Abordagem fisioterápica de um paciente com pneumonia e pneumotorax

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Abordagem fisioterápica de um paciente com pneumonia e pneumotorax

  1. 1. ABORDAGEM FISIOTERÁPICA DE UM PACIENTE COM PNEUMONIA E PNEUMOTÓRAX ESPONTÂNEO SECUNDÁRIO - ESTUDO DE CASO Melina Hering Storino 1, Katherine Donin Caimi 2, Cíntia Lederer3, Sílvia Luci de Almeida Dias4, Fabíola Hermes Chesani 5 1 Universidade do Vale do Itajaí, UNIVALI /Fisioterapia, melinastorino@yahoo.com.br 2 Universidade do Vale do Itajaí, UNIVALI /Fisioterapia, kdonincaimi@yahoo.com.br 3 Universidade do Vale do Itajaí, UNIVALI/Fisioterapia, supervisora do Estágio em Fisioterapia Pediátrica, Hospital Universitário Pequeno Anjo Itajaí SC , lederer@univali.br 4 Universidade do Vale do Itajaí, UNIVALI/Fisioterapia, supervisora do Estágio em Fisioterapia Neurológica Hospitalar , Hospital Santa Inês Balneário Camboriú SC , silviadias@univali.br 5 Universidade do Vale do Itajaí, UNIVALI/Fisioterapia, supervisora do Estágio em Fisioterapia Cardiorrespiratória Hospitalar , Hospital Santa Inês Balneário Camboriú SC , fabiola.chesani@univali.brResumo- A pneumonia é freqüente e muitas vezes letal nas crianças caso o agente etiológico sejacausador de abscessos e pneumatoceles. O resultado da ruptura das pneumatoceles é o pneumotórax. Opresente estudo de caso tem o objetivo de descrever a avaliação e o tratamento fisioterapêutico de umpaciente com 2 anos de idade, do sexo masculino com pneumonia por Staphylococus aureus com suspeitade sepse. O tratamento fisioterapêutico compreendeu 5 sessões no leito do Hospital Universitário. Ascondutas utilizadas compreenderam AFE, compressão/descompressão, direcionamento de fluxo e semostraram efetivas na evolução do paciente.Palavras-chave: Pneumonia, Pneumotórax, Fisioterapia.Área do Conhecimento: Ciências da SaúdeIntrodução Entende-se como pneumotórax o acúmulo higiene, baixa escolaridade materna são fatoresde ar no interior da cavidade pleural resultando em certamente mais importantes nas diferençasalgum grau de colapso pulmonar devido a um etiológicas da pneumonia, entre esses países, doconjunto de fatores que facilitam a passagem do que a geografia (DUARTE; BOTELHO, 2000).ar intra-alveolar para a cavidade pleural sempre Uma vez em contato com os tecidosque houver solução de continuidade na pleura pulmonares, o Staphylococus. Aureus, agentevisceral (SILVA, 2000). causador de pneumonia possuidor de potentes O pneumotórax pode ser classificado em toxinas e enzimas, adere firmementeespontâneo e traumático, com algumas (principalmente em áreas lesadas) e promovesubclassificações relacionadas com a fenômenos destrutivos com supuração, queetiopatogenia. O pneumotórax espontâneo se caracterizam, fundamentalmente, pela formaçãodivide em primário e secundário, onde o primário é de abscessos e pelo surgimento deaquele que ocorre em pacientes sem nenhuma pneumatoceles (estas especialmente em crianças)evidência clínica ou radiológica de doenças (SILVA, 1991).pulmonares e o pneumotórax secundário depende Este relato tem o objetivo de descrever oda existência de doença pulmonar subjacente, tratamento fisioterapêutico baseado em manobrassendo, portanto um quadro de maior gravidade e de aceleração de fluxo e compressão-maior incidência (SILVA, 2000). descompressão do tórax de um paciente com 2 Cerca de 10 a 20% de todas as crianças anos de idade, diagnosticado com pneumonia pormenores de cinco anos, nos países em Staphylococus aureus, com suspeita de artritesdesenvolvimento, apresentam pelo menos uma séptica, que apresentou uma recidiva dopneumonia a cada ano (FERREIRA e BRITO, pneumotórax, sem drenagem torácica. Os2003). As pneumonias correspondem aos quadros objetivos do tratamento da fisioterapia foramde maior gravidade e letalidade entre as IRA traçados tendo como base hipodistensão alveolar(infecções do trato respiratório inferior). De acordo e hipersecreção brônquica.com dados da OPAS/OMS, são responsáveis por20 a 40% das internações de crianças menores decinco anos nesses países. A desnutrição, máX Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e 499VI Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba
  2. 2. Materiais e Métodos Uma nova avaliação do paciente foi realizada após sua saída da UTI, através da ficha O paciente foi acompanhado desde sua de avaliação Cardiorrespiratória preconizada pelosinternação no Hospital Santa Inês/SC até sua serviço de Fisioterapia da Universidade do Vale dotransferência ao Hospital Universitário Pequeno Itajaí-UNIVALI, Campus I. Encontrou-seAnjo/SC, sendo reavaliado constantemente novamente taquipnéia, utilização da musculaturaatravés da ficha de avaliação fisioterapêutica acessória da respiração, tiragem supra-clavicular,adotada pelo serviço de Fisioterapia da Clínica da intercostal e supra-esternal, diminuição daUNIVALI, Campus I. expansibilidade em hemitórax direito. Na ausculta Os exames de imagem disponíveis eram pulmonar verificou-se a presença de creptantesanalisados e as condutas adotadas discutidas e esparsos. Paciente apresentava tosse produtivabaseadas na literatura para o enfrentamento do eficaz com deglutição. Na radiografia de tórax foidiagnóstico clínico e funcional. observado o surgimento de uma câmara de As sessões de Fisioterapia eram aplicadas pneumotórax à direita com colapso pulmonarno leito do paciente, diariamente, no período da ipsilateral.tarde. As condutas fisioterapêuticas utilizadas ao longo do tratamento foram AFE (aumento do fluxo expiratório), manobra de compressão eResultados descompressão, estímulo da tosse e manobras de mobilização e alongamento muscular, tendo como Paciente do sexo masculino, 2 anos, objetivo promover higiene brônquica, manterinternado no setor de Pediatria do Hospital Santa ventilação pulmonar e estimular as atividadesInês, Balneário Camboriú, SC, por apresentar na motoras.noite anterior febre de 39,5° C, tosse e dores no Cada sessão durou em média 50 minutos,membro superior esquerdo (MSE). A dor migrou não excedendo este tempo para não provocarpara membro inferior esquerdo (MIE) no mesmo desmotivação e pouca adesão por parte dadia, já no hospital, não havendo história de queda. criança. As manobras foram realizadas noRealizada a avaliação radiológica pulmonar paciente deitado no leito, em fowler ou sentado noverificou-se presença de infiltrados pulmonares em colo da mãe.terço médio de pulmão esquerdo. Suspeitou-se de No dia da alta hospitalar o pacienteartrite séptica e pneumonia. O paciente foi encontrava-se sem sinais de aumento do trabalhoavaliado e tratado pelo setor de Fisioterapia, respiratório, murmúrio vesicular aumentado edepois de eliminada a suspeita de artrite séptica ausência de ruídos respiratórios à ausculta,pelo clínico. Na avaliação da fisioterapia, verificou- evidenciando em radiografia pulmonar a reduçãose taquipnéia, uso de musculatura acessória da significativa do pneumotórax e reexpansãorespiração, hipodistensão alveolar com pulmonar.hipersecreção broncopulmonar (ausculta comroncos e sibilos). Tosse improdutiva. MIE Discussãoedemaciado, hiperemiado e com aumento datemperatura. As condutas utilizadas basearam-se A fisioterapia respiratória, através danas manobras de aceleração de fluxo e higiene utilização da AFE associado a descompressão ebrônquica, além de mobilização articular, manobra direcionamento de fluxo, busca a reexpansãode alongamento muscular de adutores do quadril e pulmonar e higiene brônquica, potencializando aílio psoas esquerdo. Permaneceu 5 dias internado, fisiologia pulmonar normal, através de variaçõessendo que neste período as dores e o edema do de fluxos aéreos, para desobstrução brônquica eMIE e MSE evoluíram para face. O paciente foi homogeneização da ventilação pulmonarentão transferido para a UTI do Hospital (PRESTO e NORONHA, 2003; RIBEIRO et al,Universitário Pequeno Anjo, Itajaí, SC, 2000).permanecendo por mais 5 dias. Segundo Aires (1999) em estudos Através de uma radiografia pulmonar, realizados com seres humanos na posição eretaverificou-se o aparecimento de um pneumotórax demonstram que a ventilação varia da base para oem pulmão direito, regredindo por quase ápice pulmonar e decresce em direção ao ápice. Acompletamente mediante prática de toracocentese razão fundamental para tal distribuição é a(utilização de um dreno torácico). Dois dias depois desigualdade dos valores de pressão intrapleuralo pneumotórax era visto novamente em exame de ao longo do pulmão, no ápice a pressãoimagem, no mesmo local inicial. A decisão da intrapleural é mais negativa do que na base. Istoequipe médica foi então de adotar uma postura se deve, provavelmente, a ação da gravidade.expectante, de resolução espontânea do No caso de um indivíduo na posição eretaprocesso, sem procedimento invasivo. (de pé ou sentado) a base é denominada região dependente do pulmão. Caso ele estivesse deX Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e 500VI Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba
  3. 3. cabeça para baixo, o ápice, pelas mesmas razões, SILVA, L.C.C. Compêndio de pneumologia.passaria a ser a região dependente e ventilaria 2.ed. São Paulo: BYK, 1991.melhor. O mesmo se aplica aos decúbitos laterais,dorsal e ventral. Devido a estes fatores foi SILVA, L.C.C. Condutas em pneumologia. Riorealizada as técnicas de de Janeiro: Revinter, 2000.compressão/descompressão com direcionamentode fluxos nas posições de decúbito lateralesquerdo, posicionando o paciente no leito emdecúbito lateral direito para repouso. Vale ressaltar que existe uma dificuldadegrande de encontrar na literatura trabalhos queevidenciem a utilização de técnicasfisioterapêuticas para resolução de pneumotórax,uma vez que a resolução mais encontrada é autilização de drenagem pleural e toracocentese. A importância de relatar casos em que astécnicas foram efetivas enriquece o embasamentofisioterápico no momento da elaboração dascondutas a serem aplicadas sobre o pacienteinternado ou em tratamento.Conclusão As técnicas fisioterápicas de AFE,manobra de compressão e descompressão,direcionamento de fluxo e incentivo a tosse ativamostraram-se efetivas no tratamento expectantede pneumonia associada a pneumotóraxespontâneo secundário em criança de 2 anosinternada em Hospital, resultando em reexpansãopulmonar e permeabilização das vias aéreas.ReferênciasAIRES, M.M. Fisiologia. Rio de Janeiro:Guanabara Koogan, 1999.DUARTE, D.M.G.; BOTELHO, C. Perfil clínico decrianças menores de cinco anos com infecçãorespiratória aguda. Jornal de Pediatria, SãoPaulo, v. 76, p. 207-212, 2000.FERREIRA, O.S.; BRITTO, M.C.A. Pneumoniaaguda- tema que todos devemos estudar. Jornalde Pediatria, Rio de janeiro, v.79, p. 478-479,2003.PRESTO, B.; NORONHA, L.D. Fisioterapiarespiratória. Rio de Janeiro: BP, 2003.RIBEIRO, M.A.G.O.; CUNHA, M.L.;ETCHEBEHERE, E.C.C.; CAMARGO, E.E.;RIBEIRO, J.D.; CONDINO NETO, A. Efeito dacisaprida e da fisioterapia respiratória sobre orefluxo gastroesofágico de lactentes chiadoressegundo avaliação cintilográfica. Jornal dePediatria. v. 65, n.12, 2000.X Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e 501VI Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba

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