“As 10 reacções, decisões e atitudes mais comuns do ego humano”

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“As 10 reacções, decisões e atitudes mais comuns do ego humano”

  1. 1. "Ensina só Amor, pois é isso que tu és"Segunda-feira, 13 de Abril de 2009“As 10 Reacções, Decisões e Atitudes Mais Comuns do Ego Humano”“As 10 Reacções, Decisões e Atitudes Mais Comuns do Ego Humano”No último post fiz uma breve introdução ao ego humano. Expliquei oque é, como funciona e qual é o grande problema que ele traz.Basicamente o ego humano é a causa de todo o sofrimento humano.Está sempre completamente à mercê do que se passa no mundomaterial, pois tudo o afecta, tudo o incomoda. E depois, porque o egohumano é a noção de eu separado, este funciona tendo-se apenas asi em consideração, acabando assim por não querer saber dos outrosprejudicando-os, e apenas estando concentrado no que pode ganhar,no que deseja, em como pode sair beneficiado ou obter o que quer.Agora imagina milhões de egos a circular por aí... e o consequentecaos e constante sofrimento. Bem-vindo ao nível de consciênciaactual da humanidade.Para perceberes melhor todo este processo, é essencial que leias oúltimo post.Hoje vou partilhar contigo quais são as mais comuns reacções,decisões e atitudes do ego humano. Este post vai-te ajudar acompreender melhor que tipo de coisas vêm directamente do ego edevem ser evitadas para evitar consequências negativas esofrimento. Estas claro não são todas, mas uma lista das 10 maiscomuns. E não é muito difícil encontrá-las... basta saíres à rua 5minutos. O difícil está em detectá-las em nós e não as deixarcontrolar-nos. O difícil está primeiro em detectá-las, parar e não asseguir, e depois eliminá-las de vez e substituí-las por outra coisa...que só se atinge subindo de nível de consciência.Por nenhuma ordem especial:1 – JulgamentoO ego humano vive em constante julgamento. Está sempre a colocarrótulos às pessoas e situações/resultados/circunstâncias. Opassatempo favorito do ego (porque o faz sentir-se melhor consigopróprio) é julgar e criticar os outros, dando-lhes uma identidade debaixo valor, inferior à sua. Uma coisa é apercebermo-nos que defacto alguém, pela forma como vive a vida (controlada pelo seu ego)
  2. 2. não é uma boa escolha para se ter uma ligação, amizade ou relaçãoíntima. Outra coisa é odiar essa pessoa, e falar/pensar sobre ela comraiva criticando-a, chamando-lhe nomes, etc. É desse tipo dejulgamento que falo. Quando alguém comete um erro, falha, faz algoque a pessoa não gosta, etc, o ego salta logo em julgamentosraivosos de ódio. Como um cão raivoso a ladrar descontroladamentea um desconhecido que está a entrar na casa do dono. O objectivodestes julgamentos é claramente inferiorizar a outra pessoa(superiorizando quem julga), fazê-la sentir-se mal com ela própria(uma espécie de vingança emocional) e castigá-la de alguma forma.No fundo resume-se tudo à expressão “Tu és pior que eu!”. Estesjulgamentos são completamente desnecessários pois todos os sereshumanos têm o mesmo valor, sejam eles quem forem, façam eles oque fizerem, e não são palavras, textos verbais ou mentais, que vãomudar isso.E para julgar o ego pega em tudo: a roupa que a outra pessoa está ausar, alguma atitude que teve, algo que disse, um crime quecometeu, algo que não fez e que podia ter feito, etc. Vem tudo deraiva interior e ódio e não tem qualquer utilidade. Julgar alguém écomo beber o veneno e pensar que a outra pessoa vai morrer. Está-se apenas a criar em nós emoções negativas inúteis e nada mais. Apessoa que julga e critica constantemente os outros, está-se acolocar em estados de raiva e ódio prejudiciais para tudo... é comomergulhar voluntáriamente num esgoto podre. Claro que ao fazerestes julgamentos o ego se sente melhor com ele próprio pois está asuperiorizar-se a alguém. Mais uma vez só está a pensar nele próprioe não está a ter os outros em consideração. Pois como já disse, todostemos o mesmo valor, e todos sofremos na vida. Mas no desporto dojulgamento o ego não consegue ver que está a julgar outro serhumano, que não interessa quem é ou o que fez, tem o mesmo valorque ele e que também vive a tentar e a esforçar-se para se sentirbem e eliminar o seu sofrimento. Claro que uns fazem-no comconsideração pelos outros, e outros não, mas isso trata-se dedescobrirmos as coisas e saber distingui-las através de SelecçãoConsciente e não de reacções de julgamentos raivosos deinferiorização.No último post desta série, em que vou falar da soluçãorelativamente ao ego, vais perceber melhor o porquê dosjulgamentos e pelo que devem ser substituídos.2 – Comparações e CompetiçãoEste é muito comum. Um mais passivo, o outro mais activo. Só sepodem comparar duas coisas separadas... e porque o ego só tem a
  3. 3. noção de eu separado dos outros, vai-se sempre comparar aos outrospara verificar o seu valor pessoal. Muitas mulheres passam a vida acomparar-se umas às outras em termos de beleza. Se a mulher quevê outra e se compara achar que a outra é mais bonita, vai-se sentirmal com ela própria e catalogar-se de feia. Se se achar maios bonitavai criticar a outra (julgamento) e sentir-se bem consigo própria atésurgir alguma mulher que ela considere mais bonita. Isto écompletamente desnecessário, e concursos de beleza são dascriações mais patéticas do ser humano, pois só contribuem para abaixa auto-estima de mulheres fantásticas que na verdade são bematraentes ao contrário do que pensam. A moda também ajuda muitonesse aspecto.Mas voltando às comparações, o ego só se consegue sentir bem comele próprio quando chega à conclusão que é melhor que alguémnalguma coisa. Seja uma mulher sentir-se mais bonita que outra,seja outra coisa qualquer como comparação de vida – ou seja, achar-se que se é pior que alguém porque a outra pessoa tem mais dinheiroou tem mais quantidade e variedade material que nós. Entãocompara-se a roupa, o corpo, a cara, o emprego, os resultados, osamigos, quantidades, variedades, preços do que se tem, áreas davida, saúde, objectos, namorada, namorado, etc. O ego não aguentaque alguém tenha uma televisão melhor que ele... não aguenta que onamorado da amiga seja mais fixe que o dela... e não aguenta essetipo de coisas pois cria a sua identidade e valor através delas. E seelas lhe dão uma identidade e valor não desejados, valor baixo, o egofica tramado pois não quer ser assim.Vai sempre haver alguém com mais do que nós, e sempre alguémcom menos do que nós. Vai sempre haver alguém melhor que nós, ealguém pior que nós. Isso não significa absolutamente nada. Sermais bonita ou menos bonita que outra mulher não significaabsolutamente nada. Ter mais amigas ou menos amigas que outrohomem não significa absolutamente nada. A única coisa que interessaé se estamos a seguir o caminho que desejamos ou não, e seestamos a criar a nossa vida como a desejamos ou não.Compararmo-nos aos outros é inútil. Não temos que ser como osoutros, nem sequer melhor que eles. Temos que ser nós próprios,Autênticos. Porque a pessoa “A” pode ter mais dinheiro que a pessoa“B”... porque depende disso. Vive dependente do materialismo, éescrava de compras e dos alívios que o dinheiro pode trazer.Enquanto que a pessoa “B” não precisa disso para nada para se sentirrealizada e em paz, e tem uma vida amorosa e social extraordináriastendo pouco dinheiro, e a pessoa “A” tem muitos objectos, jantamuitas vezes fora, viaja muito, mas não as tem. As comparações sãoinúteis.Depois vem a competição, que é uma forma de comparação activa.
  4. 4. Há muito disso no desporto. Não há nada de errado com o desportoem si, mas sim e apenas na atitude de competição: “Eu tenho queser melhor que ele!”, “A minha equipa tem de ser melhor que adeles!”. Claro que isto não existe apenas no desporto, bem pelocontrário, há muito mais fora do desporto. Sempre que dois sereshumanos estão activamente a comparar capacidades e qualidades,chama-se a isso competição. É a dependência do ganhar. É a atitudede “Eu tenho que ganhar, custe o que custar. Eu tenho que sair distovisto como o melhor!”. E depois muitas vezes o ego acaba por fazerbatota e até tentar eliminar o adversário. Não é a actividade em sique o apaixona (o jogar futebol, o conduzir um carro, o cantar), é odesespero pela vitória que o controla completamente. O medo deperder e de ser visto como fraco ou inferior.Comparações e competição trazem a atitude de querer ser melhor ouganhar custe o que custar, mesmo que para isso se tenha de serdesonesto, ou até eliminar o adversário. Prejudicá-lo, “cortar-lhe aspernas” para que não possa ser melhor.Por isso é que ter amigos que não querem saber de evolução paranada é perigoso para quem quer ser feliz e criar a vida que deseja.Porque eles vão ver isso como uma tentativa de ser melhor que eles,de se sentir melhor que eles (quando não tem nada a ver com eles,mas com o desejo da própria pessoa de mudar), e vão entrar nomodo de competição e tentar puxar a pessoa para baixo. Vão tentardestruir as poucas coisas novas positivas que ela criou. Vão tentardesmotivá-la a dedicar-se à sua evolução. Vão gozar com ela,mandar bocas, fazer jogos, tentar controlá-la, ameaçá-la, criticá-la,falar mal dela aos outros, etc, etc. Isto é o ego em acção.3 – InvejaEsta é muito simples: “Ele tem o que eu desejo, por isso a culpa deeu não ter o que desejo é dele. Porque ou era ele ou eu a ter, e é eleque tem. Logo ele está lixado comigo!”. Mais uma vez lá vem a raivainterior. Inveja surge no ego quando alguém tem algo que elegostava de ter mas não tem. Não faz sentido nenhum, pois é umatípica atitude que vem de mentalidade de escassez (“Só há umdisto!!”). Talvez uma pessoa gostasse de ter um determinado carro, eo vizinho compra honestamente um desses. O ego dessa pessoa ficalogo aos pulos pois começa logo a julgar “Porque é que ele tem e eunão?? Ele é melhor que eu??”, e em vez de tentar descobrir umaforma de ter o que deseja, passa o tempo a ruminar no pensamentode que o vizinho tem e ele não, e em como pode destruir ou sabotara felicidade do vizinho. Muito giro e completamente inútil.
  5. 5. 4 – ConflitoQuando um ego quer “A” e outro ego quer “A”, nenhum dos dois ésuficientemente evoluído para largar “A” ou ir procurar “A” noutrosítio, e então inicia-se um conflito. “A” pode ser qualquer coisa... umobjecto, uma pessoa, um título, um local, etc. Um caso muito fácil decompreender é o de dois homens a lutar por uma mulher. É fácil deperceber que ambos querem a mesma mulher... e vivemdependentes dela. Por outras palavras: não têm outras opções.Muitas pessoas acham este tipo de coisas muito bonitas e dão-lhesum significado glorificado, quando na Verdade o que se passa é quenenhum dos homens tem outras opções, não tem capacidade paraconhecer outras mulheres do mesmo género, e depois também nãoquerem que seja o outro a ganhar. Raramente tem alguma coisa aver com a mulher... mas sim com a carência e escassez em que oshomens vivem, incapacidade de conhecer outras mulheres do mesmogénero, e o medo de perder (competição) aliado ao desespero deprecisar de ganhar sempre. No conflito já nem há bem o desejo dealcançar algo, mas sim mais de impedir o outro de lá chegar. “Sou eucontra ti e só um pode ser visto como o melhor!”. Isto é tudo muitoprimitivo, e infelizmente destrói muitas vidas e relações. O ego nãoconsegue ver a longo prazo, apenas reagir à emoção do momento,como um saco de plástico do Minipreço a voar ao vento e a ir nadirecção que este sopra.Muitas pessoas querem aprender a gerir conflitos, mas a solução nãoé essa. É aprender a evitá-los, é deixar de precisar de os ter para sesentir melhor consigo próprio. Uma coisa é uma troca de ideiasdiferentes, outra coisa é querer-se destruir o outro e vê-lo como umadversário. Uma guerra onde morrem e sofrem pessoas inocentes éum conflito. Não há nada de útil em conflitos, em querer destruir ooutro lado só para um ego se sentir melhor com ele próprio porquepode pensar “respondi-lhe à letra”. É completamente desnecessário.Conflitos evitam-se, não se gerem. Só o ego humano é que não osconsegue evitar pois vive constantemente em estados emocionaisnegativos que levam naturalmente a essas situações, e uma vezdesafiado precisa sempre de mostrar e provar o seu valor.5 – A eterna necessidade de ter razãoEsta é uma das grandes causas de todos os conflitos: “Eu é quetenho razão, tu estás errado, e tens de aceitar a minha superioridadea bem ou a mal!”. Muitas discussões nada têm a ver com chegar auma solução para algo ou evoluir. Têm só e apenas a ver com quemsai a ganhar no final e esmaga o adversário. É uma mera luta de
  6. 6. galos cegos que reagem violentamente a tudo o que surge. Por causadesta necessidade de ter razão e de não se saber ver quando não setem, e é a outra pessoa que de facto está certa e deve-se aceitar issonaturalmente, destroem-se muitas relações. E é óbvio que um egonão pode ter boas relações: ele só quer saber dele próprio, e se umarelação é uma ligação com outro ser humano, se não se querverdadeiramente saber dele (e as reacções negativas constantesprovam isso, pois não se cometem erros quando afinal se gosta muitoda pessoa – ou se tem Compaixão ou não se tem. Pois quando setem não se comete esses típicos erros em que depois se diz à pessoaque de facto se gosta muito dela), então é apenas uma questão detempo até se fazer ou dizer algo contra ele, que de alguma forma oprejudique, dê problemas ou faça sofrer. Que o faça sentir-serepelido.6 – A eterna necessidade de ser aceiteO ego não consegue viver sabendo que alguém não gosta dele, quenão o aceitou, que não lhe deu validação. Muitas vezes simpatia é umesquema para se evitar ser rejeitado, não vem de Verdadeiraconsideração e Compaixão pelos outros. O ego, através de todo o tipode coisas, sendo as mais famosas a adaptação e a manipulação, vaifazer de tudo para que nunca seja rejeitado ou não aceite poralguém. A consequência disto é nunca se ser Autêntico, pois cadapessoa que surge é analisada para o ego perceber como agir e ser deforma a ser aceite por essa pessoa. Muito giro, e de facto ele acabapor conseguir fazê-lo... mas quem é ele? Como é ele? Não é nada.Não é nada pois nunca é ele próprio, está-se sempre a adaptar. Écomo um camaleão sem cor própria. E pessoas assim nunca são deconfiança, pois não há nada fixo em relação a elas. Elas não seguemnada que seja delas, apenas dos outros. O medo de serem rejeitadascontrola-as completamente, pois criam a sua identidade através doque os outros pensam delas.Rejeição só significa uma coisa: incompatibilidade. Se somosrejeitados por alguém isso não significa que não prestamos para nadae que há algo de errado em nós... significa apenas que somosdiferentes da outra pessoa. As pessoas são diferentes umas dasoutras e apenas atraem e se sentem atraídas por pessoas do mesmotipo, semelhantes. Que estejam a caminhar numa direcçãosemelhante... pois num barco se cada um estiver a remar numadirecção diferente, nenhum dos dois irá chegar onde deseja, e ao quemais o deixa feliz, em paz e realizado. Claro que, se prejudicá-mosalguém, se lhe fizemos mal, se lhe mentimos, se usámos umesquema qualquer desonesto para obter algo dela, etc, fomosrejeitados porque não tivemos consideração pela pessoa. Mas nesses
  7. 7. casos o ego sabe sempre o que fez, e o que acontece a seguir é avergonha de ter sido descoberto na sua fraqueza de precisar de serdesonesto e manipular para ter a companhia de alguém.7 – Palavras incomodamSó o ego pode ser magoado ou controlado através de palavras. Seouvir uma crítica negativa, seja ela verdadeira ou falsa, incomodaalguém, então esse alguém é um alguém que está a sercompletamente controlado pelo seu ego. O ego pega em tudo o quesurge para criar a sua identidade e valor, e palavras dos outros nãosão excepção. Mas mais uma vez não faz sentido nenhum. Se umapessoa é inteligente, vive a vida de uma pessoa inteligente, tem osresultados e benefícios de uma pessoa inteligente... se alguém lhechama de burro, não faz sentido nenhum ficar incomodado com isso.Pois ela continua a ser inteligente, a ter a mesma vida, o mesmopotencial, os mesmos resultados e capacidades. As palavras nãomudam nem definem nada no mundo material, fora da nossa cabeça.É o significado que lhe damos que depois cria em nós uma emoção eou gostamos ou não gostamos. Na sua essência, o que alguém nosdiz é apenas ar e som, nada mais. Depois é interpretado pela menteclaro, mas no mundo real fora da nossa cabeça é apenas isso. Nãoafecta nada. Certamente já ouviste dizer que “As palavras leva-as ovento”. E é verdade, só que o ego consegue muitas vezes aceitar issoquando se trata de elogios ou promessas... mas quando é uma críticanegativa o vento já não as leva. Ele fica encravado nelas, a ruminar,e não tem outra escolha senão reagir-lhes e dar-lhes importância. Elenão gosta do seu significado uma vez que este lhe tira valor àidentidade, e por isso sente a necessidade de as mudar. Mas sãomeras palavras, não mudam nada nele nem na sua vida.Responder às coisas, defendermo-nos de palavras, não é um acto deforça... bem pelo contrário. É uma expressão da grande fraqueza doego de precisar de defender-se de algo que não tem qualquer poder.É como desembainhar a espada cada vez que uma formiga ou umamosca passa. O Super-Homem não é o Super-Homem porque precisade se defender dos tiros. Porque precisa de os evitar ou torná-losnoutra coisa. Ele é o Super-Homem porque os tiros não o afectam.Ele leva com eles, e não o afectam. Ele não precisa de fazer nadapois estes nem o magoam nem mudam nada na sua realidade.8 – A eterna necessidade de mudar os outrosEsta é gira. O ego nunca consegue aceitar as coisas como elas são,principalmente se são diferentes dele ou negativas para si. Ou seja,
  8. 8. nos seus constantes julgamentos ele acha que a pessoa “A” devia sermais “B”, e que isso está certo e que ela é parva por não ser mais“B”. Até porque ser mais “B” até seria melhor para ela e para os quea rodeiam. Esta é a típica reacção do ego quando este começa aaprencer sobre si, e identifica nos outros reacções do ego. Depoiscritica-os e acha que eles deviam mudar e meter-se na evoluçãopessoal.Outro exemplo são os homens ou as mulheres que conhecem alguémde quem gostam muito, mas que tem algo na sua personalidade queprejudica a relação. E então o seu objectivo torna-se mudar essapessoa para que a relação resulte. Ou então questionam-se se otempo não poderá mudar a outra pessoa.Tanto no primeiro exemplo como no segundo trata-se do próprio egohumano a querer controlar os outros e impôr a sua visão. A nossamissão não é mudar os outros, é mudarmo-nos a nós e dar oexemplo. Ter Compaixão pelos outros não é achar que há algo deerrado com eles e querer mudá-os, é dar-lhes a Liberdade deseguirem o seu caminho, e de poderem escolher como e quandomudar. Porque estamos cá todos para que cada um de nós aprendaas suas lições por si próprio. Só assim se evolui. Com “ajuda” de forao que acontece é que se ganham uns alívios mas continuamos nomesmo nível de consciência.Certamente conheces o provérbio “Não dês um peixe, ensina apescar”. Há um nível depois disso... pois está correcto não dar opeixe (alívio) mas sim ensinar a pescar (contribuir longo prazo pois aprópria pessoa aprende a fazer algo sozinha). Só que há mais umnível a seguir... que é não precisar de peixe. Mas isso não seconsegue fazer pela outra pessoa. Podemos dar um peixe, podemosensiná-la a pescar e a satisfazer sozinha essa necessidade. Mas anecessidade continua lá. A identificação com o peixe continua lá. Éaqui que entram os desafios e as decisões difíceis que nos fazemtranscender o ego.Vou dar um exemplo mais prático e realista: um homem quer umanamorada. Alguém que o quisesse ajudar podia apresentar-lhe umaamiga. Nada de errado nisso, mas o homem iria continuar a não tercapacidades pessoais para conhecer mulheres. E essas capacidadespessoais, ou qualidades, são algo necessário para depois manter aligação com essa mulher apresentada pelo amigo, fazer as coisasavançarem naturalmente e chegar ao namoro. São qualidades queele tem de ter para atrair naturalmente uma mulher, para ser umhomem desejado, e a razão pela qual ele não tem namorada éporque não tem essas qualidades. O amigo na Verdade não o estavaajudar, apesar de ter a melhor das intenções estava apenas a tentaraliviar o sofrimento dele. O que iria acontecer é que eles iriam falar
  9. 9. um pouco mas a mulher pouco ou nada se iria sentir atraída, pois ainteracção não iria ser estimulante, e as energias da Atracção Naturalnão iriam estar presentes. Portanto ele “tinha” o peixe, mascontinuava a não saber pescar, nem sequer sabia o que fazer com opeixe.O nível seguinte é de facto ensiná-lo a pescar. Ensiná-lo comoconhecer mulheres, como ser aceite por mulheres, ter a suacompanhia e chegar a algo físico com elas. E ele até podia aprendertudo isto muito bem... mas como? Como é que ele o estava a fazer?Através de truques e esquemas? Através de jogos, desonestidade emanipulação? Com medo de ser rejeitado? Dependente da validaçãodas mulheres para se sentir um homem? Dependente de resultados equantidade? E apenas para obter algo delas?São este tipo de coisas que surgem quando o ego controla. Ele sóquer saber dele próprio e do que obtém, logo o que interessa são osresultados e não como ele chega a estes. Vale tudo.Portanto o homem sabe agora pescar sozinho e arranjar o seu própriopeixe. Mas questiona-se: “Porque a qualidade do peixe não mesatisfaz a um nível profundo? Porque será que não consigo estarmuito tempo sem ter um peixe novo e diferente? Porque será que mesinto mal quando não tenho um peixe e preciso de fazer os outrossaber que pesco peixes regularmente? Porque será que apesar de tertodos estes peixes regularmente, continuo a ter medo de nãoconseguir pescar um, e continuo a sofrer na vida, a sentir um vazio?”Este é o 3º nível: não precisar do peixe. É uma mentalidade e atitudecompletamente diferentes. Não quer dizer que vai deixar de pescar...quer dizer que essa actividade se torna diferente. Ele deixa deprecisar do peixe, deixa de o ver como algo que precisa e tem deobter, como um prémio ou algo que o faz sentir-se bem com elepróprio, e passa a relacionar-se com o peixe pelo puro prazer defazer o peixe sentir-se bem e feliz.A metáfora não é perfeita, até porque as mulheres não são peixes, econhecer mulheres não tem nada a ver com pescar, mas o homemdeixa de ver o peixe como algo que precisa, como um “mal”necessário para se sentir bem, que tem de pescar senão estátramado... e passa a vê-lo como um amigo, como algo especial que ofascina, com quem quer nadar, e para quem quer contribuir e fazersentir bem e feliz. O homem deixa de apenas pensar nele, e passa apensar nos dois. Sim, porque se o peixe for um tubarão, se calharnão é boa ideia nadar com ele. O homem não precisa de julgarraivosamente o tubarão, não precisa de lhe fazer mal, nem de lhemandar uma boca, nem de o prender, nem de nada. Simplesmenteapercebe-se que não é boa ideia ir nadar com o tubarão e por isso
  10. 10. afasta-se em silêncio, não julgando o tubarão, tendo Compaixão porele e pelo sofrimento dele, e deixando-o seguir em paz o seucaminho.E ele não sente a necessidade de mudar o tubarão, pois não há nadade errado com o tubarão. Ele é como é, está a seguir o seu caminho,e irá aprender as suas lições e evoluir a seu tempo. A única coisa quese passa é que no momento em que o homem descobriu o tubarão,este estava num nível de consciência que lhe podia ter destruído avida ou trazer muito sofrimento desnecessário e problemas/dores decabeça extras. Quando falo em tubarão estou claro na Verdade afalar, por exemplo, dos manipuladores desonestos.Para acabar este ponto, a nossa missão não é mudar os outros. Não éimpôr uma mudança aos outros. É ajudar a essa mudança se formosrequisitados para isso. E se não formos, mas vermos que a outrapessoa tem algo sério que prejudica a relação, então a decisão maisútil não é ficar à espera que ela mude nem é ficar com elaindependentemente disso... é deixá-la ir e seguir o seu caminho,enquanto nós seguimos o nosso. Saber deixar os outros ir edesaparecerem da nossa vida é um dos processos mais poderosos emtermos de evolução e transcendência do ego.9 – Dependência materialSe é muito importante para alguém ter algo material, então temosum ego a controlar. Se é muito importante para alguém ter umdeterminado carro, ou guitarra, ou máquina, ou roupa, ou objecto,essa é uma típica e clara expressão de identificação com o mundomaterial. Quando o que existe no mundo material é demasiadoimportante para alguém... vai haver sofrimento. As pessoas criam asua identidade e valor à volta e através de objectos, quando sãocoisas completamente desligadas. O segredo não está em ter-sefinalmente algo que se deseja, mas sim não se precisar de o ter. Nãoquer dizer que não se o tenha também, quer dizer é que não sedepende disso para nos sentirmos bem e em paz, e se não tivermos oque desejamos/precisamos não ficamos incomodados com isso.Uma das coisas que mais em ajudaram, e foi das primeiras que eu fizna minha caminhada consciente de evolução, foi deitar coisas para olixo. Noutras palavras, todo o tipo de objectos que eu percebi quenão me estavam a ajudar a mudar na direcção que desejava.Desidentificação com objectos é super importante, e esta só acontecequando de facto são coisas às quais damos muita importância esignificado. Querer comprar algo, poder comprar e não comprar, éoutro processo muito útil.
  11. 11. 10 – Manipulação e desonestidadeEstas são as ferramentas favoritas do ego humano para obter dosoutros aquilo que deseja. O ego humano adora aprender sobremanipulação e como controlar os outros. Ele está sempre aberto àideia de mentir desde que obtenha o que deseja. Ele adora forçar ascoisas com os outros quando não consegue obter o que deseja àprimeira. Não lhe interessa se a outra pessoa está na Verdade a serenganada por ele, ele não quer saber dela para nada. Ele quer éobter o que deseja dela e pronto. E depois, claro, arranja justificaçõesbonitas para o fazer. Pinta toda a actividade de manipulação,persuasão e influência de cor-de-rosa para que a possa praticar semser julgado pelos outros.Não só é um nível de consciência muito baixo pois não há qualquerconsideração pelos outros, como ainda é um processo de auto-destruição, uma vez que manipulação atrai manipulação edesonestidade atrai desonestidade. As pessoas íntegras e autênticas,ao se aperceberem que estão diante de um manipulador desonestonão se vão sentir atraídas. Aquela é a última vez que ele as vê. E nãohá discussões, nem críticas, nem bocas, nem nada. A ligação desfaz-se tão naturalmente e pacíficamente como surgiu, pois é tudorealizado através de Compaixão. Mas quando um manipuladordesonesto se apercebe que está diante de um manipulador desonesto(MD), a primeira e única coisa que lhe vem à cabeça não “ele é umMD, logo não vou investir mais nesta ligação”, mas sim “como é queeu consigo obter dele o que desejo e fazer isto resultar?” lolTorna-se numa competição ridícula, um jogo de poder infantil eprimitivo que não serve nenhum dos lados. É cada um a puxar para oseu lado a querer derrubar o adversário. Não há qualquer tipo deselecção, contribuição ou compaixão. E depois estas pessoas metem-se em relações íntimas umas com as outras e admiram-se que foramtraídas, espancadas, enganadas e questionam-se porque as suasrelações nunca resultam.Dica: como se lida com manipuladores desonestos? Como se lida comegos humanos? Não se lida, evita-se. Corta-se ali a relação ouligação. Procurar lidar com eles é meter-se na actividade dos jogos,manipulações e desonestidades, sem consideração, sem ver que háum ser humano do outro lado que também sofre, que também temproblemas, preocupações e inseguranças. Há um afastamento naturalsem julgamentos e nada mais. Cumpriste a tua parte de terCompaixão, a outra pessoa meteu-se com jogos e não a soubeaceitar, então é o adeus pacífico, firme e honesto. Investe o teu
  12. 12. tempo e energia em quem de facto te merece, em quem vive comCompaixão, Coragem e Integridade, e não com mentiras, jogos emanipulações. Com quem vive para Contribuir para o Todo, e nãopara meter “matéria aos bolsos” e “sacar energia” aos outros. Comquem de facto tem prazer em viver e apreciar a tua companhia epartilhar momentos divertidos e estimulates contigo, e não com quemapenas está contigo e passa esses momentos contigo pelo que podevir a acontecer a seguir.E de uma forma breve e simples são estas as 10 reacções, decisões eatitudes mais comuns do ego humano. No próximo post irei falarsobre como o ego humano afecta a vida amorosa dos seres humanos,ou seja, de que forma a prejudica e destrói facilmente, tornando-anuma fonte de sofrimentos, problemas, dores de cabeça edesmotivação e não no que ela realmente é: uma fonte de felicidade,prazer, diversão, energia, contribuição e intimidade.

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