O sotao

290 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
290
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
13
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
1
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

O sotao

  1. 1. O Sótão Amanheceu chovendo e eu dediquei meus pensamentos à lembrança do sótão da casa dos meus avós, aliás, a casa onde passei a minha infância, a minha casa. Não se tratava de um sótão com teias de aranha, poeira e habitado por fantasmas. A limpeza da casa incluía a limpeza do sótão. Era um lugar acolhedor, maravilhoso, onde eu me refugiava para ver o mundo sob outro ângulo. Em cada canto eram guardadas coisas que provavelmente não teriam mais utilidade, mas também não se podia jogar fora. De um lado ficavam caixas com livros e revistas em alemão e do outro lado, vidros vazios de remédio, transparentes, de cor azul, verde, marrom de vários tamanhos e formas.
  2. 2. <ul><li>Vidros eram raros; só existiam os de remédio e não se jogava fora pois um dia poderiam servir para alguma coisa. Os de Xarope “São João” do Laboratório “Xavier” (uma garrafinha fina de gargalo comprido) serviam de mamadeira para os bebês da família. </li></ul><ul><li>No meio do sótão, em frente à escada ficava uma caixa de madeira com discos velhos. Na casa tinha um gramofone que mais tarde o meu avô vendeu ou trocou por outra coisa com uma família que morava na Linha Scharf. Lembro de quando íamos para essa localidade, a cavalo, para buscar fubá na tafona; passávamos em frente a casa dessa família, que ficava um pouco abaixo da estrada e quando a janela da frente estava aberta, podia-se ver o gramofone sobre a mesa da sala. </li></ul>
  3. 3. <ul><li>Voltando ao sótão, ao lado da caixa de discos, uma caixa com pedaços de pedra lousa, uma lâmina fina na qual se escrevia com um ponteiro da mesma pedra, ou giz. Essas pedras eram usadas por meus tios quando tinham aulas com um professor alemão que meu avô contratou para morar na casa e dar aulas particulares. </li></ul><ul><li>No alto da escada, deparava-me com duas ou mais latas, colocadas de qualquer jeito. Mais tarde descobri que elas guardavam os docinhos e biscoitos deliciosos que a vovó fazia e estrategicamente as colocava ali para que não descobríssemos o esconderijo tão à vista. </li></ul><ul><li>Duas coisas me levavam ao sótão com frequência. Uma era para soltar bolhas de sabão pela janela. Uma canequinha, água ensaboada e um talo de cebolinha verde e eu fazia as bolhas coloridas flutuarem no ar; caíam até uma altura e suavemente desapareciam numa gota d’água. </li></ul>
  4. 4. <ul><li>Outra coisa que eu adorava, era acompanhar da janela, um casal de passarinhos que todos os anos fazia o ninho bem no canto da casa, pelo lado de fora. Os passarinhos eram de cor marrom e o peito avermelhado. Não sei se era o mesmo casal mas todos os anos eles estavam lá. Primeiro eu acompanhava a preparação do ninho, depois apareciam os ovos um a um e finalmente os filhotes. </li></ul>
  5. 5. <ul><li>O sótão era na verdade o meu refúgio nos momentos de solidão e tédio, aquele tédio da infância, das horas do não sei que faço... tem nada pra fazer... </li></ul><ul><li>Isso se passou mais ou menos no final dos anos 40 e os primeiros anos 50. </li></ul><ul><li>Escrevi em 12/05/2004 </li></ul>
  6. 6. <ul><li>“ O mundo do passado é aquele no qual, recorrendo a nossas lembranças, podemos buscar refúgio dentro de nós mesmos, debruçar-nos sobre nós mesmos e nele reconstruir nossa identidade” </li></ul><ul><li>Norberto Bobbio </li></ul>
  7. 7. <ul><li>Texto e Formatação: Nair Adelaide Bunn Thives </li></ul><ul><li>[email_address] </li></ul><ul><li>www.mensagensvirtuais.com.br </li></ul>

×