Oficio de cartografo Martin-Barbero

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Oficio de cartografo Martin-Barbero

  1. 1. Ofício de Cartógrafo Jesus Martín-BarberoParte 1Anos 1970, 1980:Configuração latino-americana do campoCapítulos 1 e 2 Miguel Sgarbi Pachioni PPGCOM – UFPR / Comunicação e Cultura na Escola Profa. Dra. Regiane Ribeiro
  2. 2. Ofício de Cartógrafo Jesus Martín-BarberoCapítulo 1Ideologia: os meios como discurso do poderContexto: anos 1970, América LatinaFato: ciências sociais na trincheira(fascinação científica funcionalista x inércia de uma dogmática marxista)Na comunicação: “esforço por romper a hegemonia positivista que separa aforma legitimada do cognoscível do conteúdo do vivido socialmente”.Se...Comunicação > dominação ideológica > Compreensões (discurso+práticas) daideologiaPerigo:Cair na generalização dos processos e na unidimensionalização do sentido
  3. 3. 1. A dominação que se esconde na teoria“A teoria hegemônica impossibilita mudar o presente e nos dar um novofuturo”(a ausência de um pensamento crítico + a fácil derivação em dogmatismo se correspondem)Resultado: dependência do trabalho científico e de sua função na sociedade(AL não produz ciência, apenas a aplica – é um campo de experimentos)(“fuga de cérebros” = fator econômico + fascinação da crença / valor científico)“Em poucos campos do saber a fascinação do científico é tão viva quanto no dacomunicação” (p.48)Isso porque a comunicação (vista como campo científico e como um processodinâmico) obscurece as origens política-econômica dos objetos desse saber (ateoria, o efeito de cientificidade, a racionaliza, tornando-a assim universal, genérica).Desenvolvimento da mídia de massa: EUA (1ª GM) – homogeneiza a massa emprol do processo bélico (a massa, ainda que manipulada, se sente fascinadapelos meios – influência da Comunicação nas campanhas políticas + influênciada Publicidade no comércio).
  4. 4. 1. A dominação que se esconde na teoriaSociedade que acolheu os primeiros experimentos científicos:“Próspera, feliz. Uma sociedade na qual a individualidade predominava sobre ocoletivo, a competição era mais determinante que a cooperação e a eficáciaeconômica e a sabedoria tecnológica tinham mais importância que odesenvolvimento cultural e a justiça social” (p.49).(alguma semelhança com o modelo escolar vigente?)Proposta crítica:“Só é ‘científico’ (...) um método que surja de uma situação historico-políticadeterminada e que verifique suas conclusões em uma prática social (que)acorde com as proposições histórico-políticas nas quais se pretende inscrevê-las” (Schmucler).
  5. 5. 1. A dominação que se esconde na teoriaNovo ponto de partida: processo de feitichização do meio de comunicação(enquanto transformador das relações sociais em coisas).“A distância entre emissor e receptor é uma mera reprodução do espaço quemedeia entre produtor e consumidor” (Mattelart). (o produto/mensagem que oreceptor consome já leva embutido a “marca da fábrica”).A expressão mais eficiente desta relação é a linguagem publicitária.(que reduz as ideias e as coisas/produtos à sua forma mercantil)A linguagem da burguesia se impõe como linguagem dos meios por os controlareconomicamente, colocando-se como uma nova forma de colonização(dominador se coloca como libertador – é a palavra liberdade em voga).
  6. 6. 1. A dominação que se esconde na teoriaCom Verón (Argentina, 1967) , desloca-se a ideologia da moldura clássica dasociologia do conhecimento para inscrevê-la na comunicação através doconceito de significação como dimensão dos fatos sociais.(embora faz-se necessário abandonar a concepção mecanicista do social) - nesta perspectiva, o ideológico trabalha nos processos e sistemas decodificação da realidade (das relações sociais).“Se o modo de produção, enquanto sistema de relações sociais, é o quedetermina a forma de operar do ideológico, o que a análise persegue então éseu princípio organizativo, sua estrutura” (p.56).(o ideológico deixa de ser um adjetivo do discurso e se define como nível deorganização da semântica).Questionamento: desde que ponto fazemos pesquisa?
  7. 7. 1. A dominação que se esconde na teoriaContexto: América Latina, anos 80 – conflito entre o caráter internacional daestrutura econômica e o caráter nacional da esfera política.(transnacionais passam a ditar as normas das políticas nacionais) - alternância das condições de trabalho do pesquisador em ciências sociais (emparticular no campo da comunicacão maciça) – três aspectos são relevantes:I) (no campo da pesquisa) as táticas de dominação estão mudando – acomunicação participativa permite que receptores se convertam em emissores;II) NTC’s são apresentadas e recebidas como matriz de um novo modelo social;III) No plano econômico, as comunicações atuam na essência do sistemaprodutivo; no plano político, as NTC’s rearranjam a função e as relações doEstado.
  8. 8. 1. A dominação que se esconde na teoriaA investigação crítica em ciências sociais (especificamente na comunicaçãomaciça) mantém laços com a teoria funcionalista, derivando certa esquizofrenia(dos métodos e das técnicas, pois estão desvinculados da história – é umaconcepção instrumentalista).“(...) um método não é só uma ferramenta para abordar um objetivo-problema,é também um ponto de vista sobre o objeto que impede ou possibilita que algoseja considerado um problema” (p.64).“Os diferentes métodos delimitam campos de objetos, e essa delimitaçãofunciona como mediação de determinadas condições sociais, e é com essascondições que se confrontam o valor e o alcance de uma investigação” (p.66).
  9. 9. 2.Elementos para uma teoria crítica do discursoA teoria que se precisa é aquela “capaz de articular a investigação sobre odiscurso à das suas condições de produção, de circulação e de consumo (...) queestabeleça relações não-mecânicas entre os diferentes níveis do processocomunicativo” (p.67).(campo: a linguagem não se restringe à fala – ela diz mais do que acredita dizer)É preciso ir além da mera classificação da linguagem como transmissão deinformação – “a língua se encarrega e é carregada de história” (p.69).A questão do poder: o discurso é um lugar de disputa pelo poder “e essa lutafaz parte de suas condições de produção e de circulação” (p.70).A questão do desejo: “o desejo está (...) articulado à lei do simbólico, aodiscurso da cultura” (p.73) – essa relação faz parte da constituição do sujeito.(para a psicanálise o imaginário é parte integrante do real, é já social).
  10. 10. 3. Mitos e farsas da informaçãoO jornal coloca a matéria ao/sobre o mundo sob a forma mercantil (tanto naprodução como na circulação de notícias) – notícia se transforma em produtoindustrial, retroalimentando-se pelo processo de ciruclação.Projeto político liberal (ligado à imprensa) = organização econômia do livremercado.A grande imprensa desempenhou um papel fundamental para superar os restosdo feudalismo, “ao mesmo tempo em que proclamava (...) as vantagens danova ordem social, do novo modo de viver regido pela liberdade e pelatolerância do livre mercado e do laissez faire” (p.78).Na neutralidade do processo informativo (conforme sugere o modelo liberal),“o mercado aparece como (...) condição da sociedade e não como produto derelações econômicas” (Schmucler, 1981).
  11. 11. 3. Mitos e farsas da informaçãoInformar é dar forma“O sentido não existe sem a forma e toda forma é uma imposição de sentido”.(ideologia é a forma e a matéria-prima da informação)Migramos da imprensa política para a imprensa publicitária.(em decorrência há um processo de concentração e monopolização da palavra)(as NTC’s tornaram uniforme a organização das empresas e compactuadas com a lógica mercantil )Império da Publicidade (do qual depende como receita a maioria dos jornais)= concentração de empresas + extinção de jornais + uniformização deconteúdos(problema quantitativo/financiamento e qualitativo/vai tomando a sua forma)“A notícia, convertida em produto e mercadoria, adquire o caráter sagradodesta, ficando assim dotada do direito a invadir qualquer esfera” (p.84) –Modelo horizontal (dificulta a manutenção da identidade cultural de cada grupo).Modelo vertical (de informação - em decomposição, mais fragmentado, existentenos povos latinos/camponeses e sob fortes pressões políticas e religiosas ).
  12. 12. 3. Mitos e farsas da informaçãoDe como o acontecimento se converte em narrativa-lendaA notícia é o eixo do discurso informativo e seu referencial é o acontecimento.Na atualidade (tecnificada e urbana, há um paradoxo): as ciências negam oacontecimento e as mídias o exaltam.(o poder de consumir acontecimentos = um dos direitos do cidadão quecompõe a sociedade “democrática”).Características atuais do acontecimento:I) Imprevisibilidade (tanto mais acontecimento quanto mais exótico, incomum);II) Grau de implicação (é o número e o tipo, a quantidade e a qualidade de pessoasabrangidas pelo acontecimento) – “é acontecimento não aquilo que se passou comtais pessoas, mas aquilo de que podem participar, a partir da notícia” (p.90).III) Acontecimento, hoje, é aquilo que vive em e da notícia.(caminho: acontecimento > notícia > ciclo de consumo ou banalidade)“Os MCM não são independentes do acontecimento, mas sim sua condição”(a mídia não o inventa, mas o detecta e o dramatiza/produz)Centro da problemática: a transformação do acontecimento em “sucesso”, o
  13. 13. 4.A sociedade convertida em espetáculo audiovisual De como o acontecimento se converte em narrativa-lenda (Buscando caracterizar o rito) Imagens obedecem as leis do contágio (do qual uma parte vale pelo todo) e da similitude (da qual o semelhante evoca e atua sobre o semelhante). Um traço fundamental do rito é a repetição (regulação do tempo e marca sobre a ação), sendo uma ação que não se esgota em si mesma, na sua imediatez (♯ costume). Rito > Encenação > Espetáculo > Dramatização (teatralização da vida coletiva) “O espetáculo não é o conjunto de imagens mas uma relação social mediatizada por imagens; a mercadoria é uma relação social mediatizada por objetos – dessa dupla mediação a massmidiação tira a sua força e seu poder” (p.100) (tudo é fato consumível por ser codificado e valorizado de acordo com o ritmo e o valor dos objetos) “O problema a enfrentar é o de saber de que modo muda a relação dos usuários com o real e a experiência dos fatos pelo contato contínuo com a
  14. 14. 4.A sociedade convertida em espetáculo audiovisual O telever e suas interferências O processo de ressignificação do que está “por trás” da tela se prolonga dentro do espaço sociopsicológico do qual é projetada, produzindo um processo de co- participação do telespectador. (a comunicação visual diminui a vigilância (resistência?) do telespectador, integrando-se à família, tornando-se companheira = dominação “libertária”). A TV exige “estar com ela”, da mesma forma que o espetáculo (estar atraído). “A magia do ver (...) põe em movimento mecanismos de simbolização” que viabilizam a teoria das mediações entre dominantes e dominados. Das imagens ao imaginário A análise da publicidade.... - na mídia impressa o tempo não conta / na audiovisual o tempo é fundamental (comprovações da relação entre faixa horária, tipo de programa e objeto anunciado) O espetáculo nos mantém no estágio do espelho: o do reconhecimento em e pelas
  15. 15. Ofício de Cartógrafo Jesus Martín-BarberoCapítulo 2Cultura: desafios do popular à razão dualistaContexto: processo de construção de um novo modelo de análise que coloca acultura como mediação (social e teórica) da comunicação com o popular.Fato: questões sobre o cultural-popular para a pesquisa da comunicação naAmérica Latina com a queda das fronteiras acadêmicas que delimitavam ocampo da comunicação.
  16. 16. 1.Processos de comunicação e matrizes de culturaRupturas (no espaço do trabalho) teórico e metodológico no fim dos anos 1970:1ª ruptura: Mattelart – “a constrafascinação do poder”Todo poder apresenta fissuras/brechas que o torna vulnerável, reposicionandoas zonas de tensão – contradições enfrentadas pela I) intervenção dasmultinacionais na vida cotidiana; e II) politização da esfera social.(o Estado antes à serviço da classe dominante se abre aos conflitos nosrelacionamentos de poder)2ª ruptura – tomada de consciência dos dominados diante à dominação(opressão deve ser assumida como atividade do oprimido para que este selivre)“A libertação é problema do oprimido, que é nele que se encontram as chavesde sua libertação”.
  17. 17. 1.Processos de comunicação e matrizes de culturaUma nova agenda estratégicaAs rupturas recontextualizam a produção dos meios de comunicação em suarelação com os espaços do cotidiano (o bairro, a família, o mercado, a escola...) - configuram-se três campos de investigação na comunicação:I) Estrutura internacional – aprofunda-se o estudo das estruturas de produçãoda informação não apenas em sua dimensão econômica (a mais estudada), mastambém nas dimensões política (estrutura transnacional e poder nacional) e naideológica (ex.: divisão social do trabalho na produção da informação).II) Desenvolvimento das tecnologias – torna-se necessário pesquisar as“possibilidade de ação e de luta que se abrem” por meio das tecnologias (pelaprimeira vez podemos (Latino-americanos) tomar consciência do processo desde seu início) .III) Comunicação participativa – reapropriam-se da palavra os gruposdominados(estando mais ligada à fala libertária que ao tipo de mídia utilizada – Educomunicação)Porém, “o popular” não é homogêneo e é necessário estudá-lo em um ambíguoprocesso: tanto o popular como memória como a relação popular-maciço (acultura maciça é a negação do popular pois é produzida para sua massificação e
  18. 18. 2. A comunicação a partir do popular: perder o objeto para ganhar o processo“A comunicação transformou-se (na AL) num campo de forças catalisador dealgumas linhas da pesquisa social, ao mesmo tempo em que propicia umamoda acadêmica” (p.123)Alguns pesquisadores sugerem seguir os passos do processo à custa de perdero objeto e muitos a mudar de tema, “passando a campos menos problemáticose academicamente mais rentáveis” (p.125).A entrada no mercado das NTCs + tomada de consciência (do processo detransnacionalização) = desenho radical do campo de investigação nacomunicação (a partir das práticas sociais, articulando-se com espaços eprocessos políticos, religiosos, artísticos, etc).É preciso mudar o eixo da análise e seu ponto de partida! (da comunicação paraa cultura, da mídia para os mediadores/modelos culturais) E enxergar o popularnão como sentido de marginalidade do qual certas reflexões sobre acomunicação ainda se pautam.
  19. 19. 2. A comunicação a partir do popular: perder o objeto para ganhar o processoPropostas para reimaginar o campoBuscar o que pode ser pesquisado em comunicação na América Latina: - aqui: espaço de um conflito profundo e de uma dinâmica cultural pulsante; - agora: a não-contemporaneidade entre os produtos culturais consumidos e olugar (espaço social e cultural) onde ocorre o consumo.Isso nos possibilita redefinir a comunicação em termos da relação entre opopular e o maciço, abrindo espaço para questionar “o que a cultura de massasfez a e com as culturas populares” (p.129).De tal implicaçãopropicia-se a seguinte investigação (em três tópicos):
  20. 20. 2. A comunicação a partir do popularI) O paradoxo processo de gestação do maciço ao popularA história da comunicação (articuladora das práticas comunicativas com osmovimentos sociais), implicaria a inserção da comunicação no espaço dasmediações (pois não é possível pensar separadamente os diferentes processos).Novamente, cultura de massa tem sentido inverso à pluralidade do popular.II) As marcas da memória popular nos atuais processos de massmidiação(Em meio ao dúbio debate do conceito de massa aplicado ao social), “amemória popular entra em cumplicidade com o imaginário da massapossibilitando sua confiscação” (voltando-se contra ela mesma) (p.135). Demaneira paralela, o maciço se constitui menos do considerado culto do que dopopular.III) Usos populares do maciço (o que fazem as pessoas com aquilo que se faz delas?)O popular, sendo heterogêneo/plural, com suas múltiplas formas de luta, emsua confrontação com o maciço, correspondem à “lógica da conjuntura”(Certeau)
  21. 21. 3. As culturas na comunicação na América Latina- O que os processos e as práticas de comunicação produzem (não remetemunicamente às lógicas mercantis e às invenções tecnológicas) remetem amudanças profundas na cultura cotidiana das maiorias e à desfiguração dasdemarcações culturais (entre o que é culto/popular/maciço);- A ideia de identidade cultural está associada ao espaço das culturas populares;- Concepção prefominante: popular como sujeito homogêneo e dialético(definido como íntegro/resistente ou manipulável/submisso);- Especificidade histórica do popular na América Latina: espaço denso deinterações, de intercâmbios e reapropriações (trata-se de uma hibridização nãosomente cultural, mas de inter-relação social, econômico e simbólico).
  22. 22. 3. As culturas na comunicação na América LatinaA inserção das etnias na modernidade capitalistaPensar o índio remete-se a uma concepção “indigenista”, que o identifica comoum ser irreconciliável com a modernidade (portanto, primitivo).Canclini: “as culturas indígenas não podem existir com a autonomia quequerem os folclorista, nem como submissos a um capitalismo que tudo devora”(p.141).(Daí, integra-se ao capitalismo, mas sendo produtora de sua verdade cultural)(Paralelo com o popular:) Diante o mercado econômico/simbólico, aestandardização dos produtos e a uniformização dos gestos exige umarenovação dos padrões de diferenciação (bem típicos em patrimônios,integrando-se ao mercado mas desagregando-se da vida).
  23. 23. 3. As culturas na comunicação na América LatinaCultura popular e vida urbanaNo processo de formação das massas urbanas, o que se produz é um híbridocultural – mais que uma relação de alienação e manipulação, essas novascondições de existência e de luta articulam um novo funcionamento dahegemonia (mesmo esta coexistindo com práticas e produtos heterogêneos).O popular urbano emerge então nas complexas articulações da dinâmicaurbana e a resistência popular. (Exemplo: música e ritmos na música latina)“O espaço social onde melhor se expressa o sentido da dinâmica que dá formaa novos movimentos urbanos é o bairro” (espaço este de reconhecimento econstrução de identidades sociais, mediando o universo privado da casa e omundo público da cidade) (p.146).
  24. 24. 3. As culturas na comunicação na América LatinaIdentidade, desterritorialização e novas socialidadesA defesa e renovação de identidade se relacionam com as dinâmicascomunicativas quem por si, carregam significados antagônicos. (se por um ladoremete à modernização e inovação, por outro se restringe à manipulação; quando associadaà massificação, para a esquerda condiz ao imperialismo e para a direita à decadência cultural)Assim, a comunicação se coloca como espaço catalisador de esperanças etemores (um cenário de convergências que perpassa por três dinâmicas):I) Indústrias culturais estão reorganizando as identidades coletivas aoproduzirem novas hibridações (que ultrapassam as demarcações dialéticasentre o culto e o popular, tradicional e moderno, próprio e alheio);II) Ao hibridizarem, os meios maciços também segregam (socialmente epoliticamente), legitimando-as culturalmente (enquanto a tomada de decisõescabem a uma minoria, a oferta cultural feita de espetáculos se volta à maioria);III) Aparição de “subculturas” deterritorializadas, (com identidades) de curtatemporalidade, atravessadas por descontinuidades (principalmente aos jovens),tornando necessário readequações na hegemonia (reconstituindo as identidades eos sentidos do nacional e do local, trabalhando os imaginários coletivos em formação,descobrindo “a diferença como elemento e espaço de aprofundamento da
  25. 25. 4.Entre memórias populares e imaginários de massaAo estudar os relatos populares, a pesquisa reside na cultura (por exigência doobjeto), debruçando-se sobre o funcionamento popular do relato (maispróximo da vida que da arte) e articulando a memória do grupo (o modo deaquisição de um livro tem muito a ver com as formas de uso).Inseridos nessa narrativa popular, os MCM produzem uma série de relatos degênero, sobressaindo-se na América Latina o melodrama (devendo serestudado em seu funcionamento social e em sua eficácia ideológica diante aos≠s formatos tecnológicos).Narrativa popular: as matrizes oraisVistas a partir de seus modos de narrar, a cultura popular continua sendoa dosque mal sabem ler (mas com riqueza de nuances advindos de seu saber contar).
  26. 26. 4.Entre memórias populares e imaginários de massaOutro modo de narrarDiante de duas posições opostas (da crítica culta e dos estudiosos do folclore),Martín-Barbero sugere a convergência de duas propostas ao conciliar Hoggart eBahktin – “analisar relatos é estudar processos de comunicação que não seesgotam nos dispositivos tecnológicos, porque remetem desde aí mesmo àeconomia do imaginário coletivo” (p.160).1ª oposição (citação de Benjamin): a narração popular é sempre um contar a(porque é tanto memória de fatos como também de gestos – hoje a memóriaestá descontinuada, pois a quantidade de informação é inversa à qualidade dacomunicação);2ª oposição: traça o relato “de gênero” diante do “de autor” – os gêneros sãoum dispositivos por excelência do popular, pois são não só modos de escrituramas também de leituras (possibilitando articular a cotidianidade com osarquétipos vigentes).
  27. 27. 4.Entre memórias populares e imaginários de massaOutro modo de lerA existência de diferentes modos de ler colide hoje com dificuldades de base –as teorias da recepção precisariam ser recolocadas (porque prolongam a ideiade um polo ativo/culto e criativo; e um polo passivo/ignorante e consumista –esse deslocamento possibilita vislumbrar 3 traços da leitura popular).1º traço: leitura coletiva – uma leitura sem preconceitos, que não confunda aleitura com a escrita (séc XVIII - como falar de leitores se só uma minoria lê?) –a leitura nas classes populares era predominantemente coletiva! (o que é lido éo ponto de partida)2º traço: leitura expressiva – uma leitura que envolve os leitores enquantosujeitos sem vergonha de expressarem suas emoções (o riso e sua intensidade);3º traço: leitura desviada – uma leitura cuja gramática é outra, diferente daprodução: autonomia do texto é ilusória (olhada desde as condições deprodução como as condições de leitura, ou seja, o popular também se apropriadaquilo que lê, ressiginificando-a).
  28. 28. 4.Entre memórias populares e imaginários de massaAs tradições que falam no rádioMarginalizadas das pesquisas críticas dos anos 1960, quatro pesquisas validamnovas perspectivas de se colocar o rádio como mediador (entre o Estado e asmassas, o rural e o urbano, entre tradições e modernidade):1ª Patricia Terrero: eixo no papel do radioteatro como espaços de continuidadeentre tradições populares e a cultura de massas (pois o rádio acumula e se nutre de umprocesso de sedimentação cultural que desemboca no discurso populista – este é ressignificado pelas massas) ;2ª Giselle Munizaga e Paulina Gutiérrez: capacidade do rádio para fazer aligação entre a racionalidade simbólica popular e a modernizadoraracionalidade informativa (falando o “seu” idioma, facilita a construção dosentido);3ª Rosa Maria Alfaro: potencial de captar a densidade e a diversidade dascondições de existência do popular ao unir a questão territorial com o discurso,as diferentes formas e as temporalidades – 3 modalidades: 1. emissora local (usodemocrático/participativo do rádio); 2. emissora popular urbana (sob identidade unificantedo ouvinte); 3. emissora andino-provinciana (produção de uma experiência de solidariedade);4ª Maria Cristina Mata: cotidianidade construída desde o discurso radiofônicopor meio das continuidades (da jornada de assuntos e no tempo, pois o rádio se
  29. 29. 4.Entre memórias populares e imaginários de massaMatrizes culturais das quais se alimenta a televisão(a televisão apresenta à pesquisa de comunicação) um desafio particular:compreender a articulação do discurso da modernização à exploração dedispositivos de narração (anacrônicos, já que faz a mediação dos processos deinovação tecnológica e transformação dos comportamentos).Referencial: telenovela- dominada pela estrutura do “contar a” (presença constante do narrador);- conserva a abertura do relato no tempo (não se sabe como acabará);- porosidade à atualidade (porque a telenovela é um texto dialógico, emintercâmbio);- lógica mercantil (ligada à sua astúcia de sedução);- Paradoxal funcionamento (qualidade da comunicação estabelecida x quantidade deinformação que proporciona)“Olhar a televisão implica propor uma análise que não tem como eixo nem omeio nem o texto, mas as mediações nas quais se materializam as constriçõesque vêm da lógica econômica e industrial, como articuladoras não só deinteresses mercantis mas também de demandas sociais e de diferentes modos

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