
esporte está em toda a parte. Não apenas nos programas e noticiários
especificamente esportivos, em que é produto espetacular, mas nos filmes,
nos programas de auditório, de entrevistas, nos telejornais, nos desenhos
animados, nas telenovelas e nos seriados. Nos anúncios publicitários, é
invocado para vender sorvete, assinatura de jornal, remédio, automóvel,
desodorante, serviços bancários, refrigerante” (BETTI, 1998).

      Mauro Betti, no trecho citado acima, e em todo o seu livro “A janela
de vidro”, faz uma análise de como a mídia televisiva exerce influência
sobre o esporte. Podemos, entretanto, estender sua análise para todos
os tipos de mídia: jornais, revistas, rádio e internet. De fato, o esporte é
onipresente e ocupa espaços relevantes em todas elas. A Folha de São
Paulo, em levantamento sobre os assuntos mais abordados em suas
páginas no ano de 2004, revelou que o futebol foi o assunto que mais
apareceu, acima de quaisquer temas políticos, econômicos e culturais.
Mídia e esporte têm, hoje, uma relação de interdependência
extremamente forte.
      Entretanto, essa relação não é apenas de divulgação do esporte na mídia. A mídia também
assume o papel de participar da determinação dos rumos do esporte (horários, regras, formas de
disputa, etc), de enfatizar uma certa compreensão de esporte, de defender ou atacar políticas públicas
de esporte, enfim, mais do que apenas informar sobre o esporte, a mídia influencia o esporte.
      Por outro lado, o esporte não só depende da mídia para ser divulgado e patrocinado, e é por ela
influenciado, mas também influencia a cobertura que dele se faz, ao censurar certos assuntos, ao impor
certas visões, ao ocupar os horários nobres, etc. O jornalista Jorge Kajuru, em crônica na Folha de São
Paulo (12/10/2005) afirma que, ao ser convidado para trabalhar por uma emissora de TV, teria sido
alertado: “você não vai poder criticar horário de jogo porque é assunto comercial. Nem vai bater em
dirigentes quando a emissora estiver negociando direitos com os mesmos”.
      A lógica que rege a relação entre esporte e mídia é a da espetacularização e do consumo, uma
vez que tanto o esporte quanto a mídia se beneficiam dessa relação. Porém, ao nos referirmos ao
esporte que está na mídia, não estamos nos referindo a qualquer esporte, mas em particular ao esporte
de alto rendimento, uma vez que o esporte de lazer raramente se torna assunto da mídia. Enfim, já não
                                              é possível referir-se ao esporte contemporâneo,
                                              especialmente o esporte de alto rendimento, sem associá-lo
                                              aos meios de comunicação de massa.
                                                    A discussão sobre os modos de produção do discurso
                                              da mídia nos ajuda a compreender a quem interessa esse
                                              discurso e por que aqueles jornalistas que fogem à
                                              submissão às regras desse jogo perdem espaço na mídia.
                                              Os ângulos da TV numa transmissão, a omissão de certas
                                              informações, a construção e desconstrução dos ídolos
                                              esportivos, os comentários durante uma transmissão
                                              esportiva, dentre outros, não são questões meramente
                                              técnicas.




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Capacidades físicas básicas

  • 1. 1 1. CAPACIDADES FÍSICAS BÁSICAS Para a prática de uma atividade física, coloca-se em jogo várias capacidades físicas. Capacidades físicas são ações musculares e processos motores que dizem respeito à formação corporal e a técnica de movimentos, ou seja, qualidades que fazem parte de nosso corpo, essenciais para uma vida ativa e saudável. Entre as capacidades físicas, podemos citar: a coordenação, a flexibilidade, resistência, velocidade, força, agilidade e equilíbrio. Cada um delas tem características, desenvolvimento e curiosidades muito peculiares. Quando assistimos ao desempenho de um atleta vencendo obstáculos, podemos ter certeza de que ele está utilizando uma ou mais capacidades físicas. Mas o cidadão que não pratica esporte de alto nível também deve melhorar o nível de suas capacidades físicas se estiver interessado em manter uma boa postura, resolver as tarefas do cotidiano ou mesmo praticar atividade física voltada para o lazer. (DARIDO E JUNIOR, 2007). 1.1 COORDENAÇÃO A coordenação motora é a capacidade do cérebro de equilibrar os movimentos do corpo, mais especificamente dos músculos e das articulações. Pode-se verificar o desempenho motor de uma pessoa através de sua agilidade, velocidade e energia. A coordenação motora é dividida em: • Coordenação geral • Coordenação geral especifica • Coordenação fina Coordenação motora grossa ou geral - que visa utilizar os grandes músculos (esqueléticos) de forma mais eficaz tornando o espaço mais tolerável à dominação do corpo, de fora global mais eficiente, plástica e econômica. Este tipo de coordenação permite a criança ou adulto dominar o corpo no espaço, controlando os movimentos mais rudes. Ex: andar, pular, rastejar e etc. Coordenação geral especifica - permite controlar movimentos específicos de uma atividade. Ex: chutar uma bola (futebol), arremessar (basquete) e etc. Coordenação motora fina - que visa utilizar os pequenos músculos de forma mais eficaz tornando o ambiente controlável pelo corpo para o manuseio de objetos, produzindo assim movimentos delicados e específicos. Ex: recortar, lançar ao alvo, escrever, digitar e etc. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 2. 2 1.2 FLEXIBILIDADE Flexibilidade - É capacidade de aproveitar as possibilidades de movimentos articulares, os mais amplos possíveis, em todas as direções. Em diversos esportes e atividades físicas, pode-se perceber a influencia de flexibilidade na execução de movimentos. Amplitude de Movimento - Dimensão do deslocamento do corpo ou de seus segmentos entre certos pontos, de orientação convencionalmente escolhida, expressada em graus e unidades lineares. Mobilidade - Refere-se à amplitude de movimento permitida pela articulação em função de seus diversos componentes. Elasticidade - Diz-se à capacidade de extensão elástica dos componentes. Plasticidade - É a capacidade dos elementos articulares de se distendem e não retornarem à sua medida inicial. Em parte, no caso dos componentes articulares, a deformação é apenas temporária, porém, uma pequena parte das deformações plásticas ocorridas como resultado do treinamento de flexibilidade de alta intensidade são irreversíveis. Porque a flexibilidade é importante? • Para aumentar a qualidade e a quantidade dos movimentos; • Melhora a postura corporal; • Diminui os riscos de lesões; • Favorecer a maior mobilidade nas atividades diárias e esportivas. Ligamentos - tem baixo coeficiente de elasticidade e alto coeficiente de plasticidade. Tendões - tem baixo coeficiente de elasticidade e de plasticidade. Músculos - tem alto coeficiente de elasticidade, principalmente quando trabalhados para tal. Obs.: - Geralmente quando os limites são superados em seus coeficientes de elasticidade e plasticidade, causa o rompimento das estruturas e o surgimento de lesões. FATORES QUE LIMITAM A FLEXIBILIDADE INFLUÊNCIAS INTERNAS INFLUÊNCIAS EXTERNAS Tipo de articulação Temperatura ambiente Resistência interna da articulação Hora do dia Estrutura óssea que limita o movimento Idade Elasticidade do tecido muscular Gênero (masculino ou feminino) Elasticidade de tendões e ligamentos Roupa ou equipamentos inadequados Elasticidade da pele Nível de condicionamento Habilidade do músculo de contrair e relaxar de acordo Habilidade particular em alguns com a intensidade do movimento movimentos Temperatura das articulações associadas aos tecidos Recuperação da articulação ou músculo após uma lesão Quanto a Flexibilidade: A flexibilidade é bastante específica para cada articulação podendo variar de indivíduo para indivíduo e até no mesmo indivíduo com passar do tempo. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 3. 3 Curiosidades e características da flexibilidade A flexibilidade sofre a influencia de alguns fatores que podem ser caracterizados pela idade e pelo sexo. Do nascimento até a velhice, a flexibilidade tem picos e quedas. Nos bebês, as articulações não estão formadas por completo, por isso eles conseguem colocar os pés na boca. Até a fase pré-púbere, a flexibilidade é grande. Na adolescência, há uma diminuição, que tende a se acentuar na fase adulta e na velhice. As meninas, em geral, têm flexibilidade maior que os meninos, porque, entre outros fatores, elas tendem a ter uma quantidade menor de massa muscular, possibilitando uma maior mobilidade articular. Existem meninos com mais flexibilidade do que as meninas, mas é uma minoria. Tipos de Flexibilidade: 1- Ativa - é a máxima amplitude que se pode obter através de movimentos efetuados pelos músculos de forma voluntária. 2- Passiva - é a máxima amplitude articular que se consegue em um movimento através da ação de uma segunda pessoa, aparelhos, força da gravidade, etc. 1.3 RESISTÊNCIA Resistência – é a capacidade de realizar trabalho muscular com uma dada intensidade e durante um determinado período de tempo. O principal fator limitante e que simultaneamente afeta o resultado é a fadiga. Considera-se que um atleta tem uma boa resistência quando não se cansa facilmente ou ainda quando consegue continuar a realizar um determinado movimento em estado de fadiga. Dentro do complexo das capacidades motoras, a resistência é a capacidade que deve ser desenvolvida em primeiro. Sem uma boa resistência é difícil repetir suficientemente outros tipos de treino de modo a desenvolver outros componentes da aptidão física. Tipos de resistências: • Resistência aeróbica; • Resistência anaeróbica. Resistência anaeróbia - É a capacidade de execução de determinada atividade com alta intensidade em um curto espaço de tempo, durante um período de tempo inferior a três minutos. O desenvolvimento da resistência anaeróbia em atletas de alto nível possibilita o prolongamento dos esforços máximos mantendo a velocidade e o ritmo do movimento, mesmo com o crescente débito de oxigênio, da conseqüente fadiga muscular e o aparecimento de uma solicitação mental progressiva. Resistência aeróbia – Esse tipo de resistência permite manter o esforço de intensidade moderada durante longo tempo, com equilíbrio entre o que se capta de oxigênio e o que se consome. A maratona, as corridas de longa distância do atletismo, como a prova de 10 mil metros, a marcha atlética, o triatlo, o duatlo, a natação de longa distância são exemplos de atividades físicas que requerem bons níveis de resistência aeróbia. 1.4 VELOCIDADE Velocidade – É a capacidade de execução de um movimento ou cobertura de uma distância no menor tempo possível ou como a capacidade de realizar um esforço de máxima freqüência e amplitude de movimentos durante um tempo curto. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 4. 4 Podemos observar a velocidade em muitas atividades esportivas e recreativas, assim como no nosso cotidiano. Nas atividades esportivas, a velocidade aparece no futebol, no atletismo, no basquete, no vôlei, na natação. Nas atividades recreativas, está em jogos como pega-pega, pique-bandeira. Em nosso cotidiano, aparecem situações como “atravessar a rua correndo”, “correr porque vai chover”. A velocidade está dividida em três: Velocidade de reação - “tempo requerido para ser iniciada uma resposta a um estímulo específico”. Velocidade de deslocamento ou velocidade de movimento - “A capacidade máxima de um indivíduo deslocar-se de um ponto para outro”, sendo importantíssima nos esportes coletivos e no Atletismo (provas de velocidade). Velocidade de movimento dos membros (superiores ou inferiores) - “a habilidade de mover os braços ou pernas tão rápido quanto possível”. 1.5 FORÇA Força - É a capacidade física que permite a um músculo ou um grupo de músculos produzir uma tensão e vencer uma resistência na ação de empurrar, tracionar, elevar, apertar, abaixar, segurar, etc. Tipos de Força: A força nunca aparece sob uma forma pura, mas constantemente como uma combinação, ou mais ou menos como uma mistura de fatores físicos de condicionamento da “performance”. São elas: Força dinâmica (isotônica) - É “o tipo de força que envolve as forças dos músculos nos membros em movimentos repetidos durante um período de tempo”. Força de explosão (potência) - É a capacidade que o sistema neuromuscular tem de superar resistências com a maior velocidade de contração possível. Esta combinação de velocidade de contração muscular e velocidade de movimento designam-se freqüentemente potência. Força estática (isométrica) - É “o tipo de força que explica o fato de haver força produzindo calor, e não havendo produção de trabalho em forma de movimento”. 1.6 AGILIDADE Agilidade - É a capacidade de deslocar o corpo no espaço o mais rápido possível, mudando o centro de gravidade de posição, sem perder o equilíbrio e a coordenação dos movimentos. A agilidade aparece muito nas atividades esportivas e recreativas, assim como em movimentos relacionados ao nosso dia-a-dia. Por exemplo: nos esporte – basquete, esgrima, boxe, vôlei, tênis, futsal, futebol americano; nas atividades recreativas – pega-pega, queimada, pique-bandeira; nas atividades do cotidiano – o desviar de algum objeto lançado em nossa direção. 1.7 EQUILÍBRIO Equilíbrio - É uma das capacidades físicas mais importantes e precisamos dele em diferentes situações: ficar em pé, andar, andar de bicicleta, de patins, de skate, etc. É a capacidade de manter o corpo estável em uma posição estática ou em movimento. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 5. 5 Os principais órgãos responsáveis pelo equilíbrio são o labirinto do ouvido interno e o cerebelo, que tem influência no equilíbrio por ser responsável pela coordenação de todos os movimentos. A posição da cabeça nas atividades é importante para a manutenção ou perda do equilíbrio. Observe uma bailarina quando faz giros, ela está sempre olhando para um ponto fixo e só gira a cabeça após o corpo girar, sem tirar o olho do ponto. Há alguns tipos de equilíbrio. O equilíbrio dinâmico é aquele que o indivíduo mantém equilibrando-se durante um movimento. Por exemplo, quando andamos de bicicleta, quando andamos em um muro, quando corremos. O equilíbrio estático é a capacidade de equilibrar-se em uma posição estática, sem movimento. Esse equilíbrio está presente ao ficarmos de pé por exemplo. O equilíbrio de recuperação é a capacidade de recuperar o equilíbrio em uma posição específica, após sofrer um desequilíbrio. Por exemplo, quando um ginasta sai da barra fixa, ou cavalo, após um salto, e tem que cair de pé, sem mover os dois pés para frente ou para trás. Atividade: 1. Marque V para afirmativa verdadeira e F para afirmativa falsa: a) O desenvolvimento da força depende de alguns fatores, dentre eles, a idade e o sexo. ( ) b) A força aumenta desde o nascimento até a idade adulta, diminuindo na velhice. ( ) c) Existem mulheres “mais fortes” do que os homens. ( ) d) Pessoas altas são sempre mais fortes do que as mais “baixinhas”. ( ) e) Na maioria dos casos, os homens são mais fortes que as mulheres, em virtude da diferença de massa muscular. ( ) f) A flexibilidade diminui com a idade. ( ) g) Exercícios de alongamento são importantes no ganho da flexibilidade. ( ) h) As moças, geralmente, têm mais flexibilidade do que os rapazes. ( ) i) A flexibilidade é uma capacidade física não treinável. ( ) j) As capacidades físicas só são necessárias para atletas. ( ) 2. Assinale a segunda coluna de acordo com a primeira (deve-se analisar a capacidade física que está sendo mais exigida): ( 1 ) Resistência ( ) Escrever uma carta ( 2 ) Velocidade ( ) Exercícios de alongamento ( 3 ) Força ( ) Correr por 10 km ( 4 ) Agilidade ( ) Desviar de um soco no boxe ( 5 ) Flexibilidade ( ) 50 metros livre na natação ( 6 ) Equilíbrio ( ) Deslocar uma TV da sala ao quarto ( 7 ) Coordenação ( ) Fazer uma faxina completa em casa ( ) Andar sobre um muro ( ) Dar uma finta no basquete ( ) 100 metros rasos no atletismo ( ) Ficar em pé por 30 minutos na fila do banco APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 6. 6 2. INTRODUÇÃO AOS PRIMEIROS SOCORROS O corpo de bombeiros define socorros de urgência, ou primeiros socorros, como as medidas inicialmente tomadas por alguém que esteja qualificado para prestar o socorro, a fim de manter os sinais vitais e evitar o agravamento de lesões já existentes em uma pessoa que esteja fora do ambiente hospitalar. Já segundo a Cruz Vermelha Americana, socorros de urgência são os cuidados imediatamente prestados a quem esteja lesionado ou subitamente adoecido. Quem presta os socorros de urgência precisa saber também que encorajar aquele que recebe os socorros, com palavras tranquilizadoras e motivadoras, que demonstrem sua competência para socorrer. Assim, quem presta socorros deve saber o que fazer e o que não fazer, evitando os erros frequentemente cometidos por quem não está preparado para lidar com situações de urgência. A diferença entre a vida e a morte (em casos mais extremos) ou entre uma rápida recuperação ou um longo período de hospitalização e tratamento pode depender da qualidade dos conhecimentos sobre socorros de urgência daquele que presta esse atendimento. Quando estamos em uma atividade corporal, seja em uma aula de educação física na escola, seja uma atividade esportiva ou recreativa, o risco de ocorrer uma lesão ou um acidente está sempre presente. Em tais situações, precisamos saber como fazer para prestar socorro a quem está lesionado, acidentado ou subitamente se sente mal. Toda pessoa que for realizar o atendimento pré hospitalar (APH), mais conhecido como primeiros socorros, deve antes de tudo, atentar para a sua própria segurança. O impulso de ajudar a outras pessoas, não justifica a tomada de atitudes inconseqüentes, que acabem transformando-o em mais uma vítima. A seriedade e o respeito são premissas básicas para um bom atendimento de APH (primeiros socorros). Para tanto, evite que a vítima seja exposta desnecessariamente e mantenha o devido sigilo sobre as informações pessoais que ela lhe revele durante o atendimento. Quando se está lidando com vidas, o tempo é um fator que não deve ser desprezado em hipótese alguma. A demora na prestação do atendimento pode definir a vida ou a morte da vítima, assim como procedimentos inadequados. Importante lembrar que um ser humano pode passar até três semanas sem comida, uma semana sem água, porém, pouco provável, que sobreviva mais que cinco minutos sem oxigênio. 2.1 ALGUNS CONCEITOS APLICADOS AOS PRIMEIROS SOCORROS Primeiros Socorros: São os cuidados imediatos prestados a uma pessoa, fora do ambiente hospitalar, cujo estado físico, psíquico e ou emocional coloquem em perigo sua vida ou sua saúde, com o objetivo de manter suas funções vitais e evitar o agravamento de suas condições (estabilização), até que receba assistência médica especializada. Prestador de socorro: Pessoa leiga, mas com o mínimo de conhecimento capaz de prestar atendimento à uma vítima até a chegada do socorro especializado. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 7. 7 Socorrista: É a pessoa tecnicamente capacitada para, com segurança, avaliar e identificar problemas que comprometam a vida. Cabe ao socorrista prestar o adequado socorro pré-hospitalar e o transporte do paciente sem agravar as lesões já existentes. Manutenção da Vida: Ações desenvolvidas com o objetivo de garantir a vida da vítima, sobrepondo à "qualidade de vida". Qualidade de Vida: Ações desenvolvidas para reduzir as seqüelas que possam surgir durante e após o atendimento. Urgência: Estado grave, que necessita atendimento médico, embora não seja necessariamente uma emergência. Ex: contusões leves, entorses, luxações. Emergência: Estado que necessita de encaminhamento rápido ao hospital. O tempo gasto entre o momento em que a vítima é encontrada e o seu encaminhamento deve ser o mais curto possível. Ex: Parada Cardiorrespiratória e hemorragias graves. Acidente: Fato do qual resultam pessoas feridas e/ou mortas que necessitam de atendimento. Incidente: Fato ou evento desastroso do qual não resulta pessoas mortas ou feridas, mas que pode oferecer risco futuro. Sinal: É a informação obtida a partir da observação da vítima. Sintoma: É informação a partir de um relato da vítima. Lembre-se!!! Acidentes ocorrem a qualquer hora, em qualquer lugar e com qualquer pessoa. Devemos estar preparados para enfrentá-los, e da melhor maneira possível. 2.2 OMISSÃO DE SOCORRO Deixar de prestar socorro, ou seja, não dar nenhuma assistência a vítima de acidente ou a pessoa em perigo iminente podendo fazê-lo, é crime segundo o artigo 135 do Código Penal Brasileiro. A omissão ou a falta de um pronto atendimento eficiente são os principais motivos de mortes ou danos irreversíveis em vítimas de acidentes de trânsito. 2.3 OBJETIVOS DOS PRIMEIROS SOCORROS: Preservar a vida; Reduzir o sofrimento; Prevenir complicações; Proporcionar transporte adequado, possibilitando melhores condições para receber o tratamento definitivo. 2.4 ATITUDES BÁSICAS Para que se possa realizar o primeiro atendimento a uma vítima, é necessário algumas atitudes, como: Seriedade, compreensão e confiança; Manter a calma de si mesmo e das outras pessoas; Agilidade; Bom senso; Conhecimento técnico e científico; Agir com segurança para não se tornar outra vítima; Improviso; Jamais ultrapassar os limites de atuação; Não levar a mão à boca e olhos sem antes lavar com água e sabão; Utilizar luvas de borracha no atendimento; APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 8. 8 2.5 OS 10 MANDAMENTOS DO SOCORRISTA 1º - Mantenha a calma; 2º - Tenha em mente a seguinte ordem de segurança quando você estiver prestando socorro: primeiro eu (o socorrista), depois minha equipe (incluindo os transeuntes) e por ultimo a vítima. Isso parece ser contraditório à primeira vista, mas tem o intuito básico de não gerar novas vítimas; 3º - Ao prestar socorro, é fundamental ligar para o atendimento pré-hospitalar assim que chegar ao local do acidente. Podemos, por exemplo, discar 193 (número do corpo de bombeiros); 4º - sempre verificar se há riscos no local, para você e sua equipe, antes de agir no acidente; 5º - Mantenha sempre o bom-senso; 6º - Mantenha o espírito de liderança, pedindo ajuda e afastando os curiosos; 7º - Distribua tarefas, assim, os transeuntes que lhe atrapalhariam o ajudará e se sentirão mais úteis; 8º - Evite manobras intempestivas (realizar de forma imprudente, com pressa); 9º - Em caso de múltiplas vítimas, dê preferência aquelas que correm maior risco de vida como, por exemplo, vítimas em parada cardiorrespiratória ou que estejam sangrando muito; 10º - Seja socorrista e não um herói (lembre-se do 2º mandamento). 2.6 ATENDIMENTO ÀS VÍTIMAS Enquanto o socorro especializado não chegar, devemos tomar algumas precauções básicas. Antes de qualquer procedimento, avaliar a cena do acidente e observar se ela pode oferecer riscos, para o acidentado e para você. EM HIPÓTESE NENHUMA PONHA SUA PRÓPRIA VIDA EM RISCO. Existem critérios internacionalmente aceitos, no que se refere a abordagem (atendimento) da vítima. As etapas principais são as seguintes: 2.6.1 PRINCIPAIS ETAPAS AVALIAÇÃO PRIMÁRIA Consiste na primeira avaliação feita ao chegar ao local do acidente, antes de se iniciar o socorro: 1º Avaliar o Local É importante observar rapidamente se existem perigos para o acidentado e para quem estiver prestando o socorro nas proximidades da ocorrência. Por exemplo: Fios elétricos soltos e desencapados; tráfego de veículos; andaimes; vazamento de gás; máquinas funcionando; risco de desmoronamento, explosão, queda de objetos, etc.; Assumir o controle da situação; Evitar o pânico e afastar os curiosos. 2º Avaliar a Vítima - o estado que ela se encontra: Neste momento deverá ser feito um rápido exame da vítima, obedecendo a uma sequência padronizada e corrigindo imediatamente os problemas encontrados. O exame deverá ser feito rigorosamente nessa seqüência: O “ABCDE” da vida. A - Abertura das vias aéreas com controle cervical - Estão desobstruídas? Existe lesão da cervical? B - Boa ventilação, respiração - Está adequada? C - Circulação, hemorragia e controle do choque - Existe pulso palpável? Há hemorragias graves? D - Distúrbio neurológico, nível de consciência; E - Exposição e proteção da vítima APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 9. 9 AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA É realizado após a estabilização dos sinais vitais da vítima. Consiste em uma avaliação minuciosa, a qual se inicia na cabeça e vai até os pés, na parte anterior (frente) e posterior (costas), identificando lesões que apesar de sua gravidade não colocam a vítima em risco iminente de morte. 2.6.2 CLASSIFICAÇÃO DA VÍTIMA Pelo histórico do acidente deve-se observar indícios que possam ajudar ao prestador de socorro classificar a vítima como clínica ou traumática. Vítima Clínica: apresenta sinais e sintomas de disfunções com natureza fisiológica, como doenças, etc. Vítima de Trauma: apresenta sinais e sintomas de natureza traumática, como possíveis fraturas. Devemos nesses casos atentar para a imobilização e estabilização da região suspeita de lesão. 2.7 SINAIS VITAIS - FORMAS DE CHECAGEM: "VER / OUVIR / SENTIR" Sinais vitais são aqueles que indicam a existência de vida. São reflexos ou indícios que permitem concluir sobre o estado geral de uma pessoa. Os sinais sobre o funcionamento do corpo humano que devem ser compreendidos e conhecidos são: Temperatura (precisa de instrumental específico) Pulso - braquial e carotídeo Respiração - geralmente usa-se o dorso da mão para sentir Pressão arterial (precisa de instrumental específico) Parâmetros considerados normais para sinais vitais. Temperatura: 36.5º C; Pulso: 60 a 100 bpm; FR: 12 a 20 ipm; P.A: 120 x 80 mmHg. Os sinais vitais são sinais que podem ser facilmente percebidos, deduzindo-se assim, que na ausência deles, existem alterações nas funções vitais do corpo 2.7.1 TEMPERATURA CORPORAL A temperatura resulta do equilíbrio térmico mantido entre o ganho e a perda de calor pelo organismo. A temperatura é um importante indicador da atividade metabólica, já que o calor obtido nas reações metabólicas se propaga pelos tecidos e pelo sangue circulante. A temperatura do corpo humano está sujeita a variações individuais e a flutuações devido a fatores fisiológicos como: exercícios, digestão, temperatura ambiente e estado emocional. A avaliação diária da temperatura de uma pessoa em perfeito estado de saúde nunca é maior que um grau Celsius, sendo mais baixa pela manhã e um pouco elevada no final da tarde. Existe pequena elevação de temperatura nas mulheres após a ovulação, no período menstrual e no primeiro trimestre da gravidez. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 10. 10 Nosso corpo tem uma temperatura média normal que varia de 36 a 37ºC. A avaliação da temperatura é uma das maneiras de identificar o estado de uma pessoa, pois em algumas emergências a temperatura muda muito. O sistema termorregulador trabalha estimulando a perda de calor em ambientes de calor excessivo e acelerando os fenômenos metabólicos no frio para compensar a perda de calor. Graças a isto, o homem é um ser homeotérmico que, ao contrário de outros animais, mantêm a temperatura do corpo constante a despeito de fatores externos. VARIAÇÃO DE TEMPERATURA DO CORPO ESTADO TÉRMICO TEMPERATURA (ºC) Sub-normal 34-36 Normal 36-37 Estado febril 37-38 Febre 38-39 Febre alta (pirexia) 39-40 Febre muito alta (hiperpirexia) 40-41 Perda de Calor O corpo humano perde calor através de vários processos que podem ser classificados da seguinte maneira: Eliminação - fezes, urina, saliva, respiração. Evaporação - a evaporação pela pele (perda passiva) associada à eliminação permitirá a perda de calor em elevadas temperaturas. Condução - é a troca de calor entre o sangue e o ambiente. Quanto maior é a quantidade de sangue que circula sob a pele maior é a troca de calor com o meio. O aumento da circulação explica o avermelhamento da pele (hipermia) quando estamos com febre. Verificação da Temperatura Oral ou bucal - Temperatura média varia de 36,2 a 37ºC. O termômetro deve ficar por cerca de três minutos, sob a língua, com o paciente sentado, semi-sentado (reclinado) ou deitado. Não se verifica a temperatura de vítimas inconscientes, crianças depois de ingerirem líquidos (frios ou quentes) após a extração dentária ou inflamação na cavidade oral. Axilar - Temperatura média varia de 36 a 36,8ºC. A via axilar é a mais sujeita a fatores externos. O termômetro deve ser mantido sob a axila seca, por 3 a 5 minutos, com o acidentado sentado, reclinado ou deitado. Não se verifica temperatura em vítimas de queimaduras no tórax, processos inflamatórios na axila ou fratura dos membros superiores. Retal - Temperatura média varia de 36,4 a 37ºC. O termômetro deverá ser lavado, seco e lubrificado com vaselina e mantido dentro do reto por 3 minutos com o acidentado em decúbito lateral, com a flexão de um membro inferior sobre o outro. Não se verifica a temperatura retal em vítimas que tenham tido intervenção cirúrgica no reto, com abscesso retal ou perineorrafia. A verificação da temperatura retal é a mais precisa, pois é a que menos sofre influência de fatores externos. O instrumento padrão para a medida da temperatura corpórea é o termômetro clínico de vidro com mercúrio. Em nosso meio, o método mais aceito é a temperatura axilar o que satisfaz plenamente aos propósitos clínicos. Vários instrumentos podem ser usados para a avaliação da temperatura da pele. A literatura internacional adota a medida da temperatura retal ou oral. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 11. 11 2.7.2 PULSO O pulso é a onda de distensão de uma artéria transmitida pela pressão que o coração exerce sobre o sangue. Esta onda é perceptível pela palpação de uma artéria e se repete com regularidade, segundo as batidas do coração. Existe uma relação direta entre a temperatura do corpo e a freqüência do pulso. Em geral, exceto em algumas febres, para cada grau de aumento de temperatura existe um aumento no número de pulsações por minuto (cerca de 10 pulsações). O pulso pode ser apresentado variando de acordo com sua freqüência, regularidade, tensão e volume. a) Regularidade (alteração de ritmo) Pulso rítmico: normal Pulso arrítmico: anormal b) Tensão c) Freqüência - Existe uma variação média de acordo com a idade como pode ser visto no Quadro abaixo. PULSO NORMAL FAIXA ETÁRIA 60-100 bpm Adultos 80-90 bpm Crianças acima de 7 anos 80-120 bpm Crianças de 1 a 7 anos 110-130 bpm Crianças abaixo de um ano 130-160 bpm Recém-nascidos d) Volume - Pulso cheio: normal Pulso filiforme (fraco): anormal A alteração na freqüência do pulso denuncia alteração na quantidade de fluxo sanguíneo. As causas fisiológicas que aumentam os batimentos do pulso são: digestão, exercícios físicos, banho frio, estado de excitação emocional e qualquer estado de reatividade do organismo. No desmaio / síncope as pulsações diminuem. Através do pulso ou das pulsações do sangue dentro do corpo, é possível avaliar se a circulação e o funcionamento do coração estão normais ou não. Pode-se sentir o pulso com facilidade: Procurar acomodar o braço do acidentado em posição relaxada. Usar o dedo indicador, médio e anular sobre a artéria escolhida para sentir o pulso, fazendo uma leve pressão sobre qualquer um dos pontos onde se pode verificar mais facilmente o pulso de uma pessoa. Não usar o polegar para não correr o risco de sentir suas próprias pulsações. Contar no relógio as pulsações num período de 60 segundos. Neste período deve-se procurar observar a regularidade, a tensão, o volume e a freqüência do pulso. Existem no corpo vários locais onde se podem sentir os pulsos da corrente sanguínea. Recomenda-se não fazer pressão forte sobre a artéria, pois isto pode impedir que se percebam os batimentos. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 12. 12 O pulso radial pode ser sentido na parte da frente do punho. Usar as pontas de 2 a 3 dedos levemente sobre o pulso da pessoa do lado correspondente ao polegar, conforme a figura abaixo. O pulso carotídeo é o pulso sentido na artéria carótida que se localiza de cada lado do pescoço. Posicionam-se os dedos sem pressionar muito para não comprimir a artéria e impedir a percepção do pulso. Do ponto de vista prático, a artéria radial e carótida são mais fáceis para a localização do pulso, mas há outros pontos que não devem ser descartados. 2.7.3 RESPIRAÇÃO A respiração é uma das funções essenciais à vida. É através dela que o corpo promove permanentemente o suprimento de oxigênio necessário ao organismo, vital para a manutenção da vida. A respiração é comandada pelo Sistema Nervoso Central. Seu funcionamento processa-se de maneira involuntária e automática. É a respiração que permite a ventilação e a oxigenação do organismo e isto só ocorre através das vias aéreas desimpedidas. A observação e identificação do estado da respiração de um acidentado de qualquer tipo de afecção é conduta básica no atendimento de primeiros socorros. Muitas doenças, problemas clínicos e acidentes de maior ou menor proporção alteram parcialmente ou completamente o processo respiratório. Fatores diversos como secreções, vômito, corpo estranho, edema e até mesmo a própria língua podem ocasionar a obstrução das vias aéreas. A obstrução produz asfixia que, se prolongada, resulta em parada cardiorrespiratória. O processo respiratório manifesta-se fisicamente através dos movimentos ritmados de inspiração e expiração. Na inspiração existe a contração dos músculos que participam do processo respiratório, e na expiração estes músculos relaxam-se espontaneamente. Quimicamente existe uma troca de gazes entre os meios externos e internos do corpo. O organismo recebe oxigênio atmosférico e elimina dióxido de carbono. Esta troca é a hematose, que é a transformação, no pulmão, do sangue venoso em sangue arterial. Deve-se saber identificar se a pessoa está respirando e como está respirando. A respiração pode ser basicamente classificada por tipo e freqüência. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 13. 13 A freqüência da respiração é contada pela quantidade de vezes que uma pessoa realiza os movimentos combinados de inspiração e expiração em um minuto. Para se verificar a freqüência da respiração, conta-se o número de vezes que uma pessoa realiza os movimentos respiratórios: 01 inspiração + 01 expiração = 01 movimento respiratório. A contagem pode ser feita observando-se a elevação do tórax se o acidentado for mulher ou do abdome se for homem ou criança. Pode ser feita ainda contando-se as saídas de ar quente pelas narinas. A freqüência média por minuto dos movimentos respiratórios varia com a idade. Por exemplo: um adulto possui um valor médio respiratório de 12 - 20 respirações por minuto. FREQUÊNCIA RESPIRATÓRIA (VALORES NORMAIS) FAIXA ETÁRIA FREQUENCIA RESPIRATÓRIA (ipm) Recém nascido 30-60 Lactente 24-40 Pré-escolar 22-34 Escolar 18-30 Adolescente 12-16 Adulto 12-20 TIPOS DE RESPIRAÇÃO Eupnéia - Respiração que se processa por movimentos regulares, sem dificuldades, na freqüência média. Apnéia - É a ausência dos movimentos respiratórios, equivale à parada respiratória. Dispnéia - Dificuldade na execução dos movimentos respiratórios. Bradpnéia - Diminuição na frequência média dos movimentos respiratórios. Taquipnéia - Aceleração dos movimentos respiratórios. Ortopnéia - O acidentado só respira sentado. Hiperpnéia ou hiperventilação - É quando ocorre o aumento da freqüência e da profundidade dos movimentos respiratórios. Fatores fisiopatológicos podem alterar a necessidade de oxigênio ou a concentração de gás carbônico no sangue. Isto contribui para a diminuição ou o aumento da freqüência dos movimentos respiratórios. A nível fisiológico os exercícios físicos, as emoções fortes e banhos frios tendem a aumentar a freqüência respiratória. Em contra partida o banho quente e o sono a diminuem. 2.7.4 PRESSÃO ARTERIAL A pressão arterial é a pressão do sangue, que depende da força de contração do coração, do grau de distensibilidade do sistema arterial, da quantidade de sangue e sua viscosidade. Uma pessoa com hipertensão deverá ser mantida com a cabeça elevada; deve ser acalmada; reduzir a ingestão de líquidos e sal e ficar sob observação permanente até a chegada do médico. No caso do hipotenso, deve-se promover a ingestão de líquidos com pitadas de sal, deitá-lo e chamar um médico. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 14. 14 É importante perguntar à vítima sua pressão arterial e passar essa informação ao profissional que for prestar o socorro especializado. CLASSIFICAÇÃO DIAGNÓSTICA DA HIPERTENSÃO ARTERIAL (> 18 ANOS DE IDADE) PAD (mmHg) PAS (mmHg) CLASSIFICAÇÃO <85 < 130 Normal 85-89 130-139 Normal limítrofe 90-99 140-159 Hipertensão leve (estágio 1) 100-109 160-179 Hipertensão moderada (estágio 2) ≥ 110 ≥ 180 Hipertensão grave (estágio 1) < 90 ≥ 140 Hipertensão Sistólica isolada 2.8 SINAIS DE APOIO Além dos sinais vitais do funcionamento do corpo humano, existem outros que devem ser observados para obtenção de mais informações sobre o estado de saúde de uma pessoa. São os sinais de apoio; sinais que o corpo emite em função do estado de funcionamento dos órgãos vitais. Os sinais de apoio podem ser alterados em casos de hemorragia, parada cardíaca ou uma forte batida na cabeça, por exemplo. Os sinais de apoio tornam-se cada vez mais evidentes com o agravamento do estado do acidentado. Os principais sinais de apoio são: Dilatação e reatividade das pupilas Cor e umidade da pele Estado de consciência Motilidade e sensibilidade do corpo 2.8.1 DILATAÇÃO E REATIVIDADE DAS PUPILAS A pupila é uma abertura no centro da íris - a parte colorida do olho - e sua função principal é controlar a entrada de luz no olho para a formação das imagens que vemos. A pupila exposta à luz se contrai. Quando há pouca ou quase nenhuma luz a pupila se dilata, fica aberta. Quando a pupila está totalmente dilatada, é sinal de que o cérebro não está recebendo oxigênio, exceto no uso de colírios midriáticos ou certos envenenamentos. A dilatação e reatividade das pupilas são um sinal de apoio importante. Muitas alterações do organismo provocam reações nas pupilas. Certas condições de "stress", tensão, medo e estados de pré- choque também provocam consideráveis alterações nas pupilas. Devemos observar as pupilas de uma pessoa contra a luz de uma fonte lateral, de preferência com o ambiente escurecido. Se não for possível deve-se olhar as pupilas contra a luz ambiente. MIOSE – Pupilas contraídas, sem reação a luz Lesões no sistema nervoso central. Abuso de drogas ANISOCORICA – Pupilas assimétricas (uma dilatada e outra contraída) Acidente vascular cerebral - AVC, Traumatismo crânio encefálico - TCE. MIDRIASE – Pupilas dilatadas Ambiente com pouca luz, anóxia ou hipóxia severa, inconsciência, estado de choque, parada cardíaca, hemorragia, TCE. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 15. 15 2.8.2 COR E UMIDADE DA PELE A cor e a umidade da pele são também sinais de apoio muito útil no reconhecimento do estado geral de um acidentado. Uma pessoa pode apresentar a pele pálida, cianosada ou hiperemiada (avermelhada e quente). A cor e a umidade da pele devem ser observadas na face e nas extremidades dos membros, onde as alterações se manifestam primeiro. A pele pode também ficar úmida e pegajosa. Pode-se observar estas alterações melhor no antebraço e na barriga. ALTERAÇÕES ORGÂNICAS QUE PROVOCAM ALTERAÇÕES NA COR E UMIDADE DA PELE ALTERAÇÃO OCORRÊNCIA Exposição ao frio, parada cardiorrespiratória, estado de choque, Cianose (pele azulada) morte. Hemorragia, parada cardiorrespiratória, exposição ao frio, Palidez extrema tensão emocional, estado de choque. Hiperemia (pele Febre, exposição a ambientes quentes, ingestão de bebidas vermelha e quente) alcoólicas, queimaduras de primeiro grau, traumatismo. Pele fria e viscosa ou Estado de choque úmida e pegajosa 2.8.3 Estado de Consciência Este é outro sinal de apoio importante. A consciência plena é o estado em que uma pessoa mantém o nível de lucidez que lhe permite perceber normalmente o ambiente que a cerca, com todos os sentidos saudáveis respondendo aos estímulos sensoriais. Quando se encontra um acidentado capaz de informar com clareza sobre o seu estado físico, pode- se dizer que esta pessoa está perfeitamente consciente. Há, no entanto, situações em que uma pessoa pode apresentar sinais de apreensão excessiva, olhar assustado, face contraída e medo. Esta pessoa certamente não estará em seu pleno estado de consciência. Uma pessoa pode estar inconsciente por desmaio, estado de choque, estado de coma, convulsão, parada cardíaca, parada respiratória, alcoolismo, intoxicação por drogas e uma série de outras circunstâncias de saúde e lesão. No desmaio há uma súbita e breve perda de consciência e diminuição do tônus muscular. Já o estado de coma é caracterizado por uma perda de consciência mais prolongada e profunda, podendo o acidentado deixar de apresentar gradativamente reação aos estímulos dolorosos e perda dos reflexos. 2.8.4 Motilidade e Sensibilidade do Corpo Qualquer pessoa consciente que apresente dificuldade ou incapacidade de sentir ou movimentar determinadas partes do corpo está obviamente fora de seu estado normal de saúde. A capacidade de mover e sentir partes do corpo são um sinal que pode nos dar muitas informações. Quando há incapacidade de uma pessoa consciente realizar certos movimentos, pode-se suspeitar de uma paralisia da área que deveria ser movimentada. A incapacidade de mover o membro superior depois de um acidente pode indicar lesão do nervo do membro. A incapacidade de movimento nos membros inferiores pode indicar uma lesão da medula espinhal. O desvio da comissura labial (canto da boca) pode estar a indicar lesão cerebral ou de nervo periférico (facial). Pede-se à vítima que sorria. Sua boca sorrirá torta, só de um lado. Pedir à vítima de acidente traumático que movimente os dedos de cada mão, a mão e os membros superiores, os dedos de cada pé, o pé e os membros inferiores Quando um acidentado perde o movimento voluntário de alguma parte do corpo, geralmente ela também perde a sensibilidade no local. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 16. 16 Muitas vezes, porém, o movimento existe, mas o acidentado reclama de dormência e formigamento nas extremidades. É muito importante o reconhecimento destas duas situações, como um indício de que há lesão na medula espinhal. É importante, também, nestes casos tomar muito cuidado com o manuseio e transporte do acidentado para evitar o agravamento da lesão. Convém ainda lembrar que o acidentado de histeria, alcoolismo agudo ou intoxicação por drogas, mesmo que sofra acidente traumático, pode não sentir dor por várias horas. A verificação rápida e precisa dos sinais vitais e dos sinais de apoio é uma chave importante para o desempenho de primeiros socorros. O reconhecimento destes sinais dá suporte, rapidez e agilidade no atendimento e salvamento de vidas. DICAS IMPORTANTES!!! Toda vítima de trauma possui lesão cervical até provar o contrário! O estado de uma vítima é inversamente proporcional ao número de informações obtidas pelo socorrista. Não se administra nada via oral para vítimas inconscientes! Atividade: 1. Uma das ações do socorrista para manter a vítima viva é a estabilização dos seus sinais vitais. Cite quais são esses sinais: _______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ 2. Antes de proceder à avaliação secundária, o socorrista deverá realizar: a) O transporte, não se preocupando com qualquer análise. b) A avaliação secundária. c) A pesquisa do ambiente onde ocorreu o acidente, relacionando-o com os problemas da vítima. d) A avaliação primária, afastando todos os perigos que ameaçam a vida 3. Dentre os objetivos dos primeiros socorros estão: a) Preservar a vida. b) Manter a vítima sofrendo. c) Prevenir complicações. d) Proporcionar transporte adequado e) Os itens a, c e d estão corretas. 4. Midríase é o estado em que as pupilas encontram-se: a) Contraídas. b) Normais. c) Dilatadas. d) Assimétricas. 5. Existem no corpo vários locais onde se podem sentir os pulsos da corrente sanguínea, cite os dois principais. 1 _____________________________________ 2 ____________________________________ 6. Ao observar uma pessoa que acaba de acidentar-se o socorrista percebe que a vítima encontra-se em apnéia respiratória, isso significa que: a) A respiração apresenta movimentos regulares, sem dificuldades, na freqüência média. b) Há uma ausência dos movimentos respiratórios. c) Há uma diminuição na frequência média dos movimentos respiratórios. d) Há uma dificuldade na execução dos movimentos respiratórios. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 17. 17 3. POSTURA CORPORAL – COLUNA VERTEBRAL A inteligência e a capacidade de deslocamento e movimentação, executando tarefas com precisão, entre outros aspectos, é o que diferencia o ser humano de outros seres vivos. Com exceção da visão, nem mesmo os outros sentidos como o olfato e a audição são tão importantes para uma vida saudável como a motricidade da coluna e membros. A coluna vertebral suporta o peso do corpo, contém e protege a medula espinhal que conduz todos os estímulos nervosos do cérebro para os membros superiores, tronco e membros inferiores, permitindo e controlando todas as funções musculoesqueléticas, viscerais do abdômen e estrutural do tórax (pulmão e coração). Qualquer doença que comprometa a coluna vertebral pode colocar em risco todas as estruturas e funções descritas. Na prática, os principais problemas da coluna vertebral são os degenerativos (desgastes) dos discos e articulações da coluna. Com o passar dos anos, o efeito da má postura, ganho de peso corporal, levantar e carregar pesos e a falta de condicionamento físico podem desencadear problemas na coluna. O conhecimento da anatomia da coluna, como ela funciona, a importância de uma postura correta e de técnicas adequadas para a realização de esforços ou de levantar pesos, pode prevenir e proteger a coluna de lesões. O reforço muscular, através de exercícios adequados e condicionamento físico, também são úteis na prevenção de desgastes e lesões tanto no trabalho quanto fora dele. A coluna vertebral é parte subcranial do esqueleto axial. De forma muito simplificada, é uma haste firme e flexível, constituída de elementos individuais unidos entre si por articulações, conectados por fortes ligamentos e suportados dinamicamente por uma poderosa massa musculotendinosa. 3.1 ASPECTOS GERAIS 3.1.1 ARRANJO ANATÔMICO GERAL DE COLUNA VERTEBRAL A coluna vertebral é uma série de ossos individuais – as vértebras – que ao serem articulados constituem o eixo central esquelético do corpo. A coluna vertebral é flexível porque as vértebras são móveis, mas a sua estabilidade depende principalmente dos músculos e ligamentos. Embora seja uma entidade puramente esquelética, do ponto de vista prático, quando nos referimos à “coluna vertebral”, na verdade estamos também nos referindo ao seu conteúdo e aos seus anexos, que são os músculos, nervos e vasos APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 18. 18 com ela relacionados. Seu comprimento é de aproximadamente dois quintos da altura total do corpo. A coluna vertebral, sob o ponto de vista de engenharia, é de uma constituição perfeita. Imaginem a coluna de um prédio que tivesse que suportar toda a estrutura e ao mesmo tempo tivesse que movimentar esse prédio. Seria "impossível". Mas a espinha faz isso. Constituição óssea - A coluna é formada de 33 ossos que são chamados vértebras e está dividida em 4 regiões: a região cervical (pescoço), com 7 vértebras; a torácica ou dorsal, com 12; a lombar, com 5; a região sacra, com 5 vértebras que se fundiram num só osso chamado sacro, e a região do cóccix, com 3 ou 4 vértebras, que também se fundiram em um só osso, o cóccix. É a região sacrococcigeana. As vértebras tornam-se progressivamente maiores na direção inferior até o sacro, tornando-se a partir daí sucessivamente menores. 3.1.2 REGIÕES DA COLUNA VERTEBRAL A coluna vertebral do adulto apresenta quatro curvaturas: cervical, torácica, lombar e sacral. Essas curvaturas ajudam a centralizar a cabeça sobre o corpo, proporcionando um equilíbrio para andar na posição ereta. É também a responsável pela proteção da Medula Espinhal. Esta estrutura (medula) é de vital importância no organismo humano, pois todo o comando do Sistema Nervoso depende da integridade medular, que está contido dentro do canal vertebral. 1. Cervical: constitui o esqueleto axial do pescoço e suporte da cabeça. 2. Torácica: suporta a cavidade torácica. 3. Lombar: suporta a cavidade abdominal e permite mobilidade entre a parte torácica do tronco e a pelve. 4. Sacral: une a coluna vertebral à cintura pélvica. 5. Coccígea: é uma estrutura rudimentar em humanos, mas possui função no suporte do assoalho pélvico. Como já vimos, a coluna é um eixo central do corpo humano, portanto ela apresenta uma série de curvaturas conforme a nossa postura, por isso, quanto mais errado a postura, mais deformidades ocorrerão na coluna, podendo ocasionar serias lesões, como a hérnia de disco, osteófitos (bico de papagaio), escoliose, lordose, cifose, gibosidade (corcunda), etc. A maioria destes desvios da coluna causa pinçamento de nervos que partem de dentro da coluna. O mais famoso deles é o nervo ciático (popularmente chamada de dor ciática). Diversos fatores podem interferir para o desenvolvimento destas lombalgias, tais como: dormir em posição errada, carregar objetos de forma incorreta, posturas inadequadas, movimentos bruscos, entre outros. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 19. 19 3.2 PRINCIPAIS PROBLEMAS POSTURAIS A coluna vertebral possui 3 tipos de curvas: a lordose, a cifose e a escoliose . A lordose é presente na coluna cervical e na coluna lombar e a cifose é presente na coluna torácica. A presença dessas duas curvas é NORMAL nesses níveis ao lado, fazendo parte das curvaturas normais da coluna. Apenas em casos em que a lordose e a cifose aparecem em grau aumentado é que são consideradas anormais e devem ser investigadas. O aumento acentuado (anormal) do grau da cifose e da lordose são denominados de: • Hipercifose; • Hiperlordose. • A Escoliose é sempre uma curva anormal. 3.2.1 ESCOLIOSE Definição A escoliose é uma ou mais curvaturas laterais anormal, que atinge geralmente as vértebras torácicas. Ela pode ser do tipo funcional (ou fisiológica) e estrutural (patológica). No caso da escoliose funcional a coluna curva-se lateralmente devido à diferença de peso nas duas metades do corpo em conseqüência: • Da poliomielite; • Da diferença de comprimento dos membros inferiores, devido às fraturas mal reduzidas, a uma prótese mal adaptada ou a um joelho valgo unilateral; • De uma má postura. A escoliose estrutural, geralmente aparece na infância e é progressiva. A causa é o crescimento desigual das vértebras. Dependendo da gravidade da curvatura, esta pode comprimir órgãos abdominais e também prejudicar a respiração. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 20. 20 3.2.2 HIPERCIFOSE Definição A cifose é uma acentuada curvatura torácica, deixando a pessoa com aspecto de corcunda. As causas mais importantes dessa deformidade são a má postura e o condicionamento físico insuficiente. 3.2.3 HIPERLORDOSE Definição A Lordose é um aumento exagerado nas curvaturas cervical e/ou lombar. Pode ser uma compensação de uma cifose ou à flacidez muscular com um ou sem aumento de peso anterior à coluna – como na obesidade e na gravidez. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 21. 21 3.3 DICAS PARA UMA POSTURA SAUDÁVEL 3.3.1 POSTURA AO ANDAR √ CERTO X ERRADO A má postura ao andar é a causa de muitas dores. Procure andar o mais ereto possível, sempre olhando acima da linha do horizonte. Um bom treino é andar em casa com um livro sobre a cabeça. 3.3.2 POSTURA AO LEVANTAR PESOS √ CERTO X ERRADO A maneira correta para levantar pesos e volumes exige a flexão dos joelhos e aproximação do objeto junto ao corpo, agachando-se sem inclinar o corpo para frente. Contraindo a musculatura abdominal, com a coluna ereta force os músculos das coxas e pernas para elevar o peso. Utilizando as articulações dos quadris, joelhos e tornozelos, pode-se atenuar a pressão e esforços sobre as delicadas articulações da coluna vertebral. Se o objeto é muito pesado para ser elevado com segurança ou se você não consegue se posicionar corretamente, solicite auxílio de outra pessoa. 3.3.3 POSTURA SENTADO √ CERTO X ERRADO Quando sentado, procure manter sua coluna bem posicionada utilizando uma cadeira que ofereça suporte à sua curvatura lombar (lordose). 3.3.4 POSTURA DEITADO Sua coluna também necessita de suporte √ CERTO X ERRADO quando você está deitado. Procure utilizar colchão firme e manter os joelhos dobrados (fletidos) para preservação do balanço e equilíbrio da coluna. Um colchão muito macio permite o corpo afundar causando torções à coluna. Quando se está deitado de barriga para cima, o posicionamento de uma almofada ou travesseiro sob os joelhos também é útil para a manutenção do posicionamento correto e relaxamento da musculatura das costas. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 22. 22 3.3.5 POSTURA AO LEVAR UMA MOCHILA OU SACOLA √ CERTO X ERRADO No transporte das mochilas no ombro, tome cuidado para não compensar o peso da mochila com a inclinação do tronco para frente. Os alunos que transportam a mochila através de alças e rodinhas devem variar o lado que carregam as mochilas, ora no lado direito ora no lado esquerdo. Isso ajuda a evitar um “vício” postural inadequado. No caso de sacola cheia, tentar dividir o peso em duas sacolas e levar uma em cada lado, distribuindo melhor o peso. Compreender que o nosso corpo e a nossa mente recebem influências no nosso dia-a-dia é de fundamental importância para entendermos os cuidados que devemos ter com eles. Um aspecto bem interessante é analisarmos nossa postura e nosso comportamento durante o dia, e verificar se estamos sentando corretamente e alinhados, se ao ficar muito tempo em pé numa fila estamos nos apoiando o tempo inteiro apenas numa das pernas, pois estes fatos podem nos ajudar a identificar compensações estabelecidas ao nosso corpo que interferem na postura corporal, e conseqüentemente em nossa saúde. Ao ficar sentado em frente ao computador procure manter o corpo ereto e os pés apoiados no chão, evite ficar com as pernas cruzadas e os joelhos muito flexionados. Observe se você não está projetando para frente a cabeça e mantenha-a alinhada com seu tronco. CUIDADOS BÁSICOS PARA VOCÊ TER UMA COLUNA VERTEBRAL SAUDÁVEL!!! 1 - Evite assistir televisão deitado. 2 - Evite ficar muito tempo com a cabeça baixa como ao passar roupa, fazer tricô e nos casos de leitura prolongada. 3 - Evite flexionar (dobrar) a coluna para pegar objetos ou peso do chão. Procure sempre se agachar (dobrar os joelhos). 4 - Evitar ou Reduzir o excesso de peso (obesidade). 5 - Procure sentar de maneira correta, evite sofá muito macio e cadeira sem encosto ou banquinho. 6 - Procure fazer períodos de intervalo no uso do computador. 7 - Caminhe com a coluna reta, olhando para frente. 8 - Pratica de atividade física (como a caminhada) regularmente. 9 - Procure adaptar os móveis de sua casa e do trabalho de acordo com a sua altura (por exemplo a pia da cozinha, o tanque de lavar roupa, a mesa ou escrivaninha). 10 - Evite carregar peso somente de um lado. 11 - Evite dormir de bruços (de barriga para baixo). 12 - Evite fazer musculação sem uma orientação adequada. 13 - Evite usar sapato de salto muito alto. 14 - Evite se virar bruscamente para olhar atrás de você. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 23. 23 Atividade: Faça uma pesquisa em livros e/ou internet e responda: 1. Qual a definição de postura? _______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ 2. Existe uma “postura correta” para todas as pessoas? _______________________________________________________________________________ 3. Escolha uma atividade que você faz durante o dia (brincar, ver televisão, andar, dormir, etc.). Como você acha que a sua coluna vertebral permanece enquanto você realiza esta atividade? _______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ 4. Realize uma pesquisa em sua escola, sobre o número de alunos que relatam sentir dor nas costas devido à má postura e/ou problemas na coluna. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 24. 24 4. CORPORIEDADE A corporeidade constitui-se das dimensões: Física (estrutura física biofísico-motora organizadora de todas as dimensões humanas); Emocional (instinto, afeto); Mental espiritual (cognição, razão, pensamento, idéia, consciência); Sócio-histórico-cultural (valores, hábitos). Sendo assim, corporeidade é a maneira pela qual o cérebro reconhece e utiliza o corpo como instrumento relacional com o mundo. O corpo é movido por intenções provenientes da mente. As intenções manifestam-se através do corpo, que interage com o mundo, que dá uma resposta para o corpo, que informa a mente através de seus órgãos sensoriais, que, analisando as respostas obtidas do ambiente, muda ou reafirma suas intenções, utilizando o corpo para novas manifestações, enfim, é sentir e utilizar o corpo como ferramenta de manifestação e interação com o mundo. Corporeidade é o seu modo de ser e estar no mundo com e através do corpo. É uma expressão própria dos seres humanos. É o jeito de o ser humano se expressar e comunicar. Ignorando essa forma única de ser, a sociedade impõe padrões estéticos corporais a serem seguidos, tendo os jovens como alvo predileto. O apelo para que se transforme o corpo e o adapte a um padrão corporal imposto pela cultura movimenta o mercado de consumo. Este vende dietas, vitaminas, suplementos alimentares, moda esportiva, bebidas isotônicas, ginástica e exercícios. Publicações especializadas na “venda” do corpo são comuns em bancas. A indústria de cosméticos, produtos estéticos, cirurgia plástica e programas de TV completam o quadro. O propósito é ser padrão, não há respeito à corporeidade e sim a imposição da busca do corpo dito aceitável socialmente. Diante de um apelo diário pela busca da estética corporal ideal, o corpo vem sendo padronizado. Na sociedade, os indivíduos se encontram reféns de modelos que, estampados nas mais diversas formas de venda de sua imagem, “estão prontos” a influenciar o corpo do outro a se transformar. Vivenciando, identificando e brincando com o corpo, a escola possibilita discussões sobre os estereótipos e estigmas corporais, e a dualidade mente/corpo. 4.1 CONCEPÇÕES DE CORPO 4.1.1 A sociedade do culto ao corpo perfeito Intensificação do culto à estética ao longo dos séculos pode ter colaborado para a transformação do indivíduo em objeto. Produtos de beleza cada vez mais sofisticados, revistas que dão dicas para manter a boa forma, clínicas de estética e de cirurgia plástica, salões de cabeleireiros e academias de ginástica. Hoje o mundo está cercado por serviços à disposição de quem deseja cuidar da aparência ou moldá-la. A preocupação do homem com o corpo, no entanto, não é recente. A origem do culto ao corpo remonta à Antiguidade. Os gregos acreditavam, há cerca de 2.500 anos a.C., que a estética e o físico eram tão importantes quanto o intelecto na busca pela perfeição – pensamento traduzido na frase “mens sana in corpore sano” (mente saudável em corpo são) e na própria história das Olimpíadas. Após a Era Clássica, na Idade Média, as questões estéticas e o físico ficaram relegados ao segundo plano. Durante essa época, o corpo foi tratado pela sociedade de forma discreta, com todo o decoro exigido pelas crenças religiosas, e de acordo com as leis divinas. Apenas no século 18, nos anos que se seguiram às Revoluções Francesa e Industrial, o corpo voltou a ter destaque no cotidiano do homem ocidental. De acordo com o psicólogo Fernando de APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 25. 25 Almeida Silveira, doutor em Filosofia e professor da Universidade Federal de São Paulo, com a queda da aristocracia européia, a burguesia foi se auto-afirmando por meio de uma nova relação corpo- essência. "Se os nobres tinham suas origens genealógicas como diferencial, a burguesia passou a desenvolver a noção de um corpo disciplinado, saudável e longevo para se destacar tanto da aristocracia decadente quanto do proletariado promíscuo e desregrado". Além disso, a partir desse período, o corpo que tinha condições de fornecer uma maior produtividade passou a ser mais valorizado devido à ascensão do Capitalismo Industrial. "Pouco tempo depois da primeira Revolução Industrial, no fim do século 19, o mundo assistiu ao chamado 'movimento ginástico europeu', que buscava 'construir' homens ideais para esse novo modelo de sistema, mais fortes e saudáveis, por meio da difusão de métodos de ginástica", ressalta o professor de Educação Física da Universidade Metodista de São Paulo, Wilson Alviano. No século 21, com a pressão dos ideais de beleza impostos pela indústria da moda e alimentados pela mídia, a valorização do corpo perfeito tornou-se uma obsessão global. Hoje cada vez mais pessoas buscam formas de transformar o físico, em busca da perfeição de acordo com os padrões. Segundo Alviano, essa intensificação do culto à estética já traz danos notórios para a sociedade. "Doenças como anorexia, bulimia e vigorexia [transtorno caracterizado pela prática de exercícios físicos em excesso] tomaram um vulto assustador. Muitos colocam suas vidas em risco, consumindo remédios para emagrecer e anabolizantes ou até mesmo fazendo cirurgias desnecessárias." Para o psicólogo Fernando de Almeida Silveira, o maior prejuízo da valorização exagerada da boa aparência é o fortalecimento da concepção de corpo-objeto. "As pessoas passaram a enxergar o corpo hoje como uma coisa moldável, conforme certos padrões estéticos, fomentados por uma pressão social de classe. Nesse sentido, o físico, os sentidos e a alma são massificados por conta dessa ditadura de idealização da beleza". Alviano completa: "Com essa transformação do corpo em coisa, o próprio indivíduo se reduziu a um objeto, que só possui valor como ostentação dentro dos padrões preestabelecidos". Por Renata Firace 4.1.2 Corpo, consumo e mídia O fim do século passado e o início deste configuram um novo estágio do capitalismo, denominado por muitos, globalização, ou ainda, ocidentalização do mundo. Nessa fase, a comunicação, o desenvolvimento tecnológico e a economia vêm trazendo uma acelerada transformação nas sociedades e, ao mesmo tempo, profundas mudanças no nosso modo de ser, viver, aprender, sentir, pensar e agir. Vivemos em um sistema capitalista, somos impulsionados a produzir e consumir produtos. Por isso, passamos a maior parte do tempo envolvidos com o trabalho, dimensão da vida humana que nos permite atender a toda ordem de necessidades - as essenciais para nossa sobrevivência e as criadas pelo próprio sistema. O - deus mercado , muitas vezes, interfere também em nossas opções de lazer com a família e amigos, principalmente, sobre a influência da indústria cultural. É nesta lógica que nosso corpo está inserido: por meio dele estamos neste mundo. A partir de suas interações com outros corpos, espaços e culturas, construímos nossas identidades e subjetividades, pensamentos e valores. Então, vamos focar nosso olhar sobre a corporeidade (ou as questões relativas ao corpo) no mundo contemporâneo. Você deve ter observado que os corpos presentes na telinha (principalmente nas propagandas e novelas) são, em sua maioria, corpos bonitos, sarados, brancos, louros, jovens, viris, belos, bem cuidados, ágeis e felizes. Corpos gordos, velhos, flácidos, não são reproduzidos, mas escondidos, disfarçados e dissimulados. Quase sempre, apenas nos telejornais, é comum aparecerem os corpos do cotidiano, de gente simples, ligados muitas vezes à pobreza, violência, tragédia e assim por diante. Isto nos faz pensar que existe um modelo de corpo desejado e suscitado pela mídia, que o transforma em objeto a ser conquistado e comprado. Torna-se algo idealizado e, na atualidade, é sinônimo de saudável, belo, atlético, como se esse modelo de corpo fosse a única possibilidade de ser. Vivemos uma verdadeira tirania da aparência em que o corpo tem sido mais valorizado por suas próteses, enfeites, vestuário, enfim, pelo que tem e não pelo que é. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 26. 26 Assim, o corpo se torna uma mercadoria como qualquer outra. Compram-se seios, nádegas, narizes, orelhas. Eliminam-se os sinais de envelhecimento mudando a cor dos cabelos, injetando produtos para minimizar as rugas, etc. O corpo é o principal estímulo da indústria da beleza associada à imagem de juventude que esbanja saúde, alegria. Em nome da beleza (veja bem, da beleza e não da saúde e da qualidade de vida) consomem-se roupas, alimentos, adereços, aparelhos, suplementos, silicones, imagens e exercícios físicos. Essa mercantilização dos corpos tem estimulado o comércio e o consumo de produtos. O próprio corpo tornou-se veículo utilizado para vender os mais variados tipos de produtos. Nesse mercado do corpo, aqueles que não têm acesso aos produtos de consumo tornam-se, muitas vezes, mercadorias baratas. Num país marcado pela desigualdade social, e também racial, como é o nosso, os representantes de etnias negras e indígenas são os mais atingidos. Leia a poesia do poeta mineiro Carlos Drumond de Andrade, escrita no início da década de 40, no século XX, período em que o Brasil estava vivendo o início de seu processo de industrialização: Sensível às mudanças que vinham ocorrendo em nossa sociedade naquela época, o poeta antecipa seu olhar sobre suas implicações para os corpos. Eu, etiqueta com outros seres diversos e conscientes de sua humana invencível condição. Em minha calça está grudado um nome Agora sou anúncio, que não é meu de batismo ou de cartório, ora vulgar, ora bizarro, um nome... estranho. em língua nacional ou em qualquer língua Meu blusão traz lembrete de bebida (qualquer, principalmente). que jamais pus na boca, nesta vida. E nisto me comprazo, tiro glória Em minha camiseta, a marca de cigarro de minha anulação. que não fumo, até hoje não fumei. Não sou - vê lá - anúncio contratado. Minhas meias falam de produto Eu é que mimosamente pago que nunca experimentei para anunciar, para vender mas são comunicados a meus pés. em bares, festas, praias, pérgulas piscinas, Meu tênis é proclama colorido e bem à vista exibo esta etiqueta de alguma coisa não provada global no corpo que desiste por este provador de idade. de ser veste e sandália de uma essência Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, tão viva, independente, minha gravata e cinto e escova e pente, que moda ou suborno algum compromete. meu copo, minha xícara, Onde terei jogado fora minha toalha de banho e sabonete, meu gosto e capacidade de escolher, meu isso, meu aquilo, minhas indiossicrasias tão pessoais, desde a cabeça até o bico dos sapatos, tão minhas que no rosto se espelhavam, são mensagens, e cada gesto, cada olhar, letras falantes, cada vinco de roupa gritos visuais, resumia uma estética? ordem de uso, abuso, reincidência, Hoje sou costurado, sou tecido, costume, hábito, preemência, sou gravado de forma universal, indispensabilidade, saio da estamparia, não de casa, e fazem de mim homem-anúncio itinerante, da vitrine me tiram, me recolocam, escravo da matéria anunciada. objeto pulsante mas objeto Estou, estou na moda. que se oferece como signo dos outros É doce estar na moda, ainda que a moda objetos estáticos, tarifados. seja negar minha identidade, Por me ostentar assim, tão orgulhoso trocá-la por mil, açambarcando de ser não eu, mas artigo industrial, todas as marcas registradas, peço que meu nome retifiquem. todos os logotipos de mercado. Já não me convém o título de homem, Com que inocência demito-me de ser meu nome novo é coisa. eu que antes era e me sabia Eu sou a coisa, coisamente. tão diverso de outros, tão mim-mesmo, ser pensante, sentinte e solitário APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 27. 27 Assim como denunciado pelo poeta, podemos perceber que é uma tendência do mundo moderno reproduzir a mesma lógica do mercado, isto é, o corpo é explorado economicamente e utilizado para vender e consumir produtos de toda natureza, mesmo que não sejam tão recomendáveis como as bebidas e os cigarros. Mulheres sedutoras vendem produtos destinados ao público masculino e, o contrário, recentemente, também tem acontecido. É o caso, por exemplo, das propagandas de cerveja. Como as mulheres já constituem parte considerável do público que usufrui o produto, é hora de usar modelos, atores e outros ícones da beleza e do sucesso masculino, com o fim único de vender mais e mais, lucrar mais e mais. São comerciais planejados e preparados para atingir uma determinada camada da população, cada vez mais vulnerável a essa visão estereotipada propagada pela mídia – corpos jovens perfeitos, como modelos a serem copiados e reproduzidos. 4.1.3 A mulher magra que é admirada hoje seria considerada feia até pouco tempo atrás. No mundo atual, e no Brasil principalmente, a busca pela beleza e pela juventude está em todo o lugar. O apelo vem da televisão, do cinema, das propagandas onde homens e mulheres parecem ter vindo do Olimpo, sem qualquer imperfeição física. Na modernidade, a busca pela beleza virou comércio e movimenta bilhões de dólares em cosméticos, cirurgias plásticas, tratamentos contra rugas, celulites e gordurinhas inconvenientes. Está declarada a guerra contra a natureza que criou o envelhecimento. E nessa batalha, a pressão pela beleza recai com mais força sobre as mulheres. O poeta Vinicius de Moraes resumiu a situação com certa crueldade quando disse simplesmente: as feias que me desculpem, mas beleza é fundamental. Mas a revolta da humanidade com o passar do tempo vem de longa data. A Grécia Antiga admirava a beleza dos corpos e cultuava deuses imortais, sempre jovens e sedutores. A filósofa Maria de Lourdes Borges, da Universidade Federal de Santa Catarina, lembra que a busca pela beleza e pela juventude são universais. "A busca da beleza é natural. A busca da juventude é natural, no sentido de que isso acontece em todas as civilizações. Isso vem na nossa consciência que somos finitos, nós tememos a morte, não queremos a morte. Nós sentimos que quando o nosso corpo envelhece isso significa uma certa proximidade maior da morte. Então de certa maneira é natural que tanto homens quanto mulheres queiram manter a juventude" Mas o que é ser belo? Essa pergunta já teve diversas respostas ao longo da história. Mas algumas características aparecem em lugares e épocas diferentes. A admiração pela simetria dos traços do rosto, os ombros fortes para os homens e o corpo de violão para as mulheres são sinais de beleza considerados universais. Civilizações antigas fizeram imagens onde o barro moldou mulheres de quadris largos e seios fartos. Nas cavernas ou nas obras de arte de pintores como Boticcelli e Rubens, as mulheres eram admiradas por curvas que permitiam uma barriguinha sem maiores traumas. O geneticista Renato Zambora aponta que a beleza é uma questão importante para que os homens escolham as esposas. E durante a evolução humana, a beleza feminina se relacionou com a capacidade de ter filhos. Mulheres gordas, de quadril largo e cintura fina, indicavam a possibilidade de gerar uma prole saudável. Zambora explica que a cultura pode criar padrões estéticos diferentes, como o culto à magreza que se vê hoje, mas o cérebro masculino continua reagindo à beleza da mesma forma que há milhares de anos. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 28. 28 Não é verdade que homens achem muito bonitas mulheres muito magras. Elas perdem os ícones sexuais, a relação da cintura quadril fica prejudicada porque o quadril emagrece, e ficam praticamente com ausência de mamas. O cérebro acaba não identificando aquilo como corpo de mulher. A historiadora Mary del Priore, indica que o primeiro documento sobre a beleza da mulher brasileira seria a carta de Pero Vaz de Caminha, que louva a beleza da mulher indígena, descrita como limpa e gorda. É interessante esse olhar masculino sobre o corpo da índia nua e gorda porque a gordura, de fato, no século XVI, as carnes cheias, o corpo cheio, é sinônimo de beleza que nós já podemos detectar na pintura do Barroco, tendo como exemplo à pintura As três graças (ao lado), de Rubens, que é um dos mais importantes representantes desse tipo de pintura. Onde o referencial era mulheres gordas, na época, sinal de prestígio social e boa condição financeira, uma vez que só pessoas nobres conseguiam se alimentar com fartura. Uma mulher de costelas à mostra seria certamente um sinônimo de feiúra. A magreza sempre é vista da perspectiva da fome, do empobrecimento e da doença. A gordura como padrão de beleza se associa também com o consumo alimentar das elites que tinham acesso ao açúcar, artigo raro e muito caro naquela época. Mary del Priore explica que no decorrer dos séculos, o corpo feminino mais cheio continuou a ser admirado. As curvas seguiam insinuando o poder feminino de gerar. E esse potencial procriador está nos quadris, está nas cadeiras, no bumbum, no ventre. Quanto mais cheio embaixo, mais bonita era a mulher. A moda, inclusive, vai acentuar esse critério estético porque a moda das anquinhas (que era uma almofada ou armação que as mulheres usavam sob a saia, para entufá-la), que atravessa toda a segunda metade do século XIX, ela acentua o posterior da mulher, enquanto o espartilho comprime violentamente a cintura, projetando os seios. Então, realmente a mulher se torna no imaginário masculino um verdadeiro violão. Nesse mesmo século XIX, a magreza vira moda na esteira das heroínas românticas retratadas nos livros. As mulheres se deixavam emagrecer e se maquiavam para simular olheiras mais profundas. Mas foi um modismo passageiro, e a imagem das carnes cheias como padrão de beleza vai chegar até o século XX. Mas nesse momento, transformações importantes acontecem com a mudança nos papéis da mulher e sua entrada no mercado de trabalho. O fortalecimento da indústria da beleza e a globalização também irão modificar a maneira como as pessoas buscam uma forma física atraente. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 29. 29 Atividade: Com base nos textos abordados no capítulo 4, responda: 1. Como o corpo tem sido visto? ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ 2. Com que imagem de corpo convivemos em nosso dia-a-dia? ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ 3. Que mensagens são transmitidas por essas imagens? ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ 4. Será que hoje a maioria das pessoas consideraria belas as mulheres que o artista escolheu como modelos para seus quadros (as três Graças)? Comente. ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ 5. Formem grupos e realizem uma pesquisa em jornais impressos, vídeos, revistas, internet e outros, sobre os padrões de beleza preconizados no Brasil. Quem dita esses padrões e quais os benefícios e prejuízos decorrentes da busca por esses padrões? APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE
  • 30. 30 5. INFLUÊNCIAS DA MÍDIA NO ESPORTE “Basta ligar a televisão e ´zapear´ um pouco com o controle remoto: o esporte está em toda a parte. Não apenas nos programas e noticiários especificamente esportivos, em que é produto espetacular, mas nos filmes, nos programas de auditório, de entrevistas, nos telejornais, nos desenhos animados, nas telenovelas e nos seriados. Nos anúncios publicitários, é invocado para vender sorvete, assinatura de jornal, remédio, automóvel, desodorante, serviços bancários, refrigerante” (BETTI, 1998). Mauro Betti, no trecho citado acima, e em todo o seu livro “A janela de vidro”, faz uma análise de como a mídia televisiva exerce influência sobre o esporte. Podemos, entretanto, estender sua análise para todos os tipos de mídia: jornais, revistas, rádio e internet. De fato, o esporte é onipresente e ocupa espaços relevantes em todas elas. A Folha de São Paulo, em levantamento sobre os assuntos mais abordados em suas páginas no ano de 2004, revelou que o futebol foi o assunto que mais apareceu, acima de quaisquer temas políticos, econômicos e culturais. Mídia e esporte têm, hoje, uma relação de interdependência extremamente forte. Entretanto, essa relação não é apenas de divulgação do esporte na mídia. A mídia também assume o papel de participar da determinação dos rumos do esporte (horários, regras, formas de disputa, etc), de enfatizar uma certa compreensão de esporte, de defender ou atacar políticas públicas de esporte, enfim, mais do que apenas informar sobre o esporte, a mídia influencia o esporte. Por outro lado, o esporte não só depende da mídia para ser divulgado e patrocinado, e é por ela influenciado, mas também influencia a cobertura que dele se faz, ao censurar certos assuntos, ao impor certas visões, ao ocupar os horários nobres, etc. O jornalista Jorge Kajuru, em crônica na Folha de São Paulo (12/10/2005) afirma que, ao ser convidado para trabalhar por uma emissora de TV, teria sido alertado: “você não vai poder criticar horário de jogo porque é assunto comercial. Nem vai bater em dirigentes quando a emissora estiver negociando direitos com os mesmos”. A lógica que rege a relação entre esporte e mídia é a da espetacularização e do consumo, uma vez que tanto o esporte quanto a mídia se beneficiam dessa relação. Porém, ao nos referirmos ao esporte que está na mídia, não estamos nos referindo a qualquer esporte, mas em particular ao esporte de alto rendimento, uma vez que o esporte de lazer raramente se torna assunto da mídia. Enfim, já não é possível referir-se ao esporte contemporâneo, especialmente o esporte de alto rendimento, sem associá-lo aos meios de comunicação de massa. A discussão sobre os modos de produção do discurso da mídia nos ajuda a compreender a quem interessa esse discurso e por que aqueles jornalistas que fogem à submissão às regras desse jogo perdem espaço na mídia. Os ângulos da TV numa transmissão, a omissão de certas informações, a construção e desconstrução dos ídolos esportivos, os comentários durante uma transmissão esportiva, dentre outros, não são questões meramente técnicas. APOSTILA DE EDUCAÇÃO FÍSICA - E.E.E.P. OSMIRA EDUARDO DE CASTRO - MORADA NOVA/CE PROFº HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS - CREF 006283-G/CE