SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 9
Baixar para ler offline
ASAFAPE - FUNDADA EM 6 DE FEVEREIRO DE 1972 - INFORMATIVO: ANO XVI - Nº26 - MAIO 2015
PALAVRA DO PRESIDENTE
Prezada Família Asafapeana,
Convidamos vocês para comemorarmos nossa
tradicional e animada Festa Junina na ASAFAPE,
no próximo dia 19/06.
Apesar de todas as incertezas e turbulências
que enfrentamos no campo jurídico-político no
Brasil e também em nosso estado, conseguimos
a aprovação da Lei Complementar nº 325/2016
queregularáanossaGratificaçãodeDesempenho,
com novos ganhos e retroatividade à janeiro.
Também faremos nossa prestação de contas
e apresentação dos projetos de 2016.
Deixo o agradecimento pela colaboração do
SecretáriodaFazendaMárcioStefannieasboasvindas
ao novo Secretário da Fazenda Marcelo Barros.
Contamos com a vossa animada presença.
Atenciosamente,
Miguel Angelo Almeida Feliciano
PRESIDENTE
ASAFAPE - CONTATOS
Sandra: (81) 9 88635521
Iara: (81) 9 88634775
Portaria: (81) 9 88634776
Sede Caruaru: (81) 37211293
asafape@gmail.com
asafape.caruaru@facebook.com
www.asafape.blogspot.com
Prezado(a) Colega,
A família ASAFAPE convida V. Sª. para participar
do nosso Café da Manhã Junino, regado
a muito forró e comidas típicas, que será
realizado no dia 19/06, a partir das 10 hrs, em
nossa sede.
Desde já agradecemos!
2
Informativo ASAFAPE - Maio de 2016
Aniversariantes
Janeiro
Renildo Pereira de Andrade
Iza Souza Mendes Pereira
Severino Braz Cardoso
Laurenice Tavares de Almeida
José Ferreira Barbosa
Antonio Dionísio de Barros Cavalcanti
João Leandro dos Santos Filho
José Humberto Correia de Melo
Marcia Menezes Cardim Britto
Geraldo Gimino Martins Júnior
Fevereiro
Laura Silva
Gilberto Nery de Araújo
Inácio Lopes Saraiva
Jaime de Oliveira Barros
Alcidésio da Silva Ramalho
Carlos André Simões Veras
Iapona Japiassu da Fonseca
Emanuel Pedro Silva Cavalcanti
Henrique Sales Assunção Santos
Março
Maria das Neves Vaz de Oliveira
Arnaldo Ferreira dos Santos
Damião Rozendo de Barros Diniz Mendes de Sá
Leocádio Neves da Silva
Luiz Leonan Tenório de Brito
Manoel Borges de Souza
Jaime Galdino Borges
João Soares de Souza
Pedro de Lemos Araújo Júnior
Maio
Odon Euflasino de Andrade
Rosa Maria de Abreu e Santos
Darci da Mata Ribeiro Vasconcelos
Abílio Florêncio de Morais
Gerôncio Sebastião da Silva
Jaime Pereira de Lima
João Vieira da Rocha
Inah Torres Moura
Lenira Tenório de Brito
Luiz Pereira da Silva
João Batista Filho
João Fonseca de Lima
Benedito Severino dos Santos
Eduardo Jorge dos Santos Vieira
Roberval Alves de Oliveira
Abril
Braz Alves de Magalhães
Maria Nair de Mendonça Travasso
Adriano Savio Alves da Silva
Antonio Onival Fernandes
Almir Leite de Sá
Alcides Gomes Guimarães
José Manoel da Silva
Nylcéia de Andrade Cavalcanti
Maria Edileuza dos Santos Bezerra
Luiz Moura de Magalhães
Moisés de Lemos
Nelson Rufino de Melo
Sebastião Ferreira Barros
Robson Martins de Abreu Silva
Marcelo Candeia Simões
Cristiano Henrique Aragão
Junho
Luiz Carlos Antunes de Almeida
Maria do Carmo Duarte
Erasmo Eustáquio Brayner
João Alves da Silva
Milton Joaquim dos Santos
Idalina Nogueira Sampaio Amaral
José Vicente da Silva
Ocílio Peixoto de Miranda
Pedro Batista Moreira
Jeová Almeida Lima
Lais de Moura Salgado
Antonia Alves da Silva Cunha
Romeu Evaristo de Araújo
Maria das Dores Santos Cardoso
Fernando Antonio Machado
André Alexei Lyra Câmara
Tony Fernando M. Galvão Cruz
Constantino Valadares Pinheiro
Julio Gomes Patriota Neto
Waldson Leopoldo de Holanda
3
Informativo ASAFAPE - Maio de 2016
Galeria
Informativo ASAFAPE - Maio de 2016
4
LEI COMPLEMENTAR Nº 325/2016 É SANCIONADA
Foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) desta
terça-feira (24) a Lei Complementar nº 325, de 23 de
maio de 2016, que altera a Lei Complementar nº 107,
de 14 de abril de 2008, que institui a Lei Orgânica da
Administração Tributária do Estado de Pernambuco,
disciplina as carreiras integrantes do Grupo Ocupacion-
al Administração Tributária do Estado de Pernambuco –
GOATE. A proposta foi sancionada pelo governador Paulo
Câmara.
A Lei Complementar nº 325/2016 contém a nova
sistemática da GRG e a adequação das multas e é de
autoria do próprio Poder Executivo que, por meio de
Projeto de Lei Complementar nº 794/2016, encaminhou
proposta para a Assembleia Legislativa de Pernambuco
(Alepe). Na Alepe a PLC foi aprovada por unanimidade
pelos deputados estaduais em três comissões da Casa,
além das duas discussões no plenário.
AGE – Em Assembleia Geral Extraordinária (AGE)
realizada nesta terça-feira (24), na sede do SINDIFISCO,
os auditores fiscais e julgadores tributários decidiram,
em esmagadora maioria, acatar a pauta financeira para
2015 e 2016, conforme ofício que garante que o índice
de reajuste dos servidores será aplicado também ao
Fisco. Além, disso o grupo decidiu sair do Estado de
Alerta e do Estado de AGE permanente.
Fonte: Informativo SINDIFISCO nº 073/2016
Informativo ASAFAPE - Maio de 2016
5
PAULO CÂMARA EMPOSSA 54 SERVIDORES
NA FAZENDA
O quadro funcional da Secretaria da Fazenda recebeu,
na manhã desta sexta-feira (29/4), um reforço de 54
novos servidores. Comandada pelo governador Paulo
Câmara, a cerimônia de posse ocorreu no Auditório do
Brum, no Centro de Convenções, em Olinda, na Região
Metropolitana do Recife (RMR). Desse total, 50 vão
exercer a função de Auditor Fiscal do Tesouro Estadual
(AFTE) e os outros quatro atuarão como Julgador
Administrativo Tributário (Jatte). Os novos funcionári-
os do Estado foram selecionados em dois concursos
públicos(em2014eem2015)realizadospelainstituição,
que há 20 anos não contratava. Eles se juntam aos
demais fazendários com a incumbência de otimizar o
funcionamento do sistema tributário pernambucano.
“Essa contratação é muito importante. Nesse
momento, é fundamental dotarmos a Secretaria da
Fazenda das condições necessárias para buscar ampliar
serviços, focos e metas. Dessa forma, a instituição terá
as ferramentas para julgar mais processos e oferecer
segurança jurídica ao nosso trabalho”, pontuou Paulo.
O gestor, que já esteve à frente da pasta, disse ainda
que tem ciência do papel estratégico da Fazenda na
administração do Estado. “A gente espera de vocês
(empossados) um olhar atento, profissional e a busca
por aproveitar as oportunidades”, completou.
A necessidade de renovação e de recomposição do
corpo técnico da Fazenda pesaram para que o chefe
do Executivo estadual convocasse os profissionais
neste momento. De 2014 para cá, 58 auditores solicitaram
aposentadoria. Atualmente, a pasta conta com 985
servidores do perfil. “Manter os serviços funcionando
é a nossa meta?”, ressaltou Paulo, reforçando que a
população quer ser bem atendida e ter suas questões
resolvidas. “Temos que procurar fazer mais com
menos, se adequando ao momento e enxugando onde
for possível. Temos que fazer a máquina funcionar
melhor. Além disso, temos que fortalecer o braço da
arrecadação, mas com muita justiça”, sublinhou.
Para o secretário da Fazenda, Márcio Stefanni, a
chegada dos 54 novos servidores vai garantir um novo
ânimo à instituição. Ele destacou que o ato se deve à
determinação de Paulo Câmara em assegurar a
contínua melhoria do serviço oferecido à população.
“Esse ato só foi possível devido à coragem do
nosso governador na busca por um serviço público de
qualidade”, grifou. Márcio lembrou ainda que a última
convocação da pasta aconteceu 1996, no Governo
Miguel Arraes. Na época, a secretaria era comandada
pelo ex-governador Eduardo Campos. “Eduardo foi um
homem que dedicou a sua vida ao serviço público e nós
temos que nos espelhar nele”, conclamou o secretário.
Natural de Santa Catarina, o auditor fiscal recém-
empossado Deyvid Barbosa pontuou que a nomeação
representa a coroação de um grande esforço. “Ainda
não caiu a ficha porque foram anos de estudo, uma
dedicação muito grande e eu nem acredito que estou
aqui. Estou muito esperançoso e feliz com os novos
desafios da minha carreira”, afirmou o catarinense.
Antes de assumir suas funções, todos os empossados
passarãoporumtreinamento,apartirdemaio,de60dias.
Acompanharam o governador Paulo Câmara na
cerimônia o secretário executivo de Administração
Tributária, Oscar Vitor; o secretário executivo do
Tesouro Estadual, Edilberto Xavier; o secretário execu-
tivo de Coordenação Institucional, Roberto Abreu;
o presidente da Companhia Pernambucana de Gás
(Copergás), Décio Padilha; além do corregedor do
Tribunal Administrativo Tributário, Nilton Ribeiro; e
do presidente do Sindicato do Grupo Ocupacional
Administração Tributária do Estado de Pernambuco
(Sindifisco-PE), Francelino Valença.
Fonte: Blog de Notícias do Governo do Estado de Pernambuco
| 29/04/2016
Nossa prestação de contas 2015 está disponível
a qualquer associado na
Secretaria da associação.
Informativo ASAFAPE - Maio de 2016
6
OS DEZ PASSOS DA REFORMA PREVIDENCIÁRIA
por Fábio Zambitte Ibrahim
Os detalhes do modelo futuro, em verdade, não
comportam adequação a um único referencial, mas, a
depender das opções e prioridades eleitas pelo Estado
brasileiro, muitas formas de proteção social adequadas
podem ser construídas.
Não pretendo, com este brevíssimo texto, discorrer
sobre as mudanças necessárias quanto aos critérios
de elegibilidade de cada benefício previdenciário ou a
mensuração exata das prestações, mas, unicamente,
apontar os passos necessários para uma reforma
adequada. Os detalhes do modelo futuro, em verdade,
não comportam adequação a um único referencial,
mas, a depender das opções e prioridades eleitas pelo
Estado brasileiro, muitas formas de proteção social
adequadas podem ser construídas.
Também como forma de melhor estimular a leitura,
adoto o tradicional paradigma de dividir o texto em
passos ou etapas, coligando o pragmatismo dos textos
contemporâneos com o marketing de ideias sumarizadas
em breves tópicos.
Enfim, exponho minhas impressões sobre um início
adequado da reforma previdenciária que, além de
sucesso na arena política, possa ser verdadeiramente
capaz de produzir mudanças estruturais em nosso
modelo, assegurando a cobertura efetiva da sociedade.
A seguir, os passos que me parecem necessários.
1. Construir o Consenso sobre a Necessidade de uma
Reforma Previdenciária
Tal aspecto, por mais elementar que possa parecer, é
frequentemente esquecido. Reformas previdenciárias,
ao restringir direitos, naturalmente não comportam
uma recepção festiva da sociedade e seus represen-
tantes no parlamento. Somente a consciência de que
algo precisa ser feito poderá, em tempo razoável,
produzir as adequações que nosso modelo carece.
O Brasil possui cenário demográfico com rápido
envelhecimento populacional e acelerada redução
da natalidade, o que, por natural, tende a comprometer
modelos previdenciários maduros como o nosso, espe-
cialmente quando financiado no regime de repartição
simples. O fato de o modelo de seguridade social, na
atualidade, poder ser considerado superavitário, desde
que feitos os ajustes contábeis necessários, não implica
a admissão de que o mesmo possui suporte atuarial,
pois as projeções demonstram, com tranqüilidade, a
inviabilidade do modelo nos decênios vindouros .
Enfim, se não houver o convencimento de que o
desequilíbrio existe, nada de consistente poderá ser
feito. Um debate franco e honesto sobre o déficit da
previdência social é, necessariamente, uma etapa a
ser enfrentada.
2. Dialogar com o Congresso Nacional
Apesar de este item configurar uma segunda obvie-
dade, nunca foi devidamente observado na matéria
previdenciária. Em todas as reformas realizadas, tanto
em âmbito constitucional como legal, os objetivos e
conteúdodasreformassempreforamaprioristicamente
construídos pela tecnocracia estatal, muitas vezes
até sem a participação da própria equipe do extinto
Ministério da Previdência Social. A recente fusão deste
ao Ministério da Fazenda já não é bom presságio.
Uma vez iniciada a agenda de reformas sem qualquer
debate na fixação de premissas necessárias, há
a tendência de repulsa por parte do parlamento
brasileiro, o qual não se colocará como coadjuvante
de um pacote de maldades patrocinado pelo Poder
Executivo. A resistência parlamentar, como não poderia
deixar de ser, torna-se brutal, tendo em vista o conteú-
do inevitável de redução de direitos, em avaliações e
ponderações pré-estabelecidas sem qualquer respeito
aos representantes da sociedade brasileira. O resultado
é, em regra, a rejeição das mudanças ou aprovação
parcial, com extrema dificuldade e com custo político
enorme, de pequenas alterações.
3. Desconstitucionalizar a Matéria Previdenciária
Estabelecido o consenso sobre a necessidade de ad-
equação do modelo protetivo, em abordagem di-
alógica junto ao Congresso Nacional, um passo imedi-
atamente posterior será a desconstitucionalização da
matéria previdenciária. A ideia, em suma, não é
excluir todo o regramento previdenciário da Constituição
de 1988, mas, principalmente, retirar os parâmetros
de elegibilidade e renda mensal de aposentadorias e
pensões do texto constitucional.
Em nenhum outro país do mundo há Constituição com
tamanho detalhamento de normas previdenciárias
como a brasileira. A razão é compreensível, derivada
da razoável desconfiança do Poder Constituinte frente
ao legislador ordinário, haja vista as pretéritas
previsões normativas injustas e prejudiciais na quanti-
ficação e concessão de prestações previdenciárias.
Podemos lembrar, por exemplo, do regramento
vigente antes da Constituição de 1988 quanto ao
dimensionamento da renda mensal de aposentadorias,
oqual,mediantemédiados36últimossalários, somente
permitia a correção dos 24 mais antigos, deixando pelo
menos um ano de salários sem qualquer atualização
monetária, em período de inflação historicamente >
>elevada. O resultado inevitável era o achatamen-
to das rendas iniciais, tudo isso de acordo com a
legislação vigente e com o beneplácito do Supremo
Tribunal Federal.
É certo que tal desconfiança não era infundada,
tendo em vista as flagrantes injustiças do passado.
Todavia, na atualidade, a normatização excessiva,
impondo exagerado dirigismo na Constituição,
dificulta enormemente qualquer adequação a novas
premissasatuariaisedemográficas.Comisso,retarda-se
a mudança, de forma a inviabilizar transições longas
e tranqüilas entre regimes jurídico-previdenciários.
4. Delimitar Conteúdos Mínimos aos Projetos de Lei
Reformas de modelos previdenciários desequili-
brados, como o brasileiro, implicam ajustes que,
inexoravelmente, tendem a reduzir direitos,
tendo em vista os limites quanto ao incremento
de contribuição. Com recursos escassos, torna-se
necessária a eleição de prioridades na cobertura.
Qual a melhor opção? Prestigiar os trabalhadores
que ingressaram cedo no mercado de trabalho ou,
por outro lado, amparar pessoas que se afastam do
mercado para cuidar de filhos ou parentes doentes?
Devemos permitir compensações a trabalhadores
em atividades penosas ou reforçar o sistema de
proteção ao desemprego? Temos demandas legítimas
em abundância, mas recursos sempre limitados.
Não existe solução ideal ou exclusiva para uma
reforma estrutural de modelos previdenciários.
A fixação das prioridades protetivas dependerá da
vontade popular, manifestada em determinada época,
sempre. Todavia, deve o Poder Executivo, em seus
projetos, de forma clara, expor a estratégia de escolha
das prioridades, sem detalhamentos excessivos, mas
com linhas mestras de preferências, como forma
de guiar os instrumentos normativos de proteção.
5. Reforçar a Proteção de Crianças e Adolescentes
Com base no item anterior, acredito que um objetivo
central deva ser incluído em futura reforma
previdenciária, que é o reforço dos serviços do sistema
protetivo. Tanto no sentido dogmático como norma-
tivo, os serviços se diferenciam dos benefícios, tendo
em vista estes possuírem conteúdo pecuniário direto,
como as aposentadorias, enquanto aqueles são
constituídos por obrigações de fazer do sistema
protetivo.
No caso brasileiro, nota-se uma clara preferência
pelos benefícios, com os serviços atuando de forma
muito limitada. Obviamente, os serviços também
dependem de financiamento, o que agrava a situação
de uma parcela prioritária da clientela protegida, que
são as crianças e adolescentes.
Este tópico naturalmente gera alguma perplexidade,
pois, para o brasileiro comum, um debate
previdenciário estaria mais voltado a idosos do que
crianças. Todavia, nunca foi intenção da Constituição de
1988 restringir nosso modelo a pessoas de idade
avançada. Esta é somente parte da clientela e,
incrivelmente, sequer a mais importante.
Quem deve ter a prioridade no gasto público
brasileiro, o que inclui a previdência social: idosos
ou crianças? A resposta para tanto encontra previsão
constitucional desde 05/10/1988, no art. 227 da Lei
Maior. Crianças e adolescentes contam com absoluta
prioridade. Em terminologia redundante, externou o
Poder Constituinte a precedência eleita.
No entanto, o que temos, do ponto de vista previ-
denciário, em prol de crianças e adolescentes? Com
exceção do precário salário-família, além de proteção
indireta produzida pelos benefícios a idosos (avós que
sustentam os netos), não há um serviço direto a estes,
como creches e pré-escolas. Em verdade, o Brasil,
na atualidade, tem reduzido o debate público deste
segmento da sociedade à matéria estritamente penal.
A criação de serviços previdenciários de apoio tem
o condão, como nos mostram países escandinavos, de
estimularamelhorianataxadenatalidade,oquetambém é
um problema na realidade nacional. Brasileiras adiam
ou abandonam seus projetos de maternidade em prol
do trabalho, o que poderia ser revertido com ações
previdenciárias, mediante serviços focados nesta
clientela. Com isso, o rápido envelhecimento popula-
cional tende a inviabilizar nosso modelo protetivo.
Não se pretende, como veremos no passo 7, apontar
idosos como privilegiados ou responsáveis pela falência
do sistema. São, igualmente, vítimas da má-gestão e
das promessas falsas do passado. Todavia, não podemos
viver em um país, que mais recentemente, adota a
terminologia da “absoluta prioridade” para os jovens
(até 29 anos de idade), inseridos na CF/88 pela EC
65/10 e, novamente, pela “absoluta prioridade” dos
idosos, prevista no art. 3º da lei 10.741/03, a partir dos
60 anos de idade.
Um modelo protetivo que preveja, com “absoluta
prioridade” a cobertura de toda e qualquer pessoa ao
longo de praticamente 2/3 de sua existência terrena,
evidentemente, não tem qualquer compromisso com
a realidade. A prioridade deve ser dada a crianças e
adolescentes.
6. Criar Regras de Transição Razoáveis
No debate público, é dito com destaque que direitos
adquiridos serão respeitados. A afirmativa, ainda que
relevante e tranqüilizadora, esconde, nas entrelinhas,
a dificuldade em lidar com as diversas situações de >
Informativo ASAFAPE - Maio de 2016
7
Informativo ASAFAPE - Maio de 2016
8
expectativa de direito, ou seja, de pessoas já engajadas
em atividade remunerada por muitos anos, mas, ainda,
sem alcançar o quantitativo mínimo de contribuição e/
ou idade para fins de aposentadoria.
Para tanto, a dogmática jurídica, nos últimos anos,
tem desenvolvido a necessidade de uma transição
razoável entre regimes previdenciários, o que, em bom
português, significa aplicar, a tais pessoas, um novo
regramento que será mais severo que o anterior, mas,
ao mesmo tempo, não tão rigoroso quanto o novo. Um
meio termo. Esta é, em apertadíssima síntese, a ideia.
Desta forma, no debate parlamentar da matéria,
deve-se, na melhor medida, prestigiar as pessoas já no
sistema previdenciário vigente e próximas de aposen-
tadoria. Aqui, notemos, são dois atributos necessários.
Não há expectativa alguma para pessoas jovens com
ainda longos períodos de trabalho antes da jubilação.
A expectativa é daqueles que estão às portas da
aposentadoria, com poucos anos de trabalho faltante.
São estes que devem, com prioridade, ostentar garantias
de transição.
7. Reconhecer os Erros do Passado
Temos de admitir, especialmente junto aos idosos
de hoje, que o Estado brasileiro ofereceu vantagens
e benefícios que não poderiam ser concedidos ou
mantidos no futuro. Temos de admitir que muitas
pessoas, hoje aposentadas, têm total razão ao criticar
os valores recebidos, tendo em vista as promessas feitas
no passado e as armadilhas normativas no momento
da concessão de seus benefícios.
Foi notório o discurso político, em meados do Século
XX, ao estimular os trabalhadores a contribuir desde
cedo e com valores elevados, como forma de preservar,
como se dizia, uma prestação justa e razoável. Não
foram poucos os trabalhadores de boa-fé que, na crença
de uma aposentadoria tranqüila, verteram valores
vultosos na esperança de um futuro tranqüilo. Temos
de reconhecer que foram enganados.
No entanto, tal realidade, ainda que dramática, não
permite que gerações futuras paguem pela irresponsabi-
lidade dos gestores do passado. As promessas foram
quebradas, mas a tentativa de reverter tal realidade
somente produziria mais injustiça.
Pelo menos, devemos admitir que os idosos de hoje
não são privilegiados e usurpadores do dinheiro
público, mas sim clientela iludida pela política estatal
de outrora que, com a miragem de benefício fácil e
elevado, foram lubridiados. Merecem estes idosos, ao
menos, um pedido de desculpas.
8. Resistir à Tentação de Eleger Bodes Expiatórios
Comovistoparcialmentenoitemanterior,nãoadianta
buscar reformas previdenciárias a partir de erros
do passado ou políticas indevidas de proteção
social. Isso nada ajuda no processo de convencimento
da sociedade e do Parlamento quanto a reformas
previdenciárias.
Digo isso pensando, em especial, na categoria de
servidores públicos. É certo que muitos, hoje aposen-
tados, não verteram um tostão sequer para suas
aposentadorias, quando, no máximo, contribuíram
para o custeio de pensões por morte. Todavia, a
questão não deve ser assim avaliada, pois, afinal, a
regra legal vigente era essa. O benefício de servidores,
historicamente, sempre fora um prêmio pelo tempo
de atividade em função pública.
Se tal política se mostrou equivocada, isso não é
responsabilidade daqueles que dela se beneficiaram
e, muito menos, dos atuais servidores ativos, os quais
têm vertido contribuições elevadíssimas sobre suas
remunerações integrais, na vã expectativa de receber
benefícios em patamares equivalentes. O ônus das
escolhas equivocadas do passado é de toda sociedade,
e não de determinado segmento.
Se assim fosse, a caça às bruxas deveria perpassar
o próprio RGPS, pois temos milhares de benefícios
concedidos sem qualquer suporte atuarial ou mesmo
moral, como, por exemplo, as pensões para jovens
viúvas ou viúvos que buscaram matrimônio com idosos
visando unicamente vantagens previdenciárias. Tería-
mos também de rever milhares de aposentadorias
especiais de trabalhadores que não se engajaram,
em momento algum de suas vidas, em atividade
insalubre, mas a obtiveram em razão das categorias
profissionais que ocupavam. E assim por diante.
Temos de reconhecer que muitos erros ocorreram,
mas, agora, temos de olhar para o futuro. As novas
gerações dependem de nossas ações, hoje, em prol
dos objetivos da proteção social.
9. Estabelecer Mecanismos de Controle Periódicos
Uma vez alcançado o objetivo de desconstituciona-
lização das regras previdenciárias básicas de aposen-
tadoria e pensão, fixadas as regras gerais em lei e de
forma equilibrada atuarialmente, será necessária a
previsão normativa de entidade capaz de gerir de forma
eficiente o sistema previdenciário. De nada adiantará
modelo equilibrado se, ainda, for vulnerado pelas
fraudes que ainda persistem.
Da mesma forma, tal gestão autônoma deve produzir
acompanhamento atuarial e, periodicamente, expor à
sociedade e ao parlamento, a necessidade de ajustes
pontuais no regime, sem o influxo do debate político
que, não raramente, mascara o real problema. Como
se disse anteriormente, tanto as escolhas do gasto
público como a eleição de prioridades em matéria >
protetiva serão prioridades do legislador ordinário.
Contudo, a identificação de tais necessidades e
avaliação das dificuldades do modelo deve ficar a
cargo de entidade insulada das influências políticas.
10. Criar Regras de Interação com os Sistemas de
Assistência Social e Saúde
Muito embora a Constituição de 1988 tenha,
no âmbito da seguridade social, criado sub-
sistemas autônomos de previdência social,
assistência social e saúde, é necessário re-
forçar a interação entre estas áreas de atuação.
A criação de uma unidade de gestão, a partir de um
ministério da seguridade social ou mesmo com um
conselho nacional, seria capaz de identificar
redundâncias de proteção e eliminar gastos
desnecessários, produzindo melhor eficiência
no gasto público.
Por exemplo, a possibilidade de perícias médicas
pelas equipes do SUS, assim como a consolidação
de prestações assistenciais em conjunto com a co-
bertura previdenciária, poderá, no futuro, estimular
a proteção da vida digna e, ao mesmo tempo, criar
melhores formas de impedir que a proteção social seja
usada como forma de privilégio e estímulo ao ócio.
*Fábio Zambitte Ibrahim é advogado do
escritório Barroso Fontelles, Barcellos, Mendonça &
Associados. Doutor em Direito Público pela UERJ.
Mestre em Direito Previdenciário pela PUC/SP.
Professor Adjunto de Direito Financeiro e Tributário
da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
F o n t e : h t t p : / / w w w . m i g a l h a s . c o m . b r / d e P e -
so/16,MI239782,21048-Os+dez+passos+da+reforma+previ-
denciaria | Acesso em 2 mai. 2016
Informativo ASAFAPE - Maio de 2016
9
Edição e Diagramação:
Marília de Lemos Araújo
AGRADECIMENTO ESPECIAL
ROSA MARIA DE ABREU
E SANTOS
A Diretoria da ASAFAPE agradece a sócia e
fundadora Senhora Rosa Maria, que sempre
ajuda a
associação com suas doações de livros e uma
quantia anual para melhoria da Sede Social.
Este apoio nos fortalece para a continuidade
do nosso trabalho.
Obrigado por fazer parte deste seleto grupo
de pessoas.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Boletim informativo rede municipal setembro de 2015
Boletim informativo rede municipal setembro de 2015Boletim informativo rede municipal setembro de 2015
Boletim informativo rede municipal setembro de 2015
Marcia Pereira
 

Mais procurados (20)

Informativo CNSP - Outubro 2014
Informativo CNSP - Outubro 2014Informativo CNSP - Outubro 2014
Informativo CNSP - Outubro 2014
 
Projeto de lei nº 1.431 2016 rj - 08.11.2016 (emendas e subtitutivo) - d...
Projeto de lei nº 1.431 2016 rj - 08.11.2016 (emendas e subtitutivo) - d...Projeto de lei nº 1.431 2016 rj - 08.11.2016 (emendas e subtitutivo) - d...
Projeto de lei nº 1.431 2016 rj - 08.11.2016 (emendas e subtitutivo) - d...
 
519 an 14_abril_2015.ok
519 an 14_abril_2015.ok519 an 14_abril_2015.ok
519 an 14_abril_2015.ok
 
EDIÇÃO 301
EDIÇÃO 301EDIÇÃO 301
EDIÇÃO 301
 
PS FDS - Newsletter (janeiro 2015)
PS FDS - Newsletter (janeiro 2015)PS FDS - Newsletter (janeiro 2015)
PS FDS - Newsletter (janeiro 2015)
 
02910a
02910a02910a
02910a
 
EDIÇÃO 322
EDIÇÃO 322EDIÇÃO 322
EDIÇÃO 322
 
Reforma da Previdência - Maria Luiza Nasiasene Pombo
Reforma da Previdência - Maria Luiza Nasiasene PomboReforma da Previdência - Maria Luiza Nasiasene Pombo
Reforma da Previdência - Maria Luiza Nasiasene Pombo
 
Lobbe Neto - Atuação Parlamentar 2015
Lobbe Neto - Atuação Parlamentar 2015Lobbe Neto - Atuação Parlamentar 2015
Lobbe Neto - Atuação Parlamentar 2015
 
Jornal digital 06 12-2018
Jornal digital 06 12-2018Jornal digital 06 12-2018
Jornal digital 06 12-2018
 
Informativo da CNSP - Novembro de 2013
Informativo da CNSP - Novembro de 2013Informativo da CNSP - Novembro de 2013
Informativo da CNSP - Novembro de 2013
 
Jornal digital 4604_seg_ 09022015
Jornal digital 4604_seg_ 09022015Jornal digital 4604_seg_ 09022015
Jornal digital 4604_seg_ 09022015
 
Relatório jan a jun 2012
Relatório jan a jun 2012Relatório jan a jun 2012
Relatório jan a jun 2012
 
Relatório das ações 2011
Relatório das ações 2011Relatório das ações 2011
Relatório das ações 2011
 
Relatório de ações 2009
Relatório de ações 2009Relatório de ações 2009
Relatório de ações 2009
 
Jornal do Sindsprev/RJ - Maio.2017
Jornal do Sindsprev/RJ - Maio.2017Jornal do Sindsprev/RJ - Maio.2017
Jornal do Sindsprev/RJ - Maio.2017
 
Servidores 18 site
Servidores 18 siteServidores 18 site
Servidores 18 site
 
Boletim informativo rede estadual setembro 2015 correto
Boletim informativo rede estadual setembro 2015 corretoBoletim informativo rede estadual setembro 2015 correto
Boletim informativo rede estadual setembro 2015 correto
 
Boletim informativo rede estadual agosto 2015 pronto
Boletim informativo rede estadual agosto 2015 prontoBoletim informativo rede estadual agosto 2015 pronto
Boletim informativo rede estadual agosto 2015 pronto
 
Boletim informativo rede municipal setembro de 2015
Boletim informativo rede municipal setembro de 2015Boletim informativo rede municipal setembro de 2015
Boletim informativo rede municipal setembro de 2015
 

Semelhante a Informativo 26

Boletim159 artigo margem de contribuição
Boletim159   artigo margem de contribuiçãoBoletim159   artigo margem de contribuição
Boletim159 artigo margem de contribuição
Letícia Melo
 
Notas fiscais março valendo
Notas fiscais março valendoNotas fiscais março valendo
Notas fiscais março valendo
Ascom Sefaz
 
Notas fiscais agosto (1)
Notas fiscais agosto (1)Notas fiscais agosto (1)
Notas fiscais agosto (1)
Ascom Sefaz
 
Nf.janeiro.final (1)
Nf.janeiro.final (1)Nf.janeiro.final (1)
Nf.janeiro.final (1)
Ascom Sefaz
 

Semelhante a Informativo 26 (20)

Boletim159 artigo margem de contribuição
Boletim159   artigo margem de contribuiçãoBoletim159   artigo margem de contribuição
Boletim159 artigo margem de contribuição
 
Notas fiscais março valendo
Notas fiscais março valendoNotas fiscais março valendo
Notas fiscais março valendo
 
Notas fiscais agosto (1)
Notas fiscais agosto (1)Notas fiscais agosto (1)
Notas fiscais agosto (1)
 
Jornal da FETAEP edição 162 - Outubro de 2018
Jornal da FETAEP edição 162 - Outubro de 2018Jornal da FETAEP edição 162 - Outubro de 2018
Jornal da FETAEP edição 162 - Outubro de 2018
 
Jornal da FETAEP - edição 141 - Setembro de 2016.
Jornal da FETAEP - edição 141 - Setembro de 2016.Jornal da FETAEP - edição 141 - Setembro de 2016.
Jornal da FETAEP - edição 141 - Setembro de 2016.
 
Revista Acontece - JUL/AGO 2017 - Ed. 57
Revista Acontece - JUL/AGO 2017 - Ed. 57Revista Acontece - JUL/AGO 2017 - Ed. 57
Revista Acontece - JUL/AGO 2017 - Ed. 57
 
Jornal da FETAEP edição 109 - Junho de 2013
Jornal da FETAEP edição 109 - Junho de 2013Jornal da FETAEP edição 109 - Junho de 2013
Jornal da FETAEP edição 109 - Junho de 2013
 
Jornal da FETAEP edição 125 - Março de 2015
Jornal da FETAEP edição 125 - Março de 2015Jornal da FETAEP edição 125 - Março de 2015
Jornal da FETAEP edição 125 - Março de 2015
 
Diário Oficial Guarujá 12-11-2015
Diário Oficial Guarujá 12-11-2015Diário Oficial Guarujá 12-11-2015
Diário Oficial Guarujá 12-11-2015
 
Jornal da FETAEP edição 133 - Dezembro de 2015
Jornal da FETAEP edição 133 - Dezembro de 2015Jornal da FETAEP edição 133 - Dezembro de 2015
Jornal da FETAEP edição 133 - Dezembro de 2015
 
Jornal da FETAEP edição 152 - Setembro de 2017
Jornal da FETAEP edição 152 - Setembro de 2017Jornal da FETAEP edição 152 - Setembro de 2017
Jornal da FETAEP edição 152 - Setembro de 2017
 
Revista Acontece APAS - AGO 2011 - Ed. 4
Revista Acontece APAS - AGO 2011 - Ed. 4Revista Acontece APAS - AGO 2011 - Ed. 4
Revista Acontece APAS - AGO 2011 - Ed. 4
 
Nf.janeiro.final (1)
Nf.janeiro.final (1)Nf.janeiro.final (1)
Nf.janeiro.final (1)
 
Jornal da Fetaep - Edição 144 - Dezembro de 2016
Jornal da Fetaep - Edição 144 - Dezembro de 2016Jornal da Fetaep - Edição 144 - Dezembro de 2016
Jornal da Fetaep - Edição 144 - Dezembro de 2016
 
Jornal da FETAEP edição 151 - Agosto de 2017
Jornal da FETAEP edição 151 - Agosto  de 2017Jornal da FETAEP edição 151 - Agosto  de 2017
Jornal da FETAEP edição 151 - Agosto de 2017
 
Jornal da FETAEP - edição 153 - Outubro de 2017
Jornal da FETAEP - edição 153 - Outubro de 2017Jornal da FETAEP - edição 153 - Outubro de 2017
Jornal da FETAEP - edição 153 - Outubro de 2017
 
Jornal da FETAEP edição 153 - Outubro de 2017
Jornal da FETAEP edição 153 - Outubro de 2017Jornal da FETAEP edição 153 - Outubro de 2017
Jornal da FETAEP edição 153 - Outubro de 2017
 
Jornal da FETAEP - edição 149 - Junho de 2017
Jornal da FETAEP - edição 149 - Junho de 2017Jornal da FETAEP - edição 149 - Junho de 2017
Jornal da FETAEP - edição 149 - Junho de 2017
 
Jornal digital 4686_qua_10062015
Jornal digital 4686_qua_10062015Jornal digital 4686_qua_10062015
Jornal digital 4686_qua_10062015
 
Jornal da FETAEP edição 127 - Junho de 2015
Jornal da FETAEP edição 127 - Junho de 2015Jornal da FETAEP edição 127 - Junho de 2015
Jornal da FETAEP edição 127 - Junho de 2015
 

Mais de Marília de Lemos (11)

Informativo 12
Informativo 12Informativo 12
Informativo 12
 
Informativo 11
Informativo 11Informativo 11
Informativo 11
 
Informativo 10
Informativo 10Informativo 10
Informativo 10
 
Informativo 09
Informativo 09Informativo 09
Informativo 09
 
Informativo 08
Informativo 08Informativo 08
Informativo 08
 
Informativo 07
Informativo 07Informativo 07
Informativo 07
 
Informativo 06
Informativo 06Informativo 06
Informativo 06
 
Informativo 05
Informativo 05Informativo 05
Informativo 05
 
Informativo 04
Informativo 04Informativo 04
Informativo 04
 
Informativo 02
Informativo 02Informativo 02
Informativo 02
 
Informativo 01
Informativo 01Informativo 01
Informativo 01
 

Informativo 26

  • 1. ASAFAPE - FUNDADA EM 6 DE FEVEREIRO DE 1972 - INFORMATIVO: ANO XVI - Nº26 - MAIO 2015 PALAVRA DO PRESIDENTE Prezada Família Asafapeana, Convidamos vocês para comemorarmos nossa tradicional e animada Festa Junina na ASAFAPE, no próximo dia 19/06. Apesar de todas as incertezas e turbulências que enfrentamos no campo jurídico-político no Brasil e também em nosso estado, conseguimos a aprovação da Lei Complementar nº 325/2016 queregularáanossaGratificaçãodeDesempenho, com novos ganhos e retroatividade à janeiro. Também faremos nossa prestação de contas e apresentação dos projetos de 2016. Deixo o agradecimento pela colaboração do SecretáriodaFazendaMárcioStefannieasboasvindas ao novo Secretário da Fazenda Marcelo Barros. Contamos com a vossa animada presença. Atenciosamente, Miguel Angelo Almeida Feliciano PRESIDENTE ASAFAPE - CONTATOS Sandra: (81) 9 88635521 Iara: (81) 9 88634775 Portaria: (81) 9 88634776 Sede Caruaru: (81) 37211293 asafape@gmail.com asafape.caruaru@facebook.com www.asafape.blogspot.com Prezado(a) Colega, A família ASAFAPE convida V. Sª. para participar do nosso Café da Manhã Junino, regado a muito forró e comidas típicas, que será realizado no dia 19/06, a partir das 10 hrs, em nossa sede. Desde já agradecemos!
  • 2. 2 Informativo ASAFAPE - Maio de 2016 Aniversariantes Janeiro Renildo Pereira de Andrade Iza Souza Mendes Pereira Severino Braz Cardoso Laurenice Tavares de Almeida José Ferreira Barbosa Antonio Dionísio de Barros Cavalcanti João Leandro dos Santos Filho José Humberto Correia de Melo Marcia Menezes Cardim Britto Geraldo Gimino Martins Júnior Fevereiro Laura Silva Gilberto Nery de Araújo Inácio Lopes Saraiva Jaime de Oliveira Barros Alcidésio da Silva Ramalho Carlos André Simões Veras Iapona Japiassu da Fonseca Emanuel Pedro Silva Cavalcanti Henrique Sales Assunção Santos Março Maria das Neves Vaz de Oliveira Arnaldo Ferreira dos Santos Damião Rozendo de Barros Diniz Mendes de Sá Leocádio Neves da Silva Luiz Leonan Tenório de Brito Manoel Borges de Souza Jaime Galdino Borges João Soares de Souza Pedro de Lemos Araújo Júnior Maio Odon Euflasino de Andrade Rosa Maria de Abreu e Santos Darci da Mata Ribeiro Vasconcelos Abílio Florêncio de Morais Gerôncio Sebastião da Silva Jaime Pereira de Lima João Vieira da Rocha Inah Torres Moura Lenira Tenório de Brito Luiz Pereira da Silva João Batista Filho João Fonseca de Lima Benedito Severino dos Santos Eduardo Jorge dos Santos Vieira Roberval Alves de Oliveira Abril Braz Alves de Magalhães Maria Nair de Mendonça Travasso Adriano Savio Alves da Silva Antonio Onival Fernandes Almir Leite de Sá Alcides Gomes Guimarães José Manoel da Silva Nylcéia de Andrade Cavalcanti Maria Edileuza dos Santos Bezerra Luiz Moura de Magalhães Moisés de Lemos Nelson Rufino de Melo Sebastião Ferreira Barros Robson Martins de Abreu Silva Marcelo Candeia Simões Cristiano Henrique Aragão Junho Luiz Carlos Antunes de Almeida Maria do Carmo Duarte Erasmo Eustáquio Brayner João Alves da Silva Milton Joaquim dos Santos Idalina Nogueira Sampaio Amaral José Vicente da Silva Ocílio Peixoto de Miranda Pedro Batista Moreira Jeová Almeida Lima Lais de Moura Salgado Antonia Alves da Silva Cunha Romeu Evaristo de Araújo Maria das Dores Santos Cardoso Fernando Antonio Machado André Alexei Lyra Câmara Tony Fernando M. Galvão Cruz Constantino Valadares Pinheiro Julio Gomes Patriota Neto Waldson Leopoldo de Holanda
  • 3. 3 Informativo ASAFAPE - Maio de 2016 Galeria
  • 4. Informativo ASAFAPE - Maio de 2016 4 LEI COMPLEMENTAR Nº 325/2016 É SANCIONADA Foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) desta terça-feira (24) a Lei Complementar nº 325, de 23 de maio de 2016, que altera a Lei Complementar nº 107, de 14 de abril de 2008, que institui a Lei Orgânica da Administração Tributária do Estado de Pernambuco, disciplina as carreiras integrantes do Grupo Ocupacion- al Administração Tributária do Estado de Pernambuco – GOATE. A proposta foi sancionada pelo governador Paulo Câmara. A Lei Complementar nº 325/2016 contém a nova sistemática da GRG e a adequação das multas e é de autoria do próprio Poder Executivo que, por meio de Projeto de Lei Complementar nº 794/2016, encaminhou proposta para a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Na Alepe a PLC foi aprovada por unanimidade pelos deputados estaduais em três comissões da Casa, além das duas discussões no plenário. AGE – Em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) realizada nesta terça-feira (24), na sede do SINDIFISCO, os auditores fiscais e julgadores tributários decidiram, em esmagadora maioria, acatar a pauta financeira para 2015 e 2016, conforme ofício que garante que o índice de reajuste dos servidores será aplicado também ao Fisco. Além, disso o grupo decidiu sair do Estado de Alerta e do Estado de AGE permanente. Fonte: Informativo SINDIFISCO nº 073/2016
  • 5. Informativo ASAFAPE - Maio de 2016 5 PAULO CÂMARA EMPOSSA 54 SERVIDORES NA FAZENDA O quadro funcional da Secretaria da Fazenda recebeu, na manhã desta sexta-feira (29/4), um reforço de 54 novos servidores. Comandada pelo governador Paulo Câmara, a cerimônia de posse ocorreu no Auditório do Brum, no Centro de Convenções, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife (RMR). Desse total, 50 vão exercer a função de Auditor Fiscal do Tesouro Estadual (AFTE) e os outros quatro atuarão como Julgador Administrativo Tributário (Jatte). Os novos funcionári- os do Estado foram selecionados em dois concursos públicos(em2014eem2015)realizadospelainstituição, que há 20 anos não contratava. Eles se juntam aos demais fazendários com a incumbência de otimizar o funcionamento do sistema tributário pernambucano. “Essa contratação é muito importante. Nesse momento, é fundamental dotarmos a Secretaria da Fazenda das condições necessárias para buscar ampliar serviços, focos e metas. Dessa forma, a instituição terá as ferramentas para julgar mais processos e oferecer segurança jurídica ao nosso trabalho”, pontuou Paulo. O gestor, que já esteve à frente da pasta, disse ainda que tem ciência do papel estratégico da Fazenda na administração do Estado. “A gente espera de vocês (empossados) um olhar atento, profissional e a busca por aproveitar as oportunidades”, completou. A necessidade de renovação e de recomposição do corpo técnico da Fazenda pesaram para que o chefe do Executivo estadual convocasse os profissionais neste momento. De 2014 para cá, 58 auditores solicitaram aposentadoria. Atualmente, a pasta conta com 985 servidores do perfil. “Manter os serviços funcionando é a nossa meta?”, ressaltou Paulo, reforçando que a população quer ser bem atendida e ter suas questões resolvidas. “Temos que procurar fazer mais com menos, se adequando ao momento e enxugando onde for possível. Temos que fazer a máquina funcionar melhor. Além disso, temos que fortalecer o braço da arrecadação, mas com muita justiça”, sublinhou. Para o secretário da Fazenda, Márcio Stefanni, a chegada dos 54 novos servidores vai garantir um novo ânimo à instituição. Ele destacou que o ato se deve à determinação de Paulo Câmara em assegurar a contínua melhoria do serviço oferecido à população. “Esse ato só foi possível devido à coragem do nosso governador na busca por um serviço público de qualidade”, grifou. Márcio lembrou ainda que a última convocação da pasta aconteceu 1996, no Governo Miguel Arraes. Na época, a secretaria era comandada pelo ex-governador Eduardo Campos. “Eduardo foi um homem que dedicou a sua vida ao serviço público e nós temos que nos espelhar nele”, conclamou o secretário. Natural de Santa Catarina, o auditor fiscal recém- empossado Deyvid Barbosa pontuou que a nomeação representa a coroação de um grande esforço. “Ainda não caiu a ficha porque foram anos de estudo, uma dedicação muito grande e eu nem acredito que estou aqui. Estou muito esperançoso e feliz com os novos desafios da minha carreira”, afirmou o catarinense. Antes de assumir suas funções, todos os empossados passarãoporumtreinamento,apartirdemaio,de60dias. Acompanharam o governador Paulo Câmara na cerimônia o secretário executivo de Administração Tributária, Oscar Vitor; o secretário executivo do Tesouro Estadual, Edilberto Xavier; o secretário execu- tivo de Coordenação Institucional, Roberto Abreu; o presidente da Companhia Pernambucana de Gás (Copergás), Décio Padilha; além do corregedor do Tribunal Administrativo Tributário, Nilton Ribeiro; e do presidente do Sindicato do Grupo Ocupacional Administração Tributária do Estado de Pernambuco (Sindifisco-PE), Francelino Valença. Fonte: Blog de Notícias do Governo do Estado de Pernambuco | 29/04/2016 Nossa prestação de contas 2015 está disponível a qualquer associado na Secretaria da associação.
  • 6. Informativo ASAFAPE - Maio de 2016 6 OS DEZ PASSOS DA REFORMA PREVIDENCIÁRIA por Fábio Zambitte Ibrahim Os detalhes do modelo futuro, em verdade, não comportam adequação a um único referencial, mas, a depender das opções e prioridades eleitas pelo Estado brasileiro, muitas formas de proteção social adequadas podem ser construídas. Não pretendo, com este brevíssimo texto, discorrer sobre as mudanças necessárias quanto aos critérios de elegibilidade de cada benefício previdenciário ou a mensuração exata das prestações, mas, unicamente, apontar os passos necessários para uma reforma adequada. Os detalhes do modelo futuro, em verdade, não comportam adequação a um único referencial, mas, a depender das opções e prioridades eleitas pelo Estado brasileiro, muitas formas de proteção social adequadas podem ser construídas. Também como forma de melhor estimular a leitura, adoto o tradicional paradigma de dividir o texto em passos ou etapas, coligando o pragmatismo dos textos contemporâneos com o marketing de ideias sumarizadas em breves tópicos. Enfim, exponho minhas impressões sobre um início adequado da reforma previdenciária que, além de sucesso na arena política, possa ser verdadeiramente capaz de produzir mudanças estruturais em nosso modelo, assegurando a cobertura efetiva da sociedade. A seguir, os passos que me parecem necessários. 1. Construir o Consenso sobre a Necessidade de uma Reforma Previdenciária Tal aspecto, por mais elementar que possa parecer, é frequentemente esquecido. Reformas previdenciárias, ao restringir direitos, naturalmente não comportam uma recepção festiva da sociedade e seus represen- tantes no parlamento. Somente a consciência de que algo precisa ser feito poderá, em tempo razoável, produzir as adequações que nosso modelo carece. O Brasil possui cenário demográfico com rápido envelhecimento populacional e acelerada redução da natalidade, o que, por natural, tende a comprometer modelos previdenciários maduros como o nosso, espe- cialmente quando financiado no regime de repartição simples. O fato de o modelo de seguridade social, na atualidade, poder ser considerado superavitário, desde que feitos os ajustes contábeis necessários, não implica a admissão de que o mesmo possui suporte atuarial, pois as projeções demonstram, com tranqüilidade, a inviabilidade do modelo nos decênios vindouros . Enfim, se não houver o convencimento de que o desequilíbrio existe, nada de consistente poderá ser feito. Um debate franco e honesto sobre o déficit da previdência social é, necessariamente, uma etapa a ser enfrentada. 2. Dialogar com o Congresso Nacional Apesar de este item configurar uma segunda obvie- dade, nunca foi devidamente observado na matéria previdenciária. Em todas as reformas realizadas, tanto em âmbito constitucional como legal, os objetivos e conteúdodasreformassempreforamaprioristicamente construídos pela tecnocracia estatal, muitas vezes até sem a participação da própria equipe do extinto Ministério da Previdência Social. A recente fusão deste ao Ministério da Fazenda já não é bom presságio. Uma vez iniciada a agenda de reformas sem qualquer debate na fixação de premissas necessárias, há a tendência de repulsa por parte do parlamento brasileiro, o qual não se colocará como coadjuvante de um pacote de maldades patrocinado pelo Poder Executivo. A resistência parlamentar, como não poderia deixar de ser, torna-se brutal, tendo em vista o conteú- do inevitável de redução de direitos, em avaliações e ponderações pré-estabelecidas sem qualquer respeito aos representantes da sociedade brasileira. O resultado é, em regra, a rejeição das mudanças ou aprovação parcial, com extrema dificuldade e com custo político enorme, de pequenas alterações. 3. Desconstitucionalizar a Matéria Previdenciária Estabelecido o consenso sobre a necessidade de ad- equação do modelo protetivo, em abordagem di- alógica junto ao Congresso Nacional, um passo imedi- atamente posterior será a desconstitucionalização da matéria previdenciária. A ideia, em suma, não é excluir todo o regramento previdenciário da Constituição de 1988, mas, principalmente, retirar os parâmetros de elegibilidade e renda mensal de aposentadorias e pensões do texto constitucional. Em nenhum outro país do mundo há Constituição com tamanho detalhamento de normas previdenciárias como a brasileira. A razão é compreensível, derivada da razoável desconfiança do Poder Constituinte frente ao legislador ordinário, haja vista as pretéritas previsões normativas injustas e prejudiciais na quanti- ficação e concessão de prestações previdenciárias. Podemos lembrar, por exemplo, do regramento vigente antes da Constituição de 1988 quanto ao dimensionamento da renda mensal de aposentadorias, oqual,mediantemédiados36últimossalários, somente permitia a correção dos 24 mais antigos, deixando pelo menos um ano de salários sem qualquer atualização monetária, em período de inflação historicamente >
  • 7. >elevada. O resultado inevitável era o achatamen- to das rendas iniciais, tudo isso de acordo com a legislação vigente e com o beneplácito do Supremo Tribunal Federal. É certo que tal desconfiança não era infundada, tendo em vista as flagrantes injustiças do passado. Todavia, na atualidade, a normatização excessiva, impondo exagerado dirigismo na Constituição, dificulta enormemente qualquer adequação a novas premissasatuariaisedemográficas.Comisso,retarda-se a mudança, de forma a inviabilizar transições longas e tranqüilas entre regimes jurídico-previdenciários. 4. Delimitar Conteúdos Mínimos aos Projetos de Lei Reformas de modelos previdenciários desequili- brados, como o brasileiro, implicam ajustes que, inexoravelmente, tendem a reduzir direitos, tendo em vista os limites quanto ao incremento de contribuição. Com recursos escassos, torna-se necessária a eleição de prioridades na cobertura. Qual a melhor opção? Prestigiar os trabalhadores que ingressaram cedo no mercado de trabalho ou, por outro lado, amparar pessoas que se afastam do mercado para cuidar de filhos ou parentes doentes? Devemos permitir compensações a trabalhadores em atividades penosas ou reforçar o sistema de proteção ao desemprego? Temos demandas legítimas em abundância, mas recursos sempre limitados. Não existe solução ideal ou exclusiva para uma reforma estrutural de modelos previdenciários. A fixação das prioridades protetivas dependerá da vontade popular, manifestada em determinada época, sempre. Todavia, deve o Poder Executivo, em seus projetos, de forma clara, expor a estratégia de escolha das prioridades, sem detalhamentos excessivos, mas com linhas mestras de preferências, como forma de guiar os instrumentos normativos de proteção. 5. Reforçar a Proteção de Crianças e Adolescentes Com base no item anterior, acredito que um objetivo central deva ser incluído em futura reforma previdenciária, que é o reforço dos serviços do sistema protetivo. Tanto no sentido dogmático como norma- tivo, os serviços se diferenciam dos benefícios, tendo em vista estes possuírem conteúdo pecuniário direto, como as aposentadorias, enquanto aqueles são constituídos por obrigações de fazer do sistema protetivo. No caso brasileiro, nota-se uma clara preferência pelos benefícios, com os serviços atuando de forma muito limitada. Obviamente, os serviços também dependem de financiamento, o que agrava a situação de uma parcela prioritária da clientela protegida, que são as crianças e adolescentes. Este tópico naturalmente gera alguma perplexidade, pois, para o brasileiro comum, um debate previdenciário estaria mais voltado a idosos do que crianças. Todavia, nunca foi intenção da Constituição de 1988 restringir nosso modelo a pessoas de idade avançada. Esta é somente parte da clientela e, incrivelmente, sequer a mais importante. Quem deve ter a prioridade no gasto público brasileiro, o que inclui a previdência social: idosos ou crianças? A resposta para tanto encontra previsão constitucional desde 05/10/1988, no art. 227 da Lei Maior. Crianças e adolescentes contam com absoluta prioridade. Em terminologia redundante, externou o Poder Constituinte a precedência eleita. No entanto, o que temos, do ponto de vista previ- denciário, em prol de crianças e adolescentes? Com exceção do precário salário-família, além de proteção indireta produzida pelos benefícios a idosos (avós que sustentam os netos), não há um serviço direto a estes, como creches e pré-escolas. Em verdade, o Brasil, na atualidade, tem reduzido o debate público deste segmento da sociedade à matéria estritamente penal. A criação de serviços previdenciários de apoio tem o condão, como nos mostram países escandinavos, de estimularamelhorianataxadenatalidade,oquetambém é um problema na realidade nacional. Brasileiras adiam ou abandonam seus projetos de maternidade em prol do trabalho, o que poderia ser revertido com ações previdenciárias, mediante serviços focados nesta clientela. Com isso, o rápido envelhecimento popula- cional tende a inviabilizar nosso modelo protetivo. Não se pretende, como veremos no passo 7, apontar idosos como privilegiados ou responsáveis pela falência do sistema. São, igualmente, vítimas da má-gestão e das promessas falsas do passado. Todavia, não podemos viver em um país, que mais recentemente, adota a terminologia da “absoluta prioridade” para os jovens (até 29 anos de idade), inseridos na CF/88 pela EC 65/10 e, novamente, pela “absoluta prioridade” dos idosos, prevista no art. 3º da lei 10.741/03, a partir dos 60 anos de idade. Um modelo protetivo que preveja, com “absoluta prioridade” a cobertura de toda e qualquer pessoa ao longo de praticamente 2/3 de sua existência terrena, evidentemente, não tem qualquer compromisso com a realidade. A prioridade deve ser dada a crianças e adolescentes. 6. Criar Regras de Transição Razoáveis No debate público, é dito com destaque que direitos adquiridos serão respeitados. A afirmativa, ainda que relevante e tranqüilizadora, esconde, nas entrelinhas, a dificuldade em lidar com as diversas situações de > Informativo ASAFAPE - Maio de 2016 7
  • 8. Informativo ASAFAPE - Maio de 2016 8 expectativa de direito, ou seja, de pessoas já engajadas em atividade remunerada por muitos anos, mas, ainda, sem alcançar o quantitativo mínimo de contribuição e/ ou idade para fins de aposentadoria. Para tanto, a dogmática jurídica, nos últimos anos, tem desenvolvido a necessidade de uma transição razoável entre regimes previdenciários, o que, em bom português, significa aplicar, a tais pessoas, um novo regramento que será mais severo que o anterior, mas, ao mesmo tempo, não tão rigoroso quanto o novo. Um meio termo. Esta é, em apertadíssima síntese, a ideia. Desta forma, no debate parlamentar da matéria, deve-se, na melhor medida, prestigiar as pessoas já no sistema previdenciário vigente e próximas de aposen- tadoria. Aqui, notemos, são dois atributos necessários. Não há expectativa alguma para pessoas jovens com ainda longos períodos de trabalho antes da jubilação. A expectativa é daqueles que estão às portas da aposentadoria, com poucos anos de trabalho faltante. São estes que devem, com prioridade, ostentar garantias de transição. 7. Reconhecer os Erros do Passado Temos de admitir, especialmente junto aos idosos de hoje, que o Estado brasileiro ofereceu vantagens e benefícios que não poderiam ser concedidos ou mantidos no futuro. Temos de admitir que muitas pessoas, hoje aposentadas, têm total razão ao criticar os valores recebidos, tendo em vista as promessas feitas no passado e as armadilhas normativas no momento da concessão de seus benefícios. Foi notório o discurso político, em meados do Século XX, ao estimular os trabalhadores a contribuir desde cedo e com valores elevados, como forma de preservar, como se dizia, uma prestação justa e razoável. Não foram poucos os trabalhadores de boa-fé que, na crença de uma aposentadoria tranqüila, verteram valores vultosos na esperança de um futuro tranqüilo. Temos de reconhecer que foram enganados. No entanto, tal realidade, ainda que dramática, não permite que gerações futuras paguem pela irresponsabi- lidade dos gestores do passado. As promessas foram quebradas, mas a tentativa de reverter tal realidade somente produziria mais injustiça. Pelo menos, devemos admitir que os idosos de hoje não são privilegiados e usurpadores do dinheiro público, mas sim clientela iludida pela política estatal de outrora que, com a miragem de benefício fácil e elevado, foram lubridiados. Merecem estes idosos, ao menos, um pedido de desculpas. 8. Resistir à Tentação de Eleger Bodes Expiatórios Comovistoparcialmentenoitemanterior,nãoadianta buscar reformas previdenciárias a partir de erros do passado ou políticas indevidas de proteção social. Isso nada ajuda no processo de convencimento da sociedade e do Parlamento quanto a reformas previdenciárias. Digo isso pensando, em especial, na categoria de servidores públicos. É certo que muitos, hoje aposen- tados, não verteram um tostão sequer para suas aposentadorias, quando, no máximo, contribuíram para o custeio de pensões por morte. Todavia, a questão não deve ser assim avaliada, pois, afinal, a regra legal vigente era essa. O benefício de servidores, historicamente, sempre fora um prêmio pelo tempo de atividade em função pública. Se tal política se mostrou equivocada, isso não é responsabilidade daqueles que dela se beneficiaram e, muito menos, dos atuais servidores ativos, os quais têm vertido contribuições elevadíssimas sobre suas remunerações integrais, na vã expectativa de receber benefícios em patamares equivalentes. O ônus das escolhas equivocadas do passado é de toda sociedade, e não de determinado segmento. Se assim fosse, a caça às bruxas deveria perpassar o próprio RGPS, pois temos milhares de benefícios concedidos sem qualquer suporte atuarial ou mesmo moral, como, por exemplo, as pensões para jovens viúvas ou viúvos que buscaram matrimônio com idosos visando unicamente vantagens previdenciárias. Tería- mos também de rever milhares de aposentadorias especiais de trabalhadores que não se engajaram, em momento algum de suas vidas, em atividade insalubre, mas a obtiveram em razão das categorias profissionais que ocupavam. E assim por diante. Temos de reconhecer que muitos erros ocorreram, mas, agora, temos de olhar para o futuro. As novas gerações dependem de nossas ações, hoje, em prol dos objetivos da proteção social. 9. Estabelecer Mecanismos de Controle Periódicos Uma vez alcançado o objetivo de desconstituciona- lização das regras previdenciárias básicas de aposen- tadoria e pensão, fixadas as regras gerais em lei e de forma equilibrada atuarialmente, será necessária a previsão normativa de entidade capaz de gerir de forma eficiente o sistema previdenciário. De nada adiantará modelo equilibrado se, ainda, for vulnerado pelas fraudes que ainda persistem. Da mesma forma, tal gestão autônoma deve produzir acompanhamento atuarial e, periodicamente, expor à sociedade e ao parlamento, a necessidade de ajustes pontuais no regime, sem o influxo do debate político que, não raramente, mascara o real problema. Como se disse anteriormente, tanto as escolhas do gasto público como a eleição de prioridades em matéria >
  • 9. protetiva serão prioridades do legislador ordinário. Contudo, a identificação de tais necessidades e avaliação das dificuldades do modelo deve ficar a cargo de entidade insulada das influências políticas. 10. Criar Regras de Interação com os Sistemas de Assistência Social e Saúde Muito embora a Constituição de 1988 tenha, no âmbito da seguridade social, criado sub- sistemas autônomos de previdência social, assistência social e saúde, é necessário re- forçar a interação entre estas áreas de atuação. A criação de uma unidade de gestão, a partir de um ministério da seguridade social ou mesmo com um conselho nacional, seria capaz de identificar redundâncias de proteção e eliminar gastos desnecessários, produzindo melhor eficiência no gasto público. Por exemplo, a possibilidade de perícias médicas pelas equipes do SUS, assim como a consolidação de prestações assistenciais em conjunto com a co- bertura previdenciária, poderá, no futuro, estimular a proteção da vida digna e, ao mesmo tempo, criar melhores formas de impedir que a proteção social seja usada como forma de privilégio e estímulo ao ócio. *Fábio Zambitte Ibrahim é advogado do escritório Barroso Fontelles, Barcellos, Mendonça & Associados. Doutor em Direito Público pela UERJ. Mestre em Direito Previdenciário pela PUC/SP. Professor Adjunto de Direito Financeiro e Tributário da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. F o n t e : h t t p : / / w w w . m i g a l h a s . c o m . b r / d e P e - so/16,MI239782,21048-Os+dez+passos+da+reforma+previ- denciaria | Acesso em 2 mai. 2016 Informativo ASAFAPE - Maio de 2016 9 Edição e Diagramação: Marília de Lemos Araújo AGRADECIMENTO ESPECIAL ROSA MARIA DE ABREU E SANTOS A Diretoria da ASAFAPE agradece a sócia e fundadora Senhora Rosa Maria, que sempre ajuda a associação com suas doações de livros e uma quantia anual para melhoria da Sede Social. Este apoio nos fortalece para a continuidade do nosso trabalho. Obrigado por fazer parte deste seleto grupo de pessoas.