Missões através dos séculos

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Missões através dos séculos

  1. 1. 1 SUMÁRIOCAPÍTULO I: O EVANGELHO IRRESISTÍVEL.A HISTÓRIA DAS MISSÕES NOS EVANGELHOS.....................................................5CAPÍTULO II: DIFUSÃO DO CRISTIANISMO.A HISTÓRIA DAS MISSÕES NO PERÍODO DAS TREVAS......................................32CAPÍTULO III: O GRANDE PERÍODO 1295 – 1825.ABUNDÂNCIA MISSIONÁRIA...................................................................................44CAPÍTULO IV: MISSÕES ONTEM E HOJE.A MISSÃO CONTINUA..............................................................................................63CONCLUSÃO..........................................................................................................108OBRAS CONSULTADAS........................................................................................109
  2. 2. 2 INTRODUÇÃO Sempre que estudamos historias das missões, sentimos-nos limitados diantede tamanhos desafios, e quando as pretensões forem à precisão dos fatos,encontraremos mais dificuldades ainda, principalmente por falta de documentos quenos comprovam a respeito de onde começa e para onde se estende cadamovimento histórico missionário geográfico. Temos o privilégio do apoio do ITEPRAM e os alunos que trabalharam nestematerial, com muito esmero e horas de pesquisa, o que resultou neste trabalho rico.Os tais alunos a que mencionei são os autores. Ao ler este trabalho terás a suaprópria avaliação sobre eles. Quanto ao objetivo, trabalhamos honestamente com o fim de trazer aos irmãosdo Amazonas, seja do interior ou cidades com nível superior ou ao menosprivilegiado as informações, um material que Glorifique a Deus e seja umaferramenta útil, tanto para leitura, ensino ou estudo, dando uma idéia ampla dehistoria de missões em conjunto com história da igreja, tornando este materialacessível a todos. Não pretendemos que este material seja a palavra final sobre o assunto,sabemos que ha muitos fatos dos quais não foi possível relatar, devidoprincipalmente ao tempo que foi dispensado na realização deste trabalho, que foi deapenas uma semana.
  3. 3. 3 Esperamos que este material seja benção para a sua vida e ministério,autorizamos a copia, citações e o uso do mesmo, de forma carinhosa por santosirmãos em prol do reino de Deus. O trabalho está sendo apresentado da seguinte forma: No capitulo I desenvolvemos o movimento missionário dos evangelhos e Atosdos apóstolos, onde detectamos a autoria das Cartas e Epistolas. Estedesenvolvimento histórico cobre o início das missões cristãs até a conquista doImpério Romano. Para tal consideramos os primeiros quinhentos anos da Igrejacristã. No capitulo II observamos missões na Idade Média também conhecida porperíodo das trevas, enfatizando o alcance do cristianismo no mundo pagão, entre oano 501-1294 da era cristã. No capitulo III Continuamos com o período de missões no Oriente, Ásia eEuropa, neste período é percebido a coragem de grandes homens que, mesmo emperseguição, e a igreja com problemas doutrinários, o Senhor Deus Eterno, pelo Seupoder honrou Sua Palavra alcançando estes povos de forma soberana. No capitulo IV neste período da história que se estende de 1816 a 2003estamos nos esforçando para apresenta-lo de forma clara e organizada, todaviasabemos que o tempo não nos permite apresentarmos os detalhes dosacontecimentos, esta é a razão de estarmos apresentando a história missionária daigreja cristã dividida por continentes, estaremos citando apenas os fatos maisimportantes e de maior influencia no curso da história, esperamos estar contribuindode alguma forma para o desenvolvimento da obra missionária. A conclusão deste material traz a seguinte reflexão; Tudo se repete, mas oDeus que faz a história continua agindo no seu curso, nós, porém, devemosreconhecer o mover missionário em nossa época, avaliando os erros e acertos.Nossa missão é glorificar a Deus, e portanto, devemos ter uma prática missiológicagenuinamente bíblica.
  4. 4. 4 Metodologia aplicada: Trabalho de pesquisa em equipe. Desejamos que este material o desafie a continuar, não só a escrever, mas aser usado por Deus em sua historia.A Deus a glória pra sempre. Amém!Pr. Alcedir Sentalin e Licenciado BobLim
  5. 5. 5 CAPÍTULO I O EVANGELHO IRRESISTÍVEL A HISTÓRIA DAS MISSÕES NOS EVANGELHOS1.1 A Base da História das Missões: Quando começamos a olhar para os Evangelhos do ponto de vista que visaagrupar de forma sistemática o movimento missionário que cerca estes quatroEvangelhos, não podemos olha-los separadamente sem detectar uma linha que osligue de forma mestral dentro da história das Missões. Entendemos que o princípio que norteia e amarra a história das missões dentrodos quatro Evangelhos diz respeito ao princípio Emanuel, ou, Deus Conosco, queesteve presente dentro de toda a história da Igreja desde o Antigo Testamento.Muitas coisas poderiam ser ditas neste ponto no que tange ao princípio Emanuelcomeçando em Gênesis até a organização da nação Israelita, entretanto, de forma“mais clara” Ele se faz presente na figura do tabernáculo no meio do povo. Este era,nada mais nada menos do que “a casa de Deus entre o povo”. Mais tarde, com achegada do povo e seu estabelecimento na terra prometida e a construção dotemplo sagrado sob Salomão, o tabernáculo é substituído pelo templo. Este é,agora, o referencial para a presença de Deus no meio do povo. Algo que não devedeixar de ser dito é que estes símbolos passaram a ter no decorrer da história da
  6. 6. 6salvação um significado tipológico, pois ambos apontavam para a própria presençafutura de Deus entre os homens. É a doutrina da encarnação do Verbo presente naspáginas do Antigo Testamento em forma de sombra. A linha mestra que liga os Evangelhos dentro da história das Missões é nadamais nada menos do que a própria presença do Emanuel entre os homens, Nele o“tipo” encontra o seu grande “antítipos”. Ele se faz carne com o objetivo primário de“redimir para Si um povo de sua propriedade, zeloso de boas obras” ( Tt 2:14). NosEvangelhos sinóticos, principalmente em Mateus e Lucas nós encontramos de formacoordenada a narrativa da Genealogia de Cristo. Depois de descrever toda adescendência de Cristo, Mateus no capítulo 1 verso 16 nos diz: “E Jacó gerou aJosé, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo”. Éinteressante enfatizarmos o verbo “nasceu” que indica sem sombra de dúvidas adoutrina da encarnação. Esta palavra aparece 18 vezes no texto grego de Mateus 1:1-17 e é traduzida por “gerou”. No nosso versículo ela aparece traduzida por“nasceu”. Todo teólogo conservador logo saberá que esta palavra não se refere acriação de Jesus, pois o mesmo é eterno, mas, refere-se, a uma forma que Cristoassumiu que não possuía antes, isto é, a sua natureza humana. Esta palavra éusada de “alguém que traz outros ao seu modo de vida”. E é exatamente isto queacontece com Cristo, pois Ele toma o nosso modo de vida. O termo “Jesus, que sechama o Cristo” ratifica ainda mais a nossa tese visto que se refere ao “Deustornado homem”. Conclui-se, pois, que este verso assinala-nos a mesma verdade deJoão 1:14: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e deverdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”. Pergunta-se:“Como Ele se faz carne?”. Responde-se: “Deus na sua bendita misericórdia usaMaria para que através dela o verbo se faça carne e habite entre nós”. Podemosfacilmente correlacionar Lucas 1:35 com a linha mestra que estamos descrevendo,este verso diz: “Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e opoder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o entesanto que há de nascer será chamado Filho de Deus”. O “Há de Nascer” refere-se a encarnação, ao Deus conosco o princípio Emanuel. Já no livro de Marcosencontramos o mesmo princípio sendo estabelecido logo no primeiro versículo desteEvangelho, pois lemos: “Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus”.Mais uma vez se percebe o título “Jesus Cristo”, ou Salvador Ungido. A nome Jesus
  7. 7. 7Cristo poderia ainda significar “Deus tornado ser humano”. Em suma, os Evangelhosem linhas gerais falam da atividade missionária de Jesus Cristo, o Deus tornadohomem, o tabernáculo em carne e osso, o templo em toda a sua glória. Não é poracaso que João diz que “vimos a Sua glória, glória como do Unigênito do Pai” (João1:14). Esta linha mestra que me referi anteriormente diz respeito a este ato de Deusde “armar a sua tenda”, tabernacular entre os homens com uma missão missionáriaespecífica, salvar todos aqueles que o Pai lhe deu, Ele disse em João 6:39: “E avontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que medeu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia”. A doutrina da encarnaçãonos ensina que a atividade missionária á antes de tudo uma atividade de Deus, nãopodemos falar de história das missões sem descrever que ela começa e termina emDeus, Deus é o seu foco. Observem que Apocalipse termina dizendo: “Certamentevenho sem demora. Amém! Vem Senhor Jesus! Não somente os evangelhos, mastoda a Bíblia é a história da missão de Deus em salvar o seu povo. Primeiro Eletrabalha com promessas, depois com cumprimentos, e Cristo com toda a sua obrade salvação que se inicia com a encarnação é, sem dúvida, a consumação dopropósito missionário de Deus. Cristo mesmo proclama: “O tempo está cumprido, eo reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1:15).Na cruz Ele diz “está consumado”, ou, em outras palavras, missão cumprida. Agora,cabe a nós Igreja do Senhor anunciarmos a todo o mundo sobre a missão cumpridade Cristo, sua vida, morte e ressurreição, o evangelho de Deus. Poderíamossumarizar este ponto com a seguinte frase: “Se Deus não tivesse realizado missõesnão haveria evangelho e, conseqüentemente, não haveria história das missões”.1.2 João Batista e sua História Missionária: Em termos cronológicos fica difícil dizermos com certeza o tempo ministerial deJoão Batista, no entanto, sua história missionária foi sem sombra de dúvidas defundamental importância para o advento de Cristo. A Bíblia nos ensina que JoãoBatista veio como o precursor do Messias do Messias, aquele que prepararia ocoração do povo para o mais excelente que viria. A palavra “precursor” transmite a
  8. 8. 8idéia de “alguém que vem antes em benefício de”. Por isso, quando os Judeusperguntaram-lhe “quem és tu”, ele identificou-se com a profecia de Isaías 40:3, ouseja, como a voz que prepararia o caminho para o Messias. A história missionária de João Batista é mesmo de impressionar, ele mostra-seirredutível dentro do seu papel sem oscilar. Seus meios não são tão convencionais,pois ao invés de procurar os grandes centros seu ministério concentra-sebasicamente no deserto. A própria Profecia de Isaías 40:3 já antecipava estacaracterística. Em Mateus 3:1-3 lemos: “1 Naqueles dias, apareceu João Batistapregando no deserto da Judéia e dizia: 2 Arrependei-vos, porque está próximoo reino dos céus. 3 Porque este é o referido por intermédio do profeta Isaías:Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suasveredas”. Este aspecto, com toda certeza, vai de encontro com o planejamento domoderno crescimento de Igrejas, que enfatiza com tanta veemência o local para arealização do trabalho missionário. Na história missionária de João Batista umaspecto surpreendente é que as multidões são levadas a João no deserto. Ele estálá e o povo vai ouvi-lo. Mateus 3:5,6 nos diz: “5 Então, saíam a ter com eleJerusalém, toda a Judéia e toda a circunvizinhança do Jordão; 6 e eram porele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados”. Interessante é amaneira que Mateus ratifica o mesmo princípio quando relata as seguintes palavrasde Cristo Jesus, ele diz: “Então, em partindo eles, passou Jesus a dizer ao povo arespeito de João: Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Sim,que saístes a ver? Um homem vestido de roupas finas? Ora, os que vestem roupasfinas assistem nos palácios reais. Mas para que saístes? Para ver um profeta? Sim,eu vos digo, e muito mais que profeta” (Mt 11:7-9). Percebe-se que por três vezesJesus usa praticamente a mesma oração para enfatizar a mesma verdade, isto é, opovo saía para ver João. O texto nos permite dizer que possivelmente eles iam aprocura de algo inusitado ou, em outras palavras a procura de um show. Entretanto,o que eles encontravam no deserto? Diz-nos o texto que os mesmos deparavam-secom um profeta, aliás, o maior deles. Eles não encontravam “um bobo da corte”como o próprio texto indica que eles esperavam encontrar, mas um profeta com umamissão, ou seja, a de preparar o caminho para o Messias.
  9. 9. 9 A história relatada nos Evangelhos mostra-nos que João chega ao término desua missão nas masmorras do rei Herodes, de lá ele saiu apenas para ter suacabeça separada de seu corpo por puro intento de uma mulher maligna que nãosuportava ver os seus pecados escancarados na boca do profeta João. Ele vive emorre como precursor, nunca se esquiva de dizer a verdade, aliás, a verdade foi oseu lema, Jesus disse em João 5:33: “Mandastes mensageiros a João, e ele deutestemunho da verdade”. A história da vida e obra missionária de João Batista é umexemplo para todos aqueles que almejam trilhar os caminhos da obra missionária demaneira consistente e comprometida com a verdade. Podemos concluir este tópicocom a seguinte frase: “João foi dentre os nascidos de mulher o maior missionário,visto que sua obra consistia em preparar o caminho não para um homem qualquer,mas para o estabelecimento da obra missionária do próprio Deus entre os homens”.Amem!1.2 Jesus e sua História Missionária: Talvez o leitor se pergunte o que este tópico está fazendo aqui visto que noinício do trabalho já abordamos algo sobre a história missionária de Cristo. Noentanto, tal tópico faz-se necessário neste ponto somente para facilitar a melhorassimilação em termos didáticos, ou seja, anteriormente falamos somente sobre aencarnação de Cristo e sua obra salvífica destacando-a somente como o fio que unee serve de base a toda obra missionária posterior. Neste ponto falaremos da obramissionária de Cristo propriamente dita destacando o desenrolar da mesma dentrodos evangelhos sinóticos e do evangelho de João, obra esta que só pôde serrealizada após o ministério de João Batista. Assim, após estes devidosesclarecimentos fica justificado o “por quê” deste ponto vir somente aqui.1.2.1 Jesus e sua História Missionária nos Evangelhos: Os estudiosos têm separado o ministério de Cristo em fases que eles chamamde anos, os quais são: ano da preparação, popularidade, paixão e vida ressuscitada.Neste período missionário denominado de preparação Cristo concentra boa parte
  10. 10. 10das suas atividades nas regiões da Galiléia. Tudo indica que neste período Ele faziaviagens que iam da sua cidade residente (Nazaré) na Galiléia até o Jordão ondeJoão Batista batizava e, posteriormente voltava para Nazaré. Tudo indica que nestasviagens ao rio Jordão Jesus visitava as duas províncias que ficavam nas margensdo rio, ou seja, Peréia e Judéia. Neste período de acordo com os sinóticos Elepassava quase que desapercebido entre a multidão. Estes poucos relatosdescrevem de forma sucinta a atividade de Cristo neste período nos evangelhos,sendo que no evangelho de João há mais relatos deste período os quais mostram-nos que Cristo já possuía discípulos e Ele mesmo já realizava um certo tipo deministério paralelo ao de João Batista (ver João 3:22 – 24 e 4:1 – 2), sendo que deforma mais anônima. Suas atividades que o revelam para o mundo, mais propriamente dito, dizemrespeito àquilo que conhecemos como ano de popularidade. A prisão de JoãoBatista e sua eventual saída de cena indicam nos evangelhos sinóticos o início damissão de Cristo sob o ano de popularidade, possivelmente entre os anos 26-27d.C. (ver Mt 4:12,13; Mc 1:14,15; Lc 4:14,15). Quando Ele chega à Galiléia depoisda prisão de João Batista esta é a mensagem que estronda dos seus lábios: “Otempo está cumprido”. Com a chegada do reino de Deus, as pessoas tinham que searrepender e crer no Evangelho (Mc 1:14,15). Ele prega nas sinagogas da Galiléia e,na sua cidade Ele é expulso da sinagoga após aplicar a si mesmo a profecia de Is61:1,2. A recepção as suas mensagens são mistas. Muitos espalham a sua fama portoda a Galiléia, louvando-o (Lc 4:14,15, enquanto outros ficavam furiosos porque Eleestava abrindo o reino a pecadores, coletores de impostos e gentios (Lc 4:24 – 30).Cafarnaum que é palco de grande parte de seu ministério público Ele escolhe osseus discípulos e depois os chama de apóstolos. Em síntese, os dias de Jesus eramcheios de atividades, pois Ele viajava pregando a boa nova, chamando as pessoasao arrependimento, curando os doentes, ensinando e expulsando demônios. Esta éa forma que Mateus resume este período: “Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando oevangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo. Ea sua fama correu por toda a Síria; trouxeram-lhe, então, todos os doentes,acometidos de várias enfermidades e tormentos: endemoninhados, lunáticos e
  11. 11. 11paralíticos. E ele os curou. E da Galiléia, Decápolis, Jerusalém, Judéia e d’além doJordão numerosas multidões o seguiam” (Mt 4:23-25). Neste período tudo indica que Cristo fez circuitos regulares de pregação eensino. Ele fazia longos discursos como os registrados em Mateus (Mt 5 – 7; 10:5 –11.1; 13:1-53; 18:1 – 19:2; 24:1 – 25:46). Ao que parece em sua missãoevangelística Ele tinha o objetivo de alcançar o maior número possível de pessoascom os seus sermões, pois estando em plena atividade missionária na Galiléia Eleausentava-se e ia pregar na região de Cesaréia de Filipe, nas regiões de Tiro eSidom na Fenícia e também prega em Decápolis. Ele também envia missionários (Mt10:1-42) e, ao que nos parece, com o claro objetivo de alcançar territórios que Elenão podia alcançar. Quando Cristo não ia as pessoas, as pessoas vinham até Ele.Entretanto, tudo isto Ele fazia com muita responsabilidade, pois tinha hora para odescanso (Mc 6:30 – 32). Ele também prega aos líderes religiosos que na suagrande maioria são hostis para com Ele. Por isso Ele previu que fazer o que eracerto nem sempre traria louvor, por isso falou sobre a perseguição (Mt 5:10 – 12).Em tudo isso Jesus estava treinando os seus seguidores para o que estava por vir.Viria o tempo em que Ele não estaria com eles. Eles teriam que continuar sem a suapresença física. Por isso Ele deu a eles um exemplo, por personificar o queensinava. Dessa forma, eles podiam ver o que teriam que fazer. Em segundo lugar,Ele estabeleceu a organização reunindo os discípulos e indicando doze comoapóstolos acima deles. Ao selecionar doze, Ele estava traçando um paralelo entre aobra de Deus no Antigo Testamento e sua própria obra no Novo Testamento. Emterceiro lugar Ele enviou seus apóstolos a uma missão de pregação para que elesconseguissem a experiência que precisariam quando fosse chegada a hora de faze-los sozinhos. Em quarto lugar, ele os enviou dotados de seu próprio poder eautoridade. Nada poderia resistir a eles, pois eles confiavam na força de Cristo.Finalmente, Ele percorreu grandes distâncias para ensinar-lhes as coisas que elesprecisariam saber para seu ministério futuro. Com sua morte, a história missionáriadeveria prosseguir através de seus discípulos, e, prosseguiu, pois nós somos asprovas vivas dessa história de missões. Por fim, após este longo período na Galiléia Ele ausenta-se definitivamentedesta região e, no outono de 29 d.C sobe a Jerusalém pois estava convicto que
  12. 12. 12tinha chegado a hora de cumprir o propósito de sua vida, que era morrer eressuscitar pelo do seu povo. Com esta resolução Ele dar início aquilo quedenominamos de o ano da paixão. Chegando em Jerusalém Ele participa da Festa dos Tabernáculos em outubrode 29 d.C., e cura um homem que tinha nascido cego. Com este acontecimento umasérie de disputas suje por parte dos governantes porque o que tinha acontecido nãotinha sido sob seus auspícios. Tudo isto indica-nos que o objetivo de Cristo era claro,ou seja, o de suscitar oposição contra si mesmo com a clara finalidade de leva-lo acruz. Após este fato Ele viaja a Peréia em dado momento mandou 72 de seusseguidores em grupos de dois (LC 10.1-24), da mesma forma que tinha enviado osdoze apóstolos antes, para pregar o evangelho e expulsar demônios. Dessa forma,podia se atingir muito mais gente e treinar muito mais nos meses que restavam desua vida na terra que se Ele tivesse tentado fazer sozinho. Percebe-se, destamaneira, que mesmo em face da eminente morte que se aproxima o desejomissionário de Cristo não esfria, muito pelo contrário, queima ainda muito mais forte. Jesus voltou a Jerusalém em dezembro para a festa da Dedicação. Ele seapresentou como o Bom Pastor e, para defender isto, Jesus apelou para as boasobras que vinha fazendo. Depois disso, retirou-se novamente para Betânia além doJordão, onde João tinha batizado antes (Jo 10:40). Depois de ensinar as pessoas lá,Jesus viajou por toda a Judéia durante o inverno de 29 – 30 d.C. Só Lucas descreveeste período de forma extensa (Lc 11:1- 18:17). Nessa missão de pregação, Jesusviajou de aldeia em aldeia (Lc 13:22) com grandes multidões o seguindo (LC 11:29;12:1; 14:25), ensinando, nas sinagogas (Lc 13:10), comendo com importantesfariseus (Lc 11:37; 14:1), e recebendo coletores de impostos, pecadores e atécriancinhas (Lc 15:1; 18:15). Ver-se, assim, que a história missionária de Cristo émarcada com um forte desejo de evangelizar classes diferentes de pessoas, desdealdeões, até criancinhas. Em meio a todo este trabalho Jesus continua a receber forte oposição, porém,Ele seguia calmamente o seu ministério em direção a Jerusalém, pois se aproximavaa Festa da Páscoa e Ele sabia o que lhe aguardava. Nesta época acontece aressurreição de Lázaro narrada em João 11, a notícia deste acontecimento notável
  13. 13. 13se espalhou rapidamente até Jerusalém, onde os governantes judeus intensificaramsua trama para tirar a vida de Jesus (Jo 11:53). Depois disso, Jesus deixou a Betânia e retirou-se ao norte para Efraim, nolimite do deserto (João 11:54). Fez então um circuito por Samaria até a fronteira daGaliléia, a leste da Peréia, ao sul de Jericó, e de volta a Betânia, onde foi recebidopor Maria com uma demonstração abundante de devoção durante um banquete emsua honra (João 12:1 – 8). Assim, no domingo antes da Páscoa em Abril de 30 d.C, Jesus se apresentou acidade de Jerusalém como o prometido de Deus, o Messias, chegando emJerusalém em triunfo sob aclamação do povo. Ele entre em Jerusalém de forma tãomajestosa e, por fim, é crucificado fora dela como um malfeitor. Entretanto, após suamorte através da crucificação Ele ressuscita ao terceiro dia e reuni os seusdiscípulos após o vasto tempo de preparação e os envia ao mundo paracontinuarem aquilo que ele apenas começou, ou seja, realizar missões em todas asnações “escrevendo” suas histórias missionárias como Ele escreveu a sua. No fimdos quatro evangelhos encontramos quase que os mesmos dizeres: Ele disse emMateus 28: 18 – 20: “Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”.Em Marcos 16:15 “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”.Em Lucas 24:45 – 47 “Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém”.
  14. 14. 14Em João 20:21 “Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio”. Vemos, assim, que os quatro evangelhos descrevem os períodos da vida eministério de Cristo ressaltando sua atividade constante que visava alcançar asalvação do seu povo. Com este objetivo em mente Ele suportou todo tipo dedificuldades e oposições com um firme propósito que mesmo em face da morte nãovacilou. Está é, sem dúvida, a mais bela história das missões, história esta que deveinspirar todos aqueles que almejam escrever sua própria história, para que fiqueregistrada como mais um dos capítulos da história das missões.2 História das Missões em Atos dos Apóstolos: O Evangelho de Lucas termina basicamente com uma promessa missionáriaque capacitaria os discípulos para a continuação da mesma, Jesus prometeu: “Eisque envio sobre vós a promessa do meu Pai; permanecei, pois, na cidade, atéque do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24:49). Jesus ordena que osdiscípulos fiquem em Jerusalém para aguardar o cumprimento da promessa, queera, a descida do Espírito Santo e o derramamento de seu poder em suas vidas. EmAtos 1:8, o Senhor Jesus, explica o propósito para o qual os discípulos seriamrevestidos com o poder do Espírito Santo: “... e sereis minhas testemunhas tanto emJerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”. Estavaestabelecida a comissão, ou seja, a ordenança, a todos os discípulos, de seremtestemunhas e disseminadores do Evangelho em todo lugar. No capítulo 2, vem,então, o cumprimento da promessa (2: 1-4). É interessante notarmos o propósito de Deus, de juntar todos em um só corpo,ou em uma só igreja as ovelhas perdidas, estabelecendo, assim, a união entre: oscrentes judeus e os prosélitos do judaísmo que estavam em Jerusalém - “que é omarco claro estabelecido no dia de Pentecostes” (2: 5-13); Crentes judeus esamaritanos – “que é o aspecto claro do por quê o Espírito Santo não desceuimediatamente sobre os recém convertidos de Samaria” (8: 4-8); e judeus e gentios
  15. 15. 15– “a ponto de Pedro exclamar: aos gentios foi por Deus concedido o mesmo domque a nós no princípio” (10: 44-48).2.1 O Evangelho em Jerusalém: Revestidos com o poder do Espírito Santo, os discípulos começaram a cumprira ordenança sendo usados pelo Senhor Deus, O Grande Missionário, para pregar oEvangelho em Jerusalém. A estratégia estabelecida pelo Senhor Deus, é que, foramatraídas à Jerusalém, pessoas de todas as nações a fim de participarem da festa dePentecostes1, sendo a ocasião oportuna para cumprir o propósito missionário. (2: 14-37). Assim o Evangelho começou a ser pregado em toda a Jerusalém. Pedrodiscursa, e três mil novos crentes são recebidos pelo Senhor Deus em Sua igreja.Eles continuaram pregando e sendo usados por Deus para fazerem milagres eprodígios, glorificando o nome do Senhor (3:1-10). A igreja louvava a Deus e viviacom alegria e simplicidade, “enquanto acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os queiam sendo salvos”. (2:47)2.1.2 O Evangelho na Judéia e Samaria: Mas, a ordem era avançar, não ficar apenas em Jerusalém. Então Deus, comoestratégia, permitiu que a igreja sofresse grande perseguição, mas experimentando,também, grande livramento (4:1-31), com o propósito de expansão da igreja. Ahistória começa a mostrar como a perseguição da igreja em Jerusalém acaboutransformando-se em benefícios para a mesma, pois, os crentes que foram expulsosde seus lares ou resolveram sair deles pregavam o Evangelho da salvação enquantoiam de lugar em lugar. (8:4) Um deles foi Filipe, que deixou Jerusalém, passando pelas regiões da Judéiaseguindo para Samaria onde também pregou o Evangelho com grande êxito, pois, o1 FESTA DE PENTECOSTES - Festa da colheita, onde eram trazidas à Jerusalém, as primícias de toda colheitapara serem ofertadas em adoração ao Senhor.
  16. 16. 16povo prestava atenção a ele (8:6), e não a Simão (8:11). Os samaritanos deramcrédito a Filipe à medida que os evangelizava a respeito do reino de Deus e donome de Jesus Cristo, dando assim, prosseguimento ao cumprimento da ordem deJesus de testemunhar em Jerusalém, na Judéia, Samaria e até os confins da terra.2.1.3 O Evangelho “Até os Confins da Terra”: Prosseguindo com seu propósito, o Senhor Deus, estrategicamente, usa Pedropara levar o Evangelho aos gentios. Pedro estava na casa de Simão, o curtidor, emJope; teve fome, enquanto esperava que preparassem a refeição, teve uma visão deum lençol com toda sorte de réptil da terra e aves do céu. Ouviu uma voz: “mata ecome”, mas, ele replicou: “de modo nenhum Senhor, jamais comi comida comum eimunda”, então ele ouviu a voz pela segunda vez: “ao que Deus purificou nãoconsideres comum”. Vemos aqui, o propósito de Deus em unir os povos, para issoEle estava preparando Pedro para falar do Evangelho para o gentio Nicodemos.Pedro recebeu os mensageiros mandados por Nicodemos e foi com eles, pregou-lhes o Evangelho e receberam o Espírito Santo. (10: 1-48)2.2 A História das Campanhas Missionárias de Paulo: No capítulo 13 deu-se o início das campanhas missionárias de Paulo,evangelização sistemática dos gentios. A primeira em (11:19-30) relata a expansão da igreja para o norte, comoresultado da atividade evangelística de missionários anônimos que foram até aFenícia, Chipre e Antioquia anunciando a Palavra de Deus. Foi em Antioquia que osdiscípulos foram pela primeira vez chamados de “cristãos”. A partir de Antioquia, Paulo e Barnabé, iniciaram sua primeira viagemmissionária; desceram a Selêucia e navegaram para Chipre, Salamina, Pafos,chegaram a Perge da Panfília, em seguida a Antioquia da Pisídia. Uma dasestratégias de Paulo ao chegar em uma cidade era ir a sinagoga. Chegaram em
  17. 17. 17Icônio, Listra e Derbe. Em listra, Barnabé foi chamado Júpiter e Paulo de Mercúriopor causa da cura de um aleijado dos pés, o mesmo era coxo desde o ventre. Naviagem, encontraram irmãos sendo ensinados que se não fossem circuncidados nãopoderiam ser salvos. Isso gerou uma grande discussão que os levaram ao concílioem Jerusalém. Que determinaram quatro pontos a serem obedecidos (15: 22-29).2.2.1 O Evangelho em Filipos: A Segunda viagem de Paulo, após ter uma visão de um homem que pedia quepassassem a Macedônia e os ajudassem, foi a Filipos. Ali encontrou uma mulherchamada Lídia que vinha de Tiatira, era vendedora de púrpura, “o Senhor lhe abriu ocoração para atender às coisas que Paulo dizia” (16: 14). Então, ela e toda sua casaforam batizadas. O Evangelho também alcançou uma escrava e o carcereiroromano. Pelos anos 51 a 54 d.C., Paulo, já estava preso em Roma, de ondeescreveu a carta aos filipenses.2.2.2 O Evangelho em Tessalônica: Paulo dá continuidade à sua viagem e chega em Tessalônica, como eracostume, ele usava a sinagoga para pregar o Evangelho. A esta igreja, Paulo,escreveu duas cartas, provavelmente, quando estava em Corinto. Após serperseguido em Tessalônica ele foi a Beréia onde encontrou, segundo ele, cristãosmais nobres, pois examinavam as Escrituras. Seguiu para Atenas onde encontrou oaltar ao deus desconhecido, foi convidado a explicar, no areópago, perante o povo,sobre o deus desconhecido, pois ele se apresentou como representante do mesmo.No final muitos creram, entre eles, Dionísio o areopagita e uma mulher chamadaDamaris.2.2.3 O Evangelho em Corinto: De Atenas foi para Corinto (Atos 18), que por ser uma cidade de um povoorgulhoso, gabavam-se de sua riqueza: era também uma cidade com grandes
  18. 18. 18práticas imorais, onde tinha um templo erguido em honra a Afrodite, deusa do amor,que era servida por mil escravas que vagavam pelas ruas, à noite, como prostitutas.Mas, o Evangelho de Cristo chamou os coríntios ao arrependimento e a santidade.Paulo escreveu duas cartas aos coríntios.2.2.4 O Evangelho em Éfeso: Na terceira viagem, Paulo vai a Éfeso (Atos 19) entrou na sinagoga e falouousadamente por três meses, mas, o povo falava mal do Caminho perante amultidão. Então, Paulo, estrategicamente usou a escola de Tirano para ensinardiariamente por um período de dois anos; e como conseqüência desse trabalhotodos os que habitavam na Ásia, tanto judeus como gregos, ouviram o Evangelho dasalvação. (19:10) Ainda em Éfeso, ouve grande tumulto acerca do Caminho, pois, certo ouriveschamado Demétrio que fazia, em prata, miniaturas do templo de Diana, juntou osourives e outras pessoas para protestar contra Paulo, pois, este dizia que não eramDeuses os que se fazia com as mãos, então, aqueles homens passaram a clamar,por duas horas pelo menos: “grande é a Diana dos efésios” (19:34). O escrivão dacidade apaziguou a multidão e orientou para que fossem ao proconsul e fizessem aacusação. Após o tumulto ter cessado (Atos 20), Paulo despediu-se dos discípulos epartiu para Macedônia até a Grécia, depois, chegando a Síria voltou pela Macedôniaaté a Ásia visitando outra vez os trabalhos fundados, aonde, ao chegar, participavacom os discípulos em comunhão. Em Trôade o discurso foi até a meia noite; umrapaz chamado Êutico estava sentado em uma janela do terceiro andar e tomado deum profundo sono caiu e foi dado como morto. Paulo foi até o moço e abraçando-o oespírito lhe voltou e Ele continuou a pregar até ao amanhecer, depois partiu. (Atos20:7) A caminho pela Costa Ocidental da Ásia Menor, na direção sul, ele despediu-sedos anciãos de Éfeso que vieram encontrar-se com ele em Mileto. Ao mesmo tempo
  19. 19. 19em que prosseguia sua jornada em direção a Jerusalém, repetidas advertênciasforam sendo dadas, de que ele seria detido e perseguido ali. Quando Paulo chegoua Jerusalém, quatro crentes judeus haviam contraído impureza cerimonial durante operíodo de um voto temporário do seu nazireado. Foi aconselhado pelos irmãos quese juntasse com irmãos para que se santificassem, porém, chegaram alguns judeusvindos da Ásia Menor, que equivocadamente pensaram que Paulo tinha feito entrarno átrio do templo, onde só judeus poderiam entrar, seu colega gentio, chamado,Trófimo. Os judeus causaram grande confusão, arrastaram Paulo para fora dotemplo, procurando tirar sua vida, sendo necessário a intervenção do comandantecom os centuriões. Vemos nisto a oportunidade para Paulo chegar diante dasautoridades para pregar o Evangelho, estando no sinédrio pregou aos principaissacerdotes. Devido à conspiração para matá-lo, foi enviado a Cesaréia onde faloudiante do governador Festo, e apelou para César. Falou para o rei Agripa; foienviado a Roma; depois de um trajeto muito difícil, chegou a seu destino.2.2.5 O Evangelho em Roma: O Evangelho chegou em Roma provavelmente trazidos pelos romanos queestiveram em Jerusalém no Dia de Pentecostes. A carta aos romanos foi escrita nofim da terceira viagem de Paulo quando estava em Corinto, foi levado por Febe deCencréia, subúrbio de Corinto, que estava de saída para Roma (Rm 16:1-2).3 As Estratégias de Paulo: Roberto Sper em seus livros falou das estratégias de Paulo, ele trabalhava nasgrandes cidades e tinha o povo judeu e os helenistas como alvo, e seu ponto departida era as sinagogas. Ele apresenta seis características da estratégia de Paulo:1 – Equipe, Paulo trabalhava em equipe.2 – Treinava os nativos,3 – Flexibilidade cultural.4 – Procurava povos não alcançados.
  20. 20. 205 – Mesmo nível econômico.6 – Seu método era pregar a Palavra.3.1 Cronologia dos Escritos Bíblicos e a Soberania Divina: No Ano 60 Lucas escreve o Evangelho e o Livro de Atos. Neste mesmo períodoo apóstolo Paulo escreve na prisão as epístolas aos efésios; aos Filipenses; aosColossenses, e a Filemom. No Ano 64 Ele escreveu 1Timóteo. Neste mesmo anohouve as primeiras perseguições contra os cristãos; Nero atéia fogo em Roma eculpa os cristãos. Um ano depois Pedro escreveu sua primeira epístolapossivelmente em Babilônia. Existe uma tradição, do segundo século, em abonodesta idéia. Roma é chamada Babilônia em Ap 17 e 18, assim como em Ap 11.8Jerusalém é denominada "Sodoma", sendo a idéia a seguinte: Jerusalém traziaentão as marcas da impiedade relacionada com a Sodoma de Gn 18 e 19. Assim, namente de Pedro, a Roma dos seus dias lembrava a antiga Babilônia em riqueza,luxúria e licenciosidade. Pode bem ser que empregasse o termo "Babilônia" em vezde Roma por uma medida de prudência, d’outra sorte a carta, caindo porinadvertência nas mãos de algum funcionário romano, este ao ler o pós-escrito seofenderia, o que não podia deixar de ser possível, e isto então desse lugar a durasconseqüências para os cristãos. A opinião de que o termo "Babilônia" usa-se aquipara significar Roma era aceita universalmente na era cristã primitiva e ainda hoje setem como plausível. No mesmo ano Paulo escreve a epístola a Tito a qual nãopodemos afirmar de onde . Entre os anos de 66 - 67 Pedro escreve sua segunda epístola que foi escritanão muito antes do martírio desse apóstolo; a data, pois, seria mais ou menos 66 ou67 A. D. Tivera notícias acerca da obra dos falsos mestres na Igreja e então exortaos cristãos a perseverarem na verdade, ainda que rodeados de erros e infidelidade.Adverte os falsos mestres sobre o crime que estão cometendo e o perigo que daídecorre, apontando para a segunda vinda do Senhor que para eles não seriaocasião de alegria, senão de juízo. Os cristãos, por outro lado, devem viver à luzdessa vinda; insta com eles para que se santifiquem e sejam diligentes, ao mesmotempo humildes, como convém aos que esperam pela aparição do Senhor Jesus.
  21. 21. 21 No Ano 67 Paulo escreve a segunda epístola a Timóteo não se podendo dizercom certeza o local de sua escrita, possivelmente ele encontrava-se em seu últimoaprisionamento. Provavelmente nos meados do ano 68 João Marcos escreveu o Evangelho. Asmaiorias dos eruditos, seguindo evidências antigas, apontam Roma como o lugar emque foi escrito. Dr. Graham Scroggie considera que 1Pe 5.13 tende a confirmar estaidéia, caso Babilônia significasse Roma. Outros sugerem Alexandria, Cesaréia eAntioquia da Síria. É provável que este evangelho fosse escrito para leitoresgentílicos em geral e mais particularmente para os romanos. Há relativamentepoucas citações e alusões tiradas do Velho Testamento; expressões aramaicas sãointerpretadas (Mc 5.41); os costumes dos judeus são explicados (v.g. Mc 7.3-11);algumas palavras latinas aparecem. O teor geral da obra, que representa aincessante atividade do Senhor e Seu poder sobre os demônios, a enfermidade e amorte, atrairia o leitor romano, interessado mais em atividade do que em palavras. Neste mesmo período, em meados do ano 68 d.C Judas, irmão de Jesus,escreve sua epístola (Mt 13.55; Mc 6.3). Durante a vida terrestre de Jesus, Seusirmãos não criam nEle (Mt 12.46; Mc 3.31; Lc 8.19; Jo 7.3-9). Entretanto, sãoencontrados entre os discípulos no início do livro dos Atos (At 1.14), e Tiago tornou-se um dos líderes mais destacados da igreja em Jerusalém (At 15.13-21.18; Gl 2.9).É assim que muitos julgam que esta breve carta seja da autoria de Judas, o irmãomenos conhecido de Jesus. Nada há na epístola que exclua a possibilidade de elater sido escrita no tempo da vida deste Judas, filho menor na família terrena deJesus. As condições na igreja descritas na carta não são incompatíveis com as dofim do primeiro século, embora seja verdade que correspondem também à situaçãocriada pelo gnosticismo no segundo século. 1Coríntos revela condições semelhantesàquelas mencionadas nesta epístola geral, cujo teor dá a entender que o autor sesente perturbado por novidades que apenas começam a insinuar-se na igreja. Porestas razões, alguns que não aceitam a autoria de Judas, irmão de Jesus, dão comodata da epístola o fim do século primeiro. A epístola foi escrita em conseqüência deuma situação que se produziu no seio da igreja. Homens, sob a profissão doCristianismo, estavam-se metendo em franca imoralidade "tornando a graça de Deus
  22. 22. 22em luxúria". Outrossim, mostravam um baixo padrão moral em outros sentidos. Nateoria e na prática, estavam pervertendo a doutrina evangélica da graça. Ainda que acarta não tenha destino certo indicado no texto, parece ter sido escrita a algumacomunidade desconhecida de cristãos, membros de uma igreja gentílica. Essa igrejasentiu certa influência pagã, conhecida pelo autor, e, por conseguinte uma falsainterpretação da fé cristã estava espalhando-se. O autor manda uma missivaenérgica para combater esta influência nociva, que ameaça os leitores, e, ao mesmotempo, ele procura animá-los a resistir-lhe. Ao ano de 68 é também atribuída a escrita da epístola aos Hebreus. Não sesabe com certeza quem foi o autor desta epístola e muitas têm sido as suposiçõesde quem foi o seu autor. Em Alexandria, onde a epístola foi aceita por seus própriosméritos, há evidência de uma tendência crescente, no terceiro século de nossa era,de ligá-la ao apóstolo Paulo, ainda que bastante indiretamente. Clemente sugeriuque Paulo escreveu-a em hebraico e que Lucas a traduziu para o grego. Orígenesse inclinava a pensar que os pensamentos originais fossem do apóstolo, ainda quenão a forma escrita e a linguagem final. Tal conexão dessa epístola ao nome dePaulo muito contribuiu para que lhe conferissem autoridade apostólica, na falta doque muitos hesitaram em aceitá-la como canônica. Conseqüentemente, muitascópias manuscritas vieram a ser intituladas "A Epístola de Paulo aos Hebreus".Entretanto, essa atribuição da epístola ao apóstolo, não é aceita pela maioria doseruditos contemporâneos. A própria evidência interna da epístola, como sualinguagem, estilo e conteúdo, é considerada como prova conclusiva contra essasuposição (por exemplo, contrastar Hb 2.3 com Gl 1.12; Gl 2.6). Entre os anos de 85 a 90, O apóstolo João escreve 3 epístolas e o Evangelho.As epístolas que trazem o nome de João são anônimas. A primeira não temdedicatória nem assinatura. Há, porém, afinidades tão íntimas entre ela e o quartoEvangelho, no tocante ao estilo e à matéria versada, que a maioria dos eruditosconcorda que os quatro escritos tiveram um só autor. Até mesmo os poucos quepensam diferentemente são constrangidos a admitir que o escritor da primeiraepístola deve ter sido alguém que recebeu forte influência do autor do Evangelho.Não há razão para se rejeitar a tradição de ter sido o apóstolo João, filho deZebedeu, o autor dos quatro documentos. E, em Patmos, João tem a visão e
  23. 23. 23escreve o livro de apocalipse. Recentes escritores sobre o Apocalipse se inclinam àaceitação da tradição dos primeiros cristãos de que foi escrito pelos fins do reinadode Domiciano, i. e., cerca de 96. O autor do Apocalipse designa-se simplesmenteJoão. Embora residente na Ásia Menor (ou, antes, Ásia proconsular), ele eraclaramente um cristão hebreu como a linguagem e o estilo do livro revelam, eassumiu posição de influência entre as igrejas dessa região. Era natural, em vista daforte tradição de que João, o filho de Zebedeu, emigrou para Éfeso, que osescritores cristãos identificassem João, o apóstolo, com o vidente que escreveu oApocalipse. O motivo mais ponderável para essa conclusão é, talvez, o fato que oprofeta simplesmente se chama "João", como se não houvesse nenhum outro lídercristão nessa região com quem ele pudesse ser confundido. As muitas afinidadesnotáveis de pensamento e redação entre o Evangelho e o Apocalipse, quanto aospormenores, também reclamam o reconhecimento de alguma ligação na autoria dosdois livros. O livro reflete os princípios de uma crise de perseguição prestes arebentar com toda a fúria sobre os cristãos da Ásia e, finalmente, sobre a igreja emtoda a parte. Assim sendo, nota-se que, enquanto as atividades missionárias da Igreja eramrealizadas, Deus trabalhava junto aos seus servos levando-os a escrever arevelação neotestamentária dentro de um contexto histórico específico que, apesardos vários contextos que nos encontramos hoje, serviriam para direcionar toda avida doutrinária e missionária que a Igreja empreenderia posteriormente. É Deustrabalhando em prol do seu povo.4 A História das Missões Entre os Anos 100 a 500 d.c.: No começo deste período os cristãos chegaram a ver um mundo, em algunsaspectos, favoráveis à pregação do Evangelho. Pois, o Império Romano impusera,numa grande área do mundo então conhecida disciplina e unidade de formabastante intensa, até aí desconhecidas. Mas, a paz nunca foi total. Havia sempreameaças nas fronteiras; a revolta nas províncias tornara-se incontrolável: a quedadeste ou daquele imperador ameaçava sempre a organização intrincadamenteequilibrada do Império, embora muito mais tarde conseguisse derrubá-la. Contudo, a
  24. 24. 24paz não deixava de ser uma realidade. Onde os romanos chegavam, construíamestradas, bem delineadas e pavimentadas, através dos montes e vales. Mais tarde,quando a ordem romana ruiu e as estradas foram abandonadas, uma grande parteda humanidade passou a viver em aldeias dispersas, que durante os longosinvernos ficavam sem comunicações com os outros centros habitados. Mas notempo de Roma isso não sucedia, as viagens ofereciam maior segurança e erammais rápidas do que em qualquer outro período, antes do século XIX. A Igreja, nos seus primeiros dias, falava aramaico, idioma corrente naPalestina. No decurso do tempo, verificou-se ser necessário empregar várias línguaspara a expressão da sua fé. Mas, quase de início, era fundamentalmente uma Igrejade língua grega. O Império Romano aceitara o grego, tanto para fins comerciais,como para meio de comunicação familiar entre os homens educados. Quemsoubesse grego poderia ir a todo o lado, que sempre encontraria amigos com quemfalar; quando as Igrejas de Lyons e Vienne, no Sul da França, cerca de 177 d. C.,desejaram comunicar com o resto do mundo cristão, para o informar a cerca dasterríveis perseguições que haviam sofrido, foi em grego que se lhes dirigiram. Maisainda: as conquistas de Alexandre no século IV a.C. haviam difundido a civilização ea língua grega até ao próprio coração da Ásia. Um reino grego mantivera-se cercade dois séculos na fronteira com a Índia, e, durante um certo período, no interiordeste último país, com notáveis influências sobre a arte indiana. Talvez mais importante que qualquer dos dois fatores que mencionamos atrás,foi a presença dos judeus, durante muitos anos, em todas as regiões do ImpérioRomano. É impossível saber quantos foram, mas algumas autoridades calculam querepresentassem cerca de sete por cento da população total. Esses judeus formaramum povo vigoroso, ativo e por vezes turbulento. Apesar da sua falta de amizade e dasua secura, haviam conseguido exercer uma influência notável nos povos vizinhos,atraindo muitos deles para a fé judaica. A procura da sabedoria era uma paixãoantiga nos gregos, sempre em busca de novidades; a sinagoga ofereceu-lhes umasabedoria profunda e dinâmica, aparentemente mais antiga quer a de Homero. Omonoteísmo andava no ar; o Velho Testamento estabelecera um monoteísmo maispuro, mais radical e mais pessoal que qualquer outro sistema conhecido do mundoantigo. Alguns gentios submeteram-se ao rito da circuncisão, passando assim a
  25. 25. 25pertencer ao povo dos judeus; a maioria ficava na categoria dos “tementes a Deus”,espectadores interessados, que encontramos com tanta freqüência nas páginas dosAtos dos Apóstolos. Foi neste grupo que a pregação do Evangelho encontrou a sua resposta maisfirme e imediata. Quando se tornou claro aos olhos destes gentios que, sem passarpelo rito da circuncisão (que tanto os gregos como os romanos consideravamrepulsivos), podiam ganhar não só o que o judaísmo lhes oferecia, mas ainda algomais, não lhes foi difícil aceitar a fé de Jesus Cristo. A presença desta elitediferenciou as missões da era apostólica das de épocas subseqüentes, fazendo comque a comparação se torne quase impossível. Estes povos, ou os melhoresindivíduos entre eles, haviam sendo bem instruídos pelo Antigo Testamento, de queaceitaram a moral e as idéias teológicas. Muitos deles trouxeram para a sua fé cristãa base de compreensão e de caráter disciplinado, que lhes permitia ocuparemnaturalmente posições destacadas na chefia das novas congregações cristãs. E, emcertos casos, tornaram-se pioneiros do desenvolvimento do pensamento da Igreja. O segundo século foi um período perturbado e ansioso. O homem buscava denovo a alma e encontrava-se livre, diante de vários tipos de religião. Nos últimosanos tem-se escrito muito acerca das “religiões do mistério” do Império Romano emdecadência, como paralelo, e talvez como origem, da doutrina cristã. É indubitávelque alguns destes mistérios respeitavam a deuses que morriam e ressuscitavam, àscerimônias de iniciação e refeições sagradas, cujo objetivo consistia em conseguiruma certa forma de participação do crente na vida do deus. Uma investigaçãocautelosa mostrou existirem poucos indícios da influência direta dos mistérios na fée na prática cristã; as semelhanças são mais o resultado de desenvolvimentoparalelo em situações equivalentes, do que contribuições diretas. Na realidade, ospensadores cristãos parece haverem entrado diretamente em conflito com osmistérios, que consideravam disfarces diabólicos da verdadeira revelação de Deus.Contudo, as religiões de mistérios e o seu desenvolvimento, nos primeiros séculosda nossa era, são como evidências do desejo irreprimível do homem em conseguirobter certezas a respeito de Deus e do seu destino; nesse sentido, pode dizer-seque serviram de preparação ao Evangelho.
  26. 26. 26 Paulo foi o maior e provavelmente o mais sistemático de todos os primeirosmissionários. Teve por objetivo trabalhar entre os gentios. Após a conquista daregião da Ásia ele deseja alcançar a Europa com uma parceria com a IgrejaRomana. No entanto, não temos confirmação de nenhum trabalho estabelecido emoutras regiões fora da que citamos, possivelmente em outras direções a Igrejatambém se expandia nas regiões do Oriente. Outras evidências comprovam-nos a rápida difusão do cristianismo nesteperíodo, as epístolas de Inácio e o medo de Plínio de que os santuários dos deusesviessem a ficar inteiramente desertos comprovam-nos o quanto o cristianismo estavaempactando a sociedade de então. Com a destruição de Jerusalém a Igreja no ano70 d.C. não chegou ao fim, ao invés disso instalou-se em Antioquia na Síria, ondepassou a ser o seu segundo lar. Na capital do Oriente, a fé cristã enraizou-sefortemente e desenvolveu-se sob uma sucessão de vários bispos notáveis dos quaisnão temos conhecimento. Vale ressaltar, entretanto, que para o fim do século IVapesar desta informação provir de uma época consideravelmente posterior, apopulação de Antioquia andaria a roda de 500.000 habitantes, dos quais mais dametade seriam cristãos. A Ásia Menor que nos tempos de Paulo apontava para um progresso promissornão se concretizou, visto que não teve tanto sucesso entre os povos mais atrasadosque conversavam em suas línguas nativas e não no grego comum. O terceiro centro do mundo cristão era Roma, que só passou a proclamar odomínio universal no século IV. Esta Igreja foi fundamental dentro das disputasteológicas que cercaram os anos de 100 a 400 a.C. é evidente que de início a Igrejade Roma possuía a classe dos mais pobres sendo por mais de cem anos uma igrejade língua grega. O povo mais culto que falava latim veio a ser ganho através dobispo Vítor, entre os anos de 189-199 d.C., assim a Igreja penetra nas classes maisaltas da sociedade. Pelo fato desta Igreja está situada em um dos pólos maisatrativos propiciou-lhe um rápido crescimento, segundo Harnack, Roma possuíauma população cristã de pelo menos 30.000 seguidores.
  27. 27. 27 Enquanto isso, na Gália e na Espanha, o progresso foi muito vagaroso. Irineu(130 a 200) bispo de Lyon chega a evangelizar os povos tribais. A verdade é que jáno século III, haviam varias Igrejas estabelecidas na Espanha, tendo umas 36dioceses espalhadas. Na Inglaterra não se tem certeza do ano em que foi estabelecido o cristianismo,alguns associam Paulo ou um dos seus companheiros como missionários nestaregião, o que é pouco provável, entretanto, Tertuliano já nos dá informação sobre oscrentes de língua inglesa no ano de 208 d.C., por certo, podemos afirmar que em314 a Inglaterra já se encontrava representada no Concílio de Arles na FrançaMeridional. O Evangelho também chega muito cedo ao Egito, sem podermos estabeleceruma data precisa, porém, Alexandria, com toda certeza, já possuía uma classe decrentes pensadores que se tornaram seguidores de Fílon. Eles foram os pioneirosnestas regiões da Grécia não cristã. Pensadores como Clemente (150–215) eOrígenes (185–254), embora se conservando firmemente dentro da doutrinaortodoxa da revelação do Pai, através do Filho, que é também Palavra divina,puderam reconhecer na filosofia grega uma verdadeira preparação para o evangelhode Cristo e crer que o Deus que guiava os destinos de Israel se encontrava tambématuante na história dos gregos. O cristianismo no Egito não se limitava aos que falavam grego. A tradução dasEscrituras em vários dialetos da língua que hoje conhecemos pelo nome de coptacomeçou em meados do século III. Por essa época, ou um pouco mais tarde, osdesertos começaram a encher-se de monges e de eremitas. Os habitantes desertos,na grande maioria, falavam copta e pouco ou nada sabiam de grego. O fanatismoque por vezes revelavam não justifica, entretanto, as ásperas observações deEdward Gibbon acerca do triunfo do barbarismo e da religião. Mas este lado sombriodeve comparar-se com a simplicidade e devoção manifestadas em quase todas aspáginas das vidas dos Padres do Deserto. Cirene é mencionada em quatro passagens do Novo testamento: Simão deCirene transportou a cruz de Cristo; quando Pedro apresentou seu primeiro sermão
  28. 28. 28no dia de Pentecostes encontrava-se presente cirineus, os cirineus tomaram partedecisiva no transporte dos evangelhos de Israel para o mundo gentio, graças aomaravilhoso Sinésio persuadido em 410 que se tornou bispo da sua cidade nativa.Existiam seis bispados nesta região. O evangelho penetrou mais rapidamente aonorte da África, hoje, Tunísia e Argélia. A literatura latina Cristã surgiu provavelmenteno norte da África, representada, pelos ex-homens do fórum Tertuliano (160–220) eCipriano. A igreja do norte de África era a igreja de bispos, cada cidade tinha o seu bispo.Esta igreja como a do Egito, debatia-se com o problema da raça e do idioma. Pareceevidente que fatores lingüísticos e raciais entre outros, também condicionaram ocisma donatista, que despedaçou a igreja da África do norte, geração após geraçãoe a enfraqueceu sem qualquer esperança. Na visão geral do fim do século III nãohavia nenhuma do Império Romano que não tivesse sido penetrada em maior oumenor extensão pelo evangelho. Porém, sua influência era desigual. A maior parteda igreja falava grego e latim e os povos camponeses encontravam-se em umavasta extensão, alheios à sua influência. Quais os fatores que permitiam a difusão das sagradas Escrituras? O primeiro e mais importante fator a considerar, é a fervorosa convicção quepossuíam muitos dos primeiros cristãos. Novas comunidades cristãs recomendavam-se a si mesmas pela evidentepureza de suas vidas. Nos primeiros dias do Império romano, o sentido decomunidade e de lealdade mutua foram muito forte, a desorganização da sociedaderesultava no enfraquecimento de lealdade local e embora os estóicos a tivessemtento substituir por uma lealdade mais ampla na sua doutrina do homem comocidadão do mundo, expresso pelo imperado estóico Marcos Aurélio. O que os estóicos queriam, foi criado pelos cristãos, que era uma sociedadeem todos eram bem vindos sem distinção, discriminação. O cristão onde quer que seencontrasse sabia que pertencia a uma sociedade potencialmente mundial e queestava obrigado pelos princípios de um único Senhor, e de uma única fé, um únicobatismo. O Teísmo (isto é a fé cristã) progrediu especialmente devido os serviços
  29. 29. 29prestados a estranhos e aos cuidados com o enterro dos mortos. Devemosconsiderar o efeito da perseguição aos cristãos sobre a opinião pública. Até aperseguição sistemática ordenada pelo imperador Décio em meados do éculo III,quando a perseguição se iniciou, a mesma deve-se mais às pressões populares doque ao resultado de uma campanha planejada por parte das autoridades. Todoscristãos sabiam que mais cedo ou mais tarde teriam de testemunhar de sua fé acusta de sua própria vida. Quando ocorria uma perseguição, o martírioexperimentava a maior publicidade possível, o publico romano era cruel e duro masnem sempre desprovido de compaixão, e não restam duvida de que as atividadesdos mártires e particularmente das mulheres jovens que sofriam juntamente com oshomens provocou uma profunda impressão. Nos primeiros vinte anos do século IV, a situação modificou-se pois oimperador Constantino (274-337) mostrou-se progressivamente favorável à novareligião, aceitando-a como religião do estado. Aceitou o batismo cristão das mãos doseu amigo Eusébio de Nicomédia. Os cristãos puderam sais das catacumbas ebeneficiar-se dos favores imperiais. No final do século II o inteligente Celso deAlexandria escreveu um livro contra os cristãos. Justino Marte (100-165) nascido naantiga Shechen, procurava a verdadeira sabedoria em muitas escolas filosóficas, sóquando encontrou um professor cristão em Éfeso, pode descobrir no Evangelho asolução para seus problemas. Surgiram muitos filósofos como Tácito, Amiano,Marcelino, Luciano, Pholino, Clemente, Orígenes, Tertuliano, o que originou aliteratura cristã foi o fato destes homens terem algo de vital importância a dizer. O cristianismo estava na moda e a maioria dos homens como hoje,consideravam conveniente seguir a moda. Em tudo havia perigo. A fé tornou-sesuperficial e identificou-se com a aceitação de ensinamentos dogmáticos, mais doque com uma transformação radical do próprio eu. Como a Igreja enriquecera, asdioceses tornavam-se objetos de controvérsias, mais do que instrumentos deserviços humildes. Com esta nova liberdade, a igreja podia penetrar no mundo, e, aomesmo tempo, de forma perigosa, o mundo entrava na igreja. O século IV foi operíodo do desenvolvimento das grandes literaturas clássicas.
  30. 30. 30 É de notar que mesmo antes da grande transformação que se realizou na erade Constantino, a igreja ultrapassava já as fronteiras imperiais. O siríaco é uma língua semita semelhante ao hebraico e aramaico. Ocristianismo de língua siríaca tinha um caráter próprio, eles eram simples, diretos eintrospectivos. Na Índia do Sudoeste a igreja dos cristãos de Tomé ainda existe. A duascertezas absolutas: 1º sabemos que esta igreja existe desde os primeiros temposcristãos; 2º podemos dizer que a igreja de São Tomé no Sul da Índia, no primeiroséculo, teria sido perfeitamente possível. A fé continuará sem duvida a afirmar ate osfins dos tempos a origem diretamente apostólica da igreja indiana. O Evangelho estendeu-se da Capadócia a Armênia, onde o seu mais notáveldifusor foi Gregório que nascera 213, estudara nas classes de Orígenes emCesaréia e deixou uma nobre oração de louvor ao seu grande professor. Os godosobtiveram seu primeiro conhecimento do Evangelho por prisioneiros capadocianos,mas a evangelização só começou com a vida de Ufilas (311 a 383) um dos maisnotáveis dos missionários de qualquer período da historia da igreja. Ufilas parece ter sido filho de pai capadociano e de mãe goda. O maior serviçopor ele prestado consistiu em ter reduzido a linguagem gótica à escrita e em traduzira Bíblia para este idioma. Acerca dos povos entre o Danúbio e o Mar do Norte, existe um grandedesconhecimento a respeito do que se passava neste período. Patrício nascera, emalgum lugar na Inglaterra, cerca de 389 d.C. Aos 16 anos de idade, um bando demercenários irlandeses desceu sobre a Inglaterra e raptou um certo numero depessoas. Patrício encontrava-se entre estas. Seis anos passou como pastor, entreos bárbaros nas montanhas selvagens da Irlanda. No fim desse período, Patríciofugiu para França onde se tornou monge da Abadia de Lerins. Patrício decide regressar a Irlanda. É possível que tenha regressado a Irlandacerca de 432 e houvesse prosseguido seu trabalho até morrer em 461. a Irlanda era
  31. 31. 31um país quase inteiramente pagão. Deparou-se com muita oposição, por parte dosrepresentantes da velha religião, dos reis que tentou converter, dos ataquesbritânicos que perturbava a sua obra e massacrava os convertidos. Mas sobreviveuaos seus inimigos e cansou a oposição. Na altura da sua morte a Irlanda era já emgrande parte um país cristão. O fim do século V assistiu em França a um acontecimento que tem sidojustamente considerado como um dos momentos culminantes da historia cristã, obatismo de Clovis, reis dos francos. No ano 500, a igreja podia contemplar 500 anos de êxitos miraculosos. Nãoconhecia ainda quase nada das antigas e estáveis civilizações da índia e da china,mas constituíra-se na maior força civilizadora do mundo Ocidental. Nos grandes concílios desenvolvera um maravilhoso instrumento paraexpressão e a conservação da unidade cristã. Poderia parecer que a igreja iria buscar progressos constantes e semobstáculos até tornar-se literalmente co-extensiva com o mundo habitado e com araça humana. Na realidade, a partir do ano 500 iria entrar num período de conflitosde amargos e desanimadores. Envolver-se-ia em lutas desesperadas, em duasfrentes. Uma, depois de mais de 500 anos de esforços, sairia quase inteiramentevitoriosa. Outra iria sofrer terríveis perdas e durante mais de 500 anos limitar-se-ia aconservar o que lhe pertencia.
  32. 32. 32 CAPÍTULO II DIFUSÃO DO CRISTIANISMO A HISTÓRIA DAS MISSÕES NO PERÍODO DAS TREVAS No Século VI ocorre a decadência do império romano. Esta se deu emdecorrência de causas internas como: corrupção no senado; decadência econômicae moral; e de causa externa: invasão dos bárbaros.Como conseqüências: - A Europa perde a liderança política, e a igreja toma para si o papel de liderar politicamente a Europa com a sede do papado em Roma; - Fortalecimento da igreja romana que toma as principais decisões universais; - Divisão do império romano em ocidente e oriente, Roma e Constantinopla.Columba: O trabalho missionário, veio a ser realizados por missionários anônimos; etambém por Columba que foi missionário entre os celtas (521-597). Este preparoumonges, que passaram a ter um estilo próprio de fazer missão. Quando chegavamem um país estranho, trabalhavam para construção de vilas missionária echoupanas para os monges. Columba comandava um grupo de monges celtas naIlha de Iona, que estaa localizada na costa da Escócia, de onde enviavamissionários para Escócia, Bretanha e Irlanda e até Islândia.
  33. 33. 33 Havia na Inglaterra duas formas de cristianismo, a romana e a escocesa. Elasdiferiam apenas em alguns ritos religiosos. A principal diferença, todavia era que osmissionários romanos reconheciam a autoridade papal, ao passo que os mongesescoceses, cujo cristianismo não fora originário de Roma, não seguiam suas regras.Em 664, em um sínodo, por causa da influência do rei Oswin, ficou decidido, que aIgreja inglesa obedecesse a autoridade de Roma. Nos século VI e VII, as regiões da Europa mais remota eram as ilhasSaxônicas e o extremo norte dos mares Bálticos e Mar do norte. Portanto estasregiões tornaram-se alvo das missões romanas. Gregório I (540-640), ao ver osingleses dos olhos azuis chamou-os de anjos, seu sonho era de ser um missionárioentre os saxões, de família nobre, foi considerado o maior missionário da igrejamedieval, foi eleito prefeito de Roma e depois, tornou-se monge em seguidaembaixador do bispo de Roma em Constantinopla, depois da sua volta à Roma foiescolhido abade do mosteiro de Santo André. Substituiu o papa Pelágio que morreuem 590. Após ter assumido o papado cuidou em fazer realizar seu sonho, enviando omissionário Agostinho com uma companhia de monges que com muitas dificuldadesna viagem chegaram entre os celtas para começarem um trabalho. O resultado dotrabalho foi a conversão do rei Edelberto de Kent e dez mil saxões foram batizados. Com todos estes esforços realizados por estes desbravadores da idade médiaaté o final desta época, todas as regiões remotas da Europa, Islândia, Irlanda,Escócia, Bretanha (atual Inglaterra), Germana e o Mar do Norte, já estavamevangelizados.Bonifácio: O apóstolo da Alemanha (680-754), foi consagrado em Roma em 722 comobispo da fronteira germana pelo papa Gregório II, no seu retorno Bonifácio destruiu oaltar pagão dos germanos e com a madeira do carvalho, onde era realizada aconsagração pagã, ele construiu uma capela em honra a São Pedro. Ao envelhecer
  34. 34. 34resolveu trabalhar entre os bárbaros do extremo norte da Gália, aonde com muitoêxito veio a falecer. Muito mais difícil, perigosa, e desastrosa, foi a luta da igreja na outra frente. Em622 o profeta Maomé deslocou-se de Meca para Medina, depois de congregar umnumero muito grande de peregrinos com base na sua mensagem monoteístaavançou nos desertos da Arábia para o resto do mundo. Em 650 conquistou aPérsia, Jerusalém em 638, Cesárea em 640, com isto a palestina e a Síria caíramem domínio mulçumano. E em 642, Alexandria foi capturada, esta milícia conquistoudesde o Egito a todo norte da África, e em 697, conquistou Cartago, em 715 a maiorparte da Espanha encontrava-se em mãos mulçumanas, atravessando o Estreito deGibraltar, passando pela Espanha sofreram a sua primeira derrota em 732 contra ogeneral Carlos Martel em Taurs na França. O Islã nunca conseguiu estabelecer-seao norte da Europa, contudo o seu avanço prosseguiu em direção a Roma que foiatacada e saqueada por esta milícia, mas posteriormente eles conseguiramenfraquecer o movimento missionário das igrejas principalmente no oriente até aqueda de Constantinopla pelos turcos otomanos em 1453, pondo fim a idade média.Conseqüências: O islamismo não conseguiu o domínio da Europa ocidental, mas enfraqueceu ocristianismo da Ásia menor e África, fechando quase que definitivamente as portasdestas regiões ao cristianismo até os dias de hoje. Por incrível que pareça a conquista da Ásia menor pelo islã trouxe um grandebenefício para igreja do ocidente, benefício este que somente interessava ao papadode Roma, quanto que na verdade o avanço do islã trouxe grandes perdas para ocristianismo em geral. Sempre houve diferenças entre os bispos de Roma e deConstantinopla, briga por maiores influencia. A Igreja Nestoriana do oriente jáenfraquecida pelas confusões doutrinárias que vinham a muito minando as suasbases agora sofre um abalo ainda maior com as conquistas do islã, e com o papa deRoma tornando-se o mais importante chefe do cristianismo do mundo. Estesacontecimentos fecharam o mediterrâneo desde a Península Ibérica até o Japão,
  35. 35. 35voltando para o ocidente pela costa sul do mediterrâneo até Marrocos, deixandocomo conseqüência àquilo que nos chamamos nos tempos atuais de janela 10/40que se constituiu na região do planeta terra considerada a mais resistente apregação do evangelho. A tradição cristã pintou um quadro trágico do destino dos cristãos perante oavanço islâmico, em termos das seguintes alternativas: a morte, ou a apostasia, elestinham que opinar entre o abandono da fé ou serem martirizados. Houve grandesmassacres e, sem dúvida muitas perdas de vidas, muitos cristãos converteram-se aoislamismo. Mas o fato mais surpreendente destas invasões consistiu nas poucasperdas de vidas em face do tão rápido desfacelamento da civilização cristã. Oscristãos do oriente que resistiram ao islã perderam os privilégios e os direitos sociais,passaram a pertencer a uma segunda classe social com uma carga tributária muitoalta e não podiam igualar-se aos mulçumanos. Os árabes não desejavam exterminarou converter a todos os cristãos, eles não eram agricultores e nem administradores,por isso precisavam manter parte dos cristãos para estas tarefas. As missões também contribuíram, em parte, para o soerguimento do poder deRoma. Quando os papas enviavam missionários, encarregavam-nos de tornar asterras conquistadas obedientes aos papas. Assim, cada conquista para ocristianismo era outra para o poder do papa. Vimos como a igreja na Inglaterra caiusob a autoridade dos papas, pela atuação dos missionários romanos, Agostinho eoutros que atuavam junto aos missionários celtas para os conduzirem à obediênciaao papado. Concluímos que as atividades missionárias da igreja da idade média estavamestritamente ligadas a dois fatores: a expansão dos domínios territoriais do papado eem segundo plano a divulgação superficial do nome de Cristo.Séculos VIII-X: O maior de todos os missionários deste período Wynfrith de Crediton, maistarde conhecido por Bonifácio (680-754) o apóstolo da Germânia. Até os quarenta
  36. 36. 36anos ele fora monge, vivendo segundo a tradição de Wessex nos mosteiros deExetes e Nuis ou Nuthshalling, próximo de Winchestes. Seus esforços missionáriosestavam baseados na convicção firme de que o evangelho de Cristo devia serpregado a todos aqueles que do seu ponto de vista eram ainda povos bárbaros. A grande modificação verifica-se quando Bonifácio foi chamado a Roma econsagrado em 30 de novembro, pelo Papa Gregório II, como bispo de fronteiraGermana, com a primeira sede fixa. Bonifácio jurou ao papa e o mesmocompreendera que as missões só seriam permanentes partindo da organizaçãoeclesiástica, e tendo o apoio direto de Roma. Isto era novo, tornando-se mais tardeeficaz e de muita importância para evangelização posterior da Europa. Nesteperíodo de sua obra começou a usar mulheres dedicadas, como missionárias asquais serviram a Cristo corajosa e eficientemente através da história da Igreja noscampos missionários do mundo. Do regresso de Roma no ano de 724, Bonifácio ganhou nome e reputação paraa causa cristã em virtude do ato corajoso de ter derrubado o carvalho sagrado deTor, objeto de culto dos não cristãos. Os germanos estavam convencidos que, quemprofanasse o santidade do santuário seria destruído pelos deuses. O carvalho foiderrubado e nada sucedeu. Os espectadores diziam que Bonifácio tinha razão,quando dizia que o seu Deus era mais forte que os deuses de seus pais. Com amadeira de a árvore ele construir a capela em honra a São Pedro. Ele recebeu autorização para organizar igreja na Baviera, constituiu asdioceses de Freising, Passau, Ratbana e Sauzburgo. Em 744, fundou o mosteiroFulda, o qual tem desempenhou um papel especial no cristianismo romano daAlemanha do centro. No ano de 741, foi chamado a executar uma grande reforma na Igreja Franca.Ele não conseguiu realizar todas as reformas que desejava impor. A medida que iaenvelhecendo, retirava-se cada vez mais do campo da administração. Por fim, oespírito do missionário prevaleceu e mergulhou de novo em terras onde Cristo nãoera conhecido. No ano de 753, em Zuiderze, começara uma obra onde os frísioseram ainda pagãos. Notáveis resultados foram alcançados, provocando violenta
  37. 37. 37reação pagã. Em 5 de julho de 754 ou 755, ele e seus companheiros, aguardavamperto de Dokkum a chegada de vários cristãos recém-convertidos, foram atacadospor pagãos furiosos, ele ergueu um livro dos evangelhos para tentar proteger acabeça mais nada conseguiu, o idoso missionário e os seus cinqüentacompanheiros foram mortos. Bonifácio costumava batizar os recém-convertidos sem demora principalmentenos períodos de celebração da páscoa e pentecostes. Tinha um longo e pacienteprocesso de tentar transformar cristãos nominais em cristãos verdadeiros. A época de Bonifácio e de seus sucessores pertence o desenvolvimento dasregras e da prática da disciplina da penitência.Carlos Magno: É sem duvida uma das maiores figuras da história, tanto da igreja, como domundo, no ano de 771 até a sua morte em 914, foi o único rei dos francos. Quandono dia de natal do ano 800, o Papa Leão III o coroou imperador em Roma, CarlosMagno era um governador sábio e poderosamente eficaz, interessava-se bastantepela teologia e desejava conhecê-la, reunindo em sua volta, eruditos, como Alcuinode York (735-804). Iniciou o Renascimento Carlovíngio, que foi um dos marcos maisluminosos da longa noite deste período. No seu tempo os saxões constituíam uma grande ameaça, e o imperadordecidiu então que eles deveriam ficar sobre o seu controle, por meio da forçaarmada e da religião. No período de 772-798, sucedem-se inúmeras campanhas,conversões, conspirações e repreensões. Na conquista de uma tribo Germana a sua conversão figurava nos termos depaz, como o preço a pagar para gozar da proteção do imperador e do bom governogarantido pelas suas armas, isto significa uma associação perigosa da nova religiãocom o poder conquistador.
  38. 38. 38 Violência de um dos lados provocava violência do outro, recorda-se que umavez Carlos Magno massacrou 4500 saxões em um só dia. Acaptulatio de PartibusSaxônial (Captura de partidos Saxões), estabelecia ferozes castigos para inflação detoda uma séria de leis cristãs, dentre as quais destacam-se: - Todo aquele que mata qualquer membro da organização eclesiástica, será condenada a morte; - Todo aquele que queima o corpo de uma pessoa morta como forma de ritual, será condenada a morte; - Todo aquele que conspire com os pagãos contra os cristãos será condenado à morte. Não se deve supor que essa atroz regulamentação tenha sido sempreaplicada. Mas o fato de existirem como estatuto e de poderem a qualquer momentotornar-se vigentes, faziam com que fosse perigoso ser saxão e pagão. A resistência ao evangelho diminuía e, na altura da morte de Carlos Magno apacificação e conversão dos saxões consideravam-se completo. O território recém conquistado organizou-se em seis dioceses. A perspectivaque permitiu a fundação deste grande centro cristão conduz-nos a etapa seguinte daconversão da Europa: as primeiras tentativas de penetração nos paísesescandinavos. A conquista dos territórios saxões por Carlos Magno provocava naturalmentegrande apreensão nos territórios do norte. Os dinamarqueses tomaram medidaspara se oporem. Em 810 construíram imensa muralha. As primeiras tentativas da Igreja para transpor esta barreira foram bastanteauspiciosas. O imperador Luis o piedoso, deseja encarregar-se pessoalmente dadireção desta atividade. O seu primeiro ponto de contato foi o príncipe exiladoHarold Klak, que se persuadiu em 826 a receber o batismo, juntamente com 400 dosseus companheiros, em Maniz Ele tratou de conquistar o seu reino, sendoacompanhado de um missionário, porém não deu certo. Mas tarde através do reiBjorn foi construída a primeira igreja da Escandinava.
  39. 39. 39 Mas tarde Anskar pode construir uma igreja em Slesvig e em Ribe, na costaocidental. Sendo ele uma figura profética admirável, paciente, e por sua dedicaçãoem atravessar uma porta difícil de abrir. O primeiro bispo que trabalhou fora doscentros cristão, bem estabelecido em regiões ainda pagão.Fim da Idade Média: “O ano 1000 foi caracterizado por enorme terror e ansiedade ao longo de todomundo cristão” Segundo os cálculos de Dionísio Exíguo este período seria o ultimo daexistência da igreja, porém nada disto aconteceu, porém este ano é considerado“como uma espécie de marco divisório”. “Neste período a Europa que possuía um contorno cristão, estava saindo dos piores horrores da idade média e começava a manifestar aquilo que tinha desenvolvido no período de opressão causado pela Idade média, e agora seria manifestado nos séculos seguintes através do comercio, viagens e na construção do edifício do pensamento teológico”2. A partir deste momento vemos à Europa tendo como primeiro objetivo a difusãodo cristianismo até aos seus próprios limites. Um dos povos a serem alcançados foram os escandinavos, estes viveramdurante séculos num quase completo isolamento em relação ao resto do mundo, ecom isto eles vieram a desenvolver uma cultura rica e completa o que necessitavamsendo que, de forma diferente de tudo o que se podia encontrar no mundo que viveuna idade média, o centro deste desenvolvimento cultural era a arte da guerra, à qualtudo se subordinava, esta, foi bem utilizada nos séculos seguintes, sem quehouvesse fronteiras que não que não pudessem ser atingidas. Porém as suasmaiores realizações viriam a efetuar-se depois de se terem convertido aocristianismo.2 Nota dos autores.
  40. 40. 40 Da região da Escandinava a Dinamarca possuía maior contato com aAlemanha, e, portanto com o mundo cristão, facilitando assim a entrada com êxitodo cristianismo. Anskar fundou um certo numero de igrejas na Dinamarca, mas ocorreu devidoas condições fornecidas pela igreja uma queda no que diz respeito a evangelização.No começo do século X o rei Gorm resolveu exterminar o cristianismo do seu reino etinha como passatempo familiar destruir igrejas e matar padres, o seu filho esucessor Harald, caminhou diferente e declarou ter “convertido dinamarqueses emcristãos, mas no reino de Knut é que o cristianismo passou a ser parte ativa da vidado povo dinamarquês”. Neste período dois pontos merecem considerável atenção: Em primeiro percebemos que, embora as primeiras tentativas de se levar oevangelho a escandinava tivesse sido por germânicos a partir do século XI odesenvolvimento do trabalho missionário coube a Inglaterra; em segundo vemos nonorte a aparição daquilo que podemos chamar, com propriedade, nações, ou seja,com a entrada do evangelho todos os reis desejavam ter sua própria organizaçãoeclesiástica assim se desligando do domínio da igreja de Roma. Foi à Dinamarca, o primeiro país em que este choque entre os... Eclesiásticose nacionais se resolveu, e isto a favor da coroa. Em 1104 Lund, que era a principal cidade no domínio dinamarquês, passou aser sede arcebispal, e um dinamarquês foi nomeado seu arcebispo. Assim a igrejadinamarquesa ganha a sua própria estrutura independente de qualquer preladovizinho. Na Noruega como na Dinamarca o poder real desempenhou um papelimportante na introdução da fé cristã. O primeiro herói importante da campanha cristã foi Olaf Tryggvesson (969-1000), este foi batizado por um eremita que encontrou em 990 nas ilhas Sclly. Após
  41. 41. 41o ano de 995 foi eleito rei de todo o seu país e partir daí dedicou-se a fazer docristianismo a religião dos noruegueses. Porém ele encontrou barreiras para efetuarcom êxito o que desejava, as várias assembléias gerais, as things (Assembléia parafins jurídicos ou deliberações, conferências, transação, assunto, negócio, coisa,objeto), estas dificuldades só foram vencidas quando “feliz solução democráticasurgiu, e todos estiveram de acordo em substituir a antiga religião pela nova”. Com a sua morte no ano 1000 a sua obra foi continuada por outro Olof: OlofHaraldsson (995-1030), ele foi conhecido como Santo Olof, sua canonização édevido a notáveis serviços prestados a causa cristã, este como seu antecessordedicou-se a fazer com que os evangelhos penetrassem profundamente epermanente no seu povo. A Suécia foi ainda mais lenta que os outros países escandinavos para aceitar ocristianismo. No começo do século XI parece ter tido o primeiro rei cristão que sechamava Olof Skotkonung, este conseguiu que um bispo fosse consagrado emHamburgo e colocado em Skara, ele encontrou uma resistência obstinada em suastentativas de tornar cristã o povo sueco. Ocorreu na Suécia algumas tentativas semsucesso, objetivando a derrubada do famoso templo de Upsália, onde eramefetuados sacrifícios pelos pagãos. Após mais de um século já no reinado deSverker (1130-1155), ocorreu a imposição da cristandade. Neste momento foiestabelecida em Upsália, que era a alma e o centro do paganismo sueco a sedearcebispal, então se verificou que “é mais fácil destruir templos que arrancar pelasraízes, modos de pensamentos antigos e fortes”. Quanto à Finlândia verifica-se que sua população não se via pertinência o umaraça inteiramente diferente da Escandinava, principalmente por sua linguagem. Na Noruega, como na Dinamarca o poder real desempenhou um papelimportante na introdução da fé cristã. O próximo herói importante da campanha cristã foi Olaf Tryggrsson 969-1000,foi batizado por eremita que encontrou em 990 nas ilhas Zally. Após 995, eleito rei detodo o país e a partir daí dedicou-se a fazer do cristianismo a religião dos
  42. 42. 42Noruegueses. Porém ele encontrou barreira para efetuar com êxito o que desejavaas várias assembléias gerais, as Things (assembléia para fins jurídicos oudeliberações, conferência, transação, assunto, negócio, coisa, objeto), estasdificuldades só foram vencidas quando ocorreu uma feliz solução democrática surgiuassim e todos estiveram de acordo em substituir a antiga religião pela nova. Com asua morte no ano 1000. Na obra foi combinada por outro Olaf Hoholdsson (995–1030) foi conhecidocomo Santo Olaf sua canonização é divido os notáveis serviços prestados a causacrista, este como seu antecessor dedicou-se a fazer com que os evangelhospenetrassem profundos e permanentemente no povo. Os primeiros contatos cristãos com a rosna ocorreu mediante a cristandade deHamburgo. Bremerr, mas o contato não com o cristianismo veio pela Suécia, em1155 o rei Erik IX conduziu uma cruzada contra a Finlândia, como estabelecia ocontrole militar e como estava acompanhado pelo Bispo Henrique de Upsália, uminglês, pediu aos habitantes que se batizassem, como era constante a reação pagacontra esta crença, Henrique foi martirizado e tem tudo sido venerado comofundador da igreja Holandesa. Só em 1290 pode-se considerar terminada acristianização do país. O avanço do islamismo em primeiro plano conseguiu fragmentar as principaisbases cristãs da Ásia menor e África. A região onde no primeiro século da era cristãviu surgir o cristianismo, mais precisamente na palestina, com o próprio Cristo, agorase vê ameaçada de ter a sua principal religião sendo esmagada por esta força domal. A estratégia do islã fora de tomar e saquear todas as principais cidades destasregiões. Em 638 tomaram Jerusalém, uma importante base cultural e cristã da foz doNilo Alexandria, também foi tomada em 640 Cesárea, nesta oportunidade, toda aSíria e Palestina foram invadida, e em 697 a tomada de Cartago, importante basecultural e cristã da África do norte, terra natal de S. Agostinho; daí rumaram para oextremo ocidente deste continente até as igrejas marroquinas foram invadidas nonoroeste do mesmo, sem oferecerem nenhuma resistência a este avançoavassalador. Pelo estreito de Gibraltar passaram para a península ibéricadominando a Espanha foram até a França onde sofreram sua primeira derrota em
  43. 43. 43um confronto com o exército de um general francês chamado Carlos Martel em 732.Depois desta derrota rumaram para o oriente pela costa norte do mar mediterrâneoaté a babilônia posteriormente voltaram para o norte para combater Constantinoplaque era sede do cristianismo no oriente foram expulsos em uma desesperadabatalha, mas em seguida continuaram tentando e mais tarde aconteceu enfim atomada de Constantinopla pelos turcos otomanos em 1453.
  44. 44. 44 CAPÍTULO III O GRANDE PERÍODO 1295 – 1825 ABUNDÂNCIA MISSIONÁRIA Décadas se passaram, quando o papa Nicolau IV decidiu em 1289 e enviou umhomem a fazer uma missão, e sua escolha caiu em João de Monte Corvino, umfranciscano que já conhecia o oriente, devido às dificuldades usou a viamarítima.Levou treze meses a chegar a Índia, sendo a nossa melhor testemunhadas condições como missionário da cristandade neste país durante a idade média.Chegou a Pequim provavelmente em 1294 e foi recebido pelo Imperador KublaKhan, em idade avançada, e esperava convertê-los, mas, este envelheceu naidolatria. Conseguiram construir uma igreja e estabelecer-se diante da hostilidade depagãos nestorianos e alguns viajantes europeus que viviam em Pequim. Em 1305,declarava ser batizado seis mil pessoas e formara também um grupo de 150rapazes, ensinando-lhes grego e latim e a cantarem a missa segundo a formaocidental. Quando o papa, agora Clemente V ouviu falar desta obra notável, decidiuenviar sete irmãos franciscanos zelosos e conhecedores das Sagradas Escrituras,os mesmos foram consagrados bispos e enviados a tão longínquas terras a fim depoder consagrar o seu metropolitano. Dos sete enviados, apenas três atingiram osseus destinos, e em 1308 João Corvino tornou-se canonicamente o primeiroArcebispo Cambalensis da Igreja Latina no Extremo Oriente. A presença dos outrosbispos tornou possível a expansão e um segundo centro se abriu em Zaitum em1313. Afirmam alguns que João Corvino traduzira o Novo Testamento e o livro dosSalmos para a língua uighur e que teria mesmo celebrado missa por lá. Após o seufalecimento em 1328, a missão declinou gradualmente, muitas tentativas foramfeitas mas, nem chegaram à própria China.
  45. 45. 45 Em dezembro de 1335, João de Marignolli, acompanhado de cinqüenta fradespartiu a caminho da China e após uma viagem por mais de três anos, trinta e doisdos navegantes chegara a Pequim e foram recebidos pelo Grande –Khan Timor. Em1346 João de Marignolli partiu da China, sendo a nossa segunda autoridadeimportante desse período da cristandade na Índia. Assim se paralisou oempreendimento missionário Ocidental na China durante os duzentos anos seguinte.A Igreja Ocidental tentou penetrar na Ucrânia e nas estepes Cáspio, mas não foibem sucedida e posteriormente a igreja verificou melhores condições e a tentativafoi renovada a partir do ano 1300, tanto pelos franciscanos como pelos dominicanos.Os missionários que foram enviados a estas regiões iriam encontrar um povonômade, e teriam que deixar a barba crescer e vestir trajes não eclesiásticos para seadaptar a vida do povo. Entretanto foi no território da “Horda de Ouro”, na parteoriental da Rússia, e verificaram que os missionários tiveram melhores êxitos. Toqtai,que se tornara Kham de toda esta região em 1290, foi convertido e recebeu obatismo juntamente com a sua mulher, seus três filhos e vários chefes mongóis, eToqtai irmão de João de Marignolli, morreu em 1312. Os seus dois filhos mais velhosimediatamente se converteram ao islamismo, e o seu sucessor, Ozbeg (1312-40) foimuçulmano convicto. Só em 1342 se tornou evidente que o futuro do povo mongolestava nas mãos do Islã e não do Cristianismo. Em 1320 a cidade de Sarai, noVolga, não muito longe do ponto em que este mergulha no mar Cáspio, passava ater o seu bispo latino. Os missionários não eram os únicos ocidentais nas regiõesem torno do Mar Negro e do mar Cáspio. Em 1333 dois dominicanos, Francisco deCamerino e Guilherme os ingleses, conseguiram um notável êxito com a conversãodo príncipe Alan de Vospro, na Crimeia, que governou sob soberania mongol. Uma grande parte da população era cristã e os Mongóis ainda não haviamdecidido abraçar a fé islâmica.Como na Rússia, grupos de viajantes ocidentaistinham penetrado gradualmente na Ásia Menor, através da Armênia e da Pérsia,onde o seu centro principal era Tabriz. Em 1318 o papa decidiu criar uma novamissão, em parte para cuidar dos cristãos ocidentais da região, mais principalmentepara conseguir o regresso dos cristãos orientais ao redil romano. As conversõesentre os muçulmanos foram poucas, mas conseguiram produzir na Armênia,desencadeou-se uma violenta reação nacionalista e depois de 1380 pouco ou nadasubsiste em relação a este movimento de unidade cristã.
  46. 46. 46 Da Pérsia a Índia, não era muita a distancia, porém anotávamos a curta estadiana Índia de missionários cristãos, a caminho da China. A partir do século XIV temosconhecimento de uma tentativa de introduzir o cristianismo latino na Índia numabase mais permanente.Um grupo de três frades franciscanos e de um irmão laicochegara a Índia, e encontrava-se em Tana. Surgiu uma disputa, o irmão Tomé deTolentino, sendo diretamente desafiado para definir o pensamento de Maomet falou:“Maomet é o filho da perdição e tem o seu lugar no inferno, junto do diabo seu pai, enão apenas ele, mas, todos os que seguem e observam a sua lei, falsa, pestilenta emaldita, hostil a Deus e a salvação das almas”. Naturalmente três dos visitantesforam aprisionados e assassinados, o sobrevivente Jordão de Severac, reuniu osseus restos e enterrou-os, tomando a decisão de dar a sua vida para evangelizaçãoda Índia. No norte registrou poucos êxitos, e uma porta maior se lhe abriu no sul efixou-se em Columbo, Travancore entre os cristãos nestorianos, que sofriam de hámuito com o seu isolamento e em 1329 o papa o nomeou bispo de Columbo. Foiencontrado algum traço de sua obra no forte trabalho missionário em ação e a obrasem descanso prosseguida durante toda a Idade Média. Numa tentativa de abrircaminho ao Evangelho as mais diversas regiões do mundo. No fim do século XV o Cristianismo quase não passava de uma religiãoeuropéia. Em certas zonas fora totalmente exterminada. Os grupos cristãos seencontravam totalmente isolados e sem poder dinâmico nem espírito de santidade.Os missionários não recebiam visitas, durante anos e anos.As perdas eramnumerosas, tanto devido a violência das tribos bárbaras, como aos acidentesnaturais das viagens em regiões desconhecidas e climas muito diferentes, nãofalavam a língua nativa e não podiam traduzir o N.T. Nos anos cerca de 1241 e a ampla aniquilação das missões de que foramresponsáveis, mal os missionários haviam tido tempo de voltar a consolar as suasposições, a última e a pior de todas as calamidades medievais desabou sobre elescomo um flagelo. Tamerlão, soberano civilizado com amplo conhecimento do mundo,foi o mais cruel e destruidor de todos os invasores medievais. Suas conquistasiniciaram em 1358 e doze anos mais tarde, o seu exército caminhava para o rioVolga e o norte da Índia, China e quase até o Mediterrâneo, em 1405 a obra estava

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