O SUS que não se vê

12.160 visualizações

Publicada em

Informativo Radis, nº 104

Publicada em: Saúde e medicina
1 comentário
1 gostou
Estatísticas
Notas
  • high quality☆ reasonable price☆
    free shi pping accept pay pal,
    you can order all kind of things you want,
    believe me , trust me .
    ☆☆☆ www.happyshopping100.com -=★
       Responder 
    Tem certeza que deseja  Sim  Não
    Insira sua mensagem aqui
Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
12.160
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
763
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
98
Comentários
1
Gostaram
1
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

O SUS que não se vê

  1. 1. Nesta edição Saúde sem fronteiras O contraponto latino-americano entre os sistemas de Cuba e do Chile Entrevista: Nº 104 • Abril de 2011Tania Araújo-Jorge Av. Brasil, 4.036/515, Manguinhos Toda atenção às Rio de Janeiro, RJ • 21040-361doenças ‘promotoras w w w. e n s p . f i o c r u z . b r / r a d i s da pobreza’ O SUS que não se vê Por que o verdadeiro tamanho do sistema desaparece aos olhos dos brasileiros
  2. 2. Guia orienta reflexão sobre direito ao aborto venha sendo cada vez mais utilizado tério da Saúde sobre o aborto, apro-Katia Machado para alimentar a cultura e a política vadas no fim da década de 1990, e doA pública da criminalização”, explica controle da propaganda, na internet, descriminalização do Paula Viana, secretária executiva das do abortivo misoprostol — cujo nome aborto, com foco nos Jornadas Brasileiras pelo Direito ao fantasia é Cytotec — e sua aborda- direitos das mulheres, Aborto Legal e Seguro, na publicação gem na mídia. por várias vezes esteve Aborto, guia para profissionais de Aprovado no Brasil em 1985 para na pautas de encontros comunicação, organizado pelo Grupo o tratamento de úlcera gástrica e nacionais e de embates Curumim, Ipas Brasil (organização duodenal, o misoprostol ficou logopolíticos. Na 13ª Conferência Nacio- não governamental de proteção à conhecido por sua eficácia comonal de Saúde, por exemplo, realizada saúde das mulheres) e Centro Femi- método abortivo, pois tem comoem novembro de 2007, boa parte dos nista de Estudos e Assessoria. efeito colateral contrações uterinas.delegados votaram contra a descrimi- Lançado em fevereiro, o guia “O uso hospitalar do medicamento nalização, sem considerar que este foi preparado por um coletivo de para indução de parto e tratamento é um grave problema de saúde pú- organizações feministas, com base de aborto iniciado (provocado ou blica e de justiça social. Apesar em fontes oficiais, de governos e espontâneo) ajudou a disseminar o de proibido por lei — a prática institutos de pesquisa nacionais e efeito abortivo, e a novidade che- é crime, exceto em caso de internacionais, trazendo informações gou a bater recordes de vendas no violência sexual (estupro) ou que poucas vezes estão na agenda mercado farmacêutico do país, com risco à vida da mulher —, pública. O objetivo é apoiar o tra- 81.861 caixas vendidas em maio de o aborto é amplamente balho de jornalistas, buscando lançar 1991”, informa o guia. praticado no país por luzes sobre o tema e criar espaços de A publicação reúne também da- meios inadequados. interlocução pela mídia, como está dos sobre o aborto no mundo, na Amé- “Criminalizar informado na apresentação do guia. rica Latina e Caribe e no Brasil, revela não inibe a prá- o perfil das mulheres que abortam no tica clandesti- país, de que forma praticam o aborto Revisão legislativa na, embora e as consequências do procedimento, o recurso à Com 70 páginas e organizada em além de apresentar argumentos em interdição 10 capítulos, a publicação começa favor do direito ao aborto. O guia de clí- explicando o que são as Jornadas responde uma lista de questões fre- nicas Brasileiras pelo Direito ao Aborto quentes, entre elas, o que é aborto Legal e Seguro, criadas em 2004, com provocado, como saber o número os objetivos de impulsionar a agenda de abortos clandestinos realizados e dos direitos reprodutivos no Brasil, qual a diferença entre descriminali- defender uma revisão legislativa zação (rererente ao comportamento para garantir às mulheres o direito ao da pessoa) e legalização (referente aborto seguro e impedir retrocessos ao procedimento). Além disso, indica no exercício dos direitos sexuais fontes especializadas, de forma a e reprodutivos. colaborar para pautas e reportagens O documento apresenta sobre o assunto. Segundo a publicação, em seguida a história de estima-se que, em 2003, 41,6 milhões proibição e a longa luta de gestações no mundo terminaram legislativa pela descri- em abortamento, e quase a metade minalização do aborto, (19,7 milhões) foi de abortamentos trata de temas como provocados e inseguros. “Cerca de 97% anencefalia e danos desses abortos inseguros aconteceram que uma gravidez nos países em desenvolvimento, que de feto anencéfa- têm leis mais restritivas ou menor lo levada a ter- acesso à informação e planejamento mo pode causar familiar”, informa. à saúde men- tal e física O arquivo, em PDF, da publicação da mulher, está disponível em http://abortoe- das normas mdebate.com.br/arquivos/Aborto_ técnicas Guia_comunicacao.pdf do Minis-
  3. 3. editorial Nº 104 • Abril de 2011 Invisibilidades Comunicação e SaúdeA matéria de capa vai levar você a en- xergar exemplos e situações, algumasóbvias outras mais imperceptíveis, que hipervisibilidade à parte do sistema que funciona mal e ocultando suas virtudes. Num momento em que a agenda • Guia orienta reflexão sobre direito ao aborto 2demonstram o quanto o Sistema Único oficial propõe que o país só será ricode Saúde está presente no cotidiano de com o fim da pobreza, uma discussão Editorial100% dos brasileiros, pobres ou ricos — ao interessante chega aos responsáveis pelo • Invisibilidades 3contrário do que possa parecer. O ponto financiamento de pesquisas. Diretora dode partida foi o resultado de uma pes- Instituto Oswaldo Cruz, unidade pioneira Cartum 3quisa do Ipea em que 34% da população da Fiocruz, Tania Araújo-Jorge chama aconsiderou nunca utilizado o SUS. Para atenção para doenças que demandamcomeçar, quem acompanha esta leitura mais pesquisas, porque não só decorrem Cartas 4já entrou no sistema, afinal, RADIS, Ensp como realimentam a pobreza, por com-e Fiocruz são 100% SUS. prometerem capacidade de trabalho, ge- Súmula 5 Os repórteres descrevem um com- ração de renda e qualidade de vida. Entreplexo de atividades, muitas de excelência as doenças negligenciadas, tuberculoseinternacional, que respondem por pre- (só recentemente alvo internacional de Radis adverte 6venção à saúde, autorização e fiscaliza- investimentos), hanseníase, leishmanio-ção da qualidade de produtos e serviços, ses, Chagas, esquistossomose. Cerca de Toques da Redação 6programas pioneiros de acesso gratuito, 93 milhões de brasileiros convivem compesquisas e desenvolvimento tecnológico verminoses diversas.de ponta. Mais de 8% do PIB brasileiro RADIS se programou para a cober- Acesso e usoestão ligados à saúde, superando o per- tura jornalística do Congresso Brasileiro • O SUS que não se vê 9centual referente à agropecuária. de Medicina Tropical, de 23 a 27/3, em • Referência no controle e eliminação de A invisibilidade do SUS serve a mui- Natal. Por força de decreto de corte line- doenças 10tos interesses. Alguns governantes captu- ar de despesas, reflexo da sobreposição • Acesso universal e gratuito aosram o que ele tem de bom em benefício de políticas econômicas sobre as sociais, antirretrovirais 11da própria imagem, há profissionais de uma única passagem aérea para realizar a • Nos laboratórios públicos, foco nosaúde — inclusive pesquisadores e aca- reportagem teve a solicitação cancelada. cidadão, não no mercado 12dêmicos — sem consciência de que seu A mídia comercial, ocupada em festejar • O SUS no controle de qualidade detrabalho é atividade do sistema, além de qualquer demonstração de rigor com produtos e serviços 13áreas de comunicação dos governos que os “gastos” públicos, não iria mesmo • Financiamento de 95% dos transplantespouco sabem o que é o SUS. Isto, para noticiar esse tipo de evento da Saúde. é do SUS 14citar o fogo amigo. A categoria inimigos Infelizmente, essa matéria sobre doenças • Medicamentos ao alcance da população 15do SUS reúne todos quantos queiram lu- e pesquisas praticamente invisíveis não • Socorro para 110 milhões de pessoas nacrar com doença e saúde da população. será escrita. Fica aqui o nosso registro. rede pública 16Na mídia, a invisibilidade é produzida orapela indiferença, ignorando a presença Rogério Lannes Rocha Saúde sem fronteirasdo SUS, ora pelo preconceito, dando Coordenador do Programa RADIS • Contrapontos na América Latina 18 Cartum Entrevista • Tania Araújo-Jorge: ‘Passivo da saúde pública do século passado tem de ser Radis RetRata a saúde em cuba... e no chile... s.e.o. enfrentado’ 20 Quem tem só dá para plano, no uma foto. meio. os pobres Ricos na Serviço 22 atrás. frente! tudo bem. aqui estamos Pós-Tudo todos juntos! • ‘Cegueira seletiva’ enxerga produtos e esconde necessidades 23 SéRgio EduARdo dE olivEiRA Capa Dayane Martins Ilustrações Dayane Martins (D.M.) e Sérgio Eduardo de Oliveira (S.E.O.)
  4. 4. RADIS 104 • ABR/2011 [ 4 ] cartas Drogas poderiam nos enviar algum tipo de material que pudesse ajudar nessalixo S ou psicóloga, especialista em Saúde da Família e Intervenções Psicossociais e atualmente trabalho nova empreitada. • Hugo Reis, São Cristóvão, SE com a população carcerária de Passo Caro Hugo, para assinar a Radis, Fundo/RS. A matéria central da Radis você deve entrar no nosso site (www. 101 (Drogas) está excelente, trazendo ensp.fiocruz.br/radis) e preencher a importância de uma política que leve o cadastro. A assinatura é gratuita, em conta o problema do uso abusivo mas sujeita a aumento de tiragem. de álcool e drogas de forma integrada, De qualquer maneira, o Conselho com todas as implicações adjacentes, Municipal de Saúde de sua cidade já o que não foi feito até então. Entendo recebe a revista, que chega a todos os que realmente é urgente e necessário municípios do país. Quanto a materialQ ueria deixar registrada minha satisfação em receber a re-vista deste mês, capa Lixo (Radis discutir assuntos como a descrimi- nalização, uma vez que os presídios estão cada vez mais superlotados, de apoio ao trabalho de vocês, acre- ditamos que o conteúdo da revista, de maneira geral, deverá interessar102). É uma feliz parceria entre principalmente, por delitos ligados ao bastante. Você pode acessar desde jáassuntos importantes, que expan- uso de drogas. Parabéns pela matéria todas as edições, em meio virtual, nodem, como sempre fez a Radis, o e gostaria que fossem abordados mais mesmo site, ok?conceito de Saúde, e uma diagra- temas sobre o sistema penitenciário.mação arejada, leve, convidativa. • Miriane Schmitz, Passo Fundo, RS ‘raDis’ agraDeceSempre gostei do que vocês fazem,mas me caía mal o peso das man-chas de texto. Sugiro ousar mais, um Material De apoio V enho elogiar mais uma vez essa maravilhosa redação que diri-olho aqui, um bold ali. Mas como estájá me ganhou de vez. Parabéns paraa equipe! E sugiro uma pauta: saúde S ou membro da Comissão de Comu- nicação do Conselho Municipal de Saúde de São Cristóvão (SE) e gostaria ge esta revista com muito primor, com enfoque jornalístico direcio- nado à saúde pública no Brasil, deem situações de eventos extremos, de fazer a assinatura da revista Radis. forma brilhante, o que nos fascinao caso da Região Serrana. Como devo proceder? Aproveitando a a cada edição. Que venham mais• Ana Lagoa, Teresópolis, RJ oportunidade, gostaria de saber se cem, mais mil. Um abraço a todos. • Flavia Ferraz Falcão, especialista em Enfermagem do Trabalho, Belford Roxo, RJ expediente Falta De raMpas Ministério da Saúde G ostaria que a Radis publicasse que na Prefeitura de Maracás, na Câmara dos Vereadores, no Fórum de ® é uma publicação impressa e laïs Tavares e Sandra Benigno Justiça, Delegacia de Polícia, Quartelonline da Fundação Oswaldo Cruz, editada Secretaria e Administração onésimo e alguns colégios não há rampa parapelo Programa RADIS (Reunião, Análise e gouvêa, Fábio lucas e vitor gomes acesso aos cadeirantes, deficientesDifusão de Informação sobre Saúde), Neto (estágio supervisionado)da Escola Nacional de Saúde Pública visuais e idosos. Encaminhei denúncia Informática osvaldo José FilhoSergio Arouca (Ensp). ao Conade [Conselho Nacional dos Endereço Direitos da Pessoa Portadora de De-Periodicidade mensal Av. Brasil, 4.036, sala 515 — Manguinhos Rio de Janeiro / RJ • CEP 21040-361 ficiência]. A lei que obriga a constru-Tiragem 71.500 exemplaresAssinatura grátis Fale conosco (para assinatura, sugestões ção de rampas é de 1985, mas quem (sujeita à ampliação do cadastro) e críticas) deveria dar o exemplo é o primeiro aPresidente da Fiocruz Paulo gadelha Tel. (21) 3882-9118 • Fax (21) 3882-9119 descumprir a lei!Diretor da Ensp Antônio ivo de Carvalho E-mail radis@ensp.fiocruz.br • Claudio Dias Santiago, presidente do Site www.ensp.fiocruz.br/radis (confira Sindicato dos Trabalhadores na Agricul-PRogRAMA RAdiS também a resenha semanal Radis na tura Familiar (Sintraf), Maracás, BACoordenação Rogério lannes Rocha Rede e o Exclusivo para web, queSubcoordenação Justa Helena Franco complementam a edição impressa)Edição Eliane Bardanachvili (Milênio) impressão Ediouro Gráfica e Editora SA NoRMAS PARA CoRRESPoNdÊNCiAReportagem Katia Machado (subedição/ Ouvidoria Fiocruz • Telefax (21) 3885-1762 Milênio), Adriano de lavor, Bruno Site www.fiocruz.br/ouvidoria A Radis solicita que a correspondência dominguez (Milênio) e Patrícia dos leitores para publicação (carta, e- Pimentel (estágio supervisionado) uSo dA iNFoRMAção • O conteúdo da revistaArte dayane Martins (subedição/Milênio), Radis pode ser livremente reproduzido, desde que mail ou fax) contenha nome, endereço Natalia Calzavara e Sérgio Eduardo acompanhado dos créditos. Solicitamos aos veículos e telefone. Por questão de espaço, o de oliveira (estágio supervisionado) que reproduzirem ou citarem nossas publicações que texto pode ser resumido.Documentação Jorge Ricardo Pereira, enviem exemplar, referências ou URL.
  5. 5. RADIS 104 • ABR/2011 [ 5 ] Súmula que geram R$ 2,20 para cada R$ 1 gasto. da informação já estavam armazenadosBrasileiro, ancestral europeu O diretor de Estudos e Políticas em formatos digitais. Sociais do Ipea, Jorge Abrahão, ressal- A capacidade da sociedade deP esquisa coordenada pelo geneticista Sérgio Danilo Pena, da UniversidadeFederal de Minas Gerais, e publicada ta que “o gasto na educação não gera apenas conhecimento. Gera economia, já que ao pagar salário a professores comunicar esse volume de informação também aumentou, atingindo 2 quatri- lhões de megabytes, conforme destacana revista científica PLoS, da Biblio- aumenta-se o consumo, as vendas, os o estudo. A evolução rápida dos compu-teca Pública de Ciências dos Estados valores adicionados, salários, lucros, tadores propiciou essas mudanças. DeUnidos, revela que os brasileiros são juros”. Além desses resultados, 56% dos acordo com os pesquisadores, todos osbem mais europeus do que africanos. gastos retornam ao caixa do Tesouro na computadores pessoais do mundo podemÉ o primeiro grande estudo a medir a forma de tributos. Para a técnica de processar juntos aproximadamente 6,4ancestralidade da população do país a Planejamento e Pesquisa do Ipea Joana trilhões de Mips (sigla em inglês parapartir de sua genética, informou o site Mostafa, “ampliar em 1% do PIB os gas- milhões de instruções por segundo).Globo Online (17/2). A participação tos sociais, na estrutura atual, redunda Para Hilbert e López, a quantidade deeuropeia é preponderante, em todas as em 1,37% de crescimento desse PIB. Ou cálculos que todos os computadores doregiões do país, com percentuais que seja, é o tipo de gasto que tem mais mundo podem fazer está no mesmo nívelvariam de 60,6% no Nordeste a 77,7% benefícios do que custo”. da de impulsos nervosos executados pelono Sul. Os pesquisadores analisam cérebro humano em um segundo.que a europeização do Brasil ocorreu Em entrevista ao Correio Brazilien-a partir do fim do século XIX, com o informação ‘até a lua’ se (11/2), Martin Hilbert observa que, aofim do tráfico de negros e o início do longo das duas últimas décadas, nossa d.M.fluxo migratório de aproximadamente capacidade de computar informação6 milhões de trabalhadores europeus. cresceu ainda mais rápido que nossaSérgio Pena ressalta a importância do capacidade de comunicar. Ao compararestudo tanto do ponto de vista histórico os números da pesquisa com a capaci-e antropológico, quanto do ponto de dade do organismo humano, Hilbert dizvista da saúde: os tratamentos podem que “a complexidade informacional deser mais homogêneos do que se ima- um ser humano é aproximadamente aginava. O pesquisador explica que a mesma da capacidade de todas as nossaspopulação brasileira, formada por três informações e tecnologias de comuni-diferentes raízes — indígena, europeiae africana —, sempre se acreditoumuito heterogênea, mas que, de acordo P esquisadores da Universidade da Califórnia traduziram em números o manancial de informações com o qual cação combinadas juntas. Há, de fato, “um mundo” em cada um de nós: um mundo cheio de informação”, finalizacom o estudo, independentemente de lidam, hoje, os habitantes do planeta. na entrevista ao Correio.classificações baseadas na cor da pele, Já se sabia, por exemplo, que umaos brasileiros são homogêneos do ponto única edição de um dia de semana dode vista de sua ancestralidade. jornal americano The New York Times 500 mil novos casos de câncer tem mais conteúdo do que o acessado só em 2011 por um inglês médio do início do séculoGastos sociais aumentam piB 17, em toda sua vida. Agora, pesquisa de Martin Hilbert e Priscila López, O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que o Brasil deve registrarE studo divulgado (4/2) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)aponta que gastos com educação e saúde contabilizou que se fosse armazenado o volume de informação que circula, hoje, em todo mundo nos mais diversos 500 mil novos casos de câncer só este ano. O dado indica leve aumento em relação à previsão feita em 2010 — deresultam em crescimento favorável do suportes analógicos e digitais, seriam 489 mil casos —, informou O Estado deProduto Interno Bruto (PIB). Os dados necessários 404 bilhões de CDs de 730 S.Paulo (5/2). O aumento na ocorrênciautilizados referem-se ao ano de 2006 e megabytes cada, reunindo 295 trilhões de casos no Brasil passou a ser registrado,constam da pesquisa Gasto com a Políti- de megabytes ou 295 exabytes, infor- mais recentemente, por causa do enve-ca Social: Alavanca para o Crescimento mou O Globo (11/2). De acordo com o lhecimento da população e dos avançoscom Distribuição de Renda, informou a estudo, publicado na revista Science, no tratamento de doenças infecciosas,Agência Brasil (4/2). De acordo com os tendo cada CD 1,2 milímetros de es- antigas causas mais frequentes de morte.cálculos, cada R$ 1 gasto com educação pessura, isso resultaria em uma pilha De acordo com o jornal, o ministropública gera R$ 1,85 para o PIB. O mesmo que iria da Terra para além da órbita da Saúde, Alexandre Padilha, durantevalor gasto na saúde gera R$ 1,70. Para da Lua. Em 1986, cada ser humano evento que marcou o Dia Mundial doa redução da desigualdade social, os tinha o equivalente a 539 megabytes Câncer (4/2), na sede do Inca, anunciouvalores que apresentam maior retorno (menos de um CD-ROM) de informa- que vem negociando com a indústriasão aqueles feitos com o programa Bolsa ção armazenada. O número de discos farmacêutica para reduzir o custo deFamília, que geram R$ 2,25 de renda pulou para 61, em 2007. As formas de medicamentos voltados para o trata-familiar para cada R$ 1 gasto com o bene- armazenamento também mudaram: em mento da doença. Outra medida quefício, e os voltados a idosos e portadores 2000, os meios analógicos guardavam vem sendo levada à frente é a criaçãode deficiência com renda familiar per cerca de 75% de toda a informação do de um programa nacional para avaliaçãocapita inferior a 25% do salário mínimo — planeta, mas em apenas sete anos, 94% da qualidade dos exames de mamografia,
  6. 6. RADIS 104 • ABR/2011 [ 6 ]como informou o jornal Folha de S.Paulo informou o jornal O Globo (28/02). A(05/02). A intenção do governo é ampliar cidade encerrou 2009 com 2,2 milhõesna rede pública o acesso ao tratamento de pessoas empregadas, das quais 59,4%do câncer e intensificar o controle de eram homens e 40,6%, mulheres, segundoqualidade de exames preventivos, com o dados da Relação Anual de Informaçõesobjetivo de impedir erros de diagnóstico. Sociais (RAIS/MTE). Nos cargos de dire- Cerca de 400 organizações de 120 ção, elas representavam 38%. Dos 888,5países se mobilizaram para que sejam mil trabalhadores que tiveram suasadotadas estratégias de prevenção con- carteiras assinadas, em 2010, de acordotra o câncer e outros males crônicos não com o Cadastro Geral de Empregados etransmissíveis, como diabetes e proble- Desempregados (Caged/MTE), os de sexomas cardiovasculares e respiratórios, de feminino foram minoria, mais uma vez: RAPOSAS NO GALINHEIRO — Aacordo com o Correio Braziliense (5/2). 37%. A Pesquisa Nacional por Amostra de tropa de choque dos deputados e sena-Ao lado do câncer, elas consomem mais Domicílio (Pnad/IBGE) de 2009 mostra dores ruralistas resolveu combater nade 70% dos gastos com atendimento e que, quando chefes de família, as mu- origem a formulação de leis voltadastratamento do SUS. Em setembro, está lheres gastam 21,2 horas semanais nos à proteção ambiental. A Comissão deprevista apresentação, pelo governo, na trabalhos da casa. Como companheiras Meio Ambiente do Senado conta entreAssembleia Geral da ONU, de agenda es- do chefe da família, as horas sobem seus integrantes com nomes como otratégica de ações para reduzir o número para 23,31. Já os homens passam apenas do senador latifundiário Blairo Maggide casos e o impacto do câncer e outras 5,63 horas semanais em serviços da casa. (PR-MT), tido como o maior produtordoenças crônicas no sistema público de “O mercado de trabalho mudou com individual de soja do mundo. Na vice-saúde. O tema foi incluído na pauta do a entrada maciça das mulheres, mas a presidência da comissão, está a sena-evento por decisão das Nações Unidas. organização da vida privada, não. Aí re- dora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente“Queremos incentivar a vida saudável e side a maior desigualdade entre homens da Confederação Nacional da Agricul-o hábito de fazer exames de prevenção e mulheres.”, disse a presidente do Rio tura. Na Câmara, a comissão de Meiopara conter os números”, explicou ao Como Vamos, Rosiska Darcy de Oliveira. Ambiente tem à frente o deputado Gio-Correio Braziliense o coordenador de vani Cherini, um dos 160 ruralistas doações estratégicas do Inca, Cláudio Noro- Congresso, listados pelo Departamentonha. Tumores nas mamas, fígado, pulmão mapa Genético da hepatite c Intersindical de assessoria Parlamentare região colorretal são responsáveis pela (Diap). Pela declaração da senadoramaioria das mortes. A recomendaçãopara se precaver é ficar longe do tabaco,prevenir-se contra infecções crônicas por P esquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) estão fazendo um mapa genético da hepatite C, de modo a Kátia Abreu ao jornal O Globo (26/2), já se pode ter uma ideia das intenções dessa ala da comissão: para ela, infor-vírus (como o da Hepatite B e o HPV) e lidar com a grande variação genética do mou o jornal, os ruralistas, antes pegosevitar o sobrepeso com alimentação equi- vírus causador da doença. Assim como o de surpresa, prepararam-se, e hoje olibrada, completou o jornal Extra (5/2). HIV, da aids, o vírus da hepatite C (VHC debate é de igual para igual com os ou HCV, na sigla em inglês) tem alta taxa ambientalistas. “O tempo da reserva de mutação, dando origem a cepas que de mercado acabou. Nós, ruralistas,mulheres no mercado de traBalho escapam do sistema imunológico. Esta é convencemos a sociedade com nossos uma das causas da falha do tratamento argumentos”, afirmou.O sexo feminino ainda está em desi- gualdade de condições em relaçãoao masculino, no mercado de trabalho. antiviral. O estudo, inédito, poderá ajudar a aumentar a chance de cura da doença, informou O Globo (11/02). A O coordenador de políticas públicas da organização ambiental Greenpeace, Nilo D’Ávila, registrou,Dados do Sistema de Indicadores do ideia de investigar a história evolutivaprograma Rio Como Vamos (RCV), refe- do VHC no Brasil surgiu de pesquisasrentes ao Rio de Janeiro e divulgados por semelhantes às desenvolvidas com o HIV estimar a história evolutiva da infecçãoocasião do Dia Internacional da Mulher e pela disponibilidade de grande número por HCV para prever o futuro impacto da(8 de março), mostraram que, no em- de sequências da VHC obtidas pelo Labo- doença, principalmente das formas maisprego formal, em 2009, o salário médio ratório de Hepatites Virais do IOC, como graves como a cirrose e o câncer hepá-das trabalhadoras era 13,2% inferior ao explica a cientista Elisabeth Lampe, uma tico, já que o lapso entre a infecção e odos homens (R$1.871 contra R$2.156), das autoras. Sequências genéticas de 231 desenvolvimento das sequelas é de várias amostras de casos isolados da doença décadas”, alertou. Estudos semelhantes nas cidades do Rio de Janeiro e Goiânia, aos da Fiocruz comprovam que o vírus entre 1995 e 2007, foram analisadas, com da Hepatite C circula na África e na Ásia a colaboração do Laboratório de Aids e há pelo menos 1.100 anos, tendo sido Imunologia Molecular do IOC. Entre os 2 isolado em 1989. Só entre 1980 e 1995, TE milhões de brasileiros infectados, preva- ADVER houve redução do crescimento das taxas Radis RADIS lecem os subtipos 1a, 1b e 3a (dos seis de infecção. No Brasil, a doença se espa- A grandes genótipos), conforme mostram estudos. “As características das linhagens lhou após a segunda metade do século 20. % é 100 brasileiras do HCV apresentam diferenças entre si, quando comparadas com as remédios sem custo para ! que circulam em outros países”, explica SUS hipertensos e diaBéticos Elisabeth. Essas características ajudam a entender melhor a disseminação da doença e a buscar novas estratégias de prevenção e tratamento. “É importante M edicamentos contra a hiper- tensão e diabetes entraram no grupo dos que chegam à população
  7. 7. RADIS 104 • ABR/2011 [ 7 ]na mesma reportagem, sua preocupa- E deu um palpite: “quem não usa um em artigo seu sobre a tuberculose,ção com a força que os parlamentares serviço que atende o andar de baixo para o jornal Correio Braziliense, emda bancada ruralista adquiriram no sente-se recompensado ao achar que 2008, reproduzido pela Radis (65). “Foicolégio de líderes de partidos, citando ele não presta, pois custa-lhe dinheiro a tuberculose que me levou à saúdecomo exemplos o líder do PSDB na fugir da rede de atendimento da patu- pública: dei-me conta de que não eraCâmara, deputado Duarte Nogueira leia. Julga-se protegido, mesmo sus- suficiente tratar os casos, mas que(SP), e o do PDT Giovanni Queiroz (PA). , peitando que o plano de saúde poderá algo precisava ser feito em termos de Para o deputado ambientalista desová-lo na rede pública quando seu população”. Nascido em Porto Alegre,Alfredo Sirkis, a preocupação reside tratamento for mais caro”. Depois de em 1937 e formado em Medicina pelana “visão retrógrada” da bancada ru- enumerar resultados positivos apre- Universidade Federal do Rio Grande doralista sobre a atividade agropecuária sentados na pesquisa, como os que se Sul, Scliar tornou-se especialista emno país. “Muitos ruralistas têm uma referem ao atendimento no Programa Saúde Pública e concluiu doutorado emvisão bélica, são movidos a ganância e Saúde da Família e à distribuição de Ciências pela Escola Nacional de Saúdeignorância”, resumiu. remédios, o jornalista apontou que Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz). As galinhas (parlamentares e os números do Ipea situam o SUS em Como escritor, Moacyr Scliar publicoucidadãos que defendem o meio am- patamar “pouco melhor que o do cerca de 80 livros, nos quais enfatizavabiente) precisam redobrar a guarda. sistema público e privado americano” as temáticas médicas e judaicas. Por — ressalvando que isso “não chega três vezes, ganhou o prêmio Jabuti,ATÉ O ELIO GASPARI — A contar a ser um elogio”... — e “um pouco considerado o mais importante dapelos comentários que fez em uma pior que o austríaco”. Embora pareça literatura brasileira. Em 2003, foi eleitode suas colunas dominicais no jornal esquecer-se ou não se dar conta de membro da Academia Brasileira deO Globo (13/2), o jornalista Elio que é também um usuário do sistema, Letras. Moacyr Scliar morreu em PortoGaspari admitiu o SUS como um bom Elio Gaspari conclui: “se a freguesia do Alegre, durante a madrugada, de falên-caminho para a saúde dos brasileiros. SUS botar a boca no mundo toda vez cia múltipla dos órgãos, depois de terReferindo-se a pesquisa do Instituto de que for mal atendida, ele melhorará. sofrido um acidente vascular cerebral.Pesquisa Aplicada (Ipea) que verificou Se baixar a cabeça, achando que ‘écomo os brasileiros avaliam o sistema assim mesmo’, piorará”. A “freguesia PESquISA bRASILEIRA NO(ver matéria na pag. 9), o jornalista do SUS” somos todos nós. ‘LANcET’ — A saúde no Brasil é temaobservou que existe “um perigoso da edição de maio do jornal científi-ingrediente de ignorância convencio- PERDA — A mor- co americano The Lancet, trazendonal” entre os que percebem a rede te do médico, artigos de renomados pesquisadoresde saúde pública brasileira como “um professor, sanis- brasileiros, sobre sistemas de Saúde,desastre”. Para ele, os resultados que tarista e escritor saúde materno-infantil, doenças in-apontam que 34% dos entrevistados Moacyr Scliar, fecciosas, doenças crônicas e causasque não tiveram experiência alguma em 27/2, aos 73 externas. Haverá evento de lança-com o SUS acharam-no ruim ou muito anos, represen- mento em Brasília, nos dias 9 e 10 deruim e só 19,2% acharam-no bom ou tou grande perda maio, no auditório da Organizaçãomuito bom propagam essa “ignorância para a saúde pública. Atuante no mo- Pan-Americana da Saúde. O eventoconvencional”. Elio Gaspari fez sua vimento da Reforma Sanitária, Scliar reunirá autoridades sanitárias nacio-interpretação. “A visão catastrofista lutou por melhores condições de nais, pesquisadores, gestores da Saú-está mais em quem não usa o serviço saúde e dignidade para todos os cida- de, autores, entidades como Abrascodo que naqueles que usam”, escreveu. dãos. Essa preocupação expressou-se e Cebes e os editores do Lancet.sem custo, no programa Aqui Tem genéricos. “São medicamentos queFarmácia Popular. A divulgação foi novos Genéricos integram a lista de prioritários. Entrefeita na primeira cerimônia pública eles, há mais remédios para o trata-da presidenta Dilma Rousseff, noPalácio do Planalto, um mês depoisde tomar posse, informou o jornal A Anvisa liberou (7 e 14/2) registros para os dois primeiros medica- mentos genéricos com a substância mento de câncer, leucemia, artrite, entre outros”, explicou o presiden- te em exercício da Anvisa, DirceuExtra (4/2). O usuário tem acesso Tenofovir, utilizada no tratamento de Barbano. Não há, no entanto, prazoao medicamento apresentando a Aids e hepatite, informou o portal G1 definido para que os medicamentosreceita médica, CPF e documento (18/2). As concessões para a entrada sejam disponibilizados no mercado.com foto, dependendo da disponi- de pelo menos seis novos genéricos O órgão está priorizando o registro debilidade do produto, em um dos 15 no mercado estão sendo feitas desde medicamentos que ainda não contammil estabelecimentos conveniados novembro de 2010. Os outros gené- com genéricos e que são importantesao programa do governo, de acordo ricos já aprovados foram o fumarato do ponto de vista da saúde pública. Ocom O Estado de S.Paulo (4/2). de quetiapina, usado no tratamento Ministério da Saúde anunciou a produ-Dados do governo apontam que 33 de esquizofrenia aguda ou crônica; ção de 9 milhões de comprimidos domilhões de pessoas têm hipertensão o entacapona, para tratar o Mal de genérico do tenofovir, fabricados pelae 7,5 milhões sofrem com o diabe- Parkinson; a dacarbazina, utilizada Fundação Ezequiel Dias (Funed), detes, aponta o jornal Extra (04/02). O no tratamento de câncer, e a rosu- acordo com a Agência Brasil (18/02)acesso aos remédios para controlar vastatina cálcica, para o tratamento Cerca de 64 mil pessoas com aids usampressão e colesterol já é responsável de redução do colesterol e dos riscos o medicamento no país. O ministériopela queda nos índices dessas doen- cardiovasculares. A previsão da Anvisa prevê ainda uma economia de R$ 80ças dos países mais ricos. é de aprovar o registro de outros 18 milhões por ano.
  8. 8. RADIS 104 • ABR/2011 [ 8 ] Segundo o site da própria Anvisa Anvisa tomar posição. Já o coordenador(17/2), em 2 de fevereiro, o órgão da Sociedade Brasileira de Vigilância de lei maria da penha ipublicou resolução que instituiu novas Medicamentos, José Ruben Alcântara,regras para os procedimentos de acom-panhamento, instrução e análise dosprocessos de registro e pós-registro de colocou-se a favor da restrição. “Os riscos dos anfetamínicos superam os benefícios, que, aliás, são muito escassos. Para não L evantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com base em informa- ções dos tribunais de estados brasileirosmedicamentos de interesse do Sistema dizer inexistentes. São pílulas causado- concluiu que a Lei Maria da Penha con-Único de Saúde (SUS). Ainda segundo a ras de doenças”, afirmou ele, à frente tabiliza resultados positivos crescentes,instituição, foi publicado também em da entidade que, desde 1991, luta para desde que entrou em vigor, em agosto defevereiro o primeiro registro de um in- banir os medicamentos do mercado. 2006, informa o jornal O Globo (13/3).sumo farmacêutico ativo (IFA), princípio Para José Ruben, os médicos não regis- No período, pelo menos 70.574 mulhe-ativo responsável pelo funcionamento tram os danos causados pelo seu uso, res conseguiram, na Justiça, medidasdos medicamentos. O primeiro insumo e, por isso, há uma subnotificação de de proteção para sair da situação deregistrado na agência é o Aciclovir, ocorrências de problemas. risco, e pelo menos 76.743 sentençassubstância empregada no tratamento definitivas estão em processo por agres-da herpes zoster. O início do registro são a mulheres. Nos estados, tramitamde insumos farmacêuticos vai garantir número de oBesos doBrou 332.216 processos nas 44 varas e juizadosa isonomia das exigências sanitárias especializados, o que representa 87,2%em relação aos produtos elaborados no dos 107.597 processos relacionados àpaís e os importados. Isso significa um violência contra a mulher, segundo oincentivo ao desenvolvimento dos setores Tribunal de Justiça. A maior estrutura dofarmoquímicos e farmacêuticos do Brasil, país está no Rio de Janeiro com 93.843e garante o acesso a produtos de melhor processos em sete juizados especiais. Aqualidade pela população brasileira. juíza Morgana Richa, coordenadora do grupo do CNJ que monitora a aplicação S.E.o. da Lei Maria da Penha defende que opolêmica na proiBição assunto seja também tratado por varasde iniBidores de apetite especializadas. “A violência configura umE m audiência pública (23/2) que du- rou cerca de quatro horas, médicos, O mundo tem meio bilhão de pes- soas obesas, duas vezes mais do que há trinta anos, concluiu pesquisa cenário mais complexo do que a agres- são. Tem o problema da recorrência, da dependência afetiva, dos vínculos fami-farmacêuticos e um representante do publicada (3/2) no jornal científico liares. Daí a importância de a matériaMinistério Público discutiram a resolução Lancet. Realizada pela Universidade ser tratada não só por sentença”, afirma.da Anvisa que proíbe a venda de sibutra- de Harvard, nos Estados Unidos, emina e três outros inibidores de apetite pelo Imperial College London, na In-(anfrepamona, femproporex e mazindol) glaterra, com o apoio da Organização lei maria da penha iino Brasil. A proibição, que já ocorre nos Mundial da Saúde (OMS) e da Funda-Estados Unidos e Europa, gerou polêmicae a decisão foi adiada pelo órgão, semprazo definido, informou o jornal O Globo ção Bill e Melinda Gates, a pesquisa trabalhou dados colhidos em 199 pa- íses e territórios entre 1980 e 2008, U m juiz da comarca de Rio Pardo, a 150 quilômetros de Porto Alegre (RS), decidiu aplicar a Lei Maria da Penha(24/2). Técnicos da Anvisa apresentaram informou a Folha de S.Paulo (4/2). a uma relação homossexual e concedeua norma que trata da ineficácia dos três Os Estados Unidos aparecem como medida de proteção a um homem queanorexígenos e da sibutramina, utilizados líderes da tendência ao crescimento, afirmou estar sendo ameaçado pelonos medicamentos para emagrecer. A e China e Brasil destacam-se pelo ex-companheiro, informou o site Últimoagência decidiu proibir a comercialização elevado número de pessoas acima do Segundo (25/02). O caso aconteceu quan-de remédios elaborados a partir dessas peso. Há 31 anos, 4,8% dos homens e do, segundo o juiz, depois de terminarsubstancias, porque estudos revelaram 7,9% das mulheres tinham índice de há dois meses um relacionamento de umaumento de problemas cardiovasculares massa corporal (calculado a partir do ano, a vítima passou a ser perseguidaentre os usuários. Estudo publicado no peso e da altura) acima de 30, o que e ameaçada pelo ex-companheiro queNew England Journal of Medicine, que configura obesidade. Há três anos, chegou a agredi-lo. Ele pediu proteção àacompanhou dez mil pacientes em 16 9,8% dos homens e 13,8% das mu- Justiça que obrigou o agressor a manterpaíses, revelou que houve aumento de lheres tinham passado dessa marca. uma distância de, no mínimo, 100 metros16% no risco de complicações cardiovas- Mais de um adulto, em cada dez, está do ex-companheiro. O juiz observou queculares entre os usuários da sibutramina. obeso. “A obesidade envolve consumo a Lei Maria da Penha tem como objeti-A substância foi banida entre americanos alimentar, muito ligado à emoção e vo a proteção das mulheres contra ae europeus. O presidente da Sociedade estilo de vida. Não há pílula mágica violência doméstica, mas qualquerBrasileira de Endocrinologia e Metabo- para tratar isso”, observou endocrino- pessoa em situação vulnerável podelogia, Ricardo Meirelles, manifestou-se logista Bruno Geloneze, coordenador ser beneficiada (Radis 92). A lei já foicontra a proibição. Ele sustentou que o do laboratório de metabolismo e aplicada em relações homossexuaisobjetivo do tratamento de obesos não é diabetes da Unicamp, em entrevista entre mulheres e também em relaçõesfazer o paciente chegar ao peso ideal, ao jornal. O médico atribui o quadro heterossexuais quando o homem émas reduzir os problemas causados pelo não só aos hábitos alimentares, como vítima de violência.excesso de peso. E completou: “Se proi- aos processos de urbanização e auto-bir, será criado um mercado negro. Quem matização, que reduzem o gasto ener- SÚMULA é produzida a partir do acompa-emagreceu voltará a engordar, com os gético. “Sua bisavó, quando tomava nhamento crítico do que é divulgado nariscos inerentes”. Para ele, a comunidade suco, espremia a laranja. Hoje, é só mídia impressa e eletrônica.científica precisa ser ouvida antes de a abrir a geladeira”.
  9. 9. RADIS 104 • ABR/2011 [ 9 ] ACESSO E USOd.M. Sistema faz parte do dia a dia de todos os brasileiros, mas não é reconhecido em suas diversas dimensões Mas será que existe no país quem nunca tenha utiliza- Adriano De Lavor, Bruno do o SUS? O que os resultados da pesquisa indicam, indire- Dominguez e Katia Machado tamente, é que boa parte dos brasileiros desconhece que o P SUS não se restringe ao atendimento prestado em centros ense no que você fez, e/ou postos de saúde. “A pesquisa do Ipea demonstrou em seu dia a dia, nos que a avaliação positiva do SUS se dá por quem utiliza os últimos 12 meses. Se serviços assistenciais”, observa a secretária executiva do foi à farmácia adqui- Ministério da Saúde, Márcia Amaral. “No entanto, também rir um medicamento, é importante destacar os benefícios trazidos para a saúde vacinou-se, fez uma da população brasileira de forma geral, com o advento do compra no supermercado ou foi à sistema”, ressalta, destacando que “por meio da atenção padaria, precisou de um procedimento básica foi possível atingir coberturas vacinais e de pré-natal médico de alta complexidade para você que se aproximam da universalidade” (ver box, na pág. 10). ou algum familiar, não há dúvida: você Radis discute aqui o que faz o Sistema Único de Saúde, usou o SUS. Um dos maiores sistemas de em toda a sua extensão, desaparecer aos olhos dos bra- saúde pública do mundo, resultado de luta sileiros, buscando localizar como e por que as limitações da sociedade civil organizada, movida pela do sistema se sobressaem, ao mesmo tempo em que o SUS determinação de bravos sanitaristas, o Siste- não recebe o devido crédito no que diz respeito às ações ma Único de Saúde, criado pela Constituição de saúde bem sucedidas no país. de 1988 e regulamentado dois anos depois, pelas leis 8.080 e 8.142, tem, quase 21 anos RAízES depois de sua criação, uma abrangência muito maior do que a percebida pela maioria dos brasileiros. Radis apresenta também exemplos desse SUS que não Levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa se vê — ações de vigilância em Saúde, como o trabalho Econômica Aplicada (Ipea) indica que boa parte da po- da Anvisa e as campanhas de imunização; procedimentos pulação ainda desconhece a amplitude do SUS: 34,3% de alta complexidade, como o transplante de órgãos; afirmaram nunca ter usado o sistema — o que é pouco programas de prevenção e tratamento reconhecidos inter- provável. Publicado em fevereiro, o Sistema de Indica- nacionalmente, como o de combate ao HIV/aids, além da dores de Percepção Social (Sips/Ipea) — que tem como produção de tecnologia e conhecimento, a exemplo do que finalidade construir indicadores sociais para verificar como se faz na Fiocruz e em outras instituições públicas de a população avalia os serviços de utilidade pública e seu pesquisa e/ou ensino em saúde, entre muitos outros. grau de importância para a sociedade — indicou que o SUS Esse cenário de desconhecimento tem, em grande recebeu melhor avaliação de quem declarou tê-lo utilizado medida, raízes em questões relacionadas à comu- (68,9%) do que daqueles que afirmaram não fazê-lo. nicação. Percebe-se, no entanto, que está também Entre os que declararam ter tido alguma expe- nas mãos dos gestores públicos, que trazem para si o riência com o SUS, 30,4% consideram os serviços bons crédito de realizações que, na verdade, são viabilizadas ou muito bons, enquanto, entre os que informaram pelo SUS, a responsabilidade por garantir que o sistema nunca ter usado o SUS, o índice dos que avaliam os se apresente do tamanho que ele realmente é. Falta, serviços como bons ou muito bons, cai para 19,2%. Por também, mexer na visão da Saúde que predomina, hoje, outro lado, os que consideram o SUS ruim ou muito de consumidora de recursos, enfatizando-a, em vez disso, ruim são em maior número entre os que informaram como geradora de riqueza, como o setor econômico que nunca ter usado (34,3%) o sistema, do que entre os mais investe em inovação e desenvolvimento tecnológico que disseram ter usado (27,6%). do país, o que faz dele um motor do desenvolvimento.
  10. 10. RADIS 104 • ABR/2011 [ 10 ] No que diz respeito à relação entre o sistema estavam mais comumente asso- saúde ignoravam a determinação do Mi-o Sistema Único de Saúde e a mídia, não ciadas “às mazelas e dificuldades do se- nistério da Saúde de exibir a logomarcaé de hoje que o tema interessa aos pes- tor, quase sempre a partir de uma suposta do sistema — também obrigatória emquisadores da comunicação e da saúde. ineficiência do Estado, incompetência prédios, veículos, uniformes, ofícios eEm 2000, o jornalista Valdir Oliveira, pro- das autoridades ou dos profissionais da publicações — e que boa parte da popu-fessor do Programa de Pós-Graduação em área”. Valdir advertia que esse realce lação desconhecia seu significado.Informação, Comunicação e Saúde (Icict/ em aspectos negativos impedia que o SUS No texto, o comunicador e sanita-Fiocruz), já chamava atenção para uma criasse para si melhor imagem na esfera rista Mario Scheffer avaliava que a faltapesquisa realizada em 1998, que mostra- pública e desmontasse “uma construção de uso da logomarca também refletiava que a maioria dos entrevistados não discursiva sectariamente corrosiva e estratégias de desvalorização do sistema.sabia definir com precisão o significado conduzida por grupos contrários a ele”. “O lado bom do SUS é pouco conhecido,da sigla SUS. há preconceito, desinformação e até má No artigo publicado na edição de fé de setores que lucram com a exposição O OLHAR DA ImPRENSAagosto daquele ano da revista Interface negativa dos serviços públicos de saúde”,(www.interface.org.br) — voltada a Em julho de 2005, atendendo à declarou à revista.comunicação, saúde e educação —, ele sugestão de um leitor, Radis (edição 35) O coordenador de redação da Asses-apontava que as principais imagens e mostrou que, 15 anos após a criação do soria de Imprensa do Ministério da Saúde,informações divulgadas pela mídia sobre SUS, algumas instituições públicas de Renato Strauss, considera “desafiador” Referência no controle e eliminação de doenças de crianças brasileiras, passando pelas vacina que teve expressivo declínio C onsiderado referência mundial pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o Programa Nacio- formas graves de tuberculose, tétano, coqueluche, difteria, sarampo, rubé- ola, caxumba e febre amarela. As co- no número de casos em apenas quatro anos (96%), passando de 5.867, em 2001, para 233, em 2005. Como, em nal de Imunização (PNI), a cargo da berturas vacinais em crianças menores 2007, registrou-se aumento dos casos, Secretaria de Vigilância em Saúde, de um ano de idade ultrapassaram a mais de oito mil, o Ministério da Saúde faz parte do SUS e vem apresentando meta nacional ao longo dos anos: 90% preparou, em 2008, a maior campanha resultados notáveis. Se, em 1973, o para a BCG (Bacilo Calmette-Guérin), de vacinação já realizada por um país. país erradicou a varíola, em 1994, foi utilizada para a prevenção da tuber- Foram vacinadas naquele ano, segundo a vez de a poliomielite sair de cena — a culose, e 95% para as demais. dados do MS, 67,9 milhões de pessoas, Organização Mundial da Saúde (OMS) Dados do Ministério da Saúde o que representou cobertura vacinal concedeu ao Brasil o Certificado de mostram que o Brasil foi o primeiro de 96,75%. Erradicação da doença. A utilização país do mundo a incluir a vacina contra Situação semelhante aconte- de vacinas contra as duas doenças rotavírus no sistema público de saúde. ceu com o controle da gripe H1N1. projetou o Brasil como pioneiro no Mais de 60% das crianças menores de Entre abril e dezembro de 2009, o planejamento e desenvolvimento de um ano foram beneficiadas, já em país havia registrado mais de 46 mil campanhas de vacinação em massa. 2006, ano da inclusão. Em 2009, o casos e 2.051 mortes pela nova gripe. São 13 diferentes vacinas, com percentual da população vacinada com Para enfrentar a segunda onda da proteção para 19 doenças e êxito duas doses da vacina atingiu a marca pandemia, em 2010, o Brasil realizou comprovado internacionalmente, no de 84,26%. complexa campanha de vacinação que diz respeito a cobertura e controle Desde 2000, não há também direcionada para os grupos com ou eliminação de doenças. As vacinas detecção do vírus autóctone do sa- maior risco de adoecer gravemente antimeningococo, que imuniza contra rampo no país. Em setembro de 2010, ou morrer em decorrência da gripe: a doença meningocócica, e pneumo- foi entregue à Opas o relatório da cerca de 90 milhões de pessoas foram cócica 10-valente, que protege contra última etapa para certificação de que imunizadas contra a doença. a bactéria causadora de meningites e o país está livre da FoTo: MiNiSTéRio dA SAúdE pneumonias pneumocócicas, sinusite, circulação do vírus. inflamação no ouvido e bacteremia A cobertura vacinal (presença de bactérias no sangue), abrange também a entre outras doenças, foram incor- febre amarela: são poradas ao Calendário Básico de mais de 65,6 mi- Vacinação da Criança, em 2010. lhões de brasileiros Segundo o Ministério da Saúde, vacinados contra a a previsão é que sejam evitadas doença. A maioria cerca de 45 mil internações por (62,5%), residente pneumonia por ano em todo o Brasil, nas chamadas áreas a partir de 2015. A média dessas in- com recomendação ternações deverá cair de 54.427 para de vacina (ACRV). 9.185 — redução de 83%. A rubéola é outro O PNI tem controlado outras tan- exemplo de doen- Vacina contra a poliomielite é uma das 13 que compõem o tas doenças que ameaçavam milhares ça prevenível por programa de imunização do SUS: pioneirismo brasileiro
  11. 11. RADIS 104 • ABR/2011 [ 11 ]mostrar à imprensa os pontos positivos FoTo: dAyANE MARTiNS FoTo: NATAliA CAlzAvARAdo SUS, “um dos poucos sistemas deacesso universal à saúde no mundo, aindaem construção”. Ele reconhece que ospontos positivos do sistema não recebema mesma atenção dos jornalistas que osnegativos. As doenças com potencialpara gerar epidemias (dengue, gripe eleptospirose, por exemplo), bem comoproblemas relacionados à assistência —espera por atendimento, acesso a medi-camentos, pressão pela inclusão de novosprocedimentos — são os assuntos quemais despertam o interesse da imprensa,aponta, devido à “força das imagens edos relatos das pessoas diretamente afe-tadas e pela oportunidade de confrontar Umberto Trigueiros: “ninguém diz de Cristina: trabalho do profissionale cobrar ações do poder público”. cara limpa que é contra o SUS” de comunicação é político Programas de excelência como tra-tamento da aids, transplantes e redes de À frente das assessorias de Comuni- Saúde (Icict) da Fiocruz, identifica “mádoadores de medula, além da melhora de cação do Ministério da Saúde na gestão vontade” da grande mídia em relaçãodiversos indicadores de saúde — redução do ministro Jamil Haddad, em 1993 ao SUS. Em grande parte resultante dedas taxas de mortalidade infantil e na e 1994, e da Secretaria de Estado de orientação ideológica neoliberal, “umainfância e eliminação de doenças como Saúde do Rio de Janeiro, nas gestões de postura privatista que considera quepoliomielite, rubéola e sarampo — quan- Sergio Arouca e José Noronha, de 1987 o público não funciona”. Essa posturado recebem cobertura da imprensa, não a 1990, o jornalista Umberto Trigueiro, também se verifica na cobertura jorna-aparecem como ações realizadas pelo diretor do Instituto de Comunicação e lística de outras áreas, como transportesSUS, informa Renato. Informação Científica e Tecnológica em e mineração, por exemplo. Acesso universal e gratuito aos antirretrovirais habitantes, segundo o relatório Saúde mente de ser positivo ou negativo. Em O Brasil é referência internacional no tratamento de aids, mas nem todos aprovam as ações na área ou as Brasil 2009 (Radis 103). “Só conseguimos dar acesso universal aos medicamentos porque 2009, foram distribuídos pelo SUS 8,9 milhões de testes de HIV, buscando-se reduzir os casos de diagnóstico tardio. vinculam ao SUS, no país. O relatório existe o SUS”, avalia Ronaldo Hallal, Quando os resultados são positi- State of the Aids response (Estado da coordenador de Cuidado e Qualidade vos, os CTAs encaminham os pacientes resposta à aids), de 2010, do Programa de Vida do Departamento de DST, para tratamento nos serviços de refe- Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/ Aids e Hepatites Virais do Ministério rência, onde o paciente deve receber Aids (Unaids), indica que apenas 50% da Saúde. A Unaids elogia o fato de tratamento integral, que inclui cui- dos brasileiros confiam que o país está o país trabalhar a doença a partir dados de enfermagem, apoio psicoló- lidando com a doença eficazmente. O da abordagem de direito humano. gico, atendimentos em infectologia, próprio relatório discorda dessa visão ginecologia, pediatria e odontologia, e cita o país como líder mundial no controle e distribuição de antirretro- POLíTIcA NA PRáTIcA virais, orientações farmacêuticas, rea- combate à epidemia. Desde 1996, o Brasil garante As ações do SUS começam na lização de exames de monitoramento, acesso universal e gratuito aos antirre- prevenção: divulgação de informação distribuição de insumos de prevenção trovirais, com a regulamentação da Lei e disponibilização de camisinhas mas- e atividades educativas. nº 9.313. Assim, atingiu uma das metas culinas e femininas para a população O Brasil também se destaca nas dos Objetivos do Milênio — de garantir geral, gel lubrificante para profis- ações relativas à aids por articular a o acesso universal ao tratamento de sionais do sexo e homens que fazem redução de preços de medicamen- HIV/aids para todas as pessoas que sexo com homens e kits de redução de tos e fortalecer a indústria nacional necessitem — antes mesmo de estes danos para pessoas que fazem uso de para produção de drogas, exames serem estabelecidos pela Organização drogas. Em 2009, o governo distribuiu diagnósticos e outros insumos. Em das Nações Unidas, em 2000. 467 milhões de camisinhas. Nos Cen- 2007, o marco desse movimento: O tratamento e os avanços cien- tros de Testagem e Aconselhamento o ex-presidente Lula determinou o tíficos mudaram a morbimortalidade (CTAs), é possível fazer testes sigilosos licenciamento compulsório do antir- por aids e aumentaram a sobrevida dos para HIV, sífilis e hepatites B e C. Quem retroviral Efavirenz, então usado por pacientes no país. Entre 1996 e 2008, procura o serviço é acompanhado por 38% dos pacientes brasileiros. “Nossa o coeficiente de mortalidade por aids uma equipe de profissionais de saúde intenção é manter a autonomia, a caiu 37,6% — de 9,6 óbitos por 100 mil responsável por orientar sobre o resul- independência e a sustentabilidade habitantes para 6,1 óbitos por 100 mil tado final do exame, independente- das nossas ações”, diz Hallal.
  12. 12. RADIS 104 • ABR/2011 [ 12 ] Umberto observa, no entanto, SUS destina recursos do Estado para “Isso desqualifica a atuação”. Ele que essa “má vontade” associa-se o financiamento de planos privados. lembra que são poucas as institui- às limitações do próprio sistema, “Isso não aparece na mídia”, aponta ções que, como a Fiocruz, enxergam acabando por fragilizá-lo. Ele explica Umberto, para quem o sistema de o comunicador como um profissional que, como muitas das atribuições saúde suplementar também funciona da saúde. “Não adianta tratar como do SUS, mesmo que retoricamente mal e somente aparece nos jornais se fosse marketing político. Alguém defendidas por governo e sociedade, quando é alvo de escândalo. tem que levar a cabo uma política ainda não foram implementadas, mais alinhada com as diretrizes do cOmuNIcADOR cOmO esse descompasso facilita a ação dos sistema”. PROfISSIONAL DE SAúDE opositores, que não o atacam publica- A jornalista Cristina Ruas con- mente, mas se articulam para atrasar Outra razão apontada por Um- corda: “Não existe comunicação seu desenvolvimento. “Ninguém se berto diz respeito à rotatividade dos sem mobilização; nem mobilização levanta, de cara limpa, para dizer que profissionais de comunicação que sem comunicação”. Pesquisadora do é contra o SUS”, observa. atuam no SUS, nas assessorias do projeto Fundo Global Tuberculose Uma das estratégias para minar Ministério da Saúde e das secretarias Brasil — voltado à população mais o sistema é derrubar fontes de finan- estaduais e municipais, a maioria com suscetível aos agravos da tuberculose ciamento, por exemplo. Ele lembra vínculo esporádico, contratada via nas regiões metropolitanas —, ela atua que o mesmo governo que defende o processos licitatórios e/ou agências. na área da saúde desde 1982. Cristina Nos laboratórios públicos, foco no cidadão, não no mercado 21 novos medicamentos, além de tante para a soberania do país chegar P esquisa e o desenvolvimento de produtos dela decorrentes são motores do crescimento eco- dispositivos intrauterinos (DIU), gerando economia de R$ 170 mi- lhões por ano aos cofres públicos. a essa terceira fase”. Os laboratórios públicos, informa Hayne, vêm dis- cutindo com o Ministério da Saúde nômico de um país e de seu forta- Investimentos conjuntos dos mi- maneiras de produzir itens de maior lecimento em nível internacional nistérios da Saúde e da Ciência e Tec- valor tecnológico e valor agregado. — geram empregos, enriquecem nologia, que somaram R$ 700 milhões, Farmanguinhos se prepara a indústria nacional e reduzem possibilitaram 3,6 mil estudos em mais para fabricar o imunossupressor a dependência do conhecimento de 400 instituições acadêmicas. tacrolimo, usado por pacientes estrangeiro. Na saúde, o impacto Entre as instituições públicas submetidos a transplante de rim, e é ainda mais significativo, pois de pesquisa, a Fundação Oswaldo uma combinação de medicamentos tende a melhorar o cuidado. Cruz é um dos exemplos mais ci- 4 em 1 para tuberculose que pode O investimento público é tados. Somente Farmanguinhos, ampliar a adesão ao tratamento fundamental nessa área, em que instituto de pesquisa, desenvol- e diminuir as taxas de abandono, se observa a falta de interesse vimento e produção da Fiocruz, um dos principais problemas na de empresas privadas em voltar produz em torno de 1 bilhão de terapia contra a doença. sua produção para determinadas medicamentos por ano para o doenças — chamadas de negligen- SUS — antibióticos, antiulcerosos, FoTo: PETER iliCCiEv/ FioCRuz ciadas. Justamente por isso, o SUS analgésicos e produtos dermato- precisa contar com uma base de lógicos, entre outros. pesquisa em saúde, hoje forma- Destacam-se medicamentos da por 19 laboratórios públicos para o combate à aids, à tubercu- voltados para desenvolvimento e lose e à malaria, além de kits para produção de medicamentos, soros assistência farmacêutica em pe- e vacinas. Juntos, produzem 80% nitenciárias e para calamidades. das vacinas e 30% dos medica- “O diferencial de Farman- mentos utilizados no sistema. guinhos como laboratório oficial Entre 2003 e 2010, esses é que alia pesquisa e desenvol- laboratórios receberam R$ 450 vimento tecnológico”, diz Hayne milhões em recursos e três Felipe, diretor do instituto. Para novas fábricas tiveram R$ 320 ele, o Brasil vem evoluindo em milhões de aporte financeiro pelo pesquisa e desenvolvimento em Ministério da Saúde. Nesse perío- saúde: está numa segunda fase, do, o Brasil incorporou três novas em que utiliza e transforma os vacinas e dois medicamentos por insumos. O objetivo é ser um meio de acordo de transferência país inovador, com uma indústria de tecnologia. Parcerias público- farmoquímica pujante, produzindo Nos laboratórios públicos, pesquisa e produção privadas levaram à produção de princípios ativos próprios. “É impor- do que não é de interesse dos privados
  13. 13. RADIS 104 • ABR/2011 [ 13 ]explica que a comunicação ideal se ção de todas as áreas da prefeitura. demanda do trabalho de assessoria”.baseia em três pilares: técnico, po- “Como vai compreender que aquilo Já no campo político, a atuaçãolítico e financeiro. Na área técnica, que passa para imprensa é parte do do profissional de comunicação vaiela identifica que falta capacitação SUS?”, questiona Cristina, também depender do comprometimento dopara os profissionais. Além disso, nos mestranda do Icict/Fiocruz. gestor que o contratou e de a insti-pequenos municípios, não há como Em relação à dimensão financei- tuição incorporar (ou não) sua filiaçãoo assessor se apropriar de uma visão ra, ela observa que não há investi- ao SUS, bem como seus interessesabrangente da saúde, já que muitas mento de recursos em planejamento em relação à mídia. “O trabalho dovezes trabalha sozinho na divulga- e gestão de marca. “Só se atende a assessor é político”, afirma. O SuS no controle de qualidade de produtos e serviços empresas que produzem, transpor- de carne clandestina. “Em quatro anos H ospitais, clínicas, creches, espa- ços culturais, orfanatos, presí- dios, salões de beleza, supermercados, tam, armazenam, comercializam ou prestam serviços relacionados à saúde. “Quando são identificadas irregulari- de trabalho educativo com os mani- puladores de carne, houve mudança significativa: área de desossa própria, o campo de atuação da vigilância dades, os responsáveis podem sofrer conservação e transporte corretos, sanitária é amplo e está relacionado sanções que variam de uma notificação instalações bem cuidadas, manipu- ao dia a dia dos cidadãos. Poucos, no a multas que chegam a R$ 1,5 milhão ladores uniformizados”, comemora entanto, se dão conta de que suas e até mesmo ao fechamento dos esta- a diretora. “A população, orientada ações integram o Sistema Único de belecimentos”. e conscientizada, denuncia quando Saúde. A vigilância sanitária tem a algo está errado”. Trabalhos como missão de garantir qualidade e se- esses foram favorecidos pelo novo PARcERIA cOm A POPuLAçãO modelo de repasse de recursos para gurança de produtos e serviços, dos ramos de alimentos, medicamentos, Além de autorizar e fiscalizar, a as vigilâncias sanitárias de estados e saneantes (inseticidas, desinfetantes vigilância atua em trabalhos educati- municípios, com base em um teto e etc.), cosméticos, equipamentos vos relativo ao consumo de produtos e um piso, definidos em 2007. “Houve para diagnóstico e tratamento de serviços que podem representar risco aumento no valor dos repasses fede- doenças, defensivos agrícolas, bem para a saúde. A ideia é que a população rais e a vigilância sanitária chegou a como serviços médicos, odontológicos, atue em parceria com a vigilância sani- lugares que nunca haviam recebido hospitalares e laboratoriais. tária, fiscalizando, recusando produtos incentivo”, ressalta Maria Cecília. Coordenado pela Agência Nacio- e serviços inadequados ao consumo e Municípios com população de até 20 nal de Vigilância Sanitária (Anvisa), o denunciando práticas ilegais. Maria mil habitantes — e que não tinham Sistema Nacional de Vigilância Sanitá- Cecília enumera exemplos de ações acesso a recursos — passaram a rece- ria (SNVS) tem impacto direto sobre exitosas de participação social e ber o valor anual de R$ 7,2 mil para a saúde da população. “Trabalhamos educativa — que são apresentadas, custeio da estruturação dos serviços de de forma preventiva na proteção e anualmente, nos fóruns regionais vigilância sanitária. “Os municípios se promoção da saúde das pessoas, ou de vigilância sanitária do país. No equipam com veículos, computadores, seja, de maneira a evitar que elas município de Iporá, em Goiás, com termômetros e outros instrumentos fiquem doentes”, destaca a diretora cerca de 32 mil habitantes, a vigilância necessários às inspeções”, explica Ma- da Anvisa Maria Cecília Martins Brito. sanitária trabalha em conjunto com ria Cecília. Já os municípios com mais O SNVS engloba unidades nos três comerciantes locais para melhorar a 20 mil habitantes recebem repasses níveis de governo, federal, estadual qualidade dos serviços e produtos ofe- proporcionais à população. e municipal, com ações compartilha- recidos para a po- FoTo: SéRgio EduARdo olivEiRA das. A Anvisa é responsável, em nível pulação. “Em ins- nacional, pela definição das normas peções de rotina, do que é colocado à disposição do os fiscais sanitários cidadão no mercado brasileiro. É a desenvolvem ações agência que autoriza ou não a comer- educativas para in- cialização de determinado produto. centivar o fim da Para conceder essa autorização, são informalidade do analisados aspectos como capacidade comércio”, rela- técnica, condições de higiene e capa- ta Maria Cecília. citação profissional dos responsáveis Já em Silvanópolis pela produção. Nos níveis estadual e (TO), profissionais municipal, os órgãos de vigilância são de saúde apresen- responsáveis por fiscalizar. Segundo taram experiência Maria Cecília, os fiscais da vigilância eficiente no com- Alimentos, assim como remédios, produtos de limpeza, sanitária visitam regularmente as bate ao comércio cosméticos e serviços médicos: alvos da vigilância sanitária

×