ESTRATÉGIAS DE COESÃO
REFERENCIAL E SEQUENCIAL
Sônia Margarida Ribeiro Guedes
PARA INÍCIO DE CONVERSA
Na redação do ENEM, como em outras situações de
escrita formal, exige-se a habilidade de empregar
...
COESÃO TEXTUAL
Para discutir a questão, vamos ler o texto:
Fonte: Folha de S. Paulo, 19 fev. 2015.
Observamos no texto três partes. Na primeira,
(1)
chama a nossa atenção, o uso de também indicando ideia de
inclusão, de a...
Na terceira parte,
(3)
notamos:
i) o uso das conjunções ou, porque, mas no encadeamento
de enunciados, indicando alternânc...
Então, o que é coesão?
Koch (2004 p. 35) nos diz que “a coesão é a forma
como os elementos linguísticos presentes na
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1) por remissão a referentes do texto ou ancorados
no texto (coesão referencial);
Exemplo: ‘ela’, ‘essa’.
2) por sequencia...
A coesão referencial
É entendida como a forma pela qual podemos remeter um
elemento linguístico a outros elementos no inte...
Vamos aos exemplos
Fonte: CARPINEJAR, Fabrício. Clássicos da Twitteratura brasileira. São Paulo: Livraria da Villa, 2010.
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Eles eram pequenos, grandes ou enormes. Alguns corriam
animados, outros --mais tímidos-- deitavam no chão. Todos eram
cães...
Essesexemplos comentadosnos fazempensarque os recursosque
promovema coesão referencialpodemser gramaticaisou lexicais
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 Numerais
Buda
Maria de Fátima da Silva, mãe do bailarino DG –assassinado em circunstâncias
ainda não esclarecidas –, é m...
Coesão de ordem lexical
 Advérbios locativos
Fui fazer faculdade nos Estados
Unidos em 1995 e depois voltei
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Sinônimos ou quase sinônimos
Folia e foliões
Pensei em dois assuntos para esta
crônica: o Carnaval e a estupefação da
soci...
Expressões ou grupos
nominais definidos
Da janela da pequena casa de madeira
que dividia com os pais e os três irmãos,
Iag...
Uma outra forma de remissão a referentes textuais é a elipse, ou seja, a
omissão de um termo que pode ser facilmente recup...
Nos casos exemplificados, vimos que a coesão referencial se
realiza por meio de recursos de ordem gramatical ou
lexical, o...
Estratégias de coesão
referencial
1. uso de elementos de
ordem gramatical: pronomes,
numerais, artigos, advérbios
locativo...
REFERÊNCIAS
CASTILHO, Ataliba T. de; ELIAS, Vanda Maria. Pequena gramática do português brasileiro. São Paulo:
Contexto, 2...
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Coesão (nelppe)

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  • 1. Isso significa que a coesão é um trabalho linguístico co-construído pelos interlocutores no discurso. De um lado, o locutor seleciona recursos que, contribuindo para a tessitura do texto, manifestam seu ponto de vista, os efeitos de sentido que intenciona suscitar. De outro lado, o interlocutor, para produzir sua compreensão, leva em conta a materialidade linguística do texto, promovendo a articulação entre elementos tomados como inter-relacionáveis.
  • Voltando ao exemplo 1, é possível afirmar que a conexão entre partes do texto pode acontecer de duas grandes formas:

  • os pronomes destacados (pessoais do caso oblíquo lhe e o; pessoal do caso reto: ele) são anafóricos: retomam e mantêm em foco os referentes: Teseu (lhe, ele); Minotauro (o).
  • 1.A expressão as duas, que tem como núcleo um numeral cardinal, remete aos referentes introduzidos anteriormente: Maria de Fátima da Silva e Andréa Beltrão.
    2. Nas formas nominais referenciais a revista e o escritor, o artigo definido indica que se trata de referentes já apresentados no texto e facilmente identificados: (a revista – Piauí; o escritor – Chico).
  • 1. O advérbio lá funcionam coesivamente, pois remete aos referentes antes introduzido: Os Estados Unidos
  • No exemplo, a expressão nominal definida o indiozinho da etnia kambeba serve para retomar de forma descritiva o referente Iagoara.
    2. Podemos transformar verbos em formas nominalizadoras ou nomes deverbais e, assim, promover a conexão entre enunciados. É o que acontece no exemplo com a anotação, uma nominalização do verbo anotar que aparece anteriormente na forma do pretérito perfeito do indicativo – primeira pessoa do singular: anotei.
  • No texto, o referente onze controles remotos, introduzido no primeiro parágrafo, se mantém em foco, mas de forma elíptica, no segundo parágrafo. Basta observarmos no contexto linguístico que as formas verbais vagavam, erravam, acampavam, escondiam-se concordam com esse referente.
  • Nesta parte irei dar só uma pincelada em decorrência do tempo.
  • Coesão (nelppe)

    1. 1. ESTRATÉGIAS DE COESÃO REFERENCIAL E SEQUENCIAL Sônia Margarida Ribeiro Guedes
    2. 2. PARA INÍCIO DE CONVERSA Na redação do ENEM, como em outras situações de escrita formal, exige-se a habilidade de empregar adequadamente os recursos coesivos, demonstrando conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. Em que consistem essa habilidade e esse conhecimento e como avaliá-los? Trata-se do processo de coesão, que diz respeito ao inter-relacionamento entre os elementos linguísticos do texto, e facilita ao leitor compreendê-lo como um todo que faz sentido e apreender sua orientação argumentativa.
    3. 3. COESÃO TEXTUAL Para discutir a questão, vamos ler o texto: Fonte: Folha de S. Paulo, 19 fev. 2015.
    4. 4. Observamos no texto três partes. Na primeira, (1) chama a nossa atenção, o uso de também indicando ideia de inclusão, de alinhamento à posição expressa no enunciado que o antecede. (2) destacamos: i) o uso de conjunções como seja...seja, porém, no encadeamento de enunciados; ii) o uso do pronome demonstrativo essa com a função de resumir e manter em foco o segmento textual entre aspas que o antecede.
    5. 5. Na terceira parte, (3) notamos: i) o uso das conjunções ou, porque, mas no encadeamento de enunciados, indicando alternância, justificativa, oposição, respectivamente; ii) o uso do pronome pessoal na 3ª pessoa do singular – ela – na retomada do referente Folha.
    6. 6. Então, o que é coesão? Koch (2004 p. 35) nos diz que “a coesão é a forma como os elementos linguísticos presentes na superfície textual se interligam, se interconectam, por meio de recursos também linguísticos, de modo a formar um tecido (tessitura), uma unidade de nível superior à da frase, que dela difere qualitativamente
    7. 7. 1) por remissão a referentes do texto ou ancorados no texto (coesão referencial); Exemplo: ‘ela’, ‘essa’. 2) por sequenciação (coesão sequencial). Exemplo: ‘porque’, ‘mas’, ‘ou seja’.
    8. 8. A coesão referencial É entendida como a forma pela qual podemos remeter um elemento linguístico a outros elementos no interior do texto.  A remissão pode ocorrer em um movimento retrospectivo (anafórico) ou em um movimento prospectivo (catafórico). Ou seja,  A forma referencial com função coesiva pode remeter a um referente que lhe é anterior (no caso da anáfora), ou a um referente que lhe é subsequente (no caso da catáfora).
    9. 9. Vamos aos exemplos Fonte: CARPINEJAR, Fabrício. Clássicos da Twitteratura brasileira. São Paulo: Livraria da Villa, 2010. No texto, o pronome ‘ele’ retoma o referente que veio antes dele: o apaixonado. Trata-se de uma forma referencial anafórica.
    10. 10. Eles eram pequenos, grandes ou enormes. Alguns corriam animados, outros --mais tímidos-- deitavam no chão. Todos eram cães de raça e estavam fantasiados para desfilar em um... shopping. Fonte: MACHADO, Leandro. “’Cãocurso’ elege pets mais bem fantasiados”. Folha de S. Paulo, 4 mar. 2014. Os pronomes eles (pessoal do caso reto), alguns e outros (pronomes indefinidos) remetem ao referente que vem depois deles: cães de raça. Trata-se de um procedimento catafórico cujo efeito de sentido é despertar a curiosidade do leitor e assim prender-lhe a atenção, visto que o referente só é anunciado mais adiante.
    11. 11. Essesexemplos comentadosnos fazempensarque os recursosque promovema coesão referencialpodemser gramaticaisou lexicais . Os elementos de ordem gramatical podem ser:  Pronomes A derrota do Minotauro Quando os atenienses chegaram a Creta, a filha do rei Minos, Ariadne, apaixonou-se por Teseu. Ofereceu-lhe ajuda em troca da promessa de casamento, dando a ele um novelo de cordel. Teseu amarrou uma das pontas na entrada do labirinto e entrou, liberando a corda conforme caminhava. No meio do labirinto, lutou contra o Minotauro e o matou( Guia Ilustrado Zahar: Mitologia. Rio de Janeiro: Zahar, 2010).
    12. 12.  Numerais Buda Maria de Fátima da Silva, mãe do bailarino DG –assassinado em circunstâncias ainda não esclarecidas –, é medalhista de natação em águas abertas. Andréa Beltrão, minha parceira em "Tapas e Beijos", é colega dela na turma de nado do Posto 6 de Copacabana. Andréa mora na Atlântica, Maria de Fátima no morro do Cantagalo, mas as duas desfrutam do mesmo mar; junto com as tartarugas, os peixes e os sacos plásticos. (Fonte: TORRES, Fernanda. “Buda”. Folha de S. Paulo, 2 mai. 2014).  Artigos Chico na Alemanha “Não me ocorreria escrever esse livro com minha mãe viva”, diz Chico à Piauí deste mês, na única entrevista à imprensa sobre o romance “O Irmão Alemão”, que frequentou o topo das listas de mais vendidos em 2014. A revista acompanhou o escritor numa viagem à Alemanha após a descoberta do irmão Sérgio Günther, filho de um namoro da juventude de seu pai Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982). (Fonte: COZER, Raquel. “Chico na Alemanha”. Folha de S. Paulo, 3 jan. 2015).
    13. 13. Coesão de ordem lexical  Advérbios locativos Fui fazer faculdade nos Estados Unidos em 1995 e depois voltei pra mais dois anos de mestrado lá. Saí mais otimista em relação ao Brasil do que quando cheguei. (Fonte: IOSCHPE, Gustavo. O que o Brasil quer ser quando crescer? São Paulo: Paralela, 2012).  Repetição ( total ou parcial) de um mesmo item lexical Desmantelo só quer começo Onze controles remotos, eis o surpreendente saldo da minha faxina: 11 controles remotos que há muito já não controlavam, mesmo que remotamente, coisa alguma. (Fonte: PRATA, Antônio. “Desmantelo só quer começo”. Folha de S. Paulo, 4 mai. 2014).
    14. 14. Sinônimos ou quase sinônimos Folia e foliões Pensei em dois assuntos para esta crônica: o Carnaval e a estupefação da sociedade com a eleição dos novos presidentes do Congresso. Refletindo com certa calma, verifiquei que os dois temas, aparentemente tão conflitantes, no fundo são a mesma coisa: aquilo que em tempos idos chamavam de "folia". (Fonte: CONY, Carlos Heitor. “Folia e foliões”. Folha de S. Paulo, 10 fev. 2013). Nomes genéricos Carne artificial é apresentada e degustada em evento em Londres Hambúrguer foi criado a partir de células de músculo de vacas. O primeiro hambúrguer criado em laboratório foi apresentado e degustado ontem, em uma conferência em Londres, acompanhado de pão, alface e tomate. O produto, que saiu da placa de Petri e foi direto para a frigideira, foi provado por dois voluntários, que disseram, em frente às câmeras de TV, que o sabor se aproximava ao da carne de vaca. (Fonte: “Carne artificial é apresentada e degustada em evento em Londres”. Folha de S. Paulo, 8 ago. 2013).
    15. 15. Expressões ou grupos nominais definidos Da janela da pequena casa de madeira que dividia com os pais e os três irmãos, Iagoara avistava seu quintal. As árvores da floresta amazônica e as águas do rio funcionavam como cenário das brincadeiras do indiozinho da etnia kambeba. Correr, subir em árvores, caçar, nadar e pescar eram as brincadeiras que faziam o tempo passar para os curumins em sua tribo, a cerca de quatro horas de barco de Manaus, em uma área de proteção ambiental do rio Negro. (Fonte: LAJOLO, Mariana. “Olimpíadas – tiro com arco”. Serafina, Folha de S. Paulo, abril 2015). Nominalização Uma vez anotei todas as senhas. Mas onde guardar a anotação? E como lembrar onde foi guardada, depois? Seria preciso outra anotação, com o lugar onde foi guardada, mas onde guardá-la? Não. Anotar também não é aconselhável. A conclusão é que o mais seguro de tudo é esquecê-las todas. Pronto. Estou completamente blindado, inclusive contra mim mesmo. Não sou eu para nada. Não existo. Melhor assim. (Fonte: TOLEDO, Roberto Pompeu de. “Perdido nas senhas”. Revista Veja, Edição 2419, Ano 48, Nº 13, 1º abril de 2014).
    16. 16. Uma outra forma de remissão a referentes textuais é a elipse, ou seja, a omissão de um termo que pode ser facilmente recuperado pelo contexto linguístico. Em outras palavras, é o caso de uma substituição por zero. Desmantelo só quer começo Onze controles remotos, eis o surpreendente saldo da minha faxina: 11 controles remotos que há muito já não controlavam, mesmo que remotamente, coisa alguma. Ao longo dos anos, as TVs, aparelhos de som, DVDs e videocassetes (juro, até videocassetes) a que serviram foram partindo e deixando-os para trás: órfãos, sem ocupação ou residência fixa, vagavam pela casa ao sabor do acaso; erravam pelos planaltos das cômodas e acampavam nas cordilheiras dos sofás como paraquedistas caídos no deserto; escondiam-se em gavetas e estantes como aqueles soldados japoneses que, décadas após o fim da guerra, seguiam enfronhados na mata, temendo o inimigo. (Fonte: PRATA, Antônio. “Desmantelo só quer começo”. Folha de S. Paulo, 2014).
    17. 17. Nos casos exemplificados, vimos que a coesão referencial se realiza por meio de recursos de ordem gramatical ou lexical, operando a remissão a elementos textuais anafórica ou cataforicamente. A coesão sequencial Diz respeito a procedimentos linguísticos por meio dos quais se estabelecem entre segmentos do texto (enunciados, partes de enunciados, parágrafos, sequencias textuais) diversos tipos de relações semânticas ou pragmático- discursivas, à medida que se faz o texto progredir ( KOCH, 2004).
    18. 18. Estratégias de coesão referencial 1. uso de elementos de ordem gramatical: pronomes, numerais, artigos, advérbios locativos etc. 2. uso de elementos de ordem lexical: repetição de item lexical; sinônimos ou quase sinônimos, expressões nominais definidas, nominalizações, nomes genéricos, etc. 3. uso de elipse (substituição por zero) Estratégias de coesão sequencial 1. com reiteração de formas linguísticas: repetição, paralelismo, paráfrase 2. sem reiteração de formas linguísticas: - progressão temática (com tema constante, com temas variados, com progressão do tema de forma linear etc) - encadeamento (por justaposição e por conexão Recomendo: KOCH; I. ELIAS, V. Ler e escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2009.
    19. 19. REFERÊNCIAS CASTILHO, Ataliba T. de; ELIAS, Vanda Maria. Pequena gramática do português brasileiro. São Paulo: Contexto, 2012. CAVALCANTE, Mônica M; RODRIGUES, Bernardete B; CIULLA, Alena. (Orgs.). Referenciação. São Paulo: Contexto, 2003. ELIAS, Vanda Maria. (Org). Ensino de língua portuguesa: oralidade, escrita e leitura. São Paulo: Contexto, 2011. FÁVERO, Leonor L. & KOCH, Ingedore G. V. Linguística Textual: Introdução. São Paulo: Cortez, 1983. 20 GUIMARÃES, Eduardo. Texto e argumentação: um estudo de conjunções do português. Campinas, SP: Pontes, 1987. KOCH, Ingedore G. Villaça. Introdução à Linguística Textual. São Paulo: Martins Fontes, 2004. KOCH e ELIAS, Vanda Maria. Ler e compreender: os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2006. ______ ELIAS, Vanda Maria. Ler e escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2009. KOCH, I. Argumentação e linguagem. São Paulo: Cortez, 1987. ______. A coesão textual. São Paulo: Contexto, 1989.

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