SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 38
DESIGNAÇÃO DE
CAMPO
Ciência e epistemologia (3):
alguns conceitos
Prof.ª Dr.ª Marli Quadros Leite
I. A razão, a linguagem e as normas
1. O livro
AUROUX, Sylvain (1998). La raison, le langage et les
normes. Paris : PUF, p. 3-14;127-175.
 pergunta: o modelo computacional explica o
comportamento linguístico humano?
 o objeto do livro: crítica do racionalismo
2. Nova versão do empirismo: empirismo externalista ou
externalismo; teoria da ciência.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 2
II. As teses do racionalismo em discussão
i. Há uma distinção de natureza entre os DADOS (dados
sensíveis - o que Russell denominava sense data, e o
empirismo clássico a sensation - informações,
elementos memorizados etc.) e os PROCEDIMENTOS DE
TRATAMENTO desses mesmos dados.
ii. O fenômeno cognitivo (seu funcionamento, como sua
explicação) originado do indivíduo, ou ainda, o
conhecimento é localizado no indivíduo.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 3
Análise (1)
 Preconceito em (i) : memória (dados) não é inteligência
(procedimento).
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 4
X
X
LÉXICO
AQUISIÇÃO INEÍSMO
SINTAXE
X
MATÉRIA
FORMA DE
CONHECIMENTO
OPOSIÇÃO
MEMÓRIA PROCEDIMENTO
linguagem
filosofia
Análise (3)
Vê-se que (ii) permite reduzir a teoria do conhecimento
àquela das atividades de um sujeito. Oposição: existem
estruturas cognitivas externas ao indivíduo.
Há uma história cultural, social e material dos
procedimentos cognitivos; a inteligência é externa e
artificial.
O que se pode opor ao racionalismo é o fato que o
conhecimento é um processo ao mesmo tempo material,
social, coletivo, jamais limitado, fechado, preservado ou
produzido por competências individuais que não lhe
concernem senão nos momentos de fragilidade.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 5
Análise (4)
 Teorias do conhecimento exageram quando falam de um
pré-requisito que há na mente dos indivíduos, como a raiz
das capacidades cognitivas, MAS o homem é uma
estrutura biológica que interage com o ambiente e outros
corpos.
 O fenômeno fundamental é a constituição de
instrumentos, o que implica a instrumentalização tanto do
ambiente quanto do próprio corpo. Erra-se ao atribuir
importância exagerada à interioridade.
 Ex.: A capacidade de calcular não começou
simplesmente na cabeça do homem, ela não teria
acontecido sem a manipulação de objetos externos
(pedras, ábaco etc.) .
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 6
Análise (5)
As hipóteses fundamentais do externalismo são as de
que a INTELIGÊNCIA é originariamente um artifício e que
suas manifestações são dependentes de instrumentos
externos. A inteligência do homem é de algum modo uma
certa organização do mundo, do qual os homens são
uma parte. O que não impede que se possa internalizar
certos procedimentos, adquirindo certos sistemas
simbólicos (cf. o cálculo mental). Nem tudo está na
cabeça, mas pode haver nela muitas coisas.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 7
III. Concepção empirista e epistemologia
1. A pedra de toque do racionalismo, de Platão a Kant, é a
TEORIA DA CIÊNCIA.
2. No Ocidente, essa concepção foi reduzida a um CONJUNTO
DE PROPOSIÇÕES VERDADEIRAS e a um MÉTODO. Concepção
que se pode qualificar de puramente sintáxica. (pt de vista
sintático)
3. “Milagre grego” etnocentrismo que levou à ideia de que
a civilização chinesa não teve a chance de conhecer o
pensamento científico. Já é tempo de se reconhecer o ponto
de vista semântico, isto é, quais tenham sido os métodos
utilizados ou o caráter religioso do ambiente cultural, p. ex.,
a correspondência feita pelos Mayas do ciclo de Vênus com
o ano terrestre, ou ainda a construção de um quadro que
previa a visibilidade dos eclipses solares são, em si,
conteúdos científicos.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 8
2. Duas questões sobre a falibilidade das ciências
i. A refutabilidade: as hipóteses comportam núcleos
metafísicos. Ex.: Resultado negativo das experiências
de Albert Michelson e Edward W. Morly levaram
Einstein a admitir a constância da velocodade da luz e
a mudar o conceito de tempo da mecânica newtoniana.
O exemplo mostra que a hipótese tem de ser testada e
retestada. O que se confronta com a experiência é o
conjunto da teoria; o que inclui a parte da teoria que
permite construir instrumentos.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 9
Ponto de vista REALISTA para
definir a ciência
Axioma da orientação realista:
As ciências são FENÔMENOS SOCIAIS que existem e
podem ser objeto de análises muito diferentes
em seus pontos de vista e em suas finalidades.
Como fenômenos, têm 3 componentes:
1. Teórico: conceitos, procedimentos observáveis,
resultados;
2. Sociológico: fomação e organização de mão de obra
científica, sociedade de especialistas, órgãos de
difusão;
3. Prático: tipos de finalidades a que se propõem os
investigadores ao construir os conhecimentos
científicos.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 10
 As ciências pressupõem uma representação, isto é,
elaboram conceitos que podem ser construídos em razão
de diferentes propósitos, segundo o modelo dominante
que lhes damos.
 Desde o século XVIII o conceito de ciência segue o
protótipo do modelo da física matemática e não é sempre
assim.
 A epistemologia deve ser DESCRITIVA e explicar em que
consiste a natureza de uma ciência dada e como ela se
desenvolve.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 11
 Toda ciência se define por uma história; a história é,
então, a primeira vertente da epistemologia.
A epistemologia possui uma VERTENTE NORMATIVA que
corresponde à preocupação tradicional da filosofia das
ciências quando ela trata das metodologias.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 12
AS DISCUSSÕES DO LIVRO E SEU OBJETO: o estudo
contemporâneo das ciências da linguagem e as asserções
que se pode fazer sobre sua natureza e seus métodos.
Essas discussões sobre um conhecimento empírico do que
foram as ciências da linguagem no longo termo. Há 2
razões:
 os fatos importam às normas: uma proposição factual
pode mudar as deduções de um raciocínio normativo;
 não há verdadeiro princípio de demarcação entre
diferentes orientações da epistemologia, não mais que
entre epistemologia e a ciência que é seu objeto.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 13
A concepção minimalista das
ciências da linguagem
 O saber linguístico: múltiplo e de natureza ambígua.
1. EPILINGUÍSTICO: não possui representação; natureza
pouco clara tese substancialista.
2. METALINGUÍSTICO: simbólico.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 14
Ciências da linguagem
 Fenômeno social cuja aparição é passível de ser
empiricamente reconhecida.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 15
Datação: virada do III para o II milênio para os
povos bilingues sumérios /acádios
Provas empíricas: um QUADRO de paradigma de
flexão/declinação verbal.
Escrita: tecnologia material externa
bidimensionalidade do quadro.
 Por substituição, os paradigmas são equivalentes a um
conjunto de regras e podem, em si, ter função de
gramática.
 Ao mesmo tempo que os paradigmas, apareceram os
primeiros elementos de uma metalinguagem gramatical,
ou seja, os PRIMEIROS TERMOS TEÓRICOS DAS CIÊNCIAS DA
LINGUAGEM.
 Assim que isso constituiu um corpo de doutrina o saber
linguístico logo compôs a GRAMÁTICA.
 Sentido do termo GRAMÁTICA:
1. categorização de unidades;
2. presença de exemplos;
3. Existência de regras mais ou menos explícitas para
construir enunciados (os exemplos colhidos fazem as
vezes dos enunciados).
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 16
OBSERVAÇÃO:
− As listas de paradigmas completos não fazem parte das gramáticas
greco-latinas clássicas, sua aparição está ligada à pedagogia das
línguas.
− CATEGORIZAÇÃO
 A categorização de unidades supõe:
o termos teóricos;
o fragmentação da cadeia falada.
A fragmentação é uma representação teórica da língua (suscetível de
ser verdadeira ou falsa) e não é independente da categorização
(recortar implica classificar).
− TERMOS TEÓRICOS
o partes do discurso, suas definições, suas propriedades.
 A tradição ocidental revela surpreendente longevidade dos termos
teóricos da gramática (“verbo”, “artigo” etc.).
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 17
− A ESTABILIDADE DOS EXEMPLOS
 A constituição de um corpo de exemplos é elemento
decisivo para a gramatização de uma língua e é:
o núcleo da língua normalizada;
o testemunho de uma realidade linguística;
o substituto de certas regras faltantes;
o contraexemplos a regras e à descrição morfológica;
o motivo de novas descrições.
OBSERVAÇÃO:
− As gramáticas tiveram estilos diferentes.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 18
O processo da gramatização
• gramáticas
• dicionários
Revolução
tecnológica
• mudança na ecologia
da comunicação
humana
Consequências
teóricas • comparação das
línguas
• estudo da história das
línguas
Nova revolução
tecnológica
• matematização da
gramática
• automatização
progressiva do
tratamento da
linguagem natural
Objetivo: refletir sobre os
pressupostos teóricos dessa
revolução.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 19
 O realismo epistemológico que impõe ser essa longa
tradição trilhada por descobertas e incontestáveis
conquistas técnicas constitui a única realidade das
ciências da linguagem da qual deve partir toda análise.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 20
IV. O caráter empírico da linguagem
1. Os princípios de classificação; a multiplicidade de
pontos de vista; a criteriologia classificatória
 Classificação: atribuição de propriedades ou conjunção
de propriedades exclusivas.
PRIMEIRAS CLASSIFICAÇÕES
 Aristóteles e as disciplinas:
i. Teóricas
ii. Poéticas (ciências da produção)
iii. Práticas (ciências da ação)
 Critério ontológico. Classificação superada.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 21
 Persistência do critério ontológico:
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 22
• Matéria inerte - Física
• Matéria viva - Biologia
Ciências
da
natureza
• Homem - Psicologia
• Homem – Sociologia
Ciências
do
homem
Protótipos:
Fisiologia : C. Bernard, Introduction à l’étude de la médicine
experimentale – ciências experimentais
Matemática: c. hipótético-dedutivas.
 Outros critérios:
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 23
• Razão
• Memória
• Imaginação
Faculdades
humanas
• Teoremática (c. das leis)
• História (c. dos fatos)
• Canônica (c. das regras
ideais d e realização)
Questões
(que é
possível?
real? bom?)
 Outros critérios:
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 24
• Dedução (c. dedutivas)
• Indução (c. experimentais)
• Interpretação (c. hermenêuticas)
• Introspecção (c. psicológicas)
Aspectos
metodológicos
(acéscimo
desses
aspectos a
partir do séc.
XIX)
A hermenêutica
Protocolo
[l] Sejam Sc o sujeito que constrói o conhecimento, Oc seu
objeto e Pi uma propriedade. A asserção por Sc de Pi (Oc) possui
duas condições prévias:
(i) Pi (Sc) foi/é verdadeira;
(ii) Sc sabe que (i)
Bem entendido, essas duas condições são perfeitamente
preenchidas se:
[l’] (i) Pi corresponde a um “estado intencional” (por ex. a dor) do
sujeito humano;
(ii) Oc é ele mesmo um sujeito humano;
(iii) Admite-se a hipótese de que os estados intencionais são os
mesmos para todos os homens.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 25
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 26
Ciências
Humanas
Compreensão
Ciências da
natureza
Explicação
Uma trivialidade = as ações humanas
resultam de intenções.
Uma redução abusiva = os eventos
intencionais constituem ordem de
realidade autônoma, suscetível de ser
base para compreender as ações
humanas, que seriam totalmente
inaplicáveis de TÉCNICAS gerais como a
dedução, a estatística e o raciocínio
causal.
Esse entendimento revela:
A causalidade
Oposição
CIÊNCIAS NOMOLÓGICAS x CIÊNCIAS QUE DESCREVEM AS
RELAÇÕES CAUSAIS
Relação de causalidade = relação entre 2 eventos (A e B),
sendo um CAUSA e outro EFEITO.
Axiomas:
1. Não há efeito sem causa;
2. As mesmas causas têm os mesmos efeitos.
3. O efeito não pode preceder sua causa no tempo; diante
disso, fica excluída a possibilidade de que um evento
futuro possa explicar um evento presente.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 27
De 1 e 2 deduz-se que:
→ se A e B exemplificam uma relação de causalidade
→ se A se apresenta, então, B se apresenta (causalidade
suficiente)
→ se B ocorre, então, A ocorreu (causalidade necessária)
√ A causalidade suficiente, mas não necessária, deixa entender
que para o mesmo efeito há muitas causas possíveis disjuntas.
√ A causalidade necessária, mas não suficiente, implica que a
produção do efeito supõe o conjunto de muitas causas.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 28
[2 iv] condição INUS
→ sejam A e B dois eventos compostos, tais que A é
suficiente, mas não necessário à produção de B; um fator
que compõe A, seja Fa, necessário, mas não suficiente
para a produção de A, é dito condição INUS para B.
Importância epistemológica da condição INUS : relação
suficiente para uma causa. Se a relação causal não
corresponde a uma regularidade, mesmo estatística, trata-
se de uma singularidade, raciocínio encontrado a posteriori
(entrevistas policiais, história, incluída a história das
línguas).
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 29
 A relação de causalidade pode se formalizar, mas ela
não é simplesmente uma estrutura abstrata como se
pode conceber ser a lógica formal.
Ela é uma representação geral da maneira pela qual as
coisas se passam no mundo, por consequência ela é
estreitamente dependente de uma ontologia.
Uma disciplina empírica que utiliza as relações de
causalidade é ipso facto concebida como uma disciplina
empírica.
Está longe de ser evidente que as relações causais
desempenham papel importante nas ciências da
linguagem.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 30
As disciplinas formais
1. O valor de verdade não depende de relação com os
fenômenos.
2. O realismo epistemológico contra a fraqueza da lógica
classificatória
 confusão quanto à classificação das ciências;
 indispensável vislumbrar as ciências com base em suas
propriedade globais;
 é possível cruzar propriedades das disciplinas: propriedades
ontológicas e metodológicas;
 realismo epistemológico: abordar as características de uma
disciplina por suas propriedades atestadas.
 o ponto essencial é considerar características homogêneas de
traços (além de validação, ontologia e técnicas de
investigação) definindo a cada vez as dimensões de um
espaço no qual podemos projetar as disciplinas;
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 31
O tetraedro da validação
 A aplicação do tetraedro permite saber se a disciplina X
tem ou não a propriedade P = se é empírica.
 Qualquer que seja a disciplina, ela recebe propriedades
epistemológicas particulares em razão do modo de
VALIDAÇÃO DO CONHECIMENTO.
 Perguntas: o que é verdadeiro e falso em nossas
asserções? Que temos de fazer para assegurar o valor
de verdade de uma proposição que veicula um conteúdo
do conhecimento? Desse ponto de vista, é possível
distinguir 4 tipos de proposições:
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 32
Proposições
1. Um TEOREMA é uma proposição (“p ou não –p”) cujo
valor de verdade depende somente de ser uma
expressão bem formada de um sistema dado, obtida a
partir dos axiomas e das regras de dedução admitidos.
O problema de ter ou não relação com o mundo real é
secundário.
2. Uma REGRA é uma prescrição (“É proibido fumar”) e não
tem sentido se perguntar se ela é verdadeira ou falsa.
Ela não diz o que é, mas o que deve ser. Não tem
necessidade de ser deduzida: sua asserção é
suficiente.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 33
Proposições
1. Um FATO é asserção não universal (“Napoleão venceu
Waterloo”), cujo valor de verdade depende da existência ou
não do que ele afirma. Geralmente, designa-se “fato” a
referência de tais asserções, melhor seria dizer “enunciado
factual”. Um dos traços idiossincráticos das ciências da
linguagem é que pode não haver diferença real entre um
fato e a expressão que o significa, porque uma expressão
linguística é suscetível de ser seu próprio nome (autonímia).
2. Uma LEI é uma asserção universal. Geralmente, as lei são
expressas sob a forma de funções analíticas de variáveis
reais, mas não se trata de uma obrigação e são
consideradas leis dos enunciados universais que conectam
puramente propriedades qualitativas (Todos os mamíferos
são vivíparos).
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 34
Tetraedro de validação
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 35
1- Teorema
4 - Fato2- Regra
3- Lei
1- Formal 3- Nomológico
2- Normativo 4- Histórico
 Estudar o caráter “empírico” da línguística não é definir
ou “classificá-la” entre todas as ciências, é explorar o
modo pelo qual se pode situar suas coordenadas no
ângulo 3-4. Isso não quer dizer que todas a suas
coordenadas devam se reduzir a um ponto sobre esse
ângulo.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 36
O objeto empírico
 Definição ontológica do objeto empírico:
[3] O objeto empírico deve ser:
i. externo ao sujeito cognoscente;
ii. Independente do dispositivo cognitivo.
[3´] O objeto empírico possui, vis-à-vis ao sujeito do
conhecimento, o estatuto de “dado”.
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 37
Definir Traços
comuns entre os
objetos empíricos
e os formais
Definir Traços
comuns entre os
objetos empíricos
e os formais
[3] iii. O objeto empírico é necessariamente uma entidade
temporal.
[3´´] O objeto empírico deve:
i. ser acessível por protocolos definidos e revogáveis por
qualquer um.
ii. Existir independentemente do dispositivo cognitivo
09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 38

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Aula 9 sedis filosofia da ciencia
Aula 9 sedis  filosofia da cienciaAula 9 sedis  filosofia da ciencia
Aula 9 sedis filosofia da cienciaDaliane Nascimento
 
Slides da aula de Biologia (Renato) sobre Método Científico
Slides da aula de Biologia (Renato) sobre Método CientíficoSlides da aula de Biologia (Renato) sobre Método Científico
Slides da aula de Biologia (Renato) sobre Método CientíficoTurma Olímpica
 
A ciência histórica
A ciência históricaA ciência histórica
A ciência históricacattonia
 
As concepções modernas de ciência
As concepções modernas de ciênciaAs concepções modernas de ciência
As concepções modernas de ciênciabvalleh
 
A ciência na história CHAUÍ_ Pedagogia- Camila Aparecida, Anderson e Thais
A ciência na história CHAUÍ_ Pedagogia- Camila Aparecida, Anderson e Thais A ciência na história CHAUÍ_ Pedagogia- Camila Aparecida, Anderson e Thais
A ciência na história CHAUÍ_ Pedagogia- Camila Aparecida, Anderson e Thais camila07uemg
 
A revolução científica do século xvii
A revolução científica do século xviiA revolução científica do século xvii
A revolução científica do século xviiAlan
 
Breve História da Ciência
Breve História da CiênciaBreve História da Ciência
Breve História da CiênciaGonçalo Ferraz
 
Aula 6º ano - Introdução às ciências, método científico, ciências e senso comum
Aula 6º ano - Introdução às ciências, método científico, ciências e senso comumAula 6º ano - Introdução às ciências, método científico, ciências e senso comum
Aula 6º ano - Introdução às ciências, método científico, ciências e senso comumLeonardo Kaplan
 
Ciência e senso comum (1).ppt
Ciência e senso comum (1).pptCiência e senso comum (1).ppt
Ciência e senso comum (1).pptAlex Silva
 
Trabalho metodologia
Trabalho metodologia Trabalho metodologia
Trabalho metodologia tamirisgrupo3
 
CONHECIMENTO CIENTÍFICO
CONHECIMENTO CIENTÍFICOCONHECIMENTO CIENTÍFICO
CONHECIMENTO CIENTÍFICONet Viva
 

Mais procurados (18)

Folder xiii
Folder xiiiFolder xiii
Folder xiii
 
Aula 9 sedis filosofia da ciencia
Aula 9 sedis  filosofia da cienciaAula 9 sedis  filosofia da ciencia
Aula 9 sedis filosofia da ciencia
 
Ciência - conceitos iniciais
Ciência - conceitos iniciaisCiência - conceitos iniciais
Ciência - conceitos iniciais
 
Slides da aula de Biologia (Renato) sobre Método Científico
Slides da aula de Biologia (Renato) sobre Método CientíficoSlides da aula de Biologia (Renato) sobre Método Científico
Slides da aula de Biologia (Renato) sobre Método Científico
 
A ciência histórica
A ciência históricaA ciência histórica
A ciência histórica
 
Método científico
Método científicoMétodo científico
Método científico
 
As concepções modernas de ciência
As concepções modernas de ciênciaAs concepções modernas de ciência
As concepções modernas de ciência
 
A ciência na história CHAUÍ_ Pedagogia- Camila Aparecida, Anderson e Thais
A ciência na história CHAUÍ_ Pedagogia- Camila Aparecida, Anderson e Thais A ciência na história CHAUÍ_ Pedagogia- Camila Aparecida, Anderson e Thais
A ciência na história CHAUÍ_ Pedagogia- Camila Aparecida, Anderson e Thais
 
A revolução científica do século xvii
A revolução científica do século xviiA revolução científica do século xvii
A revolução científica do século xvii
 
Breve História da Ciência
Breve História da CiênciaBreve História da Ciência
Breve História da Ciência
 
Aula 6º ano - Introdução às ciências, método científico, ciências e senso comum
Aula 6º ano - Introdução às ciências, método científico, ciências e senso comumAula 6º ano - Introdução às ciências, método científico, ciências e senso comum
Aula 6º ano - Introdução às ciências, método científico, ciências e senso comum
 
O que é e o que não é ciência,
O que é e o que não é ciência,O que é e o que não é ciência,
O que é e o que não é ciência,
 
Ciência e senso comum (1).ppt
Ciência e senso comum (1).pptCiência e senso comum (1).ppt
Ciência e senso comum (1).ppt
 
V dfilo cap8p_instrumento_pensar_logica
V dfilo cap8p_instrumento_pensar_logicaV dfilo cap8p_instrumento_pensar_logica
V dfilo cap8p_instrumento_pensar_logica
 
Trabalho metodologia
Trabalho metodologia Trabalho metodologia
Trabalho metodologia
 
Filosofia 3º bi
Filosofia 3º biFilosofia 3º bi
Filosofia 3º bi
 
CONHECIMENTO CIENTÍFICO
CONHECIMENTO CIENTÍFICOCONHECIMENTO CIENTÍFICO
CONHECIMENTO CIENTÍFICO
 
V dfilo cap01_introducao
V dfilo cap01_introducaoV dfilo cap01_introducao
V dfilo cap01_introducao
 

Semelhante a Ciência linguística e epistemologia

Fichamento do texto
Fichamento do texto Fichamento do texto
Fichamento do texto pibidsociais
 
Apresentaçãopesquisafilosóficaehistórica
ApresentaçãopesquisafilosóficaehistóricaApresentaçãopesquisafilosóficaehistórica
ApresentaçãopesquisafilosóficaehistóricaJorge Dantas Junior
 
Relatório final prática de pesquisa
Relatório final prática de pesquisaRelatório final prática de pesquisa
Relatório final prática de pesquisaBruna Kloppel
 
Metodologia das Ciencias Sociais e das Ciencias de Administracao, Prof. Douto...
Metodologia das Ciencias Sociais e das Ciencias de Administracao, Prof. Douto...Metodologia das Ciencias Sociais e das Ciencias de Administracao, Prof. Douto...
Metodologia das Ciencias Sociais e das Ciencias de Administracao, Prof. Douto...A. Rui Teixeira Santos
 
Resenhacrtica modelo-111108071011-phpapp02
Resenhacrtica modelo-111108071011-phpapp02Resenhacrtica modelo-111108071011-phpapp02
Resenhacrtica modelo-111108071011-phpapp02willian pereira
 
Fichamento do texto aline
Fichamento do texto alineFichamento do texto aline
Fichamento do texto alinepibidsociais
 
Do mito à análise documentária
Do mito à análise documentária  Do mito à análise documentária
Do mito à análise documentária michelleditomaso
 
Conceitos, classes ou universais: com o que é que se constrói uma ontologia?
Conceitos, classes ou universais: com o que é que se constrói uma ontologia?Conceitos, classes ou universais: com o que é que se constrói uma ontologia?
Conceitos, classes ou universais: com o que é que se constrói uma ontologia?Patrícia Cunha França
 
Resenha crítica modelo
Resenha crítica   modeloResenha crítica   modelo
Resenha crítica modelotaise_paz
 
Carneiro&alvares 29062019 artigo
Carneiro&alvares 29062019   artigoCarneiro&alvares 29062019   artigo
Carneiro&alvares 29062019 artigoAnaCristinaCarneirod
 
O papel da experimentação no Ensino de Ciências
O papel da experimentação no Ensino de CiênciasO papel da experimentação no Ensino de Ciências
O papel da experimentação no Ensino de Ciênciasblogplec
 
Ciência,epistemologia e pesquisa educacional
Ciência,epistemologia e pesquisa educacionalCiência,epistemologia e pesquisa educacional
Ciência,epistemologia e pesquisa educacionalThiago De Melo Martins
 
O estudo cientifico da aprendizagem
O estudo cientifico da aprendizagemO estudo cientifico da aprendizagem
O estudo cientifico da aprendizagemQuitriaSilva2
 
O ARTIGO CIENTÍFICO - Gêneros Acadêmicos!
O ARTIGO CIENTÍFICO - Gêneros Acadêmicos!O ARTIGO CIENTÍFICO - Gêneros Acadêmicos!
O ARTIGO CIENTÍFICO - Gêneros Acadêmicos!FrancineliLara
 
Métodos de Investigação e Escrita Científica
Métodos de Investigação e Escrita CientíficaMétodos de Investigação e Escrita Científica
Métodos de Investigação e Escrita Científicaviviprof
 

Semelhante a Ciência linguística e epistemologia (20)

Fichamento - Eunice
Fichamento - EuniceFichamento - Eunice
Fichamento - Eunice
 
Fichamento do texto
Fichamento do texto Fichamento do texto
Fichamento do texto
 
Apresentaçãopesquisafilosóficaehistórica
ApresentaçãopesquisafilosóficaehistóricaApresentaçãopesquisafilosóficaehistórica
Apresentaçãopesquisafilosóficaehistórica
 
Relatório final prática de pesquisa
Relatório final prática de pesquisaRelatório final prática de pesquisa
Relatório final prática de pesquisa
 
document-7.pdf
document-7.pdfdocument-7.pdf
document-7.pdf
 
Metodologia das Ciencias Sociais e das Ciencias de Administracao, Prof. Douto...
Metodologia das Ciencias Sociais e das Ciencias de Administracao, Prof. Douto...Metodologia das Ciencias Sociais e das Ciencias de Administracao, Prof. Douto...
Metodologia das Ciencias Sociais e das Ciencias de Administracao, Prof. Douto...
 
Resenhacrtica modelo-111108071011-phpapp02
Resenhacrtica modelo-111108071011-phpapp02Resenhacrtica modelo-111108071011-phpapp02
Resenhacrtica modelo-111108071011-phpapp02
 
Fichamento do texto aline
Fichamento do texto alineFichamento do texto aline
Fichamento do texto aline
 
Do mito à análise documentária
Do mito à análise documentária  Do mito à análise documentária
Do mito à análise documentária
 
Conceitos, classes ou universais: com o que é que se constrói uma ontologia?
Conceitos, classes ou universais: com o que é que se constrói uma ontologia?Conceitos, classes ou universais: com o que é que se constrói uma ontologia?
Conceitos, classes ou universais: com o que é que se constrói uma ontologia?
 
Resenha crítica modelo
Resenha crítica   modeloResenha crítica   modelo
Resenha crítica modelo
 
Carneiro&alvares 29062019 artigo
Carneiro&alvares 29062019   artigoCarneiro&alvares 29062019   artigo
Carneiro&alvares 29062019 artigo
 
Met. Cientifica
Met. CientificaMet. Cientifica
Met. Cientifica
 
O papel da experimentação no Ensino de Ciências
O papel da experimentação no Ensino de CiênciasO papel da experimentação no Ensino de Ciências
O papel da experimentação no Ensino de Ciências
 
Ciência,epistemologia e pesquisa educacional
Ciência,epistemologia e pesquisa educacionalCiência,epistemologia e pesquisa educacional
Ciência,epistemologia e pesquisa educacional
 
O estudo cientifico da aprendizagem
O estudo cientifico da aprendizagemO estudo cientifico da aprendizagem
O estudo cientifico da aprendizagem
 
O ARTIGO CIENTÍFICO - Gêneros Acadêmicos!
O ARTIGO CIENTÍFICO - Gêneros Acadêmicos!O ARTIGO CIENTÍFICO - Gêneros Acadêmicos!
O ARTIGO CIENTÍFICO - Gêneros Acadêmicos!
 
Métodos de Investigação e Escrita Científica
Métodos de Investigação e Escrita CientíficaMétodos de Investigação e Escrita Científica
Métodos de Investigação e Escrita Científica
 
Aula1arquivoalunos
Aula1arquivoalunosAula1arquivoalunos
Aula1arquivoalunos
 
Miec
MiecMiec
Miec
 

Mais de MarliQLeite

Marli Quadros Leite Memorial
Marli Quadros Leite MemorialMarli Quadros Leite Memorial
Marli Quadros Leite MemorialMarliQLeite
 
Memorial Marli Quadros Leite
Memorial Marli Quadros LeiteMemorial Marli Quadros Leite
Memorial Marli Quadros LeiteMarliQLeite
 
Metalinguagem greco latina [v2]
Metalinguagem greco latina [v2]Metalinguagem greco latina [v2]
Metalinguagem greco latina [v2]MarliQLeite
 
O fazer historiográfico
O fazer historiográficoO fazer historiográfico
O fazer historiográficoMarliQLeite
 
Principais obras de aristóteles
Principais obras de aristótelesPrincipais obras de aristóteles
Principais obras de aristótelesMarliQLeite
 
O teeteto episteme
O teeteto  epistemeO teeteto  episteme
O teeteto epistemeMarliQLeite
 
Conhecimento no crátilo
Conhecimento no crátiloConhecimento no crátilo
Conhecimento no crátiloMarliQLeite
 
Aristóteles e o conhecimento
Aristóteles e o conhecimentoAristóteles e o conhecimento
Aristóteles e o conhecimentoMarliQLeite
 

Mais de MarliQLeite (8)

Marli Quadros Leite Memorial
Marli Quadros Leite MemorialMarli Quadros Leite Memorial
Marli Quadros Leite Memorial
 
Memorial Marli Quadros Leite
Memorial Marli Quadros LeiteMemorial Marli Quadros Leite
Memorial Marli Quadros Leite
 
Metalinguagem greco latina [v2]
Metalinguagem greco latina [v2]Metalinguagem greco latina [v2]
Metalinguagem greco latina [v2]
 
O fazer historiográfico
O fazer historiográficoO fazer historiográfico
O fazer historiográfico
 
Principais obras de aristóteles
Principais obras de aristótelesPrincipais obras de aristóteles
Principais obras de aristóteles
 
O teeteto episteme
O teeteto  epistemeO teeteto  episteme
O teeteto episteme
 
Conhecimento no crátilo
Conhecimento no crátiloConhecimento no crátilo
Conhecimento no crátilo
 
Aristóteles e o conhecimento
Aristóteles e o conhecimentoAristóteles e o conhecimento
Aristóteles e o conhecimento
 

Último

Modernidade perspectiva sobre a África e América
Modernidade perspectiva sobre a África e AméricaModernidade perspectiva sobre a África e América
Modernidade perspectiva sobre a África e Américawilson778875
 
Gametogênese, formação dos gametas masculino e feminino
Gametogênese, formação dos gametas masculino e femininoGametogênese, formação dos gametas masculino e feminino
Gametogênese, formação dos gametas masculino e femininoCelianeOliveira8
 
atividades diversas 1° ano alfabetização
atividades diversas 1° ano alfabetizaçãoatividades diversas 1° ano alfabetização
atividades diversas 1° ano alfabetizaçãodanielagracia9
 
Free-Netflix-PowerPoint-Template-pptheme-1.pptx
Free-Netflix-PowerPoint-Template-pptheme-1.pptxFree-Netflix-PowerPoint-Template-pptheme-1.pptx
Free-Netflix-PowerPoint-Template-pptheme-1.pptxkarinasantiago54
 
Livro de bio celular e molecular Junqueira e Carneiro.pdf
Livro de bio celular e molecular Junqueira e Carneiro.pdfLivro de bio celular e molecular Junqueira e Carneiro.pdf
Livro de bio celular e molecular Junqueira e Carneiro.pdfRafaela Vieira
 
Ler e compreender 7º ano - Aula 7 - 1º Bimestre
Ler e compreender 7º ano -  Aula 7 - 1º BimestreLer e compreender 7º ano -  Aula 7 - 1º Bimestre
Ler e compreender 7º ano - Aula 7 - 1º BimestreProfaCintiaDosSantos
 
Ser Mãe Atípica, uma jornada de amor e aceitação
Ser Mãe Atípica, uma jornada de amor e aceitaçãoSer Mãe Atípica, uma jornada de amor e aceitação
Ser Mãe Atípica, uma jornada de amor e aceitaçãoJayaneSales1
 
v19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb
v19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbv19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb
v19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbyasminlarissa371
 
Poema em homenagem a Escola Santa Maria, pelos seus 37 anos.
Poema em homenagem a Escola Santa Maria, pelos seus 37 anos.Poema em homenagem a Escola Santa Maria, pelos seus 37 anos.
Poema em homenagem a Escola Santa Maria, pelos seus 37 anos.Mary Alvarenga
 
Com base no excerto acima, escreva um texto explicando como a estrutura socia...
Com base no excerto acima, escreva um texto explicando como a estrutura socia...Com base no excerto acima, escreva um texto explicando como a estrutura socia...
Com base no excerto acima, escreva um texto explicando como a estrutura socia...azulassessoria9
 
Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...
Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...
Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...nexocan937
 
NOVA ORDEM MUNDIAL - Conceitos básicos na NOM
NOVA ORDEM MUNDIAL - Conceitos básicos na NOMNOVA ORDEM MUNDIAL - Conceitos básicos na NOM
NOVA ORDEM MUNDIAL - Conceitos básicos na NOMHenrique Pontes
 
Simulado com textos curtos e tirinhas spaece
Simulado com textos curtos e tirinhas spaeceSimulado com textos curtos e tirinhas spaece
Simulado com textos curtos e tirinhas spaeceRonisHolanda
 
A alimentação na Idade Média era um mosaico de contrastes. Para a elite, banq...
A alimentação na Idade Média era um mosaico de contrastes. Para a elite, banq...A alimentação na Idade Média era um mosaico de contrastes. Para a elite, banq...
A alimentação na Idade Média era um mosaico de contrastes. Para a elite, banq...azulassessoria9
 
EVANGELISMO É MISSÕES ATUALIZADO 2024.pptx
EVANGELISMO É MISSÕES ATUALIZADO 2024.pptxEVANGELISMO É MISSÕES ATUALIZADO 2024.pptx
EVANGELISMO É MISSÕES ATUALIZADO 2024.pptxHenriqueLuciano2
 
Jogo de Revisão Primeira Série (Primeiro Trimestre)
Jogo de Revisão Primeira  Série (Primeiro Trimestre)Jogo de Revisão Primeira  Série (Primeiro Trimestre)
Jogo de Revisão Primeira Série (Primeiro Trimestre)Paula Meyer Piagentini
 
A Unidade de Espiritualidade Eudista se une ao sentimiento de toda a igreja u...
A Unidade de Espiritualidade Eudista se une ao sentimiento de toda a igreja u...A Unidade de Espiritualidade Eudista se une ao sentimiento de toda a igreja u...
A Unidade de Espiritualidade Eudista se une ao sentimiento de toda a igreja u...Unidad de Espiritualidad Eudista
 
Slides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptx
Slides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptxSlides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptx
Slides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptxLuizHenriquedeAlmeid6
 

Último (20)

Modernidade perspectiva sobre a África e América
Modernidade perspectiva sobre a África e AméricaModernidade perspectiva sobre a África e América
Modernidade perspectiva sobre a África e América
 
Gametogênese, formação dos gametas masculino e feminino
Gametogênese, formação dos gametas masculino e femininoGametogênese, formação dos gametas masculino e feminino
Gametogênese, formação dos gametas masculino e feminino
 
atividades diversas 1° ano alfabetização
atividades diversas 1° ano alfabetizaçãoatividades diversas 1° ano alfabetização
atividades diversas 1° ano alfabetização
 
Free-Netflix-PowerPoint-Template-pptheme-1.pptx
Free-Netflix-PowerPoint-Template-pptheme-1.pptxFree-Netflix-PowerPoint-Template-pptheme-1.pptx
Free-Netflix-PowerPoint-Template-pptheme-1.pptx
 
Livro de bio celular e molecular Junqueira e Carneiro.pdf
Livro de bio celular e molecular Junqueira e Carneiro.pdfLivro de bio celular e molecular Junqueira e Carneiro.pdf
Livro de bio celular e molecular Junqueira e Carneiro.pdf
 
Ler e compreender 7º ano - Aula 7 - 1º Bimestre
Ler e compreender 7º ano -  Aula 7 - 1º BimestreLer e compreender 7º ano -  Aula 7 - 1º Bimestre
Ler e compreender 7º ano - Aula 7 - 1º Bimestre
 
Ser Mãe Atípica, uma jornada de amor e aceitação
Ser Mãe Atípica, uma jornada de amor e aceitaçãoSer Mãe Atípica, uma jornada de amor e aceitação
Ser Mãe Atípica, uma jornada de amor e aceitação
 
Os Ratos - Dyonelio Machado FUVEST 2025
Os Ratos  -  Dyonelio Machado  FUVEST 2025Os Ratos  -  Dyonelio Machado  FUVEST 2025
Os Ratos - Dyonelio Machado FUVEST 2025
 
v19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb
v19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbv19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb
v19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb
 
Poema em homenagem a Escola Santa Maria, pelos seus 37 anos.
Poema em homenagem a Escola Santa Maria, pelos seus 37 anos.Poema em homenagem a Escola Santa Maria, pelos seus 37 anos.
Poema em homenagem a Escola Santa Maria, pelos seus 37 anos.
 
Com base no excerto acima, escreva um texto explicando como a estrutura socia...
Com base no excerto acima, escreva um texto explicando como a estrutura socia...Com base no excerto acima, escreva um texto explicando como a estrutura socia...
Com base no excerto acima, escreva um texto explicando como a estrutura socia...
 
Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...
Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...
Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...
 
NOVA ORDEM MUNDIAL - Conceitos básicos na NOM
NOVA ORDEM MUNDIAL - Conceitos básicos na NOMNOVA ORDEM MUNDIAL - Conceitos básicos na NOM
NOVA ORDEM MUNDIAL - Conceitos básicos na NOM
 
Simulado com textos curtos e tirinhas spaece
Simulado com textos curtos e tirinhas spaeceSimulado com textos curtos e tirinhas spaece
Simulado com textos curtos e tirinhas spaece
 
A alimentação na Idade Média era um mosaico de contrastes. Para a elite, banq...
A alimentação na Idade Média era um mosaico de contrastes. Para a elite, banq...A alimentação na Idade Média era um mosaico de contrastes. Para a elite, banq...
A alimentação na Idade Média era um mosaico de contrastes. Para a elite, banq...
 
EVANGELISMO É MISSÕES ATUALIZADO 2024.pptx
EVANGELISMO É MISSÕES ATUALIZADO 2024.pptxEVANGELISMO É MISSÕES ATUALIZADO 2024.pptx
EVANGELISMO É MISSÕES ATUALIZADO 2024.pptx
 
MANEJO INTEGRADO DE DOENÇAS (MID)
MANEJO INTEGRADO DE DOENÇAS (MID)MANEJO INTEGRADO DE DOENÇAS (MID)
MANEJO INTEGRADO DE DOENÇAS (MID)
 
Jogo de Revisão Primeira Série (Primeiro Trimestre)
Jogo de Revisão Primeira  Série (Primeiro Trimestre)Jogo de Revisão Primeira  Série (Primeiro Trimestre)
Jogo de Revisão Primeira Série (Primeiro Trimestre)
 
A Unidade de Espiritualidade Eudista se une ao sentimiento de toda a igreja u...
A Unidade de Espiritualidade Eudista se une ao sentimiento de toda a igreja u...A Unidade de Espiritualidade Eudista se une ao sentimiento de toda a igreja u...
A Unidade de Espiritualidade Eudista se une ao sentimiento de toda a igreja u...
 
Slides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptx
Slides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptxSlides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptx
Slides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptx
 

Ciência linguística e epistemologia

  • 1. DESIGNAÇÃO DE CAMPO Ciência e epistemologia (3): alguns conceitos Prof.ª Dr.ª Marli Quadros Leite
  • 2. I. A razão, a linguagem e as normas 1. O livro AUROUX, Sylvain (1998). La raison, le langage et les normes. Paris : PUF, p. 3-14;127-175.  pergunta: o modelo computacional explica o comportamento linguístico humano?  o objeto do livro: crítica do racionalismo 2. Nova versão do empirismo: empirismo externalista ou externalismo; teoria da ciência. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 2
  • 3. II. As teses do racionalismo em discussão i. Há uma distinção de natureza entre os DADOS (dados sensíveis - o que Russell denominava sense data, e o empirismo clássico a sensation - informações, elementos memorizados etc.) e os PROCEDIMENTOS DE TRATAMENTO desses mesmos dados. ii. O fenômeno cognitivo (seu funcionamento, como sua explicação) originado do indivíduo, ou ainda, o conhecimento é localizado no indivíduo. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 3
  • 4. Análise (1)  Preconceito em (i) : memória (dados) não é inteligência (procedimento). 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 4 X X LÉXICO AQUISIÇÃO INEÍSMO SINTAXE X MATÉRIA FORMA DE CONHECIMENTO OPOSIÇÃO MEMÓRIA PROCEDIMENTO linguagem filosofia
  • 5. Análise (3) Vê-se que (ii) permite reduzir a teoria do conhecimento àquela das atividades de um sujeito. Oposição: existem estruturas cognitivas externas ao indivíduo. Há uma história cultural, social e material dos procedimentos cognitivos; a inteligência é externa e artificial. O que se pode opor ao racionalismo é o fato que o conhecimento é um processo ao mesmo tempo material, social, coletivo, jamais limitado, fechado, preservado ou produzido por competências individuais que não lhe concernem senão nos momentos de fragilidade. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 5
  • 6. Análise (4)  Teorias do conhecimento exageram quando falam de um pré-requisito que há na mente dos indivíduos, como a raiz das capacidades cognitivas, MAS o homem é uma estrutura biológica que interage com o ambiente e outros corpos.  O fenômeno fundamental é a constituição de instrumentos, o que implica a instrumentalização tanto do ambiente quanto do próprio corpo. Erra-se ao atribuir importância exagerada à interioridade.  Ex.: A capacidade de calcular não começou simplesmente na cabeça do homem, ela não teria acontecido sem a manipulação de objetos externos (pedras, ábaco etc.) . 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 6
  • 7. Análise (5) As hipóteses fundamentais do externalismo são as de que a INTELIGÊNCIA é originariamente um artifício e que suas manifestações são dependentes de instrumentos externos. A inteligência do homem é de algum modo uma certa organização do mundo, do qual os homens são uma parte. O que não impede que se possa internalizar certos procedimentos, adquirindo certos sistemas simbólicos (cf. o cálculo mental). Nem tudo está na cabeça, mas pode haver nela muitas coisas. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 7
  • 8. III. Concepção empirista e epistemologia 1. A pedra de toque do racionalismo, de Platão a Kant, é a TEORIA DA CIÊNCIA. 2. No Ocidente, essa concepção foi reduzida a um CONJUNTO DE PROPOSIÇÕES VERDADEIRAS e a um MÉTODO. Concepção que se pode qualificar de puramente sintáxica. (pt de vista sintático) 3. “Milagre grego” etnocentrismo que levou à ideia de que a civilização chinesa não teve a chance de conhecer o pensamento científico. Já é tempo de se reconhecer o ponto de vista semântico, isto é, quais tenham sido os métodos utilizados ou o caráter religioso do ambiente cultural, p. ex., a correspondência feita pelos Mayas do ciclo de Vênus com o ano terrestre, ou ainda a construção de um quadro que previa a visibilidade dos eclipses solares são, em si, conteúdos científicos. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 8
  • 9. 2. Duas questões sobre a falibilidade das ciências i. A refutabilidade: as hipóteses comportam núcleos metafísicos. Ex.: Resultado negativo das experiências de Albert Michelson e Edward W. Morly levaram Einstein a admitir a constância da velocodade da luz e a mudar o conceito de tempo da mecânica newtoniana. O exemplo mostra que a hipótese tem de ser testada e retestada. O que se confronta com a experiência é o conjunto da teoria; o que inclui a parte da teoria que permite construir instrumentos. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 9
  • 10. Ponto de vista REALISTA para definir a ciência Axioma da orientação realista: As ciências são FENÔMENOS SOCIAIS que existem e podem ser objeto de análises muito diferentes em seus pontos de vista e em suas finalidades. Como fenômenos, têm 3 componentes: 1. Teórico: conceitos, procedimentos observáveis, resultados; 2. Sociológico: fomação e organização de mão de obra científica, sociedade de especialistas, órgãos de difusão; 3. Prático: tipos de finalidades a que se propõem os investigadores ao construir os conhecimentos científicos. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 10
  • 11.  As ciências pressupõem uma representação, isto é, elaboram conceitos que podem ser construídos em razão de diferentes propósitos, segundo o modelo dominante que lhes damos.  Desde o século XVIII o conceito de ciência segue o protótipo do modelo da física matemática e não é sempre assim.  A epistemologia deve ser DESCRITIVA e explicar em que consiste a natureza de uma ciência dada e como ela se desenvolve. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 11
  • 12.  Toda ciência se define por uma história; a história é, então, a primeira vertente da epistemologia. A epistemologia possui uma VERTENTE NORMATIVA que corresponde à preocupação tradicional da filosofia das ciências quando ela trata das metodologias. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 12
  • 13. AS DISCUSSÕES DO LIVRO E SEU OBJETO: o estudo contemporâneo das ciências da linguagem e as asserções que se pode fazer sobre sua natureza e seus métodos. Essas discussões sobre um conhecimento empírico do que foram as ciências da linguagem no longo termo. Há 2 razões:  os fatos importam às normas: uma proposição factual pode mudar as deduções de um raciocínio normativo;  não há verdadeiro princípio de demarcação entre diferentes orientações da epistemologia, não mais que entre epistemologia e a ciência que é seu objeto. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 13
  • 14. A concepção minimalista das ciências da linguagem  O saber linguístico: múltiplo e de natureza ambígua. 1. EPILINGUÍSTICO: não possui representação; natureza pouco clara tese substancialista. 2. METALINGUÍSTICO: simbólico. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 14
  • 15. Ciências da linguagem  Fenômeno social cuja aparição é passível de ser empiricamente reconhecida. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 15 Datação: virada do III para o II milênio para os povos bilingues sumérios /acádios Provas empíricas: um QUADRO de paradigma de flexão/declinação verbal. Escrita: tecnologia material externa bidimensionalidade do quadro.
  • 16.  Por substituição, os paradigmas são equivalentes a um conjunto de regras e podem, em si, ter função de gramática.  Ao mesmo tempo que os paradigmas, apareceram os primeiros elementos de uma metalinguagem gramatical, ou seja, os PRIMEIROS TERMOS TEÓRICOS DAS CIÊNCIAS DA LINGUAGEM.  Assim que isso constituiu um corpo de doutrina o saber linguístico logo compôs a GRAMÁTICA.  Sentido do termo GRAMÁTICA: 1. categorização de unidades; 2. presença de exemplos; 3. Existência de regras mais ou menos explícitas para construir enunciados (os exemplos colhidos fazem as vezes dos enunciados). 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 16
  • 17. OBSERVAÇÃO: − As listas de paradigmas completos não fazem parte das gramáticas greco-latinas clássicas, sua aparição está ligada à pedagogia das línguas. − CATEGORIZAÇÃO  A categorização de unidades supõe: o termos teóricos; o fragmentação da cadeia falada. A fragmentação é uma representação teórica da língua (suscetível de ser verdadeira ou falsa) e não é independente da categorização (recortar implica classificar). − TERMOS TEÓRICOS o partes do discurso, suas definições, suas propriedades.  A tradição ocidental revela surpreendente longevidade dos termos teóricos da gramática (“verbo”, “artigo” etc.). 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 17
  • 18. − A ESTABILIDADE DOS EXEMPLOS  A constituição de um corpo de exemplos é elemento decisivo para a gramatização de uma língua e é: o núcleo da língua normalizada; o testemunho de uma realidade linguística; o substituto de certas regras faltantes; o contraexemplos a regras e à descrição morfológica; o motivo de novas descrições. OBSERVAÇÃO: − As gramáticas tiveram estilos diferentes. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 18
  • 19. O processo da gramatização • gramáticas • dicionários Revolução tecnológica • mudança na ecologia da comunicação humana Consequências teóricas • comparação das línguas • estudo da história das línguas Nova revolução tecnológica • matematização da gramática • automatização progressiva do tratamento da linguagem natural Objetivo: refletir sobre os pressupostos teóricos dessa revolução. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 19
  • 20.  O realismo epistemológico que impõe ser essa longa tradição trilhada por descobertas e incontestáveis conquistas técnicas constitui a única realidade das ciências da linguagem da qual deve partir toda análise. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 20
  • 21. IV. O caráter empírico da linguagem 1. Os princípios de classificação; a multiplicidade de pontos de vista; a criteriologia classificatória  Classificação: atribuição de propriedades ou conjunção de propriedades exclusivas. PRIMEIRAS CLASSIFICAÇÕES  Aristóteles e as disciplinas: i. Teóricas ii. Poéticas (ciências da produção) iii. Práticas (ciências da ação)  Critério ontológico. Classificação superada. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 21
  • 22.  Persistência do critério ontológico: 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 22 • Matéria inerte - Física • Matéria viva - Biologia Ciências da natureza • Homem - Psicologia • Homem – Sociologia Ciências do homem Protótipos: Fisiologia : C. Bernard, Introduction à l’étude de la médicine experimentale – ciências experimentais Matemática: c. hipótético-dedutivas.
  • 23.  Outros critérios: 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 23 • Razão • Memória • Imaginação Faculdades humanas • Teoremática (c. das leis) • História (c. dos fatos) • Canônica (c. das regras ideais d e realização) Questões (que é possível? real? bom?)
  • 24.  Outros critérios: 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 24 • Dedução (c. dedutivas) • Indução (c. experimentais) • Interpretação (c. hermenêuticas) • Introspecção (c. psicológicas) Aspectos metodológicos (acéscimo desses aspectos a partir do séc. XIX)
  • 25. A hermenêutica Protocolo [l] Sejam Sc o sujeito que constrói o conhecimento, Oc seu objeto e Pi uma propriedade. A asserção por Sc de Pi (Oc) possui duas condições prévias: (i) Pi (Sc) foi/é verdadeira; (ii) Sc sabe que (i) Bem entendido, essas duas condições são perfeitamente preenchidas se: [l’] (i) Pi corresponde a um “estado intencional” (por ex. a dor) do sujeito humano; (ii) Oc é ele mesmo um sujeito humano; (iii) Admite-se a hipótese de que os estados intencionais são os mesmos para todos os homens. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 25
  • 26. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 26 Ciências Humanas Compreensão Ciências da natureza Explicação Uma trivialidade = as ações humanas resultam de intenções. Uma redução abusiva = os eventos intencionais constituem ordem de realidade autônoma, suscetível de ser base para compreender as ações humanas, que seriam totalmente inaplicáveis de TÉCNICAS gerais como a dedução, a estatística e o raciocínio causal. Esse entendimento revela:
  • 27. A causalidade Oposição CIÊNCIAS NOMOLÓGICAS x CIÊNCIAS QUE DESCREVEM AS RELAÇÕES CAUSAIS Relação de causalidade = relação entre 2 eventos (A e B), sendo um CAUSA e outro EFEITO. Axiomas: 1. Não há efeito sem causa; 2. As mesmas causas têm os mesmos efeitos. 3. O efeito não pode preceder sua causa no tempo; diante disso, fica excluída a possibilidade de que um evento futuro possa explicar um evento presente. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 27
  • 28. De 1 e 2 deduz-se que: → se A e B exemplificam uma relação de causalidade → se A se apresenta, então, B se apresenta (causalidade suficiente) → se B ocorre, então, A ocorreu (causalidade necessária) √ A causalidade suficiente, mas não necessária, deixa entender que para o mesmo efeito há muitas causas possíveis disjuntas. √ A causalidade necessária, mas não suficiente, implica que a produção do efeito supõe o conjunto de muitas causas. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 28
  • 29. [2 iv] condição INUS → sejam A e B dois eventos compostos, tais que A é suficiente, mas não necessário à produção de B; um fator que compõe A, seja Fa, necessário, mas não suficiente para a produção de A, é dito condição INUS para B. Importância epistemológica da condição INUS : relação suficiente para uma causa. Se a relação causal não corresponde a uma regularidade, mesmo estatística, trata- se de uma singularidade, raciocínio encontrado a posteriori (entrevistas policiais, história, incluída a história das línguas). 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 29
  • 30.  A relação de causalidade pode se formalizar, mas ela não é simplesmente uma estrutura abstrata como se pode conceber ser a lógica formal. Ela é uma representação geral da maneira pela qual as coisas se passam no mundo, por consequência ela é estreitamente dependente de uma ontologia. Uma disciplina empírica que utiliza as relações de causalidade é ipso facto concebida como uma disciplina empírica. Está longe de ser evidente que as relações causais desempenham papel importante nas ciências da linguagem. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 30
  • 31. As disciplinas formais 1. O valor de verdade não depende de relação com os fenômenos. 2. O realismo epistemológico contra a fraqueza da lógica classificatória  confusão quanto à classificação das ciências;  indispensável vislumbrar as ciências com base em suas propriedade globais;  é possível cruzar propriedades das disciplinas: propriedades ontológicas e metodológicas;  realismo epistemológico: abordar as características de uma disciplina por suas propriedades atestadas.  o ponto essencial é considerar características homogêneas de traços (além de validação, ontologia e técnicas de investigação) definindo a cada vez as dimensões de um espaço no qual podemos projetar as disciplinas; 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 31
  • 32. O tetraedro da validação  A aplicação do tetraedro permite saber se a disciplina X tem ou não a propriedade P = se é empírica.  Qualquer que seja a disciplina, ela recebe propriedades epistemológicas particulares em razão do modo de VALIDAÇÃO DO CONHECIMENTO.  Perguntas: o que é verdadeiro e falso em nossas asserções? Que temos de fazer para assegurar o valor de verdade de uma proposição que veicula um conteúdo do conhecimento? Desse ponto de vista, é possível distinguir 4 tipos de proposições: 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 32
  • 33. Proposições 1. Um TEOREMA é uma proposição (“p ou não –p”) cujo valor de verdade depende somente de ser uma expressão bem formada de um sistema dado, obtida a partir dos axiomas e das regras de dedução admitidos. O problema de ter ou não relação com o mundo real é secundário. 2. Uma REGRA é uma prescrição (“É proibido fumar”) e não tem sentido se perguntar se ela é verdadeira ou falsa. Ela não diz o que é, mas o que deve ser. Não tem necessidade de ser deduzida: sua asserção é suficiente. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 33
  • 34. Proposições 1. Um FATO é asserção não universal (“Napoleão venceu Waterloo”), cujo valor de verdade depende da existência ou não do que ele afirma. Geralmente, designa-se “fato” a referência de tais asserções, melhor seria dizer “enunciado factual”. Um dos traços idiossincráticos das ciências da linguagem é que pode não haver diferença real entre um fato e a expressão que o significa, porque uma expressão linguística é suscetível de ser seu próprio nome (autonímia). 2. Uma LEI é uma asserção universal. Geralmente, as lei são expressas sob a forma de funções analíticas de variáveis reais, mas não se trata de uma obrigação e são consideradas leis dos enunciados universais que conectam puramente propriedades qualitativas (Todos os mamíferos são vivíparos). 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 34
  • 35. Tetraedro de validação 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 35 1- Teorema 4 - Fato2- Regra 3- Lei 1- Formal 3- Nomológico 2- Normativo 4- Histórico
  • 36.  Estudar o caráter “empírico” da línguística não é definir ou “classificá-la” entre todas as ciências, é explorar o modo pelo qual se pode situar suas coordenadas no ângulo 3-4. Isso não quer dizer que todas a suas coordenadas devam se reduzir a um ponto sobre esse ângulo. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 36
  • 37. O objeto empírico  Definição ontológica do objeto empírico: [3] O objeto empírico deve ser: i. externo ao sujeito cognoscente; ii. Independente do dispositivo cognitivo. [3´] O objeto empírico possui, vis-à-vis ao sujeito do conhecimento, o estatuto de “dado”. 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 37 Definir Traços comuns entre os objetos empíricos e os formais Definir Traços comuns entre os objetos empíricos e os formais
  • 38. [3] iii. O objeto empírico é necessariamente uma entidade temporal. [3´´] O objeto empírico deve: i. ser acessível por protocolos definidos e revogáveis por qualquer um. ii. Existir independentemente do dispositivo cognitivo 09/04/2016 Disciplina: História das Ideias Linguísticas 38

Notas do Editor

  1. Referência AUROUX, Sylvain. Qu’est-ce la science? Larousse Annuel, 1995.
  2. Axioma: premissa imediatamente evidente que se admite como universalmente verdadeira sem exigência de demonstração. (Filos.)
  3. Primeiros gramáticos: Panini (século VI a, C.); Dionísio o Trácio (~170 ~80); Aplônio Díscolo (século II); Varrão (116-26)
  4. Capítulo 2, p. 127 a 175.
  5. Francis Bacon, que retoma d’Alembert (século XVII, ~1620) Adrien Naville, Nouvelle classification des sciences, 1901 (1ª edição com outro título, 1799)
  6. Francis Bacon, que retoma d’Alembert (século XVII, ~1620) Adrien Naville, Nouvelle classification des sciences, 1901 (1ª edição com outro título, 1799)
  7. Nota 1 (p. 133) Um “Insufficient but Necessary” parte de uma condição que é em si “Unnecessary bat Sufficient” . Cf J. L. Mackie, Causes and Conditions, American Philosophical Quarterly, 1965, 2-4.
  8. É a física matemática que introduziu esse tipo de lei (lei da queda dos corpos (Galileu): espaço = ½ Ktempo2; lei de Mariotte: Pressão x Volume /Temperatura = K . Mas o modelo se encontra em outros domínios: lei da quantitativa da moeda (Hume e Ricardo): Oferta da Moeda X Velocidade de circulação da moeda = nível dos Preços X Transações; Lei psicofísica de Fechner: dSensação/dExcitação = K etc.