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Protocolo de Bem-Estar Animal
para o Setor Leiteiro
A CADEIA LÁCTEA DO CHILE
VACAS EM LACTAÇÃO
Esta publicação corresponde à atualização do
"Protocolo de Bem-Estar Animal para o Setor Leiteiro" do Consorcio Lechero.
É autorizada a reprodução parcial das informações aqui contidas,
sempre e quando esta publicação for citada como fonte.
Autores:
Ana Strappini Asteggiano
Carolina Cárcamo Moreira
Enrique Bombal Catalán
José Borkert Vargas
M. Alejandra Viedma Calderón
Marcos Muñoz Domon
Néstor Tadich Babaic
Pilar Sepúlveda Varas
Ramón Quichiyao Armstrong
Sergio Iraira Higueras
Silke Engels Petzold
Tamara Tadich Gallo.
Comitê de bem-estar animal e revisor:
Alex Knopel Schüler, Watt’s.
Ana Strappini Asteggiano, Universidad Austral.
Carolina Cárcamo Moreira, Colun.
Enrique Bombal Catalán, DeLaval.
Fernando Herrera Uherek, Nestlé.
Jan Schrott Rundshagen, Aproval.
José Borkert Vargas, Dr. Borkert Spa.
Juan Pablo Soto Andrade, Prolesur.
Marcelo Rippes De Teran, Soprole.
Marcos Muñoz Domon, Universidad de Concepción.
Néstor Tadich Babaic (Q.E.P.D.), Universidad Austral.
Paulina Campos Bravo, Cooprinsem.
Pilar Sepúlveda Varas, Universidad Austral.
Ramón Quichiyao Armstrong, Assessor privado.
Rodrigo Guerrero Bosagna, SAG.
Sandra Jerez Fuenzalida, SAG.
Sergio Iraira Higueras, INIA.
Silke Engels Petzold, Prodeca.
Tamara Tadich Gallo, Universidad de Chile.
Comitê editor:
Luis Orellana Muñoz, responsável por produção e mídias digitais, Consorcio Lechero.
M. Alejandra Viedma, coordenadora da área de produção primária, Consorcio Lechero.
As fotografias presentes neste protocolo são contribuições dos integrantes do Comitê
de bem-estar animal do Consorcio Lechero, que registram essas imagens durante seu
trabalho como consultores no terreno.
Setembro de 2019
ÍNDICE
2
ÍNDICE
Apresentação...................................................................................................................................4
Introdução.......................................................................................................................................6
Indicadores......................................................................................................................................7
Procedimento para a aplicação do protocolo...................................................................................8
Materiais e tamanho da amostra......................................................................................................8
I. ALIMENTAÇÃO ADEQUADA
A. Ausência de fome
1. Condições corporais...............................................................................................................9
B. Ausência de sede
2. Acesso à água......................................................................................................................11
3. Dimensões e disponibilidade dos bebedouros.....................................................................12
4. Qualidade da água e limpeza do bebedouro.........................................................................13
II. ALOJAMENTO E INSTALAÇÕES ADEQUADAS
C. Conforto em áreas de descanso e ordenha
5. Dimensões da contenção ou sala de ordenha......................................................................14
6. Instalação e manutenção da contenção da ordenha.............................................................15
7. Dimensões da contenção ou sala de ordenha......................................................................16
8. Iluminação na sala de ordenha (durante o dia e a noite)......................................................17
9. Iluminação na área do úbere e no piso.................................................................................17
10.	Limpeza dos úberes............................................................................................................17
11.	Limpeza dos membros posteriores.....................................................................................18
12.	Dimensões da sala de espera..............................................................................................19
13.	Estado do piso da sala de espera........................................................................................20
14.	Estado da cerca perimetral da sala de espera.....................................................................21
15.	Tempo máximo de espera na sala.......................................................................................21
16.	Quantidade e dimensões dos cubículos..............................................................................22
17.	Tipo e material da cama .....................................................................................................23
18.	Limpeza da cama ...............................................................................................................24
D. Conforto térmico
19.	Presença de sombra ..........................................................................................................25
20.	Presença de ventilação.......................................................................................................26
21.	Presença de aspersão.........................................................................................................27
E. Facilidade de deslocamento
22.	Estado dos acessos à sala de espera..................................................................................27
23.	Fluxo de entrada das vacas na sala de ordenha..................................................................28
24.	Fluxo de saída das vacas da sala de ordenha......................................................................29
25.	Estado da saída das instalações de ordenha.......................................................................29
26.	Estado do caminho percorrido pelas vacas.........................................................................30
27.	Distância percorrida pelas vacas até as instalações de ordenha.........................................31
Páginas
BEM-ESTAR ANIMAL
ÍNDICE
3
III. SAÚDE ADEQUADA
F. Ausência de lesões e doenças
28.	Pontuação da condição dos tetos.......................................................................................32
29.	Ausência de vacas com lesões no rabo..............................................................................33
30.	Ausência de vacas com quartos não funcionais .................................................................34
31.	Ausência de vacas com tetos amputados...........................................................................34
32.	Recontagem de células somáticas (CCS)............................................................................34
33.	Pontuação de locomoção....................................................................................................35
G. Ausência de dor ou estresse
34.	Ausência de outros animais na sala de ordenha.................................................................36
35.	Uso de analgésicos e anestésicos em procedimentos dolorosos ......................................36
36.	Manejo da dor em caso de doença.....................................................................................37
IV. CONDUTA APROPRIADA
H.	 Expressão de condutas sociais
37.	Expressão de condutas sociais positivas............................................................................38
I. Expressão de outras condutas
38.	Comportamento durante a ordenha....................................................................................39
J. Interação humano-animal
39.	Tratamento das vacas durante a ordenha............................................................................40
40.	Tratamento das vacas durante a condução do rebanho......................................................40
K. Estado emocional
41.	Distância da zona de fuga...................................................................................................42
V. NORMATIVA NACIONAL VIGENTE
L. Implementação da normativa
42. Presença de um responsável pelos animais ......................................................................43
43. Implementação de um plano de contingência....................................................................43
IMPACTO DO BEM-ESTAR ANIMAL NA RENTABILIDADE DA PROPRIEDADE LEITEIRA
Como o bem-estar animal impacta os resultados econômicos da propriedade?......................44
1.	Alojamento............................................................................................................................45
2.	Conforto térmico...................................................................................................................46
3.	Saúde do úbere.....................................................................................................................48
4.	Saúde dos cascos..................................................................................................................50
5.	Interação humano-animal (IHA)............................................................................................52
ANEXOS.........................................................................................................................................53
PLANILHAS DE AVALIAÇÃO...........................................................................................................67
BIBLIOGRAFIAS.............................................................................................................................73
Páginas
Apresentação
4
Apresentação
P
assaram-se apenas cinco anos em nosso
setor desde que o bem-estar animal deixou
de ser um conceito desconhecido, pouco
compreendido e visto com receio e passou a ser
reconhecido como uma condição fundamental para
a produção sustentável de leite. Hoje em dia, o olhar
é outro, pois garantir que nossas vacas tenham o
bem-estar que merecem não é apenas uma exigência
dos consumidores, mas também um dever que
assumimos com orgulho na cadeia láctea.
O que aconteceu nesse período para mudar a visão
no setor leiteiro? Bem, cinco anos atrás o Consorcio
Lechero identificou o bem-estar animal como um dos
pilares do desenvolvimento sustentável da produção
de leite no Chile. Convocamos todos que podem
contribuir e trabalham com o tema, desde produtores
de leite, profissionais da Universidad Austral de
Chile e outras, o INIA, o SAG, até empresas de
serviços. O convite à colaboração, conceito que está
na essência de nossa instituição, recebeu respostas
entusiasmadas dos atores convocados para formar e
trabalhar em um comitê coordenado pelo Consorcio
Lechero. O Comitê conquistou grandes marcos que
nos levaram hoje a publicar uma segunda versão
do Protocolo de bem-estar animal das vacas em
lactação.
Entre os colaboradores que apoiaram este trabalho
desde o início, devemos destacar o Dr. Néstor
Tadich, que foi um gestor fundamental para o
comitê, entregando generosamente sua experiência,
conhecimento e tempo para posicionar o bem-estar
das vacas leiteiras no nível em que hoje se encontra
em nosso setor. Lamentavelmente, o Dr. Tadich
já não está entre nós, mas seu entusiasmo e sua
convicção ainda se refletem nos membros atuais do
Comitê de Bem-estar animal do Consorcio Lechero
e se incorporam a esta publicação, que gerará um
guia fundamental para continuarmos avançando no
cuidado com nossas aliadas insubstituíveis: nossas
vacas leiteiras.
Octavio Oltra Hidalgo
Gerente do Consorcio Lechero
O
presente protocolo de bem-estar animal para
o setor leiteiro é o resultado do trabalho
colaborativo entre produtores, assessores de
propriedade, médicos veterinários e pesquisadores
que se comprometeram com o bem-estar animal.
Em especial, é importante destacar o compromisso
do Consorcio Lechero com o bem-estar animal,
compromisso que se reflete na formação de um
comitê técnico permanente de bem-estar animal
e o desenvolvimento de ferramentas para que
o setor possa melhorar suas práticas de manejo
constantemente.
Este protocolo permitirá que médicos veterinários e
produtores analisem o desempenho e as práticas de
manejo continuamente, identifiquem pontos críticos
paraobem-estaranimaldentrodafazendaepriorizem
intervenções que permitem melhores possíveis. Esta
segunda versão incorpora novos indicadores de
bem-estar animal, além das planilhas para registrar
dados, facilitando a aplicação e a inclusão de temas
cada vez mais relevantes, como a interação humano-
animal, os benefícios econômicos de ter animais em
bom estado e os planos de contingência.
É essencial que todos os envolvidos na cadeia de
produção de leite vejam o bem-estar animal como
um tema de suporte ao setor, tendo como principal
objetivo melhorar a qualidade de vida de nossos
animais e das pessoas que entram em contato com
eles diariamente. Este protocolo é uma contribuição
adicional para ajudar a entender as necessidades das
vacas e para que se possa, assim, produzir leite de
forma responsável e com qualidade ética.
Tamara Tadich Gallo
Acadêmica da Universidad de Chile
BEM-ESTAR ANIMAL
Apresentação
5"B
em-estar animal": um novo princípio de
orientação? Global e pouco concreto ao
mesmo tempo, todos falam sobre isso,
mas não conhecemos o real significado da expressão.
Seria uma nova moda aplicada ao setor leiteiro? Em
termos simples e pragmáticos, bem-estar animal é
a implementação do senso comum. Em nosso caso,
como produtores de leite, trata-se de fornecer a
nossos animais nutrição apropriada, água fresca e
limpa, abrigo e, além disso, mantê-los saudáveis,
confortáveis e tranquilos. Os animais retribuem com
maior produção, maior longevidade e menos gastos.
Anova legislação nacional de proteção animal entrou
em vigor há alguns anos, e é um dever que temos
de cumprir. Como produtores chilenos, devemos
enxergá-la como uma vantagem em um cenário que
nos permite manejos superiores aos de outros países,
vários deles considerados mais desenvolvidos e com
uma longa trajetória na produção de leite. Podemos
nos tornar líderes mundiais com a implementação do
bem-estar animal como pilar de nossa produção de
leite, seja em sistemas de confinamento ou pastoreio.
Para garantir que nossos animais tenham uma
vida feliz desde seu nascimento até a última
lactação, não é necessário fazer grandes
investimentos. Começamos pela capacitação de
nossos colaboradores e implementação de manejos
simples, como não apressar as vacas ao conduzir
o rebanho, substituir varas por bandeiras ou até
mesmo sacos plásticos, plantar árvores próximo às
cercas para fornecer sombra e abrigo contra vento
e chuva, manter os caminhos livres de pedras na
medida do possível, construir drenos para evitar o
acúmulo de barro etc. Os bovinos, como são presas,
não demonstram dor explicitamente. Assim, é mais
barato e eficiente prevenir e tratar a tempo. Aceitar
as recomendações de profissionais e implementar
as alterações propostas geralmente exige apenas
vontade. Em nosso caso, especificamente, uma
mudança na rotina de ordenha reduziu os casos de
mastite em quase 80%.
E não podemos nos esquecer da regra de ouro: a
base do bem-estar animal é o bem-estar da equipe.
Não se pode exigir nem conquistar o tratamento
adequado dos animais se os colaboradores não se
sentem valorizados nem orgulhosos de seu trabalho.
Salários dignos, habitações adequadas, capacitações
permanentes e participação nas conquistas da
propriedade são fundamentais.
Este protocolo procura oferecer ajuda para
implementar procedimentos que garantam que
nossas propriedades sejam reconhecidas como
modelos a serem reproduzidos mundialmente. Mas
também não se trata de cumprir todas essas sugestões
de uma só vez. Cada propriedade é diferente e tem
realidades distintas. Algumas mudanças são fáceis
de realizar, outras exigem investimento. O mesmo
se aplica aos resultados de produtividade: alguns
são imediatos e outros levam algum tempo para
aparecer. Temos uma grande oportunidade não
apenas de garantir uma vida melhor para nossos fiéis
animais, mas também para nós.
Seguindo as tendências globais, os consumidores
nacionais serão cada vez mais exigentes no momento
de comprar produtos lácteos. Podemos e devemos
continuar priorizando o bem-estar animal em nossos
campos. Nossos animais merecem isso, e estamos
preparados para os mercados do futuro. O novo
princípio de orientação do bem-estar animal deixará
de ser um conceito pouco concreto e se transformará
em uma realidade transversal. Mostraremos que a
produção de leite no Chile é única e conseguiremos
posicionar o Chile como referência mundial. Vamos
levar o bem-estar animal a sério!
Jan Schrott Rundshagen
Produtor de leite, região de Los Ríos
Apresentação de um produtor de leite
Introdução
6
Introdução
P
ara estabelecer critérios de bem-estar animal, é importante poder medir objetivamente
os fatores que incidem sobre o estado de bem-estar do rebanho. Por isso, o Comitê de
bem-estar animal do Consorcio Lechero desenvolveu um protocolo que permite avaliar
o estado de bem-estar das vacas em propriedades leiteiras com base em indicadores diretos que
medem o estado dos animais e indicadores indiretos que avaliam as práticas de manejo de um
estabelecimento leiteiro.
O propósito deste protocolo é a obtenção de informações objetivas e confiáveis sobre as condições
de bem-estar de vacas leiteiras utilizando indicadores que facilitam o diagnóstico e a identificação
dos pontos críticos para o bem-estar dos animais em sua vida produtiva.
Este protocolo tem o objetivo de ser uma ferramenta padrão de avaliação que permita aos
produtores de leite obter de maneira objetiva e rápida uma primeira aproximação com o estado
de bem-estar de suas vacas e identificar os pontos de potenciais melhorias a fim de otimizar a
produtividade.
BEM-ESTAR ANIMAL
Indicadores
7
Indicadores
P
ara avaliar o estado de bem-estar de um animal ou grupo de animais, é necessário aplicar
certos parâmetros ou indicadores de bem-estar. Existem vários indicadores que podem ser
aplicados de acordo com o tipo de sistema e de animais a serem avaliados, mas em termos
gerais podemos dividi-los em dois grandes grupos: os indicadores diretos ou baseados no animal
e os indicadores indiretos ou baseados nos recursos entregues ao animal.
Indicadores diretos (IDI) ou baseados no animal: são os parâmetros obtidos em relação ao
animal. Eles permitem que o próprio animal, por meio de sua conduta, estado de saúde, presença
de lesões, variáveis fisiológicas ou condições corporais e outros, forneça informações sobre como
está enfrentando seu meio ambiente (interno e externo) em determinado momento. O uso desse
tipo de indicador aumentou nos últimos anos e é o recomendado pela Organização mundial de
saúde animal (OIE).
Indicadores indiretos (IIN) ou baseados nos recursos:são os parâmetros obtidos ao avaliar
o que é adequado nos recursos que entregamos aos animais e as práticas de manejo associadas
ao sistema de produção em que se encontram. A vantagem desses indicadores é que são fáceis de
medir e repetir, mas a desvantagem é que indicam apenas o risco de que ocorra um problema de
bem-estar e não necessariamente refletem a condição real dos animais em determinado momento.
Devido à existência de uma grande quantidade de indicadores de bem-estar animal, é necessário
escolher um número limitado deles de acordo com determinados princípios e critérios de
bem-estar contextualizados em cada sistema e espécie animal. Para a elaboração do presente
protocolo, foram utilizados 41 indicadores comprovados em condições de campo, baseados nos
quatro princípios de alimentação, alojamento, saúde e comportamento animal do sistema Welfare
Quality®
, além de dois indicadores relacionados à normativa nacional vigente1
.
1 "Responsável pelos animais" e "Plano de contingência" são os dois indicadores baseados na normativa nacional vigente
a cargo do Serviço agrícola e pecuarista do Chile.
8
8
PROCEDIMENTOPARAAAPLICAÇÃODOPROTOCOLO
MATERIAISETAMANHODAAMOSTRA
8
Procedimento para a aplicação do protocolo
O
protocolo utiliza indicadores diretos e indiretos, alguns dos quais devem ser avaliados
antes, durante ou depois da ordenha. Portanto, para aplicar o protocolo a uma propriedade
à qual você é externo, recomenda-se conhecer previamente os horários de ordenha e
comparecer ao menos uma hora do início.
A aplicação do protocolo no nível da propriedade se inicia com a observação das instalações
de ordenha vazias para, então, continuar com a observação da condução do rebanho ou dos
primeiros grupos de vacas, desde o pasto ou local onde são alojadas até a área de espera da sala
de ordenha. A partir desse momento, os diferentes indicadores serão avaliados na área de espera,
na sala de ordenha e na saída da ordenha. Ao mesmo tempo e de acordo com as características da
propriedade, alguns indicadores devem ser avaliados no pasto ou no local em que as vacas são
alojadas em caso de serem mantidas confinadas.
É importante destacar que avaliadores externos devem passar por treinamento prévio para a
aplicação do protocolo à propriedade a fim de não atrasar ou dificultar o trabalho dos operários
nem alterar o comportamento das vacas.
Materiais e tamanho da amostra
Os materiais necessários para a aplicação do protocolo incluem: planilha de avaliação, lápis, fita
métrica, lanterna e câmera fotográfica. A porcentagem de vacas do rebanho a serem avaliadas
dependerá do número total de vacas em ordenha, como indica o quadro 1.
NÚMERO TOTAL DE VACAS EM ORDENHA PORCENTAGEM DO REBANHO A SER AVALIADA
< 100 80%
100 a 200 50%
201 a 300 30%
301 a 500 25%
> 500 20%
Quadro 1. Relação do tamanho do rebanho com a porcentagem de vacas a ser
avaliada (adaptado do protocolo Welfare Quality®
).
I. ALIMENTAÇÃO ADEQUADA
BEM-ESTAR ANIMAL
I.ALIMENTAÇÃOADEQUADA
9
I.	ALIMENTAÇÃO ADEQUADA
A. Ausência de fome
1. Escore da condição corporal (ECC): corresponde a um indicador direto (IDI). É obtido
por meio da avaliação das reservas corporais da vaca e permite estabelecer seu estado nutricional.
Para obter a medida, observa-se a lateral e a traseira dos animais, geralmente quando estão saindo
da sala de ordenha (pontos a serem avaliados no Anexo 1). A pontuação obtida e a avaliação
também devem considerar outros critérios, como o estado fisiológico do animal, dias em lactação
e a época do ano. Neste caso, aplica-se uma escala de cinco pontos, em que se considera:
Aceitável: Condição corporal entre 2,5 e 4,0 pontos.
Não aceitável: condição corporal inferior a 2,5 ou superior a 4,0 pontos.
Segundo as pontuações do grupo de amostra, as porcentagens serão calculadas por intervalos de
pontuação obtida, como indica o quadro 2.
INDICADOR CÁLCULO
LIMITES SEGUNDO CATEGORIA
BOA REGULAR RUIM
Porcentagem de animais
com ECC baixa
(nº de animais com ECC < 2,5/nº
total de animais avaliados)*100
< 10% 10% a 20% > 20%
Porcentagem de animais
com ECC excessiva
(nº de animais com ECC > 4,0/nº
total de animais avaliados)*100
< 5% 5% a 20% > 20%
Quadro 2. Limites de animais com ECC baixa ou excessiva no rebanho. Adaptado do
"Protocolo de avaliação de bem-estar animal do noroeste argentino" (em espanhol).
Condição corporal inferior a 2,5 pontos: observa-se lateralmente uma linha imaginária que
une o ílio e o ísquio (osso do quadril) sem a camada de gordura subcutânea, com a parte superior
do fêmur visível projetando uma linha em forma de V. Mais da metade das costelas de ripa são
visíveis na posição lateral. Na parte de trás, o ílio e o ísquio são angulares e não há evidência
2 Imagens 1, 2 e 3 de condição corporal cedidas pela Bayer Animal Health.
I.ALIMENTAÇÃOADEQUADA
10
de gordura subcutânea entre a base do rabo e a parte posterior do ísquio, observando-se uma
cavidade profunda entre elas. Os ligamentos do sacro e os ligamentos do rabo são visíveis. Como
referência, consulte a imagem 1.
POSTERIOR DIAGONAL LATERAL
Imagem 1: Pontuação 1 de condição corporal.
Condição corporal superior a 4,0 pontos: Lateralmente observa-se a projeção de uma linha
reta entre o ílio e o ísquio. Na parte de trás, o ligamento do sacro e os ligamentos dos dois lados
do rabo não são visíveis. Como referência, consulte a imagem 2:
POSTERIOR DIAGONAL LATERAL
Imagem 2: Pontuação 5 de condição corporal.
BEM-ESTAR ANIMAL
I.ALIMENTAÇÃOADEQUADA
11
Condição corporal entre 2,5 e 4,0: Lateralmente, menos da metade das costelas de ripa
são visíveis. Na parte de trás, o ílio e o ísquio podem ser angulares, mas se observa gordura
subcutânea na parte posterior do ísquio. Como referência, consulte a imagem 3.
POSTERIOR DIAGONAL LATERAL
Imagem 3: Pontuação 3 de condição corporal.
B. Ausência de sede
2. Acesso à água: A avaliação do acesso aos bebedouros é um indicador indireto (IIN) que
reflete a facilidade ou dificuldade com a qual as vacas podem chegar ao bebedouro. Nesse sentido,
a localização e o tipo de piso que o rodeia são fatores importantes a serem considerados, em que:
Bom:opisosobreoqualselocalizaobebedouroéfirme,sepossívelfeitodeconcretoantiderrapante
não exposto no limite terra-concreto e localizado de maneira a não afetar negativamente o fluxo
dos animais (imagem 4). Se os bebedouros forem móveis, eles se deslocam pelo pasto evitando a
erosão e/ou o acúmulo de barro (imagem 5).
Imagem 4 Imagem 5
I.ALIMENTAÇÃOADEQUADA
12
Regular: o piso é de concreto muito exposto, de terra sem erosão nem acúmulo de barro (ou
com algum tipo de tratamento que evite isso). O bebedouro está localizado de maneira que afeta
o fluxo adequado dos animais.
Ruim: o piso de terra está erodido ou com acúmulo de barro e/ou pedras ao redor. A localização
do bebedouro dificulta o fluxo de animais (Imagens 6 e 7).
Imagem 6 Imagem 7
3. Dimensões e disponibilidade dos bebedouros: é um IIN que determina a quantidade e a
capacidade dos bebedouros para sustentar o consumo diário de água das vacas. Os animais devem
ter acesso à água em pastos e área de cubículos. Caso os animais esperem o resto do grupo antes
de voltar ao pasto ou aos cubículos, devem também ter acesso à água na saída das instalações de
ordenha. No Anexo 2, encontram-se recomendações de medidas e indicações para o cálculo da
capacidade de bebedouros circulares e retangulares.
Bom: os animais têm acesso à água em pastos e área de cubículos quando voltam imediatamente
da ordenha. Os animais que esperam o resto do grupo antes de voltar têm acesso à água na saída
das instalações de ordenha. Todas as vacas da manada devem ter acesso ao bebedouro antes que
saia a próxima. O nível da água do bebedouro não deve ser inferior a 75% de sua altura máxima.
Regular: as vacas têm acesso à água de bebida na área dos cubículos e no pasto e, se necessário, na
saída das instalações de ordenha. Porém, os bebedouros não atendem aos requisitos especificados
anteriormente.
Ruim: as vacas esperam o resto do grupo sem ter acesso à água na saída das instalações,
têm acesso à água no pasto e nos cubículos, mas os bebedouros não atendem aos requisitos
especificados anteriormente.
BEM-ESTAR ANIMAL
I.ALIMENTAÇÃOADEQUADA
13
4. Qualidade da água e limpeza do bebedouro: trata-se de um IIN que avalia a adequação
do recurso água sendo oferecido, pois não basta que haja bebedouros nos lugares indicados e
que sejam de fácil acesso. Se a qualidade da água não for apropriada, as vacas não vão querer
consumi-la (determinada quantidade de alimento fresco é aceitável).
Bom: bebedouros e água limpos no momento da inspeção. Considera-se limpo quando não
há evidência de crostas ou sujeira (como fezes ou barro) e/ou restos deteriorados de alimento
(Imagens 8 e 9).
Imagem 8 Imagem 9
Regular: bebedouros sujos, mas água fresca e limpa no momento da inspeção.
Ruim: bebedouros e água sujos no momento da inspeção, com crescimento de algas e/ou musgo
(Imagens 10 e 11).
Imagem 10 Imagem 11
II. ALOJAMENTO E INSTALAÇÕES
ADEQUADAS
BEM-ESTAR ANIMAL
14
II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas
II. ALOJAMENTO E INSTALAÇÕES ADEQUADAS
C. Conforto em áreas de descanso e ordenha
5. Dimensões das contenções ou sala de ordenha: trata-se de um IIN que permite avaliar
se essas estruturas têm o tamanho adequado para garantir a proteção e o conforto das vacas
durante a ordenha. No Anexo 3, encontram-se recomendações de medidas para uma sala do tipo
espinha de peixe e rebanho Holstein-Frísia padrão.
Bom: as medidas recomendadas são seguidas para o tipo de contenção existente em relação ao
tipo de vaca (raça, tamanho) (Imagens 12 e 13).
Imagem 12 Imagem 13
Regular: as medidas recomendadas são parcialmente seguidas para o tipo de contenção e tipo
de vaca existente.
Ruim: as medidas recomendadas não são seguidas para o tipo de contenção e tipo de vaca
existente. Os animais adotam posturas desconfortáveis com evidente agitação durante a ordenha
(Imagens 14 e 15).
Imagem 14 Imagem 15
15
II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas
6. Instalação e manutenção da contenção: é um IIN que permite avaliar se, além de respeitar
as dimensões recomendadas, as instalações também são seguras para o animal e se a manutenção
evita que as vacas possam se machucar ou ficar desconfortáveis durante a ordenha. Uma boa
instalação e manutenção da contenção permitem que as vacas fiquem confortáveis e circulem com
facilidade, além de proporcionar segurança ao ordenhador enquanto realiza seu trabalho.
Bom: as barras horizontais separam as vacas das verticais. Manutenção adequada, sem presença
de saliências e superfícies cortantes ou que possam ferir as vacas (Imagens 16 e 17).
Imagem 16 Imagem 17
Regular: as barras horizontais separam as vacas das verticais. Manutenção insatisfatória das
barras, com saliências e/ou superfícies cortantes pequenas que não podem ferir as vacas.
Ruim: barras verticais em contato com as vacas. Manutenção insatisfatória das barras, portas
e comedouros, e/ou presença de saliências e/ou superfícies cortantes ou que possam feri-las
(Imagens 18 e 19).
Imagem 18 Imagem 19
BEM-ESTAR ANIMAL
16
II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas
7. Estado do piso da sala de ordenha: É um IIN que permite avaliar a comodidade das
vacas durante a ordenha. O piso da sala deve ser de material construtivo (com ou sem tapete de
borracha) com ranhuras com desenho e medidas aptas para evitar escorregões (antiderrapante).
Bom: piso antiderrapante, sem saliências, buracos nem outras irregularidades que possam ferir
os cascos. Não abrasivo (Imagens 20 e 21).
Imagem 20 Imagem 21
Regular: piso antiderrapante, mas com áreas gastas, buracos e irregularidades. Não abrasivo.
Ruim: piso abrasivo e/ou não antiderrapante. Manutenção geral inadequada (Imagens 22 e 23).
Imagem 22 Imagem 23
17
II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas
8. Iluminação na sala de ordenha para ordenha (durante o dia e a noite): Os animais
bovinos têm mais facilidade de se mover de áreas mais escuras para áreas mais iluminadas
(evitando sempre ofuscar a visão). Uma boa iluminação na sala de ordenha facilitará o fluxo das
vacas e evitará que os operários precisem apressá-las ou utilizar instrumentos de condução de
rebanho inadequados, golpes ou gritos. Utilize um luxímetro ou um aplicativo no seu smartphone.
Para mais detalhes, consulte o Anexo 4. Este é um IIN.
Bom: Boa iluminação. Mínimo de 200 lux no nível do corredor de entrada dos animais ou
a luminosidade que permita ler um jornal. As vacas se deslocam em um bom fluxo e sem
ofuscamento.
Regular: Iluminação insuficiente ou incorreta. As vacas param na entrada da sala antes de
entrar ou entram com desconfiança. É comum que, pela intensidade, a localização ou altura da
iluminação, as vacas tenham sua visão ofuscada, o que também dificulta que entrem.
Ruim: Iluminação escassa. A sala está evidentemente mais escura que a sala de espera durante
a ordenha diurna.
9. Iluminação na área do úbere e no piso: É um IIN. A iluminação deve permitir que o
ordenhador (ou avaliador) observe e avalie a pele e a ponta dos tetos, bem como outras alterações
da parte inferior do animal.
Bom: Boa iluminação. Mínimo de 250 lux medido 10 cm abaixo da ponta do teto. Esta
luminosidade permite ler um jornal na altura dos tetos.
Regular: Iluminação insuficiente ou incorreta. Dificuldade para agora enxergar embaixo da
ponta do teto.
Ruim: Iluminação escassa, impedindo a avaliação embaixo da ponta do teto e exigindo o uso
de lanterna.
10. Limpeza dos úberes: é um IDI que fornece informações sobre as condições ambientais em
que as vacas são mantidas. Para isso, avalia-se um número determinado de vacas no momento da
ordenha (quadro 1), observando a lateral e a parte posterior do animal em busca de sujeira (fezes,
barro ou restos de cama) e fornecendo uma pontuação segundo a imagem 24.
BEM-ESTAR ANIMAL
18
II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas
Imagem 24: Pontuação de limpeza dos úberes (Pamela L. Ruegg, 2002).
Bom: a soma das vacas com pontuação 3 e 4 é inferior ou igual a 30% do total de animais da amostra.
Regular: a soma das vacas com pontuação 3 e 4 é superior a 30% mas inferior a 70% do total
de animais da amostra.
Ruim: a soma das vacas com pontuação 3 e 4 é superior ou igual a 70% do total de animais da amostra.
11. Limpeza dos membros posteriores: Trata-se de um IDI que pode ser facilmente
avaliado na saída da sala de ordenha ao mesmo tempo que outros indicadores são medidos, como
a pontuação de locomoção, ou durante a ordenha ao mesmo tempo que é feita a avaliação da
limpeza dos úberes. Observa-se a lateral e a parte posterior e se atribui uma pontuação a cada
animal da amostra do rebanho de acordo com a imagem 25.
Imagem 25: Pontuação de limpeza dos membros posteriores (N. Cook, 2001. University of
Wisconsin-Madison).
Pontuação 1
Limpas.
Pontuação 2
Ligeiramente sujas.
2 a 10% da superfície.
Sujeira de fácil remoção.
Pontuação 3
Sujeira moderada.
10 a 30% da superfície.
Sujeira de fácil remoção.
Pontuação 4
Cobertas de esterco e/
ou sujeira.
> 30% da superfície.
Sujeira e crostas de
difícil remoção.
Pontuação 1
Limpas.
Pontuação 2
Respingos de barro ou
esterco.
Sujeira de fácil
remoção.
Pontuação 3
Placas de barro ou
fezes nas patas e/ou na
articulação.
Sujeira de fácil
remoção.
Pontuação 4
Placas de barro ou esterco
nas patas e na articulação
e/ou no abdômen e úbere.
Sujeira de difícil remoção.
19
II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas
Bom: a soma das vacas com pontuação 3 e 4 é inferior ou igual a 30% do total de animais da amostra.
Regular: a soma das vacas com pontuação 3 e 4 é superior a 30% mas inferior a 70% do total
de animais da amostra.
Ruim: a soma das vacas com pontuação 3 e 4 é superior ou igual a 70% do total de animais da amostra.
12. Dimensões da sala de espera: trata-se de um IIN que permite identificar se cada vaca tem
espaço suficiente para se sentir confortável enquanto aguarda seu turno para a ordenha. As vacas
devem ficar suficientemente confortáveis na sala de espera, mantendo-se juntas mas sem exercer
pressão umas sobre as outras a fim de facilitar a posição natural da cabeça (Imagens 26 e 27) e
não levantada sobre o dorso de outros animais (Imagens 28 e 29).
No Anexo 5, encontram-se indicações para o cálculo da superfície de salas de espera circulares
e retangulares. Recomenda-se adicionar entre 10 e 15% de superfície ao cálculo como margem
de segurança.
Imagem 26 Imagem 27
Qualquer situação que gere estresse nessa etapa do manejo pode levar a mudanças na produção
individual de leite. Para este indicador, deve-se considerar o total de animais que chegam à sala
de espera menos os que entram imediatamente na sala.
Imagem 28 Imagem 29
BEM-ESTAR ANIMAL
20
II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas
Dependendo do tamanho da raça, considere as seguintes medidas:
Raça Holstein
Bom: área superior ou igual a 1,6 m2
por animal
Regular: área de 1,5 m2
por animal
Ruim: área inferior a 1,4 m2
por animal
Raça Jersey
Bom: área superior ou igual a 1,3 m2
por animal
Regular: área entre 1,2 m2
e 1,3 m2
por animal
Ruim: área inferior a 1,2 m2
por animal
13. Estado do piso da sala de espera: É um IIN que permite avaliar a comodidade das
vacas enquanto aguardam seu turno para entrar na sala de ordenha. O piso deve ser de material
construtivo (com ou sem tapete de borracha) com ranhuras com desenho e medidas aptas para
evitar escorregões (antiderrapante).
Bom: piso antiderrapante, sem saliências, buracos nem outras irregularidades que possam ferir
os cascos. Não abrasivo (Imagens 30 e 31).
Imagem 30 Imagem 31
Regular: piso antiderrapante, mas com áreas gastas, buracos e irregularidades. Não abrasivo.
Ruim: piso abrasivo e/ou não antiderrapante. Manutenção geral inadequada (Imagens 32 e 33).
Imagem 32 Imagem 33
21
II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas
14. Estado da cerca perimetral da sala de espera: trata-se de um IIN que permite confirmar
se a cerca da sala cumpre sua função evitando que as vacas se machuquem, pulem ou fiquem
presas nas barras. Recomendações de medidas da cerca perimetral no Anexo 6.
Bom: canos redondos horizontais por dentro da estrutura vertical (postes ou canos) ou madeira
lisa sem saliências até o interior da sala. Postes perimetrais por fora da cerca horizontal (Imagens
34 e 35).
Imagem 34 Imagem 35
Regular: com saliências, ângulos, obstáculos ou outros elementos que prejudicam o posiciona-
mento normal e o deslocamento das vacas.
Ruim: feita de arame, lata ou outro material que apresenta riscos de ferimentos. Postes perimetrais
por dentro (Imagens 36 e 37).
Imagem 36 Imagem 37
15. Tempo máximo de espera na sala: trata-se de um IIN que permite quantificar o tempo
máximo que um animal permanece na sala de espera. Esse tempo não considera a estada em
outras superfícies de concreto, como a plataforma de alimentação. Faz-se a medição do intervalo
entre a entrada das vacas na sala e a entrada das últimas vacas na sala. É necessário considerar
que, em uma sala em boas condições de piso, superfície e ambiente (temperatura e umidade),
depois de 1 hora de estada a concentração de cortisol no sangue dos animais começa a aumentar,
e isso é um indicador de estresse que influencia diretamente a produção de leite dessa ordenha.
BEM-ESTAR ANIMAL
22
II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas
Bom: Menos de 1 hora.
Regular: 1 hora a 1 ½ hora.
Ruim: Mais de 1 ½ hora.
16. Quantidade e dimensões dos cubículos: É um IIN que se aplica aos sistemas que
utilizam confinamento em cubículos. Isso é importante porque cubículos inadequados reduzem
o tempo de descanso das vacas, podendo fazer com que comecem a mancar, até de impactar a
produção de leite. Para avaliar esse indicador, são escolhidos aleatoriamente e analisados 10%
dos cubículos, que passam por medições de comprimento, largura, distância do muro até a barra
do pescoço, altura da barra divisória superior e inferior, altura da superfície do cubículo, altura
do limitador de avanço do peito e largura da barra divisória. Recomenda-se ter de 3 a 5% de
cubículos adicionais em relação ao número de animais do grupo. No Anexo 7, encontram-se as
recomendações de medidas dos cubículos de acordo com o tamanho do animal.
Bom: há mais de um cubículo por animal, idealmente 5% a mais. A largura do cubículo
corresponde, no mínimo, à largura do quadril do animal (115 a 140 cm ou mais) e o comprimento
está entre 240 e 280 cm, proporcionando espaço adicional com a barra do pescoço de mais de
70 cm para que a vaca possa ficar de pé confortavelmente. A superfície do cubículo tem altura
inferior a 20 cm (Imagens 38 e 39).
Imagem 38 Imagem 39
Regular: Há um cubículo por animal. A largura do cubículo está entre 100 e 115 cm, a altura da
superfície do cubículo está entre 20 e 35 cm e os animais têm espaço adicional entre a barra do
pescoço e um muro menor a 60 cm. Sempre considere o tipo de animal utilizado na propriedade.
23
II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas
Ruim: não há cubículos suficientes para a quantidade de animais e/ou não possuem as
dimensões necessárias para que a vaca possa se inclinar e parar confortavelmente nem descansar
pela quantidade de tempo adequada. Observa-se uma alta porcentagem de vacas deitadas nos
corredores (Imagens 40 e 41).
Imagem 40 Imagem 41
17. Tipo e material da cama: É um IIN que avalia a adequação do material utilizado para
a cama, que permitirá que a vaca descanse confortavelmente e sem desenvolver lesões em suas
extremidades. Por isso, é importante considerar a materialidade e a profundidade da cama.
Bom: se é utilizada uma cama profunda (areia, cavacos, palha ou outro), deve ser de material
absorvente e em quantidade suficiente para que cubra todo o cubículo. Se é utilizada uma superfície
de borracha, ela deve ser coberta por material de cama superficial (serragem, cavacos, palha ou
outro) em todo o cubículo para que as vacas possam se sentar confortavelmente (Imagens 42 e 43).
Imagem 42 Imagem 43
BEM-ESTAR ANIMAL
24
II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas
Regular: o material da cama não é suficiente para cobrir o solo ou o colchão de borracha e, por
isso, fica em contato direto com a vaca.
Ruim: Não há material de cama ou se utiliza somente colchão de borracha (Imagens 44 e 45).
Imagem 44 Imagem 45
18. Limpeza da cama: em sistemas free stall, as vacas permanecem sentadas 10 horas por
dia ou mais. Camas limpas e secas favorecem o descanso, que influencia os indicadores diretos,
como limpeza de membros e úberes (indicadores 10 e 11). Este IIN se aplica somente a sistemas
de confinamento. O ideal é limpar as camas em cada ordenha. Em sistemas convencionais (não
robóticos), a medição deve ser realizada duas horas depois da ordenha.
Bom: camas limpas e secas no momento da inspeção. Considera-se limpa quando não há presença
de fezes ou barro (Imagens 46 e 47).
Imagem 46 Imagem 47
25
II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas
Regular: camas sujas, mas secas no momento da inspeção.
Ruim: Camas sujas e úmidas ou molhadas no momento da inspeção (Imagens 48 e 49).
Imagem 48 Imagem 49
D. Conforto térmico
19. Presença de sombra: é um IIN que indica o risco de que os animais sofram estresse
térmico devido ao calor, especialmente na primavera e no verão e, em particular, na zona Centro-
norte do país. A faixa de temperatura em que os bovinos se sentem confortáveis é menor do que
a das pessoas, e temperaturas acima de 22 °C já podem ter efeitos negativos sobre o animal e a
produção. A presença de sombra é especialmente importante na sala de espera e nos pátios de
alimentação, onde as vacas devem permanecer por tempos prolongados, considerando apropriado
no mínimo 4,5 m2
por vaca em lactação.
Bom: a sombra cobre totalmente a superfície na sala de espera e/ou pátio de alimentação, e tem
altura mínima de 4 m (Imagens 50 e 51). Considerar 0,5 m a mais se o teto for de lata.
Imagem 50 Imagem 51
BEM-ESTAR ANIMAL
26
II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas
Regular: há sombra, mas não atende a todas as condições mencionadas acima.
Ruim: Não há sombra na sala de espera nem no pátio de alimentação e inclusive pode haver
vacas ofegantes (Imagens 52 e 53).
Imagem 52 Imagem 53
20. Presença de ventilação3
: é um IIN que permite avaliar a possibilidade de manter um fluxo
e a qualidade adequada do ar no local onde os animais ficam. Neste caso, avaliam-se a presença,
a quantidade e a localização dos sistemas de ventilação forçada (Imagens 54 e 55). Este indicador
se aplica às fazendas localizadas em zonas onde a temperatura tende a ser elevada durante boa
parte do ano ou onde as condições de estiagem geram problemas de estresse térmico para o
gado (ver Anexo 8 de macrozonas leiteiras e estresse térmico). Este critério também se aplica à
"Presença de aspersão" (indicador 21). No Anexo 9, encontram-se as recomendações de medidas
para a disposição de ventiladores nas instalações.
Imagem 54 Imagem 55
3 A avaliação do indicador "Presença de ventilação" exige um avaliador treinado.
27
II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas
Bom: ventiladores suficientes para cobrir toda a superfície da sala, com altura suficiente (2,7 m a
partir do piso em que estão as vacas) e colocados no ângulo recomendado para a direção ideal do
ar. A distância entre os ventiladores é menor ou igual ao diâmetro por 10.
Regular: há ventiladores que funcionam, mas não atendem aos requisitos de superfície coberta
e localização.
Ruim: não há sistema de ventilação ou há e não funciona.
21. Presença de aspersão4
: trata-se de um IIN pelo qual se avalia a presença de mecanismos
de aspersão de água em currais e/ou pátio de espera e que permitem a regulação da temperatura
dos animais e evitam estresse térmico (Imagens 56 e 57).
Imagem 56 Imagem 57
Bom: em toda a superfície da sala, com gotas de tamanho suficiente (3 a 5 mm) que alcancem a
pele das vacas, mas evitando molhar os úberes. Molha até a metade das costelas.
Regular: não atende a todos os requisitos mencionados acima.
Ruim: não há sistema de aspersão.
E. Facilidade de deslocamento
22. Estado dos acessos à sala de espera: também corresponde a um IIN em que se avalia o
estado do limite terra-concreto no acesso à sala de espera.
Bom: limite terra-concreto sem erosão nem acúmulo de barro. Caso haja degraus, eles devem
ter altura máxima de 20 cm, largura mínima de 85 cm e profundidade maior que 70 cm. Caso
4
A avaliação do indicador "Presença de aspersão" exige um avaliador treinado.
BEM-ESTAR ANIMAL
28
II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas
haja rampas, elas devem ter inclinação menor ou igual a 4% (relação entre longitude e altura).
Ausência de obstáculos (Imagens 58 e 59).
Imagem 58 Imagem 59
Regular: limite terra-concreto com leve erosão e/ou com acúmulo de barro. Degraus e rampas
com medidas próximas às dimensões corretas.
Ruim: limite com erosão e/ou acúmulo de barro. Degraus e rampas longe do dimensionamento
correto. Presença de obstáculos (Imagens 60 e 61).
Imagem 60 Imagem 61
23. Fluxo de entrada de vacas na sala de ordenha: este IIN avalia a facilidade de
deslocamento dos animais ao entrarem na sala. Para calcular o tempo de entrada na sala de ordenha
por vaca, mede-se o tempo entre a abertura da corrente ou porta traseira e o seu fechamento
depois que as vacas entraram na sala de ordenha. Depois, esse tempo é dividido pela quantidade
de vacas da manada e se obtém o valor por vaca em segundos. O fluxo de animais pode variar de
29
II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas
acordo com fatores mencionados anteriormente, como facilidade e funcionalidade do acesso à
sala, estado e características do piso, iluminação e ventilação da sala e/ou presença de obstáculos.
Bom: os animais demoram menos de 4 segundos para entrar na sala.
Regular: os animais demoram de 4 a 6 segundos para entrar na sala.
Ruim: Os animais demoram mais de 6 segundos para entrar na sala. Geralmente, isso faz com que
o operário tenha que apressar a entrada usando elementos de condução de rebanho, gritos ou golpes.
24. Fluxo de saída das vacas da sala de ordenha: Este IIN avalia a facilidade com que os
animais saem da sala a partir da contenção.
Bom: As vacas saem da sala de maneira fluida.
Ruim: O tráfego é lento ou os animais se recusam a avançar. Isso faz com que o operário tenha
que apressar a saída dos animais com assobios, gritos, jogando água, conduzindo o rebanho ou
batendo nos animais.
25. Estado da saída das instalações de ordenha: corresponde a um IIN que também é
fortemente relacionado à possibilidade de que os animais comecem a mancar.
Bom: Limite terra-cimento sem erosão nem acúmulo de barro. Os degraus e rampas devem ter as
mesmas dimensões que as especificadas para os acessos à sala de espera. Ausência de obstáculos
(Imagens 62 e 63).
Imagem 62 Imagem 63
BEM-ESTAR ANIMAL
30
II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas
Regular: limite terra-concreto com leve erosão e/ou com acúmulo de barro. Degraus e rampas
com medidas próximas às dimensões corretas.
Ruim: limite com erosão e/ou acúmulo de barro. Degraus e rampas longe das dimensões
recomendadas. Presença de obstáculos. (Imagens 64 e 65.)
Imagem 64 Imagem 65
26. Estado do caminho percorrido pelas vacas: este é um IIN que permite identificar
indícios de riscos de que as vacas comecem a mancar.Ao avaliar esse indicador, é preciso considerar
a relação entre o número de vacas, o número de ordenhas diárias, as características do solo e o regime
de chuvas. Consideram-se características do caminho como: a superfície, a largura, a inclinação e a
drenagem. Consulte a recomendação de dimensões de caminhos no Anexo 10.
Bom: Superfície regular, ausência de obstáculos, sem inclinação, boa drenagem e medidas
recomendadas (Imagens 66 e 67).
Imagem 66 Imagem 67
31
II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas
Regular: Superfície irregular, presença de obstáculos, drenagem aceitável e/ou não cumprimento
das dimensões recomendadas.
Ruim:Superfície totalmente irregular com saliências, pedras ou outros obstáculos que prejudicam
o deslocamento e/ou são traumáticos. Drenagem deficiente, presença de inclinação, acúmulo de
barro por vários dias (Imagens 68 e 69).
Imagem 68 Imagem 69
27. Distância percorrida pelas vacas até as instalações de ordenha: trata-se de um IIN
que avalia a distância máxima percorrida em uma única viagem até ou a partir das instalações
de ordenha.
Bom: Menos de 1000 m.
Regular: De 1001 m a 1200 m.
Ruim: Mais de 1200 m.
III. SAÚDE ADEQUADA
BEM-ESTAR ANIMAL
32
III.SAÚDEADEQUADA
III. SAÚDE ADEQUADA
F. Ausência de lesões e doenças
28. Pontuação da condição dos tetos: é um IDI associado à saúde mamária e que fornece
indícios de alguns problemas que podem estar ocorrendo na rotina de ordenha, especialmente em
relação à manutenção e/ou ao funcionamento de equipamentos e ordenha excessiva. Para avaliar
a pontuação da condição dos tetos, recomenda-se utilizar uma lanterna de 10.000 lux, realizar a
avaliação durante a ordenha e avaliar um número de vacas segundo o quadro 1, atribuindo uma
pontuação segundo a imagem 70:
	 PONTUAÇÃO 1	 PONTUAÇÃO 2
	 PONTUAÇÃO 3	 PONTUAÇÃO 4
Imagem 70: Pontuação da condição dos tetos.
33
III.SAÚDEADEQUADA
Depois de obter os resultados, somam-se os tetos com pontuação igual ou superior a 3 e se calcula
a porcentagem com base no total da amostra (quadro 1):
Bom: menos de 20% dos tetos com pontuação superior ou igual a 3.
Regular: entre 20% e 30% dos tetos com pontuação superior ou igual a 3.
Ruim: mais de 30% dos tetos avaliados com pontuação superior ou igual a 3.
29. Ausência de vacas com lesões no rabo: O rabo pode sofrer fratura (quebra) (imagem
71), lesão ou amputação devido a danos mecânicos (causados por impacto nas instalações, como
embarcadouro ou sala de ordenha), manejo incorreto ou outros motivos específicos. As lesões
no rabo são dolorosas e, portanto, são um IDI de bem-estar insatisfatório. Rabos quebrados
indicam problemas de manejo do rebanho. Porém, é importante considerar que a evidência de
rabo quebrado permanecerá por toda a vida do animal, portanto, observar isso no rebanho pode
demonstrar problemas antigos de manejo e não necessariamente problemas atuais. Assim, é
importante estabelecer quando e como ocorreu a lesão para reduzir o risco no futuro. Lembre-se
de que a amputação do rabo (imagem 72) é dolorosa e desnecessária. Por isso, é preciso determinar
também quando foi realizada.
Bom: Ausência de vacas com rabos quebrados, incluindo rabos tortos, amputados ou lesionados.
Ruim: Presença de uma ou mais vacas com rabos quebrados, incluindo rabos tortos, curtos ou
lesionados.
Imagem 71 Imagem 72
BEM-ESTAR ANIMAL
34
III.SAÚDEADEQUADA
30. Ausência de vacas com quartos não funcionais: Corresponde a um IDI associado
a problemas de cronicidade de quartos mamários infectados subclinicamente devido à mastite
clínica recorrente ou podem ser não funcionais desde a criação. Para avaliar este indicador,
recomenda-se observar tetos soltos durante a ordenha nos animais da amostra (quadro 1) e/ou
analisar o controle leiteiro em busca de quartos secos. Depois de contabilizá-los, calcula-se a
porcentagem de quartos não funcionais com base no total de quartos da amostra (resultado da
multiplicação do número de animais da amostra por 4).
Bom: < 2% de quartos não funcionais.
Regular: entre 2 e 5% de quartos não funcionais.
Ruim: > 5% de quartos não funcionais.
31. Ausência de vacas com tetos
amputados: este é um IDI que indica a
realização de uma prática que não deve
ser executada em nenhuma circunstância
como protocolo e cuja finalidade é descartar
quartos crônicos da ordenha, condição que
estaria associada geralmente a mastite clínica
recorrente sem cura. A única exceção é em
caso de acidente ou traumatismo severo de um
teto cujo esfíncter esteja comprometido, ou em
caso de cortes transversais, e a resolução seria
a amputação completa com a devida assepsia,
anestesia local e analgesia por parte de um
médico veterinário.
Bom: ausência de quartos amputados.
Ruim: presença de um ou mais quartos
amputados (imagem 73).
Imagem 73
32. Recontagem de células somáticas (CCS): corresponde a um IIN de saúde mamária
de todas as vacas em ordenha, pois é mensurado a partir da média individual informada pelo
controle leiteiro. Recomenda-se o manejo mensal para garantir uma boa saúde mamária. As
células somáticas correspondem a células da linha branca e células epiteliais contidas em 1 ml
de leite, e seu aumento indica a presença de um problema de saúde mamária, por exemplo, em
caso de mastite. Se a propriedade não tiver controle leiteiro, recomenda-se analisar a CCS das
liquidações mensais.
35
III.SAÚDEADEQUADA
Bom: CCS inferior a 200.000 células/ml.
Regular: CCS entre 200.000 e 300.000 células/ml.
Ruim: CCS superior a 300.000 células/ml.
33. Pontuação de locomoção: trata-se de um IDI que avalia a locomoção dos animais, que se
altera quando existem patologias podais dolorosas. Para avaliar a manqueira e as claudicações, as
vacas são observadas à medida que saem da sala de ordenha sobre uma superfície plana, quando
geralmente caminham em fila, o que facilita a observação (é importante permanecer em um lugar
que não atrapalhe o fluxo dos animais). É preciso observar uma amostra do total de animais de
acordo com as indicações do quadro 1 ou uma amostra por cada lote, se for o caso. Será atribuída
a cada animal uma pontuação de acordo com a imagem 74.
Para e caminha normalmente. As
quatro extremidades bem alinhadas.
O tempo e o peso de apoio é igual
nos quatro membros.
Para com as costas planas ou
arqueadas. Caminha com as costas
arqueadas. Peso anormal.
Caminha de forma irregular. O
tempo e o peso de apoio não é igual
nos quatro membros. Não é possível
identificar a extremidade que manca.
Para e caminha com as costas
arqueadas. Favorece uma ou mais
extremidades. É possível identificar
facilmente a extremidade afetada.
O apoio dos membros afetados
é reduzido. Definição clara da
extremidade que manca.
Normal
Anormalidade no
deslocamento
Manqueira
Imagem 74: Pontuação de locomoção de vacas leiteiras.
BEM-ESTAR ANIMAL
36
III.SAÚDEADEQUADA
Depois de obter os resultados, somam-se as vacas com pontuação de 2 a 3 e se calcula a
porcentagem de claudicação com base no total da amostra:
Bom: menos de 5% das vacas observadas mancam.
Regular: 5 a 15% das vacas mancam.
Ruim: 15% das vacas observadas ou mais mancam.
G. Ausência de dor ou estresse
34. Ausência de outros animais na sala de ordenha: este é um IIN de bem-estar que
avalia a presença de outras espécies animais na sala de ordenha (entre elas, pragas como moscas e
roedores). Isso é importante porque, dependendo da espécie presente (gatos, cães, aves, insetos),
pode haver transmissão de doenças para as vacas ou esses agentes podem causar estresse. Assim,
a saúde e a produção de leite dos animais poderiam ser afetadas.
Bom: ausência de outros animais no interior da sala.
Regular: ausência de outros animais durante a ordenha, mas presença de pragas.
Ruim: livre acesso de outros animais e presença de pragas na sala durante a ordenha.
35. Uso de analgésicos e anestésicos em procedimentos dolorosos: este é um IIN
que avalia a preocupação ao realizar procedimentos, como amochamento/descorna, cirurgias,
intervenções podais ou outros que causam dor, com analgésico e/o anestésico para controlar a dor.
Isso é importante porque a dor gera uma resposta de estresse no animal, levando a uma liberação
de cortisol e outras substâncias que terão efeito negativo sobre o comportamento e a produção
de leite.
Bom: uso de medicação analgésica ou anestésica para acompanhar os procedimentos que podem
causar dor. Os fármacos estão presentes na caixa de primeiros socorros e há evidências de que são
usados nos registros da propriedade.
Ruim: não são utilizados.
37
III.SAÚDEADEQUADA
36. Manejo da dor em caso de doença: é um indicador indireto que, tal como o anterior,
avalia o manejo da dor em patologias dolorosas, como as claudicações e a mastite, entre outras.
Bom: uso de medicação analgésica ou anestésica, de acordo com a necessidade, para acompanhar
os tratamentos de doenças que causam dor. Os fármacos estão presentes na caixa de primeiros
socorros e há evidências de que são usados nos registros da propriedade.
Ruim: não são utilizados.
IV. CONDUTA APROPRIADA
BEM-ESTAR ANIMAL
38
IV.CONDUTAAPROPRIADA
IV. CONDUTA APROPRIADA
H. Expressão de condutas sociais
37. Expressão de condutas sociais positivas: Trata-se de um IDI que avalia a possibilidade
de que as vacas apresentem interações positivas entre si, como higienização (Imagens 75 e 76).
Pode ser avaliado na sala de espera ou no alojamento das vacas. Deve-se observar, no mínimo,
por 10 minutos.
Imagem 75 Imagem 76
Bom: o sistema de alojamento ou a sala de espera permite que haja interações positivas, como
higienização entre os animais.
Regular: menos de 10% dos animais apresentam condutas negativas, como agressões,
deslocamentos e cabeçadas.
Ruim: mais de 10% dos animais apresentam condutas negativas, como agressões, deslocamentos
e cabeçadas.
39
IV.CONDUTAAPROPRIADA
I. Expressão de outras condutas
38. Comportamento durante a ordenha: é um IDI que pode ser útil para identificar
desconforto, dor ou medo durante a ordenha mediante a observação de condutas animais, como
pisotear o local, dar patadas, defecar, urinar ou vocalizar durante a ordenha. No Anexo 11,
encontram-se mais detalhes sobre essas condutas.
Bom: os animais estão tranquilos, não dão passos no lugar nem patadas no ar, não defecam,
urinam nem vocalizam durante a ordenha (Imagens 77 e 78).
Imagem 78
Regular: menos de 20% dos animais da manada não estão tranquilos durante a ordenha, dão
passos no lugar, patadas no ar, urinam, defecam ou vocalizam.
Ruim: 20% dos animais da manada ou mais dão passos no lugar, dão patadas, defecam, urinam
ou vocalizam durante a ordenha.
Imagem 77
BEM-ESTAR ANIMAL
40
IV.CONDUTAAPROPRIADA
J. Interação humano-animal
39. Tratamento das vacas durante a ordenha: Este é um IIN que avalia o tratamento
dado pelo operário às vacas. Atitudes negativas por parte do operário podem resultar em estresse,
medo ou dor, que influenciam negativamente a produção de leite. Consulte o Anexo 12 com
um questionário que pode complementar o que foi observado para a avaliação da interação do
operário com os animais.
Bom: As vacas entram sozinhas na sala de ordenha, sem intervenção do operário, e se posicionam
na contenção.
Regular: o operário assobia ou toca as vacas para que se desloquem até a sala.
Ruim: mais de 50% das vacas não entram sozinhas na sala de ordenha, e há intervenção do
operário, que vai até o corredor das vacas para apressá-las com gritos e/ou golpes, ou até mesmo
incitando-as com elementos de condução de rebanho proibidos.
40. Tratamento das vacas durante a condução do rebanho: É um indicador direto que
avalia o comportamento das vacas enquanto são conduzidas até ou a partir da sala de ordenha. As
vacas devem caminhar em seu próprio ritmo, sem serem apressadas em momento algum. O passo
normal da vaca é quando pisa com um membro posterior no local onde pisou com o membro
anterior do mesmo lado. O trote voluntário durante a condução do rebanho é aceito, mas o trote
para apressar as vacas não. Passos mais curtos que o normal são considerados um problema: ou a
qualidade do piso não é boa ou há dor.
Se o uso de elementos de condução de rebanho inapropriados ou proibidos, gritos, cães não
treinados etc. for observado, isso deverá ser registrado. O uso de bandeiras, bandeirolas e plumas
é permitido, mas é importante lembrar que o elemento de condução do rebanho nunca deve ter
contato com o animal, apenas dirigi-lo.
Bom: caminham em seu próprio ritmo o tempo todo. Não são apressadas durante a condução do
rebanho e formam uma fila indiana enquanto avançam (Imagens 79 e 80).
41
IV.CONDUTAAPROPRIADA
Imagem 79 Imagem 80
Regular: caminham sem trotar nem galopar, mas andam amontoadas, não em fila.
Ruim: São apressadas, com ou sem gritos e/ou castigos, durante a condução do rebanho (Imagens
81 e 82).
Imagem 81 Imagem 82
BEM-ESTAR ANIMAL
42
IV.CONDUTAAPROPRIADA
K. Estado emocional
41. Distância da zona de fuga: é um IDI que avalia a distância mínima que devemos ter da
vaca sem que ela se retire (avaliação deve ser realizada por alguém da propriedade). Deve-se
avaliar em um local em que as vacas tenham liberdade para se retirar quando alguém se aproxima.
A forma de aproximação é em direção à cabeça da vaca, com avanço lento em direção a ela
(passo, pausa, passo) e o braço formando um ângulo de 45º com o solo e a palma da mão voltada
para baixo (não mostrar as "garras"), na tentativa de chegar suficientemente perto como se fosse
tocar o animal (imagem 83).
Em quase todas as propriedades há uma ou duas vacas especialmente mansas, que se deixam
tocar e não se afastam de quem as toca (imagem 84). Essas vacas não devem ser consideradas na
avaliação da distância de fuga. Faça o teste com 6 a 10 vacas é suficiente e considere a distância
que se repete na maioria das vacas avaliadas.
Imagem 83 Imagem 84
Bom: menos de 1 m da vaca da qual é mais possível se aproximar.
Regular: de 1 a 2 m da vaca da qual é mais possível se aproximar.
Ruim: mais de 2 m da vaca da qual é mais possível se aproximar.
V. NORMATIVA NACIONAL VIGENTE DO CHILE
BEM-ESTAR ANIMAL
43
V.NORMATIVANACIONALVIGENTEDOCHILE
L. Implementação da normativa
42. Presença de um responsável pelos animais 5
: Para garantir um bom manejo
do rebanho e reconhecer fatores que podem afetar o bem-estar animal, cada
estabelecimento de produção industrial pecuária deve ter um "Responsável pelos
animais".
O Responsável pelos animais é uma pessoa que demonstre ser capacitado
em relação à normativa de Bem-estar animal, além de conceitos de manejo e
comportamento animal mediante um curso e OTEC reconhecidos pelo SAG
(Art. 3º do Decreto 29, Lei sobre proteção animal 20.380, SAG – Regulamento sobre proteção
dos animais), ou ser técnico/profissional do ramo agropecuário (detalhes sobre a Lei 20.380 no
Anexo 13).
Os demais trabalhadores do estabelecimento devem ter a capacidade e os conhecimentos técnicos
suficientes para fornecer o cuidado necessário aos animais, que estão sob a supervisão e a
responsabilidade da pessoa qualificada como responsável pelos animais.
Bom: há um "Responsável pelos animais".
Ruim: não há um "Responsável pelos animais".
43. Implementação de um plano de contingência 6
: ocasionalmente podem
ocorrer eventos adversos que comprometem o bem-estar dos animais e exigem a
tomada de decisões imediatas. Esses eventos podem ser decorrentes de desastres
naturais (terremotos, erupções vulcânicas, inundações etc.), problemas técnicos
(falhas de energia elétrica) ou causas humanas (incêndio, acidente). Por conta
disso, a propriedade deve contar com um plano de contingência ou plano de ação
para antecipar e dar uma resposta rápida a esse tipo de situação. De acordo com
a Lei sobre proteção animal 20.380 e seus decretos 28, 29 e 30, o plano deve ser composto por
quatro fases: 1. Prevenção e mitigação 2. Resposta 3. Preparação e 4. Recuperação, e deve conter
as indicações para realizar um sacrifício de emergência.
Bom: há um plano de contingência, a equipe o conhece e está capacitada para responder a uma
emergência.
Ruim: não há um plano de contingência e a equipe não está capacitada para responder a uma
emergência.
(5) MAIS INFORMAÇÕES
(6) MAIS INFORMAÇÕES
IMPACTO DO BEM-ESTAR ANIMAL NA
RENTABILIDADE DA PROPRIEDADE LEITEIRA
BEM-ESTAR ANIMAL
44
IMPACTODOBEM-ESTARANIMALNA
RENTABILIDADEDAPROPRIEDADELEITEIRA
COMO O BEM-ESTAR ANIMAL IMPACTA OS RESULTADOS
ECONÔMICOS DA PROPRIEDADE?
O Bem-estar animal é a pedra angular da
produção de leite, uma ferramenta fundamental
para a lucratividade das fazendas e um recurso
que deve distinguir nosso setor frente aos
consumidores. Os animais de produção,
incluindo os bovinos, como seres sencientes,
devem ter a uma vida produtiva, em que tenham
as condições necessárias para o seu bem-estar,
o que pode ser considerado uma oportunidade
para os produtores de leite, pois essas condições
resultam em um retorno econômico. Animais
com conforto e condições de saúde adequadas
são capazes de demonstrar seu potencial
genético. Situações de desconforto, condição
corporal inadequada ou doença em vacas
em lactação resultam em perdas produtivas e
reprodutivas que não são evidentes aos nossos
olhos, geralmente sendo muito maiores que as
perdas nos tratamentos e/ou descarte de um
animal.
MÁXIMO POTENCIAL
PRODUTIVO
Condições e manejo que evitam o estresse
Interação vaca-homem e ordenha
tranquila
Prevenção de doenças, diagnóstico e
tratamentos oportunos
Abrigo, proteção e áreas de
descanso
Nutrição correta e
disponibilidade de água fresca
e de qualidade
Imagem 89. Cinco bases do bem-estar animal de animais que, como resultado,
promovem sua produtividade.
45
IMPACTODOBEM-ESTARANIMALNA
RENTABILIDADEDAPROPRIEDADELEITEIRA
Alguns dos pontos que dificultam o
aprimoramento do bem-estar animal no nível da
propriedade são o desconhecimento do impacto
econômico que isso gera e a ideia de que
qualquer melhoria requer um alto investimento
de capital quando, na realidade, muitos deles
exigem baixo investimento de capital e estão
principalmente associados ao treinamento, pois
exigem a implementação de manejo adequado,
boa interação dos operários com os animais,
prevenção de doenças e tratamento oportuno.
Isso tudo, longe de ser um gasto, resultará
na maximização de tempo e recursos. Este
protocolo fornece a seguir dados e tabelas sobre
o retorno econômico de um bom manejo para
ajudar a orientar a tomada de decisões no nível
da propriedade e estimar o custo-benefício da
implementação ou melhoria do manejo, da
infraestrutura ou das tecnologias em termos de
alojamento, conforto térmico, saúde das mamas,
saúde dos pés e interação humano-animal.
1. Alojamento
Um tempo de descanso adequado é fundamental
para vacas leiteiras, que precisam de pelo
menos 12 horas para se deitar por dia. Um
local de descanso limpo, seco e confortável
está associado a um maior tempo de descanso,
melhor saúde e melhor produtividade. Melhorar
o conforto dos cubículos pode aumentar a
produção de leite em 1 a 1,5 litros por vaca por
dia, como resultado de um aumento de 25 a
50% do fluxo sanguíneo para o úbere quando a
vaca está deitada (descansando).
Um estudo avaliou a produção de leite por
lactação (ajustado para 305 dias) e a maciez das
camas em 1.923 fazendas leiteiras na Noruega.
Para todos os partos (1, 2, 3 e > 3), os cubículos
mais macios foram associados ao aumento
da produção de leite. A Tabela 1 resume esses
dados com uma pontuação de 1 a 5 em relação à
maciez dos cubículos, em que 5 é o mais macio:
  NÍVEL DE CONFORTO DA CAMA
Nº de partos 1. Concreto 2. Borracha
3. Colchão
macio
4. Multicamadas 5. Colchão
1 6.237 6.252 6.347 6.596 6.433
2 7.134 7.037 7.318 7.547 7.432
3 7.522 7.481 7.715 7.830 7.850
> 3 7.373 7.394 7.585 7.455 7.716
Média 6.920 6.897 7.084 7.231 7.193
Tabela 1. Produção 305-d (l) pelo número de partos em cubículos com cama de diferentes
níveis de conforto nas propriedades norueguesas (Ruud et al., 2010).
BEM-ESTAR ANIMAL
46
IMPACTODOBEM-ESTARANIMALNA
RENTABILIDADEDAPROPRIEDADELEITEIRA
A Universidade de Winsconsin (Estados Unidos) realizou um estudo para registrar durante três
anos a resposta na produção e na saúde de um rebanho ao aumentar o tamanho dos cubículos e
colocar camas mais macias no free stall. O estudo indicou que o retorno sobre o investimento
oscilou entre 0,5 e 3 anos (média de 1,9 anos). A maioria das renovações foi realizada por um
custo razoável e, na maior parte dos casos, os agricultores forneceram toda ou parte da mão de
obra. Os benefícios observados foram:
• Maior produção de leite (1,5 a 6,5 litros por vaca ao dia)
• Menores taxas de eliminação (-6% a -13%)
• Recontagem de células somáticas mais baixas (-37.000 a -102.000)
• Menos manqueira (-15% a -20%)
Além disso, a Tabela 2 apresenta uma lista de perdas econômicas associadas a densidades animais
superiores às recomendadas em confinamento, que também estão relacionadas a cubículos insufici-
entes e dimensões e/ou número de comedouros inapropriados para o número de animais alojados.
MUDANÇAS NA CONDUTA RESULTAM EM PERDAS ECONÔMICAS:
Aumento da agressão e do deslocamento em
comedouros
Menor produção de leite
Aumento do tempo de alimentação Menor produção de gordura
Redução do tempo de descanso
Aumento da recontagem de células
somáticas
Aumento de animais parados em corredores Mais problemas de saúde
Diminuição da ruminação Aumento da manqueira
Subordinação principalmente de vacas de primeiro
parto e mancas
Menor taxa de prenhez
Tabela 2. Alterações comportamentais observadas em vacas devido à alta densidade
animal e seu impacto nos indicadores econômicos (Grant e Miner, 2015).
2. Conforto térmico7
A condição de estresse térmico aumentou entre 2010 e 2015 para as diferentes
macrozonas leiteiras, desde a RM até Los Lagos (Anexo 5), com concentração
das horas de maior estresse térmico entre os meses de dezembro a março. Durante
a estiagem, a condição de estresse térmico pode ser prolongada para até 10 horas
por dia, gerando perdas de produção, reprodução e bem-estar animal.
(7) MAIS INFORMAÇÕES
47
IMPACTODOBEM-ESTARANIMALNA
RENTABILIDADEDAPROPRIEDADELEITEIRA
A Tabela 3 mostra as perdas de produção com base nos dados climáticos, de acordo com as
informações coletadas entre 2010 e 2015. Essas perdas poderiam ser mitigadas com a
implementação de medidas que facilitam o resfriamento dos animais:
Zona leiteira
MÊS
J F M A M J J A S O N D
Macrozona 1 2,9 2,3 1,9 0,8 0,1 0,0 0,0 0,1 0,2 0,6 1,3 2,2
Macrozona 2 1,7 1,3 0,9 0,2 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,2 0,6 1,3
Macrozona 3 1,6 1,0 0,7 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,1 0,3 0,9
Macrozona 4 1,3 0,8 0,4 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,1 0,6
Macrozona 5 1,0 0,5 0,2 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,1 0,4
Macrozona 6 0,5 0,3 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,1
Macrozona 7 0,6 0,4 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,3
Macrozona 8 1,2 0,6 0,3 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,1 0,5
Tabela 3. Perda da produção de leite (litros por vaca por dia) devido ao efeito do estresse
térmico de acordo com a macrozona e o mês.
Macrozona
Perda de
produção por
dia/vaca (l)
Perda de
produção por
dia/lote (l)
Perda de
produção por 30
dias/lote (l)
Preço por litro
(exemplo)
Perda em
pesos
Macrozona 1 2,9 870 26.100 $ 200 $ 5.220.000
Macrozona 2 1,7 510 15.300 $ 200 $ 3.060.000
Macrozona 3 1,6 480 14.400 $ 200 $ 2.880.000
Macrozona 4 1,3 390 11.700 $ 200 $ 2.340.000
Macrozona 5 1,0 300 9.000 $ 200 $ 1.800.000
Macrozona 6 0,5 150 4.500 $ 200 $ 900.000
Macrozona 7 0,6 180 5.400 $ 200 $ 1.080.000
Macrozona 8 1,2 360 10.800 $ 200 $ 2.160.000
Tabela 4. Exemplo de estimativa do impacto econômico em um rebanho leiteiro de 300
vacas com uma produção média diária de 25 litros por dia durante o mês de janeiro, de
acordo com os dados da Tabela 3.
BEM-ESTAR ANIMAL
48
IMPACTODOBEM-ESTARANIMALNA
RENTABILIDADEDAPROPRIEDADELEITEIRA
Lembre-se de que se somam ao ganho de produtividade resultante da mitigação do estresse
térmico sofrido pelos animais a recuperação da eficiência reprodutiva e a longevidade do rebanho.
3. Saúde do úbere8
:
A mastite é considerada a doença mais frequente em rebanhos leiteiros e de
maior custo nos países desenvolvidos (Seegers et al., 2003). A assessoria sobre
o benefício econômico de um programa de controle de mastite é evidente ao
avaliar os custos e as perdas econômicas que a doença acarreta em comparação
ao conhecimento dos custos de sua implementação.
Mastite subclínica (MSC)
Amastite subclínica, cuja frequência é de 20 a 50 vezes maior que a mastite clínica, gera um grande
impacto na produção de leite porque, por não ser possível medir sua dimensão, é subestimada,
pois produz perdas crônicas de produtividade com alterações imperceptíveis no leite, o que
geralmente faz com que as medidas sejam tomadas tardiamente e quando o procedimento de cura
é muito caro.
80% das perdas na produção de leite são causadas por
mastite subclínica (Kleinschoth, 1991).
Entre os principais fatores que causam perdas devido à presença de mastite subclínica, podem-se
mencionar os seguintes:
a) Diminuição na produção de vacas afetadas (principal perda).
b) Custo de tratamentos antimastíticos em alguns casos de MSC.
c) Perda de quartos mamários com infecções crônicas e descarte de vacas.
d) Assistência médico-veterinária e diagnóstico.
e) Punição pelas indústrias de processamento devido à alta CCS.
Embora a mastite subclínica não envolva custos diretos, o úbere infectado produz 5% menos leite
para cada 100.000 células somáticas adicionais por ml de leite. (Bedolla, 2008)
CCS estagnada
% de perda
por aumento
da CCS
Produção
em 30 dias
(l)
Bonificação ou
punição sobre a base*
por CCS (CLP$/l)
Liquidação
mensal
Perda mensal
em CLP$
0 a 50.000 0 225.000 10 47.250.000 0
50.001 a 100.000 5 213.750 10 44.887.500 2.362.500
100.001 a 200.000 10 202.500 10 42.525.000 4.725.000
200.001 a 300.000 15 191.250 10 40.162.500 7.087.500
300.001 a 400.000 20 180.000 7 37.260.000 9.990.000
400.001 a 500.000 25 168.750 0 33.750.000 13.500.000
500.001 a 600.000 30 157.500 -10 29.925.000 17.325.500
Tabela 5. Cálculo da estimativa do impacto econômico da mastite subclínica como
resultado da diminuição da produção e da redução da bonificação ou punição por altas
contagens de células somáticas (CCS).
(8) MAIS INFORMAÇÕES
49
IMPACTODOBEM-ESTARANIMALNA
RENTABILIDADEDAPROPRIEDADELEITEIRA
Mastite clínica (MC)
A mastite clínica causa dor, altera inclusive o comportamento da vaca em lactação, reduzindo
até o consumo de matéria seca. Por isso, a prevenção e o tratamento adequado e oportuno são
essenciais para o bem-estar das vacas.
A mastite clínica causa perdas econômicas significativas decorrentes de:
a)	Diminuição ou perda total, temporária ou permanente da secreção láctea do animal.
b)	Custo por reposição de animais.
c)	 Leite descartado durante o período de tratamento e repouso.
d)	Custos de tratamento (antibióticos e anti-inflamatórios).
e)	 Trabalho extra dos operadores ao atender casos de MC.
f)	 Assistência médico-veterinária e diagnóstico.
g)	Perda do potencial genético.
A mastite em propriedades leiteiras é uma doença de alto custo. O National Mastitis Council
estimou o custo da mastite clínica em US$ 184 (Tabela 6), enquanto nos países nórdicos o custo
varia de US$ 215 a US$ 460 (Heringstad et al., 2000).
TIPO DE PERDA PERDA POR VACA (US$) % DO TOTAL
Produção de leite 121 66
Leite descartado 10,45 5,7
Custos de reposição 41,73 22,6
Trabalho extra 1,14 0,1
Tratamentos 7,36 4,1
Serviços veterinários 2,72 1,5
TOTAL 184,4 100
Tabela 6. Estimativa de perdas anuais por mastite clínica (NMC, 1996). Considerando
uma taxa de câmbio de CLP$ 670, o custo se traduz em CLP$ 123.280.
O aspecto dramático das perdas por mastite é que o produtor não reconhece
as duas principais perdas: perdas de produção e perdas de reposição (Báez,
2002) que, somadas, chegam a 88,6% da perda total.
Um estudo realizado em vacas Holando-Argentino em rebanhos pastoris e semipastoris com
produção média por animal por dia entre 25 e 30 litros, de acordo com o número de bezerros,
mostrou que a perda na produção individual devido à lactação como resultado de um episódio de
MC chega a 321 litros (referência). Nesse contexto, a Tabela 7 mostra o impacto econômico em
um rebanho com uma incidência mensal de 5% de MC:
BEM-ESTAR ANIMAL
50
IMPACTODOBEM-ESTARANIMALNA
RENTABILIDADEDAPROPRIEDADELEITEIRA
Rebanho 300
VO 8.000 l por
lactação
% de
incidência
mensal de
mastite
clínica
Total de
casos por
ano
Perda em litros
por vaca por
lactação em
um episódio de
mastite clínica
Perda total
por ano
em litros
Perda
anual em
CLP$
5 180 321 57.780 11.556.000
Tabela 7. Impacto econômico anual devido à diminuição da produção por MC em um
rebanho de 300 vacas leiteiras (VO) com uma produção de lactação padronizada média de
8.000 litros.
4. Saúde dos cascos9
:
Claramente, a claudicação é uma doença de alto custo, e a redução de sua
incidência tem um impacto favorável no lucro da propriedade. As perdas
econômicas devido à claudicação são altas e provêm de (Grant e Minner, 2015):
a)	Diminuição da produtividade devido ao menor consumo de matéria seca
e desequilíbrio nutricional.
b)	Problemas reprodutivos devido à perda de condição corporal e desequilíbrio nutricional.
c)	 Eliminação prematura de vacas por morte ou descarte. Aumento do custo de reposição e/
ou baixo valor de venda (as vacas mancas duplicam o risco de descarte).
d)	Custos dos tratamentos.		
e)	 Trabalho extra dos operários para o tratamento de animais.
f)	 Assistência e diagnóstico médico-veterinário.
Um estudo de Hernandez et al. Em que 154 (31%), 214 (43%) e 131 (26%) vacas foram
classificadas como vacas saudáveis, moderadamente mancas e mancas, respectivamente, o tempo
entre o parto e a prenhez foi de 36 a 50 dias maior em vacas mancas em comparação a vacas
saudáveis.
Perdas produtivas devido à lactação padronizada atingem, em média,
360 kg devido a episódios de claudicação (Green et al., 2002).
É importante enfatizar que as perdas econômicas resultantes das doenças surgem principalmente
das consequências da patologia e não do custo do tratamento (Tabelas 8 e 9).
(9) MAIS INFORMAÇÕES
51
IMPACTODOBEM-ESTARANIMALNA
RENTABILIDADEDAPROPRIEDADELEITEIRA
CUSTO DO TRATAMENTO CLÍNICO POR VACA
Custo visível
DETALHE CUSTO (CLP$)
Produto tópico 300
Antibiótico sistêmico sem repouso 15.600
Anti-inflamatório 8.600
Bandagem coadesiva 1.400
Taco de borracha 1.600
Adesivo para taco 3.900
Mão de obra 10.000
TOTAL 41.400
Tabela 8. Custo real do tratamento de um animal com claudicação clínica. (Fonte: Jose Borkert,
comunicação pessoal.) Este exemplo considera apenas um membro comprometido, mas é muito
comum que ocorra lesão em outro membro quando um já está ferido, devido à sobrecarga.
PERDAS ESTIMADAS POR CASO CUSTO ESTIMADO POR 300 VACAS CLP$
2% dos casos resultam em
morte
1,2 mortes x $ 750.000 por custo de
reposição
$ 900.000
20% dos casos resultam em
sacrifício
12 sacrifícios x $ 750.000 - $ 120.000
(custo de reposição - venda)
$ 7.560.000
350 litros de leite perdido em
cada caso
350 litros x 60 casos x $ 200 por litro
de leite
$ 4.200.000
28 dias abertos a mais por cada
caso x $ 2.600/dia
$ 72.800 por caso x 60 vacas com
algum problema de manqueira
$ 4.368.000
$ 11.700 em custos de
tratamento por caso
$ 11.700 x 60 casos $ 702.000
$ 10.000 em custos de mão de
obra por caso
$ 10.000 x 60 casos $ 600.000
 
Custo total por 60 vacas com algum
problema de manqueira
$
18.330.000
  Custo por vaca $ 305.500
Tabela 9. Exemplo do impacto econômico da claudicação em uma propriedade de 300 vacas
leiteiras, considerando uma prevalência de 20% dos casos que sofrem de algum grau da doença.
(Fonte: José Borkert, adaptado de Dr. Chuck Guard, Universidad de Cornell, EUA.)
BEM-ESTAR ANIMAL
52
IMPACTODOBEM-ESTARANIMALNA
RENTABILIDADEDAPROPRIEDADELEITEIRA
Amanqueira tem um impacto significativo na produção de leite. Essas informações são relevantes
na avaliação do impacto econômico desta doença e seu impacto na saúde das vacas, valorizando
a importância da prevenção (corte preventivo dos cascos e manutenção adequada dos caminhos),
detecção precoce de animais com manqueira clínicoa e realização de tratamentos oportunos.
5. Interação humano-animal (IHA)
Um bom tratamento dos animais em comparação ao tratamento agressivo de vacas, especialmente
na sala de ordenha, resulta em 3,5 a 13% de aumento na produção de leite (Grant e Miner, 2015).
REBANHO
Aumento de
produção por
boa IHA (%)
Aumento de
produção por vaca/
lactação por boa
IHA (l)
Aumento de produção
por rebanho/
lactações por boa
IHA (l)
Preço
por litro
(exemplo)
Entrada em
pesos
Ordenha média
anual de 300 vacas
com produção
média por lactação
de 8.000 l
3,50% 280 84.000 $ 200 $ 16.800.000
13% 1.040 312.000 $ 200 $ 62.400.000
Tabela 10. Impacto econômico anual da implementação de boa IHA em um rebanho de
300 vacas com uma produção de lactação padronizada média de 8.000 litros.
Curiosamente, a produção de leite aumenta 3,6% quando os ordenhadores fazem vocalizações e
contato físico positivo com as vacas.
Um manejo agradável em vez de agressivo:
•	Reduz o tempo médio de entrada na sala de ordenha em 39%.
•	Diminui a defecação na sala em 6 vezes.
•	Faz com que as vacas abordem os seres humanos de maneira mais rápida e livre.
•	Diminui a distância de fuga em 5 vezes (vacas menos nervosas e com menos medo).
O que foi mencionado acima parece ser importante, portanto, vale a pena
ser tranquilo e atencioso ao interagir com vacas leiteiras. A implementação
de uma boa interação humano-animal não tem custo algum.
ANEXOS
BEM-ESTAR ANIMAL
53
ANEXOS
Anexo 1
Condição corporal (CC). Pontos principais de observação quando vistos de lado e por trás para
definir a pontuação do CC:
Vértebras lombares (costelas de ripa)   Ligamento do rabo
Ílio (tuberosidade ou asa)   Linha entre ílio e ísquio (quadril)
Ísquio (tuberosidade ou asa)   Base do rabo
Osso do rabo   Ligamento do sacro
PONTUAÇÃO CC
VÉRTEBRAS
LOMBARES
VISÃO POSTERIOR DA
LINHA ENTRE QUADRIS
VISÃO LATERAL DA LINHA
ENTRE ÍLIO E ÍSQUIO
VISÃO LATERAL E POSTERIOR DAS
CAVIDADES E BASE DO RABO
Subcondição extrema
Bordas ósseas angulosas
Bordas ósseas marcadas
Bordas arredondadas
Estrutura equilibrada
Bordas se perdem sob a
camada de gordura
Sobrecondição extrema
Camada de gordura extrema
Imagem 85. Pontos a considerar e gráfico para avaliar a condição corporal em vacas
leiteiras. Adaptação de imagem cedida pela Bayer Animal Health.
54
ANEXOS
Anexo 2
Dimensões e disponibilidade dos bebedouros: Abaixo estão os parâmetros que determinam se
os bebedouros disponíveis suportam o consumo diário de água dos animais.
SUPERFÍCIE
LINEAR
ALTURA*
PROFUNDIDADE
DA ÁGUA
VOLUME DE
BEBEDOUROS
COLETIVOS
ABASTECIMENTO
DE ÁGUA
(capacidade
da válvula de
enchimento)
Nº
RECOMENDADO
DE BEBEDOUROS
10 a 12 cm
por animal
adulto
60 a 90
cm do
solo
Mínimo de 10
cm
Idealmente
200 a 300 l
20 l/min por
vaca
2 a 3 por grupo
de animais **
* Para vacas Jersey adultas, reduza a altura do bebedouro em 5 a 8 cm.
** Recomendação para garantir mais fontes, evitando problemas de acesso devido à hierarquia, com base nas
recomendações anteriores.
Quadro 3. Dimensões e recomendações para o uso de bebedouros. Adaptado de "Instalações para
maximizar o bem-estar animal e a produção de leite: a importância da água de bebida" (em espanhol).
Cálculo de capacidade do bebedouro:
	Bebedouro retangular:
Os resultados estão em metros cúbicos que equivalem a 1.000 l cada um (cm/100):
Largura em metros (cm/100) x Comprimento em metros x Altura disponível da água em metros
Altura disponível: superfície da água até uma profundidade que o animal possa beber quando o
nível da água cair ao mínimo (corte de água).
ALTURA
LARGURA
BEM-ESTAR ANIMAL
55
ANEXOS
Bebedouro circular:
Os resultados estão em metros cúbicos que equivalem a 1.000 l cada um.
Aplique dimensões em metros à fórmula:
Diâmetro x 3,14 x altura da água disponível
CIRCUNFERÊNCIA
DIÂMETRO
RAIO
Anexo 3
Dimensões da contenção ou salas de ordenha: As contenções ou salas de ordenha devem ter
medidas que permitam o conforto da vaca, dependendo do tamanho de sua raça. Na imagem a
seguir, você encontrará as medidas recomendadas para uma sala do tipo espinha de peixe comum
nos sistemas de fazendas do país.
Imagem 86. Medidas recomendadas para salas de ordenha do tipo espinha de peixe para um
rebanho Holstein-Frísia médio.
56
ANEXOS
Anexo 4
Recomendações sobre luminosidade em instalações: Lembre-se de que você pode usar um
luxímetro ou aplicativos de smartphone para quantificar a luminosidade.
A iluminação de uma área depende tanto do número de fontes de luz (naturais e/ou artificiais)
quanto das características da fonte de luz artificial presente, por exemplo:
•	 Luzes de cor clara e quente (amarelada) oferecem iluminação de 180 a 200 lux.
•	 Luzes de cor mais fria (branco brilhante) oferecem iluminação de 150 lux.
•	 Hoje, com a pesquisa baseada na luz azul, sabemos que podemos trabalhar com níveis mais
baixos de graus de lux, por exemplo: 100 a 130 lux.
A iluminação adequada nas instalações onde as vacas em lactação estão alojadas e na sala de
ordenha permite:
	Aumentar a produtividade da vaca em lactação.
	Melhorar os níveis de imunidade no gado.
	Oferecer ao ordenhador um melhor ambiente de trabalho, aumentando o nível de segurança e
conforto.
	Maior bem-estar animal.
Em instalações de acomodação, recomenda-se um nível médio de luz de 180 lux por 16 horas
(máximo) e 8 horas de escuridão.
Anexo 5
Dimensões da sala de espera: As medidas recomendadas para pátios de espera retangulares e
circulares e o cálculo de suas dimensões.
Pátio de espera retangular:
NÚMERO DE
VACAS
ÁREA A
COMPRIMENTO DO
PÁTIO DE ESPERA (m)
Jersey Holstein m2 B
6 m
B
8 m
B
10 m
B
12 m
62 50 80 13,33 10,00
92 75 120 20,00 15,00 12,00
123 100 160 26,67 20,00 16,00 13,33
185 150 240 40,00 30,00 24,00 20,00
246 200 320 40,00 32,00 26,67
308 250 400 50,00 40,00 33,33
369 300 480 48,00 40,00
492 400 640 53,33
615 500 800 66,67
Quadro 4. Medidas recomendadas para um pátio de espera retangular de acordo com a raça.
ÁREA: AxB
BEM-ESTAR ANIMAL
57
ANEXOS
Anexo 6
Pátio de espera circular:
NÚMERO DE
VACAS
ÁREA
COMPRIMENTO DA PORTA
(m)
Jersey Holstein m2
1/2
círculo
3/4
círculo Completo
138 113 180 10,70 8,80 7,60
154 125 200 11,30 9,20 8,00
169 138 220 11,90 9,70 8,40
185 150 240 12,40 10,00 8,80
200 163 260 12,90 10,50 9,10
215 175 280 13,40 10,90 9,50
231 188 300 13,90 11,30 9,80
246 200 320 14,30 11,70 10,00
262 213 340 14,70 12,00 10,40
277 225 360 15,20 12,40 10,70
292 238 380 15,60 12,70 11,00
308 250 400 13,10 11,30
346 281 450 13,80 12,00
385 313 500 14,60 12,60
408 331 530 15,00 13,00
438 356 570 13,45
477 388 620 14,00
508 413 660 14,50
538 438 700 14,90
Área da circunferência:
Raio x raio x 3,14
Área da meia-lua:
(Raio x raio x 3,14) ÷ 2
Estado da cerca perimetral da sala de espera: Recomendam-se as seguintes medidas evitar
que as vacas se machuquem, pulem ou se fiquem presas nas barras.
MURO PERIMETRAL
ALTURA 20 CM VISÃO DE CIMA | Pátio de espera | Cerca geral
Imagem 87. Recomendações de medidas para a cerca perimetral dos pátios
de espera (E. Bombal).
CIRCUNFERÊNCIA
Diâmetro
Raio
58
ANEXOS
Anexo 7
Dimensões dos cubículos: As medidas a seguir são recomendadas para um cubículo confortável
que garanta um tempo de descanso adequado para as vacas.
TAMANHO DO
ANIMAL
L1 L2 L3 L4 L5 L6 L7 W H1 H2
Vacas < 500 kg 2.400 2.250 1.600-1.700 1.500-1.650 1.920-1.970 1.680 190-240 1.100 700 1.120
Vacas < 500 kg – 650 kg 2.600 2.450 1.750-1.799 1.700 2.020-2.069 1.680 290-339 1.200 900 1.120
Vacas < 650 kg – 750 kg 2.800 2.600 1.800 1.700-1.750 2.070 1.680 340 1.250 900 1.240
Vacas < 750 kg 2.800 2.600 1.800 1.800-1.850 2.070 1.680 340 1.300 900 1.240
Quadro 6. Medidas em milímetros recomendadas para o cubículo de acordo com o tamanho
do animal (Bombal, E.).
BEM-ESTAR ANIMAL
59
ANEXOS
Anexo 8
Conforto térmico: Os quadros a seguir mostram as macrozonas leiteiras com o número de horas
e horas de maior estresse térmico.
Macrozonas
Nome da
macrozona Zona Comunas
Zona
central
Regiões V, RM,
VI e VII
Casablanca, Curacaví, Panquehue, Melipilla,
María Pinto, Isla de Maipo, Padre Hurtado,
Pirque, Rancagua, Rengo, San Fernando,
Chimbarongo, Curicó, Talca, Linares.
Zona
centro-sul
Región VIII
e noroeste
Região IX
Concepción, Los Ángeles, Tucapel, Yumbel,
Chillán, Coihueco, San Carlos, Angol,
Renaico.
Zona sul IX Victoria, Lautaro, Vilcún, Temuco, Freire,
Pitrufquén, Gorbea, Loncoche, Galvarino,
Melipeuco, Nueva Imperial, Padre las Casas,
Perquenco, Cholchol, Collipulli, Curacautín,
Ercilla, Lonquimay, Los Sauces, Traiguén.
Zona sul Planície central
Região XIV
Lanco, Máfil, Los Lagos, Paillaco, Valdivia,
Corral, Mariquina.
Zona sul Planície central
Região X
Río Bueno, Osorno, Purranque, Casma, San
Pablo.
Zona sul Planície central
e oeste, norte
da Ilha de
Chiloé Região X
Los Muermos, Maullín, Puerto Montt, Ancud,
Calbuco, Castro, Chonchi, Curaco de Vélez,
Dalcahue, Puqueldón, Queilén, Quellón,
Qhemchi, Quinchao.
Zona sul Pré-cordilheira
dos Andes
Regiões IX, XIV
e X
Villarrica, Panguipulli, Futrono, Lago Ranco,
Puyehue, Rupanco, Puerto Octay, Frutillar,
Llanquihue, Puerto Varas, Pucón, Cunco,
Currarehue, Riñihue.
Zona sul Pré-cordilheira
da Costa
Regiões XIV e X
La Unión, Costa Osorno, Río Negro, Crucero,
Fresia, San Juan de la Costa.
Quadro 7. Macrozonas leiteiras. (Boletim Estrés calórico en Chile y opciones de mitigación, 2011)
Macrozona Janeiro Fevereiro Março Dezembro
MZ1 10h às 19h 10h às 19h 11h às 18h 10h às 18h
MZ2 12h às 18h 12h às 18h 14h às 17h 13h às 17h
MZ3 12h às 18h 12h às 18h 14h às 17h 14h às 17h
MZ4 14h às 17h 15h às 17h - 14h às 15h
MZ5 15h às 17h - - -
MZ6 15h às 16h - - -
MZ7 15h às 16h - - -
MZ8 13h às 17h 15h às 17h - -
Quadro 8. Período do dia em condições de estresse térmico de acordo com a macrozona e o
mês do ano. (Boletim Estrés calórico en Chile y opciones de mitigación, 2011)
60
ANEXOS
Macrozona 1 2 3 4 5 6 7 8
Horas de estresse térmico 1.335 656 477 323 243 99 145 194
Quadro 9. Horas de estresse térmico anual por macrozona leiteira do país.
(Boletim Estrés calórico en Chile y opciones de mitigación, 2011)
Quadro 10. Porcentagem de horas de estresse térmico por ano, de acordo com a macrozona
leiteira do país. (Boletim Estrés calórico en Chile y opciones de mitigación, 2011)
Anexo 9
Presença de ventilação: Recomendações para a implementação de um sistema de ventilação em
instalações para vacas leiteiras.
Para sua implementação, a distância máxima entre ventiladores deve ser limitada (não deve
exceder o diâmetro dos ventiladores multiplicado por 10). Isso dependerá do ângulo do ventilador
em relação ao chão (altura mínima: 2,7 m no limite inferior). O ângulo dos ventiladores depende
de seu diâmetro (quanto maior o diâmetro, menor o ângulo). No caso de piquetes e meia-sombra
baixa, os ventiladores podem ser colocados ao redor da sala, mas é importante que os fluxos não
se oponham e que apontem na direção dos ventos predominantes.
BEM-ESTAR ANIMAL
61
ANEXOS
Ventilação
Visão lateral do ventilador
Ventilador
Tubulação
Imagem 88. Medidas recomendadas para sistemas de ventilação (E. Bombal).
Anexo 10
Estado do caminho percorrido pelas vacas10
: Nos sistemas de confinamento
e de pasto, o tamanho e as condições dos caminhos são essenciais para evitar a
ocorrência de claudicação.
Recomendação de dimensões para corredores de rebanhos estabulados:
Tamanho do grupo Largura dos corredores
< 150 vacas 4.300 mm
150-250 vacas 4.900 mm
251-400 vacas 6.100 mm
> 400 vacas 7.300 mm
Quadro 11. Largura recomendada do caminho para rebanhos estabulados com
base no tamanho do rebanho ou lote (E. Bombal).
(10) MAIS INFORMAÇÕES
62
ANEXOS
Recomendação de dimensões para caminhos de rebanhos a pasto:
As recomendações a seguir se concentram nos caminhos, ou seja, não possuem base de pavimento
nem superfície de borracha (ruas) para o deslocamento de animais até e a partir da sala de ordenha.
A largura do caminho deve estar de acordo com o tamanho do rebanho (especificamente o lote),
deve ser (sem curvas) e não pode haver pontos de congestionamento. A inclinação em direção ao
centro do caminho deve estar entre 3 e 5%, idealmente, chegando a 8% no máximo.
Quantidade
de vacas
Largura ideal
do caminho (a)
Faixa de altura ao centro do caminho
com uma inclinação de 3 a 5% (b)
Altura máxima ao centro do caminho
com uma inclinação de 8% (b)
< 120 5,0 m 7,5 a 12,5 cm 20 cm
120 a 250 5,5 m 8,3 a 13,8 cm 22 cm
250 a 350 6,0 m 9 a 15 cm 24 cm
350 a 450 6,5 m 9,8 a 16,3 cm 26 cm
450 ou mais 7,0 m ou mais 10,5 a 17,5 cm 28 cm
Quadro 12. Dimensões e inclinações recomendadas para caminhos de rebanho
pastoris de acordo com o tamanho do rebanho ou lote.
É importante considerar que a área de chegada/saída da sala de ordenha é um ponto crítico no
caminho percorrido pelas vacas, apresentando os maiores problemas devido ao alto fluxo de
animais, tratores e veículos. Deve haver um alargamento extra de 1 metro no caminho ao chegar à
sala de ordenha e curvas sem ângulos fechados ou agudos na entrada ou saída da sala de ordenha.
Drenagem para o lado do pasto
BEM-ESTAR ANIMAL
63
ANEXOS
Anexo 11
Comportamento durante a ordenha: Condutas para avaliação do comportamento animal no
momento da ordenha.
•	 Frequência de passos: Durante a ordenha, a frequência de passos (pisotear no lugar em que
está na sala de ordenha) pode ser usada como um indicador de desconforto, por exemplo, dor
crônica e medo das pessoas. Animais ansiosos e nervosos têm maior frequência de passos. As
vacas que recebem manejo adequado e calmo apresentam uma frequência de passos mais baixa
durante a ordenha e também uma zona de distância de fuga mais curta.
•	 Patadas durante a ordenha: As vacas com lesões nos tetos têm maior probabilidade de dar
patadas durante a ordenha, sendo este um comportamento que também pode indicar desconforto
devido ao baixo fluxo de leite. Vacas medrosas tendem a não dar patadas, salvo exceções, e uma
vaca que é bem tratada não tem medo de pessoas.
•	 Aumento da defecação, micção e vocalizações é um indicador de estresse agudo e medo
intenso em vacas. Sua frequência também aumenta quando o animal é isolado ou quando é
alojado em novos ambientes.
Anexo 12
Interação humano-animal (IHA): Questionário para complementar a avaliação da interação
humano-animal (IHA) para pessoas que trabalham com animais.
1. Você se sente confortável em seu local de trabalho?
a)	 Nunca
b)	 Às vezes
c)	 Sempre
Por quê?............................................................................................................................................
2. Quais aspectos positivos você destaca em seu local de trabalho?
Marque todas as suas preferências.
a)	 Instalações
b)	 Horários
c)	 Colegas de trabalho
d)	 Tarefas sob minha responsabilidade
e)	 Relação com o proprietário ou chefe
f)	 Trabalhar com animais
g)	 Outros..........................................................................................................................................
64
ANEXOS
3. O que poderia mudar ou melhorar em seu local de trabalho para obter um melhor
desempenho ou alcançar melhores resultados?
a)	 Instalações
b)	 Horários
c)	 Colegas de trabalho
d)	 Tarefas sob minha responsabilidade
e)	 Outros tipos de animais (outras raças, idades, origens)
f)	 Outros.........................................................................................................................................
4. "Gosto de trabalhar com animais"
a)	 Nunca
b)	 Às vezes
C)	 Sempre
Por quê?...........................................................................................................................................
5. Com quais dos seguintes animais você prefere trabalhar? Marque todas as suas
preferências
a)	 Bezerros
b)	 Vacas
c)	 Novilhas
d)	 Novilhos
e)	 Touros
f)	 Bois
g)	 Cavalos
h)	 Outro:.........................................................................................................................................
a)	 Você acha útil bater em um animal para que ele se mova na direção certa?
a)	 Nunca
b)	 Às vezes
c)	 Sempre
Por quê?...........................................................................................................................................
6. Como você avalia a si mesmo em relação à qualidade do seu trabalho e desempenho?
a)	 Excelente
b)	 Bom
c)	 Regular
d)	 Devo melhorar
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  • 1. Protocolo de Bem-Estar Animal para o Setor Leiteiro A CADEIA LÁCTEA DO CHILE VACAS EM LACTAÇÃO
  • 2.
  • 3.
  • 4.
  • 5. Esta publicação corresponde à atualização do "Protocolo de Bem-Estar Animal para o Setor Leiteiro" do Consorcio Lechero. É autorizada a reprodução parcial das informações aqui contidas, sempre e quando esta publicação for citada como fonte. Autores: Ana Strappini Asteggiano Carolina Cárcamo Moreira Enrique Bombal Catalán José Borkert Vargas M. Alejandra Viedma Calderón Marcos Muñoz Domon Néstor Tadich Babaic Pilar Sepúlveda Varas Ramón Quichiyao Armstrong Sergio Iraira Higueras Silke Engels Petzold Tamara Tadich Gallo. Comitê de bem-estar animal e revisor: Alex Knopel Schüler, Watt’s. Ana Strappini Asteggiano, Universidad Austral. Carolina Cárcamo Moreira, Colun. Enrique Bombal Catalán, DeLaval. Fernando Herrera Uherek, Nestlé. Jan Schrott Rundshagen, Aproval. José Borkert Vargas, Dr. Borkert Spa. Juan Pablo Soto Andrade, Prolesur. Marcelo Rippes De Teran, Soprole. Marcos Muñoz Domon, Universidad de Concepción. Néstor Tadich Babaic (Q.E.P.D.), Universidad Austral. Paulina Campos Bravo, Cooprinsem. Pilar Sepúlveda Varas, Universidad Austral. Ramón Quichiyao Armstrong, Assessor privado. Rodrigo Guerrero Bosagna, SAG. Sandra Jerez Fuenzalida, SAG. Sergio Iraira Higueras, INIA. Silke Engels Petzold, Prodeca. Tamara Tadich Gallo, Universidad de Chile. Comitê editor: Luis Orellana Muñoz, responsável por produção e mídias digitais, Consorcio Lechero. M. Alejandra Viedma, coordenadora da área de produção primária, Consorcio Lechero. As fotografias presentes neste protocolo são contribuições dos integrantes do Comitê de bem-estar animal do Consorcio Lechero, que registram essas imagens durante seu trabalho como consultores no terreno. Setembro de 2019
  • 6. ÍNDICE 2 ÍNDICE Apresentação...................................................................................................................................4 Introdução.......................................................................................................................................6 Indicadores......................................................................................................................................7 Procedimento para a aplicação do protocolo...................................................................................8 Materiais e tamanho da amostra......................................................................................................8 I. ALIMENTAÇÃO ADEQUADA A. Ausência de fome 1. Condições corporais...............................................................................................................9 B. Ausência de sede 2. Acesso à água......................................................................................................................11 3. Dimensões e disponibilidade dos bebedouros.....................................................................12 4. Qualidade da água e limpeza do bebedouro.........................................................................13 II. ALOJAMENTO E INSTALAÇÕES ADEQUADAS C. Conforto em áreas de descanso e ordenha 5. Dimensões da contenção ou sala de ordenha......................................................................14 6. Instalação e manutenção da contenção da ordenha.............................................................15 7. Dimensões da contenção ou sala de ordenha......................................................................16 8. Iluminação na sala de ordenha (durante o dia e a noite)......................................................17 9. Iluminação na área do úbere e no piso.................................................................................17 10. Limpeza dos úberes............................................................................................................17 11. Limpeza dos membros posteriores.....................................................................................18 12. Dimensões da sala de espera..............................................................................................19 13. Estado do piso da sala de espera........................................................................................20 14. Estado da cerca perimetral da sala de espera.....................................................................21 15. Tempo máximo de espera na sala.......................................................................................21 16. Quantidade e dimensões dos cubículos..............................................................................22 17. Tipo e material da cama .....................................................................................................23 18. Limpeza da cama ...............................................................................................................24 D. Conforto térmico 19. Presença de sombra ..........................................................................................................25 20. Presença de ventilação.......................................................................................................26 21. Presença de aspersão.........................................................................................................27 E. Facilidade de deslocamento 22. Estado dos acessos à sala de espera..................................................................................27 23. Fluxo de entrada das vacas na sala de ordenha..................................................................28 24. Fluxo de saída das vacas da sala de ordenha......................................................................29 25. Estado da saída das instalações de ordenha.......................................................................29 26. Estado do caminho percorrido pelas vacas.........................................................................30 27. Distância percorrida pelas vacas até as instalações de ordenha.........................................31 Páginas
  • 7. BEM-ESTAR ANIMAL ÍNDICE 3 III. SAÚDE ADEQUADA F. Ausência de lesões e doenças 28. Pontuação da condição dos tetos.......................................................................................32 29. Ausência de vacas com lesões no rabo..............................................................................33 30. Ausência de vacas com quartos não funcionais .................................................................34 31. Ausência de vacas com tetos amputados...........................................................................34 32. Recontagem de células somáticas (CCS)............................................................................34 33. Pontuação de locomoção....................................................................................................35 G. Ausência de dor ou estresse 34. Ausência de outros animais na sala de ordenha.................................................................36 35. Uso de analgésicos e anestésicos em procedimentos dolorosos ......................................36 36. Manejo da dor em caso de doença.....................................................................................37 IV. CONDUTA APROPRIADA H. Expressão de condutas sociais 37. Expressão de condutas sociais positivas............................................................................38 I. Expressão de outras condutas 38. Comportamento durante a ordenha....................................................................................39 J. Interação humano-animal 39. Tratamento das vacas durante a ordenha............................................................................40 40. Tratamento das vacas durante a condução do rebanho......................................................40 K. Estado emocional 41. Distância da zona de fuga...................................................................................................42 V. NORMATIVA NACIONAL VIGENTE L. Implementação da normativa 42. Presença de um responsável pelos animais ......................................................................43 43. Implementação de um plano de contingência....................................................................43 IMPACTO DO BEM-ESTAR ANIMAL NA RENTABILIDADE DA PROPRIEDADE LEITEIRA Como o bem-estar animal impacta os resultados econômicos da propriedade?......................44 1. Alojamento............................................................................................................................45 2. Conforto térmico...................................................................................................................46 3. Saúde do úbere.....................................................................................................................48 4. Saúde dos cascos..................................................................................................................50 5. Interação humano-animal (IHA)............................................................................................52 ANEXOS.........................................................................................................................................53 PLANILHAS DE AVALIAÇÃO...........................................................................................................67 BIBLIOGRAFIAS.............................................................................................................................73 Páginas
  • 8. Apresentação 4 Apresentação P assaram-se apenas cinco anos em nosso setor desde que o bem-estar animal deixou de ser um conceito desconhecido, pouco compreendido e visto com receio e passou a ser reconhecido como uma condição fundamental para a produção sustentável de leite. Hoje em dia, o olhar é outro, pois garantir que nossas vacas tenham o bem-estar que merecem não é apenas uma exigência dos consumidores, mas também um dever que assumimos com orgulho na cadeia láctea. O que aconteceu nesse período para mudar a visão no setor leiteiro? Bem, cinco anos atrás o Consorcio Lechero identificou o bem-estar animal como um dos pilares do desenvolvimento sustentável da produção de leite no Chile. Convocamos todos que podem contribuir e trabalham com o tema, desde produtores de leite, profissionais da Universidad Austral de Chile e outras, o INIA, o SAG, até empresas de serviços. O convite à colaboração, conceito que está na essência de nossa instituição, recebeu respostas entusiasmadas dos atores convocados para formar e trabalhar em um comitê coordenado pelo Consorcio Lechero. O Comitê conquistou grandes marcos que nos levaram hoje a publicar uma segunda versão do Protocolo de bem-estar animal das vacas em lactação. Entre os colaboradores que apoiaram este trabalho desde o início, devemos destacar o Dr. Néstor Tadich, que foi um gestor fundamental para o comitê, entregando generosamente sua experiência, conhecimento e tempo para posicionar o bem-estar das vacas leiteiras no nível em que hoje se encontra em nosso setor. Lamentavelmente, o Dr. Tadich já não está entre nós, mas seu entusiasmo e sua convicção ainda se refletem nos membros atuais do Comitê de Bem-estar animal do Consorcio Lechero e se incorporam a esta publicação, que gerará um guia fundamental para continuarmos avançando no cuidado com nossas aliadas insubstituíveis: nossas vacas leiteiras. Octavio Oltra Hidalgo Gerente do Consorcio Lechero O presente protocolo de bem-estar animal para o setor leiteiro é o resultado do trabalho colaborativo entre produtores, assessores de propriedade, médicos veterinários e pesquisadores que se comprometeram com o bem-estar animal. Em especial, é importante destacar o compromisso do Consorcio Lechero com o bem-estar animal, compromisso que se reflete na formação de um comitê técnico permanente de bem-estar animal e o desenvolvimento de ferramentas para que o setor possa melhorar suas práticas de manejo constantemente. Este protocolo permitirá que médicos veterinários e produtores analisem o desempenho e as práticas de manejo continuamente, identifiquem pontos críticos paraobem-estaranimaldentrodafazendaepriorizem intervenções que permitem melhores possíveis. Esta segunda versão incorpora novos indicadores de bem-estar animal, além das planilhas para registrar dados, facilitando a aplicação e a inclusão de temas cada vez mais relevantes, como a interação humano- animal, os benefícios econômicos de ter animais em bom estado e os planos de contingência. É essencial que todos os envolvidos na cadeia de produção de leite vejam o bem-estar animal como um tema de suporte ao setor, tendo como principal objetivo melhorar a qualidade de vida de nossos animais e das pessoas que entram em contato com eles diariamente. Este protocolo é uma contribuição adicional para ajudar a entender as necessidades das vacas e para que se possa, assim, produzir leite de forma responsável e com qualidade ética. Tamara Tadich Gallo Acadêmica da Universidad de Chile
  • 9. BEM-ESTAR ANIMAL Apresentação 5"B em-estar animal": um novo princípio de orientação? Global e pouco concreto ao mesmo tempo, todos falam sobre isso, mas não conhecemos o real significado da expressão. Seria uma nova moda aplicada ao setor leiteiro? Em termos simples e pragmáticos, bem-estar animal é a implementação do senso comum. Em nosso caso, como produtores de leite, trata-se de fornecer a nossos animais nutrição apropriada, água fresca e limpa, abrigo e, além disso, mantê-los saudáveis, confortáveis e tranquilos. Os animais retribuem com maior produção, maior longevidade e menos gastos. Anova legislação nacional de proteção animal entrou em vigor há alguns anos, e é um dever que temos de cumprir. Como produtores chilenos, devemos enxergá-la como uma vantagem em um cenário que nos permite manejos superiores aos de outros países, vários deles considerados mais desenvolvidos e com uma longa trajetória na produção de leite. Podemos nos tornar líderes mundiais com a implementação do bem-estar animal como pilar de nossa produção de leite, seja em sistemas de confinamento ou pastoreio. Para garantir que nossos animais tenham uma vida feliz desde seu nascimento até a última lactação, não é necessário fazer grandes investimentos. Começamos pela capacitação de nossos colaboradores e implementação de manejos simples, como não apressar as vacas ao conduzir o rebanho, substituir varas por bandeiras ou até mesmo sacos plásticos, plantar árvores próximo às cercas para fornecer sombra e abrigo contra vento e chuva, manter os caminhos livres de pedras na medida do possível, construir drenos para evitar o acúmulo de barro etc. Os bovinos, como são presas, não demonstram dor explicitamente. Assim, é mais barato e eficiente prevenir e tratar a tempo. Aceitar as recomendações de profissionais e implementar as alterações propostas geralmente exige apenas vontade. Em nosso caso, especificamente, uma mudança na rotina de ordenha reduziu os casos de mastite em quase 80%. E não podemos nos esquecer da regra de ouro: a base do bem-estar animal é o bem-estar da equipe. Não se pode exigir nem conquistar o tratamento adequado dos animais se os colaboradores não se sentem valorizados nem orgulhosos de seu trabalho. Salários dignos, habitações adequadas, capacitações permanentes e participação nas conquistas da propriedade são fundamentais. Este protocolo procura oferecer ajuda para implementar procedimentos que garantam que nossas propriedades sejam reconhecidas como modelos a serem reproduzidos mundialmente. Mas também não se trata de cumprir todas essas sugestões de uma só vez. Cada propriedade é diferente e tem realidades distintas. Algumas mudanças são fáceis de realizar, outras exigem investimento. O mesmo se aplica aos resultados de produtividade: alguns são imediatos e outros levam algum tempo para aparecer. Temos uma grande oportunidade não apenas de garantir uma vida melhor para nossos fiéis animais, mas também para nós. Seguindo as tendências globais, os consumidores nacionais serão cada vez mais exigentes no momento de comprar produtos lácteos. Podemos e devemos continuar priorizando o bem-estar animal em nossos campos. Nossos animais merecem isso, e estamos preparados para os mercados do futuro. O novo princípio de orientação do bem-estar animal deixará de ser um conceito pouco concreto e se transformará em uma realidade transversal. Mostraremos que a produção de leite no Chile é única e conseguiremos posicionar o Chile como referência mundial. Vamos levar o bem-estar animal a sério! Jan Schrott Rundshagen Produtor de leite, região de Los Ríos Apresentação de um produtor de leite
  • 10. Introdução 6 Introdução P ara estabelecer critérios de bem-estar animal, é importante poder medir objetivamente os fatores que incidem sobre o estado de bem-estar do rebanho. Por isso, o Comitê de bem-estar animal do Consorcio Lechero desenvolveu um protocolo que permite avaliar o estado de bem-estar das vacas em propriedades leiteiras com base em indicadores diretos que medem o estado dos animais e indicadores indiretos que avaliam as práticas de manejo de um estabelecimento leiteiro. O propósito deste protocolo é a obtenção de informações objetivas e confiáveis sobre as condições de bem-estar de vacas leiteiras utilizando indicadores que facilitam o diagnóstico e a identificação dos pontos críticos para o bem-estar dos animais em sua vida produtiva. Este protocolo tem o objetivo de ser uma ferramenta padrão de avaliação que permita aos produtores de leite obter de maneira objetiva e rápida uma primeira aproximação com o estado de bem-estar de suas vacas e identificar os pontos de potenciais melhorias a fim de otimizar a produtividade.
  • 11. BEM-ESTAR ANIMAL Indicadores 7 Indicadores P ara avaliar o estado de bem-estar de um animal ou grupo de animais, é necessário aplicar certos parâmetros ou indicadores de bem-estar. Existem vários indicadores que podem ser aplicados de acordo com o tipo de sistema e de animais a serem avaliados, mas em termos gerais podemos dividi-los em dois grandes grupos: os indicadores diretos ou baseados no animal e os indicadores indiretos ou baseados nos recursos entregues ao animal. Indicadores diretos (IDI) ou baseados no animal: são os parâmetros obtidos em relação ao animal. Eles permitem que o próprio animal, por meio de sua conduta, estado de saúde, presença de lesões, variáveis fisiológicas ou condições corporais e outros, forneça informações sobre como está enfrentando seu meio ambiente (interno e externo) em determinado momento. O uso desse tipo de indicador aumentou nos últimos anos e é o recomendado pela Organização mundial de saúde animal (OIE). Indicadores indiretos (IIN) ou baseados nos recursos:são os parâmetros obtidos ao avaliar o que é adequado nos recursos que entregamos aos animais e as práticas de manejo associadas ao sistema de produção em que se encontram. A vantagem desses indicadores é que são fáceis de medir e repetir, mas a desvantagem é que indicam apenas o risco de que ocorra um problema de bem-estar e não necessariamente refletem a condição real dos animais em determinado momento. Devido à existência de uma grande quantidade de indicadores de bem-estar animal, é necessário escolher um número limitado deles de acordo com determinados princípios e critérios de bem-estar contextualizados em cada sistema e espécie animal. Para a elaboração do presente protocolo, foram utilizados 41 indicadores comprovados em condições de campo, baseados nos quatro princípios de alimentação, alojamento, saúde e comportamento animal do sistema Welfare Quality® , além de dois indicadores relacionados à normativa nacional vigente1 . 1 "Responsável pelos animais" e "Plano de contingência" são os dois indicadores baseados na normativa nacional vigente a cargo do Serviço agrícola e pecuarista do Chile.
  • 12. 8 8 PROCEDIMENTOPARAAAPLICAÇÃODOPROTOCOLO MATERIAISETAMANHODAAMOSTRA 8 Procedimento para a aplicação do protocolo O protocolo utiliza indicadores diretos e indiretos, alguns dos quais devem ser avaliados antes, durante ou depois da ordenha. Portanto, para aplicar o protocolo a uma propriedade à qual você é externo, recomenda-se conhecer previamente os horários de ordenha e comparecer ao menos uma hora do início. A aplicação do protocolo no nível da propriedade se inicia com a observação das instalações de ordenha vazias para, então, continuar com a observação da condução do rebanho ou dos primeiros grupos de vacas, desde o pasto ou local onde são alojadas até a área de espera da sala de ordenha. A partir desse momento, os diferentes indicadores serão avaliados na área de espera, na sala de ordenha e na saída da ordenha. Ao mesmo tempo e de acordo com as características da propriedade, alguns indicadores devem ser avaliados no pasto ou no local em que as vacas são alojadas em caso de serem mantidas confinadas. É importante destacar que avaliadores externos devem passar por treinamento prévio para a aplicação do protocolo à propriedade a fim de não atrasar ou dificultar o trabalho dos operários nem alterar o comportamento das vacas. Materiais e tamanho da amostra Os materiais necessários para a aplicação do protocolo incluem: planilha de avaliação, lápis, fita métrica, lanterna e câmera fotográfica. A porcentagem de vacas do rebanho a serem avaliadas dependerá do número total de vacas em ordenha, como indica o quadro 1. NÚMERO TOTAL DE VACAS EM ORDENHA PORCENTAGEM DO REBANHO A SER AVALIADA < 100 80% 100 a 200 50% 201 a 300 30% 301 a 500 25% > 500 20% Quadro 1. Relação do tamanho do rebanho com a porcentagem de vacas a ser avaliada (adaptado do protocolo Welfare Quality® ).
  • 14.
  • 15. BEM-ESTAR ANIMAL I.ALIMENTAÇÃOADEQUADA 9 I. ALIMENTAÇÃO ADEQUADA A. Ausência de fome 1. Escore da condição corporal (ECC): corresponde a um indicador direto (IDI). É obtido por meio da avaliação das reservas corporais da vaca e permite estabelecer seu estado nutricional. Para obter a medida, observa-se a lateral e a traseira dos animais, geralmente quando estão saindo da sala de ordenha (pontos a serem avaliados no Anexo 1). A pontuação obtida e a avaliação também devem considerar outros critérios, como o estado fisiológico do animal, dias em lactação e a época do ano. Neste caso, aplica-se uma escala de cinco pontos, em que se considera: Aceitável: Condição corporal entre 2,5 e 4,0 pontos. Não aceitável: condição corporal inferior a 2,5 ou superior a 4,0 pontos. Segundo as pontuações do grupo de amostra, as porcentagens serão calculadas por intervalos de pontuação obtida, como indica o quadro 2. INDICADOR CÁLCULO LIMITES SEGUNDO CATEGORIA BOA REGULAR RUIM Porcentagem de animais com ECC baixa (nº de animais com ECC < 2,5/nº total de animais avaliados)*100 < 10% 10% a 20% > 20% Porcentagem de animais com ECC excessiva (nº de animais com ECC > 4,0/nº total de animais avaliados)*100 < 5% 5% a 20% > 20% Quadro 2. Limites de animais com ECC baixa ou excessiva no rebanho. Adaptado do "Protocolo de avaliação de bem-estar animal do noroeste argentino" (em espanhol). Condição corporal inferior a 2,5 pontos: observa-se lateralmente uma linha imaginária que une o ílio e o ísquio (osso do quadril) sem a camada de gordura subcutânea, com a parte superior do fêmur visível projetando uma linha em forma de V. Mais da metade das costelas de ripa são visíveis na posição lateral. Na parte de trás, o ílio e o ísquio são angulares e não há evidência 2 Imagens 1, 2 e 3 de condição corporal cedidas pela Bayer Animal Health.
  • 16. I.ALIMENTAÇÃOADEQUADA 10 de gordura subcutânea entre a base do rabo e a parte posterior do ísquio, observando-se uma cavidade profunda entre elas. Os ligamentos do sacro e os ligamentos do rabo são visíveis. Como referência, consulte a imagem 1. POSTERIOR DIAGONAL LATERAL Imagem 1: Pontuação 1 de condição corporal. Condição corporal superior a 4,0 pontos: Lateralmente observa-se a projeção de uma linha reta entre o ílio e o ísquio. Na parte de trás, o ligamento do sacro e os ligamentos dos dois lados do rabo não são visíveis. Como referência, consulte a imagem 2: POSTERIOR DIAGONAL LATERAL Imagem 2: Pontuação 5 de condição corporal.
  • 17. BEM-ESTAR ANIMAL I.ALIMENTAÇÃOADEQUADA 11 Condição corporal entre 2,5 e 4,0: Lateralmente, menos da metade das costelas de ripa são visíveis. Na parte de trás, o ílio e o ísquio podem ser angulares, mas se observa gordura subcutânea na parte posterior do ísquio. Como referência, consulte a imagem 3. POSTERIOR DIAGONAL LATERAL Imagem 3: Pontuação 3 de condição corporal. B. Ausência de sede 2. Acesso à água: A avaliação do acesso aos bebedouros é um indicador indireto (IIN) que reflete a facilidade ou dificuldade com a qual as vacas podem chegar ao bebedouro. Nesse sentido, a localização e o tipo de piso que o rodeia são fatores importantes a serem considerados, em que: Bom:opisosobreoqualselocalizaobebedouroéfirme,sepossívelfeitodeconcretoantiderrapante não exposto no limite terra-concreto e localizado de maneira a não afetar negativamente o fluxo dos animais (imagem 4). Se os bebedouros forem móveis, eles se deslocam pelo pasto evitando a erosão e/ou o acúmulo de barro (imagem 5). Imagem 4 Imagem 5
  • 18. I.ALIMENTAÇÃOADEQUADA 12 Regular: o piso é de concreto muito exposto, de terra sem erosão nem acúmulo de barro (ou com algum tipo de tratamento que evite isso). O bebedouro está localizado de maneira que afeta o fluxo adequado dos animais. Ruim: o piso de terra está erodido ou com acúmulo de barro e/ou pedras ao redor. A localização do bebedouro dificulta o fluxo de animais (Imagens 6 e 7). Imagem 6 Imagem 7 3. Dimensões e disponibilidade dos bebedouros: é um IIN que determina a quantidade e a capacidade dos bebedouros para sustentar o consumo diário de água das vacas. Os animais devem ter acesso à água em pastos e área de cubículos. Caso os animais esperem o resto do grupo antes de voltar ao pasto ou aos cubículos, devem também ter acesso à água na saída das instalações de ordenha. No Anexo 2, encontram-se recomendações de medidas e indicações para o cálculo da capacidade de bebedouros circulares e retangulares. Bom: os animais têm acesso à água em pastos e área de cubículos quando voltam imediatamente da ordenha. Os animais que esperam o resto do grupo antes de voltar têm acesso à água na saída das instalações de ordenha. Todas as vacas da manada devem ter acesso ao bebedouro antes que saia a próxima. O nível da água do bebedouro não deve ser inferior a 75% de sua altura máxima. Regular: as vacas têm acesso à água de bebida na área dos cubículos e no pasto e, se necessário, na saída das instalações de ordenha. Porém, os bebedouros não atendem aos requisitos especificados anteriormente. Ruim: as vacas esperam o resto do grupo sem ter acesso à água na saída das instalações, têm acesso à água no pasto e nos cubículos, mas os bebedouros não atendem aos requisitos especificados anteriormente.
  • 19. BEM-ESTAR ANIMAL I.ALIMENTAÇÃOADEQUADA 13 4. Qualidade da água e limpeza do bebedouro: trata-se de um IIN que avalia a adequação do recurso água sendo oferecido, pois não basta que haja bebedouros nos lugares indicados e que sejam de fácil acesso. Se a qualidade da água não for apropriada, as vacas não vão querer consumi-la (determinada quantidade de alimento fresco é aceitável). Bom: bebedouros e água limpos no momento da inspeção. Considera-se limpo quando não há evidência de crostas ou sujeira (como fezes ou barro) e/ou restos deteriorados de alimento (Imagens 8 e 9). Imagem 8 Imagem 9 Regular: bebedouros sujos, mas água fresca e limpa no momento da inspeção. Ruim: bebedouros e água sujos no momento da inspeção, com crescimento de algas e/ou musgo (Imagens 10 e 11). Imagem 10 Imagem 11
  • 20.
  • 21. II. ALOJAMENTO E INSTALAÇÕES ADEQUADAS
  • 22.
  • 23. BEM-ESTAR ANIMAL 14 II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas II. ALOJAMENTO E INSTALAÇÕES ADEQUADAS C. Conforto em áreas de descanso e ordenha 5. Dimensões das contenções ou sala de ordenha: trata-se de um IIN que permite avaliar se essas estruturas têm o tamanho adequado para garantir a proteção e o conforto das vacas durante a ordenha. No Anexo 3, encontram-se recomendações de medidas para uma sala do tipo espinha de peixe e rebanho Holstein-Frísia padrão. Bom: as medidas recomendadas são seguidas para o tipo de contenção existente em relação ao tipo de vaca (raça, tamanho) (Imagens 12 e 13). Imagem 12 Imagem 13 Regular: as medidas recomendadas são parcialmente seguidas para o tipo de contenção e tipo de vaca existente. Ruim: as medidas recomendadas não são seguidas para o tipo de contenção e tipo de vaca existente. Os animais adotam posturas desconfortáveis com evidente agitação durante a ordenha (Imagens 14 e 15). Imagem 14 Imagem 15
  • 24. 15 II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas 6. Instalação e manutenção da contenção: é um IIN que permite avaliar se, além de respeitar as dimensões recomendadas, as instalações também são seguras para o animal e se a manutenção evita que as vacas possam se machucar ou ficar desconfortáveis durante a ordenha. Uma boa instalação e manutenção da contenção permitem que as vacas fiquem confortáveis e circulem com facilidade, além de proporcionar segurança ao ordenhador enquanto realiza seu trabalho. Bom: as barras horizontais separam as vacas das verticais. Manutenção adequada, sem presença de saliências e superfícies cortantes ou que possam ferir as vacas (Imagens 16 e 17). Imagem 16 Imagem 17 Regular: as barras horizontais separam as vacas das verticais. Manutenção insatisfatória das barras, com saliências e/ou superfícies cortantes pequenas que não podem ferir as vacas. Ruim: barras verticais em contato com as vacas. Manutenção insatisfatória das barras, portas e comedouros, e/ou presença de saliências e/ou superfícies cortantes ou que possam feri-las (Imagens 18 e 19). Imagem 18 Imagem 19
  • 25. BEM-ESTAR ANIMAL 16 II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas 7. Estado do piso da sala de ordenha: É um IIN que permite avaliar a comodidade das vacas durante a ordenha. O piso da sala deve ser de material construtivo (com ou sem tapete de borracha) com ranhuras com desenho e medidas aptas para evitar escorregões (antiderrapante). Bom: piso antiderrapante, sem saliências, buracos nem outras irregularidades que possam ferir os cascos. Não abrasivo (Imagens 20 e 21). Imagem 20 Imagem 21 Regular: piso antiderrapante, mas com áreas gastas, buracos e irregularidades. Não abrasivo. Ruim: piso abrasivo e/ou não antiderrapante. Manutenção geral inadequada (Imagens 22 e 23). Imagem 22 Imagem 23
  • 26. 17 II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas 8. Iluminação na sala de ordenha para ordenha (durante o dia e a noite): Os animais bovinos têm mais facilidade de se mover de áreas mais escuras para áreas mais iluminadas (evitando sempre ofuscar a visão). Uma boa iluminação na sala de ordenha facilitará o fluxo das vacas e evitará que os operários precisem apressá-las ou utilizar instrumentos de condução de rebanho inadequados, golpes ou gritos. Utilize um luxímetro ou um aplicativo no seu smartphone. Para mais detalhes, consulte o Anexo 4. Este é um IIN. Bom: Boa iluminação. Mínimo de 200 lux no nível do corredor de entrada dos animais ou a luminosidade que permita ler um jornal. As vacas se deslocam em um bom fluxo e sem ofuscamento. Regular: Iluminação insuficiente ou incorreta. As vacas param na entrada da sala antes de entrar ou entram com desconfiança. É comum que, pela intensidade, a localização ou altura da iluminação, as vacas tenham sua visão ofuscada, o que também dificulta que entrem. Ruim: Iluminação escassa. A sala está evidentemente mais escura que a sala de espera durante a ordenha diurna. 9. Iluminação na área do úbere e no piso: É um IIN. A iluminação deve permitir que o ordenhador (ou avaliador) observe e avalie a pele e a ponta dos tetos, bem como outras alterações da parte inferior do animal. Bom: Boa iluminação. Mínimo de 250 lux medido 10 cm abaixo da ponta do teto. Esta luminosidade permite ler um jornal na altura dos tetos. Regular: Iluminação insuficiente ou incorreta. Dificuldade para agora enxergar embaixo da ponta do teto. Ruim: Iluminação escassa, impedindo a avaliação embaixo da ponta do teto e exigindo o uso de lanterna. 10. Limpeza dos úberes: é um IDI que fornece informações sobre as condições ambientais em que as vacas são mantidas. Para isso, avalia-se um número determinado de vacas no momento da ordenha (quadro 1), observando a lateral e a parte posterior do animal em busca de sujeira (fezes, barro ou restos de cama) e fornecendo uma pontuação segundo a imagem 24.
  • 27. BEM-ESTAR ANIMAL 18 II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas Imagem 24: Pontuação de limpeza dos úberes (Pamela L. Ruegg, 2002). Bom: a soma das vacas com pontuação 3 e 4 é inferior ou igual a 30% do total de animais da amostra. Regular: a soma das vacas com pontuação 3 e 4 é superior a 30% mas inferior a 70% do total de animais da amostra. Ruim: a soma das vacas com pontuação 3 e 4 é superior ou igual a 70% do total de animais da amostra. 11. Limpeza dos membros posteriores: Trata-se de um IDI que pode ser facilmente avaliado na saída da sala de ordenha ao mesmo tempo que outros indicadores são medidos, como a pontuação de locomoção, ou durante a ordenha ao mesmo tempo que é feita a avaliação da limpeza dos úberes. Observa-se a lateral e a parte posterior e se atribui uma pontuação a cada animal da amostra do rebanho de acordo com a imagem 25. Imagem 25: Pontuação de limpeza dos membros posteriores (N. Cook, 2001. University of Wisconsin-Madison). Pontuação 1 Limpas. Pontuação 2 Ligeiramente sujas. 2 a 10% da superfície. Sujeira de fácil remoção. Pontuação 3 Sujeira moderada. 10 a 30% da superfície. Sujeira de fácil remoção. Pontuação 4 Cobertas de esterco e/ ou sujeira. > 30% da superfície. Sujeira e crostas de difícil remoção. Pontuação 1 Limpas. Pontuação 2 Respingos de barro ou esterco. Sujeira de fácil remoção. Pontuação 3 Placas de barro ou fezes nas patas e/ou na articulação. Sujeira de fácil remoção. Pontuação 4 Placas de barro ou esterco nas patas e na articulação e/ou no abdômen e úbere. Sujeira de difícil remoção.
  • 28. 19 II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas Bom: a soma das vacas com pontuação 3 e 4 é inferior ou igual a 30% do total de animais da amostra. Regular: a soma das vacas com pontuação 3 e 4 é superior a 30% mas inferior a 70% do total de animais da amostra. Ruim: a soma das vacas com pontuação 3 e 4 é superior ou igual a 70% do total de animais da amostra. 12. Dimensões da sala de espera: trata-se de um IIN que permite identificar se cada vaca tem espaço suficiente para se sentir confortável enquanto aguarda seu turno para a ordenha. As vacas devem ficar suficientemente confortáveis na sala de espera, mantendo-se juntas mas sem exercer pressão umas sobre as outras a fim de facilitar a posição natural da cabeça (Imagens 26 e 27) e não levantada sobre o dorso de outros animais (Imagens 28 e 29). No Anexo 5, encontram-se indicações para o cálculo da superfície de salas de espera circulares e retangulares. Recomenda-se adicionar entre 10 e 15% de superfície ao cálculo como margem de segurança. Imagem 26 Imagem 27 Qualquer situação que gere estresse nessa etapa do manejo pode levar a mudanças na produção individual de leite. Para este indicador, deve-se considerar o total de animais que chegam à sala de espera menos os que entram imediatamente na sala. Imagem 28 Imagem 29
  • 29. BEM-ESTAR ANIMAL 20 II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas Dependendo do tamanho da raça, considere as seguintes medidas: Raça Holstein Bom: área superior ou igual a 1,6 m2 por animal Regular: área de 1,5 m2 por animal Ruim: área inferior a 1,4 m2 por animal Raça Jersey Bom: área superior ou igual a 1,3 m2 por animal Regular: área entre 1,2 m2 e 1,3 m2 por animal Ruim: área inferior a 1,2 m2 por animal 13. Estado do piso da sala de espera: É um IIN que permite avaliar a comodidade das vacas enquanto aguardam seu turno para entrar na sala de ordenha. O piso deve ser de material construtivo (com ou sem tapete de borracha) com ranhuras com desenho e medidas aptas para evitar escorregões (antiderrapante). Bom: piso antiderrapante, sem saliências, buracos nem outras irregularidades que possam ferir os cascos. Não abrasivo (Imagens 30 e 31). Imagem 30 Imagem 31 Regular: piso antiderrapante, mas com áreas gastas, buracos e irregularidades. Não abrasivo. Ruim: piso abrasivo e/ou não antiderrapante. Manutenção geral inadequada (Imagens 32 e 33). Imagem 32 Imagem 33
  • 30. 21 II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas 14. Estado da cerca perimetral da sala de espera: trata-se de um IIN que permite confirmar se a cerca da sala cumpre sua função evitando que as vacas se machuquem, pulem ou fiquem presas nas barras. Recomendações de medidas da cerca perimetral no Anexo 6. Bom: canos redondos horizontais por dentro da estrutura vertical (postes ou canos) ou madeira lisa sem saliências até o interior da sala. Postes perimetrais por fora da cerca horizontal (Imagens 34 e 35). Imagem 34 Imagem 35 Regular: com saliências, ângulos, obstáculos ou outros elementos que prejudicam o posiciona- mento normal e o deslocamento das vacas. Ruim: feita de arame, lata ou outro material que apresenta riscos de ferimentos. Postes perimetrais por dentro (Imagens 36 e 37). Imagem 36 Imagem 37 15. Tempo máximo de espera na sala: trata-se de um IIN que permite quantificar o tempo máximo que um animal permanece na sala de espera. Esse tempo não considera a estada em outras superfícies de concreto, como a plataforma de alimentação. Faz-se a medição do intervalo entre a entrada das vacas na sala e a entrada das últimas vacas na sala. É necessário considerar que, em uma sala em boas condições de piso, superfície e ambiente (temperatura e umidade), depois de 1 hora de estada a concentração de cortisol no sangue dos animais começa a aumentar, e isso é um indicador de estresse que influencia diretamente a produção de leite dessa ordenha.
  • 31. BEM-ESTAR ANIMAL 22 II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas Bom: Menos de 1 hora. Regular: 1 hora a 1 ½ hora. Ruim: Mais de 1 ½ hora. 16. Quantidade e dimensões dos cubículos: É um IIN que se aplica aos sistemas que utilizam confinamento em cubículos. Isso é importante porque cubículos inadequados reduzem o tempo de descanso das vacas, podendo fazer com que comecem a mancar, até de impactar a produção de leite. Para avaliar esse indicador, são escolhidos aleatoriamente e analisados 10% dos cubículos, que passam por medições de comprimento, largura, distância do muro até a barra do pescoço, altura da barra divisória superior e inferior, altura da superfície do cubículo, altura do limitador de avanço do peito e largura da barra divisória. Recomenda-se ter de 3 a 5% de cubículos adicionais em relação ao número de animais do grupo. No Anexo 7, encontram-se as recomendações de medidas dos cubículos de acordo com o tamanho do animal. Bom: há mais de um cubículo por animal, idealmente 5% a mais. A largura do cubículo corresponde, no mínimo, à largura do quadril do animal (115 a 140 cm ou mais) e o comprimento está entre 240 e 280 cm, proporcionando espaço adicional com a barra do pescoço de mais de 70 cm para que a vaca possa ficar de pé confortavelmente. A superfície do cubículo tem altura inferior a 20 cm (Imagens 38 e 39). Imagem 38 Imagem 39 Regular: Há um cubículo por animal. A largura do cubículo está entre 100 e 115 cm, a altura da superfície do cubículo está entre 20 e 35 cm e os animais têm espaço adicional entre a barra do pescoço e um muro menor a 60 cm. Sempre considere o tipo de animal utilizado na propriedade.
  • 32. 23 II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas Ruim: não há cubículos suficientes para a quantidade de animais e/ou não possuem as dimensões necessárias para que a vaca possa se inclinar e parar confortavelmente nem descansar pela quantidade de tempo adequada. Observa-se uma alta porcentagem de vacas deitadas nos corredores (Imagens 40 e 41). Imagem 40 Imagem 41 17. Tipo e material da cama: É um IIN que avalia a adequação do material utilizado para a cama, que permitirá que a vaca descanse confortavelmente e sem desenvolver lesões em suas extremidades. Por isso, é importante considerar a materialidade e a profundidade da cama. Bom: se é utilizada uma cama profunda (areia, cavacos, palha ou outro), deve ser de material absorvente e em quantidade suficiente para que cubra todo o cubículo. Se é utilizada uma superfície de borracha, ela deve ser coberta por material de cama superficial (serragem, cavacos, palha ou outro) em todo o cubículo para que as vacas possam se sentar confortavelmente (Imagens 42 e 43). Imagem 42 Imagem 43
  • 33. BEM-ESTAR ANIMAL 24 II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas Regular: o material da cama não é suficiente para cobrir o solo ou o colchão de borracha e, por isso, fica em contato direto com a vaca. Ruim: Não há material de cama ou se utiliza somente colchão de borracha (Imagens 44 e 45). Imagem 44 Imagem 45 18. Limpeza da cama: em sistemas free stall, as vacas permanecem sentadas 10 horas por dia ou mais. Camas limpas e secas favorecem o descanso, que influencia os indicadores diretos, como limpeza de membros e úberes (indicadores 10 e 11). Este IIN se aplica somente a sistemas de confinamento. O ideal é limpar as camas em cada ordenha. Em sistemas convencionais (não robóticos), a medição deve ser realizada duas horas depois da ordenha. Bom: camas limpas e secas no momento da inspeção. Considera-se limpa quando não há presença de fezes ou barro (Imagens 46 e 47). Imagem 46 Imagem 47
  • 34. 25 II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas Regular: camas sujas, mas secas no momento da inspeção. Ruim: Camas sujas e úmidas ou molhadas no momento da inspeção (Imagens 48 e 49). Imagem 48 Imagem 49 D. Conforto térmico 19. Presença de sombra: é um IIN que indica o risco de que os animais sofram estresse térmico devido ao calor, especialmente na primavera e no verão e, em particular, na zona Centro- norte do país. A faixa de temperatura em que os bovinos se sentem confortáveis é menor do que a das pessoas, e temperaturas acima de 22 °C já podem ter efeitos negativos sobre o animal e a produção. A presença de sombra é especialmente importante na sala de espera e nos pátios de alimentação, onde as vacas devem permanecer por tempos prolongados, considerando apropriado no mínimo 4,5 m2 por vaca em lactação. Bom: a sombra cobre totalmente a superfície na sala de espera e/ou pátio de alimentação, e tem altura mínima de 4 m (Imagens 50 e 51). Considerar 0,5 m a mais se o teto for de lata. Imagem 50 Imagem 51
  • 35. BEM-ESTAR ANIMAL 26 II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas Regular: há sombra, mas não atende a todas as condições mencionadas acima. Ruim: Não há sombra na sala de espera nem no pátio de alimentação e inclusive pode haver vacas ofegantes (Imagens 52 e 53). Imagem 52 Imagem 53 20. Presença de ventilação3 : é um IIN que permite avaliar a possibilidade de manter um fluxo e a qualidade adequada do ar no local onde os animais ficam. Neste caso, avaliam-se a presença, a quantidade e a localização dos sistemas de ventilação forçada (Imagens 54 e 55). Este indicador se aplica às fazendas localizadas em zonas onde a temperatura tende a ser elevada durante boa parte do ano ou onde as condições de estiagem geram problemas de estresse térmico para o gado (ver Anexo 8 de macrozonas leiteiras e estresse térmico). Este critério também se aplica à "Presença de aspersão" (indicador 21). No Anexo 9, encontram-se as recomendações de medidas para a disposição de ventiladores nas instalações. Imagem 54 Imagem 55 3 A avaliação do indicador "Presença de ventilação" exige um avaliador treinado.
  • 36. 27 II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas Bom: ventiladores suficientes para cobrir toda a superfície da sala, com altura suficiente (2,7 m a partir do piso em que estão as vacas) e colocados no ângulo recomendado para a direção ideal do ar. A distância entre os ventiladores é menor ou igual ao diâmetro por 10. Regular: há ventiladores que funcionam, mas não atendem aos requisitos de superfície coberta e localização. Ruim: não há sistema de ventilação ou há e não funciona. 21. Presença de aspersão4 : trata-se de um IIN pelo qual se avalia a presença de mecanismos de aspersão de água em currais e/ou pátio de espera e que permitem a regulação da temperatura dos animais e evitam estresse térmico (Imagens 56 e 57). Imagem 56 Imagem 57 Bom: em toda a superfície da sala, com gotas de tamanho suficiente (3 a 5 mm) que alcancem a pele das vacas, mas evitando molhar os úberes. Molha até a metade das costelas. Regular: não atende a todos os requisitos mencionados acima. Ruim: não há sistema de aspersão. E. Facilidade de deslocamento 22. Estado dos acessos à sala de espera: também corresponde a um IIN em que se avalia o estado do limite terra-concreto no acesso à sala de espera. Bom: limite terra-concreto sem erosão nem acúmulo de barro. Caso haja degraus, eles devem ter altura máxima de 20 cm, largura mínima de 85 cm e profundidade maior que 70 cm. Caso 4 A avaliação do indicador "Presença de aspersão" exige um avaliador treinado.
  • 37. BEM-ESTAR ANIMAL 28 II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas haja rampas, elas devem ter inclinação menor ou igual a 4% (relação entre longitude e altura). Ausência de obstáculos (Imagens 58 e 59). Imagem 58 Imagem 59 Regular: limite terra-concreto com leve erosão e/ou com acúmulo de barro. Degraus e rampas com medidas próximas às dimensões corretas. Ruim: limite com erosão e/ou acúmulo de barro. Degraus e rampas longe do dimensionamento correto. Presença de obstáculos (Imagens 60 e 61). Imagem 60 Imagem 61 23. Fluxo de entrada de vacas na sala de ordenha: este IIN avalia a facilidade de deslocamento dos animais ao entrarem na sala. Para calcular o tempo de entrada na sala de ordenha por vaca, mede-se o tempo entre a abertura da corrente ou porta traseira e o seu fechamento depois que as vacas entraram na sala de ordenha. Depois, esse tempo é dividido pela quantidade de vacas da manada e se obtém o valor por vaca em segundos. O fluxo de animais pode variar de
  • 38. 29 II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas acordo com fatores mencionados anteriormente, como facilidade e funcionalidade do acesso à sala, estado e características do piso, iluminação e ventilação da sala e/ou presença de obstáculos. Bom: os animais demoram menos de 4 segundos para entrar na sala. Regular: os animais demoram de 4 a 6 segundos para entrar na sala. Ruim: Os animais demoram mais de 6 segundos para entrar na sala. Geralmente, isso faz com que o operário tenha que apressar a entrada usando elementos de condução de rebanho, gritos ou golpes. 24. Fluxo de saída das vacas da sala de ordenha: Este IIN avalia a facilidade com que os animais saem da sala a partir da contenção. Bom: As vacas saem da sala de maneira fluida. Ruim: O tráfego é lento ou os animais se recusam a avançar. Isso faz com que o operário tenha que apressar a saída dos animais com assobios, gritos, jogando água, conduzindo o rebanho ou batendo nos animais. 25. Estado da saída das instalações de ordenha: corresponde a um IIN que também é fortemente relacionado à possibilidade de que os animais comecem a mancar. Bom: Limite terra-cimento sem erosão nem acúmulo de barro. Os degraus e rampas devem ter as mesmas dimensões que as especificadas para os acessos à sala de espera. Ausência de obstáculos (Imagens 62 e 63). Imagem 62 Imagem 63
  • 39. BEM-ESTAR ANIMAL 30 II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas Regular: limite terra-concreto com leve erosão e/ou com acúmulo de barro. Degraus e rampas com medidas próximas às dimensões corretas. Ruim: limite com erosão e/ou acúmulo de barro. Degraus e rampas longe das dimensões recomendadas. Presença de obstáculos. (Imagens 64 e 65.) Imagem 64 Imagem 65 26. Estado do caminho percorrido pelas vacas: este é um IIN que permite identificar indícios de riscos de que as vacas comecem a mancar.Ao avaliar esse indicador, é preciso considerar a relação entre o número de vacas, o número de ordenhas diárias, as características do solo e o regime de chuvas. Consideram-se características do caminho como: a superfície, a largura, a inclinação e a drenagem. Consulte a recomendação de dimensões de caminhos no Anexo 10. Bom: Superfície regular, ausência de obstáculos, sem inclinação, boa drenagem e medidas recomendadas (Imagens 66 e 67). Imagem 66 Imagem 67
  • 40. 31 II.Alojamentoeinstalaçõesadequadas Regular: Superfície irregular, presença de obstáculos, drenagem aceitável e/ou não cumprimento das dimensões recomendadas. Ruim:Superfície totalmente irregular com saliências, pedras ou outros obstáculos que prejudicam o deslocamento e/ou são traumáticos. Drenagem deficiente, presença de inclinação, acúmulo de barro por vários dias (Imagens 68 e 69). Imagem 68 Imagem 69 27. Distância percorrida pelas vacas até as instalações de ordenha: trata-se de um IIN que avalia a distância máxima percorrida em uma única viagem até ou a partir das instalações de ordenha. Bom: Menos de 1000 m. Regular: De 1001 m a 1200 m. Ruim: Mais de 1200 m.
  • 42.
  • 43. BEM-ESTAR ANIMAL 32 III.SAÚDEADEQUADA III. SAÚDE ADEQUADA F. Ausência de lesões e doenças 28. Pontuação da condição dos tetos: é um IDI associado à saúde mamária e que fornece indícios de alguns problemas que podem estar ocorrendo na rotina de ordenha, especialmente em relação à manutenção e/ou ao funcionamento de equipamentos e ordenha excessiva. Para avaliar a pontuação da condição dos tetos, recomenda-se utilizar uma lanterna de 10.000 lux, realizar a avaliação durante a ordenha e avaliar um número de vacas segundo o quadro 1, atribuindo uma pontuação segundo a imagem 70: PONTUAÇÃO 1 PONTUAÇÃO 2 PONTUAÇÃO 3 PONTUAÇÃO 4 Imagem 70: Pontuação da condição dos tetos.
  • 44. 33 III.SAÚDEADEQUADA Depois de obter os resultados, somam-se os tetos com pontuação igual ou superior a 3 e se calcula a porcentagem com base no total da amostra (quadro 1): Bom: menos de 20% dos tetos com pontuação superior ou igual a 3. Regular: entre 20% e 30% dos tetos com pontuação superior ou igual a 3. Ruim: mais de 30% dos tetos avaliados com pontuação superior ou igual a 3. 29. Ausência de vacas com lesões no rabo: O rabo pode sofrer fratura (quebra) (imagem 71), lesão ou amputação devido a danos mecânicos (causados por impacto nas instalações, como embarcadouro ou sala de ordenha), manejo incorreto ou outros motivos específicos. As lesões no rabo são dolorosas e, portanto, são um IDI de bem-estar insatisfatório. Rabos quebrados indicam problemas de manejo do rebanho. Porém, é importante considerar que a evidência de rabo quebrado permanecerá por toda a vida do animal, portanto, observar isso no rebanho pode demonstrar problemas antigos de manejo e não necessariamente problemas atuais. Assim, é importante estabelecer quando e como ocorreu a lesão para reduzir o risco no futuro. Lembre-se de que a amputação do rabo (imagem 72) é dolorosa e desnecessária. Por isso, é preciso determinar também quando foi realizada. Bom: Ausência de vacas com rabos quebrados, incluindo rabos tortos, amputados ou lesionados. Ruim: Presença de uma ou mais vacas com rabos quebrados, incluindo rabos tortos, curtos ou lesionados. Imagem 71 Imagem 72
  • 45. BEM-ESTAR ANIMAL 34 III.SAÚDEADEQUADA 30. Ausência de vacas com quartos não funcionais: Corresponde a um IDI associado a problemas de cronicidade de quartos mamários infectados subclinicamente devido à mastite clínica recorrente ou podem ser não funcionais desde a criação. Para avaliar este indicador, recomenda-se observar tetos soltos durante a ordenha nos animais da amostra (quadro 1) e/ou analisar o controle leiteiro em busca de quartos secos. Depois de contabilizá-los, calcula-se a porcentagem de quartos não funcionais com base no total de quartos da amostra (resultado da multiplicação do número de animais da amostra por 4). Bom: < 2% de quartos não funcionais. Regular: entre 2 e 5% de quartos não funcionais. Ruim: > 5% de quartos não funcionais. 31. Ausência de vacas com tetos amputados: este é um IDI que indica a realização de uma prática que não deve ser executada em nenhuma circunstância como protocolo e cuja finalidade é descartar quartos crônicos da ordenha, condição que estaria associada geralmente a mastite clínica recorrente sem cura. A única exceção é em caso de acidente ou traumatismo severo de um teto cujo esfíncter esteja comprometido, ou em caso de cortes transversais, e a resolução seria a amputação completa com a devida assepsia, anestesia local e analgesia por parte de um médico veterinário. Bom: ausência de quartos amputados. Ruim: presença de um ou mais quartos amputados (imagem 73). Imagem 73 32. Recontagem de células somáticas (CCS): corresponde a um IIN de saúde mamária de todas as vacas em ordenha, pois é mensurado a partir da média individual informada pelo controle leiteiro. Recomenda-se o manejo mensal para garantir uma boa saúde mamária. As células somáticas correspondem a células da linha branca e células epiteliais contidas em 1 ml de leite, e seu aumento indica a presença de um problema de saúde mamária, por exemplo, em caso de mastite. Se a propriedade não tiver controle leiteiro, recomenda-se analisar a CCS das liquidações mensais.
  • 46. 35 III.SAÚDEADEQUADA Bom: CCS inferior a 200.000 células/ml. Regular: CCS entre 200.000 e 300.000 células/ml. Ruim: CCS superior a 300.000 células/ml. 33. Pontuação de locomoção: trata-se de um IDI que avalia a locomoção dos animais, que se altera quando existem patologias podais dolorosas. Para avaliar a manqueira e as claudicações, as vacas são observadas à medida que saem da sala de ordenha sobre uma superfície plana, quando geralmente caminham em fila, o que facilita a observação (é importante permanecer em um lugar que não atrapalhe o fluxo dos animais). É preciso observar uma amostra do total de animais de acordo com as indicações do quadro 1 ou uma amostra por cada lote, se for o caso. Será atribuída a cada animal uma pontuação de acordo com a imagem 74. Para e caminha normalmente. As quatro extremidades bem alinhadas. O tempo e o peso de apoio é igual nos quatro membros. Para com as costas planas ou arqueadas. Caminha com as costas arqueadas. Peso anormal. Caminha de forma irregular. O tempo e o peso de apoio não é igual nos quatro membros. Não é possível identificar a extremidade que manca. Para e caminha com as costas arqueadas. Favorece uma ou mais extremidades. É possível identificar facilmente a extremidade afetada. O apoio dos membros afetados é reduzido. Definição clara da extremidade que manca. Normal Anormalidade no deslocamento Manqueira Imagem 74: Pontuação de locomoção de vacas leiteiras.
  • 47. BEM-ESTAR ANIMAL 36 III.SAÚDEADEQUADA Depois de obter os resultados, somam-se as vacas com pontuação de 2 a 3 e se calcula a porcentagem de claudicação com base no total da amostra: Bom: menos de 5% das vacas observadas mancam. Regular: 5 a 15% das vacas mancam. Ruim: 15% das vacas observadas ou mais mancam. G. Ausência de dor ou estresse 34. Ausência de outros animais na sala de ordenha: este é um IIN de bem-estar que avalia a presença de outras espécies animais na sala de ordenha (entre elas, pragas como moscas e roedores). Isso é importante porque, dependendo da espécie presente (gatos, cães, aves, insetos), pode haver transmissão de doenças para as vacas ou esses agentes podem causar estresse. Assim, a saúde e a produção de leite dos animais poderiam ser afetadas. Bom: ausência de outros animais no interior da sala. Regular: ausência de outros animais durante a ordenha, mas presença de pragas. Ruim: livre acesso de outros animais e presença de pragas na sala durante a ordenha. 35. Uso de analgésicos e anestésicos em procedimentos dolorosos: este é um IIN que avalia a preocupação ao realizar procedimentos, como amochamento/descorna, cirurgias, intervenções podais ou outros que causam dor, com analgésico e/o anestésico para controlar a dor. Isso é importante porque a dor gera uma resposta de estresse no animal, levando a uma liberação de cortisol e outras substâncias que terão efeito negativo sobre o comportamento e a produção de leite. Bom: uso de medicação analgésica ou anestésica para acompanhar os procedimentos que podem causar dor. Os fármacos estão presentes na caixa de primeiros socorros e há evidências de que são usados nos registros da propriedade. Ruim: não são utilizados.
  • 48. 37 III.SAÚDEADEQUADA 36. Manejo da dor em caso de doença: é um indicador indireto que, tal como o anterior, avalia o manejo da dor em patologias dolorosas, como as claudicações e a mastite, entre outras. Bom: uso de medicação analgésica ou anestésica, de acordo com a necessidade, para acompanhar os tratamentos de doenças que causam dor. Os fármacos estão presentes na caixa de primeiros socorros e há evidências de que são usados nos registros da propriedade. Ruim: não são utilizados.
  • 50.
  • 51. BEM-ESTAR ANIMAL 38 IV.CONDUTAAPROPRIADA IV. CONDUTA APROPRIADA H. Expressão de condutas sociais 37. Expressão de condutas sociais positivas: Trata-se de um IDI que avalia a possibilidade de que as vacas apresentem interações positivas entre si, como higienização (Imagens 75 e 76). Pode ser avaliado na sala de espera ou no alojamento das vacas. Deve-se observar, no mínimo, por 10 minutos. Imagem 75 Imagem 76 Bom: o sistema de alojamento ou a sala de espera permite que haja interações positivas, como higienização entre os animais. Regular: menos de 10% dos animais apresentam condutas negativas, como agressões, deslocamentos e cabeçadas. Ruim: mais de 10% dos animais apresentam condutas negativas, como agressões, deslocamentos e cabeçadas.
  • 52. 39 IV.CONDUTAAPROPRIADA I. Expressão de outras condutas 38. Comportamento durante a ordenha: é um IDI que pode ser útil para identificar desconforto, dor ou medo durante a ordenha mediante a observação de condutas animais, como pisotear o local, dar patadas, defecar, urinar ou vocalizar durante a ordenha. No Anexo 11, encontram-se mais detalhes sobre essas condutas. Bom: os animais estão tranquilos, não dão passos no lugar nem patadas no ar, não defecam, urinam nem vocalizam durante a ordenha (Imagens 77 e 78). Imagem 78 Regular: menos de 20% dos animais da manada não estão tranquilos durante a ordenha, dão passos no lugar, patadas no ar, urinam, defecam ou vocalizam. Ruim: 20% dos animais da manada ou mais dão passos no lugar, dão patadas, defecam, urinam ou vocalizam durante a ordenha. Imagem 77
  • 53. BEM-ESTAR ANIMAL 40 IV.CONDUTAAPROPRIADA J. Interação humano-animal 39. Tratamento das vacas durante a ordenha: Este é um IIN que avalia o tratamento dado pelo operário às vacas. Atitudes negativas por parte do operário podem resultar em estresse, medo ou dor, que influenciam negativamente a produção de leite. Consulte o Anexo 12 com um questionário que pode complementar o que foi observado para a avaliação da interação do operário com os animais. Bom: As vacas entram sozinhas na sala de ordenha, sem intervenção do operário, e se posicionam na contenção. Regular: o operário assobia ou toca as vacas para que se desloquem até a sala. Ruim: mais de 50% das vacas não entram sozinhas na sala de ordenha, e há intervenção do operário, que vai até o corredor das vacas para apressá-las com gritos e/ou golpes, ou até mesmo incitando-as com elementos de condução de rebanho proibidos. 40. Tratamento das vacas durante a condução do rebanho: É um indicador direto que avalia o comportamento das vacas enquanto são conduzidas até ou a partir da sala de ordenha. As vacas devem caminhar em seu próprio ritmo, sem serem apressadas em momento algum. O passo normal da vaca é quando pisa com um membro posterior no local onde pisou com o membro anterior do mesmo lado. O trote voluntário durante a condução do rebanho é aceito, mas o trote para apressar as vacas não. Passos mais curtos que o normal são considerados um problema: ou a qualidade do piso não é boa ou há dor. Se o uso de elementos de condução de rebanho inapropriados ou proibidos, gritos, cães não treinados etc. for observado, isso deverá ser registrado. O uso de bandeiras, bandeirolas e plumas é permitido, mas é importante lembrar que o elemento de condução do rebanho nunca deve ter contato com o animal, apenas dirigi-lo. Bom: caminham em seu próprio ritmo o tempo todo. Não são apressadas durante a condução do rebanho e formam uma fila indiana enquanto avançam (Imagens 79 e 80).
  • 54. 41 IV.CONDUTAAPROPRIADA Imagem 79 Imagem 80 Regular: caminham sem trotar nem galopar, mas andam amontoadas, não em fila. Ruim: São apressadas, com ou sem gritos e/ou castigos, durante a condução do rebanho (Imagens 81 e 82). Imagem 81 Imagem 82
  • 55. BEM-ESTAR ANIMAL 42 IV.CONDUTAAPROPRIADA K. Estado emocional 41. Distância da zona de fuga: é um IDI que avalia a distância mínima que devemos ter da vaca sem que ela se retire (avaliação deve ser realizada por alguém da propriedade). Deve-se avaliar em um local em que as vacas tenham liberdade para se retirar quando alguém se aproxima. A forma de aproximação é em direção à cabeça da vaca, com avanço lento em direção a ela (passo, pausa, passo) e o braço formando um ângulo de 45º com o solo e a palma da mão voltada para baixo (não mostrar as "garras"), na tentativa de chegar suficientemente perto como se fosse tocar o animal (imagem 83). Em quase todas as propriedades há uma ou duas vacas especialmente mansas, que se deixam tocar e não se afastam de quem as toca (imagem 84). Essas vacas não devem ser consideradas na avaliação da distância de fuga. Faça o teste com 6 a 10 vacas é suficiente e considere a distância que se repete na maioria das vacas avaliadas. Imagem 83 Imagem 84 Bom: menos de 1 m da vaca da qual é mais possível se aproximar. Regular: de 1 a 2 m da vaca da qual é mais possível se aproximar. Ruim: mais de 2 m da vaca da qual é mais possível se aproximar.
  • 56.
  • 57. V. NORMATIVA NACIONAL VIGENTE DO CHILE
  • 58.
  • 59. BEM-ESTAR ANIMAL 43 V.NORMATIVANACIONALVIGENTEDOCHILE L. Implementação da normativa 42. Presença de um responsável pelos animais 5 : Para garantir um bom manejo do rebanho e reconhecer fatores que podem afetar o bem-estar animal, cada estabelecimento de produção industrial pecuária deve ter um "Responsável pelos animais". O Responsável pelos animais é uma pessoa que demonstre ser capacitado em relação à normativa de Bem-estar animal, além de conceitos de manejo e comportamento animal mediante um curso e OTEC reconhecidos pelo SAG (Art. 3º do Decreto 29, Lei sobre proteção animal 20.380, SAG – Regulamento sobre proteção dos animais), ou ser técnico/profissional do ramo agropecuário (detalhes sobre a Lei 20.380 no Anexo 13). Os demais trabalhadores do estabelecimento devem ter a capacidade e os conhecimentos técnicos suficientes para fornecer o cuidado necessário aos animais, que estão sob a supervisão e a responsabilidade da pessoa qualificada como responsável pelos animais. Bom: há um "Responsável pelos animais". Ruim: não há um "Responsável pelos animais". 43. Implementação de um plano de contingência 6 : ocasionalmente podem ocorrer eventos adversos que comprometem o bem-estar dos animais e exigem a tomada de decisões imediatas. Esses eventos podem ser decorrentes de desastres naturais (terremotos, erupções vulcânicas, inundações etc.), problemas técnicos (falhas de energia elétrica) ou causas humanas (incêndio, acidente). Por conta disso, a propriedade deve contar com um plano de contingência ou plano de ação para antecipar e dar uma resposta rápida a esse tipo de situação. De acordo com a Lei sobre proteção animal 20.380 e seus decretos 28, 29 e 30, o plano deve ser composto por quatro fases: 1. Prevenção e mitigação 2. Resposta 3. Preparação e 4. Recuperação, e deve conter as indicações para realizar um sacrifício de emergência. Bom: há um plano de contingência, a equipe o conhece e está capacitada para responder a uma emergência. Ruim: não há um plano de contingência e a equipe não está capacitada para responder a uma emergência. (5) MAIS INFORMAÇÕES (6) MAIS INFORMAÇÕES
  • 60.
  • 61. IMPACTO DO BEM-ESTAR ANIMAL NA RENTABILIDADE DA PROPRIEDADE LEITEIRA
  • 62.
  • 63. BEM-ESTAR ANIMAL 44 IMPACTODOBEM-ESTARANIMALNA RENTABILIDADEDAPROPRIEDADELEITEIRA COMO O BEM-ESTAR ANIMAL IMPACTA OS RESULTADOS ECONÔMICOS DA PROPRIEDADE? O Bem-estar animal é a pedra angular da produção de leite, uma ferramenta fundamental para a lucratividade das fazendas e um recurso que deve distinguir nosso setor frente aos consumidores. Os animais de produção, incluindo os bovinos, como seres sencientes, devem ter a uma vida produtiva, em que tenham as condições necessárias para o seu bem-estar, o que pode ser considerado uma oportunidade para os produtores de leite, pois essas condições resultam em um retorno econômico. Animais com conforto e condições de saúde adequadas são capazes de demonstrar seu potencial genético. Situações de desconforto, condição corporal inadequada ou doença em vacas em lactação resultam em perdas produtivas e reprodutivas que não são evidentes aos nossos olhos, geralmente sendo muito maiores que as perdas nos tratamentos e/ou descarte de um animal. MÁXIMO POTENCIAL PRODUTIVO Condições e manejo que evitam o estresse Interação vaca-homem e ordenha tranquila Prevenção de doenças, diagnóstico e tratamentos oportunos Abrigo, proteção e áreas de descanso Nutrição correta e disponibilidade de água fresca e de qualidade Imagem 89. Cinco bases do bem-estar animal de animais que, como resultado, promovem sua produtividade.
  • 64. 45 IMPACTODOBEM-ESTARANIMALNA RENTABILIDADEDAPROPRIEDADELEITEIRA Alguns dos pontos que dificultam o aprimoramento do bem-estar animal no nível da propriedade são o desconhecimento do impacto econômico que isso gera e a ideia de que qualquer melhoria requer um alto investimento de capital quando, na realidade, muitos deles exigem baixo investimento de capital e estão principalmente associados ao treinamento, pois exigem a implementação de manejo adequado, boa interação dos operários com os animais, prevenção de doenças e tratamento oportuno. Isso tudo, longe de ser um gasto, resultará na maximização de tempo e recursos. Este protocolo fornece a seguir dados e tabelas sobre o retorno econômico de um bom manejo para ajudar a orientar a tomada de decisões no nível da propriedade e estimar o custo-benefício da implementação ou melhoria do manejo, da infraestrutura ou das tecnologias em termos de alojamento, conforto térmico, saúde das mamas, saúde dos pés e interação humano-animal. 1. Alojamento Um tempo de descanso adequado é fundamental para vacas leiteiras, que precisam de pelo menos 12 horas para se deitar por dia. Um local de descanso limpo, seco e confortável está associado a um maior tempo de descanso, melhor saúde e melhor produtividade. Melhorar o conforto dos cubículos pode aumentar a produção de leite em 1 a 1,5 litros por vaca por dia, como resultado de um aumento de 25 a 50% do fluxo sanguíneo para o úbere quando a vaca está deitada (descansando). Um estudo avaliou a produção de leite por lactação (ajustado para 305 dias) e a maciez das camas em 1.923 fazendas leiteiras na Noruega. Para todos os partos (1, 2, 3 e > 3), os cubículos mais macios foram associados ao aumento da produção de leite. A Tabela 1 resume esses dados com uma pontuação de 1 a 5 em relação à maciez dos cubículos, em que 5 é o mais macio:   NÍVEL DE CONFORTO DA CAMA Nº de partos 1. Concreto 2. Borracha 3. Colchão macio 4. Multicamadas 5. Colchão 1 6.237 6.252 6.347 6.596 6.433 2 7.134 7.037 7.318 7.547 7.432 3 7.522 7.481 7.715 7.830 7.850 > 3 7.373 7.394 7.585 7.455 7.716 Média 6.920 6.897 7.084 7.231 7.193 Tabela 1. Produção 305-d (l) pelo número de partos em cubículos com cama de diferentes níveis de conforto nas propriedades norueguesas (Ruud et al., 2010).
  • 65. BEM-ESTAR ANIMAL 46 IMPACTODOBEM-ESTARANIMALNA RENTABILIDADEDAPROPRIEDADELEITEIRA A Universidade de Winsconsin (Estados Unidos) realizou um estudo para registrar durante três anos a resposta na produção e na saúde de um rebanho ao aumentar o tamanho dos cubículos e colocar camas mais macias no free stall. O estudo indicou que o retorno sobre o investimento oscilou entre 0,5 e 3 anos (média de 1,9 anos). A maioria das renovações foi realizada por um custo razoável e, na maior parte dos casos, os agricultores forneceram toda ou parte da mão de obra. Os benefícios observados foram: • Maior produção de leite (1,5 a 6,5 litros por vaca ao dia) • Menores taxas de eliminação (-6% a -13%) • Recontagem de células somáticas mais baixas (-37.000 a -102.000) • Menos manqueira (-15% a -20%) Além disso, a Tabela 2 apresenta uma lista de perdas econômicas associadas a densidades animais superiores às recomendadas em confinamento, que também estão relacionadas a cubículos insufici- entes e dimensões e/ou número de comedouros inapropriados para o número de animais alojados. MUDANÇAS NA CONDUTA RESULTAM EM PERDAS ECONÔMICAS: Aumento da agressão e do deslocamento em comedouros Menor produção de leite Aumento do tempo de alimentação Menor produção de gordura Redução do tempo de descanso Aumento da recontagem de células somáticas Aumento de animais parados em corredores Mais problemas de saúde Diminuição da ruminação Aumento da manqueira Subordinação principalmente de vacas de primeiro parto e mancas Menor taxa de prenhez Tabela 2. Alterações comportamentais observadas em vacas devido à alta densidade animal e seu impacto nos indicadores econômicos (Grant e Miner, 2015). 2. Conforto térmico7 A condição de estresse térmico aumentou entre 2010 e 2015 para as diferentes macrozonas leiteiras, desde a RM até Los Lagos (Anexo 5), com concentração das horas de maior estresse térmico entre os meses de dezembro a março. Durante a estiagem, a condição de estresse térmico pode ser prolongada para até 10 horas por dia, gerando perdas de produção, reprodução e bem-estar animal. (7) MAIS INFORMAÇÕES
  • 66. 47 IMPACTODOBEM-ESTARANIMALNA RENTABILIDADEDAPROPRIEDADELEITEIRA A Tabela 3 mostra as perdas de produção com base nos dados climáticos, de acordo com as informações coletadas entre 2010 e 2015. Essas perdas poderiam ser mitigadas com a implementação de medidas que facilitam o resfriamento dos animais: Zona leiteira MÊS J F M A M J J A S O N D Macrozona 1 2,9 2,3 1,9 0,8 0,1 0,0 0,0 0,1 0,2 0,6 1,3 2,2 Macrozona 2 1,7 1,3 0,9 0,2 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,2 0,6 1,3 Macrozona 3 1,6 1,0 0,7 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,1 0,3 0,9 Macrozona 4 1,3 0,8 0,4 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,1 0,6 Macrozona 5 1,0 0,5 0,2 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,1 0,4 Macrozona 6 0,5 0,3 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,1 Macrozona 7 0,6 0,4 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,3 Macrozona 8 1,2 0,6 0,3 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,1 0,5 Tabela 3. Perda da produção de leite (litros por vaca por dia) devido ao efeito do estresse térmico de acordo com a macrozona e o mês. Macrozona Perda de produção por dia/vaca (l) Perda de produção por dia/lote (l) Perda de produção por 30 dias/lote (l) Preço por litro (exemplo) Perda em pesos Macrozona 1 2,9 870 26.100 $ 200 $ 5.220.000 Macrozona 2 1,7 510 15.300 $ 200 $ 3.060.000 Macrozona 3 1,6 480 14.400 $ 200 $ 2.880.000 Macrozona 4 1,3 390 11.700 $ 200 $ 2.340.000 Macrozona 5 1,0 300 9.000 $ 200 $ 1.800.000 Macrozona 6 0,5 150 4.500 $ 200 $ 900.000 Macrozona 7 0,6 180 5.400 $ 200 $ 1.080.000 Macrozona 8 1,2 360 10.800 $ 200 $ 2.160.000 Tabela 4. Exemplo de estimativa do impacto econômico em um rebanho leiteiro de 300 vacas com uma produção média diária de 25 litros por dia durante o mês de janeiro, de acordo com os dados da Tabela 3.
  • 67. BEM-ESTAR ANIMAL 48 IMPACTODOBEM-ESTARANIMALNA RENTABILIDADEDAPROPRIEDADELEITEIRA Lembre-se de que se somam ao ganho de produtividade resultante da mitigação do estresse térmico sofrido pelos animais a recuperação da eficiência reprodutiva e a longevidade do rebanho. 3. Saúde do úbere8 : A mastite é considerada a doença mais frequente em rebanhos leiteiros e de maior custo nos países desenvolvidos (Seegers et al., 2003). A assessoria sobre o benefício econômico de um programa de controle de mastite é evidente ao avaliar os custos e as perdas econômicas que a doença acarreta em comparação ao conhecimento dos custos de sua implementação. Mastite subclínica (MSC) Amastite subclínica, cuja frequência é de 20 a 50 vezes maior que a mastite clínica, gera um grande impacto na produção de leite porque, por não ser possível medir sua dimensão, é subestimada, pois produz perdas crônicas de produtividade com alterações imperceptíveis no leite, o que geralmente faz com que as medidas sejam tomadas tardiamente e quando o procedimento de cura é muito caro. 80% das perdas na produção de leite são causadas por mastite subclínica (Kleinschoth, 1991). Entre os principais fatores que causam perdas devido à presença de mastite subclínica, podem-se mencionar os seguintes: a) Diminuição na produção de vacas afetadas (principal perda). b) Custo de tratamentos antimastíticos em alguns casos de MSC. c) Perda de quartos mamários com infecções crônicas e descarte de vacas. d) Assistência médico-veterinária e diagnóstico. e) Punição pelas indústrias de processamento devido à alta CCS. Embora a mastite subclínica não envolva custos diretos, o úbere infectado produz 5% menos leite para cada 100.000 células somáticas adicionais por ml de leite. (Bedolla, 2008) CCS estagnada % de perda por aumento da CCS Produção em 30 dias (l) Bonificação ou punição sobre a base* por CCS (CLP$/l) Liquidação mensal Perda mensal em CLP$ 0 a 50.000 0 225.000 10 47.250.000 0 50.001 a 100.000 5 213.750 10 44.887.500 2.362.500 100.001 a 200.000 10 202.500 10 42.525.000 4.725.000 200.001 a 300.000 15 191.250 10 40.162.500 7.087.500 300.001 a 400.000 20 180.000 7 37.260.000 9.990.000 400.001 a 500.000 25 168.750 0 33.750.000 13.500.000 500.001 a 600.000 30 157.500 -10 29.925.000 17.325.500 Tabela 5. Cálculo da estimativa do impacto econômico da mastite subclínica como resultado da diminuição da produção e da redução da bonificação ou punição por altas contagens de células somáticas (CCS). (8) MAIS INFORMAÇÕES
  • 68. 49 IMPACTODOBEM-ESTARANIMALNA RENTABILIDADEDAPROPRIEDADELEITEIRA Mastite clínica (MC) A mastite clínica causa dor, altera inclusive o comportamento da vaca em lactação, reduzindo até o consumo de matéria seca. Por isso, a prevenção e o tratamento adequado e oportuno são essenciais para o bem-estar das vacas. A mastite clínica causa perdas econômicas significativas decorrentes de: a) Diminuição ou perda total, temporária ou permanente da secreção láctea do animal. b) Custo por reposição de animais. c) Leite descartado durante o período de tratamento e repouso. d) Custos de tratamento (antibióticos e anti-inflamatórios). e) Trabalho extra dos operadores ao atender casos de MC. f) Assistência médico-veterinária e diagnóstico. g) Perda do potencial genético. A mastite em propriedades leiteiras é uma doença de alto custo. O National Mastitis Council estimou o custo da mastite clínica em US$ 184 (Tabela 6), enquanto nos países nórdicos o custo varia de US$ 215 a US$ 460 (Heringstad et al., 2000). TIPO DE PERDA PERDA POR VACA (US$) % DO TOTAL Produção de leite 121 66 Leite descartado 10,45 5,7 Custos de reposição 41,73 22,6 Trabalho extra 1,14 0,1 Tratamentos 7,36 4,1 Serviços veterinários 2,72 1,5 TOTAL 184,4 100 Tabela 6. Estimativa de perdas anuais por mastite clínica (NMC, 1996). Considerando uma taxa de câmbio de CLP$ 670, o custo se traduz em CLP$ 123.280. O aspecto dramático das perdas por mastite é que o produtor não reconhece as duas principais perdas: perdas de produção e perdas de reposição (Báez, 2002) que, somadas, chegam a 88,6% da perda total. Um estudo realizado em vacas Holando-Argentino em rebanhos pastoris e semipastoris com produção média por animal por dia entre 25 e 30 litros, de acordo com o número de bezerros, mostrou que a perda na produção individual devido à lactação como resultado de um episódio de MC chega a 321 litros (referência). Nesse contexto, a Tabela 7 mostra o impacto econômico em um rebanho com uma incidência mensal de 5% de MC:
  • 69. BEM-ESTAR ANIMAL 50 IMPACTODOBEM-ESTARANIMALNA RENTABILIDADEDAPROPRIEDADELEITEIRA Rebanho 300 VO 8.000 l por lactação % de incidência mensal de mastite clínica Total de casos por ano Perda em litros por vaca por lactação em um episódio de mastite clínica Perda total por ano em litros Perda anual em CLP$ 5 180 321 57.780 11.556.000 Tabela 7. Impacto econômico anual devido à diminuição da produção por MC em um rebanho de 300 vacas leiteiras (VO) com uma produção de lactação padronizada média de 8.000 litros. 4. Saúde dos cascos9 : Claramente, a claudicação é uma doença de alto custo, e a redução de sua incidência tem um impacto favorável no lucro da propriedade. As perdas econômicas devido à claudicação são altas e provêm de (Grant e Minner, 2015): a) Diminuição da produtividade devido ao menor consumo de matéria seca e desequilíbrio nutricional. b) Problemas reprodutivos devido à perda de condição corporal e desequilíbrio nutricional. c) Eliminação prematura de vacas por morte ou descarte. Aumento do custo de reposição e/ ou baixo valor de venda (as vacas mancas duplicam o risco de descarte). d) Custos dos tratamentos. e) Trabalho extra dos operários para o tratamento de animais. f) Assistência e diagnóstico médico-veterinário. Um estudo de Hernandez et al. Em que 154 (31%), 214 (43%) e 131 (26%) vacas foram classificadas como vacas saudáveis, moderadamente mancas e mancas, respectivamente, o tempo entre o parto e a prenhez foi de 36 a 50 dias maior em vacas mancas em comparação a vacas saudáveis. Perdas produtivas devido à lactação padronizada atingem, em média, 360 kg devido a episódios de claudicação (Green et al., 2002). É importante enfatizar que as perdas econômicas resultantes das doenças surgem principalmente das consequências da patologia e não do custo do tratamento (Tabelas 8 e 9). (9) MAIS INFORMAÇÕES
  • 70. 51 IMPACTODOBEM-ESTARANIMALNA RENTABILIDADEDAPROPRIEDADELEITEIRA CUSTO DO TRATAMENTO CLÍNICO POR VACA Custo visível DETALHE CUSTO (CLP$) Produto tópico 300 Antibiótico sistêmico sem repouso 15.600 Anti-inflamatório 8.600 Bandagem coadesiva 1.400 Taco de borracha 1.600 Adesivo para taco 3.900 Mão de obra 10.000 TOTAL 41.400 Tabela 8. Custo real do tratamento de um animal com claudicação clínica. (Fonte: Jose Borkert, comunicação pessoal.) Este exemplo considera apenas um membro comprometido, mas é muito comum que ocorra lesão em outro membro quando um já está ferido, devido à sobrecarga. PERDAS ESTIMADAS POR CASO CUSTO ESTIMADO POR 300 VACAS CLP$ 2% dos casos resultam em morte 1,2 mortes x $ 750.000 por custo de reposição $ 900.000 20% dos casos resultam em sacrifício 12 sacrifícios x $ 750.000 - $ 120.000 (custo de reposição - venda) $ 7.560.000 350 litros de leite perdido em cada caso 350 litros x 60 casos x $ 200 por litro de leite $ 4.200.000 28 dias abertos a mais por cada caso x $ 2.600/dia $ 72.800 por caso x 60 vacas com algum problema de manqueira $ 4.368.000 $ 11.700 em custos de tratamento por caso $ 11.700 x 60 casos $ 702.000 $ 10.000 em custos de mão de obra por caso $ 10.000 x 60 casos $ 600.000   Custo total por 60 vacas com algum problema de manqueira $ 18.330.000   Custo por vaca $ 305.500 Tabela 9. Exemplo do impacto econômico da claudicação em uma propriedade de 300 vacas leiteiras, considerando uma prevalência de 20% dos casos que sofrem de algum grau da doença. (Fonte: José Borkert, adaptado de Dr. Chuck Guard, Universidad de Cornell, EUA.)
  • 71. BEM-ESTAR ANIMAL 52 IMPACTODOBEM-ESTARANIMALNA RENTABILIDADEDAPROPRIEDADELEITEIRA Amanqueira tem um impacto significativo na produção de leite. Essas informações são relevantes na avaliação do impacto econômico desta doença e seu impacto na saúde das vacas, valorizando a importância da prevenção (corte preventivo dos cascos e manutenção adequada dos caminhos), detecção precoce de animais com manqueira clínicoa e realização de tratamentos oportunos. 5. Interação humano-animal (IHA) Um bom tratamento dos animais em comparação ao tratamento agressivo de vacas, especialmente na sala de ordenha, resulta em 3,5 a 13% de aumento na produção de leite (Grant e Miner, 2015). REBANHO Aumento de produção por boa IHA (%) Aumento de produção por vaca/ lactação por boa IHA (l) Aumento de produção por rebanho/ lactações por boa IHA (l) Preço por litro (exemplo) Entrada em pesos Ordenha média anual de 300 vacas com produção média por lactação de 8.000 l 3,50% 280 84.000 $ 200 $ 16.800.000 13% 1.040 312.000 $ 200 $ 62.400.000 Tabela 10. Impacto econômico anual da implementação de boa IHA em um rebanho de 300 vacas com uma produção de lactação padronizada média de 8.000 litros. Curiosamente, a produção de leite aumenta 3,6% quando os ordenhadores fazem vocalizações e contato físico positivo com as vacas. Um manejo agradável em vez de agressivo: • Reduz o tempo médio de entrada na sala de ordenha em 39%. • Diminui a defecação na sala em 6 vezes. • Faz com que as vacas abordem os seres humanos de maneira mais rápida e livre. • Diminui a distância de fuga em 5 vezes (vacas menos nervosas e com menos medo). O que foi mencionado acima parece ser importante, portanto, vale a pena ser tranquilo e atencioso ao interagir com vacas leiteiras. A implementação de uma boa interação humano-animal não tem custo algum.
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  • 74.
  • 75. BEM-ESTAR ANIMAL 53 ANEXOS Anexo 1 Condição corporal (CC). Pontos principais de observação quando vistos de lado e por trás para definir a pontuação do CC: Vértebras lombares (costelas de ripa)   Ligamento do rabo Ílio (tuberosidade ou asa)   Linha entre ílio e ísquio (quadril) Ísquio (tuberosidade ou asa)   Base do rabo Osso do rabo   Ligamento do sacro PONTUAÇÃO CC VÉRTEBRAS LOMBARES VISÃO POSTERIOR DA LINHA ENTRE QUADRIS VISÃO LATERAL DA LINHA ENTRE ÍLIO E ÍSQUIO VISÃO LATERAL E POSTERIOR DAS CAVIDADES E BASE DO RABO Subcondição extrema Bordas ósseas angulosas Bordas ósseas marcadas Bordas arredondadas Estrutura equilibrada Bordas se perdem sob a camada de gordura Sobrecondição extrema Camada de gordura extrema Imagem 85. Pontos a considerar e gráfico para avaliar a condição corporal em vacas leiteiras. Adaptação de imagem cedida pela Bayer Animal Health.
  • 76. 54 ANEXOS Anexo 2 Dimensões e disponibilidade dos bebedouros: Abaixo estão os parâmetros que determinam se os bebedouros disponíveis suportam o consumo diário de água dos animais. SUPERFÍCIE LINEAR ALTURA* PROFUNDIDADE DA ÁGUA VOLUME DE BEBEDOUROS COLETIVOS ABASTECIMENTO DE ÁGUA (capacidade da válvula de enchimento) Nº RECOMENDADO DE BEBEDOUROS 10 a 12 cm por animal adulto 60 a 90 cm do solo Mínimo de 10 cm Idealmente 200 a 300 l 20 l/min por vaca 2 a 3 por grupo de animais ** * Para vacas Jersey adultas, reduza a altura do bebedouro em 5 a 8 cm. ** Recomendação para garantir mais fontes, evitando problemas de acesso devido à hierarquia, com base nas recomendações anteriores. Quadro 3. Dimensões e recomendações para o uso de bebedouros. Adaptado de "Instalações para maximizar o bem-estar animal e a produção de leite: a importância da água de bebida" (em espanhol). Cálculo de capacidade do bebedouro:  Bebedouro retangular: Os resultados estão em metros cúbicos que equivalem a 1.000 l cada um (cm/100): Largura em metros (cm/100) x Comprimento em metros x Altura disponível da água em metros Altura disponível: superfície da água até uma profundidade que o animal possa beber quando o nível da água cair ao mínimo (corte de água). ALTURA LARGURA
  • 77. BEM-ESTAR ANIMAL 55 ANEXOS Bebedouro circular: Os resultados estão em metros cúbicos que equivalem a 1.000 l cada um. Aplique dimensões em metros à fórmula: Diâmetro x 3,14 x altura da água disponível CIRCUNFERÊNCIA DIÂMETRO RAIO Anexo 3 Dimensões da contenção ou salas de ordenha: As contenções ou salas de ordenha devem ter medidas que permitam o conforto da vaca, dependendo do tamanho de sua raça. Na imagem a seguir, você encontrará as medidas recomendadas para uma sala do tipo espinha de peixe comum nos sistemas de fazendas do país. Imagem 86. Medidas recomendadas para salas de ordenha do tipo espinha de peixe para um rebanho Holstein-Frísia médio.
  • 78. 56 ANEXOS Anexo 4 Recomendações sobre luminosidade em instalações: Lembre-se de que você pode usar um luxímetro ou aplicativos de smartphone para quantificar a luminosidade. A iluminação de uma área depende tanto do número de fontes de luz (naturais e/ou artificiais) quanto das características da fonte de luz artificial presente, por exemplo: • Luzes de cor clara e quente (amarelada) oferecem iluminação de 180 a 200 lux. • Luzes de cor mais fria (branco brilhante) oferecem iluminação de 150 lux. • Hoje, com a pesquisa baseada na luz azul, sabemos que podemos trabalhar com níveis mais baixos de graus de lux, por exemplo: 100 a 130 lux. A iluminação adequada nas instalações onde as vacas em lactação estão alojadas e na sala de ordenha permite:  Aumentar a produtividade da vaca em lactação.  Melhorar os níveis de imunidade no gado.  Oferecer ao ordenhador um melhor ambiente de trabalho, aumentando o nível de segurança e conforto.  Maior bem-estar animal. Em instalações de acomodação, recomenda-se um nível médio de luz de 180 lux por 16 horas (máximo) e 8 horas de escuridão. Anexo 5 Dimensões da sala de espera: As medidas recomendadas para pátios de espera retangulares e circulares e o cálculo de suas dimensões. Pátio de espera retangular: NÚMERO DE VACAS ÁREA A COMPRIMENTO DO PÁTIO DE ESPERA (m) Jersey Holstein m2 B 6 m B 8 m B 10 m B 12 m 62 50 80 13,33 10,00 92 75 120 20,00 15,00 12,00 123 100 160 26,67 20,00 16,00 13,33 185 150 240 40,00 30,00 24,00 20,00 246 200 320 40,00 32,00 26,67 308 250 400 50,00 40,00 33,33 369 300 480 48,00 40,00 492 400 640 53,33 615 500 800 66,67 Quadro 4. Medidas recomendadas para um pátio de espera retangular de acordo com a raça. ÁREA: AxB
  • 79. BEM-ESTAR ANIMAL 57 ANEXOS Anexo 6 Pátio de espera circular: NÚMERO DE VACAS ÁREA COMPRIMENTO DA PORTA (m) Jersey Holstein m2 1/2 círculo 3/4 círculo Completo 138 113 180 10,70 8,80 7,60 154 125 200 11,30 9,20 8,00 169 138 220 11,90 9,70 8,40 185 150 240 12,40 10,00 8,80 200 163 260 12,90 10,50 9,10 215 175 280 13,40 10,90 9,50 231 188 300 13,90 11,30 9,80 246 200 320 14,30 11,70 10,00 262 213 340 14,70 12,00 10,40 277 225 360 15,20 12,40 10,70 292 238 380 15,60 12,70 11,00 308 250 400 13,10 11,30 346 281 450 13,80 12,00 385 313 500 14,60 12,60 408 331 530 15,00 13,00 438 356 570 13,45 477 388 620 14,00 508 413 660 14,50 538 438 700 14,90 Área da circunferência: Raio x raio x 3,14 Área da meia-lua: (Raio x raio x 3,14) ÷ 2 Estado da cerca perimetral da sala de espera: Recomendam-se as seguintes medidas evitar que as vacas se machuquem, pulem ou se fiquem presas nas barras. MURO PERIMETRAL ALTURA 20 CM VISÃO DE CIMA | Pátio de espera | Cerca geral Imagem 87. Recomendações de medidas para a cerca perimetral dos pátios de espera (E. Bombal). CIRCUNFERÊNCIA Diâmetro Raio
  • 80. 58 ANEXOS Anexo 7 Dimensões dos cubículos: As medidas a seguir são recomendadas para um cubículo confortável que garanta um tempo de descanso adequado para as vacas. TAMANHO DO ANIMAL L1 L2 L3 L4 L5 L6 L7 W H1 H2 Vacas < 500 kg 2.400 2.250 1.600-1.700 1.500-1.650 1.920-1.970 1.680 190-240 1.100 700 1.120 Vacas < 500 kg – 650 kg 2.600 2.450 1.750-1.799 1.700 2.020-2.069 1.680 290-339 1.200 900 1.120 Vacas < 650 kg – 750 kg 2.800 2.600 1.800 1.700-1.750 2.070 1.680 340 1.250 900 1.240 Vacas < 750 kg 2.800 2.600 1.800 1.800-1.850 2.070 1.680 340 1.300 900 1.240 Quadro 6. Medidas em milímetros recomendadas para o cubículo de acordo com o tamanho do animal (Bombal, E.).
  • 81. BEM-ESTAR ANIMAL 59 ANEXOS Anexo 8 Conforto térmico: Os quadros a seguir mostram as macrozonas leiteiras com o número de horas e horas de maior estresse térmico. Macrozonas Nome da macrozona Zona Comunas Zona central Regiões V, RM, VI e VII Casablanca, Curacaví, Panquehue, Melipilla, María Pinto, Isla de Maipo, Padre Hurtado, Pirque, Rancagua, Rengo, San Fernando, Chimbarongo, Curicó, Talca, Linares. Zona centro-sul Región VIII e noroeste Região IX Concepción, Los Ángeles, Tucapel, Yumbel, Chillán, Coihueco, San Carlos, Angol, Renaico. Zona sul IX Victoria, Lautaro, Vilcún, Temuco, Freire, Pitrufquén, Gorbea, Loncoche, Galvarino, Melipeuco, Nueva Imperial, Padre las Casas, Perquenco, Cholchol, Collipulli, Curacautín, Ercilla, Lonquimay, Los Sauces, Traiguén. Zona sul Planície central Região XIV Lanco, Máfil, Los Lagos, Paillaco, Valdivia, Corral, Mariquina. Zona sul Planície central Região X Río Bueno, Osorno, Purranque, Casma, San Pablo. Zona sul Planície central e oeste, norte da Ilha de Chiloé Região X Los Muermos, Maullín, Puerto Montt, Ancud, Calbuco, Castro, Chonchi, Curaco de Vélez, Dalcahue, Puqueldón, Queilén, Quellón, Qhemchi, Quinchao. Zona sul Pré-cordilheira dos Andes Regiões IX, XIV e X Villarrica, Panguipulli, Futrono, Lago Ranco, Puyehue, Rupanco, Puerto Octay, Frutillar, Llanquihue, Puerto Varas, Pucón, Cunco, Currarehue, Riñihue. Zona sul Pré-cordilheira da Costa Regiões XIV e X La Unión, Costa Osorno, Río Negro, Crucero, Fresia, San Juan de la Costa. Quadro 7. Macrozonas leiteiras. (Boletim Estrés calórico en Chile y opciones de mitigación, 2011) Macrozona Janeiro Fevereiro Março Dezembro MZ1 10h às 19h 10h às 19h 11h às 18h 10h às 18h MZ2 12h às 18h 12h às 18h 14h às 17h 13h às 17h MZ3 12h às 18h 12h às 18h 14h às 17h 14h às 17h MZ4 14h às 17h 15h às 17h - 14h às 15h MZ5 15h às 17h - - - MZ6 15h às 16h - - - MZ7 15h às 16h - - - MZ8 13h às 17h 15h às 17h - - Quadro 8. Período do dia em condições de estresse térmico de acordo com a macrozona e o mês do ano. (Boletim Estrés calórico en Chile y opciones de mitigación, 2011)
  • 82. 60 ANEXOS Macrozona 1 2 3 4 5 6 7 8 Horas de estresse térmico 1.335 656 477 323 243 99 145 194 Quadro 9. Horas de estresse térmico anual por macrozona leiteira do país. (Boletim Estrés calórico en Chile y opciones de mitigación, 2011) Quadro 10. Porcentagem de horas de estresse térmico por ano, de acordo com a macrozona leiteira do país. (Boletim Estrés calórico en Chile y opciones de mitigación, 2011) Anexo 9 Presença de ventilação: Recomendações para a implementação de um sistema de ventilação em instalações para vacas leiteiras. Para sua implementação, a distância máxima entre ventiladores deve ser limitada (não deve exceder o diâmetro dos ventiladores multiplicado por 10). Isso dependerá do ângulo do ventilador em relação ao chão (altura mínima: 2,7 m no limite inferior). O ângulo dos ventiladores depende de seu diâmetro (quanto maior o diâmetro, menor o ângulo). No caso de piquetes e meia-sombra baixa, os ventiladores podem ser colocados ao redor da sala, mas é importante que os fluxos não se oponham e que apontem na direção dos ventos predominantes.
  • 83. BEM-ESTAR ANIMAL 61 ANEXOS Ventilação Visão lateral do ventilador Ventilador Tubulação Imagem 88. Medidas recomendadas para sistemas de ventilação (E. Bombal). Anexo 10 Estado do caminho percorrido pelas vacas10 : Nos sistemas de confinamento e de pasto, o tamanho e as condições dos caminhos são essenciais para evitar a ocorrência de claudicação. Recomendação de dimensões para corredores de rebanhos estabulados: Tamanho do grupo Largura dos corredores < 150 vacas 4.300 mm 150-250 vacas 4.900 mm 251-400 vacas 6.100 mm > 400 vacas 7.300 mm Quadro 11. Largura recomendada do caminho para rebanhos estabulados com base no tamanho do rebanho ou lote (E. Bombal). (10) MAIS INFORMAÇÕES
  • 84. 62 ANEXOS Recomendação de dimensões para caminhos de rebanhos a pasto: As recomendações a seguir se concentram nos caminhos, ou seja, não possuem base de pavimento nem superfície de borracha (ruas) para o deslocamento de animais até e a partir da sala de ordenha. A largura do caminho deve estar de acordo com o tamanho do rebanho (especificamente o lote), deve ser (sem curvas) e não pode haver pontos de congestionamento. A inclinação em direção ao centro do caminho deve estar entre 3 e 5%, idealmente, chegando a 8% no máximo. Quantidade de vacas Largura ideal do caminho (a) Faixa de altura ao centro do caminho com uma inclinação de 3 a 5% (b) Altura máxima ao centro do caminho com uma inclinação de 8% (b) < 120 5,0 m 7,5 a 12,5 cm 20 cm 120 a 250 5,5 m 8,3 a 13,8 cm 22 cm 250 a 350 6,0 m 9 a 15 cm 24 cm 350 a 450 6,5 m 9,8 a 16,3 cm 26 cm 450 ou mais 7,0 m ou mais 10,5 a 17,5 cm 28 cm Quadro 12. Dimensões e inclinações recomendadas para caminhos de rebanho pastoris de acordo com o tamanho do rebanho ou lote. É importante considerar que a área de chegada/saída da sala de ordenha é um ponto crítico no caminho percorrido pelas vacas, apresentando os maiores problemas devido ao alto fluxo de animais, tratores e veículos. Deve haver um alargamento extra de 1 metro no caminho ao chegar à sala de ordenha e curvas sem ângulos fechados ou agudos na entrada ou saída da sala de ordenha. Drenagem para o lado do pasto
  • 85. BEM-ESTAR ANIMAL 63 ANEXOS Anexo 11 Comportamento durante a ordenha: Condutas para avaliação do comportamento animal no momento da ordenha. • Frequência de passos: Durante a ordenha, a frequência de passos (pisotear no lugar em que está na sala de ordenha) pode ser usada como um indicador de desconforto, por exemplo, dor crônica e medo das pessoas. Animais ansiosos e nervosos têm maior frequência de passos. As vacas que recebem manejo adequado e calmo apresentam uma frequência de passos mais baixa durante a ordenha e também uma zona de distância de fuga mais curta. • Patadas durante a ordenha: As vacas com lesões nos tetos têm maior probabilidade de dar patadas durante a ordenha, sendo este um comportamento que também pode indicar desconforto devido ao baixo fluxo de leite. Vacas medrosas tendem a não dar patadas, salvo exceções, e uma vaca que é bem tratada não tem medo de pessoas. • Aumento da defecação, micção e vocalizações é um indicador de estresse agudo e medo intenso em vacas. Sua frequência também aumenta quando o animal é isolado ou quando é alojado em novos ambientes. Anexo 12 Interação humano-animal (IHA): Questionário para complementar a avaliação da interação humano-animal (IHA) para pessoas que trabalham com animais. 1. Você se sente confortável em seu local de trabalho? a) Nunca b) Às vezes c) Sempre Por quê?............................................................................................................................................ 2. Quais aspectos positivos você destaca em seu local de trabalho? Marque todas as suas preferências. a) Instalações b) Horários c) Colegas de trabalho d) Tarefas sob minha responsabilidade e) Relação com o proprietário ou chefe f) Trabalhar com animais g) Outros..........................................................................................................................................
  • 86. 64 ANEXOS 3. O que poderia mudar ou melhorar em seu local de trabalho para obter um melhor desempenho ou alcançar melhores resultados? a) Instalações b) Horários c) Colegas de trabalho d) Tarefas sob minha responsabilidade e) Outros tipos de animais (outras raças, idades, origens) f) Outros......................................................................................................................................... 4. "Gosto de trabalhar com animais" a) Nunca b) Às vezes C) Sempre Por quê?........................................................................................................................................... 5. Com quais dos seguintes animais você prefere trabalhar? Marque todas as suas preferências a) Bezerros b) Vacas c) Novilhas d) Novilhos e) Touros f) Bois g) Cavalos h) Outro:......................................................................................................................................... a) Você acha útil bater em um animal para que ele se mova na direção certa? a) Nunca b) Às vezes c) Sempre Por quê?........................................................................................................................................... 6. Como você avalia a si mesmo em relação à qualidade do seu trabalho e desempenho? a) Excelente b) Bom c) Regular d) Devo melhorar