Alteracoescadavericas

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Alteracoescadavericas

  1. 1. MORTE SOMÁTICA E ALTERAÇÕES CADAVÉRICASCONSIDERAÇÕES GERAIS Mesmo que o homem viva com a conciência de ser mortal, oinconciênte resiste à morte. Nada mais desolador que falar issoaos vivos. Os médicos temem mais a morte que os pacientes, poisestes estão envoltos no véu da esperança. O conteúdo programáticodas diversas disciplinas do curso médico, tradicionalmenteoferecido nas escolas, traz raras informações sobre o estudo damorte, e daí o impacto emocional ante o primeiro caso clínicofatal, no qual o médico se vê direta ou indiretamente envolvido. Mesmo sendo seu primeiro contato com o morto, nas aulas deanatomia, o corpo humano inanimado costitui simplismente umamáquina cujas as peças devem ser conhecidas para a obtenção daaprovação em exames de anatomia. Sua intimidade com o cadávervolta-se para o mundo das estruturas, esquecendo que aquele corpoteve vida , brincou , viveu, amou e sofreu, morrendo triste eabandonado, sem um pranto de ternura ou desespero, sem a luztremulante de uma vela que o iluminasse em sua última viagem.Sabem apenas que a história dequele corpo desconhecido seconfunde com a de todos os abandonados: uma história coletiva. Temapenas um nome - cadáver desconhecido, assim chamado porque a vidao envolveu no anonimato. A sensibilidade da vida é contrária à sensibilidade da morte.Essa despesonalização se prolonga até as necropsia de patologia,onde se começa a associar ao cadáver alguns dados clínicos. Já naclínica médica, o contato com o ser vivo é mais estreito, atravésda história já se começa a conhecer um nome , seus problemas eseus sofrimentos. Medita-se o coração, vigia-se o sofrer eenxuga-se o pranto. Assim começa o estudante a descobrir o segredo da esperança.Nesta fase participam da agonia que pode preceder amorte. Aquela experiência fria e impessoal dos primeiros anospassa a ser substituída por um relacionamento mais estreito e maispessoal. Mais a lembrança das aulas de anatomia marcadecisivamente no estudate uma atitude de insensibilidade eindiferença, principalmente diante dos pacientes consideradosincuráveis ou em seus últimos momentos de vida. Isso nos leva acrer na necessidade de trazer, desde o início da carreira dofuturo médico, um contato com seres humanos, e não apenas commatérial inerte não identificado com o processo vital. Sabe-se que o grande exito médico consiste no diagnósticobrilhante e na terapêutica eficaz. Sua maior gratificação residena reabilitação integral do paciente. Quando a situação do doentese agrava e a morte se torna iminente, experimenta o médico umasensação de fracasso anti a si próprio e os circunstantes. Suavontade é de se afastar cada vez mais do espetáculo da morte.Dificilmente um clínico assiste à morte de seu paciente. O maiorespantalho do cirurgião é a “ mors in tabula “. O médico, dianteda morte, comporta-se diferentemente, de acordo com a sua própriaidade e experiência, e ainda consoante a diversas situações. Omédico jovem, quando enfrenta uma enfermidade fatal, o faz comgrande agressividade, procurando combatê-la através de todos osrecursos, possíveis e impossíveis, numa tentativa heróica edesesperada de salvar uma vida.
  2. 2. O de meia-idade aceita racionalmente as implicações da morte,afastando-se do significado, e quando diante de um caso perdido,torna sua presença cada vez mais rara e mais fortuita. Finalmente o médico de idade avançada, por um longo e penossoprocesso de concientização, convence-se de que a morte é umfenômeno inevitável. Para uns, parece ser ele um insensível ante odesenlace que se mostra irreversível e imediato. Para outros,apenas a conciência de que uma alma repouserá em paz - na pazuniversal.TANATOLOGIA E DIAGNÓSTICO DA MORTE SOMÁTICADá-se o nome de Tanatologia, do grego THANATOS (morte) e LOGOS(estudo), ao ramo da Patologia que estuda a morte e todos osproblemas a ela relacionados. Em estrito paralelo com a vida, amorte é um processo e não um estado . Podemos definir a mortecelular ou necrose ( do grego NEKROSIS = mortificação), comosendo um estado no qual a mesma tenha perdido irreversivelmente asua capacidade de manter a composição específica do seu meiointracelular. Existe a necrose fisiológica ou morte celularprogramada, isto é, a observada naquelas células que normalmentemorrem e se renovam ( células lábeis), processo conhecido comonecrobiose ( do grego NÉKROS = cadáver e BIOSIS = ação de viver).A necrobiose é vista nos queratinócitos, nos eritrócitos e é umaspecto importante no desenvolvimento embrionário. Por exemplo, aperda da cauda em anfíbios (girinos) durante a metamorfose ( acauda regride porque ocorre autólise dependente de tiroxina nascélulas musculares esqueléticas, os miócitos se desintegram e seusdetritos são removidos por macrófagos que se infiltram na cauda emregeneração. Alterações semelhantes ocorrem nas células demúsculos liso do útero em involução após a prenhez nos mamíferos.Se a necrose se constitui na morte de um tecido, em um organismovivo, a morte somática significa a cessação total e permanentedas funções vitais de um indivíduo como um todo. Atualmente amorte , do ponto de vista clínico, é caracterizada por váriosfenômenos, tais como:-perda da conciência;-perda da mobilidade voluntária, ou seja, desaparecimento dos movimentos e do tônus muscular;-midríase bilateral completa ou midríase paralítica.-parada dos movimentos respiratórios e dos batimentos cardíacos (silêncio auscultatório);-perda da ação reflexa aos estímulos táteis, térmicos e dolorosos;-parada irremediável das funções cerebrais registradas no eletroencefalograma (EEG plano);. Todos estes fenômenos podem aparecer isoladamente, sendoportanto a concidência deles para constatar a morte. Admite-se quedepois da morte, por períodos variáveis de tempo, alguns tecidosse mantenham viáveis. A morte é um processo mais complexo que opatologista deve avaliar. Quando este processo é de curta duração,como ocorre na ação do cianeto sobre a enzima celular citocromo-oxidase, as lesões celulares produzidas são sutis e ficam além doalcance dos métodos de rotina em patologia. Quando o processo de
  3. 3. morte se estende por período de longo tempo, as lesões sãofreqüentimente mais extensas, multiplas e inter-relacionadas, quese tornam difíceis de interpretar. O excitamento da descoberta, doestudo e da integração dessas peças de evidências no sentido deelaborar uma tese aceitável sobre a causa da morte são , noentanto, a recompensa de um exame patológico completo e cuidadoso. Sendo entretanto, possivel retirar-se órgãos de índividuos quetiveram morte somática e transplanta-los para outros índividuos oucultivar as células dos órgão em cultura de tecido. Entende-se portransplante o transporte artificial de tecidos e órgãos de umlugar para outro do organismo (transplante autoplástico),pode ocorrer de um índividuo para outro da mesma espécie(transplante homoplástico) e entre espécies diferentes(transplante heteroplástico). Os rins podem ser colocados duranteuma noite no refrigerador e preparados para cultura de célula nodia seguinte. A atividade ciliar na mucosa nasal de um bezerromorto, pode ser observada espalhando-se na mucosa partículas decarvão e observar a sua movimentação por várias horas. Osespermatozóides mostram-se viáveis 100 horas após a morte. Oamúsculos esqueléticos podem contrairem-se por estímulos mecânicosou elétricos por pouco tempo depois da morte e reação pupilar àatropina pode ser observada 04 horas depois desta. Comoexplicaremos tais processos se os microscopistas eletrônicosafirmam que alterações irreversíveis, ocorrem nas células minutosapós a morte ?. A comunidade médico-legal vem sendo pressionadapara definir morte, especialmente no caso de transplantes deórgãos, quando que para realizarem o transplantes necessitaesperar até que o doador esteja oficialmente morto. O patologistaveterinário frequentimente trata com animais que estão usualmentemortos. O proprietário sabe que o animal está morto, assim como oclínico . Portanto podemos conceituar a morte somática como sendoa quebra do equilíbrio biológico e fisíco-químico fundamentais àmanuntenção da vida.A pergunta , porque o animal morreu?, não deve ser negligênciada.Existe uma tendência de se preferir a simplicidade nadeterminação das causas da morte para fins legais. É verdade que amorte pode ser iniciada por agentes específicos que conduzem aprocessos tais, como inflamação, doenças cardiovasculares ouneoplasias. O processo da morte, porém é muito mais complexo. Ainsufuciência renal induzida por intoxicação por mercúrio éresponsável pela morte (causa morte), mas a determinação doprocesso de morte neste caso constitui-se um exercíciointelectual exigente que deve levar em conta os efeitos doscatabólitos nitrogenados, peptídios endógenos tóxicos edesequilíbrio eletrolítico e ácido-básico. Os efeitos dessassubstâncias ou os efeitos sobre o centro respiratório do cérebro efunção cardio-vascular ou diretamente sobre os pulmões, rins ecoração, responderão o porque da pergunta sobre a causa morte.TIPOS DE MORTE1. Morte violenta conhecida ou suspeita(homicídios, suicídios, acidentes...);2. Morte por enfermidades: a. com assistência médica;
  4. 4. b. sem assistência médica;3. Morte súbita;4. Morte associada a procedimentos terapêuticos, diagnósticos ou anestésicos;INVESTIGAÇÃO DO LOCAL DA MORTEPode esta investigação ser de grande importância para esclarecerem que circunstância ocorreu a morte. Em se tratando de animaiscom altos seguros, os mesmos fazem restrições a determinadoslugares , por exemplo, só pagam o valor referente caso o animaltenha morrido dentro da baia. Neste caso sinais agônicos podem serobservados no animal, nas paredes e no chão, onde o animal veio àobito. Caso não consigam ser evidenciados , indica que o animalmorreu em circunstância outra. . Observando-se o local pode-se teridéia de quanto tempo transcorreu depois da morte , no lado dodecúbito do animal o mesmo comprime a vegetação local impedindo afotossíntese, caso tenha passado muito tempo depois da morte e avegetação se mantém verde indica que o animal foi mudado de local. CRONOTANATOGNOSE E ALTERAÇÕES CADAVÉRICASNo estudo da patologia forence o patológista veterinário deveestar conciente das conseqüência das legais em potencial. Umanecropsia feita descuidadamente leva, na melhor das hipóteses, auma reputação de incompetência e a responsabilidades legais quepodem atingir milhões de dolares, especialmente quando a saúdehumana está em jogo. Após a morte existe uma série de alterações sequênciais,irreversíveis e previstas, que podem ser modificadas nadependência das condições fisiológicas antes da morte: 1.estado nutricional: quanto maior o teor de glicoênio muscular, mais tempo levará a rigidez cadavérica para se instalar; 2.panículo adiposo: quanto maior e mais gordo estiver o animal, menor será a dissipação do calor e maior será a velocidade de instalação, revestimento piloso, stress...),das condições das alterações cadavéricas; 3.ambientais: quanto maior for a circulação do ar, temperatura ambiente e umidade, mais rápido se instalarão as laterações cadavéricas; 4.tipo de morte :intencional, natural ou acidental; 5.causa morte : infecções bacterianas (clostridios), envenenamentos( estricnina,veneno de cobra);cobertura tegumentar : o pêlo, penas, lã e panículoadiposo podemdiminuir a dissipação de calor, tornando maior a velocidade deinstalação das alterações cadavéricas.. A interpretação de lesões é frequentimente complicada peladegeneração que ocorreu entre a hora da morte e a realização danecropsia. As degenerações posmortem se devem à anoxia difusatotal. As alterações autolíticas se assemelham a alteraçõesisquêmicas precoses e, de fato, têm uma base hipóxica.Imediatamente após a morte as células musculares mostram grande eincontrolado aumento da glicólise. Essa energia, desacoplada da
  5. 5. oxidação, dissipa-se como calor. A temperatura corporal, eprincipalmente nas massas musculares profundas será alta porvários minutos após a morte. A degeneração das organelas celularesserá proporcional as suas necessidades em oxigênio e as diferençasnas alterações posmortem refletem essas necessidades. A alteraçãoinicial ocorre na mitocôdria. Quanto mais diferenciado eespecializado for um tecido, mais rapidamente nele se instalará oprocesso de autólise, em razão do alto índice metabólico e, porconseguinte, da maior necessidade de nutrientes e oxigênio. A sequência de tais processos é chamado de CRONOTANATOGNOSE ( dogrego KRONOS - tempo, THANATOS - morte e GNOSE - conhecimento). O conhecimento das alterações cadavéricas é importante aopatologista e ao médico legista, para poder diferenciar einterpretar os fenômenos decorrentes da morte daqueles queocorreram em vida , e ao não confundí-los, coletar dadosindispensáveis para se firmar um diagnóstico. Uma considerávelexperiência é necessária para fazer-se a diferenciação, e ocorremuita confusão na interpretação destes achados antes que seadquira alguma segurança. É muito embaraçoso quando todas aslesões descritas num laudo de necropsia ou mostradas a um clientedurante esta , tem que serem descartadas pelo patologista comosendo alterações posmortem. Desta forma se faz necessário aidentificação específica dos tipos de alterações que podem ocorrerapós a morte em cada tecido ou órgão.CLASSIFICAÇÃO DAS ALTERAÇÕES CADAVERICAS: 6.Alterações cadavéricas abióticas ou vitais negativas: 7. •.Imediatas: - perda da conciência - insensibilidade - imobilização - abolição do tônus muscular - cessação da respiração e circulação •.Mediatas ou consecutivas: - evaporação tegumentar - resfriamento do corpo - hipóstase - rigidez cadavérica - coagulação sanguínea2.Alterações cadavéricas transformativas: •.destrutivos: - embebição pela hemoglobina, bile e ferro - manchas azuladas ou esverdeadas pela ação da sulfametahemoglobina produzidapelas bactéria - hemólise - maceração ou gastromalácia - timpanismo ou meteorismo cadavérico - enfizema cadavérico
  6. 6. - pseudo prolapso retal - odor cadavérico •.conservadores : 1. saponificação 2. mumificação Os fenômenos cadavéricos dividem-se em vitais negativos etransformativos. Os vitais negativos compreendem aqueles queapenas negam a existência de vida, não modificam o cadáver no seuaspecto geral e dividem-se em imediatos (perda da conciência,insensibilidade, imobilização, abolição do tono muscular, cessaçãoda respiração e circulação) e os consecutivos ( evaporaçãotegumentar, resfriamento do corpo, hipóstase, rigidez e espasmocadavérico). Os fenômenos transformativos modificam o cadáver noseu aspecto em geral e contam-se como destrutivos ( autólise,putrefação e maceração) e os conservadores (saponificação emumificação). As alterações são classificadas de forma didática em: AUTÓLISEÉ a autodigestão ou dissolução de tecidos causada por enzimas queestão presentes, ou são liberadas, no citoplasma celular após amorte da mesma. Esta ocorre devido a anoxia total e difusa. Asalterações autolíticas se assemelham as primeiras alterações queseguem a uma isquemia, tendo portanto um fundamento hipóxico. Asorganelas citoplasmáticas degeneram de acordo com suasnecessidades de oxigênio, de tal modo, que as diferençasencontradas microscopicamente nas alterações pos-mortem são umreflexo destas necessidades. Para um exame ultraestrutural dascélulas, a realização da necrópsia e técnicas de preservação sãomuito importantes.A autólise pos-mortem se caracteriza pela destruição relativamenteuniforme da célula. As proteinas se desintegram, formam pequenosgrânulos que se distribuem no citoplasma celular. Em geral, ostecidos muito especializados (ex. sistema nervoso central eepitélio glandular)desenvolvem mais rápida autólise do que ostecidos conjuntivo de sustentação. A autólise precose leva a perdado detalhe celular em preparações coradas, e pode causar algumaconfusão na diferenciação com processos degenerativos, tais como,a degeneração hidrópica. Na autólise não existe nenhuma respostainflamatória, em contraste com o que pode ser visto no tecidonecrótico. DESIDRATAÇÃODevido a ação da gravidade, os líquidos tendem a ocupar as partesmais baixas do corpo. As partes altas, em especial a pele, secammais rápido. Este fenômeno se torna mais acentuado quando o ar équente ou tenha vento. Se observa com maior rapidez nos locais docorpo com escoriações ou onde a pele seja muito delgada. A córneadesidrata muito rapidamente, mesmo quando o olho está fechado. ALGOR MORTIS algor mortis (frigor mortis, arrefecimento cadavérico, fraldadecadavérica ou frio da morte) - é o resfriamento gradual do cadáver
  7. 7. em decorrência da parada das funções vitais (termorregulação), dacessação do metabolismo e perda progressiva das fontes energéticas(fonte de calor corpóreo) e da evaporação atuando nas superfíciescorporais (dissipação). De modo geral, o frigor mortis correspondea queda de temperatura corpórea para níveis abaixo dos limitesnormais e depois ela se torna igual a temperatura do ambiente. Arapidez do resfriamento depende da temperatura ambiente,quantidade de tecido adiposo corpóreo e revestimento pilórico oupenas, que funcionam como um isolante térmico.A temperatura do corpo tende a cair aproximadamente 1ºC/hora. Ocadáver se esfria na primeira hora mais lentamente do que nashoras seguintes. Em humanos, após 1 a 2 horas os pés, as mãos e afronte estão frios, enquanto que as outras partes ainda estãotrépidas, depois esfriam-se sucessivamente as extremidades , aparte anterior do tórax e a região da coluna vertebral e porúltimo o baixo-ventre, a cavidade axilar e as porções do pescoçocompreendida dos lados da garganta. Um outro fator que influenciano aparecimento precoce do frio da morte é a idade, visto que, osidosos e recém-nascidos esfriam-se mais rapidamente que osadultos. Os idosos possuem trocas metabólicas produtoras de calormais vagarosas e os recém-nascidos, embora as trocas se processemcom rapidez, o pequeno volume do corpo e a pele estruturalmentedelicada favorecem a rapidez da evaporação. A causa morte pode emalguns casos retardar o aparecimento do frio da morte, e istooccore em casos de septicemias, clostridioses, intoxicações(estricnina), tetanias e nos traumatismos do SNC. LIVOR MORTIS livor mortis (lividez cadavérica, hipostase cadavérica ou manchascadavéricas) - corresponde a coloração azululada observada empacientes terminais com problema cardíacos, não sendo observadanestas circuntâncias nos animais devido a grande espessura da pelee o revestimento pilórico. A presença de manchas cadavéricasocorre em consequência da hipostase, na qual ocorre umasedimentação do sangue e dos líquidos tissulares nos locais maisinclinados do corpo, no início estas manchas podem se desfazeremmediante a presão digital. O livor é a coloração avermelhada dasporções em decúbito do corpo, sendo pouco evidentes nas áreas decontato do corpo com a superfície ( áreas de pressão). Estefenômeno é decorrente da perda do tônus das vênulas e capilaresque se dilatam nos segmentos mais baixos do cadáver, cedendo àpressão hidrostática. Nas primeiras horas (2 a 4), após a morte,as manchas cadávericas podem mudar de posição se a posição docorpo é alterada. Com o passar do tempo, os derivados da hemólisedo sangue estagnado nos vasos impregnamos tecidos. E após 10 a 12horas da morte estas manchas não mais desaparecem com a alteraçãoda posição do cadáver. Deste modo, as manchas cadavéricas vistasna posição de declive do corpo e dos órgãos internos (congestãohipostática) permiten saber a posição que ficou o cadáver após amorte. Estas manchas devem ser diferenciadas das equimoses ehemorragias interticias, originadas durante a vida, pois estasúltimas não se desfazem sob pressão como ocorre nas primeirashoras após a morte, como ocorre com os livores cadávericos. Olivor cadavérico aparecem aproximadamente nos primeiros 20 minutos
  8. 8. depois da morte da morte em indivíduos desnutridos, e depois deuma hora em indivíduos anémicos. A hemoglobina reduzida dasmanchas cadavéricas são de coloração violácea, esta é mais intensase a morte ocorreu por asfixia devido a grande quantidade dehemoglobina reduzida no sangue. No envenenamento por monóxido decarbono a cor é vermelho vivo devido a formação decarboxiemoglobina. Em casos de intoxicação por clorato de potássiose forma a metaemoglobina e a coloração é amarelada. Quando seapresenta a decomposição do sangue por bactérias, a coloração éverde-azulada. COÁGULOS CADAVÉRICOS coágulos cadavéricos - o sangue cadavérico se coagula nascavidades cardíacas e nos grandes troncos vasculares,especialmente na artéria pulmonar, na aorta e nas veias torácicas.Os coágulos se diferenciam dos trombos por serem lisos, aspectogelatinoso, superfície brilhante, elásticos, facilmentedestacáveis e formados exclusivamente de elementos sangüíneos. Seclassificam em :a) cruóricos - coloração avermelhada, semelhantes por seu aspectoe por sua composição aos coágulos que se produzem no sangueextravassado.b) lardáceo - coloração amarelada, possuem muito poucas hemáciasna sua composição, sendo formado principalmente por fibrina.c) mistos - aparecimento de coágulos com a coloração vermelho-amarelado.Em oposição aos trombos formados em vida, os coágulos cadavéricosnão se fixam na parede dos vasos e não estão unidos a estas porprocessos de organização. Se diferenciam também por terem ostrombos superfície rugosa, secos, friáveis e de coloraçãoesbranquiçada. RIGOR MORTIS rigor mortis (rigidez cadavérica) é a condição em que osmúsculos mostram-se duros e contraídos, não sendo possível amovimentação passiva das articulações. Se apresenta 6 a 12 horasdepois da morte. O tempo de instalação e o grau de rigidez tambémvariam na dependência de fatores que antecedem a morte.Imediatamente depois que cessa a circulação do sangue, ocorre umadiminuição progressiva do pH muscular. O oxigênio, o ATP e ofosfato de creatinina também diminuem. Segundo Stromer et alli,1967; Henderson et all, 1970 e Guyton, 1973, o movimento decontração muscular se parece de alguma forma com a contração queocorre em vivo. Se inicia com a saída de Ca2+ do retículoendoplasmático, utilizando o ATP como fonte de energia e asalterações ultraestruturais se parecem com aquelas que se produzemna contração in vivo. A rigidez cadavérica não se deve ao acúmulode ácido lático muscular como se pensava anteriormente. Sabe-sehoje que é decorrente da depleção do ATP e as consequentes pontesque se formam entre os filamentos de actina e miosina damiofibrila muscular. O complexo ATP/Mg2+ é responsável peladistensão ou relaxamento da fibra. Como o ATP é derivado dasreservas de glicogênio e fosfato de creatinina, logo ele é
  9. 9. consumido, sendo este consumo mais lento nas primeiras horas. Comisso se estabelece um estado de contração muscular e umencurtamento do músculo. A actina e miosina que compoem as linhasZ, no músculo relaxado acham-se individualizadas e no músculocontraído, como acontece na rigidez cadavérica, acham-seconectadas pela formação das pontes citadas, tornando o músculodensos e compactos. Com o passar do tempo há uma degradação físicadestas estruturas ao nível das linhas Z proporcionando aprogressiva perda da rigidez.Neste mesmo processo há uma queda do pH intracelular da fibramuscular em função do aparecimento do ácido lático, pela via daglicose anaeróbica (exceto no músculo cardíaco). Quando o pHatinge 5,0 a 5,5 ocorre uma parada dos fenômenos enzimáticos quepromovem a glicólise que coincide com o ponto isoelétrico damiosina. O rigor mortis começa em primeiro lugar no músculocardíaco, expulsando o sangue do ventrículo esquerdo (1ª hora). Ainsuficiência nesta expulsão indica uma degeneração ante-mortem.Segue-se o aparecimento da rigidez na cabeça, particularmente nosmúculos mastigatórios e músculos peri-oculares , segue-se pelaregião cervical continuando-se nos menbros anteriores, do tronco emembros posteriores. O final da fase da rigidez cadavérica échamado de fase de maturação da carne, para aqueles animaisabatidos para o consumo. O grau de pH alcançado nesta fase éimportante para a qualidade das carnes e derivados para o consumo.O pH ótimo só é alcançado se o animal vivo tiver um bom nível deglicogênio antes do abate. Caso contrário, com o pH elevado, ascarnes vão ser de pessíma qualidade e o prazo de validadecomercial é curto. É por esta razão que na morte natural, com asfontes de glicogênio depletadas, o animal tem estes processosacelerados e a carne é de má qualidade. ALTERAÇÕES OCULARESalterações oculares - se referem as alterações que ocorrem nosolhos após o óbito, e são elas: 1. pálpebras entreabertas por ação da rigidez cadavérica. 2. globo oculares retraídos pela desidratação que também é responsável pela perda de brilho das córneas que se tornam opacas e pupilas dilatadas (midríase pupilar). DECOMPOSIÇÃO CADAVÉRICAdecomposição cadavérica - ocorre quando o tecido morto é invadidopor microorganismos anaeróbicos saprofíticos que digerem aspreteínas, induzem alterações químicas e formam gases. Finalmenteocorre a putrefação do organismo morto, que é o fenômeno ligado àautodigestão de tecidos e órgãos por enzimas próprias (autólise)ligadas à invasão e multiplicação bacteriana principalmente as quevivem saprofiticamente no trato digestivo, incluíndo aquelasprodutoras de gás. Os processos químicos da putrefação são muitocomplexos e variáveis no seu aparecimento e sua evolução. Alémdisso enzimas bacterianas intervem, especialmente o Clostridiumwelchii e o Vibrião séptico. O suco gástrico continua atuando
  10. 10. algum tempo depois da morte, o qual pode causar perfurações noestômago, esôfago e diafragma com presença de conteudo gástrico nomediastino e nas cavidades pleurais. Estes achados são importantespara a realização de um diagnóstico diferencial e determinação dacausa morte ( alterações como : hemorragias e ulcerações na parededos órgão devem ser observadas). Alguns aspectos caracterizam afase da putrefativa, que são: •.- desaparecimento da rigidez cadavérica. •.- embebição sangüínea é o aparecimento da embebição pelos produtos da hemólise. Corresponde ao aparecimento de manchas aver •.- apareccimento da embebição biliar em tecidos próximos à vesícula. •.- aparecimento da embebição negra ou pseudomelanose ocorre devido a embebição pelo sulfeto de ferro ( o ferro é liberado pela catabolização da hemoglobina) •.- presença de manchas azuladas ou esverdeadas na serosa intestinal, porção inferior do fígado e outros órgão , devido produtos de sulfameta-hemoglobina derivada do gás sulfídrico (anidrido sulfuroso) com a hemoglobina. •.- eliminação de sangue pelas vias naturais (hemólise). •.- despregamento da mucosa gástrica (maceração ou gastromalácia), durante a vida, a mucosa gástrica não é agredida pelo suco gástrico; todavia, quando o animal morre e ainda tem uma temperatura corpórea que permita a ação de enzimas, estas continuam atuando por algum tempo. Assim, a mucosa sofre autodigestão pela Pepsina e Ácido clorídrico. Tal processo é acentuado nos animais de suco gástrico fortemente ácido(cão) ou nos lactentes( pela formação de ác. láctico na cavidade gástrica). Ocorre a princípio uma tumefação das pregas mucosas, que depois sofrem um processo de amolecimento. A mucosa toena-se edematosa, vítrea e, apenas tocada com a faca, desprende-se com grande facilidade. •.- distenção devida a fermentação com produção de gás no trato digestivo (meteorismo cadavérico). A distensão do abdomem e dos intestinos também causa efeitos de pressão em outras vísceras. Grandes áreas no fígado podem mostrar-se pálidas porque o sangue foi empurrado dali pela pressão de outros órgãos. •.- aparecimento de bolhas gasosas(H2S)crepitantes em órgãos capsulados, como o fígado, baço e rim , decorrente da proliferação de microrganismos produtores de gás (enfizeme cadavérico). •.- ocorre relaxamento dos esfíncteres (pseudoprolapso retal)com exteriorização da ampola retal, devido o aumento da pressão intra-abdominal e intra-pélvica causada pelo meteorismo cadavérico. •.- deslocamentos podem ocorrer na forma de torções intestinais, invaginações ou hérnias. Se uma laceração ou ruptura ocorre antes da morte, haverá hemorragia nos bordos da lesão, ao passo que não haverá hemorragia numa ruptura pós-mortem. •.- liquefação parenquimatosa é a perda progressiva do aspecto e
  11. 11. estrutura das vísceras. •.- odor cadavérico decorrente da formação de substâncias voláteis por ação de bactérias. Entre as substâncias mal cheirosas formadas durante a putrefação se incluem a amônia, o sulfeto de hidrogênio, o indol escatol, a putrescina e a cadaverina.Embora não exista regra geral que possa ser adotada para aexatidão temporal de todos os fenômenos da putrefação, eles passampelas seguintes fases:1. príodo da coloração - este é o período que se caracterizapelo aparecimento de coloração:esverdeada ou azulada (sulfameta-hemoglobina)amarelo-esverdeado (bile)avermelhada (hemoglobina)negra (sulfeto de ferro)2. período gasoso - os gases originados da putrefação surgem nointerior das vísceras.3. período liquefativo ( ou coliquativo) - é caracterizado peladissolução pútrida do cadáver. As partes moles vão diminuíndoprogressivamente de volume com a desintegração progressivaenzimática autolítica e a proliferação de fungos e bactérias, comconseqüente fermentações dos hidratos de carbono e rancificaçãodas gorduras.4. período de esqueletização - nesta fase a desintegração daspartes moles restringe o corpo ao esqueleto e ligamentosarticulares. Com o tempo os ossos tornam-se frágeis e leves. VARIAÇÕES NA PUTREFAÇÃO E DECOMPOSIÇÃO1. adipocera ou saponificação - consiste na transformação dostecidos em um material céreo de coloração branco amarelado. Esteprocesso não se observa em fetos com menos de 7 meses de idade,devido a diferença na composição química da gordura. Estarelacionada com a umidade.2. mumificação - é a desidhatação do cadáver por evaporação deágua, podendo ser parcial ou total. Ocorre devido a ausência doprocesso putrefativo e a da desidratação rápida pelo ar quente eseco. ESTIMATIVA DO TEMPO DE MORTEA hora em que ocorre a morte é usuamente importante em patologiaforence, mas na maioria das vezes estimativas a grosso modo dograu de rigidez muscular e da autólise são possíveis.Nos cadáveres encontrados descobertos, freqüentimente encontramoslarvas de moscas (miíase). Para a postura dos ovos, as moscaspreferem os ángulos oculares, as fossas nasais, as comissurasbucais e as feridas. Entre 10 a 24 horas depois da oviposturaaparecem as larvas, podendo estas estarem presentes em grandequantidade. Existe uma grande variedade de espécies de moscas que
  12. 12. causam esta miíase e os entomológos tem elaborado tabelas quepermitem en certas circunstâncias determinar o tempo de morte doindivíduo , segundo a espécie que está parasitando o tecido. CRONOLOGIA DOS PROCESSOS POS-MORTEM (Egon Lichtenberge; texto de patologia , pp1171)----------------------------------------------------------------TEMPO APROXIMADO ALTERAÇÕES CADAVÉRICAS PÓS-MORTEM---------------------------------------------------------------- 1 HORA desidratação, alterações oculares (olhos abertos) e hipostase----------------------------------------------------------------- 2 A 4 HORAS rigidez dos masseteres diminuição da temperatura retal (frigor mortis)----------------------------------------------------------------- 4 A 10 HORAS livor mortis (manchas) rigidez cadavérica---------------------------------------------------------------- 12 A 15 HORAS desaparecimento da rigidez----------------------------------------------------------------- 24 A 48 HORAS opacidade das córneas putrefação cadavérica presença de larvas de moscas----------------------------------------------------------------- 2 A VÁRIOS ANOS fase liquefativa----------------------------------------------------------------- 2 A 5 ANOS fase de esquelitização---------------------------------------------------------------- MAIS DE 5 ANOS desaparecimento da medula óssea, cartilagem e ligamentos.
  13. 13. BIBLIOGRAFIA1. THOMSON, R.G., Patologia Geral Veterinária, Guanabara Koogan,1a edição, 1983, pp 76-77.2. CHEVILLE, N.F., Patologia Celular,Manole, 1a edição, 1980, pp 17-19.3. CHEVILLE, N. F., Introdução à Patologia Veterinária,Manole, 1a. edição bras., 1994, pp 41-55.4. BARRETO NETO et ALLI., Patologia - Processos Gerais, 3a.edição, 1992, pp 66-68.5. ANDRADE DOS SANTOS,J., Diagnóstico Médico Veterinário, 7a.edição, 1989, pp 28-29.6. CORREA PALEJO et alli., Texto de Patologia, Presa mádicamexicana, 1a. edição,1970,pp 1169-1181.7. TAMAYO,P., Introducion a la Patología, Panamericana, 2a.edição, 1987,pp 128-135.
  14. 14. M O R T E S O M Á T I C ACONSIDERAÇÕES GERAISTANATOLOGIADIAGNÓSTICO DA MORTE SOMÁTICATIPOS DE MORTEINVESTIGAÇÃO DO LOCAL DA MORTE
  15. 15. CRONOTANATOGNOSEALTERAÇÕES CADAVÉRICASESTIMATIVA DO TEMPO DE MORTE T A N A T O L O G I AGREGO: THANATOS = MORTE LOGOS = ESTUDOCLASSIFICAÇÃO:1.MORTE CELULAR OU NECROSE DOGREGO: NECROSIS = MORTIFICAÇÃO2.NECROBIOSE DO GREGO: NEKROS = CADÁVER BIOSIS = AÇÃO DE VIVER3.MORTE SOMÁTICAC R O N O T A N A T O G N O S E GREGO: KRONOS = TEMPO
  16. 16. THANATOS = MORTE GNOSE = CONHECIMENTO ALTERAÇÕES CADAVÉRICAS1. AUTÓLISE2. DESIDRATAÇÃO3. ALGOR MORTIS4. LIVOR MORTIS5. COÁGULOS CADAVÉRICOS6. RIGOR MORTIS7. ALTERAÇÕES OCULARES8. DECOMPOSIÇÃO CADAVÉRICA HETERÓLISE , DECOMPOSIÇÃO OU PUTREFAÇÃOA. PE_IODO DE COLORAÇÃOB. PERÍODO GASOSOC. PERÍODO LIQUEFATIVOD. PERÍODO ESQUELETIZAÇÃO
  17. 17. N E C R O P S I ADEFINIÇÃO: AUTOPSIA DO GREGO: AUTOS = O MESMO OPSIS = VISTA NECROPSIA DO GREGO:NECROS = CADÁVER OPSIS = VISTAOBJETIVO:TENTAR DETRMINAR O DIAGNÓSTICOATRAVÉS DAS ALTERAÇÕESPATOLÓGICASABERTURA E INSPEÇÃO METÓDICA DASCAVIDADES E ÓRGÃOSTIPOS: 1.COMPLETA 2.PARCIAL
  18. 18. EXECUÇÃO: 1. ANAMENESE 2. LOCAL 3. INSTRUMENTAL T É C N I C A1.E X A M E E X T E R N Oa)alterações cadavéricasb)estado nutricionalc)superfície cutânead)orifícios naturais 2.E X A M E I N T E R N O1.DECÚBITOS2.INCISÃO MENTO-PUBIANA3.RETIRADA DA LÍNGUA4.ABERTURA DA CAVIDADE ABDOMINAL5.ABERTURA DA CAVIDADE TORÁCICA6.RETIRADA DOS CONJUNTOS

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