“Eu vou estar pra sempre aqui com você,[...]Mesmo na morte nosso amor continuar”
Capitulo INuvens cinza amontoavam-se ao redor da lua, ofuscando a noite e tudo mais queestavam sobre o luar. Alguns postes...
caminhos tortuosos demais, tais quais eu não pude se quer escolher se por eles euqueria seguir. Tudo aconteceu muito rápid...
- Precisamos nos apressar - Eu disse Inclinando a cabeça para trás e farejando o odordo sol lembrei-me de como era senti-l...
Atento e um pouco desconfiado ele não tirava os olhos dos troncos e da copa dasarvores. A viajem levara um pouco mais de t...
alguns passos e esticou sua mão para tocar a estatua de pedra, quando seus dedosquase encontraram com a superfície fria de...
dentro, era como se todas as palavras que ele me dizia entrassem por um ouvido epelo outro saísse, não que eu assim quises...
a Selene, todas as minhas ações eram regidas pelo medo de não ser o homem que elagostaria que eu fosse. Velkan não entendi...
Ficando sobre suas patas traseiras, ele encheu os pulmões do ar seco da noite vazia ecurvando-se para mim soltou um rosnad...
Eu passei a mão no estranho liquido viscoso e o levei até o nariz, não reconheci ocheiro, nem mesmo a textura era familiar...
Algo muito estranho estava acontecendo e provavelmente algo muito pior estava porvir. Mesmo que um sangue infectado não fa...
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Capitulo i - mais uma parte

  1. 1. “Eu vou estar pra sempre aqui com você,[...]Mesmo na morte nosso amor continuar”
  2. 2. Capitulo INuvens cinza amontoavam-se ao redor da lua, ofuscando a noite e tudo mais queestavam sobre o luar. Alguns postes de luz tentavam furar a densa camada deescuridão em frente ao bar. De longe, podia-se ver um letreiro de neon em vermelhoescrito “Hell’s”, o mesmo coberto por uma úmida neblina escondia boa parte daaparência frontal do bar. Suas grandes janelas tinham jornais pregados a elas. Algunsseguranças cuidavam para que nenhum humano pudesse entrar sem permissão. Dentro do bar velhas cortinas encardidas de sujeira do tempo escondiam as grandesjanelas forradas com jornais velhos. Algumas poucas mesas arredondadas eramdistribuídas com espaços tais quais pareciam distancia-las com o intuito de quenenhum curioso pudesse ouvir o que ali era falado. Castiçais fixados nas paredes elamparinas penduradas no teto davam a todo o lugar uma atmosfera alaranjada emórbida. Um vazio no meio do bar abria espaço aos que gostavam de dançar ao somde melancólicas musicas tocadas pela banda fúnebre da casa que ficava sobre umpequeno palco localizado bem ao fundo do estabelecimento. Os meros mortais queraramente eram deixados entrar para nunca mais sair serviam de aperitivo aosfamintos vampiros que gostavam de brincar.Às cinco e meia da manha o bar estava parcialmente vazio, faltando uma hora para onascer do sol algumas criaturas ainda conversavam sorrateiramente em um cantoescuro, desconfiados e atentos, outros estavam na pista de dança trocando mordidasenquanto uma musica depressiva tocava no ao fundo pelos músicos.Eu estava sentado ao balcão, entre um gole de cerveja, indaguei a Velkan:- Por que eu tive que voltar?- Meu caro amigo, ha coisas na vida que nem mesmo a morte pode nos explicar -Velkan pediu mais uma rodada ao taberneiro. - Não se pergunte por que esta aqui,mas oque gostaria de fazer se aqui não estivesse - Velkan passou um braço sobre omeu pescoço e entre um sorriso psicótico tomou um gole de vodka e foi para oencontro de uma garota no meio do bar.Sozinho eu encarava o fundo do copo meio cheio de rum. Eu não sou um tolo, por maisque assim eu pareça a maior parte das vezes, sei que de nada adianta afogar asmagoas em um velho bar, e o consolo provocado pelo álcool seria momentâneo assimcomo os momentos felizes que eu tive. Mas de que adianta pensar, minha vida tomou
  3. 3. caminhos tortuosos demais, tais quais eu não pude se quer escolher se por eles euqueria seguir. Tudo aconteceu muito rápido, tudo desmoronou de repente. Eu já nãoconseguia mais sentir alegria nenhuma de estar, parcialmente, vivo. Eu tinha morrido,da pior maneira possível, aquela que voce ainda respira.Andei durante muito tempo no meio de multidões sem rostos, depois de tudo que meacontecera eu já não via as pessoas como elas queriam ser vistas, eu as via como omonstro ludibriador que o ser humano esta fadado a se tornar. Todos eles, desde osmais novos aos mais velhos. Todas as noites eram iguais, eu tentava esquecer em umbar repleto de criaturas perdidas em um terreno lugar de sofrimento e dor, minhaprópria angustia.Meu olhar vazio e melancólico encarava o vazio nao de um copo ou de qualquer outracoisa da qual eu me prendia a olhar, mas sim o vazio do que eu tinha me tornado. Umvazio e frio homem sem amor. Todas as coisas que eu fiz e o que eu não fiz meatormentavam de maneira constante e dolorosa. Eu ainda sonhava com os dias quepassei no inferno. Às vezes parecia que eu ainda estava lá, as lembranças metransportavam aos momentos que se reproduziam a minha frente de maneira tao reala ponto de me fazer duvidar e pensar que nada havia mudado. E isso, graças a Deus,não acontecia apenas com as lembranças ruins, os momentos bons eram exatamenteassim. Em alguns dias eu podia sentir cheiros, gostos e toques que nada mais eram doque meu coração me levando a felicidade, infelizmente minha mente insistia em metrazer de voltar à realidade.Dei mais um gole a fim de barrar as lembranças que voltavam cada vez mais fortes,cada vez mais distantes do que um dia elas foram e do que hoje elas poderiam ser.Velkan voltou ao meu encontro e notando meu olhar perdido tocou meu peito ondecostumava bater um coração.- Seu problema esta aqui... Preso ao seu amor – Disse ele - Sabe a morte simplesmentenão acaba com esses sentimentos de fraqueza. - Velkan limpou o sangue que restou dasua vitima em sua boca, olhou para trás e vendo-a caída no chão completamente semvida e sorriu.- Meus sentimentos são a minha força. - Eu o fitei por alguns segundos, como poderiajulga-lo? Ele não tinha alma, ele era como os outros, uma fera sem princípios. - Tudoque eu fui ou costumava ser, faz o homem que hoje eu sou.Velkan em um sorriso de deboche sorriu para mim e outra rodada pediu antes que nosdois tivéssemos que ir embora.La fora eu podia sentir o cheiro do nascer da manha e do sol antes que o mesmo viessea nascer.
  4. 4. - Precisamos nos apressar - Eu disse Inclinando a cabeça para trás e farejando o odordo sol lembrei-me de como era senti-lo. Meus olhos se fecharam com tamanhaespontaneidade. Em questão de segundos fui levado a uma manha de domingo, ospássaros ainda dormiam silenciosamente do lado de fora, alguns feixes de luzlançaram-se sobre nos dois na cama. Pude vê-la sobre um fraco amanhecer que sederramava sobre nossa cama. Eu acordei ao lado dela, seus olhos se abriram e aqueleverde amendoado brilhou para mim, me senti completo. A paz invadiu a minha alma equando por fim voltei ao aqui e agora um vazio se estabeleceu em mim. Aquela pazpareceu se esvair enquanto meus olhos se abriam e não a achavam. Senti um gostoamargo atravessando um nó na garganta e respirei o mais fundo possível. ~Em uma estrada usada como via de comércio que passava no meio da floresta local umvelho mercador em sua carroça puxada por um cavalo cansado que parecia saber ocaminho de cor, caminhava a passos largos e mansos. Uma lona furada e encardidacobria a parte de trás onde as mercadorias ficavam. As arvores pareciam alcançar océu, poucos os feixes de luz que conseguiam atravessar a copa das arvores e atingir ochão. A floreste estava calma e silenciosa, as arvores curvavam-se quase como umcontorcer de dor sobre o único caminho para a civilização. Os animais estavam quietose quase não se via aves e ninhos nas arvores, alguns corvos pareciam acompanhar como olhar o velho homem e sua carroça.O velho homem apertou bem os olhos quando de longe avistou algo na estrada,quando finalmente conseguiu enxergar, viu uma garota caída interrompendo apassagem da carroça, puxou as rédeas e o cavalo sem dificuldade parou.Sem saber o que fazer ele se dirigiu até ela. A, principio pensou em apenas empurra-lapara o lado e ir embora, talvez fosse o alimento de algum vampiro ou de algo aindapior, mas quando viu que ela respirava, decidiu ajuda-la. Com dificuldade ele aarrastou para parte de tras da carroça, um pouco fraco pela idade ele tentou coloca-lacom cuidado.- O que fizeram a você minha jovem? - Disse o homem com uma voz terna e rouca.Ele limpou um pouco da lama que estava em seu rosto e verificou se ela tinha pulso. Sópara garantir. Esgueirou-se de voltou para a carroça e em um rápido movimentoestalou o chicote no traseiro do cavalo que se pós ao galope. Ora ou outra ele pararano meio do caminho só para certificar-se de que tudo estava bem com a pobre garota.
  5. 5. Atento e um pouco desconfiado ele não tirava os olhos dos troncos e da copa dasarvores. A viajem levara um pouco mais de tempo do que de costume por causas dasparadas que ele fora dando.Algumas horas depois o velho ja podia ver as construções fria de cimento da cidadepor entre os espaços que as arvores davam umas as outras.- Voce ficara bem, jovem - Disse ele apressando o cavalo com um movimento na rédea.A carroça virava agora a ultima curva que levava ao centro da cidade, quando derepente o homem ouviu um gemido fraco e curto. A garota que ele encontraradesmaiada estava retomando a consciência, e sem saber onde estava e o que tinhaacontecido ela disse:- Onde eu estou? - Ela piscou os olhos algumas vezes e a primeira coisa que viu foramos galhos das arvores passando um apos o outro por um rasgo na parte superior dalona. Um pouco enjoada ela sentia o balanço da velha carroça.- Perdoe-me, pela acomodação, estas coisas não foram feitas para o transporte delindas damas. - O velho aliviado sorriu. – A proposito, eu nome é Heitor.- O meu é kira. - Ela abriu um sorriso que logo desapareceu, uma dor aguda seestendeu da nuca a cabeça, kira fechou os olhos e tentou se segurar na lateral dacarroça.- Voce esta bem? - Perguntou Heitor, preocupado.- Nao me sinto bem - Kira tentou se recuperar e tão rápida como havia chegado a dorse foi.Assim que chego à cidade Heitor se dirigiu ao centro de comercio, havia tendasestendidas onde se vendia alimentos frescos de todos os tipos, em um formato demeio circulo algumas pequenas barracas rodeavam uma velha fonte que minava aguados olhos de um anjo com asas grandes que pareciam querer voar.- Demorou hoje. Estava quase mandando uma patrulha a seu encontro Heitor. – Disseum homem alto e gordo gesticulando com os braços ao aproximar de Heitor.- Tive um pequeno contra tempo. – Heitor desceu do se aproximou de seu amigo e opuxou para longe da carroçaEnquanto cochichavam algo, Kira se levantou e saiu da carroça, Limpou um pouco dalama em suas roupas sujas e caminhou em direção à fonte que chamara sua atenção.Alguma coisa, ou alguém estava a lhe chamar ela podia ouvir um sussurro próximo quesoltava seu nome ao vento. Olhando em volta certificou-se que não era Heitor, afinalapenas ele sabia seu nome, mas não era ele e ninguém mais parecia ouvir. Kira deu
  6. 6. alguns passos e esticou sua mão para tocar a estatua de pedra, quando seus dedosquase encontraram com a superfície fria de mármore o anjo criou vida, a agua queminava de seus olhos se transformou em sangue e suas asas começaram a baterviolentamente levantando um pouco de poeira da rua, seus olhos vazios ficaramcompletamente negros. O anjo se ergueu em direção a Kira que tentou se afastarrapidamente, apavorada pelo que estava acontecendo ela tropeçou em um galhovelho de arvore e caiu.Heitor e seu amigo viraram-se ao mesmo tempo quando viram a garota caindo aochão. Kira se arrastou pelo chão e quando se sentiu longe o suficiente levantou-se.- Voce esta bem? – Gritou com uma voz áspera, era o amigo de heitor.Kira fez que sim com a cabeça e logo depois voltou a encarar a estatua. Ela estavanormal, nenhum movimento, nenhum sangue, nenhuma voz a lhe chamar.- Por favor, Vitor, deixe-a ficar, pelo menos alguns dias em sua casa. Sua filha casou, seique ha um quarto sobrando. - Implorou Heitor.- Porque tanto cuidado com esta garota? Voce nem sabe quem ela é ou o que faz aqui.– Vitor indagou.- Ela é só uma garota perdida. Se eu a tivesse deixado lá, com certeza não estaria vivaaté agora. – Heitor apontou para Kira que estava com sua expressão de medo.- Um dia. Nada além! – Disse vitor dando-se por vencido. – Depois do trabalho alevarei para casa. Talvez eu termine mais cedo, de noite a ponte anda ficandoperigosa.- Deus há de te recompensar por isto amigo - Heitor deu tapinhas em suas costas e umsorriso brotou em seu rosto envelhecido. ~A noite tinha chegado, Velkan e eu havíamos saído para caçar. Uma brisa agradávelnos acompanhava na caminhada, o céu estava limpo e a lua era cheia. Os postes de luzajudavam a clarear a noite que se estendia pela rua larga de paralelepípedo.O clima favorável resultava uma caça bem sucedida.Enquanto velkan me contava algo sobre o gosto do sangue humano e das vantagens deo mesmo provar eu o ignorava, por fora é claro, tentava demonstrar interesse, mas por
  7. 7. dentro, era como se todas as palavras que ele me dizia entrassem por um ouvido epelo outro saísse, não que eu assim quisesse, mas meus pensamentos estavamdistantes, a lua me trazia lembranças que ao mesmo tempo em que confortavam meucoração morto arranham a minha alma ainda consciente. Minha mente estava em Selene. Eu sempre pensava nela, mas na maior parte dotempo eu conseguia desviar as lembranças para algo bom, imagina ela aqui comigorindo de piadas que me eram contadas ou discutindo sobre seus assuntos preferidos.Eu a tinha aqui, comigo, o tempo todo. Mesmo que nossos momentos fossem apenasimaginados por mim e ninguém mais eu a tinha todos os dias nos meus sonhos.- Liam, esta me ouvindo? - Velkan perguntou mesmo sabendo que eu de fato nãoestava.- Hum - Murmurei sem prestar atenção em sua pergunta.- Ela ainda te tira do mundo nao é?Olhei para ele sem nada dizer, oque eu diria? Sim, todos os dias, todas as noites, todasas vezes que eu olho pra alguém sorrindo. Tudo que toco, ouço e vejo é nela que eupenso. E ela nao me tira do mundo ela me leva a outro. Um mundo onde vale a penaviver. De que adiantaria dizer isso a ele.- Voce estava a falar sobre como o sangue humano te deixa forte. - Eu olhando paraele forcei um sorriso de canto e quando desviei o olhar para a rua vi a ponte que noslevaria a caçada. Havia me esquecido de como nos podíamos ser rápidos em umasimples caminhada - Veja a ponte esta logo a frente, logo chegaremos a vila onde quercaçar.- Acho que não precisaremos procurar muito, veja - Velkan apontou para uma garotaque estava a atravessar a ponte, vindo em nossa direção.- Não vou compactuar com isso, você sabe. Então o faça... - Antes que eu pudesseterminar de lhe dizer, velkan já estava a meio metro da garota -... Rápido. - Completei.Velkan não era o tipo “caçador” que espreita sua vitima, a estuda e cria umaabordagem cautelosa e direta, ele estava mais para o tipo ludibriador que seduz e seaproveita da ingenuidade da raça humana. Esperei que ele acabasse logo com aquilo para que pudéssemos voltar. Eu não caçavafazia anos e quase não me lembrava do gosto do sangue dos seres humanos. Eu nãopodia matar alguém. É claro que se eu quisesse nada me impedia de fazê-lo, mas tirara vida de alguém resultaria em idas ao inferno. Muitos pensam que é a religião que nosmove moralmente, talvez estejam certos, o medo de não alcançar o reino do céu nãonos deixa agir de maneira errada. Mas, muito além deste medo, eu temia não merecer
  8. 8. a Selene, todas as minhas ações eram regidas pelo medo de não ser o homem que elagostaria que eu fosse. Velkan não entendia que minha maldição de ser um vampirocom alma me impedia de ferir qualquer outra criatura viva apenas por prazer ousatisfação. Olhei para cima e vi algumas nuvens que começaram a entrar na frente da luatampando sua luz, a noite rapidamente começou a escurece, pude sentir umamudança no ar. Quando voltei minha atenção a velkan ele ainda estava a cortejar agarota que parecia estar caindo em sua lábia. Algo entao passou correndo naescuridão atras dos dois como um vulto avulso.Uma sombra pairou sobre Velkan e a garota quando, de repente, um lobisomem surgiudas trevas e em direção aos dois ele pulou. Velkan desviou rapidamente, mas a garotasó se deu conta do que estava acontecendo quando o lobo já a tinha atingido e ajogado a metros de distancia.O lobisomem virou-se para Velkan, e com fúria rugiu. Seu pelo acinzentado reluziasobre a lua cheia. Ele se pôs a correr como um lobo nas quatro patas em direção aVelkan que agora estava no meio da ponte, pronto para o ataque.Velkan havia mudado completamente seu rosto, havia deixado sua forma humanapara tras e adquirido sua forma vampírica. Seu rosto se repuxou e seus olhos mudaramde castanho escuro para um amarelo dourado, suas presas haviam descido. Velkanesperava para o ataque do feroz animal que saltou em sua direção com garras quemais pareciam laminas. Velkan era mais ágil e rapidamente desviou do ataque doLobisomem e desferiu socos em suas costelas direitas. Socos dos quais foram taofortes que fora possível ouvi-las se quebrando.O lobo soltou um uivo de dor e caiu para o lado no abismo que havia de baixo daponte, em uma tentativa de se segurar ele agarrou na ponte, mas acabou cortandouma das cordas e nas profundezas do nada ele desapareceu.Velkan se aproximou da beirada e se inclinou para tentar enxergar algo.Tudo acontecera muito rápido, corri para onde velkan estava quando vi o lobisomem ase lançar por tras dele furando a escuridão da noite e o silencio do abismo que seestendia abaixo de nos.Pulei em direção à fera e a joguei para o outro lado da ponte antes que ele pudesseatingir Velkan.O lobo rolou e bateu com as costas no tronco de uma arvore arrancando-lhe lascas demadeiras. Cai em pé, e fora questão de segundo para que a besta se levantasse e entrecambaleadas retornasse a plena consciência.
  9. 9. Ficando sobre suas patas traseiras, ele encheu os pulmões do ar seco da noite vazia ecurvando-se para mim soltou um rosnado poderoso que pôs os pássaros que aliestavam a voar para longe. Saliva voou de seus dentes amarelados acompanhados deum quente hálito de raiva. Seu focinho enrugou, seus olhos prata encontraram-se comos meus. A essa altura o demônio que em mim habitava transbordou para fora eminha face de vampiro tomou conta do meu rosto, minhas presas desceram a alturada minha boca e meus olhos amarelados se pousaram de baixo de uma testa enrugadae repuxada de ódio.Raramente eu deixava que essa aparência me tomasse, pude me sentir muito maisforte.O lobisomem veio em minha direção desferindo golpes com suas garras, eu desviei umgolpe que quase fora certeiro e me movi rapidamente para o lado puxando seu braço edando-lhe um soco no meio dele quebrando-o. Mas ele se virou e me acertando com aoutra garra me arremessou ao topo de uma arvore.Cai ao chão e incrédulo por tamanha força eu me levantei e encarei o animal. Nenhumoutro lobisomem do qual eu tenha enfrentado havia me batido com esta força, e veja,aos meus 462 anos de existência já lutei contra muitos animais, feras e homens que denada foram capazes de me tirar se quer um arranhão.O lobo furioso correu até onde eu estava e em um salto abriu sua mandíbula cheia dedentes afiados e suas garras lançaram sobre mim. Esperei que ele se aproximasse osuficiente e segurei seu focinho fechando-o com toda força que tinha e o arremesseipor cima do meu ombro jogando com força ao chão, antes que o mesmo pudesse serecompor, fechei minha mão em um punho de mármore e quebrei os ossos de seucrânio com um soco frio em sua cabeça.O pelo do lobo começou a cair e lentamente sua pele foi desgrudando e a forma de umhomem começou a se formar, seus ferimentos ficaram mais claros. Notei também umaestranha marca de três círculos entrelaçados que pareciam formar uma flor de trêspétalas.Desviei minha atenção a Velkan que estava caído do final da ponte com seu braçoferido. Fui até ele e notei um enorme corte no seu braço direito que se estendia pelacostela, tão profundo que quase podia ver o seus ossos.- Voce esta bem? – Eu perguntei enquanto examinava seu ferimento.- Um lobisomem de dois metros quase arrancou meu braço! Acha que estou bem? –Ele colocou a mão no ferimento a fim de estanca-lo, algo parecia minar um tipo deliquido escuro.
  10. 10. Eu passei a mão no estranho liquido viscoso e o levei até o nariz, não reconheci ocheiro, nem mesmo a textura era familiar. Ainda mais se levar o fato de ter vindo dagarra de um lobisomem.- AHHH! – Velkan gritou de dor e se ajoelhou ao chão, abaixou a cabeça e gemeuagoniado.Eu o ajudei a levantar colocando seu braço esquerdo sobre meu ombro para quepudéssemos sair dali.- Aonde vamos liam? – Ele disse com um tom de dor em sua voz.- Embora antes que outros desses apareçam. – Olhei para trás examinando a densaescuridão que parecia nos observar enquanto caminhávamos para longe dali.- Espere, eu acho que consigo andar sozinho. – Velkan cambaleou um pouco quando sesoltou de mim. Ele olhou para o corte profundo no braço e sorrindo disse: Ele mepegou de jeito.Enquanto nós nos dirigíamos para fora da ponte eu pude ver a garota que seria avitima da noite esticada ao chão completamente imóvel. Pensei que talvez Velkanpudesse se alimentar. Seria bom para curar mais rápido a ferida, Talvez velkanestivesse fraco a ponto de não conseguir se regenerar sozinho.- Talvez esse ferimento se regenere mais rápido se voce se alimentar. – Eu disseinduzindo-o a morder a garota da qual nos aproximávamos. Ao ouvir as palavras eentender o tom da mesma, ele sorriu da sua maneira psicótica para mim.- Ótima ideia meu caro. – Disse velkan que em um piscar de olhos chegou até suapresa. Eu o segui e cheguei logo depois.Velkan ajoelhou ao chão e colocando sua mao esquerda sobre as costas da garotaaproximou-a de seu corpo que agora estava curvado sobre ela. Suas presas desceramnovamente e ele aproximou os lábios de seu pescoço gélido. Seus dentes cravaramcom firmeza na frágil pele e uma gota de sangue escorreu. Os olhos da garota seabriram e arregalados pareciam gritar de dor. Velkan se quer percebeu, sugou comforça uma boa quantidade de sangue dela, e quando o mesmo tocou seus lábios e sualíngua um gosto de ferrugem desceu por sua garganta e queimou enquanto ele oengolia. Imediatamente ele a soltou e começou a cuspir.A garota começou a tossir quase como um suspiro de vida e levando suas mãos aopescoço sentiu dois orifícios por onde seu sangue havia saído. Quando levantou suacabeça e seus olhos encontraram-se aos meus ambos estavam perplexos pelo quehavia acontecido. Estava claro que ela, tanto quanto eu, de nada sabia.
  11. 11. Algo muito estranho estava acontecendo e provavelmente algo muito pior estava porvir. Mesmo que um sangue infectado não faria isso a um vampiro, as doenças humanasnão agiam em nós da mesma maneira, de alguma forma nosso organismo trabalhavade forma diferente das dos humanos. Ela não era humana, mas o que seria? Seu longocabelo preto emoldurava seu fino rosto pálido. Apesar de pouca idade podia-se notaruma expressão de dores amortecidas com o tempo.- Não se preocupe- Eu disse enquanto me abaixava até ela - Não irei te machucar. Voceconsegue caminhar? – Eu a fitei de maneira que pude sentir seus olhos frágeis sendosustentados pelos meus.- Eu não sei, estou me sentindo fraca.Aproximei-me um pouco mais dela e antes que eu a pegasse no colo ela recuou commedo, e eu disse que tudo ficaria bem. Seus braços envolveram meu pescoço e elarepousou a cabeça em meu peito. Fora tudo tão absurdamente familiar, para mim aomenos, era um colo do qual eu sentia que conhecia, tinha uma fragilidade semelhante,e uma solidão mutua.- Velkan, venha! – Eu disse apressando-o, ele ainda estava balbuciando xingamentos,palavras jogadas ao vento e ditas para si mesmo em voz alta. Seu ferimento não tinharegenerado, pelo contrario parecia estar piorando.- Aonde vamos? – Perguntou ele enquanto tentava induzir uma tosse para que algosaísse de sua garganta. Certamente o sangue ainda o incomodava.- Encontrar respostas. - Desviei o olhar para a garota e com apenas um olhar elaentendeu que nada de mal viria de nos dois. Velkan e eu saímos dali o mais rápidos que conseguimos, por estar ferido ele nãoconseguia correr na velocidade que antes corria, por isso diminui o passo para deixa-lome acompanhar. Em segundos desaparecemos na escuridão sorrateiramente deixandoapenas o silencio e o resto de uma batalha que o vento logo levaria embora. ~(continua)

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