Soneto de maio
Suavemente maio se insinua
Por entre os véus da Abril, o mês cruel
E lava o ar de anil, alegra a rua
Alumbra os astros e aproxima o céu.
Até a lua, a casta e branca lua
Esquecido o pudor, baixa o dossel
E em seu leito de plumas fica nua
A destilar seu luminoso mel.
Raia a aurora tão tímida e tão frágil
Que através do seu corpo transparente
Dir-se-ia poder-se ver o rosto
Carregando de inveja e de presságio
Dos irmão Junho e Julho, friamente
Preparando as catástrofes de Agosto
Vinícius de Morais
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Soneto de maio

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Soneto de maio

  1. 1. Soneto de maio
  2. 2. Suavemente maio se insinua
  3. 3. Por entre os véus da Abril, o mês cruel
  4. 4. E lava o ar de anil, alegra a rua
  5. 5. Alumbra os astros e aproxima o céu.
  6. 6. Até a lua, a casta e branca lua
  7. 7. Esquecido o pudor, baixa o dossel
  8. 8. E em seu leito de plumas fica nua
  9. 9. A destilar seu luminoso mel.
  10. 10. Raia a aurora tão tímida e tão frágil
  11. 11. Que através do seu corpo transparente
  12. 12. Dir-se-ia poder-se ver o rosto
  13. 13. Carregando de inveja e de presságio
  14. 14. Dos irmão Junho e Julho, friamente
  15. 15. Preparando as catástrofes de Agosto
  16. 16. Vinícius de Morais

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