HUMANISMOArte de Transição
Sobre “Os efeitos de um bom governo”, de Ambrogio                       Lorenzetti• Que cena é retratada e em que espaço  ...
Contexto econômico e político do humanismo• O Humanismo é um período histórico entre os séculos XIV e  XV – ou seja, na tr...
Contexto cultural e ideológico• A burguesia passa a investir em cultura, algo que até  então era feito apenas pela igreja ...
A Divina Comédia - Dante Alighieri (1265 – 1321) • Poema épico escrito entre 1307 e 1321; • Narra a viagem de Dante aos tr...
A tensão entre o velho e o novo  • A literatura humanista, como sua natureza, digamos,    transitória, já indica, não tem ...
O público e os temas• Assim como no trovadorismo, a literatura humanista  circula no ambiente aristocrático das cortes e d...
Uma invenção que faz toda a diferença!Por volta de 1450, Johann Gutenberg cria aprensa e revoluciona a produção de livrosn...
Enquanto isso, em Portugal...• Quando o humanismo chega a Portugal, no início  do reinado da Dinastia de Avis (1385), a pr...
Fernão Lopes (1378 – 1459)  • A nomeação de Fernão Lopes como    cronista-mor do reino, em 1434, é    considerada o marco ...
Gil Vicente                       (1465 – 1536)É considerado o primeiro grande dramaturgoportuguês; - Sua primeira peça co...
Os autos de Gil Vicente caracterizam-se por:• Uma estrutura composta de quadros justapostos  (sketches) que, em geral, pod...
- Denunciar os exploradores do povo, como o fidalgo, o  sapateiro e o agiota do Auto da barca do inferno;- Ridicularizar c...
Personagens TIPOS.           Todo = instituição           Um = indivíduo           Tipo = conjunto           dentro do tod...
Caso do Rei                Todo = Um              Não há Tipo =              conjunto dentro do              todo.        ...
A visão de inferno da época
O AUTO DA BARCA DO          INFERNO (1517)Peça mais importante de Gil Vicente, pertencente  à trilogia das Barcas (da Glór...
O AUTO DA BARCA DO          INFERNO (1517)A história é simples: os personagens que chegamvão sendo conduzidos pelos barque...
Os arrais (barqueiros):          Diabo: tem um ajudante, é          liberal, recebe todos com          humor e simpatia (a...
Anjo: argumenta pouco, écalado, frio, discreto eautoritário.
Passagem do FidalgoVem o Fidalgo e, chegando ao batel   FIDALGO Parece-te a ti assi!...infernal, diz:                     ...
FIDALGO Não há aqui outro navio?                                         FIDALGO Pera senhor de tal marcaDIABO Não, senhor...
(...)                             DIABO Ora, senhor, descansai,FIDALGO Ao Inferno, todavia!        passeai e suspirai.    ...
O AUTO DA BARCA DO      INFERNO - JulgamentosFidalgo = Um empregado traz a cadeira, para o confortodo patrão. Caracterizad...
Joane, o parvo                           DIABO Entra! Põe aqui o pé!                                         PARVO Houlá! ...
O AUTO DA BARCA DO      INFERNO - JulgamentosJoane (parvo, bobo) = Veste a roupa típica de suaclasse. Caracteriza-se pela ...
O AUTO DA BARCA DOINFERNO - Julgamentos      Frade dominicano = traz a namorada      (Florença), o escudo, a espada e o   ...
O AUTO DA BARCA DO      INFERNO - JulgamentosAlcoviteira (Brísida Vaz) = traz 600virgos (virgindades defloradas), oDiabo a...
O AUTO DA BARCA DOINFERNO - Julgamentos      Judeu = traz, nas costas, um      bode (símbolo do judaísmo) que      não lar...
O AUTO DA BARCA DO INFERNO -         JulgamentosCorregedor (juiz) = traz autos, fala em latim,representa a corrupção.Procu...
O AUTO DA BARCA DO      INFERNO - JulgamentosQuatro Cavaleiros = cantam hinos, não trazem armas.São mártires cristãos. Ign...
A farsa de Inês Pereira (1523)    Na apresentação desta peça, quando foi    impressa, lê-se o seguinte:    A seguinte fars...
Peça de cunho cômico sobre a questão do casamento comosolução para a camponesa Inês ter uma vida folgada.Lianor Vaz, a cas...
O escudeiro parte e depois de um tempo chega umacarta contando de sua morte (nas cruzadas).Inês volta a conversar com Lian...
De acordo com o mote, portanto…Escudeiro (1° marido) = cavaloPero Marques (2° marido) = asnoTemática do casamento por inte...
(UFRGS/04) Considere as seguintes afirmações, relacionadas ao    episódio do embarque do fidalgo, da obra Auto da Barca do...
(UFRGS/02) Assinale a alternativa INCORRETA sobre a obra de Gil    Vicente.V (a) paraVicente tem suas raízes na oIdade Méd...
(UFRGS/00) Em relação ao Auto da Barca do Inferno de    Gil Vicente, considere as seguintes afirmações.VI      – Trata-se ...
Classicismo Português
Contexto Histórico• Grandes Navegações – para driblar o  monopólio mercantil italiano, Portugal vai  buscar, já no século ...
Francisco de Sá de Miranda (1481 – 1558)• Sá de Miranda é um dos primeiros artistas  portugueses a visitar a Itália e entr...
Na mala de Sá de Miranda também             veio...A chamada “Medida Nova” – escrita depoemas com versos decassílabos. EmP...
Quando eu, senhora, em vós os olhos ponho,e vejo o que não vi nunca, nem crique houvesse cá, recolhe-se a alma a sie vou t...
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  1. 1. HUMANISMOArte de Transição
  2. 2. Sobre “Os efeitos de um bom governo”, de Ambrogio Lorenzetti• Que cena é retratada e em que espaço ela acontece?• É possível reconhecer, na cena, alguma característica medieval? Qual?• As pessoas retratadas parecem ser todas do mesmo segmento social?• Não há, na obra, nenhuma referência à religião. O que essa ausência sugere em relação à perspectiva teocêntrica medieval e ao papel do ser humano na construção do próprio destino?
  3. 3. Contexto econômico e político do humanismo• O Humanismo é um período histórico entre os séculos XIV e XV – ou seja, na transição entre a idade média e o renascimento;• Surgimento e ascensão da burguesia mercantil (poder econômico e político dividido com a aristocracia);• A maior parte da população européia de baixa renda abandona os feudos e passa a habitar os burgos – cidades- estado (principalmente na Itália) – onde se pratica livremente o comércio;• Roma, Milão, Florença, Veneza, Mântua, Ferrara e várias outras cidades-estado italianas dominam o comércio marítimo com o oriente;• Desenvolvimento de formas republicanas de governo (administração a cargo de um magistrado-chefe eleito pelos cidadãos);
  4. 4. Contexto cultural e ideológico• A burguesia passa a investir em cultura, algo que até então era feito apenas pela igreja e pelos grandes soberanos;• Com o enfraquecimento do poder da igreja sobre a cultura, há uma verdadeira redescoberta de textos e autores da antiguidade clássica (greco-latina);• O foco dos humanistas é o ser humano, o que os afasta do teocentrismo medieval;• Resgata-se, assim, a visão antropocêntrica característica da cultura greco-romana;• O imaginário cristão, porém, ainda é uma constante na obra dos artistas da época, como se vê n’A Divina Comédia, exemplo mais expressivo da manutenção deste imaginário.
  5. 5. A Divina Comédia - Dante Alighieri (1265 – 1321) • Poema épico escrito entre 1307 e 1321; • Narra a viagem de Dante aos três destinos reservados à alma humana segundo o imaginário católico: inferno, purgatório e paraíso; • Em sua jornada pelo inferno e pelo purgatório, Dante é guiado por Virgílio (70 a.C. – 19 a.C.), poeta romano, autor da Eneida, poema épico que narra a formação da nação italiana. É considerado um dos maiores poetas latinos; • No paraíso – onde Virgílio não podia entrar, já que não havia sido batizado – Dante é recebido por sua amada Beatriz; • Segundo alguns estudiosos, Beatriz representa, na obra, a fé, enquanto Virgílio representa a razão; • São justamente a fé e a razão os dois pólos em que se debate, filosoficamente, o homem do humanismo;
  6. 6. A tensão entre o velho e o novo • A literatura humanista, como sua natureza, digamos, transitória, já indica, não tem características completamente definidas: o velho e o novo convivem, provocando uma tensão que se evidencia na produção artística e cultural; • Os traços mais marcantes da literatura do período é um lento abandono à subordinação até então imposta pela igreja católica e o resgate dos padrões clássicos; • Com o estudo das obras greco-latinas, surge um olhar racional sobre o mundo, que procura na ciência explicações para fenômenos naturais até então atribuídos a Deus.
  7. 7. O público e os temas• Assim como no trovadorismo, a literatura humanista circula no ambiente aristocrático das cortes e dos palácios;• “O objetivo dessa produção, porém, se modifica. Não se trata mais de criar representações literárias de uma determinada ordem social, porque os dias do feudalismo estão chegando ao fim, levando com eles a tradição cavalheiresca e os ideais de subordinação social e amorosa. A literatura, agora, volta-se para o prazer e a diversão da aristocracia”;• Com o interesse cada vez maior da burguesia em “ilustrar-se”, este público vai mudar, mas de forma lenta. Esta mudança vai acontecer, de forma mais concreta, somente no Renascimento.
  8. 8. Uma invenção que faz toda a diferença!Por volta de 1450, Johann Gutenberg cria aprensa e revoluciona a produção de livrosna Europa, fazendo com que a cultura oralcomece a perder espaço para a culturaescrita. Essa mudança no contexto decirculação das obras permitirá que escritores epoetas explorem novos recursos de linguagemque não dependem da oralidade e da memória,fatores a que, até então, estavam subordinados.
  9. 9. Enquanto isso, em Portugal...• Quando o humanismo chega a Portugal, no início do reinado da Dinastia de Avis (1385), a produção poética vive uma crise: entre 1350 e 1450 não se tem notícia da circulação de textos poéticos no país.• O que está em voga é a crônica historiográfica e a prosa doutrinária (tipo de manual de bons costumes para os fidalgos da corte).• O ressurgimento da poesia em Portugal irá acontecer apenas na segunda metade do século XV, durante o reinado de D. Afonso V, incentivador das artes e da cultura.• É neste contexto que surge o teatro de Gil Vicente, mas, antes dele...
  10. 10. Fernão Lopes (1378 – 1459) • A nomeação de Fernão Lopes como cronista-mor do reino, em 1434, é considerada o marco inicial do humanismo português. • Sua função era registrar, em crônicas, as histórias dos reis que governaram Portugal. • Por seu estilo e isenção na descrição dos acontecimentos da história de Portugal, Fernão Lopes é considerado o “pai da historiografia portuguesa”. • Pela primeira vez, com Fernão Lopes, o povo vai aparecer como personagem importante na história do país. • É também a partir dos textos de Fernão Lopes que a língua portuguesa vai atingir um certo padrão, um modelo que a diferencia do castelhano, por exemplo.
  11. 11. Gil Vicente (1465 – 1536)É considerado o primeiro grande dramaturgoportuguês; - Sua primeira peça conhecida é o Auto daVisitação ou Monólogo do Vaqueiro (1502) – umahomenagem à rainha, D. Maria, pelo nascimentode seu filho, o futuro rei D. João III.- O texto e a encenação (feita, segundo consta,pelo próprio autor) agradaram tanto a rainha queGil Vicente tornou-se seu protegido;- Foi sob a proteção do rei D. Manuel (esposo deD. Maria) e, mais tarde, de D. João III, que GilVicente irá escrever boa parte de sua obradramatúrgica, composta basicamente de autos efarsas.
  12. 12. Os autos de Gil Vicente caracterizam-se por:• Uma estrutura composta de quadros justapostos (sketches) que, em geral, podem ser apresentados de forma autônoma;• Personagens que são tipos comuns dentro das instituições que faziam parte da sociedade portuguesa da época;• Escritos em verso, com esquema de rimas (geralmente redondilhas menores ou maiores – versos de cinco ou sete sílabas poéticas);• Linguagem coloquial (adaptada à classe social de cada personagem);• Apresentam um teor de crítica social, que funciona como agente moralizante, e um fundo religioso (cristão, mas não dogmático) bem característicos do humanismo.• Em seus textos, Gil Vicente vale-se da sátira alegórica para...
  13. 13. - Denunciar os exploradores do povo, como o fidalgo, o sapateiro e o agiota do Auto da barca do inferno;- Ridicularizar condutas condenáveis como a do velho protagonista de O velho da horta ou a de Inês Pereira, personagem principal de A farsa de Inês Pereira;Como não há distinção entre os segmentos sociais ( osdefeitos comportamentais de ricos, pobres, nobres eplebeus são igualmente criticados – os únicos queescapam são os membros da família real), o teatro de GilVicente funciona como um rico painel da sociedade de seutempo.
  14. 14. Personagens TIPOS. Todo = instituição Um = indivíduo Tipo = conjunto dentro do todo. Representação coletiva social ou psicológica
  15. 15. Caso do Rei Todo = Um Não há Tipo = conjunto dentro do todo. O rei é, por si mesmo, uma instituição.
  16. 16. A visão de inferno da época
  17. 17. O AUTO DA BARCA DO INFERNO (1517)Peça mais importante de Gil Vicente, pertencente à trilogia das Barcas (da Glória, do Purgatório e do Inferno).Demonstra o maniqueísmo cristão, dividindo o mundo entre o Bem e o Mal, com conseqüentes Céu e Inferno.É um auto de moralidade.Alegoria simples e simbólica.
  18. 18. O AUTO DA BARCA DO INFERNO (1517)A história é simples: os personagens que chegamvão sendo conduzidos pelos barqueiros (diabo eanjo) para as respectivas barcas, que levam,respectivamente, ao Inferno e ao Céu.As falas são marcadas por muita ironia,principalmente pelo diabo, que é o personagem quemais se destaca no auto.É uma peça de religiosidade alegórica.
  19. 19. Os arrais (barqueiros): Diabo: tem um ajudante, é liberal, recebe todos com humor e simpatia (ainda que falsa), argumenta muito, ouve, pondera o que as pessoas têm a dizer antes de condená-las. É um ótimo anfitrião.
  20. 20. Anjo: argumenta pouco, écalado, frio, discreto eautoritário.
  21. 21. Passagem do FidalgoVem o Fidalgo e, chegando ao batel FIDALGO Parece-te a ti assi!...infernal, diz: DIABO Em que esperas ter guarida? FIDALGO Que leixo na outra vidaFIDALGO Esta barca onde vai ora, quem reze sempre por mi. que assi está apercebida? DIABO Quem reze sempre por ti?!..DIABO Vai pera a ilha perdida, Hi, hi, hi, hi, hi, hi, hi!... e há-de partir logo essora. E tu viveste a teu prazer,FIDALGO Pera lá vai a senhora? cuidando cá guarecerDIABO Senhor, a vosso serviço. por que rezam lá por ti?!...FIDALGO Parece-me isso cortiço... Embarca - ou embarcai...DIABO Porque a vedes lá de fora. que haveis de ir à derradeira!FIDALGO Porém, a que terra Mandai meter a cadeira,passais? que assi passou vosso pai.DIABO Pera o inferno, senhor. FIDALGO Quê? Quê? Quê? Assi lheFIDALGO terra é bem sem-sabor. vai?!DIABO Quê?... E também cá DIABO Vai ou vem! Embarcai prestes!zombais? Segundo lá escolhestes,FIDALGO E passageiros achais assi cá vos contentai. pera tal habitação? Pois que já a morte passastes,DIABO Vejo-vos eu em feição haveis de passar o rio. pera ir ao nosso cais...
  22. 22. FIDALGO Não há aqui outro navio? FIDALGO Pera senhor de tal marcaDIABO Não, senhor, que este fretastes, nom há aqui mais cortesia? e primeiro que expirastes Venha a prancha e atavio! me destes logo sinal. Levai-me desta ribeira!(...) ANJO Não vindes vós de maneiraANJO Que quereis? pera entrar neste navio.FIDALGO Que me digais, Essoutro vai mais vazio: pois parti tão sem aviso, a cadeira entrará se a barca do Paraíso e o rabo caberá é esta em que navegais. e todo vosso senhorio.ANJO Esta é; que demandais?FIDALGO Que me leixeis embarcar. Ireis lá mais espaçoso, Sou fidalgo de solar, vós e vossa senhoria, é bem que me recolhais. cuidando na tiraniaANJO Não se embarca tirania do pobre povo queixoso. neste batel divinal. E porque, de generoso,FIDALGO Não sei porque haveis por mal desprezastes os pequenos, que entre a minha senhoria... achar-vos-eis tanto menosANJO Pera vossa fantesia quanto mais fostes fumoso. mui estreita é esta barca.
  23. 23. (...) DIABO Ora, senhor, descansai,FIDALGO Ao Inferno, todavia! passeai e suspirai. Inferno há i pera mi? Em tanto virá mais gente. Oh triste! Enquanto vivi FIDALGO Ó barca, como és ardente! não cuidei que o i havia: Maldito quem em ti vai! Tive que era fantesia! Folgava ser adorado, confiei em meu estado e não vi que me perdia. Venha essa prancha! Veremos esta barca de tristura.
  24. 24. O AUTO DA BARCA DO INFERNO - JulgamentosFidalgo = Um empregado traz a cadeira, para o confortodo patrão. Caracterizado pela presunção, pela tirania,pelo abuso de poder. Reconhece o erro e aceita acondenação.Onzeneiro (agiota) = traz bolsa vazia (não conseguiulevar nada), Caracterizado pela usura (ganância).
  25. 25. Joane, o parvo DIABO Entra! Põe aqui o pé! PARVO Houlá! Nom tombe o zambuco! DIABO Entra, tolaço eunuco,Vem Joane, o Parvo, e diz ao Arrais doInferno: que se nos vai a maré!PARVO Hou daquesta! PARVO Aguardai, aguardai, houlá!DIABO Quem é? E onde havemos nós dir ter?PARVO Eu soo. DIABO Ao porto de Lucifer. É esta a naviarra nossa? PARVO Ha-á-a...DIABO De quem? DIABO Ó Inferno! Entra cá!PARVO Dos tolos. PARVO Ó Inferno?... Eramá...DIABO Vossa. Hiu! Hiu! Barca do cornudo. Entra! Pêro Vinagre, beiçudo,PARVO De pulo ou de voo? rachador dAlverca, huhá! Hou! Pesar de meu avô! Sapateiro da Candosa! Soma, vim adoecer Antrecosto de carrapato! e fui má-hora morrer, Hiu! Hiu! Caga no sapato, e nela, pera mi só. filho da grande aleivosa!DIABO De que morreste? Tua mulher é tinhosaPARVO De quê? e há-de parir um sapo Samicas de caganeira. chantado no guardanapo!DIABO De quê? Neto de cagarrinhosa!PARVO De caga merdeira! Má rabugem que te dê!
  26. 26. O AUTO DA BARCA DO INFERNO - JulgamentosJoane (parvo, bobo) = Veste a roupa típica de suaclasse. Caracteriza-se pela inocência. Seu erro não foiconsciente. Fica perto do anjo, como observador, epassa a ajudá-lo nos julgamentosSapateiro = traz as fôrmas (com as quais roubava osclientes). Caracteriza-se pelo apego aos bensmateriais. Ia à Igreja e, por isso, pretende salvar-se.
  27. 27. O AUTO DA BARCA DOINFERNO - Julgamentos Frade dominicano = traz a namorada (Florença), o escudo, a espada e o capacete (símbolos da vida de prazeres). Não seria condenado se não fosse padre (crítica à vocação desencontrada). Expressa a dicotomia entre os prazeres e a penitência. Argumenta, para tentar salvar-se, que é padre e que ninguém o avisou de que não podia ter namorada. Demonstra o rigor moral do autor.
  28. 28. O AUTO DA BARCA DO INFERNO - JulgamentosAlcoviteira (Brísida Vaz) = traz 600virgos (virgindades defloradas), oDiabo a deseja, pela suarepugnância, chama-a de Senhora(como nas Cantigas). É acusada defeitiçaria e tenta salvar-se dizendoque ajudou a Igreja.
  29. 29. O AUTO DA BARCA DOINFERNO - Julgamentos Judeu = traz, nas costas, um bode (símbolo do judaísmo) que não larga, apesar do anjo colocar, como condição para o embarque, que o bode fique. Não podendo embarcar para o céu, tenta embarcar na barca do inferno, mas o Diabo não permite. É um tipo social.
  30. 30. O AUTO DA BARCA DO INFERNO - JulgamentosCorregedor (juiz) = traz autos, fala em latim,representa a corrupção.Procurador (advogado) = traz livros, participados “esquemas” do corregedor.Enforcado = traz, ainda no pescoço, a cordacom que foi enforcado. Ladrão tolo, que roubasem vantagens, iludido pelo tesoureiro dacasa da moeda.Os três representam o usodas instituições públicaspara obtenção de privilégiosprivados
  31. 31. O AUTO DA BARCA DO INFERNO - JulgamentosQuatro Cavaleiros = cantam hinos, não trazem armas.São mártires cristãos. Ignoram o Diabo e são acolhidospelo Anjo. Condenam-se: Fidalgo Onzeneiro Sapateiro x Salvam-se: Bobo Cavaleiros Frade Alcovieteira Judeu Corregedor Procurador Enforcado
  32. 32. A farsa de Inês Pereira (1523) Na apresentação desta peça, quando foi impressa, lê-se o seguinte: A seguinte farsa de folgar foi representada ao muito alto e mui poderoso rei D. João, o terceiro do nome em Portugal, no seu Convento de Tomar, era do Senhor de MDXXIII. O seu argumento é que porquanto duvidavam certos homens de bom saber se o Autor fazia de si mesmo estas obras, ou se furtava de outros autores, lhe deram este tema sobre que fizesse: segundo um exemplo comum que dizem: mais quero asno que me leve que cavalo que me derrube. E sobre este motivo se fez esta farsa. Ou seja, Gil Vicente teria sido desafiado a escrever a partir de um “mote”, de um tema, para comprovar sua originalidade.
  33. 33. Peça de cunho cômico sobre a questão do casamento comosolução para a camponesa Inês ter uma vida folgada.Lianor Vaz, a casamenteira, apresenta-lhe Pero Marques,jovem rico, mas completamente ignorante.Inês o repudiaAparecem dois Judeus (Vidal e Latão), casamenteiros, quepropõem o casamento com oEscudeiro Brás da MataO escudeiro vê em Inês uma boa possibilidade. Apresenta-secomo uma pessoa discreta e talentosa (toca viola).Casa-se com Inês. Logo depois do casamento, revela-se umhomem grosseiro, que proíbe Inês de ir à Igreja e à janela
  34. 34. O escudeiro parte e depois de um tempo chega umacarta contando de sua morte (nas cruzadas).Inês volta a conversar com Lianor e é convencida acasar-se novamente, agora com Pero MarquesPercebe que pode usar o marido para o seu prazer.Encontra um jovem eremita (falso e que já haviadado em cima de Inês anos antes) e percebe umachance de “aproveitar” a vida.Pede para Pero Marques a levar em romaria aoeremitério. O que Inês quer, na realidade, é seencontrar com o eremita. No meio do caminho, pedeque o marido a carrege, pois está cansada. Cantauma canção chamando o marido de gamo e cervo, ouseja, de chifrudo, corno.
  35. 35. De acordo com o mote, portanto…Escudeiro (1° marido) = cavaloPero Marques (2° marido) = asnoTemática do casamento por interesseA idéia geral é a de que “Os fins justificam os meios”e aponta para a dissolução moral da sociedade.Escrita em português e castelhano (fala do ermitão),em versos rimados, com adaptação da linguagem àsclasses sociais representadas.
  36. 36. (UFRGS/04) Considere as seguintes afirmações, relacionadas ao episódio do embarque do fidalgo, da obra Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente. I – A acusação de tirania e presunção dirigida ao fidalgo configuraV uma crítica não ao indivíduo, mas à classe social a que ele pertence.V II – Gil Vicente critica as desigualdades sociais ao apontar o desprezo do fidalgo aos pequenos, aos desfavorecidos. III – No momento em que o fidalgo pensa ser salvo por haverX deixado, em terra, alguém orando por ele, evidencia-se a crítica vicentina à fé religiosa. Quais estão corretas? (a)      Apenas I. X (b)     Apenas I e II. (c)      Apenas I e III. (d)      Apenas II e III. (e)      I, II e III.
  37. 37. (UFRGS/02) Assinale a alternativa INCORRETA sobre a obra de Gil Vicente.V (a) paraVicente tem suas raízes na oIdade Média, mas volta- se Gil o Renascimento, aliando humanismo religioso à atitude crítica diante dos problemas sociais. (b) Variada na forma, a obra vicentina desvenda osV costumes do século XVI, satirizando a sociedade feudal sem perder o caráter moralista e resguardando o sentido de intervenção social. X (c) Embora critique o clero, a nobreza e o seu séqüito ocioso, o teatro vicentino faz a exaltação heróica dos reis, heróica atitude comum na Idade Média.V (d) Aos mesmo tempo que desenvolve a sátira social, a produção vicentina aponta para a necessidade de reforma da Igreja, devido aos abusos do clero.V (e) Trabalhando com um verdadeira galeria de tipos, Gil Vicente adapta o uso da linguagem coloquial ao estilo e à condição social de cada um deles.
  38. 38. (UFRGS/00) Em relação ao Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente, considere as seguintes afirmações.VI – Trata-se de um grande painel que satiriza a sociedade portuguesa de seu tempo.V II – Representa a transição da Idade Média para o Renascimento, guardando traços dos dois períodos.V III – Sugere que o diabo, ao julgar justos e pecadores, tem poderes maiores que Deus.? Quais estão corretas? (a)     Apenas I. (b)     Apenas I e II. (c)     Apenas I e III. (d)     Apenas II e III. X (e)     I, II e III.
  39. 39. Classicismo Português
  40. 40. Contexto Histórico• Grandes Navegações – para driblar o monopólio mercantil italiano, Portugal vai buscar, já no século XV, um caminho para as Índias e para o Extremo Oriente;• Enriquecimento da corte portuguesa com a exploração das novas colônias – Brasil incluído;• É nesse contexto de prosperidade econômica que o classicismo chega ao país.
  41. 41. Francisco de Sá de Miranda (1481 – 1558)• Sá de Miranda é um dos primeiros artistas portugueses a visitar a Itália e entrar em contato com os novos padrões estéticos, a filosofia e as novas formas poéticas, como o soneto, forma clássica estabelecida e popularizada por Petrarca;• A volta de Sá de Miranda a Portugal, em 1526, trazendo todas essas novidades, marca oficialmente o início do classicismo português.
  42. 42. Na mala de Sá de Miranda também veio...A chamada “Medida Nova” – escrita depoemas com versos decassílabos. EmPortugal, só se praticava a redondilhamenor (cinco sílabas poéticas) ou aredondilha maior (sete sílabas poéticas). Aescrita em redondilhas passa a serconhecida então como “Medida velha”.
  43. 43. Quando eu, senhora, em vós os olhos ponho,e vejo o que não vi nunca, nem crique houvesse cá, recolhe-se a alma a sie vou tresvaliando, como em sonho.Isto passado, quando me desponho,e me quero afirmar se foi assi,pasmado e duvidoso do que vi,mespanto às vezes, outras mavergonho.Que, tornando ante vós, senhora, tal,Quando mera mister tant outr ajuda,de que me valerei, se alma não val?Esperando por ela que me acuda,e não me acode, e está cuidando em al,afronta o coração, a língua é muda.

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