Residência Artística e Intercâmbio Musical Brasil-Gnaoua
Coletivo Vira Saia
Essaouira, Marrocos, Dezembro de 2012
Realização
Patrocínio Apoio Cultural
Alliance Franco Marrocainne
d´Essaouira
os espíritos que iluminam a noite os espíritos que sopram através do vento os espíritos que caminham pelas florestas
e des...
Intercâmbio Musical “Tradições Afro-Musicais do Brasil e Marrocos Gnaoua”
O Projeto “Tradições Afro-Musicais do Brasil e M...
As oficinas foram realizadas gratuitamente e
em aberto para todos da comunidade que
desejassem descobrir mais sobre a hist...
Sobre a Confraria Gnaoua e a música afro-brasileira
No Brasil colonial, o termo "malê" deriva do Yorubá "imale", designand...
Os Malês (ou Nagôs) ainda em solo africano aceitaram a religião islâmica apropriando-se das tradições e crenças orientais,...
A história parece ter sido espelhada: os negros saíram da África negra e foram levados aos recantos do Brasil e
da África ...
Os africanos que vieram ao Brasil saíram de Serra Leoa, Senegal, Nigéria, Guiné, Guiné Bissau, Gâmbia, Congo, Gabão, Angol...
A condição de porto bastante ativo e de relevante importância nas relações do Marrocos com o mundo, com certeza
deu à cida...
O essencial da Confraria Gnaoua é um rito de possessão chamado “Derdeba”, em que se misturam elementos africanos, sufis e
...
Nas “Lilas” comuns, os músicos
entoam seu canto e sua música,
enquanto mulheres invisíveis
dançam o transe para incorporar...
Da mesma maneira acontece nos cultos do candomblé, quando a
música e a dança geram a possibilidade de cura e superação de
...
A estruturação da música Gnaoua, composta por solo
e resposta do coro também se assemelha bastante a
inúmeras modalidades ...
Tiago de Oliveira Pinto, em seu artigo “Som e música. Questões de uma Antropologia Sonora”, cita o estudo de Kubik, que,
e...
Aqui também coloco a questão da afinação (que, tanto entre os
Gnaouas quanto entre músicos populares brasileiros, muitas
v...
Hoje em dia, além do caráter espiritual, a música gnaoua dita “profana” expandiu seus horizontes de circulação e se você v...
Fonte na internet:
http://www.gnawa.eu/Histoire.html
http://www.lilagnaoua.com/Fr/histoire.html
http://www.artigonal.com/d...
África, Brazil and Gnaoua - Music
Workshops with Mônica Elias
Fonte:
http://rosasventos.blogspot.com.br/
DECEMBER 6, 7 and...
Programa de Atividades da Residência Artística:
Quarta-Feira – 5 de dezembro 2012
Lugar das atividades: Bastion Bab Marrak...
Espetáculo Lila Xirê
O Espetáculo “Lila Xirê” foi
apresentado no dia 9 de
dezembro de 2012 na Alliance
Franco Marrocaine d...
O cortejo “Gungas & Gangas”
contou com a participação de todos
que estiveram presentes nas
convivências das oficinas de
in...
Ficha Técnica do Projeto, Espetáculo e Oficinas:
Idealização e Realização: Coletivo Vira Saia e Rose des Vents
Coordenação...
Portfolio intercambio Afrobrasil + Marrocos Gnaoua
Portfolio intercambio Afrobrasil + Marrocos Gnaoua
Portfolio intercambio Afrobrasil + Marrocos Gnaoua
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Portfolio intercambio Afrobrasil + Marrocos Gnaoua

940 visualizações

Publicada em

Portfolio do intercâmbio artístico e cultural entre a cultura afro-brasileira e marroquina realizado em Essaouira, no Marrocos, no ano de 2012. O evento foi realizado pelo Coletivo Vira Saia e Centro de Movimento Cultural Rosa dos Ventos. Sob o patrocínio do Programa Música Minas, Alliance Franco-Marrocaine d´Essaouira e delegação cultural desta cidade.

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
940
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
223
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
8
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Portfolio intercambio Afrobrasil + Marrocos Gnaoua

  1. 1. Residência Artística e Intercâmbio Musical Brasil-Gnaoua Coletivo Vira Saia Essaouira, Marrocos, Dezembro de 2012
  2. 2. Realização Patrocínio Apoio Cultural Alliance Franco Marrocainne d´Essaouira
  3. 3. os espíritos que iluminam a noite os espíritos que sopram através do vento os espíritos que caminham pelas florestas e desertos os espíritos que fazem tremer montanhas Os espíritos que enfrentam a tempestade um cavalo de vento que reina sobre o mar e sobre as espumas do oceano somos escravos da pele recém-marcada. seja testemunhas destas marcas, que nunca vão se apagar ºº chant gnaoui
  4. 4. Intercâmbio Musical “Tradições Afro-Musicais do Brasil e Marrocos Gnaoua” O Projeto “Tradições Afro-Musicais do Brasil e Marrocos Gnaoua” foi idealizado e produzido pelo Coletivo Vira Saia e “Rose des Vents – Centre de Mouviment Cultural” e só pôde ser concretizado graças ao patrocínio do Programa Música Minas e da Aliança Franco Marrocaine de Essaouira, com o apoio cultural da Delegação de Cultura desta cidade. Desde Outubro, este projeto desenvolveu oficinas de Ritmos Afro-Brasileiros no Espaço Municipal de Essaouira, Bastion Bab Marraquech. Nestas oficinas, que foram gratuitas e abertas ao público, a artista brasileira Ana Maria Fonseca iniciou os participantes em alguns ritmos brasileiros (como o Maracatu e o Congado). Em dezembro, o Projeto realizou uma semana de intercâmbio e vivências intensivas entre ritmos brasileiros e marroquinos. Vinda especialmente do Brasil para participar do Projeto, Mônica Elias, cantora do grupo Vira Saia, ministrou oficinas de ritmos afro-brasileiros e recebeu oficinas de música gnaoua dos músicos marroquinos Aziz, Halid, Limini e Furat. Durante os processos de trocas musicais das oficinas foi-se afinando a harmonia entre os participantes a fim de realizar um cortejo pelas ruas da Medina antiga e preparar o repertório musical para o espetáculo “Lila Xirê”, resultado da fusão da música brasileira com a tradição gnaoua.
  5. 5. As oficinas foram realizadas gratuitamente e em aberto para todos da comunidade que desejassem descobrir mais sobre a história da Confraria Gnaoua e da música afro- brasileira, suas nuances, danças e ritmos. Causando impacto artístico positivo entre pessoas da comunidade e visitantes estrangeiros, o Projeto conseguiu alcançar todos os seus principais objetivos, propiciando trocas e partilhas musicais, gerando uma rede transcultural através da música e abrindo espaços diversos para futuros intercâmbios e pontes musicais entre ambas culturas. Pode-se dizer, dessa maneira, que o Projeto ainda não terminou, ao contrário, apenas começou. Inshallah. As pontes culturais e artísticas que se abriram continuam abertas e o público pede bis.
  6. 6. Sobre a Confraria Gnaoua e a música afro-brasileira No Brasil colonial, o termo "malê" deriva do Yorubá "imale", designando o que significa "muçulmano“. Malê identificava os negros africanos que sabiam ler e escrever em árabe. No Marrocos, o “Mâalem” é o mestre que toca o GUEMBRIL, instrumento dotado de imensa magia e poder nos rituais Gnaoua. Feito de madeira de figueira (ancestralmente era feito a partir da cabaça de abóbora), pele de camelo e cordas de tripas de cabra, o GUEMBRIL é o instrumento central dentro da concepção geral dos rituais Gnaoua. De origem sudanesa, suas vibrações de harmônicos graves e ressonância cósmica chegam ao subconsciente e, mediante repetições, conseguem dar nascimento a uma tensão corporal tão forte no ouvinte que acaba por tocar todos os órgãos vitais do seu sistema nervoso, provocando o transe, que se crê capaz de curar o corpo e o espírito.
  7. 7. Os Malês (ou Nagôs) ainda em solo africano aceitaram a religião islâmica apropriando-se das tradições e crenças orientais, onde as inúmeras etnias africanas sincretizaram sua religião matriz "animista" com o Islam, unindo-se as tradições e doutrinas dos dois mundos (Africano e Oriental-Islâmico). (Só abrindo um parênteses, “animista” é uma modalidade religiosa que vê espíritos em toda a natureza, sendo esses espíritos semelhantes ao espírito do homem. Já foi conhecida por fetichismo, que vem de Fetiche, que vem de “feitiço”, que vem do latim, coisa feiticeira, coisa encantada. ) 1 Dessa forma o animismo politeísta africano, que se traduzia em cultuar o viver e o pensar com a natureza, juntou-se ao Islamismo monoteísta (religião que crê que existe um só Deus, Alá). É fácil de se entender porquê o Islam Negro influenciou e foi influenciado (tanto na África quanto no Brasil) pela tradição dos “espíritos” africanos (“ORIXÁS”, no caso do Candomblé Brasileiro e “MLUKS”, no caso da Confraria Gnaoua, no Marrocos), gerando um islamismo esotérico, compatibilizando representações simbólicas dos espíritos, rituais, cerimônias e mandingas que mantiveram viva a magia "pagã" dos “ORiXÁS” e “MLUKS”. No caso do Brasil, ainda se assoma à essa fusão espiritual o catolicismo e práticas indígenas.
  8. 8. A história parece ter sido espelhada: os negros saíram da África negra e foram levados aos recantos do Brasil e da África do Norte para trabalharem como escravos. Aqui nas plantações de cana-de-açúcar, nas lavouras de ouro, nos trabalhos domésticos. No Marrocos, nas filas do exército e nas construções durante o Império Almohade, uma dinastia marroquina de origem ‘beribéri” que dominou o norte da África e o sul da Península Ibérica de 1147 a 1269. Obviamente sempre marcados pelas questões do preconceito social.
  9. 9. Os africanos que vieram ao Brasil saíram de Serra Leoa, Senegal, Nigéria, Guiné, Guiné Bissau, Gâmbia, Congo, Gabão, Angola, Gana, Guiné Equatorial e Camarões. O grupo mais importante, no entanto, foi o “sudanês”. Desses negros, os mais notáveis foram os “Yorubás” ou “Nagôs” e os “Jejes”, seguindo-se os “Minas” (musicalmente falando, tais nações negras, por terem sido influenciados pela cultura árabe, possuem maior riqueza rítmica). Originários do Império do Sudão Ocidental, os Gnaouas que foram ao Marrocos saíram sobretudo de Senegal, Sudão, Mali, Nigéria e Gana. Se você pára um pouco para observar um mapa do continente africano poderá perceber que todos os países citados estão próximos, geograficamente falando.
  10. 10. A condição de porto bastante ativo e de relevante importância nas relações do Marrocos com o mundo, com certeza deu à cidade de Essauoira ares cosmopolitas e deu abertura à cidade e aos seus habitantes de receberem as tradições Gnaouas vindas com os escravos em muitas caravanas de Tombuctu e de outros cantos do continente africano. O termo “Gnaoua” primeiramente referia-se aos escravos e descendentes de escravos originários da África negra. Para os dias de hoje, as comunidades “Gnaoua”, espalhadas por todo o Magreb e também por outros países da África do norte, se organizaram em “Confrarias” místicas populares, particularmente ativas em Essaouira, Marraquesh, Tamslort e Meknes. O termo “confraria” foi dado por estudiosos antropólogos, a partir de sua visão ocidentalizadora.
  11. 11. O essencial da Confraria Gnaoua é um rito de possessão chamado “Derdeba”, em que se misturam elementos africanos, sufis e arabo-beriberes, onde a dança, o canto e alguns instrumentos contribuem para a criação de um clima hipnótico e sinestésico, que gera o transe nos adeptos com a intenção de realizar a cura corporal e espiritual da comunidade ou de algum enfermo específico. O transe dentro da concepção geral da cerimônia é uma espécie de manifestação “catártica”, mas com grande valor espiritual. É só no meio da noite, no momento de sonhar, que começa o rito de posse chamado “Derdeba” ou LILA (que, em árabe significa “noite”). A celebração pode durar uma noite inteira, desde o pôr do sol até o amanhecer, mas dependendo da intenção, podem durar de três a sete dias. As “Lilas” de videntes (Mokdema ou Mokdem) ou mestres (Maalems) são mais intensas e podem durar até 7 dias. Existem ainda rituais com a exclusiva participação de mulheres (as Haddarate), realizados nos espaços fechados de alguns santuários e de acesso muito restrito, durante os quais as vozes femininas de Essaouira elevam a Alá litanias e cânticos secretos. As “Lilas” têem maior ocorrência no mês lunar do “Chaâbane” (período que precede o mês do Ramadam, quando os muçulmanos celebram a revelação do “Alcorão” aos homens e jejuam durante um mês). Durante o “Chaabane”, os “Djines” ou espíritos são “acorrentados”. Os “servos” fazem inúmeras “Lilas” em mausoléus de santos Gnaoua e devem sacrificar um galo azul (se pobres) ou um touro negro (se ricos).
  12. 12. Nas “Lilas” comuns, os músicos entoam seu canto e sua música, enquanto mulheres invisíveis dançam o transe para incorporar os “Mluks”, os espíritos de diferentes cores, também chamados “Djines” ou “demônios”. A sensualidade tão comum e natural nos corpos africanos aqui deve ser tapada por véus coloridos durante a LILA Gnaoua (influências de costumes muçulmanos, quando a mulher deve ser tapada socialmente). O corpo da mulher que dança o transe vai se desumanizando, tornando-se impessoal. Passa a estar diretamente relacionado a uma divindade e, por extensão, aos elementos da natureza a ele associados, levado pelo comando das músicas. O transe torna-se a forma de contato entre os deuses ou espíritos da natureza e a comunidade religiosa. Imagem: Buderbala - Acrilico sobre tela. Mâalem A. Gnya Essaouira. Marrocos
  13. 13. Da mesma maneira acontece nos cultos do candomblé, quando a música e a dança geram a possibilidade de cura e superação de crises do cotidiano, através da “suspensão” da identidade cotidiana e da abertura de espaço àquela do Orixá. Durante o fenômeno do transe, o corpo da filha/filho de santo se torna o próprio Orixá. A música, então, desenvolve o papel de organizadora da desordem do exterior e do interior e a dança expressa o equilíbrio e a ordem alcançada. Para o participante ocasional de uma LILA ou de uma cerimônia de candomblé ou umbanda, todo o conjunto do ritual (como os gestos, o cheiro do insenso, as roupas, os cantos, os ritmos, as danças) pode parecer elementos de um verdadeiro show, mas aquilo que se faz público é também extremamente misterioso e dotado de simbologias que transcendem aquilo que os sentidos percebem. A chegada do orixá entre os mortais é assinalada por cantigas de saudação apropriadas, todas numa seqüência lógica. Da mesma maneira, há uma seqüência lógica e ritualística também nas práticas gnaouas, mas aqui são os “Mluks”, os “Djines” representados pelas cores. Imagem: Jesus - Acrilico sobre tela - 1,70 x 0,90m. Griot. Salvador. Bahia
  14. 14. A estruturação da música Gnaoua, composta por solo e resposta do coro também se assemelha bastante a inúmeras modalidades musicais afro-brasileiras, como o “Partido-alto” ou o “Samba de Roda”. O samba de partido-alto é cantado em forma de desafio por dois ou mais participantes, e se compõe de uma parte coral e outra solada. Essa modalidade de samba tem raízes nas canções do batuque angolano. Segundo Oneyda Alvarenga, “a estrofe solista e improvisada, acompanhada de refrão coral fixo, e a disposição coro-solo são características estruturais de origem africana ocorrentes na música afro- brasileira” e afro-marroquina. O coro é geralmente composto de grupos de mulheres ou homens que cantam de modo “monofônico”. Entre os grupos mais culturados a “heterofonia” pode aparecer, com o uso de terças paralelas nas cadências das frases corais. É comum o solista e coro se sobreporem, um elemento tipicamente africano. Imagem: Lilit - Acrilico sobre tela - 1 x 1,70m. Griot. Salvador. Bahia
  15. 15. Tiago de Oliveira Pinto, em seu artigo “Som e música. Questões de uma Antropologia Sonora”, cita o estudo de Kubik, que, em um ensaio de 1984, enumera doze critérios que lhe parecem essenciais para uma compreensão de estruturas sonoras de culturas africanas. Entre elas cito as que cabem dentro do que pude observar nessa experiência de intercâmbio musical no Marrocos, características que estão presentes tanto na música Gnaoua quanto na música afro-brasileira: Música e dança: a partir de sua significação, na maioria dos idiomas africanos o aspecto sonoro e o movimento de música e dança são inseparáveis. Ao analisar-se música africana, portanto, dança e expressão corporal devem sempre ser considerados. Ritmos cruzados: a combinação de ritmos, frases ou motivos pode realizar-se de tal forma que sua acentuação não coincide, resultando em novas configurações rítmicas. Pulsos intercalados: trata-se de uma versão específica de ritmo cruzado, que se apresenta de forma regular, quando dois ou três músicos intercalam suas marcações sonoras. Beat e off-beat: representam a marcação e a batida entre as marcações. As acentuações melódicas do repertório africano caem predominantemente fora da marcação, ou, na terminologia ocidental, fora do primeiro tempo do compasso. Dentro do acontecimento musical a marcação representa um referencial onipresente, assim como também a pulsação elementar. Ambos referenciais agem simultaneamente. Padrão: em muitas culturas africanas os músicos pensam em padrões organizados, sejam estes rítmicos, ou de outra natureza sonora e de movimento. Notação oral: padrões rítmicos são muitas vezes fixados de forma não escrita. A sua manutenção fonética serve para a transmissão de várias configurações musicais.”
  16. 16. Aqui também coloco a questão da afinação (que, tanto entre os Gnaouas quanto entre músicos populares brasileiros, muitas vezes se dá de maneira instintiva e orgânica) e da utilização de “Escalas Pentatônicas” na construção das melodias (embora se sirvam também de escalas de seis e sete tons e, inclusive, de escalas mais alargadas, com a utilização de “microtons”, característica marcante da música árabe). Todas essas, características da música dita “modal”. De origem chinesa ou mongólica, a escala pentatônica é formada pela junção de cinco notas e é a base estrutural da música oriental e tem bastante recorrência na música africana, do extremo oriente, celta, escocesa e americanas indígenas, sempre presente em cerimônias ritualísticas. Sua sonoridade causa grande introspecção e é a escala mais comum na música Blues (também de origens afro). Ian Guest define de maneira leve a música modal, onde “a participação musical de todos não só era permitida, mas desejável, núcleo dos rituais de toda e qualquer festa popular, fosse ela triunfal ou fúnebre, expressando alegrias e tristezas. Para atrair a todos, a música era uma proposta de autoria coletiva, extremamente envolvente e participante. A criatividade rítmica e tímbrica desconhecia limites. Já as melodias eram simples e transparentes, com a intenção de convidar a cantar e tocar junto. Eram longos serões de música intermitente, sem início e fim. Era a música modal, resultado da contribuição de todos, fruto da tradição e da memória popular. Música de poucas notas e de sabor provincial ou tribal. Tudo seria feito com as mesmas poucas notas: a cantoria, o acompanhamento misturado com percussão. Enfim, era o vale-tudo com aquelas poucas notas.”
  17. 17. Hoje em dia, além do caráter espiritual, a música gnaoua dita “profana” expandiu seus horizontes de circulação e se você vai à Marraquesh, em sua praça principal Jamma Lafna, entre os encantadores de serpente, você verá alguns grupos Gnaoua, com seus tambores chamados “Gangas”, roupas coloridas e chapéus ornamentados com búzios tocando com a finalidade de conseguir algum dinheiro. O famoso festival que acontece em Essauouira há mais de quinze anos, “Festival Gnaoua et des Musiques du Mond”, também conseguiu dar maior visibilidade à musica gnaoua para fora das fronteiras africanas e serviu como propulsor da transformação da música gnaoua de raíz em um estilo mais contemporâneo, fusionado com o Jazz, a música Ibérico-Andaluz, o Reggae e o Ragga Murf. Um paralelo pode ser traçado com o estilo musical brasileiro conhecido como ‘Afoxé”, bastante difundido na Bahia e em Pernambuco nas épocas do carnaval. Antes conhecido como “candomblé de rua”, o afoxé veio da música de “terreiro” e foi grande responsável pela estruturação do estilo comercialmente conhecido como “axé music”. Tradicionalmente eram os adeptos da tradição dos orixás que formavam os cordões carnavalescos do afoxé, com cânticos acompanhados por atabaques do tipo “ilu”, tocados com as mãos, além de agogôs e xequerês, no ritmo conhecido como “ijexá”. Aliás, se formos à raíz da música popular brasileira, veremos que seu ponto de interseção com as influências africanas se dá, principalmente, através das vias da religião. Enfim, há que se ter ainda presente que a música «por si mesma» não existe na África. Na África, a vida e os seus múltiplos aspetos falam a linguagem da música.
  18. 18. Fonte na internet: http://www.gnawa.eu/Histoire.html http://www.lilagnaoua.com/Fr/histoire.html http://www.artigonal.com/desigualdades-sociais-artigos/a- escravidao-no-brasil-411701.html http://www.espacoacademico.com.br/050/50clopes.htm http://osnegrosnobrasilatual.blogspot.com.br/2010/11/os-grupos- africanos-que-vieram-para-o.html http://www.essaouira.ca/histoire-essaouira http://www.alsur.fr/assets/files/pdf/alcd147.pdf http://boiadeirorei.wordpress.com/2010/12/01/maos-dos-ogas-e- cambonas-como-devem-agir-estes-servidores-sagrados/ http://www.youscribe.com/catalogue/livres/savoirs/sciences- humaines-et-sociales/les-gnawa-marocains-de-tradition-loyaliste- 173425 http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2011/09/musicas_devo cio.html http://www.afroasia.ufba.br/pdf/afroasia_n12_p129.pdf http://www.epoca.globo.com/especiais/...esp990920a.html http://www.religiaodedeus.net/Ramadan_1429.htm http://www.guerrapeixe.com/textos/texto05.html http://www.cigam.mus.br/index.php?option=com_content&view=article &id=78:musica-modal-o-que-e-afinal&catid=10:artigos&Itemid=17 http://www.ruadireita.com/musica/info/a-musica-na-africa/
  19. 19. África, Brazil and Gnaoua - Music Workshops with Mônica Elias Fonte: http://rosasventos.blogspot.com.br/ DECEMBER 6, 7 and 8 from 2pm to 5pm at Bastion Bab Marrakech, Essaouira MARHABABIK! (Wellcome!) Our Brazilian Rhythms workshops will continue through december with Mônica Elias, brazilian musician of the group Vira Saia. Through the program Música Minas, she comes specially to participate of the artistic residence, and share with local musicians her passion for african-brazilian rhythms and gnaoua music. More about “Vira Saia” http://www.virasaia.tnb.art.br/ http://terreirodegriots.blogspot.c om/ ).
  20. 20. Programa de Atividades da Residência Artística: Quarta-Feira – 5 de dezembro 2012 Lugar das atividades: Bastion Bab Marrakech * 14:00-16:00 - Oficina de Ritmos Afro-Brasileiros - Mônica Elias * 16:00-17:00- Oficina de Música Gnaoua - Aziz, Halid e Limini. Quinta-Feira - 6 de dezembro 2012 Lugar das atividades: Bastion Bab Marrakech * 10:00 - Ensaio para o espetáculo Lila Xirê * 14:00-16:00 - Oficina de Ritmos Afro-Brasileiros - Mônica Elias * 16:00-17:00- Oficina de Música Gnaoua - Aziz, Halid e Limini. Sexta-Feira - 7 de dezembro 2012 Lugar das atividades: Bastion Bab Marrakech * 10:00 - Ensaio para o espetáculo Lila Xirê * 14:00-16:00 - Oficina de Ritmos Afro-Brasileiros - Mônica Elias * 16:00-17:00- Oficina de Música Gnaoua - Aziz, Halid e Limini. Sábado - 8 de dezembro 2012 Lugar das atividades: Bastion Bab Marrakech 10:00 - 12:00 - Ensaio para o espetáculo Lila Xirê 14:00 - 18:00 - Ensaio para o espetáculo Lila Xirê Domingo - 9 de dezembro 2012 * 12:00 - Passagem de som - Local: Alliance Franco- Marrocaine de Essaouira * 16:30 - Cortejo pela Medina de Essaouira * 18:00 - Espetáculo Lila Xirê - Local: Alliance Franco Marrocaine de Essaouira AFME Segunda-feira - 10 de dezembro de 2012 *18:00 - Reapresentação do espetáculo Lila Xirê no Espaço Municipal de Essaouira Lugar das atividades: Bastion Bab Marrakech
  21. 21. Espetáculo Lila Xirê O Espetáculo “Lila Xirê” foi apresentado no dia 9 de dezembro de 2012 na Alliance Franco Marrocaine de Essaouira e reapresentado no Espaço Municipal da Cidade, o Bastion Bab Marraquesh, no dia 10 de dezembro. O espetáculo foi criado e desenvolvido a partir de bases rítmicas e melódicas de algumas tradições afro-religiosas do Brasil e do Marrocos, que possuem práticas ritualísticas animistas herdadas da diáspora africana, ricas em música, danças e cores. No caso da Confraria Gnaoua, suas práticas animistas se fusionaram às tradições do “Sufismo” islâmico. No caso do Candomblé brasileiro, suas práticas se fusionaram com tradições católicas e ameríndias caboclas.
  22. 22. O cortejo “Gungas & Gangas” contou com a participação de todos que estiveram presentes nas convivências das oficinas de intercâmbio musical e, pelas ruas da Medina antiga da cidade, trouxe alegria e entrosamento entre músicos, dançarinas, transeuntes, turistas, homens, mulheres e crianças e anunciou que o espetáculo estava prestes a acontecer. O nome é uma homenagem às “Gangas” (tambores Gnaoua) e às “Gungas” (instrumentos percussivos utilizados no Congado, que vão amarrados aos tornozelos. Historicamente, as “Gungas” eram um artifício utilizado para dificultar a fuga dos escravos e tolher sua liberdade). Durante o percurso, foram tocados os ritmos do Maracatu, do Samba, do Congado e o ritmo Gnaoua da “Aada”.
  23. 23. Ficha Técnica do Projeto, Espetáculo e Oficinas: Idealização e Realização: Coletivo Vira Saia e Rose des Vents Coordenação geral: Monica Elias e Ana Maria Fonseca Produção executiva: Ana Maria Fonseca Direção Musical: Anna Pujós Arte Gráfica e ilustração: Aziz Oumoussa e Mônica Elias Suporte artístico e técnico: Abdelhak Voix des Vents Direção Alliance Franco Marrocaine: Oumaima Hourmatallah Fotografia: Zacaria Tinariuen, Mônica Elias, Lulu Direção de Vídeo, filmagens e edição: Sophien Bouhali Músicos: Rachid- Guembril e voz Limini – Guembril e Krakabs Aziz- Percussão e Krakabs Forat- Krakabs e dança Halid – Krakabs, Dança, voz e guembre Abdelhak – Percussão e voz Ana Maria – Percussão, voz e dança Mônica Elias – Percussão, voz, flauta e dança Anna Pujos – Piano, voz e percussão Daniel Pedrazza – Flauta indiana Bansuri Produção: Ayouch Regragui, Youseph Aghardaf, Ana Maria, Mônica Elias, Abdelhak Ahmed Elkaab, Anna Pujós , Lulu, Aziz Oumosa, Bem Amou, Tuca Costa, Daniel Pedrazza

×