O Amante Sombrio                          J. R. Ward                  Titulo Original: Dark Lover                (Irmandad...
em uma perigosa situação, a população de vampiros hádisminuído alarmantemente. Warth, Rhage, Zsadist, Phury,Vishous e Tohr...
viver entre as sombras da noite. Warth se nega, mas depois damorte de seu "irmão" e amigo procura o Beth para instrui-la e...
grande medida, em desuso, mas não é ilegal.    Hellren: Vampiro que escolhe a uma fêmea comocompanheira. Os machos podem t...
Princeps: Grau superior da aristocracia dos vampiros, sósuperado pelos membros da Primeira Família ou a Escolhida daVirgem...
Ninguém pode acessar a ela, exceto os membros da Irmandade, aVirgem Escriba ou os candidatos a uma iniciação.     Vampiro:...
Capítulo 1     Darius olhou a seu redor no clube, e se deu conta, pelaprimeira vez, da multidão de pessoas semidesnudas qu...
— Não deixarei que mora outro de meus fixos, E menos sehouver uma possibilidade de salvá-la. De qualquer modo, nemsequer e...
Os membros de sua Irmandade, um fechado círculo deguerreiros fortemente unidos que intercambiavam informação elutavam junt...
— O que está fazendo? — Redigindo um artigo para o Tom— . — Sabe? Há outras formas de me impressionar. Sim, jáimaginava.  ...
jornal de tiragem nacional. Assim, quando tivesse cinqüenta etantos, ou as coisas trocavam muito ou teria que trabalhar pa...
uma clientela verdadeiramente tenebrosa. Aquela era uma portaque nunca cruzaria a menos que tivesse uma escolta policial. ...
pimenta. — Quer que te leve a alguma parte? — perguntou denovo o mesmo moço — . Meu carro não está longe. Sério, por quenã...
enquanto o fôlego se amontoava em sua garganta. Um carropassou pela rua Dez, e ela gritou assim que viu o brilho dosfaróis...
cérebro entrou em ação e se negou a deixar que aquiloacontecesse. obrigou-se a si mesmo a deixar de lutar e recorrer aseu ...
Esperava que fora o segundo.     Butch tomou o auricular e disse ao operador que iria àchamada, embora era detetive de hom...
Esperou.      Darius se distinguia por não andar-se pelos ramos e sabiaque Wrath não suportava que lhe fizessem perder o t...
assunto esta noite.      — Quer utilizar minha casa outra vez? Sabe que não permitoque ninguém mais fique nela. — Darius d...
de... Por favor. Meus outros filhos morreram. Ela é quão únicoficará de mim. E eu... amei muito a sua mãe.      Se tivesse...
pausadamente, os músculos de seus braços e coxas secontraíram. Percebeu o ruído de uma arma sendo martelada ecalculou a di...
Não tinha esgotado suas opções. O bate-papo sobre o irmãoda Marissa o tinha deixado pensativo. Havers era um médicototalme...
aspecto de seu rosto, mas estava disposta a apostar que seumisógino atacante neandertal preferia a suas vítimas finas eatl...
Como passava tanto tempo na delegacia de polícia, tinha chegadoa conhecê-los bastante bem, mas José era um de seus favorit...
Wrath se materializou no salão da casa do Darius. Maldição,já tinha esquecido quão bem vivia o vampiro. Embora D era umgue...
esquina, destacava uma enorme cama com lençóis de cetim negroe um montão de travesseiros. Ao outro lado, havia uma poltron...
Com o vapor elevando-se, lavou-se a sujeira, o suor e — a mortede suas mãos. Logo esfregou a pastilha de sabão pelos braço...
sentir sua fome prevalecendo sobre sua inquietação. Tambémsentiu seu desejo. Ela o queria, mas ele bloqueou esse sentiment...
Soube, sem perguntar, que a morte tinha feito outra visita. EDarius tinha desaparecido.     — Senhor...     — Como foi? — ...
apropriou-se da periferia do cenário fumando e conversando. Emtodos os anos que levava como repórter, tinha descoberto que...
abalada, porque se tinha esquecido de todo. — Repetirei apergunta — disse — . Que diabos te passou?      — Eu, né... — A g...
amarelas do Darius, Vishous entrou na residência. A cavanhaqueque se deixou crescer fazia pouco e dava um aspecto maissini...
acabado como escravo de sangue, e o mau trato a mãos de suaama tinha sido brutal em todos os sentidos. Ao Phury havia leva...
desembrulhava melhor com uma adaga na mão que sentado,sendo objeto de adoração.      concentrou-se de novo nos irmãos. Qua...
Wrath chiou os dentes. A impaciência e a ira eram umcoquetel difícil de digerir.      — Não preciso te dizer que trabalhe ...
tenha chegado tão logo D.      — Filho de cadela — murmurouWrath.     Capítulo 5      Beth se tinha colocado seu traje not...
aconteceu quando saiu do trabalho esta noite, quer?      Ela cruzou os braços sobre o peito. Ele riu entre dentes.      — ...
de noite. Introduziu mais ire em seus pulmões e fechou os olhosao tempo que seu corpo reagia e seu sangue se agitava. Dari...
confidencial dos moços. Dirigia-o todo a um nível muitoprofissional. Nunca tinha tido uma encontro com nenhum deles,embora...
Sorriu enquanto cruzava a residência fixando-se no pendente dediamantes quadrado que o sujeito luzia no lóbulo esquerdo.  ...
— À merda!     Billy gemeu e assentiu com a cabeça, deixando uma manchade sangue fresca sobre o chão.     — Bem. Agora vam...
arranhando-as joelhos e as mãos contra o duro chão de madeira.Pisada-las em do homem detrás dela ressonavam como trovões,c...
sobre a laje. A bolsa vazia escorregou de sua mão ao chão.      Inclinou a cabeça e pronunciou as palavras em sua línguama...
Butch colocou muito cuidado em cometer tantos enganostipográficos como foi possível em seus informe. E para suasurpresa, a...
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Adaga negra-01-amante-sombrio-j.-r.-ward

  1. 1. O Amante Sombrio J. R. Ward Titulo Original: Dark Lover (Irmandade da Adaga Negra 01) Resumo: Nas ruas do Cadwell em Nova Iorque se mantém umaencarniçada luta entre duas bandas, duas raças: A Irmandade eseus caçadores e assassinos. A Irmandade a compõem seisvampiros e guerreiros que arriscam sua vida pelo amparo esobrevivência de sua raça, perseguida e dizimada o que a situou 1
  2. 2. em uma perigosa situação, a população de vampiros hádisminuído alarmantemente. Warth, Rhage, Zsadist, Phury,Vishous e Tohrment se submeteram a duros treinamentos parapoder lutar e proteger a sua espécie. São vampiros, são guerreirose cada um deles carrega com uma maldição própria que osmantém isolados, sós... tão só um deles Tohr tem companheira, oresto vivem sós sem nenhuma companhia, tão só têm àIrmandade que os une em sua luta pela sobrevivência de sua raçacontra os assassinos de seu povoado. Os Irmãos, embora não desangue, sim de vínculo, são selecionados por suas habilidadestanto físicas e mentais como por suas habilidades curadoras.Agressivos, auto-suficientes não se relacionam com outrosmembros a não ser que precisem alimentar-se. A sociedade deassassinos e caçadores de vampiros são humano que venderamsua alma, o que os despoja de vínculos, de idade e com o temposua pele, cabelo e olhos empalidece visivelmente o que lhesoutorga uns traços e aroma característicos de dita sociedade.Rhage é o melhor guerreiro do grupo além disso do mais atraente,mas tem um lado escuro e violento, Zsadist foi torturado eescravizado, uma cicatriz lhe cruza o rosto, leva o cabelovirtualmente rapado e vários piercings em seu corpo, e o resto daIrmandade teme que esteja próximo à perda de sua alma, Phury éseu gêmeo, leva uma prótese em uma perna, cabelo multicolorido,e por decisão própria se mantém celibatário, Vishous é oespecialista em tecnologia e leva cavanhaque, uma boinavermelha e uma luva que oculta sua mão esquerda... e por últimoestá Tohrment. Warth é o rei dos vampiros, é o único de toda a irmandadeque é um vampiro "puro", nascido de pai e mãe vampiros. Évirtualmente cego o que lhe faz ocultar permanentemente seusolhos com uns óculos escuros. Como todos, viu de couro e éimponente, enorme, uma massa de músculos e tendõesduramente treinado para a luta. É o líder da Irmandade alémdisso do rei dos vampiros. Pouco antes de sua morte Darius, o sétimo vampiro daIrmandade pede ao Warth cuide de sua filha Beth, meio humanameio vampira que está a ponto de passar pela transição,converter-se em vampira, mas é um processo perigoso podesignificar sua morte ou a conversão o que implica uma mudançade vida, estilo e raça, abandonar sua vida humana e passar a 2
  3. 3. viver entre as sombras da noite. Warth se nega, mas depois damorte de seu "irmão" e amigo procura o Beth para instrui-la e lheadvertir.... Beth desconhece seus orígenes e procedência. criou-se emcasas de acolhida depois da morte de sua mãe detrás lhe dar aela a luz, nunca conheceu seu pai. É na atualidade umajornalista que vive como uma mais entre a multidão do Caldwell,em Nova Iorque. Mas depois da irrupção do Warth em sua estavida sofre um salto de 180 graus: a entrada em uma vida naescuridão, a conversão em vampira Y... uma intensa e sensualrelação com o líder da Irmandade, face à inicial reticência porparte de ambos. Beth teme a esse enorme desconhecido, Warthnão quer vínculos nem laços de nenhum tipo, tão só a ajudará apassar a transição se diz, pois seu sangue é poderoso, antiga e amais forte... mas os planos estão feitos para quebrar-se e o perigolhes une em uma ardente e sensual relação que os vinculairremediavelmente. GLOSSÁRIO DE TERMOS E NOMES PRÓPRIOS Doggen: Membro da classe servil no mundo dos vampiros.Os doggens mantêm as antigas tradições de forma muito rigorosa,e são muito, conservadores em questões relaciona dá com oserviço emprestado a seus superiores. Suas vestimentas ecomportamento são muito formais. Podem sair durante o dia,mas envelhecem relativamente rápido. Sua esperança de vida é dequinhentos anos aproximadamente. A Escolhida: Vampiras destinadas a servir à VirgemEscriba. consideram-se membros da aristocracia, embora de umamaneira mais espiritual que temporário. Têm pouca, ounenhuma, relação com os machos, mas podem acasalar-se comguerreiros com objeto de reproduzir sua espécie se assim o opinara Virgem Escriba. Têm a capacidade de predizer o futuro. Nopassado, eram utilizadas para satisfazer as necessidades desangue de membros solteiros da Irmandade, mas dita prática foiabandonada pelos irmãos. Escravo de sangue: Vampiro fêmea ou macho que foisubmetido para satisfazer as necessidades de sangue de outrosvampiros. A prática de manter escravos de sangue caiu, em 3
  4. 4. grande medida, em desuso, mas não é ilegal. Hellren: Vampiro que escolhe a uma fêmea comocompanheira. Os machos podem ter mais de uma fêmea comocompanheira. Irmandade da Adaga Negra: Guerreiros vampiros treinadospara proteger a sua espécie contra a Sociedade Restritiva. comoresultado de uma cria seletiva no interior da raça, os membros daIrmandade possuem uma imensa força física e mental, assimcomo uma enorme capacidade para curar-se de suas feridas comrapidez. A maioria não são propriamente irmãos de sangue.iniciam-se na Irmandade através da nominação de um de seusmembros. Agressivos, auto-suficientes e reservados por natureza,vivem separados dos humanos e têm pouco contato commembros de outras classes, exceto quando precisam alimentar-se. São objeto de lendas e muito respeitados dentro do mundodos vampiros. Só se pode acabar com eles se lhes fere gravementecom um disparo ou uma punhalada no coração. Leelan: Termo carinhoso, que se pode traduzir de maneiraaproximada como «o que mais quero». O Ocaso: Reino intemporal onde os mortos se reúnen comseus seres queridos durante toda a eternidade. O Omega: Malévola figura mística que pretende a extinçãodos vampiros por causa de um ressentimento para a VirgemEscriba. Existe em um reino intemporal e possui grandespoderes, embora não tem capacidade de criação. Período de Necessidade: Época fértil das vampiras.Geralmente dura dois dias e vai acompanhado de uns intensosdesejos sexuais. apresenta-se aproximadamente cinco anosdepois da transição de uma fêmea, a partir daí, uma vez cadadécada. Todos os machos respondem de algum modo se seencontrarem perto de uma fêmea em período de necessidade.Pode ser uma época perigosa, com conflitos e lutas entremachos, especialmente se a fêmea não tem companheiro. Primeira Família: O rei e a rainha dos vampiros, e os filhosnascidos de sua união. 4
  5. 5. Princeps: Grau superior da aristocracia dos vampiros, sósuperado pelos membros da Primeira Família ou a Escolhida daVirgem Escriba. O título é hereditário, não pode ser outorgado. Pyrocant: refere-se a uma debilidade crítica em umindivíduo. Dita debilidade pode ser interna, como um vício, ouexterna, como um amante. Restrictor: Membro da Sociedade Restritiva. trata-se dehumanos sem alma que perseguem vampiros para exterminá-los.Aos restrictores lhes deve apunhalar no peito para matá-los; docontrário, são eternos. Não comem nem bebem e são impotentes.Com o tempo, seu cabelo, sua pele e a íris de seus olhos perdempigmentação até converter-se em seres loiros, pálidos e de olhosincolores. Cheiram a talco para bebês. Depois de ser iniciados naSociedade pelo Omega, conservam um frasco de cerâmica dentrodo qual foi colocado seu coração depois de ser extirpado. Rythe: Forma ritual de salvar à honra. Oferece-o alguém quetenha ofendido a outro. Se é aceito, o ofendido escolhe uma armae ataca ao ofensor, que se apresenta ante ele desprotegido. Selam: Vampiresa que se uniu a um macho tomando-o comocompanheiro. Em geral, as fêmeas escolhem a um sócompanheiro devido à natureza fortemente territorial dos machosacasalados. Sociedade Restritiva: Ordem de cazavampiros convocadospelo Omega com o propósito de erradicar a espécie dos vampiros. Transição: Momento crítico na vida dos vampiros, quandoele ou ela se convertem em adultos. A partir desse momento,devem beber o sangue do sexo oposto para sobreviver e nãopodem suportar a luz solar. Geralmente, acontece aos vinte ecinco anos. Alguns vampiros não sobrevivem a sua transição,sobre tudo os machos. Antes da mudança, os vampiros sãofisicamente frágeis, sexualmente ignorantes e indiferentes, eincapazes de desmaterializarse. A Tumba: Cripta sagrada da Irmandade da Adaga Negra.Usada como sede cerimoniosa e como armazém dos frascos dosrestrictores. Entre as cerimônias ali realizadas se encontram asiniciações, funerais e ações disciplinadoras contra os irmãos. 5
  6. 6. Ninguém pode acessar a ela, exceto os membros da Irmandade, aVirgem Escriba ou os candidatos a uma iniciação. Vampiro: Membro de uma espécie separada do Homosapiens. Os vampiros têm que beber sangue do sexo oposto parasobreviver. O sangue humano os mantém vivos, mas sua forçanão dura muito tempo. depois de sua transição, que geralmenteacontece aos vinte e cinco anos, são incapazes de sair à luz do diae devem alimentar-se da veia regularmente. Os vampiros nãopodem «converter» aos humanos com uma dentada nem com umatransfusão sangüínea, embora, em alguns casos, são capazes deprocriar com a outra espécie. Podem desmaterializarse a vontade,mas têm que procurar tranqüilidade e concentração paraconsegui-lo, e não podem levar consigo nada pesado. São capazesde apagar as lembranças das pessoas, sempre que forem a curtoprazo. Alguns vampiros são capazes de ler a mente. Suaesperança de vida é superior a mil anos, e em alguns casosinclusive mais. A Virgem Escriba: Força mística conselheira do rei, guardiãdos arquivos vampíricos e encarregada de outorgar privilégios.Existe em um reino intemporal e possui grandes poderes. Capazde um único ato de criação, que empregou para dar existênciaaos vampiros. 6
  7. 7. Capítulo 1 Darius olhou a seu redor no clube, e se deu conta, pelaprimeira vez, da multidão de pessoas semidesnudas que secontorsionaban na pista de baile. Aquela noite, Screamers estavaa transbordar, repleto de mulheres vestidas de couro e h omenscom aspecto de ter cometido vários crimes violentos. Darius e seu acompanhante encaixavam à perfeição. Com acondição de que eles eram assassinos de verdade. — Realmentepensa fazer isso? — perguntou-lhe Tohrment. Darius dirigiu seuolhar para ele. Os olhos do outro vampiro se encontraram com osseus. — Sim. Assim é. Tohrment bebeu um sorvo de seu uísque escocês. Umsorriso lúgubre apareceu em seu rosto, deixando entrever,fugazmente, as pontas de suas presas. — Está louco, D. — Você deveria compreendê-lo. Tohrment inclinou seu copocom elegância. — Mas está indo muito longe. Quer arrastar contigo a umagarota inocente, que não tem nem idéia do que está acontecendo,para submetê-la a sua transição em mãos de alguém comoWrath. É uma loucura. — Ele não é mau..., apesar das aparências. — Dariusterminou sua cerveja — . E deveria lhe mostrar um pouco derespeito. — Respeito-o profundamente, mas não me parece boa idéia. — Necessito-o. — Está seguro disso? Uma mulher com uma minissaia diminuta, botas até ascoxas e um corpete confeccionado com correntes passou junto asua mesa. Sob as pestanas carregadas de rímel, seus olhosbrilharam com um incitante brilho, enquanto rebolava como seseus quadris tivessem uma dupla articulação. Darius não emprestou atenção. Não era sexo o que tinha emmente essa noite. — É minha filha, Tohr. — É uma mestiça, D. Já sabe o que ele pensa dos humanos.— Tohrment moveu a cabeça — . Meu tatarabuela o era, não mevê precisamente alardeando disso ante ele. Darius levantou a mão para chamar à garçonete e assinalousua garrafa vazia e o copo do Tohrment. 7
  8. 8. — Não deixarei que mora outro de meus fixos, E menos sehouver uma possibilidade de salvá-la. De qualquer modo, nemsequer estamos seguros de que vá trocar. Poderia acabar vivendouma vida feliz, sem inteirar-se jamais de minha condição, Nãoseria a primeira vez que acontece. Tinha a esperança de que sua filha se livrasse daquelaexperiência. Porque se passava pela transição e sobreviviaconvertida em vampiresa, perseguiriam-na para caçá-la, como atodos eles. — Darius, se ele se comprometer a fazê-lo, será porque estáem dívida contigo. Não porque o deseje. — Convencerei-o. — E como pensa enfocar o problema? Pode te aproximarpelas boas a seu filha e lhe dizer: «Ouça, vai sei que n unca meviu, mas sou seu pai. Ah, e sabe algo mais? ganhaste o prêmiogordo na loteria da evolução: é uma vampiresa. Vamos aDisneylandia! — Neste momento te odeio. Tohrment se inclinou para diante; seus grossos ombros semoveram sob a jaqueta de couro negro. — Sabe que te apóio, mas penso que deveria reconsiderá-lo.— Houve uma incômoda pausa — . Talvez eu possa meencarregar disso. Darius lhe lançou um frio olhar. — E acredita que poderá retornar tranqüilamente a seu casadepois? Wellsie te cravaria uma estaca no coração. , e te deixariasecar ao sol, meu amigo. Tohrment fez uma careta de desagrado. — Bom argumento. — E logo viria a por mim. — Ambos os machos seestremeceram — . Além disso... — Darius se tornou para trásquando a garçonete lhes serve as bebidas. Esperou a quepartisse, embora o rap soava estruendosamente a seu redor,amortecendo qualquer conversação — . Além disso, são temposdifíceis. Se algo me acontecesse... — Eu cuidarei dela. Darius deu uma palmada no ombro a seu amigo. — Sei queo fará. — Mas Wrath é melhor. — Não havia nem um espiono deciúmes em seu comentário. Simplesmente, era verdade. — Não há outro como ele. — — Obrigado — a Deus — disse Tohrment, esboçandouma meia sorriso. 8
  9. 9. Os membros de sua Irmandade, um fechado círculo deguerreiros fortemente unidos que intercambiavam informação elutavam juntos, eram da mesma opinião. Wrath era uma correntede fúria em assuntos de vingança, e caçava a seus inimigos comuma obsessão que raiava na demência. Era o último de suaestirpe, o único vampiro de sangue puro que ficava sobre oplaneta, e embora sua raça o venerava como a um rei, eledesprezava sua condição. Era quase trágico que ele fora a melhor opção desobrevivência que tinha a filha mestiça do Darius. O sangue doWrath, tão forte, tão pura, aumentaria suas probabilidades desuperar a transição se esta lhe causava algum mal. MasTohrment não se equivocava. Era como lhe entregar uma virgema uma besta. De repente, a multidão se deslocou, amontoando uns contraoutros, deixando passo a alguém. Ou a algo. — Maldição. Aí vem — balbuciou Tohrment. Agarrou seucopo e bebeu de um gole até a última gota de seu escocês — Nãote ofenda, mas me longo. Não quero participar desta conversação. Darius observou como aquela maré humana se dividia parase separar do caminho de uma imponente sombra escura que mesobressaía por cima de todos eles. O instinto de fugir era um bomreflexo de sobrevivência. Wrath media um metro noventa e cinco de puro terrorvestido de couro. Seu cabelo, longo e negro, caía diretamente deuma mecha em forma de M sobre a frente. Uns grandes óculos desol ocultavam seus olhos, que ninguém tinha visto jamais. Seusombros tinham o dobro do tamanho que os da maioria dosmachos. Com um rosto tão aristocrático como brutal, parecia orei que em realidade era por direito próprio e o guerreiro em que odestino o tinha convertido. E a onda de perigo que lhe precedia era sua melhor carta deapresentação. Quando o gélido ódio chegou até o Darius, este agarrou suacerveja e bebeu um longo sorvo. Realmente esperava estar fazendo o correto. Beth Randall olhou para cima quando seu editor apoiou oquadril sobre o escritório. Seus olhos estavam cravados no decotedo Beth. — Trabalhando até tarde outra vez? — murmurou. —Olá, Dick. Não deveria estar já em casa com seu mulher e seus doisfilhos?, adicionou mentalmente. 9
  10. 10. — O que está fazendo? — Redigindo um artigo para o Tom— . — Sabe? Há outras formas de me impressionar. Sim, jáimaginava. — Tem lido meu e — mail, Dick? Fui à delegacia de políciade polícia esta tarde e falei com o José e Ricky. Asseguraram-meque um traficante de armas se transladou a esta cidade.encontraram dois Mágnum manipuladas em mãos de unstraficantes de drogas. Dick estirou o braço para lhe dar um tapinha no ombro,acariciando-o antes de retirar a mão. — Você segue trabalhando nas pequenezes. Deixa que osmeninos grandes se preocupem dos crimes violentos. Nãoquiséssemos que lhe acontecesse algo a essa face tão bonita. Sorriu, entrecerrando os olhos enquanto seu olhar sedetinha nos lábios da garota. Essa rotina de olhá-la fixamente durava já três anos, pensouela, desde que tinha começado a trabalhar para ele. Uma bolsa de papel. O que precisava era uma bolsa de papelpara ficar a sobre a cabeça cada vez que falava com ele. Talvezcom a fotografia da senhora Dick pega a ela. — Quer que te levea seu casa? — perguntou. Só se caísse uma chuva de agulhas e pregos, pedaço desímio. — Não, obrigado. — Beth se girou para a tela de seucomputador com a esperança de que ele entendesse a indireta. Ao fim, afastou-se, provavelmente em direção ao bar dooutro lado da rua, aonde se reuniam a maioria dos repórteresantes de ir-se a sua casa. Caldwell, Nova Iorque, não eraprecisamente um foco de oportunidades para um jornalista, masaos «meninos grandes» do Dick gostavam de aparentar quelevavam uma vida social muito agitada. Desfrutavam reunindo-seno bar do Charlie a sonhar com os dias em que trabalhassem emjornais maiores e importantes. A maior parte deles eram comoDick: homens de média idade, do montão, competentes, mas oque faziam estava longe de ser extraordinário. Caldwell era osuficientemente grande e estava muito próxima à cidade de NovaIorque para contar com suficientes crimes violentos, jogadas arede por drogas e prostituição que os mantiveram ocupados. Maso Caldwell Courier Journal não era o Teme, e nenhum delesganharia jamais um Pulitzer. Era algo deprimente. Sim, bom, te olhe ao espelho, pensou Beth. Ela era só umarepórter de base. Nem sequer tinha trabalhado nunca em um 1 0
  11. 11. jornal de tiragem nacional. Assim, quando tivesse cinqüenta etantos, ou as coisas trocavam muito ou teria que trabalhar paraum jornal independente redigindo anúncios por palavras evangloriando-se de seus dias no Caldwell Courier Journal. Estirou a mão para alcançar a bolsa do M&M que tinhaestado guardando. Aquela maldita estava vazia. De novo. Talvez devesse ir-se a casa e comprar algo de comida aChina para levar. Enquanto se dirigia à saída da redação, que era um espaçoaberto dividido em cubículos por débeis tabiques cinzas,encontrou-se com o contrabando de barras de chocolate de seuamigo Tony. Tony comia todo o tempo. Para ele não existia caféda manhã, comida e jantar. Consumir era uma proposiçãobinária. Se estava acordado, tinha que levar-se algo à boca, epara manter-se aprovisionado, sua mesa era um cofre do tesourode perversões com alto conteúdo em calorias. Tirou o papel e saboreou com fricção a barra de chocolateenquanto apagava as luzes e baixava a escada que conduzia à ruaTrade. No exterior, o calor de julho parecia comportar-se comouma barreira física entre ela e seu apartamento. Doze maçãscompletas de calor e umidade. Por fortuna, o restaurante chinêsestava a meio caminho de sua casa e contava com um excelentear condicionado. Com algo de sorte, estariam muito ocupadosessa noite, e ela teria oportunidade de esperar um momentonaquele ambiente afresco. Quando terminou o chocolate, abriu a tampa de seutelefone, pulsou a marcação rápida e fez um pedido de carne combrócolis. À medida que avançava, os lúgubres e conhecidoslugares foram aparecendo ante ela. Ao longo desse lance da ruaTrade, só havia bares, clubes de strip — tease e negócios detatuagens. Os dois únicos restaurantes eram o chinês e ummexicano. O resto dos edifícios, que tinham sido utilizados comoescritórios nos anos vinte quando o centro da cidade era umazona próspera, estavam vazios. Conhecia cada fenda da calçada;sabia de cor a duração dos semáforos. E os sons misturados quese ouviam através das portas e janelas abertas tampouco lhefuncionavam surpreendentes. No bar do McGrider soava música de blues; da porta decristal do Zero Sum saíam gemidos de teto; e as máquinas dekaraoke estavam a todo volume no RubenS. A maioria eramlugares dignos de confiança, mas havia um par deles dos quepreferia manter-se afastada, sobre tudo Screamers, que tinha 1 1
  12. 12. uma clientela verdadeiramente tenebrosa. Aquela era uma portaque nunca cruzaria a menos que tivesse uma escolta policial. Enquanto calculava a distância até o restaurante chinês,sentiu uma onda de esgotamento. Deus, que umidade. O arestava tão denso que lhe deu a impressão de que estavarespirando através de água. Teve a sensação de que aquele cansaço não era devidounicamente ao tempo. Durante as últimas semanas não tinhadormido muito bem, e suspeitava que se achava à borda de umade pressão. Seu emprego não a levava a nenhuma parte, vivia emum lugar que lhe importava um cominho, tinha poucos amigos,não tinha amante e nenhuma perspectiva romântica. Se pensavaem seu futuro, imaginava dez anos mais tarde estancada noCaldwell com o Dick e os meninos grandes, sempre imersa namesma rotina: levantar-se, ir ao trabalho, tentar fazer algonovidadeiro, fracassar e retornar a casa só. Talvez necessitasse uma mudança. Ir-se do Caldwell e doCaldwell Courier Journal. Afastar-se daquela espécie de famíliaeletrônica conformada por seu despertador, o telefone de seuescritório e o televisor que mantinha afastados seus sonhosenquanto dormia. Não havia nada que a retivesse na cidade salvo a hábito. Nãotinha falado com nenhum de seus pais adotivos durante váriosanos, assim não a sentiriam falta de. E os novos amigos quetinha estavam ocupados com suas próprias famílias. Ao escutar um assobio lascivo detrás dela, entreabriu osolhos. Esse era o problema de trabalhar perto de uma zona comoaquela. Às vezes, encontrava-se com algum que outroperseguidor. Logo chegaram as cantadas, e a seguir, como era de esperar,dois sujeitos cruzaram a rua para colocar-se detrás dela. Olhou aseu redor. Estava afastando-se dos bares em direção ao longolance de edifícios vazios que havia antes dos restaurantes. A noiteera nublada e escura, mas pelo menos havia luzes e, de vez emquando, passava algum carro. — Eu gosto de seu cabelo negro — disse o maior enquantoadaptava seu passo ao dela — . Importa-te se o toco? Beth sabia que não podia deter-se. Pareciam meninos dealguma fraternidade universitária em férias do verão, mas nãoqueria correr nenhum risco. Além disso, o restaurante chinêsestava a só cinco maçãs. De todos os modos, procurou em sua bolsa seu spray de 1 2
  13. 13. pimenta. — Quer que te leve a alguma parte? — perguntou denovo o mesmo moço — . Meu carro não está longe. Sério, por quenão vem conosco? Podemos montar todos. Sorriu abertamente e fez uma piscada a seu amigo, como secom aquele bate-papo meloso fora a levar a à camainstantaneamente. O cupincha riu e a rodeou, seu espaçadocabelo loiro saltava a cada passo que dava. — Sim, montemo-la! — disse o loiro. Maldição, onde estavao spray? O grande estirou a mão, lhe tocando o cabelo, e ela o olhouatentamente. Com seu pólo e suas calças curtas de cor cáqui, erarealmente de aparência agradável. Um verdadeiro produtoamericano. Quando lhe sorriu, ela acelerou o passo, concentrando-se notênue brilho de néon do pôster do restaurante chinês. Rezou paraque passasse algum transeunte, mas o calor havia afugenta douaos pedestres para os locais com ar condicionado. Não havianinguém ao redor. — Quer me dizer seu nome? — perguntou o produtoamericano. Seu coração começou a bater com torça. Tinha esquecido ospray na outra bolsa. — vou escolher um nome para você. me deixe pensar... Oque te parece «gatita»? O loiro soltou uma risita. Ela tragou saliva e tirou seu móvel, se por acaso precisavachamar o 911. Conserva a calma. Mantenha o controle. Imaginou o bem que se sentiria quando entrasse norestaurante chinês e se visse rodeada pela rajada de arcondicionado. Possivelmente devia esperar e chamar um táxi, sópara estar segura de chegar a casa sem que a incomodassem. — Vamos, gatita — sussurrou o produto americano — . Seique te vai gostar. Só três maçãs mais... No instante em que baixou o meio-fio da calçada para cruzara rua Dez, ele homem a sujeitou pela cintura. Seus pés ficarampendurando no ar, e enquanto a arrastava para trás, cobriu-lhe aboca com a palma da mão. Beth lutou como uma possessa,chutando e lançando murros, e quando acertou a propinarle umbom golpe em um olho, conseguiu escapar. Tentou afastá-lo maisrapidamente possível, sapateando com força sobre o pavimento, 1 3
  14. 14. enquanto o fôlego se amontoava em sua garganta. Um carropassou pela rua Dez, e ela gritou assim que viu o brilho dosfaróis. Mas então o homem a sujeitou de novo. — vais rogar me, cadela — disse a seu ouvido, lhetampando a boca com uma mão. Sacudiu-lhe o pescoço de umlado a outro, e a arrastou para uma zona mais escura. Podiacheirar seu suor e a colônia de universitário que usava, à medidaque escutava as estridentes gargalhadas de seu amigo. Um beco. Estavam-na levando a um beco. Sentiu arcadas, a bílis lhe fazia cócegas na garganta.Sacudiu o corpo furiosamente, tratando de liberar-se. O pânicolhe dava forças, mas ele era mais forte. Empurrou-a detrás de um contêiner de lixo e pressionou seucorpo contra o dela. Esta lhe atirou outros quantos cotoveladas echutes. — Maldita seja, sujeita o os braços! Conseguiu lhe dar ao loiro uma boa patada no queixo antesde que lhe agarrasse os punhos e as levantasse por cima de suacabeça. — Vamos, cadela, isto te vai gostar — grunhiu o produtoamericano, tratando de introduzir um joelho entre as pernas dagarota. Colocou-lhe as costas contra a parede de tijolo do edifício,mantendo-a imóvel pela garganta. Teve que usar a outra mãopara lhe rasgar a blusa, e tão logo lhe deixou a boca livre,começou a gritar. Esbofeteou-a com força, lhe quebrando o lábio.Sentiu o sabor do sangue na língua e, uma dor pungente. — Sefizer isso de novo, cortarei-te a língua. — Os olhos do homemferviam de ódio e luxúria enquanto levantava a renda branca dosutiã para deixar expostos seus seios — . Diabos, acredito que ofarei de todos os modos. — Ouça, são de verdade? — perguntou o loiro, como se elafora a lhe responder. Seu companheiro lhe agarrou um dos mamilos e deu umpuxão. Beth fez uma careta de dor, as lágrimas nublaram seusolhos. Ou talvez estava perdendo a vista porque estava a ponto dedesmaiar-se. O produto americano riu. — Acredito que são naturais. Mas poderá averiguá-lo vocêmesmo quando terminar eu. Ao escutar ao loiro rir bobamente, algo no interior de seu 1 4
  15. 15. cérebro entrou em ação e se negou a deixar que aquiloacontecesse. obrigou-se a si mesmo a deixar de lutar e recorrer aseu treinamento de defesa pessoal. Exceto pela agitadarespiração, seu corpo ficou imóvel, e o produto americanodemorou um minuto em notá-lo. — Quer jogar pelas boas? — disse, olhando-a comsuspicacia. — Ela assentiu lentamente — . Bem. — inclinou-se,aproximando o nariz à sua. Beth lutou para não se separar-se,enojada pelo fétido aroma de cigarro rançoso e cerveja — . Mas segritas outra vez, te dar muitas facadas. Entende? — Ela assentiude novo — . Solta-a. O loiro lhe soltou os punhos e riu, movendo-se ao redor deambos como se procurasse o melhor ângulo para observar. Seucompanheiro lhe acariciou asperamente a pele, e ela teve quefazer um enorme esforço para conservar a barra de chocolate doTony no estômago quando sentiu as náuseas subindo por suagarganta. Embora lhe repugnavam aquelas mãos oprimindo seusseios, estirou a mão procurando sua braguilha. Ainda a sujeitavapelo pescoço, e ela tinha problemas para respirar, mas nomomento em que tocou seus genitais, ele gemeu, afrouxando apresa. Com um enérgico apertão, Beth lhe agarrou os testículo,retorcendo-os tão forte como pôde, e o propinó um joelhada nonariz enquanto ele se derrubava. Uma corrente de adrenalinaatravessou seu corpo, e durante uma décima de segundo desejouque o amigo a atacasse em lugar de ficar olhando-aestupidamente. — Bastardos! — gritou-lhes. Beth saiu correndo do beco, sujeitando-a blusa, sem deter-se até chegar à porta de seu edifício de apartamentos. Suas mãostremiam com tanta força que lhe custou trabalho introduzir achave na fechadura. E só quando se encontrou ante o espelho dobanho se precaveu de que rodavam lágrimas por suas bochechas. Butch Ou’Neal levantou a vista quando soou a rádio sob osalpicadero de seu carro patrulha sem distintivos. Em um beconão longe de ali, um homem se encontrava atirado no chão, masvivo. Butch olhou seu relógio. Eram pouco mais das dez, o quesignificava que a diversão acabava de começar. Era uma sexta-feira de noite de começos de julho, e os universitários acabavamde começar suas férias e estavam ansiosos por competir nasOlimpíadas da Estupidez. Imaginou que o sujeito tinha sidoassaltado ou que lhe tinham dado uma lição. 1 5
  16. 16. Esperava que fora o segundo. Butch tomou o auricular e disse ao operador que iria àchamada, embora era detetive de homicídios, não patrulheiro.Estava trabalhando em dois casos nesse momento, um afogadono Rio Hudson e uma pessoa enrolada por um condutor que sedeu à fuga, mas sempre havia sitio para alguma coisa mais.quanto mais tempo passasse fora de sua casa, melhor. Os pratossujos na pia e os lençóis enrugados sobre a cama não foram jogaro de menos. Acendeu a sereia e pisou no acelerador enquanto pensava:Vejamos o que passou aos meninos do verão. Capítulo 2 À medida que atravessava Scramers, Wrath esboçou umdepreciativo sorriso enquanto a multidão tropeçava entre si parase separar-se de seu caminho. De seus poros emanava medo euma curiosidade morbosa e luxuriosa. O vampiro inalou o fétidoaroma. Ganho. Todos eles. Apesar de levar os óculos escuros, seus olhos não puderamsuportar as tênues luz, e teve que fechar as pálpebras. Sua vistaera tão malote que se encontrava muito mais cômodo em totalescuridão. Concentrando-se em seu ouvido, esquivou os corposentre os compases da música, isolando o arrastar de pés, osussurro de palavras, o som de algum copo estrelando-se contrao chão. Se tropeçava com algo, não lhe importava. Dava igual doque se tratasse: uma cadeira, uma mesa, um humano...,simplesmente passava por cima do que fosse. Notou a presença do Darius claramente porque o seu era oúnico corpo daquele maldito lugar que não empesteava a pânico.Embora o guerreiro estivesse ao limite essa noite. Wrath abriu os olhos quando esteve frente ao outro vampiro.Darius era um vulto relatório, sua cor escura e sua roupa negraeram quão único a vista do Wrath conseguia apreciar. — Aonde foi Tohrment? — perguntou ao sentir um eflúviode uísque escocês. Wrath se sentou em uma cadeira. Olhou fixamente à frente eobservou à multidão ocupando de novo o espaço que ele tinhaaberto entre eles. 1 6
  17. 17. Esperou. Darius se distinguia por não andar-se pelos ramos e sabiaque Wrath não suportava que lhe fizessem perder o tempo. Seguardava silêncio, era porque algo ocorria. Darius bebeu um sorvo de sua cerveja, logo respirou comforça. — Obrigado por vir, meu senhor... — Se quiser algo de mim, não comece com isso — disseWrath com voz lenta, advertindo que uma garçonete lhesaproximava. Pôde perceber uns seios grandes e uma franja depele entre a ajustada blusa e a curta saia. — Querem algo de beber? — perguntou ela lentamente.Esteve tentado de sugerir que se deitasse sobre a mesa e lhedeixasse beber de seu jugular. O sangue humano não o manteriavivo muito tempo, mas com toda segurança teria melhor saborque o álcool aguado. — Agora não — disse. Seu hermético sorriso esporeou a ansiedade dela lhecausando, ao mesmo tempo, uma rajada de desejo. Ele pôdenotar esse aroma nos pulmões. Não estou interessado, pensou. A garçonete assentiu, mas não se moveu. ficou ali, olhando-o fixamente, com seu curto cabelo loiro formando um halo naescuridão ao redor de seu rosto. Encantada, parecia ter esquecidoseu próprio nome e seu trabalho. E que incômodo lhe funcionava aquilo. Darius se revolveuimpaciente. — Isso é todo — murmurou — . Estamos bem. Quando a moça se afastou, perdendo-se entre a multidão,Wrath escutou ao Darius esclarecê-la garganta. — Obrigado por vir. — Isso vai há ... nos conhecemos faztempo. — Assim é. — lutamos juntos muitas vezes. eliminamos a montões derestrictores. Wrath assentiu. A Irmandade da Adaga Negra tinhaprotegido a raça contra a Sociedade Restritiva durante gerações.Estavam Darius, Tohrment e os outros quatro. Os irmãos eramsuperados em número pelos restrictores, humanos sem alma queserviam a um malvado amo, o Omega. Mas Wrath, seusguerreiros as arrumavam para proteger aos seus. Darius pigarreou de novo. — depois de todos estes anos... — D, vê o grão. Marissa me necessita para um pequeno 1 7
  18. 18. assunto esta noite. — Quer utilizar minha casa outra vez? Sabe que não permitoque ninguém mais fique nela. — Darius deixou escapar umarisada incômoda — . Estou seguro de que seu irmão prefeririaque não aparecesse por sua casa. Wrath cruzou os braços sobre o peito, empurrando a mesacom uma bota para ter um pouco mais de espaço. Importava-lhe um cominho que o irmão da Marissa foramuito sensível e se sentisse ofendido pela vida que Wrath levava.Havers era um esnobe e um diletante cuja insensatezultrapassava todos os limites. Era totalmente incapaz de entendera classe de inimigos que tinha a raça e o que custava defender aseus membros. E só porque o moço se sentia ofendido, Wrath nãoia jogar cavalheiro enquanto assassinavam a civis. Ele tinha queestar no campo de batalha com seus guerreiros, não ocupandoum trono. Havers podia ir-se a passeio. Embora Marissa não tinha por que suportar a atitude de seuirmão. — Talvez aceite seu oferta. — Bem. — Agora fala. — Tenho uma filha. Wrath girou lentamente acabeça. — Desde quando? — Há algum tempo. — Quem é a mãe? — Não a conhece. E ela..., ela morreu. A pena do Darius se espalhou a seu redor com um acrearoma de dor antiga que se sobrepôs ao fedor a suor humano,álcool e sexo do clube. — Que idade tem? — exigiu saber Wrath. Começava apressentir para onde se encaminhava aquele assunto. — Vinte ecinco. Wrath sussurrou uma maldição. — Não me peça isso , Darius. Não me peça que o faça. —Tenho que lhe pedir isso Meu senhor, seu sangue é... — mechame assim outra vez e terei que te fechar a boca. para sempre. — Não o entende. Ela é... Wrath começou a levantar-se. A mão do Darius sujeitou seuantebraço e o soltou rapidamente. — É meio humana. — Por Deus... — É possível que não sobreviva à transição. Escuta, se vocêa ajudas, pelo menos terá uma oportunidade. Seu sangue é muitoforte, aumentaria suas probabilidades de sobreviver à mudançasendo uma mestiça. Não te estou pedindo que tome como shellan,nem que a proteja, porque, eu posso fazê-lo. Só estou tratando 1 8
  19. 19. de... Por favor. Meus outros filhos morreram. Ela é quão únicoficará de mim. E eu... amei muito a sua mãe. Se tivesse sido qualquer outro, Wrath teria usado sua frasefavorita: Vai-te à merda. Por isso a ele concernia, só havia duasboas posturas para um humano. Uma fêmea, sobre suas costas.E um macho, de barriga para baixo e sem respirar. Mas Darius era quase um amigo. Ou o teria sido, se Wrathlhe tivesse permitido aproximar-se o Quando se levantou, fechou os olhos com força. O ódio oembargava concentrando-se no centro de seu peito. desprezou-sea si mesmo por partir dali, mas simplesmente não era a classe demacho que ajudasse a qualquer pobre mestiço a suportar ummomento tão doloroso e perigoso. A cortesia e a piedade não erampalavras que formassem parte de seu vocabulário. — Não posso fazê-lo. Nem sequer por você. A angústia do Darius o atingiu como uma grande onda, eWrath se cambaleou ante a força de semelhante emoção. Então,apertou o ombro do vampiro. — Se na verdade a amas, lhe faça um favor: peça-lhe aoutro. Wrath se deu a volta e saiu do local. De caminho à portaapagou a imagem de si mesmo da casca cerebral de todos quãohumanos havia no lugar. Os mais fortes pensariam que o tinhamsonhado. Os fracos nem sequer o recordariam. Ao sair à rua, dirigiu-se a um canto escuro detrás doScramers para poder dê materializar-se. Passou junto a umamulher que o fazia uma mamada a um sujeito entre as sombras.A escassos metros, um vagabundo bêbado dormitava no chão e,um traficante de drogas discutia pelo móvel o preço do crack.Wrath soube imediatamente que o seguiam e quem era. O docearoma de talco para bebês o delatava sem remédio. Sorriu amplamente, abriu sua jaqueta de couro e tirou umde seus fira shuriken. A estrela arrojadiza de aço inoxidável seacomodava perfeitamente à palma de sua mão. Quase cemgramas de morte preparados para sair voando. Com a arma na mão, Wrath não alterou o passo, embora seudesejo era ocultar-se rapidamente na escuridão. Estava ansiosopor brigar depois de deixar plantado ao Darius, e aquele membroda Sociedade Restritiva tinha chegado no momento justo. Matar a um humano sem alma era precisamente o quenecessitava para mitigar seu mal-estar. À medida que atraía ao restrictor à densa escuridão, o corpodo Wrath se ia preparando para a luta, seu coração batia 1 9
  20. 20. pausadamente, os músculos de seus braços e coxas secontraíram. Percebeu o ruído de uma arma sendo martelada ecalculou a direção do projétil. Apontava à parte traseira de suacabeça. Com um rápido movimento, girou sobre si mesmo nomomento em que a bala saía do canhão. inclinou-se e lançou aestrela, que com um brilho prateado começou a traçar um arcomortífero. Acertou ao restrictor exatamente no pescoço, lhecerceando a garganta antes de continuar seu caminho para aescuridão. A pistola caiu ao chão, chocando ruidosamente contrao pavimento. O restrictor se sujeitou o pescoço com ambas as mãos e caiude joelhos. Wrath se aproximou dele, revisou-lhe os bolsos e se guardoua carteira e o telefone que levava. Logo tirou um longo faca negra de uma capa que levava nopeito. Sentia que a luta não tivesse durado mais, mas a julgarpelo cabelo escuro e encaracolado e o ataque relativamente torpe,tratava-se de um novato. Com um rápido empurrão, colocou aorestrictor de barriga para cima, arrojou a faca ao ar, e agarrou opunho com um rápido giro de punho. A folha se afundou nacarne, atravessou o osso e chegou até o negro vazio onde tinhaestado o coração. Com um som apagado, o restrictor se desintegrou em umbrilho de luz. Wrath limpou a folha em suas calças de couro, deslizou-adentro da capa e ficou de pé, olhando a seu redor. Ato seguido, sedesmaterializó. Darius bebeu uma terceira cerveja. Uma parceira defanáticos do estilo gótico se aproximou dele, procurando umaoportunidade de ajudá-lo a esquecer seus problemas. Elerechaçou o convite. Saiu do bar e se encaminhou para seu BMW 6501estacionado no beco de atrás do clube. Como qualquer vampiroque se aprecie, ele podia dê materializar-se a vontade e atravessargrandes distancia, mas era um truque difícil de executar se secarregava com algo pesado. E não era algo que alguém queriafazer em público. Além disso, um carro elegante sempre era dignode admiração. Subiu ao automóvel e fechou a porta. Do céu começaram acair gotas de chuva, manchando o pára-brisa como grosaslágrimas. 2 0
  21. 21. Não tinha esgotado suas opções. O bate-papo sobre o irmãoda Marissa o tinha deixado pensativo. Havers era um médicototalmente entregue à raça. Talvez ele pudesse lhe ajudar.Certamente, valia a pena tentá-lo. Ensimismado em seus pensamentos, Darius introduziu achave no contato e a fez girar. O aceso fez um som rouco. Girou achave de novo, e no instante em que escutou um rítmico tictac,teve uma terrível premonição. A bomba, que tinha sido acoplada ao chassi do carro econectada ao sistema elétrico, explodiu. Enquanto seu corpo ardia com um estalo de calor branco,seu último pensamento foi para a filha que ainda não o conhecia.E que já nunca o faria. Capítulo 3 Beth esteve sob a ducha quarenta e cinco minutos, utilizomeio bote de gel, e quase derreteu o barato papel pintado dasparedes do banho devido ao intenso calor da água. secou-se,ficou uma bata e tentou não olhar-se outra vez ao espelho. Seulábio tinha um feio aspecto. Saiu à única residência que possuía seu pequenoapartamento. O ar condicionado se estragou fazia um par desemanas, e o ambiente da estadia era tão sufocante como o dobanho. Olhou por volta das duas janelas e a porta trilho queconduzia a um desangelado pátio traseiro. Teve o impulso dasabrir todas; entretanto, limitou-se a revisar os fechamentos. Embora seus nervos estavam destroçados, ao menos seucorpo estava recuperando-se rapidamente. Seu apetite haviatornado em busca de vingança, como se estivesse incômodo pornão ter jantado, assim que se dirigiu diretamente à cozinha.Inclusive as sobras de frango de fazia quatro noites pareciamapetitosas, mas quando quebrou o papel de alumínio, percebeuum eflúvio de meias três-quartos úmidos. Jogou no lixo todo opacote e colocou um recipiente de comida congelada nomicroondas. Comeu os macarrão com queijo de pé, sustentando apequena bandeja de plástico na mão com uma luva de cozinha.Não foi suficiente, assim teve que preparar-se outra ração. A idéia de engordar dez quilos em uma sozinha noite eratremendamente atraente; vá se o era. Não podia fazer nada com o 2 1
  22. 22. aspecto de seu rosto, mas estava disposta a apostar que seumisógino atacante neandertal preferia a suas vítimas finas eatléticas. Piscou, tratando de tirar-se da cabeça a imagem de seupróprio rosto. Deus, ainda podia sentir suas mãos, ásperas edesagradáveis, lhe manuseando os seios. Tinha que denunciá-lo. aproximaria-se da delegacia depolícia. Embora não queria sair do apartamento. Pelo menos atéque amanhecesse. dirigiu-se até o futón que usava como sofá e cama e secolocou em posição fetal. Seu estômago tinha dificuldades paradigerir os macarrão com queijo e uma onda de náusea seguidapor uma sucessão de calafrios percorreu seu corpo. Um suave miado lhe fez levantar a cabeça. — Olá, Boo — disse, estalando os dedos com inapetência. Opobre animal tinha fugido apavorado quando ela tinha entradocomo uma tromba pela porta rasgando-a roupa e arrojando-a portoda a residência. Miando novamente, o gato negro se aproximou. Seusgrandes olhos verdes pareciam preocupados enquanto saltavacom elegância para seu colo. — Lamento todo este drama — murmurou ela, lhe fazendositio. O animal esfregou a cabeça contra seu ombro, ronronando.Seu corpo estava morno, quase não pesava. Não soube o tempoque permaneceu ali sentada acariciando sua suave pelagem, masquando o telefone soou, teve um sobressalto. Enquanto tratava de alcançar o auricular, as arrumou paraseguir acariciando a seu mascote. Os anos de convivência tinhamconseguido que sua coordenação gato/teléfono roçasse níveis deperfeição. — Olá? — disse, pensando em que era mais de meia-noite,o que descartava aos vendedores telefônicos e sugeria algumassunto de trabalho ou algum psicopata ansioso. — Olá, senhorita B. te Coloque seus sapatilhas de baile. Ocarro de um indivíduo saltou pelos ares ao lado do ScreamerS.Ele estava dentro. Beth fechou os olhos e quis soluçar. José da Cruz era umdos detetives da polícia da cidade, mas também um grandeamigo. Embora tinha que dizer que lhe acontecia o mesmo com amaioria dos homens e mulheres que levavam uniforme azul. 2 2
  23. 23. Como passava tanto tempo na delegacia de polícia, tinha chegadoa conhecê-los bastante bem, mas José era um de seus favoritos. — Olá, está aí? o conte o que aconteceu. Abre a boca. A vergonha e o horror do ocorrido lhe oprimiam as cordasvocais. — Aqui estou, José. — separou-se o escuro cabelo da face epigarreou — . Não poderei ir esta noite. — Sim, claro. Quando deixaste acontecer uma boainformação? — — Riu alegremente — . Ah, mas tome o comcalma. O Duro leva o caso. O Duro era o detetive de homicídios Brian OuNeal, maisconhecido como Butch. Ou simplesmente senhor. — Sério, não posso... ir aí esta noite. — Está ocupada com alguém? — A curiosidade fez que avoz fora premente. José estava felizmente casado, mas ela sabiaque na delegacia de polícia todos especulavam a sua costa. Umamulher com um cuerpazo como o seu sem um homem? Algo tinhaque ocorrer — . E bem? Está-o? — Por Deus, não. Não. Houve um silêncio antes de que o sexto sentido de polícia deseu amigo ficasse alerta. — O que acontece? — Estou — bem. um pouco cansada. Irei à delegacia depolícia amanhã. Apresentaria a denúncia então. Ao dia seguinte se sentiria osuficientemente forte para recordar o que tinha passado semderrubar-se. — Necessita que vá verte? — Não, mas lhe agradeço isso. Estou bem, de verdade.Pendurou o auricular. Quinze minutos depois se colocou um par de jeans recémlavados e uma ampla camisa que ocultava suas esplêndidascurvas. Chamou um táxi, mas antes de sair pinçou no armárioaté encontrar sua outra bolsa. Agarrou o spray de pimenta e oapertou com força na mão enquanto se dirigia à rua. No trajetoentre sua casa e o lugar onde tinha estalado a bomba,recuperaria a voz e o contaria todo ao José. Por muito quedetestasse a idéia de recordar a agressão, não ia permitir queaquele imbecil seguisse livre lhe fazendo o mesmo a outra pessoa.E embora nunca o prendessem, ao menos teria feito todo opossível para tratar de capturá-lo. 2 3
  24. 24. Wrath se materializou no salão da casa do Darius. Maldição,já tinha esquecido quão bem vivia o vampiro. Embora D era umguerreiro, comportava-se como um aristocrata, e para falar averdade, tinha uma certa lógica. Sua vida tinha começado comoum princeps de alta linhagem, e ainda conservava o gosto pelobom viver. Sua mansão do século XIX estava bem cuidada, cheiade antiguidades e obras de arte. Também era tão segura como acâmara couraçada de um banco. Mas as paredes amarelo claro do salão feriram seus olhos. — Que agradável surpresa, meu senhor. Fritz, o mordomo, apareceu do vestíbulo e fez uma profundareverência enquanto apagava as luzes para aliviar os olhos doWrath. como sempre, o velho macho ia vestido com librea negra.Tinha estado com o Darius ao redor de cem anos, e era umdoggen, o que significava que podia sair à luz do dia masenvelhecia mais rápido que os vampiros. Sua subespécie tinhaservido aos aristocratas e guerreiros durante muitos milênios. —ficará conosco muito tempo, meu senhor? Wrath negou com acabeça. Não se podia evitá-lo. — Umas horas. — Sua residência está preparada. Se me necessitar, senhor,aqui estarei. Fritz se inclinou de novo e caminhou para trás para sair daresidência, fechando as portas duplas atrás dele. Wrath se dirigiu para um retrato de mais de dois metros dealtura do que lhe haviam dito que tinha sido um rei francês.Colocou suas mãos sobre o lado direito do pesado marcodourado. O tecido girou sobre seu eixo para revelar um escurocorredor de pedra iluminado com abajures de gás. Ao entrar, desceu por umas escadas até as profundidadesda terra. Ao final dos degraus havia duas portas. Alguém ia aossuntuosos aposentos do Darius, a outra se abriu ao que Wrathconsiderava um substituto de seu lar. A maioria dos dias dormiaem um armazém de Nova Iorque, em uma residência interior feitade aço com um sistema de segurança muito similar ao do FortKnox. Mas ele nunca convidaria ali a Marissa. Nem a nenhum dosirmãos. Sua privacidade era muito valiosa. Quando entrou, os abajures sujeitos às paredes seacenderam por toda a residência a vontade dela. Seu resplendordourado iluminava só tenuemente o caminho na escuridão. Comodeferência à escassa visão do Wrath, Darius tinha pintado denegro os muros e o teto de seis metros de altura. Em uma 2 4
  25. 25. esquina, destacava uma enorme cama com lençóis de cetim negroe um montão de travesseiros. Ao outro lado, havia uma poltronade couro, um televisor de tela grande e uma porta que dava a umbanho de mármore negro. Também havia um armário cheio dearmas roupa. Por alguma razão, Darius sempre insistia em que ficasse namansão. Era um maldito mistério. Não se tratava de que odefendesse, porque Darius podia proteger-se a si mesmo. E aidéia de que um vampiro como D sofresse de solidão era absurda.Wrath recebeu a Marissa antes de que entrasse na residência. Oaroma do oceano, uma poda brisa, precedia-a. Terminemos comisto de uma vez, pensou. Estava ansioso por retornar às ruas. Sótinha saboreado um bocado de batalha, e essa noite queriaabarrotar-se. deu-se a volta. Enquanto Marissa inclinava seu miúdo corpo para ele,sentiu devoção e inquietação flutuando no ar ao redor da fêmea.— Meu senhor — disse ela. Pelo pouco que podia ver, levava posta um objeto pequenade gaze branca, e seu longo cabelo loiro lhe caía em cascata sobreos ombros e as costas. Sabia que se vestiu para comprazê-lo, edesejou no mais íntimo de seu ser que não se esforçou tanto. tirou-se a jaqueta de couro e a capa onde levava suasadagas. Malditos fossem seus pais. por que lhe tinham dado umafêmea como ela? Tão... frágil. Embora, pensando-o bem, considerando o estado em que seencontrava antes de sua transição, talvez temeram que outramais forte pudesse lhe causar mal. Wrath flexionou os braços, seus bíceps mostraram suagrossura, um de seus ombros rangeu devido ao esforço. Se pudessem vê-lo agora. Seu esquálido corpo setransformou no de um frio assassino. Talvez seja melhor que estejam mortos, pensou. Não teriamaprovado no que se converteu agora. Mas não pôde evitar pensar que se eles tivessem vivido atéuma idade avançada, ele teria sido diferente. Marissa trocou de lugar nervosamente. — Lamento te incomodar. Mas não posso esperar mais.Wrath se dirigiu ao banho. — Necessita-me, e eu acudo. Abriu a torneira e subiu as mangas de sua camisa negra. 2 5
  26. 26. Com o vapor elevando-se, lavou-se a sujeira, o suor e — a mortede suas mãos. Logo esfregou a pastilha de sabão pelos braços,cobrindo de espuma as tatuagens rituais que adornavam seusantebraços. enxaguou-se, secou-se e caminhou até a poltrona.sentou-se e esperou, chiando os dentes. Durante quanto tempo tinham feito aquilo? Séculos. MasMarissa sempre necessitava algum tempo para poder aproximar-se o Se tivesse sido outra, sua paciência se teria esgotadoimediatamente, mas com ela era um pouco mais tolerante. A verdade era que sentia pena por ela porque a tinhamforçado a ser seu shellan. Lhe havia dito uma e outra v ez que aliberava de seu compromisso para que encontrasse um verdadeirocompanheiro, um que não somente matasse tudo o que lheameaçasse, mas sim também a amasse. O estranho era que Marissa não queria deixá-lo, por muitofrágil que fora. Ele imaginava que ela provavelmente temia quenenhuma outra fêmea quereria estar com ele, que nenhumaalimentaria à besta quando o necessitasse e sua raça perderiasua estirpe mais poderosa. Seu rei. Sua líder, que carecia davontade de liderar. Sim, era um maldito inconveniente.Permanecia afastado dela a menos que precisasse alimentar-se, oqual não acontecia com freqüência devido a sua linhagem. Afêmea nunca sabia onde estava ele, ou o que estava fazendo.Passava os largos dias só na casa de seu irmão, sacrificando suavida para manter vivo ao último vampiro de sangue puro, o únicoque não tinha nenhuma sozinha gota de sangue humano em seucorpo. Francamente, não entendia como suportava isso... nemcomo o suportava a ele. De repente, sentiu vontades de amaldiçoar. Aquela noiteparecia ser muito apropriada para alimentar seu ego. PrimeiroDarius e agora ela. Os olhos do Wrath a seguiram enquanto ela se movia pelaresidência, descrevendo círculos a seu redor, aproximando -se oobrigou-se a relaxar-se, a estabilizar sua respiração, a imobilizarseu corpo. Aquela era a pior parte do processo. Dava-lhe pâniconão ter liberdade de movimentos, e sabia que quando elacomeçasse a alimentar-se, a sufocante sensação pioraria. — estiveste ocupado, meu senhor? — disse suavemente. Eleassentiu, pensando que se tinha sorte, ia estar mais ocupadoantes do amanhecer. Marissa finalmente se ergueu frente a ele, e o vampiro pôde 2 6
  27. 27. sentir sua fome prevalecendo sobre sua inquietação. Tambémsentiu seu desejo. Ela o queria, mas ele bloqueou esse sentimentoda fêmea. Sob nenhum conceito teria relações sexuais com ela. Nãopodia imaginar submeter a Marissa às coisas que tinha feito comoutros corpos femininos. E ele nunca a tinha querido dessamaneira. Nem sequer ao princípio. — Vêem aqui — disse, fazendo um gesto com a mão. E Deixocair o antebraço sobre a coxa, com o punho para cima — . Estáfaminta. Não deveria esperar tanto para me chamar. Marissa descendeu até o chão perto de seus joelhos, seuvestido se formou redemoinhos ao redor de seu corpo e seus pés.Ele sentiu a tibieza dos dedos sobre sua pele enquanto elapercorria suas tatuagens com as mãos, acariciando os negroscaracteres que detalhavam sua linhagem no antigo idioma.Estava o suficientemente perto para captar os movimentos de suaboca abrindo-se, suas presas cintilaram antes de afundá-los naveia. Wrath fechou os olhos, deixando cair a cabeça para trásenquanto ela bebia. O pânico o alagou rápida e fortemente. Dobrou o braço livre ao redor do borda da poltrona,tensionando os músculos ao tempo que agarrava a esquina paramanter o corpo em seu lugar. Calma, precisava conservar acalma. Logo terminaria, e então seria livre. Quando Marissa levantou a cabeça dez minutos depois, elese ergueu de um salto e aplacou a ansiedade caminhando ,sentindo um alívio doentio porque não podia mover-se. Assim quese sossegou, aproximou-se da fêmea. Estava saciada, absorvendoa força que a embargava à medida que seu sangue se mesclava.Não lhe agradou vê-la no chão, de modo que a levantou, e estavapensando em chamar o Fritz para que a levasse a casa de seuirmão, quando uns rítmicos golpes soaram na porta. Wrath se voltou a olhar ao outro lado da residência,transladou-a à cama e ali a recostou. — Obrigado, meu senhor — murmurou ela — . Voltarei, acasa por meus próprios meios. Ele fez uma pausa, e logo colocouum lençol sobre as pernas da vampiresa antes de abrir a porta derepente. Fritz estava muito agitado por algo. Wrath saiu, fechando a porta detrás de si. Estava a ponto deperguntar que demônios podia justificar tal interrupção, quandoo aroma do mordomo impregnou sua irritação. 2 7
  28. 28. Soube, sem perguntar, que a morte tinha feito outra visita. EDarius tinha desaparecido. — Senhor... — Como foi? — grunhiu. Já se ocuparia da dor mais tarde.Primeiro necessitava detalhes. — Ah, o carro... — Estava claro que o mordomo tinhaproblemas para conservar a calma, e sua voz era tão frágil equebradiça como seu velho corpo — . Uma bomba, não senhor. Ocarro... Ao sair do clube. Tohrment chamou. Viu-o todo. Wrathpensou no restrictor que tinha eliminado. Desejou saber se tinhasido ele quem tinha perpetrado o atentado. Aqueles bastardos jánão tinham honra. Pelo menos seus precursores, desde faziaséculos, tinham lutado como guerreiros. Esta nova raça estavacomposta por covardes que se escondiam detrás da tecnologia. — Chama à Irmandade — vociferou — — . lhes diga quevenham imediatamente. — Sim, é obvio. Senhor... Darius me pediu que lhe desse isto— o mordomo estendeu algo — , se você não estava com elequando morrera. Wrath agarrou o sobre e retornou ao aposento, sem poderoferecer compaixão alguma nem ao Fritz nem a ninguém. Marissase tinha partido, o qual era bom para ela. Colocou a última carta do Darius no bolso de sua calça decouro. E deu renda solta a sua ira. Os abajures explodiram e caíram feitas pedacinhosenquanto um torvelinho de ferocidade girava a seu redor, cadavez mais forte, mais rápido, mais escuro, até que o mobiliário seelevou do chão traçando círculos ao redor do vampiro. Jogou paratrás a cabeça e rugiu. Capítulo 4 Quando o táxi deixou ao Beth frente a Scramers, a cena docrime se encontrava em plena atividade. Brilhos de luzes azuis ebrancas saíam dos carros patrulha que bloqueavam o acesso aobeco. O quadrado veículo blindado dos artífices vai tinhachegado. O lugar estava lotado de agentes tanto de uniformecomo vestidos de civil. E a habitual multidão de curiosos ébrios, 2 8
  29. 29. apropriou-se da periferia do cenário fumando e conversando. Emtodos os anos que levava como repórter, tinha descoberto que umhomicídio era um acontecimento social no Caldwell.Evidentemente Para todos menos para o homem ou mulher quetinha morrido. Para a vítima, imaginava, a morte era um assuntobastante solitário, embora tivesse visto frente a frente a face deseu assassino. Algumas pontes terá que cruzá-los sós, semimportar quem nos empurre pelo borda. Beth se cobriu a boca com a manga. O aroma de metalqueimado, um pungente fedor químico, invadiu seu nariz. — Ouça, Beth! — Um dos agentes lhe fez senas — . Se querte aproximar mais, entra no Screamers e sal pela porta traseira.Há um corredor... — De fato, vim a ver o José. Está por aqui? O agente estirouo pescoço, procurando entre a multidão. — Estava aqui faz umminuto. Talvez tenha voltado para a delegacia de polícia. Ricky!Viu ao José? Butch OuNeal se parou frente a ela, silenciando ao outropolicial com um sombrio olhar. — Vá surpresa. Beth deu um passo atrás. O Duro era um bom espécime dehomem. Corpo grande, voz grave, presença avassaladora.Supunha que muitas mulheres se sentiriam atraídas por ele,porque não podia negar que era de aparência agradável, de umamaneira tosca, arruda. Mas Beth nunca havia sentido saltar umafaísca. Não é que os homens não lhe fizessem sentir nada, masaquele homem, em concreto, não lhe interessava. — E bem, Randall, o que te traz por aqui? — levou-se umaparte de chiclete à boca e enrugou o papel formando umabolinha. Seu queixo ficou a trabalhar como se estivesse frustrado;não mastigava, amassava. — Estou aqui pelo José. Não pelo crime. — claro que sim. — Entrecerrou os olhos. Com suassobrancelhas de cor castanha e seus olhos profundos, pareciasempre um pouco zangado, mas, bruscamente, sua expressãopiorou — . Pode vir comigo um segundo? — Em realidade preciso ver o José... EI o sujeito o braço com um forte apertão. — Só vêem aqui. — Butch a levou a um canto isolado dobeco, longe do bulício — . Que diabos te passou na face? Ela elevou a mão e se cobriu o lábio ferido. Ainda devia estar 2 9
  30. 30. abalada, porque se tinha esquecido de todo. — Repetirei apergunta — disse — . Que diabos te passou? — Eu, né... — A garganta lhe fechou — . Estava... — Não iachorar. Não diante do Duro — . Preciso ver , José. — Não está aqui, assim não poderá contar com ele. Agorafala. Butch lhe imobilizou os braços aos lados, como sepressentisse que podia sair correndo. Ele media só uns poucoscentímetros mais que ela, mas a retinha com 30 quilos demúsculo pelo menos. O medo se instalou em seu peito corno se queria perfurá-la,mas já estava farta de ser maltratada fisicamente essa noite. — te retire, OuNeal — Colocou a palma da mão no peito dohomem e empurrou. O se moveu um pouco. — Beth, me diga... — Se não me soltar... — seu olhar sustentou a dele — , voupublicar um artigo sobre seus técnicas de interrogatório. Já sabe,as que necessitam raios X e estuque quando terminaste. Os olhos de OuNeal se entrecerraram de novo. Separou-seos braços de seu corpo e levantou as mãos como se se estivesserendendo. — Está bem. — Deixou-a e retornou à cena do crime. Bethapoiou as costas contra o edifício, e sentiu que suas pernasfraquejavam. Olhou para baixo, tratando de reunir forças, e viualgo metálico. Dobrou os joelhos e se inclinou. Era uma estrelaarrojadiza de artes marciais. — Ouça, Ricky! — chamou. O policial se aproximou, e elaassinalou ao chão — . Provas. Deixou-lhe fazer seu trabalho e se dirigiu a toda pressa àrua Trade para agarrar um táxi. Simplesmente, já não podiasuportá-lo mais. Ao dia seguinte apresentaria uma denúncia oficial com oJosé. A primeira hora da manhã. Quando Wrath reapareceu no salão, tinha recuperado ocontrole. Suas armas estavam em suas respectivas capas e suajaqueta pesava na mão, cheia das estrelas arrojadizas e facas quegostava de utilizar. Tohrment foi o primeiro da Irmandade em chegar. Tinha osolhos acesos, a dor e a vingança faziam que o azul escurobrilhasse de maneira tão vívida que inclusive Wrath pôde captar obrilho de cor. Enquanto Tohr se recostava contra uma das paredes 3 0
  31. 31. amarelas do Darius, Vishous entrou na residência. A cavanhaqueque se deixou crescer fazia pouco e dava um aspecto maissinistro do habitual, embora era a tatuagem ao redor de seu olhoesquerdo o que realmente o situava no campo do assustador.Essa noite tinha bem imersão a boina dos Rede Sox e ascomplexas marcas das têmporas quase não se viam. comosempre, sua luva negra de condutor, que usava para que suamão esquerda não entrasse em contato com ninguéminadvertidamente, estava em seu lugar. O qual era algo bom. Um maldito serviço público. Seguiu-lhe Rhage. Tinha suavizado sua atitude arrogantecomo deferência ao motivo da convocatória daquela reunião.Rhage era um macho muito alto, enorme, poderoso, mais forteque o resto dos guerreiros. Também era uma lenda sexual nomundo dos vampiros, arrumado como um galã de cinema e comum vigor capaz de rivalizar com um rebanho de garanhões. Asfêmeas, tanto vampiras como humanas, pisoteariam a suaspróprias crias para chegar a ele. Pelo menos até que vislumbrassem seu lado escuro. Quandoa besta do Rhage saía à superfície, todos, irmãos incluídos,procuravam refúgio e começavam a rezar. Phury era o último. Sua claudicação funcionava quaseimperceptível. Sua perna ortopédica tinha sido substituída faziapouco, e agora estava composta por uma liga de titânio e carbonode última tecnologia. A combinação de barras, articulações epernos estava atarraxada à base da coxa direita. Com sua fantástica juba de cabelos multicoloridos, Phurytivesse devido estar acompanhado de atrizes e modelos, mas setinha mantido fiel a seu voto de castidade. Só havia sitio para umúnico amor em sua vida, E este o tinha estado matandolentamente durante anos. — Onde está seu gêmeo? — perguntou Wrath. — Z está decaminho. que Zsadist chegasse o último não era nenhuma surpresa. Zera um gigantesco e violento perigo para o mundo. Um malditobastardo que blasfemava a todas as horas e que levava o ódio,especialmente para as fêmeas, a novos níveis. Por fortuna, entresua face coberta de cicatrizes e, seu cabelo talhado ao corte debarba, tinha um aspecto tão aterrador como realmente era, demodo que a gente estava acostumada se separar-se de seucaminho. Raptado de sua família quando era um criança, tinha 3 1
  32. 32. acabado como escravo de sangue, e o mau trato a mãos de suaama tinha sido brutal em todos os sentidos. Ao Phury havia levadou quase um século encontrar a seu gêmeo, e Z tinha sidotorturado até o ponto de que foi dado por morto antes de serresgatado. Uma caída no salgado oceano tinha gravado as feridas napele do Zsadist, e além disso do labirinto de cicatrizes, aindaexibia as tatuagens de escravo, assim como vários piercings queele mesmo tinha acrescentado, só porque gostava da sensação dedor. Com toda certeza, Z era o mais perigoso dos membros daIrmandade. depois do que tinha suportado, não lhe importavanada nem ninguém. Nem sequer seu irmão. Inclusive Wrath protegia suas costas em presença daqueleguerreiro. Sim, a Irmandade da Adaga Negra era um grupo diabólico. Oúnico que se interpunha entre a população de vampiros civis e osrestrictores. Cruzando os braços, Wrath passeou o olhar pela residência,observando a cada um dos guerreiros, pensando em suas forças,mas também em suas maldições. Com a morte do Darius, recordou que, embora seusguerreiros estavam propinando duros golpes às legiões deassassinos da Sociedade, havia muito poucos irmãos lutandocontra uma inesgotável e autogeneradora reserva de restrictores. Porque Deus era testemunha de que havia muitos humanoscom interesse e aptidões para o assassinato. A balança simplesmente não se inclinava a favor da raça.Ele não podia evitar o fato de que os vampiros não viviameternamente, que os irmãos podiam ser assassinados e que oequilíbrio podia quebrar-se em um instante a favor de seusinimigos. Demônios, a mudança vai tinha começado. Desde que oOmega tinha criado a Sociedade Restritiva fazia uma eternidade,o número de vampiros tinha diminuído de tal maneira que sóficavam uns quantos enclaves de população. Sua espécie roçava aextinção. Embora os irmãos fossem mortalmente bons no quefaziam. Se Wrath tivesse sido outra classe de rei, como seu pai, quedesejava ser o adorado e reverenciado por parte das famílias daespécie, talvez o futuro tivesse sido mais prometedor. Mas ele nãoera como seu pai. Wrath era um lutador, não um líder, v se 3 2
  33. 33. desembrulhava melhor com uma adaga na mão que sentado,sendo objeto de adoração. concentrou-se de novo nos irmãos. Quando os guerreiros lhedevolveram o olhar, notava-se que esperavam suas instruções. Eaquela consideração o colocou nervoso. — Tomei-me a morte do Darius como um ataque pessoal —disse. Houve um surdo grunhido de aprovação entre seuscompanheiros. Wrath tirou a carteira e o móvel do membro da SociedadeRestritiva que tinha matado. — Isto o levava um restrictor que tropeçou comigo estamesma noite detrás do ScreamerS. Quem quer fazer as honras? Lançou-os ao ar. Phury prendeu ambos os objetos e passouo telefone ao Vishous. Wrath começou a caminhar de um lado a outro. — Temosque sair de caçada de novo. — Tem toda a razão — grunhiu Rhage. Houve ummovimento metálico e logo o som de uma faca ao cravar-se emuma mesa — . Temos que prendê-los onde treinam, onde vivem. O qual significava que os irmãos teriam que fazer umreconhecimento do terreno. Os membros da Sociedade Restritivanão eram estúpidos. Trocavam seu centro de operações comregularidade, transladando constantemente suas instalações derecrutamento e treinamento de um lugar a outro. Por este motivo,os guerreiros vampiros consideravam que era mais eficaz agircomo chamarizes e lutar contra todo aquele que fosse a atacá-los. Ocasionalmente, a Irmandade tinha realizado algumasincursões, matando a dúzias de restrictores em uma sozinhanoite. Mas essa classe de tática ofensiva era rara. Os ataques agrande escala eram eficazes, mas também tinham aparelhadasalgumas dificuldades. Os grandes combates atraíam à polícia, etratar de passar inadvertidos era vital para todos. — Aqui há uma carteira de motorista — murmurou Phury— . Investigarei a direção. É local. — Que nome figura? — perguntou Wrath. — RobertStrauss. Vishous soltou uma maldição enquanto examinava otelefone. — Aqui não há muito. Só alguma coisa na memória dechamadas, umas marcações automáticas. Averiguarei nocomputador quem chamou e que números se marcaram. 3 3
  34. 34. Wrath chiou os dentes. A impaciência e a ira eram umcoquetel difícil de digerir. — Não preciso te dizer que trabalhe o mais rápido possível.Não há maneira de saber se o restrictor que eliminei esta noite foio autor da morte do Darius, assim penso que temos que limparcompletamente toda a zona. Terá que matá-los a todos, sem nosimportar os problemas que possa nos expor. A porta principal se abriu de repente, e Zsadist entrou nacasa. Wrath o olhou sardônico. — Obrigado por vir, Z. estiveste muito ocupado com asfêmeas? — Que tal se me deixasse em paz? Zsadist se dirigiu a um canto e permaneceu afastado doresto. — Onde vais estar você, meu senhor? — perguntouTohrment suavemente. O bom do Tohr. Sempre tratando de manter a paz, já foratrocando de tema, intervindo diretamente ou, simplesmente, pelaforça. — Aqui. Permanecerei aqui. Se o restrictor que matou aoDarius está vivo e interessado em jogar um pouco mais, queroestar disponível e fácil de encontrar. Quando os guerreiros se foram, Wrath ficou a jaqueta. deu-se conta então de que ainda não tinha aberto o sobre do Darius, eo tirou do bolso. Havia uma franja de tinta escrita nele. Wrathimaginou que se tratava de seu nome. Abriu a lapela. Enquantotirava uma folha de papel cor creme, uma fotografia caiurevoando ao chão. Recolheu-a e teve a vaga impressão de que aimagem possuía um cabelo longo e negro. Uma fêmea. Wrath olhou fixamente o papel. Era uma caligrafia contínua,um rabisco ininteligível e impreciso que não tinha esperança dedecifrar, por muito que entreabrisse os olhos. — Fritz! — chamou. O mordomo chegou correndo. — Lê isto. Fritz tomou a folha e dobrou a cabeça. Leu em silêncio. —Em voz alta! — rugiu Wrath. — OH. Mil perdões, amo. — Fritz se esclareceu garganta. Senão ter tido tempo de falar contigo, Tohrment te proporcionarátodos os detalhes. Avenida Redd, número 11 88, apartamento 1— B. Seu nome é Elizabeth Randall. Pós-escrito: A casa e Fritzsão teus se ela não sobreviver à idade adulta. Lamento que o final 3 4
  35. 35. tenha chegado tão logo D. — Filho de cadela — murmurouWrath. Capítulo 5 Beth se tinha colocado seu traje noturno, consistente emumas calças curtas e uma camiseta sem mangas, e estavaabrindo o futón quando Boo começou a miar na porta trilho decristal. O gato dava voltas em um estreito círculo, com os olhosfixos em algo que havia no exterior. — Quer brigar outra vez com o bichano da senhora Gio? Jáo temos feito uma vez e o resultado não foi muito bom, recorda? Uns golpes na porta principal lhe fizeram girar a cabeça comum sobressalto. dirigiu-se ali e aproximou um olho à mira. Quando viu quemestava ao outro lado, deu-se a volta e apoiou as costas contra amadeira. Os golpes voltaram a ouvir-se. — Sei que está aí — disse o Duro — . E não penso partir. Beth abriu o ferrolho N, abriu a porta de repente. antes deque pudesse lhe dizer que se fora ao diabo, passou a seu lado eentrou. Boo arqueou o lombo e murmurou. — Eu também estou prazer em conhecê-lo, pantera negra.— O vozeirão ensurdecedor do Butch parecia totalmentedesconjurado em seu apartamento. — Como entraste no edifício? — perguntou ela enquantofechava a porta. — Forcei a fechadura. — Há alguma razão em particular para que tenha decididoirromper neste edifício, detetive? Ele se encolheu de ombros e se sentou em uma andrajosapoltrona. — Pensei que podia visitasse uma amiga. — Então por que me incomoda ? — Tem um bonito apartamento — disse ele, olhando suascoisas. — Vá mentiroso. — Ouça, pelo menos está limpo. Que é mais do que possodizer de meu próprio chiqueiro. — Seus escuros olhos castanhosa olharam diretamente à face — . Agora, falemos do que 3 5
  36. 36. aconteceu quando saiu do trabalho esta noite, quer? Ela cruzou os braços sobre o peito. Ele riu entre dentes. — Deus, o que tem José que não eu tenha? — Quer lápis epapel? A preparada é larga. — Auch. É fria, sabia? — Seu tom era divertido — — . Mediga, só você gosta dos que não estão disponíveis? — Escuta,estou esgotada... — Sim, saiu tarde do trabalho. Às nove e quarenta e cinco,mais ou menos. Falei com seu chefe. Dick me disse que aindaestava em seu mesa quando ele partiu ao CharlieS. Veio a seucasa caminhando, não? Pela rua Trade certamente, presumo,como faz todas as noites. E durante um bom momento, foi só. Beth tragou saliva quando um leve ruído fez que desviasse oolhar para a porta trilho de cristal. Boo tinha começado de novo air de um lado a outro e a miar, esquadrinhando algo naescuridão. — Agora, contará-me o que ocorreu quando chegou aocruzamento do Trade e a Dez? — Seu olhar se suavizou. — Como sabe...? — me diga o que aconteceu, e te prometo que me certificareide que esse filho de cadela tenha o que se merece. Wrath permaneceu imóvel, submerso nas sombras daserena noite, olhando fixamente a silhueta da filha do Darius. Eraalta para uma fêmea humana, e seu cabelo era negro, mas issoera tudo o que podia perceber com seus pobres olhos. Respirou oar da noite, mas não pôde captar seu aroma. Suas portas ejanelas estavam fechadas, e o vento que soprava do oeste trazia oaroma afrutado do lixo putrefato. Mas podia escutar o murmúrio de sua voz através da portafechada. Estava falando com alguém. Um homem em quem ela,aparentemente, não confiava, ou não lhe agradava, porque sópronunciava monossílabos. — Procurarei que isto te funcione o mais fácil possível —dizia o homem. Wrath viu como a moça se aproximava e olhava para foraatravés da porta de cristal. Seus olhos estavam fixos nele, massabia que não podia vê-lo. A escuridão o envolvia por completo. Beth abriu a porta e apareceu a cabeça, impedindo com o péque o gato saísse ao exterior. Wrath sentiu que sua respiração se fazia mais lenta aoperceber o aroma da mulher. Cheirava verdadeiramente bem.Corno uma flor deliciosa. Talvez corno essas rosas que florescem 3 6
  37. 37. de noite. Introduziu mais ire em seus pulmões e fechou os olhosao tempo que seu corpo reagia e seu sangue se agitava. Dariusestava no certo; aproximava-se de sua transição. Podia farejá-lonela. Mestiça ou não, ia produzir se sua transformação. Beth deslizou a porta enquanto se girava para o Homem.Sua voz era muito mais clara com a porta aberta, e ao Wrathgostou de seu rouco som. — Me aproximaram do outro lado da rua. Eram dois. O maisalto me arrastou para o beco Y... — O vampiro emprestouatenção imediatamente — . Tratei de me defender com todasminhas forças, mas ele era mais corpulento que eu, e além seuamigo me sujeitou os braços. — Começou a soluçar — . Disse-meque me cortaria a língua se gritava. Pensei que ia matar me, sério.Logo me rasgou a blusa e atirou do sutiã para cima. Estive muitoperto de que me... Mas consegui me liberar e corri. Tinha os olhosazuis, cabelo castanho e um pendente na orelha esquerda. Levavaum pólo azul escura e calças curtas de cor cáqui. Não pude verbem seus sapatos. Seu amigo era loiro, cabelo curto, sempendentes, vestido com uma camiseta branca com o nome dessabanda local, as Sala de jantares de Tomates. O homem se levantou e lhe aproximou. Rodeou-a com umbraço, tratando de atrai-la contra seu peito, mas ela retrocedeu seseparando-se dele. — De verdade pensa que poderá prendê-lo? — perguntou. Ohomem assentiu. — Sim, é obvio que sim. Butch saiu do apartamento do Beth Randall de mau humor.Ver uma mulher que tinha sido atingida na face não era umaparte de seu trabalho que gostasse. E no caso do Beth oencontrava particularmente perturbador, porque a conheciadesde fazia bastante tempo e se sentia algo atraído por ela. O fatode que fora uma mulher extraordinariamente formosa não faziaas coisas mais fáceis. Mas o lábio inflamado e os hematomas aoredor da garganta eram danos evidentes frente à perfeição desuas feições. Beth Randall era absolutamente preciosa. Tinha onegro cabelo longo e abundante, uns olhos azuis com um brilhoimpossível, uma pele cor creme e uma boca feita exatamente parao beijo de um homem. E vá corpo: pernas largas, cintura estreitae seios perfeitamente proporcionados. Todos os homens de 1a delegacia de polícia estavamapaixonados por ela, e Butch teve que reconhecer que tinha umenorme mérito: nunca usava seu atrativo para obter informação 3 7
  38. 38. confidencial dos moços. Dirigia-o todo a um nível muitoprofissional. Nunca tinha tido uma encontro com nenhum deles,embora a maioria teria renunciado a seu testículo esquerdo porsó agarrar a da mão. De uma coisa sim estava seguro: seu atacante tinhacometido um tremendo engano ao escolhê-la. Toda a força policialsairia em perseguição daquele imbecil assim que averiguassemsua identidade. E Butch tinha uma boca muito grande. Subiu a seu carro e conduziu até as instalações do HospitalSaint Francis, ao outro lado da cidade. Estacionou sobre o meio -fio da calçada frente à sala de urgências e entrou. O guarda da porta giratória lhe sorriu. — dirige-se ao depósito, detetive? — Não. Devo visitar a umamigo. O homem assentiu e se separou. Butch atravessou a sala de espera de urgências com suasplantas de plástico, revista com as páginas arrancadas e pessoascom face de preocupação. Empurrou umas portas duplas e sedirigiu ao estéril e branco entorno clínico. Saudou com umapequena inclinação de cabeça às enfermeiras e médicos queconhecia e se aproximou do controle. — Olá, Doug, recorda aotipo que trouxemos com o nariz rota? O empregado levantou a vista de um gráfico que estavaolhando. — Sim, estão a ponto de lhe dar o alta. encontra-se atrás,residência vinte e oito. — O interno soltou uma risita — . o donariz era o menor de seus problemas. Não cantará notas baixasdurante algum tempo. — Obrigado, amigo. A propósito, como vai seu esposa? —Bem. Dará a luz em uma semana. — me avise quando nascer o criança. Butch se dirigiu à parte de atrás. antes de entrar naresidência vinte e oito, revisou o corredor com o olhar em ambasas direções. Todo tranqüilo. Não havia pessoal médico à vista,nem visitantes, nem pacientes. Abriu a porta e apareceu a cabeça. Billy Riddle levantou o olhar da cama. Uma vendagembranca lhe subia pelo nariz, como se estivesse evitando que lhesaísse o cérebro. — O que acontece, oficial? Já encontrou ao indivíduo queme atingiu? Vão me dar de alta e me sentiria melhor sabendo queo tem sob custódia. Butch fechou a porta e correu o ferrolho silenciosamente. 3 8
  39. 39. Sorriu enquanto cruzava a residência fixando-se no pendente dediamantes quadrado que o sujeito luzia no lóbulo esquerdo. — Como vai esse nariz, Billy? — Bem. Mas a enfermeira se levou como uma bruxa... Butchagarrou seu pólo e o jogou em seus pés. Logo lançou ao atacantedo Beth contra a parede, com tanta força que a maquinaria selocalizada detrás da cama se bamboleou. Butch aproximou tanto sua face a do jovem que podiamhaver-se beijado. — Divertiu-te ontem à noite? Os grandes olhos azuis se encontraram com os seus. — Doque está falam...? Butch o estrelou de novo contra a parede. — Alguém te identificou. A mulher a que tratou de violar. — Não fui eu! — Claro que foi você. E se tiver em conta seu pequenaameaça sobre sua língua com seu faca, poderia ser suficientepara te enviar a Dannemora. Alguma vez tiveste namorado, Billy?Arrumado a que será muito popular. Um bonito menino brancocomo você. O sujeito ficou tão pálido como as paredes. — Não a toquei! — Direi-te uma coisa, Billy. Se for sincero contraio e me dizonde está seu amigo, é possível que saia caminhando daqui. Docontrário, levarei-te a delegacia de polícia em uma maca. Billy pareceu considerar o trato uns instantes, e logo aspalavras saíram de sua boca com extraordinária rapidez: — Ela odesejava! Rogou-me... Butch levantou o joelho e a pressionou contra a entrepiernado Billy. Um chiado saiu de sua garganta. — Por isso terá que urinar sentado toda esta semana?Quando o valentão começou a balbuciar, Butch o soltou eobservou como se deslizava lentamente até o chão. Ao ver reluziras esposas, sua choramingação cobrou intensidade. Butch lhe deu volta bruscamente e sem maioresconsiderações lhe colocou as esposas. — Está detido. Algo que diga pode, e será, usada em seucontrário em um tribunal. Tem direito a um advogado... — Sabe quem é meu pai? — gritou Billy como se tivesseconseguido tomar ar durante um segundo — . Ele fará que lhedespeçam! — Se não poder pagá-lo, te proporcionará um. Entende estesdireitos que te indiquei? 3 9
  40. 40. — À merda! Billy gemeu e assentiu com a cabeça, deixando uma manchade sangue fresca sobre o chão. — Bem. Agora vamos arrumar a papelada. Detestaria nãoseguir o procedimento apropriado. Capítulo 6 Boo! Pode deixar de fazer isso? — Beth lhe deu um golpe aotravesseiro e girou sobre si mesmo para poder ver o gato. O animal a olhou e miou. Com o resplendor da luz dacozinha, que tinha deixado acesa, viu-o dando zarpazos emdireção à porta de cristal. — Nem o sonhe, Boo. É um gato doméstico. Confia em mim,o ar livre não é tão bom como parece. Fechou os olhos, e quando ovó o seguinte miado lastimero,soltou uma maldição e arrojou os lençóis a um lado. dirigiu-se atéa porta e esquadrinhou o exterior. Foi então quando viu o homem. Estava de pé junto ao murotraseiro do pátio, uma silhueta escura muito maior que as outrassombras, já familiares, que projetavam os cubos de lixo e a mesade picnic coberta de musgo. Com mãos trementes revisou o ferrolho da porta e logopassou às janelas. Ambas estavam asseguradas também. Baixouas persianas, agarrou o telefone sem fio e retornou ao lado doBoo. O homem se moveu. ! Merda! Vinha para ela. Revisou de novo o ferrolho e, retrocedeu,tropeçando com o borda do futón. Ao cair, o telefone se soltou desua mão, saltando longe. atingiu-se fortemente contra o colchão,o que fez que sua cabeça ricocheteasse devido ao impacto.Incrivelmente, a porta trilho se abriu como se nunca tivesse tido oferrolho colocado, como se ela nunca tivesse fechado o passador. Ainda jazendo sobre suas costas, agitou as pernasviolentamente, enredando os lençóis ao tratar de empurrar seucorpo para afastar-se dele. Era enorme, seus ombros largos comovigas, suas pernas tão grosas como o torso da moça. Não podiaver sua face, mas o perigo que emanava dele era como umapistola apontando para seu peito. Rodou ao chão entre gemidos e engatinhou para afastar-se, 4 0
  41. 41. arranhando-as joelhos e as mãos contra o duro chão de madeira.Pisada-las em do homem detrás dela ressonavam como trovões,cada vez mais perto. Encolhida como um animal, cegada pelomedo, chocou-se contra a mesa do corredor e não sentiu doralgum. As lágrimas começaram a rodar por suas bochechasenquanto implorava piedade, tratando de chegar à portaprincipal... Beth despertou. Tinha a boca aberta e um alaridoterrível quebrava o silêncio do amanhecer. Era ela. Estava gritando com toda a torça de seus pulmões.Fechou firmemente os lábios, e imediatamente os ouvidosdeixaram de lhe doer. Saltou da cama, foi até a porta do pátio e,saudou os primeiros raios do sol com um alívio tão doce quequase se enjoa. Enquanto os batimentos de seu coraçãodiminuíam, respirou profundamente e revisou a porta. O ferrolho estava em seu lugar. O pátio vazio. Toda estavaem ordem. riu pelo baixo. Não era estranho que tivesse pesadelosdepois do que tinha acontecido a noite anterior. Certamente iasentir calafrios durante algum tempo. deu-se a volta e se dirigiu à ducha. Estava esgotada, masnão queria ficar só em seu apartamento. Desejava o bulício dojornal, queria estar junto a todos seus companheiros, telefones epapéis. Ali se sentiria mais segura. Estava a ponto de entrar no banheiro quando sentiu umapontada de dor no pé. Levantou a perna e extraiu um pedaço decerâmica da áspera pele do calcanhar. Ao inclinar-se, encontrou ovaso que tinha sobre a mesa feito pedacinhos no chão. Franzindo o cenho, recolheu as partes. O mais provável era que o tivesse atirado quando entrou aprimeira vez, depois de ter sido atacada. Quando Wrath descendeu às profundidades da terra sob amansão do Darius, sentia-se esgotado. Fechou a porta com chaveatrás dele, desarmou-se, e tirou um estragado baú do armário.Abriu a tampa, grunhindo enquanto levantava uma laje demármore negro. Media quase um metro quadrado e tinha dezcentímetros de grossura. Colocou-a em meio da residência, voltoupara baú e recolheu uma bolsa de veludo, que jogou sobre acama. despiu-se, tomou banho e se barbeou e logo voltou nu àresidência. Agarrou a bolsa, soltou a fita de cetim que a fechav a,e tirou uns diamantes sem esculpir, do tamanho de calhaus, 4 1
  42. 42. sobre a laje. A bolsa vazia escorregou de sua mão ao chão. Inclinou a cabeça e pronunciou as palavras em sua línguamaterna, fazendo subir e baixar as sílabas com a respiração,rendendo tributo a seus mortos. Quando terminou de falar,ajoelhou-se sobre a laje, sentindo as pedras lhe cortando a carne.Deslocou o peso de seu corpo aos calcanhares, colocou as Palmasdas mãos sobre as coxas e fechou os olhos. O ritual de morte requeria que passasse o dia sem mover-se,suportando a dor, sangrando em memória de seu amigo.Mentalmente, viu a filha do Darius. Não devia ter entrado em sua casa dessa forma. Tinha-lhedado um susto de morte, quando o único que queria eraapresentar-se e lhe explicar por que ia necessitá-lo logo. Tambémtinha planejado lhe dizer que ia perseguir a esse macho humanoque se ultrapassou com ela. Sim, tinha dirigido a situação maravilhosamente. Com adelicadeza de um elefante em uma cacharrería. No instante em que entrou, ela enlouqueceu de terror. Tinhatido que despojar a de suas lembranças e inundá-la em um ligeirotranse para acalmá-la. Quando a teve depositado sobre a cama,sua intenção tinha sido partir imediatamente, mas não pôde fazê-lo. Permaneceu perto dela, avaliando o difuso contraste entre seucabelo negro e a branca capa do travesseiro, inalando seu aroma. Sentindo um comichão sexual nas vísceras. antes de ir-se, certificou-se de que as portas e janelasficassem asseguradas. E logo se tornou a olhá-la uma vez mais,pensando em seu pai. Wrath se concentrou na dor que vai se estava apropriandode suas coxas. Enquanto seu sangue tingia de vermelho o mármore, viu orosto de seu guerreiro morto e sentiu o vínculo que tinhamcompartilhado em vida. Tinha que fazer honra à última vontade de seu irmão. Era omenos que devia a aquele macho por todos os anos que tinhamservido juntos à raça. Mestiça ou não, a filha do Darius nunca mais voltaria acaminhar de noite desprotegida. E não passaria só por suatransição. Que Deus a ajudasse. Butch terminou de fichar ao Billy Riddle ao redor das seis damanhã. O indivíduo se mostrou muito ofendido porque o tinhacolocado na cela com traficantes de drogas e, delinqüentes, assim 4 2
  43. 43. Butch colocou muito cuidado em cometer tantos enganostipográficos como foi possível em seus informe. E para suasurpresa, a central de processamento de dados se confundiacontinuamente sobre a classe de formulários que deviam sercobertos com exatidão. E depois, todas as impressoras se estragaram. As vinte etrês que havia. Apesar de todo, Riddle não passaria muito tempo nadelegacia de polícia. Seu pai era na verdade um homem poderoso,um senador. Assim que um elegante advogado lhe tiraria dali emum abrir e fechar de olhos. Não acreditava que pudesse lhe retermais de uma hora. Porque assim agia o sistema judicial paraalguns. O dinheiro manda, permitindo aos canalhas sair emliberdade. Ao Butch não ficou mais remedeio que reconhecer comamargura que essa era a realidade. Ao sair ao vestíbulo, encontrou-se com uma das habituaisvisitantes noturnas da delegacia de polícia. Cherry Pie acabava deser liberada dos calabouços femininos. Seu verdadeiro nome eraMary Mulcahy, e pelo que Butch tinha ouvido, trabalhava nasruas desde fazia dois anos. — Olá, detetive — ronronou. A barra de lábios vermelha seconcentrou nas cantos de sua boca, e o rimel negro formava ummanchón ao redor de seus olhos. Certamente seu aspectomelhoraria e seria bonita, pensou ele, se deixava a pipa de cracke dormia durante todo um mês — . Vai a sua casa só? — comosempre. — Sustentou a porta aberta para ela ao sair. — Não lhe cansa a mão esquerda depois de um tempo?Butch riu enquanto ambos se detinham e levantou a vista para asestrelas. — Como vai, Cherry? — Sempre bem. ficou um cigarro entre os lábios e o acendeu enquanto oolhava. — Se lhe saírem muitos cabelos na palma da mão, pode mechamar. O farei grátis, porque você é um filho de cadela muito deaparência agradável. Mas não diga a meu fanfarrão que lhe heidito isso. Soltou uma nuvem de fumaça e, com expressão ausente,tocou-se com o dedo sua orelha esquerda rasgada. Faltava-lhe ametade superior. Deus, esse alcoviteira era todo um cão raivoso. Começarama baixar os degraus. 4 3

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