A herança portuguesa

Isabela M. Bensenor
Profa. Associada FMUSP
A herança portuguesa

O uso do sal como conservante levou à fixação
do homem nômade nos primórdios da civilização.

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A herança portuguesa
Em Portugal, a curva de Epstein-Eckoff é bastante
inclinada em relação ao eixo do X. O Brasil
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A herança portuguesa
INTERSALT
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Em Portugal, a curva de Epstein-Eckoff é bastante
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CARDIOVASCULARES
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Abuso álcool:
Portugal: 1,5%
Espanha: 2,3%
Estonia: 3,1%
Eslovenia: 3,7%
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Holanda: 8,4%

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FATORES DE RISCO PARA A HAS

Os fatores de risco associados à HAS:
consumo de sal (dieta)
ingestão de álcool (dieta)
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HAS NO BRASIL
A HAS como fator de risco apresenta um peso
diferenciado no Brasil:
Herança portuguesa com alto consumo de
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PREVALÊNCIA DA HAS NO BRASIL
MURARO AP ET AL, CAD SAUDE PUBLICA, 2013,
PREVALÊNCIA DE HAS EM
PORTUGAL
Portugal
2003 – prevalência estimada de HAS de 43% e desses
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Prevalência de HAS de 29,5%
Predomínio em homens e acima dos 35 anos
Prevalência em imigrantes era men...
ABUSO DE ÁLCOOL TANZANIA

Prevalência de abuso de álcool em população
urbana na Tanzania: 17,2% com predomínio na
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PREVALÊNCIA DE HAS EM ANGOLA
Angola
Prevalência de HAS em estudantes universitários em Lubango:

18-29 anos : 20,3 a 26,7%...
PREVALÊNCIA DE HAS EM ANGOLA

Estudo de base comunitária com 1164
adultos que utilizou o protocolo da OMS
para avaliação d...
PREVALÊNCIA DE HAS EM ANGOLA
Prevalência de HAS (PA sistólica ≥140 mmHg e/ou PA diastolica ≥90
mmHg e/ou uso de medicament...
PREVALÊNCIA DE HAS EM ANGOLA
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PREVALÊNCIA DE HAS EM ANGOLA
Estudo transversal que avaliou 615 (42,2% dos
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FR PARA DCV - ANGOLA
A prevalência de FR para DCV:
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"...um mal secreto, não o do soneto, mas o de
qualquer doença, é sempre um fator de tranquilidade.
Quem não sabe não teme....
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  1. 1. A herança portuguesa Isabela M. Bensenor Profa. Associada FMUSP
  2. 2. A herança portuguesa O uso do sal como conservante levou à fixação do homem nômade nos primórdios da civilização. Após 3 meses de uma dieta rica em sal, há o início da dependência.
  3. 3. A herança portuguesa Em Portugal, a curva de Epstein-Eckoff é bastante inclinada em relação ao eixo do X. O Brasil apresenta um padrão semelhante. Essas quatro populações remotas se caracterizavam por uma baixíssima excreção de sal urinário, um IMC mais baixo em relação aos outros centros, uma maior prática de atividade física e menor ingestão de álcool.
  4. 4. A herança portuguesa INTERSALT Estudo multicêntrico (52 centros) em 10.079 homens e mulheres que estudou o papel do Na (Na urinário de 24 horas) na determinação da pressão arterial, incluindo 4 centros com populações nativas (Xavantes, Yanomami, Papua Nova Guiné e Quênia) na década de 80.
  5. 5. DIETA NA PREVENÇÃO DAS DIC Os resultados mostraram uma relação positiva entre ingestão de Na e pressão arterial mais acentuada nos idosos e uma relação inversa entre consumo de potássio e pressão arterial. O índice de massa corpórea e a ingestão alcoólica se associaram diretamente com os níveis de pressão arterial. Contraponto importante a ideia que o aumento da PA com a idade era normal.
  6. 6. DIETA NA PREVENÇÃO DAS DIC 52 centros com 4 populações remotas. As 4 populações remotas apresentaram as menores pressões médias nos 52 centros estudados com valores médios: PAS de 103 mm Hg comparados a 120 mm Hg nos demais centros; PAD de 63 mm Hg comparados a 74 mm Hg. Houve pouca ou nenhuma inclinação da curva de pressão com a idade (Epstein-Eckoff). A prevalência de HAS foi de 5% no Quênia estando ausente nos outros centros. (J Mancilha; Hypertension 1989;14:238-246)
  7. 7. INTERSALT aumento pressão sistólica com a idade (mm Hg/ano) 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 XINGÚ 0,2 PNG LUO QUÊNIA 0,1 IANOMAMI 0 0 50 100 150 -0,1 -0,2 excreção urinária de sódio (mEq/l) em 24 hs 200
  8. 8. INTERSALT Em Portugal, a curva de Epstein-Eckoff é bastante inclinada em relação ao eixo do X. O Brasil apresenta um padrão semelhante. Essas quatro populações remotas se caracterizavam por uma baixíssima excreção de sal urinário, um IMC mais baixo em relação aos outros centros, uma maior prática de atividade física e menor ingestão de álcool.
  9. 9. DIETA NA PREVENÇÃO DAS DIC Dietary Approaches to Stop Hypertension (DASH Diet) foi um ensaio-clínico em 459 adultos com PAS < 160 mm Hg e PAD de 80-95 mm Hg submetidos por 3 semanas a uma dieta pobre em frutas, verduras e derivados do leite com uma ingestão de gorduras próxima da dieta americana. Após 3 semanas os pacientes foram randomizados em 3 grupos durante 8 semanas: controle dieta rica em frutas e verduras por 8 semanas dieta combinada rica em frutas, verduras e pobre em derivados do leite com um conteúdo reduzido de gorduras especialmente as saturadas.
  10. 10. DIETA NA PREVENÇÃO DAS DIC As médias de PAS e PAD no início foram respectivamente de 131,310,8 e 84,7±4,7 mm Hg. A dieta rica em frutas e verduras reduziu a PAS e PAD respectivamente em mais 2,8 e 1,1 mm Hg do que a dieta controle. A dieta combinada reduziu a PAS e PAD respectivamente em mais 5,5 e 3,0 mm Hg do que a dieta controle (p<0,001). Nos 133 pacientes hipertensos, a dieta combinada reduziu a PAS e a PAD respectivamente em mais 11,4 e 5,5 mm Hg do que a dieta controle. Entre os não hipertensos, a redução de PAS e PAD foi respectivamente de 3,5 e 2,1 mm Hg. (NEJM 1997)
  11. 11. PAS MÉDIA E PAD MÉDIA NO INÍCIO E DURANTE CADA SEMANA DA INTERVENÇÃO DE ACORDO COM A DIETA EM 379 PACIENTES COM DADOS COMPLETOS.
  12. 12. DIETA NA PREVENÇÃO DAS DIC O estudo concluiu que uma dieta rica em frutas e verduras, e com conteúdo reduzido de derivados do leite e gorduras pode baixar em muito a PA, sendo uma abordagem efetiva para o controle da pressão arterial. (NEJM 1997)
  13. 13. DIETA NA PREVENÇÃO DAS DIC O efeito da de diferentes níveis de sódio na dieta, em conjunto com a dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) rica em frutas, verduras e pobre em derivados do leite foi testado em 412 participantes hipertensos e não hipertensos. (Sacks et. al NEJM 2001;344:3-10)
  14. 14. DIETA NA PREVENÇÃO DAS DIC A redução da ingestão Na alto para intermediário: reduziu a PAS em 2,1 mm Hg (controle) e 1,3 (dieta DASH). Na intermediário para baixo: promoveu redução adicional de 4,6 mm Hg (controle) e de 1,7 (dieta DASH). O efeito foi observado em homens, mulheres, hipertensos ou não de qualquer etnia. A dieta DASH se associou a uma PAS menor independente do nível de ingestão do sódio. A dieta DASH associada a um nível de sódio baixo promoveu uma queda de 7,1 mm Hg nos não hipertensos e de 11,5 mm Hg nos hipertensos.
  15. 15. RESULTADOS DA DIETA DASH ASSOCIADA A DIFERENTES NÍVEIS DE INGESTÃO DE SÓDIO. (NEJM 2001)
  16. 16. DIETA NA PREVENÇÃO DAS DIC Escore Fung et al mostraram que pessoas que seguem uma dieta semelhante a DASH (foi criado um escore) mostraram um risco diminuído de DIC e AVC em 24 anos de seguimento. (Fung T; Arch Inter Med 2008)
  17. 17. ÁLCOOL E DOENÇAS CARDIOVASCULARES Álcool Estudo transversal de base populacional na Grande São Paulo mostrou prevalência de abuso de álcool (leva a problemas mas não dependência) : 18-34 – 9,2%; 35-49 – 11,9%; 50-64 – 8,4%; > 65 – 7,9% Homens: 16,4% Mulheres: 4,0% Viana MC, Rev Bras Epidemiol, 2012
  18. 18. ABUSO DE ÁLCOOL Abuso álcool: Portugal: 1,5% Espanha: 2,3% Estonia: 3,1% Eslovenia: 3,7% Reino Unido: 8,1% Holanda: 8,4% Nazareth I et al, Acohol and Alcoholism, 2011
  19. 19. FATORES DE RISCO PARA A HAS Os fatores de risco associados à HAS: consumo de sal (dieta) ingestão de álcool (dieta) obesidade (dieta) fatores psicossociais
  20. 20. HAS NO BRASIL A HAS como fator de risco apresenta um peso diferenciado no Brasil: Herança portuguesa com alto consumo de alimentos salgados (bacalhau, ingredientes da feijoada e o pão). Uso do sal como conservante em produtos enlatados (sardinha, atum, milho, ervilha), molhos prontos (ketchup, shoyu, caldos), salgadinhos, embutidos e queijos.
  21. 21. PREVALÊNCIA DA HAS NO BRASIL MURARO AP ET AL, CAD SAUDE PUBLICA, 2013,
  22. 22. PREVALÊNCIA DE HAS EM PORTUGAL Portugal 2003 – prevalência estimada de HAS de 43% e desses somente em 28,8% a HAS estava controlada 2006 – Excreção de sódio urinário 2 x maior do que o recomendado pela OMS (Furtado C, Pinto M, Rev Port Cardiol 2006) 2007 – prevalência HAS < 35 anos: H 26,2%; M 12,4% 35-64 anos: H 54,7%; M 41,1% > 64 anos: H 79%; 78,7% (De Macedo ME et al, Rev Port Cardiol 2007)
  23. 23. HAS EM MACAU Macau Prevalência de HAS de 29,5% Predomínio em homens e acima dos 35 anos Prevalência em imigrantes era menor do que na população local Não encontrei dados de Cabo Verde, Guiné Bissau nem de Moçambique Leong HC et al, 1998 (chinês)
  24. 24. ABUSO DE ÁLCOOL TANZANIA Prevalência de abuso de álcool em população urbana na Tanzania: 17,2% com predomínio na população mais pobre. Mbatia J et al, Int J Environ Res Public Health, 2009
  25. 25. PREVALÊNCIA DE HAS EM ANGOLA Angola Prevalência de HAS em estudantes universitários em Lubango: 18-29 anos : 20,3 a 26,7% 17,1% de sobrepeso e 3,2% de obesidade 33,1% renda familiar < US$ 250 86,2% praticavam atividade física 60,6% preferência por alimentos salgados 4,0% de fumantes 40,6% ingeriam bebida alcoólica (Simão M et al, Rev Lat Am Enfermagem, 2008)
  26. 26. PREVALÊNCIA DE HAS EM ANGOLA Estudo de base comunitária com 1164 adultos que utilizou o protocolo da OMS para avaliação das doenças crônicas (World Health Organization's Stepwise Approach to Chronic Disease Risk Factor Surveillance)
  27. 27. PREVALÊNCIA DE HAS EM ANGOLA Prevalência de HAS (PA sistólica ≥140 mmHg e/ou PA diastolica ≥90 mmHg e/ou uso de medicamento para tratamento da HAS): 23% (IC 95%: 21% to 25.2%). Uma consulta de seguimento confirmou o diagnóstico em 82% (com interval médio entre as medidas de 23 dias. Entre os hipertensos: 21.6% (IC 95%: 17.0% to 26.9%) sabiam ser hipertensos 13.9% (IC 95% CI: 5.9% to 29.1%) sabiam ser hipertensos e estavam sob tratamento 1/3 estavam com a pressão controlada Idade (mais velhos), educação (menos educados), IMC elevado e obesidade se associaram de forma significativa com a HAS (p<0,01) Pires JE et al, BMC Public Health, 2013.
  28. 28. PREVALÊNCIA DE HAS EM ANGOLA 82% CONFIRMADO EM UMA SEGUNDA MEDIDA
  29. 29. PREVALÊNCIA DE HAS EM ANGOLA Estudo transversal que avaliou 615 (42,2% dos funcionários públicos da Universidade Agostinho Neto Homens: 48% (n = 294) Mulheres: 52% (n= 321) Idade: 20 - 72 anos (nível socioeconômico variado) Fevereiro 2009 a Dezembro 2010 Personal, anthropometric, biochemical, hemodynamic, socioeconomic, and physical activity data were collected. Capingana DP et al, BMC Public Health, 2013
  30. 30. FR PARA DCV - ANGOLA A prevalência de FR para DCV: hipertensão, 45,2% (homens (H) 46.3%, mulheres (M) 44.2%, P > 0,05); hipercolesterolemia, 11,1% (H 10,5%, M 11,5%, P > 0,05); HDL-cholesterol, 50,1% (H 36,9%, M 62,3%; P < 0,05); hipertrigliceridemia, 10.6% (H12,6%, M 8,7%, P > 0,05); tabagismo, 7,2% (H10,2%, M 4,4%; P < 0,05); diabetes, 5,7% (H 5,5%, M 5,9%, P > 0,05); sobrepeso, 29,3% (H 27,3%, M 31,2%, P > 0,05); obesidade, 19,6% (H 9.2%, M 29.0%; P < 0.05); Sedentarismo, 87.2% (H 83.0%, M 91,0%, P < 0.05); Hipertrofia Ventricular E, 20% (H 32.0%, M 9.0%; P < 0.05). Pelo menos 1 FR presente em 27.7% da amostra; 15,2% com 2 FR; 31,4% com 3 ou + FR; nível SE baixo: 41% apresentam 3 ou + FR.
  31. 31. FR PARA DCV - ANGOLA
  32. 32. "...um mal secreto, não o do soneto, mas o de qualquer doença, é sempre um fator de tranquilidade. Quem não sabe não teme. Como diagnóstico da pressão alta não é seguido de tratamento ou ajuda, para muita gente simples é só alarme. A viúva gorda e patusca, que tem um cotidiano insosso, é convidada a cortar o sal do seu feijão com arroz... Otto Lara Rezende

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